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ONDE PEGAR O SEU EXEMPLAR SÃO PAULO - CAPITAL Região Central DGT Filmes Rua 13 de Maio, 70 Ação Educativa Rua General Jardim, 660 Sebo 264 Rua Rua Álvares Machado, 42 Liberdade - (11) 3105-8217 Restaurante Santa Madalena Rua Sta Madalena, 27 - Bela Vista Conduta Galeria 24 de Maio Porte Ilegal - Galeria 24 de Maio Espaço Matilha Rua Rêgo Freitas, 542 Zona Leste Loja Suburbano Convicto Rua Nogueira Vioti, 56 - Itaim Pta (11) 2569-9151 Locadora New Holiday Rua Nogueira Vioti (11) 2572-2000 Casa de Cultura do Itaim Paulista Pça Lions Clube, s/nº - Itaim Pta. Sebo Mutante Rua Barão de Alagoas, 76-A - Itaim Paulista Zona Sul Itaú Cultural (Na Biblioteca/Midiateca) Av. Paulista, 149 - 2º Mezanino Bar do Zé Batidão Rua Bartolomeu dos Santos, 797 - Chácara Santana Loja 1 da Sul Rua Comendador Santana, 138 - Capão Redondo Loja 1 da Sul Av Adolfo Pinheiro, 384 Loja 31 - Galeria Borba Gato Estudio 1 da Sul Rua Grissom, 80-a - Metrô Capão Sarau da Cooperifa (Toda quarta as 20h30) Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana Sarau do Binho Rua Avelino Lemos Jr., 60 Campo Limpo (11) 5844-6521 Sarau da Ademar Rua Pablo Pimentel, 65 Cidade Ademar (11) 5622-4410 Zona Oeste Bar do Santista/Sarau Elo da Corrente Rua Jurubim, 788-a Pirituba Zona Norte CCJ - Vila Nova Cachoeirinha Av Dep. Emílio Carlos, 3641 Banca de Jornal Alt. Nº 450 da Rua Dr César Castiglioni Jr. Sarau da Brasa - Bar da Carlita Rua Prof.Viveiros Raposo, 234 Suzano Centro Cultural de Suzano Rua Benjamin Constant, 682 - Centro Santos DULIXO no Marapé tubarao013@hotmail.com www.boletimdokaos.blogspot.com Peça pelo email: boletimdokaos@hotmail.com

Estamos chegando ao final de 2009, o próximo é o último número do Jornal Boletim do Kaos nesse ano. Realmente o final dessa primeira década foi incrível, num futuro distante poderíamos se basear nessa edição para ver como foi efervescente o mês de outubro. Na capa Buzo, que além dos seus diversos projetos, inaugurou com chave de ouro sua carreira no cinema. Eleilson talvez desconhecido para o público, mas com certeza um dos grandes nomes, que age nos bastidores e faz muito. Leia entrevista e descubra tudo que a Ação educativa realiza, mas um exemplo de que outro Brasil é possível. A matéria da Semana da II Mostra Cultural da Cooperifa vai ser lembrada como um marco da organização e do poder de realização dessa nova cena cultural que explode nas periferias. Vou confessar, em nosso planejamento, a capa desse mês seria o Ferréz, mas o momento é tão bom, que ele saiu na capa da Caros Amigos, um veículo que admiramos e que faz parte dessa corrente, a edição além da excelente entrevista com criador da 1 Da Sul, traz uma matéria sobre o assassinato sistemático nas abordagens policias do Rio de janeiro entre outros assuntos importantes. Um mêsbesouro para ser lembrado, porque ainda teve lançamentos de livros periféricos e de filmes de grandes verbas, mas com temas, até então marginais, como Besouro. Poetas, poesias, rimas, cinema, música, literatura e quadrinhos. Boletim do Kaos a mistura do KAOS urbanos com riqueza humana. Alexandre De Maio


ELE COMEÇOU COM A LITERATURA, ESCREVEU LIVROS, FEZ EVENTOS, FOI PARA A TELEVISÃO E PARA A MÍDIA IMPRESSA. RECENTEMENTE LANÇOU UM FILME E LOTOU SALAS DO CIRCUITO ALTERNATIVO DE CINEMA. BUZO SONHA ALTO, SE CONQUISTAR A METADE... SER UM SUBURBANO CONVICTO É QUERER O MELHOR DA QUEBRADA

Como surgiu a ideia de fazer o filme Profissão MC? Comecei a trabalhar numa produtora (DGT Filmes) que hoje produz o meu quadro "Buzão Circular Periférico" do Programa Manos e Minas da TV Cultura. Fiquei mais próximo à cena de áudio visual e fui assistente de produção de 2 filmes: "Povo Lindo, Povo Inteligente - Sarau da Cooperifa", de Mauricio Falcão e Sérgio Gagliardi; e "Osvaldinho da Cuíca - Cidadão Samba" de Toni Nogueira, Simone Soul e Osvaldinho da Cuíca. Acompanhei filmagem, produção, pósprodução, edição e lançamento. Vi que era possível fazer um roteiro, que tinha na cabeça, sem grana, mas demorei um ano para convencer o Toni Nogueira a encarar a direção comigo, sem captar um único real, usando câmeras e ilha de edição da DGT Filmes. Filmamos uns 10 dias entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009 e lançamos o filme dia 5/10/09 no Cine Olido. Qual era o objetivo do projeto e por que a escolha do Itaim Paulista como cenário? O objetivo era fazer um filme de ficção porque a maioria dos filmes feitos na periferia são documentários. Nada contra, mas queria uma ficção. Quanto ao Itaim Paulista, é meu habitat natural, sou nascido e criado no bairro, não teria como ser em outro lugar. Ainda mais sem grana. Gravar

numa comunidade, só conhecendo antes como é o caso da Favela do D´Avó onde filmamos. Existe incentivo na realização de projetos como esse? Nosso filme não obteve nenhum incentivo, mas também não cheguei a procurar, a ideia era mesmo essa, fazer 0800. No próximo filme pretendo captar grana antes, não sei se é fácil ou não, mas vou tentar. Além da exibição dos filmes, existem outras atividades que são realizadas visando ao progresso e discussões sobre o cinema? Hoje, em São Paulo, existe uma cena cultural periférica que vai dos saraus aos lançamentos de livros, aos filmes. Tem: "Cine Becos", Cinema na Laje, Cineescadão e outros. Tudo isso é novo, conquistas através da persistência. Qual a importância das discussões e dos debates realizados nas sessões, e quais as mudanças que o projeto trouxe para a comunidade? É muito bom nos debates, mostrar que somos de verdade, que o filme é de verdade e que fizemos, mesmo a elite achando que não podíamos, que a literatura e o cinema eram o biscoito

fino da sociedade e agora é nosso também. Todos atores são iniciantes e 90% moram no Itaim Paulista, Itaqua. Isso só pode trazer benefícios, mesmo que seja elevar a autoestima, no mínimo. O futuro a Deus pertence. Nos últimos anos, os filmes brasileiros de maior bilheteria estavam de algum modo ligados à periferia. Isso mostra o interesse em retratar a realidade do Brasil ou os grandes diretores enxergam a periferia somente como lucro, já que o universo periférico gera curiosidade no público? Acho que eles visam mais ao lucro, então se é lucrativo, vamos meter a cara e pegar nossa fatia do bolo, chega de esperar que venham nos mostrar, vamos nós mesmos produzir. Senão outros vêm e fazem, o que de alguma forma também é válido, mas vamos dar a cara para bater também. Assista ao "Profissão MC" e tire suas próprias conclusões. Mas lembre-se: não tínhamos dinheiro e nem experiência, para mim superamos as expectativas, mas sou suspeito para falar.


Lançamento do filme Profissão MC na galeria olido, lotado.

NO MOMENTO O QUE ME DA MAIS PRAZER É VER VÁRIAS EXIBIÇÕES DO MEU PRIMEIRO FILME, LOTADO E O PESSOAL CURTINDO, ME PARABENIZANDO.

MINHA FONTE DE ENERGIA É PENSAR SEMPRE NUM FUTURO MELHOR PARA O MEU FILHO CAPITÃES DE AREIA DE JORGE AMADO, PORQUE ME SURPREENDEU; CHRISTIANE F PORQUE ME TROUXE DE VOLTA O HÁBITO DA LEITURA; E ROTA 66 PELA CORAGEM

Quem é Alessandro Buzo, como você define o que faz? Sou um escritor que virou escritor e que se mete hoje a ser ainda cineasta e circula pela TV, esse sou eu. Culturalmente falando. Como é sua rotina e como consegue energia para fazer tantas coisas? Minha fonte de energia é pensar sempre num futuro melhor para o meu filho. Minha rotina é simples, geralmente tenho a manhã livre, levo meu filho à escola, tomo café com minha esposa, pago as contas no banco, faço isso, aquilo. À tarde passo na produtora, onde produzo o meu quadro na TV, quando tem agenda (palestra, viagens), fico dispensado da produtora. No meio disso eu faço matérias para o jornal Boletim do Kaos, atualizo vários blogs (alguns diariamente), respondo a todos os e-mails que chegam, mantenho minha loja (que tem um funcionário). Simples assim. Como você define “Suburbano Convicto”? Qual é a essência desse estilo de vida? Ser um Suburbano Convicto é querer o melhor da quebrada, levá-la às paginas culturais, e não policiais. É acreditar antes de todo mundo e fazer acontecer. Como descobriu o rap? Ainda existe aquela visão nas comunidades de que rap é “coisa de maloqueiro”? Nas comunidades nem tanto, o rap já faz parte há mais de 20 anos, acho que a elite que nem conhece o rap (porque não está na TV, nas rádios), pode ter essa visão ainda, mas é preconceito. Esses mesmos curtem um monte de enlatado que vai ao Faustão, acham bonito o Latino, Daniel, Bruno e Marrone, Ivete Sangalo. Alienados, só aceitam quem vai ao programa do Jô.

seria escritor quando um texto que fiz sobre os trens teve uma puta repercussão e os caras ficaram falando: ”Por que você não escreve um livro do trem?” Escrevi e lancei independente em 2000, mas faltavam referências naquela época. Hoje está mais fácil, com os saraus formou-se um público. Quais livros você não consegue esquecer e por quê? Capitães de Areia de Jorge Amado, porque me surpreendeu; Christiane F porque me trouxe de volta o hábito da leitura; e ROTA 66 pela coragem. Quais são suas inspirações para a criação de personagens? As ruas. Você foi um dos 10 autores publicados na Coletânea Caros Amigos - Literatura Marginal. Como foi a repercussão naquela época? Você ficou surpreso, o que sentiu? Abriram-se algumas portas, os intelectuais e universitários descobriram que a gente escrevia, pensavam antes que não sabíamos nem ler. Existe uma preocupação do mercado editorial em rotular o trabalho de vocês como literatura “marginal”, “periférica”, etc. O que acha disso? Sinto-me bem com esses títulos, rótulos não me incomodam, mas o que fazemos é apenas literatura. É difícil colocar um livro “periférico” na rua, conseguir espaços de venda? Como os autores de periferia conseguem furar o “sistema”? É difícil, acho que vai ser sempre assim. Conseguimos furar o sistema vendendo de mão em mão, de mano em mano.

