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Série Love Extreme Livro 03

A maior luta de sua vida não está na gaiola...

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Envio: Soryu Tradução: Cris Guerra Revisão Inicial: Liani Revisão Final: Milena Calegari Formatação: Milena Calegari Leitura Final: Lola Verificação: Ana S.

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Sinopse Mac ‘The Snake1` Hannon, ex-topchef, perdeu sua esposa e filho por nascer em um tornado monstruoso. Com sua vida despedaçada, ele se muda para Atlanta e se joga em lutas na gaiola. Isso não tira a dor, mas o ajuda a gerenciar sua raiva e impotência. Mas quando um velho amigo implora a Mac para ajudá-lo a treinar para uma próxima luta, Mac retorna ao lugar onde sua vida foi arruinada – no auge da temporada de tornados. A pequena cidade de Gayle Andrews foi arrasada por um tornado, destruindo tudo o que amava. Ela agora tem um objetivo: entender melhor os tornados para que ela possa salvar os outros de experimentar a perda que ela teve. Seu novo vizinho, um lutador bonito, a intriga, mas a sua própria tragédia significa que ele não pode lidar com Gayle perseguindo tempestades e cortejando o desastre em cada turno. Quando um furacão furioso coloca a vida de Gayle em perigo, a cabeça de Mac lhe diz para ir embora, mas o seu coração puxa para o olho da tempestade. Mas será tarde demais para Gayle e Mac para ter o seu feliz para sempre?

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The Snake: O Cobra.

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Este livro é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são o produto da imaginação do autor ou são usados ficticiamente. Qualquer semelhança com fatos reais, localidades ou pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.

A vida começa no final de sua zona de conforto

-Neale Donald Walsch

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Capítulo Um Casas

demolidas.

Carros

Esmagados.

Corpos

espalhados. Tudo ao redor dele aparenta morte e destruição. O pânico trancou como uma gravata o pescoço de Mac ‗The Snake‘ Hannon, tornando-o incapaz de respirar. Ele fechou os olhos e se concentrou em lutar mentalmente para fora do abraço submisso das memórias torturantes. Forçando uma inspiração profunda, ele a segurou por alguns segundos, em seguida, liberou lentamente, repetindo a ação até que o aperto da morte ao redor de seu pescoço afrouxou, e só então ele reabriu os olhos. A destruição foi embora. A única coisa correndo pela janela do passageiro do caminhão de seu amigo de infância eram quilômetros e quilômetros de terra plana e aberta. A terra plana e aberta do Kansas para ser exato. Não há lugar como o lar? Que monte de merda. O que diabos ele estava pensando ao voltar? Para realmente pisar de volta no solo amaldiçoado conhecido como Alameda dos Tornados2?

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A Tornado Alley (em português, ‗Alameda dos Tornados‘) é um termo comum para designar a região central dos Estados Unidos cobrindo muitos estados ou parte de estados onde ocorrem frequentemente tornados.

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Maldito Lance e todo seu ―Eu realmente poderia usar sua ajuda, amigo.‖ Como diabo Mac poderia dizer não? Ele lançou um olhar para seu amigo de infância que estava muito ocupado dirigindo para notar seu nervosismo. Ou talvez ele tivesse notado e se recusava a reconhecer isso. O mais provável era o último. Lance sabia que Mac não queria voltar para Kansas mais do que um lutador queria perder uma maldita luta – mas isso não o tinha impedido de pedir a Mac para ajudá-lo a treinar para uma luta iminente. Depois de tentar pensar em todas as razões conhecidas pelo homem para Lance ir para Atlanta, em vez disso, e o idiota sempre tinha uma maldita boa desculpa de por que ele não poderia, Mac concordou relutantemente. Por que ele, com certeza, não poderia dizer não. Não quando este era o primeiro favor que Lance tinha pedido desde que ele salvou a vida de Mac há quatro anos. — Mac. A voz profunda de Lance cortou o espesso silêncio causando-lhe tremores. Foda-se, ele estava tenso. — Eu sei que nós realmente não temos mantido contato desde que se mudou para Atlanta — seu amigo continuou — Então, eu agradeço por fazer isso. Diferente de algumas chamadas telefônicas – feitas por Lance ao longo dos anos - Mac tinha cortado todos os laços com o passado no momento que as rodas do avião tinham levantado para fora da pista e o levaram para a Geórgia. 10


— Sim, bem. — Fez cara feia para a aspereza na voz dele, ele limpou a garganta. — É o mínimo que eu podia fazer, considerando. Além disso, sua filha está aqui. Eu não queria levá-lo para longe de sua filha. Especialmente depois que ele soube que Lance tinha se mudado mais de 200 milhas para ficar perto da filha. Significava também que Mac não teria que voltar para Emerald Springs. Graças a Deus. — Skylar mal pode esperar para vê-lo — disse Lance. Mac olhou para fora da janela. Sem nuvens. Apenas um interminável céu azul. A rapidez com que poderia mudar, porém, especialmente no final de abril. Mac cerrou os dentes. Maldição, ele iriaa ficar louco antes que ele se fosse. — Quantos anos ela tem agora? — Ele disse entre dentes, determinado a se concentrar em sua conversa. — Oito. Ela se lembra de você. Quando eu lhe disse que estava vindo por algumas semanas para me ajudar a treinar, ela ficou animada em ver o Tio Mac de novo. Tio Mac. Lembrou-se daquele homem também. Ele morreu junto com sua esposa, quatro anos atrás. Ele esfregou a mão sobre sua mandíbula e se mexeu no seu assento. Não vá lá. Ele inalou outra respiração tranquilizadora e recostouse contra o assento de couro, estudando Lance. Qualquer 11


coisa para não ser esmagado pelo fluxo das fodidas emoções que esta maldita viagem já estava causando. Com exceção de mais um par de tatuagens adicionadas ao braço, seu amigo vinha trabalhando há anos e construído um corpo mais potente desde que ele decidiu lutar pelo pesopesado em vez de médio, Lance não tinha mudado. Mesmo cabelo indisciplinado loiro sujo, mesmo brilho malicioso de seus olhos cinzentos, mesma atitude descontraída. Mac costumava ser assim... Antes. Inferno, porra! — Quando você se mudou para Cheney? — O desejo de querer rastejar para fora de sua pele o fazia esfregar as palmas das mãos nas coxas vestidas de jeans até que a pele queimasse. Tentando aliviar a tensão, ele trabalhou seu pescoço para trás e para frente. Ele não se sentia tão tenso há anos. Isso foi o que o tinha empurrado para gaiola – o que acabou sendo a maldita melhor terapia que um cara poderia ter requisitado. Esmurrando a merda de algo libertou tudo. E ele, com certeza, poderia usar uma sessão de espancamentos agora. — Você está bem? — Perguntou Lance. Mac resmungou. — Cheney? Um suspiro veio do outro lado da cabine, que ele ignorou. Se Lance pensou que Mac era o mesmo cara com quem ele tinha crescido, depois de tudo o que tinha acontecido, ele logo aprenderia como ele estava errado. Esse 12


cara se foi há muito tempo. Uma vez que seu amigo percebesse isso, talvez ele fosse obter um pé na bunda de volta para Atlanta mais cedo. Ele ficaria bem com isso. — Cerca de dois anos atrás o marido de Piper conseguiu um emprego em Wichita, e eu não poderia estar a três horas de distância de Skylar. Desde que, tecnicamente posso trabalhar em qualquer lugar, eu peguei as malas e me mudei para cá também. Cheney é agradável. É apenas a 30 minutos de Wichita, mas ainda tem o sentimento de cidade pequena. — Como estão as coisas entre você e Piper? Seu amigo deu de ombros. — Ao contrário da crença popular, o divórcio não tem que ser horrível. Temos um ótimo relacionamento, eu gosto de seu marido, e ele adora Skylar. Ele não tenta tomar o meu lugar ou pisar no meu pé, e ele deixa a educação para nós. Piper e eu. Então, eu acho que eu tenho um bom negócio. Quanto mais Lance falava mais a tensão de Mac se aliviava. Se a distração ajudasse, ele se certificaria de mantêlo falando. — Isso é ótimo. Se alguém pudesse fazer um divórcio funcionar, eram vocês dois. — Ainda há amor, cara. Só não nos amamos. Eu acho que é o que acontece quando você se casa assim que saí da escola. Nós crescemos juntos, então nos afastamos juntos. 13


Não há ressentimentos, a porra aconteceu. Como resultado, Skylar tem dois pais que podem estar na mesma sala e, honestamente, gostam um do outro. Lance virou a direita, ao lado da principal rua paralela à cidade de Cheney, em uma estrada de terra. Poucos segundos depois, ele se virou para um longo caminho de cascalho que conduzia a uma grande casa de fazenda de dois andares. Ele apontou para um celeiro de madeira por trás dela. — Eu tenho uma academia lá em casa. Com a minha agenda é difícil ir para uma academia diariamente, mas eu tenho que treinar, mesmo que a única hora que eu possa treinar seja às duas da manhã. É um arranjo difícil, mas funciona. — Você tem que fazer o que você tem que fazer cara, — Mac murmurou. Ninguém sabia disso melhor do que ele. Foi por isso que ele foi embora, em primeiro lugar. — Com a sua ajuda espero estar pronto para a luta em seis semanas. Supõe-se que alguns grandes nomes do Campeonato Cage Matchlá estarão por lá. Se eu conseguir que a CMC3 me note, eu serei de ouro. Mac escondeu uma careta. Aos trinta e seis anos, as chances de Lance entrar no top das Artes Marciais Mistas eram quase nulas. Embora ele desse crédito ao cara – ele

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Empresa que patrocina lutador es.

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nunca desistiu de seu sonho, mesmo ele tendo que adiar para trabalhar por alguns anos. Seu amigo estacionou o caminhão e Mac saiu, inspecionando a área. Depois de estar na apressada e atarefada Atlanta, a imensidão de terra diante dele foi quase esmagadora – o fazia se sentir como um alvo ambulante. Porra, ele odiava. — Você realmente foi para o isolamento, não é? Não havia uma parte de você que quisesse viver em, digamos... um bairro? Lance riu. — Eu fui, na verdade. Para Skylar. Mas eu não poderia deixar passar esta casa. Eu consegui um negócio de matar. Eu nunca seria capaz de pagar por um lugar como este se não estivessem executando a hipoteca. A casa precisava de uma tonelada de trabalhos, mas, desde que eu passei anos trabalhando em construção com o meu pai, eu sabia que poderia consertá-la. Olhando para a casa agora Mac nunca teria sabido que alguma vez precisou de consertos. O acabamento na frente da casa fazia a decoração branca e as persianas se destacarem. O alpendre gigantesco que circundava a casa foi decorado com vasos de plantas e cestas suspensas, com uma área de estar de vime e um balanço na varanda. Lance havia plantado grama ao redor do perímetro da casa então havia um gramado grande, exuberante, que se destacava contra a terra seca em torno deles. Os canteiros foram preenchidos

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com

hostas,

arbustos

de

bruxa

e

amores-perfeitos.

Aconchegante. Um lar. Facilmente destruível. Ele balançou longe o pensamento. — Você tem estado ocupado. — Você me conhece. Eu não consigo ficar parado. Tenho sempre que estar fazendo alguma coisa. Ele sabia disso. Lance tinha a energia de dez homens. Sua incapacidade de relaxar tinha sido um dos problemas que ele teve com Piper. — Surpreendentemente, eu adoro isso aqui fora, — continuou Lance. — Skylar ama aqui. E se eu tivesse mudado para qualquer outro lugar, eu não teria me encontrado com Gayle. — Gayle? Uma nova namorada? — Não, cara. Não é assim. — Lance apontou para uma das duas únicas casas a distância – outra casa de fazenda de dois andares, mas com acabamento branco e persianas pretas. Embora a casa estivesse ao lado de Lance, ela ficava para fora da estrada e era, pelo menos, uma boa caminhada de cinco minutos de distância. Fale sobre privacidade. She esh. — Ela se mudou cerca de seis meses atrás. Ela me ajuda com Skylar quando eu recebo uma chamada. Ela nunca se incomodou com a hora também.

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— Você ainda faz acordos de recompra4, então? — E reboque, forçando portas trancadas com pé-decabra. A vida de um pai solteiro, cara. Skylar vem em primeiro lugar. Eu não posso lutar tanto quanto eu quero. O pouco que eu faço é um agradável bônus, mas, com você aqui, eu posso ter um pequen treino de qualidade e espero impressionar os promotores. — Seu amigo lhe deu um tapa no ombro quando eles foram em direção a casa. — Seria bom sair do circuito menor. Eu só estou com uma média de uma grande luta agora. Por causa da minha agenda, eu só fui capaz de fazer uma a cada dois meses ou mais. Não é possível fazer uma vida assim. — Como está o seu registro? — Venci as últimas cinco lutas consecutivas, daí os grandes pagamentos. O registro geral é de 12 a 2. — Muito bom. Será que eles já encaixaram você contra o seu adversário? — Sim, um garoto jovem. Homem é chato ser velho em um esporte jovem. — Um sorriso tenso veio ao rosto de Lance. — Você acha que eu estou perseguindo um sonho fantástico? Devo apenas pendurar as luvas e ser feliz com o que eu já tive? Não havia razão para dourar a pílula.

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Um acordo em que uma parte vende um título a outra parte e se compromete a recomprá-lo em uma data especificada por um determinado preço.

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— Em última análise a sua decisão é sua. Não vai ser fácil. As chances são pequenas. Mas eu entrei no CMC aos trinta e dois. Outros vieram em seus trinta e poucos anos – embora poucos. Nós ainda temos caras lutando em seus quarenta anos. Portanto, não é impossível. Seu amigo assentiu. — Enquanto houver uma chance, certo? — Nunca desista. Quando se aproximaram da varanda, um pequeno corpo com uma massa de cachos loiros veio correndo ao redor da casa, gritando no topo de seus pulmões. O grito estridente, no entanto, não era de felicidade pelo seu pai estar em casa. Mac ficou tenso, preparando-se para derrubar o que estava perseguindo a criança. A menina de repente, mergulhou para a esquerda em uma moita de arbustos. — Ah-ha! Eu peguei você agora. Uma figura saltou do canto da casa e um jato de água fria bateu em Mac no meio do peito, encharcando sua camisa indo para sua pele. Atordoado, ele olhou para a mulher por um momento, seus braços parados ao seu lado, então ele puxou o material encharcado longe de seu corpo. Lance caiu na gargalhada. A mulher não perdeu a batida. Girando lentamente em um círculo, ela manteve a arma de água perto de seu rosto, como se estivesse esperando uma oportunidade. 18


— Você viu senhorita? Eu só atirei em um civil. Você vai pagar por isso! Ela bombeou a alavanca na parte inferior da arma e uma gargalhada infantil entrou em erupção dos arbustos. A mulher se virou, puxou o gatilho e encharcou a vegetação com um spray de água. Skylar arrastou se para fora, rindo tanto que seus lados doíam. — E-eu me rendo. — Ela se jogou de lado, rindo. — Você... você viu o rosto dele? Calor rastejou até o pescoço de Mac quando seu olhar saltou do riso da criança para a jovem que o tinha agredido com a arma de água. Ele sabia que devia ver o humor na situação, mas com todas as emoções reprimidas tentando explodir à frente desde que ele desceu do avião, ser ridicularizado, logo que ele saiu do caminhão o irritou para caralho. — Quem diabos é ela? Quando Lance aceitou o abraço que sua filha jogou em torno dele, ele disse: — Mac, eu gostaria de apresentá-lo a Gayle. — A vizinha que você estava falando? — A mesma.

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Mac franziu a testa para a menina. Do jeito que seu amigo tinha falado sobre ela, ele esperava alguém mais vovozinha, inferno, maternal pelo menos. Mas isso.... Essa garota na frente dele não poderia ter mais do que vinte e um anos. Seu cabelo ruivo estava dividido em duas tranças baixas que faziam os fios agrupados cairem sobre os ombros em sua parte superior do tórax. Um top azul apertado que não alcançava seu umbigo aparecendo fora das lapelas da camisa xadrez que ela tinha amarrada em suas costelas, fazendo seus seios fartos pular para frente. As mangas tinham sido arrancadas e eram desgastadas nas costuras, dando-lhe a impressão de ser filha de um fazendeiro. Exceto pelo indecentemente corte baixo do seu nada-ali shorts jeans que apresentava de forma demasiada a barriga lisa e as pernas bronzeadas. Essas coisas soletravam problemas. Seu olhar baixou. Yep, o olhar era completo. Descalça, com as unhas dos pés pintadas de roxo brilhante. — Oi, Mac. Desculpe a água. O pequeno macaco ficou longe de mim. Desconfortável com a maneira apreciativa ela estava olhando para ele de forma tão aberta, ele apertou os lábios em uma careta de desaprovação. — Você deveria ser um pouco mais cuidadosa. Alguém poderia se machucar. Seus lábios se contraíram nos cantos. 20


— Isso vindo de um lutador da gaiola? Que.... irônico. Como diabos ela sabia que ele lutava? Ele olhou para Lance, que estava assistindo à troca com diversão. — O que eu faço não tem qualquer influência sobre o assunto — disse Mac, voltando sua atenção para Gayle. — Sério? Eu diria que os punhos têm uma melhor chance de infligir danos do que a minha pobre pistola com um pouco de água. Coisinha bocuda, não é? Ela passeou mais perto dele, um balanço alarmante para seus quadris. Um fato que ele percebeu horrorizado. — Deixe-me corrigir o dano. Jantar. Minha casa. Oito horas. Em uma perda de palavras, Mac piscou. Não que ele não tivesse sido convidado para sair antes por uma mulher. Ele tinha. Só que não tão abertamente. — Eu tenho coisas melhores para fazer do que brincar de festa do chá. — Ele precisava obter o controle da situação. Ela podia achar que era divertido bater em homens mais velhos, mas ele não iria ser parte disso. Aqueles lábios se contorceram em um sorriso cheio, revelando um sorriso radiante cheio de malícia e alegria. — Vamos lá, bonitão. Eu faço uma impressionate xicara de chá. 21


Ele teve a louca ideia de que ela estava rindo dele. Ele lançou um olhar para Lance pedindo ajuda, que sorriu e deu de ombros. — Essa é Gayle, — disse ele. — Ela não segura nada. A risada gutural era tudo que veio da mulher, e uma sensação estranha estalou no peito de Mac. Franzindo a testa ele instintivamente se mudou para sua posição de combate, preparando-se para bater mentalmente esse sentimento indesejado, submetendo-o. Ela sequer notou seu movimento defensivo ou decidiu mudar de tática, pois ela parou em seu avanço e estudou-o de uma forma extremamente irritante que o fez mudar seus pés. — Bem, eu vou deixar você se instalar. Ela se virou e começou a se afastar, Skylar logo atrás de seus calcanhares. Mac deu um suspiro de alívio. Ela pegou em seu desinteresse e estava levando a dica. O alívio foi de curta duração quando ela olhou por cima do ombro. — Vejo você as oito, bonitão. Seus olhos avaliaram seu corpo com tal apreciação que ele ficou todo arrepiado. Outra risada rouca veio dela quando ela virou a cabeça para trás ao redor. O balanço sedutor de seu traseiro coberto com jeans segurou–o cativo. Mac se sacudiu consternado, ele estava boquiaberto. 22


Ele virou para seu amigo. — Ela é problema, Lance. — Gayle? Ah, você vai amá-la. — Sério? O que eu poderia ter em comum com alguém tão jovem? Por falar nisso, o que você tem em comum com ela? Pelo amor de Deus, Lance, ela está oscilando à beira de chave de cadeia para caras como nós. Lance riu. — Cara, ela tem trinta e dois. Mac virou a cabeça para trás em direção a ela. Ela e a menina de Lance tinham ido para o lado da casa. Ela era apenas quatro anos mais jovem do que ele? — De jeito nenhum. — Sim. Ela tem um maldito doutorado em meteorologia ou algo nesse sentido. Mas não se sinta mal, ok? Eu cometi o mesmo erro quando eu a conheci. Eu até perguntei onde seus pais estavam depois que ela se mudou. Eu tive a mesma reação divertida. Ela sabia que você pensava que ela era jovem. Ela é muito divertida. Ela não tem um filtro, no entanto. Então, esteja preparado. Ok, então a diferença de idade era uma inútil razão para ficar longe dela, porra. Droga, ele não gostava disso. Não gostava de sua reação a ela. Ele precisava de algo negativo para se concentrar. Ela parecia ser uma mão cheia. Duas mãos cheias, na verdade. E ele não tinha tempo para uma mão cheia. Ou qualquer mulher, aliás. 23


— Eu não preciso me preparar, porque eu não irei. — Vamos, Mac. Ela não morde. — Ele cutucou. — A menos que você queira. Mac recuou, franzindo o cenho. — Eu não quero que ela morda qualquer coisa. Eu não tenho absolutamente nenhum interesse em mulheres. Com exceção de apenas agora. E estava completamente assustado com isso. Seu amigo ponderou. — Espere. Você está me dizendo que você não teve uma namorada desde.... Tem mais de quatro anos, Mac. — Sim. Isso é exatamente o que estou dizendo. — Eu sabia. — Lance arranhou a parte de trás de sua cabeça e deu um suspiro de escárnio. — Eu disse a Piper que ela estava errada, mas eu a deixei me convencer do contrário. Caramba. Com mudança repentina de atitude de seu amigo o escudo de defesa do Mac bloqueou no lugar. — O que diabos você está falando, cara? — Aquele filho da puta frio que eu estive assistindo na TV nos últimos anos. Aquele que é curto com os repórteres. Nunca sorri. Isso não é para o show. Isso é o que você é agora. — Lance olhou para Mac. — Eu disse para você ficar aqui. Que sair de sua casa não iria corrigir qualquer coisa, 24


mas você estava inflexível. Agora olhe para você... você não se curou. Você está oco. Sem vida. Ally ficaria horrorizada. A raiva explodiu de forma tão rápida que ele foi para frente, erguendo o punho para bater no rosto reprovador de Lance. No último segundo ele se fez parar e, ao contrário, pegou um punhado de camisa e puxou-o para frente até que seus narizes quase se tocaram. Ele disse entre dentes cerrados, — Se você tem um problema com a maneira com que eu tenho lidado com a morte de minha esposa, eu estarei mais do que malditamente feliz em partir. O homem nem sequer pestanejou, apenas deu outra bufada enquanto balançava a cabeça. — Cara, você realmente mudou. Em quase trinta anos de amizade você nunca ergueu um punho para mim com raiva. Atordoado, Mac recuou. Jesus. Ele nunca tinha quebrado assim. — Lance, eu... — Então é isso — ele interrompeu. — Esse é o modo que você lidou. Você espancou pessoas – legalmente. A raiva começou a apodrecer novamente. — Você sabe o que? Foda-se você, cara. Eu não vim aqui para uma maldita intervenção. É a porra da minha vida, e eu estou bem com a maneira que está. — Ele deu um passo 25


agressivo para frente e apontou o dedo para ele. — As pessoas mudam amigo. Se você não consegue lidar com isso, é o seu negócio, não o meu. Basta se considerar sortudo que sua vida tem sido tão perfeita que não foi forçado a mudar para se adaptar. — Minha vida tem sido tudo menos perfeita, e você saberia se você tivesse verificado ao longo dos últimos quatro anos. Mas você não fez. As poucas vezes que eu liguei, você me apressou para desligar o telefone, porque você estava muito ocupado se tornando — – o queixo de Lance entalhou para cima, — Mac ‗The Snake‘ Hannon. — Aversão revestida na sua voz quando ele usou o nome de lutador de Mac. — É hora de você se familiarizar com o simples e velho Mac Hannon. Eles se encararam por alguns momentos, então Mac murmurou uma série de maldições e saiu em direção a casa. Ele não precisava desta merda. Tivesse ele imaginado que era nisso que iria se meter, teria mandado para o inferno a dívida e encontrado uma razão para ficar em casa. Lance não o conhecia mais, e era uma completa besteira acreditar que Mac seria a mesma pessoa. Então, ele preferiu a solidão como companhia. Quem malditamente se importava? Ele não estava prejudicando ninguém. Então ele jogou sua raiva sobre os seus adversários na gaiola. Quem diabos se importava como ele batia em seus adversários, contanto que ele batesse?

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Se Lance forçasse isso, Mac iria encontrar o primeiro voo de volta para Atlanta.

Oito e meia. Ele não viria. Mac Varreu-Empurrando-sua-bundapara-longe Hannon. Gayle torceu os lábios em aborrecimento. Não que ela estivesse realmente surpresa. O homem tinha sido arrogante a ponto de humor. Mas se ele pensou, por um segundo, que ela o deixaria em paz, ele teria outra coisa a sua espera. Gayle Matthews não se afastava de um desafio e, sem saber, ele tinha emitido um muito emocionante que ela não poderia ignorar. Depois de fazer a caminhada para a casa de Lance, ela pisou os degraus da varanda e bateu na porta. Quando Lance respondeu, um bufo divertido veio dele e ele balançou a cabeça. — Eu deveria saber que era você. — Ele se encostou no batente da porta. — Você sabe que eu admiro a sua tenacidade, certo? — Uh-oh. Será que o apavorado lutador fez você jurar de mindinho que da próxima vez que me visse você iria me convencer que ele não estava interessado? — Ele riu, mas

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rapidamente murchou para uma seriedade tão diferente dele que a colocou em alerta. — O que, Lance? — Escute, eu sei que você vai fazer o que vai fazer. Eu não posso pará-la. Porra, você pode ser exatamente o que Mac precisa. Só tome cuidado, ok? A advertência a intrigava. — O que você está dizendo que você não está dizendo? — Ele está machucado, Gayle. Eu não conheço este Mac, e eu não sei do que ele é capaz se ele for empurrado para um canto. Eu não estou dizendo para você se afastar, porque, honestamente, eu acho que ele poderia usar uma boa dose de você, apenas... pise com cuidado. Então, o digno lutador era mercadoria danificada. Isso funcionava para sua vantagem e o fez mais seguro para ela. Os dois últimos homens que ela tinha desfrutado de algumas semanas

de

diversão

foram

muito

emocionalmente

disponíveis – um erro que ela não planejava fazer novamente. — Mensagem recebida. Por cima do ombro, Lance gritou: — Mac! Poucos segundos depois, o próprio homem trotou descendo as escadas. Ele havia trocado a camisa encharcada que lhe tinha dado um vislumbre dos músculos rígidos debaixo e que exibia seus braços poderosos muito bem. Uma tatuagem Celta decorava um bíceps e a curva de seu ombro com diferentes tons de preto e cinza. 28


Pela segunda vez naquele dia, sua respiração ficou presa. Quando ela veio ao redor do lado da casa, ela ficou chocada com o gigantesco pedaço de gostosura masculina diante dela. Ela sabia que Lance iria pegar um amigo que o ajudaria a treinar, sabia que este homem provavelmente seria tão atraente como Lance, mas a realidade de Mac soprou sua imaginação em pedacinhos. Alto, talvez um e noventa e tres, nada mais que músculos salientes. Cabelos castanhos escuros cobrindo sua cabeça e era comprido então uma mecha caiu sobre sua testa. Ao se aproximar da porta, ela não perdeu o apertar de sua mandíbula ou a diminuição de seus passos. Implacável, ela cruzou os braços sobre o peito. — Você sabe, é rude fazer uma mulher esperar. Ele imitou sua postura. — Eu acredito que eu disse que eu tinha coisas melhores para fazer. — E eu acredito que eu disse para você oito horas. Um

momento

de

choque

iluminou

seus

olhos

castanhos. Ele pareceu pegar o deslizamento e colocou o rosto mal-humorado de volta. — Agora, vamos lá. O sol está prestes a se pôr. A comida está esfriando e eu não me escravizei em um fogão para nada. 29


Ela saltou para baixo os degraus. Sem pegadas a seguindo. Ela torceu e levantou uma sobrancelha. Ele ainda estava preso ao chão. A máscara caiu completamente fora revelando uma quantidade de relutância. Ela se virou toda e inclinou a cabeça para estudá-lo. Como poderia um homem que parecia com ele ter um segundo de hesitação em estar sozinho com uma mulher? Lance tinha dito que ele foi danificado. Quão ruim seria? Mac olhou para Lance, que tinha seus olhos se estreitando sobre ele. Tensão crepitava entre os dois homens. Oh. Alguma coisa tinha acontecido aqui. — Gayle é uma figura permanente na minha casa, — disse Lance. — Você pode muito bem ir se acostumando. Ela vai estar por perto. Ela quase podia ouvir o rangido de dentes. — Bem. Gayle escondeu um sorriso de triunfo e começou a andar. Desta vez, os passos a seguiram. Ela não diminuiu seu ritmo ou olhou para trás. Quando ela chegou ao seu quintal deu a volta ao lado da casa em direção aos fundos. Esses passos pararam. — Aonde você vai? Ela não diminuiu a velocidade nem respondeu apenas se dirigiu para um quadricículo ATV estacionado em frente à sua porta dos fundos com uma cesta de piquenique amarrada atrás. Ela levantou a bainha do vestido que ela tinha mudado para o meio das coxas e subiu. Torcendo, ela deu um tapinha na área atrás dela. 30


Mac olhou para ela como se ela tivesse perdido a cabeça. Ela ligou o motor e avançou o quadriciclo para frente até que ela estivesse ao seu lado. — Lance está certo, você sabe. Eu não irei embora, então você também pode me dar o que eu quero. Prometo estar no meu melhor comportamento... pelo menos por esta noite. Quando seu olhar vagou sobre o rosto dela, as sobrancelhas se uniram em uma carranca feroz. — Você tem rugas de expressão. Para impedir uma gargalhada, ela apertou os lábios e, em seguida, trabalhou em seu rosto uma expressão séria. — Nunca é bom salientar as rugas de uma mulher. Embora, se nós estamos sendo honestos um com o outro, você pode usar algumas linhas de riso. — Ela circulou seu dedo indicador na frente de seu rosto. — Você tem aquele olhar rabugento a título de conhecimento. Novamente aqueles lábios nem sequer começaram a iniciar um sorriso. Uau. Rabugento pode até não ser assim suficiente. Não que ele parecesse velho – não com um corpo como o dele – mas suas feições carregavam um que de abtimento, especialmente ao redor dos olhos. E naqueles olhos existia uma tristeza que a fez se perguntar o que havia ali. 31


— Desculpe, — disse ele. — Você parecia tão jovem antes. Mas eu posso ver agora que você não é tão jovem quanto eu pensava. Outra risada tentou entrar em erupção. Ela mofoufranzindo o cenho. — Você está me chamando de velha? Ser confundida com uma criança em seus primeiros vinte anos acontecia em uma base regular. Isso é, até que se desse uma boa olhada nela. No entanto, ter seus pés de galinha destacados era a primeira vez. — Eu estou apenas indicando uma observação. — É justo. — Ela apontou com a cabeça incisivamente para o quadriciclo ATV. — Suba. Mac murmurou: — Que diabo, — e subiu atrás dela. Coxas musculosas cercaram seus quadris, fazendo arrepios entrarem em erupção sobre ela. Queria sentir o peito pressionado em suas costas, com as mãos em volta de sua cintura, mas ele não se mexeu para se agarrar nela. Veremos sobre isso. Ela acelerou o quadriciclo para frente. Quando seu corpo empurrou para trás, suas coxas instintivamente apertaram em torno dela e seus braços voaram ao redor da cintura dela. Ela sorriu. Melhor. — Segure-se, bonitão. Vai ser uma viagem atribulada.

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Ela decolou em direção ao campo de trigo que subia atrás da casa. O calor do toque de Mac atravessou seu vestido de verão e ela respirou satisfeita. Quando ela se mudou para cá de Kansas City, tinha se preocupado que teria um tempo difícil para encontrar alguém, especialmente, desde que o muito quente Lance, não fazia nada por ela. Não que ela teria começado alguma coisa com ele, mesmo que ele tivesse. Ter um caso com seu vizinho levava o risco de perturbar a sua vida do dia-a-dia. Os homens que ela escolhia para brincar eram temporários, e quando ela seguia em frente, vê-los todos os dias não era uma opção. O que fazia Mac perfeito. Não só ele fazia tudo dentro dela criar vida, mas ele estaria fora daqui dentro de algumas semanas. Apenas o suficiente para que ela coçasse a coceira. Ela só tinha que levá-lo abordo – e ela faria. Cinco minutos mais tarde, parou no meio do campo. Ela amava esse local. Era longe o suficiente das casas para que a luz artificial não ofuscasse o céu noturno. Sem lua e o sol se pondo, eles estavam em completa escuridão. Estrelas brilhavam acima deles, e a abobada celeste parecia durar para sempre. Ela desceu do quadriciclo ATV e esperou Mac ficar de pé. Quando o fez, ela alcançou em volta dele, certificando-se de que seus seios acariciassem seu braço quando ela soltou a cesta de piquenique atrás dele. Todos os músculos do corpo do homem ficaram tensos e ele se moveu de volta para a mesma posição que ele estava quando a conheceu. Tudo o 33


que ele precisava fazer era trazer os punhos ao lado de seu rosto como ela tinha visto Lance fazer quando ele treinava e ele estaria no modo de combate. Interessante. Levantando cesta, ela ligou farol do ATV, em seguida, levou as coisas de piquenique para o local iluminado. Ela puxou um cobertor para fora do cesto e o espalhou para fora sobre o chão. Enquanto fazia isso, Mac relaxou sua postura. Então, o lutador não gostava de ninguém ficando perto dele. Ainda mais interessante. — Você não está preocupada em estar aqui fora sozinha comigo? — Perguntou. Ela caminhou em direção a ele até que ela estava a centímetros dele. Sorrindo, ela olhou para ele através dos cílios abaixados. Seu corpo inteiro congelou. Ela caminhou os dedos pelo seu peito. Instantaneamente, ele mudou de volta para a mesma posição. Em sua reação, Gayle riu. — Lance colocou o seu selo de aprovação em você, então eu não acho que eu tenha nada para me preocupar. — Ela enfiou a mão no bolso do vestido. — Além do mais, eu tenho isso. Ela balançou o spray de pimenta em seus dedos. Abanando a cabeça, ele grunhiu em aprovação. 34


— Pelo menos você não é completamente imprudente. Bom. Senhor. Mesmo a sua aprovação era malhumorada. Felizmente para ele isso o tornava ainda mais divertido. — Está com tanta fome como eu estou? — Para brincar com ele, ela colocou um tom sedutor à questão. Um sulco profundo formou-se quando as sobrancelhas mergulharam para baixo, em seu suspeito inabalável olhar. — Se você acha que nós— Para a comida, bonitão. — Ela piscou, então caminhou até o cobertor e se sentou. — Uma vez que alguém estava jogando duro para vir, estou cerca de uma hora atrasada para o jantar e morrendo de fome. Uma expiração apressada soou atrás dela. — Você realmente não segura, não é? — Hmm. Lance tem falado sobre mim? — Só disse que você não tem um filtro e eu precisava me preparar. — Isso é bem certo. Mac finalmente caminhou até o cobertor e se sentou. Grilos murmuravam no fundo quando ela puxou para fora o frango frito, salada de batata e feijão verde.

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— Graças a Deus este material é incrível mesmo frio. Da próxima vez, só apareça quando eu disser para você, ok? — Próxima vez? Como ela seguiu as linhas musculares de seus braços, ela mordeu o lábio inferior. — Se for do meu jeito haverá uma próxima vez. — Ela levantou o olhar para ele. — E eu sempre consigo do meu jeito. Um flash de calor aqueceu a frieza de seus olhos, então ele olhou para longe. Assim, ele sentiu isso também. Bom. Ela fez para Mac um prato e entregou a ele. Uma tensão estranha ficou entre eles. Ele parecia estar enchendo isso mastigando seu frango, mas ela se recusou a ficar sentada muda. Se ela tivesse que desviar a conversa, que assim seja. — Há quanto tempo você conhece Lance? Mac congelou, e ela teve a nítida impressão de que ele não estava esperando que ela falasse. Muito ruim. Ela adorava falar. Ele engoliu a comida e limpou a boca em um guardanapo. — Desde que éramos crianças. — Então, você conhece Piper também? 36


— Todos nós saíamos. Eu presumo que você a conhece? — Sim. Lance me deixa cuidar de Skylar quando ele sai em corridas. Hoje, ele poderia ter levado Skylar com ele para o aeroporto, mas ele não tinha certeza se haveria um atraso, e Piper deveria pegar Skylar. — É bom que você o ajude. — Eu acredito em vizinhança, e não existem outras melhores do que as que vivem ao nosso lado. A vizinhança tinha estado lá para ela durante seus dias mais escuros, e ela sempre fez questão de retribuir. — Bem, ele ainda é bom para você. — Lance mencionou que você viria para ajudá-lo a treinar. Estou triste em dizer, eu realmente não acompanho MMA. — Não é uma fã, né? Ela tinha o homem falando. Santo inferno. — Eu não sou uma não fã. Eu apenas nunca realmente assisti. — Nem mesmo com Lance como seu vizinho? — Não. — Mais uma vez ela deixou seus olhos fazeremna falar enquanto observava o corpo muito masculino ao lado dela. — No entanto, eu acho que estou um pouco mais interessada agora. 37


Vermelho penetrou em seu rosto e ela pensou que era a coisa mais adorável que já tinha visto. Tão forte e imponente homen, embaraçado por um pequeno elogio. Ela voltou seu olhar para o céu. — Bonito, não é? — Não parece assim em Atlanta. Eu tinha esquecido como sem fim o céu estrelado é aqui fora. Será que essas maravilhas nunca cessam? Haveria ali uma dica de admiração na voz do rabugento? Desde que ela estava com sorte, perguntou: — Quando você se mudou para a Geórgia? Seu corpo ficou tenso, a mandíbula apertada. Ok. Assunto delicado. — Há quase quatro anos. — Ah. Venceu quaisquer títulos importantes lá fora? Ela manteve um controle rígido sobre a sua linguagem corporal. Seus músculos relaxaram quando ele virou a cabeça em direção a ela. — Não. Um dia talvez, mas os meus adversários habituais são lutadores extraordinários que fazem tudo para ganhar uma luta pelo título. — Modesto. Eu gosto disso.

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— É a verdade do negócio. — Ele colocou o prato vazio ao lado dele. — Eu sou amigo de dois com títulos. Nenhum deles veio sobre o seu lance do título facilmente. Eles tinham seu traseiro preso. Entrei em combate muito mais tarde na vida do que eles. Foi realmente só um hobby, até alguns anos atrás. Luta amadora, mas nunca tive quaisquer planos para torná-la uma carreira. — O que mudou? Mais uma vez, seu corpo ficou tenso. Assim, a mudança para Atlanta e os combates estavam ligados de alguma forma. De certa forma ele realmente não queria falar sobre isso. Ele finalmente olhou para ela, seus lábios pressionados em uma linha dura que apertou seu peito. — A vida só tem uma maneira de mudar em fração de segundos. Eles olharam um para o outro. O olhar assombrado em seus olhos era muito familiar. Tinha-o visto refletido em seu próprio interior. Mac obviamente tinha passado por algo traumático, mas tinha sobrevivido para enfrentar a vida de qualquer maneira. Ele brincou com um osso de galinha, em seguida, atirou-o no prato. — O jantar estava ótimo. Obrigado.

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Ela pegou a dica. Ela o trouxe aqui. Fizera-o relaxar um pouco em sua companhia, mas ele estava pronto para acabar a noite. Ela recolheu os pratos, rapidamente dobrou o cobertor, e anexou tudo no ATV. Em vez de dirigir de volta ao seu lugar, ela passou pelo local e deixou-o na frente do pórtico de Lance, apenas desejando alguns segundos mais para sentir seu corpo poderoso por trás dela, seus braços musculosos ao redor de sua cintura. Ele deslizou para fora, e ela imediatamente sentia falta do calor. — Sinto-me estranho por ter uma mulher me deixando, — disse ele. Ela sorriu. — Eu nunca fiz as coisas da maneira que as pessoas esperavam. Ele bufou. — Eu não estou surpreso. Mas você não é tanto problema quanto eu pensava inicialmente. Ela desceu do quadríciculo, caminhou até ele e deu um beijo em sua bochecha. — Você não experimentou a plena Gayle, ainda. Sou todos os tipos de problemas.

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Capítulo Dois Você não experimentou a plena Gayle, ainda. Mac pesquisou o conteúdo da geladeira por algo para o café da manhã, não encontrou nada e fechou a porta com uma batida. Ela estava errada. Ele tinha experimentado. E esse vendaval destruiu tudo o que ele amava. Ele não tinha nenhum desejo de experimentar outro. Não importa o quanto revirasse na cama ontem à noite repetindo as travessuras da mulher louca ou quantas vezes ele sentiu a leveza da bolha de

diversão

especialmente

em

seu

sobre

peito ela

a

partir

chamando-o

das

memórias

de

rabugento

e

exagerado, a expressão enojada enquanto ela ousava dizer isso. Os cantos de seus lábios tremeram. Gemendo, ele revirou os olhos e se voltou para a máquina de café. Mas que porra? Não havia nenhuma dúvida sobre isso. Ele tinha que ficar longe dessa mulher. Ontem à noite, ela estava em seu melhor comportamento, e ele realmente relaxou, começou a pensar que ela não era tão ruim. Sim. Então ela lhe deu um soco com seu aviso ―Sou todos os tipos de problemas‖.

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Ele

não

queria

problemas....

Não

precisava

de

problemas. Inferno, a julgar pela forma como ele agrediu Lance ontem, ele tinha mais do que ele poderia lidar como estava. Como poderia ele ter quase batido em seu amigo? Não importava o quão longe ele estava com sua raiva e tristeza, ele nunca atacou fisicamente outra pessoa a menos que fosse dentro dos limites do treinamento ou da gaiola. A única explicação para a sua pressão momentânea era que ninguém em Atlanta realmente o conhecia, e todos lá respeitavam o claro ar ―eu- não-quero-que- você-me-conheça‖ que ele exalava. Lance já conhecia cada demônio escuro do passado de Mac e não hesitaria em fazê-lo subir... E não havia nada que Mac poderia fazer para detê-lo. Adicionar o chute horrível da atração que ele sentiu por Gayle, e ele, bem... estalou. Ele esfregou a mão sobre o rosto, em seguida, empurrou um filtro na cafeteira e acrescentou três colheres de grãos. Nada tinha estado dentro de seu poder de controlar também, o que tinha feito tudo pior. Ele levou o pote para a pia, encheu de água e derramou-o na máquina. Se ele ia passar por isso com sua sanidade ainda em cheque, ele precisava recuperar o controle. Ele poderia se preparar para Lance. Apesar de ter sido a primeira vez que Mac teve vontade de bater nele, não era a primeira vez que eles trocaram palavras acaloradas. Assim, ele não estava indo cegamente.

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Gayle, no entanto, era um fio vivo. Ele não poderia antecipar o que ela iria dizer ou fazer a seguir. Ela era tudo, menos previsível. Ela era ultrajante. Brusca. Louca. E sua vida estruturada não tinha espaço para sua perturbação, ainda que temporariamente. Uma vez que a máquina de café terminou, derramou um copo e olhou para fora da janela da cozinha. Ele engoliu uma maldição. Falando no diabo e ela vinha subindo. Avançando através do campo entre as fazendas, carregando aquela maldita cesta de piquenique, era Gayle em outro

par

de

shorts

cáqui

demasiadamente

curtos

e

demasiadamente apertados, por isso o seu generoso peito se destacava com orgulho. Ontem à noite, o decote do vestido que usava havia tentado seus olhos mais de uma vez. E isso não tinha sido tudo que o tinha tentado – o que era mais uma razão para colocar um monte de distância entre eles. No topo de todo o resto com o que ele estava lidando, ele não precisava de uma atração indesejada por uma mulher imprevisível, especialmente neste momento e lugar em particular. Não era emocionante, nem era bem-vindo. Era hora de deixar claro para ela que ele não estava interessado em prosseguir até mesmo em uma amizade. Ele esperou que ela batesse na porta de trás e, em seguida, abriu-a, mas manteve a porta de tela fechada entre eles. Cruzando os braços, ele olhou para ela. — O que você quer? 43


— Oooh. Grosseiro rabugento esta manhã hein, bonitão? Tivemos algumas horas para pensar, não é? Atordoado, os braços de Mac escorregaram a fração de uma polegada. Ele empurrou os de volta. Ela não piscou. Não tinha sequer hesitado. Como ele lidaria com uma mulher assim? Sem rodeios. Assim como ela fez. — Eu tive — disse ele. — Eu acho que seria melhor se mantivessemos a nossa associação a um mínimo enquanto eu estiver por aqui. De forma muito sedutora, aumentou os lábios rosa franzidos quando ela inclinou a cabeça para o lado. — Por quê? Assusta que você pode se divertir um pouco? Mas. Que. Porra? — Eu não estou de férias. Estou aqui para ajudar Lance a treinar. — E se você observar, Lance saiu. Você vai perceber que ele sai muito e você vai estar sentado em casa sozinho, sem nada para fazer. — Eu sou bem capaz de me manter ocupado. — Não tenho dúvidas de que você pode. Mas isso não significa que você não pode ter um pouco de diversão com mais do que apenas você mesmo. A não ser é claro.... Que 44


você goste de jogar com você mesmo. — Um brilho travesso dançou em seus olhos castanhos. As palavras o deixaram. Desapareceram de sua mente, como se ele não as tivesse usado em toda a sua vida. Ele abriu a boca e a fechou em seguida, finalmente conseguiu: — Isso não foi adequado. — Eu disse algo atrevido? — Seu nariz enrugou então ela riu levemente e sacudiu um dedo para ele. — Que vergonha, bonitão. Eu estava apenas brincando com as palavras, uma vez que nós estávamos falando sobre se divertir. Você é a pessoa que colocou o giro sujo nelas, não eu. Ele não acreditava nem malditamente um pouco naquilo. — Eu não tenho paciência para as suas palhaçadas hoje. —Tão aborrecido. Durante

toda

a

troca

ele

havia

estudado

seus

movimentos como ele faria com qualquer adversário na jaula, esperando os primeiros sinais de frustração ou raiva. Não havia nenhum. Seu corpo estava tão descontraído como estava quando ela bateu na porta. O que seria preciso para irritar essa mulher? Ele empurrou o queixo para a área atrás dela. — Você sabe o caminho de casa. 45


Com a intençãodisto ser uma despedida ele começou a se afastar da porta para fechá-la. Ela pegou a alça da porta de tela e passou por ele para a cozinha. Atordoado, tudo o que ele pode fazer foi se embasbacar com sua audácia quando ela colocou a cesta de piquenique no balcão da cozinha. — Eu não te convidei para entrar. — Eu não sou uma vampira. Eu não preciso ser convidada. — Ela levantou a mão e a apertou levemente. Pendurado em seu dedo médio estava uma chave de prata em um grande anel. — Além do mais, eu tenho isso. Eu começaria a usá-la. Quando. Eu. Quisesse. Eu pensei que esta manhã seria perfeita. Pensei que talvez pudesse pegá-lo na cama e deslizar por debaixo das cobertas... você sabe... Despertar-lhe com um muito agradável ‗bom-dia bonitão‘. — Apertando os lábios sedutoramente, ela piscou. Jesus. Cristo. Mac ingeriu, alarmado com a maneira como seu corpo respondeu à imagem que ela tinha pintado. Ela estava brincando com ele, ela tinha que estar, e estava curtindo cada maldito segundo enquanto ele estava se debatendo. Nunca tinha se sentido tão derrotado por um adversário.

Gayle

apenas

continuou

jogando

um

soco

surpresa após o outro, e tudo o que ele podia fazer era cobrir o rosto com as luvas e esperar pela rodada acabar. Desesperado para obter o tema longe de qualquer coisa sexual, ele cortou seu olhar para a cesta de piquenique. — O que há nisso? 46


Ela passou a mão sobre a parte superior em um movimento lento e para trás quando ela pressionou seu corpo contra o lado do balcão. — Será que você não adoraria saber? É uma surpresa. Uma que eu acho que você realmente vai gostar. A mulher iria ser a morte dele. Ele beliscou a ponta de seu nariz. Quando ela riu, ele lhe atirou um olhar sujo. Ela apertou os lábios e virou o rosto para tal expressão escandalosamente inocente, uma bolha de riso fez cócegas no peito. A partir da irritação para a excitação das diversões. Tudo dentro do espaço de poucos minutos. Ela estava levando-o à loucura! — Não importa. — disse ele exasperado. — Faça o que quiser. Eu estou indo para o meu quarto. — Quando ele caminhou para a porta que dava para o corredor, ele jogou por cima do ombro, como precaução — sozinho —. — Aww, você não é divertido, bonitão — ela gritou para ele. — Eu tinha tantas coisas impertinentes planejadas para nós. A risada rouca arrastando seu comentário foi como um chute na bunda e ele se apressou para escapar, querendo nada mais do que uma porta fechada entre ele e Gayle e toda a insinuação erótica que ela continuou jogando para ele. Assim, quando ele estava prestes a chegar à escadaria, um movimento do lado de fora da porta da frente chamou sua atenção. Fazendo uma pausa, ele levou apenas um momento 47


para perceber que eram Piper e Skylar subindo os degraus até a varanda. Tudo premeditado. Ele revirou os olhos para si mesmo e gemeu. Mãe. Fodida. Gayle deve ter devorado cada segundo de seu encontro, achando ele um maldito idiota. Não admira que ela tivesse sido tão imprópria com suas sugestões. Ela não estava mesmo aqui por ele. Ela estava aqui para cuidar de Skylar. E ele parecia um idiota arrogante provando ser o rabugento que ela o acusou de ser. Maldita mulher irritante. Amaldiçoando a si mesmo, ele abriu a porta antes de Piper bater. Com um porco cor-de-rosa apertado em seus braços, Skylar passou por ele e imediatamente correu subindo as escadas tão rápido quanto suas pernas de oito anos podiam levá-la. Os olhos azuis familiares arredondados. — Oh. Meu. Deus. Mac Hannon. Você não é um colírio para os cansados olhos? — Piper abraçou-o em um abraço apertado que ele retornou sem jeito, e, depois se esquivou e ofereceu um sorriso duro. — Piper. Bom te ver. Ao contrário de Lance, Piper tinha mudado. Seu cabelo, uma vez longo, liso e loiro, havia sido cortado em um curto modelo de duende, que para ela ficou bem. E já não era loiro, mas de uma profunda cor de corvo. Óculos de aros espesso de gato foram empoleirados em seu nariz. A mulher que sempre tinha se vestido com roupas chiques estava agora 48


ostentando calças soltas e uma camiseta apertada estilo baseball. — O que há com o traje? — Perguntou Mac. — Halloween foi há meses. A brincadeira só saiu e o pegou de surpresa. Uau. O tempo não muda todas as coisas, ao que parecia. Ele costumava brincar ao redor com Piper o tempo todo. A qualquer momento em que a visse, ele pegava algo e fazia algum tipo de comentário sarcástico, que geralmente ele tinha— Ha. Ha. — Ela mostrou a língua. Yep. Exatamente essa reação. Ele lutou contra um sorriso. Ela pegou um lado dos óculos. — É diferente, né? — Definitivamente, mas combina com você. Ela sorriu. — Eu me encontrei Mac. Demorou um pouco depois de que Lance e eu nos separamos, e ele pensou que eu estava passando por algum tipo de crise de personalidade, mas eu estava começando a me conhecer. — Ela acenou com a mão para ele. — O inferno, você sabe, nós estávamos juntos desde que tínhamos quinze anos. Eu não tinha identidade sem ele. Agora eu estou mais feliz do que jamais estive.

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A emoção rolou dela em ondas. Piper tinha sido sempre caridosa, uma pessoa amorosa, mas havia uma nova liberdade sobre ela que ele invejava. — Estou feliz por você, Piper. Você merece. — Você também. — Sua expressão ficou séria. — E Atlanta está te tratando bem? — Ela está fazendo o certo por mim. — O nervosismo cru que ele sempre tinha quando as pessoas começavam a fazer-lhe perguntas pessoais tinham lhe mudando em seus pés e olhando ao redor da sala. — Você está indo muito bem na CMC. Eu assisti sua última luta. Você dominou o outro cara. — Sim. — Ele deu de ombros. — Você tem trabalhado em uma cozinha em qualquer lugar? — Eu estou aposentado da cozinha, lembra? Isso significa que eu não vou voltar para ela. — Uma mordida fria que ele não conseguia parar penetrou em seu tom de voz, advertindo-a de que precisava parar e dirigir a um tópico diferente. — Bem, isso é uma vergonha — disse ela, sem reagir a sua resposta gelada. — Sua comida era sempre tão deliciosa. Pelo menos me diga que há um alguém especial em sua vida.

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Maldito seja. Ele odiava estar de volta aqui. Nenhuma dessas pessoas respeitava seus limites. Ele abertamente fez uma careta para ela. — Não. A última coisa que eu tenho é o interesse de estar namorando, muito menos encontrar alguém especial. Desta vez, a hostilidade pura que saturou as suas palavras não poderia ser ignorada, tornando o ar pesado e silencioso. Piper o estudou por um tempo muito longo, um momento enervante, em seguida, ela suspirou e balançou a cabeça lentamente. — Ok. Eu entendo isso. — Ela olhou por cima do ombro. — Gayle está aqui ainda? — Na cozinha. — Skylar! Vamos lá. — Segundos depois, a menina veio pulando descendo as escadas com o porco e agora uma boneca. Enquanto elas se moviam em torno de Mac, a culpa dava uma joelhava forte em seu estômago, o que era uma loucura, uma vez que ele nunca se sentiu assim quando ele empurrava as pessoas fazendo-as recuarem com as suas Perguntas e Respostas, mas ela estava lá, deitada e espessa. Ele se virou. — Hey, Pipes?

