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Movimento Hip Hop da Floresta Porto Velho (RO) www.hiphopdaflorestaro.blogspot.com hiphopdaflorestaro@gmail.com (69)8414-9994 Bira do Rap Agrestina (PE) biradorap@hotmail.com (81)9793-9110 Associação Canoense de Hip Hop Canoas (RS) alex.sandrorezende@hotmail.com (51)9294-3721 CMA Hip Hop Salvador (BA) www.educadora.ba.gov.br/ evolucaohiphop cmahiphop007@gmail.com (71)9151-0631 Suburbano Convicto Itaim Paulista (SP) www.suburbanoconvicto.blogger.com.br alessandrobuzo@terra.com.br (11)8218-7512 Ong Circulando Porto Alegre (RS) www.ongcirculando.com circulandoong@yahoo.com.br (51)9674-6739 Questão Ideológica Praça da Integração, S/N Parque Piauí – Teresina – PI 04030-100 questaoideologica@yahoo.com.br Mara Break Rua São Marcos, 2B Vila Nazaré – Paço do Lumiar – MA bboy_viny03@hotmail.com Familia Força Gueto Primeira Travessa Bom Jesus, 5 Vila Sarney Filho – São José do Ribamar/MA forcaguetomaranhao@hotmail.com Amazon B. Boy Rua Carlos Gomes, 93 – Sala 02 Campina – Belém – PA www.amazonbboy.com.br amazonbboy@hotmail.com Origen's Produções Rua Retiro Natal, 114 Retiro Natal – São Luiz – MA maosmagicas.rj@gmail.com Cosp Tinta Conjunto Provodência, Rua 09 Quadra 10, nº102 Maracangaia – Belém – PA ed.roots@yahoo.com.br

O Jornal Enraizados chegou para ficar!

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ão frases como essa que circularam nos principais sites de relacionamento dias após o lançamento da primeira edição. Conseguimos superar todas as nossas expectativas e cumprimos fielmente as nossas metas, enviando o jornal – e nossas ideias - para diversos estados do país, como Piauí, Maranhão, Pará, Acre, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Brasília, Bahia, Ceará, Amapá, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Tocantins, além de dezenas de cidades do estado do Rio de Janeiro e assim criamos uma grande rede de distribuição de um dispositivo interativo.

Missão cumprida na primeira edição, porém muito trabalho para a segunda. O desafio agora é construir um jornal colaborativo e atemporal, que circule em todo o Brasil e que traga além de informação, conhecimento, entretenimento, histórias de vida de pessoas que são exemplos que devem ser seguidos, pois precisamos compartilhar nossos sucessos e admirar nossos iguais. O Jornal Enraizados mostra nitidamente que os militantes e artistas do hip hop já entenderam que é possível ir além de elementos fundamentais como a música, as artes plásticas e a dança, pois no atual momento a juventude protagoniza a integração do hip hop à literatura, ao cinema, às novas tecnologias, ao jornalismo e a dezenas de outras formas de arte ou comunicação, prova disso é o Pontão de Cultura Preto Ghóez Juventude Digital que consegue fazer com que todos esses elementos interajam harmonicamente. E como diria La Fontaine: “- Toda força é fraca se não é unida.”


POR JANAINA OLIVERIA

Nascido e criado na Rua 19 de fevereiro, em Botafogo, Rio de Janeiro, oriundo de uma grande família negra, operária, filho de pais muito jovens, onde sua mãe tinha apenas 17 anos e seu pai 20, e que logo se separaram, ficando para Rita Maria da Silva a responsabilidade de cuidar da família. Rita, por ser nova, brincava muito com seus filhos. “Esse carinho que eu tenho comigo foi passado pela minha mãe, esse carinho de beijar, de brincar... não lembro de ter faltado nada na minha vida, ela sempre se desdobrou, me ensinou o respeito pela família, minha mãe tinha nove irmãos, o meu pai quatorze, eram 23 tios, uma família quilombola, onde eu chegava tinha tios e tias, todo mundo cuidando um do outro e por isso não me lembro de ter faltado nada” diz Zózimo.

Sua mãe trabalhava como operária na Fábrica de Tecidos Confiança, em Vila Isabel, que foi inaugurada em 1885. Esta era uma fábrica que trabalhava com mão de obra de ex-escravizados. Nos finais de semana ela começou a fazer as unhas dela e de outras mulheres, logo conheceu uma amiga da área, abriram uma sociedade e fizeram um salão de cabeleireiro em um sobrado na Rua do Catete. “Ela era cabeleireira, manicure, pedicure e tinha uma clientela muito boa, ela era uma grande empreendedora, era sócia do salão, e de repente comprou a parte da outra e virou proprietária (risos). Foi ela quem me deu essa garra, essa confiança: Vai a luta cara!” relembra. Toda essa determinação, coragem e vontade de se lançar para a vida que encontramos até hoje em Zózimo vem de berço e o espírito independente não poderia ser diferente. “Quando eu tinha uns 15 para 16 anos, eu era um garoto que andava com uma patota de rua e ela descobriu que eu já estava indo para a zona, já estava fumando, então ela chegou para mim e disse: - Está aqui a chave da casa, agora você é responsável por si. Eu levei um susto, levei o maior susto da minha vida, eu não chorei nem nada, mas naquele momento eu pensei: “Cara, agora é comigo, a vida é minha!” Isso com 15 para 16 anos. “E mais tarde eu percebi que aquele foi o momento em que ela cortou o cordão umbilical.” Mais tarde, já com 18 anos, foi se alistar e fez questão de servir no Forte de Copacabana. No ato da inscrição não acreditaram que Zózimo, sendo negro, não morava em uma favela. “Quando eu fui lá fazer a inscrição eles me perguntaram: –Mora a onde? –E eu falei: - Moro em Botafogo. –Que morro? –Eu moro na rua 19 de fevereiro, n° 100. –Você mora em uma rua? –Moro em uma rua (risos), em uma casa. –Cara eu posso colocar isso mesmo? Nós vamos mandar averiguar.


Eu acho que foram averiguar, pois logo depois de dois meses eu fui chamado e servi no Forte Copacabana, um lugar elitista até hoje.” No Forte, Zózimo estudou e teve a oportunidade de seguir a carreira militar como Sargento, mas preferiu sair, pois não aguentaria ficar em um ambiente de rígida hierarquia. Quem mora ou já passeou pela zona sul do Rio de Janeiro sabe que o Forte de Copacabana fica entre o Arpoador e Ipanema, onde nos anos 60 aconteceu um grande momento de revolução política e cultural e onde também nasceu a Bossa Nova. Zózimo estava lá, convivendo com essas pessoas e construindo parte desta história. Logo assim que deixou o quartel entrou para a Escola Nacional de Belas Artes, lá fazia o curso de Decoração de Interiores, pois seu interesse mesmo era fazer cenografia para teatro e cinema (conhecimento muito bem aplicado na decoração do Centro Afro Carioca de Cinema), mas não demorou muito a questionar os professores quanto a falta de ensino sobre a história da Arte Africana. “Lá eu fazia revolução, mas eu quase fui expulso da universidade, pois fui questionar o por que não tínhamos uma matéria sobre a história da Arte Africana. Ele (o professor) me respondeu mal, dizendo que na África não tinha arte. Eu sabia bem que Picasso e todo o seu trabalho estava dentro da África, como tanto outros da época.” Por este motivo Zózimo foi até a sede da UNE, no Flamengo, para resolver sua situação com a Universidade, quando foi chamado para integrar o corpo de atores do CPC (Centro Popular de Cultura), foi ali que ele iniciou sua carreira como ator. Sua primeira participação em filmes foi no primeiro “5X Favela”, em 1962, com uma narrativa a frente do seu tempo. O filme fez um grande sucesso ficando seis meses em cartaz, coisa impossível de acontecer na época atual. Depois deste não parou mais e atuou em pelo menos dois filmes por ano, de 62 a 69, quando, já morando em São Paulo, foi convidado pela TV Excelsior para protagonizar, juntamente com Leila Diniz, um casal na novela Vidas em Conflito, em fevereiro de 1969. Zózimo foi o primeiro protagonista negro de uma novela brasileira, seu núcleo era uma família negra, de classe média baixa, seu personagem, o Rodney, era professor de cursinho pré-vestibular e Leila Diniz, como Débora, era a aluna que se