Nas suas andanças pelo Brasil no “Buzão da Periferia”, quais são as semelhanças mais marcantes que você viu nessas diversas periferias? A alegria apesar das dificuldades, a superação.

A periferia está lendo os autores de periferia? Como o público tem acesso à cultura produzida na própria quebrada? Eu fico sabendo de cada lançamento e compro todos os livros que são lançados, mas leio de tudo, não só autores periféricos, leio muito. Acabei de ler Gomorra, agora estou lendo Marçal Aquino.

A PALAVRA Como você começou a escrever? Quando percebeu que seria escritor? Comecei a escrever em fanzine e jornais de bairro, no Itaim Paulista. Percebi que

OS SARAUS Você frequenta saraus? Os que mais frequento são Cooperifa e Elo da Corrente, mas circulo, quando possível, por vários outros como Ademar. No próximo

sábado vou pela primeira vez ao Brasa, na Brasilândia. Gosto de todos. Os saraus são uma coisa nova na periferia? Qual é a importância dos saraus que acontecem em São Paulo? A Cooperifa está completando oito anos e acho que foi o primeiro. Acho importantíssimo porque forma leitores e novos poetas. Qual é o papel dos saraus para os aspirantes a autores? Uma porta de entrada, antes não tinha isso, no meu tempo tinha que meter o pé na porta. A PRODUÇÃO DE LITERATURA PERIFÉRICA Você participa de diversas coletâneas literárias com novos autores de periferia. Como você enxerga a produção de textos no Brasil? Organizo o “Pelas Periferias do Brasil”, dia 17/11 lançaremos o VOL III, acho que é uma cena crescente. Alguns coletivos, como Elo da Corrente e Brasa, lançaram livros com apoio do VAI da PMSP, a rapaziada está se articulando e fazendo acontecer. As editoras estão interessadas e abertas à literatura da periferia? Não. Teve a coleção “Tramas Urbanos”, da Aeroplano do Rio de Janeiro e a coleção “Literatura Periférica”, da Global Editora. É muito pouco. A periferia está acessando a Internet. Você mantém muitos blogs e os saraus também sempre atualizam seus próprios blogs. Qual é a importância da Internet para a atual cultura de periferia? Importantíssima porque tem grandes eventos que organizamos, como o Favela Toma Conta, no meu caso, e a mídia não cobre. Hoje a gente mesmo cobre. APOIO E PARCERIAS As iniciativas culturais de periferia contam com o apoio de quais recursos? Pouco apoio e muitas ações, tem gente que está aprendendo a participar de editais, esse é o caminho, os boys seguem nele há séculos. Você é apresentador do quadro “Buzão - Circular Periférico”. Você acha que a mídia está descobrindo a cultura da periferia ou a grande mídia ainda não deu o espaço que merecemos? Está longe de nos darem o espaço que a

gente merece, só o Manos e Minas, da TV Cultura, é muito pouco. Tinha que haver pelo menos um programa em cada canal aberto, mas eles não sabem fazer. Veja a Turma do Gueto, da Record. Começa bem, depois vira só tiro. Queremos transformar o Buzão num programa, é um parto mostrar em 4 minutos um conteúdo que seria para meia hora, perdemos muito do que filmamos. Se a cultura de rua tivesse a divulgação e cobertura da grande mídia, ela teria a mesma essência? Acho que sim, porque traria mais público. Claro que uns e outros poderiam se deslumbrar, mas tem aqueles que, como eu, encaram como parte do compromisso e fazem com os pés no chão. Voce se destaca por ser um dos escritores que mais faz atividades, é TV, eventos, jornal, blogs e cinema. O que mais te da prazer? No momento o que me da mais prazer é ver várias exibições do meu primeiro filme, lotado e o pessoal curtindo, me parabenizando. Mas lançar um livro pra mim, que tenho como base ser escritor, é sempre gratificante. Quando alguém comenta que viu e curtiu o quadro do Buzão na TV, também me da prazer. Quando vem e sobre o que é seu próximo livro? Não sei ainda, tenho dois prontos e não sei qual lanço primeiro, um é meu infantil "Dia das Crianças na Periferia" e o outro é "Do conto à Poesia". Como esta sendo esse seu novo trabalho no Itaú Cultural quais seus planos pra 2010? É uma assessoria, teve início em outubro de 2009, minha função é fazer o meio de campo entre a periferia e o Itaú Cultural. Frizar que tem várias atividades, shows, exposições, debates e muito mais, tudo de graça. Não importa se é na Av Paulista, vamos ir e usufruir do que é grátis. Para 2010 quero ampliar esse trabalho. Estou pensando em algumas possibilidades. www.buzo.com.br www.youtube.com e busque: buzao dgt www.profissaomc.blogspot.com


21ª FAVELA TOMA CONTA Edição Especial Ribeirão Preto

Urbanias: você faz a cidade!

ESPAÇO VIP DA POEISA

Por um chorar Desfaço-me no sofrimento da paixão Pedaços de mim caem para tentar tirar a ilusão Peço para que se esvazie toda essa sensação O choro seria uma forma de solução Mas nem há essa rendição Lágrimas não saem por educação A tristeza não vem por defesa Congelo minha reflexão Não sei se é pureza Mas sinto que arrebento meu coração É muita interiorização Tenho medo de uma explosão Essa lamentação parece incerteza Para quem não aprendeu a chorar na solidão. Naila Broisler blog:tarjamaisquepreta.blogspot.com --

Lei oficializa o Dia Nacional da Leitura O ano de 2009 será um marco para todos os brasileiros que acreditam na importância da leitura literária e nos livros. Pela primeira vez, come-moraremos oficialmente o Dia Nacional da Leitura, no próximo dia 12 de outubro, e também a Semana da Leitura e Literatura. Para celebrar essa importante data, o Central Hip-Hop lança a seção Revista Central, nessa primeira edição o leitor poderá conferir uma série de matérias relacionadas aos temas leitura e literatura periférica. A Revista Central deste mês vem recheada de informações sobre leitura e traz uma entrevista com Sérgio Vaz; aborda a literatura marginal; traça um breve histórico da Fundação Biblioteca Nacional; e mostra a iniciativa popular numa biblioteca comunitária de São Paulo, entre outras iniciativas. Fonte: Blog do Central

Trânsito caótico, lixo acumulado nas ruas, violência. Esses e tantos outros problemas de São Paulo não são novidade para quem vive na cidade. Nem a dificuldade para resolvê-los: mau atendimento, burocracia, reclamações que não recebem atenção da prefeitura. Isso se a pessoa souber para onde ligar ou como mobilizar outras pessoas, o que nem sempre acontece.

Mês da Consciência Negra Dias 27 e 28 de Novembro

Dia 27 19H30 - Exibição do filme Profissão MC Debate com os diretores Alessandro Buzo e Toni Nogueira e o protagonista Criolo Doido 21h - Lançamento do livro "Pelas Periferias do Brasil - VOL III” Presença dos autores, Alessandro Buzo, Tubarão, Da Antiga e Walter Limonada Mas agora a população da maior cidade do Brasil tem Local: Cine Cauim à disposição uma ferramenta inovadora para se comunicar em rede e entrar em contato com os Dia 28 órgãos públicos da cidade de São Paulo. No site 9H Abertura oficial com a Prefeita Darcy Vera e Urbanias, qualquer um pode abrir um tópico para autoridades escrever sua reclamação ou sugestão; ouvir 9H30 – Alunos do Centro Cultural Campos Elíseos comentários de outros para melhorá-la; ou pedir apoio Orquestra Executa Compositores Negros na Música para que os governantes vejam que o problema é 10H - Alunos do Centro Cultural Campos Elíseos relevante, além de poder comentar e apoiar propostas Grupo de dança – Maracatu que achar interessante de outras pessoas. 10H30 – Alunos do Projeto Circo “Só Riso” 11H Exibição do filme “Profissão MC” na Vila Feito isso, a demanda é enviada ao órgão com- Tecnológica e debate “Periferia, e sua produção petente, e a resposta cobrada e publicada no site. literária” com os autores Alessandro Buzo, Walter As respostas também são postadas, e caso seja Limonada e Róbson Canto satisfatória, o tópico é encerrado. Caso contrário, o Local:Salão do Centro de Convivência da Vila processo é reiniciado. 11H – Apresentação de dança do Grupo Arte e Vida Como exemplos de problemas resolvidos com o (Palco externo) auxílio do Urbanias, podemos citar os sacos de lixo 12H – Grupos do Centro de Jornada Ampliada do que foram recolhidos da região de Pinheiros, Maria Casagrande Pulsação de Rua, Style Crew, descartados por bares e casas noturnas nas Nação de Rua, Hop Campany Kids, Eclipse, Street calçadas. O mau cheiro deu lugar ao perfume da Lesson - Coordenação de Alexandre Snoop comida preparada pelos restaurantes da região. 13H às 14H30 – Projeto Universo Arte sob coordenação de Alexandre Snoop e Rodrigo Araújo. Também ajudamos o Programa de Silêncio Urbano 14H30 – Intervenção poética com Alessandro (Psiu) a atuar uma obra na R. Luís Correia de Melo que Buzo, Walter Limonada, Róbson Canto e Tubarão começava diariamente – inclusive sábados e (Du Lixo) - Grupo Tamboreando – Bate Lata domingos - antes das 7:00 da manhã e não parava 15 h – Criolo Doido antes da 21:00, o que atrapalhava o descanso da 16 h – Atração local moradora Patrícia Pinheiro e de seu filho recém17 h – DMN nascido. 09 às 18 H SHOW Papo rápido com Ricardo Joseph: (Vila Tecnológica) Há quanto tempo existe o Urbanias? A parte de resolução de problemas, de contato com Nas pick Ups: DJ Bibiano os órgãos públicos, começou em junho. Mas o site ainda está em fase beta, ou seja, ainda será Local Vila Tecnológica – Bairro aperfeiçoado para ficar ainda mais útil para o cidadão Mariacasagrande Lopes paulistano. Quem pode usar o site? Qualquer pessoa com acesso à Internet. Problemas existem em toda a cidade: buracos, barulho, lixo nas ruas. Nós encaminhamos reclamações de qualquer bairro, desde que esteja na cidade de São Paulo. O que você acha que as pessoas podem fazer para melhorar a cidade? Nosso slogan é “Você faz a cidade”. Acreditamos que cada pessoa tem o papel de ajudar a melhorar a cidade. As pessoas costumam reclamar muito do governo – e com razão – mas também não agem. Cada um pode fazer a sua parte, e o Urbanias é uma ferramenta que as pessoas podem usar para participar cada vez mais. Seja reclamar de problemas, ajudar as questões das outras pessoas ou cobrar as respostas dos órgãos públicos.