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Quando ela olhou para ele, ele fez uma careta. Ele manteve suas emoções reprimidas por tanto tempo que ele estava incerto como expressar o que ele precisava dizer. — Eu sinto muito por isso. — Ele esfregou as mãos em seguida estalou os dedos. — Tem-tem sido uma adaptação. Compaixão suavizou seu olhar e ele queria se afastar disso. Esses olhares tinham sido uma das razões do por que ele tinha ido embora, em primeiro lugar. Todos tinham olhado para ele com isso. Em todos os lugares que ele tinha ido. Tudo o que ele queria era privacidade. Em vez disso, ele se tornou uma amostra sob um microscópio. Piscando, ele rapidamente desviou o olhar e limpou a garganta. — Mac. Ele se ressentia da intrusão. Queria que ela o deixasse ser como ele lutou para ter controle, mas ele mordeu a língua e se forçou a encontrar seus olhos. — É tempo para curar. Você tem carregado isso por muito tempo. Você não poderia tê-la salvo. Porque tudo voltou a Ally? Sua esposa estava morta. Ele não estava ali para salvá-la. Fim da história. — Eu não poderia? — Amargura escureceu o tom. — Se eu estivesse lá, como eu deveria ter estado, o resultado teria sido um inferno de muito diferente.

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— Por que se torturar com isso? Você não estava lá. Você não pode mudar isso. Agora você precisa fazer as pazes com isso. Sem outra palavra, ela e Skylar caminharam pelo corredor para a cozinha. Mac apertou quando ressentimento cravou duro e rápido. Todo mundo era um psicólogo preenchendo a maldita poltrona com conselhos úteis sobre o que ele precisava fazer. Para o inferno com todos eles. Ele estava indo muito bem por conta própria. Balançando a cabeça, empurrou todas as emoções purulentas de lado. Ele devia à Gayle um pedido de desculpas por seu comportamento. Ele podia muito bem acabar com isso antes que ele subisse as escadas. Quando ele entrou na cozinha, Piper estava saindo. Ela colocou a mão em seu antebraço. — Lembre-se do que eu disse. Ele conseguiu um aceno de cabeça, mas tudo o que ele queria dizer a ela era para cuidar da maldita própria vida. Quando ela passou pelo corredor e saiu pela porta da frente, ele empurrou um suspiro e voltou-se para Gayle, que estava em pé na frente de Skylar pelo balcão da cozinha. Ela colocou a mão sobre a cesta e disse:

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— Eu trouxe os ingredientes para pizza caseira no almoço. O que você diz de misturarmos a massa enquanto esperamos o seu pai chegar em casa? — É! — Skylar saltou para cima e para baixo. Calor subiu nas bochechas de Mac. E agora ele era um idiota ainda maior. — Ei, tio Mac, gostaria de ajudar? O instinto empurrou–o para dizer imediatamente que não, mas, o brilho animado esperançoso nos olhos verdes da criança congelou a palavra em sua língua quando uma fatia de dor rasgou através de seu peito. — Sim, tio Mac, o que você diria? Quer misturar uma massa? O desafio na voz de Gayle sacudiu a atenção para ela. Seu olhar era firme. Conhecedor. Zombador. Ele apertou a mandíbula. Ok. Ele merecia isso. Ele se fez parecer um idiota, o que lhe deu a vantagem. Por enquanto. — Claro — ele concordou com relutância. Seus lábios se torceram em um sorriso arrogante. — Bom. Com o acordo, um silêncio constrangedor caiu na cozinha, ou talvez fosse apenas um pouco estranho para ele. Ele passou seu tempo social em um ginásio com lutadores. Homens. O resto ele passou na solidão. Ele não se lembrava 54


de como conversar com as mulheres ou interagir com as meninas. Passando as mãos pelos cabelos, ele jogou seu olhar em direção ao corredor – direção de fuga – quando a pressão começou a construir em seu peito. A reação era ridícula. Mas Gayle assustou o para caralho, e Skylar – bem, aquela menininha doce, era apenas um pouco demais para olhar. — Nós não vamos morder bonitão. Caramba. Deu um olhar mortal a Gayle. A sobrancelha arqueada e lábios divertidos enviando a raiva explodindo através dele. Ok, Hannon. Hora de trazer ‗The Snake‘ para ação. Trate isso como se fosse ao encontro de um adversário na gaiola. Limpando o rosto de emoções, ele endireitou os ombros e foi em direção ao balcão. Aquela sobrancelha subiu outra fração. — Impressionante. Presumo que o lutador da gaiola está entre nós agora, e não o Mac. Ele congelou. Jesus Cristo. A mulher o acompanhou em cada maldita coisa que ele fez e deixou-o hesitando por equilíbrio. Ele odiava cada segundo disso. Ela deu de ombros e começou a puxar as coisas para fora do cesto.

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— Tudo o que tem que fazer bonitão. — Ela empurrou um saco de farinha para ele. — Pegue isso e meça quatro xícaras. Você pode lidar com isso, certo? Era a sua vez de levantar uma sobrancelha. Então, ela não tinha idéia sobre sua carreira no passado. Bom. — Eu acho que posso lidar com isso. — Ele olhou para o saco de farinha de trigo. — A farinha de pão teria sido uma escolha melhor. Quando ela olhou para o pacote em sua mão, o nariz enrugou em confusão. — Isso faria pão, não é? Na perplexidade absoluta ela nem sequer tentou esconder uma risada de cócegas em seu peito. A encobriu com uma tosse, ele balançou a cabeça. — Não importa. Ele pegou um copo de medição e uma tigela debaixo do balcão e verificou os ingredientes que Gayle tinha puxado da cesta. Ele tentou não fazer uma careta com a variedade de itens enlatados. Ele fazia um molho marinara caseiro de matar que seria desvalorizado por uma menina de oito anos de idade. Seus olhos pousaram no sal de mesa. Não. Ele torceu, pegou o sal kosher5 do balcão atrás dele, e trocou-o com o outro, o que Gayle não perdeu.

5

Sal Kosher: não é refinado, por isso é naturalmente mineral e costuma ser mais salgado que o sal de mesa.

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Ela lentamente virou a cabeça para olhar para ele. — Você tem um problema com sal regular? Decidido a manter sua boca fechada, ele apenas deu de ombros. — Qualquer lugar que o seu barco for, bonitão — ela murmurou, levemente balançando a cabeça. Um sorriso surgiu em seus lábios, levando-o de surpresa. Isso parecia acontecer muito em torno desta mulher. Ela não só o enfurecia e chocava, ela o divertia para caralho. Uma combinação preocupante. Se ele não se cuidasse, ele poderia realmente se encontrar desfrutando de sua companhia. Quando ela instruiu Skylar a derramar a farinha prémedida, o fermento e o sal na tigela da batedeira, ele olhou em volta para o ingrediente que faltava. — Você esqueceu uma colher de chá de açúcar. — A receita não pede o açúcar. — Bem, eu estou dizendo a você que precisa de uma colher de chá de açúcar. Uma mão bateu em seu quadril. — O que você é, alguma Martha Stewart ninja secreta? Lá se foi o puxão maldito dos lábios novamente.

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— Não. Eu definitivamente não sou Martha Stewart. — Ele não conseguia ornamentar para salvar sua vida. — Eu só, por acaso, sei uma coisa ou duas sobre como fazer pizza caseira. Ela levantou Skylar para sentar-se no balcão, em seguida, acenou com a mão para a máquina. — Por todos os meios, bonitão, assuma o comando e mostre a nós – mulheres - como ela é feita. Assim como alguns minutos antes, o desafio tocou claro em sua voz quando ela manteve contato visual com ele. Ela não tinha nenhum problema em soltar para fora, não é? — Esteja preparada para ser surpreedida. Ele

acrescentou

o

açúcar

necessário

e

ligou

a

batedeira. Quando o gancho de metal lentamente virou-se e combinou os ingredientes, ele despejou na água e óleo. Manteve o controle sobre a consistência, acrescentou mais farinha ou água até que a massa era uma bola perfeita. Em seguida, ele espalhou farinha em uma placa de madeira, colocou a massa sobre ela e começou a amassar. Um apreciativo — Mmm, — veio de sua esquerda. Ele olhou para encontrar Gayle inclinando os cotovelos no balcão com o queixo pousado na palma da mão. Seus olhares se chocaram e ela murmurou as palavras, — Tão quente.

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A onda de calor impregnou todo o seu corpo. Ele parou no meio do movimento de amassar. Porra. Não houve uma má interpretação

de

suas intenções, ela agia com o

comportamento impróprio agora. Empurrando o olhar, ele se reorientou para a massa. A memória daqueles lábios o contato com a boca e essas palavras gravadas em seu cérebro. Esta era Gayle em modo completo? Ele não sabia se ele poderia lidar com essa Gayle. Quando ele finalmente teve a massa onde precisava estar, colocou–a em uma tigela e pos filme plástico por cima para deixá-la subir. — Feito. Deve estar pronto em cerca de umaUm tapa afiado em seu traseiro chocou as palavras da sua boca. — Excelente trabalho, bonitão. Vamos jogar enquanto esperamos. Ele ficou ereto quando Gayle passou, sem saber se ele estava mais atordoado pelo tapa súbito em sua bunda ou a assustadora luxúria que ele sentiu com sua ação ousada. Tomando uma inspiração constante, ele se concentrou em expulsar a tensão de seu corpo. Vamos jogar um jogo, ela disse. Ele não achava que ele queria jogar com Gayle Matthews. Algo lhe dizia que ela era uma jogadora mestre e que ele iria acabar do lado perdedor todas as vezes. 59


E ele não gostava de perder.

Pela terceira vez, Gayle teve que morder o lábio inferior para manter um riso quando a expressão atordoada de Mac enchia sua mente de novo – uma das duas expressões atordoadas que ele deu a ela ao longo da última meia hora. Aquela que tinha torcido seu belo rosto quando ela sugeriu este jogo de contato de corpo inteiro estava quase antes daquela de quando ela bateu no seu traseiro. Quase. Ela girou a roleta. — Pé esquerdo no círculo verde. Mac enviou-lhe uma carranca furiosa e ela chupou suas bochechas para impedir a sua risada de escapar. Deus, o delicioso homem era muito divertido para não mexer com ele. Ela teve piedade dele e deixou que ele fosse o autor da chamada da primeira rodada. Mas quando ela caiu na bunda dela tentando chegar a um círculo azul, ele teve que tomar o seu lugar. Aquelas eram as regras – ela o lembrou quando ele resistiu à sua tentativa de tomar a roleta de suas mãos. Mac de alguma forma manobrou o pé esquerdo em torno de sua mão direita e colocou o pé em um círculo verde a mais ou menos uma milha de distância. Legal. A vista era boa também. Em shorts caqui e regata branca, ele estava dando um magnífico espetáculo de flexão de músculos. O

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homem era simplesmente magnífico. Mesmo sua atitude rabugenta não poderia desvirtuar isso. Além disso, ele permitiu diversão suficiente para mostrar através de sua aparência rude que ela não estava nem um pouco assustada com suas tentativas de afastá-la. Ele teria uma chance melhor se aqueles lábios atraentes parassem de se contorcer nos cantos, deixando-a saber que ele queria oh-tão-mal sorrir. O fato de que ele lutou contra o impulso o deixou ainda mais intrigante para ela. — Ok, Skylar, sua vez. — Gayle girou a seta. — Pé direito, vermelho. A menina gemeu. — Sério? Com suas mãozinhas espalmadas sobre os pontos vermelhos em um lado do tapete de plástico e seus pés sobre os pontos verdes no lado oposto, o movimento não seria fácil. Skylar odiava perder. Gayle sorriu. — Desculpe. Ela trouxe seu pé direito à frente, ficando, tanto quanto a linha de azul antes que ela simplesmente inclinasse para o lado dela. A queda foi tão rápida e tão dramática, que Gayle caiu na gargalhada, e Skylar seguiu com sua gargalhada infantil, o que fez Gayle rir ainda mais duro. Ela adorava a alegria pura, sem remorsos, de uma criança. Ela olhou para Mac para compartilhar o momento, e toda a sua diversão desbotou. O que teria trazido um sorriso 61


imediato ao rosto de alguém, não conseguiu fazê-lo no de Mac. Sua expressão foi preenchida com tanta tristeza e saudade quando ele olhou para a criança, o coração de Gayle apertou forte. Ele empurrou o olhar e dirigiu-o ao outro lado da sala, empurrando a mão pelo cabelo, o pomo de Adão trabalhou em sua garganta. Este homem deve ter um inferno de história. Tempo para aliviar o clima novamente. — Ok, Skylar. Você sabe o que isso significa? A menina deu um pulo. — É a minha vez de falar e é sua vez e do tio Mac de torcer. Se sua cabeça tivesse virado um pouco mais rápido teria voado fora de seus ombros. Pelo menos ele estava distraído de qualquer que fosse o demônio do passado trazido à tona. — Isso seria correto, Skylar. — Ela levantou a sobrancelha desafiadora ela estava aprendendo rapidamente a incitá-lo. — Como é isto bonitão? A competição amigável entre adultos. Qual de nós tem o melhor equilíbrio? Como esperado, a saliência angular de sua mandíbula apertou. Ele realmente não deveria fazer tão fácil para ela lêlo. O homem simplesmente não podia recuar a partir de um desafio – nem mesmo dela. O que lhe deu todo o poder. 62


Ele caminhou em direção a ela. — Eu sou a única pessoa na sala que ainda não caiu. — Porque você só jogou uma vez. — E eu fiquei em pé. A única vez que você jogou alguém aterrissou em sua bun... — Ele limpou a garganta, seu olhar foi sobre a Skylar. — Er, traseiro. Parece-me que eu já sou o vencedor entre os adultos. O homem era tão mau como Skylar sobre o vencer. Gayle teria que mudar de estratégia. — É muito triste que um homem adulto reivindique a vitória sobre uma criança de oito anos de idade, quando a única razão pela qual ela não poderia fazer o movimento era porque ela é uma criança de oito anos de idade. Eu teria sido capaz de fazer esse movimento. Ele apertou os lábios mas não antes que ela visse a contração nos cantos. Para selar o acordo, ela cruzou os braços sobre o peito, ergueu um quadril para fora, e franziu os lábios em um jeito você-vai- dizer-o-que? Ele imediatamente baixou a cabeça, mas ela tinha visto isso. Oh. Meu. Deus. Tinha-o visto. Um flash de dentes brancos. Bonitão tinha sorrido. Infelizmente, ela não havia recebido o efeito completo ou visto como ele transformou o seu rosto, mas ainda assim, ele não conseguiu mantê-lo preso. Ela estava chegando nele. 63


Não demoraria muito e ele sorriria só por que ele não iria se lembrar. O pensamento quase trouxe um sorriso para seus próprios lábios. Quando ele olhou para cima, ele tinha o controle sobre seus músculos da boca de novo e eles estavam numa linha reta. — Você está dentro. — Traga. Isso. — Ondulando seus dedos no movimento que foram com essas palavras, ela pisou no tapete. Mais uma vez a expressão severa rachou quando ele foi ao quadrado com ela. Ele era uma boa cabeça mais alto que ela e ela inclinava a cabeça para trás para olhar para ele. Olhos castanhos estreitaram olhando de volta para ela. Meu Deus Todo-Poderoso, ela gostou disso. Um monte. Tudo sobre o homem era imponente. Compacto. Firme. A vibração varreu baixa em sua barriga. Sim, ela queria esse homem. — Gayle, pé direito, círculo amarelo. Com Skylar aqui, ela teria que manter as coisas leves, mas isso não significava que ela não poderia ter um pouco de diversão. Sem quebrar contato com os olhos de Mac, ela escorregou o pé entre suas pernas abertas para o círculo amarelo solitário entre seus pés e trouxe os seios mais perto de seu peito. Mas além de um ligeiro puxão para trás e um enrijecimento de seu corpo, ele não teve nenhuma reação. 64


— Tio Mac, pé direito, círculo verde. Um suspiro audível veio dele quando ele trocou para trás até que o pé exigido estava na cor correta, colocando as linhas de círculos amarelos e vermelhos entre seus corpos. Ok, então ele respondeu aos desafios verbais, mas ainda era cauteloso sobre os físicos. Ela podia respeitar isso – por enquanto. — Gayle, pé esquerdo, vermelho. — Ela moveu o pé para a cor atribuída, se aproximando de Mac novamente. — Tio Mac, pé esquerdo, círculo verde. — Frustração perceptível atravessou seu rosto por ter que permanecer no mesmo lugar. A emoção da perseguição estremeceu através dela. Isso era muito mais divertido do que ela esperava. — Gayle, mão esquerda, vermelho. Ela olhou para as linhas diante dela, onde ela tinha um pé já posicionado no amarelo e um diretamente na frente do Mac no vermelho, em seguida, olhou para ele. Seu lado impertinente rugiu para frente com uma vingança. Ela não tinha apenas pensado que ela poderia respeitar suas sugestões não ditas? Ela estudou o círculo novamente. Não. Esqueça o respeito. Ela tinha que fazer isso. Oportunidades como estas não surgem com frequência suficiente, e ela não iria deixar uma passar. Além disso, era divertido ver o lutador gostoso que enfrentou grandes e malvados gorilas intimidantes em uma gaiola ficar todo estranho quando ela fazia algo escandaloso. 65


Felizmente, Skylar era muito jovem para ler dentro disso, mas o Mac iria ver a intenção adulta, clara como um cristal.

Mantendo

sua

expressão

inocente,

Gayle

foi

lentamente até que estava agachada ao nível do zíper de seus shorts camuflados, colocou a mão sobre o círculo, e inclinou a cabeça para trás para olhar para ele. A cabeça dele estava inclinada para cima em direção ao teto, e um baixinho murmúrio de foda-se saiu de sua boca. Oh sim. Ele estava lendo exatamente o que ela queria que ele lesse. Ela ouviu a vez giratória sobre o papelão. — Tio Mac, mão direita, vermelho. Um gemido audível soou quando ele se inclinou para colocar a palma da mão sobre o círculo ao lado dela, trazendo seu rosto para perto. Tensão esculpia sulcos profundos em torno de seus lábios fortemente pressionados e raiva queimando quando ele olhou para ela. Ela lhe lançou um sorriso brilhante. Seus olhos se estreitaram perigosamente. Cara, se ela pudesse conseguir que tudo o que ele construiu em hostilidade fosse canalizada em paixão, este homem iria arranca-la de suas meias. — Gayle, mão direita, azul. Torcendo seu corpo longe de Mac, ela bateu a palma da mão sobre a cor correta. — Tio Mac, pé direito, azul.

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Murmurando outra maldição, ele esticou o pé de seu lugar no círculo verde para o azul, trazendo seu tronco para frente, de modo que estavam mais uma vez frente a frente. — Olá, bonitão. É bom ver você de novo. — Não posso dizer o mesmo. Ela riu. — Se você não consegue lidar com o calor, você sabe o que fazer para acabar com isso. — De jeito nenhum isso irá acontecer. — Gayle, pé direito, verde. Ela olhou ao redor do tapete. Seu pé direito estava atualmente no amarelo. Esquerdo no vermelho. Verde estava atrás de Mac. Isso podia revelar-se difícil. Ela olhou para frente e veio nariz com nariz com um sorriso tolo– um sorriso tolo! – Torceu os lábios geralmente rabugentos do Mac. Oh. Isso com certeza iria continuar. Com algumas manobras cuidadosas, ela esticou a perna direita entre Mac e quase na ponta dos pés no verde. E Mac não estava sorrindo mais. Ele foi empalidecendo quando a parte externa da sua coxa pressionava no interior da dele. No entanto, ele não desistiu em sua determinação de vencer. Teimoso, homem teimoso. Ele realmente não tinha ideia de que isso era uma fraqueza. E o jogo continuou assim. Não importava o quão provocativa Gayle ficasse com sua escolha de movimentos – uma vez ela o montou– Mac se recusou a ceder. Mas a cada 67


jogada, a tensão diminuía lentamente de seus músculos, um ar leve começou a substituir o pesado, a aura tempestuosa que ele sempre pareceu transportar, e antes que o novo estado de espírito pudesse ser arruinado, Gayle deu-lhe o que ele queria. — Gayle, mão esquerda, azul. Ela deslizou a mão para fora sob as costas de Mac, em seguida, chegou entre as pernas para o círculo azul. Praguejando uma maldição ela puxou para o círculo e, em seguida, caiu no tapete. Mac ficou de pé com os braços erguidos acima da cabeça. — Sim! O sorriso que estendia a boca, revelando seus dentes brancos em linha reta, fez sua respiração pegar duro no peito quando uma sacudida animada eletrocutou baixo na sua barriga. A curva de seus lábios tirou anos de seu rosto e apagou o brilho assombrado de seus olhos. Ele irradiava felicidade. Ele a pegou olhando para ele e o sorriso desapareceu. — O quê? — Você deveria considerar sorrir mais vezes bonitão. Combina com você. E ela planejava fazer Mac Hannon sorrir muitíssimo mais. Mesmo que fosse contra a sua vontade. 68


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Capítulo Três Mac rolou na cama e gemeu devido à falta de sono e o giro constante de seus pensamentos. Essa maldita mulher não iria deixar a sua mente. Por quê? Porque depois que ele aperfeiçoou a expressão de cara de pedra e só permitiu o pequeno sorriso ocasional para aqueles que chamava de amigos, Gayle tinha arrancado uma porra de um sorriso mostrando os dentes, um sorriso tolo dele – sem que ele percebesse. Ele estava tão apanhado no momento, se ela não tivesse apontado, ele poderia nunca ter percebido isso. Mas ela tinha, e ele imediatamente limpou o rosto da emoção. Ela não perdeu nenhum segundo, no entanto. Ela simplesmente pulou, bateu palmas, e anunciou que era hora de enrolar a massa. Durante a hora que se seguiu, ela agiu como se nada tivesse acontecido, mais uma vez, fazendo com que ele relaxasse. Ele pegou seus lábios se esticando com suas frases inteligentes tantas vezes que parou de lutar contra o impulso. No momento em que eles fizeram a pizza e Lance apareceu, Mac tinha, a contragosto, admitido para si mesmo que Gayle irradiava vida de uma forma que o atraia, pelo menos até o momento em que ela jogou insinuações sexuais para ele. Os 70


momentos desconfortáveis onde ele se sentia mais como um lutador amador de frente para sua primeira grande luta, ao invés de vez um profissional que tinha vencido contra inúmeros adversários eram geralmente poucos e distantes entre si. Mas não com ela. E odiava como ela o fazia se sentir inexperiente. Não que ele tivesse planos para ser protagonista em alguma de suas sugestões. A estranha atração o perturbava, no entanto. Agora era fácil manter as coisas sob controle, porque ela era tão escandalosa, mas se mudasse de tática... Ele balançou a cabeça. Ele não podia pensar mais em Gayle. Ela já havia roubado muito do seu maldito sono. Ela não iria roubar o seu dia também. Jogando as cobertas, ele pulou da cama, empurrou os pensamentos da mulher irresistível de sua cabeça. O que ele precisava fazer era consertar a merda com Lance. Depois que seu amigo tinha voltado para casa, ele pegou Skylar para um encontro de pai e filha. Gayle tinha ido para casa e Mac foi deixado em casa sozinho. Lance e sua filha não tinham retornado até bem depois das dez. Ele tinha levado sua filha adormecida ao andar de cima, colocou-a na cama e foi direto para o seu quarto. A mensagem foi clara. Lance não estava pronto para falar. Hoje, porém, eles necessitavam melhorar o clima entre eles.

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Mac vestiu um par de shorts de corrida preto e camiseta de algodão vermelho, e, em seguida, correu escada abaixo com o cheiro de bacon frito. Quando ele entrou na cozinha encontrou Lance com uma panela repleta de tiras crepitantes e outra com ovos mexidos. — Cheira bem — disse Mac. Lance olhou por cima do ombro. — Eu sempre faço para Skylar café da manhã antes que ela volte para sua mãe. Ela está se vestindo. Piper deve estar aqui em cerca de vinte minutos. — Um clique soou quando quatro pedaços de torrada pularam da torradeira. Lance gesticulou para ele com a espátula. — Você quer alguma coisa? — Não. Eu estou bem. Vou fazer um shake de proteína daqui a pouco. — Mac sentou em um dos bancos ao redor da ilha, estudou as costas do amigo quando ele pegou dois pratos do armário e encheu cada um com comida. Parece que Skylar fazia um monte de vai-e-vem entre seus pais, o que era um arranjo estranho. — Que tipo de programação que você e Piper tem feito para Skylar? Lance fez um ligeiro encolher de ombros. — O que podemos encaixar. Eu não deveria ter Skylar ontem, mas eu tinha a tarde de folga. Desde que são tão raras, pedi a Piper para deixá-la com Gayle antes dela ir para o trabalho, para que eu pudesse passar o resto do dia com ela quando chegasse em casa. Felizmente, tenho uma ex72


esposa que garante que eu possa gastar mais do que alguns minutos com a minha filha. — Por que você não corta alguns dos postos de trabalho que você toma? Os músculos do ombro de Lance se contraíram. — Alguns de nós não podem se dar ao luxo de serem exigente, sabe? Esta não era a conversa que Mac queria ter esta manhã. Parecia que ele estava tornando as coisas piores, não melhores. Ele só precisava chegar ao coração das coisas. — Eu sinto muito sobre o outro dia. Não importa o que você pensa, não era eu. — Eu empurrei seus botões. — Lance encarou, encostando-se ao balcão. — Eu tive tempo para pensar sobre isso também. Eu não deveria ter ido para você do jeito que eu fiz. Você passou os últimos quatro anos lidando com o seu sofrimento do seu próprio jeito e você não estava comigo nem por uma hora e eu soltei tudo na sua cara. Então, sim, você explodiu. Eu provavelmente teria feito o mesmo. Na verdade, estou bastante certo. Eu senti a raiva crescendo agora com você perguntando por que eu não reduzia minhas horas. — Ei, cara, eu não quis incomodá-lo com isso. — Eu sei, mas fez. Da mesma forma que você ficou chateado com as minhas observações. — Lance permaneceu em silêncio por um momento e depois disse: — Cerca de um 73


ano depois que você saiu do Kansas, Skylar foi diagnosticada com leucemia. — Mac ficou de pé em choque. Lance ergueu a mão, sacudindo a cabeça. — Você estava passando por sua própria merda. Ela está em remissão agora, mas o seguro de Piper acabou, e o meu também. Os tratamentos aprovados não estavam funcionando, e o hematologista recomendou algo diferente. É claro, o seguro negou a cobertura. Mas eu não podia deixar nada acontecer com a minha menina, e isso com certeza não ia acontecer porque alguns engravatados em um escritório estavam negando sua saúde. Então, eu encontrei o dinheiro. — Como? — Mac sentou-se no banco, atordoado com o que ele tinha acabado de aprender. Como ele não ficou sabendo? Como ele poderia não ter ajudado Lance? — Piper acha que peguei um empréstimo. De certa forma, eu fiz, e não apenas do modo tradicional. A verdade é que o dinheiro não é dado a um cara como eu por um engravatado em um banco. Mac sentiu um aperto no intestino. — De quem você pediu emprestado? — Lembra-se dos caras com quem eu costumava jogar? Mac fechou os olhos. — Você não fez. — Eu morreria por ela, Mac, — Lance fez uma pausa e engoliu em seco. — Pedir para dois capangas ricos e burros 74


foi uma decisão fácil. Acho que você, de todas as pessoas, saberia algo sobre isso. Sim, ele sabia. Ele teria feito qualquer coisa para salvar Ally se tivesse a chance. Infelizmente, essa chance nunca tinha sido dada a ele. — Quanto você deve? — Um monte. — Lance deu de ombros. — Não é como nos filmes, no entanto. Eles não vêm batendo na minha porta no meio da noite e estalando os nós dos dedos, ameaçando quebrar meus joelhos com um taco de beisebols se eu não os pagar a tempo. Temos um contrato de empréstimo, assim como eu faria com um banco. Eu pago um valor definido a cada mês, sobre o preço de uma casa muito legal. Contanto que eu pague, nós não temos nenhum problema. Exceto... — Ele suspirou. — Eu venho fazendo isso há dois anos... E eu estou ficando cansado. Mas não há um fim à vista. Mac nunca teria acreditado que ele ouviria essas palavras saírem da boca de Lance. Mac olhou o rosto do amigo, realmente estudou. No outro dia, ele estava muito preso em si mesmo para notar qualquer coisa, exceto coisas superficiais. Após uma avaliação mais de perto, viu olheiras e bolsas de idade nos olhos do amigo. Sulcos profundos nas laterais de sua boca. Lance parecia cansado... realmente esgotado. — Eu posso assinar um cheque agora, Lance. Ajudá-lo.

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— Não — Lance balançou a cabeça rapidamente. — Absolutamente não. — Este não é o momento para orgulho. — Eu pago do meu próprio jeito, Mac. Eu sempre pago. Eu sempre pagarei. — Se é um negócio tão grande assim, vamos definir um acordo como o que você tem com esses caras. Apenas com juros menores e diminuir o tempo de pagamento do empréstimo em alguns anos. — Não. Nós dois sabemos o quão rápido uma merda pode acontecer. Se você acabar precisando do dinheiro que me emprestou eu nunca me perdoaria. Tudo o que eu quero que você faça é me ajudar a treinar para que eu possa vencer essa luta e espero obter um tiro no alvo. As coisas seriam muito mais fáceis se esse sonho se tornasse realidade. — Por que eu apenas não falo com Ethan Porter? Eu poderia ser capaz de lhe obter uma luta sem tudo isso. A mandíbula de Lance apertou. — Não. Eu faço isso do meu jeito ou de jeito nenhum. Entendido? Eu não quero ser conhecido como o lutador que entrou no ringe por causa de um favor. Eu quero entrar porque eu ganhei. Se eu não sou bom o suficiente, eu não sou bom o suficiente. Entendido?

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Suspirando, Mac assentiu. Embora, neste momento em particular, ele não concordava com seu amigo, ele entendia sua necessidade de provar a si mesmo e cuidar de si mesmo. — Ok. Vamos treinar nossas bundas, então. Que tal começar logo depois de alimentar Skylar? Uma careta contorceu o rosto do outro homem. — Tenho que ir, bro. Eu tenho um trabalho em Wichita. Bom trabalho. — Como é que vamos treinar se você sempre tem que largar tudo por um trabalho? Um olhar de determinação impotente brilhava fora dos olhos de Lance. — Sonho fantástico, certo? É o que eu quero, mas a vida real tem que vir em primeiro lugar. Vamos treinar. Eu estava esperando ter as minhas contas a pagas antes de você chegar aqui, mas foi lento no início do mês, o que me colocou para trás. Então, eu estou me enfiando em tudo o que puder para pagar as minhas contas. Eu quase paguei tudo. Uma vez que eu pague, nós vamos ficar ocupados. Apenas me dê mais alguns dias, ok? — Tudo certo. Se tiver alguma... — Só esteja aqui quando eu tiver tudo à milhas de distância. — Eu posso fazer isso.

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Lance virou, levantou os dois pratos e foi até a mesa da cozinha. — Skylar! Café da manhã! — Ele gritou, e, em seguida, foi até a geladeira e pegou uma caixa de Cereal de Laranja — Como é que foram as coisas com Gayle ontem? Fiquei surpreso que ficou por aqui. Eu pensei que ela iria levar Skylar de volta à sua casa. Mac balançou a cabeça. — Você estava certo. Ela não tem um filtro. E ela sabe como me deixar doido. — O que você quer dizer? — A cautela na voz de seu amigo era inconfundível. Droga. Lance ainda estava incerto sobre como Mac iria reagir ao stresse. Uma pontada lhe bateu com força no peito. — Ela é capaz de lançar desafios em mim que eu não posso resistir. — Ele observou Lance despejar dois copos de suco de laranja. — Ela me levou a jogar Twister, de todas as coisas. Lance

piscou

quando

ele

abaixou

lentamente

a

embalagem para o balcão, em seguida, deu uma gargalhada. — Não me diga! Eu pagaria um bom dinheiro para ver isso. — Eu aposto que você faria.

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— Ela é gente boa. Ela tem esse jeito com a vida. Ela só vai com a vida. Não transpira pelas coisas. É extraordinária. — Lance inalou e então gritou: — Skylar! Rápido! — Eu estou indo! — Veio a voz da criança lá de cima. — Gayle provavelmente nunca teve qualquer razão para transpirar por nada, — disse Mac, uma vez que Lance parou de rir do tom irritado de sua filha. Era a única coisa que fazia sentido para ele. Pessoas que tinham passado dificuldades na vida tinham as cicatrizes para provar isso. E elas mostravam. Até a última delas. Ele mostrava. Lance mostrava. Gayle se parecia com uma pessoa que nunca tinha sido tocada por nada de ruim. Se ela não tinha sido, que bom para ela. Ela era capaz de abraçar a vida e tudo o que tinha para oferecer – sem saber que havia um lado negro que poderia arrebatar as coisas boas em segundos. — Talvez — Lance concordou. — Engraçado, agora que você mencionou, eu não acho que Gayle e eu tivemos uma conversa séria sobre qualquer um de nós desde que ela se mudou há seis meses. Inferno, ela ainda não sabe sobre a doença de Skylar, a menos que Skylar tenha contado. Gayle está sempre fazendo palhaçadas, e você só teve um tempo divertido com ela. Não era chocante. Ele não achava que essa mulher levava nada a sério.

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— Será que ela realmente tem um doutorado em meteorologia? Não que ela parecesse burra de qualquer maneira, ela apenas parecia o tipo de não ficar com algo por muito tempo – um pouco volúvel. Lance bufou. — Ela tem. — E ela realmente trabalha na sua área ou ela gosta de uma carreira de estudante? A carreira de estudante caberia na forma como ela parecia. — Ela realmente trabalha em sua área. — Surgiu uma voz feminina atrás dele que fez Mac dar a volta. Gayle ficou no degrau mais alto do lado de fora da porta de tela. Seus olhos se trancaram nos shorts pretos que abraçavam a ondulação de seus quadris e mal cobriam a parte superior das coxas. Puta merda. Ele lentamente levantou o olhar. A regata preta combinando com o sutiã roxo brilhante envolvia seu tronco e seios. Vestuário típico de treino que ele tinha visto inúmeras vezes no passado sobre as mulheres na academia, mas em Gayle.... Ela não era um pequeno pedaço de mulher. Ela era exuberante, cheia de curvas, e preenchera suas roupas de uma forma que fez seu intestino apertar. Ele limpou a garganta, tentando se livrar da reação. Ele não tinha apenas decidido que não precisava de outra 80


catástrofe em sua vida? E Gayle certamente iria trazer catástrofe. — Hey, — ele finalmente conseguiu. Essa única palavra saiu com uma rouquidão que o consternou. Um sorriso curvou seus lábios quando ela abriu a porta e entrou na cozinha. — Então.... Eu deveria estar honrada ou ofendida por ser o tema da conversa de dois homens sexy´s esta manhã? — Honrada, é claro, — disse Lance. — Mac estava apenas deixando-me saber como você o fez jogar Twister. Mac disparou uma carranca para o amigo. Por que ele iria lhe dizer isso? —Ele estava falando, agora? E o que o bonitão tinha a dizer sobre isso? — Que ele não pode resistir aos seus desafios. O que diabos Lance estava fazendo? Isto iria apenas alimentar sua impulsividade. Não que ela precisasse de ajuda com isso, mas não iria definitivamente refrear sua língua inteligente. Felizmente, o bater dos pés pequenos soou na escada

e,

segundos

depois,

Skylar

vibrava

como

um

redemoinho. Mac deu um suspiro de alívio com a distração quando a menina beijou seu pai no rosto, em seguida, correu para abraçar Gayle. — Hey, gracinha, — Gayle disse, apertando Skylar no lado dela, mas olhando diretamente para Mac. — Você não 81


disse? Você gosta dos meus desafios, bonitão? Quer um pouco mais da bolsa de desafios da Gayle? — Ela piscou para ele e aquela temida sacudida o acertou na parte baixa do intestino. Porra. Como a mulher podia ser sempre assim? Ela nunca perdia uma batida. Nunca ficava perturbada. E o perturbava para caralho, especialmente porque ela causava esta nova necessidade em espiral dentro dele. Uma que parecia estar crescendo cada vez mais forte quanto mais ele estava ao seu redor – se sua reação a sua presença repentina na porta era qualquer indicação. Ele precisava conseguir o controle disso agora, antes que a mulher tivesse alguma ideia. — O que você está fazendo aqui tão cedo? — Vá comer, — disse ela para Skylar. Ela esperou até que a menina estava sentada à mesa, devorando seu café da manhã, antes de voltar sua atenção para Mac. — Eu vim por você, bonitão. A resposta inesperada o deixou de boca aberta, assim como seu estômago apertou novamente. Veio por ele. Será que ela tinha alguma ideia maldita de quão erótico aquilo soou? É claro que ela sabia. Ela era Gayle. Ela estava brincando com ele de novo? Ela curtiu com ele ontem. Ou sua expressão pediu essa pergunta ou ela leu sua mente, pois um brilho malicioso entrou em seus olhos.

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— Não desta vez. Eu realmente vim por você. — Por quê? — Ele estava muito orgulhoso de si mesmo por manter seu tom cauteloso. — Eu estou me preparando para ir para o treino de zumba. Quer se juntar a mim? — Zumba? — Todos os pensamentos evocativos evaporaram com a menção das aulas. Ela era de verdade? Erguendo os braços acima da cabeça, ela balançou os quadris em um círculo erótico que atraiu o olhar para eles. Ele empurrou de volta, determinado a manter os olhos rebeldes em seu rosto e não em seu corpo luxurioso. — Sim, — disse ela. — Você sabe, aula Latina de aeróbica? — Você está me pedindo para ir à aula de zumba? Lance gargalhou no fundo, destacando quão ultrajante a ideia era. — Uh. 'Quer se juntar a mim' não implica isso? — Suas sobrancelhas se uniram em confusão, em seguida, ela riu. — Não me diga que você é um daqueles caras. — Se você quer dizer o tipo que não participa de aula de aeróbica de meninas então, sim, eu sou exatamente desse tipo.

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Não havia nenhuma maneira no inferno que ele iria, e não era por causa da dança. Seu olhar caiu de volta para seus quadris. Perigo. Ela era muito perigosa. Ela fez um beicinho com o lábio inferior, chamando a sua atenção para a gorda e convidativa carne. Esse aperto bateu seu intestino mais uma vez. Porra, ele ia ter que olhar para o teto para ser capaz de ter uma conversa com esta mulher. — Oh, o pobre homem machista e viril tem medo que ele não seja capaz de fazer isso? E então ele sentiu... o puxão nos cantos de sua boca. Ele cerrou os dentes juntos para evitar seus lábios de se curvarem em um sorriso. — Os homens não dançam para malhar. Não com ela, de qualquer maneira. — Sério? Diga isso para o fundador, que também é um Latino sexy para caralho. — Ela requebrou para Mac. — Mostre-me como você pode mover os quadris, bonitão. Eu. Desafio. Você. Então, isso era o que ela tinha em sua bolsa de desafios hoje. Recusando-se a deixá-la provocá-lo desta vez, ele disse: — Não vai funcionar, Gayle. Eu estou a par do seu jogo agora. Você não vai me fazer cair nessa.

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Ela suspirou profundamente e deu de ombros. — Ah bem. Foi divertido enquanto durou. Além disso é melhor não se decepcionar. Um rabugento não teria os movimentos para aguentar, de qualquer maneira. Lance uivava de tanto rir, segurando a urina para fora do Mac. — Rabugento. Isso é. Perfeito, — Lance disse entre suspiros de ar. — O que é um rabugento? — Perguntou Skylar. — Um homem velho mal-humorado. — A expressão satisfeita de Gayle zombou de Mac, fazendo com que seu lado rebelde saísse para frente. — Tio Mac não é um homem velho, — disse Skylar. — Obrigado. — Mas ele é mal-humorado, — completou. Lance dobrou, rindo ainda mais duro. Bem. Ele iria lhes mostrar. — Eu tenho os movimentos. Prepare-se para ser surpreendida. E foi aí que ele percebeu que a mulher tinha vencido. Mais uma vez.

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Mac certamente não tinha os movimentos. Gayle abafou um suspiro quando ele tropeçou em seus pés ao tentar fazer um merengue simples. O homem era a epítome do ditado ‗homens brancos não podem dançar‘. Ele não tinha um pingo de ritmo em seu incrível corpo. Cada passo de dança, da salsa até a dança do ventre, era duro e pesado. Ela lhe daria crédito, no entanto. Nos últimos 45 minutos ele não tinha recuado de qualquer um dos movimentos

de

balançar

os

quadris.

Nem

parecia

embaraçado. Nem mesmo depois que as vinte e poucas mulheres presentes se reuniram em grupos e o começaram a cobiçar, logo que ele entrou pela porta. Mesmo em sua estranheza, Mac era uma delícia aos olhos doces para cada mulher na sala – inclusive ela. A camisa de treino vermelha sem mangas mostrando suas tatuagens impressionantes e cinzelados braços, abraçava seu peito largo e torso apertado. Embora ele acreditasse que isto ia ser um treino feminino, suor revestia sua pele – e aumentou seu sex appeal. Ela precisava de um banho de água fria depois de tudo isso. Felizmente, a classe estava quase no fim. Tudo o que restava era a rotina de hip-hop e o alongamento. Uma vez que a instrutora era notória em escolher as músicas com o humor 86


dela, em vez de seguir uma lista de músicas pronta, não havia como dizer qual trilha ela usaria. Gayle estava esperando que fosse realmente divertido. Como a música atual era para baixo, a instrutora parou seu iPod para permitir a todos um segundo para pegar um gole de água. Mac chegou mais perto de Gayle. — Ok, eu vou admitir isso. Isto não é fácil. Meu coração maldito parece uma britadeira no meu peito. — Ele deu um tapinha no seu estômago. — E meus abs estão pegando fogo. Eu nunca mais falarei mal da zumba novamente. É um treino completo. — Para uma primeira vez, você está indo muito bem. — Sério? — Ceticismo tocou claro em sua voz. — Não. — Ela balançou a cabeça, rindo de sua falsa expressão magoada. — Você parece um animal enlouquecido. Uma covinha amassou sua bochecha direita e fez seu coração acelerar. Como ela tinha perdido isso ontem? A covinha deu-lhe uma aparência jovem que mostrou um vislumbre

do

homem

que

mantinha

cuidadosamente

escondido atrás de seu exterior resistente. — Tão ruim assim, né? — Sim. — Se possível seu sorriso cresceu tornando os joelhos fracos. Meu Deus, esse homem não precisa ser um dançarino latino profissional para fazê-la querer derreter no chão. Ele só tinha que olhar para ela com todas as suas 87


barreiras caídas. O Mac que ela viu bem neste segundo era fascinante. Seus olhos se encontraram e o ar entre eles engrossou. A garganta de Mac trabalhou em um engolir, mas ele não desviou o olhar. Um primeiro. Gayle fez com que ela não fosse aquela a quebrar a ligação. A instrutora fez, iniciando a música. Com a batida e uma abertura, — Oh! Oh! Oh! — A melhor corrente hip-hop de Zumba de todos os tempos encheu a sala de fitness, Gayle não conseguia conter um pequeno grito de alegria. — O quê? — Perguntou Mac, uma carranca de suspeita estragando seu rosto. — Você vai ter uma surpresa, bonitão. Você já ouviu falar de The Wobble6? Seus olhos se arregalaram e sua cabeça foi para trás. Bem, sim, ele tinha. Ela pegou a mão dele, enfrentou a frente da sala, e começou a balançar os quadris. O horror estampado no rosto de Mac à fez cuspir uma risada quando ela soltou a mão para bater palmas com a batida e se mover de um lado para outro, chutando para fora uma perna com cada mudança. — Não é difícil. Basta agitar seus quadris. Não é diferente daquilo que estávamos fazendo. 6

" Wobble "é o segundo single do rapper VIC de seu álbum de estreia Besta. 88


Seu olhar baixou para seu traseiro girando, em seguida, empurrou de volta para cima. — Eu discordo completamente. Oh, ele gostou do que viu e não queria que ela soubesse disso. Ok. Ela o deixaria ter um olhar completo sem se preocupar. — Basta me olhar. Ela pulou na frente dele, assim como o refrão — balança, baby, balança, baby, balança, baby —, começou. Ela girou seus quadris quatro vezes em um grande círculo, pulou para trás apenas alguns centímetros do corpo de Mac, e repetiu o balanço do quadril mais outras quatro vezes. Ele não moveu um músculo. Ela trocou seu corpo para a direita, movendo os ombros tão vigorosamente quanto ela movia seu quadril, mantendo o ritmo quando ela se moveu para a esquerda. Ela tinha certeza de que neste segundo Mac não seria capaz de decidir entre assistir aos seios ou a bunda dela. Ela fez o cha-cha-cha com seu pé direito e deu três passos rápidos, fez um cha-cha-cha para esquerda, em seguida, virou o rosto para a parede esquerda e fez um impulso com a pélvis enquanto bombeava seu punho na altura do peito muito rápido por oito vezes. Ela arriscou um olhar para Mac. Olhos fixos em sua bunda. Então, o bonitão gostou do quadril. Poderia muito bem se divertir com ele. 89


Ela repetiu a série de etapas de frente para a parede esquerda. Antecipação estremeceu através dela. O que ele faria quando a classe se virasse em uníssono para enfrentar o fundo da sala? Como ele reagiria quando percebesse que ela estava de pé diretamente na frente dele? Ela estava prestes a descobrir. Ela terminou a segunda cha-cha-cha, virada para o fundo da sala, a centímetros de Mac- que -parecia -não -se – importar –de- não -ter -se -movido - e imediatamente foi para a contagem de oito impulsos de pélvis. O salto para frente a trouxe tão perto de sua coxa que ela poderia muito bem ter se esfregado sobre ele nos quatro giros de quadril. Quando ela saltou para trás para a próxima etapa, a vermelhidão anormal de seu rosto capturou seu coração. Ele não tirou os olhos de seu corpo. Então, ela se agachou um pouco mais longe,

girando

seus

quadris

um

pouco

mais

provocativamente. Ela girou para o lado esquerdo da sala, em seguida, ele a surpreendeu. Num momento ele estava congelado. No seguinte, ele estava ao lado dela, girando os quadris e bombeamento seus braços tão duro como ela estava. Um riso chocado estourou além de seus lábios. As mulheres ao redor deles vaiavam e aplaudiam. Quando chegou a hora de saltar para frente ele não hesitou, continuando a rotação de seus quadris. Ele pulou de volta em sincronia com todos, deslocando para esquerda, deslocando para direita, fazendo com que muitas das outras mulheres olhassem para o novato na classe para 90


comparação. Ele estivera olhando para ela... ou assistindo os passos? Talvez ela devesse se sentir um pouco ofendida com a ideia de que ele realmente não estava olhando para ela, mas ela não o fez. Mac Hannon estava dançando. Ao contrário de antes, quando estava todo duro e desajeitado, o corpo dele foi com o hip-hop. Ele desceu para os movimentos como os ombros em círculos junto com sua pélvis. Ele afundou na estocada para frente durante o cha-cha-cha. E então sua pelve empurrou. Meu Deus. Gayle congelou e cobriu a boca com a mão. Agora aquilo foi apenas pecaminoso. E o que Mac fez? Ele piscou. O homem sacudia. Gayle não conseguia parar seu sorriso, e como a classe começou a última rotação virada para frente da sala novamente, ela se juntou a ele. Ela olhou para ele e sua covinha vincando sua bochecha. Ele parecia tão sexy no momento. Apenas livre e nenhuma preocupação no mundo e foi a coisa mais excitante que já tinha visto. A música terminou e ela não podia lutar contra a decepção. Ela poderia dançar Wobble com Mac durante o dia inteiro. Enquanto a música mudava para outra mais lenta, a classe fez o alongamento e então acabou. Ela enxugou o suor do rosto e disse: — Eu não sabia que você sabia como dançar Wobble.

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— Eu também não. Então, ele estava apenas observando-a para aprender os passos. Que pena. — Você aprendeu muito rapidamente. Ele deu de ombros, seus lábios curvando-se para baixo. — Não havia um monte de movimentos para aprender. Eu costumava fazer muitos desses tipos de danças. Eu posso fazer Cotton-eyed Joe7, TushPush8, e o CupidShuffle9. — Sério? — E isso te surpreende, por quê? Uma sobrancelha disparou. — E você tem que fazer essa pergunta, por quê? Ele sorriu, mas não havia um traço de tensão nele. — Já faz alguns anos. Ah. Então, isso era uma coisa antes. Infelizmente, ela tinha um par desses em si mesma. A Gayle de antes nunca teria chegado tão baixo e sujo com a música. A Gayle-dedepois acreditava em viver o momento. Parecia que Mac tinha tomado a abordagem completamente oposta, mas talvez ele estivesse pronto para começar a fazer alguma coisa na vida novamente.

7 8 9

Música Country Popular tradicional dos EUA. Passo de dança Country. Hip-hop, do cantor Cupid.

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— Bem, você com certeza mostrou a nós, mulheres, como se faz. — O ombro dela bateu nele. — Então... zumba é bem legal, certo? Seu sorriso esticou um pouco mais e ele balançou a cabeça enquanto ele suavemente ria. — Eu vou admitir isso. Eu me diverti. Apesar de que o Wobble é mais difícil do que parece, com certeza. Você faz parecer simples. Ela lançou lhe um olhar malicioso. Talvez ele também tenha olhado um pouco para ela. — Você estava conferindo os meus movimentos, bonitão? — Uh... — Está tudo bem. Eu quero você também. Ele engoliu em seco e limpou a garganta. — Hum. — Ele passou a mão sobre a sua cabeça. — Então, que outros tipos de coisas que você faz para malhar? — Só correr e zumba realmente. — Oh. Sério? A maneira como ele disse as duas palavras em um processo lento, com a fala arrastada e desafiadora lhe chamou a atenção. Ela parou, olhou para ele, e colocou as duas mãos na cintura.

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— Sim, é verdade, mas eu estou sempre pronta para algo novo. O que você quer repartir? Ele imitou sua postura e como diversão suavizou seu rosto. — Somente querendo retribuir o favor. Celeiro do Lance. A manhã. Onze horas. Ela reprimiu um sorriso para ter o convite feito da mesma maneira contundente que ela lhe tinha dado o seu jantar convidativo. — Você está dentro.

As luvas estavam pesadas em suas mãos quando ela bateu no saco na frente dela. Qual foi sua recompensa por levar Mac para fazer algo divertido ontem? Tortura. Sério, o homem estava tentando torturá-la. O que era para ser de trinta segundos fáceis de bater no saco parecia como uma eternidade de maldição. A dor alucinante iniciada em seus dedos viajou até os braços e se estabeleceu em suas omoplatas até que toda a extensão de seus membros e costas estava gritando em agonia pura. Desde que haviam retornado para o celeiro do Lance 30 minutos atrás, Mac tinha sido mal assim. Primeiro fazendo-a 94


— aquecer — pulando corda. Ela não tinha pulado corda desde que ela era uma criança, mas Mac tinha feito parecer tão malditamente simples, como se ele e aquela estúpida corda fossem um, ela imaginou que seria como andar de bicicleta. É-claro-que-sim. Segundos depois que ela começou, suas panturrilhas tinham acendido em uma tempestade de fogo que a fez querer implorar por descanso. Embora as paradas se fizessem desnecessárias, desde que ela tinha muito tempo enquanto se desembaraçava da corda a cada quinze segundos. Mac não tinha escondido o seu divertimento com sua inépcia, ou, o que lhe rendeu uma amostra completa de sua língua. Sua risada tinha crescido através da sala, fazendo a tortura valer a pena- nessa hora. Não tanto mais tarde, que tinha incluído muitas flexões- ninguém na história nunca deveria ter que fazer essas coisas- agachamentos com saltos- o que havia de errado

com

agachamento

clássico?

