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Lutando para respirar Olhando para o oceano, você às vezes Esquece como ele é perigoso. O mar é como uma mulher; Você tem que respeitá-la, Ouvir o que ela está dizendo, e nunca duvidar de que ela tem o poder de destruí-lo.

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Prólogo Lea — É tão lindo, — sussurro, me aconchegando mais perto de Austin enquanto olho para o céu à noite. Juro que você pode ver todas as estrelas que existem quando as noites são tão claras assim. — Sim, — ele resmunga, me fazendo sorrir enquanto seus dedos no meu braço se movimentam em traços suaves. — Eu me formo em duas semanas, — digo; borboletas irrompendo no meu estômago. Austin é o meu namorado desde que eu tinha dezesseis anos, e desde o início, falamos sobre nos casar assim que eu terminasse o ensino médio. Conheço um monte de gente que diria que nós somos muito jovens, mas desde o dia em que coloquei os olhos em cima dele, eu sabia que ele seria meu marido. — Lea Wolf, — ele diz, e aquelas borboletas começam a voar mais rápido. Eu me arrasto para cima, coloco as mãos sobre o peito dele, e descanso meu queixo em cima delas enquanto procuro seu rosto. Austin sempre pareceu mais velho do que

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é. Seu cabelo loiro escuro é desgrenhado, seu queixo coberto por uma camada sempre presente de barba, e os lábios que eu tanto amo são cheios e suaves, mas quando meu olhar trava sobre o dele, eu sei que seus olhos serão para sempre a minha coisa favorita nele. O azul cristal me lembra das geleiras perto da minha casa, um dos lugares mais belos da terra. — Você será minha esposa, Lea. Você está pronta para isso? — Ele desce o dedo pelo centro do meu rosto e leva-o para descansar debaixo do meu queixo enquanto seu polegar varre meu lábio inferior. — Tão pronta, — digo; observando a forma ansiosa no seu rosto bonito. Sei que ele acha que vou querer mais do que a vida de esposa de um pescador, a vida da cidade pequena, mas no fundo eu sei que isso é tudo o que vou precisar. Enquanto eu tiver Austin, não preciso de mais nada. — Graduação, então Vegas, — ele ressoa, me puxando para cima para descansar totalmente em cima dele. — Graduação, então Vegas, — eu concordo, em seguida sorrio enquanto a mão na parte de trás da minha cabeça me puxa para mais perto até que nós estamos compartilhando o mesmo fôlego. — Preciso te levar para casa, — ele respira contra meus lábios, em seguida, me rola em minhas costas, pairando sobre mim antes de deixar cair a sua boca até a minha. — Eu gostaria que pudéssemos ficar aqui a noite toda, — suspiro quando sua boca deixa a minha. — Eu também, querida, mas prometo a você, quando o verão começar, vamos dormir fora, sob as estrelas, no barco, no meio do oceano. Lá fora, você pode ver tudo. — Eu gostaria disso, — digo, o envolvendo com meus braços e dando-lhe um aperto. Ele se afasta e se levanta, estendendo a mão para que eu pegue, me ajudando a sair da parte traseira de sua caminhonete, onde fizemos amor sob a escura noite estrelada. ***

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— Eu me pergunto o que está acontecendo. — Pergunto quando paramos na frente da casa dos meus pais, onde o carro do xerife está estacionado. — Não sei, — murmura Austin, soando preocupado ao desligar sua caminhonete. Em seguida, sai rapidamente, contorna o capô, e abre a porta, levantando-me e me colocando suavemente sobre os meus pés. Assim que chegamos aos degraus da frente e entramos na casa, a minha confusão se transforma em preocupação ao ver minha mãe sentada no sofá, balançando para frente e para trás e chorando histericamente. — O que aconteceu? — A cabeça do xerife Jefferson gira na minha direção e minha mãe levanta o olhar para o meu, sua mão começando a tremer freneticamente enquanto lágrimas escorrem pelo seu rosto. — Sente-se, — o Xerife Jefferson diz em um tom que eu nunca o ouvi falar antes enquanto estende a mão para mim. — Mãe? — Sussurro. Meu estômago começa a fazer um nó, e sinto o braço de Austin deslizar ao meu redor, me puxando para mais perto dele. — Eu... — minha mãe começa, em seguida cobre o rosto com as mãos e soluça mais forte, os ruídos vindos dela me rasgam, dificultando a minha respiração. — O que está acontecendo? — Austin pergunta, puxando-me para trás e colocando meu rosto em seu peito. Mesmo que no fundo eu saiba o que o xerife vai dizer, nada pode me preparar para ouvir as palavras em voz alta. Cada uma delas me estrangula até que estou lutando para respirar. — Desculpe, Lea, mas o barco de seu pai desapareceu esta tarde após ele chamar um mayday1. A guarda costeira encontrou o barco dele, o qual pegou fogo; eles também encontraram seu esquife2, que estava vazio. Eles ainda procuram por ele na água, mas com a temperatura, não é um bom sinal. — Ainda há uma chance, certo? Ele ainda poderia estar vivo? — Praticamente imploro enquanto o meu corpo começa a tremer. — Há sempre uma chance, — Austin diz, segurando-me mais perto.

1 Um sinal de rádio internacional de socorro utilizado pelos navios e aeronaves. 2 Tipo de bote

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Mas não havia uma chance. O corpo do meu pai nunca foi encontrado. Eles acreditavam que o fogo se espalhou tão rapidamente no barco que ele não teve sequer uma chance de colocar a roupa de sobrevivência e tentar entrar no esquife; acabando na água, se afogando ou congelando até a morte.

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Capítulo 01 Lea 15 anos mais tarde — Lea, você precisa respirar, — digo a mim mesma enquanto dirijo meu carro na balsa que me levará de Anchorage a Cordova. Não tenho medo do mar, mas meu conhecimento de como é perigoso me deixou com mais medo do poder que detém. Estacionando meu carro, eu saio e caminho em direção à borda do barco, olhando para a água calma enquanto o barco se afasta da doca. Nunca pensei que iria para casa novamente, não depois de tantos anos longe, mas quando minha mãe ligou dizendo que estava com câncer e queria estar na casa que ela e meu pai compartilharam, eu só podia dizer sim para ela. Mesmo que isso significasse que eu voltaria para um lugar que deixei para trás, para as pessoas que deixei para trás. A única coisa que posso esperar é não encontrar Austin; que de alguma forma, a cidade na qual cresci tenha se expandido e a população tornou-se semelhante à Manhattan, diminuindo as minhas chances de vê-lo novamente.

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Quinze anos atrás eu fui esmagada sob o peso da perda do meu pai. Percebi, então, quão facilmente a vida pode mudar, a rapidez com que alguém que você amava poderia ser tirado de você, e sabia que não podia ficar no Alasca com Austin, não quando havia o risco de algo acontecer a ele. Também sabia que após mencionar ir embora, que ele nunca o faria; a família dele estivera na pesca no Alasca por gerações. Ele cresceu amando o mar, cresceu sabendo que passaria a vida fazendo algo que amava e que um dia passaria o seu amor pela pesca para seus filhos, da mesma forma que seu pai e seu avô fizeram com ele. Eu não poderia pedir para ele me escolher, então o deixei para trás. Ainda que ao deixá-lo, eu deixei um pedaço de mim. Minha única esperança na época era que as partes de mim que eu fui capaz de salvar fossem suficiente para eu passar o resto da minha vida. Inclinando sobre o lado da balsa, eu olho para a água, em seguida, estendo minha mão esquerda. Cinco anos atrás, eu me casei. Pensei que Ken poderia me curar. Pensei que as minhas partes que foram deixadas depois de perder meu pai e deixar Austin estariam finalmente completas. Sabia que meu pai queria que eu fosse feliz, e sabia, através de conversas com a minha mãe, que Austin seguiu em frente, por isso, era hora de fazer o mesmo, parar de acreditar que ele viria atrás de mim, que nosso amor era mais do que apenas uma história de amor adolescente. Tentei dar a Ken tudo de mim. Tentei fazer as coisas funcionarem, mas no final, eu falhei e ele encontrou o que procurava em outra pessoa. Não direi que não doeu, mas não fiquei arrasada com essa perda. Estava mais chateada com a ideia de nós ter sido arruinada; mas se fosse honesta, eu fiz isso comigo quando fiz os nossos votos, porém não cumpri a minha parte. Deslizando o anel de casamento do meu dedo, sinto lágrimas acumularem em meus olhos quando jogo o aro de metal no oceano, vendo-o desaparecer antes de fechar os olhos. Não havia como voltar, e agora não era o momento de sentir pena de mim. Precisava me recompor o suficiente para cuidar da minha mãe. Minha mãe, que voou para Montana para me ver a cada poucos meses desde que saí de casa. Minha mãe, que nunca foi a mesma após a perda do meu pai. Não sei como lidarei com a doença dela, ou, eventualmente, a perda dela, mas sei que precisarei encontrar uma maneira, especialmente se eu for sobreviver sozinha.

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— Lea? — Meus olhos se abrem e viro a cabeça. — Lea Lamb? — Sinto minhas sobrancelhas caírem em confusão enquanto observo a mulher na minha frente. — Rhonda. — Ela aponta para ela e sorri. — Nós estudamos juntas. — Rhonda? — Repito em estado de choque. A menina uma vez gordinha que não tinha muitos amigos, e que se tornou uma mulher deslumbrante. Com o cabelo vermelho combinando com sua pele clara, seu rosto era redondo, mas as maçãs do rosto eram salientes, mostrando seu nariz de botão e lábios carnudos. — Como você está? — Pergunto, recuando da borda do barco. — Bem... Ótima, realmente. — Ela sorri mais amplamente e coloca uma mão na barriga, a qual eu percebo que está grande e redonda, mas o casaco estilizado que usa a minimiza. — Você está bonita. — Você também, mas então, você sempre foi linda. — Ela sorri, em seguida, acena para alguém sobre o meu ombro. Quando viro a cabeça, eu vejo um homem bonito vestindo jeans, um moletom e um colete, caminhando em nossa direção. O cabelo longo é afastado do rosto esculpido e a pele é bronzeada. Os óculos escuros escondem seus olhos, mas há algo familiar nele. — Ben, olha quem está aqui, — Rhonda diz, e esforço-me para não fugir quando Ben olha para mim, empurra seus óculos de sol até o topo de sua cabeça, e franze a testa. Ben era o melhor amigo de Austin na escola e a julgar pelo olhar em seus olhos, ele não está feliz em me ver. — O que você faz aqui? — Ele estala. — Ben, — Rhonda sibila, chegando a agarrar meu braço suavemente como se tentasse me oferecer um apoio, o que é estranho. — Não, você sabe como ela deixou Wolf, — diz ele, olhando para Rhonda. Então ele olha para mim e rosna: — Por que você está aqui? Sei que mereço isso, mas não vou mentir e dizer que não arde um pouco que alguém que uma vez eu considerei um amigo estivesse olhando para mim como se eu fosse a escória da terra. Fiquei magoada também. Sim, eu fui embora, mas ele nunca veio atrás de mim; nunca perguntou à minha mãe onde eu estava, se estava bem... Nada.

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— Você sabe por que ela está aqui, Ben, — Rhonda diz suavemente, movendose para ficar ao lado dele, apoiando as mãos no peito dele. Os olhos dele me deixam e vão para ela. Seu rosto suaviza enquanto envolve a nuca dela, deixando cair a testa na dela e falando suavemente. Dou dois passos para trás, em seguida, respiro profundamente. — Fique longe dele, — Ben diz, levantando e virando a cabeça na minha direção. — Ele sequer saberá que estou na cidade, — digo a ele, dando um passo atrás, em seguida, girando sobre os calcanhares e indo para o meu carro, onde eu sento pelo resto do passeio de balsa. *** — Mãe, — eu grito ao entrar na casa. O cheiro me atinge, e é exatamente o mesmo de quando eu era pequena. É tão familiar que quase me sufoco, assim que satura meus pulmões. — Querida, — mamãe sussurra do sofá, onde está deitada coberta por um dos muitos cobertores que tricotou. — Você está bem? — Pergunto, indo para o lado dela, ficando de joelhos. Ela ainda parece a mesma como na última vez que a vi há um mês. Seu cabelo é longo e cinzento, com o rosto bronzeado de horas no sol, plantando flores, e seus olhos são um marrom semelhante ao meu. É difícil acreditar que ela está tão doente, que tem apenas meses de vida. Os médicos descobriram o câncer muito tarde, e já se espalhou do útero para o estômago. Disseram que ela poderia tentar quimioterapia, mas ela se recusou, dizendo que se ia morrer, ela o faria em seus termos, e não tendo venenos bombeados para o corpo dela. Não posso dizer que concordo com ela. A ideia dela me deixando para trás me mata toda vez que penso nisso. Quero que ela lute, mas não é a minha batalha. — Estou bem, eu só queria deitar um pouco. Agora me diga, como foi sua viagem?

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— Mãe, falei com você a cada poucas horas, — eu a lembro, ajudando-a a sentar-se. — Eu sei, mas isso é uma cidadezinha. Nunca sabe quem você pode encontrar. Ela estava certa sobre isso. — Vi Rhonda. Você nunca mencionou que ela estava grávida, — murmuro, deixando de fora o melhor amigo de Austin, pensando que se talvez eu ignorar qualquer um que tenha alguma coisa a ver com ele, eu posso ignorar o fato de que esta é Cordova e as chances são que vou vê-lo em algum ponto. — Ben estava com ela? — Tanta coisa para esse plano. — Sim, eles parecem... Felizes, — sussurro a última palavra. A felicidade parece ser um conceito tão estranho para mim. Nem me lembro da última vez que estive realmente feliz. — O que há de errado? — Minha mãe pergunta, tocando o meu rosto. — Só cansada. — Seu quarto está todo arrumado, por que não tira uma soneca? Depois, iremos para The Picnic Basket para jantar. — Esse lugar ainda está aqui? — Pergunto, incrédula. The Picnic Basket é um pequeno trailer de metal que foi transformado em um restaurante, o qual serve principalmente hambúrgueres e batatas fritas, e é aberto apenas durante os meses de verão. Para as crianças em Cordova, é como o McDonald. Normalmente, eu teria concordado imediatamente em comer, porque os hambúrgueres são surpreendentes; mas a ideia de encontrar qualquer outra pessoa que eu conhecia não soava atraente. — Claro que está. Vá se deitar e vamos sair em algumas horas. — Mãe, eu realmente não acho que esteja a fim de sair à noite, — digo a ela, vendo-a dobrar o cobertor que a cobria e colocá-lo sobre o encosto do sofá. — Você adorava comer lá antes de sair de casa, — diz ela, virando para me olhar decepcionada. — Desculpe, você está certa. Parece ótimo, — digo, colocando um sorriso no rosto, o qual eu posso dizer que não atingiu meus olhos. Não quero que minhas últimas memórias com ela sejam contaminadas pelos meus medos ou meu passado; ela merece muito mais.

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— Perfeito, agora vá deitar. — Ela me empurra para meu antigo quarto, que felizmente não está da maneira que deixei anos atrás. As fotos que costumavam estar em minhas paredes se foram agora, as paredes pintadas numa cor bege que combina com a colcha azul escuro e a pintura do mar à noite pendurada acima da cama. A única coisa no quarto que permaneceu a mesma é uma foto do meu pai e eu. Fomos andar de quadriciclo após uma tempestade. O chão estava enlameado, e meu pai conduziu através de cada poça na trilha. Eu estava sentada na frente dele, então estava coberta de lama, da cabeça aos pés, mas nós dois sorríamos. Lembrome do momento e recordar que meu estômago doía de tanto rir. Como passarei por isso, papai? Eu penso, passando o dedo sobre a parte superior do quadro; então vou para a cama e me deito, puxando a colcha sobre mim e fechando os olhos, ficando acordada até que minha mãe vem duas horas mais tarde para me chamar para ir jantar. *** — Podemos parar na loja de bebidas no caminho para jantar? — Mamãe pergunta do banco do passageiro do meu carro. — Você deve beber? — Franzo a testa, e viro para a estrada principal, bem, realmente a única estrada na cidade. — O que fará, me matar? — Brinca, fazendo-me inalar uma respiração afiada. — Querida, — ela diz baixinho, e olho para ela brevemente, me perguntando como diabos ela pode ser tão casual sobre isso. — Estou morrendo. Quando isso acontecerá, apenas o bom Deus sabe, mas está acontecendo, e não há nada que você ou eu possamos fazer sobre isso. Fiz as pazes com isso, e quero que você faça o mesmo. — Ela estende a mão e bate levemente na minha coxa. — Fazer as pazes? — Repito, balançando a cabeça em descrença. — Sim, fazer as pazes. Se pensar nisso, eu tenho sorte. Sei que morrerei. Sei que, mais cedo ou mais tarde Deus me levará para casa, e quando fizer, eu estarei pronta. Tive a chance de dizer adeus às pessoas que me interessam e consertar quaisquer erros que causei. Tenho sorte, querida.

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— E eu? — Torço as mãos no volante, sentindo meu peito apertar enquanto luto contra as lágrimas. — Eu te amo, querida. Te amei antes mesmo que você fosse um brilho nos meus olhos, e sempre estarei com você. Sei que isto não é fácil para você. Sei que haverá um monte de lágrimas derramadas, mas temos sorte, querida. Pressiono meus lábios para não dizer algo que possa me arrepender. Não tenho sorte; na verdade, sou azarada à décima potência. Quantas pessoas que perdi, quantas pessoas que preciso perder antes que seja suficiente. — Veja! Sheryl! — Ela grita, puxando-me dos meus pensamentos e se esticando, apertando a buzina no meu volante enquanto a outra mão atira sobre mim para que possa acenar pela janela. Olhando para onde ela acena meu coração começa a bater violentamente contra o meu peito ao ver não Sheryl, mas Austin andar em um dos muitos bares que marca Main Street, só que não é apenas Austin – é ele e uma mulher com o braço em torno de sua cintura enquanto ele mantém a porta aberta para ela. Mesmo da distância que nos separa, meus pulmões comprimem com a beleza dele. Os anos foram bons para ele. Seu cabelo ainda é desgrenhado, só que agora um pouco mais claro; seu rosto é bronzeado e coberto por uma barba que faz seus cristalinos olhos azuis se destacar ainda mais. Meus olhos viajam de seu rosto ao tronco, o qual está coberto por uma térmica verde escura que mostra os músculos dos braços, peito e cintura cônica, em seguida, até suas coxas cobertas de jeans. Quando meu olhar sobe, seus olhos estão em mim, e os vejo estreitar em confusão, depois, reconhecimento, que logo se transforma em raiva. — Você passou pela loja de bebidas, — minha mãe reclama quando acelero. — Nós podemos parar quando voltarmos, — asseguro-lhe, desejando que meu coração se acalmasse. — Ou podemos ir ao bar no caminho de casa. Sei que eu disse que faria qualquer coisa para fazer minha mãe feliz até que eu tenha que deixá-la ir, mas inferno, de maneira nenhuma eu irei a um bar, não nesta cidade. — Prometo a você que pegarei álcool antes de ir para casa, — murmuro, parando diante do pequeno trailer de metal com quatro grandes mesas de piquenique

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em frente, todas pintadas de um xadrez vermelho e branco. Assim que estaciono o carro, eu saio e inalo uma respiração profunda. Esta cidade é muito pequena, e eu enganava a mim mesma pensando que não veria Austin enquanto estivesse aqui. Tenho certeza que o boato já começou. Essa é a coisa sobre cidadezinhas: todos sabem o negócio de todos, e eu voltando para casa depois de tantos anos com certeza é uma grande notícia. — Você está bem, querida? Desvio o olhar do teto do meu carro para a minha mãe e engesso um sorriso falso no rosto, o qual eu espero ter aperfeiçoado de alguma forma ao longo das últimas horas, e digo: — Apenas com fome, — antes de bater a porta e contornar o capô do meu carro. Pego o braço dela e a levo até a janela, onde pedimos hambúrgueres e nos sentamos em uma das mesas de piquenique para comer; e assim como me lembrava, é o melhor hambúrguer que já comi. Pena que o tempo todo que estou comendo tudo o que posso pensar é no olhar que vi nos olhos de Austin.

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Capítulo 02 Lea — Bom dia, querida, — minha mãe me cumprimenta quando entro na cozinha. — Bom dia. — Vou até a mesa da cozinha, sento, e a assisto em transe virar o bacon em uma panela, em seguida, coloca ovos na frigideira. — Você espera um exército? — Pergunto, vendo-a acrescentar panquecas a um grande prato que já está transbordando. — Rhonda me ligou esta manhã. Ben acaba de sair, e ela não quer ficar em casa sozinha o dia todo, então está vindo para o café da manhã, e depois vamos verificar a nova loja de fios e artesanato que abriu na cidade. — Há quanto tempo ela e Ben estão juntos? — Pergunto; curiosa. No colégio, Ben era o cara típico. Ele estava sempre namorando alguém novo, e Rhonda era muito doce, mas tímida, e manteve para si mesma os poucos amigos que possuía. Nem me lembro deles se falando naquela época. — Em torno de cinco anos, eu acho. Ela foi para a faculdade, e quando ela voltou para a cidade, eles simplesmente se deram bem e eram inseparáveis.

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— Estou feliz por eles. Ela sempre foi boa, e Ben era um bom rapaz. — Ben a adora, e sim, ela é. Ela me lembra de muito de você, na verdade. — Sério? — Sim, ela é muito boa para mim quando estou em casa, sempre me ajudando com tudo o que preciso, ou apenas vindo me visitar. — Me desculpe por não estar aqui, — sussurro, me sentindo culpada. — Você não tem nada que se desculpar. Você sabe que eu adorava ir à Montana para visitá-la. É bom se afastar por alguns meses de vez em quando. Além disso, você teve a sua própria vida para viver. Não é como se eu nunca te visse. — Eu sei. É só que... Queria não ter ido tão longe ou que pudesse ter voltado para cá mais cedo do que eu fiz. — Ken é um imbecil. — Mãe, — suspiro. — Não, — ela aponta a espátula para mim, — Ele é um idiota egocêntrico que acha que o mundo gira em torno dele. O que aconteceu entre vocês dois não é culpa sua. E a maneira como ele agiu ao descobrir que vinha aqui para ficar foi deplorável. Ela estava certa sobre isso. Quando disse a ele que precisava voltar para cuidar da minha mãe, ele me disse que eu precisava ficar até separarmos todos os nossos ativos. Eu o odiava por isso; já era difícil o suficiente estar na mesma cidade que ele e sua namorada, mas ele dificultando para eu sair quando minha mãe precisava de mim me mostrou um lado dele que eu nem sabia que existia. — Há muita coisa que você não sabe. — Tento, mas nem sei por que me incomodo quando ela está certa sobre ele, mas sempre senti como se eu pudesse ter tentado mais ou ser uma esposa melhor, o que eu sei que é estúpido. — Sei mais do que suficiente, — ela afirma, e antes que eu possa responder, há uma batida na porta dos fundos, e Rhonda enfia a cabeça para dentro através da fenda. — Hey. — Ela sorri quando me vê sentada à mesa. — Oi.

Sorrio,

me sentindo estranha. Não é ela

que me deixa

desconfortável; é o que aconteceu com Ben na balsa que não posso tirar da

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cabeça. Odeio me sentir julgada por alguém, e sei que Ben provavelmente conversou com ela sobre tudo o que aconteceu há quinze anos. — Sente-se antes de tombar, — minha mãe disse em saudação, fazendo Rhonda rir enquanto ia para a geladeira, abrindo-a. — Desculpe por Bem, — ela diz suavemente, e desvio os olhos de minha mãe que está retirando um frasco de xarope para olhar para ela. — Ele não deveria ter falado com você daquele jeito. — Está tudo bem, — respondo suavemente, não querendo que minha mãe saiba o que aconteceu, não quero que ela se preocupe comigo agora. — O que vocês duas estão cochichando? — Mamãe corta, colocando um prato na nossa frente. — Eu dizia a Rhonda que espero que ela esteja com fome, já que você parece ter cozinhado para doze em vez de três, — eu minto, e Rhonda ri novamente, colocando a mão em sua barriga. — Estou comendo por dois, e uma vez que este rapaz parece seguir seu pai, você poderia até dizer que estou comendo por três. — De quanto tempo você está? — Pergunto enquanto minha mão coça para alcançar e tocar sua barriga. — Apenas cerca de sete meses. — Caramba, — suspiro. A barriga dela já está enorme, então só posso imaginar como ela vai parecer quando estiver no final. — Eu sei. — Ela balança a cabeça. — Continuo dizendo a Ben que ele terá o próximo. Não fazia ideia que eu explodiria como uma baleia. — Ela sorri. — Você está linda, a gravidez fica bem em você. — Digo a ela suavemente. — Não posso esperar até que ele nasça para que eu possa segurá-lo, — minha mãe diz, e fatias de dor me atravessam. Sempre quis ter filhos, e se por algum acaso eu encontrar um homem para ter uma família um dia, não serei capaz de compartilhar nada disso com ela. Ela nunca irá segurar seus netos; ela sequer estará lá para me apoiar quando eu tiver dúvidas ou preocupações sobre ser mãe. — Desculpe, eu já volto. — Peço licença da mesa e vou ao banheiro. No segundo que estou atrás da porta fechada, explodo em lágrimas silenciosas. Não

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tenho nenhuma ideia de como sobreviverei desta vez. Ela acha que temos sorte de saber que ela está morrendo, mas eu sinto que é muito pior desta forma. Agora tudo o que posso pensar é em tudo o que ela perderá, e tudo o que eu perderei sem ela. Se ela apenas falecesse de repente, eu seria forçada a aceitar o que aconteceu e tentar seguir em frente. Com esta situação, eu me sinto presa. Não há seguir em frente porque espero o inevitável acontecer. Tudo o que minha mãe quer é que eu seja feliz; desejo mais do que qualquer coisa poder dizer que eu sou, e que não sinto que estou morrendo por dentro, como se não lutasse constantemente apenas para respirar. — Querida, o café da manhã está esfriando, — ela fala através da porta do banheiro. — Estou indo, — respondo; abro a torneira para espirrar um pouco de água fria no meu rosto, seco com uma toalha, e depois volto para a cozinha, onde Rhonda e mamãe conversam calmamente. — Então, sua mãe me dizia que você é contadora, — Rhonda diz quando me sento, colocando uma panqueca no meu prato. — Eu sou. É chato para a maioria das pessoas, mas sempre amei os números, então eu gosto. E você? O que faz? — Sou enfermeira. Aqui na cidade, eu faço cuidado particular. Na verdade, tenho minha própria empresa, e tenho três meninas que trabalham para mim. — Isso é incrível. Que tipo de cuidados que você faz? — Pergunto. — Nós ajudamos alguns idosos da cidade que não podem ir aos seus médicos, e também fazemos cuidados paliativos, se for necessário, — ela diz, e não deixar de virar a cabeça para olhar para a minha mãe, sabendo que pode chegar um momento em que ela terá que ser colocada em um lar de idosos. Fico realmente aliviada por saber que há alguém na cidade que poderia cuidar dela, que não precisará ser tirada de casa, e que não estarei sozinha quando chegar a hora. Mas estou um pouco surpresa por minha mãe nunca mencionar Rhonda antes de ontem, considerando seu trabalho e quão perto elas pareciam estar. — Estive procurando por uma nova contadora desde que Larry se aposentou a alguns meses, — ela diz, tirando-me dos meus pensamentos.

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— Posso ajudá-la até encontrar alguém. — Seria bom trabalhar enquanto estou aqui, e felizmente, a contabilidade é algo que você pode fazer em qualquer lugar; não precisa de muito mais do que um computador. — Isso seria perfeito, e se decidir ficar na cidade, eu conheço várias pessoas que estão à procura de ajuda. Essa é a coisa sobre a vida em uma pequena ilha no Alasca: normalmente há apenas uma pessoa para cada tarefa, e se essa pessoa decide parar, você está ferrado, a menos que outra pessoa com a mesma profissão se mude para a cidade. — Basta pensar, você poderia abrir seu próprio escritório na cidade. Tenho certeza que Larry venderia o espaço dele se você pedir, — minha mãe diz, parecendo animada com a ideia, então sorrio, embora por dentro eu comece a ter náuseas. Após minha mãe partir, eu não tenho ideia do que farei ou para onde irei. A casa que Ken e eu possuímos em Montana está pronta para vender em poucas semanas, e vendi todas as minhas coisas em uma enorme venda de quintal antes de colocar minhas roupas no carro e dirigir até Seattle para pegar uma balsa para Anchorage. — Pensarei nisso, — digo a ela, observando-a apertar a mão de Rhonda. *** — Meu chá de bebê é no próximo fim de semana, e adoraria que você viesse com a sua mãe, — Rhonda diz quando nós caminhamos para a loja de fios e artesanato. — Adoraria ir. — Eu menti, não querendo ferir os sentimentos dela. — Ei, Rhonda. — Viro a cabeça e fico cara a cara com uma bela e esbelta loira, logo registro que ela é a mulher que vi abraçada a Austin enquanto ele mantinha a porta aberta para ela no bar. Posso ver o que Austin encontraria atraente nela. Ela é quase tão alta quanto ele, onde sou, pelo menos, trinta centímetros mais baixa. Seu corpo é moldado à perfeição, onde o meu é cheio de curvas de comer chocolate um pouco demais. — Oi, Anna, — Rhonda diz, mas posso ouvir um ligeiro aborrecimento em seu tom, e gostaria de saber do que se trata.

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— Você deve ser Lea, — a mulher chamada Anna diz, e seus olhos varrem-me da cabeça aos pés, deixando-me grata por gastar um pouco de tempo extra ficando pronta e não apenas colocando o primeiro par de jeans que encontrei. Eu vestia calças de veludo preto que alargavam no tornozelo, um suéter creme com gola U, botas na cor creme que eram casuais, mas ainda sexy, e meu colete preto que era perfeito para o clima do Alasca na primavera. — Não sabia que estava na cidade, — Rhonda diz, e o olhar de Anna se move para ela. — Austin me pediu para vir por alguns dias. — Ela encolhe os ombros casualmente. — Anna é comissária de bordo. Ela mora em Anchorage, — Rhonda me informa, e olho de Anna para ela, depois, volto e sorrio, porque não há mais nada para eu fazer. Não tenho o direito de sentir ciúmes desta mulher por passar tempo com Austin. Ele não é meu há muito tempo. Não que isso impeça a sensação se rastejando para cima de mim. — Deve ser bom viajar o tempo todo, — digo enquanto olho ao redor para ver para onde minha mãe foi e orando para que ela venha me salvar. — É, mas estou pensando em me mudar para cá e fazer desta base a minha casa. Sabe, as coisas que fazemos por amor, — ela diz, e meu coração afunda um pouco com o pensamento dela e Austin apaixonados, se juntando, e, eventualmente, começando uma família. — Bem, é melhor eu ir. Austin espera por mim. Até a próxima. — Tchau, — murmuro, olhando-a se afastar. — Deus, eu a odeio, — Rhonda diz, puxando a minha atenção para ela. — Só para você saber, ela e Austin não são tão sérios como ela fez parecer. Eles se veem quando ela está na cidade, e pelo que Ben me disse, Austin, mesmo assim, sequer quer vê-la, na metade do tempo. Não tenho nenhuma resposta. Não tenho a menor ideia do que fazer com os sentimentos rodando dentro de mim no momento. — Vamos encontrar sua mãe.

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— Sim, — concordo e a sigo até um dos corredores, onde minha mãe está de pé, olhando etiquetas para um álbum de fotos. — Encontrou algo que gosta? — Pergunto, ficando ao lado dela. — Não sei se tenho paciência para fazer um álbum, mas eles têm tantas coisas fofas que quase me faz querer. — Vou te ajudar. Nós podemos fazer um juntas, — sugiro. — Talvez possamos fazer um com todas as fotos que tenho de você e seu pai, — ela diz baixinho, pegando um pacote de adesivos de barcos e ondas. — Eu gostaria disso. — Embora meu pai tenha partido há anos, eu sinto que as feridas pela perda dele ainda estão abertas. Logo quando ele faleceu, nós realmente não falamos muito sobre ele. Na verdade, acho que nenhuma de nós teve qualquer encerramento. — Seria bom para nós, — ela diz, desviando os olhos dos itens em suas mãos para olhar para mim. — Acho que é hora de deixá-lo ir. Talvez possamos ver se Ben nos leva no barco dele, e podemos ir ao lugar que ele se perdeu, para dizer adeus? — Eu gostaria disso, — digo a ela, observando as lágrimas encherem seus olhos, e ela balança a cabeça uma vez, sussurrando. — Já passou da hora. Envolvendo o meu braço em torno do ombro dela e inclinando a cabeça contra a dela, aceno. Ela estava certa; já passou da hora de nos despedirmos dele. Durante a hora seguinte, escolhemos etiquetas para o álbum de fotos. Era bom rir e falar sobre os bons tempos que compartilhamos antes dele falecer. *** — Estou morrendo de fome, — Rhonda diz quando colocamos as nossas bolsas na parte traseira do SUV da minha mãe. — Que tal parar para tacos? — Mamãe sugere quando eu subo ao volante, e ela e Rhonda colocam os cintos.

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— Sim, — Rhonda geme, me fazendo rir. Ela não estava mentindo sobre comer por três. Desde que deixamos a casa esta manhã, eu a vi comer três barras de cereais que ela escondeu dentro de sua bolsa. — Está tudo bem para você, querida? — Parece bom. — Digo, ligando o carro. Hoje foi um dos melhores dias que tive em um longo tempo. Mamãe sempre foi como minha melhor amiga, então passar um tempo com ela é sempre bom, e Rhonda é engraçada e fácil de estar perto. Esqueci o que era ter amigas com quem conversar. Meus amigos em casa eram amigos de Ken também. Após descobrir o caso dele, eu descobri que a maioria deles sabia sobre a relação dele com Courtney. Ninguém queria ser aquele a me dizer o que estava acontecendo, então eu tive que descobrir sozinha, enquanto meus amigos seguiam como se não soubessem que meu marido era um idiota traidor. — Baja Tacos é abaixo, perto do cais, — mamãe informa no banco de trás enquanto saio do estacionamento. Quando chego à área perto do cais, eu compreendo o quanto a cidade em que cresci mudou. Se foram as lojinhas, e em seu lugar estão grandes edifícios, a maioria deles novos. — Vire a próxima à esquerda, — Rhonda diz, e viro, alcançando uma estradinha de terra que segue atrás de alguns dos edifícios maiores e termina na frente de uma barraca vermelha sobre palafitas, com um grande deck coberto de um telhado branco. — Há quanto tempo este lugar está aqui? — Pergunto, desligando o motor. — Os proprietários abriram alguns anos atrás. Na verdade, eles apareceram na Food Network como o Best of Alaska um tempo atrás, — Rhonda responde, saindo e batendo a porta. — Isso é tão incrível. — Sorrio para o espelho retrovisor para a minha mãe antes de sair. — Austin. — Rhonda grita enquanto eu fechava a porta. Virando a cabeça, vejo Rhonda caminhando em direção as escadas do restaurante, onde Austin e Anna caminham para o estacionamento de terra. No momento que Rhonda está na frente dele, um sorriso vem sobre o rosto dele, o qual me tira o fôlego. Ele se inclina, colocando um beijo em sua bochecha, dizendo alguma

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coisa para ela. Quando ela aponta o dedo por cima do ombro, o corpo dele enrijece, a cabeça eleva e nossos olhares se conectam, fazendo uma dor deslizar sobre mim. Quando Austin era meu, eu conhecia cada única expressão que cruzava seu rosto. Na maioria das vezes, ele olhava para mim com ternura, mas havia momentos em que eu via frustração. O que nunca vi foi raiva, e esse era o olhar que ele me dava agora. Esse era o olhar que me cortava. — Você está pronta para entrar? — Mamãe pergunta, e tiro meus olhos de Austin enquanto ela pega a minha mão. — Sim. — Sorrio para ela, apertando levemente a sua mão, pegando um pouco de força da nossa conexão, um lembrete da razão pela qual estou realmente aqui. Enquanto olho ao restaurante, Austin e Anna caminham na direção oposta e Rhonda espera por nós. Meu entusiasmo sobre sentar para uma refeição agradável se foi, substituída por inquietação. Sequer sei se provo os tacos de salmão que pedi, e tento sorrir quando apropriado, mas na maior parte, eu me sento com um peso no estômago enquanto olho a bela vista do porto, olhando aos barcos chegando e partindo. *** — Eu atendo, — digo, levantando-me do sofá quando batem na porta. — Você me traz alguns desses cookies que assou quando voltar? — Minha mãe pede de sua cadeira, onde estava sentada para que pudéssemos assistir a um filme. — Claro. — Sorrio, correndo a mão pelo cabelo. — Hey, — o timbre profundo da voz de Austin me cumprimenta quando abro a porta para vê-lo de pé na varanda. Meu coração começa a bater em um ritmo mais rápido quando percebo que ele está na minha frente, tão perto que posso sentir sua quente essência masculina misturada com o cheiro do mar... Tão perto que eu podia estender a mão e tocá-lo, se fosse eu corajosa o suficiente para isso. — Posso falar com você por um minuto? — Ele enfia as mãos nos bolsos e dá um passo atrás. Engolindo em seco, meus olhos o varrem. — Hum. — Olho por cima do ombro, vendo minha mãe ainda sentada na cadeira. — Claro. — Aperto meu suéter em torno

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de mim quando saio para a varanda, soltando a porta de tela atrás de mim. No momento que estou diante dele, inclino a cabeça para trás para olhar em seus olhos. Ele sempre foi muito maior do que eu, mas agora sua presença parece uma torre sobre mim, fazendo-me sentir pequena e insignificante. — O que está acontecendo? — Pergunto, vou para casual, esperando que ele não perceba como minha voz treme. — Queria vim limpar o ar. — Ok, — respondo, apertando os braços em volta de mim, quando tudo que eu quero fazer é tocá-lo de alguma forma para ver se ele é real. — Esta é uma cidade pequena, e não há como não acabarmos encontrando um ao outro de vez em quando. — Eu sei. — Sei por que você está aqui, e sei que sua mãe precisa de você agora, então eu não quero que você se sinta estranha quando nós virmos um ao outro. — Obrigada. — Respiro aliviada e seus olhos caem dos meus olhos para a minha boca, e irritação enche suas feições. — Eu te odeio, Lea, — ele diz, fazendo com que esse pequeno vislumbre de esperança que eu sentia se apagasse e deixasse meu interior escuro. — Sinto muito, — eu sufoco. — Porra, você me matou quando partiu, e eu nunca vou te perdoar pelas coisas que você disse a sua mãe para me dizer depois que você foi embora. — As palavras dele mal registram sobre a angústia torcendo meu intestino e o chapinhar alto do sangue bombeando através das minhas veias. — Fique fora do meu caminho e eu ficarei fora do seu. — Aceno, porque meus pulmões se fecharam dentro de mim. — Até mais, — ele diz, desaparecendo na escuridão, deixando-me sozinha enquanto meus pulmões colapsam. — Quem estava na porta? — Mamãe pergunta quando entrego o prato de biscoitos que ela pediu. — Ninguém importante, — digo a ela, tomando o meu lugar no sofá, puxando meus joelhos contra o peito, e passando os braços ao redor deles enquanto olho para a televisão, não realmente vendo, desejando poder simplesmente desaparecer.

