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O jeito de cada um Alice Ribeiro Dionizio

Capturar a alma das pessoas não é mais função da fotografia. Muito provavelmente nunca foi. Hoje sua principal função é captar o momento, eternizar uma cena, um gesto, uma emoção. A função do fotografo é o de saber como fazer. Ter um olhar diferenciado, buscar uma posição que favoreça a cena, compreender o que se passa. Fotografar pessoas é a minha paixão. Muitos gostam de insetos, paisagens, animais maiores, e eu gosto de pessoas. Seus gestos, sua inibição ou desconcentração, como reagem diante das objetivas, tudo isso me encanta. Sim, eu gosto de pessoas. O fotojornalista deve, além de tudo aquilo que já sabemos, contar, ou tentar retratar o real, sem interferir na cena. Editar, em determinados momentos é permitido. Manipular? Jamais. Por que então não deixar seu fotografado a vontade? Buscar conversar com ele percebendo suas ações. Confesso que o“faça isso; sorria assim; vire de lado”não me faz a cabeça. Compreendo que em determinados momentos, como fotos de casamento, por exemplo, isso se justifica. Mas em um trabalho fotojornalístico, bem, tenho minhas dúvidas. A proposta desse portfólio é mostrar, pelo menos em parte, o jeito de cada um. As fotos surgiram de momentos de desconcentração, conversas do dia-a-dia. É interessante avaliar como cada um se porta, como cada um é. Nessa enorme diversidade cultural, a diversidade de personalidade é consequência. Podemos ser parecidos, se tivermos a mesma forma de criação, essa possibilidade aumenta. Mas ninguém é igual a alguém em “gênero e número”. Cada é um é um. Cada um tem o seu jeito. E esse jeito é jeito de cada um.



Jeito de cada um