Nos fale sobre a Ação Educativa, como você vê a importância dessa instituição na cena cultural da cidade de São Paulo? A Ação Educativa é uma ONG fundada em 1994, portanto está completando 15 anos. Até o ano 2000 a instituição teve sua sede no Colégio Sión, em Higienópolis, e só atuava nos temas de juventude e educação. Em novembro daquele ano ela mudou-se para o endereço onde está até hoje, na Vila Buarque, Centro. Essa mudança de sede foi marcante para se pensar a presença da Ação Educativa na cena cultural da Região Metropolitana de São Paulo. A partir daí passamos a ter um centro de eventos que nos permitiu realizar uma série de atividades culturais. A principal delas foi a Semana de Cultura Hip Hop, que teve sua primeira edição em 2001 e não parou mais de acontecer, estando hoje indo para a décima edição. Essa experiência foi fundamental para nossa atuação na área de cultura. Foi primeiro sinal efetivo de que nosso barato era a cultura de periferia. Depois do hip hop, outros movimentos foram chegando: graffiti, literatura, vídeo, rodas de samba e a gente foi percebendo o quanto a cena cultural nas bordas da metrópole era forte e diversificada. Em 2006 discutimos a necessidade de se ter um Programa de Cultura por meio do qual passaríamos a ter ações estratégicas de difusão e produção cultural, políticas públicas e sistematização de conhecimento. O Programa foi criado em 2007 e, em três anos, conseguiu se firmar tendo como carro-chefe a Agenda Cultural da Periferia.

Um sonhador e um batalhador em prol da cultura periférica Eleilson Leite, nascido no Ceará em 16 de fevereiro de 1968, migrou para São Paulo, oriundo de família pobre, foi morar na periferia da zona norte, de onde saiu em 1988 quando entrou na USP, lugar em que também morou por cinco anos. Formou-se em História. Sempre trabalhou, desde criança. Puxou carreto na feira, foi engraxate e sorveteiro. Aos 11 tornou-se assalariado, trabalhando em padaria. Tirou carteira profissional com 12 anos, algo permitido na época. Seu primeiro registro foi aos 13 anos. Trabalhou em cartório dos 14 aos 18. De 1987 a 1990 trabalhou na Secretaria Nacional do Movimento Sem Terra, onde entrou para ser office boy e saiu como diretor do Jornal Sem Terra (foi aí que aprendeu a trabalhar com imprensa). Trabalhou no CEDI - Centro Ecumênico de Documentação e Informação de 1991 a 1994, ONG que deu origem à Ação Educativa. Depois disso ele abriu uma livraria. Sua experiência como empresário durou apenas três anos. Trabalhou no governo do Estado de São Paulo de 1998 a 2000, quando finalmente entrou para a Ação Educativa. Foi diretor regional da ABONG - Associação Brasileira de ONGs no Estado de São Paulo (2003 a 2006) e atualmente integra a coordenação estadual da mesma. É casado há 20 anos com Angela Maria Schwengber e pai de Cecilia Schwengber Leite, de cinco anos. Mora no Jardim da Glória e nesta entrevista, exclusiva ao Boletim do Kaos, vamos ver o que pensa um dos maiores articuladores culturais da cidade.

Desde quando você está na Ação Educativa e o que você faz nessa ONG? Entrei na Ação Educativa no ano 2000 justamente para coordenar o centro de eventos que naquela época chamávamos de Centro de Juventude e Educação Continuada. Hoje eu coordeno o Programa de Cultura e passei, a partir de setembro deste ano, a compor a Coordenação da Ação Educativa. Por que apostar ou apoiar a cena cultural da periferia? Apesar de todas as dificuldades que reinam nas periferias, nossa motivação em trabalhar com cultura nos fundões da cidade se justifica menos pela precariedade e mais pela potencialidade, porque uma comunidade pobre em termos econômicos e sociais pode ser rica em termos culturais. Entendemos que a produção artística tem um papel fundamental nas comunidades periféricas na medida em que fortalece laços de pertencimento entre as pessoas, criando um ambiente de solidariedade e coletividade. Ou seja, a cultura, mais do que qualquer outra dimensão social, tem o poder de mobilizar corações e mentes. Pessoas e projetos que você destaca na periferia. São inúmeros. Somente na Agenda Cultural da Periferia a gente divulga mensalmente mais de 100 eventos na Quebrada. Mas a periferia paulistana já tem seus artistas consagrados e projetos consolidados. A citação sempre implica omissão, por isso antecipo minhas desculpas. Mas vai aí um Top Ten, somente com pessoas e projetos culturais: Alessandro Buzo, com seus livros, eventos, programa de TV e este jornal; Sérgio Vaz, com a Cooperifa; Paquera, Chapinha, Maurílio e Magno, com o

Samba da Vela; Ferréz, com a 1 Da Sul ; Coletivo de Graffiti 5 Zonas; Allan da Rosa, com a Edições Toró; Mônica Nador, com o JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube; Wagner (Lôko) do Samba do Beco, na Favela da Vila Prudente; Michel Ciriaco, com o Sarau do Elo da Corrente; e Fernanda Nascimento, do Núcleo Cultural Força Ativa. Quando e de quem foi a ideia de lançar a “Agenda Cultural da Periferia”? Quando estávamos preparando as diretrizes do Programa de Cultura, no final de 2006, definimos que nossa atuação seria junto aos movimentos culturais da periferia. Percebíamos que a cena era vibrante e abrangente, mas nos faltava uma caracterização quantitativa e qualitativa. Pensamos em fazer um mapeamento que na época nem estava tão em moda como agora. Na hora em que fui colocar a ideia no papel para fazer um projeto e captar recurso, pensei que seria melhor fazer um guia cultural. Eu já era programador cultural do Centro de Juventude e Educação Continuada e tinha experiência com edição de periódicos. Bolei projeto editorial e a Bete Nóbrega, grafiteira e artista gráfica, fez o projeto gráfico. Consegui recursos para as seis primeiras edições e lançamos a Agenda em maio de 2007, que graças a Deus está aí até hoje com 29 edições e 290 mil exemplares distribuídos gratuitamente em mais de 100 pontos por toda a periferia paulistana. Ouvi pessoas dizerem que tem em São Paulo o Guia da Folha de S. Paulo, do Estadão e da Ação, focado para o gueto. Como vê a comparação com os Guias dos grandes jornais? Por um lado somos semelhantes sim e tomamos a comparação como elogio. A Agenda Cultural da Periferia é antes de tudo um serviço. A gente oferece ao morador dos bairros periféricos informações sobre atividades culturais as quais ele não tomaria conhecimento se não fosse por meio da Agenda. Procuramos também ter um padrão editorial semelhante aos dos guias da grande mídia com informação precisa sobre local, horário, preço, acessibilidade, etc. Mas, por outro lado, somos a antítese dos guias da grande imprensa porque neles pobre não tem vez, já que normalmente divulgam o que é de interesse da indústria cultural. Então, a Agenda da Periferia mostra o que a mídia se nega a mostrar? Sem dúvida. Mas a gente não funciona na lógica da oposição a eles. Gostaríamos que os guias da grande imprensa divulgassem mais os eventos da periferia ou pelo menos os eventos do Centro onde os artistas periféricos se apresentam. A gente trabalha contra a segregação. Tudo que a gente quer é criar fluxos, circuitos amplos que juntem Periferia e Centro. Uma das minhas maiores alegrias é quando fico sabendo que uma pessoa que vive no Centro Expandido foi até a Periferia curtir um sarau ou uma roda de samba porque soube do evento pela Agenda Cultural. O inverso também nos interessa porque no fim a gente quer é que as pessoas se apropriem do espaço urbano ampliando a noção de direito à cidade. Acho que isso não interessa aos guias culturais tradicionais. Mas eu sou um idealista incorrigível e espero que a gente possa influenciá-los um pouco.


FICO MUITO FELIZ QUANDO SOMOS PROCURADOS PELA MÍDIA PARA SERMOS FONTE DE MATÉRIAS SOBRE A CENA CULTURAL DA PERIFERIA. MAS ELES... PODERIAM DAR CRÉDITO PARA A GENTE. MAS, PARAFRASEANDO O OSWALD DE ANDRADE, “UM DIA ELES VÃO COMER O BISCOITO FINO QUE A PERIFERIA FABRICA”.

Sabemos que muita gente da imprensa usa a Agenda para se atualizar do que está rolando. Se eles sabem o que rola, por que não dão destaque, não cobrem? Fico muito feliz quando somos procurados pela mídia para sermos fonte de matérias sobre a cena cultural da periferia. Mas eles não só poderiam divulgar regularmente na medida em que tomam conhecimento, como poderiam dar crédito para a gente. Normalmente eles não fazem nem uma coisa, nem outra. Mas, parafraseando o Oswald de Andrade, “um dia eles vão comer o biscoito fino que a periferia fabrica”. Você é coordenador da "coleção literatura periférica" da Editora Global, comente essa coleção. Da cena cultural periférica, sem dúvida a literatura é a expressão mais instigante do ponto de vista criativo. Talvez seja por meio da análise da produção literária que a gente possa conceituar com rigor o que vem a ser a própria cultura de periferia que tanto defendemos. Embora seja uma vertente que vem ganhando espaço mais recentemente, mais especificamente a partir da publicação do livro Capão Pecado, do Ferréz, a literatura que se produz na periferia é de uma abundância impressionante. Certamente já passamos de 100 títulos publicados. Só no Sarau da Cooperifa foram laçados uns 40. Tem até uma editora que é a gloriosa Edições Toró. Nós na Ação Educativa já apoiamos a publicação de 18 obras desde 2005. Diante de tamanha produção, notei que havia uns livros que tinham potencial para serem publicados numa editora comercial. Conheço a Global Editora há 20 anos e procurei o Luiz Alves e o Jefferson e apresentei a proposta. Eles toparam porque a Global tem tradição na publicação dos marginais como Plínio Marcos e João Antonio. Fale um pouco dos títulos já publicados pela coleção. Abrimos a Coleção em julho de 2007 em grande estilo com o maior poeta da periferia e, agora, também reconhecido como dos mais importantes da atualidade: Sérgio Vaz com uma antologia de 20 anos de poesia, “Colecionador de Pedras”. Depois veio Alessandro Buzo com o romance “Guerreira”. Em seguida veio o Sacolinha com um livro de contos: “85 Letras e um Disparo”. Allan da Rosa, que é mais conhecido como poeta, publicou uma dramaturgia chamada “Da Cabula” e Dinha lançou seu livro de poemas “De Passagem, mas Não a Passeio”. Todos esses livros já tinham edições independentes bancadas pelos autores, quase todos com o apoio da Ação Educativa. Agora, como diz o jargão: estão nas melhores livrarias do Brasil. Quem vem a seguir na Coleção? Em dezembro sai um título muito aguardado e inédito que é o livro do GOG: “A Rima Denuncia”. Será um acontecimento. Todo mundo conhece o GOG como o poeta do rap. Há tempos que eu aprecio a poética do rap e comprei todos os discos do GOG para conferir. Não tive