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apaixonava por ele. O conflito se dava quando Débora apresenta Rodney à família. A novela foi um marco para época e levantou um grande debate sobre a questão racial no Brasil. Ainda em São Paulo participou da criação do República da Traição, de 1970, isso em plena ditadura, época de grande censura. Zózimo pontua bem que a ditadura veio num período em que o Brasil estava em grande processo evolutivo intelectual e cultural. “A ditadura veio e cortou esse crescimento, estagnando o desenvolvimento do país e temos os reflexos disso ainda hoje, lamentavelmente não conseguimos retomar a liberdade de criação e de expressão que tínhamos no final dos anos 50”. Por causa da ditadura, Zózimo vai para os Estados Unidos e lá tem contato direto com os integrantes dos Panteras Negras, onde pôde conhecer de perto como os negros estavam se organizando e onde também foi muito questionado sobre como estava a situação do negro em nosso país. Por causa da migração só ficou três meses por lá e depois foi para a França, onde teve contato com jovens ativistas de todo o mundo, outros brasileiros também, mas sua identificação maior foi com o grupo dos africanos, pois estavam todos com a missão de aprender e voltar para intervir em seus países. Africanos que até hoje são amigos de Zózimo, como o reconhecido cineasta senegalês “Mansour Sora Wade” e “Olá Balogun”, da Nigéria, considerado na Europa o mais importante cineasta africano da atualidade. O primeiro filme em que o Zózimo atuou depois do exílio, o Deusa Negra, de Olá Balogun, contou com a parceria de Zózimo Bulbul para a produção aqui no Brasil. Perguntei a Zózimo se nesta trajetória onde transitava por todas as classes indo das favelas as casas da zona sul, ele sofreu algum tipo de discriminação racial. Zózimo deu um belo sorriso e

citou uma frase que ouviu na época: “No Brasil, não existe conflito racial porque o negro sabe o seu lugar.” E me falou: “Mas eu não ficava em um lugar só, eu ia quebrando as barreiras, sempre quis ir além do que me era permitido e sempre que me deparava com esse novo, sim, era discriminado e sentia este preconceito, mas nada o que me fizesse parar.” E ele não parou, continuou atuando, escrevendo e dirigiu o premiadíssimo documentário Abolição de 1988, que faz um resgate dos 100 anos da abolição no Brasil. Continuou atuando no cinema e na TV até que em 2007 foi convidado a participar do 19º Encontro de Cinema Latino Americano Tolousse – França, onde foi questionado sobre a ausência do negro na direção dos filmes brasileiros, pois outros cineastas e até mesmo o Itamarati, nunca mencionaram que no Brasil haviam diretores(as) negros(as) e ele tomou a palavra para desconstruir essa imagem e voltou para o Rio com a missão de visibilizar o cinema negro brasileiro para o Brasil, África e mundo, criando o Centro Afro Carioca de Cinema. “O Centro Afro Carioca de Cinema é um lugar onde tem a nossa própria sala de cinema para exibirmos os nossos próprios filmes, onde a três anos realizamos o Encontro de Cinema Negro Brasil África e Américas, onde são exibidos filmes de cineastas negros e negras do Brasil e do Mundo e que em 2010 está indo para o seu IV Encontro”, diz Zózimo. Perguntamos a ele o que ainda o motiva depois de tantos anos de carreira e de uma grande contribuição para a história do nosso país, queríamos saber se ainda existia alguma meta. Ele nos responde com um brilho estonteante no olhar, dizendo que a sua missão é criar a sua própria produtora de cinema, para ser um espaço de fomento ao cinema negro no Brasil, um lugar onde os cineastas negros e negras tenham a oportunidade de conseguir apoio para realizar seus projetos, seus filmes... Um espaço para a independência do cinema negro brasileiro.


POR JANAINA OLIVERIA

Mulher, negra, atriz, produtora, ativista que luta por direitos e visibilidade da população afro brasileira, em especial as mulheres. Já trabalhou como atendente de lanchonete, telemarketing, vendedora, promotora de vendas e o teatro paralelo a tudo isso. Esta grande mulher não está muito longe de se tornar também cineasta, o mundo é o seu ambiente natural, não tem medo de se lançar para a vida, isso pode ser explicado quando se lançou, na hora que quis, de cabeça no mundo, sendo a única de suas irmãs a nascer de parto normal. Ela cria e se recria a todo o momento, o espírito empreendedor veio de sua mãe Selma Bustamante e o amor pela arte já veio de seu pai que era sambista, foi um dos músicos da bateria do Mestre André, da Mocidade Independente de Padre Miguel, que viajar muito pelo mundo fazendo shows e ele quase não pôde acompanhar a sua infância, porém foi o grande responsável por ela continuar os estudos até hoje. Estamos falando de Jana Guinond, coordenadora da Ong Estimativa, que dividiu um pouco de sua história conosco:

Onde você foi criada? Sou nascida e criada, orgulhosamente, em Padre Miguel. É de lá que vem o meu aprendizado, é lá que está minha raiz, meus amigos e amigas ficam me perguntando: “- Você não tem medo de ficar falando que você é daqui de Padre Miguel? (risos) Medo? Medo não, eu tenho orgulho! Não devo nada a ninguém, eu devo ter orgulho de onde eu sou.” E isso é primordial para mim, e engraçado é que eles não tem nem noção disso, toda a vez que estou triste, que eu estou com aquele vazio, eu vou lá para vê-los, eu só quero estar perto deles, pois quando eu chego me divirto, morro de rir e quando eu volto para casa estou totalmente aliviada. Lá eu não sou a artista, lá eu sou a nativa do bairro, então lá eu quero respirar, quero regar a minha raiz e estar em contato com a minha família, minhas irmãs.

Como foi a sua infância e adolescência? Na minha infância eu andava muito de bicicleta, de carroça, brincava de pique-lateiro, queimado, bola de gude, pião, minha casa acolhia muito as pessoas, vivia muito cheia de gente o tempo todo, é por isso que eu estou acostumada a ter muitas pessoas por perto. Na


adolescência eu era uma garota muito a frente do meu tempo, aos 14 anos de idade, além de estudar, vi a necessidade de ter o meu próprio dinheiro e foi aí que consegui o meu primeiro emprego, que surpreendentemente foi como caixa em uma lanchonete de um judeu. Imagina o grau de confiança, ser caixa de um judeu? (risos). Sempre gostei do novo, de conhecer as pessoas e trocar informações, isso é fato, e a partir daí eu fui realizando os meus sonhos. Aos 19 anos eu já ganhava dois mil reais. Nossa! É dinheiro abessa para uma adolescente! Eu investia este dinheiro em consórcio de eletrodomésticos e quando eu consegui entrar no meu apartamento, já tinha tudo. Hoje eu estou refletindo sobre esse processo e vejo, nossa! Que mulher avançadíssima, modernissíma.

O que você queria ser quando crescer? Ah! Eu queria ser aeromoça... Faltou a sociedade não ser tão racista. Porque que você não pode ser aeromoça? Vamos pensar... Ah, mas tem negras lá né? Mas é a minoria hoje, porque na época não tinha nem uma.