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Capítulo 03 Austin — Josie, — saúdo a mãe de Lea quando ela caminha do cais para o meu barco. Não posso dizer que fomos próximos; eu, com certeza, não posso dizer que ela alguma vez veio me ver. Inferno, quando eu procurava pela filha dela, pensei que em um ponto ela colocaria uma ordem de restrição contra mim. — Austin, — ela diz, e caminha para a casa do leme, abre a porta, e gesticula em direção a ela. Rosnando: — Foda-se, — eu a sigo para dentro, deixando a porta bater atrás de mim. Não queria lidar com isso hoje, porra, não depois de me debater e passar a noite toda assombrado pelo olhar nos olhos de Lea após dizer a ela que eu a odeio. — Nós precisamos conversar, — ela afirma enquanto eu cruzo os braços sobre o peito e me inclino contra o painel de controle. — Imaginei isso, Josie, — digo a ela, tentando manter a raiva fora do meu tom, mas falhando. Eu achava que havia superado essa porra, mas agora, após ver Lea, eu

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percebo que estou longe de ter superado; apenas a empurrei para longe, e agora tudo está borbulhando para a superfície. Lea está ainda mais bonita agora do que quando éramos adolescentes. Seu rosto ainda era suave e redondo, com a pele ainda cremosa, mas os lábios pareciam mais cheios. Seu corpo preenchido dando-a curvas em todos os lugares certos, curvas que qualquer homem imploraria para estudar com as mãos e boca. Seu cabelo castanho era o tipo que você podia imaginar espalhar-se em seu travesseiro ou envolvido em seu punho, e seus olhos, embora tristes, ainda tinham aquele brilho de sabedoria que me atraiu. Tudo nela me atraiu, mas não havia nenhuma maneira do caralho que eu iria lá novamente, não importa o quanto meu pau discordasse. — Você perguntará o que precisamos conversar? — Josie pergunta. — Não, eu sei o que você quer falar comigo, e como eu disse a Lea na noite passada, eu sei por que ela está aqui, e ficarei fora do caminho dela, mas ela precisa ficar fora do meu. — Sinto-me como um idiota, mas é assim que tem que ser. Não há outra escolha. — Isso é muito diplomático da sua parte, — ela diz sarcasticamente, fazendome cerrar os dentes. — Você pode falar agora, Josie. — Eu estendo a minha mão. — Você é tão teimoso. Sabe, você lembra muito o meu Jacob – tão genioso, sempre pensando que sabe tudo, — diz, referindo-se a seu falecido marido, um homem que eu respeitava e com quem me importava profundamente. — Cometi um monte de erros na minha vida, alguns piores que outros, mas vendo Deus me dar tempo para corrigir meus erros, eu penso em tirar vantagem disso e fazer exatamente isso, — diz, sentando na cadeira do capitão, e olhando para o porto através da janela. — Quando perdi Jacob, posso muito bem ter sido enterrada no mar com ele. Estava me afogando na tristeza e não conseguia encontrar o caminho para a superfície. Tenho um monte de arrependimentos da época. — Ela balança a cabeça, e abaixa a voz quase em um sussurro, mas ainda não olha para mim. — Quando Lea me disse que pensava em sair de casa, eu sabia que era a decisão certa para ela. Sabia que não queria que ela ficasse aqui nesta cidade com você e arriscasse a sofrer o

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mesmo destino que eu. Não desejaria a dor que sofri ao meu pior inimigo, e definitivamente não desejaria a minha filha. Ela suspira, voltando o olhar para mim. — Eu sabia que vocês se amavam, mas pensei que a vida dela prosseguiria com o tempo e que cada um de vocês seguiria em frente, mas não fizeram. Nenhum de vocês foi capaz de se estabelecer, e minha doce e bela garota se casou com um homem que realmente não a amava, porque procurava por algo que preenchesse o vazio de deixá-lo, — diz, fazendo uma sensação de vazio encher o meu peito. — Menti para ambos, disse a cada um de vocês que o outro havia seguido em frente. Eu acreditava na época que fazia a coisa certa... — Saia, — eu corto antes que ela possa dizer qualquer outra coisa. — Austin. — Ela diz suavemente enquanto lágrimas enchiam seus olhos. — Não. — Inclino para frente. — Saia. Agora. Abro a porta e saio para o convés, puxando uma golfada de ar enquanto raiva queima através de mim. — Não digo isso para vocês voltarem a ficar juntos, — Josie diz, ficando na minha frente. — Estou dizendo isso porque o meu bebê não tem muitas pessoas em quem se apoiar, e quando eu me for, ela precisará de boas pessoas ao redor, que realmente se preocupam com ela, e tanto quanto você pode não querer admitir, você ainda se importa. — Com esse golpe de despedida ela se afasta, e a vejo sair do barco para o cais, e desaparecer. — Você está bem, baby? — Anna pergunta, vindo do convés inferior onde ela tomava uma sesta. Quando ela me disse que viria à cidade para o fim de semana, eu percebi que esta visita seria como todas as outras, mas então ela começou a falar sobre se mudar para cá depois do verão, e sabia então que ao longo do caminho eu de alguma forma fodi, fazendo-a acreditar que isso é mais do que é. Nem sequer a toquei desde que coloquei os olhos em Lea novamente. — Preciso sair. — Eu me movo para a casa do leme, pegando minhas chaves, deslizando-as no meu bolso da frente e vestindo meu casaco. — Saio em uma hora, — ela me lembra, e seus olhos acompanham meus movimentos.

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— Mande-me uma mensagem quando chegar em casa. — Passo por ela e paro quando seus dedos escavam meu braço. — Eu ouvi o que a mãe dela disse, e ouvi as pessoas da cidade falando desde que ela voltou. Ela deixou você, e você vai atrás dela? Vejo-a tentar forçar lágrimas para vir à superfície, mas nenhuma enche seus olhos. Anna não se preocupa comigo mais do que eu me importo com ela, e esse momento demonstra exatamente isso. — Anna... —

Não,

não

vem

com Anna comigo. Pensei

que

tínhamos

algo,

que

construíamos alguma coisa. Não quero fazer isso, mas não posso mentir, tampouco. Amei realmente três mulheres na minha vida: minha irmã, minha mãe e Lea. Desde o momento em que Lea me deixou, eu me forcei a seguir em frente, nunca realmente recolhendo o impulso para fazê-lo. Como Lea se casou com outra pessoa, eu não sei, porra. Ninguém poderia substituí-la para mim, ainda que tudo o que eu segurava fosse uma memória. — Você sabia o que era isso, Anna, — suspiro, saindo de suas mãos. — Você é um idiota, Austin! — Ela grita. — Eu sei, — concordo, caminhando para a borda do barco e entrando no cais. Eu não ia atrás de Lea, não da maneira que Anna acreditava. Eu faria como a mãe dela pediu. Gostaria de tentar ser amigo dela, e quando chegasse a hora dela ir embora, gostaria de deixá-la ir desta vez, e obter o término que eu preciso para seguir em frente com minha vida. — O que há, Wolf? — Ben responde ao segundo toque. — Encontre-me no bar. — Está tudo bem? — Ele pergunta e ouço um baralhar vindo do lado dele. Não... Porra, não. — Preciso de uma cerveja. — No meu caminho. A linha fica muda e coloco o telefone no bolso de trás da minha calça jeans, em seguida, ando os três blocos para o bar, tentando organizar minha cabeça no caminho. Assim que entro, eu digitalizo o bar e vejo Ben sentado sozinho em uma das mesas altas.

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— Você quer o habitual? — Maggie pergunta detrás do bar quando passo por ela. — Sim. — Retiro uma nota de cinco e deslizo-a para ela quando ela me passa uma garrafa de Alasca Amber. Assim que eu tomo um assento em frente a Ben, eu coloco a garrafa na boca e inclino. — O que está acontecendo? — Ele pergunta, cansado. — Josie simplesmente veio me visitar. — Quem é Josie? — Ele pergunta, então seus olhos se fecham na realização. — Merda, o que diabos ela queria? — Veio dizer que ela mentiu para mim e para Lea. — O que quer dizer: mentiu para você e para Lea? — Sua voz tem um tom irritado. — Ela nos manteve separados porque não queria que Lea sofresse o mesmo destino que ela. Não queria que Lea me perdesse do jeito que ela perdeu Jacob. — Você está brincando? — Ele bate a garrafa de cerveja, fazendo a mesa vibrar. — Você sabe que eu procurei por Lea. Implorei para que a mãe dela me dissesse onde ela estava, e ela sempre vinha com a mesma história de que Lea havia seguido em frente, e que eu precisava fazer o mesmo. Só que Lea não seguiu em frente; ela estava ferida e sozinha, pensando que eu vivia meus dias felizes sem ela. — Cristo. — Ontem eu disse a Lea que a odiava. — Você fez o quê? — Seus olhos se arregalaram e esfrego minha testa mais uma vez, bombardeado pela memória de como ela ficou quando eu disse a ela. — Eu estava chateado! Vê-la trouxe tudo à superfície. — Esfrego minhas mãos no meu rosto. — Rhonda saiu com Lea e Josie ontem. — Eu sei. Vi-as juntas quando estava com Anna. Ele balança a cabeça, inclina a cerveja, e coloca os cotovelos sobre a mesa, tomando uma respiração profunda. — Ela me disse que Lea parecia deprimida, que embora sorrisse, ela poderia dizer que era forçado.

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— Ela acabou de descobrir que a mãe tem apenas meses de vida, — eu o lembro. — Sim, ela também não tem ninguém aqui além da mãe. — Jesus. — Eu sei que ele está certo, mas ainda há tanta raiva reprimida dentro de mim quando se trata dela. — Ro me disse para dizer para você ser bom para ela. — Ela fez, não é? — Eu ri. Rhonda tem Ben enrolado em seu dedo e é a única pessoa de quem meu melhor amigo tem medo. — Ela também a convidou para o chá de bebê. — Bom. Espere... O quê? — Ele pergunta. — Lea é uma boa pessoa. Ela sempre foi doce, e precisa de uma amiga agora. É bom ela ter Rhonda. E você? — O que tem eu? — Pergunto; confuso. — Você será amigo dela? — Preciso deixar o passado ir. Preciso deixar Lea ir, e finalmente seguir em frente com minha vida. — Isso não respondeu à minha pergunta. — Tentarei ser amigo dela, e espero que quando ela sair da cidade, eu possa finalmente seguir com a minha vida — digo, enquanto no fundo eu sei que não será tão fácil assim. Nada nunca é. — E quanto a você e Anna? — Você sabe que está para acabar a um tempo. — Interessante, — ele murmura, e levanto uma sobrancelha, indicando que ele continuasse. — Nada, Wolf. — Ele balança a cabeça, sorrindo. Eu sei o que ele está pensando, só que ele está errado. Lea e eu não somos mais crianças, e a única coisa que tenho a oferecer a ela é a amizade. ***

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Lea Olho em volta do quintal de Ben e Rhonda e forço um sorriso para mais uma pessoa quando eles passam por mim na casa. Desde que apareci aqui uma hora atrás, eu recebi um monte de olhares – a maioria deles de piedade. Também recebi um monte de sorrisos – a maioria deles simplesmente tão falsos quanto os que eu dava. Crescer nesta cidade tinha seus benefícios. A comunidade era muito unida, todos conheciam todos, e se alguma vez chegasse um momento em que você precisasse de algo, sempre havia alguém por perto para ajudá-lo. A única coisa que fez esta cidade ser especial era a única coisa que trabalhava contra mim agora: todos conheciam Austin. Ele era muito querido, e assim era a família dele. Eu sabia que as pessoas falavam sobre eu ir embora, que provavelmente sabiam sobre Austin e minha história, e mais do que provável, eles me odiavam tanto quanto ele. — Sinto muito por sua mãe. — Viro a cabeça e olho para Ben, que segura uma cerveja na mão. — E sinto muito sobre a maneira com a qual eu falei com você. — Obrigada, e está tudo bem, — digo a ele, mas meu interior se aperta. — Como você está? — Pergunta, inclinando seu grande corpo na cadeira ao lado da minha. Dou-lhe um sorriso trêmulo e dou de ombros. Não sei como responder a isso. Agora, eu estou bem. Mais tarde, esta noite, quando rastejar na cama e meu cérebro tiver a chance de assumir, será uma história diferente. — Ok, eu acho. — Você não parece bem para mim. — Estou trabalhando nisso. — Digo sinceramente. Estou trabalhando em estar bem. Quero dar a minha mãe o que ela quer. Quero que ela me veja feliz; ela merece muito. — Por que não está lá dentro? — Ele pergunta, levando a cerveja à boca e inclinando-a para trás. Porque Austin está lá dentro, eu penso.

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Eu sabia que Austin – sendo melhor amigo de Ben – estaria aqui hoje, mas assim como todas as outras vezes que o vi, nada poderia me preparar para realmente estar na presença dele. Esperava que ele olhasse feio para mim quando nossos olhos conectaram quando entrei na casa, levando o presente de Rhonda, mas em vez disso, ele me surpreendeu, pegando o grande pacote de meus braços e me dando um sorriso. Foi quando eu descobri o que ele fazia. Ele estava sendo bom, porque as pessoas estavam perto, mas isso não significava que o sorriso dele não fez alguma coisa em meu interior, levando-o a acender. — Gosto do ar fresco, — digo, e sorrio um sorriso verdadeiro quando uma menina corre seguida de um menino com algo em sua mão e gritando alto para ele ficar longe dela. — Por que você está aqui? — Pergunto, olhando para ele. — Queria vir ver você. — Ele deve ler a descrença no meu rosto, porque se inclina contra sua cadeira e passa a mão por cima da cabeça, e então sua boca se move para dizer alguma coisa, quando ele é cortado. — Quer outra cerveja? — Tiro meus olhos de Ben para olhar para Austin de pé na porta do deck dos fundos, suas mãos em cada lado do batente, fazendo sua camisa ficar apertada sobre o peito largo. — Nah, cara. Estou bem — Ben diz; então o olhar de Austin vem a mim e me endireito, apenas no caso dele oferecer mais um golpe como da outra noite. — Você quer mais vinho? — Ele pergunta, abaixando a cabeça para a mesa, onde o meu copo de vinho está vazio. — Um... — pisco, porque ele está falando comigo e não há raiva, nenhuma emoção nos olhos dele. — Baby, — ele fala, e pisco novamente. — Não, — limpo minha garganta. — Obrigada, eu preciso dirigir para casa da minha mãe mais tarde. — Posso te dar uma carona, — ele oferece e sinto meu queixo cair aberto. — Perdão? — Finalmente falo quando encontro a minha voz. — Se quiser ter mais um copo, eu posso te dar uma carona. — Não, mas obrigada. — Sorrio e seus olhos caem na minha boca, e é quando eu vejo a raiva, só que estou confusa com o que causou isso.

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— Rhonda quer abrir os presentes. Vocês devem entrar. — Ele se afasta do batente da porta, e se vira, desaparecendo de vista, deixando-me confusa com o que aconteceu. — Isso deve ser interessante, — Ben murmura do meu lado, e desvio os olhos da porta para ele. — O que deve ser interessante? — Pergunto enquanto um sentimento de afundamento se instala no meu intestino. — Fique tempo suficiente e tenho certeza que você vai descobrir. — Ele inclina para trás sua cerveja, terminando-a, e se levanta, e sem me dar uma escolha, ele me puxa da cadeira que eu estava sentada e me arrasta para dentro, me sentando no sofá com Austin, onde tento assistir Rhonda abrir os presentes. Falho miseravelmente, porque Austin está perto o suficiente para seu perfume se infiltrar em meus poros e seu calor irradiar para o meu lado. — Suas bochechas estão um pouco ruborizadas, — minha mãe diz, inclinando a cabeça para olhar para mim quando me dá um pedaço de bolo e senta ao meu lado. — Está quente aqui, — explico, ignorando Austin, que ainda está sentado ao meu lado, mas agora ele está mais perto porque eu precisava abrir espaço para a minha mãe se sentar. — Você se sente bem? — Austin pergunta, e viro a cabeça para olhar para ele, então meus lábios se abrem quando ele estende a mão para pressionar contra minha testa, disparando arrepios através de mim. — Estou bem, — asseguro; afastando-me do toque dele. — Você está queimando. — Ele franze a testa, provocando um vinco entre suas sobrancelhas, e meus dedos coçam para suavizar. — Não estou. — Coloco a mão no meu rosto, sentindo o calor aquecer minha palma. — Ok, talvez eu esteja um pouco quente. — Você precisa sair, — ele rosna, e as lágrimas picam meu nariz com o seu tom áspero. Não sabia que estava doente quando vim aqui hoje, e com certeza não vim aqui doente de propósito. — Vamos. — Ele pega a minha mão e me puxa do sofá. Quero chutá-lo na canela, mas não faço, porque há pessoas nos assistindo. Então, eu permito que ele

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me leve para frente da casa, saindo do seu aperto quando chegamos à porta da frente. — Josie, você pode ficar se quiser, mas Lea precisa ir. — Austin diz a minha mãe quando ela sai da cozinha. Oh meu Deus, ele é um idiota total! Estou doente, mas não é como se eu tivesse Ebola! Juro, se não houvesse pessoas ao redor, eu o repreenderia severamente. — Você quer que eu vá com você, querida? Minha mãe pergunta mansamente, cortando parte da raiva em mim, e balanço a cabeça antes de dizer: — Não, fique. Eu sei que você está ansiosa para isso. — Tem certeza? — Ela pergunta, olhando o meu rosto como se eu estivesse mentindo, o que é quase cômico, porque é ela quem tem meses de vida e ainda aqui está ela, preocupada comigo quando tudo que eu provavelmente tenho é uma gripe. — Você ficará bem aqui? — Pergunto, ignorando a pergunta dela. — Eu ficarei bem, não se preocupe comigo, é só dormir um pouco, eu pegarei uma carona para casa com Margaret. — Se você tem certeza. — Leve o meu bebê para casa em segurança. — Ela olha para Austin, fazendome estremecer. — Te vejo mais tarde. — Eu me inclino, e então me impeço de beijar sua bochecha. Seu sistema imunológico já está fraco, e pegar o que eu tiver não lhe faria nenhum bem. — Te vejo daqui a pouco. Puxo as chaves do meu bolso e acotovelo Austin fortemente nas costelas, fazendo-lhe inalar bruscamente. — Oh, desculpe, — digo, como se não tivesse feito isso de propósito, mas os olhos dele se estreitam, me dizendo que ele não está comprando. Que seja. Passo por ele, indo para a porta da frente, abro-a e saio, descendo os três degraus para a entrada de automóveis. — Minha caminhonete está por aqui, — Austin diz, agarrando minha mão e me assustando. — Estou dirigindo. — Franzo a testa, imaginando o que ele está fazendo. Ele foi bom – bem, exceto por me fazer deixar a festa. Então, novamente, quanto mais o

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tempo passa, pior eu me sinto. Provavelmente, eu teria percebido que estava doente se não estivesse tão envolvida no fato de estar ao lado de Austin novamente. — Não deixarei você dirigir, baby. — Ele balança a cabeça. — Pare de me chamar de baby. — Aperto meu punho. Ele não me chamava disso antes, e não sei como me sinto sobre ele me chamar agora. Parece impessoal, mas cada vez que a palavra sai da boca dele, meu corpo reage involuntariamente. Um sorriso levanta o canto dos seus lábios, e ele segura meu pulso, me impedindo de ir para o meu carro. — Little Lamb3, por favor, pare de ser difícil e me deixe levá-la para casa. Meu peito queima. O apelido que ele me deu quando namorávamos era algo que eu havia esquecido. Eu era o seu pequeno cordeiro, e ele era o Big Bad Wolf4. As pessoas faziam piada sobre nossos sobrenomes muitas vezes, mas ele me dizia que era o destino. Afasto-me de seu aperto, e aceno com a cabeça ligeiramente, indicando que eu o seguiria. Quero acabar com isso; preciso ficar longe dele e sozinha. Assim que alcanço a caminhonete dele, ele abre a porta do lado do passageiro e espera eu entrar e prender o cinto para fechar e correr ao redor da frente. O ar lá dentro cheira a ele, fazendo-me querer abrir a janela ou prender a respiração, prendendo seu cheiro dentro de meus pulmões. — Vou parar e comprar alguma medicação, — diz quando sua caminhonete ruge para a vida. Viro a cabeça para olhar para ele, me perguntando para onde foi o cara que esteve na varanda meros dias atrás dizendo que me odiava. Esse Austin, eu poderia lidar; esse cara aqui, sendo bom para mim, não é algo que eu estou pronta. — Só preciso tomar um Tylenol e dormir. — Coloco a cabeça contra o vidro frio da janela e fecho os olhos; acordo quando sinto a caminhonete parar. Quando abro meus olhos, eu noto que não estávamos na minha casa, mas no supermercado. — Eu voltarei. Ergo a cabeça e o vejo correr para o supermercado local, voltando quinze minutos depois transportando dois sacos grandes. — O que você comprou? 3 Pequeno Cordeiro – Um trocadilho com o sobrenome dela que é Lamb 4 Grande lobo mau – Um trocadilho com o sobrenome dele que é Wolf

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— Sopa, suco de laranja, medicação para gripe, e aluguei dois filmes –Horrible Bosses5 e Dumb and Dumber 26. Imaginei que você ainda goste de comédias. — Lágrimas começam a encher meus olhos, e cavo minhas unhas em minhas mãos para segurá-las. Ken não cuidou de mim quando eu estava doente, e uma coisa eu sei com certeza, é que se minha vida fosse diferente e eu tivesse ficado com Austin, ele teria insistido em cuidar de mim. — Isso não era necessário. — Limpo a garganta quando as palavras saem em um coaxar. — Não é um grande negócio. — Ele dá de ombros, colocando os sacos no banco entre nós. Assim que paramos na frente da casa da minha mãe, eu saio da caminhonete, encontro as chaves no bolso e abro a porta de casa. — Por que não coloca seu pijama e eu faço um pouco de sopa. — Ele pergunta suavemente, fazendo a dor que eu sentia antes aumentar dez vezes. Eu não podia fazer isso com ele. Não poderia ter um assento na primeira fila para o que a vida teria sido se eu ficasse em casa. — Não, obrigada. Só vou para a cama. — Digo, querendo que ele apenas saísse. — Acho que você deve comer alguma coisa. Você não comeu na festa. — Não, obrigada, — repito. — Vá colocar seus pijamas, e vem se sentar para comer alguma comida. — Você não pode me dizer o que fazer. — Murmuro, observando sua mandíbula contorcer. Como alguém puto pode ser quente eu não tenho ideia, mas ele realmente parece ser bom com raiva. — Pare de ser um pé no saco, Lea, e apenas faça o que te disse. Você está doente e precisa comer algo para que possa tomar a medicação, — ele rosna. — Tudo bem. — Levanto meus braços e bato o pé até o final do corredor como uma adolescente, em meu quarto eu bato a porta e jogo coisas da minha mala no chão até encontrar um par de shorts de dormir e uma camiseta do meu antigo trabalho, que é três tamanhos maior. Quando volto à cozinha, Austin tem uma tigela de sopa em cima da mesa, juntamente com alguns biscoitos e um copo de suco de laranja. 5 Lançado no Brasil como: Quero matar o meu chefe 6 Lançado no Brasil como: Debi & Lóide

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Nunca admitirei que gosto de ser cuidada por ele, mas quando me sento e ele vem sentar-se comigo, entregando-me dois comprimidos, um pequeno vislumbre de esperança pousa dentro de mim. Não tenho esperança que Austin e eu vamos voltar a ficar juntos, mas espero que eu possa corrigir o erro que cometi e ele, de alguma forma, aceite minha amizade e meu pedido de desculpas quando eu achar que é o momento certo para dar a ele. — Obrigada por me trazer para casa e cozinhar para mim. Com os pés estendidos diante dele e os braços cruzados sobre o peito, ele resmunga, mas não diz nada. Nós sentamos lá até minha tigela estar vazia, então meus olhos começam a se sentir pesados. — A medicação é para dormir. Posso ver nos seus olhos que você não tem dormido muito, por isso achei que não faria mal se você tomasse agora. — Desde Ken, e agora mamãe, meu cérebro não teve realmente um tempo para desligar, — eu digo sem pensar, então quero pegar as palavras de volta quando a raiva novamente aparece nos olhos. Quando ele está chateado comigo, não preciso me preocupar com a forma como o meu coração sente quando estamos na mesma sala. Pelo menos isso é um plus. — Vá para a cama. Eu vou para casa. — Claro, — aceno, ele não diz nada, só sai pela porta, deixando-a fechar suavemente. Olho a casa da minha mãe tomada pelo silêncio, imaginando o que farei quando ela se for e isso se tornar a minha rotina.

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Capítulo 04 Lea — Você está pronta para ir? — Sim. — Sorrio para a minha mãe, e pego o grupo de balões vermelhos que flutuavam na cozinha antes de segui-la para fora da casa até o seu SUV, onde os empurro para o banco traseiro. — Quantas pessoas virão? — Pergunto quando eu dirijo até o cais, onde há carros atolados no estacionamento. — Não sei. Eu sei que muita gente queria se juntar a nós quando descobriram o que estávamos fazendo. — Ela murmura distraidamente olhando em volta enquanto meu coração se enche de calor com suas palavras. Conheci um monte de gente que amava meu pai, mas ver quantas apareciam para se despedir com a gente é quase irresistível. — Nós deveríamos ter feito isso há muito tempo, — digo em voz baixa, estendendo a mão para apertar a mão dela.

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— Eu deveria ter sido mais forte, — diz ela, e ouço lágrimas em sua voz quando ela me dá um aperto. — Você fez o melhor que podia mãe. — Quando eu partir, querida, não quero que você se agarre a essa dor. Quero que você respire através dela e siga em frente com sua vida, não faça o que eu fiz. — Não sei se será tão fácil assim. — Você precisa tornar fácil, querida — ela diz, abrindo a porta e saindo antes de eu ter a chance de dizer qualquer outra coisa. Respirando fundo, eu puxo os balões do banco de trás, e a sigo. — Caramba, — sussurro, vendo a cena diante de mim. Cinco barcos estão ancorados lado a lado, cada um deles com pelo menos vinte pessoas a bordo. Caminho para o barco de Ben, e meu coração começa a martelar no meu peito quando vejo Austin. Sua mão está estendida, ajudando minha mãe a subir. — Dê-me sua mão, baby. — Austin fala e nem percebi que estava congelada no lugar perto da borda do barco. — Eu... — a mão dele me alcança, envolvendo meu pulso antes que eu possa recuar, e ele coloca um pé na doca, levantando-me sobre a borda do barco. Quando meus pés tocam o chão seu rosto mergulha em direção ao meu. — Você está bem? Levanto meus olhos para ele e sinto meu lábio tremer ao ver o olhar preocupado em seu olhar. — Estou bem. — Você está mentindo. — Eu sei, — concordo, tentando me afastar de seu abraço. — Quero que você venha hoje à noite. — Ele diz, e todas as preocupações sobre estar no barco são esquecidas. — Por quê? — Abaixo a voz. — Nós não somos amigos, Austin. Você me disse diretamente, por isso não há razão para passarmos algum tempo juntos. — Eu menti; não odeio você. Eu queria te odiar – a minha vida seria mais fácil se eu pudesse fazer isso – mas não odeio. Nunca odiei. Quero ser seu amigo, Lea. Acho que você poderia precisar de um amigo agora.

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— Talvez em outra vida eu pudesse ser sua amiga, mas há muita história entre nós agora. Assisto a dor piscar em seus olhos quando ele sussurra: — Ela não contou para você. — Perdão? — Querida, nós estamos saindo. Quer entrar comigo? — Minha mãe interrompe. Os olhos de Austin vão até ela e ele parece querer dizer algo, mas pensa melhor, e diz: — Vá lá dentro. Você não deveria estar aqui fora no frio. Quero perguntar o que ele quis dizer quando disse que ela não me contou, mas o barco começa a navegar e ele vira as costas para mim, inclinando-se sobre o lado e tirando a corda que nos mantém amarrados ao cais. Sigo a minha mãe para a casa do leme, onde Rhonda e Ben estão, mas não tiro os olhos de Austin no convés, olhando para a água, um milhão de emoções passando por seu rosto. — O que Austin estava dizendo? — Rhonda pergunta, e olho para ela, vendo a preocupação em seus olhos. — Ele me pediu para vir hoje à noite, — digo a ela sem pensar nas outras pessoas conosco. Fui pega desprevenida por seu pedido. — Você deve ir, — minha mãe entra na conversa, fazendo o meu olhar ir para ela. — Seria bom para você sair de casa. — Ela pode estar certa sobre eu sair de casa. Desde que cheguei à cidade, eu só saía de casa para ir ao supermercado. Mas passar tempo com Austin não seria bom para mim. Na verdade, eu tenho certeza que seria ruim... Muito, muito ruim. — Você deve ir, — Rhonda concorda, olhando para minha mãe, e vejo passar algo entre elas. — Pensarei nisso, — digo, e pensarei, mas não vou. Felizmente, elas deixam ir, e nós passamos o resto da viagem em silêncio. Quando chegamos onde os restos do barco do meu pai foram encontrados, eu aprecio a beleza do local. O sol brilha, refletindo na água calma, e à distância estão pequenas ilhas cobertas de floresta exuberante. Parece um lugar em que meu pai teria trazido a minha mãe e eu simplesmente para flutuar na água e almoçar, como fizemos

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muitas vezes quando ele tinha um dia de folga. Após todos os cinco barcos fazerem um círculo e ancorar, as pessoas foram à frente do convés dos barcos, conversando e contando histórias sobre o meu pai enquanto eu passava balões e marcadores para as pessoas que os queriam. — Você está bem? — Pergunto, sentando ao lado da minha mãe quando a vejo escrever no balão vermelho, cobrindo quase toda a superfície com sua mensagem para o meu pai. — Pela primeira vez, eu me sinto livre, — ela me diz, entregando o marcador preto que usava. — É bonito aqui, não é? — Ela olha para a vista, e volta para mim. — É. — Eu me ressenti do oceano por tanto tempo por levá-lo para longe de mim. Por muito tempo, eu esqueci que era o que o trouxe para mim em primeiro lugar. — O que você quer dizer? — Seu pai era um pescador. Sem o mar trazendo-o para Cordova, para mim, nunca teria o conhecido. Nunca teria tido você. — Levou-o de nós, — eu a lembro enquanto as lágrimas enchem meus olhos. — Ele deixou esta terra fazendo algo que amava, algo que estava em seu sangue. Ele amou-nos – não me interprete mal – e sei no fundo dos meus ossos que ele lutou para voltar para casa, mas também sei que se ele tinha de morrer, ele fez isso no lugar que amava. Ela estava certa; meu pai passaria os invernos em casa, e embora estivesse feliz, ele nunca foi mais feliz do que quando colocava seu barco na água a cada ano. — Sei que você está certa, mas ainda dói. — Está tudo bem em doer. — Ela me abraça, fazendo as lágrimas se derramarem dos meus olhos. Quando se afasta, seus olhos vão para o balão na minha mão. — Escreva a sua mensagem, querida, e deixe-o ir. Concordo com a cabeça e a vejo se levantar, indo até a borda do barco. Olho na superfície vermelha brilhante e começo a escrever. O sol sempre nasce e se põe novamente amanhã. Você me disse isso uma vez, e finalmente entendi o que você quis dizer. Eu gostaria que as coisas tivessem sido

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diferentes, que perder você não mudasse toda a minha vida. Gostaria de ter sido mais forte, mais corajosa, mais preparada para enfrentar de frente a vida, para não ser pega no poderia ter. Sinto sua falta, papai, e sei que o seu desejo para mim seria de encontrar a paz. Prometo a você agora que eu encontrarei uma maneira de passar a fazer você se sentir orgulhoso. Em breve, enviarei a mamãe para você, e em troca, peço-lhe para me enviar força. Te amo. Coloco a tampa na caneta e olho para cima, pegando o olhar de Austin quando ele libera um balão no ar. Eu o sigo, tentando ler o que diz, mas as únicas palavras que eu posso entender são cuidar de quando o balão desaparece da vista. — Você está pronta? — Minha mãe pergunta. Assentindo, eu levanto e a sigo até a borda do barco. Sua mão encontra a minha quando olhamos uma para a outra, depois seguramos os balões na nossa frente e os deixamos ir. Vendo-os dançar no céu azul claro até que eles se parecem partículas de poeira levadas no vento. Quando ela passa o braço em volta da minha cintura e se inclina para o meu lado, me sinto mais leve por deixar ir, não as memórias do meu pai, mas a dor de perdê-lo. — Para Jacob. Um rugido alto surge, e vejo as pessoas ao nosso redor levantarem copos para seus lábios cheios de líquido âmbar. — Para Jacob. — Repito, sentindo um peso se levantar do meu peito. *** — Que horas você encontrará Austin? — Minha mãe pergunta, sentando-se na cadeira em frente de onde estou esparramada no sofá. — Não encontrarei. Austin me perguntou novamente antes que eu saísse do barco. Eu disse que tentaria, mas sabia que não iria de maneira nenhuma. — Lea. — Ela parece decepcionada, então desvio meus olhos da TV para que eu possa olhar para ela.

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— Não é uma boa ideia, mãe. — Digo suavemente. — Qual é a pior coisa que poderia acontecer? — Não sei. — Cubro meu rosto, gemendo. — Antes de ser seu namorado, ele era seu amigo. — Ela me lembra; não me lembro de como nos tornamos amigos. Sempre fomos à escola juntos, mas então um dia começamos a conversar e depois éramos inseparáveis. Não foi até completar quinze anos que ele me pediu para ser sua namorada. — Sim, mas ele era o cara com quem eu ia me casar. A história entre nós é confusa, e não sei se estou pronta para me explicar, — confesso. — Ele disse a você que quer que você se explique? — Não. — Eu franzo a testa. Também não sei por que ele quer passar um tempo comigo, especialmente depois de fazer-se perfeitamente claro na outra noite. — Como você se sente hoje, depois que soltamos os balões? — Aliviada, — suspiro. — Você acha que talvez – apenas talvez – sua história com Austin é algo que você precisa reconhecer, em seguida, seguir em frente? Não, eu não acho isso, absolutamente. No fundo, eu não quero seguir em frente com isso. Quero lembrar as coisas como eram. Quero pensar que se eu tivesse ficado as coisas teriam sido diferentes. A ideia de deixar o pensamento do que poderia ter sido ir, se sente quase tão doloroso quanto ir embora pela primeira vez. — Você precisa deixar ir, — ela me diz, com lágrimas nos olhos. — Seja a amiga, mas deixe o passado ir. — Quando você se tornou tão filosófica? — Sorrio, fazendo seu rosto se iluminar. — Aprendi muito ao longo dos últimos dois meses. — Diz ela olhando para mim suavemente. — Sim, — concordo. Ela parece tão estabelecida com tudo, como se realmente tivesse feito as pazes com a situação, e tentasse fazer o mesmo por mim. — Agora vá se trocar. — Ela acena com a mão em direção a porta do meu quarto, me fazendo fazer cara feia. — Por que eu preciso me trocar? — Olho para as minhas calças e moletom.

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— Ele sendo um homem que você queira ou não, você sempre precisa estar bem. Nunca se sabe quando você pode encontrar o seu destino. — Isso é muito enigmático. — Balanço a cabeça, saio do sofá e vou para onde ela está sentada, me curvando para beijar sua bochecha. — Confie em mim. Eu sei o que estou falando. — Bem, então, o meu destino terá de me encontrar usando jeans e um moletom, — digo a ela, e seu riso me segue para o meu quarto, onde eu troco por um par de jeans azul escuro, e deslizo minhas botas e casaco. — Voltarei logo, — eu digo na esquina da sala de estar. — Não esperarei acordada. — Ela canta. Sorrio e balanço a cabeça, fechando a porta atrás de mim. Leva dez minutos para chegar até o cais, e quando chego, há uma bola de ansiedade sentada na minha barriga fazendo-me sentir como se devesse virar o carro e ir para casa. — Você pode fazer isso, — sussurro para o meu reflexo no espelho retrovisor antes de sair do carro e caminhar até a doca mal iluminada, até que estou na frente do barco de Austin, que está escuro, exceto por uma nesga de luz brilhando através da porta para a cabine inferior. — Isso é estúpido. — Subo para o barco, e bato na porta, ouvindo as escadas chiarem do outro lado. — Você veio, — Austin cumprimenta, parecendo surpreso e depois olha para baixo, e me pergunto se Anna está aqui com ele. De repente, sinto náuseas, e minhas mãos começam a suar. Ele estava tomando banho; seu cabelo está ligeiramente úmido nas pontas, e ele tem cheiro de sabão. Suas pernas estão cobertas por jeans, e seu peito largo em uma camisa de mangas compridas preta com quatro botões no pescoço, os quais estão abertos, dando um vislumbre do cabelo no peito. — Nós podemos fazer isso outro dia, — sugiro enquanto começo a me afastar. — Não, vamos lá. Acabei de colocar uma pizza no forno. Fechando a porta atrás de mim, eu o sigo descendo as escadas. Quando chegamos à pequena cozinha, uma música soa suavemente no fundo. — Deixe-me guardar seu casaco. — Puxo o casaco e o entrego a ele, vendo-o pendurar em um gancho perto da escada, e depois, sem saber o que fazer, eu fico sem

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jeito, olhando ao redor. A cabine é pequena, com um pequeno corredor que leva a uma porta fechada, a qual eu tenho certeza que detém um quarto. Há um banquinho, com uma mesa de madeira entre as almofadas, todas pretas, juntamente com as cortinas que cobrem uma das janelas. O fogão tem duas bocas e o forno abaixo mais parece um micro-ondas. — Você quer uma cerveja? — Claro, — murmuro, tomando um assento, observando os músculos dos braços dele se flexionarem quando abre uma cerveja antes de entregá-la para mim. — Obrigada, — digo, pegando a garrafa da mão dele, seus olhos encontram os meus, e vejo algo brilhar através deles antes dele se afastar, não me dando a oportunidade de ler o olhar. — Rhonda disse que você fez contabilidade. — Ele diz, pegando uma cerveja e se sentando à minha frente. Conversa fiada. Posso fazer conversa fiada com ele. É falar sobre o passado que me deixa desconfortável. — Estou... Bem, eu estava. Deixei minha firma quando minha mãe me disse que precisava de mim aqui com ela. — Sorte que eu estava economizando dinheiro durante anos, então eu tinha um bom ninho de ovos que eu poderia usar para manter minha cabeça acima da água por um tempo até descobrir o que eu faria. — Você sempre gostou de números. — Ele olha para mim por cima do ombro, e vejo um pequeno sorriso nos lábios dele, o que faz minha barriga se agitar. — Ainda gosto. Eles nunca mudam, — respondo, em seguida, novamente, quero me chutar quando o sorriso dele desaparece. — E você? Sei que ainda está pescando, mas por que vive no barco? — Minha casa está sendo reformada no momento. — Oh. — Você se lembra da casa Manderville? — Pergunta, sentando-se à minha frente, então eu viro o rosto para ele, balançando a cabeça. A casa Manderville é uma grande cabana de madeira que fica perto da água. Toda a vista da frente da casa é com janelas grandes, com uma enorme varanda envolvente de frente para o mar. Eu adorava aquela casa e costumava sonhar que um dia seria minha.

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— Comprei-a a três anos, e estive renovando-a lentamente. — Uau, — sussurro. Aquela casa foi avaliada em mais de um milhão de dólares quando saí de casa, então só posso imaginar o que custaria agora. — É necessário muito trabalho, mas tudo deve terminar neste verão, por isso espero poder me instalar lá durante o inverno, — diz ele, e Anna vem à mente. Ela viveria lá com ele. — Estou feliz por você, — eu minto enquanto o ciúme eleva sua cabeça feia. — Como está sua mãe, pai e Bre? — Mudo de assunto. — Bem. Mamãe e papai se mudaram para Anchorage um ano atrás, para estarem mais perto Bre e o marido dela. — Bre se casou? — Pergunto, surpresa. Bre sempre foi selvagem. Ela era três anos mais velha que Austin, e nunca havia realmente se estabelecido. Estava sempre em movimento, querendo uma nova aventura. — Sim, ela e Sean esperam seu segundo filho a qualquer momento. — Minha mãe não me disse nada, — digo; e vejo irritação entrar nos olhos dele antes que desviasse o olhar em direção ao forno que começava a apitar. — Espero que você ainda goste de pepperoni. — Eu gosto. — Meu estômago tremula por ele se lembrar. Ele se levanta, desliga o forno, tira a pizza, e depois se atrapalha com uma gaveta até encontrar um cortador de pizza. Ele começa a cortar fatias antes de colocálas em pratos de papel, colocando um na minha frente. — Obrigada. — Quando sorrio, seus olhos caem na minha boca e ele grunhe antes de se sentar na minha frente, me fazendo sorrir ainda mais. Ele nunca foi realmente um falador quando éramos mais jovens. Sempre grunhiu quando conseguia o que queria ou provava um ponto, e aquele som vindo dele agora de alguma forma se instalou dentro de mim. — Você já pensou sobre o que fará depois? — Pergunta, dando uma mordida em sua pizza. Sei que ele quer dizer após a minha mãe falecer, então balanço a cabeça, e continuo com: — Minha mãe quer que eu pergunte a Larry se ele estaria disposto a vender o seu espaço de escritório para mim.

