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SKYLAR The Club Girl Diaries #7 Addison Jane


Disponibilização: Eva

Tradução e Revisão Inicial: Cris, Rezinha, Ma.K, Sachie

Revisão Final: Thay

Leitura Final e Formatação: Eva

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The Club Girl Diaries Series

SKYLAR The Club Girl Diaries #7 Addison Jane


Skylar pensou ter superado seu passado há seis anos. Crescendo, sua vida foi ditada e reforçada com um punho pesado. As pessoas que deveriam amá-la e protegê-la foram as que lhe causaram mais dor. Então ela arriscou tudo e fugiu. O Brothers by Blood MC deu a Skylar a chance de explorar sua própria mente e corpo, e trabalhar para um futuro em que tivesse o controle. Skylar jurou nunca se apaixonar por um irmão, não querendo perder a vida que construiu. Quando está com Eagle durante uma corrida do clube, Skylar está determinada a tirar um sorriso do irmão sombrio e temperamental. O que começa como um jogo divertido, logo se transforma em algo muito mais profundo do que ela espera. Ela está pronta para arriscar tudo de novo se ele não sentir o mesmo?

Eagle não gosta de ficar quieto por muito tempo. Depois de muitos anos no exército, sua sorte finalmente acabou, e ele teve que assistir impotente enquanto seu grupo foi morto. As pessoas com quem ria e compartilhava sua vida, de repente se foram.

Há momentos em que as memórias são demais e ele fica preso em seu próprio inferno pessoal, mas se tornou parte de quem é, algo que sente ser seu fardo a suportar. Ele nunca esperou quebrar na frente de Skylar para que ela o visse no pior. Ela não tenta consertá-lo. É atrevida, sarcástica, e faz os momentos em que ele pode respirar novamente valerem a pena atravessar o inferno. Mas como reivindica uma mulher que se recusa a pertencer a alguém a não ser a si mesma? Nenhum deles sabe como dizer ao outro como se sente, mas quando o passado retorna com uma vingança, eles simplesmente ficam sem tempo para descobrir.

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Por favor, atenção: os personagens, Eagle e Leo, enquanto no Exército são referidos como Max Knight (Eagle) e Ethan Jamison (Leo).

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Skylar

"Não vou fazer isso!" Grito quando os membros da Colônia se afastam, o pedaço de papel que meu pai segura em suas mãos me encarando como se fosse uma sentença de morte. "Por favor, pai! Por favor." Agarro as mãos do meu pai enquanto ele me segura forte contra o peito, tento arrancar o papel das suas mãos, determinada a destruí-lo. Chuto, choro, luto contra ele, mas não adianta. Meu pai é muito mais forte que eu. Lutar é inútil, não há como fugir do seu aperto. "Pare agora, Sapphire!" Ele diz, apertando meu corpo o suficiente para forçar o ar dos meus pulmões e me deixar ofegante. Não me importo, sei o que isso significa. Esta carta é para dizer a minha família com quem me casarei, com quem terei filhos e passarei o resto da minha vida em completa obediência. Meninas não podem escolher seus maridos, eles são escolhidos pelos profetas que dirigem a Colônia. Não é o que quero. Como isso pode ser o que alguém quer? Quando paro de lutar, meu corpo fica tonto enquanto luto para respirar e meu pai me joga na grama úmida. O orvalho da manhã instantaneamente molha meu vestido e congela as pontas dos meus dedos enquanto deito lá, meus pulmões arfando por ar.

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"Levante-se" ordena meu pai, seu tom afiado como a lâmina de uma faca. Fico de joelhos e levanto meu corpo antes de girar para encarar o homem que me deu a vida e a roubou de mim. "Como você pode deixar isso acontecer?" Choro e aponto acusadoramente. Ele dá um passo ameaçador, mas recuso-me a recuar. Minha mãe está na pequena varanda do nosso velho trailer, a mão cobrindo a boca enquanto balança a cabeça com decepção. As esposas do meu pai estão às portas de seus trailers, observando com avidez o que virá dessa grande traição. Algumas parecem alegres, outras preocupadas. Cada uma das esposas tem seu próprio trailer ― seis no total ― que formam um semicírculo, permitindo que meu pai se mova facilmente de um para outro enquanto apoia igualmente cada uma. Posso ver o balanço das cortinas atrás deles, meus irmãos e irmãs observando enquanto fico cara-a-cara com nosso pai. Este é o homem que deveria nos proteger, criar-nos e mostrar o caminho para uma bela fé em conjunto, mas que na minha mente não tinha feito nada a não ser tornar-se superior. Sei que sou diferente. Sei que vejo o mundo através de uma lente diferente das outras pessoas dentro da Colônia. Meu pai culpa minha avó. Antes de morrer, ela me deu todos os seus pertences. Havia livros e jornais antigos que trouxe do mundo exterior antes de se juntar à Colônia. Contou-me histórias sobre quando era criança e adolescente. Histórias sobre o amor de um homem e como deveria ser, e não como a Colônia e os líderes o retratam. Aqui ensinam que um homem é todo poderoso, que devemos agradecer ao sermos tomadas como esposa e abençoadas por levar

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a criança de um homem no ventre. Mas o ato de ter filhos é puramente para reproduzir e agradar nossos maridos. As palavras da minha avó sobre o amor sempre voltavam uma e outra vez na minha mente. Um homem que me amaria, que me encorajaria a perseguir minhas paixões, que enviaria arrepios através do meu corpo quando me tocasse. É o que quero. Não quero ser possuída como uma propriedade. "Entre e termine suas tarefas," meu pai ordena, virando as costas para mim. "Não," respondo, isso o faz congelar antes mesmo de dar um passo. Os olhos da minha mãe arregalam, e ela começa a balançar a cabeça. "Por favor," ela implora, dando um passo na varanda e estendendo a mão para ele. "Ela é apenas uma criança, não sabe o que está dizendo." Abro minha boca, pronta para contradizê-la, para dizer aos dois que sei exatamente o que estou fazendo e dizendo. Mas antes que eu possa meu pai se move, seu punho encontra o meu maxilar e me joga de costas na grama úmida. Lágrimas escorrem dos meus olhos e descem pelo lado do rosto, dor irradiando por minha cabeça e me fazendo sentir como se estivesse doente e prestes a desmaiar. Imaginei que já estaria acostumada a isso, mas juro que a dor de ser atingida nunca fica mais fácil. Deito por alguns instantes, os soluços da minha mãe e a respiração do meu pai em torno de mim. Ninguém vem em meu auxilio. Ouço seus passos se afastando, meu pai andando com raiva quando puxa minha mãe, logo desaparecendo sobre a colina em

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direção ao complexo. As outras esposas tomam a dica enquanto deito lá, minha cabeça tonta e o sangue escorrendo do meu lábio, levando seus filhos na mesma direção que meus pais foram. Fecho os olhos, deitada na grama, desejando que o chão se abra neste momento e me engula inteira. Qualquer destino será muito menos doloroso do que viver neste lugar por mais um momento da minha vida.

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Skylar

Fico em estado de choque, olhando uma irmã que não vejo há quase cinco anos, mas reconheço facilmente sem um segundo olhar. Quando a puxo de novo, começo a rir enquanto envolvo meus braços ao redor do seu corpo magro, encostando-a contra mim. "Não posso acreditar. Como você está aqui?" Pergunto com total admiração. Ela não responde, seus dedos cavam na minha cintura enquanto ela me segura como se pensasse que posso ser afastada dela a qualquer momento. Afasto-me do seu aperto momentaneamente, minhas mãos segurando seu rosto. Ela está com medo, seus olhos estão passando entre Chelsea e Deacon enquanto eles ficam silenciosamente ao nosso lado. "Está tudo bem," sussurro gentilmente. "Eles são amigos." Deacon assente em acordo. "Como disse antes, sou um policial. Estou aqui para ajudá-la." Os olhos de Emerald parecem suavizar em Deacon e ela respira fundo, seguro-a com força como costumávamos fazer quando crianças. Quanto mais tempo segurar a respiração, mais força seu corpo absorverá. Costumávamos ter competições ― uma luta para ver quem era mais forte, o que muitas vezes resultava em um ou mais de nós desmaiando, porque éramos teimosos. Mas naquela época, também precisávamos de muita força.

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Ao expirar, ela ergue o queixo um pouco mais, e suas mãos trêmulas ficam firmes. "Eu fugi," ela responde suavemente. "Papai ia me fazer casar com um homem horrível que se juntou à Colônia meses atrás." Sua sobrancelha ergue com força, com se sua raiva em relação ao nosso pai ainda estivesse queimando dentro dela. "Ele é diferente, Sapphire. Ele não se encaixa..." ela faz uma pausa e depois continua, "...ele não usava nossas roupas nem falava como nós." É estranho ouvi-la me chamar por um nome que jurei há tantos anos atrás que eu nunca usaria novamente. Sapphire não é mais quem sou. Ela era obediente, onde me tornei teimosa. Ela era fraca, onde agora sou forte. Aperto meus lábios juntos, sem saber o que minha irmã está dizendo. Os anciãos e profetas sempre foram muito rigorosos em relação a estranhos que entravam na Colônia. Era basicamente proibido, a menos que viessem se juntar a nós, e então seriam forçados a desistir de suas posses e modo de vida, mas, acima de tudo, deveriam seguir as regras. "Você falou com esse homem?" Pergunto. Um rubor carmesim se espalha por suas bochechas. Suas mãos caem no colo, e ela abaixa a cabeça como se estivesse esperando um castigo, mas não tenho ideia do que fazer. "Emerald," sussurro. "Diga-me o que ele fez." Posso sentir o tom da minha voz mudar, a maneira como falo é diferente quando volto aos velhos hábitos. Demorou muito tempo para mudar a maneira como ajo, e forma como as palavras saem dos meus lábios. Não crescemos usando gíria, e carregamos o que posso identificar agora como um sotaque estranho. "Não posso dizer," ela sussurra, sua voz embargada. Ele a machucou, posso ouvir e ver em seu rosto.

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Quem quer que seja esse homem, fez algo para que minha bela e geralmente vibrante irmã se fechasse em si mesma com medo. Isso me deixa com raiva. Fico furiosa com eles e comigo mesma. Não é como se eu não tivesse pensado em voltar para meus irmãos. Sinto culpa quase todos os dias por deixá-los lá sem proteção enquanto vivo essa incrível vida de liberdade. Mas sei que voltar e talvez ser pega significará o fim da minha vida. Em vez disso, estou trabalhando duro para ser alguém, então, talvez um dia, possa encontrar autoconfiança para resgatá-los e mostrar que o mundo fora da Colônia é um lugar bonito. Não um lugar a ser temido, nem um lugar de pecado, mas um lugar de vida. "Ela está em perigo?" Pergunta Chelsea, colocando a mão no meu ombro. Reconheço a preocupação em seus olhos. "Possivelmente. Eles podem estar procurando-a." Ela assente. "Acho que devemos conversar com Optimus, ver se há algo que o clube pode fazer para ajudar." Meu coração aquece, e coloco a mão sobre a dela, dando um leve aperto. "Isso seria bom." "Vou com você," diz Deacon, dando um passo à frente. Embora suas palavras sejam dirigidas a mim, seus olhos estão focados em minha irmã. São intensos e inabaláveis, mas há algo mais flutuando nas profundezas do seu olhar, uma emoção que não consigo identificar. Depois de alguns longos segundos, ele finalmente vira para mim, como se o feitiço que Emerald lançou sobre ele fosse quebrado. Ele limpa a garganta, e levanto uma sobrancelha com curiosidade. "Ela está tecnicamente sob minha custódia até que eu possa encontrar um membro da família ou alguém para cuidar dela temporariamente enquanto descobrimos o que está acontecendo. Ela ainda é menor de idade."

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Meu estômago afunda. Ele está certo. Emerald tem apenas dezessete anos, não terá dezoito por mais quatro meses. "Eles vão tentar levá-la de volta para casa?" Pergunto, meu coração acelerando. Emerald olha para chão enquanto Deacon apenas sorri. "Sua irmã foi inteligente o suficiente para não nos fornecer informações sobre quem são seus pais e onde podemos localizá-los. Não está carregando nenhuma identificação, a única coisa que tem com ela é uma foto sua." Ele puxa-a do bolso e mostra. "Houve um alerta enviado ontem com esta foto, felizmente reconheci seu rosto e consegui que trouxessem Emerald para mim." "Estavam felizes em se livrar de mim," Emerald sussurra amargamente. "Souberam de onde vim, mesmo insistindo que estavam errados, e falaram comigo como se eu fosse..." seus olhos encaram o teto como se estivessem procurando em seu cérebro a palavra certa. "Louca?" Ofereço, revirando os olhos. É típico, e sei exatamente o que quer dizer. As pessoas que moram nas cidades e municípios que cercam a Colônia pensam que somos basicamente um hospício, que todos somos cores em falta num arco-íris. No início, também me ofendia, que existisse tais preconceitos tendenciosos sobre o mundo de onde viemos. Principalmente porque, enquanto tenho objeções pela forma como fomos tratados e pelas coisas que fomos ensinados a acreditar, na maior parte, tive uma infância cheia de momentos felizes e uma família cheia de irmãos e irmãs que adoro com todo meu coração. Não somos todos loucos, mas percebo agora que os responsáveis pela Colônia são.

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Ligo para Sugar e ela me dá permissão para fechar a loja mais cedo depois de saber o que houve. Emerald bate o pé nervosamente no banco traseiro da viatura de Deacon enquanto fazemos a curta viagem ao complexo. "Qual é o clube do qual você fala?" Ela sussurra para mim, olhando em volta com os olhos arregalados quando passamos pela rua principal de Athens. "Umm..." enrugo o nariz, tentando pensar em como explicar os Brothers by Blood para minha irmã, que talvez nunca tenha visto uma moto. A Colônia fica numa pequena cidade, ao sul de San Antonio, Texas. Os membros constituem oitenta por cento da população, e as poucas pessoas lá que não fazem parte da Colônia, nós éramos proibidos de falar ou olhar quando passavam. A polícia é toda de membros da Colônia, e as lojas são de propriedade deles também. Alguns homens tinham suas esposas espalhadas pela cidade em pequenas casas, revezando-se entre cada uma. Apesar do meu pai ter um grande pedaço de terra onde possuí uma casa, suas esposas moravam do lado de fora em seis grandes trailers que mal tinham tamanho suficiente para duas pessoas, muito menos para suas esposas que tinham quatro ou cinco filhos cada. Esse é o meu pai para você. O homem mais egoísta e egocêntrico de todos os tempos, fazendo com que suas esposas vivam no frio enquanto ele tem uma enorme casa somente para si. Estremeço, limpando a garganta e tento lutar contra as furiosas emoções dentro de mim. Faz muito tempo que pensei na Colônia e na minha família. Tentei esmagar essas horríveis lembranças e preencher minha vida com as boas. Agora, Emerald está de volta, e sei que as coisas vão mudar. "O clube é difícil de explicar, Emerald, não quero que se assuste. Essas pessoas, são meus amigos. Eles estão aqui para nos

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ajudar," digo a ela, tentando aliviar suas preocupações, mas no segundo que entramos nos portões atrás de Chelsea, sei que as palavras não fizeram efeito. "Não, leve-me de volta. Quero sair," ela diz em pânico quando Deacon estaciona o carro e ela vê Optimus e Blizzard de pé ao lado da porta da frente com os braços cruzados sobre os peitos, olhando a viatura. Nas cores do clube e seus coletes, os dois homens ― tenho que admitir ― parecem intimidantes. São altos e largos, parecendo desalinhados com rostos sem barbear e cabelos bagunçados. Quando uma moto ruge para dentro do complexo atrás de nós, Emerald grita e sobe no assento, apertando meu braço, os olhos arregalados de medo. "Está tudo bem," tento acalmá-la. Ela treme como uma folha na brisa de outono, como se estivesse prestes a ser arrancada da árvore e cair no chão. "Escute, Emerald, eles são meus amigos." Minhas palavras parecem fracas quando Deacon sai do carro e Op se aproxima. "Caralho, o que está fazendo aqui?" As mãos de Emerald afundam dolorosamente na minha pele, sua respiração tão rápida que acho que ela vai desmaiar. Deacon franze a testa. "Pode se acalmar, tenho alguém na parte de trás com Sky, e você está a assustando." Optimus sorri. "Lembre-me novamente por que diabos eu me importo?" "Optimus!" Chelsea repreende quando corre depois de estacionar seu carro. "É a irmãzinha de Skylar, e ela é um pouco nova em tudo isso, então pare de ser um idiota para que possamos tirá-la do carro e entrar em seu escritório." Não posso deixar de sorrir. Os meninos podem governar tudo aqui, mas mesmo com Op como Presidente, Chelsea não tem medo

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de se levantar e dar sua opinião quando é importante e foda-se todo o resto. Emerald ofega. "Ela... ele vai puni-la por ter dito essas coisas?" Vejo a compreensão no rosto de Op. Ele é o único no clube que sabe exatamente de onde vim. Precisei ser completamente transparente com ele antes que me deixasse entrar como uma garota do clube, mas desde então, ele manteve a informação para si mesmo. Agora, todos estão prestes a saber. Op dá dois grandes passos para trás do carro, segurando a mão de Chelsea. "Não, não vai puni-la. Ele a ama muito. Respeita o que ela tem a dizer," explico enquanto tomo suas mãos na minha. "Venha, vamos entrar e falar com Optimus." Abro a porta e saio primeiro, Emerald tropeça depois de mim e me agarra como um macaco. Envolvo os braços ao redor dela e a seguro perto, mas ela mantem seus olhos treinados no chão. Blizzard observa com uma expressão confusa. "Por que a garota está usando um vestido de Little House on the Prairie1?" Optimus revira os olhos. "Vamos, parece que temos assuntos a serem discutidos."

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Little House on the Prairie é o título de uma série de televisão americana produzida pela NBC, de 11 de Setembro de 1974 até 21 de Março de 1983. Entre 1982 e 1983 a série foi reintitulada Little House: A New Beginning.

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Eagle

Transtorno de estresse pós-traumático. Um em cada oito soldados volta para casa com ele após a implantação. Não é novo, não sou o único que tem, e me recuso a deixar isso me derrubar, mesmo depois de tantos anos. Desde que fui dispensado do exército, sou um espírito livre. Ser pego por uma bomba me deu a necessidade de estar em movimento, de não ficar num lugar por muito tempo. Acho que no meu íntimo, estou com medo que se ficar, posso ser pego novamente. Ou que talvez a morte fosse me pegar em vez disso. “Eagle?” Olho para cima e vejo Dana focada diretamente em mim, os olhos brilhantes e encorajadores. “Não quer dizer algo para as novas pessoas no grupo? Qualquer coisa que acha que possa ajudar?” Dana tem sido minha psiquiatra depois que deixei o exército. Ela foi uma das influências mais positivas em minha vida quando realmente lutei e às vezes considerei se a vida valia a pena ser vivida com tanta dor todos os dias. Ela me incentivou a continuar, a visitar amigos, a encontrar as coisas que gosto e me concentrar nelas. Foi assim que acabei encontrando o clube. Decidi fazer uma visita para Leo. Ele é meu melhor amigo, e embora mantivéssemos contato a cada dois dias, pensei que poderia me fazer sentir diferente vê-lo cara a cara.

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Leo tinha acabado de começar o tempo como prospect do clube, então ele me levou ao redor, apresentou-me a alguns dos meninos, e senti uma conexão instantânea. Leo e eu perdemos toda nossa equipe naquele dia. Fomos os únicos a sobreviver. E embora Leo esteja melhor do que eu, há uma coisa que acho que nós dois sabemos estar faltando ― ser parte de uma equipe, ter pessoas em que possamos confiar, que cuidariam de nós se o pior acontecesse. Dado que só tenho um membro da família, fui atraído para o clube e as pessoas nele. Meu irmão Jake me seguiu para o exército há alguns anos atrás e foi rapidamente pego para ser parte de uma equipe de operações especiais. Ele muitas vezes fica fora do radar por semanas, às vezes mais de um mês, em busca de líderes terroristas e membros de cartel que são ameaças à nação. Não foram muitas as vezes que voltou de mãos vazias, tendo, no entanto, tempo para garantir sua missão. Desta vez, tem sido o tempo mais longo, não ouço dele por cerca de dois meses. Só me levou alguns dias para decidir aderir ao clube. Fiz meu tempo de prospect no Alabama com Leo, mas quando peguei meu colete escolhi ser um Nômade. Posso sentir meus nervos se afundando novamente, a sensação de estar preso sem ter para onde correr e sem escapatória. Assim, desde então, basicamente me movo entre clubes a cada poucas semanas ou meses e vou para onde sou necessário. Passei alguns meses com os Brothers by Blood MC de Athens, Alabama, recentemente. Tenho que admitir ― com os meninos e as famílias que estão lá ― quanto mais tempo fico, mais ele me atrai de volta. Estou começando a me sentir em casa, e é para onde estou prestes a voltar para poder ajudar com uma corrida de caridade para Dallas. “Eagle?” Dana chama novamente, e balanço a cabeça, tentando me concentrar. “Desculpe, o quê?”

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Ela sorri. “Qualquer conselho para esses caras?” Pergunta ela, acenando a mão ao redor da sala, indicando dos dez a quinze homens e mulheres que estão sentados à minha volta. Classes de terapia em grupo não são realmente minha coisa, mas funcionam melhor para algumas pessoas do que outras. Todas as pessoas nesta sala têm alguma forma de TEPT2. Não são todos do Exército porque isso seria brincar com o TEPT, não discriminar. Ele não se importa com seu passado, seu histórico mental, qual o seu trabalho, ou a cor da sua pele. É apenas o resultado de um evento traumático em sua vida. E então essa parte torcida do seu cérebro decide que quer fazer você reviver este momento de merda, mais e mais uma vez. Limpo a garganta. “Não vou dizer alguma porra de cura mágica para o que está passando, porque não há,” falo sinceramente. Alguns arregalam os olhos em choque, mas vejo alguns relaxarem como se aliviados por me ouvir. “Faça algo que goste, visite pessoas, faça o que quer que seja que ajude a se sentir bem novamente.” Volto uma vez a cada seis meses para ver Dana privadamente, ainda lutando com memórias, pesadelos e o que chamo de 'episódios.' E toda vez ela me faz ficar para essas reuniões de grupo como se eu tivesse algo incrível para dizer e ajudá-los a passar por isso. Não tenho nada surpreendente para falar. Houve algumas vezes em que acabei falando foda-se, e não vim porque preciso pegar um avião para chegar aqui, por que os irmãos não têm um clube aqui na Califórnia, e realmente não gosto de ficar em algum lugar sem a família nas minhas costas. Está na agenda, no entanto. Há alguns irmãos ansiosos para vir aqui e começar algo, mas também exige um monte de esforço e planejamento, e não está no topo da lista de coisas a fazer.

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Transtorno de estresse pós-traumático.

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É a viagem de avião que, na maior parte, me impede de fazer o esforço, no entanto. E sei que é uma desculpa estúpida. O avião me faz sentir preso. Estar preso no ar, sem lugar para escapar não é minha ideia de diversão, porra. Muitas vezes leva alguns dias antes de começar a me sentir normal de novo, como se não fosse arrancar a cabeça de alguém quando acidentalmente roça em mim ou diz a coisa errada. Como estou, já posso sentir meu estômago virar com o pensamento de três horas de voo de volta para o Alabama. Quando a reunião do grupo chega ao fim, sento e espero Dana dizer adeus a seus pacientes e acompanhá-los até a porta antes de voltar e se sentar. “Esclarecedor como sempre...” ela ri. Bufo. “Não sei por que me faz participar dessas reuniões, não há nada que eu possa dizer ou fazer para ajudá-los. Especialmente desde que ainda luto a cada maldito dia, também. Lembra?” “Mmhmm.” Ela balança a cabeça. “E é exatamente por isso que o trago aqui. Porque essas pessoas em particular, têm amigos e familiares lá fora para arrastá-los de casa e trazê-los para essas reuniões, porque não querem deixar sua cama, seu quarto ou sua casa.” Faço uma careta, meu estômago revira quando me lembro como é estar assim durante as primeiras semanas. “Eles precisam ver alguém que ainda está passando pelo mesmo que eles, mas vive como uma pessoa normal. Alguns podem não tomar conhecimento, mas pode haver uma pessoa nesse grupo que diga... Hey, isso é possível.” Cruzo os braços sobre o peito e afundo na cadeira. Dana ri quando vai para o quadro e começa a limpá-lo. Então, talvez ela esteja certa. E eu porra odeio quando ela está certa porque é todo o maldito tempo. “Sabe, tenho te visto por tanto tempo, que honestamente não posso esperar pelo dia em que virá com uma namorada ou esposa.

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Talvez até mesmo algumas crianças.” Ela olha por cima do ombro e sorri, e posso dizer que é genuíno. Esta senhora, não importa o quanto empurra meus botões, realmente me guiou através de momentos ruins. Saio da cadeira e me dirijo para a porta. “Continue a sonhar, doutora.” Sua risada me segue para fora do prédio. Claro, crianças são algo que posso me ver tendo no futuro, mas estou honestamente doente dessas mulheres que me veem como um homem quebrado e estão determinadas a me curar como a porra de um pássaro ferido. Algumas correm quando tem um olhar de primeira-mão dos meus pesadelos. Outras ficam frustradas quando me recuso a tomar os comprimidos para tentar parar os episódios, porque as pílulas me fazem sentir como um maldito zumbi. Não preciso dessa merda. Prefiro estar fodido, e lidar com os flashes de dor do que apenas completamente insensível a tudo. Como isso é viver? Não devo isso aos amigos e membros da equipe que perdi? Recordar e viver por eles? Vejo um táxi e levanto o braço, ele imediatamente faz algumas manobras seriamente loucas para chegar até onde estou ― buzinas soam, as pessoas pisam nos freios, o barulho de pneus. Um sentimento de congelamento preenche minhas mãos e viaja até meus braços. Luto contra ele, olho-as, sei que, embora pareça que tenha acabado de tirá-las de dentro de um freezer e fechado a porta, é apenas minha mente ― minhas memórias criando sensações que rastejam acima dos meus dedos e assumem meu corpo.

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Meus ouvidos estão zunindo, é tão agudo que dói. Tento coçálos, mas meu corpo não responde ao que estou dizendo a ele para fazer. Preciso manter a respiração e tentar não me concentrar na dor. Há mais. Minha cabeça, meu estômago, consigo sentir minhas pernas? Na verdade, não tenho certeza. Preciso sair daqui, por favor, deixe-me sair daqui.

Minha mandíbula aperta com tanta força que me pergunto se desta vez posso quebrar um dente. Meus dedos abrem e fecham, cortando a dor e gentilmente me trazendo de volta à realidade. Minha respiração está afetada, e coloco a mão no peito enquanto luto para respirar fundo. “Para onde homem?” O motorista do táxi diz pela janela com um sorriso. Finalmente, consigo inalar e encher meus pulmões. “Aeroporto...” digo a ele, antes de acrescentar, “... e não dirija como um idiota ou teremos problemas.” “Sem problema, aviso justo, no entanto. Ouvi dizer que está um pouco turbulento até lá hoje,” ele responde feliz quando se afasta do meio-fio. “Incrível pra caralho.”

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Skylar

Levo Emerald para a porta com Deacon do seu outro lado. Os outros nos seguiram, Blizzard ainda parecendo extremamente confuso. Reunimo-nos no escritório de Optimus, e sento no grande sofá com minha irmãzinha ainda agarrada firmemente a mim. Deacon felizmente dá-lhe algum espaço e senta no braço da cadeira. Optimus senta atrás da sua mesa com Chelsea ao lado, enquanto Blizzard se encosta na porta, olhando Emerald em confusão. “Desculpe por isso, Optimus... Deacon apareceu na loja com ela, e realmente não tinha ideia do que fazer,” tento explicar. “Esta é minha irmã, Emerald. Ela fugiu do meu pai porque ele está tentando forçá-la a se casar.” Os olhos da Blizzard se arregalam enquanto Optimus apenas balança a cabeça. "Jesus Cristo. Como ela chegou aqui?" Deacon fala, explicando brevemente o que aconteceu e como ele descobriu que ela é minha irmã e a trouxe para mim. “Bem, se não é um cavaleiro numa brilhante armadura do caralho,” Op murmura. Chelsea empurra seu ombro, e ele olha para ela com um sorriso de menino inocente antes de se voltar para mim. "Então o que está acontecendo? Seu pai virá procurá-la?” Faço uma careta. "Não tenho certeza. As coisas estão um pouco estranhas. Emerald disse que o homem com quem iria casar não é membro da Colônia, o que sempre foi proibido. Peço para que

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ela tenha alguma proteção. Ela ainda tem dezessete anos, o que significa que pode ser enviada de volta como fugitiva.” Op suspira e recosta-se na cadeira. “Um, não gosto de como de repente está falando tão estranho, caralho,” diz ele com uma careta e estremeço. Depois de seis anos, basta isso para eu começar a voltar a hábitos que lutei tanto para erradicar. “E dois, sabe que é parte desta família, mas a realidade é que há uma maneira que as coisas funcionam.” Meu estômago revira. Já sei a resposta. “Existem regras, Sky,” ele continua. Posso ver que ele está sinceramente arrependido que seja assim. “Você é uma garota do clube, está sob proteção por causa do que faz para nós. Infelizmente, isso não inclui sua irmã. Não podemos abrigá-la aqui, e não podemos oferecer a proteção do clube.” Limpo a garganta e concordo. Na minha cabeça estou passando por todas as coisas, quanto dinheiro tenho na conta bancária, se será suficiente para manter-nos, e se o que Sugar paga me permitirá ficar na faculdade. “Então terei que―” “Você não vai fazer nada agora,” Deacon interrompe, balançando a cabeça. “Ela pode ficar comigo.” As costas de Emerald ficam completamente retas, e ela vira para olhar Deacon. Minha boca abre, e fico atordoada por alguns momentos. Vejo Chelsea levantar seu rosto, mas Op e Blizzard reviram os olhos quando finalmente afasto a surpresa. “Você não pode... quero dizer, por quê?” “Ela se sente confortável comigo,” diz ele, olhando Emerald como se pedindo para confirmar seus sentimentos. Ela se vira para mim e acena com a cabeça uma vez. “A polícia aqui, eles não fazem parte da Colônia?”

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Bufo. “Não, definitivamente não fazem. Eles são bons, mantêm as pessoas seguras.” “Tenho dois meses de licença. Só ia ficar na cidade e incomodar Optimus.” Deacon sorri para o presidente do clube, que o encara. “Ela pode ficar comigo, o que vai dar-lhe tempo para poupar dinheiro e formar um plano.” “E por que, posso perguntar, está tirando dois meses de licença?” Blizzard pergunta curiosamente. O corpo de Deacon congela por um segundo, os olhos brilham antes que ele pisque afastando a névoa. “Meu pai faleceu, então minha mãe chegará em algumas semanas para ficar comigo depois que sua irmã sair. Tenho férias atrasadas, então resolvi tirar tudo de uma vez.” A mão de Chelsea vai para o seu coração. “Sinto muito, Deacon,” ela diz suavemente, e observo Op acenar com a cabeça, mas não fala nada. “Está tudo bem,” responde, forçando um sorriso. “Parece que tudo deveria ser assim.” “Sky?” Diz Op, chamando minha atenção. “Está bom para você? Sabe que odiaríamos te perder, mas também respeito que esta é a sua família.” Parte de mim quer dizer não, que vou cuidar da minha irmã, ela é minha responsabilidade, mas a parte inteligente do meu cérebro sabe que se ficar longe do clube agora, não demorará muito até estarmos lutando e provavelmente não ganhando dinheiro suficiente para viver. Isso me dá dois meses para fazer horas extras no trabalho, descobrir se posso suspender algumas matérias, talvez fazer meu curso em tempo parcial, e poupar algum dinheiro. Também irá manter Emerald segura se meu pai decidir enviar alguém atrás dela.

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Agarro a mão da minha irmã. “Você está bem com isso?” Ela se inclina mais perto. “Ainda serei capaz de vê-la?” “Vou dar-lhe tempo para visitar sua irmã todo dia,” Op interrompe, assustando Emerald e fazendo-a saltar. “Tudo bem,” minha irmã finalmente concorda depois que seu coração desacelera e, naquele momento, estou tão grata por essas pessoas ao meu redor que podem não ser capazes de oferecer à minha irmã tudo, mas ainda farão um esforço para ajudar a tornar as coisas mais fáceis. Atiro-me em Emerald, e ela realmente ri quando a abraço firmemente ao meu corpo. Minhas bochechas doem do sorriso estampado na minha cara, e sinceramente me sinto um pouco tonta. Tenho minha irmã de volta, depois de seis longos anos. Não posso esperar para mostrar-lhe as incríveis coisas neste mundo que sempre disseram ser obra do diabo. Eventualmente, arrasto Emerald do escritório de Op e para o meu quarto para encontrar roupas que podem servir até que possa levá-la às compras. Deacon está oficialmente de folga, então, está lá fora nos esperando para levar até a casa dele para que possa ajudá-la a se instalar. Op é incrível, ele me deu o resto do dia de folga para passar com minha irmã e deixar tudo resolvido. É por isso que amo o clube. Eles podem ter regras, e os respeito por isso, mas também tem compreensão e apoiam quando as coisas que acontecem estão fora do controle. Emerald senta-se à beira da minha cama enquanto procuro no meu guarda-roupa por qualquer coisa que penso que ela possa usar, que realmente são vestidos longos, desde que ela ainda não está preparada para condenar-se ao inferno com coisas como shorts ou até mesmo calças jeans.

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“Este quarto é agradável,” Emerald diz, seus olhos vagando pelo espaço pequeno que chamo de lar. “O que faz aqui? Talvez possa trabalhar aqui também, e ter meu próprio quarto como esse.” Paro, minha mão congelando sobre um par de tênis que acho que pode servir. “Eu um... faço um monte de coisas.” Não consigo olhar para ela. Não tenho vergonha do que faço para o clube, mas levará um longo tempo antes de Emerald compreender e aceitar o quão diferente esse lugar é do mundo em que cresci. “Hey, Sky...” Viro-me para ver Camo de pé na porta. Ele olha para minha irmã em confusão. “Uh... vejo que tem uma visitante, volto mais tarde.” “Estou de folga, mas voltarei em poucas horas,” digo a ele enquanto continuo passando através das minhas roupas velhas no fundo do armário. “É uma pena, porque sua bunda parece muito boa agora.” Ele geme, e todo meu corpo fica imóvel. Merda. “Venha me encontrar quando voltar porque estou morrendo de vontade de colocar as mãos em você, mas Kev tem sido um merda ganancioso ultimamente.” “Sim, claro.” Seus passos pesados recuam no corredor, já posso sentir o olhar escuro da minha irmã. “Não me julgue, Em,” digo com um suspiro pesado enquanto levanto para encará-la. “Faço o que faço, as coisas são diferentes―” “Você os deixa ter o seu corpo? Não apenas ele? Quantos deles?” Ela pergunta, olhando para mim com uma mistura de nojo e horror. "Sapphire―" “Esse não é meu nome!” Corto, sinto-me instantaneamente mal por me exaltar. Mas é difícil não ficar, quando finalmente tenho de volta a única pessoa que cuidou de mim enquanto crescia, e ela está sentada me olhando como se eu fosse uma porra de pessoa horrível.

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“É nojento,” ela sussurra, torcendo o nariz como se fosse uma fodida princesa. “É a vida, Em. Esses caras me tratam com respeito, cuidam de mim e me protegem. Pode dizer o mesmo sobre os homens de onde viemos?” Desafio, sabendo muito bem que os Brothers fazem mais por mim do que a Colônia já fez. Respiro fundo. “Sou feliz aqui. Por causa dos Brothers estou indo para a faculdade. Tenho um emprego. Comecei a me divertir, ter aventuras e viver minha vida do jeito que é para ser vivida. E agora tenho minha irmã de volta e quero compartilhar isso com ela.” Vejo-a processando o que disse. A coisa sobre Emerald é que ela gosta de fatos, gosta de ter informações antes de tomar decisões sobre qualquer coisa. A menina é inteligente, até demais para sua idade, tanto que enquanto a maioria de nós foi à escola até os dez anos, ela saiu aos oito porque já tinha aprendido o que precisavam ensinar. Foi a razão pela qual sempre tivemos problemas, porque estávamos sempre perguntando por que. Finalmente, solto a respiração que segurava quando sua boca forma um sorriso suave. “Faculdade você disse?”

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Skylar

Inalo nitidamente quando Dice bate em mim, enchendo-me ao ponto onde quase posso sentir seu pau na minha garganta. Dice é novo no capítulo de Athens, foi transferido para cá de Vegas ― daí seu nome3 ― para que possa estar mais perto da sua mãe, que está muito doente e não mora longe. Não tenho certeza de quanto tempo ele estará aqui, mas estou tendo o máximo da sua companhia, enquanto está por perto. O homem sabe quais botões empurrar para deixar meu corpo em chamas, e neste momento sinto como se ele acendesse um fósforo dentro de mim e estou prestes a explodir. Ele sustenta seu corpo acima de mim, minhas pernas firmemente em sua cintura, e minhas mãos enfiadas através do seu longo cabelo loiro que cai ao redor dos ombros. “Merda!” Grito quando ele entra com outro impulso poderoso, o suficiente para fazer meu corpo curvar para fora da cama e jogar minha cabeça para trás. Ele se aproveita do meu pescoço exposto, abaixa a cabeça e pega a pele sensível entre os dentes. Gemo alto. A picada afiada dos seus dentes e a velocidade crescente com que está batendo seu pau dentro de mim detona o meu orgasmo. “Sim, Deus, sim!” Gemo, meu corpo tremendo debaixo dele. 3

O nome dele é Dice, dados em português.

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"Assim. Porra. Bom.” Ele resmunga quando bate fundo dentro de mim. “Como um maldito torno,” sussurra, e com um último impulso forte, seu corpo treme enquanto ele pressiona profundamente dentro da minha buceta, segurando-se lá, esticando-me ao máximo e quase me fazendo gozar novamente. Seguro com força, nossos corpos cobertos de suor depois do que foi uma sessão pesada e dura. Sei que, eventualmente, terei contusões na bunda de seus dedos e músculos doloridos do jeito que ele torceu e contorceu meu corpo para seu prazer, mas inferno santo, foi incrível. “Merda, garotinha.” Dice ri quando recua, pairando sobre mim com um sorriso lindo. Não posso deixar de rir dos apelidos fofos que ele usa com toda mulher ao redor do clube ― garotas do clube e old lady. Ele é um verdadeiro sedutor, tem um sorriso de menino bonito, e tatuagens de bad boy, junto com sua profunda voz rouca que é suficiente para fazer qualquer mulher se derreter. Ele também é doce, respeitável e não um total idiota. Acho que por isso se encaixou tão bem aqui. Claro, alguns motociclistas podem ser desagradáveis, misóginos idiotas ― tive meu quinhão deles quando clubes amigáveis e outros capítulos estão na cidade. Mas na maior parte, os Brothers by Blood tratam suas mulheres bem, ou pelo menos, as tratam como merecem ser tratadas. Há algumas meninas aqui que são cadelas e começam dramas, e por sua vez, os rapazes passam a ficar bem longe delas a menos que estejam realmente desesperados por um pedaço de alguma coisa. Dice se inclina e me beija nos lábios, antes de se afastar e sair da cama. Vejo quando ele tira o preservativo, amarra-o e joga no cesto de lixo, em seguida, num movimento fluído ele puxa sua calça jeans, sem cueca, totalmente controlado, antes de puxar o colete sobre os ombros nus e pegar a camisa na mão. Apoio-me nos cotovelos enquanto ele vai para a porta.

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Ele se vira e olha por cima do ombro, dando-me um sorriso digno de modelo. “Acho que posso realmente gostar daqui,” diz ele com uma piscadela dramática, me fazendo rir e sacudir a cabeça. “Bem-vindo sobrancelhas.

ao

clube,”

respondo,

balançando

as

Sua risada é profunda e rouca quando ele abre a porta e sai para o corredor. “Um inferno de recepção, querida,” ouço-o dizer quando fecha a porta e desmorono de costas na cama, respirando fundo, mas incapaz de parar de sorrir. Amo a sensação depois de ter um sexo maravilhoso. É eufórica e viciante, e só quero mais e mais do mesmo. Crescendo na Colônia, quando ficamos mais velhas, somos ensinadas sobre as maneiras que uma mulher tem para agradar ao marido. Como manter a casa em ordem, alimentá-los quando estão com fome, e fornecer o que os anciões nos fizeram parecer apenas como mais um desses serviços ― nossos corpos para que eles utilizem como quiserem. A pegadinha? Nunca devemos apreciá-lo. É para eles terem prazer, não nós. Se tivéssemos prazer no sexo, estaríamos sendo egoístas porque deve ser preservado apenas para nossos homens. Balanço a cabeça enquanto saio da cama, um arrepio corre em minha espinha enquanto vou para o banheiro. Fecho a porta e ligo o chuveiro, espero impacientemente a água aquecer para poder lavar o suor do meu corpo e ficar limpa, sei que não tenho muito tempo até a reunião do clube que Optimus exigiu que todos participássemos. Meus músculos doem de maneira mais deliciosa quando deslizo sob a água quente, deixo escapar um suspiro de satisfação, uma vez que escorre sobre as curvas do meu corpo. Fui de uma jovem menina presa que tinha medo de tocar seu próprio corpo

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com medo de gostar, a uma forte jovem que se sente poderosa e bonita e conhece a própria sexualidade. Levou muito tempo para chegar a este ponto, porém, e tive que passar pelo inferno para estar aqui.

“Você está tão bonita, Sapphire,” minha irmãzinha Emerald diz sentada no chão do meu quarto, me encarando com olhos arregalados. O vestido de casamento branco que uso tem mangas de renda longas com um elástico que engancha por cima do meu dedo médio. Ajustado ligeiramente na cintura e, em seguida, abre com tule fofo e uma sobreposição de rendas. “Espero que fique tão bonita como você no dia do meu casamento.” Sou a mais velha das filhas do meu pai, a primeira a ser dada. É costume que isso aconteça em qualquer lugar entre a idade de dezesseis e dezoito anos, mas sinceramente não esperava tão cedo. Pensei que teria mais tempo, e agora, meu tempo acabou. Amanhã é o dia do meu casamento. O homem em questão é um velho de 42 anos que já tem cinco esposas e treze filhos ― a mais velha tem a mesma idade que eu. Meu estômago revira. Sua filha e eu, somos amigas, nós crescemos juntas, e agora serei a sexta esposa do seu pai? Este homem é quase da mesma idade que meu próprio pai. As mulheres jovens são sempre dadas aos homens mais velhos, eles devem assumir o trabalho dos nossos pais de transformar-nos numa senhora de respeito. Você pertence ao seu pai até pertencer ao seu marido. No meu caso, se tivesse sido oferecida para um homem da minha idade. Um homem com quem pudesse me ver envelhecer com ele, que me olhasse como se eu fosse importante e não apenas mais uma marca em sua ficha para levá-lo através das portas do paraíso.

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Talvez pudesse encontrar algum tipo de fuga do inferno que suportei sob o teto do meu pai. Com esse pensamento, estendo a mão e toco levemente minha bochecha, a área ainda inchada e lentamente começando a amarelar enquanto o hematoma desaparece. Combina com as que meu pai me deu horas depois que me bateu no rosto. Estas são por desobedecê-lo e fazê-lo parecer um idiota para a progressão. A Colônia não acredita em maquiagem em dias normais, apenas para dias como casamentos onde se espera que apresentemos nosso melhor para os nossos maridos. Durante a última semana, usei minhas contusões como uma propaganda ambulante para o que acontece quando se discute com as decisões dos mais velhos. “Você ainda parece bonita,” Emerald sussurra, os olhos correndo para a porta onde sei que nossas mães e as mulheres da Colônia estão na grande cozinha, começando a preparar uma festa para os cinco casamentos que acontecerão no dia seguinte. “Simplesmente não posso acreditar que vai casar.” Não deixo que as palavras saiam dos meus lábios. Medo, porque se disser em voz alta, alguém mais definitivamente vai ouvilas e tentar me parar. Porque haverá apenas uma de duas coisas acontecendo amanhã. Estarei muito longe deste lugar, escondida e fazendo planos para uma nova vida. Ou… Estarei morta. Não há maneira de me casar com aquele homem, e se isso significa ir para o inferno, então que seja.

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Espalmo meu peito, esfregando a dor que sinto por dentro. Acho que pode dizer que sou uma das sortudas. Minha avó era vista como a senhora louca da Colônia. Um exemplo de como o mundo exterior macula a alma, uma vez que ela não nasceu e cresceu dentro dessas paredes e tinha história do lado de fora. A única razão pela qual ela ficou lá foi porque meu pai era seu único filho e parente vivo. Se ela não entrasse, estaria sozinha, e teria perdido a vida de todos os seus netos. Ela sacrificou sua sanidade para estar conosco. Minha avó me ensinou história e alimentou meu amor pela ciência. Quando ela morreu, peguei tudo o que pude ter nas mãos antes dos anciões destruírem, o que consistiu principalmente de livros escondidos, jornais e seu diário pessoal, certificando-me de os guardar e não deixar que meu pai soubesse que os tinha. Se soubesse, teria os queimados, destruído, e depois me punido por pensar de forma diferente da maneira que ensinaram. Como minha avó faleceu poucos meses antes da carta chegar anunciando meu compromisso, não há mais nada para mim na Colônia a não ser meus irmãos e irmãs, que sabia não estarem prontos para acreditar no que tenho a dizer. Então fugi. Deixei esse mundo para trás, sabendo que nunca veria meus irmãos e irmãs novamente. E se conseguisse sair, seria dada como morta para eles, expulsa para nunca mais falar com minha família novamente. Foi perigoso e assustador, mas sabia que se não fizesse minha alma lentamente seria sufocada, e as pessoas dentro da Colônia iriam tentar me quebrar e me afogar em seus ensinamentos até que não tivesse nenhum fogo interno e sucumbisse.

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Então lutei para sair. Lutei pela vida que tenho agora, onde sou capaz de fazer minhas escolhas e tenho pessoas que vão me ajudar a levantar quando me sentir fraca. Esta é minha família agora, e não posso esperar para mostrar a Emerald como o mundo pode ser bonito quando se é livre.

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Skylar

Há uma batida na porta quando estou colocando um jeans limpo, meu cabelo ainda úmido do banho. “Já vou!” Grito enquanto pulo, tentando passar o jeans por cima da minha bunda e abotoálo. Abro a porta para ver Jess do lado de fora. “Precisamos ir à reunião,” ela diz simplesmente. “Sim, estou pronta,” respondo, saindo e fechando a porta. Descemos o curto corredor juntas, já posso ver todo mundo enchendo a sala principal, esperando Optimus chegar e falar. Jess continua ao meu lado quando encontramos um lugar contra a parede de trás. Jess e eu chegamos ao clube na mesma época. Acho que pode dizer que formamos uma ligação mesmo que nossas personalidades e aspirações sejam diferentes. Jess é uma tagarela, eu muitas vezes acho sua atitude em torno do clube um pouco impetuosa, especialmente quando se trata de falar com as outras garotas. Ela definitivamente não se contém, honestidade, pode ser uma cadela total.

e

com

toda

a

Mas nunca foi assim comigo, ou talvez seja apenas porque vejo através da casca dura que ela criou em torno de si mesma, vi quão cuidadosa e suave ela pode ser por trás das portas. Ela tem sido uma amiga quando preciso, me ouvindo até tarde da noite quando faço os trabalhos da faculdade ou quando o perigo no clube se torna real demais.

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Ela sempre consegue manter-se calma e serena. Apesar de Jess não ir para a faculdade como eu e algumas das outras meninas fazemos ― trabalhar no clube é mais uma maneira de conseguir algo até nos formarmos ― ela faz seus trabalhos on-line e tem um blog de moda muito popular. O clube lhe permite ter tempo para trabalhar nele como um emprego ou faculdade, desde que feito anonimamente, e ela nunca compartilha com seus seguidores, quem é, onde está, ou o que realmente faz. E desde que não interfira com seus deveres. “Tudo bem, ouçam,” Optimus diz sobre a multidão conversando que se reuniu, de imediato fazendo as pessoas calarem a boca e prestarem atenção. Na ponta dos pés, vejo-o de pé perto da mesa de bilhar, embalando um de seus meninos nos braços enormes. “Como já devem saber, vamos sair para uma corrida de caridade depois de amanhã. A participação é obrigatória, a menos que já tenha sido discutido comigo.” Suspiro, feliz que Optimus tenha nos avisado sobre esta viagem algumas semanas atrás, já que tinha uma atividade para entregar durante esse período e tive que me certificar de entregála nessa tarde. “Desde que as garotas do clube estão chegando, aqui está quem vai andar com quem. Qualquer problema... não dou a mínima, porra,” Optimus continua listando as garotas que viajarão com qual irmão. “...Jess estará com Camo, e, por último, Skylar, vai com Eagle.” Olho para minha direita e encontro o homem em questão me olhando. Dou um pequeno sorriso, e, em troca, ele acena com a cabeça antes de voltar a atenção para onde Optimus está discutindo quanto tempo teremos de viagem. Isso será interessante, para dizer o mínimo. Nunca tive qualquer interação com Eagle diferente de servir bebidas quando trabalhava no bar e, mesmo assim, o máximo que

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ele deu foi o tipo de cerveja que queria e um grunhido em agradecimento. Enquanto todos os homens que fazem parte do clube são assustadores em suas maneiras, Eagle é o que acho mais intenso. Ainda tenho que ver um lado suave dele como vi nos outros caras. Ele sempre parece tão melancólico e inacessível, mesmo nas raras vezes em que o vi sorrir enquanto conversava com seus irmãos ou uma das Old Ladys. “Pelo menos com Camo sei que vou transar,” diz Jess com um bufo, viro-me para olhar para ela, notando que seu olhar foi na mesma direção que o meu. Ela continua a observar Eagle enquanto ouve atentamente as palavras da Optimus. “Eagle não toca em nenhuma das garotas do clube.” Faço uma careta. "Quero saber por quê." Jess encolhe os ombros. “Eu o vi com as garotas em clubes e merda, ou em corridas como esta. Então, sei que ele não joga para o outro time.” Encolho-me ligeiramente com seu uso ousado de palavras e balanço a cabeça. “Acho que ele sente como se estivéssemos abaixo dele,” continua ela, estreitando os olhos para o homem antes de olhar para mim. A multidão começa a diluir-se quando a reunião termina e Jess imediatamente salta, fazendo o caminho mais curto para Camo. Vira-se e cumprimenta-o com um sorriso sexy, fodendo-o com os olhos. Fico onde estou, permitindo que o caos ao redor acabe antes de fazer um movimento. “Hey, Sky!” Sorrio quando Sugar vem em minha direção, um sorriso brilhante e enérgico no rosto. Ela parece bem e realmente está melhor desde que ela e Wrench voltaram ao clube. Cuidei da loja enquanto ela esteve fora. Felizmente Optimus tirou minhas obrigações naqueles poucos meses para que pudesse manter a loja funcionando e ainda ir às aulas sem ter que me preocupar em ficar durante toda a noite com irmãos bêbados à procura de uma transa.

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Fazer tudo de uma vez foi estressante, mas, felizmente, Optimus e os meninos entendem e respeitam esse tipo de coisa. “Está ansiosa para ter uma pausa?” Ela pergunta alegremente. Sugar me deu folga para poder ir com os meninos. Har ainda é muito jovem para esse tipo de corrida, então terá que ficar com ela e ajudar Chelsea com os gêmeos. “Você tem trabalhado tanto entre a loja, o clube e a faculdade, merece algum tempo livre.” Sorrio. “Acho que quando coloca dessa forma, sim, será bom ficar longe por um tempo. Mesmo que seja apenas um passeio com ida e a volta pacíficas,” digo a ela, borboletas começando a se agitarem no meu estômago enquanto penso sobre ficar na parte de trás de uma moto. Excitação toma conta de mim. Há algo sobre montar que me faz sentir... livre. E isso é um sentimento que quero abraçar o mais rápido possível. “Embora esteja um pouco preocupada em deixar Emerald.” Sugar não parece surpresa com minha confissão. Até agora a notícia se espalhou, e sei que há um monte de perguntas em torno do clube sobre Emerald e eu, e o lugar que viemos. Acho que não é todo dia que se conhece alguém que já fugiu de um culto religioso e sobreviveu. Isso soa um pouco sombrio, mas na maior parte, é verdade. Fiz uma pesquisa, assisti documentários sobre outros sobreviventes e como conseguiram escapar no último segundo, e até mesmo alguns sobre pessoas que foram autorizadas a pegar suas coisas e famílias e simplesmente sair. Acontece que não é exatamente incomum. Existem centenas, se não milhares de grupos lá fora que reivindicam algum tipo de seguimento religioso ou espiritual e não são diferentes da Colônia de onde vim. Alguns são muito, muito piores. A diferença entre o mundo em que cresci e aquele em que vivo agora, é como noite e dia às vezes, e Emerald parece lutar para

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lidar com o que está acontecendo. Estou tentando dividir meu tempo entre o clube e minha irmã, mas felizmente no momento, Deacon está fora do trabalho para ficar em casa com Emerald enquanto tentamos descobrir nosso próximo passo. Enquanto isso, tenho que ficar com o clube. Não posso me dar ao luxo de sair e cuidar de nós duas enquanto ainda estudo. Ainda não. Quebra meu coração precisar confiar em alguém para cuidar da minha família. "Fale com ela. Infelizmente, esta é uma obrigação e não opção,” diz Sugar com um ligeiro aviso na voz para me deixar saber que não devo tentar escapar. “Se Op diz que as garotas precisam estar lá, então você precisa estar.” Balanço a cabeça em entendimento. Sei meu lugar dentro do clube. Do lado de fora, pode parecer um pouco como o culto do qual escapei, mas por dentro, é muito diferente. Os homens aqui governam, mas também são homens que tem certos valores e níveis de respeito. Estar aqui é nos meus termos ― posso ir embora a qualquer momento, se isso for o que quero e tenho certeza que a maioria das pessoas dentro deste edifício vai me abraçar com força e me desejar o melhor. As vezes o impulso vem, nunca fui de fazer qualquer coisa que não queria. As garotas do clube são cuidadas e protegidas, foi um dos grandes cartões de incentivo para mim quando conheci uma das garotas em uma das minhas aulas na universidade local. Naquele momento ainda estava assustada e olhando por cima do meu ombro o tempo todo, esperando pelo momento em que eles apareceriam e me arrastariam chutando e gritando de volta para a Colônia.

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Tinha conseguido guardar dinheiro suficiente para pagar por um semestre da universidade, esperando conseguir encontrar um emprego para tentar cobrir o resto. Uma reunião com os Brothers by Blood e tinha minhas malas prontas naquela noite e me mudei para o clube. Senti-me segura lá, estranho eu sei, mas muito verdadeiro. Eles me deixaram saber que cuidariam de mim e que poderia ir até eles por ajuda. Não posso deixar isso passar. E agora, com Emerald por perto, tenho a sensação de que será apenas uma questão de tempo antes que precise pedir ajuda, por isso ir embora agora simplesmente não é opção.