Quando foi que se percebeu como uma mulher negra? Na verdade em vários momentos eu percebia. Tem muitas coisas que acontecem que a gente não entende o porque, por exemplo, eu não namorava igual as outras meninas, era sempre escondido, porque era uma mulher negra e isso eu não percebia na época. Eu não sabia, não me posicionava, mas chegou um determinado momento que eu passei a me posicionar. Na época eu usava implante, mas já sabia que era negra, porém eu queria ser a negra americana e não a negra brasileira. Foi importante na minha vida conhecer umas meninas chamadas Anastácias – de Porto Alegre, pois quando vieram para o Rio ficaram na minha casa. Eu pude ver aquelas mulheres negras do sul, com os cabelos assumidíssimos e eu usando o meu implante, a partir daquele momento eu peguei uma tesourinha e tirei, e foi aí que nasceu um lindo black e a partir daí eu me transformei, porque é a força, é a força. Hoje qualquer um pode chegar e falar do meu cabelo, porque eu olho e falo: “gente o problema não está em mim, está no outro que está achando que eu tenho que mudar o meu cabelo.” Essa transformação mudou os meus valores, mudou a minha concepção de vida. Hoje estou envolvida em uma história que fala sobre cabelo e eu não sei viver sem falar disso. Falar de cabelo é você mexer com a parte interna da mulher, principalmente da mulher negra, pois estamos fora do padrão que a sociedade impõe. A questão do cabelo para mim foi crucial, foi o momento em que realmente eu falei: “eu sou negra”.

A partir de que momento você começou a intervir positivamente na vida de outras pessoas? Quando eu entrei nesta história, eu entrei com o intuito de ajudar - como muitos entram, só que eu acabei sendo ajudada, porque a gente entra naquela de ir lá para doar o seu tempo e é completamente ao contrário. Hoje eu recebo tanto amor das pessoas, são elas que me mantém, são elas que me dão força para eu continuar tendo garra para isso. Conhecer gera um poder, você se torna mais forte e é essa fortaleza que eu não quero ficar só pra mim, eu preciso compartilhar. Eu não posso pensar em ser feliz sozinha, não existe esta possibilidade. Hoje a Estimativa é a minha vida, não sei falar de mais nada.

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Eu quero saber quem são essas mulheres da década de 60, de 70, de 80. Quem são elas? Essas informações são imprescindíveis, pois a história não começa agora, ela já vem lá de trás, eu sou fruto de um trabalho, de uma militância, de um amor de várias outras mulheres que estão anterior a mim e hoje essa busca é fundamental.

Como foi a criação da Estimativa? Tudo começou como parte de um grupo de mulheres negras em um projeto maravilhoso, só que em algumas coisas eu precisava de autonomia para trabalhar. Por precisar dessa autonomia comecei a cuidar da documentação, a fazer algumas pesquisas, neste processo eu conheci um grupo, as convidei, regularizamos a instituição e a gente começou. Eu faço questão que as pessoas que trabalham na Estimativa tenham autonomia para trabalhar, justamente por que eu não posso reproduzir a coisa do capitão do mato, de forma alguma.

“...eu sou fruto de um trabalho, de uma militância, de um amor de várias outras mulheres que estão anterior a mim e hoje essa busca é fundamental.”

E quem é Jana Guinond hoje? Eu sou aquela moça lá que aos 14 anos era a frente do seu tempo e que hoje ainda tem a vontade de abraçar o mundo. Passar por cima das pessoas nem pensar, eu sou muito ética, muito fiel a minha palavra, se eu te falei uma parada a palavra está dada, se ela for alterada a primeira pessoa a ser negociada é você, isso para mim é crucial, não tenho dois papos. estimativa2010@gmail.com www.estimativa.com.br

A Estimativa

é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que atua na promoção, divulgação e realização de eventos sócio-culturais que tenham como foco, principal-mente a cultura afro-brasileira. A Organização foi fundada em 13/06/2005, com sede no Rio de Janeiro e atua em vários territórios brasileiros. A Instituição acredita que o fio condutor da proposta do trabalho é a valorização da contribuição africana na história política, cultural e artística do país e que o reconhecimento do afro-brasileiro, do índio e todos os segmentos que sofreram e sofrem ainda hoje com todos os tipos exclusão é um dos pontos de partida para a equiparação social. Em algum grau, toda nossa população sofre algum tipo de dificuldade de acesso à informação e lazer. E, é justamente esta carência de oportunidade, que move a Estimativa, que em sua filosofia de atuação, proporcionar vez, voz e espaço aos ‘operários da arte’. Durante a sua trajetória tem acumulado inúmeras vitórias, como o crescimento contínuo das suas ações e do cadastro de parcerias.

O que é Estimativa para você? Estimativa é muito além de uma organização não governamental, é uma família e isso qualquer pessoa que vá aos eventos percebe, pois são eventos para a família, eu faço questão que possa entrar crianças, para os mais velhos colocamos cadeiras, sofá, tudo para se sentirem confortáveis, é do bebê à vovó, pois eu não acredito numa questão familiar se você não colocar todo mundo junto. A Estimativa é um convite a reflexão, aquilo que você nunca pensou em discutir, o que você nunca pensou em falar a Estimativa te proporciona, de maneira menos dolorosa, pois não tem forma de falar de racismo no Brasil que não seja dolorosa, e respeitando sempre a galera mais velha, o Movimento Negro, pois se teve os seus erros, tiveram os seus motivos e quem sou eu para julgar, de qualquer forma são as minhas referências e eu não posso começar uma história hoje sem saber o passado. A Estimativa é informação, amor, vida, ela é Estimativa.

Como é para você, com isso tudo, ainda ser mãe? Na verdade eu sempre adiei a maternidade, porque eu sempre tive outras milhões de prioridades, mas aí aconteceu, Ozires resolveu romper todas as barreiras que eu tinha idealizado, mas vou dizer uma coisa, é um trabalho danado, mas eu sou uma mulher antes e depois de Ozires. Não tem como negar, eu aprendo com ele diariamente, na verdade é ele quem está me ensinando a viver, é ele quem me mostra as coisas. Com o nascimento do Ozires eu fiquei muito mais próxima da minha família, a gente começa a entender outras coisas, vemos o quanto as mulheres te apoiam.

“Eu pude ver aquelas mulheres negras do sul, com os cabelos assumidíssimos e eu usando o meu implante, a partir daquele momento eu peguei uma tesourinha e tirei, e foi aí que nasceu um lindo black e a partir daí eu me transformei, porque é a força, é a força!”