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— Você ficaria na cidade? — Ele pergunta, parecendo irritado novamente, fazendo-me desejar nunca ter dito nada. Claro que estávamos sentados aqui agora, mas isso não significa que ele quer que eu volte. — Não sei, — murmuro. — Não pensei muito nisso. — E o seu marido? — Não há dúvidas da raiva em sua voz enquanto fazia essa pergunta, então me endireito um pouco mais. — Ex-marido. — Ok, e o seu ex-marido? — O que quer dizer? — Pergunto curtamente. — Como ele se sente sobre você se afastar? — Obviamente, ele é meu ex, então não tem uma palavra a dizer no que eu faço, e duvido que Courtney fique satisfeita se ele se importasse. — Quem é Courtney? — Ele franze a testa. — A namorada dele, minha substituta. — O quê? — Ele rosna, fazendo meu corpo se arrepiar. — Ele estava tendo um caso nos últimos três anos em que estávamos casados. — Sério? — Sim, e apenas para soar ainda mais clichê, foi com a assistente dele, que é dez anos mais nova que eu. — Reviro meus olhos, nem mesmo chateada com isso mais, o que é surpreendente. — Jesus, baby. — Eu sei. — Balanço minha cabeça, dando outra mordida na pizza. — Você deve perguntar, — ele afirma. — Perdão? — Larry, você deve falar com ele. — Não sei, — digo, e ele encolhe os ombros, dando outra mordida, e antes que eu perceba, nós dois terminamos de comer e olho para o relógio na parede, vendo que passa das dez. — Vou levá-la até lá fora, — ele oferece. — Está tudo bem; eu me viro. — Sorrio e pego meu casaco, indo para as escadas, e ele está bem atrás de mim, vestindo um moletom e fazendo com que a parte

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inferior de sua camisa levante um pouco, dando um vislumbre de seu abdômen. Viro e corro até os degraus quando o formigamento em meu estômago transfere para entre as minhas pernas. Ouço-o murmurar algo atrás de mim, mas estou muito atenta em ficar longe para prestar atenção. Uma vez que chego ao convés, eu tomo um ar e depois salto quando sua mão envolve meu braço. — Calma, — ele murmura, levando-me até a borda do barco, pisando para fora, mas então, em vez de apenas pegar a minha mão e me ajudar, suas mãos seguram minha cintura e ele me levanta, colocando-me de pé na frente dele. Fazendome novamente perceber como somos diferentes em tamanho. — Você realmente não precisa me acompanhar. — Eu quero. — Ele coloca a mão na parte baixa das minhas costas e me leva até o cais. Tento ignorar o calor de sua palma queimando através do meu casaco e suéter, mas simplesmente não consigo. Juro que meu corpo está se alimentando do toque dele, levando seu calor, envolvendo-o em torno de mim. Quando chego ao meu carro, não tenho a chance de abrir a porta antes dele, e fico surpresa quando seus lábios descem, pastando minha bochecha, onde murmura: — Chegue segura em casa. — Boa noite, Austin, — sussurro, entrando no carro, batendo a porta, e colocando as chaves na ignição. Deixo o estacionamento o mais rápido possível, antes de fazer algo estúpido, como voltar e exigir que ele me beije. Quando chego em casa, ela está escura, então vou para o meu quarto, tiro a roupa e vou para a cama, onde, pela primeira vez, não penso em tudo que está errado na minha vida. Penso em Austin.

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Capítulo 05 Lea — Você está bem? Abaixo o meu Kindle e olho para mamãe, que está em pé na soleira da porta da sala de estar. — Tudo bem, você está bem? — Eu sento, colocando o Kindle ao meu lado quando noto que ela está olhando para mim estranhamente. — Você não viu Austin novamente, — ela afirma, se sentando ao meu lado. — Não, e não sei se eu vou. Nós concordamos em sermos amigos, mãe, e mesmo esse título é muito, considerando nossa história. Faz duas semanas desde que vi Austin... Ou ouvi falar dele, ponto. Sei que ele está trabalhando, pelo que Rhonda me disse, e honestamente, é mais fácil assim. Não preciso ser pega no passado. Preciso seguir em frente. Estou feliz que ele não está com raiva de mim. Isso é mais do que eu poderia esperar. — Apenas pensei...

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— Mãe. — Pego a mão dela, puxando-a para o meu colo. — Eu te amo, mas Austin e eu não vamos voltar a ficar juntos. Ele tem uma namorada e eles vão morar juntos. — O quê? — Ela sussurra, parecendo genuinamente surpresa. — Estou feliz por ele. Ele é um cara bom e merece ser feliz – ambos merecemos, — digo, e, pela primeira vez, eu realmente falo sério. Sim, ainda estou um pouco ciumenta, mas isso é normal. Certo? — Ok. — Ok, — repito, inclinando-me para o lado dela. — Então, o que você quer fazer hoje? — Tenho uma consulta médica às três. — Você não me disse. — Olho ao relógio, vendo que já são duas. — É apenas um check-up. — Eu ainda vou com você, — comento. Minha mãe é teimosa, e embora saiba que está doente, não a impede de fazer o que ela quer, na maioria dos dias. Nós brigamos mais de uma vez sobre ela mesma dirigir para os lugares. Simplesmente não consigo deixar de pensar que um dia alguma coisa vai acontecer e ela machucará alguém, ou ela mesma. — Nós sairemos logo. Só preciso dar um telefonema. — Ela se levanta do sofá e se dirige para o quarto, então vou ao meu quarto e encontro um par de leggings e um suéter, coloco-os juntamente com minhas botas, e depois passo um pouco de rímel e gloss. Quando entro na cozinha com a minha bolsa, ela está terminando a sua ligação. — Pronta? — Ela pergunta, colocando o telefone na bolsa e abrindo a porta dos fundos. — Sim. — Leva apenas alguns minutos para chegar ao hospital, e quando chegamos, somos enviadas a uma sala privada quase que imediatamente após o check-in na recepção. — Josie, — o médico cumprimenta ao entrar. A cabeça dele está inclinada para baixo, lendo os papéis na mão, então não posso ver seu rosto, mas ele é alto, com ombros largos e uma cintura estreita. Seu cabelo é curto, mas bagunçado, e sua pele

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é bronzeada. Quando eleva a cabeça, nossos olhos se encontram. Ele é muito bonito, não tão bonito quanto Austin, mas definitivamente atraente. — Você não é Josie. — Ele olha para baixo novamente, em sua prancheta, enquanto suas sobrancelhas se juntam, me fazendo sorrir. — Josie é a minha mãe. — Dr. Rubin, — minha mãe chama da cadeira perto da porta. — Esta é minha filha, Lea. — Lea. — Ele olha da mamãe para mim. — Prazer em conhecê-lo. — Estico a mão e ele a segura, e noto que suas mãos são suaves e macias, tão diferentes da aspereza da de Austin. Droga, pare de pensar nele, Lea! Eu me repreendo. — Prazer em conhecê-la também, Lea. Sua mãe me disse que você estava se mudando para a cidade. — Ela disse? — Olho para a minha mãe e levanto uma sobrancelha. — Dr. Rubin acabou de se mudar para Cordova, veio de Seattle. Eu disse que ele precisa sair e explorar, em vez de ficar preso no hospital o dia todo. — Como você pode ver, a minha mãe é muito útil. — Sim, eu percebi isso. — Ele ri e aponta para ela. — Venha aqui; você sabe o que fazer. — Minha mãe se levanta da cadeira e vai para a mesa de exame, deitando. — Como se sente? — Ele pergunta, levantando a camisa, expondo seu estômago, e, então, pressionando. — Ok. Cansada, não realmente com fome, mas bem. — Que tipo de comida você é capaz de segurar? — Quase tudo o que como. — Ela está bebendo, — adicionei, e minha mãe estreita os olhos para mim. — Bem, você está, e não acho que isso seja inteligente. — Quantas vezes você está bebendo? — Pergunta a ela, seu tom de voz mudando de brincalhão a sério. — Não frequentemente, um copo de Bourbon de vez em quando, — ela mente. — Mãe, — repreendo. — Tudo bem, um copo de uísque à noite, antes de dormir.

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Seu tom suaviza quando pergunta: — Posso perguntar por que você está bebendo? — Isso me ajuda a dormir, — ela diz baixinho, olhando para mim como se não quisesse dizer mais comigo na sala com ela. — Hmm, — ele murmura, pressionando seu estômago novamente. — Como está a dor? — Cerca de sete7 na maior parte do tempo, — ela confessa, e mordo o lábio. Ela nunca disse que estava com dor, e eu me sinto culpada por não fazer essa pergunta. Eu honestamente esqueço na maior parte do tempo que ela está doente, porque ela age como sempre agiu. — Você tomou a medicação prescrita? — Não. Deixa-me cansada... Ou mais cansada do que já estou. — Mamãe... — Não quero dormir durante todo meu dia. — Ela dá um tapinha na minha mão descansando perto de seu quadril. — Odeio que você esteja com dor. — Envolvo minha mão em torno da dela e corro meus dedos sobre sua pele, notando quão magra se sente, quão frágil ela está. — Eu gostaria de falar com outro médico sobre o manejo da dor e cuidados paliativos, — o Dr. Rubin diz suavemente. — Você realmente acha que é hora para isso? — Sim, — ele diz suavemente, puxando a camisa dela para baixo, cobrindo seu estômago. — Quanto tempo mais? — Ela pergunta. — Você sabe que não sei ao certo, Josie. — Dê-me seu melhor palpite. — Ela diz a ele Seus olhos vêm a mim e então voltam para a minha mãe antes de dizer: — Um ou dois meses.

7 Para se medir a intensidade da dor que o paciente sente, há escalas específicas. As mais utilizadas são a Escala Visual Analógica (EVA) e a Escala Visual Numérica (EVN). Através delas, o paciente pode apontar para o profissional de saúde o quão intensa é a sua dor: em um extremo, está a condição sem dor, ou dor "nota zero". No extremo oposto, está a dor pior que a pessoa já sentiu, ou "dor nota dez".

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— Espere... Um mês ou dois para quê? — Minha voz soa histérica aos meus próprios ouvidos, mas não posso controlar isso. Sinto meu mundo desmoronando debaixo de meus pés. A cabeça dela balança em minha direção e seu rosto suaviza. — Querida... — Não, — balanço a cabeça, sentindo lágrimas acumularem em meus olhos, — pensei que você disse alguns meses, e não um ou dois. E quanto a quimioterapia? — Nesta fase, eu não acredito que isso ajudaria, — Dr. Rubin responde calmamente, parecendo tão triste como eu me sinto. — Então é isso? — Inclino a cabeça em direção ao teto, assim as lágrimas que sinto encher meus olhos não caem. — Faremos tudo ao nosso alcance para ter certeza que ela está confortável. — Mas ela não está, está com dor agora, — retruco. — Eu estou bem — ela corta, e meus olhos a encaram. — Você está morrendo; você não está bem. Por que não vê isso? — Eu ainda estou respirando. Ela está... Ainda está respirando, enquanto luto por cada respiração. Eu sei que ela está morrendo. Sei que precisarei aceitar isso, mas isso é demais. Saber que ela me deixará mais cedo do que mais tarde me mata. — Não estou preparada. Eu preciso de você aqui comigo. — Engasgo com as lágrimas que agora estão em queda livre. — Não é justo, — sussurro, fechando os olhos e os braços dela me envolvem. — Eu sei que não é, querida. Eu me afasto e descanso minha testa contra a dela, da mesma forma como ela costumava fazer quando eu era pequena, e sussurro: — Pelo menos tome os comprimidos. Odeio a ideia de você estar com dor. — Vou tomá-los, se a dor for insuportável. — Sua dor está em sete, mãe. — É administrável. — Você é tão teimosa. — Balanço a cabeça. — E você me ama. — Ela sorri, e não deixar de dar-lhe um sorriso aguado.

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— Dr. Rubin. — Ela se afasta, olhando para ele. — Você tem planos para esta noite? — Eu não, — ele responde, olhando-a suavemente. — Bem, agora você tem. — Eu? — Ele sorri e sinto meu corpo ficar tenso. — Um jantar esta noite, e amanhã você pode me transformar em um zumbi com as pílulas. — Mãe, — eu adverti. — Oh, silêncio, — ela diz, e Dr. Rubin começa a rir. — Nós jantaremos no lugar de sempre? — Ele pergunta a ela, e eu franzo a testa, porque ela nunca o mencionou antes, e o lugar de sempre implica ter ido lá mais de uma vez. Parece haver um monte de coisas que minha mãe nunca mencionou, e esse pensamento me deixa desconfortável, especialmente quando penso sobre o comentário que Austin fez. — Sim, que tal às seis? — Ela sugere. — Isso me dará tempo suficiente para terminar aqui. Vou buscá-las, senhoras. — Perfeito, e amanhã colocaremos meu plano em prática com Rhonda, — mamãe diz, e ela e Dr. Rubin conversam por mais alguns minutos antes de sair do hospital. Assim que entro no carro, eu o ligo e viro a cabeça para olhar para a minha mãe. — Você sabe que não haverá nada entre mim e o Dr. Rubin, certo? — Claro, — diz, mas seus olhos brilham maliciosamente. — Falo sério, mãe. — Eu sei que você fala, querida. — Bom, — murmuro, saindo com o carro e nos levando para casa. Todo o caminho até lá, estou tentando pensar em maneiras de fugir desta noite, mas nada vem à mente. ***

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— Você está pronta? — Pergunto a minha mãe, entrando no quarto dela, onde ela está deitada na cama. — Estou com dor de cabeça. — Quão ruim é? — Questiono, indo para o lado dela. — Não é tão ruim, mas acho que é uma enxaqueca. — Você tomou alguma coisa? — Sim, eu tomei uma de minhas pílulas; só estou esperando ela fazer efeito. — Ela suspira, cobrindo os olhos, então vou até o interruptor de luz e o desligo. — Onde está o seu telefone para que eu possa ligar para o Dr. Rubin e cancelar? — Pergunto, usando a luz da porta de entrada para ver se posso encontrálo. — Oh não, vocês dois devem ir, — ela murmura, e tomo um fôlego, sabendo exatamente o que é isso. — Mãe, eu não sairei com ele sem você. — Ele realmente não conhece ninguém na cidade, querida. Faça isso por mim. Eu vou matá-la. A morte da minha mãe será de asfixia quando eu cobrir a cabeça dela com um travesseiro. — Mãe, — eu assobio, e ela rola para o lado dela e murmura algo que não posso distinguir, então eu entro em pânico procurando o telefone dela, mas ficando de mãos vazias. — Eu vou matar você, — digo a ela quando a campainha toca. — Divirta-se, querida. — Você tem sorte que está morrendo, — resmungo. Eu a ouvi rir e dizer: — Ouvi isso, — enquanto caminho do quarto dela para a porta da frente. — Hey, — saúdo o Dr. Rubin quando abro a porta. — Oi. — Ele sorri suavemente, parecendo sem saber o que dizer. — Minha mãe tem uma enxaqueca, — digo, tentando parecer que não estou cuspindo as palavras. — Sério? — Seu rosto muda e vejo preocupação nos olhos dele. — Você se importa se eu entrar e vê-la por um momento?

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— Claro que não. — Dou um passo atrás, e levo-o ao quarto dela. — Mãe, o Dr. Rubin está aqui. — Você está bem, Josie? — Só tenho uma dor de cabeça, nada sério. Eu disse a Lea que vocês devem continuar sem mim. — O que você tomou? — Ele pergunta, indo para o lado dela, então eu segui atrás dele e liguei a lâmpada de cabeceira para que ele pudesse ver um pouco melhor. — Tomei um dos comprimidos que você prescreveu para minha enxaqueca, — ela diz, parecendo um milhão de vezes mais fraca do que estava momentos atrás, quando eu estava no quarto com ela. — Ele deve fazer efeito logo, — ele diz a ela. — Acho que eu não deveria deixá-la, mãe. — Oh, pare. Vocês vão. Só vou esperar a pílula fazer efeito. Não há nada que você possa fazer por mim. — Ela deve dormir, — ele diz, e eu quero dizer, Mas ela está mentindo, então vamos sair sozinhos, mas tenho a sensação de que ele poderia pensar que eu sou louca, então aceno e desligo sua luz. — Te amo, mãe. — Também te amo querida. E cuide da minha menina, doutor. — Claro. — Ele ri, me fazendo me perguntar se ele sabe o que ela está fazendo. — Não temos que ir, — digo a ele quando paramos na porta da frente, na esperança de que ele tenha pena de mim. — Não me importo. — Ele dá de ombros, mantendo a porta aberta. Ok, então isso não vai funcionar. Pego minha bolsa e o sigo até o carro dele. Ele vai para o lado do motorista quando abro a minha porta. O pequeno fato dele não abri-la me incomodou um pouco, mas depois eu me lembro que isto não é um encontro, por isso realmente não importa. Assim que ambos estamos de cinto e em nosso caminho para a cidade, eu tento pensar em alguma coisa, qualquer coisa para falar, mas nada vem à mente. Graças a Deus o caminho é curto, por isso não demora muito para parar na frente de um dos bares na Main Street.

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— Você não se importa com comida de bar, não é? — Nem um pouco. — Sorrio e saio, seguindo atrás dele no bar. Uma vez que entramos, o zumbido de pessoas falando enche meus ouvidos, e esforço-me para não olhar ao redor para quaisquer rostos familiares. Sendo sextafeira à noite, o bar está lotado, mas encontramos uma pequena mesa em um dos cantos. Logo que nos sentamos, eu puxo o menu do suporte no meio da mesa e o inspeciono, apenas para poder evitar todos os olhares embaraçosos que estou recebendo. Eu sei que a notícia sobre eu estar em casa se espalhou pela cidade, mas em sua maior parte, estou sempre em casa, então eu nunca realmente tive muita interação com as pessoas. Mas sentada aqui eu posso sentir as pessoas olhando para mim como se eu fosse algum tipo de leproso. — Você sabe o que quer comer? — Um hambúrguer de bacon e batatas fritas, — respondo. — Estou pegando o mesmo. Vou fazer nossos pedidos. O que você gostaria de beber? — Corona. — Sorrio, ou tento, e ele balança a cabeça, levantando-se da mesa e indo ao bar, voltando alguns minutos depois com duas cervejas, ambas Alaskan Amber, que eu odeio, mas em vez de dizer alguma coisa, eu pego a garrafa dele e engulo metade. — Então, Dr. Rubin... — Keith. — Ele sorri, tomando um gole da sua cerveja. — Ok, Keith. O que fez você mudar para Cordova? — Não tenho certeza. Apareceu uma vaga no Alasca para um médico, e pensei, por que não? Posso também ver se eu gosto antes de ter filhos e uma esposa para me preocupar. E você? Pensa em ficar por aqui? — Realmente não sei o que eu farei, — digo; então todos os pelos do meu corpo se levantam. Olho para a porta quando Austin entra com Ben e Rhonda. Endireitome quando Rhonda acena, e Austin segue seu olhar para mim. No momento em que nossos olhos se conectam, sinto uma onda passar por mim. Então seus olhos se movem para Keith e vejo algo inundar suas profundezas azuis, o qual eu não posso decifrar, ou não quero.

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— Você quer convidá-los para se sentar com a gente? — Keith pergunta, e meus olhos vão até ele. — Tenho certeza de que obterão a própria mesa, — digo, tentando novamente sorrir, mas falhando miseravelmente. — Temos espaço, — diz ele, se arrastando em direção a mim. — Hey, Lea. Oi, Dr. Rubin, — Rhonda diz, tirando o casaco e colocando-o na parte de trás de uma das cadeiras vazias na nossa mesa. — Você se importa se nos sentarmos com vocês? Não há realmente qualquer mesa sobrando. Olho dela para Ben, então para Austin, e o pulso aumenta quando seus punhos apertam nos lados dele. Esta é uma má ideia. — Claro. — Sorrio, e ela se move para sentar-se em uma cadeira, e Ben se senta ao lado dela, forçando Austin a tomar o assento do meu outro lado. — Keith, este é Austin e Ben. Rhonda, você já conhece. — Todos saúdam um o outro, Ben com um Oi, Rhonda com um sorriso, e Austin com uma elevação do queixo e um grunhido. — Estive desejando um hambúrguer gigante durante todo o dia, assim chamei os meninos para ver se eles queriam comer alguma coisa, — diz Rhonda. — Nós acabamos de pedir, — Keith diz, e Austin grunhe novamente, então se inclina para trás, colocando o braço na parte de trás da minha cadeira. Começo a inclinar para frente, mas seus dedos no meu cabelo me impedem de chegar a qualquer lugar. — Como vocês dois se conheceram? — Ben pergunta, e limpo minha garganta, me sentindo subitamente desconfortável. — Keith é médico da minha mãe, — digo, ganhando outro grunhido de Austin. — Ela deveria vir com a gente, mas teve uma dor de cabeça. — Ela está bem? — Rhonda pergunta, não parecendo nada preocupada, o que me surpreende. — Ela está bem, — murmuro; de repente acho o rótulo na minha garrafa de cerveja muito interessante. — Você sabe o que quer, Wolf? — Ben pergunta, afastando o braço de Rhonda e se levantando.

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— O de sempre, — diz Austin, em seguida, a cabeça de Ben mergulha para olhar para Rhonda. — O que você quer beber, baby? — Um daiquiri virgem. — Ela sorri; ele balança a cabeça e se inclina, roçando sua boca contra a dela antes de ir ao bar. — Vou usar o banheiro, — digo, rezando para que Austin libere meu cabelo para que eu possa me levantar sem parecer ter prendido a cabeça. Que bom que ele solta. No segundo que levanto, eu percebo o meu dilema. Austin está de um lado, e Keith está no outro, e ambos me enjaulam. — Desculpe-me, — digo a Austin, passando na frente dele, e depois grito quando meus pés se emaranham e acabo no colo dele. Seus braços me envolvem e sua barba faz cócegas em meu pescoço, onde o senti inalar uma respiração afiada contra a minha pele, fazendo o meu núcleo se contrair. — Desculpe, — gaguejo. Suas mãos me apertam quando ele me levanta, colocando-me em meus pés. — Obrigada. — Murmuro sem sequer olhar para ele antes de correr para o banheiro, fechar e trancar a porta, em seguida, ir até a pia e correr minhas mãos sob a água fria. — Lea, — Rhonda diz do outro lado da porta, então tomo um fôlego, abro-a, e saio do caminho quando ela se junta a mim no lado de dentro. — Você está bem? — Sim. — Mordo meu lábio e ela estreita os olhos. — Quer falar sobre isso? — Austin está aqui, — digo, cobrindo meu rosto, e abaixando quando a ouço começar a rir. — O que é engraçado? — Austin disse a mesma coisa, só que era mais um grunhido, quando viu que estava aqui com Keith. — Não estou aqui com Keith. — Ela levanta a sobrancelha. — Não assim. Mamãe se fingiu de doente, — lamento. — Austin não sabe disso. — Ele sabe; eu acabei de dizer a ele, — explico. — Ok, ele não sabia disso. Ele apenas viu você com outro homem e enlouqueceu.

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— Ele não fez isso, — sussurro. — Lea, você precisa abrir os olhos. — Ele disse que me odiava. Quer dizer, eu sei que desde então ele disse que não queria dizer isso e tem sido bom, mas você não viu o olhar nos olhos dele quando me disse. — Desde então vocês conversaram algumas vezes, e até mesmo comeram juntos. — Ele não falou comigo em semanas, — tento novamente, não querendo sequer ter esperança de que ela poderia estar certa. — Acho que ele está tentando se adaptar. — Ele tem namorada, — a lembro, sentindo essa realização me esmagar como uma pedra. — Quem, Anna? — Ela ri, desfazendo-me. — Eles vão morar juntos, — zombo. Ela resmunga alguma coisa em voz baixa, em seguida, agarra a minha mão. — Poucos dias antes do chá de bebê, ele disse a Anna que não queria mais vê-la. — O quê? — Assobio, afastando minha mão. — Não direi que você é a razão, mas você é a razão. — Oh, Deus. — Meu estômago afunda e arregalo meus olhos. — Lea, está tudo bem. Eu disse que eles não eram tão sérios como ela fez parecer. Ela disse isso, mas ainda me sinto mal pensando que eu estar na cidade é o que os fez terminar. — Apenas deixe fluir, — ela canta. — Deixar fluir? — Balanço a cabeça. — Sim, deixe fluir. Aconteça o que acontecer é o que é suposto acontecer, então simplesmente se sente e desfrute do passeio. — Você andou bebendo? — Eu gostaria. — Ela sorri, e abre a porta. — Agora, vamos comer. Estou faminta.

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Eu a sigo até a mesa, onde os caras conversam enquanto olham para a TV pendurada em um dos cantos. Quando chego à mesa, eu debato mais uma vez sobre como chegar ao meu lugar e me pergunto quão imbecil seria se eu rastejasse debaixo da mesa. Meu olhar vai para Austin. Ele inclina a cabeça para o lado e juro que vejo um sorriso se formar em seus lábios bem antes de me espremer na frente dele, rezando para não acabar em seu colo novamente. Mordo meu lábio quando suas mãos vão para meus quadris enquanto eu passo, ajudando a firmar-me até minha bunda tocar o assento. — Obrigada, — digo a ele, levantando o olhar e olhando feio quando ouço Rhonda rir do outro lado da mesa. — Você está bem? — Keith pergunta baixinho, e me viro para ele. — Estou bem. — Ignoro o leve puxão do meu cabelo e dou-lhe um dos meus aperfeiçoados sorrisos falsos. — Você tem planos para amanhã? — Ele pergunta. Oh, Deus, eu realmente vou matar a minha mãe por isso. — Eu... — Ela está comigo, — Austin corta, e giro minha cabeça para olhar para ele. — Desculpe, cara. — Ele se inclina, colocando os cotovelos sobre a mesa, em seguida, olha de Keith para mim. — Liguei para Larry, e vamos olhar o seu futuro espaço de escritório. — O quê? — Suspiro, tentando fazer minha cabeça entender o que diabos está acontecendo. Ele dá de ombros e toma um gole de cerveja. — Imaginei que não faria mal verificar. — Eu... — olho em volta da mesa para todo mundo me olhando, depois para Keith, que parece um pouco desapontado, mas não muito. — Desculpe, — digo a ele, e ele dá de ombros, tomando um gole de cerveja. — Há salmão nos rios durante todo o verão. Podemos ir outra vez. — Sim, — concordo, sentindo outro puxão no meu cabelo, e ignorando como os outros. Felizmente, o resto do jantar é preenchido com brincadeiras tranquilas e risos, sentada lá eu não podia deixar de sentir que este é o lugar onde eu deveria estar.

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Capítulo 06 Lea Caminho com Rhonda até o carro e lhe dou um abraço apertado. Acabamos de escrever o plano de cuidados da minha mãe; e ainda que fosse triste ouvir sobre o que aconteceria, eu me sinto aliviada sabendo que há um plano em prática para quando chegar a hora. — Se precisar de alguma coisa, você me chame. — Eu vou. — Sorrio, limpando sob meus olhos. — Mesmo se você só quiser falar sobre quão quente Austin é. — Ela sorri e meu estômago vibra. Ontem à noite, depois do jantar, Austin me levou até o carro de Keith, mais uma vez, inclinando-se e escovando a boca contra a minha bochecha, deixando-me querendo mais, antes de abrir a porta e fechá-la quando eu estava com o cinto. Não sei o que tudo isso significa, mas estou tentando fazer o que Rhonda sugeriu e deixar fluir.

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— Obrigada. Obrigada por não apenas cuidar da minha mãe, mas por ser uma boa amiga para mim. — Quando voltei para casa, não foi sob as melhores circunstâncias, e não tinha nenhum amigo, então estou feliz por ser isso para você. Inclino minha cabeça para o lado, estudando-a por um momento. — Quando tiver tempo, eu quero ouvir tudo sobre isso. — Há um ex-namorado e um monte de drama desnecessário envolvido. — Então Ben, — digo suavemente, e seu rosto muda enquanto sua mão vai para a barriga. — Então, Ben. Eu não o esperava. — A vida é louca às vezes. — É. — Seu sorriso aumenta e um brilho aparece em seus olhos. — Agora, é melhor eu ir. Tenho mais uma parada antes de ir para casa. Avise-me se precisar de alguma coisa. — Sim. — Dou um passo atrás enquanto ela entra em sua caminhonete, e aceno quando ela vai embora. Quando volto para a casa, a minha mãe está sentada na mesa da cozinha com um bloco de notas na frente dela, e o fecha antes que eu possa ver o que está escrevendo. — Austin estará logo aqui, — a lembro, enchendo outra xícara de café. — Não vou com você. — Mãe, — suspiro. — Vocês vão, e depois volte e me diga tudo sobre isso. — Odeio deixá-la sozinha. — Eu sei que chegará um momento em que não serei capaz de ficar sozinha, mas agora ainda não é o momento. — Tem certeza? — Pergunto, depois sorrio ao ver a expressão no rosto dela. — Tudo bem, você quer que eu traga para você alguma coisa da cidade? — Não, — ela murmura, e olha para a porta quando o som de um carro parando viaja para a casa. — Ele chegou. — Ela sorri e borboletas entram em erupção no meu estômago.

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— Vejo você em uma hora ou algo assim. — Eu me inclino e beijo seu rosto. — Ligue se precisar que eu volte para casa antes disso. — Não espere uma ligação, — ela diz, entregando a minha bolsa e empurrandome para a porta. Quando saio para a varanda da frente, Austin já está fora de sua caminhonete. Eu o encontro no meio do caminho, e quando chego perto o suficiente, ele se inclina e beija minha bochecha, o que eu amo, mas também odeio. Quero tanto virar minha cabeça e pegar a boca dele com a minha, mas o medo me faz colocar minha mão em seu braço e dar-lhe um aperto. — Pronta? — Ele pergunta. — Sim, — respondo; e ele me leva para a caminhonete, me ajudando a subir antes de contornar a frente e sentar atrás do volante. — Como está sua mãe? — Pergunta, cortando o silêncio. — Honestamente, eu não sei. — Coloco um pouco do meu cabelo solto atrás da orelha. — Ela parece ser ela mesma. Sua energia é um pouco menor, mas juro que se não soubesse que ela está doente, eu diria que tudo isso é apenas um sonho ruim. Sequer sabia que ela estava com dor até ontem, quando fomos ao médico. Sua dor está em sete de dez. Isso é ruim, e eu não tinha ideia. Ela age como se estivesse tudo bem, — digo, então inalo uma respiração profunda. Não esperava dizer tudo isso para ele, mas de alguma forma me senti bem ao compartilhar com ele o que está acontecendo. — Sinto muito, baby. Sei que isto não é fácil para você. — Ele chega mais perto, envolvendo sua mão ao redor da minha, e as palavras e o toque enrolam em torno de mim, se estabelecendo profundamente. — Odeio que minha mãe esteja passando por isso. Sua mão aperta a minha, mas ele não diz nada. Quero perguntar o que aconteceu com ele e minha mãe, mas acho que não consigo colocar as palavras para fora. É quase como se no fundo eu não quisesse saber por que eles aparentam estarem tão distantes um do outro. Quando começamos seguir para a casa Manderville, meu coração começa a bater descontroladamente no meu peito, mas depois diminui quando viramos à direita, para uma estrada de terra que leva mais perto da água, onde há três pequenos

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edifícios anexos lado a lado. Quando a caminhonete para, eu observo a área. Os edifícios estão em um penhasco com vista para a água e rodeados por floresta. Sei que nunca viverei na casa em Manderville, mas ter um escritório aqui seria uma boa segunda opção. — Quanto ele pediu por ele? — Seiscentos mil. — Uau. — Eu sei. Ele e a esposa viviam confortavelmente. Ela não trabalhava, e tiveram três filhos que correram para fora do estado para a faculdade. É um monte de dinheiro, mas esta cidade tem um monte de empresas e um monte de pessoas que estão à procura de um contador. — Tenho algum dinheiro guardado, — digo, virando a cabeça para olhar para fora da janela. Não sei o que o futuro nos reserva, mas quanto mais eu penso nisso, mais alguma coisa dentro de mim me diz para me estabelecer aqui, para dar uma chance real a isto. — Larry deve estar lá dentro. — Ele solta a minha mão, que eu nem percebi que ainda estava em seu aperto, mas agora que ele se foi eu sinto falta. Depois que ele sai da caminhonete, eu sigo a liderança dele, tirando o cinto de segurança e abrindo minha porta. Vou pular para descer e minha mão desliza da barra, e eu grito quando caio para frente, contudo dou um suspiro de alívio quando não sinto o chão duro, mas os braços de Austin ao meu redor. — Obrigada, — murmuro contra a camisa dele. — Não me lembro de você sendo tão desastrada antes. Minha cabeça se inclina para trás para olhar para ele. Ele está tão perto que posso ver até mesmo o pequeno salpico marrom no olho esquerdo que se destaca contra o azul. — Eu não era... Pelo menos eu acho que não era, — murmuro. Seu olhar cai para minha boca quando mordo meu lábio inferior e mudo meu peso, lutando contra mim mesma para não ficar na ponta dos pés. — Bem, vocês entrarão, ou ficarão aí o dia todo?

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Espreito em torno de Austin e vejo um senhor mais velho vestindo uma camisa de flanela e jeans, com a cabeça surgindo para fora da porta, olhando para nós com um sorriso no rosto. Austin rosna algo baixinho, pega a minha mão e me leva até a porta aberta. — Larry, esta é Lea. Lea, Larry, — Austin nos apresenta, libertando minha mão e colocando a dele na parte baixa das minhas costas. Sorrindo, eu respondo: — Prazer em conhecê-lo. — Você também, boneca, e sinto muito por sua mãe. — Obrigada, — digo em voz baixa, e ele acena com a cabeça, em seguida, fica de lado. Então, eu sei – sem sequer olhar em volta – que eu quero. O espaço não é enorme, mas há uma grande janela do chão ao teto, com vista para o oceano. Não é a casa de Manderville, mas é definitivamente lindo. Ando até a janela, olho para o oceano, e sorrio, desenhando um círculo. As paredes foram pintadas recentemente, há uma porta aberta para o que eu posso ver ser um banheiro, três grandes estantes revestem a parede junto com dois altos armários de metal para arquivos. — As prateleiras e armários ficarão com o espaço. — Você está vendendo mesmo, ou já pensou em alugar? — Vender, estamos nos mudando para a Flórida. Meus velhos ossos não podem ter mais invernos do Alasca, — ele responde. — Você já teve alguma oferta? — Ainda nem mesmo o coloquei no mercado. Acabei de terminar a pintura alguns dias atrás, e colocarei novos pisos neste fim de semana, — diz, e olho para o velho carpete sujo debaixo dos meus pés. — Colocarei linóleo; imagino que seja um material melhor para lidar com toda a água por aqui. — Isso é bom. Quais são os rendimentos? — Cerca de trezentos por mês no inverno, quase nada nos meses de verão. — Você está disposto a negociar o preço? — O que você está pensando? — Ele se inclina para trás, cruzando os braços sobre o peito, então eu imito sua postura.

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— Cinquenta mil a menos, e você paga os custos de fechamento8, — digo a ele, e ele olha para Austin e balança a cabeça. — Quanto tempo você precisa para concluir a transação? — Ele pergunta. — Só preciso falar com o banco. — Você consegue o empréstimo, e você tem um negócio, boneca. — Sério? — Pergunto em estado de choque. Nunca esperei que ele aceitasse a minha oferta. Eu esperava, pelo menos, que ele fizesse uma contraproposta. — Sério. — Puta merda! — Praticamente grito, em seguida, eu cubro a boca. Larry ri, e quando olho para Austin, ele está com um sorriso – um muito orgulhoso sorriso, com o qual eu sou familiarizada, o mesmo que ele costumava me dar frequentemente. — Obrigada, Larry. — Estendo a minha mão para ele e ele balança a cabeça, me puxando para um abraço. — Diga a sua mãe que eu disse oi. — Eu vou, — digo a ele quando me afasto. — Se comporte. — Ele dá um tapinha nas costas de Austin, ganhando algum tipo de resmungar dele, o que faz Larry rir novamente. Uma vez que saímos, eu estou tão eufórica que sequer percebo para onde estamos indo, até que viramos uma curva na estrada e paramos na frente da casa Manderville. Fui à casa uma vez com meu pai quando eu era jovem. Os proprietários no momento pediram peixe para uma festa que eles dariam, e meu pai me levou com ele para entregá-lo. Lembro-me de pensar então que era uma mansão, e vendo-a agora, não estava muito longe disso. A casa tinha que ter quinhentos metros quadrados, a parte de baixa era aberta e sobre palafitas, então você poderia estacionar um barco ou um carro se não quisesse utilizar a garagem. — Ainda não posso acreditar que você comprou este lugar. — Lembro-me de você me contando sobre a vista, então quando chegou ao mercado, eu precisava ver. — Ele passa a mão sobre a cabeça, olha pela janela e 8 Custos de fechamento são taxas associadas com a compra de casa e empréstimo no fechamento de uma transação imobiliária.

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abaixa a voz. — Ofereci uma oferta naquele dia, o preço total. Nem estava realmente à procura de uma casa, mas sabia que não podia deixar a oportunidade passar por mim. — Estou feliz por você. Você merece coisas boas, — digo-lhe silenciosamente enquanto meu peito queima. Sua cabeça gira em minha direção e vejo dor em seus olhos, o que me faz engolir mais de um nó na garganta. Quero pedir perdão para ele, mas não quero arruinar o progresso que fizemos trazendo o passado. Além disso, há um profundo medo de que ele não me perdoará quando eu me desculpar. — Você também, Lea, — ele diz em voz baixa, em seguida, abre a porta, sai, e então se vira, colocando a parte superior de seu corpo para dentro da cabine. — Quer vir ver o que eu fiz? — Absolutamente. — Deslize por este lado, baby, — ele me diz. Em vez de perguntar por que, eu deslizo através do assento e coloco minhas pernas para fora da porta para que ele possa me ajudar a descer, o que ele faz com as mãos em volta da minha cintura, seu corpo tão perto do meu que posso sentir cada polegada dele enquanto me abaixa no chão. — Eles estão trabalhando na cozinha agora. — Ele me leva até um conjunto de escadas para um grande deck, onde paro no topo, somente assim eu posso apreciar a vista. Embora a vista no escritório de Larry seja boa, isso é dez vezes melhor. — É mais bonito do que me lembro, — digo, me inclinando sobre o parapeito à minha frente, e inclinando a cabeça para trás, deixando o sol aquecer a minha pele, e o cheiro do oceano e os sons dos pássaros assumirem meus sentidos. — É. — Viro para olhar a Austin e seus olhos estão em mim. Há algo lá; é diferente de qualquer coisa que eu tenha visto antes, mas não menos especial. — Você quer um tour? Concordo com a cabeça, incapaz de falar, e o sigo para dentro da casa atravessando uma porta-dupla de vidro que leva direto a uma cozinha aberta. O piso plano é aberto, dando uma visão de todo o primeiro andar, com exceção para o que está detrás de algumas portas fechadas. Os armários são todos brancos, e as paredes são de um azul pastel que combina com o balcão de azulejos multicoloridos em tons

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de bege, marrom e azul. As bancadas são de granito com aparência rústica, com grandes nervuras passando por ela, e o que separa a cozinha da sala de estar é uma ilha longa, grande o suficiente para sentar confortavelmente seis pessoas. Caminho lentamente da cozinha para a sala de estar, onde as janelas do chão ao teto enquadram a vista, uma visão que é exatamente como eu me lembro, de tantos anos atrás. O oceano está apenas a alguns metros de distância, e de cada lado, grandes pedaços de terra sobressaem na água. Só a vista venderia esta casa. Eu podia ver grandes sofás com enormes almofadas nesta sala e em torno da lareira, a qual tem pedras de formas e tamanhos diferentes, fazendo com que pareça que alguém foi até a água e as pegou com a mão. Passaria horas na frente da lareira com um livro, ou apenas enrolada em um cobertor enquanto apreciava a vista. — Os quartos estão lá em cima. Afasto o meu olhar da vista e o sigo até um conjunto de escadas que combina perfeitamente com a decoração, até chegar ao segundo andar. A área está aberta, com outra excelente vista e um caminho que leva a uma porta de um lado e três do outro. Eu sei sem perguntar que o lado com um único quarto é a suíte, e sigo atrás dele enquanto ele abre a porta. O espaço está vazio e tem duas janelas, não com uma vista do mar, mas com uma vista da cidade de cima. Não tão impressionante como a sala de estar, mas surpreendente em si. Quase lhe dá uma sensação de ser o senhor da cidade abaixo. — O banheiro aqui é uma das minhas partes favoritas da casa, — confessa. — Sério? Se eu morasse aqui, passaria meus dias no térreo, em frente à lareira, — eu o informo sem pensar. Ele sorri e murmura: — Mas você ainda não viu a banheira. Quando abre a porta do banheiro, estou impressionada. A grande banheira fica no alto, com escadas que levam a ela e uma janela com vista para a costa. Ao lado está um chuveiro com box de vidro; assim, se quiser assistir seu parceiro tomar um banho enquanto está na banheira, você poderia. — Ok, eu passaria meu tempo entre os dois. — Sorrio, subindo os três degraus e descendo para a banheira, me inclinando contra ela.