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Eagle

Ela estará na parte de trás da minha moto num passeio de dez horas. Fale sobre uma fodida tortura. Não toquei nela antes, mas não posso dizer que não tenho o desejo. Skylar é bonita. Cabelo loiro, olhos azuis, características marcantes e um corpo incrível. Que homem normal não gostaria do que ela oferece? É a dor que vejo escondida dentro dela que me mantém a uma distância substancial. Ela nutre algo dentro de si. Ouvi os rumores em torno do clube sobre o retorno de sua irmã e a história de sua fuga de algum culto religioso. Apenas o pensamento faz meus músculos se contraírem em todo o corpo, fecho as mãos, apertando-as com força. Se for verdade, é o lugar onde Skylar cresceu, não posso imaginar o que ela passou quando criança ou o que teve de suportar para escapar. É também uma prova de sua força como mulher, ser capaz de lutar contra as formas de lavagem cerebral e ter seus próprios pensamentos, saindo por cima. Vi esses lugares no noticiário, com líderes que afirmam serem salvadores. Histórias de abuso e casamento de menores dão calafrios a minha espinha, especialmente quando olho em volta e vejo as crianças que ao longo dos últimos anos começaram a encher o clube.

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Se alguém tentar fazer algo para machucar essas crianças, se encontrarão numa cova antes de poder colocar a porra das mãos sujas sobre elas. Cada homem e mulher neste lugar terá certeza disso. Enquanto não tenho certeza se o lugar onde Skylar cresceu é parecido com esses, ou simplesmente um lugar que empurra a religião até o limite, ainda não consigo entender como pais podem colocar seus próprios filhos nesse tipo de posição. Se o que Skylar e sua irmã viveram é algo remotamente parecido com o que vi e li na mídia, e ela conseguiu sair do outro lado como uma mulher forte e confiante, então não há nada que possa detê-la. “Ei, Eagle.” Viro-me para ver Hadley avançando com um sorriso brilhante e Macy em seu quadril. Ela me puxa para um abraço e Macy imediatamente se mexe em seus braços, estendendo a mão para mim. Abro os braços e tomo a criança pequena sem reservas e coloco-a contra meu peito. Macy deita a cabeça, os dedos pequenos brincando com as manchas no meu colete. “Sentimos sua falta,” diz Hadley com um sorriso. “Quanto tempo vai ficar?” “Enquanto precisarem de mim,” respondo enigmaticamente fazendo seu rosto formar uma carranca em decepção. Macy ri e se contorce em meus braços quando puxo um de seus cachos e faço cócegas na parte inferior de seu queixo. “Para sempre, então?” Pergunta Hadley com um brilho brincalhão nos olhos, me fazendo sorrir. Ela é a única mulher no clube que deixei chegar perto. Depois que Slider morreu, formamos um vínculo enquanto ela lutava para ter sua cabeça no lugar e afastar a culpa que a oprimia.

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Muitas vezes falamos sobre como ela está, e assim como eu, ela tem seus dias bons e ruins. Meu irmão fez bem encontrando alguém com seu coração e força para ter ao lado. “Leo sente sua falta,” ela continua quando não respondo, sabendo que o comentário atinge sua marca como desejado. Leo e eu passamos pelo inferno e voltamos juntos. Quatro incursões, lembranças desagradáveis, cicatrizes proeminentes e a perda de toda nossa equipe, é difícil, algo que não desejo a ninguém. Leo foi a razão para eu encontrar o clube. Fomos prospectos juntos, mas depois de nos tornarmos membros, minha coceira para me manter em movimento me tornou Nômade. Ir e vir quando quero, movendo-me entre os clubes em todos os estados. Sou recebido em cada um, mas sempre atraído de volta para Athens. “Estarei perto por um tempo,” digo rispidamente, ignorando a forma como seu rosto se ilumina. “Não posso perder essa menina crescer.” O sorriso de Hadley se transforma em algo mais suave quando ela me encara com Macy. “Vou precisar de um padrinho para meu casamento daqui alguns meses,” diz Leo, vindo atrás de mim e me batendo nas costas. “Será que está me pedindo para ser isso? Não vai fazer um grande discurso sobre o quão incrível sou, e como nunca estaria onde está sem mim?” Brinco antes de um pensamento me atingir e estreito os olhos. “Espere, vai me fazer usar uma porra de smoking ou algo estúpido assim?” Ele ri e balança a cabeça. “É como se não me conhecesse todo esse tempo. Acha que vou vestir um maldito smoking, imbecil?” Alívio me atinge. “Acho que posso ficar ao redor então.” Posso dizer que Leo está em êxtase com minha admissão, mas apenas reviro os olhos quando ele começa a falar sobre as coisas para o casamento, enquanto Hadley fica ao nosso lado em

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silêncio revirando os olhos e deixa seu homem achar que ele está fugindo de todas as suas exigências. Sorrio. Claro que não, ela terá essa merda, e embora ele fugiu de usar um smoking, haverá coisas que terá que ceder porque Hadley carrega suas bolas num frasco de vidro. “Hadley?” Todos viramos a cabeça para ver Skylar em pé atrás de nós em silêncio, obviamente, esperando até Leo terminar seu discurso antes de interromper. Paciente e respeitosa. Algo que qualquer homem gosta. Aperto a mandíbula e dou um passo para trás. Esses são pensamentos que não preciso ter agora. Seus olhos encontram os meus por um breve segundo, e ela sorri timidamente antes de voltar sua atenção para Hadley. “Acha que pode verificar um ensaio para mim antes que os meninos comecem a beber e o dever me chamar?” Ela ri suavemente, mas tensão inunda meus ombros. Skylar não tem vergonha do seu trabalho aqui. Mantém a cabeça erguida e sabe seu lugar, e você também nunca iria confundi-la com uma mulher que só quer colocar as garras num irmão. Ela sempre é a primeira a se oferecer para ajudar quando muitas das outras garotas vão apenas descansar e fazer tão pouco quanto possível. “Claro,” Hadley responde feliz antes de olhar por cima do ombro para Leo. “Pode olhar Macy um pouco?” O canto da sua boca curva, e ele concorda. “Não tem problema, vou distrair os meninos se vierem te procurar,” diz ele a Skylar com um sorriso.

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Skylar ri, o som suave e abafado faz meu estômago torcer. “Obrigada, Leo, não deve demorar muito.” Assim quando penso que ela está prestes a virar e ir embora, ela se aproxima e se inclina, dando um beijo suave na bochecha de Macy, seu rosto a apenas um sopro do meu peito. Inalo seu cheiro doce e fresco como uma brisa de primavera num campo de flores. Não posso dizer se é perfume ou talvez seu xampu por ser sutil, mas é o suficiente para eu me inclinar em busca de mais quando ela recua. Ela olha para mim com um grande sorriso no rosto e acena para Macy. “Parece que ela encontrou um lugar confortável para dormir.” Olho para baixo, vendo a pequena de quatro anos roncando suavemente contra meu peito, uma pequena quantidade de baba escorre da sua boca para meu colete. Quando olho para cima novamente, as meninas foram embora, e meu melhor amigo está me encarando com um sorriso presunçoso. “Tem uma queda por Sky?” Bufo, passando meu outro braço sob Macy e impulsiono-a um pouco mais alto. A garota está ficando pesada. “Não tenho uma queda por ninguém. Você de todas as pessoas deveria saber disso.” Não fico o suficiente para conhecer as mulheres, tenho o que preciso e vou embora. É uma das razões que não uso as garotas do clube. É muito pessoal para mim tê-las constantemente em meu espaço, o tempo todo. Ligações, sejam elas pequenas ou grandes, não são algo que preciso, e também não quero lidar com ser analisado. “Ela é bonita... apenas dizendo, Knight,” diz Leo, dando de ombros, mas vejo o olhar em seus olhos. Esperança. Meu corpo, inconscientemente, estremece com o uso do meu sobrenome. Durante a implantação, é assim que éramos conhecidos, mas não sou mais aquele maldito homem. Por um

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segundo, sinto meus pulmões pararem. Outro lembrete, um gatilho como chamam. Não se assuste. Apenas respire porra. “Da próxima vez, não diga Jamison,” resmungo com a mandíbula cerrada enquanto tento respirar através da dor esfaqueando minha têmpora. “Vamos, cara,” Leo geme quando me segue até o bar, sua filha como um peso morto em meus braços. Macy está crescendo rapidamente. Não menti quando disse que quero estar ao redor para vê-la crescer. Quando a esposa de Leo morreu e repentinamente o deixou como pai solteiro, foi Macy que o trouxe de volta quando senti que perdia a única pessoa da minha equipe que conseguiu sobreviver ao acidente. A menina não tem ideia de quão importante ela é, o quanto afetou sua vida e a minha. Leo tem sido minha rocha faz um longo tempo, meu melhor amigo, o único que sabe o quanto luto com as memórias e momentos onde sinto estar de volta lá. Enquanto ele conseguiu sair dessa situação quase incólume, um pesadelo ocasional o assombra, a culpa de sobrevivente que carrego está sempre à frente. Por que diabos estou sem respirar? Há pessoas lá com crianças que nunca irão crescer. Famílias que contavam com eles para colocar comida na mesa, e manter um teto sobre as cabeças. No entanto, fui o escolhido para sair desse acidente com minha vida. Quando Hadley experimentou a mesma coisa depois da morte de Slider, disse que é porque ela tem um propósito. Para ela,

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sabia ser porque Leo nunca teria aguentado se perdesse outra mulher que ama e Macy precisa do seu pai. Para mim, porém, tenho que descobrir se é realmente verdade. Há uma razão para eu ainda estar aqui? Porque neste momento, parece que o universo pode ter apenas escorregado e apontado para a pessoa errada.

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Skylar

Com muitos dos irmãos agora com família e crianças pequenas, o clube está bastante silencioso, especialmente essa noite com a corrida que irá começar amanhã de manhã. Os irmãos querem passar mais tempo com seus filhos e mulheres antes de saírem pelos próximos dias, enquanto outros sabem que beber em excesso na noite anterior quando se vai guiar não é exatamente a melhor ideia, devido às políticas estritas do clube sobre o consumo de álcool e dirigir. É fácil se encher de álcool e achar que quando acordar de manhã ele terá simplesmente desaparecido do seu sistema, porque é um novo dia. Mas, felizmente, estes homens não são tão estúpidos e tiveram tudo o que queriam na noite passada, então hoje tem o dia inteiro para se recuperarem. Enquanto todos os irmãos estão descontraídos e relaxados, Op me deu permissão para visitar minha irmã por algumas horas, já que não estarei aqui para vê-la nos próximos dias. Passo um tempo com ela todos os dias, mas geralmente é durante o dia, quando os membros do clube têm outros deveres e responsabilidades. Arrumei uma bolsa com algumas coisas para quando for visitá-la, coloquei músicas e alguns filmes que sei que não irão assustar o inferno fora dela e alguns lanches, porque Deus sabe o que perdemos longe de coisas como doces e diferentes tipos de chocolate enquanto estávamos na Colônia.

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Uma batida suave soa na porta quando procuro meus tênis. “Entre!” Grito ficando de joelhos e examinando debaixo da minha cama. “Uh-huh!” Digo, triunfante, levantando com meus tênis na mão. Fico surpresa ao olhar e encontrar Ham ― ou Shake como o clube o chama agora ― fechando a porta. Ele recebeu seu colete há poucos meses, o que lhe deu seu nome de estrada e que acho muito conveniente, mas ainda vai levar um tempo para me acostumar a chamá-lo de algo diferente. Sento-me na beira da cama, pegando um dos meus tênis e desfaço os nós, percebendo que ele ainda está de pé ao lado da porta sem jeito, sem dizer nada. “O que está acontecendo?” Pergunto pegando o segundo tênis. Conhecemo-nos muito bem enquanto ele era prospecto. Gosto de me manter ocupada e ser tão útil quanto possível, isso me faz sentir mais digna, acho que você pode dizer isso. Estar dentro do clube significa ter sua proteção, e suponho que o pensamento de que um dia vá precisar deles está sempre na parte de trás da minha cabeça. Então, quero saber que, se o problema aparecer, o clube irá me ver como alguém importante para eles, ou pelo menos útil o suficiente para lutarem. Somos necessárias para cozinhar e limpar de vez em quando, mas muitas vezes me ofereci para ajudar Ham no bar ou cuidar das crianças com ele. Temos quase a mesma idade, e ele é um cara legal, honesto e confiável, mas também muito engraçado. “Existe outro motivo para eu estar no seu quarto?” Ele responde sarcasticamente, me fazendo congelar enquanto puxo firmemente a ponta do cadarço. Fico chocada. As garotas daqui falavam, e é um fato conhecido que Ham nunca usou qualquer uma delas para mais do que paquera ou carícias.

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E todas sabemos o motivo. Meyah. Nunca foi um problema antes, porque os prospectos não têm privilégios com as garotas do clube. É apenas uma maneira de testarem sua lealdade, se certificarem de que os caras que se inscrevem não estão nisso por buceta e poder. Limpo a garganta e levanto, sem saber onde devo olhar agora que alguém que considero um amigo me coloca em uma posição que nunca pensei estar. “Estou tipo... de folga agora. Estou saindo,” digo a ele, sentindo-me desconfortável. “De folga?” Ele pergunta, erguendo a sobrancelha como se pensasse que sou idiota. Endireito os ombros e olho diretamente em seus olhos. “Sim, Op disse que posso ter algumas horas hoje à noite para ver a minha irmã antes de sairmos amanhã.” Ele bufa e vira para a porta, sua mão indo para a maçaneta, mas se movendo muito lentamente. Então decido jogar seu jogo, sei que há algo acontecendo, mas ele não tem coragem de sair e dizer. “O que realmente quer, Ham?” Propositalmente uso o nome que sempre o chamei em vez de seu novo nome de estrada. “Sei que não devo dizer não, mas de todas as meninas aqui, sou a única que sabe sobre seus sentimentos por Meyah. Então, por que veio a mim?” Conversamos interminavelmente sobre como se sente sobre a sobrinha de Leo. Ele a quer mais do que qualquer outra coisa, mas até agora, tem feito um bom trabalho em convencer a si mesmo que não a merece. Sua mão congela na maçaneta da porta. “Não sei,” ele responde calmamente sem se virar.

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Balanço a cabeça, meu aborrecimento com ele se dissipa quando começo a entender exatamente por que ele está aqui. “Acho que sei,” digo, sentando na borda da cama de novo e observo seus ombros caírem ligeiramente. “Você sabia que nenhuma das outras meninas diria nada. Elas ficariam felizes em ter você. Mas sabia que eu iria questionar e precisa de alguém para dizer que está sendo um idiota.” Ele respira fundo e finalmente se vira para mim, estreitando os olhos. “Não deve falar assim com um irmão.” Bufo, não me importo que ele possa ir para Optimus e fofocar sobre mim. Sei que posso ficar em apuros. “Não estou falando com um irmão, estou falando com meu amigo,” digo com firmeza, levantando meu queixo e desafiando-o a discutir. “Você não tem que foder as garotas para ser parte do clube. Não faz de você menos homem ter seu coração em uma pessoa, e não quer estragar isso sendo um idiota com tesão.” Há dor em seus olhos, mas ele me deixa falar, sei que não vai correr e me jogar debaixo do ônibus. Porque estou certa. Ele veio aqui esperando que eu fosse fazê-lo se sentir culpado por querer estar com alguém, e não a garota que está apaixonado. Ham não fala, seu pomo de Adão balança enquanto ele digere minhas palavras e vira, abrindo a porta e batendo-a atrás dele, os passos pesados ecoando no corredor. Balanço a cabeça, o pobre menino está confuso. É estúpido, mas sei que ele tem suas razões para ficar longe de Meyah. Se está fazendo algo, é criando uma fenda entre eles, não tenho ideia. Só sei que quando ele perceber o que está fazendo, terá uma luta dura nas mãos para fazê-la voltar para ele. Só espero que ele não vá fazer nada que possa arruiná-lo completamente.

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Bato na porta de Deacon, meu pé saltando, ansiosa para ver Emerald. Antes dela chegar aqui não tinha percebido o quanto senti saudades da minha irmãzinha. Éramos as mais próximas de todos os irmãos. Nossos irmãos mais velhos andavam tanto atrás do nosso pai, desesperados para agradá-lo e fazê-lo feliz, que nunca tiveram qualquer momento para nós. E como Emerald e eu éramos as meninas mais velhas, sempre esperavam que fizéssemos as tarefas, cuidando dos mais jovens, e ajudando a retratar a imagem de pequena família perfeita. Tínhamos amor pela aprendizagem, mas desde que a Colônia só acreditava na escolaridade para os filhos até terem dez anos, Emerald e eu gostávamos de gastar todo o tempo livre explorando a Colônia, perseguindo pequenos animais ou insetos, ou criando nossas próprias experiências usando muito pouco, como água e lama, se necessário. Estarei mentindo se disser que não houve vezes no início onde pensei em voltar para a Colônia e implorar perdão simplesmente porque perdi os meus irmãos e irmãs mais novos, e tinha medo de que meu pai fosse tirar sua raiva de mim, sobre eles. A porta abre e Deacon sorri, um sorriso que não chega a atingir seus olhos, as olheiras sob eles me dizem que ele está absolutamente exausto. Meu rosto instantaneamente cai. “Como ela está?” Pergunto enquanto entro. Deacon se afasta e me permite entrar, fechando a porta suavemente atrás de mim antes de responder. Ele respira fundo, escova os dedos pelo cabelo antes de coçar o queixo com barba. Parece que ele não tem feito a barba por alguns dias, a aparência robusta fazendo-o parecer mais ousado e menos profissional. Isso,

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aliado ao fato de que ainda estou me acostumando a vê-lo fora do seu uniforme da polícia. “Ela está bem,” responde com um encolher de ombros, mas a culpa rapidamente começa a se estabelecer no meu interior. “Você não tem que―” “Skylar,” diz ele bruscamente, me cortando. “Você tem uma vida que está tentando resolver. Pelos próximos meses, ou pelo menos até que saibamos que ninguém virá procurá-la, estou muito feliz em guiá-la e ajudar a apresentá-la lentamente para a vida aqui fora.” Aperto os lábios e enrugo o nariz. “Ela é minha irmã, eu deveria ―” “Você deveria estar centrada na faculdade e feliz que ela está aqui em segurança e serei o primeiro a saber se esse status se alterar,” Deacon explica, o rosto severo e sério não dando espaço para discussão. Respiro fundo, decidindo ser grata por ter Deacon cuidando de Emerald, ao invés de amaldiçoar a mim mesma por não ser capaz de fazer mais. Quando entramos no interior da sala, minha boca forma um sorriso quando Deacon se desculpa. Emerald olha para mim do sofá. “Irmã, venha! Estou fazendo um quebra-cabeça,” diz ela com um sorriso radiante enquanto acena para que eu chegue mais perto. Corro, sentando ao lado dela. Ela usa uma camisa de mangas compridas e um vestido que toca o chão. Mesmo fora do complexo, ela ainda é muito conservadora, mas entendo. Levei pelo menos semanas para ter coragem suficiente para usar uma calça, algo que é tão normal para muitas pessoas, mas apenas a ideia de colocá-la em minhas pernas causava uma ansiedade quase paralisante.

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Tenho que me lembrar que mesmo tendo fugido da Colônia e não compartilhando suas crenças, ainda há coisas enraizadas em nossos cérebros e o pensamento de alterá-las, acreditando ou não no que representam, ainda é um grande passo. “Está se divertindo?” Pergunto a minha irmã, envolvendo um braço em volta dos seus ombros e apertando-a com força. Ela congela por um minuto, olhando a peça do quebracabeça em suas mãos, em seguida, limpa a garganta. Ela se afasta para me olhar nos olhos. “Estou,” sussurra maravilhada antes de seu olhar voltar para o quebra-cabeça, e depois para a televisão que está ligada no mudo. Talvez tenha apenas se dado conta que está tendo prazer num mundo que sempre disseram ser um lugar ruim. “Deacon é um homem muito bom,” ela diz em voz baixa, inclinando-se para mim. “Ele é,” concordo com um sorriso. Emerald limpa a garganta. “Ele me contou sobre seu trabalho e as coisas que faz para manter as pessoas seguras e cuidar delas. É muito admirável.” Posso ouvir o carinho em sua voz, misturado com espanto e talvez um pouco de surpresa. “Não sabia que esse é o verdadeiro trabalho que os policiais fazem. Sabia que eles procuram pessoas desaparecidas e outras coisas que simplesmente não consigo nem começar a listar.” É triste como pouco conhecimento do mundo real as pessoas da Colônia têm. Talvez se soubessem mais elas se aventurariam a fugir e correr o risco, para ter uma vida melhor para si e suas famílias. Isso não é o que os anciãos querem, no entanto. Levou-me muito tempo para entender. Eles escolheram enganar seu povo, fazendo-os temer a liberdade com ameaças de não serem levados para o céu e viverem no inferno para o resto da eternidade. “Tenho que sair por alguns dias,” finalmente encontro coragem de dizer, sentindo minha irmã tensa ao meu lado. “Você

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estará segura aqui, vou telefonar para Deacon à noite para falar com você.” Ela balança a cabeça, os olhos lacrimejando. “Não, você não deve ir.” Há muito medo dentro de Emerald. Embora esteja lentamente se tornando mais confortável e confiante, ainda sou sua rede de segurança. Seguro sua mão e dou tapinhas de encorajamento. “Você ficará bem, Emerald. Nada vai te machucar.” “E você?” Sorrio para seu tom preocupado. “Estarei bem. Não é algo que possa sair, o clube me obriga a estar lá.” Emerald bufa como uma criança mimada e desvia o olhar. “Eles exigem muito de você,” ela diz duramente. “Diz que as coisas são diferentes, mas segue suas regras e ordens exatamente como se eles fossem profetas.” Ela olha através da sala, recusando-se a me encarar. “Eles se preocupam comigo,” digo com um suspiro pesado, tentando não me frustrar. “Tenho um dever com eles―” “Um dever que envolve o uso do seu corpo para o prazer,” ela retruca, arrancando a mão da minha e pulando do assento. Ela se levanta, me olhando com desgosto. “Isso não é para o que ele foi concebido.” "Emerald―" “A Colônia pode não ter tido razão, mas ainda não acredito que fomos colocadas nesta terra para sermos prostitutas!” Suas palavras são como um soco no estômago, tirando meu ar. Cerro os dentes enquanto lentamente levanto, vendo seu rosto enfurecido. Ser chamada de prostituta por minha irmã ― sim, isso dói.

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Meus irmãos e irmãs sempre me admiraram, mesmo nos momentos que fui rebelde e lutei contra o que todos sabiam ser errado. “Lutei por você e nossos irmãos e irmãs, Emerald. Levei surras, para que você não precisasse levar. Quantas vezes nosso pai me levou no consultório do doutor Gabel, quase inconsciente, porque me ofereci para levar a punição de todos?” Meu corpo arde, irritada com minha irmã por ser tão ignorante e também com raiva de mim mesma por não ser mais paciente. Emerald me olha, os olhos cheios de lágrimas e as mãos na sua frente. “Sinto muito, irmã,” murmura através de lágrimas não derramadas. Tenho que me lembrar que ela fugiu, quis sair e está começando a ver através das mentiras que foram ditas, mas terá um longo caminho antes que entenda completamente a profundidade do que a Colônia está fazendo. “Você tem muito a aprender sobre a vida e as mentiras que crescemos ouvindo,” digo, tão calmamente como a minha voz permite sem quebrar. “Por enquanto, precisa confiar que estou bem. Os irmãos não são como nosso profeta. Suas regras e leis não são para nos enganar ou nos manter na linha. Elas estão lá para nos manter seguros e o clube fortalecido.” Observo-a relaxar ligeiramente, a luta dentro dela sumindo. “Eles são assustadores,” ela diz calmamente. Posso sentir sua apreensão, e entendo. Os rapazes com suas tatuagens, músculos e barbas desalinhadas, são intimidantes, para dizer o mínimo. “Eles são assustadores,” concordo. “Mas só se estiver do lado errado, ou tentando prejudicá-los ou a sua família. O que não estamos.” Ela torce as mãos, respira profundamente dentro e fora, enquanto tenta se acalmar. “Você realmente tem que ir?” Ela pergunta, puxando as mangas sobre as mãos, um hábito nervoso

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que tem desde que éramos crianças, um que sua continuamente a repreendia.

mãe

“Sim, logo pela manhã. Mas hoje, sou toda sua,” digo, esperando de alguma forma atravessar esse obstáculo. Tenho que lembrar que tudo é novo para Emerald. Será um choque, e ela lutará contra qualquer coisa que sinta ser diferente da forma como foi criada. Mas no final, espero que ela acabe vendo que há beleza aqui, e oportunidades que nunca imaginou serem possíveis. Emerald precisa abrir a mente e coração para elas. Um sorriso aparece no canto de sua boca. “Vai montar o quebra-cabeça comigo?” Dou um passo à frente, abraçando-a e balanço para frente e para trás até que ela começa a rir. “Claro, vamos ver se podemos terminá-lo.”

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Eagle

O sol está começando a subir quando sento e vejo os homens e mulheres carregarem suas motocicletas e caminhonetes com o que será necessário para os próximos dias. Vamos em direção a Dallas, Texas, e vai levar quase dez horas de viagem para chegar lá. Será um longo dia, mas estou ansioso. O evento de caridade começará amanhã e seguirá por dois dias. Estaremos lá para dar nosso suporte e apoio a fundação de crianças com câncer que está promovendo o festival, a viagem não tem inteiramente esse fim. Trata-se de fazer conexões e acompanhar outros clubes. Haverá irmãos Brothers by Blood de outros capítulos, bem como outros clubes que nos apoiam e alguns que não o fazem. Precisaremos passar esse tempo com sabedoria, reafirmando nossas conexões com nossos irmãos e irmãs. Embora os Brothers sejam um dos clubes mais importantes do país, ainda há outros maiores e mais poderosos, e é nosso trabalho solidificar as alianças com eles quando oportunidades como estas surgem. “Ei, está pronto?” Afasto-me dos meus pensamentos com o som suave e gentil da voz de Skylar. Olho por cima do meu ombro, vendo-a de pé ao lado da porta, uma mochila preta desgastada jogada por cima do ombro. “Já colocou suas coisas na caminhonete?” Pergunto, curioso.

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Ela levanta as sobrancelhas para mim e aponta a mochila. “Tenho tudo aqui, fora um par de sapatos que joguei na caminhonete de Skins. Posso usá-lo.” Ela se vira enquanto enfia os braços dentro das alças, a mochila molda seu corpo e fica confortável contra ela, provavelmente projetada para essa finalidade. Uma menina que não embala um guarda-roupa inteiro quando viaja? Difícil de encontrar. “Sabe que temos um passeio de quase dez horas, certo?” Ela assente com a cabeça e me dá uma piscada quando passa rebolando. “Não é meu primeiro rodeio, vaqueiro.” Não posso esconder o sorriso e continuo a olhar enquanto ela segue para o estacionamento do clube com um balanço sedutor nos quadris que sei que não é para um show. Ela só tem esse tipo de aura que exala paixão e beleza. Sua calça de couro para montar é tão apertada, que estou noventa e nove por cento certo que ela não tem nada por baixo e saber que estará pressionada contra mim pelas próximas malditas dez horas já me faz sentir no céu e no inferno. Suas botas têm salto apenas o suficiente para prender sobre o estribo da moto e andar confortavelmente e a jaqueta de couro grossa que usa com o emblema do clube e seu nome nas costas e braços, é uma demonstração de orgulho e lealdade. Essa porra de mulher. Ela salta na ponta dos pés quando chega ao lado de Hadley que está aconchegada do ar fresco da manhã com Leo enquanto esperamos Op dizer adeus à sua mulher e filhos. Continuo olhando Skylar, incapaz de afastar meus olhos. Seus olhos brilhantes cintilando e o sorriso caloroso são atraentes, para dizer o mínimo. Posso entender porque os homens

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no clube a adoram, e não apenas pelo sexo. Ela tem essa doçura, a personalidade magnética que te atrai com uma força gravitacional e se recusa a deixá-lo ir. "Tudo bem! Vamos colocar este show em movimento, temos lugares para ir,” Op diz quando sai do clube com Chelsea debaixo do braço, ele lhe dá um longo beijo nos lábios antes de fazer um movimento em direção a sua moto. Posso imaginar o quão difícil é deixar sua mulher com recém-nascidos, mas com Sugar ficando para ajudar, espero que ele mantenha sua cabeça no jogo e não se distraia. Skylar vem direto para mim quando faço um movimento para minha moto. Os rapazes e eu que iremos carregar passageiros fizemos um ponto ao fixarmos encostos na parte de trás das motos ontem, sabendo que tornará a viagem mais confortável e teremos menos paradas desde que as meninas têm algo para inclinar-se e apoiar quando estiverem doloridas ou cansadas. Sempre fomos obrigados a ter um, mas por nunca ter uma cadela na parte de trás da minha moto, o meu é novo e prestes a ter sua primeira corrida. Skylar não hesita, pega o capacete que coloquei no banco e prende-o. Ela coloca uma de suas botas de salto no estribo e joga a outra perna por cima da moto. Ela instantaneamente se aconchega atrás de mim, mexendo e ajustando-se até estar confortável. Prendo a respiração, seu hálito quente contra minha orelha provocando um furioso demônio dentro de mim. Minha frequência cardíaca começa a subir, a pressão dela contra mim puxando flashes de memórias através da minha visão.

Gemo alto, o ruído simples faz com que todo meu corpo doa. “Knight?” O tom suave do meu melhor amigo é o suficiente para fazer minha cabeça latejar. “Por favor, me diga que esse

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gemido significa que está vivo.” Sua voz está cansada como se ele usasse toda energia que tem em seu corpo para falar. Mas não consigo entender o que ele quer dizer. Vivo? Leva alguns momentos para abrir meus olhos, eles parecem ter sido colados. Posso ouvir o rádio ligado ao meu colete zumbir no meu ouvido, a voz ocasional fica dentro e fora, exige uma resposta, implorado para saber o que aconteceu e se estamos bem. Por que todo mundo fica perguntando se está tudo bem? Finalmente pisco, o brilho, a luz solar áspera do deserto ardendo meus olhos. Meus sentidos de repente parecem mais intensos. O cheiro de fumaça permanece no meu nariz e envia alertas urgentes para meu cérebro, mas é como se meu cérebro não conseguisse descobrir o que fazer com isso. Solto uma respiração pesada, mas é tensa. O sangue corre por minha cabeça. Estou de cabeça para baixo? Mexo meu corpo, mas o cinto de segurança me prende no ar. Algo está me pressionando, impedindo meu corpo de ter o ar que precisa. “Knight, aguenta aí, eles estão vindo para nós, estão a apenas três minutos,” Jamison diz, quase como se tentasse convencer a si mesmo também. Balanço a cabeça, preciso de mais ar, ou não vou ficar bem. Movo meu corpo, tento esticar os braços, mas o peso que me empurra para baixo é demais, e meu corpo de repente está muito fraco. “Fique aqui, porra!” Retruca. Não, não consigo respirar. Só preciso de um pouco de espaço, preciso abrir espaço para meus pulmões, estou muito imprensado, e eles estão comprimidos.

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Sei que estou em pânico. Lembro-me de ser treinado para isso, quando a merda ficar ruim, mantenha a cabeça calma. Se está ferido, tente manter o ritmo cardíaco baixo, ficar racional e alerta. Isso vai pela janela. Minha mente está confusa, não sei o que está acontecendo, apenas que quero permanecer vivo, e para isso, preciso de ar. Gemendo alto, dou um empurrão final, e por um momento, respiro fundo. Nesses segundos, sinto-me muito bem, ar enche meu corpo, tem sabor levemente esfumaçado e empoeirado, mas não me importo, só preciso respirar. Não sei o que aconteceu, onde estou, em que estado meu corpo está, e quão perto Leo e eu chegamos da morte. Isso durou pouco, quando o corpo do meu companheiro de equipe, o mesmo corpo que estava em cima de mim, e que acabei de afastar como se fosse inútil, de repente está ao meu lado ― seus grandes olhos sem vida olhando diretamente através da porra da minha alma.

Volto à realidade quando Skylar desliza os braços em minha cintura e apoia o queixo no meu ombro. “Seu coração está acelerado,” ela diz suavemente, como uma observação. Ela está certa, meu coração batia forte e posso sentir o suor que se formou na minha testa. Ter alguém tão perto, na maioria das vezes, desencadeia ataques de ansiedade. A memória é sufocada e luto contra o torpor enquanto tento descobrir o porquê. Minha boca está seca enquanto tento pensar em alguma desculpa, alguma razão para estar surtando como um adolescente que acaba de ter seu pau chupado por uma prostituta. Posso ouvir os sons das motos rugindo para a vida em torno, mas minha mão está congelada, incapaz de alcançar as chaves.

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“Inspire,” Skylar sussurra. “Você precisa respirar. Faça comigo." Fico ali sentado em silêncio enquanto a ouço respirar fundo e segurar o ar em seus pulmões por alguns segundos antes de liberá-lo. Meus irmãos estão começando a sair pelos portões do clube, e estou aqui como um fodido idiota, incapaz de me mover, sentindo como se fosse desmaiar se não fizer algo. “Inspire,” ela sussurra em meu ouvido, quando afasta os braços de mim. No mesmo instante, sinto-me livre novamente e respiro. Skylar não diz nada, sentada em silêncio durante o que parece uma eternidade até que suas mãos aparecem novamente, desta vez ficando sobre meus quadris. “Vou tentar não te segurar demais.” Sua voz é suave, relaxante e calma. Deveria ter dito a ela para não ser estúpida, que não sei o que está falando. Sei que seria inútil, no entanto. Não há como sair dessa. Ela me viu à beira de um colapso, algo que só Leo e Optimus já testemunharam. Faz-me sentir fraco e inútil. Tento acalmar minhas mãos enquanto estendo-as para as chaves, mas congelo quando os dedos de Skylar seguram meu lado. Viro a cabeça um pouco para olhar, e ela sorri gentilmente. “Desculpe, é apenas o arranque que me dá uma sacudida, mesmo que espere por isso, parece que sempre me assusta.” Ela desvia o olhar rapidamente como se sentisse vergonha de admitir que apesar de todo o tempo que está com o clube, ainda não está preparada para o poder que essas motos possuem. Para ser completamente honesto, sua admissão faz meu corpo se acalmar um pouco porque não quero que ela fique com medo.

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Permito-me mergulhar nos instintos protetores enraizados dentro de mim, e encontro-me dizendo, “Vou tentar ir devagar.” Puxo a bandana que cobrirá meu rosto e fará com que o capacete esteja seguro antes de mais uma vez pegar as chaves. “Mas não muito devagar,” ouço-a dizer calmamente com um sorriso na voz antes de eu ligar o motor. Não posso deixar de sorrir, feliz que meu rosto esteja coberto de modo que o resto do mundo não possa ver. Essa porra de garota.

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Eagle

Não sei como aconteceu, mas Skylar e eu criamos um ritmo confortável, uma vez que alcanço meus irmãos. Nas primeiras cinco horas da viagem, ela alternou entre sentar contra o encosto com as mãos no meu ombro, e inclinada para frente, de modo que seu corpo pressionasse em minhas costas. Quando senti que estava ficando muito preso, tendo seu corpo tão perto do meu, toquei sua perna, e ela imediatamente me deu o espaço que preciso para ter minha cabeça no lugar. Mesmo assim, descobri que quanto mais a sinto ali, mais sou capaz de ficar sem sentir como se estivesse sendo sufocado. Até comecei a gostar de ter seu corpo contra o meu, me aquecendo, confiando em mim para levar-nos para onde vamos. Quase me sinto bem em tê-la ali. Estávamos um pouco depois da metade da nossa viagem quando Optimus foi para o lado da estrada e parou no estacionamento de algum restaurante numa parada de caminhões que parece que não ter sido reformada desde os anos sessenta. O coro alto das motos mudando as marchas soa quando entramos, chamando a atenção de todas as pessoas no lugar e todos olham para fora da janela. Alguns nos olhavam com olhos arregalados e nervosos, enquanto outros olhavam de relance e rejeitavam nossa presença.

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O lugar está surpreendentemente lotado, então percebo que podem pelo menos ter boa comida, meu estômago dói por um maldito hambúrguer ou algo para passarmos as próximas horas. Enquanto paro minha moto, vejo alguns dos irmãos desmontarem, rolando seus ombros e esticando os pescoços. As garotas que vieram ao longo de toda a viagem parecem ter tido cinco rodadas com um pau do tamanho da minha coxa, enquanto caminham com as pernas tortas em direção às portas do restaurante. Meu corpo está muito bem, no entanto. Estou acostumado com viagens de longa distância. Embora não tenha feito isso faz um tempo, desde que me estabeleci ao longo dos últimos seis meses em Athens. Antes disso, fui classificado como um Nômade ― viajando para onde e quando fosse necessário. Às vezes, durante dias a fio. É o meu lugar feliz você pode dizer, não que jamais vá admitir essa merda em voz alta. Preciso da liberdade que montar livremente traz. Sou como um animal enjaulado que foi libertado. Nunca mais quero ir para um lugar onde me sinto preso novamente, como estive no dia que perdemos nossa equipe. Se continuar me movendo não posso ser capturado, não posso ser preso. Skylar usa meu ombro para impulsionar-se da moto quando desligo o motor. Uma vez que ela desce, abaixo o estribo lateral e apoio a moto para que possa fazer o mesmo. Vejo com o canto do olho quando ela estende seus membros, sacudindo-os um de cada vez e retira a mochila. Posso dizer que seus ombros doem pela forma como ela os rola para trás e afunda os dedos no músculo, com o rosto desconfortavelmente tenso enquanto massageia o nó que se criou.

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Franzindo a testa, dou dois passos em sua direção, estendo a mão. Ela olha minha mão por um segundo antes de encarar meu rosto com uma sobrancelha levantada. “Dê-me a maldita mochila,” falo, estalando os dedos para ela. Ela me olha confusa por alguns segundos antes de um sorriso aparecer lentamente em seus lábios brilhantes e ela cruza os braços sobre o peito, a mochila pendurada nos dedos. “Saiba que não basta estalar seus dedos para mim,” diz ela em diversão. Não respondo, em vez disso, estalo os dedos mais uma vez para reforçar enquanto seguro seus olhos, recuso-me a recuar até ela me dar a porra da mochila. Para seu crédito, ela ainda a segura, inclina a cabeça com curiosidade, como se examinando o quão longe pode me empurrar antes deste jogo lúdico se transformar em algo completamente diferente. Poucos segundos depois, estende a mão, deslizando a mochila para a minha. “Sou muito capaz―” ela começa, mas num piscar de olhos, estou nela, minha mão livre segura sua mandíbula. Ela congela, sua boca abrindo enquanto a olho. A menina tem bolas e o atrevimento que devolve me deixa duro dentro do jeans. “Continue com essa boca, e prometo a você... vou dobrá-la sobre minha moto aqui e bater na sua pequena bunda redonda até que esteja vermelha, não dando a mínima se todos no restaurante podem ver,” ameaço apreciando a forma como seus olhos se iluminam, quase como se estivesse excitada com a ideia. “Isso faria as próximas quatro horas desconfortáveis pra caralho para você.” Ela visivelmente se encolhe quando pensa nas próximas horas, sentada na porra da moto com minha mão marcada no seu traseiro e tenho que lutar contra o sorriso triunfante que surge em meus lábios.

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“Skins!” Chamo, nossos olhos ainda um no outro. Ao ouvir o barulho de cascalho atrás de nós, estendo a mochila. “Coloque isso na caminhonete.” “Claro,” ele responde casualmente, pegando-a e indo embora. Skylar franze os lábios, engolindo em seco. “Desculpe,” sussurra, mas até eu admiro a maneira como ela faz isso com o queixo erguido. Está seguindo as regras e mantendo a boca fechada como uma boa garota do clube, mas não tem medo de me deixar saber que se não estivesse nesta posição, provavelmente me chutaria nas bolas. Meu aperto em seu rosto fica mais fraco e roço o polegar em sua bochecha, enviando uma onda de algo estranho formigando pelo meu corpo antes de me forçar a dar um passo atrás. “Não precisa carregar essa coisa, ela ainda chegará lá muito bem,” digo, minha voz severa com um aviso para não me empurrar novamente. Skylar lambe os lábios e balança a cabeça. “Eu sei, só gosto de estar preparada e ter minhas coisas perto.” “Estamos viajando juntos. Nada vai acontecer que não esteja preparado. Não estresse sua linda cabecinha.” Ela não diz nada por longos segundos, posso ver as engrenagens girando em sua cabeça enquanto tenta dar algum sentido para a situação. Sei que posso ser quente e frio às vezes, mas acho que é o que vem com a mentalidade da fraternidade que vivo, não só agora, mas também enquanto estava no exército. Ter um monte de caras próximos e juntos por longos períodos, tendo seus argumentos, diferenças de opiniões, e pessoas dizendo ou fazendo coisas estúpidas e chateando uns aos outros. Aprendi desde cedo, você pode socar seu irmão na cara por ser um babaca de noite, mas quando chega a hora de levantar de manhã, só tem que esquecer essa merda. Não há utilidade em deixar palavras baratas ou algum desacordo bêbado sobre merda

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trivial, ficar no caminho da família e da amizade. Você trabalha com isso, às vezes com palavras, às vezes com os punhos, em seguida, está feito. Ela finalmente limpa a garganta. “Vou aceitar sua palavra sobre isso,” ela responde, seu corpo relaxando um pouco agora que percebeu que não estou furioso. Procurando em seu bolso, ela pega um celular e ergue para eu ver. “Isso vem tocando durante os últimos trinta minutos, realmente devo ver o que está acontecendo.” Afundo meus pés no chão. “Quem está ligando?” Exijo. Ela levanta a mão e ri. “É só Deacon. Sem dúvida, minha irmã fez algo louco e ele está um pouco descontrolado.” Meus músculos relaxam, mas apenas ligeiramente. Corro os dedos pelo cabelo e, finalmente, deixo-a fazer a chamada sozinha. “Ei Eagle,” ela diz, assim que estendo a mão para a porta do restaurante. Minha mão fica na maçaneta cromada, mas me viro para olhar por cima do ombro. Observo o brilho malicioso em seus olhos antes dela falar. “Nunca deve fazer promessas que não pode cumprir.” Sua risada enche o ar ainda quente, e ela gira nos calcanhares, certificando-se de gingar sua bunda perfeitamente tonificada para mim antes de colocar o telefone no ouvido e começar a falar. É preciso muito para não largar a maldita porta aberta, andar até ela e colocá-la sobre meu joelho por ser uma puta atrevida. Caminho até o balcão, a garçonete responsável pelos pedidos deslocando-se desconfortavelmente enquanto me aproximo. “Posso... uh... ajudá-lo?” Pergunta, nervosa. Ela é jovem, provavelmente no final da adolescência. “Cheeseburger, batatas fritas e refrigerante, tudo em dois,” digo bruscamente, jogando algum dinheiro em cima do balcão e

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não espero troco. Interações sociais não são minha coisa. Acho que você pode dizer que sou socialmente desajeitado. Não costumava ser, mas desde que saí do exército, tento meu melhor para evitar estranhos. Tudo começou com o medo de ter um episódio enquanto alguém estivesse por perto. Minha timidez leva o melhor de mim às vezes. Sei na minha cabeça que não devo ter vergonha da minha deficiência, mas acho que a parte teimosa do meu cérebro se recusa a parecer fraco na frente de alguém. Faço o caminho mais curto para a mesa onde Op está sentado com Blizzard e Ham. Ele olha para cima, sentindo minha presença, e ergue a sobrancelha. “O que acha do senhor certinho se oferecer para tomar conta da irmã de Skylar?” Pergunto, direto ao ponto. Blizzard não dá a Optimus qualquer momento para responder, sentado em frente da mesa. “Acha que pode haver algum motivo oculto?” Questiona, a cabeça inclinada com curiosidade. Reviro os ombros, ainda sentindo a dor forte do passeio. “Não sei. Apenas estranho, acho. Ele não conhece Skylar. Pensei que iria nos entregar a menina, em vez de levá-la de nossas mãos e tornar nossa vida um pouco mais fácil.” Posso ver Optimus considerar minhas palavras, e Blizzard assente pensativamente. “Ele e Chelsea ainda são muito unidos,” Optimus diz finalmente. “E ele nos ajudou algumas vezes ao longo do último ano e manteve a boca fechada sobre coisas que poderia ter falado. Acho que talvez seja uma oferta de paz.” Ele não parece tão certo agora, uma carranca preocupada afundando sua testa. “Skylar notou algo estranho?” Ham questiona, inserindo-se na conversa enquanto joga uma batata frita na boca.

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Dou de ombros. “Ela não falou, mas acabou de ligar para ele desde que ele está explodindo seu telefone pela última fodida meia hora. Obviamente, não pode lidar com uma menina de dezessete anos de idade, porra,” resmungo, sem perder o sorriso que aparece no rosto de Blizzard. “Não olhe para mim assim, idiota.” “Outro que morde a poeira4.” Ele ri olhando sua comida. Meus olhos vão para Optimus, que também tem um sorriso calmo em seu rosto. “Fodido Cristo,” murmuro, virando e indo para outra mesa, não vou lidar com comentários espertinhos do meu presidente e VP. “Mantenha-me atualizado sobre a situação,” Optimus diz. Assim que estou prestes a concordar, ele acrescenta, “Oh, e a merda do Deacon, também.” “Fodido bastardo,” silvo sob a respiração, quando riso enche o pequeno restaurante.

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No original Another one bites the dust(outro que morde a poeira), expressão idiomática que significa cair morto, fracassar, quebrar, ser vencido. Ele usa no sentido de outro irmão ter caído por uma das meninas.

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“Tudo bem?” Pergunto a Deacon enquanto observo Eagle entrar no restaurante, a porta rangendo atrás dele. O homem é um mistério para mim. Juro que nunca troquei mais do que uma única palavra com ele antes, mas parece que ele está se acostumando com minha presença. Sei que posso ser um pouco estranha, falar um pouco demais às vezes e, possivelmente, sair como chata, mas só gosto de me divertir. Passei muito tempo sendo sufocada e julgada. Então desisti de dar a mínima para o que as pessoas pensam de mim. Movo meu corpo em diferentes posições enquanto ouço Deacon sussurrar do outro lado da linha. As dores já estão se estabelecendo, meus músculos não acostumados a fazer uma longa viagem como essa. Tanto quanto estou determinada a não confiar nos homens, sou grata por Eagle ter tomado minha mochila, porque, neste momento, sei que fui apenas teimosa, recusando-me a admitir que pensei que poderia lidar com isso quando não posso. “Então, levei Emerald à delegacia quando fui verificar as coisas”, ele diz com um suspiro pesado. “Não tenho ideia do que aconteceu, mas num momento ela estava bem, no seguinte, surtou.” Eu deveria ter ficado. Ela precisa de mim.

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“Ela não saiu do seu quarto, mas posso ouvi-la recitar alguma coisa uma e outra vez.” Ele parece preocupado e cansado. Abaixo a cabeça. Sei exatamente o que ela está fazendo. Ela está pedindo perdão. Nossos pais obrigavam-nos a fazer isso quando fazíamos algo que eles não gostavam ou não aprovavam. Ainda posso ouvir as palavras na minha cabeça, palavras que não ousei repetir em anos.

Meus olhos caem e meu corpo pende com exaustão. Um tapa e uma picada de dor na parte de trás das minhas pernas rapidamente me afastam da perspectiva de um sono feliz. As palavras saem da minha boca novamente, tão fluidamente agora, que meu cérebro nem tem que dizer aos meus lábios para se moverem. “Por favor, perdoe-me, minha alma foi enganada. Peço que me aqueça na sua luz e me mostre o caminho de volta à sua graciosa Terra Santa.” Respiro fundo, está ficando cada vez mais difícil. "Por favor, perdoe-me..." Passaram-se horas, o sol está se pondo agora, e estou aqui desde o almoço. Minha boca está seca e meus lábios rachados enquanto repito as palavras mais e mais, implorando para ser aceita e perdoada por meus pecados. Na minha mente, porém, não importa se meu pai ou nosso Deus me perdoou, ou se ele me chamou de volta e aceitou meu arrependimento. Esta vida é brutal, dolorosa, e uma que não posso imaginar que qualquer Deus gostaria que vivêssemos. Meus olhos estão inchados e ardendo, as lágrimas que chorei são suficientes para afogar a colônia e cada maldita pessoa nela.

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Cerro os dentes, as palavras que digo saindo rápidas e sarcásticas, mas meu pai não nota enquanto olha pela janela, parecendo estar encantado com meu zumbido constante, e hipnotizado pelas palavras. Ele não disse uma palavra desde que ele me bombardeou com perguntas quando me arrastou para longe dos meus irmãos e irmãs até este quarto, sua intenção é me machucar, não me ensinar ou ajudar a crescer, mas agora percebo que irá me bater até a submissão. “Quando esse ódio pelo modo como foi criada e nossos ensinamentos se tornaram tão fortes?", ele pergunta. Quando me tornei tão desafiadora e cheia de pecado? Não ofereço resposta, mas eu sei. Quando percebi ser tudo uma grande mentira.

“Skylar? Estou um pouco fora da minha área aqui,” diz Deacon, afastando-me das lembranças que me fazem querer vomitar na fila de belas motos que estou ziguezagueando enquanto falamos. Sua voz está preocupada, e é um soco no estômago ouvir um homem tão forte quanto Deacon, que ficaria muito feliz estando de igual para igual com Optimus em qualquer dia, ser amedrontado por minha irmã adolescente. Afasto o caroço que se formou em minha garganta. "Vá lembrá-la de onde ela está e dizer-lhe que não fez nada de errado" explico suavemente. "Ela vai continuar fazendo isso até que digam para parar.” Ele suspira como se um peso fosse tirado de seus ombros. “Ok, bom, bom.” Um lampejo de luz chama minha atenção, e olho para cima vendo um ônibus parando na estrada quase abandonada. Olho enquanto tento ler a placa da pequena parada de ônibus.

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Diz que o ônibus vem a cada hora, e uma das paradas listadas é Huntsville, a cidade ao lado de Athens. “Talvez eu deva...” “Não.” Deacon diz, de repente parecendo menos derrotado. “Sei que quer ajudá-la, Sky, mas não pode, querida. Ela precisa resolver tudo isso sozinha. Ela sabe que você está aí, e isso é suficiente. Ela vai conseguir.” Franzo meu nariz, querendo argumentar e debater com ele até o sol se por. Quero explicar o quão forte lutei e por quanto tempo, antes de finalmente conseguir me sentir segura e satisfeita no mundo fora de onde fomos criadas. Às vezes as pessoas não compreendem o que é você ouvir por toda a sua vida que o sol vai te queimar até a morte em segundos se você sair e apenas perceber que quando o faz, o calor dele é a coisa mais incrível que já sentiu na vida. Quando de repente percebe que tudo o que foi dito a você é mentira, como ter fé ou confiar em alguém novamente? Deacon está certo. Quero tanto segurar a mão de Emerald e trilhar esse caminho de descobertas, mas não posso. Se disser a ela como precisa agir, ser, ou pensar, não a ajudarei, simplesmente tomarei seu lugar na corrida da vida. A melhor coisa que já fiz foi lutar por mim mesma e por quem quero ser. Deu-me o poder de acreditar em mim mesma, de aprender sozinha o que é real e o que não é, e não confiar nos outros para me dizer o que fazer. Esculpi meu próprio caminho, não é perfeito, pode ter colinas e vales, rios que me lavaram às vezes e pararam minha viagem, mas é meu, e fiz isso em meus termos, não nos de outra pessoa. Posso ficar ao lado de Emerald e andar com ela, onde quer que ela queira ir, mas levá-la eu não posso. Deacon parece um pouco mais à vontade quando finalmente desligo o telefone e entro no restaurante. Os membros do clube enchem várias mesas e meus olhos param em Eagle que acena

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quando chega mais para a janela para abrir espaço na ponta do banco. O couro desgastado range quando sento ao lado dele e solto um longo suspiro. “"Não sabia o que queria", diz Eagle, empurrando um prato com cheeseburger e batata frita sem sequer desviar o olhar da comida. “Se disser que quer uma porra de salada como Jess ali, então terá que pegar essa merda sozinha.” Ele dá uma mordida gigante em seu hambúrguer, que por sinal parece ter uma vaca inteira. Sorrio. “Obrigada” digo a ele genuinamente. “Não tem que pedir comida para mim, mas realmente aprecio.” Então rapidamente acrescento, “E não, não há chance que uma salada vá me manter pelas próximas horas. Preciso de carne. Muita carne.” Eagle sorri, mas ainda não me olha, continuando a comer sua comida. “Sempre soube que é do tipo que adora carne, Sky,” Camo brinca com um largo sorriso no rosto, me cutucando por debaixo da mesa. Reviro os olhos com as insinuações e pego um punhado de batatas. “Sim, esta carne parece grande e grossa, não tive uma assim há mais de uma semana” respondo com um sorriso malicioso antes de empurrar as batatas na boca e mastigar feliz, apreciando a forma como o sal explode no meu paladar. Consigo segurar o gemido que ameaça escapar, recusando-me a dar aos caras mais munição. Camo franze a testa, claramente sem graça, dado que ele visitou meu quarto noites atrás. “Ha, muito engraçado.” Ele fica amuado, e não consigo dizer se está sem graça, ou realmente insultado pela piada, enquanto Kev, por outro lado, senta ao lado dele, engasgando com o refrigerante ao tentar conter o riso.

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Eagle também não consegue esconder sua diversão, mas pelo menos tenta disfarçar com a mão para talvez salvar seu irmão do constrangimento. “Você sabe,” Kev finalmente resmunga, me olhando, seus olhos franzidos com um sorriso. “Tenho que saber quais outros clubes deixam suas meninas fugir ao insultar a masculinidade de um irmão.” Franzo meu nariz com as palavras. Nunca fui uma das garotas que fica em silêncio, enquanto os irmãos falam. Adoro conhecê-los, participar da brincadeira e me divertir. Claro, sabia onde a linha está, e quando não a atravessar. Mas não me juntei ao clube para abrir as pernas e pagar as contas. Juntei-me porque a atmosfera e as relações parecem genuínas e firmes. A família que eles têm lá me intriga e fascina. Quero fazer parte disso, não ser uma garota que senta à margem assistindo enquanto todos se divertem. “"Provavelmente nenhum" respondo com um encolher de ombros, então o olho e sorrio. "Pode me irritar se quiser, e então sair e encontrar uma buceta no X-Rated, ou em algum bar, e acabar com uma DST ou talvez até com uma grávida psicótica.” Todos os três rapazes na mesa visivelmente se encolhem. Juro que qualquer um desses caras andará através de um campo de batalha se isso significar proteger as pessoas que se importam, mas a ideia de ter um pau doente ou alguma cadela louca tirando tudo o que tem, inclusive a sanidade — os faz saírem correndo. Camo olha sua comida antes de voltar o olhar para mim. “Realmente tem que falar de DST na hora do almoço? De repente não estou com muita fome.” Seu nariz está franzido de nojo e outro arrepio o percorre. “Entendo,” digo a ele, mordendo o interior da boca para não cair na gargalhada. “Pau podre é um problema muito sério. Mas sabe, ouvi que isso se esgueira e você nem sequer sabe que está lá até que um dia... bam... sua masculinidade apenas cai.”