Aqueles que se autodenominam de elites estão cada vez mais preocupados com o avanço dos “marginais” que eles tanto desprezaram na nossa pouco honrosa história brasileira. É verdade, temos tido poucos motivos para comemorar durante longos e até porque não dizer, perdidos anos, mas já foi bem pior. Tivemos épocas de raras, raríssimas, escassas e até de nenhuma vitórias em diversas frentes. Mas muita coisa tem mudado no império tupiniquim. Várias formas organizativas têm se levantado de, com e para a periferia, colocando em cheque a velha e preconceituosa forma de ser, agir e pensar dessa “nossa” sociedade, e como ninguém é livre o suficiente para ficar de fora da sociedade, sendo-nos fadado o veredicto final da maioria “esmagadora” e desmobilizada, por que não dizer também, manipulada massa de manobra, então temos que nos virar para travar uma “batalha de guerrilha”, para nos fazer por nós mesmos. São organizações de raça, etnia, gênero, cultura, direitos humanos, etc, porém nessas linhas nos estenderemos apenas nas formas organizativas de base cultural, ou seja, as associações, grupos e militantes culturais que temos conhecimento, que trabalham prioritariamente com a arte e a cultura de periferia ou popular, como queiram. Eu particularmente prefiro a palavra periferia, que popular, já que estamos falando daquilo que não vem do centro, não é centralizador e nem centralizante, não vem do mesmo ponto no espaço e nem converge para um único foco, dessa forma também podemos chamá-la de multicultural ou como o governo e a ONU dizem, Diversidade cultural. Muitas das organizações que surgem são lideradas e até administradas por jovens de diversas idades, colocam as artes e a cultura da periferia como ponto de partida e tem lutado pela ocupação geográfica, política e social, alcançando notáveis resultados inclusive no campo político, já que estamos em ano eleitoral, é bom falar do assunto, é claro que algumas delas ainda se vendem para partidos e candidatos, se prestando ao ridículo papel de iludir o nosso “menos confuso” povo. Mas deixa isso pra lá, pelo menos por hora. Vamos aos fatos. Quando o Brasil conseguiu junto a ONU, aprovar o protecionismo a diversidade cultural local dos povos, isso foi, sem sombra de dúvidas, a maior vitória do então Ministro Gilberto Gil, e abriu caminho para que os grupos radicais de direita começassem a enxergar aquilo que nós já sabíamos a muito tempo, que estamos crescendo, nos fortalecendo e ampliando nossa ação. Recentemente o Governo do Estado do Rio de janeiro chamou a sociedade civil organizada de base cultural para começar uma discussão que visa a ampliação da ocupação da cidade do Rio nas favelas por meio de esporte, cultura, lazer e arte. Devo ressaltar que a bem pouco tempo atrás essa não seria uma atitude que esperávamos do Governo. Bem, ainda está no começo, mas temos que começar pra ver até onde vamos, espero que essa atitude se estenda também fora de ano de eleição e que dê frutos verdadeiros. Veremos.

POR LUIZ CARLOS DUMONTT TWITTER: @LCDumontt

O GOSTO DA INFÂNCIA Do livro “Um segredo no céu da boca” da Edições Toró Com o sabor das lembranças felizes da infância, a Edições Toró, mais uma vez apresenta a autêntica literatura dos guetos e traz um livro feito pelas mãos calejadas daqueles que não se cansam de empunhar a caneta, mesmo depois de árduas horas na lida, carregando pedras e peso de ser pobre e excluído. Essas mesmas mãos são capazes de traçar, pelos becos tortuosos da periferia, as histórias com segredos escondidos no céu da boca. Com a doçura do açúcar polvilhado nos bolinhos de chuva das tardes saudades e infantis, autores como Allan da Rosa, Sérgio Vaz, Elizandra Souza, Renato Vital, Ricarda Goldoni, Márcio Batista, Fanti e Rodrigo Ciríaco, entre outros irmãos de poesia, brinca a “nossa mulecada” com contos ilustrados por uma realidade nem sempre estampada nas primeiras páginas: colorida e bem viva, cheia de esperança e brincadeiras, com cheiro de fruta amadurecendo no pé e prazer de balançar na corda amarrada no galho mais alto da árvore. Num papel reciclado – que conscientiza nossa criançada sobre o compromisso com o meio ambiente – e ilustrações com desenhos ensinados pela tia do prézinho, feitas no livro pelo artista Sílvio Diogo, a produção editorial independente brinda o lado infantil de um mundo que tem a esperança abortada. A linguagem coloquial dos autores soa como melodia e escapa das críticas acadêmicas na norma culta, porque é autêntica e merece ser degustada como bolo com chá, feitos pelas mãos da avó, na mistura de ingredientes que resulta, de verdade, no incentivo à leitura. É uma obra que fala de igual para igual. E o melhor, emociona. Leva o leitor para uma viagem e desvenda os segredos escondidos no céu da boca. * Jéssica Balbino é jornalista, escritora e blogueira (www.jessicabalbino.blogspot.com) Twitter: @jessicabalbino


POR ATOMO

POR FABIO ACM Uma dose de rap, guitarras pesadas e muita criatividade é a receita que da forma ao grupo carioca ANTIZONA, formado em 1997 pelo guitarrista Fabinho Teixeira, o baixista Renato Horácio, o baterista Léo Desbrousses, o vocal André Zovão e o DJ Fábio ACM. Em janeiro de 2010 a banda lançou seu primeiro álbum homônimo, um disco que nasceu em meio às novas crises mundiais e sociais: econômicas e ambien-tais da primeira década do novo século e pela sobrevivência da cultura underground, sem padrões comerciais e modismos. De forma independente e sem amadorismo e nenhuma ligação com a indústria fonográfica, a produção desse primeiro álbum inspirou-se na velha atitude punk do “Faça Você Mesmo”, trazendo o exato equilíbrio entre o rock e o rap com uma sonoridade influenciada por ícones da cultura popular que atraíram uma maior quantidade e variedade de público, mas sem superficialidade. No dia 5 de agosto de 2010 a banda viajou para CUBA para fazer sua primeira apresentação internacional. Foram cerca de dois anos de pré-produção e negociação com patrocinadores e agências de turismo para que pudesse ter as condições ideais para se apresentar na ilha. O convite para o show partiu do coletivo de produtores cubanos independentes Matraka, que a 12 anos produz o “Rotilla Festival”, um festival de música eletrônica que recebe artistas de todos os gêneros musicais. A programação contou com cerca de 30 DJs e a presença de muitos artistas cubanos, como o grupo de hip hop Los Aldeanos, David e a banda de reggae Herência. Junto com o Antizona viajaram o rapper “Slow da BF” e a cantora brasileira

Lica Tito, amiga de muitos anos da banda e que junto com o músico Donatinho fez uma apresentação memorável. O Antizona foi a única banda brasileira a se apresentar no festival que, segundo os organizadores, mais de 17 mil pessoas estiveram presentes durante os três dias de festa. A banda aproveitou para gravar cenas do novo clipe “Siga os Seus Passos”. O cenário usado foram as ruas, praias e bares de Havana, incluindo partes de show. O integrante Fábio ACM, DJ e compositor do ANTIZONA fala um pouco sobre o país e as condições do festival: “Há uma energia muito parecida com o público brasileiro. Todas as pessoas nos receberam com muito carinho e nos deram toda a atenção possível, talvez pelo fato de a gente estar ali num evento independente onde não há nenhum incentivo do estado para a produção. Para eles, ter a presença de artistas de outros países é a consolidação da importância que o Rotilla representa para o movimento independente de todo o mundo. Em Cuba o sentimento do 'faça por conta própria' está crescendo apesar de todas as dificuldades. Por causa do embargo, eles tem muito pouco acesso a tecnologias, equipamentos, internet, etc. Nós ficamos no festival não somente como artistas, mas também curtimos muito o som da galera local. Fizemos amigos e isso é o mais importante. Em alguns momentos chegamos a fazer improvisos juntos e também surgiram algumas composições.” Por causa desta viagem o Antizona recebeu diversos convites para se apresentar em outros cantos do Brasil e do mundo, como Porto Alegre, para um show no Garagem Hermética e já tem planos de se apresentar na Sérvia em 2011, além claro de voltar a CUBA para o Rotilla. Contatos: (21) 7874.7255 antizona.contato@gmail.com twitter.com/antizona