dúvidas: esse é o cara. Mas para colocar os versos dele no papel precisamos da assessoria do Nelson Maka que, além de grande poeta e estudioso de literatura, è um profundo conhecedor da obra do GOG. O resultado foi magnífico. Estou muito ansioso para ver o livro pronto. Acho que vai ter uma repercussão muito grande. Poucas editoras abrem as portas para a periferia. Tem a coleção da Global; a Coleção Tramas Urbanos, da Aeroplano do Rio de Janeiro; o Ferréz e o MV Bill na Objetiva. Por que ainda é tão difícil as editoras apostarem nessa literatura produzida nas margens? O movimento literário das periferias é recente e aos poucos vai ganhando espaço, mas dificilmente será uma literatura com grande presença de mercado. Veja o rap. Há mais de 20 anos saiu o primeiro disco no Brasil e até hoje é um gênero que tem pouca vendagem. Tirando os Racionais MCs, que outro artista vende muito? Mas na literatura a gente tem uma chance que a Global vem explorando, embora ainda sem êxito, e que pode vir a dar resultado, que é a venda governamental. O Governo Federal é o maior comprador de livros do Brasil. Há editais de todo tipo. Por meio desse mecanismo público a gente pode ver um título de autor periférico vender 50 mil exemplares ou mais. Cite os livros periféricos que mais te marcaram e explique o porquê. Os cinco livros que levei para a Coleção Literatura Periférica foram, dentre os “fora do Mercado”, aqueles de que mais gostei. São obras de grande qualidade que realmente dão prazer de ler. Mas há diversos poemas e escritos publicados em coletâneas que me impactaram bastante. Tenho a honra de conviver no trabalho com uma poeta muito bacana que é a Elizandra Souza, nossa redatora da Agenda da Periferia. Gosto de muitas poesias dela pela busca de uma afirmação de identidade negra; é contundente, mas sem perder a leveza. Depois disso, os livros do Rodrigo Ciriaco – “Te Pego Lá Fora” e “Meninos do Brasil”, do Marcio Batista, ambos da Cooperifa, me impressionaram bastante. São livros de estreia que parecem obra de veteranos. Adorei a Coletânea infanto-juvenil “Um Segredo no Céu da Boca”, organizada pelo Allan da Rosa. Como vê a cena dos saraus nas periferias de São Paulo? É o que há de mais novo e instigante na cena cultural da periferia. É celebrativo, se assemelha, às vezes, a um culto. Às vezes é saborosamente anárquico. O que mais me encanta é que o sarau na periferia é a afirmação do improvável. Veja. A Cooperifa fica no distrito do Jardim São Luiz que junto com o distrito do Jardim Angela formam a Subprefeitura do M’Boi Mirim. Nessa região moram mais de 400 mil pessoas e lá não tem uma biblioteca pública sequer. De repente, num Bar, uns malucos há oito anos recitam poesias e fazem chover livros, literalmente. Como diz o poeta Chacal: “o impossível acontece; o possível se repete”.

Por que a literatura é importante na vida de uma pessoa? Para quem adquire o hábito de ler, a literatura passa a ser tão importante como o ar que ela respira. Fundação Casa Trata-se do Projeto Arte na Casa, por meio do qual a gente atende a 1200 adolescentes que cumprem medida socioeducativa em regime de internação em 17 unidades da Fundação Casa, na Grande São Paulo. Levamos para este projeto a nossa concepção de cultura de periferia. Os educadores que dão as oficinas são quase todos oriundos do movimento cultural das quebradas. Já levamos para as unidades uma série de artistas periféricos para darem workshops. Destaco, entre eles, o Mano Brown, Edy Rock e KL Jay dos Racionais, Fernandinho Beat Box, Sérgio Vaz, entre outros. Todo início do mês os adolescentes tomam contato com a Agenda Cultural da Periferia. A ideia é que eles possam dar continuidade ao aprendizado artístico obtido com as oficinas quando voltarem para casa que, na maioria dos casos, fica na periferia. Acreditamos muito nesse Projeto porque nele a gente comprova de forma contundente o quanto a arte transforma as pessoas. O que acha do Boletim do Kaos? Uma grande sacada. Vocês também fizeram o que parecia impossível. Acho que junto com a Agenda da Periferia, ele fica melhor ainda porque destrincha melhor muita coisa que sai no nosso guia, com a vantagem de ter uma abrangência nacional. Editorialmente acho brilhante. Quando vi, logo pensei: é a imprensa alternativa dos anos 70 com o frescor da cultura da periferia atual. É um trampo de heróis. Pouquíssimas pessoas botando um jornal com essa qualidade na rua todo mês é a prova de que é possível dar vida aos nossos sonhos. Longa vida ao Boletim do Kaos! Nos fale da Semana do Hip Hop que a Ação promove há 10 anos. Um evento que teve uma grande contribuição para o hip hop, mas que está em vias de concluir um ciclo. Ano que vem faremos a décima edição e talvez seja a última. Estamos pensando inclusive de fazê-la nacional envolvendo a galera do Norte e Nordeste, Sul e Centro-Oeste e, quem sabe, começaremos um novo ciclo. Mas a Semana de Cultura Hip Hop é feita em parceria com grupos e posses e a gente ainda vai sentar para discutir o assunto. Para finalizar, acha que a periferia está na moda, ou tem alicerce para se manter na literatura e na música? Não está na moda, não. Eu leio por obrigação, todos os dias os cadernos de cultura da Folha de S. Paulo e do Estadão e recorto tudo que se trata de periferia. É insignificante. A gente não pode se iludir com essa história de moda, não. Tem muito espaço para conquistar. Mas o

momento agora também já não é mais só de afirmação. Precisamos investir cada vez mais na qualidade. Precisamos nos apropriar das políticas públicas de fomento e fazer uso delas para fortalecer a cultura. Porque se não investirmos em qualidade logo, vão se esquecer. Ferréz não estaria aí há mais de 10 anos se seu texto não tivesse qualidade. Temos um longo caminho pela frente. Uma escritora: Eliane Brum Um poeta: Sérgio Vaz Um filme: 12 Trabalhos, de Ricardo Elias Uma personalidade: Nelson Mandela Um artista: Gilberto Gil Um sonho: O fim da pobreza Um time: Santos FC Uma personalidade: Oscar Niemeyer

PRECISAMOS INVESTIR CADA VEZ MAIS NA QUALIDADE. PRECISAMOS NOS APROPRIAR DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO E FAZER USO DELAS PARA FORTALECER A CULTURA


Tragédia paulistana por Berimba de Jesus

Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, município de Itabuna, sul do Estado da Bahia. Filho do fazendeiro de cacau João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado. Com um ano de idade, foi para Ilhéus, onde passou a infância. Fez os estudos secundários no Colégio Antônio Vieira e no Ginásio Ipiranga, em Salvador. Neste período, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes. Publicou seu primeiro romance, O país do carnaval, em 1931. Casou-se em 1933, com Matilde Garcia Rosa, com quem teve uma filha, Lila. Nesse ano publicou seu segundo romance, Cacau. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935. Militante comunista, foi obrigado a exilar-se na Argentina e no Uruguai entre 1941 e 1942, período em que fez longa viagem pela América Latina. Ao voltar, em 1944, separou-se de Matilde Garcia Rosa. Em 1945, foi eleito membro da Assembléia Nacional Constituinte, na legenda do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo sido o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo. Jorge Amado foi o autor da lei, ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Nesse mesmo ano, casou-se com Zélia Gattai.

Em 1947, ano do nascimento de João Jorge, primeiro filho do casal, o PCB foi declarado ilegal e seus membros perseguidos e presos. Jorge Amado teve que se exilar com a família na França, onde ficou até 1950, quando foi expulso. Em 1949, morreu no Rio de Janeiro sua filha Lila. Entre 1950 e 1952, viveu na Tchecoslováquia, onde nasceu sua filha Paloma. De volta ao Brasil, Jorge Amado afastou-se, em 1955, da militância política, sem, no entanto, deixar os quadros do Partido Comunista. Dedicou-se, a partir de então, inteiramente à literatura. Foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira de número 23, da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis. Doutor Honoris Causa por diversas universidades, Jorge Amado orgulhava-se do título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em fitas gravadas para cegos. Em 1987, foi inaugurada em Salvador, Bahia, no Largo do Pelourinho, a Fundação Casa de Jorge Amado, que abriga e preserva seu acervo, colocando-o à disposição de pesquisadores. A Fundação objetiva ainda o desenvolvimento das atividades culturais na Bahia. Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência, na Rua Alagoinhas, em 10 de agosto, dia em que completaria 89 anos.

Jabaquara conheceu Conceição / que foi apresentada por São Judas / o qual dizem que é santo / os dois com Saúde trabalharam na Praça da Árvore / na Santa Cruz se casaram / e foram morar na Vila Mariana. / Conceição pariu Ana Rosa e tudo foi um Paraíso, / só que Conceição conheceu Vergueiro / que foi apresentado por São Joaquim / o qual também falam que é santo./ E ela excitada, traiu Jabaquara, na Liberdade na cara larga. / Para se vingar Jabaquara foi a um puteiro e conheceu a Sé, / que foi apresentada por São Bento, / o qual, também falam que é santo. / E a Sé deu à Luz / a Tiradentes e Armênia. / Jabaquara discutiu com Conceição pelas bandas do Tietê / e injuriado matou Conceição afogada. / Foi parar no Carandiru. / Santana, irmão de Jabaquara, / ficou com a Sé, / assumindo Ana Rosa, Tiradentes e Armênia, / e foram todos morar no Jardim São Paulo. /Mas num belo passeio de domingo pela Parada Inglesa, / todos morreram atropelados na linha um azul do metrô, / e foram enterrados como indigentes no Tucuruvi.


Time: Clube de Regatas do Flamengo Escritor: George Orwell Poeta: Zé da Luz Filme: Faça a Coisa Certa – Spike Lee Ator: Benicio del ToroSerafim Gonzáles Atriz: Fernanda Montenegro Livro: Papillon - Hernri Charriere O que dá prazer: minha arte O que você não suporta: exploração Três lugares que frequenta: a rua, a Cooperifa e a casa da minha namorada. Um sonho: viver da arte, por enquanto sobrevivo Uma personalidade: Bob Marley, espalhou o som do Terceiro Mundo Um artista: o já falecido escultor Serafim Gonzáles, do Marapé, minha quebrada em Santos

Por Crônica Mendes Nina Fideles

1 COMANDO DMC 2 CABEÇA DE PORCO 3 APC 16 4 MÁGICO DE OZ 5 H.AÇO 6 PROFISSÃO MC 7 PATATIVA 8 MENINOS DO BRASIL 10 BREAK

O ESTUDO DA MARGINALIDADE Por Alessandro Buzo O que aborda seu livro? O livro Vozes marginais na literatura toma como mote a atribuição do adjetivo marginal, por parte de alguns escritores da periferia, para caracterizar a si ou aos seus produtos literários no limiar do século XXI. Tratase de um trabalho que parte da análise da Caros Amigos/Literatura Marginal e da relevante cena literária que se constituiu nas periferias após o lançamento dessas revistas. A obra dá ênfase às carreiras e obras de três escritores, Ferréz, Sérgio Vaz e Sacolinha (Ademiro Alves), além de abordar seus respectivos projetos de atuação político-cultural: o movimento 1daSul, a Cooperifa e o Projeto Literatura no Brasil.