-

Então

ele

tinha

amarrado um negócio em volta da cintura que foi anexado a um enorme peso amarrado e a fez correr pelo celeiro- estes homens eram loucos- antes de caminhar para o saco. — Pronto. — Ele clicou um temporizador que segurava na mão. Ela gemeu e deixou cair os braços. — Você é um completo idiota, você sabe disso? Mac sorriu. 95


— O quê? A pobre garotinha não pode aguentar? Ao ter suas palavras de mais cedo jogadas de volta para ela deu uma risadinha. — Está garotinha pode pensar em algumas maneiras melhores para se exercitar do que matar seus braços. — Ela arrancou as luvas, jogou-as no chão e caminhou as pontas de seus dedos em seu antebraço. — Vamos lá, bonitão, por que você não me mostra algum combate corpo-a-corpo? Vermelho penetrou no rosto de Mac. Deus, ele era tão fácil. Com um sorriso, ela baixou as mãos e foi até o tapete preto cobrindo o meio do chão. — Eu assisti Lance treinando algumas vezes. Que tal me

colocar

em

um

daqueles

abraços

e

me

deixar

contorcendo? — Você assistiu Lance treinar? Isso era o que ele tirou de sua sugestão? Eita. — Skylar gosta de vê-lo. Eu me sentei aqui uma par de vezes. Os lábios de Mac apertaram juntos, então ele balançou a cabeça. — Ok. Que movimentos quer tentar? Ela piscou. Caramba. Ele era um jogador. Lançando rapidamente através de seu conhecimento limitado de MMA,

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ela decidiu se concentrar sobre o que iria levá-la a ficar pressionada mais próxima de Mac. — Há um que Lance fez e foi muito interessante de assistir, — disse ela, tentando manter uma expressão inocente no lugar quando ela entregou o resto de sua descrição. — Ele colocou suas pernas em volta da cabeça do outro cara. Os olhos de Mac se arregalaram uma fração. — Você quer tentar um triângulo? — A coaxar rachado de sua voz e ela fez sua luta para manter a farsa inocente. — É assim que ele é chamado? Parecia... intenso. Você pode me mostrar como ele é feito? A expressão em conflito que tinha visto um par de vezes atravessou seu rosto. Como se ele quisesse, mas não quisesse, ao mesmo tempo. Ela permaneceu em silêncio, deixando-o tomar a decisão sem a pressão dela. Se ele dissesse que não, ou tentasse levá-la para fazer um movimento diferente, ela o deixaria se safar — Ok. Deite de costas no tatame. Ela teve que se impedir de fazer uma dança vertiginosa. O homem estava aquecendo lentamente para ela. Quando ele estivesse completamente descongelado, ela queria que a atração que ele estava lutando fosse preenchida até

o fim

com todas as imagens impertinentes que ela deliberadamente tinha colocado em sua cabeça. 97


Ela tinha toda a intenção de colher o benefício de todo seu trabalho duro.

Ele realmente ira fazer isso? Mac lançou um olhar para a mulher agora deitada de costas com os joelhos dobrados. Nem uma vez ele já tinha pensado sobre a intimidade que vinha com este golpe. Ele era um lutador de MMA. Ele lutava. E lutar significava um contato muito próximo com o seu adversário. Tudo o que ele pensava sobre isso naqueles momentos era o que o seu adversário iria fazer para sair de seu abraço. Agora? Tudo o que podia pensar era nas pernas de Gayle enroladas na sua cabeça. Ele não era tolo o bastante para acreditar que só aconteceu dela escolher este movimento de submissão do nada. Ela tinha escolhido de propósito e novamente ele se viu inflamado pelo desafio silencioso que ela jogou para ele. Agora ele concordou. Que diabos ele estava pensando? Então ele inalou uma pequena respiração e liberou, ele passeou para frente e para trás na borda do tatame. Você pode fazer isso. Pense nisso como apenas um exercício de treinamento. 98


— Tudo bem, a primeira coisa que você precisa saber é que o triângulo vem a calhar quando você está preso em suas costas e o seu oponente está te socando. Ele engoliu em seco, mas fez-se cair de joelhos na frente dela. — Oh, isso é certo, — disse ela. — Lance estava em suas costas e seu parceiro de treinamento estava entre suas pernas. Desse jeito. — Ela separou suas coxas e foi para frente. Fooodaaa. Ele não estava completamente inserido entre as pernas dela, no entanto, mais limitado por elas, mas para mostrar a ela o movimento corretamente, teria que ficar intimamente perto

de

uma

determinada

área

muito

atraente.

Sua

respiração ficou trancada em seus pulmões. Ele daria seu testículo esquerdo agora para ter em um protetor genital. Qualquer coisa para não esfregar contra seu centro feminino. Ela é um cara. Apenas outro cara que você está lidando. Quando ele moveu seu corpo mais profundo entre os joelhos, as costas de suas coxas roçaram o topo da sua. Seu peito se apertou mais. Concentre-se. — Quando o adversário dá um soco em você, o corpo dele vai avançar, — explicou ele. — É quando você pega o 99


braço enquanto envolve uma perna ao redor de seu pescoço. Então você pega a canela de sua outra perna e a puxa para perto do joelho oposto, travando o movimento. — Ok. Venha. Ele jogou um JAB falso em direção ao lado de sua cabeça. Ela agarrou com ambos os braços, abaixando-o mais perto. Uma perna feminina travada em torno da volta de seu pescoço, pressionando seu rosto para a pele macia de sua coxa enquanto deslizava o seu antebraço diretamente até o calor do seu monte. Duas coxas tentadoras apertadas em torno de seu rosto. Ela o tinha preso. Ele esperava que ela fosse libertá-lo imediatamente. Em vez disso, ela puxou a parte de trás de sua cabeça para baixo um pouco mais longe, trazendo-o mais próximo ainda de uma área proibida. E ele percebeu que ela sabia mais sobre este golpe do que ela deixava transparecer. Ele não tinha contado a ela sobre segurar a cabeça para baixo, o que ajuda a manter o adversário imóvel. Embora ele não estivesse nem perto de estar em perigo de perder a consciência- ela não tinha força para fazer isso- ele estava em todos os tipos de perigo de perder o pensamento coerente. Seu rosto estava a poucos centímetros do seu monte. A pele das coxas dela queimavam suas bochechas. E ele tinha o desejo insano de romper o domínio fraco e enterrar o rosto onde ela estava quase lhe implorando para ir. Então, de repente ela o soltou, e uma exalação tremula saiu da sua boca enquanto ele se inclinava para trás e fechava os olhos. 100


Porra. Ele não ia ser capaz de lidar com muito mais do que isso. Ele não queria essa atração por Gayle. Ele só queria a porra da amizade. Por que ele não podia simplesmente ter a amizade? — Como foi isso? — O quê? — Ele abriu os olhos. Maldita mulher ainda estava de costas, com as pernas bem abertas diante dele. Ele poderia estrangulá-la. Ele se empurrou em seus pés para colocar alguma distância entre eles. — Não foi ruim. — É a minha vez. — De quê? — Eu quero saber o qual é a sensação de estar presa. Então, enrole as pernas em volta da minha cabeça, bonitão. A imagem do rosto de Gayle pousando centímetros acima de seu pênis enquanto ele a colocava no movimento fez a luxúria bater através de seu corpo e a parte do corpo mencionada

anteriormente

ter

espasmos

em

resposta.

Tentando desalojar a imagem alarmante para livrar seu corpo de sua reação ainda mais alarmante, ele balançou a cabeça violentamente. Isso não funcionou. Porra. Ele precisava de algo mais físico. Ele dirigia um punho em um saco, enviandoo girando pelo ar. Isso ajudou – um pouco. Em sua visão periférica, Gayle apoiava em seus cotovelos, a cabeça inclinada em um ângulo, estudando-o

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atentamente. Como se ela estivesse vendo mais do que ele queria que ela visse. Era enervante. — Eu não vou pedir, — disse ela em voz baixa. — Se ou quando você quiser falar sobre isso é com você, mas eu sou uma boa ouvinte, Mac.... Se você precisar de uma ouvinte. O uso de seu nome e não do apelido carinhoso que ela tinha chamado antes, o teve lançando um olhar para ela. Sinceridade estava gravada claramente em seu rosto. Ela tinha visto que ele se apavorou e, em vez de alguma insinuação louca, ela lhe ofereceu um ombro amigo. Havia mais em Gayle Matthews do que uma boca chocante e um bom tempo. — Lance não lhe contou sobre mim? — Ele perguntou em voz baixa. — Faço questão de não me intrometer. — Ela empurrou para seus pés. — Eu acho que quando uma pessoa está pronta para partilhar os seus segredos mais sombrios, ela falará. Tudo o que sei de Lance é que você é seu amigo e você luta. O resto precisa vir de você. E quando você estiver pronto, eu estou disposta a ouvir. — Ela olhou para seu corpo, em seguida, foi para a porta. — Eu não sei quanto a você, mas eu estou fedendo. Preciso de um banho. Uau. Ela não só tinha recuado, mas ela estava lhe dando espaço e deixando-o salvar sua cara. Lance estava certo. Ela era incrível.

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— Hey, Gayle? Ela olhou por cima do ombro, sobrancelha arqueada. — Obrigado. Muitas pessoas não fariam o que você fez. Um leve sorriso em seus lábios. —

Não

nada

a

agradecer.

Eu

estou

muito

familiarizada com o olhar que você tem em seu rosto. Eu não sei que circunstâncias o colocaram lá, mas mesmo a louca Gayle sabe quando recuar. Ela estava familiarizada com o olhar? Como? Quando ela começou a caminhar para a porta de novo, não conseguiu se conter em chamar o nome dela mais uma vez. Por que não podia deixá-la ir embora? E então ele percebeu que ele não queria que ela se fosse. Ele passou as mãos pelo seu cabelo, sem saber como lidar com a súbita percepção. Ele tinha necessidade de espaço, mas ele também precisava saber quando ele a veria novamente. — O que você vai fazer amanhã? Ela se virou e, novamente, seu olhar parecia que estava vendo profundamente em sua alma. — Eu tenho uma corrida. 103


Decepção acertou-o. A emoção dizendo como Gayle o afetou, o quanto ele gostava de estar ao seu redor. — Quer vir? — Acrescentou Gayle. Ele queria? Ele estudou a mulher à sua frente. Seu olhar suave. Paciente. Amável. — Você não precisa de pré registo para essas coisas? — Acontece que eu tenho uma boa amizade com o coordenador. Eu acho que posso puxar algumas cordas. Ele queria aceitar a oferta que ela deu a ele sem pensar. Essa reação perigosa empurrou-o a dizer: — Deixe-me te dar a resposta sobre isso depois, ok? Ele precisava pensar sobre as coisas em primeiro lugar. — Soa bem. Eu te vejo mais tarde, Mac. Ele realmente sentiu falta do seu apelido carinhoso para ele e esperava que não a tivesse assustado em usá-lo. Assim que a porta se fechou atrás dela, ele se sentou em um banco de treino, apoiou os cotovelos sobre os joelhos e baixou a cabeça. Fazia muito tempo desde que ele realmente desejou estar perto de alguém. Ele preferiu ficar sozinho. Sozinho significava que ninguém dependia dele. Que estava a salvo. Não havia risco de falhar com outra pessoa. Ele não queria convidar isso de volta em sua vida. Já tinha feito isso uma vez com consequências trágicas. Um rangido veio da porta do celeiro. 104


— Eu vi Gayle- Ei, cara, você está bem? Mac ficou de pé, esfregando a testa enquanto olhava para o chão, tentando agir como se estivesse procurando alguma coisa. Ele não precisava de Lance sobre as suas coisas. — Sim. Bem. Eu tinha uma corda de pular. Eu não consigo encontrá-la. — Está bem ali, cara. — Ele virou a cabeça em direção ao seu amigo. Lance estava apontando a poucos metros atrás dele com um olhar clássico de que- merda-é-essa? Em seu rosto. Ótimo. Agora Lance pensava que ele estava senil também. Mac pegou a corda. — Cara, eu acho que preciso de uma soneca. — Zumba te esgotou? Será que Gayle fez você mexer os quadris um pouco demais ontem? Com a menção de seu nome, ele endureceu. — Eu não quero falar sobre Gayle, — escapou para fora de sua boca antes que ele pudesse detê-lo. Os olhos de seu amigo se estreitaram. — O que aconteceu? Bem, maldição. Ele tinha apenas entregue isso a Lance numa bandeja de prata, não tinha? A última coisa que Mac precisava fazer era soltar tudo para fora como ele tinha feito 105


no outro dia. Ele alfinetou seu amigo com um olhar de advertência. — Não aconteceu nada. — Mentira. — Ele agarrou as mãos nos quadris. — O que ela fez? — Ela não fez nada — Mac cuspiu entre os dentes cerrados. Mais uma vez um aperto em seu intestino com a persistência de seu amigo. Por que diabo não deixava para lá? — Puta merda, — Lance murmurou com a realização crescendo em seu rosto enquanto seus braços caiam sem energia. — Ela está fazendo isso. Ela está ficando sob sua pele. — Que porra é essa, Lance? Eu só conheci a mulher há alguns dias. Ele não queria pensar sobre como profundamente Gayle tinha ficado sob a pele nesse curto espaço de tempo. Seu amigo olhou para ele, em seguida, fez um barulho de sucção com os dentes e deu um aceno afiado. — Ally ficaria feliz por você. Inferno porra! Ele não queria falar sobre Ally. — Jesus Cristo, eu nem mesmo conheço ela, — Mac rugiu, fúria irrompeu e tomou conta dele completamente.

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Berrando entre dentes fechados, se atirou sobre o banco, enviando-o para cair no chão. — Sim, e é por isso que você está agindo como um louco de merda. — Lance apoiou os punhos em seus quadris novamente. — Seja honesto com você mesmo, pelo amor de Deus. Você gosta dela. Mac apontou um dedo trêmulo para Lance. — Eu estou me preparando para te foder, cara. — Ele atacou em direção à porta. — Me deixa sozinho, Lance. — Não há problema em seguir em frente, Mac. — As palavras de Lance chegaram até ele quando a sua mão fechava em torno da maçaneta. — Ally não iria querer que você se apegasse a ela como você faz. Sua mão reflexivamente apertou ao redor da maçaneta, em seguida, ele girou. — Você não acha que eu sei disso? Você não acha que Ally e eu não ficávamos até tarde da noite com conversas mórbidas sobre seguir em frente se nós perdêssemos um ao outro? — Ele deu um passo para frente. — Bem, nós - porra fazíamos. Eu sei exatamente o que Ally queria para mim. — Mas nunca, em nenhuma dessas conversas, houve um cenário de como remover a culpa de falhar com ela. O pensamento bateu-lhe de repente e duro. Ele recuou e abriu a porta. Ressentimento batendo em seu intestino e ele explodiu cada pedacinho dele em Lance. — Então, cai fora porra. 107


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Capítulo Quatro Que diabos? Enquanto Mac seguia Gayle através dos portões do Kansas Coliseum, ele examinava a linha de tendas pretas e laranjas armadas em torno do perímetro do estádio vendendo biscoitos e alimentos. Música soava a partir de dois enormes alto-falantes posicionados do lado de fora de um pavilhão maior, que abrigava uma estação de rádio local. Homens, mulheres e crianças de todas as idades circulavam, alguns em trajes loucos, outros com roupas normais de corrida. Todo mundo estava rindo e se divertindo muito. Mac, no entanto, precisava de um momento para se ajustar. Gayle definitivamente não tinha sido franca sobre onde ela o estava levando. Esta não era uma corrida – não uma corrida comum, de qualquer maneira. Ele poderia identificar cada pessoa que já havia completado a corrida. Como? Uma camada de lama seca ficou encrustado em sua pele. A mulher insana o levara a uma corrida de lama. Balançando a cabeça, ele sufocou uma risada. Gayle nunca parava de choca-lo. Como diabos ele iria superar isso? 109


Ele não podia. Não havia absolutamente nada que pudesse fazer ou dizer que seria capaz de destronar uma pista de obstáculos sobre um poço de lodo. Nada. Mas ele não sentiu nenhum ressentimento ou raiva por ter sido enganado. A leveza que ele sabia que ela iria trazer encheu seu peito. Sim. Concordar em se juntar a Gayle tinha sido a decisão certa. Depois de fechar-se em seu quarto ontem, a única pessoa em quem tinha pensado quando se sentou sozinho na beira da cama e segurou a cabeça entre as mãos foi Gayle, e no quanto ele realmente poderia usar um de seus gracejos para tirar um sorriso dele – sabendo que de alguma forma ela iria afastar o isolamento. Nesses momentos, ele tinha aceitado que precisava dela... pelo menos por enquanto. Apesar de sua atração por ela o aterrorizar, ela o ajudou a trazer uma leveza de volta que ele não sentia há muito tempo. Ele chamou Gayle ali mesmo e perguntou se a oferta para se juntar a ela para a corrida ainda estava de pé. Não tinha havido nenhuma hesitação, apenas um instante. — É claro que continua, — isso tinha diminuído suas dúvidas persistentes e o ajudou a cair em um sono sem sonhos. Esta manhã, quando ela apareceu em sua porta vestida em um ultra brilhante shorts rosa, um top regata roxo combinando com meias listradas que ela tinha puxado até os joelhos, ele deveria ter sabido que algo estava errado. Mas esta era Gayle. Se ela tivesse aparecido em um maldito

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tutu10, ele poderia ter parado por um instante e depois desconsiderado. Sua segunda pista deveria ter sido quando ela sugeriu que ele pegasse uma muda de roupa. Perguntar o porquê só tinha conseguido um esperto: — Você quer estar em roupas suadas o dia todo? Agora, ele tinha a resposta real. Que ele não ficaria apenas suado. Os shorts de corrida verde-neon e a primeira camisa do patrocinador que ele ganhou como um lutador profissional logo seriam cobertas de lama. Ele não deu a mínima para os calções. A camisa, bem, isso era um assunto diferente. Sim, era velha, mas ele não queria que se arruinasse. Infelizmente, a da reposição não era uma que ele queria em ruínas também. Ele olhou ao redor. Muitos dos caras estavam descalços, peitos cobertos de lama. Supôs que ele estaria fazendo a corrida sem camisa também. Gayle olhou por cima do ombro, lançando uma de suas tranças para o ar. Eram bonitinhas nela. Não eram as baixas que ela usava no dia em que se conheceram. A trança se projetava em cada lado da cabeça e era mantida no lugar com arcos de fita cor de rosa, combinando com o traje que ela usava. Um sorriso surgia a cada vez que ele olhava para ela. — Eu tenho que encontrar Milton, — disse ela. — Ele é o coordenador de que lhe falei. Ele vai ter de arrumar todas as suas coisas. — Ok. 10

Tutu 1984; Tutu, uma saia de tule gaze com várias camadas e comprimento variado, utilizada pelas dançarinas de balé clássico. Fonte – Wikipédia.

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Após cinco minutos se serpenteando por entre a multidão

enorme

de

pessoas,

um

homem

corpulento,

musculoso, com cabelo preto cortado curto, que deveria ser 10 anos mais jovens do que Mac, saiu do nada e jogou Gayle por cima do ombro, girando em torno dela. Mac ficou tenso, então caminhou para frente, já preparado para bater nos dentes do homem, mas, em seguida, ele registrou o riso encantado de Gayle. De cabeça para baixo, ela estalou um tapinha na bunda do homem, assim como ela tinha feito com Mac no outro dia. Será que ela estapeia a bunda de todos os caras? — Milton! Ponha-me para baixo. O homem mais jovem finalmente colocou-a de volta em seus pés, puxou uma de suas tranças, e passou um braço por cima do ombro. — Ei, linda. O sorriso radiante que ela mandou para o homem mexeu com as entranhas de Mac estranhamente, e tudo o que ele queria era levá-la longe deste cara. Também parecia como se ela tivesse esquecido que Mac estava lá. Que porra era essa? Ele limpou a garganta e Gayle olhou para ele. — Oh! Sim! Droga. Ela realmente tinha esquecido que ele estava lá. — Milton! Eu quero que você conheça Mac Hannon.

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— Que diabos, Gayle! Diga certo. Este é Mac 'The Snake' Hannon. — Milton estendeu a mão que não estava descansando no ombro de Gayle para Mac. — Sou seu grande fã! O que o traz para o Kansas? Quando Mac apertou a mão estendida dele, ele tentou manter-se de cara feia para os dedos masculinos balançando um pouco perto demais de um seio perfeito, ou como a proprietária do referido peito perfeito não estava tentando se afastar. — Estou ajudando um amigo no treino. — Quem? — Lance Black. — Nunca ouvi falar dele. — Você ouvirá. Gayle se deslocou para o lado de Milton, trazendo o braço em volta de sua cintura e inclinando o rosto para olhar para ele. — Você conseguiu registrar Mac para participar? O movimento beliscou o intestino um pouco mais duro desta vez, e Mac trabalhou seu pescoço, tentando aliviar a irritação. — Sim, eu peguei os dois pacotes quando eu vi você vindo em direção à tenda de registro. Os seus números e fichas de bebida estão no interior. — Ele estendeu um pedaço 113


de papel e caneta para Mac. — Eu preciso que você assine isso. Mac pegou as fichas dele e escreveu sua assinatura como forma de liberação para que o homem fosse embora. Toda a leveza que sentira havia ido embora e não tinha desaparecido até que este cara tinha aparecido e Gayle tinha começado a bajular o filho da puta. — Seu grupo vai começar a se reunir na linha de partida em cerca de vinte minutos, — disse o homem. — Divirtam-se e certifiquem-se de ficar por aqui mais tarde. — Esse é o plano. — Gayle levantou na ponta dos pés e beijou-o na face. A visão daqueles convidativos lábios que ele tinha lutado para não tomar por dias, agora na pele de outro homem, fazia Mac ranger os molares. — Obrigado por arranjar isso, Milton, — disse Gayle. — Eu te devo uma. — Um favor! — Milton olhou para Mac e balançou as sobrancelhas. Mac jurou que sentiu um estalo no dente. — Você ouviu isso, certo? Ela me deve uma. Mulher, eu sei exatamente o que eu quero. Se esse idiota não desse o fora daqui, Mac seria susceptível a jogá-lo em um dos poços de lama. Felizmente, ele deixou cair um beijo no topo da cabeça de Gayle, em seguida correu em direção as tendas novamente. Gayle virou-se para Mac. — Você leu o que diabos está acontecendo com você? 114


Desde que ele realmente podia sentir a carranca em seu rosto, só Deus sabia o que parecia. Ele com certeza não iriaa expressar a imensa aversão que ele teve por Milton à primeira vista, - nem que ele iria examinar isso. — Portanto, esta é uma corrida de lama. Você, meio que tinha me deixado de fora desse pequeno pedaço de informação. — Eu me esqueci de mencionar isso? Oops. — Uma vez que esta é uma das minhas camisas favoritas, parece que eu vou correr sem ela. — Confie em mim, bonitão, eu não me importo. O calor se espalhou pelo seu peito, facilitando o agravamento. Foi a primeira vez que ela tinha usado seu apelido para ele desde que as coisas tinham ficado estranhas ontem... E ela não tinha chamado Milton por outra coisa senão o seu nome. — Eu ainda teria vindo você sabe, — disse ele. — Eu estava pensando em fazer uma em Atlanta este ano. — Apesar de que essa corrida era, definitivamente, mais séria, uma vez que era uma das corridas de lama mais duras de qualquer lugar. Fantasias não eram incentivadas. A de hoje era apenas uma corrida para ter um bom momento, o que se encaixava com Gayle. — Você pode dançar, e agora você está disposto a chafurdar na lama. Você pode ser tão relutante, eu só não 115


tinha certeza de como você reagiria. — Para suavizar o insulto, ela mostrou a língua. — Orgulhe-se, bonitão. Você me surpreendeu. Duas vezes. Isso não acontece muitas vezes. Ela começou a andar em direção às barracas e ele caminhou ao lado dela. — Quantas vezes você faz isso? — Sempre que um está a uma curta distância. Rick é geralmente o meu amigo de lama, mas ele me deixou na mão. — Rick? — Com quantos homens essa mulher sai? — Ele é um colega de trabalho. — Você é meteorologista, certo? — Sim. — Quando ela parou na mesa em uma das tendas, deixou cair a mochila de seu ombro e a entregou para a pessoa atrás do balcão de check-in. — Se você vai tirar sua camisa, você deve fazê isso agora. Ela encostou seu quadril contra a mesa.... Esperando ansiosamente. A onda de calor passou por cima dele. Sim, ele estava planejando fazer isso sem camisa, mas ele não tinha planejado fazer um show de strip bem na frente de Gayle. — Vamos lá, bonitão. Tire-a. Gemendo, ele puxou a camisa sobre a cabeça, amassou e enfiou-a na mochila que estava a seus pés, em seguida, se endireitou. — Caralho. 116


Ele olhou para Gayle que não estava fazendo segredo para ninguém que ela estava boquiaberta, ou que ela gostou do que viu quando seu olhar apreciava lentamente cada centímetro de seu torso exposto. Uma parte dele queria soprar para fora, deixa-la ter uma visão muito boa, mas ele estava gostando de vê-la ter os olhos nele um pouco demais. Em vez disso, ele se abaixou, levantou a mochila, e se virou para

o

check-in.

A

mulher

atrás

da

mesa

estava

aparentemente rabiscando alguma coisa, porque agora ela estava inclinada sobre um bloco amarelo com um lápis ainda pressionado

no

papel,

congelando...

E

ficou

olhando

descaradamente também. Ele olhou ao redor. Um monte de mulheres também estava olhando. Um calor rastejou até seu pescoço. Fazia muito tempo desde que ele tinha sido objeto de desejo – ou pelo menos tido conhecimento que ele era um objeto do mesmo. — Meu. Meu. Meu, bonitão. Esses abdominais — Gayle finalmente arrastou os olhos longe de seu peito ao encontro de seus olhos — nunca deveriam ser cobertos. Você realmente está fazendo um desserviço para as mulheres em todos os lugares ao fazê-lo. Apesar

de

seu

constrangimento

com

a

atenção

flagrante, seu elogio puxou uma risada fora dele. Quando ele entregou a mochila para a mulher do check-in, que tinha finalmente se endireitado sentiu uma leve carícia de penas em sua caixa toráxica do seu lado esquerdo. Ele se esquivou. — Confiança — disse ela. — Isso é lindo. 117


Sua tatuagem. Porra. Sem uma palavra, ele se apressou passando Gayle para fora da tenda indo para o sol. Com as mãos nos quadris, ele respirou fundo, perturbado pela forma como ainda podia sentir o leve roçar de seus dedos através da pele com tinta. Ally tinha jogado a palavra confiança ao redor como se fosse uma religião. Confie em suas decisões. Confie no seu instinto. Confie que tudo vai dar certo. Confiança, confiança, confiança. Inferno, ela ainda tinha lhe colocado tanta fé neste maldito sentimento que ele tinha alterado permanentemente seu corpo. Um monte de merda foi o que a confiança significou. Confiança não era malditamente diferente do que esperança – duas emoções inúteis da psique humana que vinham para tentar banir o mal. Bastava finalmente ver a verdade. Ele tinha visto isso. Ele tinha aceitado. Nada poderia ser confiável. A esperança era sem sentido. Nenhuma quantidade de confiança ou esperança faria um pingo de diferença. Gayle passou por ele e estapeou algo em seu peito, tirando-o de seus pensamentos sombrios. Automaticamente seus braços subiram para agarrar o quer que fosse, quando ele olhou para baixo. Seu número para corrida. Erguendo a cabeça, ele a olhou de soslaio correndo para o encontro do grupo na linha de partida. Nenhum momento estranho.

118


Nenhuma explicação. Sem olhares enigmáticos. Porra, a mulher era incrível. Eu estou muito familiarizada com o olhar que você tem. Suas palavras de ontem ecoaram de volta. Seria possível que ela estivesse perto de alguém que tinha passado por algo traumático? Era por isso que ela sabia quando recuar? De qualquer forma, ela sabia exatamente quando não empurrar, e ele a apreciava por isso. Prendeu o número em seus shorts, então correu para o lado dela. Depois de ela ter anexado seu numero através de seu estômago, ela estendeu seus braços acima de sua cabeça, e arqueou as costas. Mac sabia que ela estava se alongando, e soube pela primeira vez que ela não estava deliberadamente tentando dar em cima dele... E ainda assim ela fez. O top roxo confortável abraçou seus seios e seus dedos coçaram para estender a mão e tocá-la suavemente como ela o tocou. Porra, isso estava ficando ruim. Era mais fácil ignorar a atração quando ela estava provocando-o, mas a consciência da

atração

estava

se

tornando

constante,

provocada

simplesmente por ela parada lá... Ele não podia ignorar isso. E estava começando a pensar que não queria. — Senhoras e senhores, — uma voz masculina cresceu em cima, assustando Mac de seus pensamentos alarmantes. Graças a Deus. — Trinta segundos.

119


Gayle inclinou a perna atrás dela e agarrou o topo do seu pé com ambas as mãos. Alongamento. Ele provavelmente deveria fazer isso. Qualquer coisa agora para não a ver. Ele seguiu seu exemplo. — Você vai amar isso, — disse ela enquanto mudou de perna. — Quanto tempo dura o percurso? — Quatro quilômetros e quinze obstáculos. — Três... Dois... um. — Uma explosão soou e os corredores começaram a correr para baixo da seção fora do estacionamento. Mac pulou de pé em pé, aquecendo os músculos enquanto esperava a multidão afinar. Uma vez que eles passaram a parte de trás da linha, seu progresso para frente era lento. Uma vez que eles tinham passado o gargalo na linha de partida, as coisas se abriram e eles foram capazes de definir um ritmo. Ele estabeleceu o passo com o de Gayle, certificando-se de ficar ao lado dela. Através da corrida de uma milha11 em uma rua e em uma área arborizada e lamacenta, ele começou a imaginar os obstáculos, se perguntando como seriam. Se ele soubesse que estaria fazendo isso hoje, teria estudado o percurso, para descobrir o que esperar, se certificar de que não haveria nenhuma surpresa. Fazer um plano de jogo.

11

Uma milha é igual 1,609 km

120


Gayle jogou isso longe dele. O fez estar apenas no momento. E havia uma emoção nisso que ele tinha esquecido que sentia falta. Teve um tempo que ele costumava ser uma espécie de cara que curtia o momento. Qual seria a sensação de ser aquele cara de novo? Será que ele queria ser aquele cara de novo? Ele furtivamente lançou um olhar sobre Gayle. Poderia Ser. Pelo menos enquanto ele estivesse aqui. Eles chegaram a um campo aberto com pneus espalhados sobre ele. Cada um deles pegou um e correu cerca de cinquenta metros, em seguida, jogou-os em uma pilha crescente do outro lado. — Os primeiros obstáculos são apenas para nos aquecer — alertou, enquanto continuaram o caminho. — Bom, porque isso foi fraco. Ela deu uma risada sem fôlego. — Basta esperar até que a lama entre em jogo. — É aí que começa a verdadeira diversão? — Oh sim. O próximo obstáculo era uma parede de madeira. Fácil o suficiente para passar por cima, uma vez que foi como subir

uma

escada.

Depois,

eles

desajeitadamente

atravessaram uma ponte de corda fina sobre uma vala rasa, em seguida, uma trave de equilíbrio de aparência frágil. Quando eles se aproximaram de uma engenhoca de trepa121


trepa12, Mac notou a grande poça de lama embaixo. A merda estava prestes a ficar interessante. — Você primeiro, — disse ele. — Vou começar quando você estiver a algumas barras na minha frente. Com a força superior do corpo, ele seria capaz de balançar toda essa coisa sem quaisquer problemas. Mas ele não queria apenas passar por Gayle. — Tudo certo. Ela lentamente – muito lentamente – oscilou de uma barra para a próxima. Vamos, mulher. Com ela pendurada na quinta e sexta barra ele passeou ao longo da borda do poço. Ela não iria fazer isso. O trepa-trepa já era difícil o suficiente quando eles eram retos. Coloque-o em um arco e mais massa muscular, força e resistência eram necessárias para concluir a tarefa. Gayle estava usando toda a dela e apenas balançando enquanto ela se esforçava até o momento para passar para a próxima barra. Mac esfregou a boca, lutando para não começar a bater palmas e gritar com ela para pegar o ritmo. Gayle não era um de seus amigos de treino. Ele não estava no ginásio. Mas sua ponta competitiva o comia agora. O dirigia.

12

122


Quando ela finalmente chegou ao meio, ele passou as mãos em torno da primeira e segunda barra e rapidamente passou o trepa-trepa. Em poucos segundos ele estava ao lado dela. Pela forma como seus olhos se arregalaram e ela engasgou, sua súbita aparição

a tinha assustado. Num

segundo ela estava lá, no outro ela tinha ido embora. Bem na lama abaixo. Porra, isso foi culpa dele. Ele olhou para baixo. A lama vinha acima dos joelhos, e enquanto ela lutava para andar, ela escorregou, caindo de quatro. Imediatamente, Mac deixou ir a barra. Quente,

a

lama viscosa envolvia a parte inferior da sua perna. Como ele se sujava em seu caminho em direção a ela, preocupado que ela iria ficar aborrecida por ele desviar seu foco, ele disse: — Porra, Gayle, me desculpe. Eu não tive a intenção de fazer você perder a concentração. A risadinha cumprimentou suas palavras. Ela levantou a cabeça, e o brilho nos olhos dela fez algo em seu peito expandir. Cacete. Ela não dava a mínima que ele tinha fodido seu progresso. Alguém desviando seu foco o teria tirado do sério. Mas Gayle estava curtindo cada segundo disso. Sem frustração. Sem concorrência feroz. Apenas alegria pura. Ele realmente poderia aprender uma ou duas coisas dela. Quando ela veio para ficar ao seu lado, ele colocou as mãos nos quadris. 123


— E aqui eu pulei em pronto para salvar a donzela em perigo. Mas você parece mais feliz do que um porco na lama. Ela tentou empurrar-se e escorregou, a lama chegando para revestir seu pescoço. Um riso estourou dela enquanto erguia a mão. — Por mais que eu goste de descer e me sujar, esta donzela poderia usar sua ajuda. Sorrindo, ele trancou a mão ao redor da dela revestida de lama e puxou-a para cima. Depois eles praticamente tiveram que rastejar para fora do poço em terra plana, eles se levantaram. Mac olhou a colina de lama feita pelo homem na frente dele-a qual havia se tornado mais lisa pelos muitos outros corredores que tinham ido sobre ela antes deles. E por aqueles deslizando sobre isso agora. — Isso deve ser interessante, — disse ele. — Eu posso dizer por experiência própria, não adianta tentar correr colina acima. Devagar e sempre, bonitão. — Então ela começou a subir o morro de quatro, cavando seus dedos das mãos e os dedos dos pés de seus sapatos na lama. Quando ela chegou longe o suficiente para que ele tivesse por onde começar, ele seguiu o caminho que ela tinha feito. Concentrando-se nos recuos que ela tinha deixado na lama, ele estendeu a mão para uma das marcas profundas feitas por seu pé. Num segundo seus dedos tinham escorregado na superfície viscosa, no próximo, uma massa gritando bateu nele e ele estava descendo a colina em suas costas. Quando 124


chegou ao fundo, a massa pousou em seu peito, tirando um oomph fora dele. Suas tranças sujas de lama lhe deram um tapa no rosto. Riso aqueceu seu pescoço enquanto ela tentava controlar os risos que já a tinham pego. Uma mão revestida de lama feminina repousava sobre a pele nua de seu peito, um lugar que não tinha sido tocado por uma mulher em muitos anos. A sujeira não impediu a forma como este toque acidental chamuscou sua carne, o consumiu. Impossível, ele segurou seu cotovelo na palma da mão, apenas pela necessidade de retomar a ligação. Ela levantou a cabeça e olhou para ele, olhos castanhos tão cheios de vida, a felicidade em seu sorriso, um raio de lama em sua bochecha. Tudo nele se acalmou por um breve momento, em seguida, rugiu de volta com uma vingança. Ele não conseguia se lembrar da última vez que ele quis beijar uma mulher. Ally. Seu rosto sem vida nadou diante de seus olhos. A respiração áspera gaguejou fora dele enquanto ele lutava para desligar a memória dolorosa que ameaçava explodir diante de seus olhos, e ele soltou o cotovelo de Gayle. — Eu disse que era divertido, — ela sussurrou seu sorriso desaparecendo um pouco quando ela se sentou e olhou para longe dele. Mac piscou na parte de trás de sua cabeça. Ela tinha visto sua luta, e isso o fez se sentir ainda pior. Nada disso era 125


culpa dela. Gayle era bonita, divertida e carismática. Se ele estivesse inteiro, não teria hesitado com ela. Mas ele não estava, estava destruído.... Arruinado. Precisando

tirar

isso

do

território

de

Mac-está-

arruinado e de volta para a terra da diversão, ele empurrou em seus pés e estendeu a mão para ela. — Vamos tentar isso de novo. Mas, desta vez, sem você ser como uma bola de boliche e eu os pinos. Rindo, ela enfiou a mão na dele, e ele a puxou para cima. — Eu não faço promessas bonitão. Vendo

que

constrangimento

ela

estava

passar,

ele

disposta exalou

a

deixar

aliviado,

e

o eles

começaram a sua segunda tentativa. Após a quarta vez que eles caíram – as quais todas foram causadas por Gayle – o momento mais cedo era uma memória esquecida quando Mac se levantava e batia a palma da mão contra as pontas dos dedos da outra mão, fazendo o sinal universal para fim. — É isso aí! Tempo Esgotado! Em seu desabafo, os olhos de Gayle rolaram e ela soltou o ar em seu rosto, fazendo-os soprar para fora. A visão imediatamente aliviou sua frustração, e ele riu. Ele não estava frustrado com Gayle, apenas com a maldita colina. Felizmente, eles não eram os únicos a ter problemas. Apesar

126


de cada vez que alguém finalmente chegava ao topo ele amaldiçoava para o inferno. — Eu estou indo para cima dessa coisa e eu vou levar você comigo. Ele queria fazer isso a dois tombos atrás, mas ela não parecia incomodada com a rotina de escorregar-e-deslizar então ele manteve a boca fechada. Se ele fizesse mais uma viagem abaixo nesta colina, no entanto, ele perderia sua merda. Travando uma mão em torno de seu pulso, ele começou a tediosa subida, arrastando-a atrás dele. Toda vez que ela perdia o equilíbrio, ele jogava seu peso para frente e puxava o braço dela para manter o ritmo e não o levar para baixo. A subida foi lenta, mas, finalmente, ele conseguiu chegar a meio metro do topo. Apoiou seu corpo e puxou-a para o seu lado. — Você primeiro — disse ele. Enquanto ela se arrastou por cima do pico para a terra plana, ele manteve a mão para empurrá-la sobre a crista caso ela escorregasse. Uma vez que ela chegou ao topo, ele subiu ao lado dela, e eles ficaram em pé. Ela imediatamente perdeu o equilíbrio. Instintivamente ele a pegou pela cintura e a puxou para seu corpo para impedi-la de fazer uma viagem ainda mais longa colina abaixo. No segundo em que o calor de suas mãos encontrou seus bíceps, ele registrou que estava segurando Gayle. Coberta de lama, rindo. Em seus braços. 127


A vida o chamou. Ele apertou a boca na dela. Imediatamente, ela se acalmou, os lábios amoleceram sob os seu. Ele gostou da forma como eles se encaixaram, gostou do aperto de seu corpo. Queria abraçá-la. Se aprofundar nela. Bem quando ele estava prestes a puxar a parte de trás de sua cabeça e fazer exatamente isso, um corredor de passagem deu um assovio e Gayle se afastou, estudando-o.... Atentamente. A realidade do que ele tinha feito bateu nele. Puta merda. Ele beijou Gayle. Sem pensar. Embora não tinha sido o melhor primeiro beijo – breve, inesperado – ele sentiu a gravidade deste momento na sua base. Enquanto ele olhava para ela, ele passou os dedos em seus lábios e engoliu. Gayle o fez estar no momento e não se lembrar das falhas de seu passado. Nada além da luta tinha feito isso por ele nos últimos anos. Isso assustou para caralho, mas ele queria tão desesperadamente se agarrar isso ao mesmo tempo. Seu olhar amoleceu, ela apertou seu bíceps, um pequeno sorriso curvando sua boca. Ela simplesmente disse, — Ok, — em seguida, virou-se e meio que escorregou meio que correu pelo caminho de lama. Ele não tinha certeza do que ela quis dizer com isso, mas a maneira silenciosa, reconfortante que ela tinha dito a palavra aliviou a pressão do momentoe lhes permitiu continuar. E ele fez. 128


Obstáculos após obstáculo vieram para eles depois disso. Subiram uma rede de corda, rastejaram através de túneis e entraram na lama até a cintura. Quando chegaram a uma parede extremamente elevada de escalada

não havia

um centímetro de seu corpo que não estivesse cheio de lama, o que fazia manter o controle difícil. Enquanto subiam degrau por degrau, o pé de Gayle escorregou e ela caiu. A pancada de seu braço batendo em um dos apois de mão fez Mac assobiar. Ele olhou para baixo a tempo de vê-la bater no chão com força suficiente para rolar para trás. Merda. Preocupação torceu seu estômago, ele pulou e correu para o lado dela enquanto ela estava se levantando. — Você está bem? — Ele perguntou, procurando em seu corpo por algum ferimento, nervoso com o medo apertando o peito e dificultando a respiração. — Não seria uma corrida na lama se eu não caísse da parede de pedra. — Sua risada e sorriso fez balançar a cabeça em uma reação instintiva. — Esta parede sempre me dá problemas. Ela está bem. Relaxe. — Oh, nós conseguiremos fazer isso. — Deixando de lado o momento estranho, Mac escalou o muro e montou o topo. Ele estendeu a mão para baixo. Gayle piscou para ele. Ele estendeu os dedos para os dela e ela hesitantemente deslizou sua mão na dele. Como ele a levantou com 129


facilidade, ela gritou. Ele não iria deixá-la ir até que ele soubesse que ela estava ancorada em segurança no topo. Ela virou os olhos arregalados em cima dele. — Puta merda. Será que você realmente acabou de fazer isso? Então seu olhar varreu seu bíceps e um ruído apreciativo passou por aqueles lábios doces. — Rick está demitido. Você é tão somente meu novo colega de lama. Ele nunca teria sido capaz de simplesmente me levantar desse jeito. Em seguida, ela deslizou para baixo do poste do outro lado e caiu no chão. Quando ele a seguiu, o ruído apreciativo que ela fez soou em sua cabeça e caiu para sua virilha, fazendo-o perder o

pensamento

coerente

por

um

momento,

enquanto

observava sua bunda enlameada desaparecer sobre o capô de um carro. Ele a queria. Não havia mais razão para lutar contra isso. Mas o medo que sentira por sua segurança apenas alguns segundos atrás pesava em seu peito. Querendo ela era uma coisa. Se preocupar com ela era algo totalmente diferente, e isso o fez imediatamente querer colocar distância entre eles. Gayle pulou de trás de um carro. — Não me deixe perdê-lo agora bonitão. Venha!

130


Ela não tinha ideia de que havia mais para aquela afirmação do que ficar para trás na corrida. Ele estava em uma

maldita

encruzilhada

e

ele

sabia

disso.

Se

ele

continuasse, ele estaria começando um novo capítulo na vida. Será que ele realmente queria isso? O futuro que ele tinha agora era claro. Nenhuma mágoa. Nenhuma ligação. Nenhuma preocupação. Nenhuma vida real. Se ele permitisse que as pessoas entrassem então se abriria para tudo isso novamente. Mas ele não podia mais evitar andar suavemente por aí com Gayle. Ele a queria. Era hora dele ou seguir em frente e arriscar tudo ou voltar e jogar seguro. Ambos eram tentadores para caralho.

Gayle inclinou a cabeça para o lado e viu Mac ficar parado. Uma expressão estranha torceu o rosto bonito. Uma mistura de confusão e melancolia. Ela não sabia o que estava acontecendo em sua cabeça, mas era sábi attachments sda o suficiente para permanecer em silêncio enquanto ele trabalhava através do que quer que tivesse provocado isto. A terceira vez no dia. Ela havia notado todo e cada instante que Mac começou a lutar com um demônio interno. Depois de terem 131


parado em um monte na parte inferior do morro de lama, ela percebeu que ele queria beijá-la. Então este sofrimento devastador entrou em seus olhos e ela o deixou escapar. Depois que ele realmente a tinha beijado ela não tinha certeza de quem tinha ficado mais chocado, ele ou ela, mas o seu coração havia se expandido no momento que arregalou os olhos. E ali mesmo, ela tinha tomado a decisão de que ela poderia ser paciente. Ela não sabia se o que ele estava passando era uma ferida fresca ou uma velha, mas ele estava lutando, porque ele a queria. E ela o queria. Terrivelmente. Então, ela daria a ele o tempo para trabalhar através de seus problemas. Se alguém sabia sobre ter que fazer isso, era ela. Inferno, ela sabia que existiam algumas questões que você

nunca

realmente

consegue

passar,

você

acabava

encontrando uma maneira de viver com elas. Depois que ela perdeu seu namorado de longa data e sua família, levou mais dois corações partidos para ela, finalmente, encontrar uma maneira de lidar com seus problemas de abandono. Por que isso tinha levado tanto tempo para ser percebido estava além dela. A resposta foi tão simples. Ainda era. Deixar antes de se apegar. Os últimos dois anos tinham sido os mais felizes e com menos corações quebrados que ela teve desde a tragédia. O rosto sorridente de Sam se formou em sua mente por um momento. Seu cabelo escuro, indisciplinado indomável como sempre. Seus olhos verdes brilhando com o amor que ele tinha por ela. Tão malditamente jovem. Eles nunca 132


sequer tiveram a chance de começar o futuro que passaram anos falando. Seu coração apertou com força uma vez. Ela permitiu

que

seu

primeiro

amor

dominasse

seus

pensamentos por um breve momento, valorizando-o ainda mais por ser o único homem, além de seu pai, que tinha a contragosto

abandonado.

Em

seguida,

ela

o

colocou

cuidadosamente de volta no passado – onde ele pertencia. O único futuro que ela teria com Sam – ou com a família que ela desesperadamente ainda sentia falta – era na pesquisa científica que ela prendeu sua bunda para fazer, esperando que, um dia, ela pudesse evitar que o seu destino acontecesse com mais alguém. Quando ela surgiu a partir de seus demônios, ela percebeu que Mac ainda não havia se movido. Corredores passavam dando-lhe expressões confusas. Quando ele lhe lançou um olhar, ela enviou-lhe um sorriso, dando-lhe permissão para continuar sem parar. Vamos lá, bonitão. Escolha o presente. Se eu posso fazer isso, você também pode. Ela entendia a guerra muito bem. Viu-se há sete anos refletida na batalha interna de Mac do presente. Era muito mais fácil agora deixar o passado à distância. Nem sempre foi assim, um monte de falsos começos e mágoas tinham chegado primeiro. Se ele estava apenas começando seu caminho para a cura, ele teria uma longa jornada pela frente. Seu corpo tremeu uma vez. E então ele começou a avançar, subiu em cima do carro e parou ao seu lado. Mesmo 133


quando ele sorriu para ela, as emoções não chegaram a atingir os olhos. E havia uma nova rigidez no conjunto de sua mandíbula. Uma triste determinação. — Vamos acabar com isso, — ele estendeu a mão. Ah, bem. Aceitando sua oferta, ela apertou a mão enquanto uma ardência picava na parte de trás de seus olhos. Esta tinha sido uma decisão muito difícil para ele. Tantas perguntas surgiram, querendo explodir de sua boca, mas ela as empurrou de volta. Depois que sua família morreu, ela odiava receber perguntas, ser o centro das atenções enquanto a pessoa que perguntava olhava com expectativa para ela. Ela jurou que ela nunca faria isso a outro ser humano. Talvez um dia Mac se abrisse com ela. Até então, ela seria o que ele precisava. Alguém para trazer um pouco de diversão de volta em sua vida. Isso ela poderia fazer. Ela puxou a mão livre, o golpeou na bunda e saiu correndo. Uma risada seguiu e ela sorriu. A angústia do momento tinha sido quebrada e eles desviaram de volta para o percurso feliz. Mac correu ao lado dela. Eles chegaram a uma variedade de cordas penduradas em uma árvore. As pessoas estavam usando-as para se saltar através de um poço cheio de água barrenta.

134


— Damas primeiro. Lama cobria suas mãos e a corda a partir da quantidade de pessoas que tinham balançado para o outro lado na frente deles. — Nós não vamos fazer isso através da água. Você sabe disso, certo? — Fale por você. Parece que você está precisando de um bom banho, de qualquer maneira. Ela endireitou sua postura. — Sério? Isso é um desafio? — Claro. Por que não? Ela olhou para ele. — Ok. Quem passar para o outro lado sem cair ganha o a escolha de fazer o outro fazer alguma coisa. — Tipo? — Jogo aberto, bonitão. A alguma coisa pode ser pedida a qualquer hora, em qualquer lugar. Seu

olhar

se

iluminou

com

travessura. — Eu gosto dessas condições. — Temos um acordo, então? — Oh sim. Nós temos um acordo. 135

algo

que

lembrava


Sem esperar, ela se levantou, enrolou as pernas em torno da corda e segurou. Na metade do caminho, o aperto dela escorregou, mas ela se agarrou na corda e pousou em segurança no outro lado. Ela deu um grito de vitória. Ela se virou para ver Mac segurando outra corda. Ele se levantou e imediatamente escorregou, caindo na água abaixo. Ele nadou para fora, em seguida, subiu ao seu lado. — Hey! Você caiu de propósito, — disse ela em indignação fingida. Um sorriso malicioso que ela nunca tinha visto antes levantou um canto de sua boca assim como um brilho entrou em seus olhos. — Você nunca saberá. Em seguida foi ele quem saiu. Atordoada, ela ficou olhando para ele. A emoção estremeceu através de seu corpo. Seja qual for a decisão que Mac tinha tomado antes tinha libertado um lado dele que ela mal podia esperar para conhecer. Ela correu atrás dele. Eles saíram das árvores e viram uma nuvem de fumaça preta a distância. Eles deviam estar perto da linha de chegada. Eles saltaram sobre fardos de feno, pularam uma fogueira, então se arrastaram de barriga sob arames farpados na lama grossa. De mãos dadas, eles rebolaram seu caminho em toda a linha de chegada, rindo cada vez que o outro escorregava. Um voluntário entregou a 136


cada um uma medalha de conclusão. Quando eles cruzaram a linha, Mac passou um braço em volta da cintura e a puxou para ele. A lama aglomerada em seus corpos foi esmagada entre eles. A sinceridade em seu rosto a fez prender a respiração. — Obrigado, — foi tudo o que disse. Ela queria que ele a beijasse novamente, para pegar daquele muito breve, mas extremamente elétrico beijo de mais cedo, mas ele a soltou e deu um passo atrás em seu lugar. — Agora, aonde vamos para nos limpar? — Perguntou. — Você não vai ficar limpo, limpo, mas eles têm mangueiras ali. — Ela apontou para uma área onde um grupo de pessoas que tinham se reunido estavam sendo pulverizadas com água por voluntários. — Isso tira o pior. — Vamos lá, então. — Como ele foi nessa direção, agarrou a mão dela. Ela o deixou puxá-la atrás dele, seu coração vibrava. Havia algo extremamente excitante sobre a sua grande mão masculina engolindo uma muito menor feminina. Inferno, na maior parte era apenas o homem. Apesar de toda a bagagem que ele carregava, Mac tinha chamado o seu lado sexual desde o momento em que ela girou ao redor do lado da casa e molhou-o com a arma de água. Estava tomando uma enorme quantidade de contenção para se impedir de saltar no 137


homem. Se ele fosse qualquer outra pessoa, ela teria saltado. Mas se ela queria Mac em sua cama, ela teria que deixá-lo assumir a liderança e andar seu próprio ritmo. Eles chegaram ao grupo de corredores, e Mac desviou para o meio, em seguida, puxou-a na frente dele. Só porque ela tinha que levá-lo devagar não significava que ela não poderia provocar um pouco certo? Fazer a mente dele andar na direção em que ambos queriam que fosse. Um dos voluntários arqueou uma mangueira para que o spray atingisse onde eles estavam. Gayle enfrentou Mac. Centímetros separavam seus seios de seu peito cinzelado, revestido de lama. Inclinando a cabeça para trás, ela deixou a água escorrer sobre o rosto e a parte superior do corpo, em seguida, passou a palma da mão sobre o pescoço e o peito. Ela levantou a cabeça e o ar saltou fora de seus pulmões com a forma que Mac estava olhando para ela. Enrolado. Pronto para dar o bote. Seu olhar entrou em confronto com o dela e o calor lá quase a queimou no lugar. No entanto, ele não se mexeu. Apenas observou. Mantendo o seu olhar conectado ela deixou um sorriso atrevido sair dos lábios e continuou a passar as mãos nos lados de seu rosto, o pescoço, os topos de seus ombros, braços e parte superior do seu peito. Ela manteve o movimento PG (censurado)13 para aqueles ao seu redor, mas ela

não

tinha

dúvidas

de

13

que

os

pensamentos

que

PG (Parental Guidance) literalmente — Orient ação dos pais, — classific ação dos EUA para filmes. Como no Brasil não temos uma classific ação parecida deixei em inglês para não perder o sentido.

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atravessavam a mente de Mac eram tudo menos direcionado para a família. Quando ela tirou o pior da lama de cima dela, ela aguentou firme e tocou suas bochechas rosto. Ele empurrou, mas não se afastou então ela tomou isso como incentivo. Ela lavou os traços de lama no rosto e pescoço. O tempo todo o seu olhar aquecido ficou fundido com o dela enquanto seus braços ficaram ao seu lado. Seus mamilos apertados. Algo que ela tinha pensado para provocá-lo tomou uma curva à esquerda diretamente para intensidade. Quando ela finalmente conseguisse Mac onde ela queria – em sua cama – ele não seria ressabiado como foi desde que ela o conheceu. Não, o homem seria magistral. Dominador. Mesmo enquanto ela pensava que era a única no controle, não seria. Ele seria. Sexo com este homem seria incrível. — Eu acho que você está limpo, — disse ela. Ele não estava. Ela ainda não tinha tocado seu torso, mas ela não podia ir para lá. — Sério? Eu diria que eu ainda estou muito sujo. — Ele acenou com a cabeça para baixo para seu peito. O olhar aguçado que ele lhe deu a enlaçou. Foi um daqueles momentos em que tudo ao seu redor desaparece no fundo. Tudo o que ela via eram os olhos marrons com alma cheia de calor e promessas dirigidas a ela, e a maneira como ele nunca, nem uma vez, durante todo o seu show, tirou o seu olhar de cima dela – e isso era muito íntimo. 139


Ela deu um passo para trás pela primeira vez. — Não, você está limpo. Um sorriso torto veio aos seus lábios quando ele pegou a mão dela de novo e disse: — Covarde, — em seguida, puxou-a para fora da multidão. Ela piscou. — Só não queria ser presa. Era realmente isso ou se ela simplesmente passou tantos anos sendo a dominante que ela não tinha certeza do que diabos fazer como sendo a submissa?

