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Fernando António Nogueira Pessoa, um dos maiores escritores portugueses, nasceu em Lisboa na freguesia dos Mártires datava-se o ano de 1888. Apesar de ter nascido em Portugal, passou a maior parte da sua juventude em África do Sul a estudar. Sendo assim, a língua inglesa está marcada na sua vida. Teve uma vida particularmente peculiar, pois a sua personalidade desdobrava-se em várias pessoas, tendo todas essas pessoas diferentes nomes, moradas, personalidades, e até maneira de escrever. Morreu com 47 anos e a sua última frase escrita foi em inglês “I don't know what tomorrow will bring”. O fenómeno da “divisão” de personalidade é denominada por heteronímia e desses heterónimos destacam-se três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Alberto Caeiro (poeta do sensacionismo, com destaque na visão; poeta da objectividade; não tinha profissão, mas dizia-se guardador de rebanhos por estar em constante movimento e contacto com a Natureza) foi o único destes três que não escrevia em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade. Ricardo Reis (o poeta dos conselhos) é descrito como um médico que se definia como latinista e monárquico. Estudou num colégio de jesuítas e sua educação é baseada nos ideais greco-latinos. Entre todos os heterónimos, Álvaro de Campos foi o único a manifestar fases poéticas. A primeira fase denomina-se decadêntista, a segunda é uma fase futurista/sensacionista, e por úlitmo a terceira fase de nome intimista/abúlica. Destas fases concluímos que o seu estado de espírito é cíclico, representando os altos e baixos do dia-a-dia, e portanto da vida, sendo este o mais humano dos três e o mais parecido com Pessoa (órtonimo)


Características Temáticas e Formais de Fernando Pessoa -

Forma regular Predomínio de frases declarativas Predomínio da 3ª pessoa gramatical Predomínio do nome/descurando os adjectivos Predomínio no Presente Indicativo Presença de aliterações (tornam o texto lírico/musical) Recurso ao Encavalgamento “Dizem que finjo ou minto / Tudo o que escrevo. Não. Encavalgamento Acabar as frases apenas no verso seguinte

Poemas: “Isto” 2. “Ó sino da minha aldeia” 3. “Ela canta, pobre ceifeira” – analise do Poema (página 46 do manual) 1.

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Octossílabos 1ª parte informa-nos do canto da ceifeira 2ª parte o sujeito poético torna-se subjectivo falando de si Ciência = Razão O poeta deseja tornar-se mais alegre Pleonasmo – redundâncias como subir para cima Aliteração do v – específica o desejo do pote se tornar leve, como o vento


Características do Heterónimo -

O poeta do sensacionismo com destaque na visão Vocabulário básico Poeta da Objetividade Não tem profissão mas diz-se guardador de rebanhos por estar em constante movimento e contacto com a natureza Predomínio do Presente do Indicativo, de frases declarativas Irregularidade total ao nível das estrofes e versos Versos livres

Poemas: 1. 2. 3.

“Da minha aldeia vejo quanto da minha terra so pode ver do universo” “O guardador de Rebanhos I” “O meu olhar é nitido como um girassol” - analise do Poema (página 78 do manual) -

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1º verso da 1ª estrofe “O meu olhar é nítido como o de um girassol” – o poeta procura a luz solar pois só nesta pode observar totalmente a natureza tal e qual como um girassol que está sempre voltado para o Sol. 8º verso da 2ª estrofe “Se ter o pasmo que tem uma criança” – o poeta diz saber ter o pasmo que tem uma criança, pois o poeta não pensa, não racionaliza tal como uma criança inocente, pura e ainda não marcada pelo pensamento.


Poemas: 1. “Prefiro rosas, meu amor, à patria” 2. “Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio” 3. “Só esta liberdade nos concedem os deuses” - analise do Poema (página 88 do

manual) -

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O tom coloquial do poema é habitual na poesia de Ricardo Reis e é conseguida através das interrogações, que remetem para o discurso oral e o diálogo; e da identificação do interlocutor através do vocativo, ou seja, usando uma apóstrofe. 3ª estrofe – Toca no assunto “A vida é efémera” sempre presente em Ricardo Reis, dizendo que a vida é irreversível e efémera demais para que nos preocupemos com coisas relativas como quem ganha e quem perde. 4ª e 5ª estrofes – Exemplos comprovativos da efemeridade da vida 6ª Estrofe – Esta estrofe é relativa a outro tema de grande importância para Ricardo Reis – o estoicismo. Epicurismo – moderação de prazeres e equilíbrio de sentimentos para atingir a ataraxia Estoicismo – aceitação da vida tal como ela é, ou seja, não lutar contra o fado/destino (entidade superior máximo)