O Futuro Chegou A velha escola do rap destoa. A nova segue o mau exemplo. E assim o rap agoniza. Infectado pelos ventos que sopram do lado norte da América, a música que antes era sinônima de revolução, instrução, consciência, etc, perdeu o rumo. Ostentação, pornografia e apologia ao crime e às drogas, são os principais sintomas dessa moléstia. Entretanto, ainda há alguns que estão imunes a essa maldita doença. O grupo Viela 17 é um desses exemplos. Criado no ano 2000, em Ceilândia, Distrito Federal, como parte de um projeto realizado pelo rapper GOG, a iniciativa partiu do rapper Japão, e atualmente também integram ao grupo Don Gerson, Denizar Jr e DJ Batma. O grupo já lançou três discos: O Jogo (2001), O Alheio Chora Seu Dono(2004) e Lá No Morro (2008). Japão, por sua vez, além de manter os nobres preceitos do rap com seu trabalho em grupo, deu início, em 2009, à empreitada que segundo ele próprio foi a mais gratificante em vinte anos de hip-hop: o projeto Rap com Ciência. O projeto foi realizado em escolas, inclusive de áreas rurais do Distrito Federal, e contou com a participação de mais de 70 crianças. O que deve ser ressaltado nesse trabalho, além do lado artístico que por sinal é excelente, é a iniciativa de envolver as crianças no hip-hop, pois quem conhece a sua eficácia em promover mudanças positivas na vida de seus participantes, sabe o quão isso é importante. O interessante é perceber que crianças que não presenciaram o nascimento do hip hop, naturalmente, captaram sua verdadeira essência. As idéias das letras foram por elas sugeridas, cabendo a Japão o trabalho de edição. Dizem por aí que as crianças são o futuro. Como o rap do presente perdeu suas raízes do passado, vejo que o futuro chegou. oatomo@gmail.com

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POR JANAINA OLIVEIRA O “Festival de Hip Hop do Cerrado” acontece a quatro anos no Distrito Federal, idealizado por DJ Raffa e Aninha Atitude, o evento tem como principal objetivo, além do entretenimento, poder juntar as mais diversas camadas sociais em um mesmo ambiente, para que de graça troquem informações e experiências enquanto ouvem mensagens positivas ao ar livre. Para os idealizadores é essencial dar continuidade aos quatro elementos do hip hop (MC, DJ, Break Dance e Grafite), mas também é importante discutir sobre os diversos problemas que a sociedade brasileira enfrenta diariamente.

“Buscamos dar a melhor estrutura possível para todos os artistas do movimento hip hop do Distrito Federal e Entorno!", diz DJ Raffa. “Principalmente porque os artistas locais merecem respeito e condições profissionais para mostrarem os seus trabalhos”, esclarece Aninha. Repetir em 2010 o sucesso das três primeiras edições, que reuniram mais de 22 mil jovens de todo Distrito Federal e Entorno, sem uma única ocorrência policial, não foi o maior desafio, e sim mostrar que a cultura hip hop vai além dos shows, é uma questão de consciência e responsabilidade social. Na quarta edição, o festival se consagrou como uma das maiores celebrações do hip hop no Brasil, ganhando cada vez mais espaço na cidade, onde o público a cada ano faz um show a parte, tanto na cultura de paz quanto na diversidade, onde crianças, jovens e adultos curtiram durante sete horas de shows de 22 artistas de Basília, São Paulo e Rio de Janeiro. “Foi um dos melhores shows que fiz na minha vida. O DJ Raffa se preocupa com cada segundo do evento, inclusive em disponibilizar os melhores equipamentos para os grupos. O público passa uma energia muito boa para nós, pretendo estar em todas as próximas edições, mesmo que seja para curtir.” diz Dudu de Morro Agudo, do Rio de Janeiro, que se apresentou pela primeira vez na quarta edição do festival.

DJ RAFFA E DMA


Um pedacinho da França no Movimento Enraizados Elize e Maxime são jovens franceses que chegaram ao Brasil através de um programa de intercâmbio universitário. Apesar da pouca idade - ela com 20 anos e ele com 21 - os estudantes do curso de ciências sociais da UERJ são envolvidos com o social, o que os levou a comprometerem apenas dois dias da semana para os estudos, possibilitando assim disponibilidade de tempo para a atuação em serviços sociais voluntários no nosso país. Peter, orientador social do Projovem Adolescente, é também um jovem universitário envolvido em redes de programas sociais, que ao conhecê-los mediou a vinda deles até o Movimento Enraizados. Isso resultou em aulas semanais de francês, totalmente gratuitas, para a galera. Mayara (15) e Cristiane (30), que freqüentam as aulas toda quarta-feira nos explicam porque se inscreveram nas aulas e o que estão achando: “Para aprender. Ter noções básicas da

língua francesa pra mim é só o começo, estou muito interessada em saber mais, acredito que aqui terei tempo suficiente para adquirir um bom conhecimento.” diz Mayara. “Vejo como uma oportunidade única e indispensável esse acesso a um curso de língua estrangeira aqui em Morro Agudo, são aulas completamente gratuitas com uma dupla de professores franceses. Onde até o material didático é cedido pela instituição. Estou maravilhada com o compromisso e entusiasmo, tanto dos alunos quanto dos professores, as aulas são riquíssimas e nos dão uma ótima introdução ao francês. É sensacional, estou adorando!”, diz Cristiane. Elize e Maxime também demonstram bastante entusiasmo, ao perceberem o interesse dos participantes em sua cultura, pensam até em disponibilizar mais tempo afim de proporcionar esse conhecimento a um número ainda maior de pessoas da comunidade de Morro Agudo, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

“É muito legal o trabalho desenvolvido pelo Movimento Enraizados, estamos felizes com as aulas destinadas aos jovens, mas gostaríamos também de colaborar com alguma atividade voltada para as crianças do Projeto Enraizadinhos.” dizem Elize e Maxime. É isso aí galera, é assim que funciona a rede do Movimento Enraizados, fazendo pontes, criando possibilidades. Hoje em Morro Agudo temos um pedacinho da França no Movimento Enraizados. Por Eliza Castro e Cristiane Almeida

Mais uma ilustre integrante da Rede Enraizados No último dia 22 de setembro, Fábio Stateh, integrante do Pontão de Cultura Preto Ghóez Juventude Digital, levou a Embaixatriz Brasileira, Felicidade, a pedido da mesma, para conhecer o Espaço Enraizados e nossos projetos. Segundo a Embaixatriz, este interesse deu-se pela iminência de sua mudança para Guatemala, ela quer mostrar exemplos de ações e organizações brasileiras que tenham trabalhos significativos na área sociocultural para a juventude, pois atualmente, na Guatemala, a juventude passa por sérios problemas de ordem de segurança e falta de ações socioculturais. Durante a sua visita, mostramos as instalações do Espaço Enraizados, apresentamos os projetos que realizamos e falamos do trabalho da Rede Enraizados. No momento estava acontecendo as oficinas de audiovisual e rap do Enraizadinhos, a Felicidade aproveitou para trocar uma idéia com a garotada, ela cantou para eles(as) e eles(as) cantaram para ela. A Embaixatriz Felicidade saiu do Espaço Enraizados encantada e declarando que também é uma Enraizada! Por Janaiana Oliveira @refemRJ