As mãos dela em seu corpo tinham sido tão gostosas. Quando Mac puxou a camiseta sobre a cabeça na tenda do vestiário, ele ainda podia sentir o calor de suas mãos deslizando para baixo nos lados do seu pescoço. Era como se a mulher o tivesse marcado lá fora e ele queria sacudir e surrar com toda a luxúria que o seu toque abrasador trouxe Deus, ele não se sentia assim há anos. Consumido com a luxúria crua.

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Ele a deixou vê-lo também. Ela precisava vê-lo. Ele tomou a decisão de ir com tudo, o que significava não mais hesitar com ela e deixar a atração correr livre. Nos últimos dias ela o observou lutar. Ela precisava ver que havia um homem debaixo de toda a bagagem. Um homem que queria e iria levá-la. Ele tinha um pequeno conhecimento sobre Gayle a partir do seu encontro também. Ela tinha lido suas intenções claramente, tinha se afastado de seu desafio. Ela estava acostumada a ter a vantagem, provavelmente se sentiu no controle da situação quando ela era a pessoa que conduzia as rédeas. Junte-se ao clube. Eles

poderiam

provar

uma

combinação

muito

interessante. Ele olhou a frente para ver o que essa dinâmica acendeu entre eles. Depois que ele enfiou os pés num par de chinelos, ele deixou a tenda em busca dela. Encontrou-a de pé pelas tendas de refresco. Ela trocou para um par de shorts jeans e um top de alcinhas rosa. Ela também usava chinelos combinando. Lama seca riscando suas pernas. Ela se virou e seus olhares conectaram. Ela sorriu. — O que os homens têm com camuflagem? Ele olhou para seus shorts cargos camuflado. — E eu aqui pensando que era o tal. 141


— Oh, o tal é quente também. — Ela passou a mão sobre seu exposto bíceps. Parecia que ela tinha reunido a compostura novamente e estava tentando tomar de volta a mão superior. Ele iriaa deixar... por agora. — Que tal tomarmos essa cerveja que ganhamos e algo para comer? — Sugeriu. Seus lábios dividiram em um sorriso prazeiroso. Sim, ela

definitivamente

acreditava

que

tinha

a

vantagem

novamente. — Isso soa muito bem. Em poucos minutos, eles estavam tomando uma cerveja gelada. Mac tinha escolhido um hot dog enquanto Gayle tinha escolhido um chilli. Eles encontraram uma mesa de piquenique para ouvir a banda ao vivo. Mac esperou que ela sentasse, então sentou ao lado dela, fazendo sua coxa pressionar a coxa dela. Ela congelou por um segundo e lhe lançou um olhar. Ele teve de tomar um gole de cerveja para segurar uma risada. Isso era divertido. Gostava de jogá-la fora do equilíbrio. Deus sabia, a mulher o tinha mantido na ponta dos pés desde o momento em que ele a conheceu. Era hora de ele retribuir o favor. Ele se inclinou e sussurrou: 142


— Essa faixa de lama entre seus seios é muito sexy. Sua boca abriu e sua cabeça caiu para frente para olhar para o decote dela, então ela deu uma risada gaguejada e apontou a colher para ele. — Você é tão perigoso quanto eu. Sorrindo, ele tomou outro gole de cerveja apenas para fazer uma carranca quando Milton veio e se sentou praticamente no colo dela. Ele não tinha gostado da familiaridade entre os dois mais cedo, e ele gostava muito menos agora. E ainda o incomodava que isso o estava chateando. — Ei, linda. Como foi a prova? — Tão emocionante como sempre. Qual é a sua opinião, Mac? — Não será a minha última, especialmente se Gayle vai ser minha parceira. Milton apertou o braço em volta dela. — Gayle é muito impressionante, não é? Ela correu comigo em um par de corridas ao longo dos anos. É sempre uma aventura quando ela está envolvida. Mac ficou tenso. — Há quanto tempo vocês se conhem? — O quê? Dois ou três anos? Gayle ensinou em um seminário que eu participei há alguns anos. Eu andei atrás 143


dela depois porque eu tinha que pegar o telefone da bela professora. — Ele sorriu como um tolo. — Vocês costumavam sair? — Ele lidaria com a parte de professora depois. — Costumavam? Inferno, nós ainda falamos ao telefone de vez em quando. O que você diz baby, esta noite? Nove horas. Na sua casa? Uma punhalada do fogo do ciúme perfurou intestino do Mac. Gayle bateu Milton no braço. — Quer parar! Sua esposa de três anos está logo ali. — Ela apontou para a mulher de cabelos escuros distribuindo cervejas. — Eu conheci ambos no seminário. Milton se inclinou conspiratório. — Eu me esqueci de mencionar que ela fala comigo e com minha esposa de vez em quando? — Pelo amor de Deus, Milton. Ele riu,e em seguida, levantou-se. — Eu tenho que voltar. Que bom que você veio Gayle. — Ele balançou as sobrancelhas e Gayle revirou os olhos, balançando a cabeça. — Não ligue para ele. Milton gosta de ser chocante. Ele gosta de provocar a reação nas pessoas. Ele é inofensivo, apesar de tudo. 144


Mac deixou cair o resto do seu hot dog no recipiente e limpou a boca com um guardanapo. Ciúme. Que porra do inferno? Gayle não era permanente. Ela era temporária. Esse era o compromisso que ele queria mais cedo. Mantenha seu emocional

à

distância,

mas

permita-se

ter

algum

divertimento. Gayle era a pessoa perfeita para fazer isso – mas ele não planejou que isso fosse mais do que um bom tempo enquanto ele estivesse aqui. Ele precisava dizer isso a ela, tanto quanto ele precisava lembrar a si mesmo, aparentemente. — Ei, qual é o problema? —

Podemos

ser

sinceros

um

com

o

outro?

Perguntou. Se ela não gostasse do que ele tinha a dizer, provavelmente seria melhor terminar agora, de qualquer maneira. — Eu prefiro a honestidade. — Eu só estou aqui por algumas semanas enquanto eu ajudo Lance a treinar. — Sim, eu sei. — Você realmente tem sido persistente em passar um tempo comigo, por isso, se você pensou num relacionamento duradouro, esqueça, não vai acontecer. Eu não estou procurando por um. Ela piscou para ele. — Meu Deus. Você está falando sério? 145


Sua resposta o confundiu. — Sim. — Por que é que quando um homem persegue uma mulher ele só quer sexo, mas quando uma mulher persegue um homem, ela está tentando amarrá-lo? — Ela se inclinou para frente. — Aqui está uma pequena informação para você Mac. Há um monte de mulheres por aí que não estão à procura de algo mais do que um bom tempo. Eu sou uma delas. Eu vi você. Pensei que você fosse gostoso para cacete, e queria transar com você. É simples assim. Depois de suas palavras ele respirou fundo. Deus, a mulher realmente não guarda nada. Ela provavelmente seria da mesma forma na cama. E o pensamento fez um aperto no seu estomago. — Eu vou perdoar um pouco este seu preconceito porque eu tenho a impressão que você ficou fora do cenário de namoro por algum tempo e eu posso ver porque você tomou minhas ações do jeito que você fez. Mas, será que estamos claro agora? Ele engoliu em seco. — Perfeitamente. Ela sorriu e apertou seu antebraço. — Ótimo. Agora, o que você gostaria de fazer com o resto do dia? Ele sabia exatamente onde o dia estava indo. Nada iria para-los e ele não iria lutar contra isso.

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— Eu quero fazer o jantar para você — disse ele. E acrescentou significativamente — Na sua casa.

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Capítulo Cinco Mac verificou a sacola de mantimentos pela quinta vez para se certificar de que tinha tudo embalado. Nervos do caralho. Desde que voltou da corrida, o fato de que fazia anos desde que ele esteve com uma mulher, pela primeira vez, tinha começado a levar a melhor sobre ele. Ele foi muito bem até que pegou emprestada a caminhonete de Lance e correu ao supermercado para comprar o que precisava para preparar o jantar. Então a realidade lhe tinha dado um tapa no rosto. Onde? No corredor do preservativo. Ele não tinha comprado proteção em mais de uma década. A grande variedade apresentada quase o fez perder a calma. Brilham no escuro? Realmente? No final, ele acabou pegando uma caixa com nervuras extra. Os nervos eram temporários, sendo uma situação ―mente-sobre-matéria‖. Ele sempre ficava nervoso antes de ele tomar a caminhada para enfrentar o seu adversário. Infelizmente a sua necessidade de estar preparado deu luz a um caso grave de consciência: caralho-ele-ia-ter-sexode-uma-noite. Fez pensar coisas estúpidas como: porra e se ele estivesse enferrujado? Ou desajeitado? O inferno que ele estaria. 148


Assim que ele visse Gayle esta noite todo o desejo furioso iria assumir o controle novamente e ele iria dominar a merda de sua cama. Assim como fazia na gaiola. Oh, sim, ele o faria. Porra, ele gostava dessa nova forma de pensar. Enquanto ele lutava contra seus demônios no caminho, Gayle se tornou o seu hoje – sua no momento. Ela não era o seu futuro – e felizmente ela estava na mesma página que ele sobre isso, mas ela era um símbolo do futuro que ele poderia esperar para ter com alguém, algum dia. Pegar a mão de Gayle tinha sido a coisa mais difícil que ele já tinha feito. Mas ele tinha feito isso. Ele havia dado um passo enorme na direção de deixar as pessoas entrarem na sua vida novamente. Aterrorizou a porcaria fora dele. A porta de tela dos fundos guinchou aberta, em seguida, fechada. Olhando por cima do ombro ele viu Lance entrar na cozinha. — Hey — disse o amigo. À exceção de emprestar seu caminhão, ele e Lance não tinham realmente falado desde a noite passada. Parecia que limpar o ar com seu amigo estava se tornando uma parte constante de estar de volta ao Kansas. — Você estava certo. Gayle está sob a minha pele, e eu estava assustado para caralho. Eu estava lutando com a minha atração por ela. 149


Lance olhou-o calmamente. — Tudo dito no tempo passado. Mudou alguma coisa? — Gayle me levou a uma corrida na lama. — Mac exalou com o que pode ter soado como resignação, mas não era. — Ela tem um jeito sobre a vida. Ela só gostava de cada maldito segundo que estávamos lá fora. Ela me fez querer aproveitar. Eu não tinha me sentido assim em um longo tempo e eu a beijei. Senti-me bem. Certo. Então, sim, algo mudou. Ele

esperou

Lance

responder,

mas

tudo

o

que

conseguiu foi um aperto no ombro quando Lance passou. Antes que ele saísse da sala, seu amigo disse: — Ela será boa para você Mac. Olhando para o batente vazio, esperava que Lance estivesse certo, e isso não fosse o maior erro de sua vida. Tomando uma respiração calmante, recolheu as sacolas e começou a caminhada pelo campo. Quando chegou à beira de seu quintal, Gayle saiu para sua varanda e uma sensação desconhecida espremeu dentro do peito. Um sorriso puxou seus lábios. Sem mais nem menos as horas de nervosismo foram embora. — Hey, bonitão — ela chamou. Ela atravessou o gramado em seu vestido tomara-quecaia amarelo pálido. Os topos de seus ombros eram ligeiramente rosas pelo dia de sol e seu cabelo castanho 150


pendurava livremente em torno de suas curvas esbeltas. Ele subiu as escadas e seu sorriso se libertou com seus pés descalços. — Ei, você mesma, — disse ele quando ele descolou sua língua para a imagem tentadora. Ela abriu a porta e fez sinal para ele ir para dentro. A sala modesta foi decorada em cores tão não- Gayle que ele foi pego de surpresa. — As paredes brancas e móveis beges não combinam com você. A casa não tinha nenhum sentimento de Gayle em nada. Sem imagens na parede. Nenhuma personalidade. Mesmo o tapete no chão de madeira de cerejeira era apenas uma mistura chata de cores neutras. A risada soou atrás dele. — Decoração é superestimada. — Ela apontou para a esquerda para outro quarto. — Isso é uma sala bônus. Eu passo mais tempo lá do que aqui. Ele esticou o pescoço para olhar para dentro. Laptops e um monte de equipamentos não familiares. — Como um espaço de trabalho? — Sim. Eu realmente só uso a sala de estar quando eu tenho Skylar aqui ou assisto a um filme. — Ela apontou para as escadas. — É claro que é o andar de cima. Dois quartos e 151


um banheiro completo lá em cima. — Enquanto ela caminhava pela sala de estar, ela apontou para uma porta do lado esquerdo. — Há um lavabo aqui embaixo. Esta é uma casa muito menor do que a de Lance. — Ela desapareceu por uma porta na parte de trás da sala de estar. — E esta é a cozinha. Agora, isso não era tão ruim. O espaço ainda não tinha nada de Gayle, mas ele amava as paredes de madeira polida. Muito rústico. A cozinha não era enorme, apenas uma configuração em forma de U com uma quantidade limitada de espaço no balcão. O fogão foi posicionado de modo que quando ele cozinhasse ainda pudesse conversar com alguém sentado à mesa. Ele colocou as sacolas no balcão. — Estou morrendo de fome. O que vamos comer? — Courgette cozida e risoto de cogumelos. A expressão vazia que ela lhe deu o tinha tossindo para cobrir uma risada. A mulher não tinha ideia do que inferno era isso. — Hum. Parece delicioso. — Não vai levar muito tempo. Já pré-cozinhei tudo, exceto o risoto. — Bem então faça bonitão. Aquele chili não ficou comigo por muito tempo. Estou faminta. —Isso não pode acontecer.

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Depois que ela lhe mostrou onde as panelas estavam ele passou a trabalhar no aquecimento do caldo de frango em uma panela, em seguida, aquecer o azeite em outra panela. Ele acrescentou o arroz arbóreo com um pouco de vinho branco. Enquanto esperava por ele borbulhar ele estava ciente de Gayle o observando da extremidade do balcão. Tinha passado um longo tempo desde que ele cozinhou para uma mulher e ele descobriu que ainda gostava. — Você sabe o seu caminho em torno de uma cozinha, — refletiu. — Eu deveria. Eu costumava ser um chef. Um momento de silêncio seguiu. Ele olhou para ela. Ela estava de pé em linha reta em vez de se inclinar contra a borda do balcão. Ela balançou a cabeça. — Você está brincando, certo? — Não. Eu costumava ser o chefe de cozinha do Toscana em Kansas City. O queixo dela caiu. — Isso é tipo assim, o restaurante mais caro no Missouri. — Uh, sim, eu sei. — Ele riu da sua expressão chocada. Ela

fechou

a

boca,

depois

balançou

a

cabeça

novamente. Puta merda. Gayle Matthews realmente ficou sem palavras. Ele nunca pensou que veria o dia. 153


— E você me deixou te alimentar com minha comida? — Ela apertou as mãos ao rosto. — E estava fria. Estou horrorizada. — Se você se lembra, a parte fria foi minha culpa. — Ele acrescentou o caldo aquecido no arroz. — E mesmo fri, o frango que você fez estava adorável. Ela fez uma careta. — Sim, ele realmente se compara ao bláh-blee-blue que você está cozinhando. Risos saltaram para fora de sua boca. — Courgette e risoto de cogumelos selvagens. — Como eu disse bláh-blee-blue. — Ela encolheu os ombros. — Okay, o choque passou. Eu vou comer isso por tudo que vale a pena e considerando o caro que o maldito restaurante é, eu sei o quanto este jantar vale a pena. O sorriso não iria deixaria os lábios enquanto salteava os cogumelos. Uma vez que ele os havia terminado, ele acrescentou o risoto e polvilhou parmesão. Ele, então, dividiu a refeição em dois pratos, virou-se e segurou um para ela. — Bom apetite. — Isso parece incrível. E de repente ele estava muito autoconsciente. Ele queria que ela gostasse, mas e se ela não gostasse? Ele não cozinhava mais. Apenas em algumas ocasiões, como quando 154


ele tinha ajudado Tommy com Julie. E se ele acrescentou muito vinho ou muito sal? — Estou um pouco enferrujado. Então, eu espero que isso esteja bom. O sorriso que ela lhe enviou aliviou suas preocupações. — Este vai ser o melhor bláh-blee-blue que eu já tive. Ela pegou o prato e sentou-se à mesa de madeira da cozinha. Ele assumiu a cadeira em frente a ela, vendo como ela mergulhou a colher e deu uma mordida. Seus olhos se fecharam e um gemido baixo veio dela. — Agora estou verdadeiramente horrorizada que você comeu meu frango. Alívio o fez soltar a respiração. — Fico feliz que você goste. Comeram em silêncio principalmente porque Mac não conseguia se concentrar em qualquer coisa além de assistir Gayle desfrutar de sua comida – o que ela fazia com o mesmo prazer que ela vivia a vida. Cada mordida vinha com um gemido que causou um endurecimento no seu pau com o apreço e palavras murmuradas de louvor. Ela seria tão vocal na cama? A ideia o fez se deslocar em seu assento. Depois que ela comeu a última mordida deixou cair a colher na tigela. — Bonitão está delicioso. 155


— Eu poderia dizer. — Ele enviou-lhe um sorriso arrogante. — O que no mundo iria fazer você sair da cozinha? Todo o sentimento quente e incomodado que ele teve nos últimos minutos virou instantaneamente um bloco de gelo. — Eu queria me concentrar em lutar. Não era uma mentira, mas também não

era toda a

verdade. Ela inclinou a cabeça. — Como isso está funcionando para você? — A melhor decisão que já tomei. — Isso não era uma mentira. — Você não sente falta de ser um chef? — Perguntou ela. — Eu sinto falta de cozinhar para os outros. Não necessariamente de trabalhar em um restaurante. Lá, uma resposta agradável equilibrada. Ele poderia fazer isso. — Bem, você pode cozinhar para mim a qualquer momento. Quando ela se levantou e estendeu a mão para seu prato, ele disse: 156


— Eu levarei os pratos. — Não, você cozinhou. Eu vou limpar. — Ela levou os pratos para a pia. — Você quer algo para beber enquanto eu faço isso? Tenho rum temperado no armário de bebidas apenas esperando para ser aberto. Álcool soava bem. — Sim, eu vou querer um desses. Enquanto ela acrescentava coca-cola a uma dose de rum em um copo, ele se encostou à ponta do balcão, e quando ela ofereceu a ele, ele tomou um gole enquanto ela começou a lavar os pratos. Seu olhar viajou sobre seu corpo, demorando-se na curva de seus quadris. Ela estendeu a mão para uma das panelas e ele notou um hematoma escuro na parte de trás de seu braço logo acima do cotovelo. — Será que isso veio de hoje? Ela virou para ele, uma pergunta em seu rosto. Ele acenou com a cabeça em direção a contusão. — Seu cotovelo? Ela inclinou o braço em questão. — Oh. É. Eu acho que eu bati na parede e deslizei para baixo. Tenho um grande hematoma na minha coxa também. Não me diga que você não tem nenhuma lesão? — Um par de arranhões.

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— É o corpo do lutador de vocês. É acostumado a tomar uma surra e algo tão simples como uma corrida de lama não vai prejudicá-lo. Olhos em sua pele descorada, ele empurrou para fora da borda do balcão e se moveu até que ele ficou logo atrás dela. Ele correu os dedos suavemente sobre a contusão e a curva de seu cotovelo quando ele levantou o olhar para olhar para ela. Um tremor mexeu seu corpo. — Não se esqueça daquele na minha coxa, — ela sussurrou, virando para ele. Quando ela inclinou a cabeça para trás e olhou para ele, o convite em seus olhos era inconfundível. — Onde ele está? — Ele estendeu a mão para correr os dedos sobre seu joelho. Ela arrastou a bainha de seu vestido até a coxa. Um hematoma escuro do tamanho de um punho se destacou contra a pele cremosa. Ele arrastou seus dedos sobre ele, amando a sensação de sua pele lisa. Ele colocou seu braço em volta da cintura dela e a puxou para seu peito. Com a boca a centímetros de distância e as mãos em seus bíceps, eles olharam um para o outro. Foi o abraço mais íntimo que ele esteve por tanto tempo, ele teve um momento apenas para desfrutar da sensação de seu corpo macio, cheio de curvas pressionado no seu. Em seguida, ele correu as mãos sobre os quadris dela, segurou-lhe

o

bumbum

e 158

a

levantou

esses

poucos


centímetros para capturar os lábios em um beijo tão oposto a um do início do dia que poderia ter sido dado por um homem diferente – e de certa forma, era. Ao contrário de antes, ele já não estava lutando. Ele fez a sua escolha. E agora era hora de reclamar a sua recompensa. Seus braços enrolaram ao redor de seu pescoço, seus seios achatando contra seu peito e ele passou a língua por seus lábios no calor de sua boca. Um gemido irrompeu de dentro dele. Ela tinha um gosto tão bom, uma mistura da comida que ele tinha feito, e algo mais, algo exclusivamente Gayle. Seu sabor era inebriante, viciante. Transportando-a em seu corpo, seus lindos pés envoltos instantaneamente ao redor de sua cintura, trazendo o seu centro para descansar na rigidez dentro de suas calças jeans. Ele levou os poucos passos necessários para pressioná-la de volta para o balcão. Quando ele moeu seu pênis contra ela, ele gemeu em sua boca. Puta merda, isso era muito bom. Ele apoiou Gayle no canto do balcão e rasgou sua boca longe para olhar para ela. Lábios inchados, pálpebras pesadas, respiração áspera. Tudo pelas suas ações. Deus, ela tirava o seu fôlego. Agora ele queria ouvi-la. Puxando a parte superior do vestido para baixo, seios generosos saltaram livres, mamilos enrugados em apertos, dica perfeita. Ele circulou um com a sua língua e foi recompensado com seu afiado suspiro irregular. Agarrou seu cabelo segurando-o lá. Enquanto ele 159


chupava um mamilo profundamente em sua boca ele trabalhava com as mãos sob a saia de seu vestido e encontrou o elástico da calcinha. Ele puxou-os sobre as pernas e os deixou cair no chão. Agora era hora de ver exatamente quão desinibida Gayle era. Ele nunca tinha se esquivado de sexo. Parecia que quatro anos de celibato não tinham mudado isso. Ele a queria aberta para ele, queria ter a certeza de que ela não tinha pudor quando se tratava de jogos na cama. Ele levantou a cabeça, o olhar fixo no dela, quando ele levantou uma das suas pernas e plantou o pé para um lado do balcão. Quando ele estendeu a mão para a outra perna um sorriso maroto curvou seus lábios – e congelou-o no lugar. Gayle

levantou

lentamente

a

perna

ela

mesma,

espalhando suas coxas e colocou o outro pé no outro lado do balcão. Hipnotizado ele a viu agarrar o tecido da saia pendurado entre suas coxas e lentamente puxá-lo até seu estômago. E ela estava exposta. Rosa, molhada, com uma estreita faixa de cabelo. — Foda-se, mulher, — ele rosnou incapaz de tirar os olhos. —Prove Mac. Oh sim. Ela era definitivamente sexualmente tão livre quanto ela era com vida. Um tremor passou por ele direto para seu pênis, endurecendo-o ainda mais. 160


Baixando a cabeça, ele levou sua primeira amostra, o equivalente a uma mordidela, mas foi o suficiente para arrancar

um

gemido

dela.

Precisando

persuadir

mais

daqueles deliciosos sons fora dela ele chupou o clitóris em sua boca e circulou-o com a língua. Suas ações não ficaram sem recompensa. Ouvi-la era tão gostoso que o estimulou a aumentar a agressividade de sua boca e língua e os dedos impulsionados profundo dentro dela. Quando ela veio contra seus lábios, o gemido áspero de seu orgasmo o encheu de satisfação masculina pura. Ele deu um beijo suave em seu clitóris inchado e, em seguida, levantou a cabeça. Sim, ele podia ouvir os ruídos de Gayle a noite toda porra. E isso era exatamente o que ele planejava fazer.

Gayle manteve os olhos fixos nos lábios molhados de Mac. Para um homem que tinha sido tão hesitante, ele com certeza não era hesitante no quarto. Tirando o braço para fora, ela agarrou sua camisa e puxou-o para frente, fundindo a boca na dele em um beijo agressivo que deixou claro que eles estavam longe de terminar. Deixando de lado a camisa, ela arrastou as mãos pelo peito até a bainha e puxou-a para cima. Ele rompeu o tempo suficiente para puxar a camisa sobre a cabeça e lançá-la no 161


chão. Alguns segundos desastrados depois, seus sapatos, calças e boxers estavam fora também. Levantou-a fora do balcão e a colocou de pé. Enquanto ele rasgou uma sacola de supermercado, ela deslizou para

fora de

seu

vestido,

deixando-o reunir-se em torno de seus pés. Ele voltou com uma caixa de preservativos e ela sorriu, em seguida, pegou sua mão e levou-o para fora da cozinha. Ela gostava de um homem que vinha preparado. Ele não fez nenhuma pergunta apenas a deixou levá-lo. O homem delicioso tinha saboreado cada centímetro dela e ela planejava devolver o favor. Quando chegou ao sofá ela puxou-o para ficar na frente dela e bateu em seu peitoral com os dedos dando um leve empurrão. Não que isso o teria derrubado, mas ele caiu para trás contra as almofadas em uma posição confortável. Rindo com a sua disposição fácil de jogar junto, ela ajoelhou entre suas pernas abertas. — Para um homem que pode ser tão previsível você continua me surpreendendo. Um sorriso arrogante virou aqueles lábios incríveis. — Tenho que manter uma mulher imaginando. — Isso você faz, bonitão. Isso você faz. Ela baixou os olhos para o grosso e longo pau projetado orgulhoso de seu corpo. Enquanto corria a ponta de um dedo sobre a pele aveludada ele empurrou. 162


— Gostaria de sentir a minha boca em você? — Oh, merda sim. Deus, ele ia ser um puta amante. Delicadamente, ela colocou as bolas, massageando-as na palma da mão quando ela deslizou lentamente a cabeça de seu pênis dentro de sua boca. O gemido seguido por um murmúrio gutural: — Foda-se, — deu-lhe incentivo para continuar. Ela tomou cada centímetro dele, em seguida, puxou de volta, mais e mais, aumentando a velocidade em cada vez. Sua respiração tornou-se agitada e ela ergueu a cabeça. Nada de gozar para o homem. Ainda não, pelo menos. Sua boca não seria o único lugar que seu pênis iria penetrar em primeiro lugar. Ela mudou seu caminho até seu corpo e beliscou seus quadris, beijou sobre seu abs dignos-de-babar, circulou a língua sobre os mamilos e chupou a garganta antes de finalmente chegar aos lábios. Investigando a língua entre eles, ela montou sua pélvis, seu pênis deslizando contra a traseira de sua bunda. — Os preservativos? — Perguntou ela contra sua boca. Uma embalagem foi empurrada em sua mão. Ela deu um zumbido de apreciação, em seguida, abriu-a e trabalhou a mão entre seus corpos, deslizando a borracha sobre ele. — Foda-se, apenas ter você enrolando a mão em volta de mim é bom para caralho. 163


— É só esperar. Ela se levantou e, em seguida, lentamente, levou-o dentro dela. Fechando os olhos, ela gemeu de prazer quando o homem a esticou e encheu. Jesus. Ela levou um momento apenas para desfrutar a sensação dele, então ela abriu os olhos. E ela começou a cavalgar. Seus dedos morderam seus quadris enquanto ela movia sua pélvis em um movimento rítmico. Tão bom. Sentia-se tãomalditamente bem. Ela encostou a testa contra a dele, aumentando a velocidade de seus quadris. Não foi o suficiente. Não era profundo o suficiente. Não era rápido o suficiente. Um gemido frustrado gaguejou além de seus lábios. Rápido como um estalar de dedos, Mac virou-a de costas. Seus braços ancoravam sob seus joelhos, mantendo as pernas bem abertas e presas perto de seu peito. Ele assumiu o controle, batendo nela. Quão profundo ele foi, o quão rápido ele empurrou, o quão duro ele a levou, fez sons incontroláveis de prazer escapar de sua boca. Ela mordeu o lábio inferior, tentando silenciá-los. Mesmo silenciados, eles saíam da sua boca. Ela não conseguia manter suas respostas contidas porque ele dominou seu corpo, puxou-os dela. Ela lutou contra o desejo de soltar cada suspiro, gemido, e — Oh, Deus, — em voz alta para o ar. Ela amava sexo, adorava para cacete, mas essa necessidade carnal avassaladora era nova – e um pouco assustadora.

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Quando ele estendeu a mão e lhe tocou, ela veio de imediato e o grito que deu ao entrar em erupção foi sufocado por seus dentes fechados, os decibéis picados pela metade. Acima dela, Mac estremeceu, um grunhido gutural estrondou fora dele com os olhos cerrados apertados. Respirando pesadamente, momentos depois, ele abaixou e apoiou-se nos cotovelos. — Puta merda, — ele sussurrou enquanto a beijava. Puta merda estava certo. O homem tinha acabado de abalar o seu maldito mundo. Sexo com Mac tinha sido uma experiência totalmente nova e ela estava grata que ela tinha mais algumas semanas com o homem. Porque com este tipo de sexo ela poderia se acostumar.

Uma batida de música eletrônica invadiu o sono de Mac quando Gayle se agitou ao lado dele. Erguendo a cabeça, ele a olhou procurando por seu celular no final da mesa. Ele esfregou a mão pelo seu lado e se encostou ao travesseiro, pensando na noite incrível que tinham compartilhado e como totalmente saciado se sentia. Uma sessão de treinamento intenso não desgastaria tão bem. — Olá? — A rouquidão de sono áspera na sua voz e ele achou tão sexy que ele beliscou seu ombro nu. Ela guinchou e deu um tapa nele, mas, em seguida, ela lhe enviou um

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sorriso. A rodada de sexo de manhã, depois de um cochilo, soou como uma ótima ideia. E choveu beijos sobre sua pele. — Sério? — Seu corpo ficou tenso e ele levantou a cabeça preocupado. — Wichita Falls, Texas. Entendi. Arremessando de lado o braço e as cobertas, ela pulou para fora da cama, revelando sua bela bunda enquanto examinava o chão, em seguida, olhou para a porta com uma careta. Ela estava procurando pelo seu vestido. Estava lá embaixo, onde suas roupas foram descartadas na sala de estar. Ela correu para a penteadeira e começou a tirar roupas. — Mal deu sete horas. Se sairmos em uma hora poderemos chegar lá um pouco depois do almoço. Com o final da primavera tem sido tranquila esta temporada. Talvez tenhamos algumas medidas. Eu preciso ter algo para dar a Peter logo ou eu estou preocupada que ele irá puxar o financiamento. Temporada. Medidas. Financiamento. O que ela estava falando? Ele se levantou sobre o cotovelo e observou. Havia uma animação nos seus movimentos. O que diabos estava acontecendo?

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Equilibrando o celular em seu ombro, ela oscilava entre calcinhas e shorts pretos. — Sim, me encontre aqui. Eu tenho que ter algumas coisas prontas, então vamos pegar a estrada. Ela jogou o telefone na cama e puxou uma camisa quase simultaneamente. — Quem era? — Perguntou. — Rick, — disse ela enquanto recolhia seu cabelo em um rabo de cavalo e o prendia com uma banda. Por que ela estava correndo por aí como uma louca? Ele esfregou a palma da mão contra os olhos. — O seu colega de trabalho? — É. Há um sistema de tempestades se formando no Texas. O primeiro da temporada que tem o potencial de trazer atividade de tornados. À menção do desastre natural violento, todos os músculos do seu corpo petrificaram. Seu coração apertou dolorosamente. Sentou-se em linha reta. — Gayle, por que você está tão empolgada sobre um sistema de tempestade? Ele temia que já soubesse a resposta, mas orou que estivesse errado. — Maldição. Eu preciso de um sutiã. — Distraída, ela voltou para a cômoda e puxou um para fora. 167


— Gayle. Por quê? Enquanto trabalhava em um sutiã sob a blusa, ela torceu o nariz para ele. — Potenciais tornados, bonitão. Por que mais eu estaria animada sobre uma possível atividade de tornado? Eu não posso correr atrás se a atmosfera não é a certa para desovar redemoinhos. Correr atrás? Um rugido encheu sua cabeça. Sua mente, seu corpo.... Seu coração protestou contra as informações repelentes. Ela pegou um par de botas, se empoleirou no final da cama e atou-as. — Você, —ele teve que engolir em seco contra o choque que suas palavras tinham trancado em torno de seu peito — está dizendo que você é uma caçadora de tornados? — Tecnicamente, nós somos chamados caçadores de tempestades, mas sim, o objetivo é pegar um tornado. Alheia ao seu crescente horror, ela pulou para seus pés e deu um selinho nos aturdidos lábios. — Estamos indo para o Texas, então eu provavelmente vou sair por alguns dias. Sinta-se em casa, ok? Eu vou te ver quando voltarmos. Em seguida ela se foi. Apenas assim. 168


Como se ela não tivesse acabado de lhe dar a pior fodida notícia de sua vida. Rigidamente, ele afastou as cobertas e ficou com as pernas dormentes. Como tinha acontecido? Por que isso aconteceu – com ele? Com ele? Ele tropeçou seu caminho até o andar de baixo, atordoado e entrou em suas roupas. Ouvindo Gayle remexendo na sala bônus, agora sabendo para que o equipamento era utilizado, seu estômago saltou. Ele não conseguia olhar para ela, não poderia estar no mesmo quarto com ela. Silenciosamente ele saiu pela porta de trás. Enquanto ele caminhava para a casa de Lance, o estupor que a sua admissão tinha causado desbotou e a feia escuridão que ele conhecia muito bem tomou conta. Por que ele ficou malditamente surpreso? Esta era a maneira que a merda funcionava. Quatro anos dependendo de nada, de ninguém e ele tinha passado muito bem. Então aquela mulher tinha entrado e fodido tudo. E assim que ele se abriu de novo, o que aconteceu? A vida o golpeou duro, direto no rosto, em seguida, se deteve sobre o seu corpo atordoado e disse: — Você estúpido filho da puta. Ele não podia argumentar. Apenas um filho da puta idiota iria passar anos mantendo distância de todos, só para, inadvertidamente, foder uma mulher que procurava ativamente – que realmente caçava – a destruição que tinha ferrado a sua vida. 169


Quais eram as chances? Como isso era possível? De todas as mulheres do mundo maldito, a única, a única que ele respondeu sexualmente era uma caçadora de tornado do caralho. Mac entrou na casa e congelou. Lance estava sentado na mesa da cozinha, lendo o jornal e comendo uma rosquinha. Ele sabia o tempo todo? É claro que ele sabia. Mac lançou a porta, deixando-a se fechar. Babaca filho da puta. Seu amigo pulou quando a cabeça disparou para o lado. Soltando sua rosquinha em um guardanapo, ele empurrou a cadeira para trás e se levantou. — Jesus, homem? Você está pálido como um lençol. — Você sabia? — Foi tudo que pode passar por entre os dentes cerrados. — Sabe o que? — Sobre Gayle. — Eu preciso de mais detalhes, irmão. Você não está fazendo muito sentido. — Lance deu um passo cauteloso para frente. — O que sobre Gayle? — Ela caça tornados. Seu amigo deu um solavanco para trás como se tivesse sido atingido logo em seguida balançou a cabeça. — Não. Você tem que estar enganado. 170


— Enganado? Ela está indo para o Texas para caçar um sistema neste minuto. — Fúria superou Mac e ele fechou suas mãos, mostrando os dentes. — E ela estava muito animada sobre isso. As pessoas vão morrer, mas ela estava malditamente animada sobre a possibilidade de capturar imagens de vídeo. É nojento. — Merda, — Lance sussurrou, e engoliu em seco. — Será que você... — Sim. Eu transei com ela ontem à noite, — Mac o cortou, não querendo ouvir seu amigo, querendo- não necessitando – alguém para culpar. Uma careta aflita contorceu o rosto de Lance e ele abaixou a cabeça. Lance sabia. E ele entendeu a magnitude do quão severamente isso tinha fodido Mac. Bom. — Eu a deixei perto de mim. A única mulher que eu estive desde que deixei essa porra de lugar é uma maldita viciada em adrenalina, e sua escolha de droga destruiu a porra da minha vida. — Mac apontou acusadoramente para seu amigo. — Você me disse que ela seria boa para mim. Lance levantou a cabeça. Compaixão e preocupação brilhavam em seus olhos fazendo Mac vacilar. Ele tinha o suficiente dessa maldita expressão simpática para durar uma vida de merda. Foi por isso que ele não deixou as pessoas entrarem. — Eu nunca teria incentivado isso se eu soubesse Mac. Juro por isso. Ela se mudou há seis meses. A temporada de 171


tornado acaba de começar. Tudo o que ela mencionou é que era uma meteorologista e que ela tinha o seu PhD. É isso aí. Não importava. O que estava feito, estava feito. — Quando é a sua luta? Lance piscou. — Um mês. — Isso é tudo que você tem, e então eu estou fora daqui. — Ele atacou em direção à porta. Pouco antes de sair da cozinha ele se virou e lançou a Lance um olhar mortal. — Mantenha essa mulher louca e irresponsável longe de mim, você entendeu? Eu não vou ser responsabilizado por aquilo que sai da minha boca se você não fizer isso.

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Capítulo Seis Três dias depois, Gayle virou o volante do SUV em sua garagem. Ela viu Mac de pé na varanda da frente de Lance e seu estômago deu um salto. Ela devorou ao vê-lo em shorts preto de treinamento que não conseguia esconder a força de suas coxas. A camiseta sem mangas verde neon abraçava seu peito e exibia a tatuagem celta em seu bíceps lindamente. Ela não podia esperar para traçar essas linhas pretas com tinta novamente. Era uma loucura o quanto ela tinha sentido falta do homem. Ela acenou para ele, mas tudo o que ele fez foi dar uma carranca feroz e ficar imóvel como uma estátua enquanto ela dirigia para o celeiro atrás de sua casa. — Era esse o cara? Ela olhou para Rick que parecia tão exausto quanto ela se sentia. — Sim. — Bem, você com certeza deixou faltando a descrição de rabugento. O cara parece com todos os tipos de malhumorado. Ela mordeu o lábio inferior. Ele teve tempo para pensar novamente. Ela tentou não se preocupar com isso enquanto ela estava fora, mas o mal-estar sobre ele ter um segundo 173


pensamento sobre seu pequeno arranjo divertido continuou invadindo sua mente – e Rick tinha notado. Ele a tinha incomodado para caralho, por que ela estava tão distraída até que ela finalmente cedeu e disse a ele sobre o lutador bonito que estava de visita ao lado. Um suspiro enigmático de Rick, seguido por... — O que importa você só vai mantê-lo por perto algumas semanas antes de seguir em frente, de qualquer maneira, — foi exato, mas ainda não tinha impedido o homem de dominar seus pensamentos... como ele fez em sua cama. Depois que sairam do caminhão e guardaram o equipamento longe, Rick ajudou a carregar o sistema eletrônico para a casa. — Peter não vai ficar feliz, não é? Gayle fez uma careta. — Não, mas nós não podemos controlar um sistema de tempestade. Ele só vai ter que superar isso. — Você não acha que ele iria tirar o financiamento, não é? Estou gostando de receber um salário regular por uma vez. Ela riu baixinho. Como se ele precisasse. Ela conheceu Rick há quase oito anos atrás em uma festa da fraternidade da Universidade do Alabama em Huntsville. Embora ele não tivesse interesse em ciência atmosférica ele tinha um bacharel em pintura e história da arte. Quando ela começou 174


a caçar ele perguntou se ele poderia se juntar a ela, porque ele queria tentar capturar a Mãe Natureza em uma tela. E, cara, ele podia. Suas pinturas venderam e venderam bem. Ele estava dirigindo para ela desde então – sem remuneração. Mas então, ela não tinha sido paga, em primeiro lugar. Quando isso mudou, ela fez questão de Rick ter um pouco do bônus também, pela lealdade que ele tinha mostrado a ela. — É melhor ele não tirar nossos fundos. Não, se ele quer exibir Dra. Gayle Matthews como meteorologista-chefe para WKKS News. Esse PhD lhe tinha dado uma puta moeda de troca quando Peter se aproximou dela com a oferta de emprego. Ela nunca teve nenhum pingo de interesse em estar na TV. Mas imagens de vídeo que tinha capturado no ano passado de um tornado F-3 que atingiu uma cidade pequena em Oklahoma tinha atraído a atenção nacional. Peter Gates, Gerente Geral da WKKS News, se aproximou dias mais tarde e perguntou sobre suas credenciais. Ele lhe ofereceu o cargo de chefe meteorologista do local, o que ela prontamente recusou. Ela estava muito feliz com a sua posição de professora e tinha um entendimento com a Universidade do Kansas que ela não trabalharia durante a temporada de tornados para que ela pudesse realizar sua pesquisa de campo. Mas quando as ofertas de Peter foram ficando cada vez mais interessantes, ela

rapidamente

se

deu

conta

do

que

ele

estava

verdadeiramente atrás – seu título de PhD em ciência

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atmosférica e seu novo reconhecimento nacional. E assim, a negociação tinha começado. O acordo final foi que ela iria trabalhar para ele como sua meteorologista-chefe, ele iria lhe fornecer um SUV com toda a porcaria para o tempo que precisava para continuar sua pesquisa e ela iria ficar a temporada de tornados fora da estação para que ela fosse capaz de dedicar seu tempo exclusivamente à caçada e a sua pesquisa. Todos os vídeos capturados seriam de propriedade da WKKS, desde que ficou bem claro que qualquer filmagem necessária à sua pesquisa ainda poderia ser usada por ela. Ela não poderia se importar menos sobre os vídeos, realmente. Os dados brutos eram o que ela estava procurando. A ciência. Então, agora ela tinha o melhor equipamento que o dinheiro poderia comprar ao invés do que ela poderia adquirir a cada ano com seu magro salário – e nenhuma maldita estação de tornados para usá-los. O universo estava, sem dúvida, dando uma boa risada da frustração de Gayle. — Nós vamos continuar assistindo os mapas e os números, — disse Rick, enquanto eles colocavam os laptops e outros equipamentos em sua mesa de cozinha. — Nós estamos apenas por um par de semanas. As coisas vão melhorar. Esperemos

que

sim,

em

algum

lugar

fora

em

quilômetros de terra desolada. Essas foram suas caçadas – com apenas a beleza da Mãe Natureza se espalhando diante dela – e a atração de sua pesquisa. Uma vez que as áreas 176


povoadas eram afetadas, no entanto, sua pesquisa ficava em segundo plano para dar uma mão quando necessário. As pessoas sempre vieram antes dos dados. Felizmente, esses casos eram poucos e distantes entre si. Ela inalou e se virou para olhar para Rick. — Vá para casa. Descanse um pouco. Você sabe o que fazer. Ele saudou. — Sim, sim, senhora chefe. Você pode fazer o mesmo. Saiu pela porta de trás. Ela foi até a janela e olhou para fora da casa do outro lado do caminho. Lance e Mac estavam indo para o celeiro. Sim, ela precisava descansar. A caçada era sempre cansativa, mesmo que fosse uma grande perda de tempo como esta tinha sido. Três dias de viagem em todo o Centro-Oeste caçando dados promissores e nem mesmo um mísero funil tinha aparecido para fora das nuvens escuras. Ela podia ouvir Peter reclamando indignado agora. A desvantagem de fazer a sua investigação sob o polegar de outra pessoa, especialmente uma pessoa que não tinha ideia sobre o tempo, estava começando a vir à tona. Uma real caçada às tempestades não era como nos filmes. Se Peter lhe desse muita dor de cabeça, ela diria a ele para tirar os aparelhos de alta tecnologia e comê-los. Ela estava indo muito bem por conta própria. Poderia fazê-lo novamente, se necessário. Ela olhou para o telefone. Não. Ele podia esperar. 177


Primeiro, ela tinha um lutador que ela precisava ver. Ela atravessou o campo, abriu a porta do celeiro e entrou. Silenciosamente, ela se moveu para o lado quando Mac e Lance estavam lutando no tatame. Ela não poderia dizer o que estavam fazendo. Lance estava tentando dobrar o braço de Mac em uma direção que definitivamente não era para dobrar. Mac finalmente deu um tapa no ombro de Lance e ele soltou. Ambos se levantaram. — Melhor, — disse Mac. — Precisamos trabalhar nisso um pouco mais, mas você está pegando o jeito dele. — Os olhos de Mac viraram até onde ela estava então voltaram e ele endureceu. Uma carranca feroz apertou seus lábios. Lance olhou por cima do ombro e fez uma careta quando a viu. Isso não era como Lance em tudo. O que tinha acontecido? Nem um deles se acovardou, ela sorriu e caminhou mais para dentro. — Vocês rapazes estão suando? Lance

avançou,

passando

a

mão

pelo

cabelo,

casualmente ficando entre ela e Mac. — Uh, sim. Fomos muito mais duros o último par de dias. Ela olhou ao redor de Lance para Mac. — Oi, bonitão.

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Se fosse possível, a carranca de Mac se tornou ainda pior. Uau. Ela pensou que tinha visto ele se transformar no lutador algumas vezes quando ele estava tentando lidar com suas palhaçadas, mas estava errada. Caminho errado. O homem à sua frente agora era intimidante para caralho e se esse fosse o Mac que ela conheceu no primeiro dia, não teria havido nenhuma maneira dela ter sido tão ousada a ponto de pedir-lhe para sair. Um rabugento bonitão, mas malhumorado ela poderia lidar..., mas um letal lutador parecidocomo-ele-poderia-esmagar-um-tronco-de-árvore-em-dois,

de

jeito nenhum, huh-uh. Por que de repente toda essa hostilidade dirigida a ela? Lance a pegou pelo braço e a levou para a porta. Ela ficou boquiaberta. Ele estava tentando fazê-la sair. Que diabos? — Eu ia passar na sua casa daqui a pouco e ver se você se importaria de cuidar de Skylar por um par de horas. Eu tenho um resgate programado. — Claro. Não tem problema, — disse ela, puxando seu braço e voltando em direção a Mac. — Por que você não vem e sai com a gente? — Perguntou a ele. — Eu não penso assim. — Suas mãos apertadas em punhos ao seu lado. — Por que não? — Sua atitude estava começando a irritá-la, mas ela conseguiu pedir muito bem.

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— Mac. — Houve um estrondo advertindo na voz de Lance que fez Gayle atirar um olhar para ele. Que isso. — O que diabos está acontecendo? Eu não poderia ter feito nada. Nem sequer estava aqui. Era como se ela tivesse aberto a tampa de uma garrafa de refrigerante agitada. Mac avançou para ela tão rápido que ela quase se retirou, mas ela se manteve firme, entalhando o queixo para cima em defesa. — Você é toda sobre viver o momento, — ele zombou, sua voz ficando um pouco mais alta, um pouco mais cortante em cada palavra. — Jogando a precaução ao vento, não tendo em conta a segurança. Você toma a vida como garantida. Você abraça o perigo. — Ele levantou um dedo e apontou para ela. — Você não dá uma maldita merda sobre o bemestar dos outros. Cada palavra a atingiu como a explosão de um rifle, arrancando fora dela pouco a pouco. A última vez que ela sentiu este estado de choque, ela tinha acabado de saber que tinha perdido todos que amava. Mas ao contrário de antes, a dor não a engoliu. E enquanto as palavras incrivelmente cruéis afundavam a raiva crescia. — Você não sabe nada sobre mim, — disse ela, devagar, com calma. 180


— Oh, eu sei muito. Você é uma merda de catástrofe esperando para acontecer. Imprudente. Impulsiva... — Irmão, — Lance interrompeu com uma nota de advertência mais forte em sua voz. — É preciso dar um passo atrás. — Louca. — Uma sombra inconfundível de desdém escureceu os olhos de Mac. — Você sai procurando riscos, não importando quem vai se machucar e isso me deixa doente. Lance levantou as mãos em um gesto apaziguador. — Voce precisa dar um tempo. — Foda-se. Você. — Ela o empurrou com ambas as mãos, e, em seguida, se virou e bateu a porta. Lance ―Realmente não-tão-legal‖, a seguiu para o campo. Fúria vibrou ao longo de todo o seu corpo. Ela tomava a vida como garantida? Não tinha cuidado pelo bem-estar dos outros? Foda-se sua bunda julgadora. Se ele queria tirar conclusões sobre a forma como ela escolheu viver a sua vida, então que seja, caralho. Ela não devia uma explicação a ninguém. — Gayle. Espere! — Lance a chamou. Ela continuou caminhando. Foda-se.

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Sua mão finalmente agarrou o seu braço e a girou em torno dela. — Olha, eu sinto muito sobre Mac. — Não se atreva a pedir desculpas por esse idiota. Lance gemeu. — Eu avisei. Mac tem alguma grave bagagem. — Todo mundo tem bagagem, Lance. O que o homem tem é sério, —ela tocou o dedo em sua têmpora — problemas mentais que realmente poderiam fazer uso de uma boa dose de terapia de choque. Ela começou a girar novamente, mas Lance a deteve. — Eu estou tentando explicar, Gayle, se você parar por um maldito segundo. Ele foi ao inferno e voltou. Ela empurrou para longe dele. — Você não está me ouvindo? Eu não me importo. — Ela deu um passo para frente e bateu no peito com o dedo. — Eu fui ao inferno e voltei. Eu tive que pegar os pedaços quebrados da minha vida e aprender a viver novamente. E eu nunca julguei alguém assim por causa da minha bagagem. Ele... Os olhos de Lance passaram longe. Ela fechou a boca. Lágrimas ameaçando se formar e ela as piscou de volta furiosamente. Caramba. Ela nunca falou sobre o passado. Não havia razão para revivê-lo quando nada mudaria. 182


— Gayle, eu não tinha noção. Ela levantou a mão na frente do rosto. — Eu não estou fazendo isso. Fiz as pazes com meu passado ha longo tempo atrás. Apenas mantenha esse idiota longe de mim. Eu não dou a mínima para o que ele passou. Eu não me importo o quão horrível sua história é. Ele só me mostrou suas cores verdadeiras e eu não quero nenhuma parte dele. Sempre que você precisar de mim para cuidar de Skylar será na minha casa. Eu não quero estar perto daquele bastardo julgador.

