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Eduardo Madeira, é Humorista e Argumentista e nasceu em 1972 em Bissau. Começou por escrever nas Produções Fictícias para os programas “Herman Enciclopédia”, “Contra-Informação” e “Conversa da Treta”. Pelo meio co-fundou uma famosa dupla de comedy-rock, os alegres e imbecis “Cebola Mol”. Está neste momento em cena com a peça '10 milhões e picos' e na TV no programa 'Estado de Graça'. É o humorista convidado do SLAM LX Nº3!!!

http://www.youtube.com/watch? v=auJp3LWBtN0&feature=player_embedded http://www.youtube.com/watch? v=LUcUMw4ncn4&feature=player_embedded http://www.youtube.com/watch?v=9o2F82li3c&feature=player_embedded http://www.youtube.com/watch? v=BJ7tGFElS6Q&feature=player_embedded#! http://www.youtube.com/watch? v=117UKS5DZ_o&feature=player_embedded#!


Leandro Morgado nasceu em Lisboa a 21 de Agosto de 1981. A partir de 1997 participa em vários projectos teatrais de criação colectiva, entre os quais se salienta a peça O BURACO, que subiu ao palco no Teatro da Comuna. Fez formação em artes performativas com Gary Ouellete (EUA), Johnny Lonn (SWE), Tommy Wonder (NED), Topper Martin (SWE), Richard McDougal (UK), Luca Aprea (IT) e Peter Shub (EUA). Em 2007 é premiado em Literatura no concurso Jovens Escritores 2007, inserido no programa Jovens Criadores. Em Março de 2008 estreia o espectáculo A FRAUDE, do qual é autor e intérprete. Em Setembro do mesmo ano foi convidado do Bulmers International Comedy Festival, em Dublin, onde dinamizou dois workshops sobre guionismo. Em Novembro de 2008 frequentou o seminário Story e em Novembro de 2009 o seminário Genre, ambos do argumentista Robert Mckee (EUA). Em Fevereiro de 2009 foi convidado para colaborador do grupo Stand-up Ireland, onde tem vindo a desenvolver workshops com comediantes irlandeses e ingleses. Em Setembro do mesmo ano, estreou o espectáculo STATUS, O Meu é Maior que o Teu. Em Junho de 2010 recebe o 1º Prémio de Poetry Slam do Festival Silêncio, em Lisboa, tendo sido convidado para participar no Festival de Spoken Word, em Varsóvia. Em Dezembro do mesmo ano, participa no Festival Europeu de Poetry Slam em Reims, França, e estreia no Centro Cultural da Malaposta o seu terceiro trabalho original - APPENDIX, O Supérfluo Nunca é Demais. Em Março de 2011, é convidado a participar no programa Um Poema por Semana (RTP2), interpretando um poema de António Gedeão. No mesmo mês, é convidado para integrar o programa Partir o Coco (RDP África), no qual apresenta uma rubrica semanal de humor/poetry slam. No mês de Junho é convidado para participar no Poetry Slam World Cup, em Paris. Actualmente, Leandro prepara as apresentações experimentais do seu mais recente espectáculo BUSÍLIS, MORRER NÃO É VIDA PARA NINGUÉM. http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=yitU054Byx0#!


Apelo às setenta e sete vidas da poesia. Olha-me em caixas maciças de luz, melhor, fala-me com caixas de música. O sal que escreve inspira musicalidades geométricas. Quando Al Berto escrevia logo o Mar acordava prateado de espuma. E até os dias se confundiam nos sóis. Depois vieram três cavaleiros da bruma (Alexandre Cortez, Nuno Grácio e Pedro D'Orey) a querer emparedar tão luminosas palavras com a ponta afiada do experimentalismo musical. Agarraram os instrumentos e abafaram palavras em espiral armadilhada, alçapão da criatividade, insubmissão do movimento alternativo ao clássico (impotente?) recital de poesia. E nasceu o projecto Wordsong, alicerçado na veiamãe da poesia – sonhos de Al Berto, em voz latente, alta, como o sonho mastigado pelo escuro. Wordsong Al Berto encontra, nos sentidos, consequências contraditórias. Para os apaixonados pela obra do poeta do Mar, a primeira impressão é violenta, arranha, quase desfigura a eficácia semântica do poema. A segunda (e terceira e quarta e quinta...), hipnotiza. Duplo efeito: a redescoberta, a reinterpretação à luz de um novo cais. Métrica arrastada, na geometria da voz de Pedro D´Orey, incomoda e depois entranha (intertextualidade pessoana propositada, para compreender em linhas mais adiantadas deste texto). Efeito para quem ouve palavras salgadas pela primeira vez: o inverso – a paixão da descoberta de um tesouro. Neste álbum, o experimentalismo com espinhas electrónicas, base em guitarra-baixo-voz, atravessa a todo o vapor relíquias albertianas como 14 de Janeiro («Desconfio que se disser mar em voz alta o mar entra pela janela») ou Horto de Incêndio. Visitas guiadas pela alma do poeta também são encarnadas na colaboração de JP Simões e Sérgio Costa (Quinteto Tati), em Não cantes, e Tó Trips (Dead Combo) na transversal Amor, Amar-te. De fora do alinhamento ficou Acordar tarde (“a casa onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia”), interpretado pelo outro fora-da-lei: Jorge Palma (e incorporada no seu mais recente álbum Norte). Testemunho ardente da imortal docilidade da poesia, o álbum já encontrou irmão em Wordsong Pessoa (eis a explicação prometida), recentemente projectado em disco e concerto para amantes sem nome. Apelo às setecentas e setenta e sete vidas da poesia: nem nas cinzas nos faleçam as chamas. E os Wordsong até são uns fósforos gigantes. Sílvio Mendes