Características do Heterónimo -

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Futurismo/Sensacionismo – o poeta tem uma admiração enorme pelas máquinas, desejando até ser uma. O poeta priveligia os sentimentos, escrevendo emotivamente. Ainda no futurismo, Álvaro de Campos é um adorador da sociedade industrial. O poeta está cansado e a única coisa que lhe transmite alegria são recordações passadas, nomeadamente da infância. O poeta mais humano porque a sua escrita tem fases, mostrando as várias emoções sentidas ao longo da vida. Álvaro de Campos é um indisciplinado rejeitando as regras da vida social e do verso. Rejeita as regras do verso por não querer saber da regularidade formal.

Poemas: 1. “Não, não é cansaço...” 2. “Ha tanto que nao sou capaz” 3. “Ode Triunfal” - analise do Poema (página 91 do manual)

- Uma ode não se rege pela forma mas sim pelo conteúdo, ou seja, um poema é classificado como ode por louvar algo e não por ter uma determinada forma. - A “Ode Triunfal”, por sua vez, louva a sociedade industrial. - A “Ode Triunfal” é totalmente irregular, não há rima e as estrofes e versos estão desiguais. - É denotada uma ambiguidade de sentimentos do sujeito poético face à sociedade industrial. Primeiro, sente-se um desagrado marcado pelas expressões “rangendo os dentes” e “fera”. Segundo, sente-se uma admiração presente na palavra “beleza” que, ao surgir repetida duas vezes, nos transmite o seu valor superior face aos sentimentos desagradáveis. -Podemos extrair facilmente a época Futurista e Sensacionista. Futurista pelo tema relacionado com maquinaria e a indústria, e sensacionista pela presença bem marcada dos sentidos como, por exemplo, “todas as papilas”, “tenho lábios secos” e “arde-me a cabeça”. - É futurista também pela sua forma irregular inovadora.


- 3ª estrofe: Predominância do Presente do Indicativo – porque o presente é o tempo mais importante para o sujeito poético por condensar nele o passado e o futuro. O presente tem nele passado porque são as experiências do passado que constituem o presente. E também tem nele futuro pois são as condições criadas no presente que determinarão o futuro. Referência à Idade Média – pois foi nesta que se deu o apogeu do pensamento do Homem, foram os constituintes deste apogeu que, para o “eu” lírico permitiram a existência da sociedade industrial como é. E esta por sua vez, é necessária a um bom futuro. Mais uma vez a relação presente/futuro. A utilização do gerúndio – transmite a ideia de continuidade que no tema nos remete - Última estrofe: É estrofe mais emotiva. Esta emotividade é denotada pela interjeição “Ah!” e pontos de exclamação - Verso 65: a euforia do sujeito poético atinge o expoente máximo, uma vez que encontra um meio de participar na acção industrial, concretizando assim o seu desejo, através do forte masoquismo. Ele pretende tornar-se energia e deixar de ser humano.


Foto-Cronologia de Fernando Pessoa


“Meu olhar é nitido como um girassol” , pertencente ao poema “Guardador de Rebanhos”, parte II, escrito por um heterónimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro. Foi este portanto o escolhido como preferido do nosso grupo de trabalho. O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia; tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar... Uma das várias razões e talvez a mais importante para fundamentar a escolha, é a concordância que os elementos do nosso grupo de


trabalho sentem em relação a Alberto Caeiro, ao viver com o sensasionismo presente durante o quotídiano. Outra razão para a escolha foi o facto de-- termos estudado em aula e em conjunto com a professora, analizando-o estrofe a estrofe. Consideramos ainda, que Alberto Caeiro é o “mestre”, apesar de não ser formado e de não ter estudos em relação aos outros heterónimos conseguiu ainda criar/escrever poemas tão bons ou ainda melhores que os outros, criando nos leitores um igual impacto como os restantes heterónimos o fizeram.

Para a eterna novidade do mundo... encontro no amor a fuga da felicidade perco noção num segundo o que é sonho ou realidade Mas para ser feliz preciso de encontrar o amor? Ou preciso mais por demais, encontrar alguém que me ame? Amar sem ser amado é uma dor maior dor não há, por mais lágrimas que derrame

E se verto e não verto água salgada dos olhos Será por opção então Porque mulheres existem aos molhos Mas só aquela encantou o meu coração

Amar, palermice. Preferia ser um girassol Girar durante o dia, conforme a iluminação Murchar à noite, inconformado Escondido, e sem surpresas na solidão.

Portefolio tematico fernando pessoa  
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