Mac se encolheu quando a porta do celeiro bateu contra a parede exterior e Lance voltou para dentro. — O que diabos foi isso? — Lance lhe acertou na cara e o empurrou um passo para trás com o seu corpo. Mac não se opôs, deixando seu amigo ter a sua ira. — Gayle é uma boa pessoa e ela com certeza não merecia essa merda de você. — Eu não quero estar perto dela, Lance. — Bem, você com certeza garantiu isso por ser juiz e júri sobre sua vida. As coisas tinham ido muito mais longe do que Mac tinha pretendido. Mas no momento em que ele olhou para cima e viu Gayle ali de pé, o peito tinha apertado... E não com raiva. O nojo e fúria que tinha inundado sobre ele por ainda 183


sentir alguma coisa quando ele sabia o que ela fazia para ganhar a vida, e que ela não era nada mais do que uma viciada em adrenalina, trouxeram à tona as palavras antes que pudesse detê-las. O terror abjeto que ele sentiu ao longo dos últimos dias, quando ele pensava nela à curta distância de um tornado o tinham deixado louco. O medo que ela criou dentro dele, porque ela aceitou colocar-se em perigo, foi esmagador. Jesus. Se ele se sentia tão forte no curto espaço de tempo que ele a tinha conhecido... isso simplesmente o irritou. Toda a porra o irritou um longo... Tempo. Ele não poderia se importar com esta mulher. Isso iria matá-lo. Ele precisava manter a sua distância. Precisava ter certeza de que ela manteria a dela. Ele queria a sua raiva. A raiva era segura. — Você quer saber o que eu aprendi? — Continuou Lance. — Aquela mulher com quem você acabou de ser um completo idiota já passou por alguma coisa também. Algo muito ruim. Mac se virou e olhou para o amigo. — O que você quer dizer? — Bem, vamos ver. Quando uma mulher chateada diz que foi ao inferno e voltou e ela teve que pegar os pedaços de

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sua vida e aprender a viver de novo, mas ela nunca julgou ninguém como você fez. Uma batida dolorosa para o intestino roubou a capacidade de Mac para respirar. Ela tinha passado por algo tão ruim que ela teve que aprender a viver de novo? Não. Lance deve ter ouvido mal. Gayle não se deparou com algo assombroso, muito menos foi quebrada e remendada. — Ela disse o que era? — É, não, — foi a resposta sarcástica do Lance. — Mas você ouviu o que eu disse Mac? Você ouviu a diferença? Onde Lance queria chegar? Seu amigo gemeu e bateu as duas mãos sobre o rosto. — Você é muito patético, cara. — Ele baixou as mãos e olhou para Mac. — Ela aprendeu a viver novamente. — Eu tive que fazer isso também. — Não. Gayle verdadeiramente vive. Você só está aqui. Passando tempo. Grande diferença. Mas, Gayle fez você sorrir e rir, Mac. Ela te fez sair da concha que você tinha erguido em torno de si. Ela fez você viver. — Lance deu um passo adiante. — E você acabou de trata-la como uma pilha de cocô de cachorro. Ela pode ser uma caçadora de tempestade, o inferno, eu não sei. Mas eu acho que vocês dois têm muito mais em comum do que você imagina. — Ele passou o braço em direção à porta do celeiro. — Olhe para ela. Gayle tem

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sido capaz de encontrar a paz com tudo o que ela passou. Talvez ela possa ajudá-lo a fazer o mesmo. A voz feminina chamou o nome de Lance de fora e ele olhou para ela. — Essa é Piper. Skylar está aqui e eu tenho que ir. Gayle está cuidando dela enquanto eu estiver fora. Só deve demorar algumas horas. Eu sugiro que você realmente pense e descubra uma maneira de fazer as pazes com essa mulher, porque você sabe o quê? Eu estava certo. Ela seria boa para você. Com isso, Lance saiu do celeiro, a porta batendo contra a parede do lado de fora uma segunda vez. Mac ficou olhando atrás dele, em seguida, lentamente abaixou-se para o banco de peso, ligando os dedos entre os joelhos. O que tinha acontecido com ela? Havia tantas maneiras que uma pessoa poderia viajar para o inferno, ter a sua vida despedaçada. A ideia de que alguém poderia tê-la ferido ou negligenciado o fez estremecer. E, no entanto, ela ainda abraçava a vida com prazer. Ela esperava e confiava. Ria. Sorria. E dava a si mesma livremente. O que ele tinha feito, indo sobre ela era o equivalente a puxar as asas de uma borboleta que tinha acabado de voar a partir do seu casulo. Ela merecia suas palavras de remorso... E gratidão. Ela o fez sorrir. Ela o fez viver de novo – mesmo que brevemente. 186


O problema estava surgindo com as palavras certas para expressar isso. As únicas pessoas que sabiam toda a sua história eram as que a tinham testemunhado. Nem uma vez ele compartilhou verbalmente os horrores daquele dia com outra alma viva. Ele não sabia se ele seria capaz de fazer isso agora. Ou nunca. Quanto tempo ele ficou lá tentando montar o caminho certo para compartilhar o mais escuro, o mais triste, o mais terrível dia de sua vida, ele não tinha certeza. Mas, de repente, um trovão abalou a estrutura ao redor dele e ele perdeu a capacidade de respirar, de se mover, quando ele foi jogado de cabeça de volta aos momentos imediatamente anteriores a uma massa feroz de ar torcido que tinha aniquilado sua vida.

Gayle cruzou os braços sobre a cintura enquanto ela olhava pela janela para a nuvem de tempestade escurecendo o céu. Relâmpago iluminou o céu cinzento e outro boom do trovão estremeceu o vidro. Vento balançou as copas das árvores. A previsão tinha chamado para tempestades isoladas hoje e ela estava definitivamente no clima para uma tempestade. Chuva batia nas vidraças, em seguida, os céus se abriram e inundaram a janela com água. Inalando, ela fechou os olhos e deixou o fluxo de som escoar sobre ela. Deus, ela amava uma tempestade de primavera. A purificação da Terra e o cheiro de frescor depois. Se apenas a 187


tempestade moendo dentro dela pudesse limpa-la e refrescala da mesma forma. Quase 45 minutos haviam se passado desde que ela deixou Lance parado no campo perto do celeiro. Vinte minutos atrás ele deixou Skylar e tentou — falar — novamente. Ela o cortou instantaneamente. Mac já não existia no que dizia respeito à Gayle e ela se ressentia das apertadas e furiosas emoções que ela estava sentindo por causa daquele homem horrível. Isso a deixava doente. Bem, de volta para você, idiota. Ao inferno com ele. Sim, ela era pouco convencional. Fazia as coisas do jeito que queria e não pediria desculpas por isso. Ela tinha seus motivos. Porra bons motivos. Ela apostou no amor muitas vezes e perdeu. Para sempre não existia. Trovão rachou novamente e uma fungada soou atrás dela. Gayle virou. Skylar estava sentada no sofá com o rosto enterrado nas mãos. Empurrando de lado seus próprios problemas, Gayle correu para o lado da criança e se ajoelhou na frente dela. — Docinho, qual é o problema? A menina levantou a cabeça. Lágrimas brilharam nos olhos.

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— Eu coloquei Bacon para abraçar o papai e então eu o deixei lá. Ah. Bacon era porco de pelúcia de Skylar e ela era extremamente ligada a ele. Provavelmente Lance a tinha trazido aqui assim que que Piper a deixou. — Ele está em casa, certo? A menina assentiu. — Então ele vai ficar bem. — E se ele estiver com medo? Eu nunca o deixei sozinho em uma tempestade antes. Significando que Skylar estava com um pouco de medo da tempestade e queria o objeto de conforto. Gayle engoliu. — M- Mac está lá para cuidar dele. — Deus, era difícil até mesmo dizer o nome do homem. — Nuh-uh. Ele ainda está no celeiro. Papai disse isso. — Mas isso foi há vinte minutos. Tenho certeza que ele entrou assim que ele percebeu que uma tempestade estaria vindo. — Ela escovou os cachos loiros para trás. — Bacon vai ficar bem. Skylar cruzou os braços teimosamente. — E se ele não estiver? E se Bacon está sozinho e com medo porque eu o deixei?

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Nunca discuta com uma criança de oito anos de idade. Havia apenas uma solução... E ela só faria isso por Skylar. — Escute docinho, este é apenas um temporal regular. Nem mesmo perto de um daqueles realmente ruins que temos às vezes. Mas ainda há raios e está chovendo, por isso não podemos sair bem neste momento. Assim que o pior passar, vamos correr e pegá-lo, ok? Olhos céticos a observavam atentamente. — Promete? — Cruzando meu coração, — disse ela, fazendo o movimento com o dedo sobre o peito. — Ok. Assim que parar de chover. — Sim. Agora vamos encontrar algo para fazer de modo que o tempo passe depressa. Depois que ela guiou Skylar para a cozinha e a colocou à mesa, Gayle fez três ants on a log14 para cada uma. Enquanto comiam o aipo, manteiga de amendoim e passas, ela assistiu o aguaceiro pela porta de trás. Forte, mas não muito grave. Uma chuva torrencial agradável com trovões e relâmpagos. O vento soprava aqui e ali, mas era mais uma brisa robusta do que rajadas destruidoras. O ar úmido já tinha esfriado deixando para trás o cheiro fresco, limpo, que ela amava após uma tempestade.

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Um lanche americano, que é feito colocando manteiga de amendoim no aipo e colocando passas ou cranberries secas na manteiga de amendoim.

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Não demoraria muito agora. No momento que ela tinha jogado fora os seus guardanapos, a chuva estava dando o seu último pedaço de alimento para o chão. Ela abriu a porta de tela, olhando para cima. Céus azuis já espreitavam por entre as nuvens escuras. — Vamos, vamos pegar Bacon. Enquanto caminhavam pelo campo saturado, ela esperava que pudesse entrar e sair sem ficar cara-a-cara com o imbecil. Honestamente, esperava que ela de alguma forma conseguisse passar as próximas semanas sem vê-lo nunca mais. À medida que se arrastaram passando o celeiro, ela notou que a porta estava aberta. Por que o imbecil não a trancou depois que ele saiu? Lance tinha um monte de equipamentos caros lá. — Skylar, você vai e pega Bacon, ok? Vou trancar o celeiro para o seu pai. Vou encontrá-la na porta dos fundos. — Ok. — A menina correu para dentro da casa, a porta de tela se fechou atrás dela. Suspirando, Gayle se aproximou da porta. Quando ela começou a fechá-la, um grunhido furioso veio de dentro do celeiro. Ela

enfiou

a

cabeça

para

dentro

e

congelou.

Espancando um dos bonecos de prática que Lance usava para treinar, estava Mac. Suor revestia todo o seu corpo, 191


pingava do queixo, emaranhando suas roupas na sua pele e atirava de seus braços molhados ao bater no manequim para o esquecimento. De repente, ele pulou fora dele, agarrou-o pelo pescoço e atirou-a contra a parede. Um berro enfurecido seguiu então ele ficou lá tomando em grandes goles de ar, abrindo e fechando os punhos. Que diabos? Ela cautelosamente entrou, se certificando de manter uma certa distância do estranho enfurecido diante dela. — Mac? — Ela disse suavemente. Sua cabeça girou e ele olhou para ela, não, ele olhou através dela. Seu estômago deu um nó dolorosamente com o olhar vago. Isto não era treinamento. Isso era algo totalmente diferente. Ele foi ao inferno e voltou. Ela disse a Lance que não se importava quão horrível a história de Mac era acreditando que não havia desculpa para o seu comportamento. Mas agora.... Não havia nenhum sinal do Mac com quem ela passou um tempo rindo. Este homem.... Este homem estava preso em algum inferno mental. Ela engoliu em seco, seu coração quebrado por ele quando apenas momentos antes ela queria estrangulá-lo com as mãos nuas. — Mac, — ela repetiu, com um pouco mais de força.

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Seu corpo tremia quando a tensão expulsava dele em uma corrida rápida. Piscando, ele olhou ao redor, seus olhos pousando no boneco do outro lado da sala. Ele estendeu as mãos, olhando para elas. Esfoladas, arranhões sangrentos cobrindo ambas nas juntas. Gayle levou uma mão à boca. Há quanto tempo ele estava batendo naquela coisa? Seu olhar estalou para o dela e cada músculo ficou tenso quando as linhas no seu rosto abatido desenharam em uma carranca profunda. — Saia. — Eu já vi isso, Mac. Não posso deixar de ver mesmo se você me mandar embora. Um músculo saltou em sua mandíbula apertada e ele empurrou o queixo para cima. — Quantas vezes isso aconteceu? — Perguntou ela. — Nunca. — Então, o que provocou isso? — Eu não quero falar sobre isso porra. — Merda difícil. — Ela acenou com a cabeça para as suas mãos. — Você precisa se limpar. Venha. Eu vou fazer um pouco de café, enquanto você se limpa. Ela chegou à porta antes que ela o ouvisse se mover atrás dela com uma série de resmungos irritados. Pelo menos era apenas ressentimento trazendo esta raiva. Ela sabia no 193


que o ressentimento resultava – ter alguém o pegando à mercê de suas emoções. Rick a tinha apanhado uma vez. Embora ela não tivesse sido travada fora como Mac tinha apenas estado. Ela tinha estado em histeria de soluços. Houve algumas coisas jogadas, apesar de tudo. E fúria do que ela tinha perdido. Assim que entrou na cozinha, Skylar foi até eles com o porco cor-de-rosa pálido apertado contra o peito. — Bacon estava bem. Gayle forçou um sorriso largo para a criança. — Eu disse que ele estaria. — Ela olhou para Mac. Um brilho de suor revestindo a palidez cinzenta da sua pele. A adrenalina estava desaparecendo agora. — Hey, Skylar, por que você não vai para o seu quarto para brincar um pouco? Eu acho que nós vamos ficar por aqui até seu pai chegar em casa. — Posso jogar Skylanders15? — Pode apostar. — Legal. Papai nunca me deixa jogar. — Ela correu da sala. Preocupação passou através de Gayle quando Mac desabou em uma cadeira na mesa da cozinha, apoiando os cotovelos sobre a madeira e enterrando seu rosto nas mãos. Ela correu para o banheiro e pegou o kit de primeiros 15

Jogo de videogame.

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socorros do gabinete. Quando ela parou na mesa, ela deslizou na frente dele. Ele levantou a cabeça baixa e olhou para a caixa. — Tudo bem, bonitão. — Ela passou seus braços ao redor de si mesma, ainda abalada com o que tinha presenciado. — Tempo para você se abrir. Sua mandíbula se apertou. — Eu disse que não quero falar sobre isso. — E eu disse coisas ruins. Considere a penitência por ser tão idiota. Ele permaneceu teimosamente em silêncio. Dane-se tudo para o inferno. — Ouça. Eu sabia que havia algo acontecendo com você, mas eu não me intrometi porque eu não gosto de ninguém curioso na minha vida. Mas quando eu encontro um homem batendo insanamente algo numa raiva irracional, eu preciso saber o que diabos desencadeou e por quê. — Eu pensei que você disse que iria fazer

café. —

Havia ainda uma picada de raiva em suas palavras. Hmm. Então, a raiva era seu mecanismo de defesa. De repente, um monte de seus encontros com ele fez muito mais sentido. O que ela tinha feito antes para tirar isso fora? Claramente, havia muito mais subjacente naquela mudança. Ela se manteve firme e subiu uma sobrancelha. — Eu vou fazer o café quando você começar a falar. 195


Ele lentamente virou a cabeça e olhou para ela com todo o lutador assustador que ele tinha em si. Antes, ele a fez hesitar. Não agora. Era uma máscara. A fachada para não ter de lidar com as questões mais profundas. Ela tinha certeza disso. Ela manteve a sua teimosa e seu ponto. Um impasse. A batalha de vontades. Ela iria ganhar um presente. O homem desesperadamente precisava falar. Por

um

minuto,

ambos

se

recusaram

a

dar.

Finalmente, ela disse: — Eu sempre consigo o que quero bonitão. Eu posso fazer isso fácil. Ou não. — Bem. Você quer saber toda a minha história de vida, aqui vai porra. Você sabia que eu cresci nesta terra plana e infernal? Ignorando a raiva por trás de suas palavras, ela caminhou até a cafeteira e começou o processo para cumprir sua parte do acordo. — Não. Eu não. Foi aqui em Cheney? — Não. Emerald porra Springs. Você sabe sobre esse lugar, não é? Ela congelou ao colocar a tampa de volta sobre o pó de café e brevemente fechou os olhos. Oh, Deus, não. — Quando você se mudou para Atlanta?

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— Quando você acha? Pressionando os dedos à boca, ela olhou para o pote de metal. O tempo estava lá. Ela retirou a mão de sua boca, ligou a máquina, respirou fundo para se recompor e se virou para encará-lo. — Você estava no tornado EF-5, não estava? Ele olhou diretamente para ela. Ele não precisava confirmar. Por trás da hostilidade, a resposta estava gravada claramente em seu rosto. Torturado. Traumatizada. Deus, toda a cidade havia sido destruída. Pessoas mortas... — Eu não estava onde eu deveria estar caralho, — disse ele, a raiva vibrando sua voz. Ela engoliu em seco e calmamente pegou as canecas. O que ele quis dizer com isso? — Eu estava em um restaurante que não era meu, ajudando alguns amigos. Sem saber que a decisão seria a pior decisão que eu já fiz. — Ele balançou a cabeça. — O tornado atingiu e enquanto eu estava preso sob um frigorífico maldito preocupado sobre mim, minha casa estava sendo destruída. — Diga-me. — O restaurante estava cheio para o jantar mais cedo. Completo. Nós corremos, tentando fazer com que todos se escondessem em algum lugar. Eu era o último, mas não havia mais espaço. Então eu rastejei debaixo da pia, passei 197


meus braços em torno dos tubos e comecei a rezar. O rugido. Eu nunca vou esquecer o barulho.... Os gritos, o vidro quebrando. A ferocidade do vento que literalmente destruiu tudo ao meu redor. Eu fiquei preso até que Lance me encontrou e me soltou. — Seu rosto se contorceu de dor antes que ele o limpasse com uma carranca assassina. — Era o meu dia de folga. Eu deveria estar em casa. — Ele parou por um instante. — Porque eu não estava minha esposa foi morta e eu fui deixado para encontrá-la. Sua esposa. Mac perdeu a mulher que amava. Atordoada, Gayle afundou na cadeira em frente a ele, incapaz de formar palavras. Mac balançou a cabeça e ela sabia que ele estava vendo a agonia do momento, tudo de novo. Deus, como ela desejava que pudesse aliviar a sua dor. Mas como ela poderia, quando a dela própria ainda era tão fresca? — Ela tinha dez semanas de gravidez. — Ele olhava para frente, mas a raiva havia desaparecido de sua voz. Em vez disso, foi preenchida com desapego. Monótona. Ela não tinha certeza do que era pior. Deus, uma mulher e uma criança. Porra. Isso era pior. Muito pior. Gayle respirou estremecendo enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto. Ela rapidamente correu para afastala.

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— Jesus. Eu sinto muito, Mac. — E ela sentia. Mais do que ele poderia saber. Precisando tocá-lo, confortá-lo de alguma forma, ela cautelosamente pegou sua mão na dela, agradecendo quando ele não a arrancou. — Deixei o Kansas um mês depois e não olhei para trás nenhuma só vez. Não até que Lance chamou. Como diabos você diz não a um homem que salvou sua vida? — Mac olhou do outro lado da sala. — Ele não me fez nenhum favor por me puxar para fora naquele dia. Ela entendeu essa linha de pensamento, embora ela estivesse muito além do seu próprio desejo de morte. Mas no começo foram muitos, muitos meses, quando ela tinha lutado com a sua dor e ela também se perguntou se ela estaria melhor morta. Sem saber como se mover para frente, com um futuro tão incerto. Ele respirou fundo, puxou a mão da dela, e esfregou o rosto. Um momento de dor picou seu peito, mas ela o deixou ir. As pessoas queriam conforto da sua própria maneira. Mac não parecia querer nenhum. O fato de ele deixá-la segurar sua mão, mesmo que brevemente, foi um pequeno milagre. — O primeiro estrondo do trovão hoje trouxe cada maldita memória furiosa de volta. Foi como estar de volta naquela porra de lugar. Apenas um miserável lembrete após outro do pior dia da minha vida. — De repente, ele olhou para ela e havia uma acusação em seus olhos que ela não 199


entendeu. — E você vai atrás dessas coisas. Como você pode deliberadamente chegar perto de um tornado? Ser tão animada com a possibilidade de uma formação? Você não entende a devastação pura que essas coisas trazem para a vida das pessoas? Ah. Então esse era o seu problema com ela. Não seu estilo de vida não convencional, mas que ela caçava tornados. Ok, não era a primeira vez que seu trabalho tinha desencadeado uma reação ruim.... Embora nunca completamente a este grau antes. Mas como ele iria reagir quando ele descobrisse por que ela fazia o que fazia? — Oh, eu entendo. — Ela deu um sorriso triste. — Tudo muito bem. Ele franziu a testa, sua raiva e acusação lentamente dando lugar à incerteza. — O quê? — Há sete anos eu perdi meus pais, minha irmã e o homem que eu estava namorando desde o meu último ano na escola para um tornado EF-5. Ela não se incomodou com os detalhes. Agora não era o momento. Isso era sobre ele. Ela só queria que ele soubesse que ela realmente entendia. Mac se sentou, olhando para ela.

200


— Os perdeu... para um tornado? — Eu estava terminando o meu mestrado em ciência atmosférica na Universidade do Alabama em Huntsville quando aconteceu. O tempo sempre me fascinou, mas eu nunca tinha caçado até o ano depois que morreram. — Ela suspirou e em sua pergunta silenciosa, ela explicou — Eu precisava saber.... Como tornados funcionavam. Por que aconteceu. Eu queria mais pesquisas sobre tornados para que os outros não morressem da mesma forma que as pessoas que eu amava. Dediquei as últimas seis temporadas para fazer isso. Enfrentando-os de frente me ajudou muito a lidar com o que tinha acontecido. Talvez você devesse tentar. Ele empurrou de volta. —

Foda-se,

não.

Não

tenho

nenhum

desejo de

experimentar um daqueles bastardos novamente. De jeito nenhum eu iria deliberadamente buscar um. Erguendo as palmas das mãos, ela disse: — É só uma sugestão. Entendi. Mas se você mudar de ideia, o convite está lá. — Não serei eu a te levar até isso. O que você faz é loucura porra. Ele viu ainda mais do que você. O lembrete a acalmou e a impediu de responder ao insulto. — O que eu faço tem ajudado muita gente, Mac. Você pode não entender isso, mas não menospreze a pesquisa que 201


eu tenho feito nos últimos seis anos da minha vida simplesmente por causa de seu passado. Ele olhou para ela por um momento, depois engoliu em seco e deu um aceno. — Justo. Seus sentimentos ainda ardiam de seu ataque mais cedo naquela tarde, mas conhecendo os eventos que o levaram até ali sua raiva tinha sido praticamente apagada. — Então, podemos chamar uma trégua? — Ela se aventurou. Uma longa pausa se seguiu, então ele disse: —

Essa....

Essa

coisa

entre

nós....

Não

está

acontecendo. Não podemos. Não é como a outra noite. A

mágoa

renovada

que

perfurou

seu

peito

a

surpreendeu. — Porque eu sou uma ― tomadora de riscos‖? Ele exalou. — Eu não posso começar a me preocupar com você, Gayle. Eu não posso passar por esse horror de novo. E você tem que admitir, com o seu trabalho, as chances são muito boas. Preocupar-se

com ela? Ela

franziu

a testa. Ela

realmente não tinha pensado naquela noite como nada mais do que ela tinha desfrutado com outros homens. Ela 202


simplesmente gostava de sexo. Mas a implicação das palavras de Mac mexeu no peito de uma forma estranha. O sorriso de entendimento que ela lhe ofereceu pareceu falso, tenso. — É justo, — ela repetiu suas palavras. — Mas podemos ser amigos? — Nós podemos tentar. Tentar. Pelo menos o aviso estava lá desta vez, certo? Ela não iria ser pega de surpresa. Ela teria a certeza de não se apegar muito. Não se apegar, em tudo. Com as emoções as lutas dele tinham mexido com ela, ela estava em risco de começar a se preocupar com ele. Ela tinha um coração tão malditamente mole, querendo nada mais do que apoiar e confortar quando algo de ruim estava acontecendo com as pessoas que ela chamava de amigos. Mas os homens tendem a atropelar tudo sobre as mulheres como ela. Felizmente ela tinha aprendido a lição, tinha aprendido a manter distância e reservar a sua compaixão para aqueles que verdadeiramente a apreciavam. Ele a avisou e ela planejava prestar atenção à advertência. O homem podia ter ido ao inferno, mas se ele não poderia passar por cima do seu trabalho para ver quem ela realmente era abaixo de tudo isso, então eles não tinham possibilidade de qualquer tipo de amizade real. Oh sim. Ela iria andar com muito cuidado ao redor de Mac Hannon.

203


Capítulo Sete Em pé, com as pernas espalhadas na frente da porta de tela na cozinha, três dias depois, Mac fez uma careta enquanto observava Gayle e um cara de cabelos escuros colocando recipientes de plástico na parte de trás de um Nissan Xterra turbinado. O SUV preto estava envolto com o logotipo da equipe do tempo da WKKS News com uma imagem de radar no fundo. O para-choque da frente não era um para-choque de ação, mas do tipo de grade resistente que protegia os faróis, geralmente vistos em veículos off-road. Uma variedade de antenas se projetava a partir do telhado, juntamente com todo um conjunto de equipamentos de aparência estranha. Seu veículo de caça aos tornados. O cara o tinha colocado para fora do celeiro atrás de sua casa cerca de trinta minutos atrás. Um sistema de tempestade devia estar se formando em algum lugar. Porra fantástica. Balançando a cabeça, Mac virou, fechou a porta de dentro e caminhou até a cozinha para entrar em colapso sobre o sofá da sala. Ele jogou o braço sobre os olhos, bloqueando o sol do final da tarde. Nos dias que se passaram desde que Gayle o havia encontrado no celeiro, eles realmente 204


não tinham tido muita interação um com o outro. Amigos definitivamente não era o caminho em que eles estavam. Era mais como se eles tolerassem a presença um do outro. Por ele, ele não se importava com a consciência crua e exposta de ele tinha quando estava perto dela. Ela o tinha visto perder o controle. Toda vez que ele a viu, ele se lembrava disso. — Ei, cara, — perguntou Lance, balançando o pé de Mac. — Você está acordado? — Sim, — respondeu ele, sem retirar o braço. —

Acabei

de

receber

uma

ligação

sobre

uma

reintegração de posse que eu tenho caçado por algumas semanas. Eu provavelmente vou ficar fora a maior parte da noite. — Ok. — Lance pairava sobre Mac e ele soltou um suspiro. — O quê? — Você quer vir comigo? Convidei-o para vir aqui, e eu continuo deixando-o sozinho. — Não. E você me convidou aqui para ajudá-lo a treinar, o que fizemos esta manhã e nos últimos três dias. Estou cumprindo meu fim nas coisas. Eu não preciso de companhia. Vá ganhar o seu dinheiro, Lance. — Mas depois... — Vá. Lance

pairou

por

mais

algum

tempo,

mas,

eventualmente, seus passos desapareceram no corredor. 205


Segundos depois, a porta da frente fechou. Seu amigo estava agindo como a porra de uma mãe preocupada desde que Mac lhe contara sobre a outra noite. Era exatamente por isso que ele nunca confiou sua merda pessoal para as pessoas. Eles ficavam esquisitos depois. Mesmo as malditas sessões de treinamento com Lance tinham sido tensas, como se seu amigo pensasse que Mac era frágil ou algo assim e não estava colocando toda a sua força nisso. Como o idiota vai se preparar para a porra de uma luta, se ele não ia para o treino 100 por cento? Precisou que Mac o atingisse com força para Lance finalmente saísse dessa sua aproximação com luva de pelica. Por que as pessoas não entendiam que Mac não precisava de ninguém? Ele estava totalmente bem sozinho. Ele se deslocou para o seu lado e olhou para a mesa de café. Pneus rangiam no cascalho quando o SUV se dirigia ao redor da casa para frente. Então, eles estavam fora em sua emocionante aventura de tornado cheia de ação. Preocupação por Gayle se construiu em seu peito. Não. Ele não se importava... Ele não se importava. O que importava era dormir um pouco, que lhe fugiu desde o celeiro. Ele fechou os olhos novamente. Um baixo estrondo de um trovão soou a distância e seus olhos se abriram. Todo o seu corpo se enrijeceu. As janelas estavam escuras agora ao vez de brilhantes do sol da tarde. Bem, pelo menos ele tinha escapado com sucesso para 206


o esquecimento do sono por um tempo. A falta de pesadelos era apenas uma prova de como ele estava exausto. Atirando as pernas para o lado do sofá, se sentou, piscando. O que o tinha acordado de qualquer maneira? Um brilhante clarão azul iluminou o quarto. Sua respiração presa em seus pulmões. Outro raio de luz iluminou a área escurecida. Preso. Pesado. Não conseguia respirar. Escuridão completa, exceto pela luz estroboscópica de um raio. Gritos. Assim, muitos malditos gritos. Porra! Ele acendeu o abajur sobre a mesinha para que as explosões de luz não fossem tão palpáveis. Ele trabalhou o pescoço de um lado para o outro, tentando livrar seu corpo de sua crescente tensão. Apenas uma tempestade. Isso era tudo. Ele não deixaria sua mente foder com ele. Um estalo ensurdecedor sacudiu as paredes. O ruído do carro como se o para-choque deslizasse mais perto de sua cabeça. O desespero para se libertar. Lance estava lá de repente. Suor frio acumulando sobre a pele úmida de seu lábio superior. Tremores balançavam suas mãos, quando as vias aéreas em sua garganta pareciam encolher. Ele sugou uma inspiração assobiando e empurrou para seus pés. Não pense. Não pense. Faça alguma coisa. Qualquer coisa. 207


A TV. Relâmpagos reluziram duas vezes quando um trovão seguia imediatamente. Sua casa destruída. Nada mais. Gritando o nome dela. Frenético. Aterrorizado. Rugindo sua fúria, Mac pegou uma almofada e arremessou-a para o corredor. Xingando, ele caminhou até a grande tela plana, seus passos duros, estranhos. Outra luz brilhante o fez tropeçar longe das janelas. Uma pilha de escombros. A mão ensanguentada. A aliança de ouro branco e o anel de noivado incrustado brilhando ao sol. Ele atou as mãos em seu cabelo, apertando as pálpebras fechadas. Não. Não! Não lembre. Os arbustos do lado de fora começaram a raspar contra o vidro com os ventos. Ele levantou a cabeça e sua respiração ficou presa enquanto olhava para os ramos achatados contra as vidraças pelo vento uivante. Os dedos finos permanecendo imóveis. Nem mesmo uma contração. Ele ficou paralisado de medo. A realização aparecendo. A recusa em acreditar. Pontos brancos dançavam diante de seus olhos. Ele sugou o oxigênio em seus pulmões, então se apressou para ligar a televisão.

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A violência crescente do tempo lá fora o chamou para o esquecimento – para o passado e, droga, uma viagem de volta para o inferno esta semana tinha sido suficiente. Forçou-se para a cozinha, abriu a geladeira e pegou uma cerveja. Outro estalo violento sacudiu tudo ao seu redor. Arremessando escombros de cima dela. Olhos azuis sem vida. O poste da cerca saindo de seu peito. Ele jogou a garrafa no chão. Vidro e cerveja explodiram em todo o piso de madeira. Filho da puta! Ele odiava essa porra. Ele pegou uma toalha de cozinha e deixou-a cair sobre a cerveja derramada, em seguida, pegou uma nova garrafa da geladeira, torceu fora a tampa e tomou um longo gole enquanto observava o relâmpago branco no céu. Mortos. Sua esposa. Seu filho. Mortos. Sua garganta fechou, a bebida ficou engasgada. Ele segurou sua boca quando vomitou a cerveja sobre seus dedos. Um pouco molhou sua camisa, o resto se espalhou no chão. Fúria assumiu e ele lançou a garrafa contra a parede. O estrondo do vidro quebrando, a cerveja jorrando, deu-lhe uma

sensação

momentânea

de

alívio.

Ele

inalou

profundamente, punhos cerrados apertados em seus lados.

209


Os céus se abriram e chuvas torrenciais bateram contra as janelas, sacudindo as vidraças. O vento uivava. Os galhos batendo no vidro. Ele falhou. Falhou em protegê-la. Falhou em proteger seu filho. Ele falhou com os dois. Assim quando ele levantou o braço para lançar mais uma garrafa, uma batida alta tinha ele estremecendo fora das memórias. O barulho voltou e seu olhar bateu à porta. Ele abriu-a para encontrar Gayle de pé no degrau mais alto. Cabelo encharcado se agarrava a seu rosto e gotículas de água pingavam da ponta de seu nariz e queixo. A regata verde molhada moldava a sua pele, enquanto seus shorts cáqui pingavam água para baixo das pernas para os pés descalços enlameados. Um arrepio passou através dela derrubando-o para fora de seu estupor atordoado. — Gayle! — Ele se moveu para deixá-la entrar. — Que diabos você está fazendo correndo em uma tempestade como está? Outro arrepio passou por ela quando ela entrou e levantou uma xícara, também pingando água. Mas ela sorriu. — Eu estava fazendo biscoitos e percebi que estava sem açúcar. Que porra é essa? Ele olhou para a ventania no lado de fora.

210


— E não poderia esperar? O que diabos você está fazendo aqui? Eu pensei que você tinha saído. — Não, ainda não. Quanto ao açúcar, pensei que eu seria capaz de pegar isso aqui e voltar antes que o céu se abrisse. Acho que eu estava errada. — Ela lhe enviou outro sorriso. — Então. Açúcar? Ele olhou para ela e realização cresceu. — Eu não preciso de babá, Gayle. — O que você está falando? Eu preciso de açúcar. Ele levantou uma sobrancelha incrédula para ela, o que ela voltou em espadas, então balançou a taça para ele. — Açúcar, Mac. Por favor. Ele daria a ela parabéns, ela foi extremamente convincente, mas não importava o quanto queria negá-lo, ele não acreditava que ela andaria através de uma chuva torrencial e um vento louco porque queria assar os malditos cookies. Ele pegou a xícara da mão dela e foi para o armário. Depois que ele a secou e encheu com açúcar, ele se virou para encontrá-la com os braços em volta de seu corpo, tremendo de frio. Ele colocou o copo sobre o balcão. — Você vai ficar presa aqui por um tempo. Me deixe te dar alguma coisa seca para vestir.

211


O fato de que ela não discutiu foi apenas mais uma prova de que ela veio aqui por ele. Com o que ela estava preocupada? Ele destruindo a casa de Lance? Seus olhos foram para a piscina de cerveja e cacos de vidro no chão. Meh. Talvez ela tivesse um motivo para se preocupar. Depois que ele puxou uma camiseta fora de um cabide, ele pegou um par de shorts de corrida da gaveta. O shorts provavelmente não caberiam nela, mas ele os levou de qualquer maneira e os entregou a ela. Murmurando um agradecimento ela desapareceu no banheiro do térreo. A tempestade ainda estava no auge lá fora, mas apenas tê-la aqui pareceu acalmar as imagens horríveis que lhe haviam torturado. Quando ela voltou, uma sensação estranha estalava sob suas costelas. Sua camiseta preta do concerto de Zac Brown Band ficou enorme em cima dela. Praticamente a engolia toda. O shorts chegaram logo acima dos joelhos, enquanto as mangas estavam abaixo dos cotovelos. Ela era a visão mais linda que ele tinha posto os olhos em um longo tempo. Ela segurou o calção em suas mãos. — Hum. Sim. Estes vieram para minhas canelas. E tanto quanto eu gostaria de parecer como Kid 'n Play16, não é realmente a época do ano para fantasias.

16

Banda de hip-hop.

212


Pegando-os de volta ele riu. Sentia-se bem. Muito bem. A última vez – puta merda. A última vez que ele riu foi na noite em que eles dormiram juntos. — De forma alguma eu acho que eles me servem. Um trovão sacudiu a casa e ele ficou rígido. — Por que não vamos encontrar algo para nos ocupar? — Gayle sugeriu. — Quanto tempo essa tempestade deve durar? Ela estudou-o por um momento, então suspirou. — Há uma longa fila delas vindo. Poderiam ser horas. — Existe uma chance de – é por isso que estavam embalando seu SUV mais cedo? — Eu não caço à noite, Mac. É perigoso. Rick e eu estamos acompanhando a evolução, nos preparando por precaução. Mas este sistema.... Um pode nunca estar 100% certo, mas as condições não são realmente favoráveis para a formação de tornado. O que não significa que não vamos ver algumas loucas tempestades intensas passando, apesar de tudo. — Ótimo. Ela se moveu ao redor dele para a cozinha, em seguida, parou abruptamente. — Uau. Alguém teve uma festa aqui. — Ela olhou para ele por cima do ombro, um olhar de falsa decepção lhe 213


torcendo o rosto. — Estou magoada que eu não fui convidada. Mesmo que ela estivesse fazendo pouco caso, embaraço queimou sua pele. Ele havia perdido o controle. Mais uma vez. Ela pareceu sentir o desconforto, porque ela se virou para encará-lo. — Mac! — Ela disse em um tom de comando que o obrigou a levantar a cabeça imediatamente. A maneira intensa que ela o olhou pegou-o de surpresa. — Não há problema em ficar com raiva. Não se sinta mal sobre isso. — Ela sustentou o olhar por um momento, depois voltou para o vidro quebrado e cerveja. — Eu vou limpar isso. — Eu faço isso. Sem comentários, ela lhe entregou a vassoura e ele começou a varrer. Ela saiu da sala por alguns instantes e voltou com uma braçada de toalhas. — Vou colocá-los na maquina de lavar depois que limparmos toda a gloriosa cerveja que você desperdiçou na parede e no chão. Mac sentiu os primeiros repuxos de um sorriso. Dez minutos depois ela saiu da lavanderia ao lado da cozinha, cruzou os braços e disse: — Agora, o que vamos fazer? 214


Tocando um dedo sobre os lábios, ela examinou o aposento. — Você sabe o quê? — Ela murmurou então se agachou e abriu uma porta de armário. — Aha! Sim. Ela ergueu uma garrafa de vodka. — O que você diz, bonitão? Quer ficar bêbado? Suas sobrancelhas voaram para seu couro cabeludo. — Sério? — Inferno, por que não? Quando foi a última vez que ele tinha conseguido uma boa bebida? Tinha sido um maldito inferno de uma semana. — Eu acredito que tem limonada na geladeira de Lance que ele fez para Skylar. Seus olhos rolaram. — É caseiro? — Acho que sim. Ela começou a olhar ao redor como uma louca. O que ela estava procurando? — Claro que sim! — Ela exclamou quando ela colocou a garrafa de Vodka no chão e voltou com um limão em cada mão. — Já tomou um Lemon Drop17? Doses? Ela queria fazer doses? 17

Bebida de limão com vodka.

215


— Anos atrás. Tipo, anos de escola de culinária atrás. — Já jogou ‗Eu nunca ‘? Um jogo de beber? — Mais uma vez, anos atrás. — Quer? — Um brilho brincalhão iluminou seus olhos que ele não podia resistir. — Merda, — ele murmurou com uma risada derrotada. Ele ia se arrepender para caralho. — Incrível! Ela passou a trabalhar recolhendo tudo e dentro de alguns minutos ela tinha dois copos de dose, um prato de fatias de limão revestidos de açúcar e uma garrafa de vodka no balcão. Ela também colocou seu Iphone no deck, e uma divertida, música de dança animada, abafou o barulho do lado de fora. Ela serviu os copos cheios de licor, e perguntou: — Você se lembra das regras? — Refresque minha memória. — Eu digo uma coisa que eu nunca fiz, e se você nunca fez isso você não tem que beber, mas eu tenho. Se você fez.... Tem que virar. — Senhoras primeiro.

216


Ela se inclinou para frente, um olhar malicioso chegando ao seu rosto. — Eu nunca, nunca lutei em uma gaiola. Um riso chocado explodiu dele. Ele balançou a cabeça e estendeu a mão para a dose, olhando-a por cima da borda. — Você joga sujo. Ela se inclinou para trás, sorrindo com prazer. — Obrigado. Ele jogou a bebida para trás, em seguida, mordeu uma cunha de limão. — Nunca fui a uma universidade tradicional. Dando um aceno de aprovação relutante, ela tomou sua dose. — Agora que tiramos as fáceis do caminho, vamos fazer isso interessante. — Ela se inclinou para frente novamente. Apoiando os cotovelos no balcão, ela entrelaçou os dedos e o estudou. — Hmm. Eu nunca.... Andei nua na rua. A

confissão

aleatória

imediatamente

trouxe

uma

lembrança dele fazendo exatamente isso em seus vinte e poucos

anos,

bêbado

fora

de

sua

mente.

Ally

ficou

horrorizada, mas era algo que eles riram por anos. Um sorriso surgiu em seus lábios agora. O licor desceu queimando. 217


Eu

nunca

pulei

de

bungee-jumped,

ele

respondeu. Seu nariz amassou quando ela levantou o vidro minúsculo para os lábios. Uau. A mulher tinha saltado de bungee-jumped. Ele não devia ter se surpreendido. Ela corria com tornados. Eles jogaram mais um par de ‗eu nunca ‘ para o outro, onde Gayle teve que tomar duas doses. Porque, não, ele nunca tinha ido a um show de noivas, mas ela entrou em um concurso de camiseta molhada. Mulher louca. Olhos vidrados ligeiramente, ela o estudou em silêncio por um longo momento, então respirou fundo. — Eu nunca sai de férias em algum lugar tropical. Sua lua de mel. Duas semanas completas nas praias de Aruba. Na memória, calor encheu o peito. Como ele se concentrou em Gayle, ele quase riu. Ela estava balançando um pouco em seu assento. Ele jogou para trás a dose. — Nunca fui interessado em tempo. — Pobre mulher tinha duas doses na cara dele. Ela bateu o pequeno vidro para baixo e arrastado ligeiramente, — Eu nunca fiz sexo em um local estranho. — Sério? Nem uma única vez? — Bem, isso era só.... Triste. Ele e Ally tinham passado por uma fase em que toda a ideia de fazê-lo em algum lugar onde eles poderiam ser presos

218


foi emocionante. Cara, não tinha pensado sobre essas coisas por um longo tempo. Ele tinha esquecido... Inferno. Ele bufou baixinho e ergueu o olhar para Gayle, realização amanhecendo mais uma vez. Ela lhe deu um sorriso torto. — Você está no meu jogo, não é, bonitão? Alegria o encheu. Ela o fez pensar no bom – lembrar-se do bom. — Você realmente joga sujo. Ela lhe deu um olhar complacente, então seu humor mudou para uma seriedade muito não- Gayle. — O passado não é de todo ruim, Mac. Você não pode reprimir as boas lembranças e se concentrar apenas sobre o mal. Quando foi a última vez que você pensou em sua esposa com uma boa memória? A pergunta o silenciou por um momento. — Como é que você— Perdi pessoas que eu amo, também, lembra? — Ela interrompeu. Sim, ela tinha. — Um tempo muito longo. Como você sabia o que dizer para desencadear as lembranças? 219


Ela encolheu os ombros. — A coisa de andar nu, eu chutei. Você só pareceu que era do tipo. Eu estava errada sobre o show de noivas. Pensado que desde que você foi casado, você teria sido arrastado para um. Os outros dois eu apenas continuei o assunto amplo o suficiente para que quase qualquer coisa pudesse cair sob ele. — Nós fugimos para Vegas. Elvis nos casou. — Outro sorriso surgiu em seu rosto. Droga. Parecia incrível pensar nela sem lutar. Para realmente sorrir quando uma boa memória veio à superfície em vez de permitir que o mal dominasse sua mente. Ele voltou sua atenção para Gayle. — O sexo. Você estava falando sério sobre isso? — Oh, definitivamente. — Seu queixo caiu, mas ela balançou para frente, um sorriso travesso nos lábios. — Só depende de sua definição de ‗localização estranha‘. — Ela piscou. Em seguida, ela pulou para fora do banco. — Eu amo essa música! A canção era do Bruno Mars Runaway Baby. Mac a assistiu dançar ao redor como um Muppet. O calor que sentira revisitando memórias de sua esposa o encheu de novo enquanto assistia Gayle. Ela realmente era incrível. Quente. Atenciosa. Misericordiosa. Por que um homem não a tinha arrebatado? Eram todos idiotas neste estado? No campo em que ela estava, tinha que haver um monte de caras que eram caçadores de emoções como ela, 220


que não hesitariam em pular em uma SUV e correr direto em linha reta para um inferno que incluía casas voando e chuvas de equipamentos agrícolas, como se fosse um dia ensolarado brilhante. Por que o incomodava pensar em Gayle estando com alguém assim? Ele não tinha nenhum futuro com ela. Ele não viveria no Kansas novamente. Ela nunca iria embora. E a ideia de estar

envolvido

com

uma

mulher

que

procurava

voluntariamente a coisa que tinha destruído sua vida – era incompreensível. Ele nunca se abriria de modo a permitir que um tornado o destruísde uma segunda vez. Não, se certificar de manter Gayle firmemente na zona de amigo era a única maneira que poderia ser entre eles.

O brilho repentino atrás das pálpebras de Gayle a fez se mexer. Alguma coisa estava apertada ao redor de sua cintura, trazendo-a mais perto de uma parede dura. Piscando os olhos abertos, ela se encolheu contra a dor incômoda nas têmporas e do algodão na boca. Vodka. Droga. Ela faria tudo de novo em um piscar de olhos, no entanto se trouxesse de volta a maciez que tinha relaxado o rosto tipicamente severo de Mac. Lhe dar-lhe isso teve um grande significado para ela. Tinha passado tanto tempo lidando com o mal. Ele precisava se lembrar do bom. 221


Erguendo a cabeça, ela estudou o peito largo que ela estava usando como travesseiro. Senhor, quando ela tinha caído no sono? Ela era uma droga de peso leve e beber muitas doses a tinha atingido como uma tonelada de tijolos. Lembrou-se de dançar, o licor a repreendendo por isso e de correr para o banheiro antes de solta-lo ali mesmo na cozinha. Ela fechou os olhos. Bem, pelo menos Mac tinha sido distraído. Quando ela começou a sentar, um aperto em sua mão a impediu. Seu olhar saltou para onde estava em seu peito com a mão dele cobrindo a dela. Ela examinou as suas posições. Ele estava sentado, com a cabeça encostada na almofada, enquanto ela estava situada debaixo do braço, a palma da mão descansando sobre o seu quadril. Como ela deveria se levantar sem acordá-lo? Lentamente, ela deslizou a mão por debaixo da dele. Balançou as pernas para o lado do sofá, ela aliviou para a borda e o assistiu. A vontade de acariciar o rosto mal barbeado era quase irresistível, mas manteve a mão para si mesma. Ela quase não tinha chegado à casa, quase tinha virado, incerta pela primeira vez sobre o que ela devia ou não fazer quando se tratava dele. Os céus se abrindo a empurraram para frente. Quando ele abriu a porta, seu rosto estava assustadoramente pálido, os olhos mal-assombrados.

222


Se ele estivesse aqui sozinho... Ela balançou a si mesma. Ela não queria nem pensar em como esta casa teria acabado. Um trovão sacudiu a casa. Mesmo durante o sono, o corpo de Mac ficou tenso e ele murmurou: — Não. Gayle congelou. Ela deveria acordá-lo? Relâmpago iluminou o quarto novamente, seguido por outro estrondo de trovão. Um gemido baixo veio dele e ele começou a se inquietar como se estivesse tentando escapar de uma ameaça invisível. — Mac, — ela sussurrou, tocando seu rosto para atrapalhar o sonho. — Não, — ele gemia baixinho. Seu estômago atou na tristeza em sua voz, ela tomou seu rosto entre as mãos e sussurrou seu nome novamente. — Ally. — Um apelo quebrado tão cheio de sofrimento, lágrimas imediatamente brotaram de seus olhos. Ally. Esse tinha que ser o nome de sua esposa. Obviamente, o homem era mais traumatizado pela forma como ela tinha morrido do que aparentava. De repente, ele empurrou e seus olhos se abriram. Enquanto ele tomou um momento para registrar o seu entorno ela fugiu para longe e lutou para se controlar, perto 223


de chorar. Ele tinha perdido tanto. Passado por tanta coisa. Ainda mais do que ela tinha. Sim, ela teve que aprender a viver a vida sem sua família e Sam. Embora ela e Sam estivessem planejando se casar depois que ela terminasse seu mestrado, ela estava vivendo no Alabama, enquanto ele ficou no Kansas. O relacionamento de longa distância nunca foi um problema para eles. Como era ela não ia para a cama com Sam todas as noites. Não o tinha visto todos os dias. A distância não havia diminuído a dor insuportável causada pelo silêncio de seu telefone após sua morte. A dor de receber apenas mais um — Bom dia, luz do sol — dele tinha sido pungente. E então havia a sua família e o buraco negro emocional deixado para trás na casa que ela tinha crescido. Ela só tinha voltado para a casa algumas vezes por ano desde que foi para a faculdade, mas mesmo assim, a casa nunca foi a mesmo de novo, depois. Mas para ter uma pessoa que era uma parte íntima de sua vida diária arrancada de você – Gayle engoliu. Era difícil de imaginar. E para adicionar à agonia, Mac tinha a sua própria experiência de pesadelo para reviver uma e outra vez. Ela havia sido salva de tudo isso. Inferno, ela nunca tinha experimentado um tornado do jeito que Mac tinha. Nem perto disso. Quando ele finalmente focou nela, ela estava sentada na ponta do sofá mais distante dele. Ela forçou um sorriso brincalhão nos lábios, 224


— Ei você aí, bonitão. Ela usou o apelido intencionalmente. Qualquer coisa para fazê-lo acreditar que ela não o tinha visto em seu pesadelo. Aqueles eram só para ele. Ela não tinha certeza de quantas vezes ele teve, mas ter esse tipo de pesadelo era duro o suficiente para lidar sem precisar que outra pessoa testemunhasse o calvário. Ela deveria saber. Balançando a cabeça, empurrou para cima. — Não acho que eu tenha acordado para isso antes. — Sério? Nunca? Um homem pecaminosamente sexy acordar de seu sono é tão... Rawr. — Ela arranhou os dedos em direção a ele, colocando tanto lúdico quanto pôde no som e gesto, mesmo que ela não se sentia brincalhona em tudo. Ela ficou aliviada quando um pequeno sorriso se contorceu nos cantos de sua boca e a tristeza desapareceu de seu olhar. O silêncio caiu entre eles e ela enviou uma silenciosa oração

de

agradecimento

quando

seu

celular

tocou.

Considerando que eram duas da manhã, só poderia ser uma pessoa. Apesar de que atender na frente de Mac seria provavelmente uma má ideia, ela não podia ignorá-lo. —Hora de Trabalhar???? — Ela perguntou, assim que colocou o telefone em sua orelha.

225


— Sim, é. É grande, Gayle. Nós estamos olhando para o nosso primeiro foco potencial de massa ao longo dos próximos dias. Todos os ingredientes necessários para a formação de supercélulas estava se preparando há algum tempo. Eles sabiam que seria a qualquer minuto. Foi por isso que eles tinham se adiantado e colocado tudo no SUV naquela tarde. — Tudo certo. Precisamos estar na estrada às sete horas. — Entendido, senhora chefe. Quando ela desligou, ela teve um tempo difícil olhando para Mac. Ela não tinha vergonha do que ela fazia. Muito pelo contrário. Ela tinha orgulho de ajudar as pessoas e as informações com que ela alimentava o Serviço Nacional de Meteorologia. Mas depois de ver como ele era afetado pelas tempestades era difícil encontrar seus olhos. — Você precisa sair? — ele erguntou bem quando mais um trovão ressoou acima deles. Obrigou-se a encará-lo. — Não. Eu não tenho que voltar a minha casa até às sete. Balançando a cabeça, seu olhar deslizou fora a olhar para a parede, com o nariz franzido. Por fim, ele disse: — Eu vi você embalando mais cedo e ouvi um carro. Eu pensei que você já tivesse ido. 226


— Apenas preparando. Nós sabíamos que isso iriaa acontecer. Provavelmente foi Rick quem você ouviu sair. Mac não tirava os olhos da parede, expressões estranhas contorcendo o rosto. Expressões de debatendocomigo-mesmo. O que estava acontecendo em sua mente? Ela permaneceu em silêncio. Depois de um minuto, ela começou a roer o lábio inferior, depois de dois segundos, ela finalmente perguntou: — O que você está pensando? Ele se virou lentamente e a olhou durante uma batida de coração — Eu gostaria de ir também. Ela endureceu. — Diga isso de novo? — Você disse que eu poderia acompanhá-la em uma caçada. Correto? — Sim — disse ela com cautelosamente. — E nós dois sabemos que você não veio aqui pelo açúcar Gayle. Se você não tivesse vindo para cá eu não tenho certeza do que esta noite teria feito para mim. Eu já tinha começado a ir para alguns lugares ruins antes de você aparecer. Mas você soube exatamente como me distrair durante as últimas horas. Agora eu acho que talvez você esteja certa e eu precise encarar.... Para que eu possa seguir em frente. 227


Porcaria. Sim, ela tinha dito isso. Mas ela estava pensando

mais

na

abordagem

pequenos-passos.

Umas

caçadas menores por tornados corda18 em campos abertos. Inferno, ela, na verdade, tinha esperado levá-lo em algumas das muitas, muitas perdas de tempo em que eles iam. Deixalo ver por si mesmo que cada vez que ela saia, ela não laçava um tornado e montava estilo cowboy em sua destrutiva parte traseira. Na maioria das vezes, eles nem sequer viam uma gota de chuva e muito menos um evento. A maldita direção era mais perigosa – alguns dos caçadores amadores eram francamente mais imprudentes na estrada. O sistema de hoje, no entanto, tinha o potencial para gerar poderosos furacões cunha19, o que significava que eles iriam para ver uma ação mais real. Enquanto prever o local exato onde um redemoinho pode tocar o chão não era exato, as tempestades intensas que eles encontrariam seriam muito piores do que as que ele tinha experimentado até esta semana. Ele não teve uma boa reação a estas. Algo maior poderia empurrá-lo direto para borda.

18

Muitos tornados seguem um ciclo de vida que termina como um tubo, e em seguida, como uma corda. O estágio de corda pode levar a um funil contorcido, que lembra uma corda. O tornado fica tão fino que pode dividir-se em seções e ainda manter uma circulação no chão. Tornados podem ser perigosos na fase corda Fonte: http://tempojoaopessoa.jimdo.com/tornado/tipos-de-tornados/ 19 . Tornado cunha: O tornado cunha (ou wedge) é um dos tipos mais comuns. É reto nas laterais, em forma de funil. Geralmente é mais largo que alto. Esses monstros não são necessariamente mais fortes do que os outros, mas deixam um rastro mais largo no solo. Eles são tão grandes que, por vezes, são irreconhecíveis de perto como um tornado. Fonte: http://tempojoaopessoa.jimdo.com/tornado/tipos-de-tornados/

228


— Mac. — Ela inalou, então exalou por entre os lábios. — Eu não acho que essa caçada é certa para você. — Por que não? Como ela diria isso sem soar como se estivesse chamando-o de covarde? Ela não estava. Nem um pouco. A raiva era preocupante, no entanto. Mac estando preso dentro do pequeno limite de uma SUV com várias tempestades ao redor dele seria o equivalente a andar na ponta dos pés por um campo minado. — Esta é uma depressão gigante. Nós a estaremos seguindo por de alguns estados. Nós vamos ficar fora por dias. — Lance não vai se importar. Na verdade, estou bem certo de que ele iria me incentivar. Posso verificar com ele, porém, se você quiser. Ugh. Ok. Abordagem diferente. — Nós passamos muito tempo no SUV. E com um enorme sistema como este, estaremos olhando seriamente por quinze talvez dezoito horas por dia. Você não gostaria de ir a um sistema mais perto de casa, então você não ficaria entediado? — Vou levar um livro. Eu queria ler alguma coisa enquanto eu estivesse aqui, de qualquer maneira. Tudo certo. Aberto e honesto seria então.