http://www.myspace.com/wordsong21dez http://www.myspace.com/wordsongpessoa


Poésie & Lingerie é um projecto que leva à cena uma selecção de poemas e textos de cariz erótico. Inês Jacques, Carla Bolito e Cláudia Efe interpretam, O vídeo é de Edgar Alberto e a música de Alex Cortez. O Projecto foi vencedor em duas categorias no festival de cinema erótico ‘La Boca Erótica’ de Madrid!

http://www.facebook.com/groups/185816881442278/ http://www.facebook.com/video/video.php? v=442601324561 http://www.facebook.com/video/video.php? v=442841169561

MODO DE AMAR MARIA TERESA HORTA 1º A Boca Entreabre-se a boca Na saliva da rosa No raso da fenda Na fissura das pernas Entreabre-se a rosa Na boca que descerra No topo do corpo A rosa entreaberta

Que aí se entre-curva Se afunda Se perde Se entreabre a rosa Entre a boca Das pétalas

E prolonga-se a haste A língua na fissura Na boca da rosana caverna das pernas

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS ERÓTICAS - LA BOCA ERÓTICA 2011: CINE CORTO MEJOR CORTO EXPERIMENTAL: MODO DE AMAR/ A WAY TO LOVE Poesie & Lingerie - Director: Edgar Alberto / Portugal / 2010/ Experimental/ HD CORTO MÁS SEXY: PROYECTO POESIE & LINGERIE (LOLITA Y MODO DE AMAR) Poésie & Lingerie es un proyecto multidisciplinar que utiliza la poesía de cariz erótico como punto de partida para una creación plástica e envolvente a la cual lo espectador no se puede quedar indiferente.


Estranha forma de vida Foi por vontade de Deus que eu vivo nesta ansiedade. Que todos os ais são meus, Que é toda a minha saudade. Foi por vontade de Deus. Que estranha forma de vida tem este meu coração: vive de forma perdida; Quem lhe daria o condão? Que estranha forma de vida.

povo@ctlisbon.com

Coração independente, coração que não comando: vive perdido entre a gente, teimosamente sangrando, coração independente. Eu não te acompanho mais: para, deixa de bater. Se não sabes onde vais, porque teimas em correr, eu não te acompanho mais. Amália Rodrigues


A prop贸sito de Spoken Word, Mike Stellar (Dj residente do SLAM LX) , recomenda: Gil Scott Heron - http://gilscottheron.net/ The Last Poets - http://www.myspace.com/thelastpoetsdotnet Ursula Rucker - http://www.maatmama.com/ Henry Rollins - http://henryrollins.com/ Jello Biafra - http://www.jellobiafra.org/ Linton Kwesi Johnson - http://www.myspace.com/lkjrecords Social Smokers - www.reverbnation.com/socialsmokers Saul Williams - http://www.saulwilliams.com/ Allen Ginsberg - http://www.allenginsberg.org/ William S. Burroughs - http://kirjasto.sci.fi/wbburrou.htm