1 – Antigo grupo de rap paulistano 2 – Livre de Mv Bill 3 – Apocalipse 16 a sigla 4 – Filme e clássico dos Racionais Mcs 5 – DMN e Edi Rock 6 – Lançado por Alessandro Buzo e Toni Nogueira 7 – Um dos maiores poetas nordestinos. ? do Assaré. 8 – Livro de Marcio Batista 9 – Autor do livro “A menina que roubava livros” ? Zusak 10 – Elemento do Hip Hop

MAS NÃO ME CONSIDERO UMA ESCRITORA MARGINAL, SOU UMA ANTROPÓLOGA QUE ESTÁ PUBLICANDO SEU PRIMEIRO LIVRO

Como foi o processo de pesquisa? A pesquisa foi desenvolvida entre 2004 e 2006, na Universidade de São Paulo, na área de Antropologia Urbana. As reflexões foram produzidas a partir de observação de campo de 32 eventos culturais e entrevistas com 12 escritores residentes em São Paulo, dentre eles Allan da Rosa, Alessandro Buzo, Claudia Canto, Dugueto Shabazz e Elizandra Souza. O foco do meu estudo foram os autores que publicaram nas três edições Caros Amigos/Literatura Marginal e, embora aborde as principais características dessa produção literária que emergiu da periferia, privilegia a trajetória e atuação dos escritores.

Você fala da cena literária na periferia, quais autores e livros você mais gosta? Mais do que considerar essa cena literária extremamente relevante do ponto de vista político, considero que há contribuições importantes que ajudam a diversificar o discurso literário, trazendo à tona novas linguagens, temáticas e personagens. Neste contexto, gostaria de destacar Capão Pecado, de Ferréz, e as poesias de Colecionador de pedras, de Sérgio Vaz, e de De passagem, mas não a passeio, de Dinha. Gosto muito do livro Notícias jugulares, do Dugueto Shabazz, porque mescla contos, crônicas e raps, e tem um trabalho gráfico muito bonito. Também gosto bastante da veia cronista e jornalística de Alessandro Buzo e das performances dos poetas da Cooperifa.

Sempre foi sua intenção publicar sua pesquisa em livro ou isso pintou depois? É muito difícil publicar pesquisa acadêmica no Brasil, tanto porque as editoras dão pouco espaço para intelectuais em início de carreira, quanto porque a linguagem dos textos, por vezes, dificulta o interesse de um público amplo. Por isso mesmo, não imaginei que a pesquisa fosse ser publicada em livro. Mas fiquei bastante contente quando surgiu a oportunidade de participar da Coleção Tramas Urbanas. Agora você é uma escritora, podemos dizer que da Literatura Marginal? Refletindo sobre a minha trajetória, cer-tamente, relembro situações de marginalidade social que vivenciei em diferentes momentos, por ser negra e de origem pobre. Mas não me considero uma escritora marginal, sou uma antropóloga que está publicando seu primeiro livro. Porque ler seu livro?

PRIMEIRAMENTE, PORQUE É O PRIMEIRO REGISTRO ACADÊMICO SOBRE A ATUAÇÃO E PRODUÇÃO DOS ESCRITORES DA PERIFERIA QUE SE ASSOCIARAM OU FORAM ASSOCIADOS AO ADJETIVO MARGINAL NO CENÁRIO CONTEMPORÂNEO. Quem é Érica Peçanha? Apaixonada por seus familiares e amigos, pelos livros e pela música brasileira. Uma antropóloga que gosta muito da sua profissão e dos temas que escolheu estudar.


Diversão garantida ou sua televisão de volta!

Mesmo eu afirmando que sem ele, o apoio, o jornal para, porque é quase um milagre a gente fazer ele com o conteúdo que têm, mensal, sem falha, com uma equipe de três pessoas (Alessandro Buzo, Alexandre De Maio e Marilda Borges), mais equipe de redação e distribuição, manos e minas que espalham essa informação pelas quebradas, traficando informação.

*Foto de Davi Tavares

A Poesia Maloqueirista nasceu em 2002, a partir do encontro de poetas que veiculavam seus livretos artesanais pelas ruas. Assim, passou a gerar um diálogo essencialmente mambembe, indo aonde o povo está, tradição esta que sempre resistiu aos meios de comunicação padrão. Passou a criar identidade em sua produção literária e artística a partir da vivência cotidiana na cidade, interagindo com todo tipo de transeunte, além de intervenções e assaltos culturais em praças públicas e bares, reunindo poetas como Berimba de Jesus, Caco Pontes, Pedro Tostes, Aline Binns, Renato Limão, Inayara Samuel, Maurício Marques, Aline Reis, entre outros, advindos das mais variadas regiões suburbanas de São Paulo, ou mesmo do Rio de Janeiro, onde se aliou a movimentos como Filé de Peixe e Ratos di Versos. Acompanhando também a trajetória dos saraus espalhados pelas vilas e guetos de São Paulo, o coletivo fortaleceu www.marildafoto.blogger.com.br a corrente tendo como característica uma pegada nômade, com traços de terrorismo poético, irreverência e denúncia, sem levantar bandeiras específicas. Desde então mantém uma proposta multifacetada, sendo a poesia base de linguagem, abrindo o campo de criação e troca de experiências desenvolvendo sarau, oficinas, eventos multimídia, banda, possibilitando assim uma popularização maior da poesia. Alguns acontecimentos já se tornaram clássicos, como Revista Não Funciona, C.A.I-MAL

Esse texto não é um pedido do Itaú Cultural, que patrocina o custo gráfico deste periódico que é o Boletim do Kaos, muito menos é a gente do jornal querendo fazer uma média com o patrocinador.

Mas não estou aqui para falar do Boletim do Kaos e sim do Itaú Cultural.

POR QUE REPRESENTA? (Centro de Ação In-formal), Interferência Modulada, óperArua, Orquestra Megafônica e Experimento Prosótypo. Atualmente o coletivo mantém atividades e sede no bairro do Morro do Querosene, zona oeste de São Paulo e, desde maio, acontece mensalmente a Récita Maloqueirista, no Espaço dos Parlapatões, Pça. Roosevelt, com a idéia de centralizar um sarau que possa reunir pessoas de outras quebradas, além da comunidade local, buscando diversidade e entretenimento. Mais informações, acesse: poesiamaloqueirista.blogspot.com

Sei que os críticos de plantão, vão dizer: “Um banco? Não faz mais que a obrigação”. Concordo, mas me preocupo mais com outros bancos que nem as obrigações fazem. Assim como o Itaú Cultural, destaco positivamente o Banco do Brasil, por exemplo. Ambos oferecem atividades culturais gratuitas. Então deixe quem quiser criticar, para mim o Itaú Cultural representa porque foi quem acreditou que era possível um jornal de literatura, feito por pessoas vindas da periferia. Não era nenhum boyzinho de olho azul, di-

ploma na mão, éramos eu (Buzo) e o Alexandre De Maio. Dois vagabundos natos, no bom sentido da palavra. Representa porque sempre esteve presente na cena literária periférica da quebrada, apoiou o CD de poesias da Cooperifa e também a coletânea literária “Rastrilho da Pólvora”, com autores do sarau e convidados. Representa porque abre suas portas para receber, por exemplo, o lançamento do DVD do Ferréz, que eles também apoiaram. Dia desses teve por lá show do Wesley Nóog, da hora ver os manos invadindo os espaços disponíveis e ótimos eles existirem. Representa porque tem biblioteca, sala de leitura, videoteca. Tá bom, vão dizer que é na avenida Paulista, tudo bem. Mas quantas pessoas que trabalham na região não têm acesso? Eu mesmo peguei alguns filmes nacionais por lá, que não achava nas locadoras, como “Amarelo Manga” e outros, um grande acervo de filmes e livros, tudo de graça. Vamos nós à Paulista e usamos o que é “para todos”, nem tudo na Paulista é para todos e quase nada é de graça. Sempre tem exposições, shows, debates e filmes gratuitos. A “Ocupação Paulo Leminsk”, outro exemplo, está imperdível. Para mim, que utilizo, o Itaú Cultural representa. Se você é do time que só fica “É na Paulista, é na Paulista!”, eu lamento, não sabe o que está perdendo.

Mande e-mail com sua proposta de diálogo para alexandre.de.maio@hotmail.com


Dia 7 às 20h30 Sarau da Brasa Lançamento do livro "Histórias de Tio Alípio e Kauê - O Beabá do Berimbau", com ilustrações e roteiro de Márcio Folha.

Dia 22 as 15 H Mesa - O papel da Literatura, com os poetas Diego Arias e Leko de Moraes (SarauPoesia na Brasa), Rui Mascarenhas (Poiesis) e Caco Pontes (Poesia Maloquerista).

Dia 17 Lançamento do Livro "Pelas Periferias do Brasil - VOL III" na Ação Educativa (Rua General Jardim, 660 Centro de SP)

Dia 23 Lançamento oficial "Cronista de um tempo ruim" (Ferréz), o primeiro livro do Selo Povo na Ação Educativa.

Dia 18 Seminário Hutúz no Rio de Janeiro. Debate "Evolução e Revolução do Hip Hop” com Alessandro Buzo, DMC, Marcos Faustini. Mediadora: Sandra Almada Local:CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil (RJ) Dia 19 as 20H Lançamento do livro "Tambores da Noite" do poeta de 82 anos Carlos de Assumpção no Sarau Elo da Corrente Dia 20 O evento Balada Literária traz a edição “Viva o Povo Brasileiro” no SESC Pinheiros às 19h. Uma noite em homenagem ao Dia da Consciência Negra e aos 50 anos de carreira de João Ubaldo Ribeiro, com o pianista Vitor Araújo e os cantores Rubi e Fabiana Cozza. Participação especial das atrizes Naruna Costa e Olívia Araújo. Teatro Paulo Autran. Sérgio Vaz e Ferréz também serão homenageados. Dia 20 as 15H Homenagen no C.C.J. a Carlos de Assumpção com o o grupo de percussão Refúgio da Comunidade Quilombaque Dias 20, 21 e 22 A Coopermusp (Cooperativa dos músicos da periferia) traz o evento Evento Igualdade para todos. No palco nomes como GOG, Mano Brown, Planta e Raiz, Demenos Crime, Raiz Coral entre outros Mais informações coopermusp.blogspot.com Dia 21 as 15H Coletivo Cultural Poesia na Brasa faz mesa de discussões com a participação de mulheres Negras em movimentos Sócio-culturais, com a presença de Raquel Almeida (Coletivo Elo da Corrente), Lid's (Sarau da Ademar) e Maria Helena (Presidente da Ala da Velha Guarda da Rosas de Ouro e da Embaixa do Samba Paulista) - Local CCJ Dia 21 as 19H Sarau da Brasa com Samba do Kolombolo Diá Piratiniga e a Velha Guarda da Rosas de Ouro 21h Lançamento do livro "Tambores da Noite" do poeta Carlos de Assumpção