Marque uma visita no Espaço Enraizados producao.enraizados@gmail.com


Boladão: Futebol, cerveja e muito bom humor Mais uma edição do Boladão aconteceu no dia cinco de setembro de 2010, no bairro Compactor, em Nova Iguaçu, contando com a participação de mais de vinte pessoas, de sete estados diferentes. O Baladão é uma confraternização entre artistas e militantes do Movimento Enraizados, que ao invés do basquete, adotaram o futebol – paixão nacional - como esporte ícone da cultura hip hop. A primeira edição do evento aconteceu em Vila Valqueire, no Rio de Janeiro, no dia primeiro de maio de 2004, e depois outras edições aconteceram em bairros de Niterói e Duque de Caxias, porém esta foi a primeira vez em que o Boladão foi realizado na cidade de Nova Iguaçu. “A cobrança para a realização de uma edição aqui na cidade era grande, então aproveitamos que havería o I Encontro de Diversidade Cultural na Lapa, onde centenas de pessoas do Brasil inteiro estariam presentes, para fazer uma espécie de edição nacional do Boladão” explica Dudu de Morro Agudo, um dos organizadores do evento. Apesar de essa ter sido a primeira vez em que não aconteceu em local público, o que os organizadores veem como ponto negativo, também foi a primeira onde houve uma maior participação das mulheres, o que foi maravilhoso. Nas últimas edições a única mulher que sempre participava era a Re.Fem. Segundo Dudu, ambos os acontecimentos têm explicação, o primeiro é que em Morro Agudo não são muitos os locais públicos para práticas esportivas – se é que existe algum – e a maior participação das mulheres se dá por conta da formação do Núcleo de Mulheres do Movimento Enraizados, Donas da Arte. O saldo final foi positivo e o Movimento Enraizados faz questão de agradecer a cada um dos presentes: Alessandro Buzo e sua esposa e fotógrafa Marilda Borges (SP), Lamartine Silma (MA), Preto Michel (PA), Saroba (RS), Spinha (MS) e Shirlene (RN). E aos nativos do Rio de Janeiro: Dumontt, Bruno Thomassin e sua esposa Jane Thomassin, Ivan Claudio, Samuca Azevedo, Átomo, Lisa Castro e Laís Castro, Kall Gomes e Shirley, Léo da XIII, Peter MC, Dudu de Morro Agudo e Fernanda Rocha, Dico Sequela e Re.Fem

Centenas de homens e mulheres em risco de exclusão social, procedentes dos cinco continentes, disputaram na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, entre os dias 19 e 26 de setembro, um torneio que pode ajudá-los a buscar um futuro melhor por meio de uma linguagem universal: o futebol. A Copa do Mundo dos Sem-Teto, que está em sua oitava edição, conta com a participação de mais de 50 seleções. Cada uma delas tem em seus elencos muito mais do que atletas. São histórias de vida das mais variadas. Segundo os organizadores do Mundial, a competição tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a existência da pobreza. Segundo um estudo elaborado pela própria organização, mais da metade dos jogadores que participam da Copa mudam suas vidas, deixam as drogas e o álcool, participam de programas educativos e de formação, e inclusive se transformam em jogadores ou treinadores profissionais que se dedicam a ajudar outros jovens. Na maioria dos casos, ONGs e centros de assistência social são responsáveis por selecionar jovens dispostos a participar do Mundial. Conversei com meu amigo James Campbell, ex-jogador profissional na Escócia, e atual treinador da seleção do Camboja neste mundial. “Em Phnom Penh, capital do Camboja, existem quatro ONGs trabalhando com cerca de 400 crianças de rua, dessas 400 crianças, 80 participam da atividade de futebol nos sábados, e desses 80 selecionei 12 para treinar a copa dos Sem-Teto”. São quatro jogadores em campo que jogam dois tempos de quinze minutos, o treinamento acontece aos domingos. O resto da semana eles estudam em instuituções sociais. Eu tinha de escolher seis para esta copa de 2010. Essa é a terceira participação do Camboja na copa, e a

cada ano são crianças diferentes, não se pode repetir os jogadores participantes. Para eles é um salto muito grande para levantar a auto-estima, eles não se veem mais como moradores de rua, e sim como esportistas. E a cada copa, os encontros entre esse jovens e adultos é uma coisa muita bonita, você vê as amizades nascerem dentro de pessoas que nem falam a mesma língua, mas que tem o mesmo objetivo em comum: mudar de vida utilizando o futebol. Falei com um dos meninos do Camboja e ele me explicou que estava muito feliz de participar dessa copa, ele nunca tinha saído de Phnom Penh, e lá está ele, na praia de Copacabana, fazendo amizade com jovens do mundo inteiro. Depois de um viagem cansativa (Phnom Penh - Dubai - Sao Paulo Rio) finalmente chegou no Rio, ele nunca tinha visto uma cidade tão grande e achou os brasileiros muitos simpáticos, muito alegres. Ele vai contar para os amigos dele lá do Camboja que o Brasil é um país muito bonito. Depois ele foi jogar vôlei com uns Palestinos, Americanos, Italianos e Indianos. E foi pra mim uma visão muita bonita, uma amizade sem fronteiras, sem preconceitos. Desde sua primeira edição, em 2003, o torneio foi disputado em países como Itália, Austrália, Dinamarca e África do Sul. Nesta oitava edição o Brasil foi campeão em cima do Chile na categoria masculina e a vitória também do Brasil em cima do México na copa feminina. A próxima copa vai ser em 2011, na França, debaixo da Torre Eiffel. Por Bruno Thomassim


Bianca carvalho, aos 16 anos de vida, criou a ONG mundo novo com objetivo de contribuir para o melhor desenvolvimento da comunidade, transformando vidas através de oportunidades. “Nossa visão é ampliar nossa instituição estruturando uma nova sede podendo assim ampliar o nosso numero de atendidos e implantar novos projetos que levem oportunidades para comunidades, criando novos pólos, atendendo assim a maior parte dela. “Os nossos objetivos é evitar que crianças e jovens caiam na marginalidade através de programas que motivem a terem uma vida melhor. Levar alternativas de desenvolvimento para crianças, com atividades sócio-educativas. Contribuir para que crianças e adolescentes não abandonem a escola, diminuindo o índice de desistência dos estudos das escolas publicas da região. “Motivar

e incentivar crianças e jovens a alcançarem um nível de vida melhor através de programas profissionalizantes e geração de renda”.

MOSTRA CULTURAL ENRAIZADOS REÚNE CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS EM UM SÓ LUGAR PARA PRESTIGIAR A ARTE A Mostra Cultural acontece mensalmente na sede do Movimento Enraizados em Morro Agudo. Além de trazer entretenimento à comunidade, o evento traz ao conhecimento do público os projetos ali realizados, bem como filmes e músicas produzidas por alunos e integrantes da instituição. Os enraizadinhos exibem suas músicas e filmes produzidos nas oficinas, deixando os artistas de longa data presentes de queixo caído com tanto talento. As esquetes teatrais surgem de maneira improvisada e sempre estão presentes no evento. As peças são sempre muito irreverentes, mas trazem à tona, assuntos reflexivos a serem pensados e discutidos de forma séria. Pocket shows são realizados por artistas locais e estão abertos a diversos gêneros musicais. Toda a programação é acompanhada por intervenções de Poetas e MC's, que declamam poesias, cantam e improvisam versos em sessões de freestyle. O evento é gratuito para todos os públicos e idades. Para mais informações: (21) 2768-2207 - producao.enraizados@gmail.com Local: Espaço Enraizados - Rua Thomaz Fonseca, 508 - Morro Agudo - Nova Iguaçu, RJ

18,5% DOS USÚARIOS DE CRACK MORREM APÓS 5 ANOS DE USO A história do crack está diretamente relacionada com a cocaína, droga que surgiu nos anos 60 e que, na época, era grandemente consumida por grupos de amigos em um contexto recreativo. No entanto, a cocaína era uma droga cara, apelidada de “a droga dos ricos”. Esse foi o principal motivo para a criação de uma “cocaína mais acessível”. De fato, a partir da década de 70, começaram a misturar a cocaína com outros produtos. E assim surgiu o crack, de uma mistura letal, e se tornou popular as camadas mais pobres do Estados Unidos. O crack eleva a temperatura do corpo, podendo causar no dependente um acidente vascular cerebral. Também

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causa destruição de neurônios e provoca degeneração dos músculos do corpo, o que dá aquela aparência característica esquelética. Um estudo feito por um pesquisador brasileiro concluiu que usuários de crack correm o risco de morte oito vezes maior do que a população geral. Cerca de 18,5% dos usuários morrem após cinco anos de uso. Destes, cerca de 60% morreram assassinados, 10% morreram de overdose e 30% em decorrência de AIDS. Crack mata! E as pessoas precisam se conscientizar disso. CRACK NEM PENSAR!