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Há um segundo de silêncio absoluto antes de Eagle cuspir seu refrigerante por toda a mesa e sair da mesa, quando Kev faz exatamente o mesmo, pulverizando todo o assento onde estou enquanto cai de bunda no chão desgastado. “Skylar ...” Optimus resmunga, levantando de seu lugar, então olhando por cima da mesa e para mim. Levanto minhas mãos em sinal de rendição. “Desculpe, sinceramente não esperava essa reação.” “Ela disse que meu pau vai cair,” Camo declara, levantandose, ainda parecendo assustado. Eagle e Kev ainda estão se engasgando com suas bebidas através de risadas. Mesmo Op não consegue esconder o sorriso ao ver a expressão obviamente horrorizada de Camo quando pensa que estou dizendo a verdade. “Acho que essa é nossa deixa para ir” Op bufa levantado da mesa, todos os membros rapidamente terminaram sua comida e bebidas antes de seguir o exemplo. Eagle desliza para a ponta do banco e estende a mão para mim. Seguro-a, e ele me puxa em pé. Uma risada saí de sua boca fazendo meu corpo esquentar e um sorriso curvar meus lábios. “Vai arranjar problemas com essa boca, garota”, ele avisa. Viro e rebolo minha bunda. "Talvez seja esse o objetivo.” Tenho certeza que o ouvi gemer, mas não viro, optando por não o deixar ver o sorriso arrogante no meu rosto.

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Assim que pego o capacete e estico meu corpo, me preparando para as próximas horas de passeio, o telefone de Eagle começa a tocar. Ele arranca-o do bolso, verificando o identificador de chamadas com uma expressão confusa. Paro de andar, Leo, que está ao lado dele parando também e olhando por cima do ombro... “É Jake,” Eagle diz com um olhar sério. Não posso ver o rosto de Leo, mas noto seus ombros tensionarem. “Eles deveriam estar sem contato agora” Leo responde, pegando seu próprio celular. “Vá sem nós” diz Eagle. “Vamos alcançá-lo.” Ele aperta o botão de resposta e segura-o ao ouvido. Posso ver a preocupação em seu rosto, e seus olhos encontram os meus por um breve segundo, fazendo meu coração saltar para a minha garganta antes dele virar. Leo se aproxima, sua mente aparentemente em outro lugar. Estendo a mão e toco seu braço, seu corpo estremecendo de surpresa, confirmando minhas suspeitas. “Está tudo bem?”, pergunto, abraçando-me, tocada pela preocupação de Eagle. Leo observa a forma como estou olhando a saída de Eagle com preocupação e solta um suspiro. “Não tenho certeza, é seu irmão.” Sua resposta não acrescenta nada, só me confunde ainda mais, e quando ele nota, continua a falar. “Nossos irmãos caçulas são ambos parte de uma equipe de operações especiais. Não

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deveríamos ter notícias deles por mais algumas semanas, o que significa que a operação foi concluída cedo... ou algo ruim aconteceu.” Meu estômago revira com suas palavras e prendo a respiração. Isso não soa bem. “Quero esperar, mas sou o único que planejou o percurso, então estou montando na frente com Op” diz ele, olhando entre mim e Eagle, que está sentado num banco fora do restaurante com os cotovelos apoiados nos joelhos. “Pode dizer-lhe para me avisar o mais rápido possível se algo estiver errado? Vou dizer a Hadley para ficar com meu telefone. Eagle sabe o caminho. Basta passar o recado, ok?” Balanço a cabeça rapidamente. "Claro." O resto do clube já montou suas motos e os motores começam a rugir em torno. Leo corre e salta em sua besta com um movimento fácil, Hadley graciosamente sobe atrás dele. Não perco o aperto suave que ela lhe dá, obviamente, sentindo as emoções invadindo sua mente. Ele conversa com ela por cima do ombro, e sua cabeça balança com entendimento antes de Leo avançar lentamente para a frente com Op. Vejo enquanto se afastam do estacionamento e entram na estrada, o rugido alto quase me ensurdece quando saem, lentamente se transformando num zumbido baixo enquanto se afastam. Olho para Eagle e o vejo na mesma posição, decido me acomodar e apoiar na parede de tijolos que separa o estacionamento e o restaurante da fazenda ao redor. No meio do nada, ok.

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As nuvens se fecharam a menos de quarenta minutos atrás, elas estavam brilhantes e suaves, o sol atrás conseguindo romper em alguns pontos, jogando raios de luz em nós. Elas não têm nenhuma razão, apenas belos eventos aleatórios que acontecem naturalmente. Passei os últimos anos estudando ciência, principalmente química, mas li basicamente tudo e qualquer coisa que consegui ter nas mãos que explicasse os fenômenos naturais que o mundo ao nosso redor produz. Ciência não é permitida dentro da Colônia. Claro que não. Eles nunca deixariam seu povo pensar que a natureza produz esses eventos e não são sinais de um ser superior, seria uma blasfêmia completa. E foi por isso que me apaixonei tanto pela ciência, porque me lembrou que não sou louca, que não serei amaldiçoada por me afastar de um lugar que afirmam que os levará ao céu. No entanto, o lugar em si é muito parecido com as profundezas do inferno. A ciência me lembra que fiz a coisa certa, e isso torna o buraco em meu coração um pouco menor e a culpa que sinto um pouco mais suportável. Não tenho ódio em relação à religião ou às crenças das pessoas. Conheci cristãos desde que deixei a Colônia que são pessoas gentis, nunca forçando seus pontos de vista ou te fazendo se sentir inferior pelo modo como decide viver sua vida. O que desprezo com toda a alma, são mentiras e a forma como a Colônia as usa para controlar o povo e difundir o medo nos corações de homens, mulheres e crianças que só querem saber se há um lugar lindo à espera deles quando morrerem. O som de pedras me alerta para a aproximação de Eagle. Fico sentada no muro de concreto, esperando sua liderança, perguntando-me se ele quer falar sobre o que aconteceu antes de entrar na estrada.

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Acho que provavelmente deveria saber melhor. “Podemos dar o fora daqui,” Eagle diz, jogando meu capacete com força e me acertando diretamente no estômago, tirando o ar dos meus pulmões por um segundo. Seguro com força o objeto ofensivo, fechando meus olhos firmemente para tentar bloquear a dor por poucos segundos até que finalmente diminui. Respiro fundo antes de saltar para o chão, recusando-me a olhar Eagle quando sei que ainda tenho lágrimas brilhando nos olhos. Ele limpa a garganta. “Você está bem?” Não é uma desculpa, mais como se minha dor fosse um inconveniente. “Tudo bem,” rosno entre os dentes, ainda me recusando a olhá-lo enquanto coloco o capacete e aperto a correia. Embora pudesse passar as quatro horas seguintes sem falar com o maldito bastardo rabugento, disse a Leo que transmitiria a mensagem. Dado que seu irmão pode estar ferido, não posso ignorar. "Leo disse para chamá-lo se for algo importante.” “Seu irmão vai chamá-lo, não é urgente” responde ele apertando o capacete e montando na moto, efetivamente terminando a conversa. Posso dizer que mesmo não sendo urgente, ainda é importante, ou pelo menos o afetou. Seu corpo está tenso, e quando subo em suas costas e me aproximo, ele não surta, e sua respiração não se altera como antes. Ele pode estar se acostumando comigo, ou o que quer que aconteceu mexeu tanto com sua mente que todo o resto é um borrão. Eagle sai do estacionamento do restaurante como se os caçadores do inferno estivessem em nossos calcanhares. Movo-me e o agarro mais forte, escondendo o rosto em seus ombros até sentir meu coração se acalmar no peito. Estou tentando não amaldiçoar o filho da puta na minha cabeça, lembrando-me que ele está, obviamente, passando por um momento difícil e que algo aconteceu. Durante tempos estressantes, as pessoas podem ser idiotas de merda. Só desejo não ser a pessoa que ele está maltratando. Não mereço essa merda,

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e estou apenas começando a quebrar sua concha, ver o cara sob o exterior frio e duro. Agora, porém, as paredes estão de volta e mais fortes que antes. Estamos uns bons quarenta e cinco minutos atrás do grupo e sei que provavelmente não vamos alcança-los agora ou antes de entrarem em Dallas. Percebo, porém, que Eagle está fazendo seu melhor enquanto voa pela estrada vazia no meio do nada, às vezes passando por cidades tão rápido que somem em uma piscada, é como se nunca soubesse que lugar estou. Assim que cortamos mais uma cidade com uma rua principal e não muito mais, dou uma olhada sobre o ombro de Eagle, esperando que talvez tenhamos sorte e vejamos o grupo para que ele possa desacelerar um pouco e eu possa me recostar um pouco em vez de agarrar sua cintura. Assim que olho para cima, sou forçada a recuar quando Eagle aperta contra mim enquanto tenta manter a moto estável enquanto as engrenagens fazem um esforço para parar. A moto desvia ligeiramente, e seguro-me mais forte enquanto ele continua tentando frear sem bater ou nos fazer voar da moto. Juro que tudo que sinto é uma lufada de ar passando por minha perna e um borrão de azul, então sou atingida, quase como se alguém me socasse na testa. A força joga minha cabeça para trás, mas para minha sorte, o capacete me protege do impacto do objeto voador. Paramos bruscamente na borda do asfalto, o zumbido do motor enchendo o ar vazio ao nosso redor. Mas não por muito tempo. O som de pneus estridentes soa, em seguida, um ruído que nunca vou esquecer — o som de metal sendo dobrado e dobrado como se fosse papel e o chão fizesse um origami dele.

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"Desça!" Eagle diz com urgência quando desliga o motor e seus dedos tocam a alça do capacete. Leva-me menos de um segundo para levar seu pedido por meus ouvidos, através do meu cérebro e depois do meu corpo, mas parece uma eternidade onde simplesmente fico lá, sem saber como me mover. Desço, minhas mãos tentando soltar meu capacete e meus pés lutando para manter o resto do meu corpo ereto. Tropeço duas vezes na estrada antes de conseguir me firmar. Meu capacete pende das mãos e Eagle se apressa no segundo em que larga a moto. Suas mãos enluvadas agarram meu rosto enquanto ele me força a olhá-lo. "Você está bem?" Ele pergunta, as palavras rápidas. Balanço a cabeça. “Algo atingiu meu capacete” “Meu espelho retrovisor” responde ele, com a mão no meu rosto um pouco demais, antes de virar e correr pela estrada. “Ligue para o 911!”, ele diz por cima do ombro. Fico confusa por um segundo. Tudo está acontecendo tão rapidamente. Meus olhos seguem Eagle que corre ao longo da estrada, saltando por cima de uma cerca quebrada e se movendo em direção a ... Um carro. Céu azul. Seu telhado cedendo. Um pedaço de metal dobrado. Meu cérebro finalmente coloca as peças juntas enquanto outro carro desacelera para parar a meu lado. Um homem mais velho rola a janela, os olhos arregalados. "Está tudo bem?" Ele pergunta, olhando entre mim e o veículo destruído que Eagle tenta abrir a janela lateral do motorista. “Ligue para o 911!” Digo, meu corpo finalmente sentindo a adrenalina que vem com a experiência de quase morrer. Viro e

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corro em direção ao cercado, pulando sobre a grama e tropeçando nas peças que o carro deixou no chão macio. A janela finalmente cede e Eagle estica o braço, puxando o bloqueio do carro de estilo antigo e abrindo a porta. Uma mão flácida cai do veículo e engasgo quando ele se inclina sobre a mulher e a solta antes de tirar seu corpo do carro. Há sangue, não muito, mas o suficiente para me fazer perceber que é extremamente grave. Sigo enquanto ele a leva para o lado da estrada, onde agora há três carros parados e pelo menos cinco pessoas observando. O homem que parou primeiro ainda está no celular transmitindo informações para alguém na outra linha. Eagle coloca a jovem no chão e inclina-se sobre ela, tentando respirar antes de pressionar os dedos contra seu pescoço e fechar os olhos, procurando pulsação. Vejo parte da tensão se dissipar. "O pulso é forte" ele diz, ficando de joelhos. Uma mulher idosa corre e coloca uma colcha sobre a garota que agora percebo parecer jovem demais para ser mais do que uma adolescente. "Está soltando fumaça!", outro homem de repente grita, apontando horrorizado para o carro. Meus olhos seguem instintivamente, e juro que sinto meu coração pular na garganta quando percebo que, desse ângulo, posso ver o adesivo na janela traseira do carro. Bebê a bordo. "Há um bebê" grito, me virando e procurando Eagle. Ele se levanta e agora está atrás de mim, sua mão estendida como se procurasse por mim. Ele não está se movendo, seu rosto está pálido e os olhos arregalados e cheios de pânico. Agarro seu braço, puxando-o com força, tentando chamar sua atenção. "Pode haver um bebê lá dentro" grito, tentando tirar sua mente do transe em que está.

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Sem sorte. Ele está congelado, sua respiração é superficial e juro que ele não está nem piscando. Ele parece completamente assombrado. Amaldiçoo, girando meu corpo e correndo em direção ao carro fumegante. Não tenho ideia de onde a fumaça vem, mas ainda não vejo chamas. Talvez seja apenas vapor. Talvez o carro não vá explodir, enquanto tento resgatar a criança que não tenho ideia se existe ou não. Puxo a maçaneta da porta para o banco de trás, mas não se move. Inclinando-me para frente, coloco as mãos em torno dos olhos e olho contra a janela, tentando ver dentro. Não vou entrar pelo lado do motorista e ficar presa quando pode ser nada. As pessoas à beira da estrada gritam para eu me afastar do carro, mas não importa. Se há um bebê lá, não vou deixar a criança queimar enquanto observo. Meus olhos encontram os brinquedos de bebê primeiro, coisas que penduram para eles tocarem e brincarem. Então vejo as mamadeiras no chão, obviamente arremessadas no acidente, pois o leite está por todo lugar. Movimento. “Merda!” Xingo, não desperdiçando um segundo. Lançandome no banco do motorista, passando o corpo entre o espaço dos bancos da frente, o espaço pequeno e apertado. Respiro fundo e engasgo com a fumaça invadindo o veículo, mas forço meu corpo para frente, caindo no banco de trás e enxergando a alça da cadeirinha do bebê. Lágrimas brotam, e olho para baixo encontrando os mais belos olhos verdes me encarando. Ela não está chorando, apenas

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me olha com uma mistura de surpresa e medo. Ela não parece ferida, nem um arranhão ou hematoma em sua linda pele. Aperto o botão, mas ele está preso, não me permitindo soltar o cinto de segurança. Posso dizer que é uma cadeirinha velha, parecendo desgastada e irregular, e posso ver a forma como o cinto está em fiapos em algumas partes. De jeito nenhum um bebê deve estar nessa coisa. Cadeirinhas tem datas de validade por uma razão. Continuo apertando o máximo que posso, mas não abre. Deve ter alguma coisa presa embaixo dela. Puxo os cintos, tusso e tento cobrir minha boca. Posso sentir a temperatura do meu corpo aumentando e gotas na minha testa enquanto luto com o cinto de segurança e o pânico começa a aumentar. E se eu não conseguir tirá-la? Será que vou embora e deixo esta preciosa vida inocente enquanto escapo? Lágrimas se juntam enquanto puxo mais forte. "Por favor!" Grito. "Abra, por favor!" O lábio inferior da menina treme quando ela tenta segurar as lágrimas. Seus gemidos baixos me fazem chorar mais, lágrimas escorrendo pelo rosto, meus pulmões clamando por ar. "Sinto muito, querida, eu não sei—" “"Droga, Sky!", Eagle diz pulando no carro e se inclinando sobre o banco da frente, uma faca de bolso na mão. "Desculpe baby girl", ele diz com ternura enquanto puxa a alça e cria espaço suficiente para enfiar a faca. Ele serra várias vezes, e então a alça parece desintegrar-se e romper. Não espero que ele faça o mesmo no outro cinto, conseguindo tirar a bebê, que agora chuta, grita, e tosse com o ar sujo quase dominando metade do carro. “Passe a menina e dê o fora,” ordena Eagle, estendendo os braços. Não penso duas vezes, jogo a criança, e ele se afasta da porta do motorista enquanto me espremo pelo espaço, sem me

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preocupar em ter equilíbrio, em vez disso, simplesmente me afasto usando as mãos. Deslizando pela porta, saio de joelhos na grama ao lado da estrada, onde rolo de costas e inalo ar fresco. É frio e doce, mas também me faz tossir tanto que acabo virando de lado e vomitando o cheeseburger e as batatas fritas do almoço. Há uma mão nas minhas costas enquanto expulso a comida do meu estômago, o ácido escaldando minha garganta, observando que provavelmente devo ter inalado uma porrada a mais fumaça do que eu imaginava. O belo som de sirenes enche o ar nebuloso que nos rodeia, seguido de uma sinfonia de botas pesadas contra o asfalto, homens rudes dando ordens, pessoas gritando e o jato de mangueiras pesadas. Eles encharcam o carro, tentando apagar o fogo que começou a aumentar e resfriar o motor. Não posso me mover, meu corpo doí em lugares que nunca soube que poderia sentir dor, e meus pulmões parecem cheios de alcatrão. Mesmo com vômito próximo ao meu rosto, não consigo encontrar energia para levantar a cabeça ou afastar meu corpo do mau cheiro, apenas me contentando em ficar ali e saber que todos estão bem e que no momento posso respirar. Poucos minutos depois, um som suave contra minhas costas é suficiente para despertar a curiosidade. Olho por cima do ombro e vejo Eagle sentado na grama ao meu lado, com a mão acariciando as costas do bebê enquanto a balança nos braços. Ela é tão pequena que se encaixa na curva do seu cotovelo, a bunda minúscula vestida de fralda na palma de sua mão. Um paramédico está agachado ao lado dele, cuidadosamente verificando os sinais vitais de Eagle, depois do bebê. Ele cuidadosamente coloca uma máscara de oxigênio no rosto do bebê, e certifica-se que ela está respirando corretamente antes de vir

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para mim. "Sinto muito" digo ao jovem cujo crachá lê-se Toby. "Eu vomitei, não venha aqui." Minha voz parece ser de alguém que fumou três maços de cigarros por dia nos últimos 20 anos. Está rouca, e ainda doí cada vez que respiro. Toby só sorri. "Não se preocupe, lidei com muito pior. Desde que não vomite em mim, estamos bem." "Não faço promessas," digo a ele honestamente, sabendo que a tosse ainda vem em ondas e me faz arfar por ar. Ele ri, mas continua seu trabalho, fazendo perguntas e verificando-me completamente. Olho Eagle enquanto deito de costas com Toby aferindo minha pressão, administrando oxigênio e escrevendo um monte de merda num gráfico. "Nunca mais faça isso comigo" diz Eagle, enxugando a testa e deixando uma mancha negra. Seus olhos se movem para mim com o bebê nos braços, que ele se recusa a soltar, ainda que agora saiba que ela está melhorando e sua mãe recobrou a consciência. "Fazer o quê?" Pergunto através da máscara de oxigênio, fechando os olhos e desejando que o sol se afaste para que eu possa dormir um pouco. Agora, a adrenalina passou e de repente estou exausta pra caralho. Eagle estende a mão, seu dedo roçando meu rosto, afastando cabelos dispersos e permanecendo lá por muito tempo, mas estou com muita preguiçosa para me mover. “Entrar num maldito carro em chamas sem me dizer” diz ele, sua voz calma e suave. Não o avisei que iria resgatar a criança que não tinha certeza se estava no carro? Acho que não. Não que acho que ele teria notado, dado que olhava o carro, como se ele tivesse todas as respostas do universo. “Você estava fora,” digo a ele, piscando contra a luz solar antes de me concentrar em seu rosto novamente. “Não teria me ouvido.”

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“Diabos que não teria” ele rosna, seu corpo congelando quando o bebê em seus braços se move um pouco. Quando ela se aproxima mais, ele me dá com um olhar firme. "Tudo estava bem, você estava ao meu lado. Ouvi você dizer que havia um bebê. Estava me dizendo para ir..." ele balança a cabeça, parecendo frustrado. "Não foi até que um sujeito empurrou meu ombro e disse que você estava dentro daquele carro que me movi.” “Não importa” murmuro, gemendo enquanto me forço numa posição sentada. “Você respirou um pouco de fumaça, então sua garganta ficará dolorida por alguns dias" diz Toby, interrompendo enquanto empacota seu equipamento. "Mas seus pulmões soam bem e o resto dos sinais vitais são bons. Recomendaria ir ao hospital para verificar e depois descansar pelo menos por hoje—” “Posso pular o hospital e apenas fazer a parte do descanso? Estamos indo para Dallas" digo. Toby nega com a cabeça. "Com o que passaram, definitivamente recomendaria que fosse verificada. Mas se não quer ir ao hospital, então precisa dormir um pouco e viajar amanhã. Certifique-se de que esteja pelo menos perto de um hospital porque se seus pulmões piorarem durante a noite, pode conseguir a ajuda que precisa. A última coisa que queremos é ver isso acontecer novamente quilômetros abaixo da estrada porque adormeceu atrás do volante. Ou pior, pode ter problemas respiratórios e não estar perto de ajuda médica.” "Foi o que aconteceu com ela?" Pergunto, minha boca caindo. Toby me dá um sorriso triste e assente. "Ela é uma mãe jovem, o bebê tem apenas semanas. Não soa como se ela tivesse muita família por aí. Está fazendo tudo por conta. Ela adormeceu e quase matou as duas e a vocês."

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Meu coração dói por esta mulher. Não por causa do que aconteceu, mas porque ela luta tanto e não tem ninguém por perto para ajudar. “Desculpe, senhor,” uma policial mulher mais velha diz se ajoelhando ao lado de Eagle. “Ela está acordada agora, e o motorista da ambulância gostaria de levar a ela e ao bebê até o hospital.” Posso ver a relutância de Eagle em desistir do bebê dormindo em seus braços. Finalmente, ele me encara. "Só quero ver por mim que ela está bem" diz Eagle, levantando, o oficial ao lado dele o imita. Ele me olha. "Tudo bem?" Ela assente. "Claro.” “Não vá a lugar algum" ordena Eagle, estreitando os olhos como se eu fosse entrar em outro veículo em chamas enquanto ele está fora. Aceno. "Estou bem, verei se consigo falar com Leo. Hadley tem o telefone dele." Já estamos nesse campo por cerca de uma hora. Damos nossas declarações à polícia, embora através de uma máscara de oxigênio no meu caso, tive uma última avaliação pelo paramédico antes de saírem. E com Toby recomendando repouso, parece que ficaremos em um motel esta noite. Antes de Eagle se afastar, ele vira e se agacha ao meu lado, com a mão cobrindo meu rosto. Ele pressiona a testa na minha e nós dois fechamos os olhos. “Não faça isso comigo de novo” ele sussurra, sua voz tão séria e cheia de emoção, que não ousaria uma piada sobre como ele disse isso. “Ok” sussurro de volta, com minha voz falhando. Então ele roça os lábios contra os meus e recua, ainda aconchegando aquela vida em seus braços. Uma vida que nós salvamos.

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Eagle

É difícil ir embora e deixar Skylar sentada na grama e sujeira, mas sei que não posso sair daqui, ou deixar essa jovem mãe ir sem falar com ela. Sei que ela é apenas jovem. Pude perceber quando a tirei do carro, ela ainda é adolescente. Skylar não foi capaz de abrir a cadeirinha porque era tão velha, que provavelmente tinha comida ou algo encravado dentro dela do proprietário anterior. O carro que dirigia é pouco viável, os pneus carecas e havia manchas de ferrugem em todos os lugares. A menina adormeceu ao volante, porque tentava ser mãe e fazer tudo sozinha. Não me parece justo ir embora e não fazer nada. Pode ter algo a ver com o bebê que segurei durante a última hora de merda, aconchegada contra meu colete e dormindo profundamente enquanto o mundo à sua volta enlouquece com vozes e sirenes. Seus traços suaves e comportamento pacífico me envolveram no seu dedo mindinho. O paramédico sai da ambulância, e a policial acena para que eu entre. "Cinco minutos, então precisamos ir" ela diz. Balanço a cabeça. "Sem problemas." Abaixando a cabeça, entro no pequeno espaço e me aproximo até estar ao lado da cabeça da jovem. Ela se vira para me olhar, lágrimas já descendo pelo seu rosto e sobre o travesseiro. Seu corpo está preso à maca para que ela não possa se virar, apenas o suficiente para me olhar.

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“Tenho sua menina aqui” digo a ela, virando meu corpo para que ela possa ver o bebê. “Você a quer?” Ela concorda e estica o braço no lado da parede da ambulância. Inclino-me e coloco a criança adormecida na curva dele. “Meu nome é Eagle,” digo ao sentar novamente. “Sou Megan, e essa é Cleo” diz Megan com um soluço. "Eu sinto muito. Não posso... não posso acreditar que fui tão estúpida. Normalmente não dirijo se estou cansada, mas eu-” “Calma aí” digo, cortando-a. “Não estou bravo. Estou feliz que saiu de lá.” Ela olha a menina doce em seus braços. “Obrigada” ela sussurra, com a voz falhando. "Muito obrigada." “Diga-me uma coisa, Megan” falo, minha voz séria. Seu corpo ainda está imóvel, mas ela vira a cabeça, encontrando meu olhar. No início, pensei em oferecer ajuda até ela se firmar, talvez dar algum dinheiro para comprar uma cadeirinha de qualidade. Mas quando entrei aqui, vi os hematomas e soube que são de pelo menos dias antes, em torno de seus braços e em seu peito. “Tem algum homem em algum lugar colocando a mão em você?" Pergunto, não fazendo rodeios. Não há suspiro horrorizado ou objeção retumbante que a maioria das mulheres dá quando confrontadas com um cenário tão ridículo. Vi meninas do clube, como Skylar, serem questionadas uma e outra vez por policiais e membros do público sobre isso. O que não sabem é que nossas garotas são, provavelmente, as mais seguras no estado. “Não mais,” ela sussurra, com os olhos fechando. “Saí esta manhã. Estamos dirigindo há horas, só parei para alimentar Cleo." “Onde vai?”

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Ela engole duramente. “Eu-eu não sei” responde com voz trêmula, em seguida, olha para Cleo e seu rosto tensiona, o braço apertando a filha. "Para qualquer lugar, menos lá." Suspiro. Ela é jovem pra caralho, e não tem para onde ir. Além disso, tem essa linda garotinha que é tão nova e imaculada. Megan está tentando seu melhor para mantê-la dessa maneira. Tiro minha carteira do bolso de trás e pego um par de notas de cinquenta. No início, seus olhos se arregalam e ela balança a cabeça. “Não, não posso, realmente,” ela protesta. Eu a ignoro e coloco o dinheiro no bolso da frente da sua calça jeans. “Seu carro está, por definição... completamente fodido,” digo a ela, ignorando as objeções. “Saia do hospital e pegue um ônibus para Athens, Alabama. Vá ao Sunshine Cottage Inn e diga seu nome, vou avisá-los que está a caminho.” “Realmente, eu-eu...” ela gagueja, com lágrimas escorrendo pelo rosto. “Ouça" digo suavemente, e ela respira fundo. "Estou oferecendo uma opção. Eu e Sky temos que ir embora por alguns dias. Se aceitar, farei com que alguém cuide de você e fique de vigia até voltarmos. Então poderemos conversar.” Ela chora silenciosamente, e sei que vai aceitar minha oferta. “Pelo menos terá alguns dias de descanso apenas para relaxar e desfrutar de sua filha. Então, depois conversamos, e se ainda quiser fugir para o pôr do sol, pode apenas ir.” Ligarei para o dono da casa de mulheres e pagarei pelo quarto até voltarmos. Não vou deixar uma adolescente e seu recémnascido serem perseguidos pelo país por quem sabe que tipo de escória. A estalagem não é conhecida por muitos. Eles mantêm o que fazem discretamente e tem uma excelente equipe e enfermeiras a mão para ajudar as mulheres a se encontrarem. A única razão pela qual sei sobre o lugar é porque eles abordam o clube, quando sentem que há uma ameaça e precisam de guardas no local para

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manter a segurança dos seus ocupantes. Normalmente, pedem à polícia, mas, infelizmente, muitas mulheres nessas situações, em algum momento, tentaram se aproximar da polícia e nada foi feito. Olho Cleo que dorme pacificamente em seus braços. Ela é uma criança criando uma criança. Por conta própria. Com alguém a machucando. Não fui criado para virar as costas para essa merda. “Ok,” ela finalmente sussurra, e silenciosamente agradeço aos céus por não ter que pedir a um irmão para vir esperar fora do hospital e levá-la para Athens. Posso estar zangado, posso estar furioso e furioso que ela quase nos tirou da estrada, que ela quebrou o espelho retrovisor da minha moto, que a cadeirinha estúpida estava quebrada, que ela quase matou Skylar. Mas não estou e sei que Skylar não está. Talvez se ela estivesse bêbada, alta ou simplesmente irresponsável. Mas ela é uma criança, tentando fazer o que ela acha ser certo, e tentando proteger a si mesma e seu bebê. Despeço-me e saio da ambulância. Todos estão limpando agora, o caminhão de reboque carrega os destroços com a ajuda de um punhado de bombeiros, e dois oficiais estão de pé ao lado de um carro da polícia passando notas. Skylar se moveu também. Ela agora está parada ao lado da minha moto no lado oposto da estrada onde a deixei, com o celular na orelha. Vou direto para ela, pronto para sair dessa bagunça louca do caralho e encontrar um hotel em algum lugar da cidade para dormir esta noite. “Nós estamos bem,” Skylar murmura, envolvendo o braço em torno de seu corpo como se não acreditasse nas palavras. “Sim,

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estão levando ela e o bebê ao hospital. Parece que ela tem alguns hematomas, contusões e uma concussão, mas vai ficar bem.” Quando ela vê minha sombra no chão, ela rapidamente vira. “Ele está bem aqui, espere” diz antes de estender o telefone para mim. “Leo aparentemente precisa ouvir sua voz para saber que está bem” ela diz com um sorriso. Reviro os olhos e aperto o telefone no ouvido. "O que?" “Você congelou,” diz Leo acusador, instantaneamente fazendo meu estômago apertar. Afasto-me de Skylar, e ela dá alguns passos para trás, dando-me um espaço muito necessário. “Não comece,” silvo para ele. “Preciso saber onde sua cabeça está agora” diz ele severamente. Posso ouvir vozes ao fundo. Parece que todos pararam quando Leo fez a chamada, por isso, sem dúvida, Optimus já foi alertado da situação. Entre esta situação e o telefonema do meu irmão, posso imaginar que provavelmente esperam um caso perdido. “Minha cabeça está bem” digo, olhando para minhas mãos e vigorosamente tentando parar o tremor. Não é porque estou com medo, ou porque acabei de passar por algo estressante. É porque meu corpo se lembra do medo melhor do que qualquer outra pessoa que conheço, e uma vez que ele está de volta, pode ser debilitante. O cheiro de fumaça fez isso. Um aroma e eu estava lá, de cabeça para baixo dentro do veículo que matou minha equipe, empurrando para longe os corpos dos homens e mulheres que amei e teria protegido com a minha vida se tivesse a oportunidade, tudo porque meu cérebro me dizia que eu não conseguia respirar. Meu pulmão foi perfurado por uma costela quebrada, tinha pedaços de objetos desconhecidos espalhados pelo corpo, e tantos

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malditos fragmentos de metais no cotovelo e ombro que tinha quase certeza que poderia virar um androide. O impacto da explosão atingiu a parte traseira e o lado direito do Humvee. Leo e eu estávamos no lado esquerdo. Frente e meio. Eles nos chamaram de sortudos. No entanto, não acho que viver com essas imagens enraizadas no meu cérebro para o resto da vida, observando pessoas que considerava família lentamente sangrando e dando seus últimos suspiros, seja sorte. “Eagle, vamos lá, cara, não me faça ser um idiota e colocar Skylar de novo no telefone,” Leo diz. Sei que ele fará isso, para me proteger de mim mesmo. Também sei que se ele precisar virá até aqui para ter certeza que não perco o controle. Resmungo no fundo da garganta. “Ainda estou tremendo. Ainda posso sentir o cheiro da fumaça. Meu coração desacelerou, e me foi dito pela equipe médica para não dirigir até amanhã, caso Skylar precise de mais tratamento médico. Ela inalou um pouco de fumaça, por isso é melhor fazer uma pausa antes que a adrenalina dela acabe completamente. Nós dois estamos exaustos.” “Boa jogada, contornar o assunto como se estivesse fazendo isso para cuidar dela" diz Leo com cansaço. Suspiro. “Honestamente homem, estou bem. Sim, congelei por um segundo, mas desde então não tive nenhum flashback.” Leo nem sequer se preocupa em cobrir o telefone enquanto fala com Optimus sobre que tipo de 'condição' estou. É quase divertido. Sinto-me bem, exausto, mas bem. Não ouso dizer a esses idiotas que Skylar me mantêm na realidade. A necessidade de protegê-la e ter certeza de que ela está bem ganha sobre qualquer outra emoção agora, e se isso for o que for preciso para chegar até amanhã sem perder a cabeça, então é o que farei.

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“Tudo bem,” Leo finalmente diz. “Ainda precisamos de vocês aqui amanhã. Então venha assim que souber que Skylar está bem. E ligue se a merda mudar, ok?” Por mais que queira dizer-lhe para enfiar a sua merda de carinho na bunda, ele e eu sabemos quão rápido meu humor pode mudar. Especialmente depois que tive um episódio ou o que meu conselheiro chama — um momento em que o passado assume a realidade do presente. “Sim, idiota, ligo quando saírmos pela manhã.” Leo suspira, e posso vê-lo na minha cabeça esfregando o rosto com a mão. “Apenas... esteja seguro, ok, irmão?” Que maneira de me fazer sentir como uma merda por ser um idiota mal-humorado. "Sim, ficarei.” “Bom”, diz ele, finalmente, parecendo satisfeito. “Quando chegar aqui, encontraremos um novo retrovisor. Não pode ficar sem um lugar para retocar seu batom." Se ele estivesse aqui, teria o socado com tanta força no intestino, que estaria cagando sangue. Sorte ele não estar. Mas nunca esqueço um insulto. “Vejo você amanhã, filho da puta.” De todas as emoções, o medo e eu somos os mais bem familiarizados.

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Skylar

Nós dois estamos prontos para desabar enquanto nos registrávamos num motel em Malvern, Arkansas. O lugar é aconchegante, simples como um habitual motel ao lado da rodovia que se vê em todas as cidades. Com grandes travesseiros macios na cama que me fazem lembrar nuvens macias de algodão, decorados com uma hortelã em cada, e estou completamente vendida. Não que qualquer um de nós realmente se importe com conforto ou mimos nessa fase, mal respiramos como se a adrenalina tivesse sugado toda a vida de nossos corpos. Desabo sobre a cama king, afundando meu corpo no edredom mais divinamente confortável que lentamente se molda em mim como um casulo conforme fico mais confortável. “Isto é o céu,” gemo, alcançando o botão da minha calça, desesperada para sair delas e possivelmente entrar num chuveiro quente antes de sucumbir ao sono. Não tenho outras roupas e as que uso cheiram a fumaça e suor, a menos convidativa combinação. Toda vez que me cheiro e sinto a fumaça que persiste, sinto-me doente de novo. Tiro a jaqueta, rapidamente seguida pela camiseta e solto um suspiro de alívio por me sentir um pouco livre. “Vou tomar um banho,” Eagle retumba conforme joga a pequena bolsa que trouxe, que estava escondida em seus alforjes, no chão ao lado da cama, e segue até o banheiro, fechando a porta.

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Nós dois estamos de mau humor. Tivemos um fodido dia de merda. Nossos corpos doem. Nossas mentes ainda estão tentando descobrir o que diabos aconteceu. E em cima de tudo isso, Leo me avisou que Eagle está lutando contra seus demônios que tendem a elevar suas cabeças feias em momentos de estresse e em situações como a de hoje. Leo até mesmo se ofereceu para montar de volta para que pudesse manter um olho em seu amigo, e me proteger de, inadvertidamente, provoca-lo e enfrentar as consequências. Eu recusei. Sei que não importa o que, Eagle não me machucará. Seus instintos protetores são fortes demais para assumir quaisquer outras emoções loucas que possam se acumular dentro dele. De qualquer maneira, tenho o número de Leo na discagem rápida, se alguma coisa acontecer. Aparentemente, sua voz é normalmente o suficiente para tirar Eagle de qualquer névoa escura que possa se estabelecer em torno dele. Tenho que lutar com a parte do meu cérebro que me diz para fazer perguntas, desesperada para saber exatamente o que se passa na sua mente e o que ele passou no passado para deixá-lo dessa forma. Já sei que é um tipo de transtorno de estresse póstraumático, e com bastante confiança assumo ser de quando ele estava no exército. Meu coração quebra por soldados, homens e mulheres, que estão dispostos a não apenas colocar seus corpos na linha, mas possivelmente desistir de partes de sua sanidade e mentes porque decidem lutar por seu país. É uma coisa se levantar por sua família, colocar-se no caminho do perigo por pessoas que ama e se preocupa. Mas essas pessoas colocam suas vidas e mentes na

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linha por milhões e milhões de pessoas que nem sequer conhecem, que provavelmente nunca os agradecerão ou darão sequer um reconhecimento. É um grande sacrifício fazer o que sente ser certo e admiro isso. Entrei no carro hoje em busca de um bebê que não poderia se proteger. Que não podia lutar para sair. E lutei por ela. Pode não ser um milagre ou um sacrifício de mudança de vida, mas é algo. Deito na cama no quarto do motel por mais de dez minutos em meu sutiã e calcinha, ouvindo o chuveiro antes de finalmente decidir me aventurar no interior e me certificar que ele está bem. Prometi a Leo no telefone antes de Eagle aparecer que manteria um olho nele e deixaria seu irmão e melhor amigo saber se sentisse que ele não está bem. Sem me preocupar em bater, abro a porta silenciosamente e deslizo para dentro do cômodo enevoado. Está completamente preenchido com vapor, então tenho que estreitar os olhos por um momento para enxergar a figura de Eagle em pé no chuveiro gigante, as palmas das mãos contra a parede e a cabeça pendurada. Meu coração pula uma batida quando uso estes preciosos segundos antes dele perceber que estou lá para permitir que meus olhos corram por seu corpo. É magnífico, uma verdadeira obra de arte. Sua pele tem a aparência bronzeada que percebi agora ser apenas natural, imagino se ele tem algum tipo de sangue estrangeiro em suas veias. A bela cor não foi superada pelas tatuagens e cicatrizes que cobrem boa parte de seu torso, ou pelo menos o que posso ver enquanto me encosto na parede ao lado da porta. Há estrias vermelhas irritadas em sua cintura, circulando seu estômago e cicatrizes circulares que parecem com buracos de bala.

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As tatuagens que ele tem decoram seu peito e os braços quase totalmente, e elas são surpreendentemente suaves. Redemoinhos de cor ao redor de seus bíceps, ombros e peito. Posso decifrar o que parece uma constelação de estrelas e uma lua de um lado com um sol nascente no lado oposto. Faixas de vermelho e azul foram pintadas embaixo numa onda suave como se fosse o oceano. Arfo quando percebo que seu peito todo é uma versão artística impressionante da bandeira americana. Ele não vira para me olhar, ou sequer se incomoda em tentar parecer surpreso que estou lá. É claro, ele sabia o tempo todo. “O quê?”, ele pergunta. Não é grosso ou irritado, ele só parece cansado, incapaz de dar uma merda que estou lá como uma esquisita observando-o tomar banho. Sua cabeça está longe o suficiente da água, então o jato atinge a parte de trás de seu pescoço e seu corpo. Seus músculos tensionam em resposta, eu aperto instantaneamente as pernas conforme sinto meu corpo aquecer com a visão do homem nu a minha frente. Ele é sexy como o pecado, cada fodido músculo tonificado à perfeição, e é evidente em cada pequeno movimento que ele faz. Ele inclina a cabeça, ligeiramente, os olhos encontrando os meus é como um ferro em brasa atingindo minha alma. Eles estão escuros e assombrados, e imediatamente sinto um cabo de guerra dentro de mim. Parte quer correr e deixá-lo em paz com seus demônios. Enquanto a outra é atraída, esta força magnética me dizendo que é onde as coisas estão prestes a mudar. Eagle não é como os outros irmãos, nem perto. Onde qualquer um deles já teria me tirado da roupa ínfima que uso e me puxado para o chuveiro, Eagle apenas fica lá. Ele não usa as meninas do clube, não tenho certeza do porquê, mas não é como se ele já tivesse me feito sentir menos ou como se de alguma forma estivesse abaixo dele como muitos outros

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homens fizeram. Nem sempre é fácil conversar com homens em minhas aulas na faculdade ou que me abordam na rua. Oh, desculpe, não posso namorar você, porque vivo num clube cheio de machos alfas, onde eles pagam meus estudos em troca de eu cozinhar, limpar e transar. Meretriz, vagabunda, prostituta... ouvi tudo. Fui cuspida, insultada, tive um professor me reprovando porque ele não concorda com meu estilo de vida. Não me importo. Anos atrás saí de uma vida onde fui moldada na pessoa que alguém desejava que eu fosse, e nunca deixarei que isso aconteça novamente. “Skylar,” Eagle resmunga, sua voz baixa e mortal enviando arrepios por minha espinha e visivelmente estremeço. Lambo os lábios, encontrando seu olhar mais uma vez que parece ter mudado. Ainda está escuro, como se as portas do inferno estivessem brilhando para mim, mas desta vez não são assombrados, em vez disso... vejo luxúria. Ele tenta não torná-lo óbvio, mas pego seus olhos trilhando meu corpo, e honestamente, isso quase traz um sorriso ao meu rosto. Tenho curvas, definitivamente não sou reta. Minha buceta começa a pulsar com necessidade. Aperto minhas coxas para tentar aguentar, mas sei o que quero. “Precisa de alguma ajuda?” Pergunto com a voz rouca, afastando-me da parede. “Preciso de um banho de qualquer maneira, dois pássaros com uma pedra e tudo isso. Além disso, tenho certeza que provavelmente está usando toda a água quente.” Tento não deixar meus olhos se moverem para seu pau duro como pedra que esteve em posição de sentido todo o tempo, mas não posso evitar agora que ele vergonhosamente se levante em toda sua altura e vira todo o corpo para me encarar. É longo, espesso e

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imediatamente lampeja na minha mente como posso usá-lo para dar a nós dois o que queremos e precisamos. É óbvio que há uma atração, a ameaça no restaurante mais cedo hoje não foi apenas por diversão. Vi o jeito que seus olhos se iluminaram quando o cenário passou por sua mente. Tiro meu sutiã e o jogo de canto com suas roupas antes de deslizar a calcinha pelas pernas e jogar com o pé na mesma direção. Posso dizer que ele está lutando uma batalha épica em sua cabeça, os músculos tensos enquanto se segura. Só o box nos separa, mas tudo o que preciso é entrar no chuveiro com ele. Ele balança a cabeça. “Acha que vai me consertar? Que te fodendo vou milagrosamente me sentir completo?” Ele passa os dedos pelos cabelos, e levanto uma sobrancelha, suas palavras me confundindo. “Não pode porra me corrigir, Sky. Este é quem sou, um fodido caso perdido que consegue fingir ser um fodido humano normal nove dias de dez.” Suas palavras fazem meu coração quebrar. Ele é muito mais danificado do que percebi. Limpo a garganta. “Não quero te consertar.” Suas sobrancelhas sobem com surpresa. Contorno o vidro nos separando, a água escaldante fazendo cócegas na minha pele conforme estendo a mão e seguro a dele, virando seu corpo em minha direção, então o jato de água desce por suas costas. Balanço a cabeça. “Não quero te consertar” repito, me aproximando e engolindo a sensação estranha na minha garganta. Uma que não tenho com frequência, sou confiante e segura de mim e minha sexualidade. É o nervosismo.

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“Mas se por um momento puder ajudá-lo a se libertar de tudo o que acontece dentro de você, então é o que vou fazer.”

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Eagle

Encaixo meus lábios nos dela, ao mesmo tempo em que agarro seus quadris e giro até ela estar pressionada contra a parede de azulejos. Ela engasga na minha boca e aproveito o momento, enfiando a língua entre seus lábios. Meus quadris se movem para frente, meu pau duro e dolorido, pressionado contra seu estômago. Suas mãos deslizam por meu peito, seu toque leve e gentil, mas cheio de propósito. Ela agarra meu pescoço e puxa meu corpo mais forte contra o dela, as unhas afundando na minha pele enquanto geme contra minha boca. Perco-me no corpo dela, minhas mãos se recusando a permanecer num lugar por mais de alguns segundos enquanto mentalmente exploro cada centímetro de sua pele, cada curva, voltando para lugares que arrancam uma reação dela, como na parte inferior do peito. Um arranhão do meu polegar e ela estremece, os lábios tremendo como se um toque pudesse enviá-la ao limite. Ansioso para ver se ela tem o gosto tão bom quanto aparenta, afasto minha boca, arrastando a língua ao longo de seu queixo e tomando o lóbulo da orelha entre os dentes antes de continuar para seu pescoço. Congelo, minha cabeça enterrada entre seu pescoço e ombro quando uma mão delicada toma o controle do meu pau. Seu polegar atinge a cabeça, tão levemente que é quase como uma brisa de ar, e não posso parar o gemido que vem da parte de trás da minha garganta em aprovação. Mordo sua pele macia e sedosa,

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forte o suficiente para que ela endireite as costas e silve através dos dentes pela dor. Ela segura a respiração, e contorno o local com a língua para tentar acalmar a picada. “Você sempre sorri quando causa dor as pessoas?”, ela pergunta sem parar te tocar a cabeça do meu pau. Não tinha percebido estar sorrindo, mas posso imaginar minha expressão mudar instantaneamente quando o simples toque envia sinais para meu cérebro, e impulsiono meus quadris para frente, meu comprimento deslizando através de sua mão com facilidade até chegar à base. Então recuo e ela desliza até o fim. “Só quando merecem” respondo, lambendo os lábios enquanto olho seus seios empinados, os mamilos duros e eretos como pequenos botões, implorando por minha língua. A água pulveriza ao redor enquanto atinge nossos corpos num ângulo estranho. Os longos cabelos de Skylar grudam em sua pele e rosto. Sua pequena mão agora sobe e desce no meu pau, seu aperto cada vez mais forte. Estou de volta à altura máxima e nossos olhos instantaneamente se encontram. Ela é linda e forte, cheia de entusiasmo e expectativa, o canto da sua boca formando um sorriso espertinho que me diz que ela gosta de ter algum controle. Suas bochechas estão coradas, e os lábios ligeiramente abertos, inchados e rosados de nosso beijo. Se sairmos em público depois disso, não há dúvida em minha mente que as pessoas imediatamente saberiam o que fizemos, e sinto meu peito inchar com a ideia. Ela começa a ficar de joelhos, e minha mão estende para ela, o queixo apoiado entre o polegar e o dedo indicador quando a puxo de volta. Ela franze a testa e balanço a cabeça. “Você não vai ficar de joelhos para mim, posso dizer essa merda agora. Se fizermos isso, vou te foder até que goze, gritando meu maldito nome porque quando a realidade idiota me socar de

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novo, vou usar esse som como uma merda de canção de ninar para me ajudar a dormir." Seu aperto no meu pau aumenta, e ela aperta as pernas juntas. Não estou mentindo, o som de sua voz, chamando meu nome, faz meu estômago ser inundado por malditos rios de excitação. Nunca fui possessivo com uma mulher, mas no instante em que pensei nela chamando um dos nomes dos meus irmãos no calor do momento, quis quebrar algo. Nesse momento, afasto da minha cabeça que Skylar é uma garota do clube. Neste momento, ela é exatamente como diz, uma mulher que não liga para a merda em mim, dando-me a oportunidade de escapar do que está rodando em minha cabeça. Isto não é só para me desfazer, ela não está tentando curar-me ou juntar-me novamente. Estamos tendo um momento de paz, onde a única coisa que importa é ela e eu. Seu toque é a única coisa que sinto, suas palavras são tudo o que ouço, e é a absoluta porra de felicidade. Sei que este momento não durará para sempre, inferno, pode ser o único que tenho. O caos, as memórias e a preocupação voltarão em breve, então agora, deixo Skylar afastar tudo isso. “Droga" ela diz, puxando o lábio inchado entre os dentes. "Só imaginei se tem um gosto tão bom quanto a aparência.” Sorrio. “Engraçado, pensei a mesma coisa.” Movendo-me, perco de imediato o toque no meu corpo e o calor que sinto vir dela, mesmo com o chuveiro quente sobre nós. "Vire." Sua respiração para na garganta e lenta e tortuosamente ela gira seu corpo, assim ela fica de costas para mim, os globos perfeitamente redondos de sua bunda apenas implorando para ter minhas impressões digitais neles. "Segure a barra" peço, e ela observa a barra de metal fixada na parede, assumo ser para pessoas mais velhas que podem precisar de ajuda para se sentir estável enquanto se limpam.

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Arrepios correm por sua pele, e ela estremece, o corpo agora fora da água e, sem dúvida, esfriando um pouco. Mas estou prestes a aquecê-la. Ela estende a mão para a barra, torcendo-a nas mãos, então tem uma boa aderência. O alcance a fez se curvar substancialmente, exatamente onde quero. Ajoelho e agarro as bochechas redondas e gordas com as duas mãos, amassando-as com os dedos quando as separo. Nem espero para admirar a beleza que está na minha frente, em vez disso, apenas afundo meu rosto entre suas pernas, minha língua fazendo uma longa varredura lambendo-a do clitóris para a bunda. Seus joelhos dobram, e ela geme, jogando a cabeça para trás e aumentando seu aperto. "Santíssimo. Foda-se" ela amaldiçoa, logo em seguida solta uma risada nervosa. "Sabe torturar uma garota, hein? Você fará isso, e então levantará e me olhará pelos próximos cinco minutos?” Não posso deixar de rir, o som cortado pelo eco da minha palma contra sua pele molhada. Ela não grita, e sorrio. A garota é forte. “Vai continuar reclamando?” Provoco. Sua cabeça balança para de um lado para outro rapidamente, e ela mantem a boca fechada. Quando estou satisfeito que ela é uma boa garota, vou para outro gosto, e desta vez levo meu tempo, gemendo quando afundo a língua entre suas dobras enquanto a puxo novamente. Ela tem um gosto bom. Não como a porra de um doce ou qualquer outra coisa idiota que ouvi sobre uma mulher. Não, é apenas bom. Ela me faz querer manter a cabeça lá por horas, sabendo que quanto mais molhada ela fica na minha língua, mais excitada ela está.

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Brinco com ela, fazendo cócegas em seu clitóris com a língua quando coloco dois dedos dentro dela, pressionando-os para dentro e fora, profundamente e devagar. Ela salta ao redor, gemendo meu nome enquanto continuo, só para me amaldiçoar quando não a deixo gozar. "Eagle! Foda-se!”, ela responde, abaixando a cabeça enquanto ofega. "Por favor" ela finalmente implora, pressionando seu traseiro e agitando a buceta mais molhada do que estava há cinco minutos. “Por favor, o quê?” Pergunto, levantando e ficando atrás dela, deslizando meu comprimento entre as bochechas de seu traseiro. Ela respira fundo. “Por favor, foda-me” ela geme, batendo o pé como uma criança fazendo beicinho. “Você seriamente precisa me deixar gozar antes que eu exploda, e se explodir, vou levá-lo para baixo comigo.” Sorrio, o som saindo mais áspero do que pretendia, ou talvez seja apenas incomum, um que não ouvi sair de mim muitas vezes. Sorrio, curtindo o jeito que Skylar conhece seu corpo tão bem. Ela sabe o que precisa e o que quer, e definitivamente não tem medo de dizê-lo. É sexy como o inferno. Só recuo uma vez, fazendo provocações. Meu pau está tão duro que preciso gozar também. Acho que posso me machucar em breve por não estar dentro dela, exatamente onde morro para estar. Alinho-me, então empurro meus quadris para frente, e nos dois gememos quando afundo dentro dela. Minhas mãos vão para os quadris de Skylar enquanto me segurou lá, com o aperto de suas paredes encantadas à minha volta. Ela joga o cabelo de lado e me encara por cima do ombro, o calor que encontro lá é misturado agora com uma faísca diabólica que acho sexy e intrigante. Recuo lentamente e seu olhar se estreita antes de eu dirigir meu

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comprimento inteiro de volta e seus olhos reviram enquanto ela tenta se segurar por sua preciosa vida. “Segure firme, garota" aviso, desejando ver seu rosto para poder me perder em sua boca e completamente possuí-la. Movo meus quadris mais rápido e mais forte, o som de pele contra pele e gemidos de prazer preenchendo o banheiro e, provavelmente, chegando aos vizinhos. “Oh merda” Skylar murmurou, e peguei-a pela cintura enquanto suas pernas começaram a tremer ameaçando ceder abaixo dela. "Eagle!" Uma onda de calor se move por meu corpo, começando nos dedos dos pés. Está quente, e isso fez com que minha pele formigue quando começo a gozar. As paredes de sua buceta puxam e apertam, arrastando cada gota de gozo com um tremor. Ela ainda segura sua preciosa vida na barra do outro lado do chuveiro, e estou sobre suas costas com um braço em torno de sua cintura e o outro contra a parede do chuveiro acima de sua cabeça, tentando nos segurar e encontrar força para lutar e recuperar o fôlego. Quando finalmente sinto como se estivesse sob controle e não fosse desmoronar no chão do chuveiro e me matar — não que não valeria a pena depois de foder a mais bela mulher — dou um beijo suave entre os ombros de Skylar e dou um passo para trás. “Santo filho da puta!” Grito, saindo da água que agora ficou gelada. Skylar ri e fica de joelhos contra a parede. "Estou realmente feliz que está frio, meu corpo parece que pode superaquecer a qualquer momento." Ela faz uma pausa. "Uau! Nunca gozei tão rápido na minha vida.” Suspiro, dou um passo à frente e estendo a mão para ela.

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Ela sorri quase timidamente quando a aceita e a seguro, minha outra mão enfiando-se automaticamente em seu cabelo e inclinando seu rosto. “Obviamente, fiz um trabalho muito bom, então, hein?” Ela ri, o som tão cheio de vida me faz sorrir. “Não é possível discutir com isso” ela concorda com um encolher de ombros antes de ficar na ponta dos pés e pressionar os seios contra meu peito. Sua boca está a um sopro de distância da minha, e de repente, a água simplesmente para, e um frio instantâneo se apossa de mim. Olho para o lado e vejo que o chuveiro parou, deixando-nos respirando pesadamente e molhados, ela em mais de uma maneira. “E se eu precisar de um banho frio?”, digo, voltando-me para ela com uma sobrancelha arqueada. Ela volta a se apoiar nos calcanhares e revira os olhos. “Acabamos de transar num banho frio, acho que é seguro dizer que isso não vai fazer nada para ajudar seu soldado a abaixar." Ela recua, e minha mão escorrega de seu rosto. "Há uma maldita cama muito confortável no outro quarto, no entanto.” Quando abro a boca para falar, um zumbido enche a sala. Levo um minuto para perceber que é meu celular tocando. E assim, minha brisa se foi. A paz desaparece. As sombras estão deslizando novamente.

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Skylar

Agarrando uma toalha, saio do banheiro quando Eagle atende à ligação, o toque foi o suficiente para muda-lo de jovial e provocador, para sério e fechado. As vibrações que sinto no estômago somem. Ainda posso sentir o sangue bombeando no ritmo do meu coração entre as pernas, quando sento no lado da cama e tento o melhor para tirar um pouco da água do meu cabelo. Está rapidamente se tornando uma bagunça emaranhada, e sei que passar os dedos através dele antes de dormir, já que não tenho minha escova, será uma merda dolorosa. Estou tentando manter a calma, tentando lembrar que sou uma garota do clube e Eagle apenas tomou o que foi oferecido, que não é mais do que eu normalmente faria com qualquer um dos irmãos. Mas é mentira. Sei que não estou fazendo um trabalho muito bom em me convencer. A porta do banheiro abre, e Eagle sai, com uma toalha estrategicamente amarrada ao redor da cintura, e seu telefone ainda na orelha. Ele não parece com raiva, apenas estressado, e talvez preocupado. E sei que tem algo a ver com seu irmão.