Dia 30 as 19H Edição especial "Ultima do Ano" do evento "Suburbano no Centro" 19H30 - Exibição do filme "Profissão MC" Na sequencia pocket show com Fim do Silencio e Comunidade Rasta (DRR) e Criolo Doido. Exibição do filme "Profissão MC" Dia 09 as 19H Com debate na Semana de Arte Maloqueira em Guaianazes. Local: Espaço Cultural Guianás (antiga Sub Prefeitura de Guaianazes) Rua Cosme Deodato Tadeu, s/n (Zona Leste de SP) Gratis - 100 lugares Dia 13 as 19h30 Com debate no CEU CURUÇA. Av Marechal Tito- Itaim Paulista (Zona Leste de SP) Gratis - 450 lugares Dia 19 as 19H no Rio de Janeiro-RJ - Hutúz Filme Festival - Debate com os diretores Alessandro Buzo, Toni Nogueira e o protagonista Criolo Doido. Local: Cinema Odeon Petrobrás - Cinelândia - Centro do Rio de Janeiro - Ingresso R$ 4,00 - Meia R$ 2,00 584 lugares Dia 27 - Exibição do filme "Profissão MC" na Cidade de Ribeirão Preto com debate. Lançamentos do Vozes Marginais na Literatura Primeiro livro de Érica Peçanha "Vozes marginais na literatura” é resultado de uma pesquisa de mestrado em Antropologia Social, desenvolvida entre 2004 e 2006 na Universidade de São Paulo. Lançamentos: Dia 05 às 19H30 – Ação Educativa Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque Dia 07 às 16h – Loja Suburbano Convicto Rua Nogueira Viotti, 56 – Itaim Paulista Dia 12 às 20H – Sarau Elo da Corrente Bar do Cláudio Santista – Rua Jurubim, 788 – Pirituba Dia 14 às 20 – Pavio da Cultura Centro de Educação e Cultura Francisco Moriconi Rua Benjamin Constant, 682 – Centro de Suzano DIa 18 às 20H – Sarau da CooperifaBar do Zé Batidão – Rua Bartolomeu dos Santos, 797 – Chácara Santana

Maiores informações e muito mais opções acesse nossos parceiros e informe-se no site da Ação Educativa que tem uma agenda sobre os vários eventos no mês www.acaoeducativa.org.br/agendadaperiferia No site Catraca Livre você tem uma agenda que tem eventos, cursos, cinema, teatro, exposições, palestras e encontros www.catracalivre.com.br

Quem quiser divulgar seu evento na próxima edição entre em contato pelo e-mail: boletimdokaos@hotmail.com

O Beabá do Berimbau de Marcio Folha. Escrita em prosa, poesia e quadrinhos, a obra revela o universo da capoeira ao mostrar um berimbau como mediador de uma disputa de conhecimentos entre os personagens Tio Alípio e Kauê sobre esse instrumento musical e outros assuntos, como orixás e cultura negra em geral. Histórias de Tio Alípio e Kauê - O Beabá do Berimbau tem 108 páginas e foi produzido sob o patrocínio do programa VAI - Valorização de Iniciativas Culturais da Secretaria de Cultura de São Paulo. Hip Hop Mulher – Conquistando Espaços O livro organizado por Tiely Queen traz poesias de Elizandra Souza e textos de Valéria Melki Busin, Latoya Guimaraes, Re.Fem. e Roseane Arévalo com Ilustrações: Fernanda Sunega e Ana Clara Marques (Rede Graffiteiras Br) na Concepção editorial: Allan da Rosa e Silvio Diogo (Edições Toró)

Graduado em Marginalidade 2ª edição - Sacolinha Lançamento da 2ª edição dia 25 de novembro, a partir das 19h Local: Casa das Rosas Avenida Paulista, 37 - Bela Vista - SP Metrô BrigadeiroInformações: (11) 4749-7556 - Entrada gratuita

Cronista de um tempo ruim - Ferréz - Selo Povo Textos inéditos, é o primeiro do Selo Povo, ao preço de R$ 5 com mais de 125 páginas O que é Selo Povo? Selo feito para livros de bolso, livros esses escritos por e para mãos operárias, rebeldes, marginais, periféricas. Que possa alcançar o público despossuído de recurso que geralmente vê o livro como um item raro e elitista. Um vinho guardado e nunca degustado, enquanto queremos que todos bebam pelo menos sua tubaína diária. Um selo em um livro de bolso, para ser posto na sexta básica, para ser lido na rua, no horário de almoço, nas prisões, nos acampamentos, nas zonas, nos bares, barracos e barrancos desse imenso país periferia. Esse selo garante um livro de fácil leitura e que será lido, relido, emprestado, e gasto, andando de mão em mão até que volte para onde veio, a vida. Ao preço de 1 cerveja e meia, e mais barato que um prato feito, a desculpa para não ler acabou. Bem vindo ao Selo Povo, feito pra você e pra todo mundo.

O Samba e a literatura de Esmeralda no SESC Pinheiros Quando – Dia 13 novembro - Sexta, às 20h. Numa intervenção artística com poesia e música, Esmeralda Ortiz, contará sua história de experiência de uma infância na rua, em situação de risco. Apresentará seu novo projeto musical com composições de sambas de roda e de partido alto e lançará seus livros "Porque não dancei" e "O diário da rua" que contam sua trajetória.

de 01/ Rua Paes

Auditório - 3º andar. Não é permitida a entrada após o início da intervenção. Retirada de ingressos pelo sistema INGRESSOSESC, a partir 11. Recomendável para maiores de 14 anos. Leme, 195. Pinheiros São Paulo - 11 3095-9400


Seu nome legal é Pedro, mas é conhecido como Adnalla e gosta de ser chamado assim. Afinal, foi ele quem lhe deu esse nome. O motivo de só usar o nome verdadeiro em ocasiões extremamente necessárias estava quando respondia a pergunta: - Qual é a sua graça, moço? - Meu nome de escravo é Pedro, mas pode me chamar de Adnalla, que deveria ser o meu nome verdadeiro. Em sua infância já era marrento quando se tratava de piada racista, tanto que certa vez levou suspensão na escola por ter socado o colega de classe que cantou: Negro fedorento, Bate a bunda no cimento, Pra ganhar mil e quinhentos. Mas sua consciência crítica veio mesmo depois que começou a fazer teatro alternativo. Isso lhe exigiu muita pesquisa, busca de conhecimentos e milhares de páginas em altas madrugadas. Foi inevitável não cair no tema dos seus antepassados. Acabou saindo do coletivo em que fez parte, há mais de cinco anos, porque o grupo tinha o pensamento humano como trabalho central em suas peças. Adnalla partiu de São Paulo para o Rio de Janeiro onde se envolveu com a ONG “Nós do Morro” e lá pôde desenvolver um grande trabalho em torno das questões raciais. Passou toda a década de 90 imerso em discussões, pesquisas e publicações. Só no ano de 2001 é que voltou a morar em Sampa, porque nas suas vindas para a capital paulista conheceu uma branca de nome Marília. Namoraram por dois anos só se vendo uma vez ao mês. Então resolveram casar. Foi ele que mudou de estado. O sogro cedeu 15 metros do seu terreno para a filha construir e morar com o marido. Aproveitaram a oportunidade e hoje estão casados. Adnalla continua no teatro e de tabela trouxe Marília para junto das artes, já que antes de casar ela trabalhava com projetos sociais. A vida de casados estava ótima, até o momento em que começaram as cobranças, mesmo por brincadeiras, por parte dos pais de Marília. Queriam logo um neto, e a sogra era quem mais se mostrava afim. Quando todos estavam em casa no domingo e se reuniam para almoçar, ela logo investia em indiretas. - Assim que você ficar grávida minha filha, eu é quem vou escolher o berço. O sogro não ficava atrás: - E eu vou fazer um balanço para ele nessa árvore aí do quintal. Adnalla e Marília olhavam um para o outro sem graça, procurando sempre mudar de assunto. É que filho era o que eles mais queriam, já estavam tentando há uns dois anos. E começaram a ficar desconfiados. Procuraram médicos. Nada havia de errado, podiam ir tentando que logo daria certo. E foi o que fizeram. Tentaram por mais um ano e nada. Então recorreram à medicina popular. Primeiro foram atrás da Nêga Lurdes, mineira de 70 anos que teve dez filhos, todos de parto

caseiro. É famosa aqui em São Paulo por ter dado a felicidade a muitos casais com sua milagrosa garrafada. Tanto um como outro bebeu do líquido, mas nada sucedeu. Continuaram recorrendo a tudo e a todos, e logo todas as pessoas que os cercavam ficaram sabendo da saga do casal que não conseguia ter filhos. É aí que entra Marcos Torelli nessa história. Cineasta de 32 anos com 10 documentários e dois longasmetragens no currículo, é ainda pouco famoso. Conheceu Adnalla em uma peça de teatro onde o texto era assinado por ele. A simpatia cresceu quando os dois souberam que moravam no mesmo bairro. Logo fizeram parceria em filmes e peças teatrais. A amizade cresceu, tanto que um ia sempre visitar o outro. E foi numa dessas visitas que Adnalla percebeu o olhar de cobiça que Torelli dirigia a Marília. Resolveu levar no banho-maria, já que o dramaturgo sabia que o cineasta era um bom malandro, e macaco velho não põe a mão na cumbuca, principalmente dos outros. Logo ia perceber que estava fazendo coisa errada e pararia sem precisar de uma conversa responsa. Mas não parou, e às vezes nem disfarçava quando, trabalhando em algum texto novo na casa do amigo, dava umas espiadelas nas coxas de Marília que passava de um lado a outro da casa. Adnalla chamou a atenção de Marília várias vezes e, embalados com a crise da não-gravidez, brigavam sempre. Ele até começou a desconfiar. E nessa desconfiança passaram-se três anos. Juntando todas as crises e dilemas o casal se separou e voltou algumas vezes. Na última separação não teve volta. Torelli e Adnalla já não tinham aquele trabalho intenso como no começo da parceria e a desconfiança, junto com as intrigas, rompeu com o trabalho dos dois. A amizade continuava, até que numa noite de estreia duma peça dirigida por Adnalla, Marília e Torelli chegaram de mãos dadas. Todo o mundo viu, todo o mundo comentou e a suspeita do dramaturgo teve confirmação. Cortou relações com o cineasta e só conversava com sua ex porque gostava muito dela. Dava conselhos o tempo todo, dizendo que Torelli não era homem de confiança, que conhecia ele, e isso e aquilo. Mas Marília não queria acreditar e, uma vez cega de amor e influenciada pelo namorado, ligou para Adnalla e falou que ele não era capaz de dar o que ela queria, que nunca deu a atenção que ela merecia, e que só queria saber de teatro e coisas de negro. O dramaturgo pensou que não havia coisa pior do que ouvir isso de alguém com quem viveu por sete anos. Mas havia sim. Marília ficou grávida. Não demorou para que as pessoas percebe-