A Poetry Slam Lisboa nasce pelas mãos de Mick Mengucci e Ana Reis, e encontra-se já espalhada em vários locais alfacinhas, contando já com mais de uma dezena de edições.Com o apoio do Poetry Slam Lisboa surge o Poetry Slam Amadora e o Poetry Slam Coimbra. É seguramente um movimento que se está a espalhar pelo país dando oportunidade aos poetas de terem um palco e um espaço para divulgação da sua poesia! ‎20º Poetry Slam Lisboa dia 7 de Dezembro a partir das 19h no A Love Supreme...slamas? em véspera de feriado, e já perto do fim do ano, caminhamos para a baixa, ali perto do coliseu, para o aconchego do Love Supreme que acolhe o 20º Poetry Slam Lisboa para mais uma noite em torno da palavra dita encorpada performada com som e senso. Às 19h projecção do filme 'Slam' (1998 c/Saul Williams) para quem ainda não teve oportunidade de ver, logo há espaço e tempo para provar os petiscos do lugar com música de X e Mick Mengucci, e a partir das 21h30 slama-se desta com MC Ana Reis e todos os presentes...é desta não é? para participar envia um mail para poetryslamlisboa@gmail.com ou aparece dia 7 no Love Supreme. inscrições abertas no local até às 21h30, cada poema declamado vale uma bebida, entrada livre e aberta à participação pública...passa a palavra!


Pessoas imortais, uma pessoa: o Pessoa Há Homens que não são feitos da mesma matéria que todos os outros. Não é de carne que são revestidos e o que lhes corre nas veias não é sangue. Os olhos são como balas capazes de perfurar todas as coisas, ultrapassam o espectro visível. Uma sensibilidade arrepiante. Caminham dentre a multidão, moribundos numa orquestra nem sempre audível a quem os fita. Nutrem-se da vida que por eles passa, desfilando nas ruas solitariamente e com a humanidade ao peito.

Diz-se que todo o Homem é mortal. Contudo, olho o fato sem forma com que me deparei e não me fica vazio. Ao invés, reside plenitude. Interrogo-me se haverão pessoas ditas vivas mais vivas do que Pessoa(?) Conseguem haver mortos mais vivos que desafiam leis, são Homens do não tempo. A sua casa são todos os lugares e a vida que tão delicadamente acontece em repercutidos "agoras". PAULA CORTES


Dilúvio Paradoxal / Social Smokers por BIRU Encontro-me perante mim Encostado à Parede Tenho uma infiltração no tecto E estou com sede Iminente, o Tecto qualquer dia cede Mas não me impede, Boquiaberto sacio a sede (Gota a Gota) Vejo o Tecto a ganhar vida de simples tecto a aquilo que me abriga O Iminente Caos Que me instiga Eu, o Druida. Suas veias pulsam e se ramificam em direcção à parede Por momentos garganta seca, Enquanto mato a sede me lembro que estou sob seu Abrigo me Concedo e cedo desaparece o medo.

Penedo a Penedo Montanhas se formam Paredes Inclinadas Rios (entornam) Por onde passam Flores Adornam Sob o Mar Nuvens às Montanhas retornam... (Gota a Gota) Chove tempestuosamente A água trepa a parede Em contra-corrente


O Homem-Ilha desaparece de repente Agora Sou Metade peixe Metade gente Sangue na guelra Causo ondas num Aquário Uma Tv deu à costa à dar o Noticiário Sem Corrente Isto sim, É que é revolucionário. No meio de tanta Água continuo com Sede Homem Peixe Também bebe Por osmose A água passa pela parede Em que direcção ?!?! O meu cérebro não percebe. De Homem-Peixe A Célula Túrgida Será o inicio ou o fim da sua vida? Quem só procura respostas, Não vive sem a dúvida. Alexandre Francisco Diaphra aka Biru http://WwW.BIRULEX.CoM/ http://twitter.com/birulex http://www.myspace.com/birulex http://www.youtube.com/birulexicon


“Have you ever lost yourself in a kiss? I mean pure psychedelic inebriation. Not just lustful petting but transcendental metamorphosis when you became aware that the greatness of this being was breathing into you. Licking the sides and corners of your mouth, like sealing a thousand fleshy envelopes filled with the essence of your passionate being and then opened by the same mouth and delivered back to you, over and over again - the first kiss of the rest of your life. A kiss that confirms that the universe is aligned, that the world's greatest resource is love, and maybe even that God is a woman. With or without a belief in God, all kisses are metaphors decipherable by allocations of time, circumstance, and understanding” ― Saul Williams, , said the shotgun to the head.