229


— Mac. Este é um sistema perigoso. Uma frente de alto risco com o potencial de formar alta precipitação de supercélulas. — Eu não sei o que isso significa. — Supercélulas são o que fazem os tornados. O que significa que tudo aquilo — ela varreu a mão para a janela e para tempestade ainda furiosa lá fora — não é nada comparado com o que poderia acontecer com as grandes tempestades à frente poderiam reproduzir. Eu.... Eu não acho que você está pronto para isso. Fazendo uma careta, ela esperou que ele ficasse com raiva, mas ele calmamente a estudou como se estivesse realmente considerando suas palavras, e, cara, ela esperava que ele estivesse. — Eu entendo. — Ele acenou com a cabeça, mas seu alívio durou pouco. — Eu ainda gostaria de ir. Ela suprimiu um gemido e bateu as mãos nas coxas. Ela tinha tentado. — Ok. Você é um homem adulto. Você pode tomar decisões por si mesmo. Mas há uma regra, Mac. — Qual é? — Eu sou a chefe. Você faz o que eu disser para você fazer. E se você jogar um pedaço do meu equipamento, eu não me importo o quão grande e forte você é, eu vou jogar você. Entendeu? 230


— Entendi. — Oh. E pouca bagagem!.

231


Capítulo Oito Mac se sentou no banco de trás do SUV, assistindo a uma pequena cidade de Oklahoma passar enquanto se dirigiam ao lado oeste do estado. O céu estava claro com poucas nuvens. Era difícil de acreditar que eles estavam a apenas uma hora de distância de onde o sistema supostamente causaria estragos em terra. Essa talvez tivesse sido uma ideia ruim. Uma péssima ideia. Quanto mais tempo eles dirigiam, mais seu estômago apertava com a dúvida. No início desta manhã, depois de Gayle desligar o telefone, esta pareceu ser a escolha lógica. Seu pesadelo havia sido perturbadoramente real, a maneira como ele havia jogado de lado os escombros e encontrado o corpo sem vida de Ally. Pela centésima vez em quatro anos. Quando naquele exato momento Gayle recebeu um telefonema de Rick, Mac encarou isso como um sinal do universo. Lance pegou tudo, mas o empurrou para fora da porta dizendo a Mac para não se preocupar com ele, que bastava que ele fosse e se curasse. Assim, a decisão foi gravada em pedra. 232


Mas agora ele não estava tão certo de que esta era a melhor forma de fazê-la. E se enfrentar essa merda ferrase com ele mais do que ele já estava? Balançando a cabeça, ele bloqueou o pessimismo. Ele havia tomado uma decisão e a manteria. Ele tirou sua atenção da estrada, para o banco da frente. Rick, o parceiro de caça de Gayle, estava dirigindo. Quando ela os apresentou, antes que eles saíssem, Mac havia notado que o cara estava em torno de sua idade e, definitivamente, não tinha uma má aparência pelo ponto de vista de um cara. Um boné vermelho desgastado cobria seu cabelo escuro e ele o mantinha puxado sobre os olhos. Ele não era necessariamente musculoso, mas ele também não era magro como um rato de laboratório, mais como um meio termo, um cara encorpado acostumado ao trabalho braçal. As mulheres tendiam a gostar disso. Mais de uma vez Mac se pegou observando a interação entre Gayle e Rick para ver se existia, ou já havia existido, algo mais entre eles do que a caça a tempestades. Até agora, a única coisa que ele notou, foi uma amizade com insultos sarcásticos ocasionais, mas saudáveis. Gayle sentava do lado do passageiro; seu cabelo estava reunido de lado, caindo sobre um ombro, enquanto ela anotava algo em um bloco de notas. Todos os tipos de equipamentos, que iam de câmeras de GPSs até tablets, a cercavam. Ele se sentia como se estivesse em alguma merda de aeronave. Um laptop montado no console central entre os 233


bancos girava em sua direção para facilitar o acesso. Ela ficou muito tempo sobre a coisa, olhando para mapas e radares. Ela explicou que um dos aparelhos no teto era uma conexão de internet via satélite, garantindo que ela estivesse sempre

atualizada

com

as

últimas

informações

meteorológicas. Havia uma porrada de transmissores e rádios também. Porque ela precisava de tantos, ele não tinha ideia. Mas cada maldito deles estava ligado, emitindo um zumbido baixo constante de estática no carro, uma voz brusca surpreendia quebrando o silêncio de vez em quando - embora ele fosse o único que se assustava. O Grande e corajoso Lutador de gaiola, uma merda. Porra. Ele não tinha contribuído muito para a conversa ao longo das últimas quatro horas. Como poderia? Gayle se mantinha jogando um monte de palavras que ele não entendia. Coisas como linhas secas, fluxos e velocidade do vent eram como grego para ele. À medida que se aproximavam de seu destino, eles começaram

a

passar

por

outros

malucos

do

tempo

(meteorologistas) pela Interestadual 35. Um após o outro. Como ele sabia? Cada maldito deles estampava na lateral de seu veículo suas intenções com slogans inteligentes de caçadores de tornado. — Parece que estamos em uma convergência de caçadores — disse Rick com uma risada contida. Gayle fez uma careta quando ela subiu o olhar acima do laptop para espreitar para fora do para-brisa. 234


— Porra, isso significa apenas mais algazarra para nos preocuparmos. Intrigado com a reação dela, mas novamente não tendo ideia da língua que falavam, Mac se inclinou para frente. — Sobre o que vocês estão falando? — Convergência de Caçadores. Sistemas como este trazem caçadores meteorológicos de todo o país. Por isso estamos vendo tantos deles. — Ela apontou para os carros que passavam. — As cidades estarão lotadas com esses barulhentos. — O que é isso? Ela lhe enviou um sorriso zombeteiro. — É o que você pensa que eu sou bonitão. Caçadores de aventura. O que eles realmente são. São amadores sem o equipamento adequado. Eles lotam as estradas. Algo terrível. Não conhecem a regras da caça e nos colocam, eles e os outros,

em

perigo.

Eu

realmente

apreciaria

se

eles

simplesmente ficassem em casa. — Ela voltou sua atenção novamente para o laptop com uma carranca. Mac perguntou: — E o que você faz não é perigoso? Por que um perigo é aceitável e o outro não? Ela lentamente virou a cabeça em direção a ele. A irritação escrita em todo seu rosto o pegou um pouco de surpresa. Tirando quando ele era um completo idiota com ela, 235


Gayle sempre era tranquila. Acho que isso não se aplicava as perguntas relacionadas ao seu trabalho. Mas novamente, ela esteve tensa durante toda a manhã. Não necessariamente como ela mesma. Era assim que ela ficava enquanto estava fora, caçando esses monstros? Ele não tinha certeza de como se sentia sobre esse novo lado dela. — Eu não estou dizendo que estou segura em todos os momentos. É a Mãe Natureza. Todos neste carro podem atestar que sua fúria é imprevisível. Rick murmurou um — Claro que sim, nós podemos, — o que lhe valeu um aceno de Gayle. — No entanto, — continuou ela. — Eu tomo todas as precauções para estar em segurança. Eu não corro riscos estúpidos só para garantir uma visão melhor. Eu recuaria mesmo que isso significasse perder a tempestade. — Seu discurso foi ganhando velocidade e potência enquanto ela falava, assim como uma de suas tempestades. — Eles não. A maioria deles já

assistiu a documentários demais do

Discovery Channel, acham a caçada incrível e não têm nenhuma consideração pelo perigo real. Tudo o que fazem é ficar no caminho daqueles que, como nós, fazemos a pesquisa científica real! — A última frase foi dita em uma explosão de frustração. Ok, então.

236


Cansaço o abateu, Mac levantou as mãos e se recostou. — Me enganei. Gayle voltou a teclar no maldito laptop e anotou algo em um bloco. Um silêncio tenso envolveu a cabine. Após outros trinta minutos na estrada, ela olhou para cima, tirou o lápis fora de sua boca e disse: — Rick, pegue a próxima saída. Este é um local perfeito para pararmos e comermos algo antes que as coisas esquentem nessa tarde. Ela olhou por cima do ombro para Mac. Ele ainda esperava ver algum incômodo, mas ela lhe enviou um sorriso suave, real. — Pronto para esticar as pernas? — Isso seria bom. — Ela realmente não estava brincando sobre estar dentro da SUV. E ele tinha esquecido seu maldito livro. — Não haverá qualquer refeição decente ao longo dos próximos dias, bonitão. Nós estamos em uma dieta baseada em fast-food e lanches de loja de conveniência. Na saída, Rick deixou a interestadual e entraramos em uma cidade tão pequena que se Mac piscasse, ele a perderia. Rick estacionou em uma parada de caminhões e pulou para fora. — O que todo mundo vai querer? Eu vou pegar. 237


— Torne tudo mais fácil e traga três hambúrgueres, três batatas fritas e três refrigerantes, — disse Gayle enquanto saia do banco do passageiro. O outro homem se afastou. Mac também saiu e se alongou. Os músculos lhe agradeceram quando ele levantou os braços sobre a cabeça. Gayle

se

aproximou

do

para-choque,

a

cabeça

inclinada para o céu. Embora ele apreciasse a bela vista de suas pernas de baixo de seus gastos jeans rasgados, ele teve que admitir que preferia vê-la envolta em sua roupa novamente. Ele se aproximou do seu lado. As nuvens tinham engrossando, mesmo ele poderia dizer isso, mas elas eram esporádicas, não escuras e pesadas que sempre eram associadas a uma tempestade. Como diabos ela poderia dizer que um tornado aconteceria hoje e não em algum outro dia qualquer? — O que você acha? — Perguntou ele, enquanto ela continuava a olhar para cima. Ela ficou em silêncio por um longo momento, então encontrou os olhos dele. — Você realmente está pronto para isso? A tensão incomum que ele havia notado nela desde esta manhã, de repente, fez sentido. Ela não estava concentrada em rastrear a previsão. Ela, provavelmente, nem havia se irritado com a pergunta anterior – tudo bem, talvez um pouco – mas geralmente ela estava tão serena que ele 238


tinha dificuldade em ver qualquer frustação subjacente além do estado de espírito alegre que ela normalmente exalasse. Hoje ela não podia esconder. Porque ela estava preocupada com ele. Droga. — Você realmente não queria que eu viesse, não é? — Não desta vez. — Ela deu uma risada suave, mas parecia vazia. — Porém, você foi muito inflexível. — Ela suspirou. — Mac, eu tenho um trabalho a fazer. Você pode não entender o que eu faço, mas eu não vou atrás destas coisas pela adrenalina ou alguma emoção doentia. Estou reunindo informações, assim como um monte de outros pesquisadores caçadores, para que possamos ajudar as pessoas. As coisas vão ficar assustadoras. Tensas. No seu ponto de vista, vou tomar algumas decisões estúpidas. — Eu posso me cuidar, Gayle. Ela o estudou por um minuto, sua dúvida brilhando de volta para ele alto e claro. — Você pode? Em seguida, ele percebeu. Ela realmente se arrependeu de trazê-lo junto. E cara, isso atingiu fortemente seu ego. Mas ele tinha que respeitar sua franqueza. Ela continuou:

239


— Eu alugarei um carro agora, então você pode voltar para Cheney caso tenha qualquer hesitação a respeito de continuar com isso. Acredite em mim, eu não vou julga-lo, Mac. Ele estava hesitante, mas ouvir a sua preocupação expressa por ele trouxe para fora sua teimosia. — Escute, tanto quanto eu gostaria de ser um guerreiro espartano destemido e entrar direto para a batalha, eu não sou. Eu também estou preocupado com o que eu verei como isso irá me fazer sentir. Mas esse é meu problema. Eu sei no que estou metendo. Suas advertências foram ouvidas. Você faça seu trabalho e eu cuidarei de mim mesmo. Ok? Ela prendeu o lábio inferior entre os dentes, atraindo sua atenção para baixo. Engolindo em seco, ele desviou o olhar para o campo do outro lado da estrada. A última coisa que ele precisava era a maldita atração por Gayle rugindo de volta, assim como a porra de um tornado. Uma maldita coisa de cada vez, pelo amor de Deus. Um suspiro resignado veio dela. — Ok. Eu não direi mais nada, então. Poucos minutos depois, Rick se juntou a eles e entregou a cada um deles um saco de papel branco. Depois que voltou para o caminhão e cavou em sua comida, Gayle olhou as últimas informações meteorológicas.

240


Mac a observou checar múltiplas abas no laptop. Uma vez que ele estava lá, ele poderia muito bem aprender algumas coisas. — O que exatamente você está fazendo? Sem olhar para cima, ela disse: — Cada um desses programas me dá os dados necessários para calcular qual área tem o maior potencial para a formação das supercélulas. — Que tipo de dados? — Padrões de fluxo de vento e de temperatura que podem causar a umidade, a instabilidade, elevação e a velocidade do vento. O que eu estou fazendo agora é tentando identificar a localização onde a atividade será iniciada. O CAPE20 é maior cerca de 40 milhas a oeste. — CAPE? — Energia Potencial Convectiva Disponível que é: — Ela olhou para ele, sorriu e acenou com a mão com desdém. — Não importa. Isso está ficando muito técnico. Muito provavelmente ela acrescentou a última parte por que ele estava apertando os olhos para ela com um olhar que dizia que-merda-é-essa-saindo-da-sua-boca. Ele não tinha ideia de que havia tanta ciência envolvida nessas coisas.

20

CAPE- Cognitive Available Potential Energy. Basicamente é energia potencial, energia ―armaze nada‖ numa parcela de ar.

241


— Em termos leigos, quanto maior o número, maior a probabilidade de uma tempestade ser severa. — Ela traçou uma área na tela. — Esta área aqui é muito instável, o que é bom para nós. Nós também temos a formação de nuvens agitadas no satélite, o que significa que as tempestades irão começar ao longo desta linha em breve. Ele estudou a imagem em preto e branco. As nuvens pareciam algodão – não muito ameaçadoras, na verdade. — Rick, vamos ficar com as principais rotas, fique de fora da convergência por enquanto. Acredito que a maioria delas está seguindo ao sul, na península, que também é muito promissor. Vamos acabar em um gargalo em breve. Os evitaremos por enquanto. O outro homem acenou com a cabeça, colocou o SUV em movimento e guiou de volta para a estrada. Enquanto atravessavamos

uma

parte

rural

de

Oklahoma,

Gayle

manteve um olhar atento sobre os dados. — Tem um par de células finalmente se formando no radar, Rick. Pegue a próxima estrada à sua esquerda. Precisamos virar para o sul. A excitação vibrando na voz de Gayle fez Mac engolir. Ela se inclinou e aumentou o volume na NOA A rádio da meteorologia. — O Serviço Nacional de Meteorologia emitiu um alerta de temporal para partes de Oklahoma ocidental até 21:00.

242


Essas

tempestades

podem

produzir

ventos

acima

de

75milhas por hora21 e grande granizo, — ela disse a ele. Mac olhou para fora da janela. As nuvens estavam definitivamente se tornando mais pesadas e escuras à distância. Ele tentou bloquear as atualizações constantes da rádio do tempo e o som vindo de outros caçadores na CB até que a palavra ―alerta‖ chamou sua atenção. — O Radar indica uma tempestade se movendo a nordeste a 20 milhas por hora22, capaz de produzir fortes chuvas, ventos prejudiciais e grande granizo. As pessoas na área de alerta devem procurar abrigo. Gayle olhou por cima do ombro dela. — Estamos bem no topo desta porra. Você está pronto? Porque as coisas estão prestes a se tornar reais. Não. Ele não estava. Ele deu um aceno bobo de qualquer maneira. A tensão penetrou em seu corpo e ele passou os próximos minutos tentando combatê-la. Quando pensou que tinha tudo sob controle, Gayle soltou um suspiro, e disse: — Oh, Deus, é lindo. Olhe para ele! Tinha certeza de que era um tornado, ele olhou para o encosto de cabeça em frente a ele e respirou fundo, em seguida, forçou o olhar para fora da janela. O ar soprava de

21 22

75 m/h é aproximadamente 120 km/h 20 m/h é aproximadamente 32 km/h

243


seus pulmões quando uma massa torcida estava longe de ser encontrada. Do que ela estava falando? Então ele olhou para longe e sua boca caiu aberta. Que. Porra? Em todos os seus anos no Kansas ele nunca tinha visto nada parecido. Talvez por que ele nunca prestou real atenção. Ou talvez por que ele nunca tinha ficado em campo aberto quando uma tempestade se formava. Mas não havia nada de bonito sobre a nuvem monstruosa da qual eles estavam se aproximando agora. — Encoste, — disse ela, batendo no braço de Rick. Ele estacionou atrás de uma fila de outros veículos. Gayle saltou com sua câmera e ficou do lado da estrada, tirando fotos. O vento soprava com tanta força as roupas prensavam apertadas sobre seu corpo. Se Obrigou a sair e ficar ao lado dela. A força do vento machucava seus olhos e ele precisou colocar a mão em frente ao rosto para afastar o pior dele. — O que é isso? — Ele gritou. Ela baixou a câmera. — Isso é o que chamamos de supercélula-mãe. Sim, definitivamente parecia um prelúdio para a explosão de um disco voador. Malditamente sinistro. A enorme nuvem circular com anéis salientes pairou acima deles em uma massa negra de força bruta ameaçadora. Consideravelmente. Esta era uma daquelas merdas que 244


colocavamm em filmes para assustar para caralho as pessoas. Que tipo de memórias horríveis aquela tempestade iria desencadear? Ele empurrou a questão para a longe. Esse era o objetivo de estar fazendo isso. Tirar o poder que as tempestades exerceram sobre seu passado. À medida que ela continuava suas explicações, ele não gostou da forma positiva com que Gayle falava sobre toda essa merda de tempestade. Virava-lhe a porra do estômago. Depois que ela tirou mais algumas fotos, eles voltaram para o SUV. Ela imediatamente pegou o microfone de mão do rádio amador, apertou o botão e disse: — Esta é Gayle Matthews. Caçadora de tempestades e meteorologista para WKKS News. Tenho a visão de uma parede rotativa de nuvens em movimento a nordeste ao longo de Sam Brown Road em Mint, Oklahoma em um estimado de 20 milhas por hora. Baixando

o

microfone,

ela

estudou

todo

o

seu

equipamento por alguns momentos. — Há uma estrada a direita em cerca de meia milha23. Isso é tudo o que ela precisava dizer. Rick acenou com a cabeça e puxou de volta para a estrada atrás de alguns outros 23

carros

que

também

estavam

Meia milha é aproximadamente 800 metros.

245

saindo.

Mac

se


surpreendeu um pouco quando os veículos viraram na mesma

estrada

lateral.

Supôs

que

não

deveria

se

surpreender. Eles usavam o mesmo material que Gayle, por isso, iriam levá-los à mesma direção. — Com quem você estava falando? — Perguntou Mac. — Serviço Nacional de Meteorologia para esta área. Eles

usam

observadores

treinados

para

confirmar

a

localização exata do tempo ruim, para que eles possam lançar avisos para o público. — Ela ficou em silêncio enquanto ela olhava pensativa para a nuvem que o SUV parecia estar seguindo. Cerca de cinco minutos depois, ela disse: — Nós temos o gancho eco. Nervoso, seu olhar voou para fora da janela. Ele viveu em Kansas tempo suficiente para saber que um gancho eco24 indicava a possível rotação de um tornado no radar. Em poucos minutos, a chuva acertava o para-brisa. O vento sacudia o SUV. Mac agarrou os lados de seu assento e apertou todos os músculos do seu corpo. — Vire à esquerda, fique atrás da fila, — disse a Rick. Um momento depois, a chuva parou. — Funil! — Ela gritou. 24

O eco de gancho (hook echo) é uma das marcas clássicas de uma supercélula geradora de tornados, como pode ser observado em um radar meteorológico . O eco é produzido pela chuva e granizo, e apresenta um formato parecido com um "anzol" em torno de uma supercélula. Os serviços de meteorologia consideram a presença de um eco de gancho como suficiente para justificar a emissão de um aviso de tornado . O eco de gancho tem sido reconhecido como um sinal de desenvolvimento de tornado para a maioria dos radares meteorológicos.Fonte: http://tempoeclimanobrasil.blogspot.com.br

246


Mac olhou para fora e de fato uma espessa massa negra girando estendida a partir da nuvem até a metade para o chão. Ela rapidamente levantou o microfone e se identificou. —

Eu

tenho

visual

de

uma

nuvem

funil

se

movimentando a nordeste por- — Um segundo depois, ela disse,

Risque

isso!

Localizamos

escombros25.

Nós

confirmamos a descida. O Tornado em forma de cone está no chão. — Então, ela repetiu a informação, o que ele percebeu rapidamente que ela fazia a cada vez que falava com as autoridades. Gayle desligou o microfone. — Vire à direita nesta estrada e fique ao lado dele. Ao lado dele? O coração de Mac pulou em seu peito. O aumento do fluxo sanguíneo foi direto para a cabeça e pontos brancos dançavam diante de seus olhos. O rugido... cada vez mais alto à medida que se aproximavam. Os utensílios da cozinha chacoalhando. O impacto. Estilhaços de vidro. Fechando

os

olhos,

ele

lentamente

inalou

duas

respirações, então exalou. Ele não mais terá o controle sobre você. Uma vez que ele sentiu a tensão se liberar, ele os abriu. 25

Debris Ball é um sinal de radar que indica que um tornado destruiu algo e que os destroços estão no ar.

247


Maldito erro. Em vez de ficar a distância, o monstro em frente a eles estava girando cada vez mais perto, maior e mais ameaçador a cada segundo. Seu domínio sobre o assento apertado enquanto sua mente urrava para que gritasse a Gayle que ela era a porra de uma lunática. Rangendo os dentes contra a vontade, a besta rodopiante o mantinha paralisado. Parecia que ele poderia com a mão fora da janela, literalmente alcançar e tocar a maldita coisa. Na realidade, estava a, provavelmente, um campo de futebol de distância. O que era muito próximo por uma milha26. Rajadas de vento balançavam o carro como uma mãe furiosa. — O Tornado está se deslocando para uma rota leste e ganhando força, — ela disse ao Serviço Meteorológico Nacional.

A

preocupação

em

sua

voz

não

passou

despercebida. A bola de detritos era enorme, cheia de poeira e, ocasionalmente, algo maior. Neste momento, o furacão estava em um campo aberto, mas ele viu a mudança de direção que Gayle havia mencionado. Em vez virar um ângulo e manterse em uma terra plana, a mudança o manteve em um curso reto–

e

uma

cidade

aparecia

na

frente

sentada

inocentemente no caminho destrutivo do tornado. Porra. Memórias de seu próprio passado destruído ameaçaram dominá-lo novamente, mas ele se obrigou a permanecer no presente. Pressionando as palmas de suas mãos na testa, ele silenciosamente repetiu, — vire filho da puta, vire. 26

1 milha é aproximadamente 1,6 km

248


— A Trajetória continua a leste, se dirigindo para a área povoada de Mint. Assim que eles saíram à direita para outra estrada seguindo atrás do tornado, o som de sirenes preencheu o carro. Um aglomerado de casas estava à vista e a torre de água da cidade se elevava orgulhosa ao fundo. A tensão no veículo aumentou. Incapaz de desviar o olhar, Mac atou os dedos em seu cabelo, vidrado na besta e a indefesa cidade abaixo dela. Seu coração batia tão forte que ele pensou que poderia quebrar uma costela. — O Tornado está se movendo novamente. Em direção ao nordeste. — Excitação atada a cada palavra. Cerca de trinta segundos depois, o tornado atingiu a lateral de uma pequena fazenda, tirando algumas cercas e quebrando janelas. Rick diminuiu a velocidade do carro. Mac amaldiçoou. Um celeiro e uma cerca sofreram danos consideráveis, mas foi somente isso, em seguida, o tornado se direcionou novamente para campos abertos. A cidade havia sido milagrosamente salva de um ataque direto. Poucos minutos depois, o tornado começou a diminuir até que ficou uma corda fina e depois desapareceu completamente. Os batimentos cardíacos de Mac começaram a diminuir aliviados e ele conseguiu descascar os dedos da borda do assento. Puta merda. — O Tornado se dissipou.

249


Ela repetiu, em seguida, pendurou o microfone de volta no lado do rádio e caiu contra o assento com um sincero, — Graças a Deus. Temor subiu por ele, enquanto olhava para ela. — Gayle, com todo esse equipamento, porque jogar tão próximo? Ela virou a cabeça. — Nós fizemos um progresso incrível com radares e tal, mas a única coisa que não temos é algo que nos diga quando há um pouso real. Ainda precisamos de observadores humanos para isso. Ele piscou e ela se virou para os monitores. — Outra tempestade crescendo 20 milhas a leste. Puta merda. A mulher realmente ajudava as pessoas.

Alongando, Gayle gemeu enquanto seus músculos suspiravam de prazer. Eles haviam registrado mais de 15 horas no SUV ontem, antes que tivessem terminado o dia. Infelizmente, o resto da tarde tinha sido um fracasso. Ela havia se focado na tempestade errada ou chegou até ela muito tarde e perdeu a ação. Pelo menos Mac estava tendo uma visão realista do que era caçar tempestades – longas horas em um carro, comida ruim e espera interminável. 250


Alguém de repente agarrou seu braço e a puxou para frente do SUV. Ela gritou. Puxando o braço livre, ela se virou. Rick. E ele estava furioso. Ele tinha estado mal-humorado desde que haviam saído àquela manhã. — Qual diabos é o seu problema? — Ela perguntou. — Eu venho tentando te encontrar sozinha todo o maldito dia, — ele murmurou asperamente, olhando na direção que Mac havia se dirigido. — Mas ele está sempre por perto. Pairando. — Ele foi ao banheiro. Você pode falar livremente, Gafanhoto. Os lábios de Rick fecharam juntos. Oh. Bom Senhor. Ele estava realmente de mau humor. — Eu não vou ficar mais nenhuma noite em um quarto com esse homem, você entende? Eu dirijo. Preciso dormir. Ela não esperava por essa, Gayle franziu a testa. — O que aconteceu? — Porra, Ele gemeu e jogou e

se virou e continuou

chamando por uma Ally toda a maldita noite. Gayle, eu não dormi nada. Caramba. — Ok. Eu vou pensar alguma coisa. — É melhor que pense. A cafeína só está piorando.

251


— Eu ouvi. Eu vou cuidar disso. Rick deu um aceno conciso, em seguida se sentou atrás do volante do motorista, virando toda sua bebida hipercafeinada, os olhos furiosos vidrados nela. Ela suspirou, correndo os dedos pelos cabelos enquanto olhava para longe. Seu coração se partiu por Mac, mas Rick estava certo, o motorista precisava estar bem descansado. Eles pararam em um motel na noite passada e ela e Rick

pegaram

quartos

separados,

como

sempre.

Sem

ninguém dizer nada, Mac automaticamente se colocou junto com Rick. Ela por um momento pensou em leva-lo para ficar com ela, mas o homem parecia abatido. Apesar de não terem encontrado quaisquer tornados ontem, eles haviam passado por algumas tempestades desagradáveis. Cada uma delas havia causado danos a ele. Ela assistiu à batalha mental que ele travou. Ela não sabia quais memorias haviam passado por sua cabeça durante as tempestades, mas ele não conseguia esconder os olhos cerrados e a mandíbula travada... ou o olhar assombrado quando

seus

olhos

se

abriam

novamente. Ele

estava

revivendo. Apesar disso, ele manteve a sua parte do acordo. Nunca deixou a raiva tomar o controle. Embora ela provavelmente tivesse que consertar os assentos depois dos seus fortes dedos os agarrando. Como ele não foi para a sua saída, ela imaginou que ele estivesse tão emocionalmente exausto que houvesse apagado. Aparentemente, o que tinha acontecido era que seus 252


demônios tinham saído para atormentá-lo, enquanto seu corpo repousava. Como diabos ela iria convencê-lo a ficar em seu quarto hoje à noite? Pelo menos ela ainda tinha algumas horas para descobrir isso. Eram apenas duas horas. As tempestades estavam apenas começando. Ela pensaria em algo, enquanto eles estivessem na estrada. Quando ela se virou, Mac saiu da loja de conveniência. Ele aceitou seu conselho e trouxe apenas roupas confortáveis para vestir, o que para ele era seu traje de treino. Pena que ele não havia trazido suas camisas de treino apertadas com as quais ela gostava de comê-lo com os olhos, mas optou por camisetas de algodão ao vez disso. Uma chatice enorme, mas a camisa ainda se repuxava sobre seus músculos e era mais como uma provocação daquilo que estava por baixo dela do que suas outras camisas que mostravam tudo. Apenas observar o homem vindo em direção ao carro era quente. Talvez fosse a arrogância descontraída de seus passos. Na verdade, ele estava bastante descontraído durante toda a manhã, mas podia ser por que eles tinham viajado e não tinham encontrado nada. Não que eles normalmente fizessem antes da tarde. De repente, ele olhou para ela e sorriu e sua respiração ficou presa. O cara era simplesmente delicioso. E, uma vez que ela já o havia provado, era muito difícil ficar na zona da amizade 253


agora que ele a tinha colocado lá. Pelo que podia dizer, ela estava restrita lá agora. Ela não tinha recebido uma dica de sua atração desde que ela havia voltado para casa há três dias. Ela não podia culpá-lo, no entanto. O homem estava passando por um reajuste traumático pelos últimos quatro anos. Como poderia a luxuria competir com tudo isso? Ainda assim, não a impedia de querer tocá-lo. E muito. Desejava por vezes. De alguma forma, ela manteve a mão para si mesma e manteve um sorriso amigável estampado em seu rosto. Ele se aproximou do lado dela e se encostou no SUV. — Onde é o próximo alvo da caçada? —

Muito bom bonitão. Se

acostumando

com

a

linguagem. — Ela sorriu. — Cerca de uma hora de distância. Você está pronto para se dirigir para o Texas? — Sim, senhora, — ele falou lentamente e fingiu derrubar um chapéu para ela. Rindo, ela disse: — Entre no carro, cowboy. Enquanto Rick dirigia, Gayle se preocupou com suas informações. Ainda que só tivessem encontrado um único tornado ontem, o principal motivo foi por causa de sua decisão de ficar longe da convergência de caçadores – por causa do Mac. Se ela tivesse seguido com o grupo ela provavelmente teria visto muitos mais, uma vez que ontem 254


trinta e um tornados tocaram a terra por todo Oklahoma ocidental e a península do Texas. Com a contínua instabilidade da atmosfera, o sistema se movendo lentamente provavelmente geraria ainda mais furacões do que ontem. Agora era só uma questão de chegar à área correta. Trinta minutos mais tarde, a chuva caía em lençóis, fazendo com que os limpadores fossem praticamente inúteis. Rajadas

de

vento

balançaram

o

SUV.

Vários

pontos

vermelhos enchiam o radar à medida que as tempestades eram desencadeadas em filas. As atualizações de rádio emitiam aviso de trovoadas fortes, mas até agora nada tinha indicado algo subindo – mas isso podia mudar em segundos. — Gayle. Que porra é essa? Contando até cinco, ela restabeleceu sua paciência com seu parceiro. — O que você quer que eu faça? As tempestades estão em toda parte. Eu, pelo menos, nos coloquei na chuva, certo? Rick resmungou a partir do assento do motorista. — Se você tem algo a dizer, diga. Ele virou a cabeça em direção a ela, e em seguida, olhou para fora do para-brisa. — Porque este sistema? Porque não um mais isolado? Mas não, nós tínhamos que escolher este.

255


Gayle contou– de novo – sabendo que ele estava apenas irritado pela falta de sono. Normalmente, ele amava isso. — Eu quero sair da estrada interestadual. Há uma grande tempestade se aproximando por trás de nós, e eu não quero ser pega no trânsito. Esta era uma de suas mais importantes regras. Nada de interestadual durante uma tempestade. Nunca. Rick olhou para ela por um segundo como se ele não concordasse, mas acenou com a cabeça e tomou a próxima saída, o que os levou para uma área muito rural do Texas. Com essa estrada ela estava confortável. Esta tinha rotas de fuga. Isso não os levaria a estarem presos, para-choque a para-choque, como um pato encurralado. Dez minutos se passaram – o ar espesso com agitação. Trovões caiam a distância enquanto a tempestade se aproximava. — Se tomarmos este caminho à nossa esquerda, ele nos levaráva a uma estrada principal a poucos quilômetros que irá para uma tempestade. Precisamos parar e reavaliar. Outro estrondo de um trovão soou. Ela olhou de volta para Mac, que estava muito quieto. Ainda que a sua pele estivesse um pouco pálida, ele definitivamente parecia melhor do que ontem, dirigindo pelas tempestades. O carro começou a saltar. Ela levantou a cabeça para frente para ver que eles tinham se afastado para fora da estrada. Rick estava

256


balançando a cabeça e fazendo coisas estranhas piscando os olhos. — Rick! Ele ergueu as mãos em linha reta, apertou o volante e endireitou o carro. — Encoste agora, — ela ordenou. — Eu estou bem. — Encoste nesse maldito segundo! Coma mandíbula apertada, ele fez o que ela pediu. Ela abriu a porta. — Nós terminamos. Eu vou dirigir, e nós vamos encontrar um lugar para passar a noite. — Mas— Nós. Terminamos. Em algo que poderia ser imprevisível, ela fez o extremo em prol da segurança. Ela com certeza não iriaa se ferir ou morrer porque seu motorista tinha adormecido. Se Rick soubesse o que procurar, ela o teria deixado com as informações, mas ele não entendia. Durante seis anos, ele tinha sido o motorista enquanto ela fazia os mapas, gravações e tudo o mais. Assim que ela saiu, ela estava encharcada. Ela correu em torno da SUV, passando Rick em seu caminho, em seguida, saltou para o lado do motorista. Quando ele fechou a porta, ela colocou o carro em marcha e acelerou. Os pneus 257


giraram na lama, mas o carro não se moveu. Um momento de descrença fez com que pressionasse o acelerador novamente com os mesmos resultados. Ela olhou para fora do parabrisa, a realidade da situação a atingiu. Presos. Eles estavam oficialmente encurralados como patos. Ela bateu as mãos no volante. — Droga! Rick,

que

tinha

adormecido,

se

endireitou

novamente. — O Quê? — Nós estamos presos. — O inferno que nós estamos. — O inferno que nós não estamos. Um trovão ressoou acima e um relâmpago, de repente, iluminou o céu escuro do final de tarde. Empurrando aberta a porta do lado do motorista, ela pulou para fora, a chuva torrencial gelando até os ossos. Mac estalou a porta aberta, e ela balançou a cabeça para ele. A cara de ―que merda é essa‖ que ele lhe lançou teria sido cômica se a situação não fosse realmente ruim. Sua porta se abriu

mais.

Ela

o

fixou

com

um

olhar

mortal

que

imediatamente o fez recuar – provavelmente por que ele nunca tinha visto esse lado dela. 258


— Eu sou a chefe. Mantenha-se na porra do carro, — ela gritou sobre a chuva batendo. A porta se fechou. Homem esperto. Antes de lidar com ele, ela precisava descobrir qual o tamanho real do problema. Enquanto ela ia para a parte de trás do SUV, ela gemeu, atando os dedos em seu cabelo encharcado. O pneu traseiro do lado do passageiro estava afundado profundamente na lama. Caramba. Ela nunca deveria ter dito a Rick para encostar. Um lapso de sua parte em razão do choque dele adormecer ao volante. Estas estradas vicinais tornavam-se poças de lama quando a chuva começava. Ela tinha visto toneladas de veículos ficarem presos por saírem da estrada ou simplesmente por pararem. Ela sabia disso. Deus, este era um enorme — Fodeu. Serem presos com tempestades ao seu redor era um pesadelo. O que eles fariam? Algo duro foi atirado no topo de sua cabeça, seguido de outro e mais outro. Estremecendo, ela olhou para cima. O redemoinho cinzento rodando acima dela fez seu estômago despencar. Oh, Deus! Um trovão caia enquanto corria para a porta do motorista e a abria. — Pegue o rádio comunicador e veja se há alguém por perto que possa nos tirar.

259


A palidez do rosto de Rick aumentou sua agitação. Ela lançou um olhar para Mac, que observava atentamente. Mantenha a calma. Não deixe transparecer que algo está errado. Ela simplesmente levantou as sobrancelhas de uma forma inquisidora ao seu parceiro enquanto granizos no tamanho de uma moeda batiam em suas costas e caíam dentro do carro. Acenando, Rick rapidamente apontou para o laptop, que ele girou para que ela pudesse ver. Vendo no radar a forma de um feijão, tudo nela se acalmou. Supercélula de alta precipitação. Ela inalou uma respiração instável e engoliu. — Temos que dar o fora daqui. Rick estava fora do carro imediatamente. Ela olhou para Mac. Um raio cortou o céu em direção ao solo à distância. O trovão ficou mais alto. Era hora de ver se ele estava realmente pronto para isso, porque a merda estava prestes a ficar muito feia. — Eu preciso que você saia do carro. — Mas ele parecia não estar prestando atenção nela. Parecia estar olhando para sua testa. — Mac. Eu preciso que você. Saia. Do. Carro. — Porque diabos você está sangrando? — Disse entre dentes cerrados, os olhos ainda fechados acima de seus olhos. Ela tocou a área, estremecendo com a ternura. Quando ela trouxe a mão dela, vermelho aguado revestia a ponta dos dedos. 260


— Eu fui atingida por um pedaço de granizo de tamanho significativo. Não é grande coisa. Agora saia do carro. — Uma rajada de vento soprou seu tronco longe do interior. — Estamos em uma situação mortal agora chamado a Jaula do Urso27. Um tornado pode cair a qualquer momento. Saia da porra do carro. Cada pedacinho de cor sumiu da pele do homem, mas ele se moveu. A jaula do urso. Ninguém, além dos caçadores que dirigiam veículos blindados, entrava em zona de risco. Poderia já haver um tornado no chão naquele momento e ela não saberia por causa da quantidade de precipitação caindo. Com furacões cercados pela chuva – pior cenário possível, tudo de ruim que pudesse acontecer, aconteceria. E estava acontecendo. O vento soprava por ela, sua pele exposta ardia quando a chuva a atingia. O Granizo machucando seu corpo. Mantendo as mãos em frente a seu rosto, ela foi para a traseira do SUV. Mac e Rick já estavam tentando tirá-lo pelo para-choque. Isso não funcionaria. Rick deveria saber disso, mas o pânico o estava comandando agora. Em chuva mais amena, o volante já teria travado. Em uma como aquela, ele poderia muito bem estar cimentado.

27

Bears Cage – Jaula de Urso é uma giria usada por caçadores de tornados e significa a área perigosa onde um tornado poderia ser formar (normalmente há tempestades e ventos fortes)

261


A água respingava em seus olhos e boca enquanto ela freneticamente procurava por algo, um pedaço de madeira, qualquer coisa com tração. O chão estava tão enlameado que ela escorregou algumas vezes, aterrissando com força de bunda

ou

de

lado.

Enquanto ela

fazia

sua

segunda

aterrisagem em seu traseiro tudo parou. Como um botão de desligar, o aguaceiro, o granizo, o vento – tudo cessou. Não! — Corra! — Com terror lh apertando a garganta, ela se esforçou para se levantar. — Ele está vindo! Ele está vindo! Na vala. Agora. Um estrondo, parecendo como um trem à distância, reverberou atrás dela. Eles tinham segundos. Segundos. Ela correu passando pelos dois homens e mergulhou na vala a poucos metros de distância do SUV, o que era perigoso por si só. Deitada, ela cobriu a cabeça. Ela sentiu o movimento ao seu redor, então, um grande corpo cobriu o dela, pressionando-a mais dentro da abertura. Braços fortes rodearam sua cabeça. Mac. Sua respiração aqueceu seu rosto enquanto ele protegia seu próprio rosto contra o dela. O barulho ficou mais alto e o vento se tornou mais feroz. Em razão da queda da pressão, seus ouvidos estalaram. Destroços passaram por eles. Um segundo o som ensurdecedor cresceu e, em seguida, foi se tornando cada vez mais fraco. E de repente, eles foram inundados com chuva e granizo novamente. 262


Tudo aconteceu em menos de um minuto. Mac aliviou seu peso sobre ela e caiu sentado. A água da chuva escorria de seu nariz e queixo enquanto ele olhava para frente, respirando pesadamente. Ele não parecia sentir o granizo atacando seu corpo. Ela se empurrou de joelhos e estendeu a mão hesitante, querendo tocá-lo, mas sem ter certeza se deveria. — Você está bem? Seu olhar encontrou o dela por um breve momento antes de voltar para frente, ele deu um aceno curto. Ela olhou em volta e viu Rick se levantando, encharcado e enlameado, mas bem. Graças a Deus. Sem saber o que dizer para o homem sentado imóvel na chuva forte, ela se levantou e foi ver se o SUV tinha sido danificado. O veículo ainda estava preso na lama, é claro. Felizmente, as antenas e o Doppler ainda estavam intactos. O que significava que o tornado não tinha sido muito forte e tinha provavelmente passado muito próximo a eles. Ela enfiou a mão dentro e puxou o microfone para o rádio. Graças a Deus ainda funcionava. Ela emitiu um pedido de ajuda, em seguida, esfregou a boca e olhou para Mac novamente. Ele não tinha se movido para fora da vala enlameada, embora agora ele estivesse de pé. A chuva havia diminuído consideravelmente e o granizo cessado, mas ele ainda

parecia

que

estava

sendo

bombardeado

pela

tempestade. Um brilho assombrado escavava seus olhos. 263


Linhas profundas de melancolia sulcando seu rosto. Ele estava de pé a poucos metros de distância, mas ele não estava realmente ali. A tripulação de caçadores os alcançou e ela focou sua atenção em libertar seu carro. Em poucos minutos, um dos Jeeps havia içado o SUV fora da lama. Enquanto seguiam para a cidade, encharcados, enlameados e abalados, ninguém disse nada. Em seus seis anos de perseguição, aquele foi o encontro mais próximo que tivera com um tornado. Devido a imprevisibilidade do tempo, ela já havia passado por alguns sufocos antes, mas nada como isto. Ela olhou para o banco traseiro. Mac estava olhando para fora da janela, apenas tão distante quanto antes. Ele não tinha falado uma palavra desde que ele perguntou por que ela estava sangrando. Ela tinha um pressentimento de que aquela caçada não iria ajudá-lo. Ela temia que só tivesse tornado tudo pior.

Um gemido baixo fez os olhos de Gayle se abrirem e ela se sentou na cama. Mac se debatia na outra cama, os lençóis emaranhados em torno de suas pernas. Ela empurrou de lado suas cobertas e correu para seu lado. — Mac, — ela sussurrou.

264


Seu corpo imediatamente se acalmou, e ela deu um suspiro aliviado. Um rápido olhar para o relógio lhe mostrou que era 3:15 da manhã. Levou tempo para que sua mente inconsciente reunisse forças para atormentá-lo. Eles já estavam na cama por horas. Depois de pedir uma pizza e pegar os quartos de hotel, ela apenas olhou para Mac e disse: — Você ficará no meu quarto esta noite. — Não houve nenhum questionamento. Ele comeu sua fatia por um tempo, em seguida, se desculpou e tomou um banho. Depois disso, ele foi para a cama. Não sabendo o que dizer ou como ajudar, ela tomou um banho e fez o mesmo. As luzes foram apagadas as às nove. Quando ela se virou para rastejar de volta em sua cama, outro gemido soou seguido rapidamente por mais um cheio de tristeza. Não. Sua cabeça virou sobre o travesseiro. Logo ele estaria chamando o nome de sua esposa e Gayle não tinha certeza de que poderia ouvir a agonia em sua voz novamente. Subindo no colchão, ela ficou de joelhos ao seu lado. Escovando para trás seu cabelo com carinho, ela o acalmou suavemente.

Suas

sobrancelhas

franziram

quando

um

gemido encheu a sala. — Não, — ele murmurou. Ela se inclinou mais perto. Mantendo a voz calma, reconfortante. — Mac. Shhh. Está tudo bem. 265


— Gayle! — A voz torturada sussurrou. — Por favor. Não. Com pulmões fechados, ela se sentou ereta, olhando para ele. Ela não tinha ouvido direito. Ela não podia ter ouvido certo. — Gayle. Por favor. — E assim como antes, seu pedido estava preenchido por uma súplica agonizante, que encheu seu próprio peito com a dor. Mas desta vez ele estava sonhando com ela. Não. Devia ser somente por que ele a tinha escutado falar com ele em seu sono. — Não! — Então ele se levantou com um sobressalto, o peito arfante. Suor revestia a sua testa enquanto ele olhava para frente. Ela congelou. Ele virou lentamente a cabeça em sua direção. Eles estavam com os rostos muito próximos e ela respirou com dificuldade. — Graças a Deus, — o sussurro passou seus lábios. Então sua mão a agarrou pelo pescoço e sua boca esmagou a dela. Chocada, ela suspirou, se apoiando em seus bíceps expostos. Em um segundo ele a estava segurando cativa enquanto ele mergulhava fundo em sua boca, no próximo estava de costas mergulhada no colchão onde ele a jogou, seu corpo cobrindo o dela. Uma perna masculina empurrou entre 266


seus joelhos enquanto ele a beijava de forma agressiva. Havia desespero na forma como ele se movia, a agarrava, enfiava a língua entre seus lábios – como se fizesse um esforço determinado a banir os demônios de sua mente. A ela não se importava que suas ações fossem estimuladas

por

qualquer

horror

que

ele

tivesse

testemunhado em seus sonhos, seu corpo reagia da mesma forma que o dele. Seus mamilos apertaram e seu clitóris pulsava para vida. Ele trabalhou a mão entre seus corpos e enfiou os dedos na calcinha dela, arrastando-as para baixo por suas pernas, a boca se movendo furiosamente sobre a dela. Ela o queria com uma intensidade que não conseguia entender – mas não o queria desta forma. Depois que as emoções

passassem,

ele

iria

se

arrepender

disso

e,

possivelmente, ficaria furioso pelo acontecido. Tirando a boca da dele, ela virou a cabeça e empurrou seu peito. — Mac. Não podemos. Você não está pensando claramente. — Cale a boca, Gayle. Eu estou lúcido. — Como se para provar seu ponto, ele pegou sua carteira da mesa de cabeceira, abriu, tirou algo, em seguida, virou em frente a seu rosto para que pudesse ver. Um preservativo. — Você vê agora como estou pensando claramente?

267


Ok, então. Ela assentiu com a cabeça. — Bom. Ele arrancou sua calcinha e se colocou totalmente entre suas pernas. Levantando-se, ele a olhou, e ela viu o quão claramente ele realmente estava. O brilho distante e assombrado de antes tinha ido embora. O olhar pensativo desapareceu. Aqueles haviam sido substituídos por um desejo febril completamente dirigido a ela. — Eu só tive o mais horrível dos pesadelos. E eu preciso estar dentro de você. Ouvir seus suspiros. Ouvir seus gemidos. Ouvir você gozar. — Ele enfiou um dedo. — E você já está molhada e pronta para mim. Eu preciso sentir você viva Gayle. Ele rapidamente abriu o invólucro, embainhou a si mesmo, em seguida, empurrou para frente. Preenchendo-a, ela se arqueou, gritando. Enterrado ao máximo, ele fechou os olhos e gemeu. — É isso aí. Geme para mim. Deixe-me ouvi-la. Ele enterrou a cabeça contra seu pescoço enquanto ele lentamente se retirava e empurrava novamente. Ele manteve o ritmo constante, sua respiração pesada aquecendo sua pele. Ela soltava pequenos gemidos e abraçava o homem em seus braços e em seu corpo.

268


Gayle

você

é

tão

gostosa.

Seus

lábios

pressionados em seu ombro, em seguida, seus dentes brilharam. Ele empurrou mais forte e um pouco mais rápido. Ela o queria mais profundo. Espalhando suas pernas, ela agarrou sua bunda com as mãos elevou-o para frente. Ele se apoiou em seus braços, elevando-se acima dela enquanto ele aumentava o ritmo. Saber que ele a estava assistindo era um afrodisíaco. Fechando os olhos, ela abandonou todo o controle e permitiu que os sentimentos que ele criava dentro dela saíssem. Gemeu, suspirou e murmurou palavras de prazer. Ela não se segurou. Não se calou não se importava de acordar todo o hotel, ela lhe deu o que ele precisava, por simplesmente expressar o que ele realmente fazia ao seu corpo. Não havia falsidade, nada de exagero. Apenas sua resposta desinibida. Por ele. — Malditamente linda, — disse ele, com a voz tensa. — Porra, e tão cheia de vida. — Deslizando a mão sobre seu monte, ele circulou seu clitóris. As sensações dentro dela triplicaram. — Eu quero ver você gozar. Com essa combinação explosiva, ela gozou forte – longo e alto. Ele respirou profundamente e seu bombeamento constante vacilou. Apoiou as mãos no colchão enquanto empurrava forte mais três vezes, seu corpo tremendo e então ele caiu em seus cotovelos com um gemido saciado.

269


Ainda respirando com dificuldade, ela deu um beijo em seu ombro. — Você está bem? Gratidão – e algo que ela não conseguiu nomear aquecia seus olhos enquanto ele escovou seus cabelos para trás. — Eu estou agora. Eu precisava disso. Precisava de você. Ele a beijou e mudou de posição para que ela pudesse deitar de lado, então se aconchegou em suas costas. Ele passou um braço em torno de sua cintura e ela acariciou seu antebraço. Uau. Ela teve relações sexuais antes. Pensava que tinha entendido que era apenas para relaxar e apreciar o ato. A primeira vez que ela esteve com Mac ela percebeu que antes tinha segurado uma parte de si mesma. Hoje à noite ela se libertou. E o mais provávelmente estava livre para ter seu coração esmagado.

270


Capítulo Nove Logo que acordou naquela manhã encontrou Gayle já vestida em shorts cáqui e uma blusa verde-claro, o cabelo puxado para trás em um rabo de cavalo, sentada de pernas cruzadas em sua cama, teclando em seu laptop, Mac tinha notado nela uma nova tensão. Sem dúvida tinha a ver com a mudança inesperada dos acontecimentos da noite passada. Mas depois ele acordou do pesadelo para encontrá-la ao seu lado, segura e viva, ele não podia deixar de alcançá-la, muito menos parar os próximos acontecimentos. E ele não se arrependeu. Nem por um segundo. Os acontecimentos tenebrosos do dia anterior o lançaram para aquele momento e seu domínio o impediu de afundar no passado. Enquanto ela corria para ele gritando que o tornado estava chegando, ele não ficou paralisado de medo – em vez disso, foi empurrado para a ação. Obstinado a proteger a mulher que ele havia passado a se importar. Ontem à noite, pela primeira vez, seus pesadelos não giraram em torno de encontrar Ally, eles eram sobre a possível perda de Gayle. Definitivamente eram coisas sobre as quais ele teria que pensar..., mas uma coisa era certa, algo havia mudado.

271


À medida que o dia passava e após dirigirem por cinco horas ao norte, em direção as fronteiras de Oklahoma, Texas, e Arkansas, os ombros de Gayle enrijeciam. Uma vez que alcançaram o Arkansas, eles acamparam pelas últimas três horas no estacionamento de uma parada de caminhões, Gayle tornou-se obsessiva sobre o laptop e sua variedade de diferentes radares e números. Há poucos minutos, ela e Rick haviam lançado no ar um balão meteorológico. E foi então que o estado de espírito de ambos mudou. Como de costume, a linguagem técnica passou por cima da cabeça de Mac. Algo sobre coisas convergindo, níveis limites de erosão e um mau pressentimento. Mas foi então que ele finalmente percebeu que a atitude contida de Gayle não tinha nada a ver com a noite passada. Algo estava se formando. Agora. Algo horrível. — Ok. Porque diabos estamos parados aqui? — Ele perguntou finalmente. Tudo sobre aquele dia estava confuso. Após uma longa e apressada viagem para chegar ali, eles apenas se sentaram no capô do SUV e observaram o céu. Ninguém disse nada. Cada minuto que se arrastava naquele tenso silêncio aumentava o maldito estresse de Mac. Dois caçadores de tempestades desanimados com a caçada e tendo um maus pressentimento era seriamente fodido.