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Vi o nome na tela antes de Eagle atender e é por isso que tento ser invisível, mas acho não é exatamente possível num quarto de hotel. Desde que ele não está falando e não posso ouvir ninguém falando do outro lado, rapidamente digo. “Quer que eu saia e te dou espaço?”, pergunto, movendo-me para poder cobrir meu corpo com o edredom branco. Sua cabeça levanta, e ele estreita os olhos. “O quê?”, Ele pergunta como se eu tivesse falado uma língua completamente diferente. Em seguida, sua testa franze de surpresa. "Não. Não se mova.” A voz rouca fala na outra extremidade, e no segundo que Eagle ouve, é como se tivesse perdido a energia para ficar de pé. Ele lentamente escorrega pela parede até estar sentado no chão com os joelhos dobrados. “Porra...” ele sussurra depois para. “Sim, obrigado. Adeus." Ele deixa cair o celular no chão e inclina a cabeça para trás contra a parede, deixando seus olhos fecharem. Não tenho certeza do que dizer. Quero estar lá para ele se precisar de mim, mas também não quero me forçar quando é óbvio que Eagle não compartilha muito sobre si mesmo de bom grado. Agora não é exatamente a hora para deixar as coisas entre nós tensas novamente. Não tenho um namorado que esperaria que eu avançasse e o consolasse. Sou apenas uma garota do clube que não está a par de todas as informações. Sentamos em silêncio por mais de vinte minutos. Nenhum de nós se movendo, mesmo quando o telefone de Eagle toca e o nome de Optimus ilumina a tela. Ele ignora, seguido por uma mensagem que diz para Eagle ligar quando pudesse. Nós dois podemos ver de onde estamos sentados, mesmo assim, não nos movemos.

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Pergunto-me se é isso, se não falaremos pelo resto da noite e, em seguida, quando nos juntarmos ao clube amanhã, agiremos como se nada tivesse acontecido. Seus irmãos estão preocupados, estão chamando para verificar, mas parece que Eagle está mais frustrado do que qualquer coisa pela forma como seus olhos encaram o telefone cada vez que ele vibra para lembrá-lo que tem uma mensagem. Mais alguns minutos de silêncio ensurdecedor e Eagle respira fundo. "Meu irmão está numa equipe de operações especiais" ele explica, limpando a voz quando ela ameaça falhar. "Tiveram que ser retirados de uma missão por causa de uma emboscada. Não deveria ser nada importante, mas um dos infratores acertou alguns tiros antes de ser derrubado. E a pontaria dele era muito boa.” Meus lábios estão secos, e sinto como se meu coração estivesse na garganta, o baque constante tornando difícil respirar enquanto o ouço. “Meu irmão Jake levou um tiro na perna, e acertou uma artéria. Esse foi o seu comandante dizendo que ele perdeu muito sangue, mas que ficará bem.” Deslizo do final da cama para o chão, arrastando o edredom comigo e segurando minha mão sobre o coração, onde penso poder estourar se essa história não tiver um final feliz. “Uau” solto um suspiro. “Fico feliz por ele estar bem.” Eagle finalmente abre os olhos e me encara, tudo que vejo nele é alívio absoluto. "Sim. Não sei o que teria feito se...” ele deixa as palavras no ar. A dor evidente em sua voz quando pensa na ideia de perder seu irmão mais novo, alguém que obviamente se importa muito. Ele engole em seco, o rosto tenso como se houvesse um nó em sua garganta. "Venha aqui." Mordo o interior da bochecha por um segundo antes de abandonar o calor e o conforto do edredom macio e me arrasar pelo chão até onde ele está sentado. Quando finalmente estou perto, ele

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estica as pernas no chão e estende a mão, agarrando a minha e puxando todo meu corpo, então, minhas pernas estão em cima das suas. Estou completamente nua, e o ar na sala começa a esfriar já que noite chegou e o sol se afasta a cada minuto. Deixo-o assumir a liderança, sem saber exatamente o que ele quer ou precisa de mim, simplesmente aperto minhas mãos contra seu peito. Seu coração está acelerado, não dando nenhum sinal de abrandar e somente isso diz tudo que preciso saber sobre o amor de Eagle por sua família. Sei que se as coisas fossem diferentes, poderíamos estar num cenário incrivelmente diferente agora. Suas mãos caem para meus quadris, as ásperas palmas calejadas fazendo cócegas em minha pele. Dessa posição tenho a visão perfeita de sua tatuagem. É intrincada e tem um realismo deslumbrante, que sei que apenas profissionais seriam capazes de alcançar. As estrelas parecem estar realmente acesas no céu noturno que as cerca, como faróis de luz que ele pode usar para guiá-lo para casa se estiver perdido. Os ricos azuis representam as listras da bandeira da nossa nação, derretidos como a água de um oceano, um lugar longe das luzes da cidade, onde estrelas brilham. “Já passei por algo assim na vida” ele diz suavemente, seus olhos seguindo seus dedos enquanto se arrastam por minha pele, até o centro do meu estômago e do peito para o meu pescoço. “Não saí dessa merda ileso como alguns. Eu tenho problemas. Na maior parte, estou bem, mas às vezes... minha mente me leva de volta para um lugar onde as coisas não estavam bem, e a linha entre a memória e a realidade pode ser distorcida.” Balanço a cabeça. Sei o que ele está dizendo. Eagle esteve no exército. Não posso imaginar que muitas pessoas voltem de lugares como esse com apenas lembranças agradáveis sobre as coisas que viram e fizeram em nome do seu país.

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“Todo mundo tem algo que os torna vulneráveis, um pedaço de passado que os atinge como uma marreta quando não estão esperando” sussurro. Minha mão desliza por sua barba, uma vibração atingindo meu clitóris quando lembro da sensação de têlo roçando na pele sensível das minhas coxas. Obrigo-me a me concentrar. “Não estou fingindo saber o que está passando. Mas nunca se sinta como se fosse uma pessoa louca, porque não está sozinho.” Sei o que estou falando. O número de punições que recebi na juventude por passar muito tempo questionando nossos ensinamentos são insanos e ainda tenho as cicatrizes para provar isso, assim como Eagle tem. Às vezes fui chicoteada apenas por encontrar minha avó, que era conhecida por ser a louca da Colônia local. Fui espancada, queimada e humilhada. Ainda há vezes em minha vida onde evito multidões ou tapo o nariz para o cheiro de coisas que me lembram de estar lá. O que ele enfrentou, eu realmente não tenho ideia, mas tenho certeza de que, de modo algum, suas reações são exageradas ou dramáticas. Todos lidamos com nossos problemas de formas diferentes. Todos vimos situações de uma perspectiva diversificada. Algo que possa me impactar de uma forma massiva nem sequer incomoda um homem como ele e vice-versa. Não podemos julgar como nos sentimos pela reação de outra pessoa à mesma situação. As mãos de Eagle se acomodam nas minhas coxas e ele respira fundo, inclinando a cabeça contra a parede. “Desculpe, não queria jogar minha merda em você assim. Hoje tem sido estressante para dizer a porra do mínimo.” Foi um dia estranho. Entre Deacon falar sobre a loucura da minha irmã, Eagle ouvir que seu irmão está ferido e pular num veículo em chamas,

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sim, diria este dia entra para a história. Estou realmente ansiosa para encontrar o clube amanhã em Dallas, e espero, talvez, ter algum divertimento. “Não despejou qualquer coisa em mim” respondo. “Como disse, se posso levá-lo para longe de toda a bagunça e confusão em sua cabeça, mesmo por pouco tempo, estou feliz por isso. Acho que é meu tipo de trabalho realmente, ajudar vocês a descansarem e relaxarem quando estão estressados.” As palavras saem como ácido no momento em que tocam minha língua, mas acho que é minha maneira de descobrir onde realmente estamos, porque as linhas, de repente, estão turvas. Vinte e quatro horas atrás, Eagle era um homem que mal dizia uma palavra e realmente não parecia feliz em me levar em sua moto. Ele sempre foi educado, acho, mas distante e de certa forma, intocável. E agora, estamos tendo um momento de coração para coração, com ele compartilhando mais sobre si do que parece querer. Quero estar lá para ele, e no meu íntimo, alegremente daria tudo para fornecer o que ele precisa. A parte de merda é que posso sentir meu coração estendendo a mão para ele também e sempre estou me dizendo para nunca me apaixonar por um irmão. Eagle lentamente baixa a cabeça, então me encara. Não consigo ler sua expressão, está em branco como se não tivéssemos tido uma conversa emocionalmente louca e ele não sofresse por dentro. “Sim, acho que estou bem agora" ele responde calmamente. Ele não está bem, mas empurrei essa merda numa direção diferente e agora tenho que lidar com as consequências. "É melhor irmos comer antes que escureça e depois vamos descansar.” Não quero me mover, mas sei que é uma dica para eu recuar e dar-lhe espaço. É difícil dizer se ele está com raiva ou apenas indiferente ao meu comentário.

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Certamente ele não pode ter se sentido realmente diferente? Afastando o pensamento, relutantemente levanto do seu colo e saio em busca das minhas roupas. Seus olhos me observam o tempo todo e eu porra gosto. Não se apaixone por ele. Não se apaixone por... Porra.

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Eagle

Skylar e eu estamos na estrada ao nascer do sol na manhã seguinte, na esperança de chegar a Dallas na hora do almoço para podermos pelo menos sermos um pouco uteis ao clube pela tarde. Ela passou a noite sem problemas, e sua voz está quase de volta ao normal. Estou tentando ignorar a maneira como a longa viagem me fez sentir como se tivesse os pés coçando novamente. Este é o lugar que mais me sinto em casa, na estrada para lugar nenhum. Depois do que aconteceu com minha unidade, é como se a sensação de não ser capaz de respirar ficasse no meu subconsciente, e há momentos em que tenho que apenas arrumar minhas coisas e sair de repente, não importando onde estou. Talvez seja a sensação de ter um passageiro ou o medo de estar preso novamente. Realmente não tenho ideia, mas apesar do drama de ontem, o restante do caminho para Dallas me fez sentir muito bem. O principal objetivo de estarmos neste evento é ligar-nos a outros clubes de todo o país com os quais temos laços, mas também é importante mostrar nossos rostos e dar apoio a caridade. Os Brothers by Blood do Texas se organizaram em barracas e atividades para levantar dinheiro, o que inclui passeios com as crianças em nossas motos e até minimotos para crianças mais velhas, entre outras coisas. Sei que é essencial ter minha moto lá e ajudar, dado que eu sei que meu passeio atrairá muita atenção.

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Embora as motos dos irmãos estejam em condições impecáveis, a maioria deles gosta de preto e cromado. É nítido, limpo e faz com que pareçam malvados e além disso, é mais difícil de identificar sem as marcas específicas em qualquer ponto se houver problemas. Decidi seguir um caminho diferente e ralar minha bunda para ter uma pintura detalhada e intrincada no meu tanque. A imagem é de uma águia de aparência realista em ambos os lados do tanque até a frente, voando ao meu lado enquanto puxa a bandeira americana atrás dela. A bandeira balançando ao vento. O cara que paguei para projetá-la é o mesmo artista que desenhou minha tatuagem no peito. Ele é fantástico, o jeito que desenhou trouxe vida a arte e era exatamente isso que queria. Os vermelhos e azuis brilhantes são um lembrete constante do que passei, e a águia é essencialmente como ganhei meu nome, é parte de mim. Apesar de ter ido e voltado do inferno e ainda sentir as consequências das minhas escolhas, não há nenhuma maneira que eu me arrependa das coisas que fiz pelo meu país. É quem sou. Fez de mim o homem que sou hoje e faria de novo se necessário. Estacionamos fora do hotel onde o clube está hospedado um pouco antes das 11:00 da manhã. Um membro da equipe corre pela porta da frente, os olhos do rapaz se iluminando quando vê minha moto. Ele solta um longo assovio quando paro e desligo o motor. "Uau! Acho que definitivamente gosto da sua, a melhor" ele diz admirado, dando uma volta, os olhos a percorrendo. Geralmente não me incomodo que as pessoas olhem meu bebê, mas então, enquanto tiro o capacete, percebo que seus olhos estão em outro lado, e não gosto nem um pouco. “Você olha para ela mais uma vez idiota e o hotel perderá o garoto do assovio” ameaço, ainda menos divertido quando Skylar

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ri suavemente enquanto usa meu ombro para se firmar enquanto desce. Ele levanta as mãos e recua, os olhos arregalados. “DDesculpe cara. Não quis ofender sua mulher” ele gagueja com um sorriso envergonhado. “Não me ofendeu" diz Skylar, enquanto desfaz a trança, permitindo que seu cabelo caia em ondas suaves pelas costas. Bufo ao descer da moto colocando meu capacete no assento, Sky faz o mesmo. “Só temos quinze minutos ou mais. Quer ser útil? Cuida da minha moto até voltarmos.” O garoto corre para a frente, sua cabeça quicando como um boneco. “Claro, cara, tudo o que precisar! Não tem que se preocupar com ninguém arranhando este bebê, estará bem seguro em minhas mãos.” Cruzando os braços, ele estufa o peito como se estivesse pronto para ser a porra do Superman antes de deixar qualquer coisa tocar minha moto. Com um suspiro, agarro a mão de Skylar e vou para a porta da frente. “Se riscá-la, é melhor começar a correr,” digo por cima do ombro. Skylar me dá uma cotovelada nas costelas, mas ignoro enquanto falo com a mulher na recepção que aparentemente não se incomoda com a minha atitude dura e tom agudo. Dado que todos os Brothers by Blood estão neste hotel, ela provavelmente já viu pior. Não estou dizendo que somos todos idiotas, mas tendemos a ser um pouco... Ok, então sejamos idiotas. Pegamos a chave e vamos para os elevadores. Skylar está quieta, encostada na parede espelhada enquanto seguimos até o sexto andar, com os olhos fechados e a respiração leve. “Deve ficar aqui e dormir" digo a ela com uma carranca. Sei que ela não dormiu muito ontem à noite porque fiquei acordado

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por um bom tempo, se não mais, meu corpo e mente se recusando a desligar. O dia foi um completo desastre, e quando ela entrou no banheiro, oferecendo-me alivio, eu porra aceitei com as duas mãos, não realmente contemplando no momento o que significaria. Ela deixou claro não ser nada demais, nada diferente do que faria com meus irmãos, dado que é seu dever e toda essa merda maldita. Quis responder que é mentira, mas em vez disso, tomei o caminho mais fácil e fui junto com ela. Não consigo me ver com uma Old Lady. Não digo que não brinquei com a ideia antes e ainda tive uma ou duas que poderiam ter esta direção, mas elas fugiram eventualmente. Skylar não se preocupa em abrir os olhos e me olhar, ela simplesmente balança a cabeça. "Estou bem, só preciso sair dessas roupas e ter uma limpa" ela diz calmamente, o nariz se contorcendo como um coelhinho e colocando um sorriso na minha cara. Ela finalmente abre os olhos e me encara sorrindo. “Sério, estou surpresa que as pessoas não estão desmaiando enquanto passo.” O elevador soa e ambos saímos, caminhando lado a lado pelo corredor enquanto olhamos os números dos quartos. “Você está absolutamente bem" digo bruscamente enquanto deslizo o cartão-chave na porta. A luz fica verde e a abro. Skylar corre para dentro, vendo sua mochila na cama e pega-a antes de entrar no banheiro. Reviro os olhos, fazendo o caminho mais curto para minha mochila, tirando a camisa enquanto atravesso a sala. Sei o que ela quer dizer. Ambos nos sentimos sujos depois de suar nas roupas, estar num carro enfumaçado e, em seguida, depois de tomar banho, ter de colocar os itens ofensivos novamente. Não é bom colocar roupa suja num corpo limpo. Precisei de menos de cinco minutos para me despir e trocar, e surpreendentemente, Skylar saiu do banheiro enquanto eu colocava minhas botas.

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Meus olhos correm por suas pernas, as malditas pernas nuas, num short que mal cobre suas nádegas. Então, se isso não fosse suficiente para fazer meu pau saltar através do jeans, na parte de cima, ela usa uma camisa preta do Brothers by Blood MC que foi cortada logo acima do umbigo, as mangas curtas enroladas até os ombros. Suas botas de montaria dão um ar cowgirl fazendome considerar ligar para Op e dizer que algo surgiu. Não será uma maldita mentira considerando a forma como a frente do meu jeans agora tem uma protuberância significativa. “Ela está tentando me matar, porra” gemo, levanto da cama, ainda incapaz de tirar os olhos da coisa mais sexy que já vi na vida inteira. “Perdeu a coroa, rainha do drama?”, ela diz, levantando o quadril e colocando a mão sobre ele. Aponto bruscamente e ela morde o lábio. “A única coisa insolente que vai te pegar é isso...” seguro meu pau com a mão, e seu lábio contrai, “... nesta maldita boca inteligente.” Estou começando a pensar que ela gosta de empurrar meus malditos botões pela forma como está tentando evitar sorrir. Ela aprenderá em breve. Não faço ameaças vazias. Ela pressionará mais e cumprirei todas essas promessas. Na maior parte, Skylar é a garota do clube perfeita. Respeitosa, brilhante e alegre, disposta a ajudar onde puder. Mas estou começando a ver que ela também é brincalhona e insolente, e embora deva realmente avisá-la sobre ser mais legal com os irmãos... honestamente não consigo fazê-lo porque acho meio sexy. "Por que sinto que ontem parecerá uma caminhada no parque em comparação com hoje?" Murmuro quando coloco minha mão em suas costas e a guio para a porta. Ela pega sua jaqueta de couro da porta do banheiro quando passamos e, mais uma vez, estamos fora.

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Preciso de uma bebida forte e encontrar um lugar para consertar meu espelho retrovisor antes de amanhã. Estou silenciosamente esperando que os garotos daqui sejam capazes de lidar com isso rapidamente porque ver minha linda garota quebrada, destrói completamente meu coração. “Estarei no meu melhor comportamento, você verá” diz Skylar com um sorriso gentil quando entramos no elevador. Seguro a mão dela quando as portas fecham, virando o corpo e pressionando-a contra a parede. Meu joelho escorrega por entre suas coxas, espalhando-as ligeiramente. "Então, para o resto do clube, irá se tornar uma santa," começo levantando uma mão e roçando-a através de seus lábios. Seus olhos iluminam, sua língua saindo para seguir o mesmo caminho que acabei de traçar. "Mas para mim, eu ganho sua bunda sarcástica e inteligente. Por que isso?" Suas bochechas coram, e me inclino apenas um pouco para trás, imaginando como ela de repente parece tímida e envergonhada e não instantaneamente dando uma resposta atrevida. Skylar limpa a garganta, os olhos vagando antes de me olhar novamente. "Eu quero te fazer sorrir.” Minha testa franze. "Como é?" Ela bufa, e seus ombros caem como se estivesse irritada por eu não saber exatamente do que diabos ela está falando. "Você me perguntou se eu sabia que era uma viagem de dez horas com minha mochila, e eu disse, não é o meu primeiro passeio cowboy... e você sorriu." Ela encolhe os ombros como se não fosse nada importante, mas para ela obviamente importa. "Você não sorri muitas vezes, mas faz quando digo merda estúpida como essa... e gosto quando você sorri.” Bem, merda.

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Paramos e ela usa a distração e o movimento repentino para escapar por debaixo do meu braço. Apresso-me atrás dela. "Você é cheia de surpresas, sabe disso?" Digo a ela, minha mão se acomodando em suas costas quentes por nenhuma outra razão a não ser eu querer tocá-la. “Não está contente por me ter perto para tornar sua vida mais excitante?" Ela sorri quando saímos do lobby do hotel. "Ao menos lembra como sua vida era monótona sem mim nela?” “Sky...” aviso, mas ela está certa. E eu porra sorrio.

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Skylar

Nunca estive em Dallas, mas Eagle explicou que o evento de caridade seria no enorme estacionamento no da feira do estado do Texas. Quando chegamos logo percebo quão grande a área é, e quantas pessoas se reuniram para apoiar a instituição. Filas e filas de barracas alinhadas no estacionamento que parece ter capacidade para mais de quatro mil carros. Apenas olho com admiração a quantidade de pessoas, tendas e jogos montados, incluindo um caminhão que teve a cobertura removida para ser usado como palco e abrigar uma banda. O guarda num dos portões acena para nós, e Eagle move-se lentamente através da onda de pessoas conforme vai para o canto mais distante, onde posso ver as cores do clube voando. Alguns do público param e olham, crianças com olhos brilhantes segurando balões coloridos acenando conforme passamos, outros torcendo o nariz e saindo do caminho. Os irmãos fizeram um acampamento no canto do estacionamento, havia algumas barracas vendendo roupas temáticas de motocicleta e lembranças, bem como camisetas dos Brother by Blood onde se lê “Apoie seus Brothers Locais” e mercadoria do clube que já parece estar vendendo bem. Alguns dos rapazes estão na pista em miniatura que está cheia de minimotos que as crianças vão montar. Optimus atualmente tem uma adolescente corada atrás de sua Harley enquanto ele a leva para

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um passeio até o fim das barracas para o outro lado do estacionamento e de volta. A fila de motos cromadas é quase cegante conforme Eagle estaciona e desce o suporte. Pessoas em pé ao redor tiram fotos e instantaneamente param e observam enquanto descemos. Vejo o momento em que seus olhos seguem o impressionante tanque detalhado que Eagle pintou, e uma criança que deve estar em torno de nove ou dez anos rapidamente corre, sua mãe ficando para trás. “Com licença!” O menino diz. Eagle vira e tira o capacete. Ele se agacha. "Ei, cara e aí?" “Micah, não corra desse jeito!” Sua mãe diz vindo até onde o garoto está. Ela olha Eagle e eu antes de falar: “Desculpe, ele realmente gosta de motos no momento.” “Sem problemas,” Eagle responde antes de mover os olhos de volta para Micah. “Quer sentar nela e tirar uma foto?” Os olhos de Micah se iluminam e ele vira para sua mãe saltando na ponta dos pés. “Posso mãe, por favor?” Sua mãe sorri suavemente, sem dúvida, apreciando a forma como o rosto de seu filho se ilumina com emoção e felicidade. “Claro” ela responde, puxando o celular do bolso. “Vamos, irmãozinho,” Eagle o incita, estendendo a mão. Micah a toma alegremente e permite que Eagle o levante até a moto. Saindo do caminho, fico ao lado da mãe enquanto Eagle coloca Micah em sua moto. Ele vai se afastar, mas Micah agarra seu braço. “Fica na foto comigo?” Eagle parece cauteloso por um segundo, mas logo assente. "Claro, cara." Micah inclina-se e agarra o guidão enquanto Eagle colocou uma mão firme sobre ele e a moto.

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A mãe tira várias fotos, uma após a outra, até estar satisfeita e conseguir a que gosta. Micah vira para Eagle, falando o que ele sabe sobre motos e perguntando que tipo de moto esta é. “Ele é muito doce por deixar meu filho sentar em sua moto, tenho certeza que vale um monte de dinheiro” a mãe diz virando para mim. Sorrio. “Vai ver que a maioria dos irmãos aqui parecem um pouco ásperos na parte externa, mas realmente se preocupam com a família,” digo a ela, sorrindo enquanto observo Eagle içar Micah da moto e colocá-lo no chão antes de lhe dar um hige five. “Não julgue um livro pela capa,” a mulher diz suavemente e sorrio, balançando a cabeça. “Não julgue um livro” concordo. Micah e sua mãe saem rapidamente com um aceno animado, o rapaz incapaz de parar de falar enquanto sua mãe o puxa para longe para olhar as outras barracas. “Ei, Sky!” Viro e vejo Jess andando como se possuísse o lugar, segurando um monte de panfletos na mão. Ela está vestida da mesma forma que eu, com os cabelos soltos e esvoaçantes na brisa suave. Suas pernas perfeitamente bronzeadas em exposição para todos verem, incluindo a tatuagem de videira que ela tem no tornozelo por todo o caminho até a coxa, desaparecendo sob seus shorts. Ela está coberta de diferentes flores de cores vibrantes, o desenho suave e belo em contraste com o exterior duro que ela tenta pintar a cada dia. “Quer vir comigo vender alguns bilhetes de rifa?”, ela pergunta quando finalmente chega onde estou. Ela balança a pochete que tem nos quadris, os sons de dinheiro soando dentro. “Claro!” Digo com entusiasmo, ansiosa para dar uma olhada ao redor e ajudar desde que é tão tarde. Viro-me para ver Eagle ainda de pé ao lado de sua moto, conversando com Leo e Blizzard. “Encontro você mais tarde?” Digo, não querendo interromper.

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Sua cabeça vira para mim, e ele ergue o queixo. "Fique longe de problemas. Não estou afim de mergulhar em carros em chamas para te salvar hoje.” Leo e Blizzard sorriem, mas bato uma continência, notando o jeito que sua boca curva antes de Jess agarrar meu braço e me puxar para longe. Balanço as rifas no ar enquanto descemos a primeira linha de tendas. O lugar inteiro é cheio de riso e alegria, e embora ontem fiquei tentada a voltar para casa, já estou feliz por ter posto minha calcinha de menina grande e vindo ajudar o clube. Cada dólar levantado hoje irá para uma instituição de câncer infantil, mesmo depois de todo o dinheiro que gastamos para vir aqui, o clube se recusa a tomar algo para ajudar a pagar as próprias despesas. Admiro isso profundamente em nossos meninos. Sei que eles têm outros motivos para estarem aqui, mas o que conta é que estão todos fazendo o que podem para tornar a vida de alguém um pouco mais completa. Jess e eu conseguimos vender alguns bilhetes conforme percorremos cada fileira. A maioria deles para homens que usaram a desculpa para flertar conosco, ou crianças que ouviram sobre o prêmio, uma moto personalizada que um membro montou sozinho. Há outros clubes aqui com estandes e atividades, nenhum tão grande como o nosso, mas ainda assim, um esforço sólido para fazer o que podem. A maioria deles nota o nome em nossas camisas e acenam enquanto passamos, outros optam por nos ignorar por completo o que está perfeitamente bem para mim. Não quero começar nada ou sentir como se estivesse pisando nos dedos de outros clubes. Nem Jess nem eu, estamos inteiramente certas de quais clubes são amigáveis e quais não, então ficamos quietas ao passar. Estamos a meio caminho de volta para a área do clube, com a pochete cheia de dinheiro e completamente esgotadas de bilhetes de rifa. Pediremos a um dos meninos para ver um vencedor quando

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voltarmos, e esperançosamente, ele ainda estará no mar de pessoas e será capaz de vir reivindicar seu prêmio. “Espero que alguém com crianças ganhe a moto,” Jess diz conforme passeamos e vemos e as pessoas. “Realmente odiaria se alguém como aquele cara velho ganhasse, o que não conseguia parar de lamber os lábios enquanto esperava o troco.” Estremeço. "Concordo. Imagino se podemos fraudar isso de alguma forma.” Jess ri. “Provavelmente deveríamos ter pensado nisso antes de apenas jogar todos os bilhetes aqui.” Ela cutuca o pequeno recipiente que carrega com todos os canhotos misturados. A gargalhada de Jess é subitamente interrompida, e me viro para vê-la encarando um grupo de rapazes que estão sentados na parte de trás de uma caminhonete. Eles estão nos olhando de soslaio, os olhos nos seguindo de perto conforme nos aproximamos. Um sentimento estranho se forma no meu estômago, mas tento afastá-lo. “Basta ignorá-los” digo sob a respiração. Ser observada e cobiçada por homens não é algo novo para nós. Na maior parte, ignoramos e aprendemos ao longo dos anos em que estamos com o clube, como afastar os avanços indesejados quando os membros não estão perto para afastar os idiotas. Isso parece diferente, no entanto. Esses caras, parecem arrumados o bastante, como deve ser o tipo de caras do interior que levaria para conhecer seus pais. “É só eu, ou está tendo uma sensação estranha sobre esses caras nos observando?”, Jess diz com uma risada nervosa. Pelo menos não sou só eu. Jess quase nunca fica nervosa, ela é a primeira a recuar quando algum esquisito lhe dá arrepios. Conforme nos aproximamos, noto que os rapazes entram e saem de uma tenda, obviamente estão aqui para promover algo.

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Jess e eu criamos um amplo espaço, esperando que com a quantidade de pessoas andando de um lado para outro, talvez nós possamos passar e não dar a este sentimento estranho que nós duas temos um segundo pensamento. Em vez disso, no segundo que dou um olhar dentro da barraca, eu congelo, e meu coração para. Sem exagero. Eu o sinto ainda dentro do meu peito. Posso sentir o sangue sumindo do meu rosto. Jess me agarra quando tropeço na mesa de alguém, derrubando alguns vasos bem decorados. O homem dentro da tenda me xinga em algum tipo de língua que não entendo, e Jess responde vibrantemente em Inglês enquanto e me ajuda a encontrar meus pés. "Ei! Sky, o que há de errado?” Jess pergunta freneticamente, batendo suavemente minha bochecha. Não posso responder, no entanto. Mal consigo me mover quando alguém que reconheço vem em minha direção, seus olhos escuros e ameaçadores. “Alguém disse ter te visto vagando” ele fala, os lábios torcendo de desgosto enquanto os olhos assimilam a roupa que uso. Tento lutar de volta, endurecer a espinha e enfrentá-lo de frente. Sempre pensei que seria fácil. Sou mais forte agora, eles não têm poder sobre mim. Mas de repente meu passado me atinge com um golpe no rosto, e perco o equilíbrio e inteligência. Estou assustada. Estou petrificada.

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“Sugiro que porra não se aproxime mais, menino bonito” Jess responde, me segurando, mas movendo seu corpo para tentar me proteger, ao mesmo tempo. "Quem diabos é você?" O sorriso que surge no canto de sua boca é exatamente como me lembro, porque tem o olhar que nosso pai sempre tinha antes de me bater. “Sou o irmão mais velho dela,” Abel diz muito alegre. “Está finalmente pronta para voltar para casa, Sapphire?” Casa? Voltar para as profundezas do inferno, onde não há luz, onde não há nada além de dor e sofrimento polvilhado com glitter para torná-lo bonito. De jeito nenhum. “Prefiro ir para o fodido inferno,” respondo, finalmente encontrando meus pés e minha voz, ambos incrivelmente instáveis enquanto lágrimas queimam na minha garganta. O sorriso de Abel aumenta, ficando mais depravado. Ele não se incomoda com minha língua afiada, porque ele não tem emoções. Ele é um bastardo frio e cruel.

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Skylar

Um punhado de outros homens da colônia vem em nossa direção, com os olhos focados em mim. Eles sabem quem sou, não há dúvidas sobre isso. Não mudei muito desde que saí, acho, e neste exato momento provavelmente pareço exatamente como a adolescente desafiante que conheciam tão bem. Aquela que se levantou, mesmo com medo em seus olhos. Os quatro homens estão atrás do meu irmão mais velho, como se fossem soldados, pronto para saltar e lutar num piscar de olhos, se lhes fosse dada a ordem. Não tenho dúvida que se o fizerem, a coisa vai se complicar muito rápido, e Jess e eu estaremos em um mundo de problemas. Uma coisa que minha irmã me informou depois de sua fuga foi que meu irmão Abel, o filho mais velho de todos os filhos do meu pai, o com mais lavagem cerebral, trabalhava com o The King's Militia. Eles são como a aplicação de lei pessoal da Colônia, acho. Eles treinam como o exército, no mato, aprendendo a disparar e dizendo serem essenciais, no caso de o governo tirânico tentar vir destruir a Colônia e tentar impedir nosso caminho para o céu. Eles são a primeira linha de defesa. Na realidade, porém, são usados para incutir medo entre os membros. Eles aparecem na casa das pessoas se há rumores de que alguém não está sendo totalmente fiel ao grupo, ou foi contra seus ensinamentos. Se as pessoas julgam o Profeta, esses caras vão e os levam para fora por semanas, às vezes meses, e quando voltam, de repente, são completamente fiéis.

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The King’s Militia tem sangue nas mãos, e tenho uma grave razão para ter medo do que podem fazer. Quando um membro da Colônia atinge a maioridade, assinamos contratos de expiação de sangue, dando à Colônia o direito de derramar nosso sangue por nosso Deus se alguma vez formos contra nossa fé e seus ensinamentos. Embora o contrato conceda a alguém a propriedade de viver ou morrer por causa da fé que acredita, é completamente estúpido e ridículo no mundo real, mas para estes homens e mulheres é lei e eles estão mais do que dispostos a seguir com a punição desta traição. Posso sentir que Jess está ficando nervosa com os homens de pé sobre nós, parecendo ameaçadores. Sua boca continua abrindo e fechando como se quisesse dizer-lhes para se foder, mas sabendo que provavelmente não é uma boa ideia. “Por que não vem dar uma volta comigo, irmãzinha. Podemos conversar, nos atualizar de todos esses anos que perdemos" diz Abel, sua voz soando para qualquer um que passe como um irmão que sente saudades, mas para mim, soa como uma serpente tentando me aproximar para poder atacar. Não serei atraída para o covil dele e não o deixarei ficar aqui e me fazer sentir inferior. Já escapei uma vez. Ele adormeceu enquanto me observava. Abel foi o único que teve que ir ao meu pai de mãos vazias, sem filha para se casar no dia seguinte, enquanto eu desaparecia na noite para criar esta vida. Só posso imaginar o castigo que ele recebeu por me deixar escapar. Pode soar doente, mas só isso traz um pouco de alegria ao meu coração e me vejo um pouco mais ereta, um sorriso se formando no meu rosto. "O que papai disse quando teve que ir até ele e dizer que fui embora? Que sua irmã de dezesseis anos fugiu enquanto cochilava—” A palma de sua palma em meu rosto traz uma lágrima aos meus olhos, mas recuso-me a deixá-lo ver, limpando meu rosto antes de me voltar para encará-lo. Meu corpo vacila, estou furiosa

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e a dor que vibra no meu cérebro é quase o suficiente para me deixar doente. Seus olhos se arregalam apenas ligeiramente com o conhecimento do que ele acaba de fazer na frente de pessoas que não estão dentro da colônia, pessoas que não terão suas costas. Para um homem, repreender uma mulher dessa maneira é fino e elegante por trás de portas fechadas e na segurança do lar, inferno, aos quatorze anos, vi um homem bater em sua esposa com um taco porque ela estava doente e tossiu muito durante a celebração, mas fazer essa merda na frente de muitos estranhos, puta merda, meu irmão está louco. Há pessoas ao nosso redor que viram o ataque, muitas ficaram horrorizadas como se não pudessem acreditar no que viram enquanto ele se depara comigo como um predador com sua presa. Jess envolve o braço no meu ombro, puxando-me e estendendo a outra mão como uma linha de defesa. "Você precisa recuar" ela diz severamente, com um olhar de aço nos olhos. É a coisa sobre Jess. Ela poderia ser uma cadela, mas quando forçada, ela fica perante o perigo e tenta me proteger. “Está tudo bem" digo suavemente, não querendo me abalar. Abel é minha carne e sangue e irá tirar minha vida sem pensar um segundo se acreditar que lhe dará mais respeito, mais poder. Ele é como meu pai, anseia por controle e dominância e nesse mundo conseguiu todas as malditas vezes. Mas não aqui. De maneira nenhuma. Ele está em meu mundo agora. “Faz você se sentir bem se deparar com uma mulher e bater nela? Isso faz você se sentir poderoso, irmão?" Mais pessoas estão chegando agora, homens e mulheres que estão puxando as mãos do marido, chamando a atenção para o drama. Alguns parecem

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furiosos pra caralho, olhando para o meu irmão como se o desafiando a me tocar de novo para poderem intervir. “Você deve saber o seu lugar” Abel silva, mantendo a voz baixa. Bufo. “Você bateu a cabeça ou algo assim? Não preciso mais me curvar a você. Eu cresci. No entanto, você está aqui, ainda jogando, ainda fingindo ser o todo poderoso de alguma coisa. Desculpa furar sua bolha, mas estas pessoas não dão a mínima para quem você é ou que genes correm no seu sangue. Para eles, você não é nada... para mim, você não é nada.” Grito a última palavra. Abel está começando a suar. Ele não desvia o olhar, mas posso dizer que ele está percebendo a atenção que atraiu. Os homens atrás dele estão abertamente um pouco mais cautelosos, mudando de pé a pé. Abel dá outro passo ameaçador, ele está perdendo sua merda, mas congela quando uma voz soa na multidão. "Abel, Abel, Abel" um profundo estrondo vem de trás de mim. Olho por cima do ombro para ver quatro homens caminhando em nossa direção usando coletes. Não consigo ler o nome do clube, mas as pessoas saem nervosamente enquanto se aproximam. "Para um garoto esperto, é uma coisa extremamente estúpida o que simplesmente acaba de fazer.” O homem na frente tem um cavanhaque curto que é quase totalmente cinza, embora ele não pareça velho o suficiente para seus cabelos grisalhos fazerem sentido. Seu cabelo é da mesma cor, cortado curto, lembrando-me de um general do desenho animado Small Soldiers. Todos os quatro homens superam em altura a Abel e seus amigos, como gigantes malditos usando couros. Gigantes sexys usando couros, até mesmo Jess levou um minuto do drama para simplesmente apreciar esses homens.

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Meu irmão revira os ombros. "Isso não é da sua conta, Rivet." Rivet ri, o barítono profundo de sua voz tornando o som muito mais ameaçador do que humorístico. "Infelizmente, faz disso meu negócio quando coloca as mãos numa jovem mulher que pertence a um clube onde tenho amigos muito próximos." O barulho profundo e distinto de Harley a distância, cada vez mais perto, é praticamente perfeito. "Naturalmente, tive que ligar para que eles soubessem o que está acontecendo.” Abel luta para controlar seu temperamento e assim como meu pai, sei que haverá um ponto de ruptura. A Colônia está aqui para tentar ficar bem, seu estande montado com panfletos, folhetos e fotos sobre quão amorosa e atenciosa é a comunidade. Eles até tem três ou quatro jovens mulheres de pé atrás das mesas saudando as pessoas, usando seus vestidos modestos. Isso é algo novo para mim, dado que nunca fomos autorizadas a sair da cidade em que o grupo residia. As coisas mudaram? Neste ponto, realmente não me importo se ele me bater novamente. Aceitarei com alegria para deixar essas pessoas verem o lado real deste chamado Reino celestial. “O gato comeu sua língua, Abel?” Zombo com um sorriso, não me importando que o lado do meu rosto esteja latejando e ardendo como se estivesse em chamas. “Dê o fora daqui, Abel," o motociclista ao lado de Rivet revira os olhos e acena com a mão. Ele parece muito mais jovem, seus ombros mais largos, com cabelos negros e azuis e uma tatuagem fantasmagórica e intimidante que sobe pelo lado do seu pescoço. "Você tem cerca de trinta segundos antes que esses motociclistas cheguem aqui no meio desta tempestade de merda e te façam chorar como uma garotinha.” Os olhos de Abel nunca deixam os meus, o brilho escuro cheio de ameaças silenciosas. Esta situação está fora do seu

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controle e é o controle que o fez prosperar, que o alimenta e o torna poderoso. Mas outra coisa que sei sobre meu irmão é que ele é teimoso e não importa o que enfrente, nunca recua, ele nunca mostrará a seu povo que ele é fraco porque, se o fizer, perderá sua arma mais vital — o medo. O resto do grupo posso dizer que não tem certeza do que fazer, preparados como se viessem para mim a qualquer momento, mas nervosos porque, obviamente, não tinham certeza do erro que seu mestre acaba de cometer. Estamos num impasse. O rugido das motos fica quase ensurdecedor enquanto viram a esquina, manobrando lentamente numa linha intimidante de mais de oito motoqueiros com coletes, cores de clubes e olhares penetrantes. Não posso deixar de sorrir. Abel tem a colônia e seus amigos, todos eles, achando que são homens fortes, porque as pessoas normalmente se curvam a elas e tremem de medo. Não aqui. Eles estão prestes a ter uma porra de choque de realidade e estaria mentindo se dissesse que não me faz sorrir com alegria. “Acha que sua família é ruim?" Sussurro, empurrando meus ombros para trás e erguendo o queixo enquanto encontro os olhos do meu irmão. "Deixe-me te apresentar para a minha.”

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EAGLE

Paro a moto, tentando não correr para o lado de Skylar enquanto vejo-a de igual para igual com uma porra idiota usando calças e uma camisa. Meu primeiro instinto é protegê-la e verificar que ela está bem, mas agora, ela parece estar se virando muito bem, então tomo um minuto para avaliar a situação. Vejo Op fazendo a mesma coisa enquanto avançamos. “Skins, Levi, afastem essas pessoas e as levam daqui. Não preciso disso no nosso negócio” Op ordena, sua voz baixa e mortal. Ele está bravo, mas ainda não quer nada contra nós. Estou pronto para esfaquear um filho da puta assim que souber que alguém pôs as mãos em Sky. Skins e o novo prospecto do clube, Levi, rapidamente correm ao redor, usando seus braços para afastar as pessoas e assegurar-lhes que as coisas serão resolvidas e que devem continuar com a sua tarde. Não nos movemos até as pessoas terem saído. Blizzard, Kev, Ham e eu seguimos Optimus enquanto ele vai em direção ao grupo de idiotas que estão em pé no lado oposto a Sky e Jess. O grupo parece um pouco nervoso, caras jovens e incapazes de se manterem imóveis, cutucando uns aos outros e sussurrando. Um par de motociclistas está do outro lado do grupo. Reconheço dois. “Desculpe ter que arrastá-lo de sua tenda” diz Rivet, estendendo a mão.

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Optimus a pega primeiro e depois Twist, que caminha por trás de seu pai. Rivet é o Presidente do Hell’s Bandits MC. Seu clube tem laços estreitos com os Brothers By Blood já que a irmã de Rivet é casada com Presidente dos Brothers do Texas, Digger. Twist é o seu irmão mais velho e membro do clube. “Não é um problema" responde Op. "Aprecio cuidarem deles. Mas agora, gostaria de saber exatamente quem é esse filho da puta." Esse cara ainda não nos reconheceu, nem mesmo um olhar pelo canto do olho. Ele é arrogante ou estúpido e ambos estão prestes a terminar com ele levando uma surra. Rivet sorri. "Seja meu convidado." “Sky, Jess, venham aqui” digo bruscamente. Meus irmãos e eu rodeando o babaca número um e seus amigos. Preciso ter Sky ao meu lado, ver a forma como esse cara a olha, como se ele fosse deliciar-se causando-lhe dor, faz-me sentir desconfortável e um pouco doente. Jess puxa o braço de Skylar, arrastando-a para nós. Ela caminha alguns passos antes de finalmente romper o contato visual com o cara e me ver a alguns metros de distância. Vejo sua confiança e compaixão vacilarem por um segundo quando seus olhos se encontram com os meus e em uma fração de segundo, ela está correndo para a frente. Jess corre direto para Kev, que a coloca debaixo do braço, sussurrando silenciosamente antes de empurrála suavemente para trás num movimento protetor. Essas garotas podem ser meninas do clube, mas são nossas. Elas fazem parte da nossa família e ambas já fazem isso há anos. Nós nos importamos com elas e quando elas se inscreveram para fazer parte do clube e fazer o que fazem, prometemos as proteger. Consigo me segurar quando Skylar se aproxima. Envolvo os dois braços ao redor dela, permitindo-lhe alguns segundos e várias

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respirações profundas. "Vou cuidar de você" digo, descansando minha cabeça no topo da dela. Ela respira fundo antes de recuar, permitindo-me uma boa olhada em seu rosto. Sua bochecha esquerda está vermelho brilhante, a forma de uma mão quase impressa perfeitamente em seu rosto. Seu olho está cheio de sangue e posso dizer que ela está lutando contra a dor. Optimus se aproxima ao meu lado, permitindo que ela fique em meus braços enquanto engancha um dedo em sua mandíbula e vira a cabeça para poder examinar os danos. “Vá e arrume a tenda. Nós vamos sair" uma voz ordena e todos viramos para ver o número um fodido ordenar a seus meninos. Um tenta sair, mas Ham entra na frente dele. O cara tenta dar um passo ao redor, mas Ham entra em seu caminho novamente, um largo sorriso no rosto e os braços cruzados sobre o peito. “Desculpe cara, não sairá até ouvir que pode.” “Explique...” Op rosna para ninguém em particular, obviamente chateado depois de ver o dano em Skylar e a atitude satisfeita do imbecil. "Eles são da Colônia" diz Skylar e meus ombros tensionam. Ela tenta se afastar, mas a seguro mais forte, esperando que a Colônia sobre a qual ela fala, não seja a que tenho ouvido nas notícias. "Este é meu irmão, Abel." O tom de sua voz é quase como se estivesse envergonhada em admitir isso. "Seu fodido irmão?" Amaldiçoo. “O que aconteceu aqui não é da sua conta" Abel diz para Optimus, parado como se não estivesse no meio de um círculo de homens, que não hesitará em matá-lo onde está e depois enterrar seu corpo no parque nacional. "É uma questão que está entre eu, minha irmã e Deus.” Optimus ri em voz baixa, levantando um dedo. "Veja, meu primeiro problema com isso é... que não tenho um Deus, então não

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posso confiar nele para transmitir a mensagem que preciso passar." Ele levanta um segundo dedo. "E meu segundo problema é... que acertou uma das minhas garotas e sou um firme crente no olho por olho.” Os olhos de Abel se iluminam e posso vê-lo tentando manter seu corpo firme e não se acovardar. Esta é a diferença entre um homem que pode se garantir numa luta e um homem que só vai atrás de mulheres, porque sabe ser mais forte. “Talvez se ensinasse a suas garotas a falarem apenas quando ordenado, então elas não iriam entrar em situações onde precisam ser repreendidas” Abel responde, finalmente encontrando suas bolas dentro das calças apertadas. “E quem diabos é você para decidir quando uma mulher deve falar e como devem ser repreendidas?” Blizzard questiona seriamente, dando um passo para frente, estalando os dedos. O cabeça de merda respira fundo, estufando o peito como se ele fosse o fodido Superman. “Sou o filho do profeta. Recebi o direito de fazer o que considero necessário para me certificar de que nosso povo siga as leis, para poderem entrar no reino celestial.” Suas palavras são todas fodidas, blá, blá, blá, besteiras, que não entendo, mas é óbvio que ele acredita nelas com tudo dentro de sua alma, ou é bom demais para falar e convencer outras pessoas que o que diz é verdade. Skylar sai dos meus braços e vai em direção a seu irmão com fogo nos olhos. Corro atrás dela, agarrando-a pela cintura e puxando-a de volta contra meu peito. Ela luta contra mim, de repente ansiosa para dar um golpe. “Ninguém lhe deu o direito de afastar as crianças longe de seus pais e levá-las para quem sabe onde porra! Ninguém lhe deu o direito de bater em mulheres e homens indefesos, que não fizeram nada, além de ser fiel a um mentiroso e vigarista! E ninguém lhe deu o direito de violentar

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nossa prima quando ela tinha quatorze anos e fazê-la ter seus filhos!” Abel cerra os dentes, o rosto vermelho de raiva. Posso ver que ele não está acostumado a ser contrariado ou questionado. “Nós casamos e temos filhos com a parceira que nosso profeta escolhe. É chamado de fé e você não tem nenhuma. Portanto, você vai para o inferno." Cada palavra está cheia de ódio. "Mas tenho certeza de que ficará bem feliz com seus amigos. Ah, e Emerald, também. Se vir nossa querida irmã, deixe-a saber que a estou procurando.” “Deixe-a em paz” Skylar silva. Lágrimas escorrem por seu rosto agora, enquanto ela continua a lutar em meus braços. Não posso dizer que estou me saindo muito bem. Ouvir o que ela disse é como gasolina num incêndio. Quero pegar esse idiota, amarrá-lo na minha moto e dirigir pela maldita rodovia. Ouvi histórias sobre as coisas que acontecem nesses lugares, mas até agora, foi tudo pela mídia. Abel cruza os braços no peito, parecendo bastante satisfeito consigo mesmo. "Estou supondo que como não ficou surpresa ao saber que ela não está mais com a Colônia, ela já te encontrou. O que está fazendo? Conheço alguém muito ansioso para tê-la de volta para que possa começar uma família.” Cada palavra que ele diz me faz sentir mal, a maneira como fala sobre as mulheres como se fossem seres estúpidos que devem sentar, calar a boca e ser dada pelo maior lance. “Você é um porco nojento! Merece estar na cadeia!” Skylar grita. Um fusível foi claramente ligado e não há como apagar o fogo. O que me surpreende é o sorriso que aumenta no rosto de Abel, um sorriso presunçoso. Ele está doente e honestamente envia um arrepio por minha espinha. Como um menino inteligente, ele não reconhece que ela o acusou de um crime há poucos momentos.

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Em vez disso, decide torcer a faca um pouco mais e virar as coisas de volta para ela. “Lembra da sua melhor amiga Jade, não é? Nós nos casamos ano passado. Ela acaba de ter gêmeos. Realmente deve vir por algum tempo e conhecer suas sobrinhas,” Abel diz com um sorriso pervertido. Ouço a ameaça em sua voz, a maneira como tem prazer em dizer que tem duas meninas, sabendo que irá quebrar o coração de Skylar. Ela agarra seu peito como se uma flecha envenenada tivesse a atingido antes da leoa voltar subitamente. "Aqui está algo que pode levar para nosso pai" diz ela, sua voz calma como o olho de uma tempestade mortal. "Sou uma puta. Que tal isso para deixar a família orgulhosa?” Não posso parar o grunhido que se forma na minha garganta quando ela fala sobre si mesma dessa forma. Ela se concentra nos meninos que estão de pé atrás do seu irmão, os olhos arregalados de choque ao ouvirem suas palavras. “Sim” ela continua com confiança, saindo dos meus braços quando libero meu controle agora que ela se acalmou. "Sabe o que faço para o clube? Sou a puta deles. A filha do seu grande profeta, virou as costas para a Colônia e acolhe homem após o homem em seu corpo. Aposto que a linhagem não parece tão perfeita agora, não é?” O exterior calmo de Abel quebra, seu rosto horrorizado quando seu povo sussurra entre si. Ela sabe exatamente o que dizer para machucá-los. “Terminou?" Op pergunta avançando, colocando a mão em seu ombro. Skylar vira para ele, seu corpo caindo ligeiramente. Ela assente com a cabeça. "Desculpa. Sim, eu terminei.”

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Já posso ver o corpo dela caindo com exaustão. Isso é grande, é enorme para ela enfrentar essas pessoas. Não sei a história toda, sobre o porquê e como ela saiu, mas depois disso, vou descobrir. “Eagle” Op diz, virando para mim. “Quer fazer o dever?” Meus punhos já estão cerrados tão forte quanto podem estar, posso sentir as veias altas e a tensão em meus músculos aumentar. A escuridão está em torno da minha visão, como um alvo, fechando-se neste filho da puta. Um balanço, um gancho de direita no lado do seu rosto. Um olhar de horror e medo atravessa seus traços quando meu punho voa e seus amigos correm para evitar minha fúria. Minha respiração é pesada e forte, embora quase não tenha nenhum trabalho. Ele está desmaiado quando acerta o chão. Por sorte, seu ombro para a queda e não o queixo. Não quero ver o resto de seus dentes espalhados no concreto. Ele se contorce e geme, e tudo o que posso pensar é em mergulhar em cima dele e golpear seu rosto no chão. Tenho toda a intenção de fazer exatamente isso até que a voz de Skylar afasta a névoa que está na minha cabeça, e viro quando ela agarra meu braço, os olhos arregalados enquanto me afasta de seu irmão. “Pare” ela diz em voz baixa, com os olhos implorando. “A polícia está chegando e não posso te ver sendo preso.” As coisas começam a ficar um pouco mais claras e posso ouvir sirenes ao longe. Não fugirei da porra da polícia e se o idiota tentar prestar queixa, há muitas testemunhas que o viram acertar Sky e tenho certeza que a polícia estará muito mais interessada nisso. Estendendo a mão, seguro seu rosto suavemente com a mão. “Você não é uma puta de merda.” Ela sorri tristemente, inclinando-se em minha mão, mas não diz nada.

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Ela pensa de forma diferente. Acho que não a vejo dessa maneira. Posso vê-la de outra forma? Só não tenho certeza.

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Skylar

Sentada na cama do quarto de hotel, meu corpo está tão entorpecido e não é por causa do bloco de gelo que seguro contra a bochecha. Imaginei tantos cenários diferentes quando se tratava de ficar cara a cara com meu irmão ou pai. Acho que nunca imaginei que acabaria dizendo a todo mundo que sou uma prostituta. Não que eu fosse mudar algo. Feri Abel, sei disso. E não porque sou sua irmã e ele odeia a ideia de que esteja usando meu corpo para agradar os homens. Eu o feri porque logo a Colônia inteira saberá que o sangue que corre nas veias de minha família não é digno de liderar todas aquelas pessoas fiéis e dedicadas ao lugar mais alto do céu. É sujo, contaminado. Mas o que mais me assusta agora é o que eles planejam fazer para tentar corrigir isso. Minha fuga foi facilmente encoberta com alguma mentira. Não tenho dúvidas que disseram ao povo da Colônia que fui mandada embora por algum chamado superior, que fui feita para algo maior do que apenas passar meu tempo com os camponeses. Não há nenhuma maneira que meu pai os deixou acreditarem que sua filha mais velha, aquela destinada a servir de exemplo para os outros em sua fé, é uma fugitiva.

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“Aqui” diz Hadley, vindo sentar na borda da cama. Ela me entrega um copo pequeno com um líquido claro dentro. Ela sorri quando estudo o conteúdo. “Apenas uma pista, não é água.” “Graças a Deus.” Suspiro, bebendo num único gole e estendendo o copo para mais quando o sabor da vodca ataca meu paladar e rouba o ar dos meus pulmões. Jess bufa do sofá. “Escolha irônica de palavras.” Engasgo com uma risada, tentando recobrar minha respiração e sentindo o calor do álcool se estabelecendo em meu estômago. Hadley me serve outro copo e volta a colocar a tampa na garrafa de vodca. Quando faço beicinho, ela balança a cabeça e o dedo para mim. “Prometi cuidar de você enquanto os meninos resolvem a merda com os policiais lá embaixo” ela adverte, toda maternal. “Se voltarem e estiver bêbada, Leo vai querer minha bunda.” “Engraçado, achei que ele já tivesse isso” Jess diz secamente, seu rosto se iluminando em um sorriso quando Hadley se vira e estreita os olhos. “Oh, vamos lá, você deixou o caminho livre para isto.” Hadley está lutando contra um sorriso e o controla muito bem. Eu, por outro lado, não consigo parar a risada que borbulha. Meu corpo treme e minha cabeça me implora para parar, a dor de cabeça constante que sinto desde que Abel me deu um tapa foi amenizada pelos analgésicos. Solto um gemido, levantando o copo aos lábios bebendo em dois grandes goles, esperando que possa fazer os meus músculos e mente relaxarem um pouco. Uma dupla de policiais apareceu enquanto Abel se levantava, parecendo atordoado e confuso. As pessoas os chamaram logo após ele me dar um tapa no rosto. Afirmei que não queria prestar queixa, mas a polícia é quem vai tomar esta decisão, uma vez que outras pessoas testemunharam o evento.