ESCOLA DE MÚSICA COMUNITÁRIA DE COMENDADOR SOARES Sendo uma figura proeminente no âmbito da cultura, vamos conhecer um pouco sobre a Escola de Música Comunitária de Comendador Soares, que foi fundada pelo músico e instrumentista Décio Trindade de Oliveira (49), formado pela Escola de Música Villa Lobos, no Rio de Janeiro, e teve uma trajetória muito ativa no meio musical, tocando com vários músicos e sambistas como o Noca da Portela, Martinho da Vila e a velha guarda da Portela. Atuou também como professor de música na Faetec de Quintino e no Instituto Pão de Açúcar. Em 2005, utilizando a própria residência como sede fundou a escola, onde os alunos aprendiam violão, teclado, cavaquinho e coral. Décio foi caminhando com as aulas, porém não tinha como comportar os alunos no espaço, então em outubro de 2008 fundou a Associação para conseguir um espaço mais adequado para ministrar as aulas. Atualmente os alunos matriculados pagam uma taxa de mensalidade – a preço popular - que mantém o espaço, mas também atende de forma gratuita crianças e jovens da rede pública escolar.

Utilizando a mesma metodologia das grandes escolas de música ele procura passar tudo o que aprendeu, da forma mais lúdica possível, isto para manter o interesse do aluno no curso. Com afinco, o aluno dedicado em um ano já pode tocar acompanhado ou até mesmo sozinho.

Existe também uma parceria com a “Escola de Música Art' Plena”, que fica localizada no Bairro de Austin, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, parceria esta que já rendeu apresentações no Top Shoping – principal shopping da cidade de Nova Iguaçu, homenagem ao músico Candeia, em Corais de Natal, e convites para apresentar a orquestra de cavaquinho, que é um dos maiores orgulhos de Décio.

No repertório Décio procura ser bem eclético e passeia entre mpb, jazz, clássicos, gospel e é claro, o samba de raíz.

Além da nota (conversa em off) Samuel Azevedo: Você já conhecia o Enraizados? Décio: Cara, faz tempo, pois eu vim morar aqui em Nova Iguaçu e participei do primeiro encontro do conselho de cultura de Nova Iguaçu, e lá conheci o Dumontt que me falou do projeto e depois o Dudu e toda a galera. Qual o objetivo do curso? D: Na essência é formar essa galera em algo que eles jamais pensariam em aprender, principalmente aqui, mas minha intenção é formar esses garotos em seres humanos melhores, em um pai de família melhor, um trabalhador melhor, um estudante melhor, para que ele aplique seu conhecimento na vida adulta, e nas horas difíceis ter a certeza que sempre haverá dois caminhos. Quais os projetos para o futuro? D: Rapaz, sabe que tem muita coisa, mas essencialmente quero ver a orquestra de cavaquinho com os outros instrumentistas botando pra quebrar junto com nosso coral e fazer o grande público conhecer nosso CD “Sambaixada”, que será lançado em breve - vocês estão recebendo essa informação quentinha - e continuar os trabalhos. Pra finalizar, vocês possuem alguma forma de contato via web, e se pode rolar, quem sabe, uma parceria com o enraizados para fazermos uma música juntos unindo os dois estilos? D: Nós no momento estamos construindo nosso blog e em breve estará tudo disponível para o público, mas meu e-mail é deciocavaquinho@yahoo.com.br, e quanto a parceria... bicho, tá formado, é isso que engrandece a música, essa grande salada, que não adianta falar: Só o brasileiro tem! Contato Rua: Padre Aloísio Rucha, 56 Morro Agudo – Nova Iguaçu - RJ Tel:(21)3766-5578 - ( 21 ) 9707-2464


RESPONSABILIDADE SOCIAL ENTRA EM CAMPO

LUZ, CÂMERA, PONTÃO EM AÇÃO No mês de setembro de 2010, a turma de audiovisual do Pontão de Cultura Preto Ghoez Juventude Digital gravou um curta metragem no antigo cemitério dos escravos de Tingua, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. Depois de uns meses de preparação, onde os alunos aprenderam a escrever sinopse, roteiro e a manipular a câmera, chegou a hora das gravações. O filme da vez foi o “Venha ver o pôr do sol”, de Jessica Uli, do Pontinho de Cultura Espaço Fama, de Nova Iguaçu. O filme é uma adaptação de um conto de Ligia Fagundes Telles. Sinopse Após um longo tempo, Ricardo e Raquel se encontraram num cemitério para observar o pôr do sol mais lindo do mundo. Juntos se recordaram dos melhores momentos de suas vidas, de como era bom enquanto estavam apaixonados, da magia que existiu quando um completava o outro. Meio confusa, ela queria partir, não acreditava que estava com um outro enquanto o próprio namorado estava sozinho, mas como poderia lutar com seu próprio coração e não acreditar no convite de Ricardo e louca de curiosidade resolveu ouvir a voz de seu ex-namorado que apenas dizia: - “Confie em min meu anjo, não precisa ficar com medo, venha ver o pôr do sol.” Jessica fala sobre o projeto: “Bom, gravar um curta metragem para mim foi uma grande novidade, foi preciso muita dedicação até chegar a esta etapa. Primeiro você assiste aulas teóricas sobre vídeo, cinema, estuda alguns planos, roteiros e depois escolhe um tema para criar um vídeo e colocar em prática o que você aprendeu. Eu escolhi o conto “Venha ver o pôr do sol’’, de Ligia Fagundes. Escolhi esse conto após ver um pôr do sol, daí pensei: “Nossa, que crepúsculo lindo! Encaixaria perfeitamente num conto que li um dia desses’’, foi daí que tive a idéia, contei ao meu professor e ele gostou. Mas antes de partir para próxima etapa, a de gravação, tive que criar a parte escrita - story line, sinopse e roteiro - e depois correr atrás das coisas pendentes, como figurino, autorização, local, maquilagem e como eu estava em cena, ainda tive que conseguir alguém para gravar. Enfim, gravamos o conto em Tinguá, no cemitério do Iguaçu e apesar da correria graças a Deus deu tudo certo, conseguimos gravar todas as cenas em apenas um dia. Criar esse projeto foi muito importante para mim porque desde pequena sempre gostei de cinema e ficava me perguntado como era a preparação e criação de um filme. Eu queria muito aprender. Foi daí que entrei para a oficina de áudiovisual do Enraizados e foi melhor do que eu esperava, com certeza recomendo a todos. Agradeço ao meu professor Bruno Thomassin, a maquiadora Maria do Carmo, ao ator Diego Andrade, a Verônica, da Secretaria de Cultura, e principalmente aos meus pais, porque sem a ajuda dessas pessoas, com certeza o curta não aconteceria.”