272


Gayle estudou-o, quase como se estivesse se decidindo se o deixaria no escuro ou não. Seus ombros caíram. Merda. Ela decidiu lhe contar. Agora, ele não tinha tanta certeza se queria realmente saber. — Estamos esperando, Mac. — Pelo que? — A explosão. Isso soou... ruim. — Você pode ser um pouco mais específica? Ela se virou no capô até que estava de frente para ele. — Cerca de uma hora atrás, o Centro de Previsão de Tempestades emitiu um PDS. Situação Particularmente Perigosa. O CPT só emite um PDS quando os elementos estão preparados para um clima muito hostil ou grandes surtos de Tornado. — Como poderia ser pior do que ontem? E ainda assim, vocês nunca estiveram tensos antes. Por quê? — Estes tipos de tempestades- — Ela inalou. — Emerald Springs foi um PDS. Mac recuou e seu estômago revirou nauseado. — Isso pode não acontecer, — ela rapidamente acrescentou. — Tudo depende de como as coisas correrão. Mas, sim, poderia ficar muito pior do que ontem. E se isso acontecer, nós estamos no epicentro de onde ele vai baixar. 273


— Merda, — ele murmurou, o cabelo arrepiando em sua nuca. Como se ela pudesse ler seus pensamentos, disse: — Eu sinto muito Mac. — Arrependimento brilhava em seu olhar. — Mas eu não posso deixá-lo para trás. Não desta vez. E eu não posso te mandar embora. Você estará mais seguro com a gente. Menos de uma hora mais tarde, as células começaram a iluminar o radar de vermelho, verde e laranja. Ela particularmente se interessou por uma cerca de doze quilômetros ao sul. — Vamos, — disse Rick. Quando chegaram à borda sombria da tempestade, a alta torre que apareceu acima deles fez Mac engolir o pânico crescente. Durante dois dias, ele tinha visto as nuvens, as assistiu gerarem tornados, mas mesmo ele podia ver que esta era diferente. Raios

surgiam

de

dentro

das

nuvens

escuras,

iluminando seu interior. — A tempestade está se movendo a nordeste. Mais duas células se formaram ao norte. Fique com ela, Rick. Durante trinta minutos, eles perseguiram a tempestade em direção mais ao interior do Arkansas. Mac ficou mudo, recusando-se

a

perturbar

a

concentração

de

especialmente com ela murmurando continuamente, 274

Gayle,


— Eu não gosto disso. Um pressentimento sinistro crescia a cada minuto que passava. Poucos segundos depois, Gayle murmurou uma maldição veemente. — As células estão convergindo. Temos um núcleo rotativo. — Foda-se, — Rick murmurou. — O que isso significa? Ela olhou para ele, com os lábios apertados. — Uma enorme e violenta tempestade de merda que está

tentando

se

tornar

ainda

maior,

atraindo

mais

tempestades para a festa. Depois que ela deu ao NWS28 uma atualização, ela disse: — Nós precisamos avançar. Alertas de furacão para a cidade de Makersville, Arkansas, começaram a soar pelo rádio NOAA. Quando ela olhou para a tempestade, ela torceu os dedos. Observar sua angústia torceu seu intestino. Ele queria pegá-la em seus braços e lhe dizer que tudo ficaria bem. Mas esta não era uma promessa que ele poderia fazer. Sua preocupação lhe mostrava o quanto ela se preocupava com a segurança dos outros. 28

NAtional Weather Service – Serviço de Meteorologia Nacional

275


Seus olhos se arregalaram, ela se atrapalhou com o microfone e começou a falar. Mac olhou para o lado de fora. Não um, não dois, mas três tornados estavam em terra. — Puta merda, — ele murmurou. Ela soltou o botão do microfone. Sem olhar para longe dos tornados, ela disse: — Você sabe o que fazer. Mac não tinha certeza para quem ela estava falando até que Rick acelerou mudando da velocidade rastejante que estavam para uma velocidade vertiginosa. Para longe dos tornados. Gayle trouxe de volta o microfone à boca. — Os vórtices estão convergindo para um único núcleo. O que? Mac se virou para olhar pela janela traseira. Os três tornados agora eram um só e estava crescendo. Em pouco mais de um minuto ele havia se ampliado para o que parecia ser o comprimento de um campo de futebol. Aquele que tinha visto no primeiro dia era a porra de um bebê se comparado a este. — Porque estamos indo embora? — Honestamente, ele preferia manter a maldita coisa à vista. — Temos um gigantesco tornado no chão se dirigido a nordeste, — disse ela no microfone, mas ela estava olhando para ele. — Menos de dezesseis quilômetros da cidade de 276


Makersville, que está diretamente no caminho do tornado. — Ela olhou para Rick. — Quinze minutos antes de atingir. Rick pressionou o SUV mais rápido. — O que está acontecendo? — Perguntou Mac, confuso. Eles não estavam correndo para longe do tornado? Nenhum dos dois respondeu. Menos de seis minutos depois, eles entraram correndo na cidade de cinco mil habitantes. Mesmo com as sirenes de alerta tocando em todos os lugares e uma grande nuvem escura erguida acima da cidade, as pessoas ainda estavam zanzando. Ele não estava realmente surpreso. As sirenes soavam muito nesta época do ano – tantas vezes que elas se tornavam fáceis de ignorar. Gayle pegou um megafone que ele não tinha visto antes, abriu a janela e aliviou seu corpo para fora através dela para pousar no peitoril. — Protejam-se agora. Um tornado gigante vem aí, — ela repetiu enquanto Rick reduzia sua velocidade e avançava lentamente pela rua, contornando qualquer obstáculo no caminho. Ao passarem por um carro da polícia, ela acenou. O policial abaixou a janela e ela rapidamente disse a ele o que estava acontecendo. Ele pegou o megafone e fez o mesmo, saindo em uma direção diferente. Mac não tinha certeza se era a presença de um veículo de caça de tempestades ou a mulher louca gritando com eles, mas as pessoas começaram a se mover. As pessoas que já estavam em seus carros, começaram a pegar as ruas laterais 277


para escapar. Quando o SUV atingiu uma área menos comercial, Gayle escorregou para dentro. — Tire-nos daqui, Rick. Ele pisou fundo no acelerador e voou pela cidade, enquanto o tornado atingia o outro lado da cidade. Chuva atirava no para-brisa rapidamente seguido por granizo do tamanho de bolas de golfe, ventos tão fortes que tornavam impossível a visibilidade. Um trovão ressoou enquanto um intenso raio atingiu o chão. — Nós estamos no núcleo. Tire-nos daqui! — Gayle se virou para olhar para trás. Era o medo em seus olhos e em sua voz o que mais aterrorizava Mac. — Coloque o seu cinto de segurança, — ele ordenou. Quando ela não se moveu, ele gritou: — Agora, porra! Enquanto ela se atrapalhava com o cinto, o vidro em frente a ela se quebrou, formando uma teia de aranha de vidro quando destroços se chocaram contra ela. Gritando, ela se encolheu, jogando os braços para proteger a cabeça. Em um movimento rápido, ele aliviou seu cinto e pulou para frente, cobrindo-a. Algo bateu no para-brisa já quebrado e um dilúvio de água e granizo assaltou seus ombros e costas. Ele se curvou apertado em torno dela. Segundos depois, a enxurrada abruptamente cessou.

278


Mac recuou, sacudindo a água acumulada. Gayle se levantou. Rick suspirou, seus dedos brancos em torno do volante. — Nós estamos fora. Mac se sentou em seu lugar, o tremor em sua mão dificultou que colocasse novamente o cinto de segurança. A imagem de Gayle gritando e protegendo a cabeça estava cauterizada em sua mente. — Você está bem? — Perguntou Gayle. — O granizo era do tamanho de presuntos enlatados. — Não é pior do que eu já tomei no ringue. — Ele forçou um sorriso com sua piada, mas pelo duvidoso olhar que ela lhe deu, sabia que tinha fracassado. Na verdade, seus ombros e costas ardiam para caralho. E se ele não tivesse se colocado entre Gayle e a Mãe Natureza, teriam sido suas doces curvas que tomariam a surra em vez de seu corpo duro de lutador. Quando Rick retornou ao carro, Mac ficou paralisado pela massa circular preta cerca de meia milha de distância que lentamente passava através do coração de Makersville. Dedos magros se arrastaram contra os seus. Ele olhou para baixo para encontrar a mão de Gayle chegando através dos assentos e ele se agarrou a ela. Quando ela levantou a câmera de vídeo para documentar a destruição, ele viu

279


lágrimas enchendo os olhos enquanto seus lábios se moviam formando palavras que ele não podia ouvir. Ela estava rezando. Rick levou lentamente o SUV pelo caminho. De vez em quando um brilhante flash de luz azul acendia no ar ou no interior do tornado, que era estranhamente impressionante. Voando para longe da bola maciça de destroços em torno do núcleo, papeis e outros objetos leves giravam em torno de seu veículo. Memórias de estar preso, indefeso, na escuridão negra, o agrediram. O rugido ensurdecedor dos ventos ferozes. Vidro estilhaçando, ruídos altos enquanto as paredes eram derrubadas e o teto arrancado. Os sons violentos sendo silenciados pela pressão do ar entupindo seus ouvidos. O cheiro esmagador de gás natural e madeira fresca recémcortada. A sujeira e os detritos transportados pelo vento atingindo sua pele. Gritos cheios de terror dos clientes no freezer, a morte era iminente. Ele ouviu. Sentiu. Tudo outra vez. Como nunca sentiu antes. As pessoas estavam passando por isso agora, bem na sua frente. Ele se virou para a mulher ao seu lado ainda murmurando uma oração. Suas ações tinham, sem dúvida, salvado vidas hoje. E poderia ter custado a dela também. Levou ao tornado, completos, dez minutos para traçar um caminho através da cidade. Dez minutos de terror para as pessoas presas sob a destruição deixada para trás pelo demônio girando. Dez minutos de terror para os que estavam escondidos, esperando e orando por misericórdia enquanto 280


ele deslizava mais perto. Mac esfregou o rosto. Dez minutos de horror degradante para ele reviver também. Sem auxílio. Apavorado. Inundado pelas terríveis memórias. À medida que o monstro se aproximava da orla da cidade, o impulso que o mantinha foi lentamente se desfazendo e ele começou a perder força. No momento em que atingiu novamente a terra plana, era menos da metade do seu tamanho original. Poucos minutos depois, ele tinha ido embora como se não tivesse acabado de destruir toda uma cidadezinha. — Vai, — Gayle sussurrou para Rick. — Nós não podemos sair. Nós temos que ajudar. Um lutador de sumô parecia ter se sentado no peito de Mac pelo peso que sentiu de repente, comprimindo seus pulmões, ameaçando sufocá-lo. Busca e salvamento. Quando o SUV voltou para a cidade, o caminho de destruição deixado para trás tirou o fôlego de Mac. — Oh Deus. — Gayle apertou a mão à boca. A cidade simplesmente desapareceu. O asfalto tinha sido rasgado. Lojas completamente niveladas. Os veículos pareciam como se tivessem sido apanhados e esmagados na mão de um gigante. Tudo o que restava das árvores eram troncos desfolhados, os topos completamente arrancados. Tocos de madeira estavam enfiados nos para-brisas. Um pedaço de cerca estava cravado profundamente na lateral de um muro de cimento. 281


Isso era Emerald Springs tudo de novo. Rick manobrou o carro ao redor dos destroços até que alcançou o pior de tudo. Horror, tristeza e empatia atingindo Mac enquanto inspecionava as casas que tinham sido varridas de suas fundações, pilhas de escombros por toda parte. Oh Deus, essas pessoas. O choque. O temor. A tristeza. Emoções obstruíram sua garganta e ele apertou as mãos em punhos apertados, cravando as unhas nas palmas. Seu trauma aconteceu no passado. Isso estava acontecendo com as pessoas agora, neste minuto. Incêndios haviam iniciado a partir das rupturas dos tubos de gás. Carros estavam precariamente empoleirados sobre telhados. Um berço jazia quebrado em um gramado. Um choro aflito escapou entre seus dentes desesperadamente cerrados. Gayle apertou sua mão novamente. — Eu sinto muito, Mac. Eu queria te poupar disso. — Sua frase terminou com um soluço sufocado. — Há pessoas presas. Nós temos que ajudar. — Absolutamente, — ele conseguiu. Ele se sentia da mesma maneira. Sentia respeito e a admirava por causa de sua compaixão. Mas isso não impediu que os demônios que o atormentaram pelos últimos quatro anos se ocupassem dele completamente. 282


Rick parou o carro. Quando Gayle abriu a porta, gritos por socorro lhe deram um soco no estômago, atingindo-o mais forte e com mais poder do que qualquer lutador peso pesado já o haviam atingido. Um homem saiu cambaleando pela estrada, o sangue cobrindo o lado esquerdo de seu rosto. Gayle correu imediatamente até ele, colocou o braço em volta dele e o ajudou a se sentar. Rick chegou até o homem e lhe entregou uma garrafa de água. Onde ele a tinha conseguido, Mac não tinha ideia. Mas

a

visão

dos

dois

prestando

ajuda

atingiu

profundamente dentro dele. Ele não tinha sido capaz de ajudar Ally. Ninguém tinha sido capaz de ajudá-la. Ela provavelmente foi levada deste mundo antes que ela sequer caísse no chão. Mas ele poderia ajudar alguém agora. Ele abriu a porta e saiu. De onde o tornado tinha demolido uma linha através do coração da cidade, ele podia ver por quilômetros em cada direção. As pessoas estavam saindo lentamente de edifícios danificados no perímetro do caminho do furacão e seguiam até a destruição que estava diante deles, enquanto outros rastejavam para fora dos escombros e saiam dos abrigos de tempestade. Os gritos de socorro o atravessavam como facas. Ele encontrou o olhar devastado, mas determinado de Gayle, ganhou força a partir dela e entrou em ação. Uma adolescente estava presa por um muro desmoronado. Mac o levantou e ela se arrastou para fora, soluçando. Além de alguns arranhões, ela estava relativamente ilesa. Um milagre. 283


Ambulâncias,

viaturas

policiais

e

caminhões

de

bombeiros percorriam lentamente através dos escombros. Mas os socorristas ainda não eram suficientes. Enquanto ele entregava a menina a um dos paramédicos, ele sentiu um puxão em sua camisa. Ele olhou para baixo. Uma menina pequena, talvez em torno de três anos de idade, com cabelos loiros e olhos azuis. O sangue escorria de um corte em sua testa e suas roupas estavam encharcadas e cobertas de sujeira. Mas foi a inocência em seus olhos que bateu com força em seu coração. O cabelo loiro e olhos azuis lembravam-lhe tanto de Ally. E ela tinha em torno da mesma idade que seu filho hoje teria... O seu coração era arrancado dolorosamente enquanto ele se agachava diante dela. — Ei, querida. — Sua voz estava grossa com emoções reprimidas e ele teve que limpar a garganta. — Eu não consigo encontrar minha mãe. — Lágrimas brotaram nos olhos da criança, o queixo começando a tremer. Ela tocou a ferida em sua testa. Suas pequenas unhas estavam pintadas de um rosa alegre, um contraste com a devastação ao redor deles. — M-minha casa se foi e também a minha m-mamãe. Eu quero o meu pai. Ele não sabia se ele tinha forças para isso. — Vai ficar tudo bem, — ele acalmou, vendo o choque por tudo o que ela havia passado. — Eu preciso que você seja corajosa por apenas um pouco mais de tempo para que 284


possamos encontrar sua mãe. Ok? Você sabe onde a sua casa estava? Soluçando, a menina olhou em volta e ele podia dizer que ela estava em dúvida. Como teria certeza? Tudo estava nivelado. Então ela apontou um dedinho trêmulo para baixo da rua. — Aquele é o meu quarto, — disse ela, em seguida, explodiu

em

um

lamento

que

apenas

uma

criança

aterrorizada poderia fazer. — Senhor Jacaré! A Aflição da criança o rasgou e ele a carregou em seus braços enquanto olhava para a parede rosa ainda de pé cerca de quarenta metros de distância. O pequeno corpo estremecia contra seu peito enquanto ela chorava por tudo que tinha perdido. Deus, ele esperava que encontrasse sua mãe. Talvez ele... como ele encontrou Ally. Ele apertou os olhos fechados. Ele não podia deixar sua mente vagar para lá. Não agora. Quando os abriu, ele fez contato visual com Gayle, que estava correndo em sua direção. Ela parou na frente deles e gentilmente tocou as costas da criança. A menina levantou a cabeça. Um rastro molhado riscando seu rosto enquanto ela tomava respirações trêmulas. — Ei, querida. Eu sou Gayle. Qual o seu nome? — S-Sophie. — Ela esfregou os olhos com os punhos.

285


— Ela não pode encontrar sua mãe, — disse Mac e Gayle lhe lançou um olhar. Eles se entreolharam por um momento. — Qual o nome da sua mãe, querida? — B-Brandi. — Eu vou encontrá-la, — disse ele. Gayle suspirou, em seguida, um sorriso simpático chegou a seus lábios quando ela estendeu os braços para a criança. — Querida, porque você não vem comigo? Eu tenho algo no carro que eu acho que você vai gostar. Sophie foi para o abraço de Gayle e apertou os bracinhos em volta do pescoço de Gayle. — Eu vou ter um paramédico cuidando dela também, — ela lhe sussurrou, em seguida, foi para o SUV. Depois que ela abriu o carro, soltou a criança, pegou um recipiente de plástico, colocando-o no chão levantou a tampa. Quando Sophie mergulhou dentro e arrancou um ursinho de pelúcia, abraçando-o ao peito com lágrimas ele queria puxar para seu peito a mulher ao seu lado. Inalando profundamente, ele começou a caminhar para a área onde a casa de Sophie costumava ficar. Se sua mãe tivesse sido sugada de dentro da casa pelo tornado, não tinha como saber onde ela poderia estar, mas ele esperava que

286


aquele não fosse o caso. Ele esperava ,Deus, ele esperava, que ela estivesse apenas em algum lugar sob os escombros. Mas Ally estava sob os escombros... Um suor frio escorreu por toda a sua pele e seus passos vacilaram. Respirar parecia uma tarefa impossível. Pontos estrelados se formaram diante de seus olhos, a visão de seu corpo sem vida formada em sua mente. Não! Ele se sacudiu. Obrigou-se a continuar caminhando. Quando ele passou por um monte de destroços, um gemido abafado veio de baixo. Arremessando grandes lajes de madeira fora da pilha, ele finalmente descobriu um homem idoso. Outro cara correu para ajudar ao homem e Mac seguiu em frente. Segundos depois, ele ouviu um gemido baixo. Ele empurrou de lado duas bicicletas torcidas juntas com alguns enfeites de quintal e descobriu um aterrorizado terrier encharcado. O cão tremia quando cautelosamente saiu. Ele pegou o animal. Uma mulher cerca de cinquenta metros de distância começou a chorar e saiu correndo. — Minnie. Meu Deus. Minnie! Ela levou o filhote de seus braços, em seguida, agarrou Mac com um abraço forte, seus sinceros soluços sufocando-o — Obrigada, oh, muito obrigada — mas sem alívio e felicidade.

287


Ele foi parado por gritos abafados de ajuda por mais quatro vezes. Duas das pessoas estavam em estado grave. Voluntários o ajudaram a coloca-los em uma porta solta e em um pedaço de madeira e os carregaram para a parte de trás de um caminhão que os levaria para o hospital. Ele também encontrou um pai e filho amontoados em um closet, único quarto remanescente da casa. Quando finalmente chegou ao quintal de Sophie, ele examinou a área. A sensação de Déjàvu quase o trouxe de joelhos quando quatro dedos chamaram sua atenção. Pouco visíveis,

enlameados

e

saindo

entre

dois

pedaços

de

escombros da casa. Eles eram delgados com unhas pintadas de um rosa brilhante. Todo o seu corpo ficou dormente. Ele não podia fazer isso. Ele não podia enfrentar a situação. Não uma segunda vez. Os dedos se contraíram. Apenas um movimento. Seu coração gaguejou e ele tropeçou em uma corrida ao longo dos escombros para chegar até ela. Ele tirou como um louco os tijolos, galhos e pedaços de móveis. Em seguida, ela estava lá. Loira como a menina. Gravemente ferida, mas viva. — Brandi? — Perguntou. Ela tossiu. Lágrimas brotaram em seus desesperados olhos azuis, escorrendo por suas bochechas. — M-minha f-filha? — Ela conseguiu perguntar. 288


— Sophie está bem. Ela está com a minha namo... — Atordoado, ele se balançou. — Amiga. Ela está com a minha amiga. Você está ferida? — M-minhas costelas. — Ok. Não se mexa. Eu vou buscar ajuda. — Olhando em volta, ele fez sinal para um paramédico a certa distância, que correu. Então ele procurou por Gayle. Ela não estava em qualquer

lugar.

Pânico

escalou

por

sua

garganta.

Freneticamente, ele procurou pela destruição e, finalmente, a viu, cerca de trinta metros de distância, vasculhando os escombros de um edifício. O aperto aliviou. Ele viu a menina também, e teve que sorrir. Ela se juntou a um grupo de outras crianças na rua, cada uma segurando um novo bicho de pelúcia. Todos eles ainda pareciam assustados, mas já não estavam chorando. — Enquanto eles te preparam para ser levada, eu irei buscar Sophie. Quando ele ia ficar em pé, a mão de Brandi atraiu a sua. — Obrigada. Eu acho que nunca — ela tomou uma respiração superficial — serei capaz de recompensa-lo. Dando aos seus dedos um leve aperto, ele balançou a cabeça e disse: — Você me ajudou muito mais do que você jamais poderá imaginar. 289


Enquanto

caminhava

pelo

gramado

coberto

de

destroços para pegar a filha de Brandi, seu coração estava mais leve e livre do que jamais esteve nos últimos anos. Gayle tinha razão. Ele precisava enfrentar isso. Ele não tinha acabado de enfrentar o dia mais traumático de sua vida. Ele o reviveu. Cada emoção e cada memória trazidas para a superfície, esfolando-o vivo, fazendo com que testemunhasse a destruição – mas desta vez, pelo lado de fora. Deu-lhe a chance que não lhe tinham dado há quatro anos. Ele tinha ajudado. Mesmo que não fosse sua esposa sob os escombros desta vez, ele foi capaz de fazer a única coisa que havia lhe martirizado em culpa desde a sua morte. Ele estava ali para salvar a vida de alguém. E ele tinha poupado uma filha e um marido de viverem no inferno puro que ele tinha sido forçado a viver pelos últimos quatro anos. Ele precisava desesperadamente banir seus demônios e hoje, por causa de Gayle, ele finalmente fez isso. Ele tinha muito a agradecer a essa mulher.

Exausta, tanto física quanto emocionalmente, Gayle se sentou na beirada da cama. Era um maldito milagre que houvessem encontrado dois quartos de motel, tendo em vista todas as pessoas desalojadas e as equipes de resgate vindo para a cidade. Graças a Deus, porque ela não sabia o que faria sem um lugar seguro para domar suas turbulentas emoções. 290


Ela, Rick, e Mac haviam trabalhado noite adentro. Embora a maior parte da cidade tenha sido destruída, ocorreram apenas cinco mortes. A manhã poderia haver mais. Mas, considerando o dano catastrófico e as casas sem porões de tempestade, ela sabia que o número de mortos poderia ter sido muito pior. A destruição era devastadora, mostrando o quão poderoso aquele tornado tinha sido. Tinha encontrado uma telha enfiada em uma parede e um garfo de cozinha impulsionado tão profundamente no tronco descascado de uma árvore que ela não tinha conseguido puxá-lo – ela estava bastante convencida de que aquele havia sido um EF-5. Quando ela arrancou suas botas de caminhada, uma queimadura chamuscava as palmas de suas mãos e ela engasgou. Mac imediatamente se virou. — O que foi? Ela gentilmente pressionou juntas as palmas das ternas mãos. — Nada. Depois do que as outras pessoas perderam hoje, ela não tinha o direito de reclamar sobre um par de bolhas. Ele se ajoelhou diante dela e tentou pegar suas mãos. Ela as puxou dele. — Eu estou bem. — Baby, deixe-me ver. Suspirando, ela as estendeu. 291


— Jesus, — ele sussurrou. — O que aconteceu com as luvas? — Elas só duraram cerca de três horas. Bolhas estouradas expunham a pele crua e sangrenta. Um corte feito por um pedaço de metal retorcido que tinham levantado de cima de uma jovem atravessava toda a palma da mão. Desde que se mantinha atualizada com suas vacinas, ela não estava preocupada com tétano. — A sua não pode estar muito melhor, — ela murmurou ante seu olhar horrorizado. Mostrou-lhe as palmas das mãos. Ele tinha uma bolha ou duas, um arranhão aqui e ali, mas nada como o dela. — Eu luto Gayle. Minhas mãos estão acostumadas a tomar uma surra. — Eu imagino que estejam. — Lagrimas lutavam para serem liberadas e ela piscou, emitindo um longo suspiro. Os eventos traumáticos do dia tinham deteriorado todas

as

emoções

que

ela

normalmente

mantinha

cuidadosamente reprimidas e ela estava perto de quebrar. Não era de se estranhar. Ela sempre chorava depois de dias como o de hoje. No entanto, ela não poderia fazê-lo na frente de Mac. Ela estava tão orgulhosa dele e da maneira como ele lidou com tudo, ela não deixaria sua fraqueza derrubá-lo. — Eu vou tomar um banho.

292


— Tudo bem, mas assim que você sair, eu quero tratar suas mãos. Ela forçou um sorriso. Se o fazia se sentir melhor... Depois que se fechou no banheiro, ela se despiu desajeitadamente

e

entrou

debaixo

da

água

quente

fumegante, felizmente sem sentir muita dor. Mas assim que ela começou a ensaboar seu cabelo com shampoo, as palmas das mãos inflamaram e ela quase gritou. Tentar massagear o sabão no cabelo e tirá-lo mostrou-se impossível. Sempre que ela fechava os dedos, um intenso calor latejante pulsava através de suas mãos. O sabão deslizou por sua testa, ardendo também os seus olhos. Ela estava perto de quebrar completamente. — Mac! — Qual é o problema? — Veio de trás da cortina, cheio de preocupação, um instante depois. Isso era tudo. As emoções do dia a engoliram, tudo de uma vez e um soluço borbulhou em sua garganta. Ela apertou os lábios, lutando para contê-los. — Gayle? Quando ela não respondeu, ele puxou acortina. Tudo o que podia fazer era olhar para ele, lágrimas borrando sua visão enquanto a água do chuveiro fluía por seu corpo. — Baby, você está bem?

293


A doçura de suas palavras a arrancou de seu controle e a comporta estourou. Ela cobriu o rosto com as mãos, não mais sentindo dor física, enquanto soluços escapavam dela. Braços fortes a circularam e ela foi arrastada, sua bochecha encontrando o tecido de algodão. O homem tinha entrado na banheira com ela completamente vestido, sapatos e tudo. Tomando o conforto de seus braços, ela se inclinou contra ele, deslizando as costas de seus dedos por suas costas enquanto seu corpo tremia com a força de suas emoções. O que ela estava fazendo? Depois de tudo o que ele tinha passado tudo o que teve de enfrentar, as memórias que haviam ressurgido.... Ela tentou se afastar, levando as mãos para enxugar os olhos. Ele foi tão malditamente corajoso e aqui estava ela sendo fraca Ele apertou ainda mais em torno dela, recusando-se a deixá-la ir. — Gayle, você envergonhou o próprio Super-homem. Deixe-me ser forte para você em troca. Ela hesitou por um breve momento, então se soltou, enterrou o rosto em seu peito e se permitiu ser fraca, permitiu-se buscar o conforto de outra pessoa – permitiu-se chorar na frente de alguém. Realmente chorar.

294


Quando ela finalmente levantou a cabeça, ele não disse uma palavra, apenas passou ao seu redor e esguichou o shampoo na palma da mão. Ele a virou e massageou seu couro cabeludo até que formasse uma boa espuma. Depois de lavado o cabelo ele fez o mesmo com o condicionador. Ela o encarou novamente. Ele olhou para ela por um momento, então segurou a parte de trás da nuca e tomou seus lábios com os dele. Ela procurou a bainha de sua camisa, mas ele gentilmente afastou suas mãos e ele próprio a retirou. O tecido molhado aterrissou pesadamente sobre o azulejo, seguido lentamente – muito lentamente –pelas botas encharcadas, jeans e cueca boxer. Era o descanso que precisava para terminar de domar suas emoções caóticas. Enquanto ela o observava se despir, um tipo diferente de emoção a encheu – necessidade. Necessidade e desejo por este homem extraordinário que colocou tudo na linha hoje. Ela emitiu um último suspiro, deixando de lado a dor, seu coração no lugar se inchando de amor. Quando ele finalmente se endireitou, ela olhou para seu corpo bonito, poderoso, e a monstruosidade do dia recuou. Com ele, ela se sentiu totalmente alimentada e segura. E, Deus, como ela queria tocá-lo. — Eu quero te lavar, — disse ela. — Sim, eu quero que você me lave, também, mas eu não vou deixa-la fazer isso com essas mãos. — Um sorriso 295


perverso gradualmente curvou seus lábios. — Que tal você assistir em vez disso? Ela espelhou seu sorriso. — Estou intrigada. Ele agarrou a barra de sabão e correu de forma provocativa sobre a pele molhada de seu peito e barriga e atirou o sabão de volta. Ele, então, começou a deslizar as mãos pelos dois braços, o peito, e seu abdômen bem definido, deliberadamente a atormentando. Observar seus dedos fortes vagueando

sobre

seu

corpo

com

sabão

a

excitou

absurdamente. Ela prendeu o lábio inferior entre os dentes enquanto seus dedos mergulhavam mais para baixo. Ele passou uma mão ao redor de seu pênis e começou a se acariciar. Ela estava tão hipnotizada pela ação, que ela não viu sua outra mão alcançar e beliscar seu mamilo. Ela engasgou. — Alguém gosta de me assistir. Ela não afastou o olhar de sua mão trabalhando, mas ela ampliou o sorriso. — Ah sim. Gosto de ver seu pau ficar duro. Seu braço disparou e a puxou para si. — Meu pau duro gostaria de estar dentro de você. Ele a deixou por um breve momento para procurar pela camisinha em sua ensopada calça jeans, então sua boca 296


estava

sobre

a

dela

novamente

quando

a

levantou.

Envolvendo as pernas ao redor de sua cintura ela passou os braços em volta de seu pescoço, mas manteve as mãos livres. Ele a apoiou contra a parede úmida e, em um movimento, entrou dentro dela. Eles gemeram na boca um do outro. Empurrando nela em um ritmo rápido, forte, ele massageava um seio enquanto suavemente rolava seu mamilo entre dois dedos. Gemendo, ela inclinou a cabeça para trás. Seus lábios imediatamente alcançaram seu pescoço exposto, chupando, mordendo e beijando. — Jesus, Mac, — ela gaguejou. Quando sua boca se fechou ao redor do mamilo, sugando profundamente e sua mão acariciou entre suas pernas ela se desfez instantaneamente. Ela esperou que ele se juntasse a ela. Em vez disso, ele diminuiu a velocidade agressiva de seu dedo para apenas uma massagem suave de seu clitóris enquanto empurrava. Ele enterrou o rosto em seu pescoço. — Foda-se, mulher, eu não me canso de estar dentro de você. Em seguida, os dedos retomaram a dança hábil. Desta vez, seu orgasmo foi mais forte, longo e alto. Mac empurrou para frente e seu corpo ficou tenso contra o dela. — Foda-se, — ele soltou. — Porra. Um grande terremoto o sacudiu, em seguida, seus músculos relaxaram lentamente. Quando ele finalmente 297


levantou a cabeça, um sorriso preguiçoso curvou seus lábios. Ele a beijou suavemente e a colocou de pé do lado de fora da banheira, não a soltando até que tivesse certeza de que ela tinha se equilibrado. Depois ele saiu, pegou uma toalha branca do gancho e gentilmente a secou e envolveu a toalha em torno de seu corpo, colocando-a fechada entre os seios. — Eu vou me secar. E estarei fora em um minuto para tratar suas mãos. — Ele a beijou novamente, em seguida, mandou-a para fora da porta com um tapinha suave em seu traseiro. Sorrindo, Gayle entrou no quarto, pegou uma camiseta grande e calcinha e as colocou. Havia muito a ser dito tendo alguém especial. Alguém que entendia o que você estava sentindo e não hesitava em se doar. Alguém em quem você podia confiar. Seu sorriso desapareceu. Aqueles eram pensamentos perigosos. Ela não tinha Mac. Ela precisava se lembrar disso. Ele iria embora em questão de semanas. — Sente-se na cama, — disse ele enquanto caminhava do banheiro com uma toalha enrolada na cintura. Perplexa por seus pensamentos, ela fez o que ele pediu, observando-o puxar um par de calças de pijama xadrez e pegar o kit de primeiros socorros. Ele se ajoelhou diante dela e ela observou o topo de sua cabeça, tentando esclarecer seus sentimentos. Ela gostava

298


dele. Muito. Não havia dúvida de que ela poderia facilmente se apaixonar pelo homem. E isso a assustou. Relacionamentos e Gayle Matthews não combinavam. Ela aceitou o fato três anos atrás. Se não fosse a morte que a separou do homem que ela permitiu entrar em sua vida, seria seu trabalho, ou sua imaturidade, ou sua seriedade, ou sua estupidez, ou seus compromissos. De verdade? Poderiam os motivos serem mais unilaterais? O resultado final era sempre o mesmo... Ele a deixava. E Mac o faria também. Mesmo se ele ainda não estivesse deixando a cidade. Ela tinha que proteger seu coração dele. Em primeiro lugar, não havia nenhuma parte dela que acreditasse por sequer um instante que ele ficaria no Kansas, e não havia nenhuma maneira dela jamais se afastar. Em segundo lugar, na corrida de lama, ele disse a ela que não estava procurando nada sério. O que a levou a crer que ele só queria testar as águas, já que não tinha namorado desde o falecimento de sua esposa. Ela não podia culpá-lo. Ele merecia ter encontros. Se divertir e aproveitar a vida de solteiro depois da solidão a que tinha se sentenciado nos últimos anos. Ela o estudou por um momento, realmente estudou. E viu que parecia menos assombrado. Ele estava sorrindo agora. Ele precisava de tempo para se familiarizar com o homem feliz, se sentir confortável com ele mesmo novamente. Ter algumas boas 299


experiências para compensar todas as más. E então talvez ele pudesse encontrar a mulher certa e ser capaz de amar novamente. Mac era infinitamente capaz

de amar. Ele já havia

provado isso. Quando ele amava, ele amava com tudo. Enquanto ele trabalhava a pomada antibiótica nas palmas das mãos, em seguida, as envolvia cuidadosamente com gaze, ela passou os dedos sobre seu cabelo. Ele merecia uma mulher que iria preencher o enorme vazio que Ally havia deixado quando morreu. Gayle lhe desejava isso com todo seu coração. Mas ela não seria aquela a fazê-lo. Ela simplesmente não os imaginava juntos a longo prazo. Muitos obstáculos. Mas isso não a impediria de desfrutar o homem enquanto ele estivesse ali. — Pronto, — disse ele enquanto firmava o final da gaze e se sentava sobre sua panturrilha. Ela sorriu para as mãos embrulhadas. — Devo elevar meus punhos para proteger meu queixo? — Isso seria muito sexy, na verdade. — Huh. Eu vou ter que me lembrar disso quando puder dobrar meus dedos sem me encolher de dor. Ele se sentou ao seu lado na cama.

300


— Eu queria lhe perguntar sobre os ursos de pelúcia. Foi muito legal da sua parte. Significou muito para aquelas crianças. — Eu comecei a carregá-los depois de ver o meu primeiro tornado destrutivo. — Como ele reagiria quando descobrisse isso? Na época, não parecia apropriado deixar escapar que ela havia perseguido aquele tornado que destruiu sua vida, enquanto ele estava revivendo-o em sua cabeça. — Eu comecei a caçar há seis anos, mas não foi até cerca de quatro anos atrás, que eu realmente vi um EF-5 rasgar uma cidade. — Ela olhou para longe. Ele endureceu ao lado dela. Sim, ele entendeu o que significava. — Você estava em Emerald Springs. Ela assentiu com a cabeça. —

Eu

o

segui

direto

para

a

cidade

e

saltei

imediatamente para ajudar. Eu nunca esquecerei como as pessoas estavam atordoadas quando saíram. Especialmente aquelas que haviam se escondido dentro de uma casa. Como se não pudessem acreditar que tinham sobrevivido e se perguntando como isso tinha acontecido. — Eu sei qual é o sentimento, — ele murmurou com um suspiro. Ela tocou o curativo que tinha envolvido com tanta ternura em torno de suas mãos. 301


— As crianças estavam todas em pânico e chorando e eu

me

lembro

de

ter

visto

um

menino

que

estava

completamente arrasado por causa de um filhote de cachorro de pelúcia. Sua mãe me explicou que ele tinha o filhotinho desde que tinha oito meses de idade, dormia com ele todas as noites. Bateu-me então que, se era difícil para os adultos, era ainda pior nas crianças. Eles não têm a capacidade de entender o que aconteceu. Como poderiam, quando até os adultos não entendiam? — Presumo que ele não encontrou o cachorro. Ela sorriu. — Não, ele encontrou. Sujo e faltando um olho, mas ele o encontrou. Desde então, porém, eu tenho carregado por todo lado no SUV a caixa de bichos de pelúcia. Essas crianças perderam tudo, principalmente a sensação de segurança. Eu imagino que posso lhes devolver um pouco desse sentimento com os ursos de pelúcia. Algo para ajudalos a começar novamente. — Você realmente fez muito bem, Gayle. Eu vejo isso agora. O louvor a incomodava e ela deu um leve encolher de ombros. Ela não fazia aquilo pela glória. Ela o fazia porque era o certo. Muitos caçadores faziam o que ela fazia. — Eu não posso imaginar o que passaram. Eu nunca passei pelo que essas pessoas, pelo que você, experimentou. Eu não tenho ideia do que é se arrastar para fora dos 302


escombros, ou abrir a porta de um abrigo e ver que tudo que me era familiar sumiu. — Mas você perdeu sua família em um tornado. — Sim, mas eu não estava com eles. Eu estava na faculdade. Foi — fechando os olhos, ela respirou fundo, controlando a dor que imediatamente veio à tona. Sete anos depois, e ainda a machucava falar sobre isso. — Era meu aniversário, e eles estavam indo me fazer uma surpresa. Eles foram pegos na interestadual. Não tinham para onde ir, onde se esconder. Eles estavam presos. O maldito tornado passou direito pela minha família e meu namorado do ensino médio. Seu rosto estava envolto em empatia. — Inferno. Eu sinto muito. Ela engoliu o nó de emoções preso em sua garganta. — Muitas vezes eu me pergunto o que eles estavam pensando naqueles últimos momentos. Eu sei que eles estavam apavorados, mas eles estavam pensando em mim, desejando que tivessem tomado um caminho diferente, parado para o almoço...? — A voz dela se quebrou e ela apertou os lábios. Ela tentava não pensar sobre esse dia com muita frequência, mas em dias como aquele, era difícil reprimir as memórias. Era incrível como ela era a pessoa sentada ali, tão indefesa e Mac parecia ser tão forte, mesmo depois do que ele passou. Mas, depois de um desses grandes tornados que 303


arrasavam cidades, às vezes levava alguns dias para que ela se recompusesse. Era como se o passado voltasse com força total e todas as questões que a tinham assombrado pelos últimos anos se recusassem a sair até que ela pudesse finalmente voltar para sua rotina e escondê-las novamente. — Eu nem sabia que eles estavam mortos até dois dias depois do tornado. — Sua visão nadou com lágrimas não derramadas. A mão de Mac alcançou a parte inferior das costas e fez círculos, mas permaneceu em silêncio, pelo qual ela era grata. Na maioria das vezes, ela lidava com esses momentos sozinha. Sentiu-se bem por finalmente deixá-los sair. — Durante os dois dias eu estava magoada e irritada por terem se esquecido do meu aniversário. Deixei algumas desagradáveis mensagens de voz que eu nunca poderei apagar, mas eu pensei que eles estavam a salvo, pensei que tinham somente me esquecido. — Ela olhou para frente. — Vinte pessoas morreram na tempestade. Não arrancou nenhuma casa ou atingiu qualquer cidade, mas cruzou a movimentada interestadual e levou a vida de vinte pessoas. Eu mesma assisti pela TV, sem ter ideia de que minha família e namorado estavam mortos. — Jesus, sinto tanto, Gayle. — Ele a puxou para o seu lado e beijou o topo de sua cabeça. — Eles eram tudo que eu tinha. Éramos próximos também. Sam e eu namorávamos desde o ensino médio e, de 304


alguma forma, quando fui para a faculdade, fizemos nosso relacionamento a longa distância funcionar. Depois eu estava tão perdida. Minha casa, o lugar onde eu cresci, comemorei aniversários, Feriados de ação de Graças e Natal, ainda estava de pé, mas no dia em que voltei, era apenas uma casca. As pessoas que a tinham transformado em um lar haviam partido. — Ela se afastou para olhar para Mac. — Suponho que se você pensar sobre isso, nossas reações não foram tão diferentes. Vendi nossa casa. E nunca mais voltei para minha cidade natal desde então. Atirei-me em meus estudos como você se jogou nas lutas e eu comecei a perseguir tempestades na temporada depois que morreram. Estou determinada a me aprofundar na investigação de tornados e, no processo, se eu tiver a chance de salvar uma vida diretamente no caminho da destruição da Mãe Natureza, então eu irei salvar aquela vida. Ninguém deveria ter que morrer assim. As pessoas que eu amava não deveriam ter morrido assim. Ela deitou a cabeça em seu peito e ele ficou em silêncio por um longo tempo. Em seguida, ele sussurrou, — Não. Ninguém deveria.

305


Capítulo Dez Na tarde seguinte, Mac estava usando uma motosserra para cortar uma árvore que bloqueava a rua. Após o tronco da árvore se dividir ao meio, ele puxou a alavanca e deixou o motor em marcha lenta enquanto procurava Gayle entre os voluntários e proprietários de casas deslocadas. Encontrou-a, de pé, com uma mulher mais velha, pegando uma pilha de destroços. Ele verificou muito o seu paradeiro ao longo do dia. Ele precisava dela à vista em todos os momentos.... Embora o incomodasse o quanto ele se estressava com o seu bem-estar. Um pouco de preocupação era saudável, mas isto beirava o obsessivo. Ele passou o braço na testa, limpando o suor. A manhã e a maior parte da tarde tinham passado bastante rapidamente. Rick estava transportando detritos para o lado da rua, enquanto Mac estava ajudando sempre que alguém precisava dele. Gayle esteve principalmente pulando de pessoa para pessoa fazendo a coisa que Gayle fazia melhor – fazê-los se sentirem especiais ao ajudar na busca de quaisquer itens em falta que eles esperavam encontrar nos escombros. Assim como ele estava prestes a voltar para serrar de novo, um homem com cabeça ruiva e óculos arredondados veio caminhando em direção a ele com a menina de ontem em 306


seus braços. Ela ainda estava segurando o ursinho que Gayle tinha lhe dado, com o rosto enterrado no pelo. O homem não disse nada. Só colocou a menina para baixo, em seguida, agarrou Mac em um abraço de urso. Ele não questionou o homem, sabendo que ele tinha que ser o marido da mulher que ele havia libertado ontem. Ele bateu o homem nas costas e o deixou abraçá-lo. Quando ele largou Mac, ele deu um passo para trás e pegou a menina novamente. — Eu sou Dennis King. Você salvou a minha esposa. Mac lhe deu um sorriso compassivo. — Eu estou grato que pude ajudar. — Eu estava no trabalho. Eu estava no telefone com Brandi quando ele bateu. Eu pensei que tinha perdido as duas. Nunca me senti tão impotente em toda a minha vida. Quando eu vi o bairro... A casa — o homem engoliu em seco — o-obrigado. — Ele parecia como se ele pudesse quebrar a qualquer momento. — Você não tem do que agradecer, — disse Mac, em seguida, lhe deu um momento para se recompor olhando de relance para Gayle. Ela tinha parado de peneirar e ficou observando. Um sorriso encorajador triste veio aos lábios. Não importa o que, ela sempre era forte para todos ao seu redor. Ontem à noite tinha sido uma anomalia para ela – um momento de 307


fraqueza, que ele poderia nunca voltar a ver de novo, por que isso não era quem ela era. Ela era força e domínio embrulhado em um pacote pequeno. Ele nunca seria capaz de esquecer o que ela compartilhou com ele ontem à noite ou a conexão que ele sentiu com ela em um nível muito mais do que sexual. Duas pessoas que tiveram que aprender a seguir em frente depois de perderem as pessoas mais próximas a eles e de uma forma tão semelhante. Só alguém que tinha passado por isso conseguia entender. Era uma coisa rara. — Como está a sua mulher? — Mac perguntou ao homem quando ele parecia ter se recomposto. — Ela teve que fazer uma cirurgia. Seu quadril foi completamente esmagado. Ela quebrou um par de costelas, também,

e

torceu

o

pulso

realmente

mal,

mas

seu

prognóstico é bom. — Fico feliz em ouvir isso, — disse Mac. Ele sorriu para a menina que estava estudando cuidadosamente o urso. — Como vai você? Ela olhou para cima, sua face sombria. — Sinto falta da minha mãe. — Aposto que ela sente falta de você também, um monte. Vejo que ainda tem o seu ursinho de pelúcia. Ela o abraçou apertado. — Nós começamos a dormir na cama grande com o papai e Vovó. 308


Ele suspeitava que a menina provavelmente passaria muitas noites dormindo perto de seu pai. O homem sabia o que ele tinha chegado perto de perder e mudaria para sempre por causa disso. — Então, você está hospedado com a sua vovó. — A Vovó me fez cupcakes para o jantar. Nós levamos alguns para a mamãe. O pai sorriu para ela. — Ela amou, não foi querida? A menina se iluminou um pouco quando ela balançou a cabeça. — O que você acha que você vai fazer agora? — Perguntou-lhe Mac, olhando para o lugar vazio, onde a casa do homem ficava. O cara olhou para o terreno aplainado. — Reconstruir. Eu e Brandi, nós nos conhecemos aqui, casamos aqui e fizemos uma família aqui. Nenhum de nós pode imaginar viver em qualquer outro lugar. Será que Mac teria feito o mesmo se as coisas tivessem terminado de forma diferente? Isso não tinha sido o seu caminho, no entanto. Seu caminho o levou... Mais uma vez os seus olhos encontraram Gayle. Ela estava conversando com a mulher mais velha agora, que estava, na verdade, rindo. 309


Ele não sabia exatamente o lugar o qual ela foi feita para ocupar em sua vida... ou o que ela devia ser para ele. Talvez nada mais do que a pessoa que o trouxe de volta à vida e o ajudou a seguir em frente. Mas ele sempre teria uma conexão com ela, especialmente após esta situação. E de alguma forma, ele não achou essa conexão tão assustadora como ele achou antes. — Eu desejo a você e sua família tudo de melhor, — disse Mac. — Queremos o mesmo para você. — Papai, olhe. É Gayle. — Quer ir dizer oi, querida? — A menina assentiu e o homem olhou para Mac novamente, sinceridade gravada em cada célula do seu rosto. Chegou lá no fundo de Mac. — Obrigado. Se houver qualquer coisa... Mac sorriu e apertou sua mão, em seguida, o homem caminhou em direção a Gayle. Ela lhe deu um sorriso caloroso que apertou o peito de Mac. O homem baixou a filha, e Gayle agachou e devolveu o abraço que Sophie jogou para ela, então disse algo animadamente que baniu o pequeno rosto sombrio e ganhou um sorriso genuíno da garota. Gayle seria uma grande mãe um dia. Mas como ela seria alguma vez capaz de jogar com a vida familiar e a sua profissão perigosa? Embora Mac tenha visto os verdadeiros benefícios de sua perseguição da 310


tempestade, ele também estava ciente dos riscos. Carregava os hematomas nas costas do granizo de ontem como um lembrete. Se ele não estivesse lá, o granizo poderia ter seriamente machucado ou pior. Como ela poderia continuar a se colocar em perigo se ela engravidasse? Ou com uma família em casa esperando por ela? Porque a própria ideia o fazia torcer seu estômago? E que parte disto não encaixava bem com ele? A ideia de uma família muito preocupada sobre ela toda vez que ela saísse para perseguir uma tempestade? Ou o pensamento de sua família não o incluir...? Não. O último pensamento não encaixava bem com ele, em tudo. No entanto, ele não ficaria no Kansas. E não importa o quanto ele pudesse ou não se sentir sobre Gayle, ele não estava preparado para viver a vida de um marido de uma caçadora, ou mesmo qualquer outro. Um amigo especial com benefícios? Claro. Ele estava definitivamente pronto para isso. Mas nada mais do que isso.... Não havia nenhuma maneira possível.

311


Capítulo Onze Gemendo, Gayle se arrastou por sua casa e fechou a porta. Finalmente. Eles haviam ficado fora um extra de dois dias ajudando a pequena cidade com a limpeza e tinham dirigido de volta esta tarde. Depois de quase uma semana vivendo no SUV e em motéis degradados, comer fast food ou o que quer que eles pudessem pegar em uma loja de conveniência, ela estava pronta para um longo banho quente com um copo grande de vinho e sua própria cama –onde ela planejava dormir durante as próximas 48 horas. Esperava que sim. Ela e Mac tinham caído em uma rotina nos últimos dias. Eles voltavam ao motel, chuveiro e depois faziam amor antes de ela adormecer com o seu corpo quente enrolado atrás dela. Mac tinha dormido pacificamente desde o tornado, sem pesadelos, sem gritos e por causa disso, ela tinha acordado todas as manhãs ainda envolvida em seus braços. Ela tinha se acostumado a isso. Seria estranho estar de volta ao mundo real, com ele lá no Lance e ela em sua própria casa. Era melhor assim, no entanto. Mac estava ficando sob a sua pele de uma forma significativa e seu tempo com ele

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estava terminando. Se ela não se cuidasse, ela ira teria um inferno de ajuste quando ele fosse embora. Pena que essas lembranças não a impediam de cair direto de volta para os seus braços toda vez que ele a tocava. Ela adorava que ele a tocasse. Em qualquer lugar. Em todos os lugares. Adorava como o seu corpo respondia quer eles estavam tomando o seu tempo ou fazendo como duas pessoas que nunca iriam transar novamente. Seus mamilos apertavam pensando em como ele a tomava – muitas e muitas vezes. Ela não conseguia se lembrar de uma época em que seu corpo antecipasse por um homem do jeito que acontecia com ele. Estava pronta para ele assim que ele entrava em uma sala. Talvez fosse a idade. Ela tinha ouvido que quanto mais velha a mulher fosse mais a sua libido passava da escala. E, caramba, sua libido estava definitivamente ultrapassando a escala por esse homem. Ela puxou a pequena mala até as escadas, entrou em seu quarto e foi direto para o banheiro. Depois de ligar a torneira e ajustar a água, ela foi até a cozinha e encheu um copo de vinho. Vagando de volta para seu quarto, ela colocou seu iPod no suporte e procurou na sua coleção de música até que uma música clássica suave encheu o ar. Ela realmente não estava no clima para as letras agora.

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Enquanto ela entrou na banheira de pés, a água quente a acolheu. Suspirando, ela inclinou a cabeça para trás contra a borda e fechou os olhos. Sem pensamentos. Sem memórias. Apenas a sinfonia de Canon em D maior a acalmando, como sempre fazia. Não importava o quão negativo o seu humor estivesse, o opus de violinos o varria com paz e calma. Depois que sua família morreu, ela passou meses o ouvindo repetidamente, sem entender por que isso parecia ser a única coisa que ajudava. Não foi até que sua dor se tornou gerenciável que a razão havia batido nela. Todas as noites, durante o tempo que ela conseguia se lembrar, Canon de Pachelbel tinha tocado suavemente ao fundo durante o jantar de família. Ouvindo isso a fazia sentir-se ligada a eles – fazia até hoje. A peça clássica tocou quatro vezes antes que ela se ocupasse em depilar as pernas e esfregar seu corpo. Sentindo-se realmente limpa pela primeira vez em dias, ela apertou um robe de veludo em volta dela e começou a voltar ao térreo. No meio do caminho, um delicioso aroma a deixou com água na boca. Ele não tinha. Um pequeno sorriso ameaçou e ela mordeu o lábio inferior, tentando impedi-lo de florescer. Enquanto ela se arrastava para a cozinha, o aroma se tornou mais forte. Quando ela entrou, ela encontrou um Mac de banho tomado em pé no seu fogão, cozinhando. A vista era linda. Seu rosto estava concentrado enquanto ele virava algo em um tacho. 314


Ela se encostou ao batente da porta observando-o. Se ele era tão magistral na gaiola quanto era na cozinha, ele certamente devia ganhar cada luta. Ela gostaria de ve-lo um dia. Ele estaria fora antes que ela tivesse a chance. O lembrete picou, mas, sabendo que era verdade, ela se empurrou para fora do umbral da porta e se aproximou dele. Essa coisa entre eles era temporária. Ela teve a sorte de ter este tanto. Ele a tinha fechado completamente para fora antes da caçada; pelo menos agora ela estava começando a passar tempo com o homem. E ela estava habituada ao temporário. Confortável com isso. Ela iria desfrutar de todas as coisas que eles compartilhavam até ao fim. — Mmm nada mais quente do que um homem cozinhando. Ele lhe enviou um sorriso meio convencido. — Você gosta disso, né? — É melhor ter cuidado bonitão, ou eu me assegurarei de

que

você

queime

tudo

o

que

você

está

tão

concentradamente duro fazendo aí. — Duro é certo. Mas não sobre as batatas. Quando ela chegou ao lado dele, ele virou seu corpo em direção a ela e ela colocou os braços em volta do pescoço. A evidência de sua excitação pressionou em sua barriga.