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O mesmo acontecerá sobre o envolvimento de Eagle e é isso que me deixa mais nervosa. Porque eles não vieram por causa de Eagle e isso não pode ser classificado como autodefesa. Se a polícia quiser ir atrás dele, eles podem, mesmo que Abel faça a coisa inteligente e opte por não dar queixa. Daí porque os meninos estão todos lá embaixo na sala de reuniões do hotel, com o chefe de polícia e Rivet, à espera de Digger, o presidente do Texas Brothers by Blood. Ele é quem tem mais influência dentro da força policial, espero que o suficiente para fazer toda essa confusão desaparecer. “O Wankstain5 é seu irmão de sangue?” Jess pergunta de repente. Sei que ela está morrendo de vontade de ouvir mais sobre a Colônia e o inferno que passei lá. Depois de tudo que disse hoje, tenho certeza que eles têm mais perguntas do que provavelmente tenho respostas, inclusive os meninos, e é por isso que estou tentando esperar até que estejam de volta. De modo que não precise repetir mais de uma vez. Apenas as lembranças de como eram as coisas naquele tempo, é suficientemente doloroso. Isso sempre me deixa com náuseas e, às vezes, com raiva. Ver Abel hoje já foi bem difícil e acabou me levando de volta para um lugar que passei muito tempo tentando evitar. Há um monte de beleza em minha história. Ainda me lembro daquelas vezes em que meus irmãos e eu brincávamos e ríamos, usando tudo que estivesse ao nosso alcance para criar brincadeiras. Às vezes eram galhos da árvore morta em nosso quintal, outras vezes pneus velhos ou tecidos rasgados que se transformavam em capas. As crianças na Colônia eram encorajadas a serem crianças, porque quando crescíamos, as coisas mudavam.

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Pessoa de tão baixa inteligência que apenas um grupo de espermatozoides mortos e secos é uma comparação.

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Meninas eram obrigadas a se casarem com homens mais velhos — muitas vezes até mesmo parentes como tios ou primos — e os meninos, ao completarem doze anos, eram enviados para trabalhar. Eles fariam doze horas por dia em canteiros de obras e fazendas para uma das muitas empresas que a Colônia possuía. No final da semana, eles talvez recebessem cem dólares. O resto era levado para a comunidade. “Wankstain, isso é novo,” brinco, caindo na cama depois de Hadley pegar meu copo. “Não evite a questão” Jess fala, apontando o dedo para mim acusadoramente. Reviro os olhos. “Não, ele não é um irmão de sangue puro. Ele é filho da primeira mulher do meu pai, a minha mãe é a segunda e sou sua única filha. Pode-se dizer que ela foi um fracasso como esposa e que isso acabou refletido em mim.” “Você não é um fracasso” Hadley repreende com uma carranca enquanto se ocupa arrumando minhas coisas e de Eagle. “Não tenho certeza se o resmungão vai gostar de você mexendo em suas coisas,” digo a ela com um sorriso enquanto ela dobra a camisa que estava jogada sobre o piso, em nossa pressa para chegar ao evento de caridade. Hadley ri levemente. “Ele me ama, vai superar.” Não posso nem explicar como essas palavras fazem meu interior se retorcer e o ciúme sobe à minha cabeça, querendo fazer uma aparição. “Ele também parece ser extremamente protetor com você” acrescenta ela, sentando no final da cama. Deixo escapar um suspiro e fecho os olhos, desejando que a cama me engula inteira e tire toda minha dor de cabeça. “Todos os meninos são protetores conosco, viu a maneira como Kev se colocou entre Jess e o confronto. Não é nada além disso.”

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As palavras saem tão casualmente quanto pretendia, mas honestamente, não tenho certeza se estou tentando convencer a elas ou a mim mesma. “Tudo que tem que dizer a si mesma para conseguir dormir à noite” diz Jess, revirando os olhos. Há duas batidas fortes na porta e ela desce do sofá e se aproxima, abrindo-a sem se preocupar em verificar o olho mágico ou perguntar quem está do outro lado. Ela dá um passo atrás, e ouço passos pesados entrando no quarto antes que a porta feche novamente. Uma mão quente afasta o saco de gelo do meu rosto, e a cama afunda ao lado da minha cabeça. Pisco várias vezes antes que o quarto volte ao foco, e consiga identificar as pessoas ali. Eagle está me olhando, o rosto preocupado e o cenho franzido. “Alguém já lhe disse que se franzir muito, vai ficar com rugas?” Digo a ele, revirando os olhos. “Alguém já lhe disse que sua família tem sérios transtornos mentais?”, ele dispara sem perder um segundo. Bufo, pegando o saco de gelo novamente quando sinto meu rosto começar a latejar, mas ele o segura longe do meu alcance. “Sim, está em meus genes um pouco desta loucura. Está com medo que eu vá lhe atacar com uma faca durante seu sono agora?” “Já estava com medo disso bem antes dessa merda acontecer” ele devolve, um sorriso curvando seus lábios. Cada maldita vez que vejo este sorriso em seu rosto, meu corpo se derrete numa poça. Ele me perguntou por que o provoco consistentemente e banco a insolente com ele quando estamos juntos e respondi honestamente que é porque ver seu sorriso realmente faz meu coração fraquejar. Já conheço Eagle há algum tempo, mas tivemos pouca ou nenhuma interação. Ele é quieto, sério e tende a ficar na sua ou

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com os irmãos que conhece melhor. Antes desta viagem, sinceramente não consigo lembrar de uma só vez em que ouvi sua voz, e depois de vinte e quatro horas de drama e muita porra louca, é como se nos conhecêssemos desde sempre. “Precisamos ter uma conversa sobre o que está acontecendo” Op diz, interrompendo o momento de silêncio entre nós e desviando a atenção de Eagle. Rapidamente pego o saco de gelo de sua mão e aperto-o contra meu rosto, deixando escapar um suspiro de satisfação. “Sinto que vou precisar de algumas bebidas para isso, entretanto. Então, vamos para um bar a poucos quarteirões de distância e lá nos reunir com os outros.... espero que possamos sobreviver a mais um dia sem nenhuma merda bater no ventilador.” Posso dizer que Op está totalmente exausto e sem dúvida sentindo falta de Chelsea e seus meninos. Muito esforço e planejamento foram necessários para fazer essa coisa toda funcionar sem problemas e para ser honesta, realmente não está sendo tão simples e me sinto um pouco culpada. Rolo de lado, tentando empurrar meu corpo numa posição sentada. Eagle pega meu braço, dando-me apoio enquanto luto para movimentar o corpo. Estou completamente quebrada, cada pedaço do meu corpo dói e está ferido e tudo que quero fazer é subir na cama e dormir por tantas horas quantas possíveis – talvez até por alguns dias. Mas sei que estou devendo algumas explicações para estes caras, no mínimo, uma vez que salvaram minha bunda e se posicionaram em minha defesa de um jeito que não tinham obrigação de fazer. “Sinto muito por todo o drama,” digo calmamente, tentando não me inclinar contra o corpo de Eagle para ficar mais confortável quando ele deposita sua mão em minhas costas. “Normalmente, sou a primeira pessoa a correr para o outro lado quando se trata desta merda.” “Sabemos disso,” Blizzard diz, encostado na grande janela que dá para a rua. “Aprendi há muito tempo que não podemos culpar alguém pelos erros de sua família. Sua vida não foi fácil, o

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que sabemos com certeza agora, então, não estamos com raiva de você por se defender das pessoas que te machucaram.” Sinto uma queimadura na parte de trás da garganta e engulo um caroço enorme que ameaça trazer lágrimas. “Merda, você está fazendo-a chorar,” Jess geme, empurrando Blizzard. Ele apenas sorri, mas balança a cabeça em minha direção, num sinal sutil, mas substancial de apoio. “Vamos lá” diz Eagle, envolvendo o braço em minha cintura e ajudando-me a ficar de pé. “Vocês vão à frente. Deixem Sky tomar uma chuveirada e controlar seus pensamentos, vamos encontrálos no bar em trinta minutos.” Optimus levanta a sobrancelha, mas não discute. “Tudo bem, mas não demorem. Tenho perguntas e quero ainda estar sóbrio para as respostas e com o humor que sinto neste exato momento, poucas cervejas não serão suficientes.” Dou uma risada. “Desisti da religião há muito tempo, mas isso merece a porra de um Amém.”

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Skylar

Deixando Eagle lidar com a colocação de todos para fora do quarto, vou para o banheiro, ligo o chuveiro à uma temperatura quase escaldante antes de tirar minhas roupas e entrar debaixo da água quente. Sinto como se estivesse no céu, lavando minha pele deste dia de merda. Ontem foi um dia cansativo, mas hoje o superou em dez vezes. Eu não acho que você esteja preparado para sua infância fazer aparições surpresa duas vezes numa semana, golpeando seu rosto, literalmente, especialmente quando já passou mais de seis anos fugindo daquilo tudo e dizendo a si mesma que está livre. Talvez tenha ficado tão feliz em ver Emerald, tão orgulhosa do quão valente ela foi, que realmente não levei em consideração a possibilidade de sentar e conversar com ela sobre o que estava acontecendo onde cheguei a chamar de lar. No fundo da mente, não quero realmente saber o quão ruim as coisas estão. Esqueci a dor que passei e como é aquilo, porque já faz muito tempo. Empurrei para o fundo da minha mente para que nada disso pudesse impactar em quem sou hoje. Quero ser uma pessoa diferente, não quero carregar essa bagagem e deixar isso me puxar para baixo. Todo o abuso, as ameaças, as punições e torturas... ver meu irmão trouxe tudo de volta numa onda de emoções que estou lutando para controlar e,

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com isso, uma onda de culpa me atravessa, porque estou começando a perceber que... sim, eu saí. Mas, sem pensar duas vezes, deixei lá para sofrerem tantas pessoas de quem tanto gosto, porra. Sou fraca. Poderia ter voltado e tentado tirar meus irmãos, tentado resgatá-los também. Eu poderia ter lutado mais. Mas não fiz nada. Eu me escondi. Enterrei a cabeça na areia e me escondi. Aceitei minha punição, e depois, quando ninguém estava olhando, como uma covarde, fugi. Não olhei para trás, não levei em consideração estar prejudicando as pessoas que amo. Fui egoísta. Lágrimas caem por meu rosto enquanto desligo o chuveiro e saio, andando através da névoa fina que paira no ar. Secando rapidamente meu corpo, estou ansiosa para dar o fora daqui e ir para outro lugar, onde não esteja sozinha com meus pensamentos. Parte de mim pensa que hoje escapei com uma vitória. Ver Abel, ser capaz de dizer o que pensava dele, deixa-lo saber que não pode mais me machucar, são coisas que sonho em fazer desde menina, quando meu pai começou a usá-lo para cumprir nossas punições. Eu o odeio com tudo dentro de mim, o desprezo. Ele é meu irmão mais velho, deveria ser meu protetor e por um tempo me lembro dele ser apenas isso. Então, meu pai o colocou debaixo da sua asa e criou este monstro. Envolvendo a toalha em meu corpo, abraço o algodão macio nele ao sair do banheiro. Preciso me vestir, talvez colocar um pouco de maquiagem para esconder o hematoma florescendo em meu

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rosto e meus olhos vermelhos e inchados, para depois ter a conversa que estou temendo e que pode acabar fazendo mais mal do que bem. Francamente, estou envergonhada. Há uma vergonha particular, que vem junto com ser parte de uma comunidade que de bom grado sufoca e degrada mulheres. Sei que as pessoas me dizem que não devo carregar isso em meus ombros e elas tem razão, mas o fato de meu pai estar causando tanta dor, é algo que simplesmente não consigo esquecer. Isso faz com que eu lamente e fique com raiva que eles tenham me visto como parte disso, fazendo-me sentir responsável. "Como está?" Meus olhos são atraídos para o som da voz de Eagle. Ele está sentado no parapeito da janela com os pés apoiados numa cadeira da minúscula mesa que fica escondida no canto da sala. “Estou bem” respondo, antes de ir direto para minha mochila. Felizmente, o hotel tem um serviço de limpeza a seco assim meus couros e itens de motociclismo que preciso para voltar para casa, estão limpos — livres do cheiro de suor e fumaça — para quando sairmos depois de amanhã. Embalei roupas suficientes para o tempo que ficaríamos aqui, mas não gosto de andar longas distâncias em estrada aberta sem meus couros para proteção. “Você não parece... bem,” Eagle responde enquanto procuro meus jeans e uma blusa, colocando-os no sofá. Ouço quando ele desce da janela onde está, mas não posso me virar porque sei que se o olhar, vou explodir em lágrimas. A suavidade de sua voz já está me fazendo sufocar, pelo jeito que parece como se ele realmente se importasse com o que aconteceu. Limpo a garganta, tentando lutar contra a sensação ardente que sobe em meu interior como um aviso de que as lágrimas estão vindo. “Estou s-só...” minha voz falha e inspiro lentamente pelo

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nariz e boca antes de tentar novamente. “Só estou com raiva de mim mesma.” Ele resmunga baixinho, seu calor movendo-se atrás de mim. “Por que?”, pergunta. Meus dedos brincam com um fio solto da toalha branca, torcendo-o em meus dedos de um jeito quase doloroso, deixando marcas vermelhas e irritadas na minha pele. “Estou com raiva por ter deixado todo mundo lá para lidar com essa besteira enquanto fui embora. Estou com raiva porque ele ainda tem esse tipo de efeito sobre mim depois de eu ter lutado tanto tempo para ser mais forte do que isso.” Seu corpo está quase pressionado contra o meu agora, levando meus pensamentos em uma direção totalmente diferente, fazendo-me ficar um pouco mais ereta. “Parece que você está pensando muito.” As coisas estão se modificando, o ar na sala está mais quente, girando em torno de nós. O torso duro de Eagle agora pressiona contra minhas costas. Agarro a toalha um pouco mais forte na mão, um arrepio me percorrendo quando sinto sua respiração no meu ombro nu. Meu corpo foi ferido no confronto com Abel, o chuveiro ajudou alguns machucados, mas agora está doendo por uma razão totalmente diferente e é uma dor bem-vinda, que desejo. As pontas de sua barba arranham minha pele quando ele pressiona os lábios na curva do meu pescoço. Inconscientemente, eu o alongo num convite, deixando seu toque me afastar e obscurecer minha mente com a luxúria sobre minhas preocupações. “Você está certo” digo asperamente. “Eu não quero mais pensar.”

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Sua calça jeans não esconde o pau duro que posso sentir pressionado contra a curva da minha bunda, a toalha fina me cobrindo permite que eu sinta tudo o que ele oferece. “Se puder ajudá-la a se livrar dessa merda em sua cabeça por um momento,” ele sussurra, os lábios deslizando por minha pele, suas palavras soando estranhamente familiares, “... então é isso que vou fazer.” Dedos calejados se enfiam entre meu cabelo, puxando-o de brincadeira, inclinando minha cabeça contra seu peito. Em seguida, com um movimento rápido a toalha que seguro bem apertada é jogada para o outro lado do quarto, batendo na parede com um som alto e caindo ao chão. Inspiro com força, minha pele que estava aquecida pelo chuveiro agora assaltada pelo ar frio. Nunca me senti tão exposta. Estou completamente confortável com minha nudez, em colocar meu corpo em exibição, mas Eagle está extraindo emoções diferentes. Seu toque encanta meu corpo de maneiras que nunca imaginei com outros caras no clube, de um jeito mais intenso do que nossas aventuras no chuveiro ontem à noite, no outro hotel. Cada movimento, cada toque, faz com que eu queira mais. Sua mão livre se acomoda no meu quadril enquanto ele continua a me segurar contra seu peito. Seu polegar massageia a minha parte inferior das minhas costas, pressionando os músculos e criando círculos lentos, que trazem um suspiro de satisfação a minha boca. A mão no meu cabelo afrouxa, escorregando pelo pescoço e sobre meu ombro, deixando um rastro de fogo enquanto se move por meu corpo. Tento virar, levantando a mão para o rosto de Eagle, em busca de sua boca.

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Ele permite o movimento e aproveito a oportunidade para me levantar enquanto puxo sua boca contra a minha e no minuto em que nossos lábios se tocam o fogo acende e explode em chamas. Meus braços engancham em seu pescoço enquanto devoro seu beijo, oferecendo a mim mesma uma fuga no êxtase. Eagle se abaixa, sua boca nunca deixando a minha e agarra minha bunda, elevando-me do chão. Instintivamente minhas pernas abraçam sua cintura e meu centro entra em contato com a fivela do seu cinto, fazendo-me ofegar. "Merda! Isso é frio!” Ele apenas ri enquanto movimenta nossos corpos até a cama e se inclina para frente, deixando-me cair sobre o colchão. Apenas quando espero que ele venha, Eagle faz uma pausa, puxando seu telefone do bolso e pressionando a tela algumas vezes antes de segurá-lo contra o ouvido. Estreito os olhos e me sento. “Hum... está pedindo uma pizza ou algo assim, maldição?” Pergunto com frustração, meu corpo eletrificado e almejando seu toque. Minha buceta já está molhada, meu clitóris latejando como se implorasse por algum tipo de atenção e esse cara está no telefone? Ele levanta um dedo para me calar e meu queixo cai. “Ei, vai perder a hora da história hoje à noite, Sky está um pouco ansiosa” diz ele ao telefone com um sorriso. “Ela pode lhe contar tudo amanhã, hoje ela é minha.” Aquelas palavras. Foda-me. Como se já não estivesse seriamente pronta para saltar em cima dele como um animal no cio. Movendo-me para a beira da cama onde ele está, faço um rápido trabalho na fivela do cinto e com seu zíper, descendo-o apenas o suficiente para ver os pelos escuros que estão escondidos.

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“Amanhã” ele resmunga acentuadamente antes de desligar o telefone e joga-lo em cima do sofá, onde o aparelho salta duas vezes antes de pousar no chão. “Uma pizza?”, pergunta ele. “Foi a primeira coisa que me veio à mente” respondo, olhando-o e piscando meus cílios enquanto inocentemente tiro seu pau duro de dentro das calças. “Não sei você, mas estou com uma baita fome.” Aperto seu pau firmemente e ele respira fundo pelo nariz, os lábios ainda pressionados juntos, como se estivesse tentando manter o controle. Ele não vai durar muito, no entanto. Minha língua serpenteia para fora, lambendo a cabeça do seu membro, apenas experimentando. Sua pele é tão suave e macia, que não posso deixar de gemer baixinho em apreço. Deixo meus lábios trilharem seu comprimento inteiro, desde a base até a ponta, girando a língua ao redor da cabeça antes de começar novamente. Meu coração bate mais rápido a cada segundo, seus dedos torcendo uma mecha do meu cabelo enquanto me observa chupá-lo, lentamente engolindo-o o máximo que posso antes de me afastar e lamber tudo novamente. Os ruídos que ele faz são baixos e de aprovação, dando-me mais estímulo. Seus punhos estão cerrados ao lado do corpo enquanto uso tanto minha mão, quanto minha boca para agradálo, seus quadris se movimentam num ritmo suave junto com minha boca. “Toque-se,” ele finalmente diz e não perco um segundo, usando uma mão em seu pau enquanto escorrego a outra entre as pernas. Eu as deixo bem abertas e ele se inclina um pouco para o lado, seus olhos agora alternando entre meu rosto e o ponto onde estou mergulhando os dedos dentro de mim antes de trazer a umidade até o clitóris. Solto gemidos baixinhos enquanto volto a engoli-lo, meu clitóris se acendendo com a atenção necessária, instantaneamente fazendo com que eu deseje gozar.

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Sua mão abruptamente se levanta e agarra um punhado maior de cabelo. Ele me segura quieta, seu pau enfiado até a metade da minha garganta. “Droga,” ele amaldiçoa, inclino a cabeça para trás e olho o teto enquanto tento não engasgar. Quando ele finalmente me solta, cambaleia para longe do meu alcance. Fico sentada na beira da cama, meus dedos ainda dedilhando o clitóris, meu corpo zumbindo. Meus olhos brilham quando ele agarra o colarinho da camisa na parte de trás e a puxa sobre a cabeça, jogando-a na direção de onde a toalha está. Minha mão livre sobe para meu seio, capturando o mamilo e quase fazendo com que meu corpo exploda, enquanto observo a ondulação de seus abdominais perfeitamente tonificados enquanto ele se inclina e remove a calça jeans. Quase preciso me abanar, minhas mãos coçando para tocá-lo, sabendo que ele é real e agora é meu. Eagle se curva para frente, obrigando-me a sentar de forma mais ereta quando vem para mim com um olhar intimidante. “Eu quero te tocar, rastrear cada parte sua e ver de quantas maneiras posso te fazer gozar, porra” ele murmura, agarrando meus quadris e me empurrando mais para trás na cama antes de rastejar por cima de mim e me força a deitar de costas. Meu corpo estremece em antecipação, suas palavras fazendo meus quadris se moverem por conta própria, desesperados para tê-lo dentro de mim. “Mas não tenho paciência para isso agora, porque tudo que posso pensar é em quão bom meu nome irá soar ao sair de seus lábios.” Seu pau cutuca meu clitóris e agarro-me em seus braços enquanto seguro seu corpo acima do meu. Minhas unhas afundam em sua pele quando apenas um toque quase me deixa no limite. Ele move os quadris para frente novamente, desta vez, encontrando precisamente o ponto certo e deslizando dentro de mim. “Droga Sky” ele sussurra, fechando os olhos.

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Fico de boca aberta, admirando totalmente a sensação que aquilo me traz, enquanto ele continua deslizando lentamente dentro de mim, preenchendo-me completamente. “Uau,” Engasgo suavemente, mas a palavra é incompreensível, mesmo para mim. Quando ele chega bem ao fundo, empurra um pouco mais, só para criar aquela mistura de dor com um prazer esmagador. Ele recua e continua a me atormentar com movimentos lentos, dentro e fora, deixando-me sentir tudo, fazendo-me implorar por mais. “Eagle” gemo, levantando os quadris para tentar obriga-lo a se mover mais rápido. Porém isso só traz a porra de um sorriso para seu rosto e ele olha para baixo como se estivesse esperando por mim. "Por favor." Ele engancha seu braço numa das minhas pernas e a empurra para mais perto do meu tronco, criando um novo ângulo. Um impulso forte e solto um grito surpreso e excitado, seu pau batendo no exato ponto que preciso. “É isso, aí mesmo?” Ele zomba, fazendo novamente e recebendo a mesma resposta. Meu coração bate tão forte no peito, sabendo que se ele continuar deste jeito, vou sem dúvida, explodir em milhões de pedaços dentro de poucos segundos. Mas ele está determinado a me torturar e não tenho ideia do porquê, caralho. “Você é um idiota” digo com os dentes cerrados enquanto tento me equilibrar nesta linha tênue de ver meu orgasmo no horizonte, mas depois senti-lo escapar, quando ele recua. “Talvez seja este meu plano” ele responde pressionando novamente, segurando meu corpo na beira do êxtase. “Levá-la a pensar que sou um idiota, para que não veja isso vindo.” O ar deixa meus pulmões enquanto ele rapidamente começa a empurrar dentro de mim, forte e rápido. Não consigo recuperar o fôlego.

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Meu coração bate forte, meu corpo formiga. É como se pudesse sentir tudo e nada ao mesmo tempo. O fogo já estava aceso, queimando lentamente, mas agora, Eagle jogou um pouco de gasolina nele e em poucos segundos, estou explodindo em chamas. “Oh meu Deus, Eagle! Caralho.” Ele não para. Não desiste enquanto uma onda de calor cai sobre mim e meu corpo arqueia para fora da cama, minha buceta apertando com tanta força em torno de seu pau, que fico surpresa que ele ainda consiga se mexer lá dentro. “Oh! Eagle... merda!” De repente, ele sai todo e se atira para trás, agarrando seu pau com a mão e movendo-a força. Eu nunca vi nada tão erótico quanto isso: ele se elevando sobre mim, seu gozo jorrando sobre minha barriga e seios. Seus músculos retesando, seu corpo tenso. “Caralho,” ele amaldiçoa, bombeando a última gota de gozo, enquanto a mão livre enxuga o suor que reveste sua testa. “Puta merda” ele rosna, observando a última gota cair sobre minha pele e então senta e admira sua obra-prima. O ar no quarto é quente e húmido. Luto para retomar o ritmo de minha respiração, todo meu corpo parecendo eletrificado. “Maldição, você fica bem assim” ele murmura baixinho, sua respiração pesada e irregular. Meu próprio corpo ainda está tentando se recompor, meus quadris se movimentando por conta própria enquanto minha buceta continua lidando com os tremores do orgasmo rápido, mas intenso. “Isso foi...” sorrio, segurando o cobertor debaixo de mim com tanta força que meus dedos estão doendo. Seus dedos se arrastam pelo interior de minhas pernas enquanto continuo ali, totalmente aberta para ele. Ele parece

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hipnotizado quando abaixa a cabeça e aperta os lábios contra minha pele sensível. "Eu sei. Quero levar as coisas devagar, tocar cada parte de você, conhecer cada centímetro, mas basta colocar minhas malditas mãos em você e perco todo raciocínio lógico em meu maldito cérebro e tudo que consigo focar é em ouvir você gritar meu nome. Porque, porra, isso é demais.” Ele me olha, os olhos vidrados com algum tipo de emoção que é nova e que tanto me encanta quanto assusta. Neste ponto, os irmãos costumam se levantar e dar o fora enquanto aceno um adeus. Mas ele não está se mexendo. Ele está me observando, tocando-me, falando sobre conhecer mais do meu corpo. Ele está olhando para mim como se pudesse haver algo mais. E sinto a esperança de que talvez haja mesmo. Tento dizer a mim mesma que isso é ruim. Então por que diabos a sensação é tão boa?

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Eagle

“Ei, como vão as coisas hoje?” Leo e eu empurramos a última minimoto para o trailer de Digger quando Rivet aparece ao meu lado. “Ei, cara, melhor do que ontem, isso é certo,” digo enquanto amarro a moto e verifico se está suficientemente presa antes de saltar pela lateral para o chão. Cumprimento Rivet com um aperto de mão e um tapinha nas costas, Leo vem fazer o mesmo. “Está prestes a dar o fora?” A maior parte das tendas estão desmontadas e foram limpas. Fomos um dos últimos e estou feliz que esta viagem da porra esteja chegando ao fim exceto pelas dez horas na estrada para casa amanhã. Acho que todos esperam deixar o drama em Dallas, que não nos siga para casa, mas dado que Skylar praticamente fez sua família parecer idiotas e Deacon está abrigando uma adolescente fugitiva, não estou exatamente convencido que o problema acabou. Mas estou orgulhoso dela. Skylar ficou à vista dentro da tenda do clube o dia inteiro, ajudando na venda de mercadorias e cuidando da pista. Ela saiu cedo com Skins e Blizzard para coletar doações de algumas empresas em Dallas que querem participar da arrecadação de fundos, mas não tem tempo ou recursos para montar os próprios estandes. Colocamos um banner com anúncio de suas empresas e, em troca, no final do evento eles acrescentam uma doação ao valor que levantamos. “Sim, estamos quase indo, mas queria ter uma conversa com você antes e apresentá-lo a alguém” diz Rivet, apontando uma

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jovem mulher que está de pé atrás dele. Ela se adianta com um sorriso gentil. “Meninos esta é Ally, uma amiga do clube.” Ela acena e abaixo minha cabeça. “Prazer em conhecê-la,” digo antes de olhar Rivet com uma sobrancelha levantada. “Então qual é o problema?” “Queria dar um aviso sobre o que vai enfrentar quando se trata da Colônia” diz ele, capturando minha atenção e me fazendo ficar um pouco mais ereto. “Há muito mais envolvendo esses caras, muito mais do que Skylar sabe e é por isso que quero falar com você quando ela não está perto. Às vezes a verdade pode ser meio confrontadora.” Esfrego meu rosto. Skylar já luta com o que aconteceu ontem, seu irmão trouxe de volta todos os medos e emoções que ela passou anos fingindo não existirem. Já a observei quase ter uma crise em mais de uma ocasião, simplesmente porque alguém passou por ela e tocou seu ombro. Ela está com medo e honestamente não posso culpá-la. Solto um gemido e aperto a ponta do nariz. “Deixe-me adivinhar, esses caras não são apenas malucos?” Ally abana a cabeça. “Eles são totalmente loucos” ela responde, confirmando minhas suspeitas. “Fiz parte de uma seita poligâmica não muito diferente da Colônia. Saí há cerca de oito anos com meu melhor amigo e desde então estamos ajudando outras meninas e mulheres a escaparem daquela vida e tentando fazê-las encontrarem novos lares.” “Isso é maior do que eu pensava,” Leo murmura, sentando na borda do reboque atrás de nós. “Quero dizer, vi nos noticiários antes, mas nunca realmente dei muita atenção.” Ally sorri tristemente. “E, infelizmente, é assim que essas pessoas são capazes de continuar fazendo o que fazem. Os homens que dirigem esses lugares são doentes, eles realmente precisam de avaliação mental, porque acreditam no que dizem. Acreditam que

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ouvem a palavra de seu Deus e que Ele está dizendo para que façam estas coisas doentes e distorcidas... como casar com meninas e abusar de suas esposas e filhos.” Cerro meus dentes. Quanto mais Ally fala, mais irritado fico. Não quero ouvir mais, mas sei que é importante. Não posso deixar esses idiotas se safarem com o que estão fazendo, ou com o que já fizeram a Sky. Ela passou os últimos seis anos forçando as memórias de sua infância para o fundo da mente, nunca realmente lidando com o que aconteceu. Isso não é saudável. Agora tudo voltou com força total e parece estar atingindo-a de todos os lados. Em algum ponto ela terá que enfrentar e encontrar uma maneira de trabalhar nisso. Agora, porém, ela está apenas fazendo o que está habituada a fazer — fingir que não está lá. “Trouxe Ally para lhe dar algumas informações sobre a Colônia, uma vez que ela ajudou algumas meninas de lá a saírem e começarem uma nova vida” diz Rivet com tristeza na voz. “Já posso adiantar homem, não é bonito.” Inalando profundamente, inclino meus ombros e tento me transportar para um lugar que o que ela está prestes a me contar não vá tomar conta de mim e me enviar numa névoa. Ally troca de um pé para o outro nervosamente, enquanto observa minha tentativa de juntar autocontrole. “Você se preocupa muito com ela?”, indaga uma pergunta inocente, mas cheia de significado. Por que essa merda me deixa tão chateado? Será que é porque sempre acreditei fortemente que um homem nunca deve colocar suas mãos numa mulher, ou porque esses filhos da puta colocaram as mãos em uma mulher em particular? “Apenas explique” resmungo, não querendo focar na pergunta quando nem eu mesmo tenho ideia da resposta de merda.

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Ally concorda. “Tive duas meninas da Colônia que chegaram até mim depois de fugirem. Os abrigos para mulheres e lugares deste tipo onde geralmente acabam, muitas vezes recomendam que venham me procurar por causa dos recursos que tenho com famílias e lugares dispostos a aceitá-las e dar empregos para que possam começar uma nova vida.” Giro os ombros com impaciência, tentando não parecer rude. A menina é boa, está fazendo um trabalho que poucas pessoas sequer conhecem. Mas tudo o que quero saber é com que diabos estamos lidando e se Skylar está em apuros. “As meninas, elas não poderiam ser mais diferente.” Meus ouvidos se animam e fico um pouco mais reto. “Uma cresceu lá, tinha por volta de dezenove anos, foi casada com um primo de segundo grau por alguns meses antes e logo decidiu que bastava. A outra...” Ally abana a cabeça e olha para Rivet, que faz um gesto para que ela continue. Ela respira fundo e volta seu olhar para mim. “A outra garota, era uma criança da Califórnia que teve problemas com sua família adotiva. Ela estava desperdiçando muito tempo bebendo e festejando e um dia foi apresentada a este cara que, eu acho, ofereceu uma fuga.” “Há uma piada aqui não é?”, diz Leo, observando Ally atentamente, seus olhos se estreitando como se estivesse esperando o pior. Ele está certo. “Ele a drogou e ela acabou algemada numa casa onde um homem alegava que a havia comprado e que agora era seu dono.” A voz de Ally está arrastada e posso dizer que mesmo que ela já conheça a história, a mesma ainda tem um enorme impacto sobre ela e suas emoções. “Ela ficou lá por meses, sendo estuprada continuamente, apanhando quando tentava lutar contra o que lhe faziam. Eventualmente, ela percebeu que o homem lhe dava mais liberdade se ela fosse obediente.”

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“Jesus Cristo,” amaldiçoo, esfregando o rosto como se não pudesse imaginar uma merda destas. Sei que há muitas pessoas loucas aí fora, mas isso... meu cérebro não consegue nem processar. “Ela conseguiu fugir, apesar de tudo?” “Quanto mais submissa ela era, mais ele começou a deixá-la fazer as coisas. Ele começou a levá-la em encontros da Colônia na igreja, permitia que ela fosse para a cozinha e cozinhasse para ele. Eventualmente, ela ficou grávida e ele a levou para a cidade para ver o médico da Colônia” explica Ally. “Eles a mandaram para o banheiro para fazer um teste de gravidez, e ela escapou pela janela. Se escondeu até estar escuro e, em seguida, foi para a rodovia e pegou uma carona com um caminhoneiro até chegarem numa grande cidade e ela foi à polícia.” “E eles fizeram algo?”, pergunta Leo, inclinado para frente como se animado para ouvir que esse cara foi jogado na prisão por toda a vida. A careta de Ally me diz que não é o caso. “Doze horas depois que ela fugiu, eles revistaram a casa e não havia evidência. Todos foram interrogados e disseram aos policiais que ela sempre esteve lá por vontade própria e que eram um casal perfeitamente feliz.” Meu estômago revira. Quero socar alguém. “Se seu objetivo era me irritar, parabéns, está conseguindo. Caso contrário, preciso saber exatamente o que está tentando dizer.” “Estou dizendo que há somente uma determinada quantidade de DNA semelhante que pode misturar antes que as crianças comecem a nascer com significativos defeitos genéticos. Então é necessário começar a trazer novo DNA para que o conjunto de genes volte a ser saudável.” Posso dizer que mesmo que ela não queira dizer, nenhum de nós quer realmente entender o que ela está dizendo. Rivet, por outro lado, não é de rodeios. “Estão roubando moças com quem ninguém se preocupa, como uma operação de

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tráfico, mas em vez disso, usando-as apenas para procriar filhos para que possam continuar a crescer e ficar mais fortes.” “É isso que eu temia que ela estivesse tentando nos dizer,” murmuro. “Então o que está me dizendo é que não são apenas diletantes bíblicos com um complexo de deus.” Rivet sacode a cabeça. “Esses caras são grandes, Eagle. E está com duas irmãs cujo pai é o líder deles. Uma das quais, basicamente, acabou de dar um chute nas bolas da Colônia ao dizer-lhes que agora é uma prostituta e que adora o que faz.” “Eles são sérios sobre o que estão tentando criar,” Leo pondera, pensativo. “E não vão deixar alguém como Sky entrar na cabeça do seu povo por desrespeitar o líder.” Em outras palavras, podemos ver a merda de uma grande tempestade vindo em nossa direção. A única coisa boa que sei é que uma vez que os irmãos ouvirem essa história ficarão felizes em acabar com os bastardos se vierem até nós. Os homens no clube não perdoam no que se refere a respeitar suas mulheres e qualquer mulher, de fato. Os caras estão usando jovens perdidas sem ninguém no mundo como reprodutoras. Que tipo de pessoa doente e demente consegue elaborar uma ideia destas? Apenas o tipo de gente que merece uma bala na cabeça. E ficarei muito feliz em entregar isso, em primeira mão.

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Skylar

Muitas vezes me perguntei como diabos deixarei o clube, sabendo que a cama que tenho aqui é a coisa mais confortável em que já dormi. É suave e macia como uma maldita nuvem e Eagle rapidamente percebe e odeia com uma paixão feroz, citando seu amor por dormir numa superfície dura. Ele logo fecha a boca quando digo que está tudo bem se ele quiser ir dormir em outro lugar, tentando não pular exteriormente de alegria quando ele acaba rolando e puxando-me para seus braços, resmungando para si mesmo até adormecer. Gosto de tê-lo ali. Mais do que gosto e isso está seriamente bagunçando minha cabeça. Uma sacudida me acorda com um susto e quase caio da cama. Ainda estou me acostumando a ter alguém no meu espaço à noite, uma vez que passei os últimos anos com os irmãos entrando e saindo, nunca permanecendo para a noite. Enquanto a maioria deles é doce, não há muitos que tem um lado fofo. E por não ter muitos, quero dizer que Eagle é o único cara na história desde que estou no clube que passa a noite inteira na minha cama. E isso já aconteceu mais de uma vez desde que voltamos de Dallas na semana passada. Esfregando os olhos e lutando para me ajustar à escuridão, meu coração acelera quando vejo Eagle sentado na cama, com o

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peito arfando e os dedos arranhando a garganta como se lutasse para respirar. Coloco a mão em suas costas e seu corpo salta como se estivesse chocado, então a retiro rapidamente. “Eagle?” Tento manter minha voz suave e calma. “Eagle, você está bem?” Ele não olha enquanto me arrasto para mais perto, tentando ficar na frente dele. Seus olhos estão arregalados como se estivesse com medo, mas vidrados e olhando para frente, não focalizando nada em particular. Lembro-me do jeito que ele reagiu quando subi na moto atrás dele pela primeira vez e passei os braços ao redor de seu corpo. Foi como se a pressão do meu corpo contra ele, tivesse provocado um episódio, parecido com este, onde seu coração está acelerado e ele sente como se não pudesse respirar, embora nada o esteja impedindo. “Eagle, você precisa respirar” digo, lentamente e com firmeza. “Inspire comigo, vamos lá.” Faço uma grande cena sobre inspirar e expirar com força e profundamente, dramaticamente mostrando a ele como meus pulmões estão cheios. A respiração ofegante em sua garganta está diminuindo um pouco e o pego piscando algumas vezes. Então continuo, determinada a ajudá-lo a lutar contra os demônios em seu cérebro. Dói vê-lo tão perdido, mas também me sinto bem de saber que talvez possa fazer algo para ajuda-lo ou pelo menos, posso sentar aqui e segurar sua mão até tudo passar. “Inspire” digo a ele novamente, fazendo a mesma coisa de antes. Estendo a mão e toco a sua. Ele está segurando o lençol com tanta força que sei que nunca poderia arrancá-lo de seus dedos, mas tento tudo que é possível para aliviar o fluxo esmagador de emoções e memórias que tenho certeza estarem povoando sua mente neste momento.

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“Inspire” digo mais uma vez e isso parece ser o pontapé inicial. Seus olhos de repente focam em mim e ele engasga de um jeito muito parecido com o que alguém faria se estivesse dormindo e de repente acordasse de um sonho ruim. “Respire, inspire e expire” sussurro suavemente. Estendo a mão e ligo a lâmpada ao lado da cama, ela brilha apenas o suficiente para que possamos nos ver adequadamente. Há suor brilhando na testa e no peito de Eagle e seu cabelo está uma bagunça, espetado em todas as direções. Continuo preguiçosamente a esfregar as costas de sua mão enquanto ele se concentra em respirar e tomar consciência de onde está, de que ele está seguro e que não está sufocando. "Porra" ele amaldiçoa suavemente, afastando os cobertores e saindo da cama, deixando-me sentindo falta do calor de sua mão na minha. Ele vai pegar uma garrafa de água que está na minha mesa e bebe. Mesmo com a luz fraca, noto que sua mão está tremendo antes dele soltar a garrafa de água na mesa. Quero deixá-lo ter seu momento, deixá-lo acalmar a mente. Não pode ser fácil entrar nesse tipo de estado, em que posso dizer pelo jeito que ele está agindo, que as sensações são dolorosamente reais. Tenho muitas lembranças, algumas horríveis e enquanto me deixa mal pensar nelas, não posso imaginar ter que reviver esses momentos de novo e de novo. “Sei que perguntar se está bem é estúpido, mas realmente quero que esteja." Ele respira fundo, quase soando como uma tentativa de rir antes de voltar para a cama e se recostar na cabeceira, olhando para o teto. "Sabe..." ele começa, sua voz ainda rouca, "... a maioria dos irmãos nunca me viu ter um episódio." Viro o corpo para encará-lo, enfiando o lençol a minha volta. "Que maneira de fazer uma garota se sentir especial" provoco, apreciando o jeito que o canto de sua boca sobe. "Posso perguntar?"

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Ele fecha os olhos antes de reabri-los, o olhar fixo em mim. "Perguntar o quê?" Lambendo meus lábios, tento fazer minha boca formar as palavras, mas no último segundo me acovardo e balanço a cabeça. "Não importa" digo a ele com um sorriso gentil. Realmente não é da minha conta. Passei anos deixando os irmãos fazerem suas coisas, nunca fazendo perguntas pessoais a menos que fosse algo que eles começaram. "Devemos voltar a dormir. Está melhor agora?” “Sky" ele resmunga, mas olho para o outro lado apagando a lâmpada. A grande mão de Eagle agarra meu pulso, segurando-me e não me deixa virar. "Basta fazer a maldita pergunta." Olho para ele por baixo dos cílios, ele já sabe o que vou perguntar, claro, ele sabe, ele não é estúpido. Mas minha boca fica repentinamente seca ao perceber que, uma vez que entrarmos nisso, pode ser um ponto sem retorno. As coisas estão prestes a ficarem realmente íntimas, não no sentido sexual, mas de certo modo ele está me deixando entrar para ouvir sobre uma parte de si mesmo que ele esconde de quase todo mundo. “"Por que..." limpo a garganta, sentindo o crepitar de emoção. "Por que sente que não consegue respirar?" Eagle rapidamente se transformou de um homem do qual eu não conhecia nada, para alguém que sinto poder confiar para qualquer coisa, e que quero ajudar quando ele sentir como se o mundo ao seu redor estivesse desmoronando. Ele ficou por mim, sem perguntas, sem questionamentos. Nós dois queremos nos proteger e nos colocar no caminho dos demônios do passado do outro. Só tenho a necessidade esmagadora de saber sua história, descobrir quem ele era e o que aconteceu para fazer dele a pessoa que é hoje. Não estou tentando consertá-lo, ou pensar que serei a única a tirar sua dor. Mas a história é parte dele, e isso a torna essencial.

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Passam alguns segundos antes de seu corpo realmente relaxar contra a cabeceira da cama e ele começar a explicar. ““Leo e eu servimos juntos. Estávamos na mesma unidade há anos, todos fomos implantados juntos, enviados juntos. Houve momentos em que tivemos que sentar por horas no meio do nada esperando por coletas ou desistências.” Escuto atentamente, pegando o travesseiro atrás de mim e abraçando-o. “Sabia tudo sobre cada um desses homens e mulheres. Eu conhecia seus filhos. Sabia seus aniversários. Sabia que tipo de comida odiavam. Porra, até sabia em que data as garotas deveriam ficar menstruadas.” Ele revira os olhos, mas posso ver o canto de sua boca se contorcer como se aquela lembrança fosse, pelo menos, agradável. Não dura muito, porém, uma máscara de devastação cai sobre ele e seus olhos focam no nada. Meu coração dói. Quero ouvir sua história, mas vê-lo desse jeito só me fez querer envolvê-lo nos braços e balançá-lo de um lado para o outro como uma criança. Preciso consolá-lo, não me importo com nada, além de ter certeza de que ele está bem, e agora, ele definitivamente não está parecendo nada bem. Arrasto-me pela cama. Ele levanta as mãos para me impedir, mas as afasto do caminho e subo em seu colo, colocando as mãos em seu peito. Já estivemos nessa posição antes no hotel a caminho de Dallas. Posso sentir seu corpo instantaneamente relaxar enquanto me acomodo lá, apoiando-o, mas não o colocando no ponto aonde vai se perder novamente. Ele está perdido em sua história, os olhos vagando, mas suas mãos traçam padrões suaves enquanto relaxam na minha coxa. "Estávamos indo para o aeroporto" ele sussurra. Meu estomago afunda. Sei aonde isso vai. Eles vinham para casa. Estavam prestes a sair da zona de guerra e voltarem para suas famílias.

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“A estrada já deveria ter sido varrida. Leo diz que foi culpa dele, mas não foi, a culpa foi da equipe à nossa frente que confiamos e não conseguiu fazer um trabalho correto.” Um frio está se instalando em meu corpo, mas não deixo me atingir, não me movo para puxar o cobertor ao meu redor. Apenas me concentro nele. “Foi um IED6. O pneu dianteiro falhou, apesar de estar perfeito. Jogou-nos pelo ar. Rolamos algumas vezes antes de pousarmos na nossa porra de telhado." Ele faz uma careta, balançando a cabeça. “Leo e eu éramos os mais próximos da frente e do lado oposto. Os caras morreram instantaneamente." Suas mãos sobem pelo lado dos meus quadris e fazem cócegas na minha cintura, mas os olhos ainda estão focados por cima do meu ombro, como se ele estivesse explicando e assistindo acontecer numa televisão ou tela de cinema. “Não percebi na época, mas quebrei uma costela e ela perfurou meu pulmão" explica ele, soltando uma risada como se fosse engraçado ele estar tão seriamente ferido e não saber. “Estava lutando para respirar e havia coisas atrapalhando. Coisas me pressionavam e eu só queria lutar contra elas, então empurrei o que quer que fosse para tentar encontrar aquele ar fresco, assim como no carro em chamas, e Leo tentava me dizer que nosso pessoal estava a caminho." Aí está, a adolescente que caiu e o cheiro de fumaça foram como um tapa na cara. É por isso que ele congelou e não foi capaz de se mover. "Tive uma concussão também" ele continua, engolindo com força. "É por isso que não percebi na época que o que estava me sufocando eram na verdade braços e pernas dos meus companheiros de equipe que estavam pendurados."

6

IED- Dispositivo Explosivo Improvisado: é uma arma extremamente perigosa e eficaz, que o Exércitos que estão em conflito atualmente enfrentam.

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Por um segundo me pergunto se meu coração é capaz de conter a pressão que está se formando, cheio de tanta dor, batendo tão forte. Lágrimas escorrem por meu rosto e as enxugo com as costas da mão, atraindo a atenção de Eagle de volta para o meu rosto. “Não chore" diz ele, tomando meu rosto nas mãos e usando os polegares para limpar debaixo dos meus olhos. “Sinto muito" sussurro, fungando suavemente. Tudo começa a fazer sentido agora. A razão pela qual é atraído para lá quando sente que está sufocado, as memórias dos corpos dos seus amigos o pressionando. Ele balança sua cabeça. "Não sinta. Cada um de nós foi lá, sabendo que havia uma chance de não conseguir voltar. Sabíamos que não seria bonito e uma porcentagem razoável de homens e mulheres que serviram ao mesmo tempo em que eu, retornaram com PTSD7.” Ele deita a cabeça contra a cabeceira da cama e suspira. “Isso afeta as pessoas de diferentes maneiras, para algumas é pior do que outras. Alguns dias me sinto normal. Outros me esforço para arrastar a bunda da cama. Episódios como este, drenam minha energia e me deixam exausto.” Lambo os lábios secos, sentindo o gosto do sal das lágrimas que escaparam e secaram ali. "Não vou fingir que sei alguma coisa sobre PTSD, então, por favor, não se ofenda, mas será que vai embora?" “Sem ofensa. Mas é difícil, sabe?" Ele diz baixinho. “Ter pessoas constantemente perguntando coisas como... ei, você está se sentindo melhor? Como vão as coisas? Oh... vai levar tempo, mas vai chegar lá." Ele aperta as mãos em punhos e minha reação instantânea é cobri-las com as minhas, tentando acalmar a frustração que sei que ele deve estar sentindo.

7

PTSD - Perturbação de stress pós-traumático: Um distúrbio caracterizado pela dificuldade em se recuperar depois de vivenciar ou testemunhar um acontecimento assustador.

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Não deve ser fácil ter que constantemente informar às pessoas que tudo ficará bem ou ficar minimizando o que sente. "É como se as pessoas não tivessem a mínima ideia" ele retruca, seus olhos encontrando os meus, cheios de dor e raiva. “Elas não têm ideia de que isso é provavelmente tão bom quanto possível. Sim, tudo bem, está melhor do que era, mas sempre haverá gatilhos, sempre haverá lembranças na minha cabeça.” Seu corpo treme, quero consolá-lo, não dizer a ele que tudo ficará bem ou que ele passará por isso, mas mostrar a ele que é bom sentir como ele está fazendo. "Já disse antes, não quero te consertar. Mas se há algo que possa fazer para tornar os tempos sombrios mais claros, então só precisa dizer.” Uma de suas mãos estica e os dedos emaranham em meu cabelo. Ele me puxa para frente e apoio as mãos em seu peito enquanto me inclino, seguindo sua liderança. "Confie em mim quando digo, você já faz" ele murmura antes de seus lábios colidirem com os meus, criando faíscas, iluminando a sala escura com a eletricidade de nossos corpos. O beijo é lento, apaixonado e intenso. Não como antes. Estou me envolvendo, provavelmente demais. Mas quando Eagle me toca, não consigo encontrar forças para me importar.

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Skylar

Faz cerca de duas semanas desde nossas escapadas em Dallas. Estou trabalhando pra caramba para tentar fazer o máximo de dinheiro possível para que em alguns meses, possa ter o suficiente para conseguir meu apartamento e ter Emerald vindo morar comigo. Infelizmente, não há muita coisa que possa fazer. Apesar de Op estar feliz em me deixar tirar algumas horas todos os dias para trabalhar na loja de Sugar, não há como ele permitir que eu tenha outro emprego além dos trabalhos da faculdade, que pego o máximo possível para poder terminar antes de ir embora do clube e eles pararem de pagar por isso. As coisas estão apertadas, e só piorarão porque não vejo minha irmã saindo de sua concha tão cedo para conseguir um emprego. E embora a ideia de estudar a anime, há pouca chance dela ser capaz de fazer isso até que eu encontre uma maneira de pagar as mensalidades. Até os meninos do clube me deixaram em paz enquanto corro entre o trabalho, a faculdade e visitar Emerald. Não sei exatamente por quê. Talvez porque só estou no clube quando preciso dormir. Ou talvez, por todo o drama e estresse que estou passando, Op disse a eles para me dar espaço? Todos, exceto um que estou começando a achar que não me importo nem um pouco com a companhia. Eagle. Ele passou mais do que um punhado de noites comigo e a cada vez dormimos. Ele sempre vai embora de manhã. Tento não me sentir desapontada, não tenho o direito de me sentir

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desapontada. Também não sinto ter direito de saber para onde vai, já que quando saio da cama ele não está no clube. De repente, ele não é o cara assustador. Ele é um cara com quem posso conversar sobre meu dia, que realmente ouve o que tenho a dizer. Ele zomba de mim e respondo, gostando do jeito que se tornou um jogo. Um que muitas vezes termina em nós dois nus. Não tenho certeza do que sinto. Com todos os outros garotos mantendo-se longe, estou confusa, mas também um pouco grata por ainda não ter tido a experiência de ter outro homem me tocando quando tudo o que senti por quase duas semanas foi ele. "Como está indo Emerald?" Sugar pergunta, enquanto loucamente encontra mais roupas para Emerald experimentar. "Não sei, Sugar" Emerald diz, sua voz trêmula. "Estarei aí em um segundo para ajudar" Sugar grita de nossa posição na sala. Fazem algumas semanas desde que Emerald apareceu na porta. Houve alguns dias em que me encontrei no limite, imaginando se foi difícil lidar com isso quando fui embora. Mas tento passar o maior tempo possível com ela, porque de verdade, é incrível ver seus olhos se iluminarem toda vez que ela experimenta algo novo que ama. Como agora. Estou sentada no balcão da loja enquanto Sugar tem Emerald na parte de trás, usando minha irmã como sua Barbie. Emerald está lentamente se tornando mais aberta para roupas normais que não chegam até o tornozelo ou tem mangas compridas, ela finalmente cedeu esta manhã e me disse que pensava em experimentar um jeans. Quando contei para Sugar, ela ficou tão animada que fechou a loja uma hora mais cedo e mandou Deacon soltar Emerald para que pudéssemos brincar. Ela começou a puxar todas as calças que

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tinha nas prateleiras - mesmo aquelas que eu nunca ousaria usar, e todas as modestas, além de extravagantes camisetas. Vejo alguns vestidos na prateleira e balanço a cabeça enquanto Sugar sorri de orelha a orelha. "Como está indo, Em?" Sugar diz quando vai para a porta do provador, batendo o pé com impaciência. Sorrio e ela faz uma careta. "Quieta." "De repente, não tenho tanta certeza sobre isso" a voz de Emerald diz com uma ligeira agitação. Sugar revira os olhos, mas coloca um sorriso perfeito. "Baby, só eu e sua irmã estamos aqui, ninguém mais vai te ver ou julgar." "Deus vê tudo" Emerald responde duramente, antes de abrir a porta e espreitar através da abertura. "Você está certa, ele vê, portanto já viu o que está vestindo e ainda não te puniu, então não vai piorar as coisas se abrir a porta" Sugar responde num tom que me faz querer rir novamente. "Ok fada madrinha" bufo. "Vamos lá, aposto que está incrível" digo, pulando do balcão e indo em direção a elas. Ela morde o lábio por um segundo, os olhos vagando entre Sugar e eu pelo menos cinco vezes antes de finalmente respirar fundo e empurrar a porta. Minha boca abre e Sugar realmente salta na ponta dos pés e bate palmas. Sugar lhe deu um jeans boca de sino com um lindo suéter branco e felpudo que apenas roça o cós. Emerald está puxando-o suavemente, tentando puxá-lo ainda mais, um leve rubor nas bochechas. Ela está olhando para o chão, um pé cruzado sobre o outro num gesto nervoso, mas não consegue esconder o sorriso em seu rosto que me diz que ela está amando. "Você está autorizada a gostar, Em!" Encorajo, avançando e pegando suas mãos nas minhas. Ela finalmente olha para cima, os olhos brilhando. "Diga-me que gosta."

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"Eu pareço bonita" ela sussurra, e neste momento meu coração aperta. Disse a ela desde que éramos pequenas que ela é linda, tão incrivelmente única com seus longos cabelos negros e olhos verdes, mas Emerald nunca ouviu essas palavras de mais ninguém. Nem da mãe, nem do pai. Cabelo loiro e olhos azuis sempre foram preferidos na Colônia. Eles dizem que aqueles com essas características são os mais puros, os mais inocentes e menos capazes de serem corrompidos pelo diabo. Acho que tive sorte com meus genes em alguns aspectos, nem tanto em outros. "Você está deslumbrante," Sugar diz, avançando e destorcendo as mãos de Emerald do suéter de algodão e guiandoa para um grande espelho. Emerald está encantada com a imagem refletida, torcendo o corpo para se ver de todos os ângulos. Sorrio. "Quem diria, minha irmã tem uma bunda melhor do que a minha," brinco, fazendo-a girar, sua boca aberta enquanto lutava para encontrar palavras para discutir. Levanto a mão. "Pare, estou brincando com você. Sua bunda é ótima, mas a minha ainda é melhor." Seu corpo relaxa, parecendo meio aliviado, desapontado por ela não ter um traseiro melhor. Limpando a garganta, experimentar mais?"

ela

vira

para

Sugar.

meio "Posso

Sugar parece ter visto o próprio céu abrir e Jesus descer. "Sim! Deus sim!" Ela guia Emerald de volta ao provador, jogando várias peças dentro e imediatamente fecha a porta. "Vou escolher mais algumas coisas, espero que esteja se sentindo ambiciosa agora que sabemos que você tem esse corpo sexy debaixo das roupas!" Sugar salta antes que Em possa protestar e sorrio baixinho, sentada no pequeno divã do lado de fora da porta.