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Unindo a popularidade do futebol com a cultura, o Ponto de Cultura América focaliza seus trabalhos muito além do esporte, demonstra que há muito mais a oferecer, não só para os aspirantes a atletas, mas para toda a comunidade. Funcionando no estádio Giulitte Coutinho, em Edson Passos, no Rio de Janeiro, o espaço além de oferecer cursos gratuitos, dispõe de uma biblioteca que está disponível para o público, e ainda tem uma singularidade curiosa, é o único time de futebol Griô do mundo. Eles possuem um enfoque diferenciado, pois procuram retratar para os jovens a importância de se possuir uma história, coisa que nosso país não preserva muito, procuram ressaltar a experiência dos mais antigos e como foi a trajetória de cada um deles e fazem um paralelo entre os ídolos do passado e de hoje. Tanto que criaram a copa Edu Coimbra, homenageando um dos grandes craques do passado do clube, e que através de suas ações pedagógicas reforçam que "antes de serem atletas precisam ser cidadãos de bem e tirar notas boas na escola, esse é um dos requisitos para ser um vencedor". Reforça Jairo Melo, coordenador esportivo do projeto que atende em média 400 crianças, que em um clube esportivo pago jamais teriam aquela vivência, devido às condições econômicas do lugar. Todas essas informações estão em um livro que ressalta a história do América do amanhã, e essa jornada desde o começo é contada em processo pedagógico que envolve a captação de jovens que passam por um processo seletivo e após vão treinar nos times de base e participar do treinamento que procura avaliar todos os aspectos do aluno. “Temos a consciência de que muitos não serão atletas, mas aqui eles aprendem regras de convivência, a disciplina que o esporte exige, e aqui quando o menino entra para treinar não existe classe social, credo, raça ou diferenças territoriais, eles aprendem a trabalhar em grupo e canalizar sua energia de forma positiva, porque nós temos aqui tanto o menino que mora no barraco, quanto o que mora no condomínio de classe média e todos são tratados sem distinção, só existe uma pessoa que nunca perdeu... aquela que nunca jogou." diz Jairo Melo. Outra profissional que é uma peça importante nessa engrenagem é a Mary Monteiro que desde o começo é coordenadora cultural do espaço junto com o professor Marcelo Burgos. Ela se mostra incansável em sua missão que já dura um bom tempo. Cuidando de um grupo de dança da terceira idade, oficinas de artesanato, um coral infantil e de quebra um programa de rádio entitulado América no Coração da Baixada, que vai ao ar aos sábados, às 15h pela rádio Tropical Solimões AM 830 ou pelo site www.tropical830am.com.br, Mary continua em frente com muitas iniciativas que fortalecem também outras instituições. Nota: O Movimento Enraizados já teve um quadro nesse programa, intitulado “janela do enraizados”, experiência essa que nos deu base para participarmos de outros programas de rádio e hoje termos a nossa própria rádio. Saiba mais: Estádio Giulitte Coutinho, Portão 4 Rua Cosmorama 200, Edson Passos – Mesquita - Rio de Janeiro Email: americacoracaodabaixada@yahoo.com.br


CONSTRUINDO A TEIA

ENTRELAÇANDO OS PONTOS Debates, oficinas, apresentações artísticas, trocas de experiências, parcerias, contatos e informações. Poderia dizer que a I edição da TEIA BAIXADA Territórios Culturais foi tudo isto e foi! Porém, mais do que um grande encontro de 58 instituições socioculturais, atuantes no território da Baixada fluminense, foi um grande encontro de pessoas atuantes com um único propósito e objetivo: Fazer da Baixada Fluminense uma região soberana, atuante e reconhecida por sua diversidade no que diz respeito á linguagem cultural, étnica e de gêneros. Para nós, da Escola Livre de Cinema, participar da TEIA BAIXADA foi a afirmação de que estamos no caminho certo de fazer do nosso território um lugar de potências narrativas e não de carência, capaz de possibilitar não só apresentações passivas e contemplativas, mas também processos criativos, geradores de fruição artística que interfiram diretamente na relação de vida de quem mora na Baixada, além de desmistificar a ideia de região geradora de violência de quem somente passa por aqui. Posso dizer que estamos todos dando visibilidade ao nosso território de maneira a fazer com que não só o poder público como também iniciativas privadas se interessem em apoiar e potencializar nossos pensamentos, atividades e ações, porque não se pode fechar os olhos à potência de ações populares tão concretas e transformadoras da realidade local quanto as que foram apresentadas, representadas e discutidas nesta I edição da TEIA BAIXADA Territórios Culturais. Anderson Barnabé Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu

O FUTURO DA TEIA BAIXADA Uma reunião de avaliação da TEIA com todas as entidades que participaram está marcada para este mês de outubro. A Escola de Jovens Pesquisadores de Nova Iguaçu aplicou durante o encontro 50 questionários que estão sendo tabulados e que irão ajudar na avaliação geral do encontro. Mais de mil fotos foram tiradas por fotógrafos independentes e pelo Baixada Fotoclube durante o encontro além da cobertura em video realizada pela Escola Livre de Cinema e as reportagens realizadas pela Escola de Jovens Repórteres de Nova Iguaçu. Todo esse material, além de um questionário oficial a todas as entidades servirá para ajudar a construir os desdobramentos da TEIA. Pelo menos 3 eventos já irão fazer parte do Calendário dos Pontos de Cultura da Baixada: a TEIA estadual do RJ em Paraty no início do próximo ano, a TEIA Nacional 2011 que está sendo pleiteada pelo Rio de Janeiro (e Porto Alegre) e a TEIA BAIXADA 2011 que está sendo pleiteada pelo município de São João de Meriti através da Casa da Cultura da Baixada Fluminense.

O formato mais utilizado pelas aranhas para construção de suas teias é o formato radial, utilizado por mais de 3 mil espécies dos aracnídeos em todo o mundo. A teia de aranha, embora composta de fios finíssimos, tem uma característica muito especial: alta resistência combinada com extrema maleabilidade. Pesquisa realizada pelo MIT (Massachussetts Institute of Tecnology) descobriu que as teias contém uma combinação de cristais que pode ajudar a tornar materiais mais resistentes que a cerâmica ou o aço. A TEIA BAIXADA 2010 em seus 5 meses de preparação fez justiça ao seu nome: os encontros semanais participativos que se iniciaram no mês de maio até a realização da TEIA BAIXADA em 8, 9 e 10 de setembro adotou uma estratégia radial de convocação de todas as entidades integrantes dos Pontões, Pontos e Pontinhos de Cultura da Baixada, através de seus operadores culturais, tendo como seu centro a agenda de atividades do encontro. Ao contrário do que imaginavam alguns, que preferiam que um comitê executivo determinasse a programação a ser apenas referendada pelo conjunto das entidades inscritas, resolvemos acreditar que a construção coletiva traria resultados mais duradouros, embora tenhamos, por conta dessa escolha, caminhado bem mais devagar. Nos primeiros encontros as reuniões contavam com uma média de 8 a 10 pessoas, muitas delas interessadas em ajudar a construir a TEIA, mas não sendo diretamente representantes das Instituições que, segundo nossa pesquisa, chegavam perto de 50 entidades. Ao lado da parte executiva do Encontro (que acabou tomando proporções de um Festival) apostamos que o Calendário de Atividades e Apresentações seria o grande catalizador do interesse das entidades. Para isso, resolvemos trabalhar, em primeiro lugar, na construção da Agenda das Apresentações no teatro do SESC no dia 10, que considerávamos o espaço principal do encontro, por conta de sua estrutura completa com som, luz, ótimo palco e coxia e capacidade para 384 pessoas confortavelmente sentadas. Nossas fichas de inscrição, enviadas a todas as entidades, solicitavam que os interessados em utilizar o teatro deveriam indicar esse desejo fornecendo informações as mais completas possíveis sobre o que se propunham a apresentar (o palco do teatro Sesc, bastante amplo, permitiria teatro, dança, música ou outro espetáculo). Depois de 3 meses de inscrições abertas construimos uma lista de propostas que era superior ao tempo disponível que tínhamos, mesmo que “apertássemos” todas as apresentações como tivemos que fazer. (Ao final o teatro teve um repertório de atividades que começava as 9:50h da manhã e se estendia até 20:10h com apresentações praticamente de hora em hora). Nenhuma decisão foi tomada em reunião fechada. As próprias entidades decidiram por conta delas mesmas quais os Pontos de Cultura que utilizariam o Teatro em 3 ou 4 encontros que transcorreram descontraidamente de forma completamente democrática e sem nenhuma interferência externa. Provamos que a inteligência coletiva funciona e que para isso, basta se utilizar métodos de condução de reuniões apropriados e de forma transparente. Visitem: teiabaixada.org Egeu Laus Coordenador Geral da Teia Baixada 2010


Jornal Enraizados 2  

Jornal do Enraizados

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