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NATURE primeira edição Novembro 2011

O ÁRTICO

TUNDRA

A Tundra é o último bioma antes do frio congelante do inóspito Ártico onde nenhum tipo de vegetação se desenvolve

BIOMAS, ECOSSISTEMA e NATUREZA


O ÁRTICO

TUNDRA


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Tundra é o último bioma antes do frio congelante do inóspito Ártico onde nenhum tipo de vegetação se desenvolve

POR FRANCISCO CARLOS ALEXANDRE SOUSA


O QUE é a TUNDRA A tundra ártica surge no sul da região dos gelos polares do Ártico, entre os 60º e os 75º de latitude Norte, e estende-se pela Escandinávia, Sibéria, Alasca, Canadá e Groelândia

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tundra é uma vegetação proveniente do material orgânico que aparece no curto período de desgelo durante a estação “quente” das regiões de clima polar, apresentando assim apenas espécies de que se reproduzem rapidamente e que suportam baixas temperaturas. Essa vegetação é um enorme bioma que ocupa aproximadamente um quinto da superfície terrestre. Aparece em regiões como o Norte do Alasca e do Canadá, Groenlândia, Noruega, Suécia, Finlândia e Sibéria. A tundra ártica surge no sul da região dos gelos polares do Ártico, entre os 60º e os 75º de latitude Norte, e estende-se pela Escandinávia, Sibéria, Alasca, Canadá e Groelândia. Situada próximo do pólo norte, recebe pouca luz e pouca chuva, apresentando um clima polar, frio e seco. O solo permanece gelado e coberto de neve durante a maior parte do ano, a vegetação é rasteira, não possui árvores com abundancia de musgos e líquens. O solo da tundra é chamado de permafrost, que em uma tradução literal significa “sempre congelado”, e é justamente essa característica que dá a tundra suas feições naturais. O permafrost é um solo típico das regiões antárticas composto por terra, pedras e gelo. Sua profundidade pode alcançar até mais de 1 metro e ele é totalmente impermeável o que faz com que surjam áreas lamacentas no verão quando a camada de gelo superficial, que pode chegar a 300 metros em alguns lugares, derrete.


O fato de o solo estar totalmente congelado à uma certa profundidade não permite o desenvolvimento das raízes das plantas e, mesmo que estas conseguissem quebrar o permafrost não haveria água suficiente, pois toda a água está em estado sólido. Estas características do solo aliadas aos ventos fortíssimos e um inverno muito longo (o verão dura apenas dois meses), não permitem a existência de uma vegetação mais alta. Mesmo assim, a tundra é essencial para a manutenção de muitas espécies como os bois almiscarados que quase foram extintos, e hoje ocupam regiões do Canadá, Alaska e algumas regiões da Europa, lebres árticas, lemingues (roedores encontrados na Europa, Rússia, Mongólia e América do Norte), renas, caribus, arminhos, raposas árticas, lobos, corujas-das-neves, perdizes-das-neves, entre outros. Tanto quanto as plantas, os animais da tundra desenvolveram mecanismos para resistir ao frio intenso como migrar para regiões mais quentes durante o inverno ou hibernar. O clima apresenta verões muito curtos, com uma duração do dia muito longa, com uma temperatura média entre -8°C e -4°C (não excedendo os -6°C). Durante as horas de escuridão a neve, vai caindo e acumula-se, devido aos fortes ventos, nas regiões mais baixas, obrigando os animais a permanecerem junto ao solo eh apenas a procurar comida para se manterem quentes. As quantidades de precipitação são muito pequenas (entre 75 e 35 cm, incluindo a neve derretida). Apesar da precipitação ser pequena, a Tundra apresenta um aspecto úmido e encharcado, em virtude da evaporação ser muito lenta e da fraca drenagem do solo permafrost, no verão. Só no verão, com a duração de cerca de 2 meses, em que a duração do dia fica por volta de 24h

e quando temperatura não excede os 12°C, que a camada superficial do solo descongela, mas a água não consegue se infiltrar pelas camadas inferiores. Formam-se então charcos e pequenos pântanos. Pelo dia ser de longa duração ocorre uma “explosão” de vida vegetal, o que permite que animais herbívoros sobrevivam - bois almiscarados, lebres árticas, renas e lêmingues, na Europa e na Ásia, e caribus na América do Norte. Estes por sua vez constituem o alimento de outros animais (comem uns aos outros), carnívoros, como os arminhos, raposas árticas e lobos. Existem também algumas aves como a perdiz-das-neves e a corujadas-neves.

O crescimento da vegetação é lento. A vegetação predominante é composta de líquenes, musgos, ervas e arbustos baixos, devido às condições climáticas que as impedem de crescer. As plantas com raízes longas não podem se desenvolver pois o subsolo permanece gelado. Por outro lado, como as temperaturas são muito baixas, a matéria orgânica decompõe-se muito lentamente e consequentemente, o crescimento da vegetação é lento. Uma adaptação que as plantas destas regiões desenvolveram é o crescimento em maciços, o que as ajuda a evitar o ar frio.


REVISTA N