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— Achei que você gostaria disso. — Ele sorri, encostado no batente da porta e sorrio para ele, enquanto algo no meu interior se aperta, causando dor. Eu nunca terei isso. Nunca haverá um momento em que eu estaria tomando um banho e Austin viria tomar banho comigo, ou eu jamais seria capaz de descansar no sofá no andar térreo, perto do fogo, observando o mar e esperando-o chegar em casa. Esta não é a minha vida, e sei que no fundo será de outra pessoa. Austin cresceu enquanto eu estive fora, amadureceu, tornou-se um homem ainda melhor, e haveria alguém que lutaria para ficar com ele, alguém por quem ele lutará para ficar. — Isto é tão bonito. Você fez um trabalho incrível, — digo, as palavras saem sufocadas. Preciso ser forte. Ele é meu amigo, e quando chegar a hora dele se apaixonar, eu me esforçarei para mostrar o mesmo cuidado que ele está me mostrado nos últimos dias. — Eu provavelmente deveria ir para casa para a mamãe. Realmente odeio deixá-la por muito tempo, — digo a ele; abaixo minha cabeça, saio da banheira, e desço os três degraus até que estou quase em frente a ele. — Você está bem? — Ele inclina a cabeça para o lado como se ele me estudasse, seus olhos passando sobre minhas feições como se elas fossem dar-lhe alguma resposta desconhecida. — Sim, apenas muita coisa na minha mente. — Sorrio, e seus olhos caem na minha boca, formando uma carranca no seu rosto. — Algo que eu possa ajudar? — Não sei, — respondo estupidamente. — Fale comigo. — Ele se aproxima e segura a minha mão. — Ver o escritório de Larry apenas me fez sentir meio culpada. Parece errado planejar um futuro quando sei que o da minha mãe está chegando ao fim, — digo uma meia-verdade. Que ver o futuro dele diante de mim está me matando. — Você viverá, baby. Eu sei que é difícil aceitar agora, mas quando sua mãe partir, você ainda estará aqui; então, se você coloca um plano em prática a partir de agora, ficará mais fácil quando chegar a hora. Sei que ele está certo, mas aqui, de pé na sua vida futura, eu queria que as nossas fossem interligadas.

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Capítulo 07 Lea Três semanas. Três semanas foram tudo que levou para que tudo mudasse para a minha mãe, que foi tão forte, tomar um rumo para o pior. E mesmo eu me fazendo acreditar que estava pronta para enfrentar a perda dela de cabeça erguida, nada poderia ter me preparado para isso acontecendo diante de mim. — Ei. Olho para Rhonda e sinto uma nova onda de lágrimas em meus olhos. Eu estaria perdida sem ela, Ben e Austin. — Oi, — digo suavemente, e ela se senta, deslizando o braço em torno de minhas costas e apoiando a cabeça no meu ombro. — Ela está confortável, — ela murmura solenemente. — Está, — concordo; ela parece descansar em paz. Três semanas atrás eu voltei para casa do meu dia com Austin e contei tudo para ela. Falamos sobre o escritório de Larry, como era perfeito, e que eu fizera uma

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oferta para ele. Disse a ela sobre a casa de Austin, o quanto ele trabalhou nela, e como era bonita. Conversamos sobre o meu pai, e eu sabia que havíamos aceitado a sua perda. Nós falamos sobre um monte de coisas ao longo das últimas três semanas, mas todos os dias eu notei a diminuição de sua energia, o que a levava ficar mais e mais tempo na cama, até dois dias atrás, quando fui ao quarto dela para acordá-la para o almoço e ela não se mexeu. Tentei de tudo ao meu alcance para fazê-la acordar e não obtive resposta. Eu queria tanto chamar uma ambulância, mas sabia que o plano de cuidados que minha mãe e Rhonda organizaram especificava para chamar Rhonda, então eu fiz. Nem sei o que eu disse naquele momento. Nem se alguma coisa que eu disse fez sentido, mas Rhonda deve ter entendido, porque ela apareceu logo depois, enquanto eu ainda tentava acordá-la. Eu não tinha ideia de quão rapidamente as coisas poderiam mudar, o quão rápido as coisas poderiam afundar. — Sinto muito, — Rhonda diz, puxando-me dos meus pensamentos. — Eu também. — Choro silenciosamente enquanto vejo uma das enfermeiras colocar um novo emplasto de codeína na parte superior do tórax da mãe, em seguida, a cobre novamente. — Estarei aqui até às sete horas, então basta pressionar o alarme se precisar de mim, — diz Liv, a enfermeira do hospital que foi atribuída à minha mãe, dando-me um sorriso suave. — Obrigada, Liv. — Aperto a mão dela antes que ela saia da sala. — Sei que ela queria estar em casa, mas isso será muito mais fácil para você e para ela, — Rhonda diz enquanto eu caminho para o lado da cama. — Acho que é melhor assim. Não acho que poderia ficar lá depois de saber que ela faleceu em casa, — digo, sentindo-me culpada. — Isso é compreensível, Lea, e você tem o direito de ter seus sentimentos, — diz em voz baixa, mas ainda me sinto culpada por isso, sobre não dar tudo o que ela queria. — Obrigada por organizar tudo com o hospital. — Desde que a minha mãe deveria estar em casa, eles precisaram deslocar alguns dos pacientes do hospital para que ela pudesse ter seu próprio quarto enquanto estiver aqui.

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— Você sabe que eu faria qualquer coisa para vocês. — Eu sei, — concordo, sentando na cama, perto do quadril da mamãe. — No fundo, eu me pergunto se de alguma forma ela sabia que isso ia acontecer. — O que você quer dizer? — Logo antes de se deitar, ela segurou meu rosto em suas mãos e se inclinou para beijar minha testa, sussurrando que me amava, antes de sair da sala e ir para a cama. — Gostaria de ter sabido que seria a última vez que eu ouviria a voz dela ou seria capaz de abraçá-la. — Ela pode ter tido um pressentimento, — Rhonda diz, fazendo-me sentir menos louca. — Já sinto a falta dela, e ela ainda está aqui, — sussurro, sentindo as lágrimas deslizarem pelo meu rosto. — Você ainda deve falar com ela. Alguns estudos dizem que mesmo que a pessoa esteja inconsciente elas ainda ouvem o que está acontecendo ao redor delas. — Ela não tem comido. — Ela está confortável, — ela me assegura calmamente. — Ela não come nem bebe água. Por quanto tempo ela pode viver assim? — Choramingo quando a realidade se ajusta no meu interior. É isso. — Ninguém sabe ao certo, — ela diz, sentando na cadeira ao lado da cama. *** Quatro dias. Quatro dias é o tempo que levou para a minha mãe dar seu último suspiro. Quatro dias contando todas as histórias que eu poderia lembrar sobre ela e meu pai, sobre nós como uma família. Sobre qualquer coisa que eu pudesse pensar. Eu não sabia se ela me ouvia, mas não conseguia parar as histórias ou as lágrimas enquanto a ouvia respirar e memorizava o som, o tempo e o fluxo, até que ela tomou uma respiração e o silêncio encheu o quarto. Esperei por um longo tempo para ver se ela puxaria mais um, mas não veio. Não sei quanto tempo eu fiquei lá olhando para o teto antes que as pessoas entrassem no quarto, quando o som de alarmes foi disparado.

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Não chorei. Eu não conseguia nem me mover. Parecia que tudo era um sonho, como se nada disso fosse real. Fiquei ali olhando para o teto, lutando para respirar, e então, os braços de Austin me envolveram e ele me levantou. Enterrei meu rosto no pescoço dele, o cheiro de sua pele acalmou algo dentro de mim quando ele se sentou comigo no colo, me segurando, falando suavemente até eu ser capaz de respirar novamente. *** — O que você quer que eu faça com esses cookies que o Sr. e a Sra. Grates deixaram? — Ben pergunta ao entrar na cozinha onde estou lavando pratos. — Basta colocá-los lá com todas as outras coisas, — murmuro, olhando para a mesa coberta de alimentos, biscoitos e bolos. — Você nunca será capaz de comer tudo isso, — ele diz para mim, algo que já sei. Desde o dia em que voltei para a casa, as pessoas foram deixando comida à esquerda e à direita. Eu não tinha ideia que minha mãe conhecia tantas pessoas, e me perguntei se eles sabiam que era somente eu aqui agora. — Você sabe que ela nunca falou sobre Cordova, — digo em voz baixa, olhando a água e o sabão. — Perdão? — Ben pergunta, organizando as coisas na mesa para que pudesse colocar o prato. — Ela nunca falou daqui. No início, quando saí de casa, perguntava como as pessoas estavam, e ela me dava pequenas atualizações sobre quem fazia o quê, mas depois, esses detalhes diminuíram para nada. Após um tempo, a única vez que falava sobre as pessoas daqui era quando ela escorregava e mencionava algo sobre alguém. — Sério? — Ele pergunta, olhando para mim por cima do ombro. — Não entendia por que ela não o fazia, e estava com muito medo de comentar, porque achava que havia algo grande que não queria compartilhar, como ela ter um namorado ou algo assim. — Ou como Austin ter casado e com filhos, eu penso. — Talvez ela não quisesse que você sentisse falta daqui.

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— Sim, talvez, — concordo, guardando os pratos que acabei de lavar enquanto sussurrava: — Gostaria de ter voltado anos atrás, em vez de estar com tanto medo de encarar este lugar e as pessoas aqui. Desejo um monte de coisas. — Sinto minha garganta se fechar, então sinto Ben ao meu lado e seus braços envolvendo os meus ombros. — Acho que todos os pais acreditam que sabem o que é melhor para os seus filhos, mesmo quando não sabem, mesmo quando deixam seus próprios medos ditar o seu pensamento. — Do que ela poderia ter medo? — Não sei, Lea, — ele diz suavemente antes de colocar um beijo na minha testa e recuar. — Sabe, eu realmente estou contente por você ficar na cidade. — Hoje, o meu plano é ficar na cidade, — digo a ele, observando a confusão enrugar sua testa. — O que isso significa? — Não sei o que vai acontecer no futuro, — sussurro, deixando de fora a verdadeira razão de um dia ir embora; e seria o dia em que Austin me diria que começará uma vida com outra pessoa. Sei que de maneira nenhuma eu poderei estar aqui para isso. — Você não deixará Austin novamente, como fez antes, certo? — Claro que não. — Quando eu partir, Austin estará feliz e seguindo em frente com a vida dele, e eu farei o mesmo. De alguma forma. — Foda-se, — ele murmura. — E se eu fizesse uma festinha aqui amanhã? — Pergunto, mudando de assunto. — Seria uma maneira de me livrar de alguns desses alimentos, e talvez isso desse às pessoas algum encerramento ao mesmo tempo. Seus olhos se estreitam, mas eu me viro ao ver com o canto do meu olho Rhonda parada na porta da cozinha. — É uma grande ideia, — ela diz suavemente. — Apenas darei alguns telefonemas e terei tudo organizado. — Ótimo, — concordo, observando-a virar e sair. — Ligarei para Austin e o informarei, — Ben me diz.

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Dou-lhe um sorriso enquanto caminho até a mesa e puxo uma das cadeiras para sentar, me sentindo exausta. Não tenho dormido bem nos últimos dias. Toda vez que fecho meus olhos, minha mente repete o último suspiro da minha mãe, mais e mais, como um disco arranhado. Quero perguntar a Keith se ele pode prescrever algo que possa me ajudar, mas ao mesmo tempo eu odeio a ideia de precisar me drogar. — A cadeia de telefone está em vigor. Eu disse as pessoas para virem por volta das cinco e que não devem trazer nada, — diz Rhonda, sentando na minha frente. — Você parece cansada. — Ela me observa atentamente. — Não tenho dormido muito. — Dou de ombros, pegando um dos biscoitos do prato, quebrando-o ao meio, e dando uma mordida. — Toda vez que me deito, minha mente vagueia. — Quer que eu veja se Keith prescreve uma receita para você? — Receita para o quê? — Uma profunda voz interrompe. O meu olhar viaja de Rhonda para Austin, que está de pé na porta com Ben atrás dele. No momento em que nossos olhos se encontram, algo em mim se desenrola. Não o vi desde que ele me trouxe do hospital para casa e se certificou de que eu estivesse segura. Senti falta dele ao longo das últimas vinte e quatro horas. Apenas não percebi o quanto até agora. — Ela não consegue dormir, — Rhonda diz amavelmente, e as sobrancelhas dele se juntam. — Medicamentos ajudam? — Ele pergunta, entrando na cozinha e caminhando para mim, mas depois para e aperta os punhos aos lados. Meus olhos bloqueiam em suas mãos e sinto minhas sobrancelhas se juntarem. — Não sei, — murmuro. — Você precisa dormir, Lea, — ele diz gentilmente, e meu olhar viaja de seus punhos para encontrar seus olhos. — Eu sei. — E eu sei, mas isso não está acontecendo, não agora. Esperemos que em poucos dias, quando as coisas se acalmarem, eu finalmente seja capaz de deitar no escuro, sem ouvi-la. — Você tem o número de Keith? — Ele pergunta a Rhonda enquanto seus olhos caem para o biscoito na minha mão. — Você comeu comida de verdade?

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Estreito meus olhos e endireito-me um pouco. — Eu comi, e não quero as pílulas. — Desvio meu olhar dele para Rhonda. — Você não precisa ligar para Keith. — Você precisa dormir, — Austin rosna, e minha cabeça gira em sua direção. — Eu sei disto. — Cerro os dentes. — Você também precisa comer. Eu sei que ele está preocupado, mas está realmente me irritando agora. — Eu comi e se sentir que não consigo dormir, eu ligarei para Keith e falarei com ele sobre a obtenção de uma receita médica. — Lea, — ele suspira, passando a mão sobre a barba, e culpa me assalta fortemente ao ver o cansaço em seus olhos, e me pergunto há quanto tempo ele não dorme bem. — Sei que estão todos preocupados comigo. — Eu baixo meu tom, e os meus olhos vão para a mesa cheia de comida. — Levará algum tempo, mas prometo que vou ficar bem. — E eu vou. Não será fácil, mas seguirei em frente e passarei por essa dor. Eu preciso. Não posso viver assim. — É normal, Lea. Não há maneira certa ou errada para se lamentar, — Rhonda diz, levantando-se da cadeira e vindo para o meu lado, me abraçando. Concordo com a cabeça novamente e olho para Austin quando ele anda até mim e passa o dedo pela minha bochecha, provocando uma onda de emoções em mim. — Ficará mais fácil, — ele diz, mas não tenho certeza se fala sobre a perda da minha mãe ou a maneira como ele me faz sentir estando por perto, mas espero que esteja certo sobre ambos. *** Saio pela porta dos fundos e sento na escada, puxando uma golfada de oxigênio muito necessária. Juro que toda a cidade está dentro da casa da minha mãe. Eu sei que disse que deveríamos dar uma festa, mas não tinha ideia de quantas pessoas iriam aparecer. Deveria ter pensado melhor sobre isso. Estar em torno de tantas pessoas, sorrindo e aceitando condolências, não é fácil, especialmente quando cada vez que penso nela ou falo dela, eu quero chorar.

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— Estava procurando por você. — Austin diz saindo pela porta dos fundos e fechando-a suavemente atrás dele. Após Rhonda e Ben saírem ontem, Austin ficou comigo e nós nos sentamos no sofá assistindo TV até que eu adormeci, então ele me levou para cama e foi embora. Depois que ele saiu eu fiquei na cama olhando para o teto por horas, incapaz de dormir novamente. — Só precisava de um minuto, — digo a ele, me arrastando pelo degrau para que ele possa descer, mas em vez de passar por mim, ele se senta ao meu lado e passa o braço em volta dos meus ombros, murmurando: — Você ficará bem? Viro-me para olhar para ele, percebendo quão perto ele está, tão perto que posso ver a preocupação gravada em suas belas feições. — Sim. — Abaixo a cabeça, não querendo que ele veja as lágrimas que sinto a espreita. — Levará algum tempo, e sei que pode soar horrível, mas estou feliz que ela tenha morrido. Eu odiava a ideia dela estar com dor. Não queria que ela sofresse. — Eu pisco para conter as lágrimas enquanto estudo um pedaço de fio na barra do meu suéter. — Sei que não é fácil, mas você tem Ben, Rhonda e eu aqui se precisar de um ombro para chorar, se precisar de alguma coisa. — Eu sei, — concordo, inclinando a cabeça para trás e fazendo nossos olhos se conectarem. Eu ainda poderia me perder nos olhos dele por horas, se fosse dada a chance. — Bom, — ele diz calmamente enquanto seu olhar cai para minha boca, em seguida, levanta para encontrar os meus novamente. Eu me inclino para frente, sem pensar, arrastando meus lábios no dele no menor dos toques, sentindo o seu calor suave. Sua mão envolve um lado do meu pescoço, me puxando para mais perto, para que a língua possa deslizar sobre a costura da minha boca. Meus lábios se abrem e um gemido sobe no fundo da minha garganta. Assim que o som escapa, seu corpo fica tenso e ele se afasta tão rápido que quase caio do degrau. — Não. — A palavra rasga dele enquanto seus olhos brilham com raiva e confusão, e se afasta. Lágrimas de humilhação enchem meus olhos e meu coração cai em meu estômago ao vê-lo desaparecer na esquina da casa. Após alguns minutos combatendo-as, eu levanto e limpo minha calça, debatendo sobre quantas pessoas notariam se eu apenas desaparecesse.

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— Hey, — Rhonda diz, abrindo a porta. Seus olhos procuram meu rosto e uma careta franze sua boca quando ela sai. — Você está bem? Acabei de ver Austin sair. — Estraguei tudo, — digo a ela quando pavor me enche. Acabo de perder alguém que se tornou um grande amigo, mais uma vez, e fiz isso sem pensar. Nem sequer sei realmente o que aconteceu. — Como você estragou? — Eu beijei Austin, — digo a ela; ainda sinto o deslize de sua língua em minha carne, a forma como a mão dele se enrolou em meu pescoço, ancorando-me a ele. — Você beijou Austin? — Ela sussurra, descendo para a grama comigo. — Não foi exatamente um beijo. — Balanço a cabeça. — Foi um roçar, mas eu me inclinei e... Oh, Deus. — Cubro meu rosto, e olho para ela através dos meus dedos. — Ele me empurrou e saiu. — Oh, merda, — ela sussurra. — Nem sei por que fiz isso. — Está tudo bem. — Ela pega minhas mãos, tirando-as do meu rosto. — Não está, — choramingo. — Você não viu o olhar no rosto dele quando ele percebeu o que estávamos fazendo. — Lea, está tudo bem. Suas emoções estão aumentadas agora, e tenho certeza que Austin entende isso. Ela pode estar certa, mas de maneira nenhuma eu seria capaz de encará-lo novamente, não depois disso. Sei que estou uma bagunça, mas eu realmente pensei que estávamos trabalhando em direção a algo. Eu deveria saber a partir das emoções que peguei em seus olhos que ele não se sentia da mesma maneira. — Você está certa, — eu minto, limpando meus olhos. — Odeio a ideia de perder qualquer um de vocês. — Você não perderá ninguém, Lea, não mais, — ela diz com firmeza. Vou até ela e a abraço, tomando cuidado com sua barriga, e sussurro: — Obrigada, — em seu ouvido antes de me afastar. — É para isso que servem os amigos. — Ela sorri, e pega a minha mão. — Agora, vamos entrar. — Aceno com a cabeça e a sigo para dentro da casa, onde passo as próximas duas horas ouvindo as pessoas falarem sobre a minha mãe. Sorrio

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quando deveria, e ofereรงo abraรงos quando sรฃo necessรกrios, mas na maior parte, eu fico lรก, cercada de pessoas, me sentindo completamente sozinha.

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Capítulo 08 Austin Viro uma dose de uísque, deixando o queimar remover o gosto de Lea que ficou na minha língua. Eu não deveria ter a beijado, porra. Deveria ter resistido ao impulso, mas seu cheiro, seu corpo macio, e o jeito que ela olhava para mim me empurraram para frente. O jeito que ela me olhou, como se eu estivesse devolvendo algo que ela perdeu, fodeu com a minha cabeça. Eu amei aquele olhar. Amei olhar nos olhos dela e ver uma luz neles que era apenas minha, um olhar que ela me dava toda vez que nossos olhos se encontravam, um olhar que me fez querer ir até ela, varrê-la em meus braços, e dizer que tudo ficaria bem. E iria. Eu teria certeza, mas preciso saber que ela está nessa para a longo prazo, que a morte da mãe não é o que a empurrou para mim, mas que ela veio de bom grado por conta própria, porque é onde ela quer estar.

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— Pensei que você a queria de volta, cara? — Ben pergunta, pisando no meu barco. Eu sabia que não demoraria muito para que ele aparecesse; desde que eu sabia que Rhonda me viu sair. — Não assim, mano. — Tomo outra dose. — Não quando eu ainda posso ver a dor nos olhos dela pela perda de sua mãe. — Você fodeu. Ela precisa de você agora, e do jeito que você a deixou... — ele balança a cabeça. — Ela está lutando. Vejo isso, mas também a vi desaparecer numa sala cheia de pessoas. Ela está perdida, cara. — Não posso consertá-la, — eu o lembro. — Por mais que eu queira, não posso. Posso ajudar. Posso estar lá para ela, mas não posso conserta-la, irmão, porque na primeira vez que algo acontecer, ela vai decolar, e isso não é aceitável. Não desta vez, não quando o amor que eu sentia por ela antes não é nada comparado com o que sinto agora. Então, não pense que eu não a quero, que não quero de volta o que foi roubado de nós, porque eu quero. — Eu a queria quinze anos atrás, e porra, ainda a quero agora. Não há uma única parte de mim que não sabe que ela é o meu futuro, mas temos um monte de merda para lidar antes de sequer pensar em ir por esse caminho, porque uma vez que começar, não haverá como voltar atrás. Preciso de Lea forte o suficiente para lutar por nós, e não há como ela ser capaz de fazer isso enquanto estiver de luto pela perda da mãe. — Não sei sobre isso. — Ele se senta ao lado do barco e passa a mão sobre a sua cabeça. — Portanto, você está dizendo que não esperou até que a confusão de Rhonda com seu ex acabasse antes de ir atrás dela? — Pergunto, já sabendo a resposta. Ben a queria no momento em que pôs os olhos nela, mas ele sabia que não havia nenhuma maneira dele ficar lá quando ela ainda estava fodida por causa do ex. E não me refiro fodida por ainda estar apaixonada por ele, digo sobre a maneira de merda que ele fodeu com a cabeça dela, abusando verbalmente dela até que sua autoestima fosse quase inexistente. — Ok, você está certo sobre isso, — ele diz; então seu telefone começa a tocar no bolso e quando ele o pega, suas sobrancelhas se juntam. — Hey, baby, — ele diz,

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e vejo seus olhos voando para cima para encontrar os meus, em seguida, ele balança a cabeça, correndo os dedos pelos cabelos. — Foda-se, a que horas ele chegou? — Ele suspira, olha para mim de novo, e levantamos. — Estamos a caminho agora. — O que foi? — Pergunto, seguindo-o para fora do barco. — Você não vai acreditar quem simplesmente apareceu na casa da mãe de Lea, — ele rosna. — O ex de Rhonda? — Pergunto, pensando que de alguma forma atraímos o pedaço de merda. — Não. Da Lea. — Sério? — Agora é a minha vez de rosnar. — Que porra que ele faz lá? — Não sei. Rhonda apenas disse que ele bateu na porta. Ela sabia quem ele era imediatamente, porque Josie falara sobre ele e mostrou fotos deles. — Ele para, olha por cima do ombro para mim, e sorri. — Que bom que você tomou algumas doses; isso deve ajudar a manter a cabeça no lugar quando chegarmos lá. — Ou não. — O zumbido que eu sentia momentos atrás, agora está muito distante, substituído por um novo tipo de zumbido, aquele que tem os meus músculos tensos em antecipação. Não conheço o ex de Lea. Mas o fato de Lea ter o tocado, o amado, ter um anel em seu dedo que ele lhe deu, me faz sentir algo próximo do ódio pelo cara. Demora menos de quinze minutos do meu barco para a casa de Lea, e quando paramos, um Toyota Camry está estacionado na garagem. Eu sei imediatamente que é alugado do aeroporto. Estalo meu pescoço, abro a porta da caminhonete de Ben, e saio. Sem esperar por ele, eu entro na casa e digitalizo a sala de estar. Lea está sentada no sofá ao lado de Rhonda e um cara magro, vestindo jeans escuros que aparenta ser novo, um pulôver de lã, e tênis. Seu cabelo escuro está separado no lado. A aparência dele é como se estivesse em um catálogo de Eddie Bauer9, como se nunca tivesse usado jeans na vida, foi até a loja, e o vestiu. — O que está acontecendo? — Pergunto, e a cabeça de Lea oscila para mim e seu rosto empalidece.

9 É uma cadeia de lojas de roupas.

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— Austin, — ela sussurra. — Austin? — O cara na cadeira repete, e sua mandíbula começa a cerrar. — Imaginei que ele estaria aqui. — Ele olha para Lea como se acabasse de provar um ponto. — Você é? — Pergunto a ele, mesmo sabendo quem ele é. Sua mandíbula range; então um sorriso se forma no rosto. — O marido dela. — Ele se levanta e levanto uma sobrancelha para Lea, que de repente, parece perturbada. — Ex-marido. — Os olhos dela se estreitam, suas mãos se fecham e se voltam para cima de suas coxas cobertas de jeans. — Você ainda não disse por que está aqui, Ken. — Temos muito que falar, e eu precisava ter certeza de que estava tudo bem. Sua mãe estava doente, e soube que ela faleceu, então quando você não respondeu minhas ligações ou mensagens, eu decidi vim aqui para verificar você. — Não as respondi por que não queria falar com você. Não temos nada a falar, — ela diz a ele. — Estou preocupado com você, Peaches. Você foi embora, não falou com nenhum dos seus amigos, apenas se afastou de todos, inclusive de mim. — Bem, como você pode ver, eu estou bem, então pode ir. — Ela anda até a porta e abre-a, estendendo o braço para fora. — Peaches... Sua mão se levanta e o corta. — Não. Me. Chame. Assim. — Você amava esse nome. — Ele franze a testa, olhando para a mão dela. Inclinando a cabeça para trás, ela fecha os olhos, frustrada. Vou até ela sem pensar e a puxo para mim, segurando a parte de trás de sua cabeça e colocando-a em meu peito. — Você precisa ir, — digo para ele, segurando Lea mais apertado quando ela tenta se afastar de mim. — Você não pode me dizer o que fazer. Quero falar com a minha esposa. — Ela não é mais sua, — eu rosno, sentindo meu corpo apertá-la ainda mais.

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— Você gostaria disso, não é, que ela não fosse mais minha? Que pena, porque ela é. Não assinei os papéis. Queria ver se poderíamos resolver as coisas, — diz ele, e Lea, que ainda está em meus braços, está freneticamente tentando se afastar de mim, mas se eu não a segurar, serei direcionado a embrulhar minhas mãos ao redor do pescoço do pedaço de merda. — Seu imbecil! — Ela grita, pressionando o meu peito, mas seus olhos estão em seu ex. — Seu babaca! — Ela grita, respirando pesadamente. — Por que está fazendo isso comigo? — Ela sussurra poucos momentos depois, parecendo derrotada. — Por que não pode simplesmente me deixar em paz? Inclinando a cabeça, vejo que seus olhos estão fechados e sua respiração vem em ásperos ofegos. Raiva ferve dentro de mim. Ela não precisa disso agora, não com tudo o que está acontecendo. Olho do topo de sua cabeça para Ben, que tem o braço sobre os ombros de uma Rhonda de aparência pálida, e levanto meu queixo. Passo Lea para ele, então me coloco na frente do ex de Lea, inclinando o rosto em direção ao dele. — Eu vou te dizer mais uma vez para ir, ou então colocarei o seu rabo para fora. — Não há quartos na cidade. Não tenho nenhum lugar para ficar, — ele diz enquanto seus olhos movem de mim para Lea. — Você tem um carro, — digo, dando mais um passo na direção dele, forçandoo a retroceder. — Não vou dormir no meu carro. — Bem, vendo como Lea agora é minha, — sussurro, abaixando o rosto mais perto do dele para que somente ele possa me ouvir, — Você não ficará aqui. — Ela não é sua, — ele sibila, batendo em mim com o peito. — Ela sempre foi minha, e eu acho que você sabe disso, não sabe? — Foda-se. — Ele empurra meu peito, mas em vez de tocá-lo, eu uso o meu tamanho para forçá-lo a dar mais um passo para trás, em seguida, passo para o lado e fecho a porta na cara dele. Estive no meu quinhão de lutas, mas agora, neste momento, sinto-me volátil. Quero abrir a porta e esmurrar a cara dele. Deixo a minha cabeça cair para frente e tento fazer passar a raiva que está nublando minha visão. — Eu o odeio, — sussurra Lea. Eu me viro para olhar para ela, sentada no sofá e com a cabeça em suas mãos.

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— Você ainda está casada com ele? — Rhonda pergunta suavemente enquanto esfrega suas costas. — Não, eu não sei. — Ela levanta a cabeça e nossos olhos se encontram. — Não liguei meu telefone ou verifiquei meu e-mail desde que vim para casa. — Idiota do caralho, — Ben resmunga, então abre ligeiramente as cortinas para olhar para fora. — Ele foi embora? — Lea pergunta. — Não, o filho da puta ainda está sentado lá fora. — Devemos chamar a polícia? — Rhonda pergunta, parecendo com medo e o grande corpo de Ben congela, então se vira para olhar para sua esposa. — Não, querida. Não acho que ele seja violento, — ele diz a ela suavemente, afastando-se da janela e se agachando na frente dela. — Ele é apenas estúpido, — Lea diz, lendo a situação. Rhonda olha de Ben para ela e acena, respirando aliviada. — Vá pegar seu telefone, baby, — digo a Lea, e sua cabeça balança na minha direção. — Eu quero que você ligue para o seu advogado e pergunte o que diabos está acontecendo. — Boa ideia. — Ela se levanta do sofá e desaparece no final do corredor, voltando poucos momentos depois com um telefone e um longo carregador, o qual ela conecta a tomada e ao telefone. — A bateria está morta, — ela explica. É quando eu noto um leve rubor em suas bochechas e seu lábio inferior parece mais escuro do que o normal, como se o mordesse. A vontade de beijá-la novamente se senta no meu intestino enquanto a observo. — Tenho cinquenta mensagens de voz, — ela murmura distraidamente, e pressiona mais um par de botões, colocando o telefone no ouvido. — Oi, Elaine, é Lea. Tom está disponível? Ok, obrigada. — Ela olha para mim. — Ele está lá, — ela diz, então eu aceno, lutando contra um sorriso; ela é tão malditamente adorável. — Olá, Tom. Sim, eu ouvi. Ele apareceu aqui e me deu a notícia, — ela diz, e os nós dos dedos ficam brancos conforme o ouve falar. — Não, eu não quero estar casada com ele mais. É por isso que eu contratei você e pedi o divórcio em primeiro lugar. — Seus olhos se estreitam e inclina a cabeça para trás. — Bem, se tivermos de

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fazer isso, então, por favor, vá em frente. Basta enviar-me os papéis. — Ela suspira e abre os olhos, travando nos meus mais uma vez. — Ok, nós vamos nos falar amanhã. Obrigada, Tom. — Ela abaixa a cabeça e coloca o telefone em cima da mesa. — Ele não estava mentindo. Ele não assinou; então agora eu preciso apresentar uma petição aos tribunais. — Que idiota, — Rhonda entra na conversa de seu lugar no sofá, onde Ben a tem debaixo do braço. — Simplesmente não entendo por que ele está fazendo isso, — Lea diz, parecendo exasperada. — Porque ele é um idiota, — eu a lembro. — Sim, ele é. Minha mãe o odiou desde o momento em que se conheceram. — Sério? — Isso me surpreende. Imaginei que, pelo menos no início, ela teria pensado que fosse bom para sua filha. Bom o suficiente para ela nunca me dizer para onde Lea foi, bom o suficiente para que ela nos mantivesse separados por quinze anos. — Ela pensava que ele era sorrateiro, — ela informa, deixando-me irritado. — Por que você se casou com ele, então? — Eu rosno, e seus olhos balançam de mim para Rhonda e Ben antes de encontrar os meus novamente com lágrimas enchendo-os. — Desculpe, licença. — Ela me empurra ao passar por mim, indo em direção ao fundo do corredor. Fecho minhas mãos e olho para Ben, que sacode a cabeça uma vez. Sei que preciso manter a calma, mas não posso suportar a ideia dela com alguém, e me irrita saber que ele não foi bom para ela. — Foda-se, — murmuro, seguindo pelo corredor e batendo na porta uma vez antes de entrar no quarto dela, encontrando-a de frente para a parede, com a cabeça baixa e ombros curvados. — Apenas me dê um minuto. — Ouço lágrimas em sua voz e isso me corta. — Vem cá, Lea. — A cabeça dela treme e os ombros se curvam ainda mais. — Lea. — Não, — ela choraminga como se estivesse com dor. — Por que eu me casei com Ken não é algo que eu possa falar com você.

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— Por enquanto eu deixarei você reter isso, baby, — digo a ela, mantendo meu lugar perto da porta. — Eu só queria, por uma vez na minha vida, as coisas do meu jeito. Essas palavras me esmagam e forço meus pés a me mover a ela. Girando em torno dela, a puxo para frente do meu corpo, descansando meu queixo no topo de sua cabeça. — Ficará melhor, Little Lamb. — Sinto muito sobre o beijo. Eu não deveria ter feito isso. Não sei o que eu estava pensando, — ela sussurra, apertando o rosto no meu peito coberto pela camisa. — Eu correspondi o beijo, — a lembro. Sua cabeça eleva e seus belos olhos confusos, ainda molhados de lágrimas, encontram o meu olhar. — Nós temos um monte de merda para falar Lea. — Digo em voz baixa enquanto levanto minha mão para afastar um pouco de seu cabelo do rosto e curvo meus dedos em torno de sua mandíbula. — Chegará o tempo de fazermos isso, mas você está certa; agora não é o momento. Agora, eu quero que você se esforce para ficar mais forte. — Estou cansada de ser forte, — ela sussurra, abaixando a cabeça e a voz até que é quase impossível ouvi-la. — Por uma única vez eu queria que cuidassem de mim. Foda-me. Ouvi-la dizer essas palavras me mata. Meus braços a apertam, querendo levá-la para longe, protegê-la de tudo e de todos. Nunca pensei nisso assim, nunca pensei sobre quanta força tinha de segurar dentro de seu corpo minúsculo a fim de sobreviver a perda de seu pai, para ficar longe de casa, de mim, se divorciar de alguém que prometeu amar para assistir a mãe morrer. Essa declaração foi uma virada de jogo. Lea precisa de alguém para ser forte para ela, para segurar sua mão e mostrar o caminho. Sei que não será fácil, mas eu sei que se sairmos dessa juntos, tudo valerá a pena. Só precisarei encarar tudo isso de frente quando acontecer, e rezar para que esta merda não exploda na minha cara. — Você está bem para voltar? — Pergunto depois de um longo momento, esfregando as mãos nas costas dela. — Sim. — Ela balança a cabeça, dando um passo para longe de mim e enxugando os olhos de novo, então inclina a cabeça para trás e nossos olhos se

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encontram. — Obrigada por... — ela engole, e mais lágrimas enchem seus olhos. — Obrigada por ser meu amigo, — ela murmura, abaixando a cabeça sem me dar chance de responder, e sai do quarto. — Ele ainda está sentado dentro do carro. Devemos chamar Zach e dizer que ele está invadindo? — Ben pergunta, referindo-se a um dos nossos amigos, que também acontece de ser o xerife da cidade. — Por que você e eu não saímos e conversamos com ele? — Digo ao meu melhor amigo, observando um sorriso se formar no rosto dele. — Eu vou falar com ele, — Lea diz, indo para a porta da frente. Estico o braço e envolvo sua cintura, puxando-a para mim, em seguida, abaixo a minha boca em direção ao seu ouvido. — Você não vai falar com ele. — Isto não tem nada a ver com você, Austin, — ela corta. — Eu digo o contrário, Little Lamb. — Eu a coloco atrás de mim e abro a porta da frente, descendo os três degraus para o cascalho quando Ken levanta a cabeça e seu olhar encontra o meu através do para-brisa. — Austin! — Lea grita atrás de mim, e eu viro, olho por cima do meu ombro, e digo a Ben: — Segure-a. — Ele levanta o queixo e coloca um braço em volta dos ombros dela, mantendo-a no lugar enquanto Rhonda sorri para mim. — Juro por Deus, Austin, eu vou chutar o seu traseiro! — Ela grita, me fazendo rir conforme eu ando até a porta do lado do motorista do carro alugado de Ken e toco na janela. — Há uma razão para você ainda estar aqui? — Pergunto assim que ele desce alguns centímetros da janela. Sua mandíbula aperta e as mãos torcem o volante. — Não há quartos disponíveis em nenhum dos hotéis nesta porra de cidade. Não duvido dele. Esta cidade tem dois hotéis, e todos os anos, desde o início da temporada de pesca até o fim, cada um deles fica reservado. Pessoas reservam quartos com um ano de antecedência, se não mais.

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— Não sei o que te dizer. Acho que deveria ter pensado nisso antes de voar o seu rabo por todo o caminho até aqui. — Dou de ombros, cruzando os braços sobre o peito. — Foda-se, — ele geme, inclinando a cabeça para trás. — Exatamente o que você achou que ia acontecer quando chegasse aqui? Você desistiu dela, a traiu, e então vem aqui, quando a mãe dela morre, e espera o que? — Eu rosno, querendo colocar minhas mãos em volta do pescoço dele. Rangendo os dentes, ele afasta os olhos de mim para olhar através do para-brisa. É quando eu pego o olhar nos olhos dele com o qual eu sou muito familiarizado. Saudades. — Pense o que quiser, mas você não pode sequer começar a compreender como é amar alguém quando ela está apaixonada por outra pessoa, quando você está lá apenas para preencher um vazio que está tão escancarado que você nem sequer tem uma chance. Não pense que eu não a amava. — A diferença entre você e eu, homem, é que eu não teria desistido dela. Teria lutado por nós, ainda que isso significasse amá-la o suficiente por nós dois. — Você não tem ideia do quanto eu tentei, — ele corta. — Não importa agora. — Dou de ombros e dou um passo atrás. — Ela está em casa e ela é minha. Outra diferença entre você e eu, embora ela quisesse ficar longe de mim, eu nunca a deixaria. — E com isso, dou um passo para trás e toco no teto do carro. — Você precisa sair da propriedade ou chamo o xerife. Ele olha para mim, mas liga o carro e sai da garagem. Eu fico lá com os braços cruzados sobre o peito, observando até que ele desaparece. — Não posso acreditar que você fez isso, — Lea diz quando volto para a varanda da frente. — Você quer que ele fique aqui? — Pergunto, levantando uma sobrancelha, e seus lábios viram para baixo. — Bem, não, mas eu mesma poderia ter dito a ele para sumir. — Sim, você poderia, mas eu fiz isso por você. — Um fogo que não via há algum tempo ilumina seus olhos e suas mãos se enrolam em punhos. — Bem, não faça, — ela rosna, então pisa para dentro da casa, deixando a porta de tela bater fortemente atrás dela.

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— Aperte seu cinto de segurança, baby. Parece que a merda está prestes ficar real, — Ben diz, envolvendo os braços ao redor da cintura de Rhonda e descansando a mão na barriga dela. — É errado eu estar realmente animada para ver o que vai acontecer? É como assistir O Diário de uma Paixão, só que na vida real, — ela encena um sussurro. — Jesus, — eu gemo, correndo a mão sobre a minha barba. — Bem, é. — Ela franze a testa, depois sorri. — Só que você é muito mais quente do que Ryan Gosling. — Você acabou de chamar Austin de quente? — Ben rosna no pescoço dela, fazendo-a rir. — Você é ainda mais quente, querido, — ela diz com um sorriso; em seguida, olha para mim, preocupação transformando suas feições. — O que mudou? — Ela pergunta diretamente. — Você sabe que eu seguia esse caminho, — respondi. — Eu sei, mas depois do que aconteceu esta tarde, eu apenas achei que você não tivesse mais certeza, — ela diz baixinho, olhando para a casa. — Não é isso, Ro, — digo a ela calmamente. — Sei que você é um bom rapaz, Austin, e sei que você não vai machucá-la de propósito, mas vá com calma. Levanto meu queixo, não estando disposto a falar sobre essa merda com ela. Tenho a sensação de que se ela souber o meu plano, ela não gostará muito, mas não voltarei atrás. Lidarei com a merda quando acontecer e orarei que tudo funcione no final. — Entre, baby, — Ben diz a ela, e ela vira a cabeça para olhar por cima do ombro, dando um beijo na mandíbula dele antes de abrir a porta de tela e entrar. — Então, qual é o plano? — Ele pergunta, virando e apoiando os antebraços no parapeito da varanda. — Na verdade, não tenho um, — murmuro. — Não posso acreditar que o ex dela apareceu aqui. — Eu posso. Quinze anos se passaram, e nesse tempo, eu tive mais mulheres do que eu gostaria de admitir, mas nenhuma delas sequer chegou perto de me dar o

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que ela me deu, e sei que ninguém nunca irá. — Passo minhas mãos sobre meu rosto, e viro para olhar através da porta de tela. Lea está de pé na sala de estar com as mãos na barriga de Rhonda e um sorriso no rosto que aumenta sua beleza até dez vezes. — Ele fodeu tudo, e não desculpo o que ele fez, mas ele aproveitou a chance de vir aqui e ser seu ombro para chorar, pensando que ela não tinha ninguém, esperando que de alguma forma pudesse preencher o vazio que corre profundamente dentro dela. — Ainda assim, movimento de um completo idiota, — ele ronca, mas meus olhos ainda estão em Lea enquanto ela sorri, vagando as mãos sobre a barriga de Rhonda. — Sim. — Foi uma jogada idiota, mas eu entendi. Às vezes, na vida, só é dado a chance de algo bonito uma vez, e quando você tem isso ao seu alcance, fará qualquer coisa para mantê-lo, mesmo se você acabar esmagando-o no processo. Assistindo Lea neste momento, eu sei que ali é onde ela deve estar. Eu odeio ter tido quinze anos roubados de nós, mas sei que se as coisas forem do meu jeito, vamos ter sessenta para compensar isso.