SAUL WILLIAMS, foi um dos participantes do Festival Silêncio em 2010! O público português conhece Saul Williams desde 1999, pelo menos, quando o Fantasporto exibiu Slam – estávamos de sobreaviso: o filme tinha sido premiado em Cannes e Sundance. O norte-americano escreveu e interpretou a estória de um rapaz com talento inato para a poesia, mas de classe social baixa. A segunda metade dos 1990 foi bastante frutífera para o escritor e nela compôs uma obra que, entre a poesia e a música, o colocou como nome cimeiro da poetry slam. Trabalhou com poetas da nata da sublevação: Allen Ginsberg, Sonia Sanchez. Desde então, acompanhou digressões de Nine Inch Nails e The Mars Volta. Williams explora sobretudo a tradição oral da poesia – e não se coíbe de invocar os mais antigos gregos ou os contadores de estórias africanos, que o servem como princípio e fim, de onde sobeja todo o espaço criativo para a edificação de uma filosofia aventureira de carácter inspirador.


URSULA RUCKER WHAT A WOMAN MUST DO Until you walk, run, fight a mile in her shoes Don1t you dare stand in front of me and tell me What a woman must do Until you have walked, run, fought a mile in her shoes Don't you dare stand in front of me and tell me What a woman must do What a woman must do She must Swing from chandeliers for undeserving spouses and paramours Who deny her suffrage by day, but crave and praise her womanly wiles by night Good enough to fuck but, not good enough to vote She must Go from the beauty of Africa, to the horrors of massa Go from titties dangling bare and shameless To being branded, licentious, temptress, embarrassed Go from land of yams and heat hot To land of cash crops and sellers block Go… from God names, to no name, to his names Go… from God names, to no name, to his names Now Black Now inhuman Freedom stolen, family stolen, now beholden… but still golden Field hollerin'… and Ain't I A Woman Ain't I A Woman I can see her, me Washing dishes, clothes, and children Making love, money, dinner, and beds Always the first one off a sinking ship But last in the line to receive respect What What a What a woman What a woman must What a woman must do What a woman must do What a woman must do Must do Must do, must do, must do, must do, must do…

She must Wipe away tears and reclaim strength After rape, abortion, lover's betrayal, child's birth, child's death, husband's abuse Tricking to buy baby shoes She must Be called a muse Which is just a synonym for use Put upon pedestals Dainty and protected And because of that disrespected Victorianized Made a paradox of famous anonymity Left to go insane with too much femininity Staring at yellow wallpaper Her heart Open Her legs Open Warm and welcoming Waiting… for phone calls that never come Waiting… for words of appreciation that never come Waiting… for equal pay that never comes Waiting Waiting, waiting, waiting Waiting, waiting, waiting Waiting for love Waiting for acknowledgment not judgment Waiting And when seeking or achieving any kind of power Reduced to labels like… Concubine. Cunt. Bitch. Whore. Stunt. Witch. Dyke Concubine. Cunt. Bitch. Whore. Stunt. Witch. Dyke What What a What a woman What What a What a woman must What a woman must What a woman must do What a woman must do


PATTI SMITH / Land

When suddenly Johnny gets the feeling he's being surrounded by horses, horses, horses, horses coming in in all directions white shining silver studs with their nose in flames, He saw horses, horses, horses, horses, horses, horses, horses, horses. Do you know how to pony like bony maroney Do you know how to twist, well it goes like this, it goes like this Baby mash potato, do the alligator, do the alligator And you twist the twister like your baby sister I want your baby sister, give me your baby sister, dig your baby sister Rise up on her knees, do the sweet pea, do the sweet pee pee, Roll down on her back, got to lose control, got to lose control, Got to lose control and then you take control, Then you're rolled down on your back and you like it like that, Like it like that, like it like that, like it like that, Then you do the watusi, yeah do the watusi

(excerto)

Life is filled with holes, Johnny's laying there, his sperm coffin Angel looks down at him and says, “Oh, pretty boy, Can't you show me nothing but surrender ?� Johnny gets up, takes off his leather jacket, Taped to his chest there's the answer, You got pen knives and jack knives and Switchblades preferred, switchblades preferred Then he cries, then he screams, saying Life is full of pain, I'm cruisin' through my brain And I fill my nose with snow and go Rimbaud, Go Rimbaud, go Rimbaud, And go Johnny go, and do the watusi, oh do the watusi Roll down on her back, got to lose control, got to lose control, Got to lose control and then you take control, Then you're rolled down on your back and you like it like that, Like it like that, like it like that, like it like that, Then you do the watusi, yeah do the watusi