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"Tenho certeza de que mamãe e papai não aprovariam essas roupas" diz ela enquanto se arrasta e tira o corpo do jeans. "Abel, sem dúvida, seria enviado para me punir." Encolho-me com as palavras. Parece que meu irmão é realmente o agente da nossa família. Pergunto-me como o menino doce que costumava beijar meus arranhões e machucados quando era pequena, transformou-se no homem que é a razão deles. Posso dizer pela mudança no tom de voz de Emerald, que falar do nosso irmão mais velho a faz se sentir desconfortável. Ele ainda me faz sentir isso também, mas acho que se talvez ela ouvisse o que Eagle fez, possa se sentir um pouco mais forte, mais confiante em saber que ele não é invencível. "Eagle deu um soco no rosto de Abel" digo de repente e vejo seus pés congelando sob a porta. Ela não responde no início, então começo a balbuciar, tentando ajudar a entender o que acabei de dizer. “Ele estava em Dallas na semana passada quando passamos lá. Ele se aproximou de mim dizendo merda. Zombou por eu ter fugido e me deu um tapa." Seu pequeno suspiro me encoraja a continuar. "Disse a ele o que faço para o clube e todos os meninos ouviram, só sei que toda a Colônia provavelmente sabe agora. Pergunto-me o que nosso pai tem a dizer sobre isso.” Emerald começa a se mover novamente, posso ouvir o farfalhar, coisas saindo de cabides e outros sons. Não sei se posso adivinhar o que nosso pai teria a dizer quando Emerald suavemente abre a porta. "Não o vejo há mais de seis meses." Faço uma careta quando ela mais uma vez espia pela porta. "Seis meses?" Sua cabeça assente. “Recebíamos mensagens como se não fôssemos parte de sua família, mas como qualquer outro membro

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da Colônia. Não somos mais especiais ou importantes, disseramnos que ele teve um chamado maior.” Fico um pouco triste ao pensar que meus irmãos e irmãs mais novos estão crescendo sem ao menos conhecer o pai, mas por outro lado, feliz em saber que não terão que sofrer como nós quando ele estava infeliz. Há vezes em que me lembro de amar meu pai? Talvez quando era muito jovem e minha mãe falava sobre ele como se fosse algum super-herói que iria nos salvar e levar a um lugar bonito para podermos viver para sempre. Mas, mesmo assim, como posso amar alguém que mentia tão descaradamente para sua família? Emerald sai e quase caio no chão. O vestido de flores que ela usa é de manga três quartos e vai até o joelho. É púrpura com flores rosas e combina com seu tom de pele extremamente pálido. O vestido acentua sua cintura com um decote alto que mantinha sua aparência modesta enquanto exibe sua figura. "Garota malvada" sorrio. Não há mais constrangimento, seu rosto ilumina brilhantemente como se estivesse se vendo pela primeira vez. "Nunca imaginei que ficaria tão bonita, nem mesmo no dia do meu casamento" ela sussurra enquanto vai em direção ao espelho com admiração. Estou tão orgulhosa dela por encontrar um pouco de confiança. “"Nunca me disse qual o nome dele, o homem com quem ia casar" pergunto em voz alta, e seus ombros tensionam. "O nome dele é Brock Obrien" diz ela, com a voz cheia de nojo de ter que dizer o nome dele. Franzo meu nariz. "Quando nosso pai deixou entrar esse homem que não se veste como nós?"

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Seus olhos encontram os meus no espelho. "Quando Brock começou a trazer mulheres." Meu coração para. "O que quer dizer?" “Jovens garotas estranhas. Alguns dos homens começaram a trazê-las com eles para a igreja.” Emerald explica, os olhos brilhando como se estivesse vendo acontecer em sua cabeça. “Algumas ficaram com muito medo. Outras nos pediam ajuda. Sabia que não estavam lá porque queriam estar, mas não há nada que eu pudesse fazer. Poderia ser punida" diz, balançando a cabeça. Abro a boca para perguntar mais, mas Sugar vem correndo. "Wow" ela diz com total admiração, em seguida, começa a jorrar sobre o quão perfeito o vestido ficou nela. Ainda estou tentando entender o fato de que esses estranhos, esse homem Brock e garotas de fora da Colônia, são levadas e vão à igreja com os homens. Algo está errado, posso sentir isso no meu íntimo, dentro da porra da minha alma. Quantas pessoas mais eles vão machucar? Até onde vão para conseguir o que querem? Sinto que estou a ponto de descobrir.

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Eagle

Chegando em Athens, minha primeira escala é levar Skylar de volta à sede do clube e, depois dar um passeio até Sunshine Cottage Min e verificar o progresso de Megan e Cleo. Quando entro na área da recepção noto as cores brilhantes nas paredes e a equipe alegre e animada cuidando do seu trabalho para salvar vidas. Liguei e arranjei um quarto após o acidente e estou esperançoso que Megan ainda esteja aqui e aceitando a ajuda que precisa tão desesperadamente. “Olá, posso ajudá-lo?", a recepcionista alegre diz enquanto atravesso as portas. Seu sorriso radiante é acolhedor, mas também posso ver o jeito que ela me avalia. Eles são cuidadosos e cautelosos aqui e assim deve ser. Estão protegendo pessoas e todos que entram pela porta que não reconhecem, são uma ameaça em potencial. "Sim, sou Eagle" digo a ela com um sorriso convencido e seus ombros relaxam instantaneamente, a postura se tornando menos defensiva quando ouve meu nome. "Megan e Cleo, espero que possa vê-las?” “Claro, vou ligar e verificar para você.” Depois de um curto tempo, uma jovem entra na área da recepção e me guia pelo corredor até o quarto de Megan. “Megan e Cleo estão lá. Elas estão ansiosas para vê-lo.”

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Depois de uma batida rápida, cuidadosamente viro a maçaneta e abri um pouco para olhar dentro. Megan tem Cleo em sua perna e acaricia suavemente seu cabelo. Ela olha para cima. "Eagle, estou muito feliz em te ver." "Como está? Estão te tratando bem?” Olho ao redor. O quarto é simples com uma cama um berço para Cleo, uma TV que toca silenciosamente e um banheiro. Não é nada extravagante, mas um lugar onde ela pode se sentir segura por um tempo até descobrir seu próximo passo. “Este lugar é incrível. Eles são tudo o que posso precisar para Cleo e, acima de tudo, sinto-me segura e protegida. Eles também estão procurando moradias para mim, pois sei que não posso ficar aqui para sempre.” Ela me olha, seus olhos brilhando na luz. "Sinceramente não posso agradecer o suficiente por tudo que fez por mim, Eagle." Ela parece muito jovem para estar segurando aquela preciosa vida humana nas mãos. Sinto-me excessivamente protetor com ela e Cleo. Não tenho certeza do porquê mais há apenas uma parte minha que se sente responsável por elas. "Quer segurá-la?" Megan sorri, estendendo Cleo dormindo para mim. Meu corpo gravita em sua direção e movo o braço para perto do meu corpo para que Megan possa acomodá-la na dobra do meu braço. Passo o dedo pelo topo de sua cabeça, os fios do cabelo do bebê parecendo seda contra minha pele. "Você não tem nenhuma família por perto que sinta falta dessa pequena?" Pergunto, mantendo os olhos no bebê, mas percebendo a maneira como a cabeça de Megan caí com a menção de alguém que possa se importar. "Não" ela responde, sua voz um sussurro cauteloso. “Minha mãe nunca esteve por perto. Meu pai morreu na ativa alguns anos atrás, foi quando minha madrasta conseguiu minha custódia. Ela

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deixou bem claro que odiava como eu a lembrava do meu pai todos os dias.” Meu lábio se curva num sorriso de desprezo, e rolo os ombros, tentando manter a agitação sob controle e me concentrar em Cleo. "Ela quem deixou as contusões?" Ela limpa a garganta. "Novo marido" ela responde simplesmente indo direto ao ponto, deixando-me saber que não haverá mais discussão sobre esse assunto hoje. Tenho no meu interior a porra de certeza que essas duas palavras também serão a resposta para a pergunta: "Como terminou tendo Cleo?" Mas escolho deixar isso em paz, percebendo o jeito que Megan já está se fechando. Não quero tirar o brilho dela, o que encontrou em Athens. Posso dizer que ela já está se sentindo mais otimista e empolgada com o futuro. A conversa sobre o padrasto pode esperar mais uns dias, mas ficará no fundo da minha mente e vou descobrir. E então decidir o que fazer com essa informação. “Então vai ficar por aqui?" Questiono, tentando não sorrir quando Cleo pisca para mim com sono e estica os pequenos braços e pernas, acertando seu pé minúsculo em minhas costelas. Essa pergunta traz um sorriso gentil de volta ao rosto de Megan. "Sim, ouvi que Athens é legal." Balanço a cabeça em concordância, feliz que por agora, elas estão próximas e eu ou o clube poderemos ajudá-las, se necessário. "É, muito legal."

Polir minha moto é como uma espécie de terapia.

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Sei que alguns dos irmãos muitas vezes têm os prospectos fazendo isso, mas acho um pouco calmante e há poucos homens em quem confio para tocar meu bebê. Esta moto me carrega por todo o país, é uma terapia quando me sinto preso ou sobrecarregado. Apenas limpá-la, fazê-la brilhar, devo isso pelos momentos em que ela me salvou. "E aí cara." Olho por cima do ombro e vejo Leo parado na porta da garagem. Está ligada ao fundo do clube, um lugar onde os irmãos podem vir consertar seus brinquedos, construir merda, ter um pouco de paz e tranquilidade de um ambiente que está se tornando um pouco louco, já que temos mais irmãos se juntando as fileiras e um punhado de bebês e crianças enchendo o espaço como nunca. É tudo um aprendizado para nós e estou vendo os membros mais velhos do clube procurando casas perto, mas longe do grupo jovem entrando. Eles respeitam as Old Ladys e o fato de ter crianças no clube, mas também querem viver a vida que todos nós procuramos no clube. Festas, bebidas, garotas, ir à igreja com uma ressaca do tamanho do fodido Texas. Chegaremos a um ponto em que sentaremos e decidiremos onde está o equilíbrio. “Ei, apenas me certificando de que minha garota está limpa e brilhante" digo a Leo quando viro e passo um pano no tanque de gasolina. Leo ri. "Bem, pode parar de tocá-la por apenas um minuto, há alguém aqui perguntando por você." Paro, cruzando os braços quando viro. "Quem?" Pergunto, mas ele já está voltando pelo corredor que passa pelo escritório de Op e leva até a sala principal. "Oh, pelo amor de Deus," murmuro em aborrecimento e jogo o pano num banco antes de seguir atrás dele. Assim que chego perto o suficiente, vou dar um tapa na cabeça dele.

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Leo para na porta e faço o prometido. Ele esfrega o local e faz uma careta. "Esta é a última vez que faço algo legal para você, idiota." “Que porra..." minhas palavras somem quando finalmente me concentro no cara em pé do outro lado da sala. Bem, não exatamente em pé. Ele está apoiado num par de muletas e sorrindo para mim como o bastardo arrogante que sei que ele é. Corro pelo cômodo, meus braços envolvendo meu irmão e levantando-o do chão, suas muletas caindo. “Ponha-me no chão, seu idiota!” Ele ri, mas apesar de seus protestos, está me apertando tão firmemente quanto eu a ele. "Estou quebrado, você precisa ser gentil." Soltando-o, coloco-o no chão e ajudo a sentar numa cadeira na mesa mais próxima. "Isso que diz a todas as enfermeiras?" Ele sorri, o sorriso infantil e quase inocente é um que o tirou de praticamente todas as situações de merda desde que éramos crianças. Enquanto era quieto e gostava de tomar meu tempo avaliando uma situação, Jake é o tipo de cara com a atitude de "vamos fazer isso e ver o que acontece". Uma que sei ter diminuído desde que se juntou ao exército, mas ainda aparece aqui e ali, deixando seu oficial de comando louco. "Sério, o que diabos está fazendo aqui?" Pergunto, puxando uma cadeira e sentando na frente dele. Leo se aproxima com um sorriso no rosto e senta à mesa pequena. “Ele ligou um dia, quando saiu, para perguntar se poderia vir por uma semana ou mais até ter um espaço aberto na unidade de reabilitação em Washington. Perguntei a Op, ele disse que sim, então simplesmente não contamos a você." “"Foda-se" murmuro, mas com um sorriso no rosto. Gosto do fato de que deixaram meu irmão vir para ficar, não é frequente termos forasteiros permanecendo na propriedade.

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Jake agarra sua perna, seu rosto se contorce quando ele a puxa para mais perto da mesa. "Ok, então me conte. Quanto dano o tiro causou?" Ele me olha como se estivesse irritado por eu ter descoberto. Ele está com dor e sei que a ferida ainda é recente, mas meu irmão também é muito forte, então para ele mostrar sinais de que está desconfortável, há algo errado. "Nada que não consiga resolver" ele diz, tentando me dispensar com um aceno de mão, mas o encaro, completamente insatisfeito. Sua testa franze. "Bem. Há alguns danos nos nervos, e um pouco de dano muscular, mas espero poder reconstruí-los.” Olho meu irmão mais novo, não gostando do jeito que ele está tentando amenizar as coisas como se não fosse grande coisa. Dano nos nervos e muscular são um grande problema. Tudo depende de sua recuperação, mas estas são coisas que podem impedi-lo de fazer o trabalho que ama. “Sério Jake, você quase morreu. Não finja que isso não é nada ou que será moleza. Será difícil,” digo a ele, minha voz severa como costumava falar com ele quando era mais jovem e tentava fingir que suas notas D eram apenas um ponto de partida para negociações com a professora. Posso vê-lo lutando contra o desejo de revirar os olhos. Tento não entrar no papel de pai com muita frequência por causa do relacionamento que temos com nosso pai de verdade, mas odeio quando ele não leva a sério, especialmente sua saúde e como isso pode afetar seu futuro. Nossa infância foi uma bagunça fodida. Jake e eu temos duas irmãs gêmeas mais novas, que eram apenas bebês na época em que nosso pai perdeu a cabeça. Papai perdeu seus direitos e não viu mais as meninas já que foram adotadas e honestamente, não fiquei chateado com isso. Queria que tivessem uma vida melhor, onde não teria que responder perguntas sobre por que a mãe delas está morta e o pai na cadeia

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- pelo menos até terem idade suficiente para ouvir a resposta honesta. Jake e eu nos mudamos para a casa de nossa avó. Ela era muito velha para realmente fazer mais do que manter comida na mesa e nos dar um lugar para dormir e é por isso que as gêmeas não podiam vir conosco, mas essa foi a única opção na época. O único jeito de ficarmos juntos e evitar um orfanato. Acabei me juntando ao exército quando Jake tinha quatorze anos. Ele continuou a viver com nossa avó, mas fui eu que tentei ir a todos os seus jogos esportivos quando estava em casa e conversar com seus professores sobre onde ele estava academicamente. “O que tiver de ser será" diz Jake, seus ombros caídos. "Ninguém sabe o que vai acontecer, tenho que esperar até poder fazer fisioterapia e, em seguida, dar o meu melhor." Estendo a mão e dou um tapa nas costas dele. “E sei que vai. Se alguém pode lutar com isso e voltar é você.” Tenho fé em Jake, ele vai lutar com cada grama de força que há para voltar para sua equipe, porque é isso que ele ama, o exército é onde se realiza. Ele nunca foi estudioso, mas praticava esportes e era muito bom em qualquer um que tentasse. “Ok, então agora que a merda de vínculo sentimental acabou, podemos tomar uma bebida ou algo assim?", ele pergunta com um sorriso. Leo levanta uma sobrancelha. “Está tomando analgésicos?” “Nada louco, só a merda prescrita” ele responde, recusando a observação de Leo. “Cerveja então,” Leo sorri e vai para o bar. Sentamos conversando e tirando o atraso por algumas horas, não nos movendo desse ponto. Meus irmãos vêm e vão, aqueles que não conhecem Jake se apresentam e imediatamente forjam uma conexão com ele. Jake é a vida da festa, um pouco

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arrogante, um palhaço, mas no fundo é um garoto doce que tem muito amor pelas pessoas que ama. Ele irá protegê-los, sem perguntas, razão pela qual ele se conecta tão bem com meus irmãos de clube, porque é exatamente isso que defendemos. Jake está conversando com Blizzard e olho para cima quando ouço a risada suave de Skylar flutuar, seguido de perto com seu corpo. Ela é apenas uma das pessoas cuja presença entra na sala e ilumina-a com energia positiva. Ela e Jess estão rindo como garotas de escola e brincando empurrando uma a outra. “"Sky!" Digo, chamando sua atenção para mim. Seu sorriso irradia e não posso deixar de sorrir quando aceno para ela. Ela dá um rápido adeus a Jess e caminha em nossa direção, seus quadris balançando com o sex appeal natural que amo. Não é forçado, é só ela. Seu cabelo loiro cai frouxamente em volta dos ombros e seus olhos me lembram do oceano, profundo, mas brincalhão. De alguma forma, Sky conseguiu passar pelo rosto irritado que inicialmente uso para evitar que as pessoas tentem se aproximar. Com meus irmãos sou muito mais aberto, ainda calmo e feliz por não ser o centro das atenções, mas sentindo que posso ser um pouco mais eu. Sky, por outro lado, me faz rir e me vejo apreciando sua companhia e ouvindo-a falar sobre as coisas que é interessada e apaixonada. Ela realmente é como uma bola de energia positiva e depois do que passou quando criança, admiro sua força e resiliência para não deixar que isso a manchasse e deixasse com raiva do mundo. Ela contorna a mesa e bate em mim com o quadril. “Como foi seu dia?” Ela pergunta alegremente. “Muito bom mesmo, na verdade,” digo, antes de apontar através da mesa para Jake, que está atentamente observando nossa interação. "Este é meu irmão, Jake.”

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Seus olhos se arregalam. “Oh uau! Sinto muito, soube que você se machucou, mas fico feliz que está bem.” Ele sorri. "Bem, obrigado... Sky, não é?" "Sky ou Skylar, está tudo bem" ela diz com um aceno de cabeça antes de olhar para mim. “Tenho que ir ajudar Jess a começar o jantar. Vejo você mais tarde?” “Acho que vou pedir comida,” murmuro, mas não passa despercebido e logo há um aperto no meu braço. Quase caio do meu maldito assento. "Puta merda, mulher!" Amaldiçoo, com a mão indo para o local e esfregando furiosamente para tentar aliviar a dor. Ela já está recuando com um sorriso de prazer, apontando para mim bruscamente. "Você vai comer e vai gostar, então Deus me ajude." As portas da cozinha a engolem e meu irmão não perde um segundo agora que ela está fora de vista. "Sinto muito, perdi a parte em que tem uma Old Lady?” Levando minha cerveja aos lábios, reviro os olhos. "Sky não é minha Old Lady" murmuro, encolhendo-me antes mesmo de dizer as outras palavras. "Ela é uma garota do clube." Três dois um. “Você está fodendo comigo, certo? Você gosta dela, posso dizer. Mas ela é uma garota do clube!” Sabia que ele iria notar que as coisas entre Sky e eu são um pouco mais do que o que ela tem com os outros garotos. E sabe o que, não dou a mínima. Imaginei que Jake fosse brigar, tentar me convencer a tornar a merda oficial. Mas realmente posso ver o fogo em seus olhos, um que eu realmente não tinha visto aceso com frequência. “Qualquer garota no mundo e escolhe uma que teve o pau de seus amigos dentro dela" ele diz do outro lado da mesa numa mistura de nojo e choque.

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Leo franze a testa para Jake. "Nem todos os garotos—" "Você já?" Jake responde, e um arrepio sobe por minha espinha porque sei que Leo em algum momento esteve com Sky, mas agora que tem Hadley, é como se o resto dessa merda sumisse. Não falamos sobre o passado das meninas. Harmony, Chelsea e Hadley em algum momento dormiram com irmãos, mas nenhum de nós as questiona ou as faz sentir que não merecem a felicidade por causa do que fizeram. Sim, Sky ainda é uma garota do clube e isso me afeta um pouco? Sim, acontece. Mas não penso menos dela por causa disso. Não me faz querer passar menos tempo com ela. De certa forma, acho que isso me faz querer passar mais tempo com ela, porque estou chegando ao ponto em que me pergunto se vale a pena buscar algo mais, só para ver onde as coisas podem ir. E quanto mais demoro, mais espero que ela possa ver as coisas da mesma forma e menos tempo para meus irmãos. "Jake!" Ameaço com um sério aviso no tom, esperando que ele feche a porra da boca agora porque Leo está o encarando com tanta intensidade que um homem mais fraco teria corrido. "Hadley era uma garota do clube, acha que não deveria estar com ela porque ela fodeu meus irmãos?" Leo pergunta, seu tom firme, mas posso dizer que ele está tentando não atacar Jake por respeito a mim. As costas de Jake ficam um pouco mais retas, mas a voz suaviza um pouco, o olhar enojado em seu rosto se transforma num que lembra tristeza. "Olha, não estou aqui para julgar o que elas fazem. Mas quero ter certeza de que a pessoa que meu irmão está tendo algum tipo de sentimento, não é o tipo de garota que só gosta de ser o centro da atenção dos homens e vai trocar de pau enquanto estiver se divertindo em outro lugar.” Leo me olha pelo canto do olho. Nós dois pensamos a mesma coisa.

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Isso não tem nada a ver com Sky e sim tudo a ver com algo que está acontecendo dentro dele. Jake levanta as mãos e força um sorriso. "Sinto muito, ok? Vou tentar guardar minhas opiniões na próxima vez,” ele brinca, procurando por suas muletas. "Agora, mostre-me onde vou dormir para poder deitar antes do jantar." Vou com ele, ajudando-o a ganhar equilíbrio. "Vamos princesa, melhor descansar sua beleza, porque acho que vejo uma ruga em sua testa." Ele tenta me bater com uma das muletas, mas saio do caminho. "Apenas espere, irmão." E assim, as coisas voltam ao normal. Sinto sua falta, mais do que pensava. Só espero que ele esteja dizendo a verdade quando fala em manter suas opiniões para si mesmo. Porque se ele disser essa merda ao redor de Sky, realmente vai me colocar num lugar onde não quero estar.

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Skylar

Passo os últimos dias evitando o irmão de Eagle, Jake e por sua vez, evitando Eagle, já que eles estão juntos a maior parte do tempo. Estou feliz por Jake estar aqui e que ele saiu da missão bem, porque vi o quão perto Eagle ficou de quebrar quando pensou ter uma chance de que seu irmão não voltasse para casa. A verdade é que o jeito que Jake me olha me faz sentir uma merda. Posso dizer que ele já formou sua opinião, seus olhos me seguindo com desconfiança quando estou perto de outros irmãos servindo bebidas ou apenas conversando. Não entendo porque ele está sempre me encarando como se estivesse apenas me esperando fazer algo que possa criticar. Tenho um trabalho a fazer e não é como se o clube exigisse que as meninas fiquem em seus quartos com as pernas abertas até que um irmão precise dela. Os irmãos não estão excitados a cada minuto do dia. A maior parte do tempo saímos quando os garotos não estão trabalhando, conversávamos sobre nossos dias, coisas que estão acontecendo, notícias e outras coisas na mídia. É por isso que adoro aqui, porque todos somos próximos e não há separação, como se eu não tivesse permissão para falar com os garotos ou besteiras desse tipo que sei acontecem em outros clubes. A curiosidade está enlouquecendo meu cérebro enquanto me pergunto por que Jake veio aqui e não está com a família ou se Eagle e Jake tem uma família. Tudo está sumindo em minha mente, mas há perguntas que não se faz a menos que a informação

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seja oferecida. Não quero parecer xeretar nos negócios de Eagle, então decido afastar meu nariz curioso completamente e o que descubro sobre mim mesma durante nesse tempo é que sinto falta de Eagle. Basicamente tenho uma lista de piadas e respostas que realmente começo a anotar num bloco ao lado da minha cama para poder usá-las mais tarde. Não ter nenhum dos outros garotos no meu quarto também não está ajudando, porque me confunde ainda mais. Parte de mim pode usar a distração, a fuga da tensão que o sexo oferece e a outra parte quer pular e correr e se esconder toda vez que ouço passos próximos da porta no caso de ser um deles precisando de algo. Sou um turbilhão estranho de estar num lugar onde realmente não quero pertencer a alguém, não quero me entregar. Talvez não no sentido para o qual fui criada, onde se é propriedade do seu marido, mas no sentido de dar a ele meu coração, permitindo que ele possua esse pedaço meu. E dar a esse homem o poder de me amar e encher minha vida com uma alegria incrível ou destruí-la completamente. Já faz muito tempo desde que um homem teve poder suficiente para me destruir, e não deixarei acontecer novamente. Uma batida na porta faz meu estomago apertar, por um segundo, realmente penso em apenas me esconder na cama. "Hey Sky, tenho umas coisas para você" Wrench diz através da porta e mordo o lábio nervosamente enquanto vou em direção a ele e abro apenas uma fresta. “Não tenho certeza se sei de que coisas está falando" digo inocentemente. Wrench sorri. "Sabe, a informação sobre aquele cara que Sugar me pediu para buscar, recusando-se a dizer que é em seu nome até eu me oferecer para comprar um tecido novo para ela fazer vestidos de verão para Harlyn."

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Bato minhas unhas no batente da porta. "Oh, essa informação!" Depois de conversar com Sugar sobre o que Emerald me contou, ela sugeriu que eu pedisse a Wrench para buscar o nome do cara. Infelizmente, isso não é algo que ele possa fazer sem deixar Optimus saber o que está acontecendo e simplesmente não tenho certeza se estou pronta para trazer mais drama para o clube do que já fiz, especialmente considerando que isso tem a ver com Emerald. Não exatamente comigo. Então, ao invés disso, Sugar se ofereceu para pedir a ele, mas Wrench descobriu o que aconteceu de qualquer maneira. Nem estou surpresa que ela foi tão facilmente persuadida a tagarelar. “Felizmente para você…” ele começa, fazendo meus olhos se arregalarem, “… Eagle já havia pedido informações sobre o cara. Contanto que fale com ele sobre isso, não tenho que ir a Op e deixálo saber que está procurando problemas." Minha boca abre com a notícia de que Eagle já pediu a Wrench informações sobre o cara e não há dúvida em minha mente que é por causa de algum tipo de conexão com a Colônia, simplesmente não sei onde ele conseguiu o nome. Olho o papel e rapidamente examino a lista de coisas pelas quais Brock Obrien é procurado em diferentes estados e até a porra de países. Tráfico humano. Prostituição com meninas menores de idade. Sequestro. E a lista continua. Wrench se encosta no batente da porta. "Não estou cem por cento certo do por que qualquer um de vocês precisa dessa informação, Eagle não disse muito. Mas o que posso dizer é que

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não há nada de bom no passado deste cara e por nada de bom, quero dizer que ele é um cara muito ruim.” "Ele é a razão pela qual Emerald fugiu" digo baixinho, incapaz de desviar meus olhos do papel. "Meu pai estava tentando casá-la com esse cara." Wrench amaldiçoa em voz baixa. "Bem, então, sua irmã deve ser grata que escapou porque não tenho dúvidas de que poderia facilmente se tornar apenas mais uma estatística" ele resmunga, balançando a cabeça. "Vá e fale com Eagle e me tire essa responsabilidade." Com isso, ele se vira e sai pelo corredor. É óbvio que Eagle está interessado em Brock por algum motivo, provavelmente pela mesma razão que eu – seu envolvimento na Colônia, mas ainda não tenho ideia de onde Eagle tirou o nome. E realmente quero descobrir. Dobrando o papel, decido me aventurar e procurar pelo homem que passei três dias tentando evitar. O sol se pôs, e há música baixa tocando na sala principal enquanto as pessoas se misturam e tomam bebidas. Harlyn, Jayla e Macy estavam aconchegadas num sofá no canto da sala, assistindo Os Smurfs, com Dice e Camo sentados numa mesa ao lado delas, fingindo não estarem assistindo também. Vejo Chelsea e Hadley sentadas em outra mesa com um gêmeo cada, fazendo caretas engraçadas e vou até elas. "Hey, lindos", digo fazendo cócegas em Oli sob o queixo enquanto Hadley o empurra em seu colo. “Ei você" Hadley brinca, batendo os cílios para mim. Sorrio. "Viram Eagle? Preciso conversar com ele sobre algo." "É algo como o que sente por ele?" Chelsea brinca, e balanço a cabeça com um sorriso. "Oh, vamos lá, vocês não estão enganando ninguém."

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Hadley ri suavemente antes de apontar para o pátio. "Ele está lá fora com Jake, Leo e Blizzard." “Obrigada!" Digo. Chelsea faz beicinho por sua diversão arruinada enquanto vou para as portas do pátio. Ainda está razoavelmente quente, mas há uma brisa leve que deixa o ar frio e estremeço, esfregando os braços para mantê-los aquecidos enquanto saio. Os meninos têm uma grande bateria montada perto do pátio e um par de rifles de ar nas mãos, revezando-se em tentar acertar garrafas espalhadas por ela. Eagle mira em uma, seus músculos flexionando e o corpo tenso enquanto acerta a visão. Sua respiração é firme, realmente não espero nada menos considerando seu passado militar e sei que entre ele, Jake e Leo, isso pode ser realmente uma competição. Estou fascinada com a maneira como ele se mantem, sempre fui assim com Eagle. Ele sempre pareceu um mistério, quieto, mas ainda carregando esse ar de confiança. Nunca teria imaginado que ele tem um passado que o assombra quase todos os dias. Com um silvo retumbante, a garrafa voa do tambor e desaparece na escuridão. Dou um passo à frente, ofegando quando uma figura aparece, surgindo de trás do tambor para adicionar outra garrafa de cerveja. "Puta merda" amaldiçoo, todos os meninos virando para mim. Blizzard ri, vendo meu. sem dúvida. rosto fantasmagórico. "É só Levi, não se preocupe" ele diz através do riso. Forço-me a continuar andando, meu pulso acelerado de medo. "Vocês podem o acertar.” Eagle bufa. “Não, ele está bem. Ele se deita na grama até que o tiro soe, depois coloca uma nova garrafa.”

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As coisas que esses caras fazem para provocar os prospectos. Embora um rifle de ar não seja tão perigoso quanto um rifle padrão, ainda pode causar algum dano se o acertar no lugar errado. Bufo, não gostando da ideia, mas sabendo que esse tipo de merda é exatamente o que cada um desses garotos teve que suportar para se juntar ao clube. Meio como um trote de fraternidade. Sei na minha cabeça que eles não colocam propositalmente nenhum dos prospectos em perigo, mas ainda me deixa nervosa quando os testam. “Eagle, posso falar com você um segundo?", pergunto educadamente, e ele instantaneamente assente, colocando sua cerveja na mesa ao lado e entregando a arma para Jake, que é o único sentado por causa da lesão na perna. Jake demora um segundo para segurar a arma porque seus olhos estão focados em mim, e não de um jeito bom. Seu olhar está examinando e me faz ficar um pouco mais ereta quando vejo o que pareceu julgamento em seus olhos. Não vamos longe, apenas para a borda do pátio. Os garotos ainda podem ouvir, mas estão se comportando como se não pudessem, voltando à brincadeira e apostando sobre quem tem o melhor tiro. “O que houve?", pergunta Eagle, colocando a mão nas minhas costas e inclinando a cabeça para poder ver meus olhos. Ele cheira muito bem e por um segundo só quero dizer foda-se e arrastá-lo de volta para meu quarto. Sinto falta do seu toque, posso dizer pela maneira como a mão dele na minha pele parece instantaneamente aquecer meu corpo, o frio do ar desaparecendo de repente. "Sky" ele tenta novamente, lutando contra um sorriso. "Desculpe" sussurro antes de limpar a garganta e balançar a cabeça. "Por que pediu a Wrench para checar os antecedentes de Brock Obrien?" Pergunto, não fazendo rodeios. Suas feições suaves logo se tornam duras. "Como conhece esse nome?"

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“É o homem a quem minha irmã foi dada. O que ela deveria se casar. Ela disse que ele era meio assustador e muito estranho. É por isso que fugiu” explico. "Como você conhece o nome?" Ele levanta uma mão, correndo-a pelos cabelos, que parecem estar cada vez mais compridos. "Tem uma merda que Rivet nos contou, uma coisa muito séria que me fez querer caçar o cara e matá-lo." Movo-me nervosamente, puxando os fios rasgados do bolso do meu jeans. "Sobre a colônia?" Ele assente. “Olha, podemos sentar e conversar sobre isso depois? Não é simples. O cara está sujo, e a história que ouvimos é...” ele curva os lábios, sua testa se contraindo e os olhos escurecendo. "É fodido, Sky.” Agarro o colete dele e me aproximo para que nossos corpos se toquem. “Eagle, vamos lá. Ele fez algo para Emerald, tenho certeza de que a machucou, eu preciso saber se ela está em maior perigo do que pensava inicialmente.” "Irmão, vamos lá" Jake interrompe. "Tenho centenas de dólares dizendo que vou bater sua bunda neste tiro, não quero que perca, porque está conversando com a empregada." Nós dois viramos para olhar Jake. Blizzard e Leo parecem tão surpresos com o comentário quanto nós. “Jake" Eagle diz agudamente, na esperança de manter seu irmão com a boca fechada. Leo já está o olhando como se quisesse que lasers saíssem de seus olhos. Ele está bêbado? E de onde vem a hostilidade? Fico tão chocada que minha boca abre. Quando finalmente encontro voz, dou um passo à frente. Os dedos de Eagle envolvem meu braço, mas não me importo. "Há uma razão pela qual não gosta de mim?" Desafio e seus olhos brilham.

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Por um segundo acho que posso ter visto arrependimento, que está bêbado e acaba de abrir a boca como um idiota e vai se desculpar. Errado. “Gosto de você demais, querida" diz ele, olhando-me como se eu fosse sem importância, nem sequer se preocupando em virar o corpo completamente para mim. "Meu irmão tem merda suficiente na cabeça sem você e seus problemas com o papai adicionados à mistura." Eagle ainda não disse nada. Não sei se é porque está em choque com a ignorância de Jake ou o que diabos está acontecendo. Ou talvez seja porque ele simplesmente não dá a mínima e acha que seu irmão está certo, que sou apenas uma garota do clube. Sem importância. Que se fodam os dois. Abro a boca para responder e me defender, mas Blizzard interrompe rapidamente. "Sky..." ele diz em aviso. Certo. Sou uma garota do clube. Jake é da família. Ele pode dizer o que diabos quiser enquanto eu calo minha boca. "Não vale a pena, apenas vá embora." "Volte para seu quarto" Eagle ordena de repente, o olhar ainda focado em seu irmão, mesmo quando Jake revira os olhos e vira para encarar o alvo. "Vou lá em breve e podemos conversar." Meu corpo está aquecido, pronto para explodir.

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Essa porra de merda. Em vez de perder a cabeça, cerro os dentes e concentro meu olhar em Eagle. "Não se apresse, sou apenas a empregada" digo antes de virar e sair. Passei muito tempo chegando a um ponto em que estou confortável com as coisas que as pessoas falam de mim. tive estranhos me chamando de coisa muito piores do que o que Jake disse, mas a reação que sempre tiveram foi um sorriso educado antes de eu me virar e ir embora. Isso é diferente, mas não porque seus comentários machucam. É diferente porque Eagle não disse nada. E isso dói muito mais do que pensei.

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EAGLE

Espero até Sky estar longe do alcance da voz e, em seguida, por segurança, fechar as portas do pátio. Meu amor por meu irmão é inquebrável, mas, infelizmente, ele tem algo no rabo, uma porra de vingança que não tenho dúvida que não tem nada a ver com a porra da Sky, mas ele a escolheu como alvo de sua raiva. Ela cuspiu as palavras na minha direção e enquanto tentava olhar através delas, pude ver a dor que abrigava dentro da raiva. Sei o porquê. Não disse nada depois que meu irmão a insultou, o que diz muito dado que Sky é uma das mulheres mais pacíficas e tranquilas que já conheci. Ser uma garota clube não é só sol e arcoíris, há pessoas te xingando e questionando quem é. É um julgamento constante do lado de fora. Mas nunca vi nada além de felicidade com quem ela é e sua decisão de estar fazendo o que faz. Infelizmente, chateado não é uma palavra forte o suficiente para explicar o que sinto nesse momento. E tive que me forçar a manter a boca fechada até Sky sair, então ela não tem que ouvir meu irmão disparar tiro após tiro quando pergunto o que diabos está acontecendo. Sei que ele a ofendeu. Jake tenta tirar sua dor, dirigindo-a para ela e não estou prestes a deixar minha própria carne e sangue tratar alguém com esse nível de desrespeito, especialmente ela. Antes que possa formar as palavras, ele já tinha se afastado, nem mesmo reconhecendo o que ele disse ou fez. Avanço, tomando

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o rifle de ar de suas mãos e contornando a cadeira, então estou em pé na frente dele. Entrego a arma para Leo, que balança a cabeça decepcionado antes de pegar o segundo rifle e entrar. "Levi, nós terminamos” Blizzard diz, esperando que o prospecto salte e corra para dentro. Mas antes de seguir o exemplo, ele se aproxima de mim. “Por ser irmão do Eagle, te respeito. Mas estou dizendo agora, garotas como Sky não foram nada mais do que leais a esse clube por anos e sempre receberão meu apoio. Então, cuidado com essa atitude.” Jake aperta os lábios enquanto Blizzard se afasta, batendo as portas do pátio atrás dele. Alguns segundos passam em que o ar apenas zumbe ao nosso redor. "Desde quando começou a desrespeitar mulheres assim?" Exijo. "Com certeza não foi criado dessa maneira." Ele me olha. "Sim, bem, talvez esteja farto de mulheres que acham que podem pegar um cara e depois amarrá-lo." Pela primeira vez em malditos anos, posso ver os olhos de Jake brilhando na luz do clube. A raiva neles está diminuindo e sendo substituída pela dor. Agarrando outra cadeira, puxo-a e me sento cruzando os braços sobre o peito. “Diga o que aconteceu? Isso é sobre uma garota? "Max" ele avisa, usando um nome que ninguém além dele usa. Um que tanto me aquece quanto envia um arrepio por meu corpo. Nunca disse a Jake para não me chamar assim, mas o fato é que fui para o exército como Max, mas não é quem retornou. Balanço a cabeça. "Não, não vamos sair daqui até me contar. Então tenho que voltar lá e rastejar como um maldito idiota porque sim, você está certo... eu me importo com Sky, e quer saber por quê?” Jake torce o nariz, os olhos ainda enevoados, mas não responde.

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“Sky me ajuda a respirar" rosno, batendo no meu peito. Os olhos do meu irmão se arregalam levemente. Jake sabe o que quero dizer, ele sabe o quanto lutei quando voltei para os Estados Unidos após o acidente. Foi ruim, então, tinha episódios, às vezes mais de dez vezes por dia. Cada barulho alto, toda vez que adormeci quando entrei no carro. Jake tinha acabado de começar sua primeira implantação quando lhe deram um mês de licença para voltar para casa e me ajudar a fazer merda que eu não podia fazer sozinho. Ele me viu no meu pior, Jake sabe o quanto me esforço, a culpa que carrego, os momentos em que simplesmente me sinto sufocado. E ficou ao meu lado enquanto lutava contra isso. Sento na cadeira, acenando com a cabeça. "É como se ela me trouxesse novamente. Quando tenho um episódio, posso ouvi-la me dizendo para respirar. E no meu cérebro, sei que ela não deveria estar lá, ela não estava naquele dia, mas de alguma forma ela me traz de volta ao presente.” Dizer em voz alta as palavras que estou simplesmente pensando desde a semana passada, parece estranho, mas sei que há apenas uma maneira de fazer Jake entender. “Ela também me faz rir, é atrevida e teimosa. E sabe o que, não tem sido isso fácil para ela, mas ela escolheu não deixar seu passado destruí-la e é alguém assim que preciso na minha vida,” tento explicar, de repente me perguntando por que diabos não estou tentando fazer algo do que temos. Fazem algumas semanas, mas com Sky pensando em deixar o clube em breve de qualquer maneira para cuidar de Emerald, por que não podemos tentar e ver onde as coisas vão? Vou levantar da minha cadeira, essa percepção repentina no meu cérebro estúpido, mas meu irmão fala primeiro, surpreendendo-me. "Eu me apaixonei pelo inimigo" ele diz, com escuridão cobrindo seus olhos. Relaxo na cadeira, com a boca aberta, não sabendo o que dizer.

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Ele vê a expressão no meu rosto e ri, mas é totalmente desprovido de qualquer tipo de humor. “Ela era a intérprete... seu nome era Eliana. A mulher mais linda que já vi. Sotaque colombiano, pele bronzeada, doce como o inferno” ele diz com repulsa. "Sei que não devemos nos envolver com eles, é contra as regras e eu as quebrei, cara. Ela veio até mim uma noite e não pude dizer não.” “Maldito inferno,” murmuro, inclinando-me para frente e apoiando os cotovelos nos joelhos. "Sim, inferno está correto" ele bufa. “Andres Rojas era o alvo, o maldito idiota é basicamente um fantasma, mas estávamos de olho nele e íamos pegá-lo e a sua organização.” Meu nariz franze. Sei exatamente de quem ele está falando. Andres está na lista dos mais procurados do FBI, o líder do mais poderoso cartel colombiano, envolvido em muitas atividades ilegais para mencionar, mas mais especificamente conhecido por importar cocaína para os Estados e tráfico de mulheres para fora. Já sei onde isso vai. “Eliana era namorada dele,” ele rosna, agarrando uma das muletas e jogando-a pelo pátio, batendo ruidosamente no ar noturno. Sua respiração é irregular e irritada. “Ele a enviou para conseguir o emprego com a ajuda de alguns policiais sujos. Realmente, ela estava lá para ter informações e garantir que ele estivesse um passo à frente até poder organizar uma emboscada num dos pontos.” "Você tem sorte que saiu de lá vivo" digo. "Toda sua equipe poderia ter sido exterminada.” “Nós quase fomos, mas ela puxou a arma muito cedo e estava apontada diretamente para mim, então a equipe parou logo antes de entrarmos e sermos abatidos" explica ele, fechando os olhos. “Felizmente, conseguimos dar o fora dali, mas não antes dela me acertar na perna e tentar fugir.”

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Amaldiçoo sob a respiração. Tudo se encaixa, sei agora por que ele fez tantos comentários sobre Sky. A mulher por quem se apaixonou não apenas trabalhava para o inimigo, mas era sua amante. E Jake arriscou seu trabalho, sua vida e a vida dos membros de sua equipe porque não conseguia manter seu pau nas calças e começou a se apaixonar por ela. “Foi a porra da minha culpa. Atendi a ela quando alguns da minha equipe questionaram se ela deveria estar tão envolvida quanto estava.” Ele faz uma careta, afundando os dedos em sua perna. Ele finalmente olha para mim, seu rosto é a imagem de tristeza e auto aversão. "Eu não pretendia descontar em Skylar. Ela é linda e estou com medo de você cair na mesma armadilha que eu.” "Sky não é Eliana, Jake" digo com total honestidade. “Como Blizzard disse, ela é leal a este clube há anos. Ela não está escondendo quem é ou o que faz, ela não está me amarrando,” tento tranquilizá-lo. Ele ri baixinho. "Sim, eu sei, sou um maldito bastardo crítico. Eu a encontrarei mais tarde e pedirei desculpas. Mas primeiro, é melhor encontrar Leo e Blizzard e explicar a situação antes que seus outros irmãos decidam chutar seu verdadeiro irmão para o meio-fio.” Levantando, pego a muleta que ele jogou e entrego. "Da próxima vez, só me diga o que diabos está acontecendo ao invés de ser um maldito bastardo" aviso, esperando que não haja uma próxima vez. "Agora, tenho uma merda séria para fazer." Seguro a porta do pátio aberta enquanto ele manca para dentro. "Ela provavelmente ficará chateada, mas se significa muito para você, não a deixe ir" ele diz, dando-me um tapinha no ombro.

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Realmente não tenho certeza do que farei, enquanto caminho pelo corredor até o quarto dela. Sei que ela está com raiva, vi a dor, mas vou tentar fazer o certo e esperar que ela ouça. Espero que dê certo porra. Porque se ela disser não ao que estou propondo, então sei que voltar para onde estávamos será quase impossível.

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SKYLAR

Fico de costas contra a porta, lágrimas escorrendo pelo rosto. Nunca quis nada mais do que o que tenho, amo todos os membros deste clube. Adoro como eles são um pouco assustadores, um pouco loucos, mas que tudo que fazem é com paixão e seus corações estão sempre no lugar certo. Eles montam forte, eles amam ainda mais. Sempre fui feliz em fazer parte de algo tão incrível e aprecio o que esses homens fazem por mim, mas há algo em meu íntimo dizendo que talvez meu tempo no clube tenha chegado ao fim. Prometi a mim mesma que sempre me concentraria no que é importante, nas coisas que me dariam um futuro, mas quando olho minha cama coberta de livros, sei que isso começou a escorregar. Minhas notas vem sofrendo nas últimas semanas, com todo meu foco em Emerald e trabalhar o máximo de horas possível na loja. Sem mencionar um certo irmão que rouba meu tempo recentemente. O mesmo que agora quero dizer para ir pular da porra de um penhasco, mas ao mesmo tempo saltar atrás dele. Ele apenas deixou claro que sou de segunda classe. Sei que em algumas semanas, estarei me afastando dessas pessoas que significam muito para mim, então poderei sustentar minha irmãzinha e dar a ela uma vida melhor e um futuro que nenhuma de nós imaginou ser possível quando éramos pequenas. Mas não é só isso. Estou confusa sobre meus sentimentos por Eagle, quão intensos eles estão ficando e como estou começando a me ressentir da minha posição no clube.

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Não posso ficar aqui e esperar passar o próximo mês ou mais, sempre preocupada de haver um irmão batendo na minha porta que não seja ele. Esse sentimento está torcendo meu estômago e me faz querer vomitar porque apenas a ideia já me faz sentir como se estivesse o traindo, não importa que sinta que ele fez exatamente isso comigo. Gemo alto, pegando meus tênis antes de me sentar na beira da cama e puxá-los. Pego a mochila no fundo do meu armário e começo a enchê-la com qualquer coisa que posso encontrar. Como alguém se apaixona tão facilmente? Apenas algumas semanas e me vejo fazendo a única coisa que prometi nunca fazer quando entrei para o clube anos atrás. Há uma batida forte na porta. "Vá embora!" Grito, minha voz falhando quando deslizo as mãos pelas mangas macias do meu moletom e o fecho no pescoço. A porta abre, e Eagle entra, suavemente fechando-a atrás dele. "Oh, certo! Sim, sou uma garota do clube. Não tenho permissão para dizer a vocês para saírem,” digo, tentando evitar olhá-lo nos olhos. Entro no banheiro, fechando a porta atrás de mim. "Se isso fosse em qualquer outro momento, ficaria feliz em ir embora e deixa-la" responde Eagle e o ouço sentar na minha cama. "Mas tenho um pedido de desculpas para fazer e coisas sobre as quais precisamos conversar." Só quero que ele vá embora. Não quero que me veja desse jeito, não quero ver o olhar em seu rosto quando disser a ele que estou saindo do clube porque desenvolvi uma paixão estúpida. Sei como este mundo funciona.

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Os meninos veem algo que querem, eles a roubam com as duas mãos, reivindicam suas mulheres sem pensar duas vezes. Deus, Kit reivindicou Harmony sem nem mesmo dizer a ela e uma vez que Leo pôs as mãos em Hadley, ele soube que não iria compartilhar. No entanto, ainda sou uma garota do clube e não importa quanto tempo ele e eu passamos nos conhecendo, compartilhando não apenas nossos corpos, mas nossas histórias, ele ainda não decidiu que me quer para si. Há algo entre Eagle e eu? Para mim, sim, sem dúvidas. Eagle é sexy e intimidante. Ele é o quieto que fica no canto observando o que acontece, inacessível e perigoso. A diferença entre ele e os outros homens ao nosso redor — eu o vi quebrar. Não posso explicar como, na minha mente fodida, ver um homem completamente e totalmente destruído é de alguma forma atraente. Talvez seja a vulnerabilidade, saber que ele é como qualquer outra pessoa lá fora, que tem momentos em que não está no controle. Ficando em torno de tantos homens, que no exterior parecem tão perfeitos, tão imaculados e inquebráveis, ver Eagle — que é dez vezes o homem que qualquer um deles pode ser, ter um momento em que ele está tão danificado — faz meu coração pular uma batida. Não sou uma daquelas garotas atraídas por homens porque acho que posso consertá-los. Mas estou descobrindo que sou alguém que pode apreciar e estar atraída por imperfeições e exteriores rachados. Eles são reais, dizem a verdade. Ouvi sua história, senti sua dor e sei que quero ser a pessoa que está lá quando ele precisa de alguém para se apoiar. Sei que quero fazer piadas e dizer besteiras como ele chama, todos os dias para fazê-lo sorrir. Quero protegê-lo das pessoas que não entendem

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seu PTSD. Quero que ele saiba que o aceitarei exatamente do jeito que é. A porta abre, fazendo-me pular. Minha mão vai para o coração quando Eagle surge, suas mãos no batente da porta, olhando para mim com uma sobrancelha arqueada. "Por que está fazendo as malas?" Ele resmunga. Tento endireitar a espinha, limpando as lágrimas nas minhas bochechas e empurrando seu peito numa tentativa de fazêlo se mover. Ele dá um passo para o lado e aproveito a oportunidade. "Sky..." saio, mas ele agarra meu braço e me puxa de volta, virando nossos corpos, então minhas costas estão contra a parede. Seus olhos brilham com irritação. "Vai parar por um minuto droga e me dizer o que diabos está acontecendo?" Ele apoia uma mão na parede ao lado da minha cabeça e a outra me aperta, o olhar sério em seu rosto me fazendo pensar que correr é uma má ideia. Ele respira fundo e aperto minhas pernas enquanto o observo engolir, sua barba curta o suficiente para que eu possa ver os músculos em sua garganta se moverem e o pomo de Adão balançar subindo e descendo. Quando achei algo assim tão erótico? Não tenho a menor ideia, mas de repente estou ciente dos meus mamilos tensos e do latejar da minha buceta enquanto ela implora para ser satisfeita. "Tudo bem, você não quer falar, eu faço primeiro. Sei que está chateada porque não disse nada quando meu irmão idiota abriu a maldita boca e disse merda,” Eagle tenta explicar, gemendo profundamente em sua garganta quando tento desviar o olhar. “Fiz isso porque quando meu irmão está esbravejando, às vezes ele gosta de ser um completo idiota. E como ele já tinha feito aquela merda, se tivesse continuado, eu teria pego minha arma para atirar no desgraçado.”

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Talvez eu esteja sendo dramática. Talvez Eagle esteja certo, e foi melhor que eu saísse e ele lidasse com seu irmão sozinho, mas não posso deixar de sentir aquela dor no peito. Eagle esteve comigo contra meu irmão, ele arriscou ser preso apenas para dar a Abel o que ele merecia por colocar a mão em mim naquele dia. Então, vêlo não lutar por mim, doeu. Doeu mais do que eu esperava e sei que é porque estou desenvolvendo sentimentos por esse homem. Tento fingir que não estamos afundando mais e mais a cada dia, porque isso me assusta, honestamente me assusta. Quero tanto Eagle que meu corpo está vibrando de necessidade e está difícil respirar. Ele se aproxima e juro que meu coração pula do peito e cai no tapete aos nossos pés. Sua respiração roça meu pescoço nu enquanto o nariz traça levemente ao longo do meu queixo até o ouvido. Sua barba faz cócegas contra minha pele, deliciando meus sentidos. A dor surda entre minhas pernas agora começa a pulsar com necessidade e desejo. Ele está me empurrando sem pegar o que quer, mas não sei por que. "Agora me diga por que diabos arrumou uma maldita mala e parece que está prestes a sair correndo" ele exige, sua voz baixa e assustadora quando os lábios mordem meu pescoço, seu corpo me mantendo cativa. Engulo meu orgulho e decido colocar tudo para fora. “Disse a mim mesma que nunca me apaixonaria por um membro do clube. Já vi garotas fazerem isso, achando que os meninos serão cavaleiros de armadura brilhante e tudo o que ele vê nela é uma amiga que ocasionalmente fode,” tento não deixar minha voz falhar. "Então estava saindo porque gosta de mim?" Ele pergunta, recuando com uma carranca. Empurro seu peito, mas ele não se move, o que me deixa mais frustrada. "Sim! OK."

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"Obrigado porra por isso" diz ele com um sorriso antes de pressionar os lábios nos meus. Estou confusa, mas não posso fazer nada além de me derreter em seus braços, minhas mãos instintivamente envolvendo sua cintura. Devoramos um ao outro e amo cada maldito minuto mesmo que não entenda o porquê. Seu corpo está quente, é reconfortante, bem como eu preciso, ele está lá. Quando ele finalmente recua, estou lutando para respirar e ele tem um sorriso malicioso no rosto. "Não sei o que aconteceu" digo, com a respiração pesada. “Passei as últimas três semanas conhecendo seu passado, sua mente, seu coração e sua porra de corpo. Eu te quero demais. Não quero ter que me preocupar se um dos meus irmãos pode vir até você, hoje, amanhã, na próxima semana e te tocar, porque quero que você seja minha e só minha.” "Eu... eu..." não posso deixar de gaguejar. Meu coração pula e minha boca abre. "Só nos conhecemos há três semanas?" Ele ri e estende a mão, colocando um fio de cabelo atrás da minha orelha. "Não estou tentando te assustar, sei que a ideia de ter um homem te possuindo não é exatamente seu ideal de relacionamento" ele diz suavemente e meu coração se expande no peito com o fato dele saber que isso me deixa apreensiva. "Estou apenas pedindo para dar uma chance, ver onde isso poderá ir sem que nos preocupemos que eu vá entrar aqui um dia e ter que atirar num dos meus irmãos." Já sabia qual é minha resposta. Sim, quero ver onde isso poderá ir. Sim, estou enlouquecendo toda vez que ouço alguém andar do lado de fora da minha porta. Sim.

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Mas antes que possa dizer as palavras reais, o rugido de motos enche a sala e treme as paredes. O rosto presunçoso de Eagle rapidamente se transforma em algo muito mais sério e ele corre para a porta. "Fique aqui!" Ele ordena, antes de correr pelo corredor, os passos dos outros como um coro através do edifício. Típico, bem no meu momento.