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Capítulo 09 Lea Fico deitada na cama, olhando para o teto enquanto a luz de fora brilha através da janela, lançando sombras sobre a superfície irregular, e rezo para dormir. Embora passe de uma hora da manhã, a noite parece mais com o anoitecer. Se eu ficar aqui precisarei comprar cortinas escuras e persianas porque estou acostumada a dormir no escuro, e a luz, juntamente com o meu cérebro que nunca parece desligar, está me deixando exausta. Acho que agora eu tenho uma boa razão para não cair no sono. Meu ex-marido está na cidade, bem, eu acho que ele não é realmente o meu ex. Então, Austin... Não tenho ideia do que está acontecendo com ele. Algo mudou. Não sei quando, mas posso sentir isso no toque dele e ver na forma como ele olha para mim. E isso me assusta mais do que qualquer coisa tenha me assustado há muito tempo. Rolo para de lado para ficar de costas para a janela, então ouço um leve tap, tap, tap vindo da porta da frente. Franzo a testa, e ouço novamente. Ben e Rhonda

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saíram por volta das nove, e Austin ficou até as dez, saindo logo depois porque precisava se levantar as quatro para trabalhar. Quando o acompanhei até a porta, ele me deu um longo abraço e um beijo na testa, e depois arrastou os lábios sobre os meus,

antes

de

caminhar

até

sua

caminhonete,

deixando-me

querendo

mais. Correndo os dedos distraidamente sobre os meus lábios, eu me levanto, acendo a luz e puxo o meu suéter de caxemira de grandes dimensões das costas da cadeira. Vou tranquilamente para a janela da frente na sala de estar e espreito através das cortinas, vendo que o carro que Ken conduziu até aqui mais cedo está estacionado em frente. — Maldição, — assobio baixinho, olhando para a porta novamente quando a batida reinicia. — Lea, eu sei que não deveria ter aparecido. Sei que deveria ter assinado os papéis. Sinto muito, Peaches, mas eu realmente não tenho para onde ir. Todos os hotéis estão reservados, e não há voos disponíveis até domingo. Posso entrar, por favor? Dormirei no sofá. — Isto não pode estar acontecendo, — murmuro. Não queria de maneira nenhuma estar no mesmo estado que o meu ex-marido, muito menos sob o mesmo teto, mas sei que ele provavelmente está dizendo a verdade sobre os hotéis e os voos, então me sinto em conflito e desejo por uma vez não ter uma consciência. Mordo meu lábio, debatendo o que fazer. Luzes piscam na sala escura, um motor desliga, e uma porta bate. — Que diabos você está fazendo aqui? — Ouço Ken dizer, e franzo a testa para porta quando começam bater alto. — Lea, abra. — Agora Austin? Você está brincando comigo? O que diabos é isso? Assim que abro a porta, Austin coloca a mão na minha barriga, empurrandome para dentro de casa, e fecha a porta atrás dele. — O que você está fazendo aqui? — Franzo a testa. — Pedi para Zach dirigir por aqui, e se ele visse o carro de Ken, que me ligasse, — explica ele, olhando para a porta.

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— Lea, eu posso, por favor, falar com você sozinho? — Chama Ken. Minha mente começa a correr. Não preciso disso, não hoje à noite, não quando sinto como se meu corpo estivesse prestes a parar por falta de sono e estresse. — Ele disse que não pode pegar um voo até domingo e que não há quartos na cidade. Não posso simplesmente fazê-lo dormir no carro por dois dias. — Ele não ficará aqui, a menos que eu fique, — ele diz, e posso realmente sentir suas palavras grunhidas vibrarem pelo meu corpo me fazendo formigar. — Perdão? — Você me ouviu. Eu o ouvi, mas o que diabos está acontecendo? — Isto não pode estar acontecendo, — eu gemo de frustração mais uma vez. — Ninguém dormirá no quarto da minha mãe, e isso só deixa o sofá e a minha cama, a menos que você esteja disposto a dormir com ele, — empurro o polegar em direção à porta, — isso não vai funcionar. — Vou dormir com você. — Não. — Então eu acho que ele dormirá no carro dele. — Você não tem que trabalhar amanhã? — Sou o meu próprio chefe, baby. — Ele dá de ombros. — Tudo bem. — Eu deveria apenas fazer o imbecil dormir no carro, mas me sentiria horrível o tempo todo. — Consciência estúpida. — Murmuro sob a minha respiração. Indo para a porta, abro-a, e olho para o meu ex, um homem que eu pensei amar, que eu acreditava que me amava, cara, como eu estava errada. Tão completamente errada disso, até mesmo agora, a culpa me bate forte. — Você pode dormir no sofá, — digo a ele, e sem esperar a resposta dele, eu fujo pelo corredor até o meu quarto e fecho a porta. Não quero nem pensar em Austin dormindo comigo no quarto, mas estaria mentindo se dissesse que não me sinto melhor sabendo que ele está na casa. Ouvindo um par de portas se fechando, eu tiro o suéter, o que me deixa de shorts de dormir e um top, e vou para a cama. Segundos depois de me deitar, minha

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porta se abre e Austin entra no quarto. Seus olhos vagueiam sobre mim, então ele desliga a luz, mas isso não faz nada para impedir meus olhos de vê-lo deslizar seu moletom com capuz pela cabeça, em seguida a camisa, deixando seu amplo peito exposto e mostrando uma tatuagem que eu não sabia que ele tinha e o abdômen plano, não excessivamente definido, mas definitivamente visível. Então suas mãos vão para os botões da calça jeans e ele puxa para baixo, deixando-o em um par de cuecas boxer que moldam os músculos grossos de suas coxas. Seu grande corpo é imponente e quase predatório enquanto ele caminha em direção à cama. Meus olhos controlam todos os movimentos dele, da forma como seus braços penduram em seus lados, para a forma como seus músculos flexionam sob sua pele. Tivemos relações sexuais quando éramos adolescentes, e amei a forma como ele me fez sentir na época, a maneira como ele era tão grande e robusto, sempre me fazendo sentir feminina e pequena. Mas esse Austin é alguém completamente diferente. Ele não apenas ocupa o espaço no meu quarto; ele comanda-o; olhando para ele agora eu posso ver a ascendência Viking em suas características, a qual só serve para torná-lo mais bonito e aterrorizante ao mesmo tempo. Quando ele se aproxima da cama, eu me pergunto como diabos nós trabalharemos isso. O tamanho queen é grande para mim, e seria para duas pessoas normais, mas com o tamanho de Austin, eu sei que parecerá uma cama de solteiro. — Dei alguns cobertores e merda que estava no armário para ele. — Oh, — nem sequer pensei nisso, — Obrigada. — Uh-hum, — ele resmunga, puxando as cobertas e deitando. Imediatamente, eu sinto o calor de seu corpo e sua pele tocando a minha. A pior parte é que sequer posso pedir para ele se afastar, porque ele ocupa toda a maldita cama sem nem tentar. Deitado desajeitadamente, seu corpo se volta para o meu, sua mão desliza debaixo do meu pescoço e sua outra mão estabelece sobre a minha cintura. Meu corpo e os pulmões congelam, mas ele não se move novamente, então eu viro para o meu lado, de frente para a porta, e me encolhendo em uma bola, trago meus joelhos até meu peito. Então eu movo o travesseiro para que ele esteja debaixo da minha cabeça, em vez do braço de Austin. Eu movo novamente, chutando uma perna para fora das

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cobertas, em seguida, viro ligeiramente sobre o meu estômago, com uma perna levantada. — Cristo, — ele rosna, colocando o braço em volta da minha cintura, puxando minhas costas à sua frente até que meu corpo molda o dele. — Austin, — assobio o nome dele e me afasto, mas seu braço simplesmente me aperta. Finalmente desisto, por frustração e exaustão, e adormeço tentando ignorar como é bom estar nos braços dele. Acordei me sentindo quente, muito quente, com um peso me pressionando. É preciso um momento para lembrar que ainda estou na cama com Austin, mas mudamos de posições em algum momento durante a noite e agora o corpo dele está metade em cima do meu, seu braço em volta de mim, sua coxa sobre ambas as minhas. Inclino a cabeça para trás e olho para o relógio, vendo os números vermelhos informarem que são alguns minutos depois das seis. Ainda estou cansada, mas dormir melhor do que tenho dormido em um longo tempo. Debato comigo mesma sobre uma forma de sair da cama, e levanto a metade dos lençóis, fazendo Austin resmungar alguma coisa, ir um pouco para trás e tirar sua coxa da minha, mas em seguida, enrola o braço mais apertado em torno de mim e me prende no lugar. Meus olhos começam a pesar enquanto fico deitada ouvindo o som de seu suave ronco no meu ouvido, e antes de saber, estou dormindo novamente. A sensação de mãos ásperas movendo-se na parte de trás das minhas coxas, sobre minha bunda, e se estabelecendo acima da minha bunda, faz os meus olhos abrirem. — Baby, você tem que se afastar, — é rosnado; meu coração começa a bater forte e meu estômago fica em nós. Minhas pernas estão envolvendo a cintura de Austin, meu núcleo perto de algo grosso e duro, e minha bochecha pressionada contra o peito coberto de pelos. Percebendo onde estou eu voo para trás, ficando com os pés enrolados no cobertor, e caio da cama, de bunda no chão. — Merda, — sai da boca dele, e de alguma forma ele consegue me pegar como se eu não pesasse nada, me trazendo de volta para a cama e me colocando na frente dele, passando as mãos sobre mim. — Você está bem?

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Aceno. Estou bem. Meu ego, nem tanto. Sinto meu rosto esquentar uns cem graus e vejo um sorriso contrair seus lábios, então uma gargalhada logo segue quando ele cai em cima da cama. — Não é engraçado, — eu bufo, e depois penso sobre quão louca devo ter parecido e cubro a boca conforme um riso incontrolável borbulha no fundo da minha garganta. — Baby, essa merda foi malditamente engraçada. — Ele ri mais forte, fazendome pegar um travesseiro da cama e enfiar minha cara nele enquanto rio alto, curvando-me com a força dele. — Você tem certeza que está bem? — Ele pergunta após sua risada morrer e eu afastar o meu rosto do travesseiro. — Sim, eu estou bem. — Inclino um pouco o meu rosto, desviando os olhos dos dele. — Que horas são? Olho para o relógio e sinto meus olhos se arregalarem. — Puta merda! — O quê? — Ele vira a cabeça e olha para o relógio. — São apenas dez. — Há muito tempo só durmo até as seis, — murmuro, sabendo que de alguma forma ele fez isso, ele fez com que fosse possível eu dormir. — Você precisava dormir. Eu não ia acordá-la, mas preciso mijar. — Esse lembrete faz o meu rosto, que se esfriara, esquentar novamente. Também me faz pensar quanto tempo eu dormi em cima dele com ele acordado, até então. Eu o vejo sair da cama, pegar os jeans do chão e colocá-los, meus olhos fixos na grande protuberância em suas boxers antes de ser coberta pelo jeans desgastado. Então ele abre a porta e sai do quarto. Permaneço lá, me perguntando o que diabos está acontecendo na minha cabeça. Minha mãe acabou de falecer e tenho uma dor no peito, da qual não consigo me livrar, mas também tenho essa corrente de felicidade fluindo através de mim. É uma sensação estranha estar triste e feliz ao mesmo tempo, mas é o que estou sentindo. Não me lembro da última vez que eu ri assim, ri tanto que meus músculos do estômago até doíam. Saindo da cama, eu pego meu suéter da cadeira e o visto, em seguida, procuro na gaveta até encontrar um par de minhas meias de cashmere que

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vão até o meio da coxa. Quando a porta se abre outra vez, eu me impeço de olhar para Austin, até que ele rosna: — Você não usará isso lá fora. Minha cabeça gira, e com uma carranca, pergunto: — O quê? — As meias. — Ele balança a cabeça e sua boca entorta nos cantos. — Você não as usará lá fora. — Por quê? — O imbecil ainda está aqui. — Não me esqueci disso, Austin. — Reviro meus olhos e me levanto depois de ajustar o material macio. — Tire-as. — Não. — Cruzo os braços sobre o peito, mas então meu corpo retrocede, minhas panturrilhas batem a cama, e caio para trás com um salto. — Que diabos você está fazendo? — Eu guincho quando meus pés são puxados para cima. Tento chutar, mas ele agarra ambas as pernas com um braço em torno de minhas coxas e retira uma meia, depois a outra; eu me esforço, rolando e me debatendo de um lado para o outro. — Devolva-as! — Eu grito. — Porra, não. Use meias normais. — Oh, meu Deus, devolva-as agora. — Você não usará essas malditas coisas, de modo que supere isso, — retruca. — Você não pode me dizer o que vestir! — Eu praticamente grito. — Acabei de fazer. — Diz ele, afastando-se de mim. — Austin, Deus me ajude. — Inclino a cabeça para trás em frustração. — Devolva-as neste exato momento ou chutarei o seu traseiro. — Experimente, baby, e eu espancarei você, — ele rosna, inclinando-se para mim. — Você não acabou de ameaçar bater em mim. — Fiz e vou. — Ele cruza os braços sobre o peito nu e minhas meias oscilam em uma mão. — Por favor, dê-me as minhas meias. — Tento uma tática diferente, esperando que meu tom mais suave o faça ver quão estúpido é isso. — Não.

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— Tudo bem. — Dou de ombros, vou até a minha gaveta e encontro outro par em uma cor diferente. Acho que estou livre quando sua mão as tira de mim, adicionando-as as outras duas que ele já tem. — Por que está sendo tão ridículo? — Eu já te disse; o imbecil está lá fora. — E o que ele tem a ver com você segurando minhas meias como refém? — Entrei no quarto e a primeira coisa que pensei foi que eu quero você naquelas meias e nada mais, com as suas longas pernas em volta da minha cintura enquanto a fodo — ele rosna. Minha respiração sai em uma lufada repentina quando a imagem de mim debaixo dele, minhas pernas em torno de seus quadris, seu rosto perto do meu, o nosso corpo em sincronia e suados enche minha cabeça. — Oh. — Sim, oh. — Ele enfia as meias na gaveta e a fecha, depois pega a camisa do chão, vestindo-a. Assisto a isto, ainda atordoada com o que ele disse. Eu sei que ele me disse que correspondeu ao beijo, e sei que algo está mudando, mas admitir que me quer não é algo que eu planejava ouvir dele nunca mais. — O que está acontecendo? — Pergunto, nem sei se as palavras são altas o suficiente para serem ouvidas. Seus olhos digitalizam meu rosto e ele dá um passo em minha direção, abaixando a cabeça para o lado, fazendo com que seus lábios escovam meu ouvido enquanto murmura: — Algo bonito, Little Lamb, — antes de dar um passo atrás, ele pressiona a boca na minha no mais leve dos toques, abre a porta e sai do quarto, deixando-me lutando para respirar. Mas, dessa vez, não dói. Leva-me alguns minutos para construir a coragem de sair do quarto, mas quando eu faço, entro na cozinha, e vejo algo que nunca, nunca pensei que veria. Austin se servindo de uma xícara de café em sua calça jeans, camiseta e os pés descalços, e Ken de pé, de costas para o balcão, inclinando-se sobre ele, com um copo de café na mão, usando o mesmo que Austin. Olhando entre os dois eu quero virar e deixar o pequeno espaço antes que qualquer um deles possa me notar. — Quer café, baby? — Austin pergunta, e olho dele para Ken, vendo seu corpo enrijecer com o canto do meu olho. Virando a cabeça, nossos olhares se conectam, fazendo minhas entranhas retorcer com inquietação. Não o amo mais. Sinceramente,

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nem sequer gosto muito dele como pessoa, mas o amei uma vez. Talvez não com tudo em mim, mas uma parte de mim o amava o suficiente para passar o resto da minha vida com ele. Mas se for honesta comigo mesma, se as coisas não tivessem acontecido da maneira que aconteceram, se ele tivesse sido fiel a mim, eu não sei onde estaríamos. Sinto minhas unhas cavarem em minhas mãos, quase como se tentasse agarrar a sensação que tive minutos atrás. Aqueles poucos minutos de felicidade que tive com Austin estão sendo lavados pelo olhar nos olhos de Ken. Uma mão quente toca minha bochecha, curvando-se para cima e em volta da minha orelha. Levanto os meus olhos para encontrar os azuis de Austin e meus olhos se fecham quando exalo um suspiro, não totalmente compreendendo como um olhar, um pequeno toque dele, pode fazer tudo se desvanecer. — Posso falar com você, Lea? — Ken pergunta, e meus olhos espremem fechados antes de abrir novamente, mas em vez de ver Ken, vejo Austin, seus olhos preocupados analisando o meu rosto. — Por favor? — Ken pede impaciente. — Não temos nada para falar. Falei com Tom, e apresentarei uma petição ao tribunal. — Não quero falar sobre isso. Vou assinar os malditos papéis. — Cuidado, — Austin rosna. — Posso falar com a minha maldita mulher? — Ken ruge, e Austin está na frente dele antes que eu possa sequer piscar, seus corpos peito-a-peito. — Não levante a voz para ela. Ela não lhe deve porra nenhuma. O peito de Ken incha, mas em seguida seus ombros caem e seus dedos apertam a ponta do nariz. — Quero apenas falar com ela. Coloco minha mão nas costas de Austin, sentindo os seus músculos contraírem e liberarem do meu toque. — Está tudo bem, — digo a ele suavemente. — Não te deixarei sozinha aqui com ele. Se ele quiser falar, ele pode fazer isso comigo aqui, ou nada. — Eu ficarei bem.

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— Não, — ele diz com firmeza, e o copo de café de Ken cai sobre o balcão, fazendo café se espalhar sobre ele. — Sinto muito, ok? — Ken rosna, travando o seu olhar com o meu. — Me desculpe, eu nunca fui o suficiente. Desculpe-me por não tentar mais. Sinto muito pela morte da sua mãe, e realmente sinto muito por ter tido um caso. Meu coração começa a bater forte, fazendo um whoosh, whoosh, whoosh soar e encher meus ouvidos enquanto ele continua: — Eu sinto tanto, Lea, e sei que não muda nada, mas você precisa saber que se eu pudesse voltar no tempo, eu teria feito as coisas de forma diferente. Então seus olhos vão entre Austin e eu, e aflição enche suas feições. — Mas isso não importa, não é? Aqui é onde você deveria estar. Com essas palavras de despedida, ele sai da cozinha, e alguns segundos depois, a porta da frente se abre e bate, me fazendo estremecer quando o som áspero vibra através da casa. Fecho os olhos, e braços me envolvem, me abraçando, me protegendo. Não sei quanto tempo ficamos assim, mas, eventualmente, Austin me solta, voltando para o pote de café, enchendo um copo, e o entregando para mim. — Fale comigo. — Ele se inclina contra o balcão, erguendo a caneca à boca e tomando um gole. Apesar de sua pose ser casual, seus olhos avaliam. Posso vê-lo tentando ler o que estou pensando, o que estou sentindo só que não entendo o que está acontecendo dentro de mim. — Não sei se isso é algo que eu deveria falar com você. — Eu sei que você estava casada com ele, Lea. Sei que o amava e transou com ele. Acho que você não pode dizer nada que vá me chocar. — Ok, então, eu não quero falar com você sobre isso. — Fale comigo, — ele repete. — Não me lembro de você ser tão mandão ou chato, — resmungo, tomando um gole de café. — Quinze anos atrás, eu não prestei atenção e você se afastou de mim. Não ouvi quando você me perguntou se eu alguma vez quis deixar este lugar, se alguma vez pensei em fazer outra coisa com a minha vida além da pesca. Não deixarei isso acontecer de novo, Lea, — ele diz em voz baixa. Mesmo tão delicadamente como as

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palavras são faladas, elas lentamente me cortam, expondo velhas feridas, fazendo-me sentir crua e vulnerável por estar lá diante dele. Meu nariz arde e luto contra as lágrimas, ainda me atrevendo a perguntar: — O que está acontecendo entre nós? Um minuto, você diz que me odeia, então eu te beijo e você foge. E então... Então, esta manhã... — deixei a última parte no ar enquanto abaixo os olhos para que ele não possa ver o meu rosto ficar vermelho como se voltasse a ser uma adolescente em vez de uma mulher adulta. — Já te disse que não odeio você. — Seus dedos debaixo do meu queixo levantam a minha cabeça para que nossos olhos se encontrem. — Nunca odiei. Sim, o beijo me pegou de surpresa. Sua mãe acabou de falecer, e não quero que você use o que está sendo construído entre nós como uma forma de escapar da dor de perdêla, para então se arrepender quando estiver em sua cabeça novamente. Quanto a você e eu... — seu rosto suaviza e sua voz cai uma oitava, — nós somos inevitáveis, Lea, e sei que você sente isso também. Sou atraído por você de uma maneira que, mesmo se cinquenta anos se passarem, eu ainda te ansiaria em um nível primitivo. — Eu... — as palavras ficam alojadas na minha garganta enquanto olho para ele. Sei que ele está certo; tanta coisa mudou, e ao mesmo tempo, tudo o que tínhamos tantos anos atrás ainda está vivo, como uma coisa viva, respirando. Havia mudado com o tempo, mas ainda é familiar. — Fale comigo, baby, — diz ele novamente. Dou um passo atrás e me inclino sobre o balcão, tomando um gole de café enquanto coloco meus pensamentos em ordem. — Sei que é estúpido, mas eu me sinto culpada. Quando o confrontei sobre o caso dele, ele nunca se desculpou. Ele me fez sentir como se eu o tivesse forçado a entrar em um relacionamento com outra pessoa. — Ainda posso sentir suas palavras como um tapa na cara quando ele as gritou para mim em nossa cozinha no dia que eu vi uma mensagem entre Courtney e ele, que era mais que apenas negócios. — Você não me ama, então encontrei alguém que ame. Foi isso que ele me disse quando perguntei o porquê para ele.

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— Posso te perguntar uma coisa? — Aceno, dando permissão a ele. — Se toda esta situação fosse da mesma maneira, com a sua mãe precisando de você em casa, mas você ainda estivesse casada com ele, você viria para mim? — Você pergunta se eu teria um caso com você? — Questiono. — Sim, você teria um caso comigo, você exploraria as coisas entre nós enquanto estava casada com outra pessoa? — Não, — digo, até mesmo sem precisar pensar sobre isso. Posso desejar, mas de maneira nenhuma eu faria isso. — Quando disse os meus votos, eu os levava a sério, na esperança de que os sentimentos que eu sentia por ele se tornariam mais com o tempo. Eu sei que não o amava do jeito que deveria, mas tentei. — Esse é o meu ponto, Lea. Ele fodeu, você não tem nada que se sentir culpada. Ele deveria ter dito diretamente que queria o divórcio antes de ir e te trair. Isso não é sobre você. É sobre ele. Sei que é uma droga para você, mas ele fodeu, não você. — Eu me senti aliviada, — sussurro, baixando o olhar novamente. — Perdão? — Ele pergunta, mergulhando o rosto para o meu para que pudesse ver o meu rosto. Limpando a garganta, eu levanto o meu olhar para ele e me explico. — Eu me senti aliviada quando tive um motivo para me divorciar dele. — Confesso, sentindo as lágrimas escorrerem para as minhas mãos, as quais seguram a xícara de café de forma mais apertada. — Por que não teve filhos com ele? Ergo a cabeça e meus lábios se separam. Quando Austin e eu éramos jovens, nós falamos muitas vezes sobre ter filhos e o tipo de pais que seríamos. Eu sempre quis ser mãe, e queria um bebê com Ken, mas ele sempre disse que o timing não estava certo, que deveríamos esperar. Ele sempre tinha uma razão para não tentar, até que parei de falar com ele sobre isso, e só se tornou outra dor profunda dentro de mim que nunca seria realizada. — Eu conheço você, Lea. Sei que você queria ter filhos. Não apenas um, mas cinco, e não posso imaginar você não falar do seu desejo. — Eu disse a ele.

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— E ele disse não? — Sim. — Dou de ombros, como se não doesse todas as vezes que eu falei e ele disse que não. — O que ele deu para você? — Ele exige duramente. — O quê? — Pergunto; confusa. — O que ele deu para você que a faria permanecer fiel a ele? — Não entendi sua pergunta. — Balanço a cabeça. — Ele queria seu amor, Lea. Ele tinha você, mas ainda queria mais. Mas o que ele te dava que faria você o amar com cada parte de você? — Ele não precisava me dar nada para eu amá-lo, — digo; ofendida. Sua voz suaviza juntamente com seu rosto quando ele estende a mão e toca minha bochecha. — Você está errada, baby. O amor é isso – duas pessoas que satisfazem as necessidades da outra pessoa, dando o que elas querem, o que elas precisam. — Como você pode se sentir assim? — Porque, Lea, eu sei o que teria feito se fosse eu. — Mas ele não era você. — E esse é o ponto, não é? Ninguém jamais seria Austin para mim. Ninguém jamais seria capaz de preencher o espaço vazio que havia dentro de mim por sua ausência nos últimos quinze anos. Ninguém, além dele. — Ninguém jamais foi você para mim também, baby, — ele diz, e seguro minha xícara um pouco mais apertado quando suas palavras me lavam, como um bálsamo que acalma e cura. Não tenho nenhuma ideia de onde isso vai entre nós, mas é bom tê-lo aqui para conversar. — E você? — Pergunto, estudando-o. — O que tem eu? — Você sabe sobre o meu passado, mas eu realmente não sei muito sobre o seu, — comento. — Tive alguns relacionamentos, me preocupei profundamente com algumas mulheres com quem eu estava, e quis ser capaz de dar o próximo passo com uma delas, mas nunca poderia fazer isso.

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Tenho um sentimento de que vou me arrepender de perguntar, mas ainda assim, as palavras saem antes que eu possa pensar melhor, para o bem do meu próprio coração. — O que você quer dizer? — Pensei que estava apaixonado uma vez. Ela estava confusa sobre seu ex, mas eu ainda acreditava que se as coisas se acertassem, no fim ela seria minha. — Oh. — Meu coração caiu em meu estômago com uma dor aguda e inesperada. — Ela se afastou e acabou voltando com o ex, com quem ela teve um bebê. Eles trabalharam as coisas e ainda estão juntos. Eu gostava dela, ela é uma boa mulher, mas não fomos feitos um para o outro. Estou feliz por ela. Ela merece ser feliz. Levanto minha xícara aos lábios, tomando mais um gole, não sentindo nada enquanto engulo. Não tenho o direito de sentir os tentáculos de ciúme que se envolvem em torno de mim, mas os sinto, como um milhão de farpas apertando meu estômago e pulmões, me estrangulando. — Nós dois temos um passado, Lea. — Ele diz, lendo meu rosto. — Eu sei. — Olhando para ele agora, eu sei como ele é forte, muito mais forte do que eu, e uma pessoa muito melhor do que eu sou. Não quero saber sobre o passado dele. Não quero ouvir sobre ele amar alguém. Sim, eu sei que me faz egoísta, mas odeio a ideia de que ele tinha uma vida sem mim. No entanto, ainda não sou corajosa o suficiente para perguntar a ele por que, se foi tão difícil para ele estar sem mim, ele não veio para mim. Honestamente, não quero ouvir a verdade, seja ela qual for. Prefiro viver o momento e fingir que não há um milhão de coisas que temos que conversar, um milhão de coisas que estão entre nós.

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Capítulo 10 Lea — Não posso acreditar que Ken e Austin passaram a noite em sua casa, — Rhonda diz, se arrastando na cama, e encostando-se a cabeceira da cama. Esta manhã, depois de Austin e eu conversarmos e tomarmos café da manhã, Ben ligou e perguntou se eu poderia passar o dia com Rhonda, porque o médico a colocou em repouso na cama e ele não queria que ela ficasse sozinha. Nesse ponto Ken ainda não havia aparecido, e eu sinceramente não queria estar lá se ele aparecesse; então eu disse que sim, e Austin me deixou na casa dela, dando-me um beijo antes de sair para fazer algum trabalho em seu barco. — Foi definitivamente estranho, — concordo, me sentando na cama ao lado dela. — Então Austin está trabalhando?

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— Sim, ele disse que não tem precisaria embarcar por alguns dias, mas queria começar a deixar tudo arrumado no barco desde então, — digo, e ela balança a cabeça, em seguida, seus olhos se enchem de preocupação. — Como foi o café da manhã com os dois lá? — Ela pergunta curiosa. — Não tivemos café da manhã. Tivemos café, e café se transformou em Austin pirando e Ken se desculpando por ser um imbecil durante o nosso casamento, e então, sair da casa. — Ele ficará na sua casa hoje à noite? — Acho que sim, a menos que decida dormir no carro, o que eu sei que ele não fará, — digo; não ansiosa por essa segunda noite consecutiva. — Austin estará lá com você. — Eu sei. — Fecho meus olhos em alívio e inclino a cabeça contra a cabeceira. — Você quer falar sobre o que está acontecendo entre você e Austin? — Ela pergunta suavemente, e viro minha cabeça para olhar para ela. — Acho que nós ainda estamos tentando descobrir isso. — Eu me sento, sentindo um peso no estômago, e torço minhas mãos no meu colo. — Você acha que é estranho eu estar me apaixonando por ele? — Pergunto silenciosamente. — Não, — ela afirma imediatamente e com firmeza. — Na escola, todo mundo sabia que vocês eram realmente comprometidos, e, apesar de estarem separados nos últimos quinze anos, nada mudou. Sim, vocês têm muito a falar e umas grandes merdas para superar, mas qualquer um que esteja na mesma sala com vocês dois por mais de alguns minutos pode ver e sentir o amor que sentem um pelo outro. — Estou com medo. — Posso entender isso, mas se superar o seu medo, eu acho que você pode ter algo realmente bonito. — Deixei suas palavras afundarem enquanto ela estica, pega o controle remoto, e liga a TV. — Você quer ver O Diário de uma Paixão? — Nunca vi. — Dou de ombros, e os olhos dela ficam enormes. — Bem, pegue uma caixa de lenços, porque você precisará deles. — Eu ficarei bem, — digo a ela, chutando os sapatos, colocando os pés debaixo de mim na cama e ficando confortável.

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*** — Que diabos está acontecendo? — Ben pergunta, entrando no quarto, onde Rhonda e eu estamos deitadas com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. — Sua esposa me fez ver O Diário de uma Paixão, — libero outro soluço, cobrindo meu rosto. — Foda-se, sério, baby? — É um grande filme, — Rhonda responde chorando. — É... É tão triste e tão bonito, — choro mais forte, enxugando os olhos com um dos muitos lenços espalhados em volta de mim. — Jesus, — Ben diz, balançando a cabeça, olhando entre nós duas como se não soubesse o que fazer. — Estou com fome, — Rhonda comenta, e Ben ri, colocando os braços na cama de cada lado dela. — O que você quer comer, baby? — Salsicha empanada com mostarda e jalapenos do The Wheelhouse. — Ela diz imediatamente. — É isso aí. — Ele beija o nariz dela, e vira para olhar para mim. — Você quer alguma coisa? — Não, mas você se importa de me deixar em casa no seu caminho para a cidade? — Pergunto, recolhendo minha bagunça. — Wolf deve terminar logo, — ele responde, levantando. — Eu sei, mas não quero que ele se apresse, e preciso arrumar algumas coisas em casa. — Você ficará bem, baby? — Ele pergunta a Rhonda, e ela balança a cabeça enquanto ele se inclina e a beija duplamente mais uma vez quando eu saio da cama e calço meus sapatos. Contornando a cama, eu a abraço, murmurando: — Até mais, — antes de me afastar e seguir Ben do quarto até sua caminhonete. Quando chegamos a minha casa o carro de Ken não está à vista, e solto um suspiro de alívio por não precisar lidar com ele agora.

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— Obrigada pela carona, e me avise se precisar de alguma coisa, — digo a Ben enquanto tiro meu cinto de segurança. — Obrigado por ficar com ela, — ele sorri, e aceno, pulando em seguida de sua caminhonete e acenando para ele conforme entro na casa e tranco a porta atrás de mim. Colocando minha bolsa e as chaves sobre a mesa perto da porta, o meu passo vacila e meu coração começa a bater rápido. Não tive muito tempo para pensar no fato da minha mãe não estar aqui desde que ela faleceu. Sempre havia alguém por perto para me distrair do silêncio, mas entrando na casa tranquila e ficando cara-acara com nada, eu percebo que ela nunca me receberá novamente. Nunca teremos outra conversa. Ela se foi e eu estou sozinha. Minha respiração sufoca conforme deslizo pela porta e trago meus joelhos até meu peito, passando os braços ao redor deles e chorando. Não sei quanto tempo eu permaneço lá chorando, mas ouço um carro parar do lado de fora, uma porta bater, e os pés sobre a madeira da varanda antes de uma batida na porta. Limpo o rosto com a parte interna da minha camisa e levanto com as pernas trêmulas, abrindo a porta. — Baby, o que diabos aconteceu? — Austin pergunta, e antes que eu saiba, estou nos braços dele, agarrando-o, querendo rastejar dentro de sua pele para me esconder da dor. — É tão quieto, — choramingo no pescoço dele. — Ela se foi. — Está tudo bem, baby. Deixe ir. Eu tenho você, — diz ele, e choro mais em seu pescoço quando tudo o que tenho segurado vem para a superfície. — Estou tão sozinha, — digo enquanto ele se inclina e se senta no sofá comigo no colo. — Você não está sozinha, — ele resmunga, colocando a mão na parte de trás da minha cabeça, me protegendo. — Por favor, não me deixe. — Imploro. — Não vou a lugar nenhum, — ele diz, me fazendo chorar ainda mais forte. Eu não o mereço, não depois de deixá-lo. Mas não consigo parar de implorar desesperadamente para que ele não me deixe. — Você sempre me terá, Little Lamb.

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— Seus braços me apertam mais, me ancorando a ele enquanto eu choro até que não aguento mais. Quando minhas lágrimas secam, o meu corpo está exausto e meus olhos parecem ter areia neles. Austin me leva para a cama e se arrasta atrás de mim, me abraçando até eu adormecer. *** Acordei com uma dor de cabeça de tanto chorar e o quarto iluminado com luz solar. Fico um momento ali, então ouço vozes vindas de algum lugar da casa. Levantando, eu tiro o meu suéter, deixando-me com uma camisa fina e meu jeans, e entro na sala de estar, onde Ken e Austin estão sentados, conversando em voz baixa. Acho que nunca me acostumarei a vê-los na mesma sala. A cabeça de Austin se levanta, nossos olhares se conectam, e seu rosto suaviza. — Ei. — Hey, — eu repito, e olho para os meus pés cobertos de meia, me sentindo subitamente estranha pela forma que eu me desfiz mais cedo. — O jantar está quase pronto. Você está com fome? Concordo com a cabeça e abraço a mim mesma enquanto levanto a cabeça, mas olhando para Ken desta vez, desde que senti seus olhos fixos em mim. — Consegui um voo mais cedo. Passei só para te dizer que vou embora, e quando chegar em casa, eu assinarei os papéis. — Eu agradeço por isso. Seu rosto suaviza, e um olhar que não vi nele desde que começamos a namorar enche seus olhos. — Me mande e-mail em algum momento, só para dizer que você está bem. — Claro, — eu minto, sabendo que esta é a última vez que falarei com ele novamente. Ele se levanta do sofá e caminha até a porta, parando e voltando-se para mim. Meu corpo enrijece, esperando ele me abraçar, mas em vez disso, ele se inclina e beija a minha testa. — Se cuide, Lea.

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— Você também, — murmuro, vendo-o abrir a porta, e fechá-la. Meu coração sequer dar um puxão ao saber que eu nunca o verei novamente. — Como se sente? — Austin pergunta, envolvendo seus braços fortes em volta de mim por trás. — Tudo bem... Melhor. Seus lábios escovam minha têmpora, em seguida, meu ouvido, antes de se estabelecer na curva do meu pescoço, onde ele murmura: — Bom. — Sinto muito por mais cedo. Ele me vira em seus braços e seus olhos avaliam os meus. — Eu não sinto. — Ele levanta as mãos e segura meu rosto suavemente, e minhas mãos se movem para os lados. — Da próxima vez, você me chama quando se sentir assim. — Aconteceu de repente, — eu digo, desviando o meu olhar. — Eu sei, mas se isso acontecer novamente, — ele me sacode suavemente, — Você chama, e eu pararei o que estiver fazendo para chegar até você. — Não quero ser um fardo. — Você não é um fardo, e não vomite essa merda para mim, porque tudo que faz é me irritar, baby. Sinto uma carranca formar em meus lábios e as sobrancelhas se juntarem. — Como eu não querer ser um fardo te chateia? — Como seu homem, é o meu trabalho cuidar de você, Lea, mesmo que isso signifique que eu seja apenas um ombro para você chorar quando precisar dele. — Oh, — sussurro, porque ele acabou de dizer que é o meu homem, e essa declaração faz todo o meu corpo se iluminar de dentro para fora. — Sim, oh, — ele diz, ainda parecendo irritado. — Umm... — olho por cima do ombro, e seus dedos pressionam minha bochecha, trazendo meus olhos de volta para ele. — Eu não sabia. — Não sabia que você é minha. — Ele pergunta e eu aceno. — Você sempre foi minha, mas tem que me ajudar a cuidar de você, Lea. — Seu tom e a forma como essas palavras me envolvem tem meu corpo derretendo no dele, pressionando meu peito ao dele, e deslizando na ponta dos pés para se aproximar dele.