Poetry Slam - Regulamento A. Regulamento: 1. Os poetas concorrentes terão de ter mais de 16 anos de idade; 2. Os poetas podem abordar qualquer tema em qualquer estilo; 3. Os poetas devem utilizar os seus próprios poemas; 4. Nenhum poema poderá ultrapassar os três minutos. As performances serão cronometradas; 5. Não é permitido: a utilização de instrumentos musicais ou música pré-gravada, cenários, recurso a acessórios, disfarces ou máscaras. O poeta deverá vestir as roupas que usa no seu dia-a-dia; 6. Cada poeta que participe no Poetry Slam do Festival Silêncio deverá preparar pelo menos 3 poemas de sua autoria; 7. Os poetas não podem repetir duas vezes o mesmo poema excepto na final; 8. O júri constituído por 5/6 elementos atribui uma nota após cada poema numa escala de 1 à 10; 9. O concurso desenrola-se por eliminatórias da seguinte forma: 9.1 – Primeira etapa com os 8 poetas concorrentes. Os 4 poetas mais pontuados passam à meiafinal; 9.2 – Meia-final: dos 4 seleccionados serão escolhidos 2 para a final; 9.3 – Final: com os 2 mais pontuados; 9.4 – Performance final do vencedor. 10.A decisão do júri é soberana. Os concorrentes não poderão recorrer do resultado das pontuações atribuídas pelo júri 11.aos vencedores é oferecido um prémio de participação. B. Notas e penalizações 1. O júri atribui uma nota a cada poema indo de 1 a 9.9, sendo 10 a nota máxima; 2. Os elementos do júri serão encorajados a utilizar décimas após a vírgula de forma a desempatar poemas cujas notas sejam demasiado próximas; 3. Se a regra dos três minutos for infringida por um poeta durante a sua actuação, este terá 10 segundos de tolerância; 4. Caso ultrapasse os 3 minutos e 10 segundos, o poeta verá o seu score final penalizado, segundo o seguinte esquema: 0,5 pontos por cada período de 10 segundos acima de 3 min. e 10 seg.


O silêncio das palavras Já o escrevi e disse centenas de vezes. Não porque quero matar de tédio os meus escassos interlocutores mas apenas porque considero uma das poucas verdades em que acredito, impermeável à passagem dos dias. E a verdade é esta: tudo tende para o silêncio, porque é ele que tudo contém. A vida, a arte: tudo almeja o indizível. As palavras são uma triste mediação porque nunca conseguirão dizer o que realmente se sente. Para quem faz da escrita a sua vida elas são a mais bonita das impossibilidades. Neste sentido, a poesia – a palavra poética – será o que mais próximo ficará desse lugar tão secreto que queremos partilhar. A poesia é uma investigação da verdade e da alma, uma depuração constante e exigente que no seu melhor nos alimenta sempre com o que não se escreveu e ficou por dizer. E aí é que nós estamos, e aí é onde está o poeta.

Nem o que escrevo é original: desde sempre houve quem sentisse e comprovasse este paradoxo de não se poder dizer o que se sente: de Wittgenstein a Beckett, passando por Fernando Pessoa («O poeta é um fingidor»...) a constatação do silêncio como derradeiro lugar da alma parece evidente.

Faz então sentido dizer poesia? Faz. Mesmo preferindo a leitura para mim mesmo, sei que a palavra é a última feitiçaria que nos resta, o vestígio de magia a que ainda temos direito. Capaz de levantar corações, incitar revoltas, gerar ficções, criar manifestos, suicídios, paixões inexplicáveis. Por isso sempre me encontrarão perto dessas cerimónias em que a palavra anda à solta, sem medo e sem dono. A poesia é uma utopia solitária e a única que me interessa neste mundo. Agarro-me a ela tantas vezes que se confunde com a vida. E sempre com a esperança que a magia funcione, mesmo sabendo que não há resposta à pergunta em verso de João Miguel Fernandes Jorge: «como hei-de prometer as coisas».

Nuno Miguel Guedes Nuno Miguel Guedes é jornalista freelancer. Iniciou carreira no Jornal de Letras, esteve no O Independente desde a sua criação até 1990, e foi fundador da revista Kapa (1990-1993) com Miguel Esteves Cardoso. É desde 1992 colaborador permanente da secção de Cultura da revista VISÃO. Publicou e publica em vários jornais e revistas - Elle, Egoísta, Expresso, DNA – Diário de Notícias, jornal i, Vogue espanhola etc. Letrista (Ana Moura...) guionista e produtor discográfico, Nuno Miguel Guedes nos tempos livres lê e pratica o dry martini. É o único elemento fixo do Júri do Poetry Slam!


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SLAM LX Nº3 V5  

Magazine 'work in progress' dedicado às noites de Poetry Slam que o Musicbox organiza mensalmente. SLAM LX Nº3 / 3ª edição no dia 22 de Deze...

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