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EAGLE

"O que diabos está acontecendo?" Pergunto ao entrar na sala principal. Op corre pelas escadas erguendo as mãos. "Não se preocupe, estou esperando visitantes" ele diz simplesmente quando passa e se dirige para a porta da frente. A baixa rotação de motores está lentamente parando e tenho que me perguntar quantas motos estão lá fora. Quando levanto, ouço dois bebês começarem a chorar no andar de cima e Hadley rapidamente salta da cadeira. “Quem quer que seja é melhor ter uma boa razão para aparecer na hora dos gêmeos irem dormir,” Hadley murmura enquanto corre para ajudar. Olho para Leo que está se levantando também. "Estou esperando visitantes?" Imito nosso presidente enquanto saímos lado a lado em direção à porta. "Tento não ficar surpreso pelas coisas que ele faz, mas não há como" responde ele, revirando os olhos. Quando saímos, vejo Op apertando as mãos de alguém que reconheço. Eles se viram e andam em nossa direção enquanto os outros vinte motociclistas que encheram o estacionamento descem das motos e começam a esticar as pernas. “Eagle” Rivet diz em saudação ao estender a mão para mim. Aperto com firmeza, mas com uma sobrancelha levantada. Ele

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apenas ri. "Desculpe invadir seu espaço, não ficaremos muito tempo, só precisamos conversar com vocês por alguns minutos e estávamos passando, então pensei em fazer pessoalmente." "Vamos para a sala de reunião" Op instrui enquanto entramos. Todos no clube olham com curiosidade e confusão enquanto passamos. Op para ao lado de Jess, que está de pé atrás do bar. "Se alguém de fora precisar de alguma coisa, deixe-os saber onde encontrá-la." Jess assente. "Certo." Blizzard é o único que se levanta para nos seguir até a sala de reunião, fechando a porta enquanto nos sentamos à mesa. "Desculpa aparecer em tão pouco tempo" Rivet diz, puxando a bandana de seu pescoço e colocando-a sobre a mesa. "Nós temos alguns militares no clube, então estávamos em Nashville para fazer uma corrida no United Service Organization8 quando recebi um telefonema que pode estar interessado." Pela maneira como seus olhos estão fixos em mim, sei que há algo a ver com Skylar. "O que seu irmão idiota fez agora?" Rivet sorri. "Fez a coisa certa com aquela garota e já a reivindicou?” Franzo meu nariz. "Estava a caminho de fazer isso cerca de três segundos atrás antes que vocês, desgraçados barulhentos, chegassem." Sua risada é profunda. Rivet é mais velho, se tiver que adivinhar, provavelmente em seus quarenta e poucos anos, mas juro que o cara provavelmente pode me vencer sem suar a camisa. Ele está em forma e é honestamente um pouco intimidante. "Tivemos o DEA fervilhando lá dias atrás" Rivet começa, imediatamente me fazendo ficar um pouco mais ereto. “Chamei um 8

United Service Organizations, mais conhecido pela sigla USO, é uma organização nãogovernamental dos Estados Unidos destinada a dar suporte moral às tropas do país no exterior.

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amigo meu de dentro para ver o que diabos estava acontecendo. Acontece que eles conseguiram um mandado de busca para alguns dos prédios e casas da Colônia.” Op recosta-se no banco, batendo os dedos na mesa. "Wrench disse que os observou e que estão tentando há anos conseguir algo parecido." Rivet assente com a cabeça. “Eles querem, porra, demoraram muito se me perguntar, com toda a merda que esses bastardos fazem lá. Mas essa não foi a parte que achei interessante.” Meu estômago aperta e já estou fazendo planos na minha cabeça sobre como proteger Sky se esses idiotas vierem até nós. "Meu amigo disse que a informação que receberam veio da filha do profeta." Ele deixa as palavras no ar para refletirmos. Estou imediatamente em pé e indo para a porta. Saio da sala principal e rapidamente olho tudo e encontro Sky de pé com Jess no bar. "Sky!" Digo, minha voz um pouco aguda, fazendo-a quase saltar antes de se virar para mim com a mão sobre o coração. "Venha aqui." Ela caminha lentamente, posso ver a apreensão em seu rosto enquanto ela percebe a seriedade da minha linguagem corporal e o tom da minha voz. "O que está acontecendo?" Ela diz quando pressiono a mão contra a parte inferior de suas costas e a guio para a sala de reuniões antes de fechar a porta atrás de mim. Ela inclina a cabeça para o lado. "Rivet?" Rivet sorri, levantando-se como um verdadeiro cavalheiro. "É bom te ver bem, querida." Coloco-a no banco ao lado de Op enquanto sento ao lado. Ela me olha e franze a testa antes de voltar para Optimus. "Ok, o que Abel fez agora?", ela pergunta nervosamente.

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“Vamos falar sobre ele num minuto" Op diz, inclinando-se para frente. “Alguns lugares da Colônia foram invadidos com mandados de busca. Rivet tem uma fonte que disse que os mandados surgiram por causa da filha do profeta falando com a DEA.” Posso dizer que Op está tentando dar a Sky o benefício da dúvida, mas ao mesmo tempo a deixando saber que isso é sério. Ninguém no clube tem permissão para falar com qualquer grupo do governo ou com a polícia sem falar primeiro com o Op. Sky olha entre cada um de nós com a sobrancelha levantada. Posso dizer por quão casual está agindo, que não foi ela. "Vocês estão seriamente esquecendo que meu pai tinha seis esposas?", ela pergunta, em seguida, senta calmamente e espera o resto de nós juntar as peças do quebra-cabeça. “Esse maldito idiota" digo, batendo a palma da mão na mesa. "Uau, que diabos homem?" Leo pergunta, olhando para mim como se tivesse nascido duas cabeças. Posso ver o momento em que Op entende e ele está pronto para abrir a porra de um buraco na bunda de Deacon. “Deacon costumava trabalhar para o DEA, lembra? Ele apareceu aqui, tentando conversar com Chelsea, conseguir informações sobre o clube...” todos estão entendendo agora. "Então ele simplesmente tenta a chance com Emerald, agindo como se fosse seu cavaleiro de armadura brilhante." Tive um pressentimento que minhas suspeitas sobre Deacon ter um motivo oculto estavam certas. Op já está fora de seu lugar e indo para a porta antes de eu terminar de falar. "Onde vai?" Blizzard diz preocupado. "Vou falar para minha mulher que ela terá um amigo a menos em cerca de vinte minutos" Op responde.

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“Tem mais!" Rivet grita e Op congela na porta, apertando firmemente o batente na mão. "Primeiro, diga-me quem é esse cara, Deacon." “Quando Emerald, a irmã do Sky, apareceu depois de fugir da Colônia, Deacon, nosso amistoso policial local se ofereceu para hospedá-la até Sky poder encontrar um lugar que possa pagar e deixar o clube” explico rapidamente antes que Op perca a cabeça. “Deacon trabalhou para o DEA antes de se mudar para cá. Ele ignora algumas coisas, mas tenho certeza que acabou de empurrar sua canoa para o riacho e deixou os remos na praia.” "Não acabou" diz Rivet, balançando a cabeça. “Acontece que descobriram que a Colônia tem usado armas ilegais compradas no exterior, reunidas numa oficina e vendidas para grupos supremacistas brancos e gangues de rua. Basicamente, incitando uma guerra racial.” "E o que isso significa para nós?" Blizzard pergunta. Sei pelo jeito que Rivet está olhando para mim que essa merda está prestes a ficar louca. "Havia uma quantidade razoável de armas faltando de acordo com os registros que recuperaram e Abel e seus amigos também foram embora." "Porra fantástica," Leo geme, inclinando a cabeça para trás contra a cadeira. "Então, basicamente, acha que podemos ter muita loucura vindo, ligado a uma grande quantidade de estupidez." "Os membros disseram que Abel e seus homens saíram em busca de vingança e pureza para a Colônia" Rivet responde dizendo tudo o que preciso saber. Skylar os irritou, envergonhou-os e provou que pode ter uma vida feliz fora da Colônia, mas seu irmão nunca vai deixá-la escapar com isso. Ela estende a mão e segura a minha. "Meu irmão é o líder do que chamam de The King’s Militia" ela faz uma careta e

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instantaneamente tenho um mal pressentimento quando todos os olhos na sala se voltam para ela. "Eles não brincam. Eles treinam como forças armadas enlouquecidas e têm os números e as armas.” "Por que diabos esses caras precisam de uma milícia?" Pergunto, com os olhos arregalados e a mão segurando firmemente a cadeira. “Dizem que é para lutar contra o governo se vierem atrás de nós. Mas, na verdade, é para manter as pessoas na linha, deixando-as com medo de fugir, punindo-os por seus pecados.” Skylar estremece. “Todos acreditam serem invencíveis, que estão seguindo a palavra do Senhor ou qualquer outra coisa e protegendo nosso caminho para o céu.” Optimus vira para nós com escuridão em seus olhos. "Se vierem atrás da minha família o único lugar para onde estão indo é o inferno e vou me certificar que o passeio seja muito doloroso.”

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Não sei exatamente o que está acontecendo quando Eagle me levanta, seguindo Optimus pela porta da sala de reunião. Quando entramos na sala principal, Op coloca os dedos na boca e solta um assobio alto, chamando a atenção de todos na sala. "Blizzard e eu estamos saindo" ele anuncia em voz alta. “Quando voltarmos, estaremos na igreja para discutir alguns assuntos urgentes sobre perigo para o clube. Então, se está bebendo, agora é um bom momento para parar e ficar tão sóbrio quanto possível. Também recomendo estarem armados em todos os momentos a partir de agora, apenas no caso da merda aparecer mais cedo do que esperamos.” Os homens na sala se movem rapidamente enquanto as mulheres vão imediatamente para a cozinha começar a preparar comida e café para tentar deixar os meninos sóbrios. Não é a primeira vez que algo assim acontece e todos sabemos exatamente o que fazer e trabalhamos como um relógio. “Vou ajudar" digo a Eagle caminhando em direção à cozinha, mas não vou muito longe antes dele me puxar de volta para seus braços. “Tenho outra coisa a dizer antes de todos saírem," Eagle grita alto, fazendo todos congelarem. “A partir de agora, Skylar não é mais uma garota do clube. Vocês, bastardos com tesão, podem se divertir em outro lugar.”

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Uma rodada de aplausos soa por toda a sala e solto uma risada, empurrando Eagle no peito. Ele olha para mim e sorri. "Tenho certeza que não dei uma resposta ainda" digo, tentando meu melhor para não sorrir, mas a alegria que me enche não é algo que posso disfarçar. Realmente há algo sobre esse homem e ele me conhece. Ele não grita no telhado que pertenço a ele, não fez o discurso habitual, onde usa a palavra minha várias vezes. Ele apenas deixa que saibam que não sou mais uma garota do clube e que estamos explorando onde isso pode dar e enquanto fazemos isso, apenas estarei com ele. Ele dá um beijo suave em meus lábios e me aconchego mais perto do seu corpo. Sei que a merda vai ficar ruim e há a possibilidade de que Abel venha atrás da minha família — essas pessoas, minha verdadeira família. Mas agora, estou me permitindo aproveitar este momento com ele, porque é uma mudança em minha vida e merece ser apreciada. "Bem-vindo à família" Op diz, dando tapinhas nas costas de Eagle com um sorriso sutil como se ele não estivesse surpreso. "Não que não estivesse, mas estou feliz por vocês." Balanço a cabeça e sorrio de volta. “Tudo bem se Sky e eu formos com você?” Pergunta Eagle antes que Op possa desaparecer na noite. Optimus ainda está sorrindo para nós, mas levanta uma sobrancelha em dúvida. "Agora que Sky está comigo e a merda está batendo no ventilador, pergunto-me se está tudo bem se trouxermos Emerald para mantê-la segura.” Optimus assente sem pensar duas vezes. “Sim, acho que é uma boa ideia. Emerald pode ajudar enquanto trocamos algumas palavras com nosso grande oficial da lei.” Corro e pego uma jaqueta enquanto os caras levam Rivet de volta ao clube. Assim que estou passando pelo bar, alguém agarra meu braço e viro para ver Jake. Meu corpo fica imóvel, o sorriso no meu rosto caindo instantaneamente.

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"Só queria te dizer que sinto muito" diz Jake, com voz áspera. Não me parece uma desculpa forçada, seu rosto parece quase triste e desgastado. "Todas as coisas que disse, elas não foram para você. Tive algo ruim acontecendo e estou me sentindo um merda sobre minhas próprias decisões. Você acabou por cruzar a linha de fogo.” A emoção em sua voz é real e honesta. Ele me solta e meu corpo relaxa, mas em vez de aceitar seu pedido de desculpas e ir embora, aproximo-me. "Há mulheres por aí que se aproveitam dos homens cujos corações são gentis" digo a ele, colocando a mão em seu ombro. Ele fica surpreso, seus olhos se movendo da minha mão para meu rosto. Dou um sorriso de apoio. "Isso só me diz que tipo de homem é e espero que continue sendo esse homem e não deixe essa pessoa te mudar." Um sorriso curva em sua boca e ele abaixa a cabeça, balançando-a algumas vezes antes de olhar de volta para mim, com seus olhos um pouco mais vermelhos do que antes. “Estou feliz que meu irmão tenha te encontrado, ele merece ter alguém como você em sua vida. Alguém que o ajuda a respirar.” Inclino a cabeça, um pouco confusa com a observação, mas antes que possa perguntar o que ele quer dizer, ouço meu nome ser chamado. Jake e eu sorrimos e sei que estamos bem, então viro e corro para a porta onde Eagle espera. "Tudo bem?" Ele pergunta, envolvendo o braço em minhas costas e me levando para a noite. "Sim, tudo ótimo." Ele não pode ver o sorriso radiante no meu rosto na escuridão, mas o calor que inunda através de mim é o de um fogo violento. E quando penso que as coisas não podem melhorar muito, ele ri baixinho. "Bom, vamos buscar sua irmã.”

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Rivet e sua enorme equipe de motos nos seguem até a cidade, dando uma parada antes de entrarmos nos subúrbios de Athens. O rugido alto do grupo vibra através do meu corpo, um grande sentimento de saber que o clube tem outras pessoas lá fora cuidando de nós, pessoas que irão nos proteger a qualquer momento. Isso é o que admiro nos Brothers by Blood, há pessoas por aí que não gostam deles, na maior parte, porque realmente são os mocinhos. Mas as pessoas que estão ao lado e que apoiam são dez para um, porque os irmãos têm respeito, mantem seus valores e vivem de acordo com um conjunto de regras que devem ser admiradas. Eles são uma família, de muitas maneiras, mais do que o sangue pode ser. Paramos na frente da casa de Deacon, apoiando as motos no meio-fio antes de desligar os motores. As luzes ainda estão acesas lá dentro, ao sairmos noto a luz da varanda piscar e a porta abrir. Não tenho certeza se entendo totalmente o que está acontecendo, mas sei que os caras não estão felizes com Deacon. Pelo que sei. Ele costumava fazer parte da DEA e Rivet disse que uma das filhas do profeta deu à DEA as informações necessárias para terem mandados de busca. Realmente gosto de Deacon, então espero não ter que perder a cabeça se ele colocou minha irmã no meio de uma tempestade de merda ou se aproveitou dela para conseguir algo que quer. Enquanto subimos os degraus até a varanda, Eagle segura minha mão, os olhos de Deacon imediatamente se concentrando no movimento. "Bem, isso é novo" diz ele com um sorriso, antes de olhar Op. "Devem estar ficando sem meninas no clube."

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"Precisamos trocar algumas palavras" Op diz, claramente não se divertindo com a piada. “Sky vai ajudar a Emerald se arrumar enquanto conversamos.” O rosto de Deacon se transforma instantaneamente numa máscara, uma versão estranhamente assustadora dele que ainda tenho que conhecer. "Sem problemas, ela está na sala de estar" diz ele, afastando-se e acenando através da porta. A tensão no pequeno grupo acaba de aumentar em dez. Olho Eagle, que dá um beijo na minha testa antes de recuar. "Vá buscar sua irmã" ele me diz, não como uma ordem, mas um pedido, então não estarei envolvida na conversa. “Vamos discutir isso mais tarde, sim?” Pergunto, recusando a me mover até ele me dizer que compartilhará comigo o que está acontecendo. O canto de sua boca se curva levemente. "Sim, vamos falar sobre isso mais tarde." Satisfeita, assinto e atravesso a entrada, pulando um pouco quando a porta fecha atrás de mim. Corro pelo corredor e entro na sala onde tenho que parar por um momento e reprimir uma risadinha. Emerald me olha enquanto enche a boca com uma mão cheia de Doritos. Ela engasga quando me vê, jogando o salgadinho no ar e pulando do sofá. "Sky!" Ela sorri quando corre para mim. Levo um segundo para perceber que ela me chamou pelo nome que escolhi quando deixei a Colônia e não irmã ou Sapphire. Só isso traz lágrimas aos meus olhos. Tento engolir a queimação na garganta, não querendo que ela me veja chateada, mas Emerald sendo Emerald percebe imediatamente. "Oh não, te deixei triste?" Balanço a cabeça, riso saindo da minha boca. "Não, você me fez muito feliz." Eu a puxo e abraço contra meu peito, fazendo cócegas debaixo de seus braços e a fazendo rir como costumava

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quando éramos jovens. ‘Tenho algo incrível para contar" digo a ela assim que encontro minha compostura novamente e me afasto. Seus olhos se iluminam com admiração. "Conte!" Não posso lutar contra o sorriso no meu rosto que só aumenta mais e mais. "Eagle e eu estamos juntos agora e realmente gostaria que viesse ao clube e ficasse conosco." Não quero explicar a ela os rumores sobre Abel e a Milícia, a última coisa que quero é que ela fique assustada. Sua boca abre e um sorriso ilumina seu rosto. "Estou tão feliz por você" ela diz. "Espero que um dia possa encontrar alguém com quem possa me relacionar e que me faça feliz também." Não falo muito com Emerald sobre Eagle, mas crescemos juntas e podemos ler uma a outra. Nas poucas vezes em que Eagle me deixou para visitá-la, ele sempre fez um esforço para entrar e dizer olá e perguntar como ela está. Isso só mostra que tipo de homem ele é. Mesmo quando ainda estávamos descobrindo o que sentíamos um pelo outro e as coisas ainda eram estranhas e novas, ele saiu da sua concha, a que usa para manter os outros longe e fez um esforço para ser educado com a pessoa que mais importa para mim. "O clube ainda me deixa nervosa" ela confidencia enquanto caminhamos pelo corredor até seu quarto. “Deacon está bem comigo saindo? Ele tem sido tão amável, vou sentir sua falta. Ainda poderei vê-lo?” "Sim, é claro, poderá vê-lo e tenho certeza que ele ficará feliz que você e eu estamos juntas novamente" digo a ela, abraçando-a perto do meu corpo. "As pessoas no clube serão muito respeitosas, prometo." Neste momento, forço-me a não pensar sobre onde as coisas irão. Emerald não pode viver no clube para sempre e as coisas

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ainda estão mudando. Terei um lugar para morar, mas o clube não pagará mais minhas mensalidades da faculdade. Afasto esses pensamentos para a parte de trás do cérebro enquanto a ajudo a arrumar suas coisas. Tudo ficará bem. Eu sei que ficará. Tenho minha irmã de volta e Eagle ao meu lado. Abel poderá vir até nós, mas ele está prestes a ter uma lição sobre a verdadeira família e o que isso significa.

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EAGLE

“Vocês parecem ter um problema, então vamos ouvir,” diz Deacon depois de fechar a porta atrás de Skylar, deixando-nos do lado de fora durante a noite com os insetos passando em volta da luz na varanda acima de nós. Op cruza os braços sobre o peito e amplia sua postura. "Você recebe informações da Emerald para dar ao DEA?" Direto ao ponto, sem nenhum rodeio, apenas fazendo a pergunta e tendo uma resposta. Deacon inclina a cabeça para o lado e estreita os lábios. "Eu a tranquei numa sala de interrogatório e pedi informações?" Ele responde. "Não, eu não fiz." “Então, como explica essa merda antes de eu te dar um soco na cara por ser um maldito idiota” diz Optimus. "Porque nós dois sabemos que espero uma desculpa para fazer isso há um tempo." Deacon revira os olhos, mas fica firme. "E eu pensei que estávamos nos dando tão bem." “Eu também,” Optimus resmunga. Agora sei que Op não está apenas chateado porque Deacon usou alguém ligado ao clube para conseguir informações, ou que Deacon fingiu ser um cavalheiro perfeito quando ofereceu sua ajuda. Não, Op está se sentindo traído. As coisas estão tensas entre os dois, para começar e sei que Op ainda guarda certo ressentimento em relação a ele. Mas a

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verdade é que ele nos ajudou em algumas ocasiões e se levantou por nós quando merda aconteceu. Há uma confiança começando a se formar entre Deacon e o clube e a menos que haja uma explicação razoável, sei que esse movimento pode ter acabado com tudo e nos dado outro inimigo. Um que sabe a merda que pode usar. Deacon permite que seus ombros caiam e se recosta na porta. “Olha, entrei nisso pensando em descobrir as coisas que descobri? Claro que não,” ele diz com um suspiro. “Estava interessado na Colônia. Observei-os antes e sabia o tipo de merda que faziam lá e isso me dá nojo. Realmente queria ajudar a proteger Emerald de ter que voltar para lá." Ele olha Op diretamente nos olhos, sem vacilar pelo olhar intenso que recebe, todos esperando que ele continue. “Quanto mais confortável Emerald ficava, mais ela contava coisas que eles não a deixavam fazer e coisas que permitiam. Mais detalhes, mais coisas que reviraram a porra do meu estômago, mas que ela descreveu como tão natural, tão normal." Eu o vejo visivelmente tremer antes de reencontrar a compostura e ficar um pouco mais ereto. "Foi o nome que eventualmente apareceu que me fez pensar que poderia usar isso para ajudar a derrubar esses babacas.” “Brock Obrien" digo, o gosto do nome dele na minha língua é como leite azedo. O olhar de Deacon vem para mim, ele está surpreso que sei. "Sim, Sky e eu pedimos a Wrench para pesquisar sobre ele e sua ficha policial é impressionante." "Nem sabe a metade do que está acontecendo" Deacon ferve. “Quando deixei a DEA saber que ele estava lá - com evidências e relatos em primeira mão de Emerald e sabendo o que está fazendo, eles conseguiram um mandado por ele ser um criminoso procurado.”

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"Que evidência ela tinha?" Pergunto confuso, porque até onde sei Emerald saiu da Colônia com uma foto de Sky e as roupas do corpo. Quando os olhos de Deacon se movem para a porta, ouvindo para ter certeza de que as garotas não estão por perto, sei que a merda está prestes a piorar. “Temos notícias de que seu irmão mais velho está voltando para Sky por envergonhá-lo em Dallas. Precisamos de todos os detalhes se quisermos manter as garotas a salvo" pondera Optimus, mudando o tom de voz. Ele não está implorando, mas pede que essa besteira seja deixada de lado para Deacon poder trabalhar conosco e parar de nos manter fora do circuito com informações que influenciam o clube. Deacon suspira. "Emerald trouxe sua certidão de casamento, assim como fotos dela e Brock no dia do casamento." Blizzard, Optimus e eu ficamos lá com as bocas abertas. Levo vários momentos processando a informação até poder formar uma resposta. "Skylar não sabe" murmuro e Deacon se encolhe. “"Não, Emerald não queria que ela soubesse" ele confirma tristemente. "Merda!" Amaldiçoo, passando meus dedos pelo cabelo. Todos olhamos para cima quando ouvimos passos vindo em direção à porta da frente. Optimus balança a cabeça e cerra os punhos ao seu lado. “A merda acaba de ficar muito mais complicada.”

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Depois de dez minutos tentando convencer Emerald a subir no banco de trás da moto de Blizzard — nenhum de nós considerou que ela ficaria assustada demais para ir - Deacon ofereceu uma carona e levou Emerald ao clube em seu carro. O clube ainda é uma bola de energia nervosa quando chegamos e rapidamente apressamos todos os caras para a igreja para um breve resumo sobre com quem estamos lidando e quais são as possibilidades. Saio da sala de reuniões em busca da minha mulher, encontrando-a no bar rindo com Emerald e Jess. Envolvendo os braços ao redor dela por trás, sinto-me completo quando ela se derrete em meus braços e encosta a cabeça no meu ombro, virando o rosto para que eu possa capturar seus lábios. O beijo é suave, mas foda-se, deixa-me duro pra caralho e pressiono os quadris em suas costas, deixando-a sentir quão pronto estou para levá-la para a cama e mostrar o quão feliz estou por ela ser minha. “"Preciso levar Emerald ao seu quarto, então estarei pronta para ir para a cama" ela murmura baixinho, com os lábios no meu pescoço. "Hoje à noite foi um pouco louco." "Sim, estava me preparando para dormir antes de chegarem" diz Emerald, com a voz tão doce e inocente que nunca falha em me chocar. Skylar bufa quando salta da banqueta e puxa a mão da irmã. "Oh, é isso que estava fazendo enquanto empurrava a mão cheia de salgadinhos de milho na boca" ela brinca. Emerald protesta, mas permite que Sky a leve. Ela sorri para mim por cima do ombro. "Não vou demorar." Suspiro e Jess ri quando viro e vou embora, com meu pau duro contra o jeans. Não dou à mínima. Skylar fodeu minha cabeça e está tomando toda a força que tenho neste momento para não me virar e jogá-la sobre o ombro. A parte engraçada - sei que ela adorará.

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Sento numa cadeira vazia, pedindo a Hadley para pegar uma cerveja de Leo da mesa. Ele instantaneamente se vira para mim. "Quem fez xixi na porra do seu salgadinho?" Ele pergunta com a sobrancelha levantada antes de adicionar. "Diga a eles para pegarem uma cerveja na próxima vez, em vez de roubar a minha." Hadley revira os olhos para seu homem antes de também virar o corpo para me encarar. “Problemas no paraíso?” "Não sei de que porra está falando" resmungo, bebendo metade da cerveja antes de colocar a garrafa na mesa. O gosto amargo do líquido gelado me arrepia e limpo a barba com as costas da mão. "Meu detector de besteira está em alerta máximo" Hadley diz novamente. Endireito meus ombros. "Tenho um detector que está em alerta máximo, também" digo novamente, apreciando a maneira como todo seu corpo se acalma. "Um que me faz questionar porque sempre que te vejo, está bebendo refrigerante." Ela me empurra no braço, forte o suficiente para me desequilibrar. "Cale a boca!" Ela sussurra, os olhos correndo ao redor descontroladamente para ver se alguém presta atenção. Meus olhos voltam para Leo, que apenas se senta de costas, sorrindo como o gato Cheshire e sei instantaneamente que minhas suspeitas estão certas. Sorrio quando passo o braço em volta do ombro de Hadley e a puxo para meu lado. “Feliz pra caralho em saber. Você está grávida?", pergunto, rindo quando Leo a puxa para longe dos meus braços e para o dele. O gesto é brincalhão, ele sabe que Hadley e eu temos um tipo diferente de amizade, mas ele não é homem de deixar sua mulher vagar por muito tempo nos braços de outro, não importa quem seja. Hadley bufa. "A questão é de quantos meses estou grávida" ela responde, mantendo a voz baixa, seu corpo relaxando quando

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os lábios de Leo vão para seu pescoço. "E a resposta é quatorze semanas." “Pensei que estava começando a parecer um pouco... Ai!" Hadley me dá um soco no estômago, mal sinto e sei que ela pode bater muito mais forte, mas afasta o punho, virando e mostrando o dedo do meio "Homens estúpidos e idiotas com abdomens duros me chamando de gorda" ela murmura enquanto pega seu refrigerante, quase o derramando com sua fúria e bebendo até a metade. Leo sacode a cabeça e ri. “Alguém já lhe disse para não irritar uma mulher grávida? Hormônios, homem, porra de hormônios." “Onde Skylar foi? Preciso de outra garota nessa atmosfera repleta de testosterona." "Ela foi acompanhar Emerald para seu novo quarto" resmungo como uma fodida criança e não dou a mínima para isso. O rosto de Hadley suaviza e então ela diz algo que me surpreende. "Acho que pode ter acabado de encontrar seu propósito" ela sussurra baixinho. Minha mente volta para a conversa que tivemos quando ela estava de luto pela morte de Slider. “Lembre-se que seu propósito foi feito, o meu não" digo a ela ficando de pé. “Seu objetivo é Leo e Macy. Eles precisam de você." Viro para sair, sentindo uma onda de emoção ao meu redor e não sei o que fazer. Preciso fugir, mas quando Hadley chama meu nome, vejo-me congelado no local. “Você sobreviveu também. Então, qual o seu propósito?” Ela pergunta, enviando uma dor diretamente para o meu coração. Olho para ela por cima do ombro e respondo com sinceridade. "Não sei ainda. Mas um dia vou descobrir.” Um sorriso curva o canto da minha boca e assinto.

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Talvez ela esteja certa. Talvez tenha encontrado meu propรณsito.

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Skylar

Puxo o cobertor sobre minha irmã quando ela se aconchega na cama. Ela está dormindo no que costumava ser o quarto de Blizzard, mas está vago desde que ele e Rose se mudaram para sua própria casa a poucos minutos da rodovia. Isso significa que ela está a apenas algumas portas e me assegurei que sabe qual a porta de Eagle no caso de algo acontecer durante a noite. Ela parece muito feliz por estar na sede do clube, acho que está agradecida aos irmãos e começando a entender que eles não vão machucá-la, mas são aqueles tentando mantê-la segura. “Eu te amo” sussurro, tirando seu cabelo do rosto, suas pálpebras um pouco fundas de exaustão. “Eu te amo mais” ela murmura com um sorriso. Deixo-a para dormir, saio do quarto na ponta dos pés e volto pelo corredor, ansiosa para encontrar Eagle e passar a noite em seus braços. É brega, eu sei, mas honestamente, não me importo. Quando dou o último passo, meu pé nem sequer bate no chão antes de ser levantada por dois braços fortes e levada de volta pelo caminho que vim. Escuto assobios e vaias vindos da sala do andar de baixo que me fazem rir quando Eagle me ergue por cima do ombro e fico pendurada enquanto ele vai em direção ao seu quarto. Não vale a pena tentar lutar contra, então simplesmente me solto, revirando os olhos dramaticamente e resmungando para mim mesma. “Por que eles sempre têm que jogar as mulheres sobre

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os ombros? Eles não podem carregá-las suavemente? Sempre têm que seguir a maldita rota de homem das cavernas?” Queixo-me enquanto Eagle abre a porta do quarto, fechando-a antes de se inclinar para a frente e me jogar na cama. “Alguém já lhe disse que reclama muito?”, ele pergunta, olhando para mim com a sobrancelha arqueada, mas com um sorriso claramente divertido no rosto. Cruzo os braços sobre o peito, recusando-me a levantar a cabeça e olhar enquanto ele está ao pé da cama. “Você está reclamando por eu estar reclamando? Isso é um pouco irônico,” respondo, tentando não ser presunçosa, mas mentalmente conto isso como uma vitória. Quando ele não responde, movo-me nervosamente, perguntando se ele de repente decidiu que teve o suficiente da minha boca inteligente e vai me levar de volta para fora da porta. Posso ouvi-lo se movendo, mas ainda tenho medo de olhar, preferindo concentrar-me no teto e nas marcas estranhas que há nele. Eu me pergunto quanto tempo— “Venha aqui” a voz rouca de Eagle exige sem brincadeiras. Minhas costas endireitam e mordo meu lábio enquanto lentamente me sento, procurando por ele, mas ao mesmo tempo evitando contato visual. Ele está sentado na poltrona grande que fica no canto do quarto, geralmente coberta com roupas, toalhas ou qualquer coisa que realmente não têm um lugar ou que ele não se incomoda em jogar fora. Toda essa tranqueira agora está no chão e levanto uma sobrancelha para ele. Ele mantém o rosto impassível, mas posso ver o fogo em seus olhos e não perco a forma como seu jeans está esticado, a protuberância neles sendo o suficiente para deixar minha buceta formigando em antecipação. Eagle entorta o dedo para mim e sigo

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lentamente a instrução, deslizando para fora da cama e ficando em pé. Estou excitada e nervosa ao mesmo tempo, tentando julgar seu comportamento enquanto lentamente me aproximo, um passo depois do outro. “É bom ver que finalmente limpou a poltrona,” comento, incapaz de segurar minha língua desde que estou lhe dando merda sobre isso faz uma semana ou mais. Eagle me faz rir, ele me faz querer empurrar seus botões e dizer coisas estúpidas até que ele sorria, porque seu sorriso me aquece, faz-me sentir como se ele existisse para mim. Mas do jeito que ele está me olhando, faz-me sentir quente também, mas por uma razão totalmente diferente. Meu corpo arde de desejo enquanto ele continua me olhando, seus olhos escuros e ameaçadores, mas da maneira mais sexy possível. Sei que ele não vai me machucar. Sei que este homem nunca encostará um dedo em mim sem dar prazer, mas estou começando a pensar que talvez para ter esse prazer esta noite, sentirei um pouco de dor. Quando estou finalmente ao seu alcance, sua mão levanta e agarra meu pulso me puxando para a frente, então estou de pé entre seus joelhos espalhados. “Vire e toque o chão” ele ordena e vejo o lampejo de um sorriso no canto de sua boca. “Desculpe?”, pergunto, juntando minhas sobrancelhas. Ele estende a mão e abre o botão do meu jeans. Em seguida, arrasta para baixo o zíper e com um movimento rápido, puxa a calça para baixo das minhas coxas. Olho-o como se fosse louco, seu rosto a apenas centímetros da minha buceta. Que agora só está coberta por uma tanga rendada. “Vire e toque o chão” ele repete e desta vez o sorriso é totalmente evidente. “Disse a você que um dia essa sua boca inteligente ia te colocar em problemas, esta noite ela colocou.” Puta merda.

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Se meu fio dental já não estivesse encharcado, agora ficaria. Meu clitóris começa a pulsar com necessidade enquanto lentamente movo os pés virando, então estou de costas para ele. “Toque o chão” ele ordena, obviamente tão afetado por isto como eu. Inclino-me, colocando as mãos no chão e silenciosamente agradeço meu instrutor de yoga. Um tapa alto enche o quarto e a dor que se segue me faz xingar o homem atrás de mim. “Droga, Eagle!” Ele ri, mas é seguido por outro tapa na nádega oposta, desta vez quase me fazendo cair de cara no chão. Há uma linha tênue entre o que é bom e o que é apenas muito doloroso e ele está administrando isso como um profissional, porque não sei se viro e grito com ele ou rebolo a bunda em seu rosto. A decisão é tirada de mim, ele agarra ambas as bochechas e gentilmente roça o polegar sobre a pele macia antes de pressionar vários beijos na área. Gemo, feliz com a atenção, apreciando o toque suave que sei que ele é capaz e que muitas vezes desejo. Eagle tem me provado uma e outra vez que há mais dele do que as pessoas veem, como a gentileza que não esperava. Há esse estigma sobre os caras — eles não fazem romance, eles não dizem palavras doces. Quando está com um irmão, espera que as coisas sejam duras e ásperas com um tipo de conversa suja que faz a calcinha de qualquer mulher derreter instantaneamente. E quando você consegue apenas isso, agora estou apreciando a conexão que temos e a forma como consigo ver uma parte dele que tenho certeza de que outros não tem acesso. “Venha aqui” ele insiste, mais suave agora, ajudando-me a ficar de pé novamente e girar sem cair enquanto todo o sangue corre de volta para o resto do meu corpo. Seu jeans já está em torno dos tornozelos e seu pau está orgulhosamente contra o estômago enquanto ele tira a camiseta

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pela cabeça, esticando o corpo e deixando-me ali com o queixo caído como se fosse algo que nunca vi antes. Porque, maldição, cada vez que olho o corpo deste homem fico cada vez mais fascinada. Juro que o homem deveria estar em revistas, porra, ou Playgirl, ou mesmo capas de livros ou algo assim. Ele é perfeito demais para ser real e estar aqui comigo. “Só vai olhar, menina bonita?”, ele pergunta, tirando-me da sessão pervertida e trazendo meus olhos para seu rosto. Sua mão está em torno do pau e ele dá puxadas firmes até que não aguento mais e tiro a calcinha. Eagle geme em apreciação quando coloco meus joelhos no pequeno espaço em cada lado dele, minha buceta roça em seu comprimento e me faz ofegar. Suas mãos fazem um rápido trabalho na minha regata, jogando-a atrás de mim, seguida de perto pelo meu sutiã que ele consegue desabotoar rapidamente num recorde de dois segundos, com uma mão. Ele imediatamente segura meus seios, um em cada mão e inclina-se, roçando cada mamilo com a língua. Contorço-me, ele adora isso, movo-me para frente e para trás até estar moendo contra ele e gemendo seu nome numa mistura de necessidade e irritação. Uma mão se move, segurando em volta do meu pescoço e puxando minha boca para a sua, enquanto a outra mão agarra seu comprimento e alinha com minha buceta que agora está completamente encharcada de necessidade. Tão logo ele está onde quero, sua mão escorrega e eu me abaixo até a base, fazendo-nos tremer. “Porra” ele silva entre os dentes enquanto minha boca está aberta tentando recuperar o fôlego. “Droga, Sky, está tentando me matar?”

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Engulo em seco, empurrando meu corpo para cima e desço novamente. Agarro seus ombros e as mãos de Eagle vão para minha cintura como se estivesse tentando me acalmar, mas em vez disso, Eagle apenas me segura lá enquanto levanta os quadris, entrando um pouco mais. Jogo a cabeça para trás, meu cabelo comprido faz cócegas nas minhas costas. “Acabo de ter você” murmuro. “Matar você iria destruir toda a razão pela qual eu estava uma bagunça chorando mais cedo.” “Com certeza” ele resmunga, obviamente achando difícil manter o controle quando começo a me mover subindo e descendo em seu pau — devagar, bem devagar. Sinto ele se mover e um estremecimento vibra através do meu corpo quando sinto sua barba contra minha garganta, seus lábios se movem através da minha pele, sem beijar, apenas uma suave carícia que de alguma forma parece muito mais intensa, muito mais íntima. Ele traça minha clavícula e assim que tenta se afastar, coloco o braço em volta do seu pescoço, segurando-o firmemente contra mim enquanto o monto, meu ritmo se tornando mais e mais rápido. Suas mãos se movem dos meus quadris, seus braços envolvem minha cintura enquanto ele ajuda a subir e descer, ajudando-me a encontrar um ritmo que imediatamente acende o fogo na minha barriga. "Eagle" gemo, seus quadris se movem ao mesmo tempo que os meus, nós dois empurrando um no outro, nossos corpos queimando. "Maldição" ele amaldiçoa e grito, agarro-o enquanto ele se levanta, seu pau ainda dentro de mim, quando ele vira para a parede e bate minhas costas nela, quase expulsa o ar dos meus pulmões. De repente ele está no controle e só posso me segurar durante o passeio enquanto ele usa a parede para alavancar meu corpo, o ângulo força seus impulsos acertando no ponto perfeito.

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Jogo a cabeça para trás, batendo contra a parede dura enquanto meu corpo começa a tremer quando um orgasmo me atinge como um tsunami, roubando a respiração e me deixando ofegante. “Eagle!”, digo asperamente. “Sim, querida” ele geme no meu ouvido quando me bate contra a parede, prendendo-me lá, nós dois lutando por ar quando ele goza. Posso dizer que suas pernas tremem e tento descer, mas ele me segura mais forte e de alguma forma nos guia através do quarto para a cama sem que seu pau ainda duro saia de mim. Agarro-me a ele quando caímos na cama, ainda emaranhados nos braços um do outro e estremecendo com tremores secundários, os movimentos quase suficientes para bater de novo o ponto incrível para caralho e me satisfazer. “Viu o que acontece quando é uma maldita espertinha” ele geme, mordendo meus braços que ainda estão em volta do seu pescoço. “Nós dois sabemos que sou esperta todos os dias e que isso nunca aconteceu antes” murmuro, de repente me sentindo muito quente e pegajosa. Ele bufa. “Estou registrando.” “Quantos antes de eu ter esse tipo de sexo outra vez?” “Vinte” ele responde com uma risada. Afasto-me, olhando-o bem nos olhos com um sorriso. Ele balança a cabeça, sabe o que está vindo. “Como passa no aeroporto com esse abdômen de aço?” “Isto é um.”

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Skylar

As coisas nos últimos dias foram um pouco insanas e luto para não perder a cabeça. Emerald está realmente desabrochando e até começou a falar com alguns dos homens quando perguntam como ela está. Eagle e eu realmente não tivemos chance de discutir o que faremos depois que a loucura acabar, já que a Emerald não pode morar no clube para sempre e preciso descobrir como pagar as mensalidades da faculdade. Em vez disso, ele apenas exige que eu continue estudando e que tudo ficará perfeitamente bem. O que me aborrece muito. Então é isso o que estou fazendo quando a merda bate no ventilador. “Skylar! Precisa correr aqui agora!” Alguém grita lá de baixo, fazendo-me saltar da cama de Eagle, os livros de estudo que estão no meu colo caindo no chão. Abro a porta, sem me preocupar em olhar para trás e ter a certeza que não quebrei nada quando ela bate com força contra a parede, em vez disso apenas levo meu traseiro pelo corredor e desço dois degraus de cada vez. Procuro quem me chamou com tanta urgência e encontro Wrench vindo na minha direção com seu laptop nas mãos. Sua testa está franzida e os lábios apertados com força.

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Rose e Levi estão no pátio, freneticamente levando Harlyn, Macy e Jayla para dentro, com Levi puxando as travas quando estão todos em segurança. “O que está acontecendo?” Optimus pergunta, aparecendo do corredor que leva ao seu escritório e olha aborrecido para Wrench. Wrench aponta para a tela de seu laptop. Ele mostra imagens de segurança de toda a rua. Deixa-nos ver quem está indo e vindo, e nos dá alguns segundos extras de aviso se há problemas se aproximando. Os membros do clube que, obviamente, ouviram o barulho e começaram a encher a sala, olham um para o outro, confusos. O que vejo na tela, porém, faz-me correr sobre o piso de madeira enquanto luto para chegar à porta da frente do clube. "Dice! Segure-a!” Dice aparece do nada, seus braços me agarram e seguram suavemente, mas de forma firme em seu peito. “Eu preciso ir buscá-la!” Imploro, girando em seus braços, com lágrimas nos olhos enquanto ele me arrasta de volta para onde Wrench e Op estão olhando a tela do computador. Mais irmãos se juntam ao redor, todos confusos com o que estão vendo. Há uma garota andando na rua. Uma garotinha que conheço, mas que não vi em seis anos desde que ela tinha cinco. O vestido comprido que chega até seus tornozelos com mangas até os pulsos é azul pastel, a gola perfeitamente passada, um sinal revelador de que ela não é daqui, mas eu a teria reconhecido em qualquer lugar. Seu cabelo laranja é claro e brilhante à luz do sol, amarrado numa trança apertada e grossa nas costas. Quando crescemos, todos nos perguntávamos como ela acabou com feições tão diferentes do resto de nós, especialmente considerando que nem nosso pai nem sua mãe tem um toque de vermelho nos cabelos.

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“Por favor” sussurro, olhando Optimus, meu coração doendo. “Eu preciso ir buscá-la.” Embora não possa ouvir qualquer som, posso ver seu corpo tremendo enquanto ela soluça, dando um passo ansioso após o outro na rua. Seus olhos correm ao redor e ela treme de medo, assustando-se cada vez que há algum movimento ou o vento balança a árvore. Ela está petrificada. “Que porra ela está fazendo aqui?” Optimus xinga, voltandose para Blizzard. “Providencie todos os caras armados e as meninas lá em cima com Chelsea.” Todos os membros se espalham rapidamente me deixando lá com Wrench, Op e Dice, que ainda está me segurando. Eagle tenta me dar algum espaço para me concentrar nos estudos e foi à cidade com Skins e Jess pegar comida e suprimentos, para o caso do clube ficar fechado. As outras três meninas do clube foram para a X-Rated para trabalhar à noite porque o pessoal do bar está longe. Preciso dele, preciso dele para convencê-los que temos que levá-la para dentro. Seus pés estão descalços e quando me concentro na tela, há manchas escuras em torno de seus olhos e bochecha. Hematomas. “Delilah?” Viro ao ouvir a voz de Emerald. Ela está olhando a tela, os olhos arregalados de choque. Ela abre a boca algumas vezes como se estivesse tentando soltar palavras, mas elas morrem em sua língua. Ela não consegue se afastar da tela, é como assistir a um filme de terror, sabendo que em breve o monstro vai pular em você. O olhar de Emerald está nublado e confuso. Ela não consegue entender o que está acontecendo. "O que ela está fazendo?", ela pergunta, olhando para Optimus por uma explicação de por que nossa irmãzinha estava aqui, sozinha, andando pela rua.

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“Diga você” ele bufa. “Sua irmã aqui quer correr lá fora e resgatar esta menina, sem sequer perguntar como diabos ela chegou aqui, de onde veio e o que na porra do nome de Deus ela pensa estar fazendo.” Optimus me olha como se fosse louca e talvez seja. Ele está certo, não há nenhuma boa explicação para Delilah estar em Athens a menos que alguém a tenha trazido. Mas isso não muda o fato de que meu coração quebra enquanto a vejo andando pelo meio da rua em direção ao complexo, parecendo estar caminhando em direção a sua morte. Os irmãos movem-se rapidamente em torno do clube, preparando-se com fuzis e pistolas, puxando pedaços de parede para revelar buracos secretos de onde podem disparar e ainda ficarem protegidos. “Eles estão usando a garota para nos fazer sair” diz Wrench, balançando a cabeça em descrença. “Uma criança, Op. A porra de uma criança.” Optimus range os dentes. “Eles têm que estar observando de algum lugar. Eles terão alguém com um alvo sobre ela no caso de um de nós sair.” Ele coloca as mãos sobre a mesa e olha a tela do computador como se fosse seu pior inimigo. “Leo, pegue Ham e vá para a parte de trás e até o entorno, há apenas um punhado de fábricas abandonadas de vários andares por aqui em que eles poderiam estar, algo vazio, possivelmente no alto com uma vista da estrada.” Os dois garotos saem imediatamente pela cozinha até a porta dos fundos do clube, com as armas bem firmes em seus corpos e determinação nos rostos. Essa é uma das coisas que meu pai subestimou sobre esses irmãos, as pessoas que chamo de minha família — eles não tem medo de revidar. "Ela é dispensável" Emerald anuncia abruptamente, atraindo olhares horrorizados dos membros do clube que ficaram na sala ao nosso redor. Ela parece estar olhando o nada, seus olhos vidrados enquanto olha pela janela. "Eles vão matá-la."

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“Que porra está falando?” Blizzard grita de seu posto ao lado da porta, seu rosto está vermelho, as veias do pescoço tensas. “Ela é uma criança, uma criança, porra!” É doentio pensar que se rebaixariam tanto e assustador saber que meu pai poderia matar um de seus próprios filhos para se vingar ou para provar um ponto, mas, infelizmente, isso honestamente não é tão surpreendente. Este é quem ele é, esta é a maneira como ele criou meu irmão e os homens que estão ao lado dele. A punição é feita com dor e sangue. Emerald não se assusta quando Blizzard gritou com ela do outro lado da sala. Ela apenas olha para ele confusa. Sei o porquê. Porque ser uma criança nunca foi uma desculpa para nosso pai não levantar a mão ou nos bater. Nós odiávamos isso, mas nunca soubemos ser errado. “Seu cabelo vermelho... nosso pai sempre disse ser um sinal de que ela foi tocada pelo fogo do inferno. Ele disse que sua mãe pensou coisas ruins sobre a Colônia enquanto estava grávida.” Emerald está apenas racionalizando agora, está desligando suas emoções e tentando não pensar no fato de que pode estar prestes a assistir Delilah ser morta. Este é seu modo de sobrevivência: ‘se estou entorpecida, isso não pode me machucar.' “Mesmo seu nome no Antigo Testamento é de uma mulher sedutora.” “Pare, Emerald,” digo, lágrimas enchendo meus olhos quando Delilah se aproxima do composto. “Por favor, pare.” Hadley desce correndo as escadas. “Eagle está a caminho com Skins e Jess,” ela diz, estendendo seu telefone. “Disse a ele tudo o que pude. Ele está vindo rápido, mas disse para mandar por mensagem quaisquer detalhes adicionais. Estão a cinco minutos.” Optimus pega o telefone e começa a digitar furiosamente.

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Talvez consigam pegar Delilah assim que chegarem na rua. A ideia é esperançosa, mas a mantenho guardada na mente. Mesmo assim, meu corpo ainda anseia por correr pela porta, atravessar todo o cascalho para os portões do composto na esperança de colocá-la para dentro e em segurança. Ela só precisa vir um pouco mais — O som agudo e estridente de uma bala atravessando o ar é seguido por algo que espero nunca mais ouvir - o grito doloroso de minha irmã de onze anos sendo baleada. Tropeço em direção à tela do computador, enquanto todos os irmãos olham de um lado para o outro confusos e completamente em choque. Lá está ela, sentada no meio da estrada, segurando o músculo da panturrilha e gritando por perdão. Sangue vaza entre seus dedos, escorrendo pela perna. Quero vomitar. Ver seu olhar horrorizado, com uma dor que nenhuma jovem da sua idade deveria experimentar. Ela deveria estar reclamando por fazer lição de casa, beijar garotos no recreio e fazer amizades que durarão a vida toda. Não isso. Tento sair pela porta, mas Optimus está em mim antes que eu possa me mexer. Então, antes que perceba, estou chorando, gritando para ninguém em particular, apenas para a deixarem sozinha. Não consigo desviar o olhar. Juro que é uma imagem que nunca vou esquecer. Pelo resto da minha vida.

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Eagle

“Entre na porra da caminhonete!” Grito, correndo ao redor do veículo para onde Jess e Skins estão carregando os mantimentos. Enquanto Jess olha para mim em estado de choque, Skins é o homem sensato que eu gosto, engancha sua mão através de todos os sacos de supermercado e os joga no banco de trás. Pães, leite, queijo, cerveja, fica tudo espalhado por todos os lugares e no chão, mas não há tempo para perder. Uma vez que Jess se recupera, ela simplesmente empurra o carrinho de compras através do estacionamento na direção do ponto de devolução dos carrinhos e mergulha no banco de trás com a explosão das compras, assim que ligo o motor. Meu pé fica estável no acelerador e estamos rugindo para a saída em segundos. A chamada de Hadley não é nada boa e já sinto a névoa da raiva tomando conta de mim. Alguns bastardos vão me pagar. Hoje, amanhã, de preferência ontem. Porra! Inferno vai despencar na cabeça deles. Irônico, dado que essas pessoas têm tanto medo de acabar naquele lugar. Ficarei feliz trazendo-o para eles. “Qual é a situação?”, pergunta Skins, que está olhando para mim com absoluta seriedade. Todos nós afivelamos os cintos enquanto já estamos entrando na estrada e Jess amaldiçoa quando sua cabeça bate contra a janela. Seguro o volante, forçando a caminhonete de Op tão rápido quanto é possível sem acabar nos matando. Informo rapidamente

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sobre o que está esperando por nós quando voltarmos. O clube está com a casa basicamente trancada e há uma menina, outra das irmãs de Sky, em pé na rua chorando. Jess empalidece instantaneamente. “Eles não vão...” ela não consegue dizer em voz alta e eu não sei mais o que dizer a ela, então eu só deixo as palavras suspensas no ar denso da cabine. “O que faremos?” Meu celular começa a vibrar e o puxo de dentro do meu bolso, passando-o para Skins. “Leia,” peço bruscamente. “Eles querem que nós tentemos puxá-la para fora da rua quando passarmos por ela” Skins retransmite, seus olhos verificando a mensagem. “Leo e mais dois estão por ali tentando caçar quem está lá fora, mas até agora não fizeram nenhum movimento para fazer qualquer coisa.” “Puxá-la para fora da rua?” Jess exclama, seus olhos encontrando os meus pelo espelho retrovisor. “Nós a puxamos para cima, eu a arrasto até o topo pelas axilas e então voamos para o clube antes que o irmão de Sky e seus amigos possam encher o carro de balas.” “Basicamente,” respondo, ouvindo somente parcialmente o que ela está divagando, mas, mesmo assim, percebendo que soa ridículo. Então as coisas mudam. “Eles atiraram nela,” Skins sussurra. “O quê?” Pergunto em estado de choque. Jess não está se movendo, sentada no banco de trás olhando para frente, seu peito subindo e descendo de forma constante. Meus olhos foram da estrada, para Skins, para ela, tentando descobrir se o que estou ouvindo é verdade. “Eles atiraram na perna” ele finalmente se corrige, não fazendo meu coração desacelerar nem um pouco, mas pelo menos

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nos dando alguma coisa. Ela não está morta, mas precisamos tentar chegar até ela antes que decidam que ela não tem valor para eles e façam o impensável. “Essas pessoas precisam ser derrubadas” diz Jess com raiva absoluta em sua voz. “Eles precisam ser removidos deste mundo.” “Como vamos pegar a garota?” Skins pergunta enquanto estende a mão e segura a mão de Jess, dando-lhe um aperto. “Eu tenho todas as minhas merdas médicas lá na sede do clube, há uma chance de que ela possa sair dessa se eu conseguir chegar com rapidez suficiente.” Meu pé pressiona com mais força contra o acelerador e nós sacudimos para frente. Estou imaginado todos os cenários na minha cabeça — o que sabemos, o que não sabemos, quais são os riscos como poderíamos evitá-los. “Você acha que esses caras são tão estúpidos que acham que nós deixaríamos Skylar ou Emerald correr porta afora para sua irmã, sem pensar... oh puxa, isso é meio esquisi...” paro no meio da frase e os olhos de Skins se arregalam. “O quê?” Ele pergunta enquanto repasso as coisas em minha mente outra vez, tentando me convencer que devo estar errado... “Eagle, homem, estamos quase lá, precisamos que...” “É uma distração.” A boca de Skins se escancara por um breve segundo, mas logo ele está se atrapalhando com o telefone, pressionando o botão de chamada pelo menos dez vezes em sua pressa. “Eu não gosto do que você acabou de dizer,” Jess aponta, sentando-se para frente e colocando a mão no meu ombro. “Por favor, diga-me que você não quis dizer o que acabou de dizer.” A voz de Skins a interrompe antes que eu possa lhe dizer que disse exatamente o que eu quis lhe dizer.

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“Op, Eagle disse que é uma distração, você precisa prestar atenção a sua volta,” Skins retransmite ao telefone. Eu posso ouvir meu presidente amaldiçoar e começar a dar ordens gritando com meus irmãos. “Jess, é melhor você pegar esta arma escondida aí debaixo do seu assento e espero que essas lições você tem tido com Hadley sirvam para alguma coisa” digo a ela. Estou tentando manter a calma, mesmo que, naquele momento, quisesse ser um bastardo egoísta e dirigir em linha reta através dos portões do complexo para encontrar Skylar. Por outro lado, tenho Jess sentada atrás de mim, sua mão ainda no meu ombro e seu corpo tremendo enquanto dirigimos a toda velocidade, em direção ao perigo, às armas e balas. “Jess... esta é uma hora que eu poderia realmente apreciar essa boca inteligente e sua atitude arrogante.” “Estou a-assustada, Eagle,” ela sussurra, sua voz falhando. Quanto mais tempo eu passo com Sky, mais eu vejo quem Jess realmente é. Ela pode ser uma cadela completa, excessivamente áspera, mas quando as coisas realmente são importantes, ela sempre dá um passo para ajudar as pessoas com quem se importa, mostrando sua face verdadeira, mesmo sem gostar que outras pessoas saibam disso. Era quase como se ela estivesse com medo de que se as pessoas tentassem se aproximar dela e descobrissem que ela não é tão idiota quanto finge ser. “Pegue a arma,” digo a ela calmamente. Skins já tinha encontrado sua arma e estava carregando-a. “Jess, confie em mim, você vai se sentir muito melhor quando tiver alguma coisa nas mãos para se proteger.” Olho para ela com o canto do olho. Jess pisca um par de vezes antes de inspirar profundamente e como se um interruptor tivesse sido acionado, ela mergulha para o rifle e rasga a munição anexada a ele com os dentes.