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— Eu gosto que você queira cuidar de mim, — digo, e ele resmunga, me puxando para mais perto dele; então abaixa a boca até a minha, lambendo meus lábios enquanto move as mãos sobre meu traseiro, apalpando minha bunda e apertando a parte de baixo do meu corpo contra o dele. — Você precisa comer, — ele geme, afastando a boca da minha, mas em vez de se afastar, uma mão agarra meu cabelo, puxando para trás, e sua boca viaja para o lado do meu pescoço, fazendo a umidade se espalhar entre as minhas pernas. Meus dedos agarram seus bíceps, tentando me manter equilibrada quando uma profunda onda de desejo pulsa por mim. — Austin, — choramingo quando ele volta a beijar a minha boca. — Estou aqui, baby, — ele rosna, levantando-me. Minhas pernas envolvem seus quadris e ele vira minhas costas para a parede, o contorno duro de sua ereção me acerta diretamente entre as pernas quando ele pressiona contra mim. — Sim, — eu gemo alto quando ele abaixa a cabeça e seus dentes raspam contra meu mamilo através do material da minha camisa e sutiã. Minhas mãos em seus ombros sobem para seu cabelo, puxando as raízes. — Precisamos desacelerar. — Sim, — concordo, deixando cair a minha boca até a dele, mordendo seu lábio inferior, e puxando-o com força. Então ele se foi. Pisco algumas vezes e me inclino contra a parede, tentando recuperar o fôlego quando o vejo de pé alguns metros de distância, respirando como eu, com o peito arfando enquanto tenta recuperar o fôlego. — Foda-se, — ele geme, espalmando dentro de seu jeans e mudando a ereção para o lado. — Vá para a cozinha, baby. Não posso olhar para você como está agora, então preciso que você vá para a cozinha e me dê cinco minutos para me controlar. Engolindo em seco, meus olhos caem para o sua ereção novamente, e seu grunhido ecoa pela sala, fazendo-me saltar e correr para a porta da cozinha. Pressiono as costas contra a parede, fechando os olhos, desejando que o meu corpo se acalme, e felizmente, quando Austin entra na cozinha, cinco minutos depois, nos acalmamos o suficiente para que fôssemos capazes de sentar juntos, ter um jantar tranquilo antes de nos movermos para o sofá a fim de assistir a um filme. Não peço a Austin para

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passar a noite novamente, mas não me queixo quando ele me leva para a cama e fica comigo. *** Acordo com respiração de Austin escovando meu ouvido, a mão enrolada no meu peito, minha perna inclinada sobre seu quadril, com a perna dele enroscada com a minha. Ken nunca me segurou à noite, mesmo depois do sexo. Ele rolava para o lado dele e adormecia. Ele nunca abraçava, a menos que estivesse usando como uma forma de preliminares; então acordar com Austin em volta de mim dois dias seguidos me dá uma ideia sobre o que minha vida teria sido se as coisas tivessem sido diferentes. Agarrando o braço dele, tento levantá-lo para arrumar a parte de cima da camisa, e ganho um aperto dele, fazendo o meu núcleo apertar em resposta. — Volte a dormir. — Suas palavras escovam contra a concha da minha orelha, fazendo meus mamilos endurecer em pontas afiadas sob a palma da mão dele e os meus lábios abrirem em um suspiro. Ouvindo o som de sua respiração alterar, tornando-se mais profunda, ele tira a minha camisa. Então seu polegar desliza sobre o meu mamilo, fazendo minhas costas arquearem e seus quadris pressionarem o meu lado, onde sinto sua ereção. — Austin, — eu suspiro. Ele resmunga, tocando meu mamilo novamente antes de lentamente deslizar a mão para cima, envolvendo a minha garganta, em seguida, descendo, cobrindo meu outro seio, espalmando-o, puxando meu mamilo entre os dedos e dando-lhe um puxão suave. A aspereza da palma da sua mão viaja sobre o meu estômago, fazendo meus músculos se contraírem e minhas unhas escavarem seu braço. — Dê-me sua boca. Virando de bruços, eu inclino a cabeça, pegando sua boca com a minha. A língua dele empurra entre meus lábios, se enrolando com a minha enquanto seus dedos deslizam sob o cós das minhas calças de dormir, em seguida, sobre o meu osso

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púbico, rolando um dedo sobre o meu clitóris, e tirando um miado do fundo da minha garganta. — Você está encharcada, Little Lamb, — ele resmunga, inserindo um dedo, forçando um gemido meu e os meus quadris levantam da cama. Sua boca deixa a minha e nos encaramos enquanto ele arrasta minha umidade para cima, circulando meu clitóris. Minha respiração muda e meu peito arfa quando algo constrói abaixo da superfície da minha pele. Posicionando-se sobre mim, ele inclina a cabeça e sua boca agarra um mamilo, puxando forte enquanto seus dedos deslizam mais baixo, inserindo um, então dois dedos. Meu corpo aperta, cada músculo enrijecendo enquanto sua boca deixa o meu mamilo apenas para soprar um hálito frio em toda a superfície e viajar para o meu outro peito, lambendo ao longo do caminho e fazendo o meu núcleo agarrar seus dedos. Quando ele passa o polegar sobre meu clitóris, minhas mãos se deslocam de seu braço, uma indo para o cabelo e a outra viajando pelo peito até a sua boxer, envolvendo-o e sentindo a seda sobre aço, bombeando duas vezes. Deixando meu peito seus olhos encontram os meus. Estou tão perto que os meus olhos espremem fechados e um puxão intenso começa na base de meu estômago e se expande, chiando por todo o meu corpo como um fogo lento. — Olhe para mim. — Abrindo os olhos, o nosso olhar se encontra e seus olhos viajam sobre o meu rosto, seios, e estômago, em seguida, volta a encontrar os meus novamente. — Você é tão linda, — ele geme, conforme meu polegar desliza sobre a cabeça de seu pau. — Ainda mais bonita agora do que era há quinze anos. — Austin, — eu gemo, e seus dedos se movem mais rapidamente, transformando aquele fogo queimando lentamente em um inferno em chamas. Minhas costas arqueiam e meu núcleo começa a convulsionar em torno de seus dedos. Ele cobre a minha boca quando um gemido gutural sobe na parte de trás da minha garganta. Meus dedos agarram seu cabelo e minha mão para em seu pau enquanto onda após onda de meu orgasmo leva o meu corpo. Voltando para mim, nossas bocas ainda estão bloqueadas, minha mão ainda envolvendo-o, e seus dedos ainda deslizam dentro e fora de mim lentamente. Eu tive

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muitos orgasmos, mas nunca tive um orgasmo como aquele, o qual me atravessou por inteiro, e acordou cada célula do meu corpo. Afastando minha boca da dele, eu puxo uma golfada de ar, então choramingo quando seus dedos me deixam e ele coloca os dois na boca, lambendo-os, e depois lambe toda a minha boca, deixando-me provar a mim e a ele. Minha mão sobre ele começa a subir e descer, correndo o polegar sobre a cabeça de seu pau. Sua mão envolve a minha e a afasta, trazendo-a para sua boca e pressionando um beijo em meus dedos. — Eu... — começo a reclamar, mas ele me corta. — A primeira vez que eu gozar com você, farei isso dentro de você, não em sua mão. — Oh, — sussurro; um sorriso contrai seus lábios e ele se inclina, beijandome mais uma vez antes de plantar seu cotovelo na cama, perto da minha cabeça. — Você está bem? — Meu orgasmo recente, sua voz suave, e seus dedos correndo pelo meu rosto me relaxam mais profundamente na cama. — Sim, você está? — Levanto minha mão, afastando o cabelo da testa dele. — Oh sim. — Ele se inclina e pressiona um beijo na minha boca antes de se afastar novamente. — Você quer passar a noite na minha casa hoje à noite? — No barco? — Não, a cama será entregue na casa hoje. A cozinha acabou de ser concluída, assim eu quero passar a noite com você. — Não sei, — murmuro, me sentindo em conflito, querendo saber se nós deveríamos desacelerar um pouco. Há tanta coisa que ainda não falamos, e posso sentir isso no ar entre nós como uma cobra enrolada, e que a qualquer momento, golpeará, interrompendo o que estamos construindo. — Quero você comigo esta noite. Eu quero acordar com você na parte da manhã. Não precisamos fazer nada, Lea. Eu só preciso saber que você está por perto, — diz ele, e meu corpo derrete sob seu olhar. — Ok, — concordo, levantando e pressionando a boca na dele em um beijo rápido. — Você ficará bem hoje enquanto eu saio para trabalhar no barco?

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— Sim, eu preciso fazer algumas coisas aqui, e então preciso ir falar com o banco sobre o empréstimo para o escritório. — Estou feliz por você estar em casa, Little Lamb. Casa. Mesmo sem a minha mãe aqui, estar com Austin me faz sentir em casa. Só espero que eu seja capaz de lutar pelos sentimentos construindo dentro de mim quando chegar a hora.

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Capítulo 11 Lea Eu paro na frente da casa de Austin e olho através do para-brisa, sorrindo para o deck, onde posso ver Austin de pé, olhando para mim, esperando. Hoje foi um dia muito bom. Depois que Austin saiu, eu comecei a arrumar algumas coisas da minha mãe que ela não teve a oportunidade de organizar antes de ficar doente demais para fazê-lo sozinha. Odiava vê-la se livrar de coisas enquanto estava viva, perguntando o que eu queria ter e o que ela poderia dar ao Goodwill, mas agora que ela se foi, eu sei que ela fez isso por mim, por isso não fui deixada para peneirar suas memórias sozinha. Após passar por algumas caixas de fotos e documentos, fui ao banco e dei entrada à papelada para o meu empréstimo. Quando entrei no banco, fiquei surpresa ao ver Shelby. Éramos amigas na escola, mas como todos os outros do meu passado, eu perdi contato com ela. Surpreendentemente, ela não estava chateada, e até mesmo parecia entender por que eu fui embora.

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Ela também havia acabado de voltar para a cidade após ir embora pouco antes da graduação. Eu sabia que ela partiu pouco depois que ela e seu namorado do colegial, Zach, que agora é o xerife, deram o bebê deles para adoção. Não sabia muito sobre a história dela, embora eu ainda pudesse ver a dor em seus olhos quando falou sobre voltar. Então ela pegou as fotos de seu filho, que acabara de completar sete anos, e sua dor se transformou em algo completamente diferente, algo que eu sabia que apenas um pai poderia compreender, como se o que ela sentia valesse a pena, porque ela tinha o filho com ela. — Você ficará aqui a noite toda ou vai entrar? — Austin pergunta, assustandome quando abre minha porta. Estava tão envolvida na lembrança de hoje que nem sequer percebi que ele havia descido as escadas. — Estou entrando. — Ele roça a boca sobre a minha, então aperta o botão do meu cinto de segurança, abrindo-o, e me puxa com ele, batendo a porta. — Você tem uma mala no carro? Balanço a cabeça que não, e mostro a minha bolsa. — Tenho calcinhas e uma escova de dente. Percebi que eu poderia usar uma de suas camisas para dormir. — Ou nada. — Ele sorri, fazendo meu interior vibrar e um rubor aparecer em todo o meu rosto e pescoço. Limpando a garganta, eu me afasto dele, abro a porta de trás, e me inclino, retirando as sacolas que eu trouxe. — O que é isso? — Ele pergunta. — Achei que você não teria nada aqui para cozinhar, então eu parei no supermercado e comprei algumas coisas básicas, e também peguei os ingredientes para fazer o jantar. — Você vai cozinhar para mim? — Bem, eu vou colocar uma lasanha pré-pronta no forno, abrir um saco de salada, e cortar um pouco de pão francês. — Dou de ombros. — Espertinha. — Ele dá um tapa na minha bunda. — Achei que você não teria todos os itens para cozinhar aqui. — Tenho uma panela e uma máquina de café. — Eu sabia. — Sorrio quando ele pega as sacolas de mim e o sigo para dentro.

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— Quer um copo de vinho? — Sim, por favor. — Tiro o meu casaco, colocando-o no final da grande ilha, e ando ao redor, tirando o material das sacolas que ele trouxe para mim. Assim desembalo a lasanha, eu ligo o fogão e a coloco no forno. — Tenho algo para você lá fora. — Você tem algo para mim? — Pergunto, mas em vez de explicar, ele só pega a minha mão e me leva para o deck, onde há um grande telescópio preparado com um laço nele. — Este é o lugar perfeito para que você possa usá-lo. — A mão dele puxa a minha, mas meus pés estão congelados no chão. Isso é algo com o qual eu sonhei, um desejo que compartilhei com ele, algo que eu nunca, nunca acreditei que teria; no entanto, aqui estou eu, na casa pela qual eu me apaixonei quando era uma garotinha, com o homem que segura o meu coração, e ele está me dando um pedaço de um sonho que nunca acreditei que se tornaria realidade. — Você comprou um telescópio para mim? — Sussurro, olhando do equipamento para Austin. — Eu comprei. — Você se lembrou. — Fecho os olhos brevemente, dominada pela emoção. Quando os abro novamente, seus olhos estão suaves e ele dá um passo em minha direção, tocando minha bochecha. — Lembro-me de tudo, Lea; cada conversa, cada toque, cada beijo, cada única coisa sobre você, sobre nós. Lembro-me de tudo. Está na ponta da língua perguntar o que aconteceu, por que ele não foi atrás de mim, porque ele me deixou ir, mas não posso. Não quero estragar o momento, então, em vez disso, eu vou até ele e o abraço, colocando minha cabeça em seu peito e digo um silencioso: — Obrigada. Ele resmunga, me fazendo sorrir, e me afasto, olhando para o telescópio, em seguida para o céu, que está apenas escurecendo. — Queria que estivesse realmente escuro. — Em poucos meses você terá horas de escuridão para se sentar sob as estrelas, — ele me diz.

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— É verdade, mas eu ainda vou usá-lo hoje à noite, — digo enquanto fico na ponta dos pés e o beijo; e ele sorri contra a minha boca. *** — Mamãe e papai chegam neste fim de semana. Estão trazendo um monte de móveis de Anchorage para mim, — Austin diz quando me aconchego em seu colo em uma das espreguiçadeiras do deck, aonde viemos nos sentar depois de jantarmos em pé na cozinha. — Isso é bom. — Ajusto meu suéter enquanto olho para o mar, observando o sol se pôr no horizonte. — Como você se sente sobre jantar com eles e comigo? — Ele pergunta baixinho, quase como se estivesse preocupado com a minha resposta, e meu corpo, que estava relaxado, fica tenso. — Não sei. — Levanto o meu copo, tomando outro gole de vinho para manter minha boca ocupada. A mãe de Austin não foi sempre a pessoa mais legal do mundo quando namorávamos. Não me interpretem mal; ela ama seu filho e é uma ótima mãe, mas ela não gostava nada de mim e deixava isso bem claro regularmente. Sua mão está sob meu queixo, inclinando minha cabeça para trás e forçando-me a olhar para ele. — Algumas pessoas da cidade já contaram a ela sobre o nosso relacionamento, — ele me informa. — Ótimo, — resmungo, fazendo um sorriso contorcer os lábios dele. — Só jantar, — diz ele em voz baixa. — Claro, — concordo; mas me comprometo a ficar no frio em nada além de uma toalha, com o cabelo molhado, para que no momento em que ela chegar aqui, eu tenha pneumonia e não seja capaz de jantar com ela. — Ficará tudo bem. — Eu sei. Você estará lá comigo, por isso não estou preocupada com isso. — Tento sorrir, mas tenho certeza que sai como uma careta.

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Aconchegando novamente, descanso minha cabeça sob o queixo, e ele murmura: — Ela não gostava de ninguém. — Perdão? — Pergunto, inclinando a cabeça para olhar em seus olhos novamente. — Não houve uma mulher com quem eu namorei ou estivesse que ela gostasse. Sério, ela falava de você na frente delas, contando a nossa história, fazendoa soar como uma espécie de tragédia romântica. — Ela me odiava, — eu o lembro, balançando a cabeça. — Ela odiava todas elas ainda mais, baby. — Totalmente não estou tomando isso como um elogio, — murmuro, fazendoo rir. Balançando a cabeça, eu relaxo de volta sob o queixo dele, observando o sol se pôr, deixando uma tonalidade rosada no céu. — Você está cansada? — Ele lambe o meu pescoço, causando arrepios pela minha pele e fazendo meus mamilos endurecerem. — Não. — Sorrio, pressionando meu pescoço mais perto de sua boca. — Hmm. — Sinto seu sorriso então nós levantamos e entramos na casa, passando pela sala vazia, subindo as escadas e para o quarto, onde ele me deita na cama. — Preciso me trocar, — digo, tentando sentar, mas as mãos em ambos os meus lados e seu corpo sobre o meu me prendem, me impedindo de me mover. — Tudo o que você trouxe foram calcinhas e uma escova de dente, — ele me lembra, conforme suas mãos deslizam sob a borda do meu suéter, correndo sobre a pele do meu estômago. — Eu sei. — Você não tem nada para trocar. — Oh, — sussurro; a boca dele vem sobre a minha, puxando meu lábio inferior entre o seu antes de viajar para o meu pescoço e abrir meu suéter, empurrando-o dos meus ombros, deixando-me na minha camiseta folgada de alcinhas. Então suas mãos estão sobre os botões da minha calça jeans, abrindo-a, assim o pequeno V de minha calcinha de renda creme aparece.

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— Austin, — choramingo enquanto sua boca cai sobre a base do meu ventre e ele belisca a pele lá, enviando um toque de excitação para o meu núcleo. Agarrando meu jeans, ele arrasta-o sobre a minha bunda e quadris, seu calor me deixando apenas o tempo suficiente para atirar o jeans no chão atrás dele. Quando seu corpo cobre o meu novamente, coloco minhas mãos na camisa dele, tirando-a, grata quando suas mãos vão atrás de sua cabeça e ele tira a térmica preta, adicionando-a a pilha no chão. Antes de ter a chance de lamentar sua perda, suas mãos voltam para mim, viajando até meus lados, levando minha camiseta com elas quando elas se movem sobre os meus seios, descartando aquela peça de roupa também. Seus olhos devoramme da cabeça aos pés, e resmungando algo baixinho, ele passa os dedos ao longo da borda do meu sutiã, entre o material de renda creme e minha pele. Eu fico lá, fascinada pela sua expressão. Meu corpo está quente em todos os lugares que seus olhos tocam. Quando seus dedos trilham dos meus seios sobre o meu estômago, em torno do umbigo, e ao longo da renda da minha calcinha, minhas costas arqueiam para ele, oferecendo-me ao seu toque como uma espécie de sacrifício pagão. — Diga-me se você quiser parar, — diz ele, e meu olhar encontra o dele. Concordo com a cabeça uma vez, sabendo que de maneira nenhuma eu pedirei para parar de me tocar. Seu corpo descansa sobre o meu e seus lábios tocam minha boca, meu queixo, e então seus dedos puxam as alças do meu sutiã para baixo, em meus ombros, colocando beijos pela minha pele. Sento-me um pouco quando ele estende a mão atrás de mim, abrindo o sutiã, e quando seus olhos caem em meus seios, meus mamilos endurecem em antecipação. Seus dedos roçam sobre os picos rígidos, fazendo-me gemer novamente. O primeiro toque de sua boca na minha pele faz meu corpo sair da cama e minhas pernas envolverem seus quadris, ancorando-o para mim. Sua grande mão áspera segura meu outro seio, fazendo meu corpo se contorcer sob ele. Correndo os meus dedos pelos cabelos dele, a sua boca se move para o meu outro seio, sugando profundamente e fazendo meu núcleo apertar.

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Minha cabeça pressiona contra o travesseiro, e meu corpo se acende quando sua mão viaja entre as minhas pernas. Ele resmunga novamente quando os dedos deslizam sobre a renda ainda cobrindo meu núcleo. Estou tão molhada que sei que o material delicado está encharcado. Minha cabeça levanta do travesseiro observando-o beijar o meu corpo antes de se ajoelhar no chão, entre minhas pernas abertas. Cobrindo-me com a boca através da renda, meus olhos se arregalam de surpresa. — Austin, — seus olhos encontram os meus. Sei que é ridículo, porque sou uma mulher de trinta e três anos de idade, mas eu nunca tive ninguém fazendo isso para mim, e embora meu corpo esteja preparado, a situação parece estranha. Vejo seus olhos aquecerem ainda mais quando compreensão enche suas feições. Como ele sabe o que sinto e penso, eu não tenho ideia, mas ele sabe. — Ninguém nunca comeu sua boceta, baby? — Pergunta ele contra o meu núcleo. — Não, — sussurro. — Nem mesmo uma provadinha? — Ele pergunta, virando a cabeça para beijar o interior da minha coxa. — Nunca. — Balanço a cabeça freneticamente. — Então, tudo é meu? — Ele puxa a renda para o lado e morde os lábios da minha buceta. — Sim. — Eu choramingo. — Você não me negará isso, não é, baby? — Ele pergunta quando sua língua lambe meu centro. Oh. Meu. Deus. — Não. Tento relaxar o meu corpo e ver seu nariz passar sobre o meu núcleo, e depois os dentes mordem, fazendo meu corpo cair contra a cama. Um alto riiiip soa através da sala, assustando-me enquanto ar gelado passa em todo o meu sexo.

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A pele molhada de sua língua deslizando da minha entrada para o meu clitóris faz meus dedos enredar nos lençóis da cama, e meus quadris levantarem e seguir a sensação. Então ele faz isso repetidamente, criando um peso na minha barriga que alcança todo o meu interior. Um dedo entra em mim, arrancando um gemido alto do fundo da minha garganta. Meus quadris pressionam mais perto de sua boca, e minhas mãos sobem acima da minha cabeça quando meu núcleo começa a espremer em sincronia com meu coração quando ele penetra-me novamente, mas desta vez com dois dedos. Ele rola-os sobre o meu ponto G enquanto sua boca agarra o meu clitóris. Gozo forte e alto, meu corpo pressionando mais profundamente na cama, minhas pernas fechando em torno das orelhas dele, incapaz de suportar mais estimulação, conforme onda após onda de êxtase flutua através do meu corpo. Quando volto para mim, seu corpo está sobre o meu, seu jeans se foi, e sou capaz de vê-lo completamente pela primeira vez. Seus ombros e peito são largos, com tatuagens de ondas e um navio cobrindo-os; sua cintura é mais fina, seus músculos firmes. Uma mão pressiona a minha coxa e envolvo seu quadril, puxando-o para mais perto de mim. Travando os olhos entre as minhas pernas enquanto sua mão envolve seu pênis, o qual é grosso e longo, as veias pronunciadas e a cabeça de um roxo profundo. Deslizando-a através da umidade, toca meu clitóris duas vezes, provocando outro gemido da minha boca. — Diga-me que isto é meu, Lea. — Meus olhos vagueiam sobre ele. Seu corpo está tenso e as sobrancelhas estão franzidas; ele se parece com um antigo guerreiro Viking. — Eu sempre fui sua, — digo a ele, honestamente, e então ele está em mim. Seu corpo para, dando-me um momento para recuperar o fôlego e ajustar ao seu tamanho. Sinto-me completamente cheia e esticada, é como nada que já senti antes. — Foda-se, — ele resmunga e inclina-se mais perto, sua boca está a centímetros da minha e nós compartilhamos o mesmo fôlego. — Você é tão apertada... para caralho. Apertada e molhada, — seu corpo para e abaixa a testa na minha clavícula. — Camisinha, porra.

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Puxo a minha outra perna para cima e em torno de seu quadril, colocando minhas mãos em seu rosto até que seus olhos estão sobre os meus. — Eu... Eu estou no controle da natalidade. — Lambo os meus lábios, os quais ficaram secos de repente. — Nunca fiz sem, — ele geme, cavando os dedos na carne das minhas coxas. — Nem eu, — sussurro, inclinando para beliscar o queixo. Puxando os quadris para trás ele empurra para frente, fazendo a minha respiração engatar. Ele se inclina sobre mim, me cobrindo com seu corpo, inclinando a cabeça e puxando o meu peito em sua boca enquanto suas mãos envolvem minhas coxas, agarrando-as com força. Minha respiração fica irregular quando seu cheiro e a sensação dele dentro e em mim assume, desencadeando uma sobrecarga sensorial. Deixando meu peito com um pop, sua língua empurra em minha boca, e minhas mãos, que estavam emaranhadas em seus cabelos, se agarram mais. Então eu sou virada sobre a minha barriga, meus quadris erguidos, e ele entra em mim de novo, espalmando a minha bunda, batendo num lado, e depois move uma mão nas minhas costas para o meu pescoço, enquanto a outra passa ao redor da minha cintura, seus dedos rolando sobre meu clitóris. Pressiono fortemente contra ele, cada impulso fazendo meu núcleo apertar, me puxando para mais perto de algo diferente de tudo que já experimentei na vida. Apenas quando eu me sinto pronta para perdê-lo, ele puxa para fora e me vira. Envolvendo o braço em volta da minha cintura, ele me deita na cama enquanto seus olhos travam com o meu, e ele me penetra lentamente, beijando-me novamente, desta vez mais suave. Este momento parece suspenso no tempo conforme nossos corpos trabalham em sincronia, construindo algo que vai nos destruir antes de nos

unir

novamente. Apertando minhas pernas em torno dele, seus braços deslizam sob uma coxa, mudando o ângulo, acertando algo diferente, algo que deixa o meu corpo tenso e minhas costas arqueiam. Ele captura minha boca novamente e seu ritmo acelera. Sei que ele está perto de gozar. Posso sentir isso como se fosse o meu. Sua mão viaja para a minha coxa e seu polegar se concentra em meu clitóris, circulando. Minhas mãos se movem para

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agarrar seus ombros, em seguida, descem para segurar sua bunda, sentindo seus músculos apertarem enquanto seus impulsos aumentam a velocidade. — Eu vou… — Dê-me, — ele rosna quando os meus mamilos raspam contra seu peito e seu pênis atinge o ponto certo, mais e mais, até que meu corpo explode em torno dele, meu núcleo convulsiona, puxando-o mais profundo em mim e puxando o orgasmo dele como se pertencesse a mim. Eu o seguro mais forte, nunca querendo soltá-lo, nunca querendo esquecer este momento, sabendo que nunca estive mais perto de ninguém na minha vida do que estou dele agora. Nossos corpos são um enquanto flutuam, entrelaçando em uma única entidade. A boca dele sobre as minhas pálpebras, nariz e lábios me traz de volta para dentro de mim. Aperto meus membros trêmulos em torno dele, não estando pronta para nos separar. Nossas respirações pesadas são os únicos sons a serem ouvidos enquanto nós ficamos ali fortemente abraçados. Minhas pernas começam a soltar quando o meu corpo sucumbe à exaustão. — Já volto, — ele diz quando aperto meu corpo em torno do dele quando o sinto começar a sair de mim. Balançando a cabeça, solto meus membros e me deito na cama. Ele joga um cobertor sobre mim, me beijando mais uma vez. Viro a cabeça e rastreio seus movimentos. A luz do banheiro é ligada, em seguida, o som de uma pia enche o quarto silencioso antes que a luz se apague e seus pés batam contra o piso de madeira, trazendo-o de volta para mim. Após alcançar o meu lado, ele puxa o cobertor e espalha minhas pernas ligeiramente,

e

com

uma

toalha

ele

limpa

suavemente

entre

as

minhas

pernas. Lágrimas enchem meus olhos quando a ternura de seu toque encharca meu sistema como uma droga. Não há nada melhor do que ser cuidada por ele, e penso que ele sequer percebe o quanto cada um desses momentos me afeta. Para ele, parece tão natural, como se cuidar de mim fosse a razão pela qual ele foi colocado nesta terra. Quando ele volta à cama, ele me puxa e me coloca em seu peito enquanto seus dedos correm sobre a minha pele. — Você está quieta, — ele observa, puxando-me dos meus pensamentos.

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— Estou memorizando, — sussurro, traçando o meu nome com o dedo sobre o coração dele. — O que? — Ele pergunta; seus dedos trilhando preguiçosamente sobre minhas costas. Meu dedo para, querendo saber se ele sabe o que estou fazendo, enquanto tento gravar o meu nome no seu coração como ele tem o meu. — O momento... Estou memorizando, assim o terei sempre comigo. — Nós vamos fazer mais um milhão. — Sim, — concordo; então eu traço o meu nome em sua pele novamente. — Mas não outro como este, — digo, sentindo meus olhos ficarem pesados. — Os outros serão tão bonitos, — diz ele depois de um longo tempo. — Vou memorizá-los também, — sussurro pouco antes de adormecer.

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Capítulo 12 Austin Saio da cama, olhando mais uma vez para Lea antes de forçar meus pés a me levar para longe dela. Sei que nunca esquecerei a maneira como ela parece agora, deitada de bruços com o lençol caído sobre sua bunda, seus seios pressionados contra o colchão, seu belo rosto suave no sono. Acordei-a mais duas vezes ontem à noite, levei-a pela primeira vez suavemente, mas a segunda vez, eu perdi, levando-a forte e rápido, até que nós dois estávamos sem fôlego e cobertos de suor. Olhando para ela agora, eu anseio seu gosto na minha língua. Quero abrir suas pernas e acordá-la com a minha boca, mas ela precisa de sono, então ao invés de fazer o que eu quero, pego meu jeans do chão, puxo-os, e saio do quarto, fechando a porta suavemente atrás de mim antes de descer as escadas.

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Indo para a cozinha, ligo a cafeteira que instalara na noite passada e eu pego uma caneca, colocando-a sob o fluxo de café até que esteja cheia, e depois a substituo com o pote. Entrando na sala de estar, eu tomo a bebida e olho através da grande janela para a vista além. Amei esta casa antes de chegar a ver o interior devido à forma como o rosto de Lea se iluminara quando falou sobre ela, e então eu vi por mim mesmo ao estar neste ponto exato e sabia que a compraria. Eu me senti conectado a Lea olhando para a água, sabendo que estava em algum lugar que ela esteve, uma visão que ela amava. Juro que metade das coisas que fiz na minha vida foram construídas em torno dela. Somente nunca admiti isso para mim mesmo. Era como se eu estivesse construindo uma vida para nós enquanto esperava que ela voltasse para mim. Movendo da janela, eu vou para o deck, agarrando meu telefone no caminho. Sentando em uma das espreguiçadeiras, eu coloco a caneca sobre o corrimão e pressiono ligar. — Ei, querido. — Ei, mãe, — saúdo, inclinando e agarrando minha caneca. — Bre, Shawn, e os bebês irão com a gente para Cordova. — Mãe, — suspiro, esfregando minha testa. — Lea está preocupada com jantar com você e papai, e agora você trará Bre, para quem você e eu sabemos que é difícil segurar a língua nas melhores situações. — Sua irmã sente a sua falta, e você ainda não conheceu o seu sobrinho mais novo, — ela retruca. — Preciso que vocês deem um passo atrás. Eu amo vocês, mas isso é algo que não vou ceder. — Você está apaixonado por ela, — afirma. — Ela ainda é Lea; ainda é a mulher por quem eu me apaixonei quinze anos atrás, — explico calmamente, esperando as palavras penetrarem. Sei que a minha mãe tem boas intenções, mas ela pode ser arrogante e intimidante quando quer ser. — Estou preocupada com você, — ela diz em voz baixa, como se finalmente visse o quão sério eu estou.

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— Sei que você está, e eu estaria mentindo se dissesse que não tenho minhas próprias preocupações, mas se meus planos derem certo, mãe, Lea será a mãe de seus netos. Preciso que você entenda isso antes de você e Bre virem aqui e ficarem contra ela. Ela acaba de perder a mãe. Ela não tem ninguém. — Austin... — Preciso ir. Amo vocês, pessoal. Vejo-a no sábado. — Desligo antes que ela possa dizer qualquer outra coisa, em seguida, me sento na cadeira, perguntando se eu deveria dizer a Lea para pular o jantar. — Hey, — a voz suave de Lea desvia a minha atenção do oceano quando olho para a porta de correr, onde ela está de pé em seus pés descalços, usando minha térmica. — Vem cá. — Estico a mão em sua direção, e puxo-a sobre o meu colo, esfregando minha mão sobre sua coxa nua. — Você dormiu bem? Ela sorri contra o meu peito nu e murmura: — Sim. Isso provoca alguma coisa no meu coração, fazendo-o bater mais forte. — Bre, Shawn, e as crianças virão com mamãe e papai. — Legal, — diz ela enquanto levanto sua camisa para cima, descansando a mão na parte inferior do seu peito, precisando sentir sua pele e odiando que seu corpo tenha ficado tenso. — Você confia em mim? — Pergunto. — Sim. Sua confissão sussurrada e seu corpo relaxado contra o meu me enche de satisfação. — Então você deve saber que eu nunca permitirei que alguém a prejudique, fisicamente ou de outra forma. — Eu sei. — Bom. — Pressiono o meu nariz em seu pescoço, amando que ela cheira a baunilha e eu. — Preciso de um banho. — Ela inclina a cabeça para o lado, dando-me um melhor acesso ao seu pescoço, onde a belisco, gemendo. — Você cheira bem, mas um banho soa como uma boa ideia. — Beijando seu pescoço mais uma vez, eu a levanto, puxando-a para dentro e para o chuveiro, onde

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passamos a próxima hora até estarmos satisfeitos – eu mais do que ela – porque deixo o chuveiro com o seu gosto na minha língua. *** — Como vão as coisas entre Lea e você? Olho para Ben, então coloco a minha cerveja no corrimão do meu deck, onde eu juro que assim que as noites estiverem mais quentes, terei Lea curvada, para que eu possa levá-la por trás enquanto ela olha para a vista. — A julgar pelo olhar distante em seus olhos, eu adivinharei que vocês estão bem, — resmunga. — As coisas parecem melhorar, mas não posso afastar a sensação de que alguma coisa está errada. — Desvio meus olhos dele e vejo o horizonte. Há algo sob a superfície, só não consigo entender, não sei o que é, e está me enlouquecendo. — Talvez seja hora de você contar a ela sobre o que a mãe dela fez. — Não posso. — Esfrego minhas mãos sobre o rosto. — Não quero ser aquele a dizer essa merda para ela, e sei que é fodido estar chateado com uma mulher morta, mas ainda estou fodidamente com raiva de Josie por não ter contado a verdade para Lea quando estava viva. Sinto-me malditamente rasgado sobre isso, porque eu sei que Lea tem dúvidas sobre nós. Posso ver isso na maneira como ela olha para mim às vezes. Sei que ela quer me perguntar por que eu nunca fui atrás dela, mas está com medo de qual será a minha resposta. — O que você acha que acontecerá quando ela descobrir? — Ela vai quebrar, e desde que Josie se foi, serei eu quem ficará para pegar os pedaços, — resmungo. — Eu sei por que ela fez isso, mas entendo porque você está chateado, e acredite, eu concordo que ela, tipo, lhe fodeu por não falar nada. — Sim. — Alguma palavra do ex? — Ele pergunta. — Lea falou com o advogado dela e ele assinou os papéis logo que voltou para Montana.

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— Então ela está livre dele? — Essa parte da vida dela está terminada, irmão. — Bom, — ele resmunga, recostando-se em sua cadeira. — Agora, a sua mãe e irmã vêm para agitar a merda? — Pergunta, me fazendo rir. — Elas vêm. Você conhece a mamãe. Eu avisei a ela para ir com calma. — Como se isso fosse acontecer. — Ele balança a cabeça, conhecendo minha mãe tão bem quanto eu, já que ele basicamente viveu conosco desde o momento em que completou dezesseis anos, quando seu pai o expulsou. — Eu sei, mas não vou separar a minha família e Lea. — Não acho que você deveria. — Não posso. Sei que ela está com medo de ficar sozinha. — Eu tomo um gole da minha cerveja, colocando-a na minha coxa. — Quero que ela seja feliz, e não sei se ela sequer percebe que parte de sua felicidade depende da existência de pessoas ao redor que se preocupam com ela. — Não posso imaginar Lea não tendo amigos em Montana. — Ela disse que a maioria de seus amigos eram amigos dela e Ken. Acho que alguns deles sabiam que ele estava tendo um caso e nunca contaram para ela, — revelo. — Jesus, o que diabos está errado com as pessoas? — Não tenho ideia do caralho. — Bem, se você ouvir de Rhonda me traindo, é melhor você me dizer ou eu chutarei o seu traseiro. — Cale a boca. Você e eu sabemos que nunca vai acontecer, — zombo. — Só dizendo, — ele rosna enquanto os nós dos dedos ficam brancos ao redor da garrafa na sua mão, como se até mesmo a ideia de Rhonda com outro homem o irritasse o suficiente para quebrar alguma coisa. — Ela está se preparando para ter seu bebê, — eu o lembro. — Eu sei, obrigado, porra. — Seu corpo relaxa, me fazendo rir. — E você? — O que tem eu? — Quanto tempo vai demorar até que me diga que Lea está grávida?

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— Vendo como deveria ter acontecido há quinze anos, esperemos que não muito tempo, mas primeiro eu preciso encontrar uma maneira de resolver tudo entre nós, em seguida, colocar um anel no dedo dela, — digo. — Você encontrará um caminho. — Eu preciso, nosso futuro depende disso, — murmuro; quando o telefone dele começa a tocar. — Lea está ligando. — Ele franze a testa, olhando para o telefone na mão e passando o dedo pela tela, colocando-o ao ouvido. Através do alto-falante, ouço a voz preocupada de Lea dizendo algo, e então Ben levanta e corre pela casa. Levanto-me e o sigo, ouvindo-o rosnar: — Estou no meu caminho. Diga a ela que estou no meu caminho. — O que está acontecendo? — Questiono, pulando no banco do passageiro de sua caminhonete e batendo a porta. — Rhonda entrou em trabalho de parto. Lea está levando-a para o hospital agora. — Ela está bem? — Pergunto nervosamente. — Ela gritava no fundo para eu conseguir minha bunda lá ou cortaria minhas bolas, então eu penso que sim, — diz, passando a mão trêmula sobre a cabeça e pisando mais no acelerador. — Estamos a menos de cinco minutos de distância, e se você nos matar antes de chegarmos lá, Rhonda ficará puta. Seu pé alivia do acelerador e ele se vira em direção à cidade, ainda acelerando, mas não tão rápido quanto antes. Assim que chegamos ao cruzamento para o hospital, digo: — Basta parar em frente, e estaciono a caminhonete enquanto você entra. — Obrigado, cara, — ele diz, e assim que paramos em frente à emergência, ele abre a porta, felizmente lembrando-se de parar antes de sair e correr para dentro. Assim que estaciono a caminhonete, eu entro e vejo Lea em pé no corredor, conversando com o Dr. Rubin. Meu ritmo acelera quando a mão dele se move para a bochecha dela, e descansa em seu ombro, próximo ao local em seu pescoço que tenho reivindicado como meu.

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— Baby, — digo, e sai mais como um grunhido conforme eu fecho a distância entre nós. Sua cabeça gira em minha direção, e sem dizer nada a Dr. Rubin, ela fecha o espaço entre nós, atirando-se em mim. — Shhhh. — A abraço, notando o quanto ela está tremendo. — O que está errado? — Nada, está tudo perfeito. Eu a trouxe aqui a tempo. — Você está tremendo, — afirmo, esfregando as mãos em seus braços. Sua cabeça se inclina e ela sorri um sorriso bonito. — Estou saindo de uma adrenalina, ou isso é o que Keith estava me contando. Resmungo e ela sorri ainda mais, inclinando para frente e colocando a testa no meu peito. — Ben está lá com Rhonda? — Pergunto, e ela balança a cabeça, em seguida, inclina a cabeça para trás mais uma vez para olhar para mim. — Sim, ela já estava dilatada em oito centímetros quando a colocaram no quarto. — Então, o que aconteceu? — Nós estávamos assistindo a um filme e me levantei para fazer um pouco de pipoca. Quando voltei, ela estava curvada sobre a cama, segurando a barriga. Ela me disse que a bolsa estourou. Eu ia chamar uma ambulância, mas ela discutiu comigo até eu concordar em levá-la no meu carro. Dirigi como uma louca para chegar aqui, com medo de acabar fazendo o parto. Rindo, eu esfrego suas costas, murmurando: — Você fez bem, baby. — Como vai, cara? — Keith pergunta, colocando a mão no meu ombro quando viro para levar Lea a uma das cadeiras no corredor. — Bem e você? — Bem. — Ele dá de ombros, olhando para Lea depois para mim de novo, mas não vejo nada em seus olhos quando ele olha para ela, nenhum calor ou desejo, apenas preocupação, o mesmo tipo que você teria por qualquer amigo. — Você ficará bem, Lea? — Austin está aqui, — ela diz, como se tudo o que ela precisasse fosse eu estando com ela para deixar tudo bem. Ele coloca as mãos nos bolsos, observando eu tomar um banco e puxar Lea no meu colo em vez de estabelecê-la no assento ao lado.

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— Dr. Rubin, você pode vir aqui? — A enfermeira pergunta, enfiando a cabeça para fora de uma porta em frente ao hall. — Claro. — Ele balança a cabeça, caminhando para o quarto, entrando e fechando a porta. Dez minutos depois, um grito percorre o corredor silencioso. — Oh, meu Deus, — sussurra Lea, deslizando do meu colo na cadeira ao lado. Seu braço envolve o meu e sua cabeça se inclina no meu ombro quando ouvimos o grito vindo de alguns metros de distância. — Ele é perfeito, — Ben diz, saindo para o corredor e nos vendo. Levanto-me e vou para o meu melhor amigo, dando-lhe um abraço e um tapinha nas costas. — Eu sou um pai, — ele diz, e vejo lágrimas de orgulho em seus olhos. — Você será um grande pai. Parabéns, Ben, — Lea diz do meu lado, e os olhos dele caem para ela e ele a levanta, girando-a e fazendo o riso dela ecoar pelo corredor. — Obrigado por trazê-la aqui, — diz, beijando sua têmpora. — Eu não queria fazer o parto do bebê, — ela resmunga quando ele a coloca no chão, fazendo ambos rirem. — Os médicos estão limpando-o. Assim que eles falarem que está tudo bem, eu vou trazê-lo para vocês conhecê-lo, — diz ele, olhando para a porta, ansioso. — Vá ficar com sua família, irmão. Estaremos aqui, — digo a ele, e ele balança a cabeça, voltando para a sala. Puxo Lea para as cadeiras novamente e sento com o braço em volta dela enquanto esperamos. Quando o Dr. Rubin sai, nós nos levantamos e vamos até ele. — Mãe e bebê estão muito bem. Ben diz que vocês podem entrar agora, — diz ele, batendo no meu ombro e sorrindo para Lea antes de sair para o corredor. Quando entramos no quarto, Rhonda está na cama, com seu cabelo trançado sobre o ombro e os cobertores ao redor dela. Ben está de pé, segurando um pequeno pacote em seus braços enquanto conversa com o médico, e a enfermeira que chamou Dr. Rubin preenche alguns papéis ao lado. — Hey. — Lea caminha até Rhonda, inclinando e beijando o rosto dela, e a sigo, fazendo o mesmo. Ben vem carregando seu filho nos braços. Inclinando a cabeça para olhar para o rosto dele, ele fala baixinho com ele assim que está perto de nós. —

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Braden, eu gostaria de apresentá-lo aos seus padrinhos, Lea e Austin, — Ben diz, fazendo Lea inalar uma respiração afiada. — Sério? — Lea pergunta, e Ben olha para ela e para Rhonda, depois repete o movimento. — Não poderíamos pensar em duas pessoas melhores, — diz em voz baixa. — Você me fará chorar, — Lea reclama, e ouço o mix da risada de Rhonda com Ben enquanto ele coloca Braden nos braços de Lea. Ao vê-la segurando uma criança, mesmo não sendo a nossa, faz uma pontada acertar o meu peito com tanta força que tenho dificuldade de respirar. — Ele é tão bonito, tão perfeito, — ela sussurra, deslizando o dedo sobre a suave bochecha gordinha. — Ele é perfeito, não é? — Ben diz com orgulho, passando o dedo sobre a outra face dele. — Nós fazemos crianças bonitas, querida. — Ele diz a Rhonda por cima do ombro. — Eu sei. — Rhonda sorri, e Lea se vira para mim. Eu o pego, segurando-o no alto de meu peito. Ele é tão pequeno que eu provavelmente poderia segurá-lo na mão. A mão de Lea no meu braço puxa meus olhos para ela. Seu rosto está mais suave do que já vi, e há um olhar em seus olhos que mostra o quanto ela quer isso, uma família dela. Quando seus olhos finalmente pousam nos meus, um pequeno e triste sorriso retorce seus lábios. Eu quero dizer a ela que um dia vamos ter isso, mas não digo. Em vez disso, eu me inclino e a beijo suavemente, em seguida, inclino para trás para olhar para Braden, que está dormindo. Seus lábios formam um bico, e eu me inclino, entregando-o à mãe dele antes que ele acorde e chore; então a beijo no rosto, dizendo baixinho: — Você fez bem. Ela sorri e olha em seus braços, depois para Ben. Sei que ambos não tinham ideia que esta seria a vida deles. Ben era descontraído com relacionamentos, não se estabelecendo até Rhonda. Ela mudou tudo para ele, da mesma forma que ele mudou para ela. Eu estava feliz pelos meus amigos; eles mereciam este momento. — Nós provavelmente devemos sair e deixar vocês se instalarem, — digo, tirando Lea de debaixo do braço de Ben e enrolando o meu ao redor dela.

