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Aborto Lendo a carta da leitora Rita Cecato, na edição do Diário de terça-feira, deu para notar os argumentos religiosos utilizados para a formulação de seus argumentos. Ao mesmo tempo que a leitora cita a palavra “empatia”, esquece-se de pensar no direito de qualquer mulher, vítima de estupro, tirar o feto indesejado que ela carrega dentro do corpo. Definitivamente, isso não tem a menor graça! Demonstra um olhar estreito demais, onde a empatia passa longe... São pensamentos anacrônicos como esse que emperram e atrapalham o progresso humano. A leitora afirma – com toda a convicção e sem deixar dúvidas – que Deus existe e que o ser humano irá “desencarnar” após a morte. Ora, isso revela uma posição extremamente acrítica, carregada de crendices, o que torna sua argumentação rasa e desmerecedora de crédito. Nenhum ser humano (pastores, padres, papa etc.) e nem a ciência ou a religião detêm o monopólio do discurso da vida, cara leitora, muito menos são os donos da verdade. Pessoas realmente emancipadas e corajosas devem saber suportar a existência e a finitude buscando superarem-se, a fim de se levar uma vida como se pinta uma obra de arte, como proposto pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Se existe um Deus ou não, se algum ser humano consegue ou não vagar por aí sem a matéria, se a Bíblia ou o Corão possuem ou não alguma utilidade, que tal deixar todos esses elementos de lado – como num movimento de passar a mão sobre uma mesa de xadrez para derrubar todas as peças – com a finalidade de ampliar a visão (livre de ideologia e dogmas religiosos) e resolver questões de saúde inerentes e relevantes à existência humana?

Alexandre Zanatel, S. J. Rio Preto

ABORTO  

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