ssem sua barriga, e soltassem a língua: - O cara ficou mó tempão tentando engravidar a mina e não conseguiu, chegou outro e rapidinho fez o serviço. - Muié nenhuma merece casar com homi estéril. - O Ricardão mandou vê na Marília e embuchou a danada. Adnalla se achava parecido com esses personagens das tragédias gregas, e achou mesmo que cometeria alguma coisa errada. Estava em conflito interno. Passou duas semanas sem produzir e ler nada, só pensava nos últimos acontecimentos. E como se não bastasse tudo isso, chegou aos seus ouvidos a notícia de que Torelli estava morando com Marília na casa que ele construiu. Refletir foi o único remédio. Adnalla superou, ergueu a cabeça e voltou à produção. Viveria tranquilamente se não fosse Marília no seu pé. Depois que a criança nasceu, Torelli abandonou Marília, e esta vivia ligando para Adnalla e pedindo desculpas, querendo voltar. Ele bem que pensou em reatar, já que a amava tanto, mas orgulhoso que é resolveu não sofrer a humilhação. Ajudava Marília no que podia, conversava, dava conselhos e fazia favores, mesmo estando no Rio de Janeiro, onde vivia atualmente. Torelli não parava de viajar, envolvido com filmes aqui e ali. Mas não deixava de pagar a pensão. Vez ou outra ia atrás de Marília a procura de sexo, e ela sempre cedia. Na época em que Adnalla e Torelli eram parceiros os dois produziram um roteiro de um longa-metragem tratando sobre o tema da exclusão social. Adnalla foi o responsável pela pesquisa e compôs praticamente tudo. O cineasta só deu uma enxugada no texto. Aconteceu que nenhum dos dois registrou esse roteiro. Em 2008 lançaram um filme nos Estados Unidos que foi sucesso de público e crítica, e logo começou a ser exibido em diversos países. Os direitos autorais do filme estavam em nome de Marcos Torelli. Adnalla ouvira falar muito dessa longa e resolveu assisti-lo. Não deu outra, era o roteiro feito por ele em parceria com Torelli. Superou a crise existencial que foi mais difícil, mas esse fato ia ao encontro do ego e ganância humanas. “Trabalho há mais de 20 anos com arte e até hoje não consegui fama e nem dinheiro, aí vem um filho da puta e ganha tudo isso me passando a perna duas vezes”. Não ia reivindicar seus direitos pelas vias legais, não teria como provar, então resolveu fazer justiça. Chegou a São Paulo e foi direto para o bairro onde Torelli morava.

Informaram-no que não estava em casa e que chegaria mais tarde. Ficou de tocaia num canto da rua, e lá pelas três da manhã, sentindo muito frio e fome, resolveu ir até a casa da sua ex. Quando lá chegou viu o carro de Torelli no portão da casa. Pulou o muro e vagarosamente chegou até a janela. Os dois transavam. Filho, traição, ciúmes, jogo sujo e as crises. Tudo juntou em sua cabeça e foi ganhando tamanho até explodir. Diante disso perdeu o juízo. Arrombou a janela e já entrou apontando a arma e querendo satisfações. O cineasta foi pedindo calma enquanto colocava a calça. Marília só gritava. Num vacilo do dramaturgo, Torelli conseguiu escapar e correu rua a fora sem nem lembrar do carro. Adnalla foi atrás e conseguiu alcançá-lo numa esquina do bairro. Torelli pediu calma. Caiu com três tiros no peito em frente a uma padaria que exalava o cheiro da primeira remessa do pão da madrugada. O dramaturgo sentou ao lado do corpo, começou a entoar baixinho o “Canto das três raças”. Ninguém ouviu, Um soluçar de dor Num canto do Brasil, Um lamento triste sempre ecoou... E ficou ali, a sentir aquele cheiro de padaria, a última coisa boa que resolveu sentir em vida antes de ir ao encontro dos seus ancestrais. Sacolinha


Qualidade, requinte, mobilização, a virada cultural da periferia. Uma semana de eventos de qualidade realizados na periferia da zona sul de São Paulo. A periferia como centro da produção cultural. Muita coisa aconteceu e o encerramento foi uma catarse assim com descreveu Sérgio Vaz em seu blog. O samba do Kolombolo, a música requintada de Wésley Nóog, Periafricania, Versão Popular, B Valente, Gaspar (Záfrica Brasil), Funk Buia e Crônia mendes (A Família) e direto de Brasília GOG passaram pela Casa de Cultura M´Boi Mirim para encerrar 7 dias de eventos que ficarão para história. O sábado anterior foi o Caldeirão cultural com feira de livros, acompanhado das exposições "Metalmor-fose" do Casulo, as telas do Guilherme e a arte retirada do lixo do poeta Tubarão. Também teve um debate sobre a arte de rua com o grafiteiro Michel Onguer, o pixador Cripta Djan, o artista plástico Jair Guilherme, mediado pelo fotógrafo João Wainer e para finalizar show instrumental com o violinista Brau Mendonça. Á noite grande encontro da poesia com vários coletivos poéticos como o Sarau da Cooperifa, do Binho, Elo da Corrente, da Ademar, Rascunhos poéticos, Do Povo e Sarau Rap. A cada dia da Mostra uma overdose de expressões culturais de qualidade. A sexta feira começou com o debate mediado por com Roseli Loturco – jornalista e professora da ONG Papel Jornal e na mesa, Xico Sá, Sacolinha e Marcelino Freire, seguida com apresentações teatrais, para a platéia de mais de 500 expectadores, das peças “Os Tronconenses – Núcleo Teatral Filhos da Dita (Instituto Pombas Urbanas) e Solano Trindade e suas negras poesias – Capulanas Cia de Arte Negra. A quinta feira foi dedicada ao cinema com exibição de filmes "Os 12 trabalhos" de Ricardo Elias; Profissão MC de Alessandro Buzo e Toni Nogueira; Povo lindo, povo inteligente de Sérgio Gagliard e Maurício Falcão; Amanhã, talvez de Rogério Pixote; Literatura e resistência, 1DaSul Filmes e Literatura Marginal Editora; Graffiti de Lílian Santiago e Pode me chamar de Nadí de Déo Cardoso. No debate posterior Ricar-

do Elias, Pixote, Toni Nogueira e Barata Quarta foi o dia da literatura que começou com o debate Engajamento e revolta na ponta da caneta com Rodrigo Ciríaco – professor e escritor, Michel da Silva – arte-educador e escritor, fundador do Sarau Elo da Corrente, Márcio Batista – professor e poeta da Cooperifa, Elizandra Souza – escritora e redatora da Agenda Cultural da Periferia e Ecio Salles (RJ) – colaborador de coletivos atuantes em favelas e periferias, pesquisador e autor do livro “Poesia revoltada”. O segundo foi Literatura Marginal através dos tempos com Chacal (RJ) – protagonista da literatura marginal dos anos 1970, poeta e produtor cultural, Sérgio Vaz, Ferréz com coordenação: Heloisa Buarque de Hollanda. Para fechar a noite em grande estilo, o Sarau da Cooperifa completou 8 anos e comemorou com mais de 500 pessoas. Terça teve espetáculo da Cia. Bambalina da Espanha, que encantou a todos, inclusive os adultos, com sua interpretação mágica de bonecos seguido de debate coordenados por Érika Peçanha com Nelson Maca - Blackitude (BA), Guti Fraga - Nós do Morro (RJ), Alessandro Buzo - Favela toma conta (SP), Adriana - Feira Preta (SP) seguido das apresentações da Cia. Sansacroma (Rascunho de Solano) e o Balé Capão Cidadão. Essa saga toda começou com um debate sobre a mudança da Lei Rouanet com Roberto Nascimento representando o Ministro da Cultura, Ana Tomé do Centro Cultural da Espanha, Professor Carlos Giannazi e Adriano da Ação Educativa seguido pela de um sarau de improvisado para aquecer o grande show na Izzy Gordon, uma mistura de MPB, Jazz e Blues. II Mostra Cultural da Cooperifa, a virada cultural da periferia.


IMAGENS PERI-FÉRICAS Registrando a cultura periférica O Coletivo que nasceu da união grupos da região do Peri, periferia da zona norte de São Paulo, se solidificou fazendo eventos mensais sem ajuda de ninguém. Uns pelo sonho do hip hop, outros pelo sonho do áudio visual, mas todos com o objetivo em comum, o de levar cultura e informação pras ruas mais periféricas, literalmente para os becos e vielas. A reunião mensal que une cinema, projetado num telão, com direito a pipoca e lanche pra molecada, música com o som do grupo Cagebê, vizinho ao local, ficou conhecido como Cine Escadão. Programação certa de cinema e música na periferia paulista, o projeto cresceu e esse ano se transformou em Imagens Periféricas. Realizado durante o ano de 2009, o projeto percorreu várias vielas como o Jd Peri Novo, Favela do Sem Terra, Jd. Elisa Maria, Favela do Flamengo e Favela do Sapo. O resultado final vai ser uma revista com DVD, registrando essa turnê cultural pelas vielas com direito a videoclipe inédito de cada grupo, bancado pelo projeto. A programação além de levar a tradicional projeção de curtas educativos para a molecada, tinha também a cada apresentação uma exibição do trio de DJ´s da equipe Décibeis. A cada evento grupos de rap de outras periferias foram convidados para consolidar esse intercâmbio cultural. O graffiti também estava presente nas seis apresentações por conta do artista GO, um revelação da arte de rua da zona norte. Também o jornal Boletim do Kaos fez parte do projeto sendo distribuído em cada edição juntamente com material sobre o E.C.A. (Estatuto da Criança e do Adolescente) e guias culturais. A dança de rua ficou por conta B.Boy Gerson Tatu. O projeto percorreu os becos, levou cultura para as vielas e incentivou a produção cultural da favela. Imagens Periféricas foi um dos 100 projetos contemplados pelo VAI (Valorização das Inicativas Culturais), programa do governo de incentivo a atividades culturais. É a periferia se apropriando dos seus recursos. Para saber sobre os outros projetos do VAI acesse: programavai.blogspot.com


Tempos diferentes, estilos diferentes, Por Alexandre De Maio

o mesmo vicío: a literatura.