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— Precisa de alguma coisa? — Lea pergunta, observando Ben se instalar na cadeira ao lado da cama de Rhonda. — Não, nós temos tudo. Obrigado mais uma vez, Lea, por trazê-la aqui por mim. — Era ou trazê-la aqui ou fazer o parto do bebê, e a opção dois não parecia atraente para mim, — ela diz, fazendo todos nós rir. — Voltaremos amanhã, — digo quando Lea caminha-se para beijar a bochecha de Rhonda antes de vir para mim e pegar a minha mão. Uma vez que saímos da sala, eu passo meu braço em volta dos ombros de Lea e a levo para fora do hospital até o carro dela, uma vez que Ben dirigiu sua caminhonete até aqui. — Vamos passar em sua casa para que você possa pegar algumas roupas para a noite. Ela olha para mim e um corar toca seu rosto, me fazendo perguntar o que ela está pensando. — Arrumei uma mala. Está no meu carro, — ela diz baixinho, afastando o olhar do meu. — Por que isso fez você se envergonhar? — Pergunto, tocando sua bochecha. — Não quero que você pense que eu achava que ficaria com você. — Seja qual for a cama em que eu esteja, é aonde eu quero você, — explico de ânimo leve. — Apenas não queria assumir, — ela murmura baixinho, tirando as chaves do bolso. — Assuma, Little Lamb, — digo a ela, tomando as chaves de sua mão e batendo na bunda dela. — Eu posso dirigir. — Eu sei que você pode, quando não estou no carro com você, — comento. — Isso é ridículo. — Ela franze a testa para mim. — Entra no carro. — Ou o quê? — Pergunta, cruzando os braços sobre o peito, olhando feio. — Ou a colocarei lá dentro. — Isso não vai acontecer. — Eu digo parando na porta do passageiro e ela se move para o lado do motorista.

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— Lea, — eu advirto sobre o teto do carro. — Austin, — ela imita o meu tom. — Entra no carro. — Obrigue-me, — ela diz, e começo a ir para a parte de trás do carro, mas antes de eu chegar a ela, ela sai correndo pelo estacionamento. — Lea, entre no carro, — grito atrás dela enquanto ela se esquiva entre os carros estacionados. — Deixe-me dirigir, — ela grita, indo e voltando de um lado para o outro de um Buick vermelho, como se ela tentasse me confundir. — Quando eu colocar minhas mãos em você, a espancarei por isso. — Advirto, observando algo cintilar atrás de seus olhos. — Você não vai. — Não se preocupe, baby. Eu farei você gozar depois, — digo a ela, e seus olhos digitalizam o estacionamento, como se olhasse para ver se alguém está perto e poderia ouvir o que eu disse, me dando apenas o tempo suficiente para pegá-la antes dela poder me esquivar novamente. Eu a jogo por cima do meu ombro enquanto ela esperneia, então bato na bunda dela uma vez, com força suficiente para chamar sua atenção. — Você acabou de me bater, — ela sussurra, e seu corpo para sobre o meu ombro. — Eu lhe espanquei10, baby, grande diferença. — Você... Você... Esfrego sua bunda onde a espanquei, em seguida, trago a minha mão entre as pernas

dela. Mesmo

através

do

jeans,

posso

sentir

seu

calor. Ela

inala

acentuadamente com o meu toque, mas não diz mais nada enquanto a levo para o carro e coloco seu cinto antes de ir para a porta do lado do motorista.

10 Aqui Lea usa o verbo Hit, que seria bater, golpear. E Austin responde com a palavra spank, que além de significar espancar, também se refere a um fetiche em que adultos, após consentimento, golpeiam uns aos outros na bunda para induzir o prazer sexual.

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— Lea, pare, — digo através do vidro enquanto pressiono o botão de desbloqueio no controle remoto, o que não faz nada, porque a mão dela está sobre o bloqueio do meu lado. — Diga que você não vai bater em mim, — ela grita. — Solte, Lea, — grito. — Não, me diga. Eu me curvo, assim estou no nível dos olhos dela e ela pode ver o meu rosto, então rosno: — Vou contar até três, Lea. — Não tenho medo de você, Wolf. — Oh, Little Lamb, você deve saber que isso está me excitando. — Meu pau está duro como pedra e ajusto-me para o zíper não cortar minha pele. A mão dela deixa o bloqueio e abro a porta. Sem dizer outra palavra, eu entro, ligo o carro e dirijo. Seu corpo está tenso no assento ao lado do meu, sua respiração vindo em ofegos fortes, o que me diz quão excitada ela está agora. Juro que posso cheirar sua doce boceta. Assim que paro em casa, sua mão está na maçaneta da porta, mas eu pressiono o botão de bloqueio antes que ela possa sair. — Vá lá para cima, tire a roupa e deite na cama com o rosto para baixo. — Você não me espancará, — ela sussurra novamente, mas desta vez as palavras enrolam com o desejo, e sei que ainda que nunca quisesse isso antes, ela quer agora. — Faça o que eu digo. — Destranco a porta, observando sua bunda enquanto ela se dirige até a casa pelas portas duplas traseiras. Inclino a cabeça para trás e tento controlar o meu corpo, então saio do carro e entro, meio que esperando encontrar Lea na cozinha, mas toda a casa está tranquila. Subindo as escadas de dois em dois degraus, chego ao quarto e encontro Lea com a face para baixo na cama, completamente nua, sua bunda perfeita no ar como uma oferta. Ando até ela, descartando minha camisa e botas no caminho. Atingindo a cama, eu puxo a bunda dela pelos quadris, de modo que seus pés estão tocando o chão, então me ajoelho atrás dela, entre suas pernas. Sem aviso, eu bato em sua bunda duas vezes, uma em cada bochecha, e passo a mão sobre o local, ouvindo-a

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gemer e suas mãos se moverem sobre os lençóis, agarrando-os apertados entre os dedos. — Austin. — Meu nome deixa sua boca em um gemido ofegante que vai direto para o meu pau. — Não fale. — Dou tapa na bunda dela mais duas vezes; seu corpo se contorce na minha frente, sua bunda empurrando para cima enquanto as pontas dos pés pressionam o chão. Ela está tão molhada que a prova de sua excitação está revestindo suas coxas. Abro seu traseiro, enterrando meu rosto entre suas pernas. Meu nome deixa sua boca novamente, ganhando outro tapa, desta vez com mais força, fazendo seu núcleo convulsionar em minha língua. Toda vez que a sinto ficar mais perto da borda, eu afasto-me apenas o suficiente para que ela seja forçada a descer. Quando seu corpo está coberto por uma fina camada de suor e suas pernas estão tremendo, eu bato forte em sua bunda antes de abri-la e devorá-la até que ela grita o meu nome tão alto que o som ecoa nas paredes. Seu corpo fica mole, removo meu jeans e me movo sobre ela, deslizando profundamente, tomando-a com tanta força que a cama começa a deslizar pelo chão de madeira. Não paro até que sinto meu orgasmo na base da minha espinha e sua boceta contrair ao meu redor, me puxando mais profundo do que já estive. Mais dois golpes fortes e planto-me profundo, gozando com tanta força que meus dedos enrolam. Estar dentro de Lea é como nada que eu já senti. Mesmo quando éramos adolescentes, fazer amor com ela era algo diferente. — Você está bem? — Pergunto, assim que encontro a minha voz novamente. — Acho que não posso me mover, — ela murmura, pressionando sua bunda contra mim, fazendo-me gemer. — Deixe-me limpá-la e eu trarei um pouco de comida para nós. — Claro, — ela enrola, me fazendo sorrir. Saindo dela, ouço o seu miado de decepção com a perda, em seguida, beijo suas costas. Levantando-a, eu a coloco na cama antes de ir ao banheiro e pegar uma toalha para limpá-la. Quando saio, ela está de lado, com o cobertor sobre ela e os olhos fechados. Em vez de acordá-la, rastejo na cama atrás dela, puxo-a em meus braços, e a sigo no sono.

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Capítulo 13 Lea — Alô? — Atendo o telefone de casa enquanto coloco a caixa que eu trouxe do sótão na mesa da cozinha, abrindo-a. — Lea Lamb está disponível? — Uma mulher pergunta, soando como se tivesse um resfriado. — Sou eu. — Oi, Lea, meu nome é Elza. Trabalho para Douglas Pulaski, o advogado de sua mãe, — ela diz e faço uma carranca. Minha mãe nunca me disse que tinha um advogado; mas havia uma tendência com a minha mãe, ela parecia ter escondido muito de mim. — Como posso ajudá-la? — Sr. Douglas está fora da cidade pelo próximo mês, e ele deixou o testamento da sua mãe comigo. Infelizmente, eu tive pneumonia e não fui capaz de entregá-lo a você.

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— Está bem. — Não sei quando serei capaz de entregá-lo. Se precisar, eu posso enviá-lo, mas há algumas coisas que eu preciso repassar com você, — ela explica soando o nariz. — Existe alguma coisa crucial nos documentos? — Pergunto, me sentindo mal por ela. — Não, nada disso. Principalmente, é apenas o material que tem a ver com a casa e algumas das contas da sua mãe. — Então, pode esperar. Apenas deixe-me saber quando você estiver se sentindo melhor e voltamos a nos falar, — cedo. — Obrigada pela compreensão, e sinto muito por sua perda. Sua mãe era uma mulher incrível. — Obrigada, — murmuro, ainda sem saber o que dizer quando as pessoas oferecem suas condolências. — Falaremos em breve, — diz ela, desligando. Colocando o telefone sobre a mesa, eu abro a caixa marcada Quarto de Lea. Uma imagem de Austin e eu de quando tínhamos dezessete está no topo de uma moldura de madeira azul escuro. Correndo os dedos sobre a imagem, eu me lembro de quando foi tirada. Austin e eu passamos o dia pescando salmão e observando os ursos. Quando chegamos em casa, minha mãe saiu na varanda e tirou esta foto nossa, porque achava que era bonito estarmos vestidos quase iguais, em jeans, capuz, gorros sobre nossas cabeças, e botas nos pés. Na foto, você pode ver o quanto nós nos amávamos, pode realmente sentir isso. Nossas frentes estão pressionadas juntas, seu estômago para o meu peito, minha cabeça está inclinada para trás, com meu queixo apoiado no peito dele, e meus braços ao redor de sua cintura. Sua cabeça está inclinada em direção a minha, a mão enrolada em meu pescoço, e até mesmo no perfil, eu posso ver a admiração que tinha por mim então. Colocando a foto de lado, eu pego o próximo item da caixa, colocando-o ao lado da foto, e tiro o que estava procurando. Minha mãe havia me dado um medalhão

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quando tinha treze anos, e o deixei para trás quando saí de casa. Abrindo, há uma foto da minha mãe e do meu pai, com suas bochechas pressionadas juntas. Ela foi tirada no dia em que descobriram que ela estava grávida de mim. — Baby! — Austin grita, assustando-me conforme caminha até a cozinha. — Por que diabos a porta está destrancada? — Pensei que você ficaria fora até amanhã? — Pergunto de volta. — Por que a porta não está fechada? — Ele repete, ignorando a minha pergunta. — Porque esta é Cordova e eu me esqueci disso, — digo quando os braços dele me envolvem e ele me levanta do chão. — Eu não me importo. Certifique-se de fechar a porta quando estiver sozinha em casa. — Tudo bem. — Reviro meus olhos. — Pensei que você ficaria fora até amanhã, — reitero, colocando as mãos em seus ombros. — Eu ia, mas bati a minha quota mais cedo, então descarreguei e vim aqui para buscá-la e levá-la para casa, — diz ele, abaixando a boca até a minha e roubando o meu fôlego. — Senti sua falta. — Nós nos vimos esta manhã, — eu o lembro, sorrindo. — Eu sinto sua falta, mesmo quando você está na sala ao lado. Meu coração começa a bater mais forte no meu peito. Estou apaixonada por ele. Sou apaixonada por ele e não tenho ideia de como isso aconteceu. Esgueirou-se em mim, de repente, ou talvez eu nunca tenha parado de amá-lo, e o amor que eu sentia por ele todos esses anos voltou, batendo na minha bunda. Eu nunca tive uma chance. — O quê? — Ele franze a testa, e percebo que eu disse isso em voz alta. Porcaria. — Preciso obter novas calças11, — digo, e seu rosto fica ainda mais confuso enquanto meu rosto fica vermelho.

11 Lea usa essa frase pela sonoridade no inglês ser parecida com o que havia dito sem querer anteriormente.

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— Você precisa obter novas calças, — ele repete, me levantando mais alto até minhas pernas o envolverem. — Com certeza. — Aceno a cabeça e tento descer, mas seus braços me seguram mais apertado. — Eu gosto dessas calças. — Não estou usando nenhuma, — digo, porque não estou. Estou de camiseta e calcinha. Eu me preparava para ir para a cama. — Você está usando minhas meias favoritas. — Você odeia essas meias. — Não, eu disse que queria transar com você nelas, e nada mais, — ele rosna, caminhando para a parede e pressionando minhas costas nela, tirando minha camiseta antes de continuar me mostrando o quanto ele ama as meias – ou eu em nada, além das meias – enquanto ele está dentro de mim. *** — O que você está fazendo aqui? — Afasto meu olho da lente do telescópio e olho para Austin, cujo rosto está suave com o sono. Seus braços estão cruzados sobre o peito nu e seu ombro está encostado à ombreira da porta, como se ele estivesse lá por um tempo, me observando. Após me tomar contra a parede da cozinha na casa dos meus pais, ele me disse para embalar roupas suficientes para durar alguns dias, por que eu ficaria com ele na casa dele. Nem sequer discuti sobre isso, apenas fui para o meu quarto e arrumei uma mala. Quando terminei, o encontrei sentado à mesa da cozinha, olhando para a nossa foto. Ele não disse nada para mim sobre isso, mas eu podia sentir que a sua energia de mais cedo havia mudado. Assim que percebeu que eu estava lá, ele pegou a minha mala e acrescentou a nossa foto emoldurada a ela. Quando chegamos a casa dele, a primeira coisa que ele fez foi colocar essa foto na cornija acima da lareira, antes de me levar para cima e fazer amor comigo novamente, desta vez lentamente, como se tentasse memorizar o momento. — Eu não conseguia dormir, — digo a ele em voz baixa.

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Acordei uma hora atrás e olhei para o teto durante trinta minutos antes de me levantar e descer as escadas. Não queria acordá-lo, porque eu sabia quão pouco sono ele teve, e não podia lutar contra o impulso de revirar e virar. — Você deveria ter me acordado, — ele diz, ficando atrás de mim e colocando um beijo entre o meu pescoço, ombro, e me fazendo cócegas com sua barba. — Você precisava dormir, — digo, abraçando-o. — Assim como você. — Ele diz, enterrando o rosto no meu cabelo. — Tenho dormido melhor do que dormi em um longo tempo, — digo honestamente. Austin tornou-se minha própria marca pessoal de pílula para dormir. Ele tem a capacidade de deixar tudo melhor, e de impedir minha mente de vagar. — O que está em sua mente? Sinto falta da minha mãe, eu penso, mas não digo. Estou feliz por Austin me deixar ficar com ele em sua casa; estar na casa dos meus pais é difícil. É difícil estar rodeada por memórias. Estranho estar lá sabendo que mesmo que tudo na casa parecesse exatamente como era antes dos meus pais falecerem, eles nunca voltariam. — Você sente falta de sua mãe, — ele adivinha, e eu aceno, sentindo lágrimas encherem meus olhos. É um peso sempre presente no meu estômago. — Diariamente acontece alguma coisa e eu penso, Oh, mamãe adoraria isso, ou, Não posso esperar para contar isso para ela, mas ela não está aqui. — Ela está sempre com você. — Eu sei, — concordo, pegando o medalhão que encontrei ontem e esfregando o metal entre os meus dedos. — Acho que talvez eu vá me sentir um pouco melhor quando receber as cinzas dela, — sussurro. Minha mãe doou seu corpo à ciência, então depois que ela faleceu, o hospital enviou seu corpo, e eles me enviariam suas cinzas eventualmente, mas eu realmente não tenho ideia de quando. — Podemos sair no seu barco e espalhar suas cinzas onde o barco do meu pai foi encontrado? — Claro, baby. — Obrigada, — digo, relaxando em seu peito quente e levando o conforto do seu abraço.

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— Você viu alguma coisa boa quando olhava através do telescópio? — Ele pergunta, quebrando o silêncio. — Apenas as estrelas. — Sorrio, e seus dedos escavam em meus lados, me fazendo rir. Então, eu sussurro: — Quando eu fui embora, às vezes, eu ficava fora durante a noite e olhava para as estrelas, me perguntando se você estaria fazendo a mesma coisa. — Cada chance que eu tive, — ele diz, fazendo as lágrimas picarem meu nariz. — Mas agora, eu tenho você aqui comigo, então eu nunca precisarei saber se nós estamos olhando para as mesmas estrelas de novo. — Você vai me fazer chorar, — reclamo, e ele beija minha têmpora, abraçandome mais apertado. — Você está animado para ver sua família? — Pergunto quando ele me leva para dentro e de volta para a cama, onde ele me enrola sobre o peito dele. — Sim, desde que todos eles se mudaram, eu não os vejo o suficiente. — Alguma vez você já pensou em se mudar para mais perto deles? — Pergunto, traçando padrões aleatórios em sua pele. — Não, eu amo esta cidade e amo esta casa. Não me vejo indo embora nunca. — Oh. — Você está tendo dúvidas sobre estar aqui? — Ele pergunta baixinho, mas não há dúvidas sobre a preocupação e agitação em seu tom. — Não. — Corro minhas mãos sobre os braços que estão quase dolorosamente apertados em torno de mim, tentando relaxá-lo. — Foi apenas uma pergunta, — digo, sorrindo quando ele resmunga e relaxa seus braços. Deitada lá eu ouço sua respiração, até mesmo quando ele cai no sono, e então eu faço o mesmo. *** O que eu não daria para voltar para ontem à noite, deitada na cama com Austin. Realmente, eu preferiria estar em qualquer lugar, até mesmo na prisão, do que sentada na bela mesa de jantar nova de Austin com sua mãe, pai, irmã Bre e o marido dela.

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Desconfortável é um eufemismo para o que estou sentindo. Desde o momento em que chegaram trinta minutos atrás, foram ditas poucas palavras, mas acho que você realmente não precisa de palavras quando pode ver cada frase não dita escrita em cada um dos rostos. Shawn, o marido de Bre, parece tão desconfortável quanto eu, desde que ele mantém a cabeça baixa e os olhos no prato na frente dele. Sua mulher não tirou os olhos de mim por mais de alguns segundos, como se esperasse que eu enlouquecesse ou desaparecesse no ar na frente de seus olhos. A mãe de Austin, que me cumprimentou com um muito tranquilo Olá, que parecia mais uma dispensa, olhava para seu filho como ele tivesse convidado o diabo para jantar com eles, enquanto o pai de Austin tem tentado manter o ambiente leve com conversa fiada. — Austin disse que você comprou o espaço de escritório de Larry. Está certo? — Bruce, o pai de Austin, pergunta, tomando um gole de sua cerveja. — Fecho em uma semana, se aprovarem toda a papelada, — explico levemente, ouvindo um zumbido de Shayla, a mãe de Austin. — Você ficará desta vez? — Ela pergunta depois de um momento. Ai está – o elefante gigante no quarto acaba de sentar à mesa e se juntar a nós para o jantar. — Esse é o plano, — digo em voz baixa, sentindo a mão de Austin na minha coxa apertar quase dolorosamente, como se ele também esperasse pela minha fuga. — Hmmm, — ela cantarola novamente, olhando entre seu filho e eu. — Isso é novo para você, toda a coisa de ficar, não é? — Bre pergunta, enquanto o marido se vira para olhar para ela, murmurando algo sob sua respiração. — É apenas uma pergunta, — ela responde, franzindo a testa para ele. A vontade de levantar da mesa é tão forte que meus músculos apertam em antecipação. Luto contra isso tomando um gole do meu vinho, tentando evitar engolir todo o copo. Não preciso que eles pensem que sou uma bêbada, além de ser uma fujona.

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Sei que eles têm o direito de estar preocupados, mas ainda odeio me sentir da maneira que eu me sinto, como se qualquer medo que alguma vez eu tive aos dezoito anos, cada escolha que fiz, mesmo desinteressadamente, tenha causado isso. — Cuidado, — Austin rosna quando coloco o meu copo de vinho sobre a mesa, tentando não deixá-los ver como minha mão está tremendo. — Está tudo bem, — digo, descansando minha mão sobre a dele na minha coxa e entrelaçando os dedos entre os seus — Eu amo seu filho, seu irmão, — digo, sabendo que é estúpido dizer isso a eles, quando sequer disse a Austin como me sinto sobre ele. Mas eu me sinto presa e espero que se eu colocar minhas cartas na mesa, eles entenderão o quanto ele significa para mim. — Sei que agi estupidamente quando fui embora, mas eu era jovem e nunca quis que ele tivesse que escolher entre mim e o resto de sua vida. Eu estava com medo de que um dia eu fosse acordar e ele não estaria ali, seja por seguir o seu futuro ou por destruir seus sonhos, porque eu o obriguei a uma vida que ele não queria ter. — Abaixo os olhos para a mesa, murmurando baixinho: — Sinto muito por machucá-lo. Sua mão na minha coxa aperta quase dolorosamente e sinto as lágrimas brotarem em meus olhos. — Desculpe, — sussurro, levantando da mesa, e passando pelos sofás que os pais de Austin entregaram. O material de veludo azul escuro parece incrível com a vista como pano de fundo, mas não vejo isso quando corro, porque meus olhos estão cheios de lágrimas. Indo para o banheiro, eu fecho a porta, sem sequer acender a luz e deslizo para o chão, passando os braços em volta das minhas pernas e pressionando minha testa em meus joelhos, enquanto lágrimas silenciosas agitam o meu corpo. Inspirando profundamente e estremecendo, tento encher meus pulmões com oxigênio suficiente para que as minhas lágrimas parem, mas nada parece funcionar. Há uma batida na porta, então meu corpo está se movendo quando a luz se acende e a porta é aberta. — Shhh. — Austin me puxa em seus braços, me colocando em seu colo enquanto se senta no chão, me fazendo chorar mais. — Me desculpe, — digo através das lágrimas obstruindo minha garganta. — Baby, você está me matando agora.

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— Você deveria estar lá fora com sua família, — eu choro em sua camisa, puxando-o para perto de mim quando percebo que não tenho nenhuma família. Estou sozinha, à deriva no mar, lutando para respirar, sem ninguém lá para me salvar. — Eu te amo, Lea. Sempre amei e irei, mesmo na morte. Você é a minha família, e eu sou a sua. Suas palavras me puxam para a superfície tão rápido que meu coração explode dentro do meu peito, enchendo os pulmões com oxigênio e forçando a escuridão que se instalava dentro de mim a sair. — Como você pode dizer que me ama depois da maneira que eu fui embora? — Porque você veio para casa, para mim, — ele sussurra. Levanto a cabeça e envolvo meus braços ao redor do pescoço dele, puxando sua boca para a minha em um beijo que eu oro que lhe mostre o quanto ele significa para mim, o quanto eu o amo. Quando se afasta, ele coloca a testa contra a minha. — Estou chateado por você esperar até agora para dizer que me ama, — diz ele, esticando e puxando um pouco de papel higiênico do rolo, e entregando para mim. — Por que você está chateado? — Pergunto confusa enquanto enxugo meus olhos. — Isso deveria ter sido um dos momentos que você memoriza, — ele diz, limpando suavemente meu rosto. Sorrio, surpreendendo-me, e então, inclino e esfrego meu nariz ao longo do dele. — Eu dizendo não é memorável. Você dizendo em resposta é o que levarei comigo. — Juro por Deus, você vai me matar, — ele resmunga, me puxando para mais perto até que estou montando-o. Colocando minhas mãos em seus ombros, eu baixo o meu rosto até que nós estamos compartilhando o mesmo fôlego. Nenhum de nós fala naquele momento. Não sei o que ele está pensando ou sentindo, e posso ver que ele quer me dizer alguma coisa, mas não sabe como dizer. — O que é? — Sussurro, movendo minhas mãos para segurar seu rosto. — Nada, isso pode esperar, — diz ele sorrindo, mas noto que não alcançou seus olhos. Antes que eu possa perguntar o que é, ele me beija de novo, levantando e

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me colocando de pé. Prometendo perguntar isso para ele mais tarde, eu vou até a pia e espirro um pouco de água no rosto, grata por não usar muita maquiagem e meu rímel ser à prova d'água. Suas mãos envolvem minha cintura e sua boca toca meu pescoço enquanto seco as mãos e o rosto. — Você não precisa voltar lá. Pode ir até o quarto, ou... — Eu não estou me escondendo, — digo, olhando seu reflexo no espelho. — Se voltar lá, saiba que eles se comportarão melhor. — Porque você os fez agir assim. — Franzo a testa. Não quero que eles sejam legais comigo por causa dele. Quero que eles simplesmente aceitem o meu pedido de desculpas e sigam em frente. — Não por minha causa, por sua causa. Você apenas eviscerou todos na mesa. — Eu... Seus braços me apertam, interrompendo o meu pedido de desculpas antes que possa até mesmo deixar a minha boca. — Você não vai dizer que sente muito sobre essa merda. Eles deveriam ter mantido a boca fechada. Deveriam ter bastante confiança em mim para saber que eu sei o que estou fazendo, que não preciso deles se intrometendo. — Eles te amam. — Eu lembro a ele suavemente e seus olhos suavizam. Ele balança a cabeça, e beija minha têmpora. — Está pronta? Concordo com a cabeça novamente e ele pega a minha mão, levando-me para fora do banheiro. Assim que chegamos à sala de jantar, a conversa morre e Shayla se levanta da cadeira, vindo em minha direção. Seus olhos estão vermelhos e os lábios inchados. Posso dizer que ela estava chorando, e odeio ter feito isso com ela. — Sinto muito, Lea, — diz ela, pegando a minha mão. — Está tudo bem, — digo automaticamente. — Não está. — Mais lágrimas se formam em seus olhos, e ela mexe para frente e para trás em seus pés na minha frente, sem jeito, como uma criança que não sabe o que fazer. — Posso abraçá-la? — Sussurra. Concordo com a cabeça e ela envolve seus braços em volta de mim, em seguida, soluça. Eu a acaricio sem jeito, então sinto outros braços me envolver, e sei instantaneamente que eles são de Bre, e ela está chorando também.

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Surpreendentemente, eu não choro durante o nosso abraço. Sequer sei quais emoções estou sentindo. Em seguida, o pai de Austin se move para nós, puxando sua esposa, seguido por Shawn, que leva Bre. — Sentimos muito, Lea. Nós nem sequer pensamos sobre o que você deve ter sentido naquela época. Estávamos tão perturbados pela forma como você deixou Austin, que ao vê-la agora, deixamos nossas emoções levarem o melhor sobre nós — Shayla diz, enxugando os olhos. — Eu entendo, — digo, torcendo as mãos na minha frente, desconfortável com o rumo dos acontecimentos. — Podemos começar de novo? — Bre pergunta, e olho para ela, mordendo o lábio, incapaz de sequer entender o que diabos está acontecendo na minha cabeça. Parte de mim quer perguntar por que, visto que a quinze anos atrás não nos falávamos. Não éramos próximas na época, e não esperava que isso mudasse agora. Tudo o que eu desejava era que eles vissem o meu ponto de vista, para vê-lo através dos olhos de uma jovem que acabara de perder o pai para a mesma vida que seu noivo foi criado. Esse pensamento faz uma pontada acertar o meu peito. Austin ainda pesca; algo ainda poderia acontecer com ele. E não sei se sou mais forte agora do que era naquela época. — Lea. — A voz de Austin e sua mão no meu quadril forçam minha cabeça a virar para ele. Ver preocupação em seus olhos enche meu peito de culpa. Preciso tentar, por ele. — Nós podemos começar de novo, — digo baixinho, olhando para Bre, em seguida, para Shayla. Ambas as mulheres acenam, mas continuam parecendo inseguras sobre como agir, o que só me deixa mais desconfortável. — Vamos voltar a comer antes que os bebês acordem, — Shawn diz, quebrando a tensão que se instalara ao redor da sala. — Vou pegar um copo de vinho. Alguém quer algo mais? — Pergunto, indo em direção à cozinha, precisando de apenas mais alguns minutos antes de me sentar para jantar com eles novamente. O ar pode ter sido limpo, mas meu coração ainda dói. Quando todos dizem que não, eu entro na cozinha, e gemo quando sou virada e colocada em cima do balcão, e em seguida a boca de Austin está na minha e os

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quadris estão entre as minhas pernas. A primeira mordida de seus dentes no meu lábio inferior me faz ofegar e abrir a boca para ele. Sua língua emaranha com a minha e sua mão envolve meu cabelo, puxando para trás, fazendo com que o meu núcleo convulsione. Eu nunca soube que ansiaria abrir mão do controle para outra pessoa, mas com Austin, cada parte de mim aviva sob seu toque. Quando ele afasta a boca da minha, nós estamos respirando pesadamente, minhas pernas estão apertadas em torno dele, e minhas mãos agarrando sua camisa. — O que foi isso? — Pergunto. — Eu precisava saber que você estava aqui comigo. — O quê? — Sussurro. Ele se inclina para trás enquanto sua mão segura minha bochecha e corre o polegar sobre meus lábios. — Há momentos em que você tem este olhar em seus olhos. É triste e inseguro, e quando o vejo, meu instinto é pegá-la e levá-la para longe de tudo o que o causou. — Seu polegar varre meus lábios novamente e seus olhos avaliam os meus. — Odeio esse olhar, baby. Colocando minha testa em seu peito, murmuro: — Simplesmente não sei como me sinto agora. — Tudo bem, — diz, esfregando as mãos em minhas costas, tentando me consolar. Seu toque ajuda um pouco, mas agora que a semente foi plantada na minha cabeça sobre perdê-lo, eu não sei o que fazer. — Vamos para outro copo de vinho. — Sim, — concordo, saltando do balcão, observando-o pegar uma nova garrafa de vinho da geladeira e abri-la. — Pronta? Segurando a mão dele, eu o deixo me levar para a sala de jantar, onde todos estão conversando. Sentando ao lado de Austin, eu espero ele me servir um copo de vinho, então o pego e tomo um gole, deixando o líquido frio me relaxar. Sentada calmamente durante o resto do jantar, minha mente é consumida com preocupação. Preocupada que eu possa não ser capaz de lutar contra o que for que me faz sentir como se eu quisesse me agarrar a Austin, e afastá-lo ao mesmo tempo.

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Capítulo 14 Lea Colocando outro lote de biscoitos na assadeira na minha frente, eu olho através das portas duplas para o deck e assisto Austin conversar ao telefone com sua mãe. Seus pés estão em cima da grade e ele tem uma cerveja na mão, e a descansa em seu estômago. Uma semana e meia atrás eu comprei o meu escritório. A mãe de Austin realmente me surpreendeu com uma mesa antiga de uma das lojas de segunda mão na cidade e ela está trazendo para mim um caminhão cheio de material de escritório de Anchorage no fim de semana. Ela está fazendo um esforço para me conhecer, e estou fazendo o mesmo com ela, só que com cautela. Afasto meus olhos de Austin e coloco os biscoitos no forno, em seguida, coloco três em um prato, os envolvo em uma toalha de papel, e vou para o deck, entregando dois para Austin quando me sento ao lado dele. Ele gesticula com a boca, Obrigado, e

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puxa meus pés para descansar sobre suas coxas enquanto continua falando com a mãe dele. — Eu sei, mãe, — ele murmura, dando uma mordida em seu biscoito e aparentemente irritado. — Sim, também te amo. Até mais. — Ele afasta o telefone da orelha e coloca-o sobre a mesa ao lado dele, em seguida, empurra o resto do biscoito na boca. — Está tudo bem? — Pergunto quando ele termina de mastigar. — Minha mãe perguntou quando vamos nos casar, — ele diz simplesmente, como se estivesse me dizendo de que cor é o céu, e a mordida que eu daria em meu biscoito voa para fora da minha boca enquanto eu praticamente grito: — O quê?! — Ela diz que é inevitável, por isso, podemos muito bem parar de perder tempo e apenas acabar com isso. — Acabar com isso? — Repito em choque, sentindo minha boca cair aberta. — Essas foram as palavras dela, — ele diz, olhando para a água, a qual está adquirindo uma bela cor coral quando o sol começa a se ajustar abaixo da ilha ao lado da casa. — Eu concordo com ela. — Seu olhar volta para mim e encontra o meu quando o seu rosto suaviza. — Você concorda com ela, — repito, porque estou completamente sem palavras. — Estive apaixonado por você por quase 18 anos. Acho que é seguro dizer que não mudará. Ok, então ele tem um ponto. Meus sentimentos por ele nunca mudaram; bem, eles cresceram e expandiram em algo diferente, mas ainda estou apaixonada por ele, ainda mais agora do que estava na época. Mas, casamento? — Nós já vivemos juntos, — ele diz, fazendo-me enrugar a testa, levando-o a sacudir a cabeça. — Você tem estado comigo todos os dias. Não dormiu sem mim a menos que eu esteja no barco, ainda assim, você ainda fica aqui. Nós vivemos juntos. — Ok, vivemos juntos, — murmuro. Quer dizer, eu sei disso, mais ou menos. Minhas

roupas

estão

no

armário,

isso. Simplesmente aconteceu.

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mas

nunca

conversamos

sobre


— Você não quer se casar? — Ele pergunta conforme seus olhos avaliam meu rosto. — Não, — digo, e raiva enche os olhos dele. Meu rosto suaviza e eu me movo da cadeira, subo em seu colo e o monto. — Quero me casar com você, com ninguém mais, — explico suavemente, empurrando os dedos pelo cabelo dele. — Isso mesmo, apenas comigo, — ele resmunga, agarrando minha bunda e me apertando contra ele, me fazendo sorrir. — Ainda temos coisas que não conversamos, — digo; preocupada quando assisto dor aparecer em suas feições. Ele balança a cabeça como se estivesse se livrando de alguma coisa que colocou aquele olhar em seus olhos, então murmura: — Temos anos, Lea. Enquanto estivermos juntos, nada mais importa. — Ele se inclina e me beija suavemente, em seguida, segura meu rosto delicadamente em suas mãos. — Agora, me diga que você será minha esposa. — Você vai me pedir em casamento desse jeito? Vai me dizer o que dizer? — Eu rio, inclinando minha testa contra a dele. — Tudo o que funcionar. — Ele sorri e seus olhos suavizam enquanto afasta a minha testa. — Lea Lamb, você vai se casar comigo? Lágrimas picam meu nariz e aperto meus olhos fechados brevemente, antes de abri-los novamente e encontrar o olhar dele. — Eu sempre fui sua, Wolf, então a resposta é sim. — Nós seremos felizes, Little Lamb. — Suas mãos seguram meu queixo e ele me puxa suavemente, trazendo a minha boca para a dele, mordendo meu lábio inferior, em seguida, o superior, antes de envolver a mão em meu cabelo e inclinar a cabeça para o lado, aprofundando o beijo. — O que você está fazendo? — Eu chio, passando os braços ao redor de seus ombros e as pernas em seus quadris quando ele me pega. — Levando você pra cama, — ele murmura, carregando-me para o quarto, onde faz amor comigo suavemente antes de aconchegar-me ao seu lado e adormecer. ***

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— Austin, — eu gemo, pressionando os calcanhares no colchão e levantando meu núcleo ainda mais em sua boca enquanto ele me devora. Acordei momentos atrás, com o rosto dele entre as minhas pernas. — Foda meu rosto, Lea, — ele rosna, acrescentando um dedo e depois dois, pressionando-os dentro de mim, então os enrolando e batendo meu ponto G. — Eu vou gozar, — eu gemo quando a minha cabeça se inclina para trás e minhas pernas apertam suas orelhas, prendendo sua boca e os dedos no lugar quando um orgasmo atravessa o meu corpo quase que inesperadamente, enviando-me às estrelas. Volto para mim quando ele empurra, plantando-se profundamente em mim, e coloco minhas pernas em volta dele, balançando os quadris para frente, tentando levá-lo a se mover. Quando envolvo minhas mãos em seu cabelo, sua cabeça se inclina, puxando um mamilo na boca e roubando um gemido da minha garganta enquanto suas mãos deslizam nas minhas costas, levantando minha bunda. — Por favor, mexa-se, — choramingo, usando os calcanhares na parte de trás de suas coxas para balançar para cima e para baixo de seu comprimento. — Sim! — Eu choro quando ele desliza para fora, em seguida, bate no fundo mais e mais, atingindo algo dentro de mim. Sua boca deixa a minha enquanto sua mão desliza para cima, segurando os meus seios, e desce sobre o meu estômago para o polegar rolar sobre o meu clitóris. Seu ritmo acelera, seus impulsos se tornam frenéticos, e depois a sua boca vai para o meu mamilo, puxando forte, enviando um raio para o meu núcleo, e outro orgasmo me atravessa, este maior do que o primeiro. Meus membros apertam conforme meu núcleo convulsiona em torno dele, puxando-o mais profundo quando ele geme seu orgasmo na pele da minha garganta. — Bom dia. — Ele sorri, levantando a cabeça. Seus olhos estão suaves e há um novo brilho neles que me deixa à vontade. — Bom dia. — Sorrio, sentindo meus olhos começarem a se fechar. — Durma, baby, — ele ri, beijando-me quando sai de mim. Em seguida, a cama se mexe e ouço o chuveiro ligar enquanto volto a dormir.

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*** — Estou saindo. — Amo você. — Aconchego mais profundo debaixo das cobertas, sentindo ele me beijar mais uma vez. — Amo você, baby. Vejo-a em quarenta e oito horas. — Esse pensamento me faz fazer um beicinho. Sua risada atinge meus ouvidos, e abro meus olhos para olhar para ele. — Estarei em casa antes que você perceba. — Colocando minha mão no seu rosto coberto de barba, sua cabeça se vira e ele beija minha mão, então tira o punho da cama, murmurando: — Se comporte. — Você também, — eu digo, vendo-o caminhar para a porta do quarto, fechando-a atrás dele enquanto sai. Saindo da cama algumas horas mais tarde, eu caminho até a cozinha e ligo o rádio enquanto faço uma xícara de café. Inclinada sobre o balcão, eu saboreio meu café e faço uma lista de coisas que precisam ser feitas hoje. Preciso providenciar que a água e eletricidade sejam ligadas no meu escritório, em seguida, parar na mercearia para pegar o básico para a casa e ver se alguma loja da cidade tem algumas vasilhas para a cozinha, porque Austin não tem nenhuma. Sabendo agora que esta será a minha casa também, eu quero colocar meu toque nela. Também precisava conseguir bancos para a ilha, mas tenho a sensação de que precisaremos fazer uma viagem para Anchorage para isso. Levantando minha cabeça, eu olho para a sala de estar aberta e sorrio ao ver uma tela quase em branco da casa. Mal posso esperar para fazer desta a nossa casa. Levando o meu café comigo, eu volto para cima e tomo banho. Quando saio, amarro meu cabelo sem me preocupar com secá-lo ou maquiagem. Indo até o armário para encontrar um par de jeans e uma camiseta vermelha simples, as coloco antes de descer com minha xícara, colocando-a na pia, e deslizando em minhas botas, saio pela porta. Olhando pela janela, noto grandes nuvens negras, e eu pego minha capa de chuva, minha bolsa e as chaves, seguindo para o carro.