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“Malditos! Atiraram em uma menina, porra! Vou enfiar minha arma até a bunda deles” ela murmura para si mesma, o medo sendo substituído pela adrenalina. “Como vamos colocar a garota no carro e depois seguir para o clube?” “Estou supondo que o fogo está vindo da fábrica abandonada, com vários andares, que fica do lado esquerdo.” Esta é uma enorme suposição, mas nós estamos entrando nessa completamente no escuro, por isso não temos nenhuma informação concreta. “Então, vou usar esse lado para abrigar você. Enquanto isso, você abre a porta e arrasta a garota para dentro.” Tento explicar o plano, que soa confuso, mas é tudo que eu tenho no momento. Não recebemos qualquer retorno de Op, então sei que provavelmente ele está lidando com seus próprios problemas e espero que Skylar esteja bem. Sky é forte e teimosa como o inferno, se alguém vier atrás dela, ela vai lutar. Pelo menos até onde eu sei. Dobro a esquina, entrando na estrada do clube e eu já posso ver a silhueta da menina sentada no final da rua, quase diretamente do lado de fora dos portões do clube. “Você está pronta?”, pergunto sério enquanto alinho o carro em linha reta e grito rua abaixo. Jess coloca a arma no assento ao lado dela e chega mais perto da porta, a mão pousada na maçaneta quando ela olha nos meus olhos. “Pronta.” Dirijo para baixo do lado esquerdo da estrada, para que ela fique no lado direito para abrir a porta e arrastar a garota para dentro. Eu sou o único que fica vulnerável desta forma, bem, assumindo que o atirador esteja posicionado em uma das fábricas deste lado da estrada. O assento do motorista está reclinado apenas o suficiente para que o pilar entre o banco da frente e o de trás esteja protegendo minha cabeça. Assim que acerto os freios com força, um grande estrondo ressoa acima do rugido do motor da caminhonete enquanto luta

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para parar. Sinto que o carro foi atingido, exatamente no meu maldito pneu. “Merda!” Grito, tentando controlar este veículo monstro da porra com um pneu estourado, tentando não acertar na garota no centro da estrada. Meu controle é horrível. Com a frente esquerda do pneu agora no chão, estou lutando para evitar ser puxado para este lado e para fora da estrada. O ping de uma bala bater no metal faz todos nós pularmos fora de nossos assentos. Felizmente para nós, depois do que aconteceu com Hadley e Ham que foram baleados enquanto Macy estava no carro, e o fato de que muitos dos rapazes tem filhos agora ou estão querendo crianças, todos blindaram as portas de seus veículos através da International Armoring Corp. A verdade é que os carros não são à prova de balas, não importa quantos filmes de Hollywood tentem afirmar que são. Hadley teve sorte naquela vez porque eles alvejaram a caminhonete de Leo principalmente a partir da traseira — que forma uma camada extra de proteção. “Aqui está ela!” Grito quando bato com meu pé no chão tão forte quanto possível no freio, lançando-nos todos para frente. Jess consegue se recuperar do baque e abre a porta, a menina apenas a um metro e pouco do pneu traseiro. “Volte!” Skins grita e ergue a arma pela abertura estreita em sua janela. Jess consegue fechar a porta apenas quando uma rajada de balas acerta na altura da perna em todo o veículo. A menina do lado de fora está gritando, deitada no chão, cobrindo a cabeça. Skins revida com três rodadas de tiros, o suficiente para forçar o atirador a recuar para trás da cerca de metal alta que fica em frente à sede do clube. Lá se foi minha suposição e todo nosso plano. Eles estão vindo até nós de ambos os lados.

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De repente, minha janela se quebra, jogando vidro por todo o meu colo, a bala apenas roçando meu jeans antes de enterrar-se no console central. “Filho da puta!” Vamos ter que deixar a criança onde ela está, ou em poucos segundos, quando finalmente conseguissem um bom tiro, estaremos mortos, porra. Jess está deitada no banco de trás, assim que outra bala atravessa o carro, quebrando a janela na entrada e saindo pelo outro lado. Ouço-a rosnar, virando a cabeça apenas o suficiente para vê-la segurando o rifle em suas mãos. “Bastardos estúpidos” ela xinga, reorganizando seu corpo de modo que fique de joelhos no chão e o rifle apoiado na janela aberta. “Há três do meu lado, pelo menos,” Skins desabafa, enquanto tenta manter a cabeça abaixo da linha da janela. “Precisamos tomar uma decis...” Bang! Meu corpo zumbe com o som do rifle sendo disparado de dentro do veículo, vibrando através de mim e fazendo meu ouvido zunir. Coloco minhas mãos neles, tentando fazer o apito parar e não deixar que isso me desligue bem no meio de uma zona de guerra do caralho. Eu já posso sentir meu corpo formigando, mas estou lutando contra a sensação e não deixarei a neblina me vencer desta vez. Porra, não! Não quando minha família está em risco. Inspire. Eu não vou perder as pessoas que amo novamente. Ninguém vai levá-los de mim neste momento. “Agora há apenas dois!”, diz Jess, sua voz de repente calma e mortal. “Aguenta aí, querida, nós vamos tirá-la daqui” ela grita para fora da janela.

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“Dói!”, ela grita de volta, sua voz dolorosa e perturbada. “Eu me sinto tonta” grita ela, seguida de um soluço. Skins olha para mim, seus olhos um caldeirão de raiva e ódio, misturado com a dor de tentar entender como alguém pode fazer isso com uma menina que é tão inocente. “Nós vamos tirá-la daqui” ele diz rapidamente, seus lábios mal se movendo por causa do quão apertada sua mandíbula está. Ele está certo. Nós não somos covardes, nós não vamos fugir e eu me recuso a deixar esta terra sem saber que fiz o meu melhor, porra. Já vivi muito tempo com a culpa agora, perguntando-me por que diabos ainda estou aqui. Por que diabos fiquei aqui para viver com estes flashbacks, pesadelos, memórias paralisantes? E se este for o momento? Se for o motivo. Eu não posso ferrar com tudo agora. O barulho de pneus subindo a rua atrás de nós chama nossa atenção. Eu reconheço o carro imediatamente, é Deacon. Sem pensar, sento-me e jogo meu corpo para fora da janela, esperando que o atirador esteja olhando para ele e não para mim. Usando meus braços, aponto para o outro lado do carro, esperando que se ele tenha algum sentido, pare do outro lado da garota, para protegê-la dos filhos da puta que estão se escondendo no lado que Jess ainda está determinada a derrubar um por um. Seu carro se desvia na direção que estou apontando apenas no instante que um spray de tiros acertam seu SUV de ambos os lados. Ele derrapa até parar no lugar certo, e Jess não desperdiça mais um segundo, saltando do banco de trás e correndo pelo chão para puxar a irmãzinha de Sky em seus braços. “Que diabos está acontecendo!” Deacon berra. “Op ligou e disse que a merda estava ficando feia, mas caramba!” Ele cobre a

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cabeça e se abaixa, desaparecendo abaixo da janela quando uma rajada de balas bate na lateral de seu carro. Jess aparece na porta, saltando para dentro com a menina ainda agarrada ao seu corpo, caindo para a direita contra uma garrafa de leite que explode por toda a porra da caminhonete: sobre nós, no teto, o para-brisas, tudo respingado. “Vai!” Ela grita como se nada tivesse acontecido, batendo a porta atrás de si. Alívio me inunda. Mas dura pouco tempo. Levanto meu pé para movê-lo do freio para o acelerador. Acho que ouço o som primeiro, como uma espécie de aviso, antes que eu sinta através do meu corpo. O esmago e o baque de algo nos atingindo com força total por trás, jogando minha cabeça contra o volante e lançando Skins como uma boneca de pano contra o painel, caralho. As garotas gritam no banco de trás quando são lançadas, atingindo os assentos dianteiros antes de cair no chão em uma mistura de membros e gritos dolorosos. Meu coração parece que não vai conseguir sobreviver de tão forte que está batendo contra meu peito, ameaçando se quebrar. Tento me sentar, mas todo meu corpo parece que está cheio de concreto. Uma onda de náusea recai sobre mim, e eu luto contra o vômito que está subindo na minha garganta. Um gemido doloroso escapa da minha boca quando finalmente consigo empurrar a cabeça para trás contra o encosto de cabeça. Algo escorre pelo meu rosto e eu pisco, um vermelho vibrante tomando conta da minha visão e ardendo nos meus olhos. As coisas que estão acontecendo ao meu redor parecem se transformar em líquido. É como se eu estivesse dentro de uma piscina. Respiração por respiração, eu puxo ar depois de tê-lo forçado tão de repente para dentro de meus pulmões, mas eu ainda me sinto como se estivesse lutando.

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“Knight! Acalme-se!” Jamison estala enquanto estava deitado no chão ao meu lado, olhando-me através da janela. “Eu vou soltar você, mas preciso que você apenas respire.” Ele não podia ver que isso é o que eu estava tentando fazer, mas cada respiração parecia muito rasa e parecia como se alguém estivesse me apunhalando nas costelas com uma faca afiada. “Eu acho” murmurei, minha boca seca e cheia de sujeira e sangue. “Eu acho que minha costela pode ter perfurado o meu pulmão.” “Merda!”, ele amaldiçoou, escalando na moldura da janela apertada e me agarrando por baixo, enquanto estou pendurado de cabeça para baixo. Ele puxou a faca e começou a cortar o cinto. Ele congelou por um minuto e eu estava prestes a gritar com ele para me soltar de lá quando ouvi um helicóptero. Ele estava aqui, para nós. “Sim!”, ele exclamou enquanto voltou a trabalhar. “Isso vai doer, cara, mas tudo bem, porque estamos saindo daqui.” Eu ouvi o cinto de segurança se romper e Leo pegou o peso do meu corpo enquanto eu fui de cabeça contra o teto do veículo. “Filho da puta!” Eu gritei, todo o meu corpo parecendo ter sido incendiado. Eu soube imediatamente que o que fizemos foi um grande erro. O pouco de ar que eu ainda tinha agora estava completamente desaparecido. Comecei a bufar enquanto Leo jogou seu corpo para fora e, em seguida, agarrou minhas pernas, me puxando atrás de si. Segurei minha garganta. Eu não conseguia respirar. Puta merda! Eu não conseguia respirar.

Passos vão chegando ao lado do carro. Viro a cabeça ao ver uma pessoa lentamente mancando até o lado da caminhonete,

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segurando-se com uma mão para continuar de pé enquanto uma arma pendura ao seu lado. Um passo. Você não está lá no passado, você não está no tanque de guerra. Um passo. Seu pulmão não está perfurado desta vez, você só precisa inspirar de verdade. Um passo. Você está tendo um episódio, um ataque de ansiedade! Se você não se apressar e recobrar seu juízo, ele vai atirar em você. Clique. A proteção se desliga.

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Skylar

“Levi, leve Skylar e Emerald lá para cima com as meninas e fique com elas. Tranque a porta até que um de nós venha e diga que estamos seguros” Op exige quando arregimenta os membros, ditando ordens para todos os lados enquanto Levi nos guia para a escada. Olho para cima, vejo Sugar no topo com um sorriso triste. “Vamos,” ela acena para nós seguirmos em frente. “Precisamos ficar seguras para que eles possam se concentrar.” Lágrimas ainda escorrem pelo meu rosto enquanto subo as escadas, jogando-me nos seus braços à espera. Emerald nos segue em silêncio até o quarto de Op e Chelsea, onde Rose está balançando um dos bebês enquanto Harlyn, Jayla, e Macy estão jogando algum tipo de jogo de tabuleiro na cama de Chelsea, alheias ao que está acontecendo lá embaixo. Levi fecha a porta atrás de nós e a tranca antes de se inclinar para trás contra ela, cruzando os braços. Levi é jovem, mas é um garoto sério. Não brinca ou zoa com os outros caras, ele apenas faz seu trabalho, ouve em silêncio e fica na dele. Isso não faz dele a pessoa mais engraçada de se ficar junto, mas ele realmente faz com que eu me sinta um pouco mais segura com alguém que leva esta merda a sério. Eu quero ir para a janela, sabendo que esta dá para o quintal, mas em vez disso me forço até o sofá, onde Chelsea está

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sentada com Jack. Ela tentou me dar um sorriso de apoio, mas estamos todos tensos. Posso ouvir tiros e pessoas gritando, mas não consigo descobrir se partem do nosso pessoal ou não. Apertando o cobertor em minhas mãos, tento me concentrar em outra coisa. Preciso não pensar no fato de que essas pessoas estão aqui para me levar, matar-me ou fazer de tudo para prejudicar as pessoas de quem gosto, fazendo-me pagar por sair da Colônia. Hadley sai do banheiro e rapidamente examina o quarto. “Alguém tem uma arma?”, Ela pergunta. Levi assente, mas o resto de nós balança as cabeças. “Droga, eu me pergunto se tem como eu voltar até nosso quarto.” “Não, Op disse para não deixar ninguém sair” Levi argumenta com firmeza, de pé. Eu tenho certeza que nenhum de nós vai conseguir sair daqui tão cedo. “Op mantém uma arma na gaveta ao lado da cama e há uma .22 trancada no armário. O código é 1225, aniversário do menino.” Hadley vai direto para a mesa lateral e abre a gaveta, verificando se a arma está carregada antes de travar a segurança e enfiar a arma em suas calças. Assim que ela está prestes a ir para o armário, nós duas congelamos, ouvindo umas pancadas acima de nós. Os olhos de Hadley se arregalam, e eu sinto como se meu estômago afundasse. Levi é o único capaz de se mover e ele rapidamente corre para frente. “Chelsea, Rose, levem as crianças para o banheiro e tranquem a porta,” ele sussurra, suas palavras saindo com urgência enquanto corre para a cama e pega Macy e Jayla pela cintura e corre para o banheiro. Chelsea pega a mão de Harlyn, puxando-a enquanto embala um de seus filhos em seu outro braço. Rose está bem atrás dela, correndo para a porta do banheiro e entrando antes de Levi a

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fechar e sacar sua arma, de pé, aponta-a para frente com os ombros como um verdadeiro soldado pronto para proteger. Sugar reúne Emerald e abre a porta do armário, vasculhando lá dentro. Posso ver o medo no rosto da minha irmã. “Vai ficar tudo bem, Em. Apenas fique lá e não faça nenhum som, não importa o que você ouça,” eu peço, tentando não ser sufocada quando ela pisca e as lágrimas escorrem pelo seu rosto. Ela dá um passo para trás e Sugar fecha a porta. “Eles estão no telhado” diz Hadley, olhando para cima, o corpo tenso como se alguém pudesse cair através do teto a qualquer momento. “Sugar vai... fica no banheiro” diz ela suplicante. Sugar balança a cabeça, mas não tenho tempo para discutir porque, em poucos segundos, as janelas estão explodindo. Sugar e eu batemos no chão enquanto o vidro chove em torno de nós, cobrindo nossas cabeças. Eu posso sentir em minha pele nua, as bordas irregulares e afiadas instantaneamente cortando o meu corpo. Um, dois, três homens caem no chão do quarto. Tiros são disparados, um após o outro, balançando meu corpo e enchendo minha cabeça com barulho e confusão. O primeiro homem instantaneamente cai no chão, flácido e sem vida, enquanto Levi e Hadley se mantém firmes, disparando rodada após rodada contra os invasores. Um consegue sacar sua arma e atirar de volta. Grito quando Levi leva dois tiros, um na perna e outro no estômago, jogando-o contra a porta do banheiro, a arma caindo de sua mão. Hadley congela quando o mesmo homem vira a arma para onde Sugar e eu estamos, enquanto o terceiro aponta para ela. Posso ver que ela quer continuar lutando, mas quando olha para

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nós, a compreensão recai sobre ela, obrigando-a a levantar as mãos em sinal de rendição. Mais dois homens sobem através da janela. Não reconheço nenhum deles. Será que são da Colônia? Sei que são bem treinados lá, mas isso é algum tipo de nível superior. Eles estão com coletes à prova de balas e lidam com suas armas como profissionais, não apenas como alguns indivíduos que praticam algumas rodadas de tiro ao alvo em seu quintal. “Você deve ser Sapphire” diz um deles andando na minha direção com um sorriso arrogante que eu gostaria de arrancar de seu rosto maldito. Ao se aproximar, eu o reconheço e levo apenas um segundo para lembrar-me de onde. Eu zombo. “Brock Obrien,” cuspo enquanto tento me levantar do chão, lutando para dissipar a dor que estou sentindo por causa do vidro que havia caído em mim. Sugar está ao meu lado, com as costas eretas, o rosto uma máscara de indiferença. Todas nós nos recusamos a mostrar a esses caras que eles nos deixam com medo. Sabemos que os meninos que estão lá embaixo já teriam ouvido a comoção, e preciso ter fé que não vai demorar muito para que venham até aqui, mas o problema é, quantas pessoas mais vão acabar se ferindo se isso se transformar em um tiroteio. “Normalmente não gosto de invadir deste jeito, mas eu tenho que dar crédito ao clube, eles realmente têm este lugar bem protegido” diz ele parecendo quase impressionado. “Mas meus homens são melhores.” “Que diabos você quer?” Rebato, empurrando os ombros para trás e levantando meu queixo. É óbvio que ele não tem tempo para uma mulher forte, porque imediatamente ele dá um passo adiante em resposta, a mão saltando e agarrando um punhado do meu cabelo, puxando-me para frente.

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Seu rosto fica a poucos centímetros do meu, suas sobrancelhas escuras grossas se juntam quando ele estreita os olhos com raiva. “Onde está Emerald?” “Ela. Não. Está. Aqui,” falo para ele, tentando não deixar meus olhos lacrimejarem da dor que está se espalhando através do meu couro cabeludo. “Você quer brincar, bem,” ele bufa, puxando meu cabelo e fazendo com que eu seja lançada ainda mais contra seu corpo, onde ele bate minha cabeça na mesa de cabeceira ao lado da cama antes de me soltar. Desmorono no chão, minha testa pressionando o tapete enquanto tento lutar contra a dor e as tonturas. “Eu quero minha mulher de volta” ele esbraveja, de pé em cima de mim. Ouço as palavras, mas não consigo entender o que ele está dizendo. A esposa dele? Posso sentir o sangue escorrendo pelo lado da minha cabeça, vazando em meu ouvido. “Você é tão estúpida quanto aquele seu irmão. O idiota realmente pensou que estou aqui para ajudá-lo, mas enquanto seus homens lá embaixo fazem o trabalho sujo e atraem toda a atenção do clube, eu sabia que eles estariam escondendo você e as meninas em algum lugar aqui em cima.” “Tudo isso, prejudicar as pessoas, matar pessoas, aquela menina inocente lá embaixo na rua... só para que você possa ter uma menina jovem como sua esposa?”, pergunta Hadley, obviamente muito irritada e revoltada. Ele ri levemente. “Meus bens significam muito para mim, especialmente quando tenho compradores que estão dispostos a pagar mais de quinhentos mil dólares por eles” ele responde me

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olhando diretamente nos olhos. “Ela é minha por tudo que eu fiz para essa merda de Colônia. Quando Abel sugeriu casamento eu pensei, por que não? Fiz um seguro de vida para ela e se ela sumir, reivindico o seguro. Recebo o dobro do dinheiro.” Meu corpo está doendo e estou lutando contra a dor, mas quando finalmente sou capaz de juntar as peças do quebra-cabeça, tudo o que posso fazer é olhar para este homem com horror. “Estamos perdendo homens rapidamente” um dos homens de Brock murmura. “Precisamos avançar.” Eu ainda não entendo. Meu pai era um idiota, um fanático, um bastardo misógino. Mas ele ainda acreditava na Colônia e só na Colônia, ele acreditava que nós éramos perfeitos porque éramos intocáveis. Por que diabos ele deixou este homem entrar e manchar tudo o que passou sua vida inteira trabalhando tão duro para conseguir? “O que meu pai tem a dizer sobre isso?”, pergunto, gemendo quanto outro pedaço de vidro corta minha mão enquanto tento me empurrar para fora chão. “Ele não tem nada a dizer,” Brock responde, com os olhos brilhando como se fosse manhã de Natal. “Você não sabe” ele ri alto. Os homens ao redor da sala riem também e de repente sintome como se eu não pudesse entender uma piada muito significativa. “Abel matou seu pai seis meses atrás, quando ele não concordou com a forma como Abel queria ajudar a povoar a Colônia,” Brock ri. Eu não tenho tempo para responder, ou até mesmo processar se meu pai estar morto é uma coisa boa ou ruim, porque a porta do quarto se abre e tiros iluminam o ambiente mais uma vez.

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Um, dois, três, tiros, direto na cabeça de cada um dos homens de Brock antes que eles sequer tenham a chance de focar na intrusão repentina. Engulo em seco, olhando para a porta para encontrar Jake encostado no batente, respirando pesadamente, sua arma apontada diretamente para a cabeça de Brock. Claro, eles nunca teriam qualquer chance contra Jake, há uma razão para ele ter sido recrutado para a equipe de operações especiais e ele foi treinado para lidar com situações como esta todos os dias, maldição. Os olhos de Brock se arregalam em choque, e posso dizer que ele está processando suas opções, tentando descobrir se ele deve lutar e ser morto, ou entregar-se e enfrentar a merda da tempestade que ele mesmo havia criado. “Então ele deve morrer ou o quê?” Jake pergunta casualmente quando Hadley deixa cair a arma e corre através do quarto até Levi. Sugar faz o mesmo, enquanto continuo a me sentar no chão, longe o suficiente do idiota se ele decidisse vir pra cima de mim, Jake poderia colocar uma bala em seu crânio antes que ele pudesse chegar perto. O som de passos subindo as escadas faz com que eu inspire dolorosamente, precisando muito de ar fresco. Optimus e Wrench se enfiam dentro do quarto, digitalizando-o rapidamente, enquanto Jake se mantém firme. “Onde estão todos?” Op pergunta com urgência. “No banheiro,” Sugar afirma enquanto se levanta e dá um passo direto para os braços de Wrench. A porta do closet se abre de repente, e a primeira coisa que vejo espreitando para fora é o cano de uma arma, Emerald emergindo lentamente por trás dela. Todos congelamos. “Emerald, abaixe a arma,” Optimus ordena severamente, mas seus olhos estão focados exclusivamente em Brock.

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Agora que ele está sozinho, posso ver o medo em seu rosto enquanto ele observa o rifle .22 em direção a ele. Oh, como as coisas mudam rapidamente. “Em,” digo calmamente, tentando chamar sua atenção para mim. “Vamos lá, deixe os meninos lidarem com ele.” Lágrimas riscam suas bochechas e meu coração dispara quando ouço que ela soltou a trava de segurança. O jeito que ela está segurando a arma é estranho, mas isso realmente não importa. Com menos de meio metro de distância dele, é tudo sobre apontar e atirar e não há nenhuma maneira que ela possa errar. “Eu não serei vendida,” Emerald finalmente diz, sua voz normalmente doce e plácida, de repente, cheia de fogo. “Não vou ser sua esposa. Eu não vou deixar você fazer isso com outras meninas. Não vou deixar você machucar mais ninguém. Você é nojento. Já ouvi histórias sobre o que você faz com as mulheres. Já me contaram as coisas que você conseguiu se livrar de ser acusado. Não, este é o dia do seu julgamento.” Estamos todos impotentes enquanto observamos ela puxar o gatilho, o estrondo enviando ondas de choque através de nossos corpos. O corpo de Brock sacode com o impacto, o rosto tomado de horror e medo. Wrench deixa Sugar e dá dois grandes passos para frente, colocando as mãos sobre Emerald e segurando seu corpo enquanto ela ainda está soluçando. Estamos bem, porém, sinto-me um pouco dolorida, um pouco abatida e tenho certeza que em algum momento a realidade da situação vai me atingir — as informações que foram compartilhadas ainda não estão processadas no meu cérebro. Por enquanto, porém, vou aceitar isso.

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“Precisamos levar Levi ao andar de baixo, ele ainda está respirando, mas pode haver mais danos” Hadley diz enquanto segura a mão dela contra o ferimento de bala no abdômen dele. “Doc está aqui esperando por quem precisa de ajuda” diz Blizzard, em pé na porta. “Mas ainda temos uma porra de uma confusão acontecendo lá fora.” Pneus de carro guincham, e eu me endireito, o barulho sendo rapidamente seguido por um estrondo e reconheço imediatamente aquele som. Carros batendo. “Eagle!” Grito. Preciso ajudá-lo. Preciso chegar até ele. Não espero nem mais um segundo, agarrando uma das armas do chão e correndo na direção dele. Jake está encostado na parede do lado de fora, o suor escorrendo pelo seu rosto. Suas muletas não estão à vista. Ele deve ter se arrastados escada acima, a fim de chegar até nós sem fazer barulho. Paro por um segundo, mas ele inclina a cabeça para a escada. “Vá! Certifique-se que meu irmão está bem.” Isso dá novo fôlego ao meu coração e envia um novo fluxo de adrenalina pelas minhas veias. É a única coisa que me mantém em frente. Há sangue em cima de mim, escorrendo pelo lado do meu rosto devido ao corte que já sei que vai precisar de pontos. Há sangue espalhado por todos os meus braços, por causa dos pequenos cortes de vidro. Posso ouvir os caras vindo atrás de mim, mas sou mais rápida, correndo como um morcego para fora do maldito inferno. Por favor, deixe-o ficar bem.

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Por favor. Se for preciso, vou rezar.

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Eagle

Inspire. Uma voz suave encobre os gritos na minha cabeça e de repente sinto meu corpo mais leve e não mais como se estivesse sendo puxado para baixo, como se estivesse sendo estrangulado e asfixiado. “Inspire”, Skylar sussurra. “Você precisa respirar. Faça isso comigo” ela está na parte de trás da minha moto, sussurrando em meu ouvido, não dizendo que está tudo dentro da minha cabeça, não ficando frustrada que eu esteja me sentindo incapaz de respirar, não tentando me dizer que vai me ajudar a ficar melhor. Ela está apenas sentada comigo, fazendo algo simples para me ajudar a sair da neblina. Em minha cabeça, posso ouvi-la inspirando lentamente o ar e imediatamente engasgo, meus pulmões se expandindo totalmente ao mesmo tempo em que um grande estrondo enche o ar e o corpo de Abel é jogado com força contra o carro. Ele tropeça para longe da porta, a arma caindo de sua mão enquanto não consegue evitar e acaba caindo contra a estrada. Olho pela janela, esperando ver um dos meus irmãos em pé ali, olhando com presunção por salvar minha vida. Mas não é um dos meus irmãos e eles não parecem cheios de si. Eles parecem assustados pra caramba. “Puta merda” murmuro, meus dedos se atrapalhando com a fivela do cinto maldito enquanto luto para sair do carro. Praticamente caio para fora, segurando a porta do motorista com ambas as mãos para me manter de pé. Posso sentir dor, mas neste momento, não estou

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muito certo de onde ela vem e a adrenalina está fazendo o trabalho de deixa-la sob controle. Skylar, por outro lado, está em pé no meio-fio com Wrench e Optimus atrás de si, uma arma apontando para seu irmão enquanto ele rola e geme no chão. Seu cabelo loiro está manchado de sangue e ela tem manchas vermelhas brilhantes descendo pelos braços como se alguém tivesse tentado pintá-la com os dedos. Ela olha Abel com uma intensidade que faria qualquer homem ou mulher pensar duas vezes antes de se aproximar dela ou até mesmo se mover. “Querida” resmungo, soltando a porta e mancando pela estrada em direção a eles. Wrench avança, tomando a arma de Abel do chão antes de pegar meu braço e passa-lo sobre seus ombros para me dar suporte. Obviamente, o acidente causou algum estrago em minha perna, deixando-a enfraquecida, mas me recuso a olhar. Isso pode esperar, porra. Agora, preciso chegar até Skylar antes que ela faça algo que possa se arrepender. O resto de meus irmãos estão vindo pela rua. Leo e Ham arrastando um corpo atrás deles, o cara xingando e ao mesmo tempo implorando como um bebê, com as mãos atadas com o que parece ser um fio elétrico. Ouço uma porta de carro abrir atrás de mim e olho por cima do ombro para ver Deacon ajudar um atordoado Skins que está no assento do passageiro, Blizzard movimenta-se quando vê Jess lutando para levantar a irmã de Sky que ainda soluça baixinho. Aquilo, pelo menos, dá-me esperança. Ela ainda está acordada, ainda alerta. “Leve-os para dentro,” Optimus ordena quando Blizzard pega a menina e Jess se solta com alívio, uma mão sobre seu corpo, segurando o ombro no lado oposto como se estivesse com dor. Deacon e Blizzard se apressam para o clube.

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“Sky,” murmuro quando chego ao lado dela, meu irmão me apoiando enquanto tento chamar sua atenção. “Baby, olhe para mim.” Ela não se move, seu alvo está estático e ela continua apontado diretamente para o irmão, aquele pedaço de merda, que apenas segundos atrás estava pronto para explodir a porra da minha cabeça. Deveria simplesmente recuar e deixá-la fazer isso. Permitir que ela remova um pedaço de merda do mundo e, em seguida, seguir em frente com nossas vidas. Mas não posso. Isso vai assombrá-la. Ela pode achar que não vai atingi-la, porque tecnicamente ela estará fazendo um enorme favor ao resto do mundo, mas está errada. Durante a maior parte da vida, ele foi seu carcereiro, ele fez o trabalho sujo de seu pai, ele a machucou. Mas sei que ela ainda tem poucas memórias dos tempos anteriores à sua mudança, momentos em que ele se posicionou e levou o castigo dela, junto com o próprio. Essas coisas acabarão ficando com ela e farão com que se pergunte se não poderia ter feito diferente, seja porque ele mudou uma vez e que talvez ainda haja esse menino dentro dele, aquele que ainda se preocupa com ela e talvez ele possa mudar outra vez. “Ele matou meu pai. Ele vem comandando a Colônia e casou Emerald com aquele homem que estava vendendo-a! Pelo amor de Deus, ele atirou em Delilah e quem sabe se ela vai sair dessa. Se não fizer isso, ele apenas irá para a cadeia. Ele ainda seria capaz de controlar a Colônia de lá.” Sua voz é suave, mas forte. “Não vou deixá-lo machucar mais ninguém, ele é um monstro.” O riso faz com que todos nos viremos, seu irmão deitado no chão, a mão pressionando sobre o ferimento no ombro, vibrando com o riso. “Este idiota vai morrer hoje,” Wrench murmura baixinho. “Se ela não fizer, eu faço.”

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“É hilário que as pessoas vejam a morte como um castigo” Abel grita para quem quiser ouvir. “Estarei com meu Deus, vou viver no reino celestial com outras pessoas que se comprometeram como eu para o resto da eternidade, porque fiz seu trabalho. Então, atire em mim, porque não tem outra opção. Quer me deixar viver e continuar a governar a colônia, ou quer me matar e deixar que eu suba aos céus?” Skylar finalmente vira a cabeça e me olha. “Não posso deixálo continuar a atormentar as pessoas. Eles não conhecem nada melhor. Eles vão segui-lo.” Levanto a mão e coloco-a sobre a arma, empurrando-a lentamente até que esteja apontando para o chão. “Você precisa confiar em mim, não vamos deixá-lo arruinar mais vidas. E com certeza não vamos dar a ele a morte, que ele sabe que vai lhe permitir escapar depois de cada maldita coisa que fez.” Olho para Leo parado do outro lado da rua. Ele levanta a sobrancelha para mim e o canto da boca se curva. “Esse cara pensa que vai sair daqui facilmente,” Leo brinca. “Quer dar a ele a boa notícia ou a má?” Não há maneira no inferno de que qualquer um dos homens deixe Abel fugir sem sentir um pouco da dor que infligiu as pessoas que seguem sua palavra. Isso significa que teremos criatividade por aqui, já que é difícil ameaçar alguém com a morte quando esta pessoa não tem medo de morrer. “A boa notícia primeiro” digo, tomando a arma da mão de Skylar e devolvendo-a a Optimus. Seu corpo instantaneamente se curva e ela se vira para mim, enterrando seu rosto no meu peito e chorando baixinho. “A boa notícia é que você não vai morrer ainda!” Leo diz muito feliz, mas numa fração de segundo, o humor deixa seu rosto enquanto ele caminha com um propósito em direção a Abel que ainda está sorrindo apesar de se encolher de dor no chão. “A má

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notícia é... como disse antes, acreditamos em olho por olho, então prepare-se para chorar como uma criança, porque não vamos apenas acabar com você. Vou encontrar uma lista de todos os pecados humanamente possíveis que possa ter cometido... e depois ainda por cima, tenho um amigo que vai adorar transformar você em sua cadela.” Leo dá batidinhas no rosto dele, e vejo sua cor se esvair. “Você tem que chamar uma ambulância. Eles vão me prender. Vou alegar insanidade!” Leo olha para cima, os olhos focados em Skylar, perguntando-lhe silenciosamente o que ela gostaria de fazer. Se ela ainda o quiser morto, eu o matarei agora. E sei muito bem que ele não subirá ao céu. Mas, talvez, só precisamos jogar seus jogos, depois de toda a dor que ele causou não só a Skylar e Emerald, mas as pessoas que olham sua família como se fossem líderes, ele merece toda a dor que podemos infligir antes dele escapar desta vida. Skylar empurra os ombros para trás, afastando-se de mim por um momento e olha Abel diretamente nos olhos. “Vou escrever essa lista de pecados” ela responde, trazendo um sorriso enorme para todos os rostos dos meus irmãos. “Nunca se sabe, talvez eu vá te ver no inferno.”

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Skylar

“Ei Sky” diz Jess, enfiando a cabeça pela porta. Seu braço ainda está em uma tipoia por causa da batida de Abel no carro, quando ela deslocou o ombro. “Estou pensando em encontrar Sugar e ver se consigo uma roupa nova para a festa de hoje à noite. Pode vir comigo?” Revirando os olhos, coloco meu laptop de lado. Praticamente me mudei para o quarto de Eagle, não que ele tenha se oposto a isso. “Quer que eu vá para o trabalho no meu único dia de folga?” Provoco. “Não aja como se não quisesse encontrar algo bonito para vestir para seu homem mais tarde” ela responde, erguendo as sobrancelhas. Rindo, rapidamente desço da cama. “Verdade.” As coisas têm sido tranquilas, estive estressada ao máximo e o clube ainda está se recuperando, uma semana depois dos acontecimentos que tivemos. Minha irmã, Delilah, ainda está no hospital. A bala que atingiu sua perna causou um dano importante incluindo fraturas nos seus ossos da tíbia e fíbula, e lesão dos tecidos com danos nos nervos. Infelizmente, o que não percebemos na época é que ela também tomou outra bala no fogo cruzado, que atingiu seu braço esquerdo quando estava deitada na estrada. Felizmente a bala atravessou e a lesão do seu braço não é significativa. Mas ela perdeu muito sangue e quase morreu — realmente chegou perto,

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muito perto e passei as primeiras noites dormindo no quarto do hospital com ela. Ela também desenvolveu uma grave infecção e só agora começou a melhorar. Delilah terá que reaprender a andar e seu estado mental é, na melhor das hipóteses, frágil. Consegui encontrar um bom terapeuta com a ajuda de Eagle e vamos nos certificar que ela saia dessa com estabilidade e muito amor. Por ser tão jovem, ela foi temporariamente colocada sob meus cuidados, até decidirmos a melhor abordagem. Por agora, o único plano no que me toca, é que ela venha viver comigo e Emerald, quero lutar para que isso aconteça. Claro que tenho muitos irmãos e irmãs que ainda vivem na Colônia e pretendo garantir que cada um deles seja atendido. Não tenho ideia de como conseguirei isso, mas é minha promessa e pretendo cumpri-la. Assim, para esta noite decidimos que basta, que precisamos começar a viver novamente. Jake vai embora amanhã para Washington, ficará num centro de reabilitação militar e espero que sua perna fique em boas condições de funcionamento. Não há maneira do clube deixá-lo ir sem mostrar quão gratos somos por sua presença aqui. Suas habilidades foram colocadas à nossa disposição sem hesitação, e não há dúvida de que a velocidade com que ele derrubou os homens naquela sala foi inigualável. Ele merece uma despedida apropriada e um verdadeiro obrigado. Ainda estou lutando para lidar com minhas emoções, mas não luto sozinha. Eagle está comigo a cada momento possível e quando não está, sempre tenho irmãos, meninas do clube e Old Ladys ao lado para me ajudar a ultrapassar um dia depois do outro. Fiz exatamente como disse que faria.

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Escrevi uma lista de coisas que a Colônia acredita serem os piores pecados e as coisas que garantirão a Abel uma passagem só de ida para o inferno e entreguei a Leo. Depois disso, não perguntei o que aconteceu com Abel. Coloco fé nas pessoas que amo, minha família, e lhes permiti fazer o que for adequado para garantir que ele nunca mais controlará o povo da Colônia novamente. E ele não terá permissão de receber a morte sem se perguntar antes se irá passar o resto da eternidade nas fogueiras do inferno. Felizmente, temos vários feridos, mas não perdemos nenhuma vida. Levi ainda está no hospital se recuperando, mas os meninos já estão falando sobre ele ter ganhado seu colete. Levantei a mão para o alto em concordância, mesmo sabendo que meu voto não importa realmente. Mas vi quando ele ficou lá, determinação em seu rosto para proteger todas as mulheres e crianças na sala e ele quase pagou o preço. “Para onde estão fugindo?” Eagle pergunta quando Jess e eu descemos as escadas. Ele e Jake estão sentados no bar onde os deixei há duas horas para que pudessem ter algum tempo juntos antes de Jake partir. “Vamos até Sugar encontrar algo para vestir hoje à noite,” Jess explica com um sorriso. É engraçado vê-la tão brilhante e cheia de energia em torno das pessoas. Sempre soube que essa Jess estava lá, mas quando em público, ela constantemente coloca um campo de força ao seu redor, que consiste em muito mau humor e uma língua afiada. Desde que o caos passou, é como se ela tivesse encontrado confiança para mostrar um pouco mais de quem realmente é. Tenho que admitir que é um pouco estranho, mas também adoro.

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Ela me pega a olhando, e seu sorriso radiante instantaneamente se transforma numa carranca suspeita. “Por que está me olhando assim?” Ela pergunta lentamente. Dou de ombros, dando um beijo na bochecha de Eagle. “Por nada!” Ela bufa um suspiro irritado e se dirige para a porta, girando as chaves do carro em torno do dedo. Vou atrás dela, mas um braço serpenteia minha cintura e me puxa de volta. Eagle me prende entre suas pernas enquanto senta no banco do bar, as mãos se movendo para meus quadris quando viro para encará-lo. “Quero te mostrar uma coisa amanhã, então não faça outros planos” ele diz severamente. “O que quer mostrar?” Pergunto com uma sobrancelha arqueada e um sorriso curvando minha boca. Ele ri. “Terá que esperar.” “Você é irritante.” “Olha quem está falando” ele responde com um sorriso malicioso. “Vamos lá, porra!” Jess chama da porta. “Esta fofura de vocês me dá nojo” ela grita, franzindo o nariz como se estivesse sentindo um cheiro ruim. E ali está a Jess que todos conhecemos e amamos. “Estou com a malcriada número um. Vocês dois e estas suas discussõezinhas é bonitinho apenas por um tempo, mas então só fica irritante,” Jake fala, sorrindo para mim por cima da borda do copo. Levanto a mão e me afasto. “Calem a boca.”

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Quando entramos na loja de Sugar, o som do nosso riso enche o silêncio e Jess e eu instantaneamente congelamos. Posso ouvir sons de choro e meus pés começam a ir em direção à parte de trás da loja, meu coração batendo duas vezes mais rápido do que há momentos atrás. Quando chego aos provadores, encontro Sugar confortando minha irmã que chora baixinho em seus braços. Abaixo-me a seus pés e coloco as mãos nas pernas de Emerald. “Hey,” digo baixinho, esfregando o polegar suavemente através de seu jeans. “O que está acontecendo?” O rosto de Sugar é ilegível enquanto aponta para a televisão na parede que muitas vezes é usada para reproduzir vídeos de música ou programas de televisão inúteis apenas para entreter os amigos que estão esperando enquanto outras pessoas experimentam roupas. Agora, porém, ela está sintonizada no canal de notícias. O som foi desligado, mas sinto como se o ar fosse sugado de meus pulmões enquanto fotos e o vídeo na tela mostram um lugar muito familiar, um lugar que uma vez chamei de lar. “Que diabos” Jess diz com raiva, pegando o controle remoto e aumentando o volume. “As mães estão invadindo o tribunal de San Antonio hoje, exigindo que seus filhos sejam devolvidos” diz o repórter, e meus olhos começam a se arregalar. “As agências governamentais revistaram a pequena comunidade religiosa conhecida como Colônia, na esperança de encontrar o criminoso conhecido como Brock Obrien. Apesar de não encontrarem o fugitivo, o que encontraram é algo que parece ser muito pior.” Imagens das casas precárias tomam a tela, algumas reconheço, outras não, tudo em condições que não servem nem para baratas morarem, muito menos famílias com crianças.

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Há fotos de meninos, com talvez sete ou oito anos, trabalhando no sol quente, a jornalista âncora relatando que eles não são pagos pelo tempo que trabalham, que o dinheiro é recebido diretamente pela organização. “O Serviço de Proteção à Infância já recolheu mais de cinquenta crianças até agora e esperam conseguir remover mais ao longo da próxima semana enquanto visitam cada casa e exigem verificar as condições em que estas crianças estão sendo criadas.” Minha boca está aberta. Jess, por outro lado, tem um largo sorriso estampado. Giro para Emerald que afastou seu rosto do ombro de Sugar e está sorrindo através das lágrimas. “Alguém tomou conhecimento” ela diz em voz baixa, a alegria no rosto muito mais brilhante do que já vi antes. Balanço a cabeça, sentindo lágrimas brilharem em meus olhos. “Essas crianças terão uma chance e vamos fazer o que for preciso para que cada uma delas não volte a esse buraco do inferno, porra!” Digo a ela animadamente, agarrando suas mãos entre as minhas e apertando-as firmemente. Emerald ainda está aprendendo, ela está sempre descobrindo coisas novas e descobrindo quem realmente é, agora que parte de sua identidade se perdeu de repente, mas ela ainda é a irmã mais nova que conheço e está florescendo a cada dia. A estrada à frente não será fácil. Quis dizer isso quando disse que iríamos fazer o que fosse preciso para lutar e garantir que nenhuma criança tenha que passar por tudo que passamos. As pessoas tentarão reconstruir a Colônia, lutarão contra nós, mas nem que precise ir para a Corte e testemunhar a forma como fui tratada quando criança, isso não voltará a acontecer. Não vou mais me esconder. Eles não podem me machucar.

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Meu pai está morto. Abel foi embora. Eles encontrarão outro líder e ele poderá fazer seu pior, mas, porra, conheço o verdadeiro significado de família e minha família vencerá isto. Todas. As. Vezes.

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EAGLE

“Bem, isso foi uma viagem curta” diz Skylar no meu ouvido quando entramos em uma longa calçada que é ladeada por árvores finas e altas que me lembram de soldados que estão em vigília. “Será que Blizzard e Rose fizeram uma nova entrada?” Sorrio baixinho, ela é observadora. A casa de Blizzard e Rose fica em frente a cerca de onde estávamos. O clube fica na periferia da cidade, praticamente no campo, mas também no que você chamaria de uma área industrial, onde há um punhado de fábricas abandonadas de vários andares, lugares que ainda tem maquinaria pesada e um centro de reciclagem. Nós fomos para mais longe da cidade, ainda há um monte de casas, mas não são mais tão agrupadas. Em vez disso, todas tem um pouco de terra, algum espaço, ao contrário do meio da cidade, onde os vizinhos são capazes de espiar para dentro de sua janela do banheiro quando você está fazendo sua merda. Quando a entrada de automóveis finalmente se abre, há uma casa de dois andares. Tem forma de quadrado, uma casa branca e cinza e com uma varanda e grades que percorrem todo o perímetro do primeiro piso, grande o suficiente para churrascos de verão. Podemos ver uma abundância de janelas, tanto no primeiro, quanto no segundo andar, todas com venezianas azuis em ambos os lados. Nem eu e nem Skylar nos movemos quando paramos perto dos degraus que levam à porta da frente e ela continua a espreitar por cima do ombro, absorvendo a casa e sua camada fresca de

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tinta. Não é um lugar enorme, três quartos e um banheiro no andar de cima, e todo o resto embaixo. Mas tinha o que precisamos. Desligo o motor e Sky ainda não se mexe. “Você quer dar uma volta e olhar ao redor?” Eu pergunto com um sorriso. “Não” ela responde rapidamente, mudando meu sorriso animado para uma carranca. “Sky…” “Eu não entendo” ela sussurra. Posso dizer que ela está nervosa, não sabe o que está acontecendo. Eu suspiro, pegando sua mão e puxando-a até que ela é forçada a descer da traseira da minha moto, então seguro-a com força enquanto jogo minha perna por cima, não deixando-a escapar. Sei que ela está se sentindo estranha, posso dizer pelo jeito como ela se calou rapidamente. Quando tudo isso começou decidimos levar as coisas devagar, estamos juntos, isso é certo, mas nós ainda temos muito a aprender um sobre o outro. Sky vive no clube e eu também, mas agora ela não é uma menina do clube, o que significa que ou ela deve sair e encontrar um lugar para si mesma ou ela se muda para o meu quarto. E mesmo que seja incrível tê-la comigo todas as noites, ela também tem mais uma coisa a considerar. Emerald. Sua irmã está lutando. O clube não é exatamente o lugar que ela precisa estar agora, enquanto ela está trabalhando para descobrir quem ela é e descobrir o que ela quer na vida e ao mesmo tempo lidar com o fato de que ela acabou com a vida de outra pessoa, não importando se a morte foi merecida ou não. Estou apaixonado por Sky, de um jeito grandioso, então para mim, isso significa colocar ela e suas necessidades em primeiro lugar. Sei que ela vai brigar comigo sobre isso, sei que provavelmente teremos uma boa discussão porque esta mulher é

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tão teimosa e forte quanto possível e ela odeia a ideia de deixar um homem ditar sua vida. Eu só espero que ela enxergue nisso o que realmente é, o começo de uma aventura incrível juntos. “Então, vou apenas colocar para fora” digo a ela enquanto seguro sua mão e basicamente, arrasto-a pelos degraus do alpendre. Ela deixa escapar um suspiro. “Você diz isso como se nem sempre fosse uma pessoa bem direta.” Dou um sorriso. Merda, isso é verdade. Eu não gosto de rodeios. Pelo menos ela espera por isso. “Este lugar esteve vazio por mais de um mês. Tive uma conversa com o cara dono daqui e ele está feliz em aluga-lo por seis meses ou mais e, depois disso, ele concordou em deixar que nós decidamos se queremos comprar a casa ou seguir em frente.” Skylar me puxa de volta quando estendo a mão para a porta da frente e eu me viro para vê-la olhando para mim com os olhos arregalados, cheios de lágrimas. “O que aconteceu com o irmos devagar?”, ela pergunta nervosamente. Reviro os olhos. “Bem, se você deixar eu explicar tudo em vez de apenas enlouquecer...” seu revirar de olhos faz nada além de provocar um sorriso no meu rosto, mas ela fecha os lábios carnudos e ergue as sobrancelhas para que eu continue. “Não pense que eu não posso ver sua atitude por trás desse gesto facial.” Ela mantém os lábios fechados, mas posso ver que o fogo retornou aos olhos e o sorriso está ameaçando escapar. “Você e Emerald podem se mudar para cá” finalmente continuo. “Eu vou pagar metade do aluguel e vou dividir meu tempo entre aqui e o clube. Vai ser como se estivéssemos namorando, vamos passar algum tempo juntos, algum tempo separados, até que você esteja confortável para que moremos completamente juntos.”

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Sua boca se abre e posso ver seu cérebro trabalhando através do que acabei de dizer a ela. Não quero pressionar Skylar a fazer qualquer coisa que não queira, ela passou a maior parte de sua vida sendo comandada por homens e a última coisa que quero é colocar pressão sobre nosso relacionamento e acabar parecendo como se eu estivesse fazendo a mesma coisa. “Você vai ficar em Athens?” Pergunta ela, com a voz um pouco rouca. Balanço a cabeça. “Estou começando a perceber que venho fugindo de merdas que não posso mudar. Provavelmente haverá momentos em que vou sentir que preciso sair e espero que você entenda isso, mas também espero que quando eu fizer isso, você possa vir comigo.” Ela pisca. Lágrimas pingam sobre suas bochechas e ela ri. Athens tornou-se uma casa para mim. As pessoas daqui são o tipo de gente que eu quero em volta de mim. “Não vai mais fugir?” “Por que fugir quando tenho bem aqui tudo o que preciso para me ajudar a respirar” digo a ela, tocando sua bochecha e puxando-a para mais perto. Pressiono meus lábios contra os dela, gemendo em sua boca quando ela envolve os braços em volta do meu pescoço, ansiando por mais. Para nós, as coisas são mais complicadas. Nosso relacionamento não é como o que os outros meninos tiveram. Reivindicar uma menina e pronto. Bang. Felizes para sempre.

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Não. Eu quero que isso seja um para sempre, então vou me esforçar para provar a ela que pode confiar em mim. Se isso significa que precisamos de mais tempo, vou aproveitar cada porra de minuto.

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SKYLAR

Quatro meses depois

“Emma! Vai se atrasar para a escola se não mexer sua bunda agora!” Berro escada acima, enquanto bato o pé no chão, impaciente. Eagle ri da mesa da sala de jantar enquanto apenas assiste com diversão, não fazendo esforço para ajudar. “Estou indo” diz ela correndo pela escada, a saia longa esvoaçante dançando com ela. Emerald decidiu quando nos mudamos para esta casa que este seria seu novo começo, então o nome Emerald saiu e entrou Emma. “Você não precisa gritar” diz ela com um rápido sorriso. E com Emma, assumi oficialmente a responsabilidade sobre uma adolescente. Senhor, ajude-me. Bip, bip. “Meyah está esperando, então... vai, vai, vai!” Apressadamente a empurro para a porta da frente e ela se inclina, dando-me um beijo na bochecha antes de dizer por cima do ombro, “Tchau, Eagle!” “Até mais tarde, criança” ele diz casualmente.

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Literalmente limpo o suor da minha testa enquanto caminho de volta para a cozinha e ligo a cafeteira pela segunda vez esta manhã e são apenas sete e meia. “Você não ajuda nada de manhã e ambos sabemos que ela teria lhe dado ouvidos se tivesse dito para se apressar” resmungo, em pé na janela da cozinha vendo as meninas saírem da entrada de automóveis. Emma tem dezoito anos agora, mas está em seu segundo ano na escola, porque apesar de ser superinteligente, ainda está atrasada em relação a outros de sua idade. Meyah está finalmente terminando o ensino médio em um mês ou algo assim e as duas meninas num só encontro se tornaram amigas. Meyah é paciente com Emma e com o jeito como ela ainda está crescendo e Emma é alguém que Meyah pode realmente contar e confiar. Minha irmã ainda tem peculiaridades. Ela ainda se recusa a usar qualquer coisa acima do joelho, é tímida em torno de alguém que não conhece, mas saiu de sua concha como nunca vi antes em torno dos membros do clube. Ela tem pesadelos e está vendo um conselheiro, mas Eagle vem lhe ajudando a lidar com a culpa por tirar a vida de uma pessoa. Ele realmente tem ajudado, uma figura masculina que ela nunca teve antes na vida. Um que ela pode confiar que vai apoia-la e protegê-la. Delilah não tem se saído bem, infelizmente. Ela passou quase quatro semanas no hospital e agora quase mora na fisioterapia tentando ter as funções de sua perna de volta. Está quase chegando lá, mas o progresso que está sendo feito é bastante lento. Ela perdeu a mãe e a Colônia e estamos tentando lhe dar o melhor ambiente para que ela possa melhorar e crescer, mas apesar de tudo que a Colônia fez, ela ainda não é capaz de montar todas as peças do quebra-cabeça devido à sua idade. Terapia, terapia e mais terapia será necessário para deixar minha menina onde ela precisa estar. A melhor coisa numa família é que pode confiar neles e gosto de estar fazendo tudo ao meu alcance para garantir que Delilah seja uma menina forte, saudável e que cresça bem ajustada.

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O processo será longo? Inferno, sim, mas vale a pena cada pingo de esforço que Eagle e eu colocamos nela. Meus outros irmãos e irmãs são uma questão diferente. Basicamente, estou encarregada pelo Serviço de Proteção à Infância de ajudar meus irmãos e irmãs. Meu pai teve seis esposas e tenho treze irmãs e nove irmãos que variam entre seis meses a vinte anos de idade. Os filhos mais velhos tem mais dificuldades para se adaptarem à nova vida. Claro, precisam encontrar emprego e trabalhar para se sustentar, bem como encontrar uma maneira de se adaptarem ao novo mundo para o qual foram empurrados. Alguns optaram por ter seus irmãos e irmãs de sangue vivendo com eles. Estou ajudando tanto quanto posso, mas já tenho duas irmãs morando comigo e não posso dar mais suporte. Basicamente, tudo o que posso fazer é me certificar de que estão sendo bons com seus pais ou irmãos adotivos e todos foram informados de que podem procurar Eagle ou a mim a qualquer momento quando precisarem de ajuda. Todas as crianças estão recebendo aconselhamento e terapia, bem como sendo ensinados com habilidades para a vida cotidiana — coisa que nunca aprenderam na Colônia. Será um longo caminho e apenas começaram sua caminhada, mas posso ver o progresso e estou feliz com a forma como as coisas estão indo até agora. Dois braços fortes envolvem minha cintura por trás e instintivamente me inclino contra eles. Sua barba roça minha pele, uma sensação que aprendi a amar tanto que imediatamente envia um formigamento entre minhas pernas. “Tenho que ir até a cidade. Disse a Megan que levaria Cleo para a creche para que ela pudesse fazer um turno mais cedo no trabalho,” Eagle murmura no meu ouvido, pressionando suaves beijos no pescoço. Megan e Cleo também se tornaram objetos

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permanentes em nossas vidas e as amo. Não apenas porque são almas boas, mas porque estou muito animada que todas estas meninas tenham alguém como Eagle olhando por elas. Ele é muito jovem para ser pai delas, mas trata todas como se fossem suas e, mais importante, oferece sua segurança e proteção como uma figura masculina forte em suas vidas, coisa que realmente lhes falta. A relação dele com Megan, Emma e Delilah, faz meu coração se encher e a maneira como ele adora Cleo me deixa animada para ter nossos filhos e sei que ele será o mais incrível dos pais. Levamos apenas quatro semanas para descobrir que odiamos o arranjo de ir e vir e que só queremos ficar juntos, porra. Acho que nós dois sabíamos em nosso íntimo que seria assim. Ele é o homem que quero ter na minha vida. Eagle é o cara para quem quero contar piadas ruins na esperança de fazê-lo sorrir, porque seu sorriso é praticamente tudo, maldição. Eagle ainda tem episódios, talvez algumas vezes por semana. Fui fiel à minha palavra quando disse que não quero consertá-lo. Sei que não importa o quanto deseje que ele nunca tenha que passar por essa dor, não muda o fato de que ele sofre. Então, aceito Eagle do jeito que é. Cada fenda. Cada cicatriz. Cada pesadelo. E ele faz exatamente o mesmo comigo. As decisões que tomamos são feitas em conjunto. Não apenas eu sou dele. Ele é meu e também não tem medo que as pessoas saibam isso. Movo meus quadris contra ele. “Tem certeza que precisa ir agora, porque não tenho aula até às dez” pergunto docemente, mordendo o lábio. “Tenho que sair em cinco minutos” ele resmunga, as mãos se movendo para o cós do meu short de pijama, seus lábios se arrastando pela curva do meu ombro.

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Estremeço. “Já teremos terminado até então.” “Se não te amasse tanto, tomaria isso como um insulto a minha capacidade como homem” ele ri, puxando meu short. “Se não te amasse tanto, teria baixado meu short eu mesma e resolvido isso,” devolvo, sorrindo para ele por cima do ombro. Esse é o tipo de relação que temos. É assim que as coisas sempre foram, desde o início. E não quero isso de nenhuma outra maneira.

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