Da redação

Uma referência no Brasil como chargista que trabalha a questão do negro. Maurício Pestana é conhecido pelo seu talento para fazer charges que trabalham uma delicada questão, a negritude. Mesmo os mais ácidos cartunistas não se arriscam muito nesse tema, e foi assim que Pestana se destacou. Ele também é publicitário, escritor e roteirista, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior. Pestana é presidente do conselho editorial da revista Raça Brasil (Escala), do Conselho Nacional de Políticas Culturais e do Conselho Paulista de Leitura. Publicou nesse ano a versão em quadrinhos da Revolução Constitucionalista de 1932. No ano passado lançou dois livros ; Negro: Uma outra

História – A Luta Quilombola e Cidade Tiradentes – História e Vida da Migração Negra na Cidade de São Paulo. Sua bibliografia é extensa entre livros quadrinhos e exposições. No mês de outubro viajou à França onde, no dia 19, aconteceu um exposição dos seus desenhos. Também foi curador da exposição Picha que destacava o universo das Histórias em Quadrinhos Africanas. Outro trabalho que todo o mundo deve ler é Revolta dos Búzios - Uma História de Igualdade no Brasil, uma parceria entre o Olodum e Pestana. Também conhecida como Revolta dos Alfaiates, a Revolta dos Búzios foi deflagrada na então capitania da Bahia em 12 de agosto de 1798. www.mauriciopestana.com.br

HUMOR DE CHOQUE Seu trabalho traz grande carga de crítica social, Alexandre Cruz conhecido como Xandão, aprimorou seu humor nas ruas de São Paulo enfrentando o preconceito do dia a dia. O rapaz, natural de Rio Claro, interior de São Paulo, se criou em Nova Odessa, onde sempre desenhou. Ainda na adolescência colaborava no "jornal da cidade" com seus cartuns. Mas seu talento para música falou mais alto e Xandão se destacou na cena underground do rap, do reggae e do ragga, fazendo uma mistura desses estilos nas suas apresentações. Paralelo à sua carreira na música, colaborou com inúmeros fanzines nos anos 90 como "vírus”, "el toskero zine", "ekletik zine", "ahhhh zine", e também realizou parcerias com cartunistas como Agê e Rogério Velasco. Em 2000 colaborou com tirinhas no Jornal Estação Hip Hop e desenvolveu desenhos para as grifes de hip hop. Atualmente desenvolve o fanzine "Mundinho em cartum", no qual trabalha temas do preconceito e do cotidiano de uma metrópole como São Paulo. Xandão se diz influenciado por cartunistas como Ed (Mad), Flávio Calazans (A Guerra dos Golfinhos), Ota (Mad) e Mauricio Pestana. blogdoalexandrecruz.blogspot.com


O Itaú Cultural e a Maison Européenne de la Photographie apresentam a mostra de fotografias e vídeos A Invenção de um Mundo, com curadoria de Jean-Luc Monterosso, diretor da instituição francesa, e do brasileiro Eder Chiodetto. A exposição conta com 127 obras de 30 artistas do acervo da instituição francesa. Entre diferentes versões do rosto de Michael Jackson, captadas por Valérie Belin; imagens de neve que queima, de Bernard Faucon; ou a ambigüidade dos personagens de Bettina Rheims. A maior parte das obras foi realizada nos últimos 20 anos, “O artista, aqui, é como um metteur en scène por excelência, pois cada fotografia é o resultado elaborado de uma concepção prévia, direção, produção, montagem cênica e pósprodução”, observam Monterosso e Chiodetto em texto assinado em conjunto. Parte da programação do ano da França no Brasil, o evento conta ainda, com encontros do público, previamente inscrito, com quatro dos artistas participantes da exposição – Joan Fontcuberta, Joel-Peter Witkin, Bernard Faucon e Martial Cherrier. Também promove o Seminário Internacional As Invenções da Fotografia Contemporânea, com os franceses Serge Tisseron e François Soulages e os brasileiros e Ronaldo Entler e Rubens Fernandes Junior, além dos curadores. Memórias e reinvenções Na exposição, quando o visitante sobe ao mezzanino encontra dois subtemas: A Invenção da Memória e O Eu Reinventado. No primeiro, imagens de Bernard Faucon apresentam encenações com títulos sugestivos como Les Grandes Vacances (as férias escolares) ou Les Chambres d’Amour (os quartos de amor). Ainda navegando no universo da memória, Christian Boltanski, também escultor, pintor, cineasta, compõe as suas imagens com objetos escolares que rememoram um passado, real ou inventado. Jogos de luz e de sombra chamam a atenção nas fotos em preto e branco do catalão Jorge Ribalta, produzidas a partir de miniaturas de cenários. Ainda neste andar, encontram-se as pinturas, depois fotografadas sobre miniaturas de caixas em três dimensões, do artista pluridisciplinar Charles Matton, homenageado na mostra. As demais obras expostas no mezanino compõem A Invenção da Memória. As imagens da dupla de alemães LawickMüller, discutem o problema da identidade trabalhada na fronteira entre o real e a fantasia nos retratos da série PerfectlySuperNatural, realizada em 1999. Já em Self-Hybridations, ORLAN mescla a sua própria imagem – sempre apresentando alguma intervenção cirúrgica – com deformações que eram comuns entre os Maias,

Olmecas e Astecas, em uma clara denuncia à busca da beleza padrão vigentes por meio de cirurgias plásticas. O tema é retomado no trabalho de Valérie Belin – uma série de fotografias tiradas de sósias de Michael Jackson em várias partes do mundo. Em outra ponta, o exfisioculturista Martial Cherrier “esculpe” e fotografa o seu próprio corpo. Morto em 1976, Pierre Molinier investiu os seus últimos dez anos de vida na realização de autoretratos travestidos, questionando a identidade sexual. Uma série de fotos do norte-americano Duane Michals apresenta uma seqüência de imagens narrativas encenadas sem artifícios, e nas quais muitas vezes ele é o próprio ator. Como fotojornalista que foi, o belga Christian Carez é ligado à memória e aos acontecimentos passados, pessoais ou coletivos. As imagens de Souvenirs de Guerre et de Solitude (souvenirs de guerra e de solidão), foram criadas por ele em 1985 a partir de maquetes de cenários e personagens que recons-tituem lembranças de sua infância passada na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ainda sob o tema do eu reinventado, é apresentado Identidade, vídeo realizado pela brasileira Cris Bierrenbach em 2003. O trabalho dela se justapõe entre a fotografia, o vídeo e a performance para investigar os limites da expressão das linguagens visuais. Em Identidade, a artista faz uma crítica ao gesto cotidiano das mulheres que, diante do espelho, tentam se transformar segundo os padrões de beleza impostos. Este é o único vídeo presente neste andar, os demais estão todos projetados no segundo subsolo do instituto. Criando histórias, sonhos, formas e certezas Ao descer para o primeiro subsolo, o público encontra com outras “invenções”, como a Invenção de um Sonho, com trabalhos de Sarah Moon e William Wegman. Três obras da série Drawing-wire do brasileiro Vik Muniz estão em A Invenção da Forma, no mesmo andar. Galáctica, trabalho do também brasileiro Vicente de Mello, traz fotos de objetos como luminárias, lustres ou néons, que, ao serem registrados fora do contexto mudam completamente de caráter. As fotos de Sandy Skoglund encenam pesadelos e fantasias, povoadas de animais estranhos, dos quais emana uma espécie de humor mórbido. A Invenção das Certezas, também no primeiro subsolo, apresenta fotos da dupla Pierre e Gilles,

um dos casais mais famosos e atípicos do cenário fotográfico internacional. Bettina Rheims gosta de fotografar strippers, andróginos, prostitutas nos quais domina a ambiguidade. Nesta obra, Cène, ela gerou polêmica ao revisitar a Última Ceia de Cristo em uma foto que se aproxima pintura ocidental tradicional. As fotos de Jan Saudek, por sua vez, são expressionistas. Compostas de um mundo povoado de adolescentes, bebês e mulheres opulentas em poses provocantes, suas fotografias, coloridas a mão, exibem a sexualidade e a sensuali-dade femininas sem tabus, e mesclam temas do nascimento e da morte. Já Paolo Ventura elabora a suas fotos resgatando as recorda-ções de sua avó e das histórias que ela lhe contou em sua infância. Esta mostra apresenta a sua série War Souvenir, uma espécie de peque-nas ficções sobre o cotidiano durante a guerra. O seminário e o workshop Na abertura do Seminário Internacional As Invenções da Fotografia Contemporânea, quarta-feira, dia14, das 17h30 às 19h30, Joan Fontcuberta, faz um relato sobre a sua trajetória e o seu trabalho. No dia seguinte, das 18h30 às 20h30, sentam-se à mesma mesa de debates o teórico francês Serge Tisseron e o pesquisador brasileiro Ronaldo Entler. Nas sexta-feira, terceiro dia do seminário, das 19h30 às 21h30, a discussão corre por conta do brasileiro Rubens Fernan-des Junior e do francês François Soulages. Encerrando o seminário, no sábado 17, das 10h30 às 13h, Joel-Peter Witkin também fala de sua vida e obra. Das Das 15h às 18h, o curador Eder Chiodetto conversa com o público. Os workhsop são realizados de 13/10 a 16/10, em um total de quatro encontros de, no máximo 12 pessoas, com artistas participantes da exposição: Joan Fontcuberta, Joel-Peter Witkin, Bernard Faucon e Martial Cherrier. Realizados no Itaú Cultural, cada um tem duração de dois dias, em um total de oito horas. Os participantes devem se inscrever até 16 de setembro por meio do site do Itaú Cultural – www.itaucultural.org.br, cujos currículos e portfólios serão selecionados por Eder Chiodetto, Monica Caldiron e Ronaldo Entler. Além de discorrer sobre algumas de suas obras, os palestrantes vão comentar os portfólios dos selecionados.

PROGRAMAÇÃO Seminário Internacional As Invenções da Fotografia Contemporânea De 14 a 17 de outubro - Entada franca Todos os dias, os ingressos serão distribuídos com 30 min de antecedência 14 de outubro, quarta-feira - Abertura às 20h Das 17h30 às 19h30 - Relato Joan Fontcuberta Sala Itaú Cultural Tradução simultânea: espanhol 15 de outubro, quinta-feira Das 18h30 às 20h30 Mesa 1, com Serge Tisseron e Ronaldo Entler Sala Itaú Cultural Tradução simultânea: francês 16 de outubro, sexta-feira Das 19h30 às 21h30 Mesa 2, com François Soulages e Rubens Fernandes Júnior Sala Itaú Cultural Tradução simultânea: francês 17 de outubro, sábado Das10h30 às 13h Relato Joel-Peter Witkin Sala Vermelha Tradução simultânea: inglês Das 15h às 18h Conversa com Eder Chiodetto Sala Vermelha Tradução simultânea: francês Workshop De 13 a 16 de outubro Somente para participantes inscritos até 16 de setembro Por meio do site www.itaucultural.org.br 13 e 14 de outubro, das 9h às 13h Joan Fontcuberta 15 e 16 e de outubro, das 9h às 13h Joel-Peter Witkin 15 e 16 e de outubro, das 14h às 18h Bernard Faucon 15 e 16 de outubro, das 14h às 18h Martial Cherrier SERVIÇO A Invenção de um Mundo Artes Visuais 14 de outubro, coquetel de abertura De 15 de outubro a 13 de dezembro De terça a sexta, das 10h às 21h Sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h Entrada franca Estacionamento com manobrista: R$ 8,00 a primeira hora; R$ 4,00 a segunda hora; e R$ 2,00 por hora adicional; carros utilitários (R$ 10,00 a primeira hora; R$ 4,00 a segunda; e mais R$ 3,00 por hora adicional Estacionamento gratuito para bicicletas Acesso para deficientes físicos Ar condicionado Itaú Cultural Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô Fones: 11. 2168-1776/1777 www.itaucultural.org.br


Boletim do Kaos 8