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Entrando no estacionamento do supermercado, eu olho através do para-brisa e vejo como as nuvens de tempestade deixam o céu ainda mais escuro á medida que vão surgindo. Estava na companhia elétrica quando a menina que ligava a energia no meu escritório me disse que a Guarda Costeira emitira uma comunicado. Há uma tempestade chegando e eles preveem ventos fortes e ondas de quatro a seis metros de altura. Abrindo a porta, o vento chicoteia dentro, me fazendo tremer. Enfio a bolsa debaixo do braço e saio rapidamente, correndo pelo estacionamento, usando minha capa de chuva como um escudo contra o vento enquanto chego à loja. — Ei, Lea, — Dan, o gerente da loja, diz quando coloquei meus artigos sobre o balcão. — Oi, Dan, como você está? Como Jane está? — Bem. — Ele sorri suavemente. Dan e sua esposa foram os primeiros a passar depois que minha mãe faleceu para levar comida para mim. — Bom, — repito, deslizando meu cartão no leitor de cartão. — Austin está voltando para o porto? — Ele pergunta, olhando através da janela. Sigo seus olhos e vejo que o céu ficou impossivelmente mais escuro desde que eu entrei na loja. — Deve estar. Acho que a Guarda Costeira enviou um aviso, — digo a ele quando uma onda de preocupação começa a correr por mim. — Diga a ele que eu mandei oi. — Eu vou, e quando você e Jane tiverem tempo, devemos jantar. — Jane gostaria disso, — ele diz suavemente, entregando as minhas sacolas. — Chegue em casa segura. — Eu vou. — Sorrio saindo da loja e corro para o outro lado do estacionamento. A chuva começa cair forte quando ligo o carro, dificultando a visão, ainda que os limpadores estejam no máximo. Dirijo devagar para casa, sendo mais cautelosa; o que transforma uma condução de quinze minutos em uma de trinta minutos. Quando chego em casa, estou surpresa que a caminhonete de Austin não esteja estacionada

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sob o deck, em seu lugar habitual. Imaginei que com o aviso, ele estaria em casa agora. Tentando não pensar nisso, entro para guardar os mantimentos. — Que diabos? — Olho para o relógio, percebendo que faz duas horas desde que cheguei em casa. Pegando o telefone da casa no balcão, eu disco o número do telefone por satélite de Austin e ouço ele tocar uma e outra vez. — Ele está, provavelmente, ancorando, Lea. Se controle, — digo a mim mesma, abaixando o telefone e ligando a TV. Nervosismo começa a se estabelecer dentro de mim conforme assisto o Canal do Tempo. Uma hora depois, após caminhar ao redor e ligar para Austin várias vezes, eu ligo para Rhonda para ver se ela ouviu alguma coisa de Ben. — Ei, Ben já voltou? — Pergunto assim que ela atende, nem mesmo dando a ela a oportunidade de falar. — Ele acabou de ancorar e disse que logo estaria em casa. Você está bem? — Ela pergunta, soando preocupada. — Não consigo falar com Austin. Você pode perguntar a Ben se ele ouviu falar dele, ou o viu? — Pergunto, parando para olhar para fora da janela. — Querida, — ela sussurra, e balanço a cabeça. Não gosto desse tom; faz com que eu me sinta idiota por me preocupar. — Apenas me avise se ele ouviu falar dele, por favor, — digo, desligando, não esperando para ouvir a resposta dela. Lágrimas começam a encher meus olhos, mas as sufoco, sussurrando repetidamente: — Está tudo bem. Ele está bem, — enquanto ando para trás e para frente com o telefone na mão, me agarrando a ele como uma tábua de salvação, e então quase o deixo cair quando o toque me assusta. — Austin? — Suspiro, pressionando o telefone em meu ouvido. — Lea, é Ben. Meu coração afunda e os meus olhos vão para a janela, na verdade não vendo nada enquanto olho para fora. — Você já ouviu falar dele? — Pergunto, quando minhas mãos começam a tremer. — Não, eu tentei usar o CB12, mas não consegui.

12 Citizens' Band – rádio frequência

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— Oh, Deus. — Bile se arrasta no fundo da minha garganta, e tenho certeza que vou vomitar. — Tenho certeza que ele está bem, Lea. Ele provavelmente ancorou e está esperando a tempestade passar. — Você provavelmente está certo, — sussurro, enquanto meus olhos se apertam fechados. — Se você ouvir dele, por favor, ligue para mim? — Ele está bem, Lea. — Eu sei. — Ele tem que estar. Não há outra opção. Meu coração não aguenta mais uma perda como essa. As peças frágeis que Austin colocou juntas novamente estão muito lascadas para sobreviver a qualquer outra coisa. — Por que você não vem ficar com a gente na nossa casa até que ele volte? — Não, está tudo bem, — digo, andando até a parede de janelas, observando a tempestade bater sem piedade contra o mar. — Quer que a gente vá até você? — Ben pergunta, soando quase em pânico. — Não, eu ficarei bem. Beije Rhonda e Braden para mim. — Desligo, ouvindo Ben xingar antes de desligar o telefone. Sento-me no sofá e continuo pressionando redial repetidamente no telefone enquanto assisto a tempestade lá fora. Cada vez que ele não atende, minha preocupação aumenta até que estou praticamente vibrando com a ansiedade, e permaneço lá com o telefone na minha mão. — Olá? — Atendo o telefone quando ele toca. — Lea. — Oh, Ben. — Ei, eu só queria dizer que existem alguns barcos ancorados perto de Bay Shelter. Tenho certeza que é onde Austin está. — Como você sabe? — Eu praticamente imploro. — É para onde a maioria dos barcos foi, muito longe para ancorar, — explica ele. — Mas você não tem certeza de que Austin está com eles, certo? — Não, — ele murmura, e aquela sensação de vazio no meu peito cresce ainda mais.

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— Ele não está atendendo, — digo a ele, enxugando minhas bochechas. — Tenho certeza que a tempestade está dificultando para ele conseguir um sinal. — Você provavelmente está certo, — digo, mas mesmo para os meus próprios ouvidos o meu tom soa derrotado. — Lea, ele voltará para casa. — Ok, — digo, segurando o telefone na orelha enquanto deito no sofá, de frente para as janelas. — Ligue se ouvir dele. Eu desligo, e marco o número de Austin novamente, pedindo para ele atender, só que ele não faz. Não importa quantas vezes eu ligue, ele não atende, e cada vez, sinto-me afundando mais na escuridão até que estou me afogando nela. *** — Lea, baby. Sinto-me ser balançada e meus olhos se abrem. Austin está diante de mim, usando o que vestia quando partiu esta manhã, só que suas roupas estão encharcadas e seu cabelo está molhado. — Você voltou para casa. — Eu me jogo nos braços dele quando um soluço rasga o meu peito. — Claro que voltei, baby. — Seus braços deslizam facilmente em torno de mim e ele se move, sentando comigo enquanto choro em sua camisa, tentando me tranquilizar de que ele está comigo, que está bem, mas não importa o que eu faça, não está funcionando. Quero dizer a ele que estou com medo, que não sei se posso fazer isso, mas as palavras não saem. Tudo o que posso fazer é ficar lá e chorar. — Vamos para a cama, — ele diz em voz baixa, me pegando e me levando lá para cima. Uma vez que chegamos ao quarto, ele me despe e me coloca na cama. As lágrimas continuam caindo silenciosamente de meus olhos enquanto o vejo tirar a roupa, e se afastar quando levanta as cobertas, subindo na cama e enrolando-se em torno de mim.

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— Eu te amo, Lea, — ele diz, me fazendo chorar mais quando seus braços me apertam mais, e ele sussurra palavras suaves, esfregando minhas costas. Permaneço deitada lá até que o sol começa a subir, a respiração de Austin se nivela, e sua mão para de se mover sobre mim. Rolando, escorrego lentamente para fora de seus braços, nem mesmo me dando a chance de olhar para ele uma última vez antes de ir ao armário e pegar uma de suas camisas da prateleira. Eu a coloco, em seguida, encontro o meu moletom, vestindo-o, antes de sair silenciosamente do quarto, fechando a porta atrás de mim. O fluxo interminável de lágrimas não parou desde a noite passada, e tento combatê-las enquanto vou para o meu carro, mas mal posso ver quando ligo o motor e dirijo pela cidade. Quando chego a casa dos meus pais, tenho que me segurar fisicamente enquanto entro. Fechando a porta, minhas pernas cedem, então me enrolo em uma bola no chão e choro. Acordando, leva um tempo para perceber que estou deitada no chão e que há alguém batendo na porta. Levantando-me, eu abro a porta em uma fenda e olho para fora, ficando cara a cara com uma mulher que não reconheço. — Lea? — Ela diz, parecendo preocupada. — Posso ajudar? — Sou Elza. Trabalho para o Sr. Douglas. Tenho tentado entrar em contato com você, mas não fui capaz de alcançá-la por telefone desde a última vez que conversamos, e então eu queria passar e ver se eu poderia encontrá-la em casa. Casa? Não estou em casa. Minha casa é com Austin, penso eu, sentindo uma nova onda de lágrimas encherem meus olhos. — Se for muito, eu posso voltar outra hora, — ela diz baixinho, estudando meu rosto molhado de lágrimas. — Não, por favor, está tudo bem. — Eu me movo da porta quando ela entra, e a levo para a sala, sentando em frente a ela na cadeira. — Não há muito a repassar. — Ela sorri, pegando uma pasta, e começando a ir sobre ativos e informações sobre a casa da minha mãe.

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Nem sequer a ouço enquanto fala. Preciso voltar para Austin. Ainda que revelassem o futuro para mim e descobrisse que ele morreria amanhã, eu gostaria de passar com ele cada minuto que eu puder. Não posso viver sem ele. — Há também uma carta de sua mãe, — ela diz, e meus olhos finalmente se concentram nela. — Uma carta? — Sim, desculpe, eu não sabia sobre isso até esta manhã, quando reuni as coisas. Se soubesse, eu teria enviado este material pelo correio, — ela pede desculpas enquanto me entrega um envelope branco com o meu nome escrito na frente com a letra de minha mãe. — Está tudo bem, — murmuro; incapaz de desviar o olhar do envelope em minhas mãos. — Se precisar de alguma coisa, não tenha medo de me ligar, — ela diz, e eu aceno com a cabeça, segurando a carta no meu peito enquanto sigo atrás dela até a porta. — Obrigada, Elza. Ela me olha por cima do ombro e sorri, murmurando uma despedida enquanto fecho a porta atrás dela. Recostando contra a porta, eu abro o envelope, pegando cuidadosamente a carta e desdobrando-a. Minha querida menina bonita, Se você está lendo isto, significa que meu tempo aqui acabou e fui para a minha próxima aventura. Eu gostaria que tivéssemos tido mais tempo. Gostaria de ter tido mais tempo para dizer como estou orgulhosa de você, quão espantada estou pela mulher que você se tornou. Que todos os dias que passei com você, eu percebi que havia feito a coisa certa enquanto estava viva. Também quero pedir desculpas; eu quero dizer quão triste estou por não ter sido mais forte quando você precisou que eu fosse. Quando seu pai morreu, metade de mim morreu com ele. Daquele dia em diante, eu tentei ser corajosa, mas estava com tanto medo que deixei esse sentimento me sufocar.

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Eu não queria ver você sofrendo o mesmo destino que eu. Não queria ter que olhar em seus olhos se algo acontecesse com Austin, então eu fiz o que achava que era certo. Fiz o que meu coração me disse para fazer. Eu sei o tipo de homem que Austin é, e sei que ele provavelmente não lhe disse o que eu fiz, porque não quer que você me odeie, mas eu menti para ambos. Deixei que meus próprios medos a ferisse mais do que perdê-lo poderia fazer. Austin procurou por você, querida. Ele nunca parou. Deus sabe que eu o ameacei para ficar longe, mas ele sempre voltava, me pedindo para dizer onde você estava. Ele nunca parou, até que eu disse a ele que você seguiu em frente, que estava feliz sem ele e ele precisava encontrar a felicidade dele. Naquele dia eu vi uma luz se apagar dos olhos dele, a mesma luz que eu vi extinguir no seu quando disse a mesma coisa para você. Desculpe-me por ser uma covarde, e espero que com o tempo você possa me perdoar. Eu sei que se você e Austin puderem resolver as coisas, vocês dois serão felizes. Você merece ser feliz. Eu te amo, Lea. Você foi o que me manteve viva quando senti vontade de desistir. Agora é hora de você encontrar a sua própria luz. Você é o melhor de mim e de seu pai, e saiba que estamos orgulhosos de vocês. Com amor, mamãe. Novas lágrimas caem dos meus olhos enquanto assisto a carta flutuar até o chão.

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Capítulo 15 Austin Procurando por Lea, eu venho de mãos vazias e meus olhos se abrem. Ela nunca deixou a cama antes de mim, e a julgar pela sensação dos lençóis frios, ela se foi há algum tempo. Ontem à noite, quando cheguei em casa, a encontrei enrolada em uma bola no sofá, com o rosto molhado de lágrimas e o olhar perdido em seus olhos. Eu sabia que este era o ponto que eu havia temido, o ponto em que fui forçado a fazê-la enfrentar seus medos. Não sou o pai dela. Sim, homens morrem todos os dias no oceano, mas a chance de algo acontecer comigo é tão provável quanto eu ser atropelado por um carro enquanto atravesso a rua. Na noite passada, eu sabia que ela não estava pronta para falar sobre o que aconteceu, mas eu estupidamente presumi que ela estaria aqui para que pudéssemos falar sobre isso esta manhã.

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— Foda-se, — eu corto, colocando meus pés no chão, pegando meu jeans e vestindo-o. — Lea! — Eu rujo, abrindo a porta do quarto, apenas para ser saudado pelo silêncio conforme desço as escadas para a cozinha, puxando a minha camisa sobre a cabeça enquanto saio. Eu vou beijá-la e dizer a ela que ficará tudo bem, em seguida, espancá-la por isso, por correr de mim. Não estava mentindo quando disse a Ken que eu não a deixaria ir embora. Ela é minha e será sempre minha, mesmo que ela tenha que sair no barco comigo a cada vez que eu for, para que então – Deus me livre – morramos juntos, então, que assim seja. Pego minhas chaves do balcão e vou para a minha caminhonete, entrando, ligando-a, dando marcha ré na entrada da garagem, e seguindo em direção à casa dos pais dela. Ligando os limpadores quando a chuva cai com mais força, eu xingo sob a minha respiração ao ver que partes da estrada foram inundadas pela tempestade. Sei que Lea chorou a maior parte da noite, e tenho certeza que ela estava uma bagunça quando saiu de casa antes de eu acordar. Sabendo que ela dirigiu nesse estado, com o clima tão ruim, só serviu para me irritar ainda mais. Seu carro não é um pedaço de merda, mas ele não tem tração nas quatro rodas, e algo poderia facilmente acontecer com ela. Vendo faróis vindo em minha direção, eu abrando, e observo que é o carro de Lea. Piscando minhas luzes, piso no freio e encosto do lado da estrada. O carro dela para alguns metros na frente da minha caminhonete, e antes que eu possa sequer abrir a porta, ela está fora do carro dela, correndo em minha direção, com o rosto vermelho e manchado de lágrimas, mas o olhar em seus olhos é o que faz o meu intestino apertar. Ela parece triste, sim, mas a sua luz está de volta. Meus pés tocam o chão lamacento quando seu corpo corre com força total para mim, tirando o meu ar antes de eu ter a chance de me preparar para o impacto. — Sinto muito, — ela chora, e suas unhas cavam em minha pele, atravessando a minha camisa. — Deixei-o novamente. Sinto muito. — Ela soluça, enquanto a chuva cai forte sobre nós, encharcando nossas roupas.

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— Baby, — digo baixinho, correndo a mão sobre seu cabelo molhado e segurando-a perto de mim. — Você não en-en-ten-n-n-de, tenho tanto medo de ser deixada que acreditava que se eu deixasse primeiro não doeria tanto, qu-que eu ficaria bem, mas n-não estou. — Sua cabeça se enterra em meu peito e me abraça mais forte. — Eu não te deixarei ir, Lea, — digo a ela, mergulhando a cabeça em seu ouvido. — Nunca a deixarei ir, de novo não. Sua cabeça se inclina para trás e seus olhos tristes e molhados piscam para mim conforme a chuva cai, lavando suas lágrimas. Seguro seu rosto entre as mãos e abaixo minha cabeça, beijando-a, precisando que ela entenda que eu a amo e não desistirei de nós. — Vamos para casa, — digo, pressionando minha testa na dela, sentindo seu aceno. — O meu carro, — ela soluça enquanto a ajudo a subir na caminhonete. — Você não está em condições de dirigir, Lea. Vou estacioná-lo ao lado da estrada e voltar para buscá-lo mais tarde, — digo a ela, enxugando algumas lágrimas. Ela balança a cabeça, abaixando-a e olhando para seu colo. Colocando os dedos debaixo de seu queixo, eu o levanto até que seu olhar encontra o meu. — Eu te amo, Lea. — Digo a ela gentilmente. — Você não deveria, — ela sussurra, quebrando meu coração. — É impossível não te amar. Tudo o que tivermos de fazer, faremos, para que isso não aconteça novamente, — me afastando dela, eu ligo o carro quando noto que seus dentes estão batendo forte. Fechando a porta, vou até o carro dela, encostandoo do lado da estrada. Assim que volto à caminhonete, dou marcha ré e volto para casa. Não sei como lidar com o que está acontecendo na cabeça dela, mas sei que preciso encontrar uma maneira de atravessar isso. A mãe dela deveria ter encontrado ajuda para ela. Deveria garantir que sua filha fosse cuidada. Eu sei que é completamente fodido ficar com raiva de uma mulher morta, mas estou tão bravo com ela, não só pelo que ela fez para mim e para Lea, mas pela maneira como ela alimentou a doença de Lea, nunca compreendendo que não estava ajudando-a ao permitir que ela ignorasse a verdadeira razão pela qual ela saíra de casa.

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— Sei que você está com raiva de mim. — A voz suave e triste de Lea me tira dos meus pensamentos, e pego a mão dela na minha, unindo nossos dedos. — Estou chateado por você dirigir nessa condição, mas não estou bravo com você, baby. Estou preocupado com você. — Tentei lutar contra isso, — ela sussurra. — Eu sei que você fez, mas não precisa lutar sozinha, não mais, — digo, apertando a mão dela. Quando chego em casa, eu saio e vou para o lado dela, tirando-a da caminhonete e carregando-a em meus braços conforme subo as escadas. Seus dentes ainda estão batendo, e as lágrimas ainda caem de seus olhos quando abro a porta de correr e depois fecho, subindo as escadas até o quarto, e seguindo para o banheiro. Eu a coloco no chão para poder encher a banheira. Quando me viro, ela está me observando atentamente, aparentemente sem saber o que fazer. Tirando a camisa dela, eu a lanço para o cesto de roupa suja, e faço o mesmo com seu moletom, sutiã e calcinha. Quando a ajudo a entrar no banho quente, lágrimas ainda estão caindo de seus olhos. Eu não sabia que uma pessoa poderia produzir tantas lágrimas. Ajudo-a a se inclinar contra a água, em seguida, pego seu xampu e condicionador do chuveiro. Assim que termino de lavar seus cabelos e começo a usar o condicionador, ela fecha os olhos e os dentes param de bater. — Você não pode me deixar outra vez, Lea, — resmungo, sentindo a minha garganta apertar com as emoções. Posso lidar com um monte de coisas, mas estar sem ela é algo que não quero nunca enfrentar. — Eu sinto muito, — ela soluça, inclinando-se sobre a banheira, molhando minha camisa com suas lágrimas e água quando seus braços envolvem meus ombros. Beijando seu cabelo, eu afasto os braços dela e uso uma das barras de sabão para lavá-la rapidamente antes de pegar uma toalha e tirá-la da banheira. Levando-a para o quarto, eu a deito na cama. Em seguida, retiro a roupa e deito com ela. — Alguma vez você falou com alguém quando saiu de casa? Nunca falou com ninguém sobre a morte de seu pai? — Pergunto para ela assim que tenho seu corpo quase completamente sob o meu, onde sei que ela não será capaz de fugir novamente. — Não, eu não queria pensar nisso. — Ela aperta os olhos fechados.

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— Você falava com sua mãe sobre isso, e como a morte dele afetou você? — Pergunto suavemente. — Não, eu disse a ela que precisava ir embora, e ela tornou possível fazêlo. Nunca conversamos sobre ele, não realmente até que eu voltei para casa. — Sim. — Balanço a cabeça, olhando para a vista quando as nuvens escuras são substituídas pelo céu azul. — Eu sei o que ela fez, — ela sussurra, e franzo a testa, inclinando a cabeça para olhar para ela. Seus olhos abrem lentamente e encontram os meus. — Quem fez o que? — Minha mãe... E-eu recebi uma carta dela hoje. — Aceno e ela morde o lábio. — Ela mentiu. — Sim, — eu concordo, segurando-a um pouco mais perto. — Não quero estar brava com ela. — Ela fecha os olhos. — Baby, — digo em voz baixa, enquanto as lágrimas escorrem pelo seu rosto. — Eu disse para ela que queria voltar para casa. Ela me disse que não havia nada para mim aqui, que você havia seguido em frente. Foda-se! — Nunca segui em frente, Lea. Eu não sabia, mas sempre estive esperando você voltar para casa, para mim. — Você é a minha casa, — ela diz, quebrando o meu coração. — Não sei como me livrar desse medo, mas sei o que eu quero. Não quero ficar sem você. — Nós vamos encontrar alguém para você conversar. — Eu asseguro-a. — Não posso ficar sem você, — ela reitera. — Então você irá no barco comigo. Encontraremos uma maneira de fazer isso funcionar até que você esteja forte o suficiente, — eu a tranquilizo, correndo os dedos pelos seus cabelos. — Mas você nunca me deixe novamente sem falar comigo. As únicas vezes que eu já estive com medo na minha vida foram as vezes em que fui forçado a pensar em um futuro sem você. — Preciso que ela entenda que o meu medo é o mesmo que o dela. — Você não merece isso. — Eu não mereço e nem você, baby. Isso é parte do que você precisa entender; você merece a felicidade tanto quanto qualquer outra pessoa. Nós

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merecemos ser felizes, Lea, começar uma vida juntos, ter filhos, vê-los crescer. Nós dois merecemos isso, — sussurro a última parte, e seu corpo treme contra o meu quando novas lágrimas caem dos seus olhos. — Suas lágrimas estão me matando, — digo a ela, beijando sua testa. — Eu não parei de chorar. Não sei o que está er-errado c-comigo. — Você tem muita coisa que precisa deixar ir. Você pode chorar o tempo que precisar, — respondo, descansando a mão sobre o estômago dela. Uma hora depois, quando as lágrimas não cessaram e ela ainda não dormiu, eu beijo a testa dela e me afasto. — Já volto, baby, — sussurro para ela. Ela balança a cabeça, se enrolando em uma bola e abraçando meu travesseiro contra o peito. Agarrando um par de moletom, eu o visto e encontro meu telefone, levando-o comigo lá embaixo, onde ligo para Keith e pergunto se ele pode prescrever algo que a ajude a dormir. Quando volto lá em cima, ela ainda está chorando e olhando pela janela. — Está tudo bem? — Ela pergunta quando entrego uma garrafa de água para ela. — Keith irá passar e deixar algo para ajudá-la a dormir, — digo, ajudando-a a se deitar. Ela balança a cabeça, mas não diz nada, apenas me observa atentamente. Vinte minutos depois, a campainha toca e beijo sua testa novamente, murmurando: — Já volto. — Quando chego à cozinha, Keith está olhando através da porta de vidro com as mãos nos bolsos e um olhar preocupado no rosto. — Ela está bem? — Ele pergunta quando abro a porta. Correndo a mão sobre a cabeça, dou de ombros. — Ela não dormiu. Não sei o quanto da nossa história você sabe, mas na noite passada eu fiquei preso na tempestade. Demorou um pouco para chegar ao porto, e quando cheguei em casa, ela estava quase catatônica. Ela está chorando desde então, se não antes, e não dormiu. — Cristo, — ele murmura, olhando para as escadas. — Quer que eu a verifique? — Não, eu não acho que vá ajudar agora, — digo, e ele acena com a cabeça, em seguida, me dá um pequeno saco.

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— Coloquei dois comprimidos aí. Se ela precisar de mais depois de hoje, apenas me ligue e eu darei uma receita médica. — Agradeço por isso, cara. — Sem problemas. Deixe-me saber se precisar de alguma coisa. — Eu o farei, — digo, observando-o sair, então eu volto lá em cima. — O que é isso? — Lea pergunta quando entrego a ela uma pílula e a garrafa de água que coloquei em sua cabeceira antes. — A pílula para dormir, — digo, tirando algum cabelo de sua testa. Ela balança a cabeça, coloca-a na boca e toma um gole de água. — Tudo ficará bem, Lea. — Eu me deito com ela, puxando-a em meus braços. — Eu sei. — Ela se aconchega em mim enquanto corro meus dedos sobre o braço dela. Só quando ela está respirando de forma uniforme e seu corpo relaxou contra o meu que me sinto relaxar. Sei que levará algum tempo para ela ficar bem, mas sei que nós acabamos de passar pelo pior da tempestade. *** Virando a cabeça, deixo meus olhos vaguearem sobre Lea enquanto ela permanece na entrada da sala de estar. Seu cabelo está preso e seus olhos já não estão vermelhos de tanto chorar, mas ainda suaves do sono. — Hey. — Sua suave voz me inunda, e paro de mexer a sopa, estendendo a mão para ela. — Venha aqui, baby. Ela caminha até mim lentamente, e me abraça, pressionando o rosto no meu peito nu. — Como você se sente? — Melhor, — ela murmura, beijando o meu coração. — Eu ia levar um pouco de comida para você. — Podemos comer lá fora em vez disso? — Claro, pegue algumas tigelas, — digo, puxando o pão de fermento do forno, e enchendo ambas as tigelas com ensopado, colocando ambos em grandes pratos. — O que você gostaria de beber? — Ela pergunta.

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— Basta pegar água, baby. — Eu digo, caminhando para o deck, colocando ambos os pratos em cima da mesa, e puxando a cadeira antes dela sentar. — É tão bom aqui fora, — ela diz, olhando para a água onde o sol está se pondo. — Ben e Rhonda passaram enquanto você dormia. Eles disseram que viriam em alguns dias, — digo, vendo-a balançar a cabeça, encher a colher, e provar. — Você disse a eles o que aconteceu? — Ela sussurra, parecendo insegura e triste. — Olhe para mim, Lea, — digo, esperando seu olhar encontrar o meu. — Eu não contei a eles, mas você não tem nenhuma razão para se sentir envergonhada. Eles são seus amigos e estão preocupados com você. Você os assustou ontem. Ela balança a cabeça e abaixa o olhar novamente. — Vou perguntar a Rhonda se ela conhece alguém na cidade com quem eu possa falar. — Acho que seria bom, baby, — concordo suavemente. — Minha mãe te disse que o que ela fez, não foi? — Ela pergunta, seus olhos fixos na vista. — Ela disse. — Eu concordo, sentindo meu punho apertar a colher na minha mão. — Quando? — Ela pergunta, e largo a minha colher, colocando minha mão na coxa dela. — É por isso que você mudou de ideia sobre mim, sobre nós? — Ela pergunta baixinho, voltando a olhar para mim com lágrimas nos olhos. — Nós éramos inevitáveis, Lea. Mesmo se sua mãe tivesse mantido seu segredo, eu finalmente teria ido atrás de você. — Mas... — seu lábio inferior treme quando balanço a cabeça. — Sem mas. — Passo o meu polegar sobre os lábios dela. — Quando vi você sair com Keith, eu queria acabar com ele, então eu queria segui-la até o banheiro e te foder até que você falasse que era minha. — Oh, — ela murmura, parecendo adorável. — Sempre foi você Lea. Nunca houve ninguém para mim além de você.

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— Me desculpe por deixar você. — Ela sussurra e levanto-me da minha cadeira, me agachando na frente dela e seguro seu rosto delicadamente em minhas palmas. — Você não tem nada que se desculpar. Às vezes merda ruim acontece para que você saiba quando tem algo bom, não há garantias. Eu gostaria que não tivéssemos perdido tanto tempo, baby, mas não podemos mudar isso agora, tudo o que podemos fazer agora é trabalhar na construção de um futuro juntos e fazer valer cada momento. — Eu digo a ela, enxugando as lágrimas que caem. — Não o deixarei novamente. — Não importaria se tentasse, porque você não iria longe. — Eu digo; ela balança a cabeça e vejo seus lábios levantarem nos cantos. — Nós estamos bem? — Pergunto e ela acena com a cabeça uma vez. Puxando seu queixo para frente, eu a beijo suavemente, murmurando: — Coma, baby, — contra seus lábios antes de me sentar novamente na minha cadeira. Quando termino de comer, o sol afundou abaixo do horizonte, lançando um brilho através da plataforma, então a levo para dentro, colocando os pratos na pia no caminho, em seguida, levo-a para a parede de janelas na sala de estar e a abraço. — Este é o lugar onde deveríamos acabar. — Beijo a pele atrás de sua orelha. — Você, comigo. — Corro minhas mãos pelos braços dela e ela entrelaça os dedos com os meus, levanta-os e coloca-os na janela diante de nós, deixando-os lá enquanto passo minhas mãos pelos seus lados, e ao redor de seus seios. — Nos encaixamos perfeitamente juntos, — murmuro, lambendo seu pescoço, parando em seu ouvido, mordendo sua orelha, enquanto meus dedos deslizam para baixo e depois para cima, sob a blusa, cobrindo o peito, onde puxo seus mamilos, fazendo-a gemer e sua bunda pressionar contra mim. — Estes somos nós. Eu me inclino para trás e olho para nosso reflexo no vidro enquanto minha mão desliza dentro da sua calcinha, através de suas dobras molhadas, e concentro em seu clitóris, fazendo os olhos dela quase se fecharem. — Você sente isso, baby? — Pergunto, puxando seu mamilo. — Sim... — ela sussurra, envolvendo o braço em torno da minha nuca e inclinando a cabeça mais para o lado, me dando acesso total ao seu pescoço, onde

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lambo e puxo sua pele. — Austin, — ela choraminga quando meus dedos deslizam, enchendo-a e meu polegar desliza sobre seu clitóris em círculos rápidos. Os músculos de sua vagina começam a convulsionar enquanto ela grita meu nome. Meu pau palpita quando seu corpo relaxa contra mim, e removo os dedos, trazendo-os para a minha boca, sugando-os para limpá-los. Girando-a em meus braços, ela corre a língua sobre meu lábio inferior, puxando-o com os dentes. Em seguida, cai de joelhos na minha frente. Quando seus olhos encontram os meus, ela lambe os lábios e puxa meu moletom para baixo, em seguida, enrola a mão em torno de mim. Abaixando os olhos para meu comprimento enquanto ela bombeia para cima e para baixo, seu olhar encontra o meu novamente quando sua pequena língua vem para fora, lambendo a gota de pré-sémen da minha ponta. — Envolva essa boquinha linda em torno de mim, baby, e chupe, — digo a ela, empurrando meus dedos nos cabelos dela e sua cabeça para o lado. Sua boca se abre ao meu redor, me levando plenamente, girando a língua em torno do comprimento enquanto sua mão se move em sincronia com a boca. Minha cabeça cai para trás conforme ela trabalha, e minhas pernas começam a ceder enquanto ela suga. — Fodase, — eu gemo, cavando meus dedos mais profundamente em seu cabelo e movendoa mais rápido quando meus olhos caem para me ver desaparecer entre seus lábios. Quando o formigamento começa na base da minha espinha, eu a levanto do chão, fazendo-a ofegar quando a levanto em meus braços, pressionando-a contra o vidro enquanto puxo sua calcinha para o lado e bato profundamente. — Me tomar com a sua boca te deixou quente, Little Lamb? Sua boceta está escorrendo por todo o meu pau, — eu rosno, empurrando minha língua em sua boca enquanto o meu quadril empurra para frente, tomando-a com força e profundamente até que estou enterrado até as bolas em seu calor. Suas mãos agarram meu cabelo quando minhas mãos seguram seu traseiro, levantando e soltando-a com força. Desta vez, quando o desejo de gozar me bate, eu afasto minha boca dela e olho em seus olhos. — Tão bonita pra caralho. Isso somos nós, baby. Aqui é onde nós fomos feitos para estar. Eu rujo, sentindo sua vagina convulsionar quando meus quadris empurram para frente e meu gozo a preenche. Caminhando para o sofá, eu entro em colapso

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ainda enterrado profundamente em seu calor, sentindo seu núcleo apertar em sincronia com as batidas do coração tamborilando contra o meu peito. *** — Vocês estão bem? — Ben pergunta, puxando uma cadeira ao lado da minha no deck. Olho através das portas de vidro para a cozinha e aceno enquanto assisto Lea segurar Braden nos braços e conversar com Rhonda. — Estamos chegando lá. Levará algum tempo para ela ficar bem sobre eu estar no barco sem ela, mas agora que está indo ao aconselhamento, a sua ansiedade diminuiu. Todos os dias ela fica um pouco melhor. — Não posso acreditar que vocês foram para Vegas e se casaram, — resmunga, parecendo irritado, o que só me faz sorrir. — Eu disse que não ia esperar mais. — Eu sei, mas eu teria gostado de ter ido, — ele faz beicinho, cruzando os braços sobre o peito. — Nós faremos uma festa, irmão. — Sorrio, tomando um gole da minha cerveja, em seguida, viro a cabeça para olhar pela janela da sala de estar. Lea colocou o nosso retrato de casamento acima da lareira, pendurado acima da foto que sua mãe tirou de nós anos atrás. Fomos a Las Vegas há duas semanas, nenhum de nós querendo esperar mais. Nós só saímos por três dias, porque ambos precisávamos voltar ao trabalho, mas prometi a Lea que durante o inverno nós passaríamos um mês em uma praia de sua escolha. Estava ansioso para tê-la em um biquíni enquanto tento engravidá-la, soou como a maneira perfeita para passar o inverno. — Você está tão pau mandado, — ele murmura, tirando-me dos meus pensamentos, justo quando Rhonda chama por ele. Ele se levanta, vai até ela, e a abraça. Balanço a cabeça sabendo que ele está tão envolvido pela esposa como eu estou na minha. — Você está bem? — Lea pergunta, vindo ao meu encontro. Eu a puxo no meu colo e a beijo, depois a vejo tomar um gole de cerveja.

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— Não poderia estar melhor, — murmuro. Sua cabeça se vira para mim e seus olhos estudam os meus. — Eu te amo, Austin Wolf. — Também te amo, Little Wolf, — digo, fazendo-a rir enquanto se inclina para me beijar.

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Epílogo Quatro anos depois Acordo ao balanço suave da água balançando o barco e olho para o relógio, vendo dormi por pouco mais de uma hora. Saindo da cama, coloco meus pés no chão de madeira gelada, e pego o meu suéter, enrolando-me enquanto atravesso a cozinha e sigo para as escadas. A visão que me cumprimenta faz ter valido a pena lutar por cada respiração dura que eu já tomei. Austin está perto da borda do barco com o nosso filho, Jacob – chamado assim por causa do meu pai – entre suas coxas abertas, ambos segurando uma vara de pesca. Como se ele me sentisse ali de pé, sua cabeça gira em minha direção, nossos olhares se cruzam, e seu rosto suaviza quando seus olhos percorrem todo o meu corpo. — Hey, baby, — ele diz em voz baixa, estendendo a mão para mim. — Mamãe, oia! Estou pescando. — Tiro meus olhos de meu marido para olhar para o meu filho, e sorrio conforme caminho em direção a eles. Assim que estou perto

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o suficiente, o braço de Austin circula meus ombros e sua boca abaixa para beijar meu pescoço. — O que vocês estão pescando? — Pergunto ao meu filho, correndo a mão sobre seu cabelo loiro, o qual é desgrenhado assim como o do seu pai. — Alabote13, — responde, mordendo o lábio em concentração. — Você dormiu bem? — Pergunta Austin. Inclino a cabeça para trás e respondo: — Sim. Seus olhos ficam ainda mais suaves, sua mão corre por cima da minha barriga que acaba de começar a crescer, e ele murmura: — Bom, — colocando um beijo suave nos meus lábios. — Eu te amo, — digo a ele, sentindo como as palavras são tão insignificantes. Diariamente, eu me esforço para dar a ele uma fração do que ele me deu, mas sério, como você pode retribuir a pessoa que devolveu a vida para você? — Eu te amo mais, baby. — Ele sorri, beijando meu nariz, em seguida, se inclina, dizendo: — Você pegou um grande. Está pronto? — Para o nosso filho. — Sim, — diz Jacob, e eles começam a puxar a linha, puxando um grande alabote para cima, com os olhos no topo da cabeça dele. Uma vez que eles colocam o peixe no convés, eles trabalham juntos para colocá-lo no tanque enquanto eu fico de lado, assistindo. — Vocês estão com fome? — Pergunto, observando-os jogar a linha na água novamente. — Não, — Jacob diz, sem sequer olhar para mim. — Vamos almoçar. Nós voltaremos a pescar depois de comer, — Austin diz a Jacob, fazendo-o franzir o cenho. Ele pode ter apenas quatro anos, mas a pesca já está em seu sangue. — Mas não quero comer, — ele reclama quando ele é levantado. — Eu trouxe seus cookies favoritos, e se você almoçar comigo, eu deixarei você comer dois, — eu suborno-o.

13 Espécie de peixe encontrado no hemisfério norte, cuja pesca para consumo humano é muito comum.

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— Eu ganho os cookies dele se ele não almoçar? — Austin pergunta quando nós vamos para a cozinha. — Você tem os seus cookies, — digo a ele, sorrindo ao ouvir um barulho vindo de seu peito, em seguida, sinto sua mão na minha bunda. — Sim, papai, você tem os seus cookies, — Jacob repete, me fazendo rir e Austin gargalhar. ***

Dois anos depois Eu me inclino contra o balcão da cozinha e sorrio enquanto assisto Lea olhar através do telescópio no deck. Enchendo um copo de vinho para ela, eu pego uma cerveja para mim, em seguida, pego o monitor de bebê do balcão e deslizo pela porta aberta. — Eles dormiram bem? — Ela pergunta quando eu me sento e a puxo para o meu colo. — Josie me fez ler três histórias antes de finalmente dormir, e Jacob estava dormindo antes mesmo de sair da banheira, — digo, observando seus olhos amolecerem como sempre fazem quando falamos sobre as crianças. Levo minha cerveja aos lábios e dou um gole, então lhe entrego o copo de vinho que trouxe para ela. — Não posso beber isso, — ela diz suavemente, e meu estômago aperta. — Você está grávida de novo? — Não aja como se estivesse surpreso. Você tem um super-esperma, e tudo que nós precisamos fazer é dizer que estamos prontos para outro, e estou grávida. — Verdade. — Sorrio, puxando-a para mais perto para que eu possa tomar sua boca em um beijo profundo, que em breve a tem virando e montando meu colo. Passando minhas mãos por suas coxas, sob a minha camisa que ela está usando,

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noto que ela só está vestindo calcinha e as malditas meias que a faz ser fodida mais vezes do que eu posso contar. — Foda-se, — rosno no pescoço dela, e inclino-a sobre o parapeito, onde faço amor com ela sob o céu do Alasca antes de carregá-la para a cama. Ouvindo Lea respirar, eu inclino a cabeça para trás e olho para a janela quando passa uma grande estrela cadente. Vinte e seis anos atrás eu desejei a uma estrela que Lea fosse minha esposa, demorou um pouco, mas o meu desejo se tornou realidade. Espero que quem esteja desejando a uma estrela seja tão sortudo quanto eu.

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Aurora rose reynolds shooting stars #1 lutando para respirar [revisado]  
Aurora rose reynolds shooting stars #1 lutando para respirar [revisado]  
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