315


— Oh. Sim. Muito duro, — ela sussurrou. — Mulher, você vai ser a minha morte. — Ele lhe deu um beijo rápido e bateu no traseiro. — Vá embora. Não consigo me concentrar quando você está tão perto. Eu preciso alimentá-la em primeiro lugar. Ela escorregou ao redor do balcão e fez o seu lance. — O que vamos comer? — Nós não tivemos nada a não ser porcaria na última semana. Então, eu pensei que uma boa refeição caseira seria uma boa ordem esta noite. — Bonitão, a última coisa que você cozinha são refeições caseiras. Julia Child não poderia fazer as refeições que você faz. Ele sorriu. — Vá em frente e continue a atacar o meu ego. Eu não me importo. Ela balançou as sobrancelhas. — Isso não é tudo o que eu gostaria de atacar. — Pare, — disse ele apontando uma espátula para ela, mas diversão e calor esquentavam os olhos. — Tudo bem. — Ela amuou de brincadeira. — Vou me comportar. Por enquanto. — Ele virou uma espécie de empada de batata. — Sériamente, o que teremos?

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— Frango assado com chardonnay e ervas frescas, batatas em rodelas e aspargos com pão ralado torrado na manteiga. — Ah, então outro blah-blee-blue. A gargalhada veio dele. — Sim, é. — Bem, se for tão bom como da última vez, eu mal posso esperar. Mac trabalhou sobre o fogão por um tempo, então, perguntou: — O que você vai fazer amanhã à noite? Ela apoiou o queixo em uma mão. — Parece que eu estarei gastando com você. Seu olhar correu para ela, então ele estalou baixinho, sacudindo a cabeça. — Você nem sabe o que eu estou a ponto de lhe perguntar. — Não importa. Eu estou no jogo. Ele estudou-a por um momento. — Você realmente não recua de qualquer coisa, não é? O sorriso que ela deu parecia mais tenso do que o habitual. Ele estava realmente muito errado. Mac tinha a capacidade de quebrar o coração dela. Ela teve desgosto suficiente para durar uma vida inteira, então ela foi 317


deliberadamente afastando essa possibilidade – e rápido. Manter as coisas leves e sexualmente carregadas era tudo que ela iria se permitir dar a ele Ela encolheu os ombros. — Apenas me chame de curiosa. Se você está querendo que eu faça algo com você, estou intrigada o suficiente para querer ir. — Há uma luta amanhã à noite. É um circuito de MMA local. Lance se inscreveu cerca de dois meses atrás para lutar e honestamente, eu estou ansioso para voltar para dentro da gaiola, por isso Lance vai ver se eles irão me incluir. Não tenho certeza ainda se conseguirão, mas de qualquer forma, nós veremos algumas lutas. — Por que eles não o deixariam lutar? — Estes são circuitos menores, Gayle. Enquanto eles têm alguns lutadores decentes com grande potencial, eles só podem ter lutado um punhado de lutas amadoras e algumas lutas

de

nível

profissional.

Eu

faço

parte

da

maior

organização de luta de gaiolas do mundo. Eu realmente tenho uma vantagem injusta. — Oh, eu tenho certeza que haverá pelo menos um cara lá que estará mais do que disposto a lutar com Mac 'The Snake' Hannon e de bom grado ter a sua bunda batida apenas para a divulgação dos direitos de se gabar. Uma risada suave. 318


— Vendo dessa forma, provavelmente você está certa. — Você não terá problemas com o seu contrato ou algo assim? Ele balançou a cabeça. — Enquanto eles não me estão publicitando e eu não aceitar dinheiro ou usar equipamentos do patrocinador eu estarei bem. — Então, eu finalmente vou ter oportunidade de vê-lo em ação, né? E esta será a minha primeira luta real, também. Quente. — Eu vou te mostrar o quente depois. Ela sorriu. — Oh. Eu estou contando com isso. Mac colocou a comida nos pratos e entregou um a ela, e ela sentou-se à mesa. Com o seu olhar oscilando entre o peito de frango bem dourado e as batatas crocantes, ela não podia decidir por onde começar. Seu estômago roncou em protesto. Ela finalmente cavou nas batatas e as suas papilas gustativas morreram a seus pés, aplaudindo. Jesus, o homem sabia cozinhar. — Como é que está? — Perguntou Mac. Ela fez uma pausa na mastigação e enviou-lhe um olhar incrédulo. — Sério? Você realmente tem que perguntar? 319


Rindo, ele cortou seu frango e deu uma mordida. Eles comeram sem falar porque não havia nenhuma conversa ao consumir as refeições de Mac. Ela saboreava cada pedaço delicioso do incrível talento que ele já não compartilhava com o público. Realmente era uma pena. Enquanto ela saboreava a comida, ela o viu comer– vendo seus lábios abrirem, em seguida, se fecharem em torno do garfo, o seu trabalho de mandíbula enquanto mastigava. Ele fazia até mesmo o simples ato de comer foi sexy para caralho. Tanto era assim que quando sentiu o cinto do roupão soltar em vez de apertá-lo ela o deixou solto, mexendo ocasionalmente para permitir mais abertura. Lentamente, o robe começou a abrir, alargando até que pendurou em um ombro e exibindo o topo de seu seio. Se a maneira que Mac parava de mastigar era qualquer indicação, ele tinha notado. Ela fingiu estar alheia. Por mais que ela adorasse quando Mac levava o seu tempo com ela, agora ela pulsava por uma batida forte. Ela esperava que com esta provocação, ela fosse estar contra uma

parede

ou

curvada

sobre

uma

mesa,

logo

que

terminasse o jantar. No momento em que ele colocou o garfo no prato, ela se levantou e se inclinou, deixando cair a frente enquanto recolhia os pratos. Ele congelou seu olhar se agarrando a ela. Lutando contra um sorriso de triunfo, ela se endireitou. Quando ela se virou, o nó fraco mal mantendo o robe fechado 320


cedeu completamente e o tecido se abriu. De costas para ele, ele não podia ver, mas ele sabia que ela estava agora exposta. A provocação final. Ela não poderia ter previsto isso melhor nem se ela tivesse tentado. E, um... Dois... Três... Sua cadeira raspou contra a madeira. Apertando os lábios em satisfação, ela continuou até a pia, ouvindo seus passos avançando atrás dela. Quando se trata de sexo, ela e Mac eram totalmente olho-no-olho. Sabendo que ela estava a segundos de tê-lo a atacando, ela rapidamente colocou os pratos na pia. Eles ainda não tinham parado de chocalhar diante de si e seus braços estavam ao seu redor, com as mãos vagando sobre seu estômago nu enquanto enterrava seus lábios para o lado de seu pescoço, beliscando ao longo da pele sensível. Colocando os dois seios em suas mãos grandes, capazes, ele amassou os montes, então beliscou os mamilos. Prazer correu direto para pulsar em seu clitóris. Ela engasgou, inclinando a cabeça para trás contra o seu peito. Deus, ela adorava quando ele fazia isso. Enquanto ele moía seu pênis contra a bunda dela, fazendo-a esfregar contra ele, fazendo-a pulsar mais forte por ele. Ele deslizou as mãos sobre sua barriga até que repousava sobre seus quadris e ele começou a puxá-los para trás. Quando eles tinham se afastado do balcão, ele começou a avançar. O tempo todo seus lábios se arrastavam pelo 321


pescoço e ombros, chupando a pele. Fechando os olhos, ela alcançou por trás dela e enfiou a mão em seu cabelo, segurando seu rosto mais perto dela. Pressionando seu traseiro para o cume duro cutucando-a por trás. Ela pulsava por ele. Precisava dele. A mesa da cozinha encontrou o topo de suas coxas. Ele a empurrou para baixo com a mão no meio das costas dela e ela foi sem protestar, colocando o rosto na madeira fria. Ele empurrou o robe para fora de seu traseiro e ela ampliou a sua abertura, antecipando a sua invasão, esperando por ele para enchê-la em um impulso rápido. Não haveria preliminares, toques ou carícias. Isso ia ser duro e rápido. E ela gostava disso tanto quanto ela gostava do suave e lento. Inclinada como ela estava e com ele atrás dela, ela estava à sua mercê. Ele controlava tudo, desde o ritmo de como ele a levava para o quão profundo ele ia e quão duro. Sabendo que só aumentava seu desejo por ele. Houve um rasgo de papel de alumínio e em seguida, ela o sentiu sondando, a cabeça dura que levaria o seu comprimento longo e sólido dele dentro dela. Ela prendeu a respiração, esperando. Será que ele faria isso rápido? Ou dolorosamente lento? Ele tomou a opção lenta. Uma polegada excruciante de cada vez. Querendo ter tudo dele enterrado dentro dela, ela gemeu e empurrou para trás, tentando empurrá-lo, mas um tapa afiado na bunda a deteve. Inflamando ela.

322


— Da minha maneira, Gayle. — Ele deslizou um pouco mais para dentro e um gemido irrompeu dele. Seu clitóris pulsava em resposta. — Eu quero sentir cada centímetro seu acolhendo cada centímetro meu. Quando ele finalmente tinha sua pélvis pressionada contra a parte de trás das coxas, o pau dentro ao máximo, ele moeu contra ela. — Porra, mulher, você é tão gostosa. Ele se retirou e empurrou para frente. Num ritmo lento e metódico, que continuamente a enchia, em seguida, a deixava vazia, enchia, deixava vazia. Ela gemeu seu nome, incapaz de fazer qualquer coisa para fazê-lo acelerar. Ela tentou levantar-se para os cotovelos e encontrou a resistência da palma da mão entre as omoplatas. Ele a empurrou para baixo e a segurou lá, mantendo a pressão de sua mão em suas costas como ele manteve o ritmo torturante que ele tinha definido. — O que você quer Gayle? — M-mais rápido. — Lento não está funcionando para você? — Ele empurrou com mais força, fazendo-a ofegar. — N- não. — Mais uma vez ele se retirou lentamente, em seguida, empurrou para frente duro. O impacto sobre o clitóris a fez gemer quando o prazer irrompeu através dela.

323


— Sério? Você tem certeza disso? — Ele fez isso de novo, e ela gritou enquanto a pressão construía entre as suas pernas. Deus, se ele apenas fizesse isso ela gozaria, mas esta construção lenta a estava mantendo mesmo na borda, a construção crescia e crescia dentro dela, para que ela se sentisse pronta para explodir..., Mas ela não estava passando da borda. Mais uma vez, ele se retirou e empurrou com força. — Mac!, — Ela gemeu. — Por favor. — Oh, você irá tê-lo, baby, mas você tem que pagar por essa pequena provocação durante o jantar. Não pense que eu não sabia o que estava fazendo. Ela tinha provocado isto para ela mesma. Se tivesse deixado isso quieto, ela estaria recebendo a tomada que queria, mas em vez disso Mac estava brincando com ela tão impiedosamente como ela brincou com ele. Não havia jogo de clitóris, não havia fim para o ritmo de empurrão lento-e-duro que ele controlava. Apenas o aumento, quase desconfortável, da construção e detonação dentro dela. Inferno se fosse esse o jeito que ela iria ficar... Ela meteu a mão entre seu corpo e a mesa, com a intenção de aliviar a si mesma, uma vez que ele estava sendo tão mau. Tudo o que ela conseguiu foi uma impressionante esfregada indutora de gemido antes que dedos fortes retirasem a mão e a segurasse rapidamente na mesa ao lado de sua cabeça. — Você quer que eu te foda, não é? — Perguntou. 324


— Sim! — Eu vou, mas você tem que gozar primeiro. Isso é o que ela estava tentando fazer. Estúpido! — Pense no que você quer Gayle. Você me quer duro, assim, — ele empurrou para afrente novamente. Um tapa encheu o ar quando sua pele o recebeu. — Mas, mais rápido, certo? Quase dolorosamente excitada, tudo o que podia fazer era enrolar os punhos e acenar de cabeça. — Mais rápido assim? Ele lhe deu alguns segundos de duro e rápido e assim como a sensação de lançamento pendente deu-lhe esperança, ele diminuiu novamente. Frustrada, ela gritou: — Porra, Mac! — Ela bateu o punho na mesa. Sua risada em reposta era motivo para uma boa palmada. — Eu vou te dar o que você quer. Tudo que você tem a fazer é gozar. Isso não iria acontecer. Ela estava tão excitada, dolorosa de tão apertada, tão pronta para o orgasmo, tudo o que ela podia fazer era chorar de desejo. E com a maneira como ele continuou seu ataque lento, ele não tinha a intenção de dar a ela o estímulo que ela precisava para fazêla gozar. Ela precisava se tocar sozinha, ela precisava dele tocando-a.

325


— Imagine Gayle. Que eu acabei de lhe dar um gosto disso. Pense nisso. Pense sobre como me sentiu. E ela fez. A sensação dele empurrando profundamente dentro dela, rápido e duro, a atração sobre a pele sensível de suas paredes internas, a sensação dele circulando seu clitóris. E tudo dentro dela se apertou. Ele gemeu e moeu fora, —É assim bebê, mantenha-se imaginando isso bem dessa forma. Aperte mais em torno de mim. Suas palavras, as imagens que ele a fez pintar em sua cabeça teve todo o seu corpo tremendo com a necessidade de liberação. Ela o imaginou com as mãos em seus quadris. A mordida

de

seus

dedos

em

sua

pele

enquanto

ele

incansavelmente se sacudia dentro dela. Ouviu os sons de sua carne batendo a partir do poder de cada impulso, a sua fusão de prazer. O momento era lento, mas se sentiu ir. O orgasmo começou baixinho e construiu-se com força a partir de cada impulso até que ela gritou quando ele apertou todos os músculos do seu corpo. Mac rosnou atrás dela com um gutural: — Sim. O tiro de energia para fora dela, tendo todos os ossos do seu corpo com ele e ele soltou atrás dela, dando-lhe tudo o que ela havia implorado para ter. Tudo o que podia fazer era gemer mais e mais. 326


— Oh, Deus. Oh, Deus. Cada sensação foi intensificada, cada toque,cada impulso, tudo e ela se viu enrolada tão apertada como ela esteve apenas alguns segundos antes, choramingando para a liberação de novo. Desta vez, ele circulou seu clitóris latejante com seus gloriosos dedos. Ela imediatamente caiu em outro orgasmo. Seu gemido baixo sinalizou sua libertação enquanto seu impulso desacelerou. Ele apoiou as duas mãos em cada lado do seu corpo e apoiou a testa na parte inferior das costas, a respiração entrecortada. Por um minuto, ambos ainda ficaram parados, então ele se aliviou e a ajudou a subir. Suas pernas tremiam quando ele a levantou para se sentar na mesa. Ela se encolheu quando seu centro supersensível encontrou a dura madeira. Uma expressão puramente masculina atravessou o rosto de Mac. — Um pouco dolorida? — Dolorida? Realmente? Minha periquita está gritando: 'Vamos fazer isso de novo'. Mac jogou a cabeça para trás e riu, em seguida, mudou-se entre suas coxas entreabertas e a beijou. Longo e lento. Sua língua varreu a dela assim como a palma da mão embalou o lado de seu rosto. Ela colocou os braços ao redor de seu pescoço quando ele se aproximou.

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Ela não conseguia o suficiente dele. Estava preocupada que ela nunca faria isso. E onde isso a levaria? Ela quebrou o beijo e apertou a testa contra o meio do peito, tentando se recompor. Seu corpo ficou tenso contra o dela, a deixando saber que tinha percebido sua mudança. — Ei, você está bem? Inalando, ela olhou para cima e viu a preocupação em seus olhos. — Eu não te machuquei, não é? Ainda não, ele não tinha, mas um dia ele poderia. Muito. Ela tentou um sorriso. — Só me esgotou completamente. — Nós tivemos um tempo muito longo esta semana. Porque não descansar agora? — Isso soa como uma boa ideia. Depois que ele a ajudou a limpar, ela esperava que ele lhe dissesse adeus e voltasse para Lance. Ao contrário, ele entrelaçou os dedos com os dela e a levou para cima. E ela não tinha forças para mandá-lo para casa. 328


329


Capítulo Doze Depois de estar com a CMC, Mac tinha esquecido a loucura dos circuitos menores. O evento para o qual ele, Gayle e Lance se dirigiam estava acontecendo fora de um bar e grill popular em Wichita. Uma parte do estacionamento foi delimitada e cerca de cem cadeiras dobráveis rodeavam uma gaiola. A área já estava cheia de gente. Muitas pessoas estavam em pé, pois todos os lugares ha muito tinham sido ocupados. Para ser discreto, Mac usava um boné de beisebol. Se o deixassem lutar não demoraria muito para que todos percebessem quem ele era e ele preferia passar o tempo com Gayle

a

ser

cercado

de

fãs

bem-intencionados,

mas

persistentes. Enquanto seguiam Lance ao bar, Mac colocou seu braço ao redor de seus ombros nus e a trouxe perto de seu lado. Ela não hesitou em se fundir nele. Ele adorava isso nela. Ela apenas dava tudo livremente, sem pensar, sem dúvidar. O orgulho em tê-la em seu braço inchou através dele, especialmente por que ele notou alguns olhares apreciativos de outros homens enquanto passavam. Em um tipo de top-espartilho preto e saia-curta jeans, ela parecia dinamite andante. Ele não podia culpar os homens por a notarem. 330


Eles podiam olhar tudo o que eles quisessem. Gayle era dele. Esta manhã, ele tinha apreciado acordar ao lado dela e tinha apreciado ainda mais se esgueirar ao andar de baixo para cozinhar seu café da manhã enquanto ela dormia. Depois disso, ela tinha passado a manhã assistindo ele e Lance treinarem e depois ele passou o resto da tempestuosa tarde com ela, beijando seu corpo, sem um pensamento para o barulhento trovão e brilhante raio. E ele percebeu que o que Lance lhe tinha dito desde o primeiro dia estava certo. Gayle era boa para ele. Não só para deixar o passado ir, mas também pensando em um futuro... com ela. A ideia o aterrorizava, mas desde que eles tinham chegado a casa anteontem e que ele tinha ido para Lance e ela tinha voltado a sua casa, que ele sentia falta dela. Como um louco. Não levou muito para ele encontrar o seu caminho até a casa dela com uma sacola cheia de mantimentos do refrigerador do seu amigo. Ele não saiu do seu lado desde então. Embora houvesse medo à espreita de tal proximidade, tê-la ao lado dele parecia certo. O fazia acreditar que, enquanto ele a tivesse, ele poderia fazer qualquer coisa –

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possivelmente incluindo até mesmo mudar-se de volta para o Kansas. É claro que, em seguida, ele pensaria sobre perseguir tempestades e quão perto ela viria de ser ferida e seu intestino torcia. Mesmo que ela tomasse todas as precauções, ainda era extremamente perigoso. No entanto, ela fazia muito bem com o seu trabalho. Ele estava tão destruído sobre como ele se sentia sobre isso. Ele olhou para ela. Não havia razão para meditar sobre isso agora. Eles ainda tinham algumas semanas juntos antes de qualquer grande decisão precisar ser feita. Melhor ver como as coisas corriam antes que ele fosse envolvido em todas as outras coisas. Apenas aprecie estar com ela e como ela o faz se sentir. — Cara, com você incógnito assim eu me sinto toda especial, — ela sussurrou. Rindo, ele a abraçou mais apertado. Lance puxou para o lado uma lona preta que estava pendurada na parte de trás do bar e a segurou de lado, enquanto Mac e Gayle abaixavam. Atrás estava uma tabela de registo e do grupo de lutadores com os treinadores à espera do evento começar. Lance andava por ali procurando o coordenador. Mac esperou até que seu amigo apontou para ele, em seguida, tirou o boné. 332


— Puta merda, — disse o coordenador murmurando. — Eu estava esperando que eu pudesse entrar em ação hoje à noite. O homem fez uma careta. — Os lugares estão preenchidos. Eu não tenho ninguém disponível para lutar com você. Droga. Ele achava que seria assim, mas ele estava desapontado, no entanto. Seu ego queria mostrar a sua masculinidade na frente de Gayle. Embora ele tenha feito isso durante o treino, não era o mesmo que a testosterona crua de uma luta real. Sim, ele era todo homem na cama, mas depois da porcaria emocional com que ela o tinha visto batalhar, ele queria que ela o visse como um homem na vida também. — Eu lutarei contra traseiro dele. — A voz grave e profunda explodiu atrás dele. Mac virou e expirou em uma explosão de surpresa. — Foda-me. Sério? — Ele soltou Gayle para bater nas costas de um armário de homem que não tinha visto em anos. — Cara, o que você está fazendo aqui? — Eu possuo um centro de treinamento em Wichita. Alguns dos meus rapazes estão escalados para hoje à noite. — Isso é ótimo, cara. — Ele não podia acreditar que Ragin estava aqui. Eles tinham treinado juntos há muito tempo atrás, quando Mac estava tratando o MMA mais como um hobby do que como uma carreira. Ragin nunca tinha sido 333


profissional, tinha ficado pelo caminho como treinador. Com dois metros de altura, o homem de cabelos claros ainda era rocha sólida. — Eu vejo que envelhecer não o amaciou de qualquer forma. — Não. Eu sou mais forte aos quarenta e um do que eu era nos meus vinte anos. — Você já entrou na gaiola com uma criança? — Eu estou a ponto de fazer isso, não estou? Acha que a sua bunda jovem pode acompanhar a minha velha? — Ele acenou para o coordenador. — O que você diz Trent? Surpreender a todos com uma luta especial de última hora? Eu acho que os fãs irão gostar. Mac sorriu. Ele gostou também. Ele só esperava que ele não fosse enterrar muito o cara na sujeira.

Lance ajudou Mac a enfaixar as mãos e colocar as luvas. Seu amigo ostentava um belo olho roxo em seu olho esquerdo de sua luta um pouco mais cedo, mas para além de um bom gancho de seu oponente, seu amigo havia dominado o outro – um lutador mais qualificado e mais jovem. — Você não precisava que eu viesse para cá, — disse Mac. — Os conselhos pedidos durante o treinamento, você está executado à perfeição. O que você tem feito? Fingindo enquanto nós treinávamos? 334


Lance ficou quieto com culpa por um segundo, em seguida, ele empurrou a última luva na mão de Mac. — Não. Eu não precisava de você aqui, — ele finalmente admitiu. — Então por que me pediu? — Porque eu sentia a sua falta e eu estava preocupado com você. — Seu amigo se endireitou e encontrou o olhar de Mac. — Eu não consegui descobrir qualquer outra maneira de trazê-lo para cá de boa vontade. A luta pareceu ser a desculpa perfeita. Mac ficou em silêncio por um longo momento. — Obrigado. — Wow. — Lance sacudiu a cabeça. — Gayle realmente tem feito maravilhas para você. — Gayle tem feito muito, mas não foi tudo ela. É estar de volta ao Kansas e com todos vocês no meu churrasco. Ninguém mais faz esse tipo de merda para mim, Lance, só você. Se você ainda não tivesse decidido ser um mentiroso, bastardo sorrateiro, eu ainda estaria no meu apartamento em Atlanta assombrado pelo passado. — Ele puxou seu amigo para frente e bateu um punho contra seu ombro em um abraço de irmãos. — Eu te amo, cara. — Sim. Sim. O sentimento é mútuo, — Lance murmurou enquanto ele voltou um par de pancadas nas costas de Mac. 335


Eles se separaram e Mac estudou seu amigo. — Eu não acho que a sua situação financeira... — Ele deixou sua frase no ar, odiando-se por mencioná-la, mas ele esperava que a razão de seu amigo ter sido tão inflexível em não aceitar qualquer ajuda financeira era por que ele realmente não precisava. Lance deu um sorriso cansado, mas não havia nenhum ressentimento contra ele por trazer à tona o tema. — Eu gostaria de ter fingido isso também, amigo, mas não, eu ainda devo uma porrada de dinheiro. E eu ainda estou apostando em entrar na CMC para ajudar. — Ele limpou a garganta. — Mas chega dessa merda de coração para coração. Vá lá fora e chute o traseiro de Ragin. Mac acenou a cabeça enquanto ele colocou a sua proteção de boca. Depois de ir para fora da entrada de trás, ele seguiu por uma área isolada que levava para jaula. Um cara de jeans estava no meio com um microfone. Quando Mac

começou

a

passar

pelas

pessoas,

os

sussurros

começaram. Múltiplos, — Puta merda. Você viu quem era? — E, — Caralho! É Mac 'The Snake' Hannon! — Fizeram-no sorrir. Suas tatuagens eram facilmente reconhecíveis para qualquer fã da CMC. Ele correu até as escadas e através da porta da gaiola. Ele examinou a área procurando por Gayle e a encontrou sentada na primeira fila, algo que ele tinha a certeza que iria acontecer tão logo Trent concordou em deixá-lo lutar contra 336


Ragin. O que ele não esperava era ver algum filho da puta sentado ao seu lado dando em cima dela fortemente. Ela não estava encorajando a atenção. Se qualquer coisa, ela o estava desencorajando, mas o idiota não pegou a dica. Quando ele colocou a mão em seu joelho, que ela bateu longe, Mac começou a ir para a saída. Lance levantou a mão para detêlo. Seu melhor amigo foi até o homem, apertou seu ombro se aproximando e disse algo no ouvido do filho da puta. Ele bateu em retirada e Lance tomou o lugar vazio. A tensão de Mac diminuiu. — Nós temos um presente especial para vocês meninos e meninas hoje à noite! Mac 'The Snake' Hannon está na casa. — O lugar enlouqueceu. — Ele concordou em lutar contra o impressionante-respeitado e espetacular Ragin Coolier.— aplausos e gritos rugiram ao redor deles enquanto o locutor se virou para eles. — Vocês sabem as regras, lutem. — Ele deixou a jaula. Não acostumado a uma introdução casual, Mac balançou a cabeça. Ragin levantou o braço e Mac bateu sua luva no outro lutador mostrando seu respeito. Em seguida, a luta estava iniciada. Até àquele segundo, ele não tinha percebido em quanta desvantagem ele realmente estava. Normalmente, ele passava de semanas a meses se preparando para uma luta, o que incluía o estudo de seu oponente. Ele não tinha ideia de quais eram os pontos fortes ou fracos de Ragin, o que ele

337


poderia usar a seu favor ou o que poderia ser usado contra ele. Esta era uma luta cega... E o energizou para caralho. Ele deu o primeiro murro, pegando Ragin na bochecha. A batida pareceu acender uma fogueira sob o velho também, e ele devolveu o favor. Os dois minutos seguintes foram uma briga de tudo por tudo. Não houve nenhum aperto contra a gaiola, sem joelhos, sem pontapés. A luta se concentrou no meio da lona e consistia em dois homens socando a bela merda um do outro. Os golpes eram recebidos com tanta força que os impactos das batidas eram audíveis, fazendo a multidão se encolher e gritar: — Ohhh! — Alguns socos foram perdidos, outros ele se esquivou. Até o final do primeiro round, Mac estava coberto de suor e piscando sangue para fora do seu olho direito. Ragin não parecia melhor, com um corte aberto do outro lado da ponte de seu nariz. Uma coisa era totalmente certa, seu velho amigo ainda tinha um puta soco. Lance surgiu na jaula, enquanto dois rapazes de outra equipe ajudavam a parar o sangue do corte na sombrancelha e lhe deu água. — Você devia ouvir Gayle guinchando. É hilário como o caralho. — Sério? — Oh sim. Treme, leva as mãos ao rosto, murmurando ‗idiota louco‘, todo o tempo. Mac deu uma risada dolorida. — A mulher pode caminhar para o olho de um tornado sem pestanejar, mas 338


não pode ver o homem com quem ela está dormindo levar um soco? Quem diria? Lance bateu-lhe no ombro e correu para fora da gaiola para se juntar a Gayle. Quando o segundo round começou, Mac e Ragin circularam ao redor um do outro. Mac lançou um par de socos suaves para sentir o outro lutador. Ragin apenas pulava para frente e para trás. Aparentemente ele não estava pronto para outro confronto. Para Mac tudo bem. Ele mergulhou para o lado do lutador levando-o fora de seus pés e batendo-o na lona em suas costas. Em poucos segundos, ele tinha o braço de Ragin trancado em umbloqueio de braço. Imediatamente, ele sentiu quatro toques rápidos no seu ombro. O árbitro agitou os braços sinalizando o fim da luta e Mac soltou. Ragin bateu-lhe nas costas. — Há uma razão para que você ter sucesso na CMC, Hannon. Você é forte como um maldito prego. Se você decidir que quer mudar a carreira para cá, eu adoraria ter você na minha academia. E lá estava o assunto de mudar novamente. — É definitivamente algo a considerar. Quando ele saiu, Gayle e Lance vieram correndo. Ela procurava seu rosto e continuava a voltar para pousar em sua sobrancelha. 339


— Você está bem? — Confie em mim, eu já estive muito pior. — Eu sabia que MMA era sobre lutar, mas vê-lo em primeira mão – caralho. Você tem certeza que está bem? — Eu estou bem. Deixe-me ficar limpo e eu irei encontrá-los no bar. Eu poderia tomar uma cerveja. Ele deu a Gayle um beijo rápido, em seguida, correu de volta para dentro da área por trás da lona. A esposa de um dos

lutadores,

que

também

era

uma

enfermeira

de

emergência se voluntariou. Sabendo que precisava de algo para tapar a ferida ele se sentou. Ela o limpou e colocou um curativo sobre ele. — Parece que você recebeu alguns bons murros lá fora. — Ela olhou para ele. — Ao longo do maxilar e do nariz. — Ragin tem um bom soco, — disse ele, enquanto se levantava. — Obrigado. Na verdade, ele tinha uma leve dor de cabeça. Nada que um par de aspirinas não curasse, mas fazia um longo tempo desde que ele teve sua cabeça batida duro o suficiente na gaiola para deixar um pulsar maçante nela. Depois que ele tomou banho e mudou de volta em seus jeans e camiseta, ele entrou no bar. O rock estava batendo nos alto-falantes. Alguns dos lutadores tinham ficado para desfrutar o resto da noite. O lugar estava abarrotado. Ele pediu uma cerveja ao bartender, então examinou o espaço 340


por Lance e Gayle. Nenhum dos dois se encontrava. Um sentimento momentâneo de pânico correu sobre ele, então o pensamento

racional

assumiu

o

controle.

Gayle

provavelmente teve que ir ao banheiro e Lance a tinha escoltado até lá para que não fosse assediada por mais homens. Isso fazia sentido. Alguma coisa ruim acontecendo com ela não. — Eu vi você beijando Gayle. À voz intrusiva, Mac olhou para cima. O filho da puta de cabelos castanhos que tinha ousado tocar Gayle estava de pé ao lado dele. Mais ou menos. O homem cheirava a álcool e ele balançava de forma alarmante. Um brilho vítreo de embriaguez em seus olhos vidrados. Maldição, isso era tudo o que precisava. — Que porra você quer? — Perguntou ele sem nenhuma tentativa de cobrir sua hostilidade. Parecia que o velho Mac ainda estava lá dentro. — Ah. Você me viu com ela. — Rindo, o burro deu de ombros. — Não pode culpar um homem por tentar. Então você é o seu brinquedo atual. Vá, Gayle. Este idiota bêbado estava seriamente começando a dar nos nervos de Mac. Ele tomou um longo gole de cerveja, os olhos varrendo o bar por ela. E então ela estava lá, saindo do corredor onde eram os banheiros. O cara resmungou em apreciação. 341


— Maldição, eu sinto falta dessa porra de corpo. Surpreso com a audácia do homem, sem noção ou não, Mac virou lentamente a cabeça e olhou para ele. — Cara. Foda. Você está pedindo para engolir seus dentes? — O quê? Eu só tive uma prova disso um par de vezes. — Ele bateu Mac nas costas como se fossem amigos. — Aproveite enquanto dura cara, porque ela vai deixá-lo rápidinho e então você estará como eu, desejando por mais uma rodada. — Enquanto Gayle se aproximava deles, ele murmurou, — O inferno, porque não? A próxima coisa que Mac soube, Gayle estava nos braços do bêbado, com a boca toda na dela e Mac viu vermelho. Batendo o copo na mesa, ele arrancou o filho da puta ao redor e deu-lhe um murro no queixo. O bêbado se desintegrou no local. De boca aberta, Gayle olhou para baixo, em seguida, olhou para Mac com uma expressão que claramente dizia: — O que diabos você está fazendo? — Em seguida, olhou de volta para baixo, para o cara. Mac levantou as mãos. Que porra que ele tinha feito de errado? Ele não era quem a estava assediando, esse imbecil era que estava.

342


— Kevin, — disse ela enquanto ela se abaixou ao lado dele. Ciume quente potente deflagrou brilhante ante a sua obvia preocupação com o parvalhão. — Você está bem? Mac cerrou os dentes. Kevin esfregou o queixo. — Puta merda. Gayle, você viu isso? Eu apenas tive um lutador da CMC me dando um soco. Quão legal é isso porra? Ela revirou os olhos. — Ele está bem. Quando ela se levantou, ela nem se quer olhou na direção de Mac, apenas marchou sua linda bunda furiosa fora do bar. E tudo o que Mac podia fazer era seguir, perguntando o que diabos ele tinha feito de errado.

A tensão no carro era palpável. Gayle balançava o pé com toda a raiva que estava sentindo enquanto ela olhava para fora da janela do banco de trás. Enquanto Mac dirigia, Lance

brincava

com

as

estações

de

música,

muito

provavelmente por que ele queria sair do carro. Gayle não entendia o que tinha se arrastado na bunda de Mac. Sim, Kevin a tinha beijado. Ele estava bêbado. Não havia nenhuma razão para socá-lo, especialmente quando dando o murro mais duro e mais rápido era como Mac 343


ganhava a vida. Foi totalmente injusto e desnecessário. Isso foi provavelmente o primeiro soco que Kevin já tinha tomado. Se Mac tivesse apenas esperado um minuto, caramba, ela teria lidado com a situação por conta própria. Mac estacionou o jipe atrás da casa de Lance. Seu amigo pulou e foi embora em segundos. Ela abriu a porta com a intenção de fazer o mesmo. — Fique no carro Gayle. Ela olhou para a parte de trás de sua cabeça. Sim, ela achava toda a coisa dominante quente na cama, mas agora? Nem tanto. — Sim. Vá se foder Mac. Ela pulou para fora, bateu a porta, lhe enviou uma expressão zangada através da janela do lado do condutor, em seguida, foi embora atravessando o campo. Ela tinha percorrido meio caminho para a casa dela antes que ele viesse por trás dela. — Você é um pé no saco! — Ele gritou. Ela se virou, mas continuou andando de costas. — Por quê? Porque eu não obedeci e sentei como um bom cachorrinho? Se você quer que eu fique por perto enquanto você está sendo um idiota total, não me diga o que fazer, me pergunte ou você irá ter exatamente o oposto. Você entende?

344


Ele enfiou a mão pelo cabelo e respirou profundamente. — Você está certa. Peço desculpas. Gayle, eu gostaria de falar sobre esta noite, por favor. — Assim é melhor. — Ela parou. — Que diabos deu em você? Ele caminhou até ela, colocou a mão na parte inferior das costas, girou em torno dela novamente, a elevou para o degrau de cima do seu alpendre. Ele entrelaçou os dedos entre os joelhos e baixou a cabeça. — Eu tive ciúmes. — Não havia nenhuma razão para ter ciúmes de Kevin. — Não foi realmente dele. Foi algo que ele disse para mim antes que você se aproximasse. — O quê? — Ele me disse para desfrutar de você agora, porque você iria me largar e seguir em frente rápido. Ele me chamou de seu atual brinquedo. — Ele disse, agora? — Ele também fez alusão ao fato de que ele gostaria de ter uma segunda oportunidade com você, mesmo antes dele te agarrar e te beijar, então, veio o meu momento súbito de bater no peito. — Ele ficou em silêncio por um momento. — Você namora muito ao que parece. Era uma afirmação, mas ela respondeu, 345


— Sim, — de qualquer maneira. — Por quê? Enquanto eles estavam sendo brutalmente honestos... — É melhor ser a que deixa do que a que é deixada. Ela quase podia ouvir os seus dentes rangerem. — Eu estou esperando que haja mais por trás dessas palavras do que presunção de vadia. Gayle exalou. Ela iria realmente lhe dizer todos os detalhes sórdidos? Estudando a cabeça pendurada, ela percebeu, sim, ela iria. Ele já sabia sobre Sam e sobre ele morrer no tornado com a família, mas não o resto. Não a parte que a guiava. — Sam foi o meu primeiro amor. Estivemos juntos por quase oito anos. Nós passamos por de um monte de obstáculos que os romances do ensino médio poderiam não ter ultrapassado. Se ele não tivesse morrido, estaríamos casados agora. Mas ele morreu. Ele me deixou. Não por sua vontade, mas foi o que aconteceu. — Deve ter sido difícil para você. Apertando os olhos, olhou para fora através do quintal. — Levei um longo tempo para namorar novamente, para cavar para fora do sofrimento e me encontrar. Dois anos, na verdade. Então eu conheci Brian. Tínhamos uma relação atormentada e fui morar com ele quatro meses 346


depois. Um ano depois, ele me chutou para fora. Disse-me que eu era uma mulher fria que estava muito focada na carreira para ser um bom material de esposa para qualquer homem são. Mac fez uma careta. — Você está brincando comigo? Ela encolheu os ombros. — Eu estava trabalhando no meu doutorado na época. — Ela puxou um fio em seus jeans. — Então eu peguei os pedaços da minha vida pela segunda vez. Seis meses mais tarde eu conheci Mark. Tínhamos toneladas em comum. Ele tinha mestrado em meteorologia. Ele também era um caçador de tempestades. Fomos a tantas perseguições juntos. Eu pensei que talvez eu finalmente tivesse encontrado a minha alma gêmea. Eu amei Mark. Realmente pensei sobre um futuro pela primeira vez desde que Sam morreu. Estávamos juntos há seis meses quando eu o peguei na cama com uma colega de trabalho dele. Sua explicação? Eu sabia como me divertir. Mas ele precisava de alguém mais sério. Mac praguejou, mas uma risada sarcástica escapou. — Pela terceira vez em quatro anos o meu coração estava quebrado. E eu estava cansada disso. Eu passei os últimos

dois

anos

sendo

Gayle

Matthews.

Sem

fazer

conexões, mas desfrutando de um corpo quente de vez em quando, em seguida, passando para o próximo. Isso funciona para mim. 347


Mac ficou em silêncio um longo tempo. — E quanto a mim? — E quanto a você? — Eu. Nós. E quanto a nós? —

Apenas

algumas

semanas

atrás,

você

tornou

extremamente claro para mim que essa relação seria temporária e você não estava procurando algo mais. Eu pensei que nós concordamos que era o que nós dois queríamos. Isso mudou? Ela prendeu a respiração. Porque ela queria que ele dissesse que tinha mudado ia além dela. As probabilidades estavam contra eles em todos os sentidos possíveis, mesmo que eles tentassem fazer ir... Mais. Ele se virou e olhou para ela sério. — Honestamente, eu não posso responder isso ainda. Mas posso lhe dizer que, pela primeira vez em quatro anos, eu estou pensando em um futuro – com você, Gayle. Ela engoliu em seco, sua cabeça em guerra com seu coração. A cabeça dela ganhou. — Como é que isso alguma vez poderia funcionar entre nós,

Mac?

Eu

não

vou

desistir

de

perseguição

de

tempestades. Como eu poderia lhe pedir para viver com o meu trabalho quando eu sei exatamente como você se sente cada vez que eu saio para ir atrás de um sistema promissor? Em cima disso, não vou me afastar do Kansas. O trabalho da 348


minha vida está aqui, o que significa que você teria que voltar a viver aqui. E sobre a sua carreira? Você teria que se desenraizar completamente. Mais uma vez. Ele fez um barulho rosnando em sua garganta e desviou o olhar. Ela olhou para ele por um longo momento. — Sériamente, você pode se ver aceitando algo disso? Verdadeiramente aceitaindo isso? Ele se virou para olhá-la. — Eu posso treinar em qualquer lugar Gayle. Quanto ao resto, eu pensei sobre tudo isso. Confie em mim, eu não estive pensando em mais nada recentemente. E.... uma parte de mim pensa que eu poderia. Uma parte pensa. Não que ele realmente fosse fazê-lo. — Então, você ainda não tem certeza. — Não, eu não tenho. Mas tenho certeza de que estou começando a ter sentimentos por você. O desespero para colocar distância entre eles, a necessidade de se salvar de mais sofrimento inevitável a estava tentando convencê-lo de outra forma. — Talvez você esteja apenas confuso. Talvez tudo o que você esteja sentindo seja gratidão. Você já pensou sobre isso? Eu sou a primeira mulher que você conheceu que conseguiu passar suas defesas. Não quero me vangloriar aqui, mas.... Eu não apenas passei por elas, eu as destruí. 349


Ele balançou a cabeça lentamente. — Você destruiu. Ela se virou para ele e pegou sua mão. — Você não teve tempo para conhecer este Mac ainda – nem o tipo de homem que você vai ser, agora que você já não está mais se escondendo atrás daquelas paredes. Sou muito provavelmente nada mais do que a bola de demolição que libertou você. — Ou talvez você seja a única que poderia me libertar, porque você era a única com poder sobre mim para fazê-lo. Talvez seja você que eu precise para ser o homem que eu irei me tornar. Pânico arranhou o peito. — O que você está dizendo? — Alguma coisa egoísta. Que eu quero a chance de descobrir tudo isso sem me preocupar se você vai ficar com medo e fugir. Quero ter a certeza de que você está completamente nisso comigo. — Assim, você pode sair quando você decidir que eu já não sou o que você quer. Frustração atravessou seu rosto. — Não. Maldição. Minha vida virou de cabeça para baixo no espaço de um mês. Eu estou autorizado a estar confuso. Eu nem queria vir aqui – Kansas era o último lugar 350


que eu já quis estar. Agora? Na verdade, estou pensando em mudar de volta e isso me assusta demais. — MacEle levantou uma mão. — Quatro semanas atrás, eu não tinha se quer olhado para outra mulher e agora eu não consigo tirar você da minha cabeça. Eu quero estar com você a cada maldito segundo. A ideia de não te ver dói — ele bateu com o punho direito acima de seu coração — aqui. Ha duas semanas atrás eu aprendi que a mulher que estava ficando sob a minha pele enfrentava os meus piores pesadelos para malditamente viver e eu não queria ter nada a ver com essa merda. Ele passou os dedos pelo cabelo. Ela permaneceu em silêncio, o coração batendo forte. Ele se virou para ela, parecendo quase boquiaberto. — E, no entanto, aqui estou eu. Fui bombardeado pelo granizo, quase engolido por ventos com força de um furacão e ajudei a salvar as pessoas da destruição EF-5.... Quando antes o simples pensamento dessas coisas fazia o passado me consumir. Naquele dia.... de volta ao tornado, quando aquela menina puxou minha camisa... Gayle, ela era a cara da Ally, e eu estava vendo a criança que eu tinha perdido. Eu sabia que tentar encontrar sua mãe seria uma das coisas mais difíceis que eu já tinha feito, mas eu senti como se me tivesse sido dada uma segunda chance por uma razão.

351


— Oh, Mac. — Eu posso não ser o homem mais religioso, mas eu realmente acredito que Ally estendeu a mão para mim naquele dia. Mostrou-me uma maneira de superar a culpa com que a sua morte tinha me sobrecarregado e seguir em frente. O olhar em seus olhos – a tristeza desapareceu e a semente da aurora da esperança – quase derreteu o coração dela. — Nada disso tem sido fácil, Gayle. Foi confuso para cacete. A única coisa que tenho certeza é que eu realmente quero estar com você, mas eu vou ser direto – a caça as tempestades é um problema enorme. — Você está me pedindo... — Nunca, — ele interrompeu. — É meu problema. A caça em que fomos me ajudou com o passado..., mas também me deixou preocupado com o futuro. O que você faz é perigoso. Eu continuo lembrando você gritando e cobrindo a cabeça quando o para-brisa quebrou. Lembrando o quão perto nós fomos para que o tornado torcesse direto sobre nós. Eu não posso esquecer essas coisas. E eu não tenho certeza se é algo com o que eu possa viver. Mas, eu estou tentando como o diabo para encontrar uma maneira de fazer isso acontecer, ok?

352


Ela ouviu a verdade em suas palavras. E estava ciente de uma coisa. Se ela concordasse com seus termos, ela não seria a única a colocar seu coração na linha. Ambos seriam. E de alguma forma, isso fez com que toda dor que eles inevitavelmente enfrentariam no final de tudo isso um pouco mais fácil de suportar. Ela respirou fundo. — Ok, — ela concordou. — Então, como é que vamos fazer isso? Ele engoliu em seco. O que a deixou de repente ficar nervosa. — Eu tenho uma ideia, — disse ele. — Algo que eu sinto que nós dois precisamos fazer antes que qualquer um de nós tenha certeza sobre o futuro. Ela estava quase com medo de perguntar. — Sim? — Eu acho que é hora de ambos voltarmos para casa, — disse ele. — Para enfrentar nossos passados. Então, nós dois saberemos que estamos prontos para seguir em frente. Ela empurrou para cima. — O-oquê? — Passei anos fugindo do passado. Você não estaria correndo

tanto

quanto

você

vem

fazendo,

tentando

compensar, tentando fazer as coisas funcionarem. Mas nós 353


dois precisamos parar por um minuto e dar um passo atrás... E enfrentar o que mais nos têm assustado. — Eu não tenho certeza se entendi. — Eu sei que não estou completamente curado ainda, mas com sua ajuda eu dei um grande passo na direção certa. E você já está fazendo muito bem com sua vida, dando significado a tragédia. Mas você acabou de admitir que você tem problemas de relacionamento. Ela franziu a testa. — Eu estou bem com os meus problemas. — Bem, eu não estou. Eu preciso voltar e enfrentar meus problemas. Na minha cidade natal. E acho que você também. Ela desviou o olhar e pensou por alguns longos minutos. Em seguida, ela balançou a cabeça lentamente. — De volta para casa. Você pode estar certo. — Depois disso, eu estou apenas esperando o próximo grande sistema bater e eu estarei atrás.

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Capítulo Treze Dedos fortes entrelaçaram com Gayle e apertaram quando ela olhou para a casa da fazenda de dois andares em que ela tinha crescido. Ela não tinha estado aqui em um longo tempo... Maldito Mac por fazê-la voltar. Tantas emoções agridoces obstruíram sua garganta. O que a atingia mais forte era que alguém vivia aqui agora. Por 18 anos, ela tinha acordado e dormido nesta casa. Mesmo depois que ela foi para a faculdade, cada feriado, cada intervalo foram gastos sob esse teto. Até que eles morreram e ela foi deixada completamente sozinha. Mas agora uma nova família estava fazendo doces lembranças aqui. Isso era bom, certo? — Vamos. — Mac puxou sua mão quando ele deu um passo a frente. Ela permaneceu enraizada no final da calçada. — E-eu não acho que posso. Até as alterações feitas erradas.

Tudo

errado.

Como

no exterior já pareciam seria

o

interior?

provavelmente iria perder a cabeça completamente.

355

Ela


— Gayle, é por isso que viemos. Lágrimas queimaram seus olhos. Oh, como as cartas tinham virado. Ela passou semanas encorajando e ajudando Mac a abandonar seu passado e agora ele a estava encorajando. — A casa costumava ser de um suave amarelo amanteigado, — ela sussurrou. — De tempos em tempos, meu pai me fazia e Zoe – minha irmã – ajudá-lo a pintar. Era uma merda e nós odiávamos cada segundo daquilo. O revestimento de vinil cinza já tinha substituído a madeira original e ela teria dado qualquer coisa para estar pintando lado a lado com seu pai e irmã novamente. Pelo menos, os proprietários cuidam do lugar. Do gramado impecável aos canteiros frescos, ela podia dizer que estavam colocando seu coração e alma para fazer da casa um lar. Reconhecer isso não fazia doer menos. — Gayle. Eu não vou te deixar baby. Eu estarei aqui a cada passo do caminho. Quando ela olhou para Mac, sua firmeza e confiança fluíram para ela. Segurando seu olhar, ela balançou a cabeça e ele apertou a mão dela novamente. Juntos, eles caminharam até a calçada. Quanto mais se

aproximavam

da

casa,

mais

sua

determinação

escorregava. Mas, em vez de ter de enfrentá-lo sozinha, ela 356


pegou a força que ela precisava do homem ao seu lado, sem culpa, sem se sentir fraca.... sem hesitação. Confiante de que ele estava dando apoio a ela livremente, assim como ela tinha dado em seu momento de necessidade. Um verdadeiro casal, sempre lá um para o outro quando um deles não poderia enfrentar algo sozinho. Novas emoções inundaram seu peito, expandindo-o. Ela o amava. Provavelmente desde o momento em que ela tinha encharcado ele com sua pistola de água na primeira vez. Maldição mas ela amava Mac Hannon. Não apenas o Mac no qual ele tinha se tornado, mas o homem ferido que ele foi uma vez, também. Ela descansou a cabeça em seu bíceps, um leve sorriso nos lábios quando ele beijou o topo de sua cabeça. Eu não vou te deixar baby. Só o tempo iria dizer se aquelas palavras eram verdadeiras, mas, neste momento, ele estava aqui e ele não estava saindo. E era mais do que ela tinha em um tempo muito longo.

Mac não deveria ter pressionado ela. Enquanto ele e Gayle se aproximavam de Emerald Springs, ele entendia um pouco mais do que ela tinha passado esta manhã quando ela olhou para sua casa de infância. 357


Ele não queria ver como Emerald Springs tinha mudado ou se lembrar do porque tinha. Mesmo que ela tivesse sido resistente em primeiro lugar, a visita tinha acabado por ser a cura para Gayle ou assim ela disse a ele depois. Depois que o novo proprietário lhes tinha permitido entrar, Gayle tinha cautelosamente passado por cima do limite. Um riso macio, gaguejante tinha saído dela enquanto ela olhava ao redor, cheia de felicidade sem palavras e que tinha chegado direto em seu peito e apertado seu coração. De acordo com Gayle, a decoração tinha mudado muito. Mas os detalhes importantes ainda estavam lá – a escada que ela e sua irmã costumavam descer todas as manhãs, quando sua mãe as chamava para o café da manhã. O ninho de janela onde Gayle e seu pai costumavam se enrolar para ler um livro em conjunto, a sala de jantar onde eles tinham comido o jantar como uma família todas as noites. As reformas não tinham mudado tudo isso e Gayle parecia muito mais leve quando eles saíram. Ele só tinha que se manter dizendo isso a si mesmo. Ao passarem pelo sinal Bem-Vindo a Emerald Springs, Mac se mexeu desconfortavelmente no banco do passageiro. — Como você está indo aí? — Perguntou Gayle. — Nervoso como o caralho, — admitiu. De quem tinha sido essa ideia, afinal?

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Oh sim. Sua. Ela lhe enviou um sorriso compreensivo. A coisa mais reconfortante era que ela entendia. Ele estendeu a mão e pegou uma das mãos do volante e entrelaçou os dedos, ligando-os

fisicamente,

assim

como

eles

estavam

emocionalmente. — Aonde vamos primeiro? Sua própria jornada de cura seria composta por duas paradas – o bairro demolido onde ele compartilhou uma casa com Ally e onde o restaurante em que ele estava trabalhando ficava quando o tornado o havia atingido. De acordo com Lance, os proprietários tinham reconstruído o restaurante, como a maioria das outras empresas. Quanto ao bairro, ele tinha certeza do que ele iria ver. — Vamos ao bairro primeiro. Balançando a cabeça, ela apertou os dedos dele. Enquanto lhe dava instruções, ele começou a notar as mudanças na paisagem onde o furacão rasgou pela cidade há quatro anos. O parque que esteve cercado com exuberantes árvores maduras tinha sido desfeito. As árvores jovens agora pontilhavam a área e tinham reconstruído abrigos, banheiros, e um parque infantil ficava orgulhoso no meio deles. Não era o mesmo, mas não era necessariamente diferente. Não no espírito. Ele ainda podia se ver lá fora, jogando Frisbe e ou grelhando hambúrgueres.

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Gayle estava certa. Mesmo que o ambiente mudasse, nada poderia apagar as memórias que ele tinha feito lá – as boas lembranças. A sensação de paz tomou conta dele. Quando ela virou para o bairro, ele olhou com espanto atordoado. Quando ele saiu, alguns dos proprietários tinham começado a reconstruir, alguns ainda estavam lutando com a decisão de ficar ou ir. Quatro anos mais tarde, a comunidade prosperou com casas recém-construídas, calçadas impecáveis e arbustos floridos e árvores brilhantes. Se ele não tivesse vivido aqui, visto a destruição ele mesmo, nunca teria acreditado que cada uma dessas casas já tinha sido destruída. A comunidade pegou os pedaços de suas vidas e começou tudo de novo. Ele sabia que era hora de fazê-lo ele mesmo. — Vire à direita, — disse ele. Gayle permaneceu em silêncio enquanto ela fazia a curva. Ele apreciou isso. Ele precisava apenas absorver tudo isso agora. Falar viria mais tarde. Aproximaram-se do pequeno pedaço de terra onde a sua casa esteve uma vez e ele sussurrou, — Devagar. Nada era o mesmo. Nada. Quem quer que tivesse comprado o lote de terreno tinha construído um rancho de 360


um só piso, substituindo o Cape Cod29 de dois andares. Uma piscina acima do solo brilhava no pátio lateral onde três crianças com idades variando entre seis e doze anos brincavam. A mãe e o pai se sentavam nos degraus que levavam a uma pequena varanda, rindo. Alguém tinha transformado o pedaço de terra que ele associava a dor e morte em algo bonito – eles haviam feito disso um lar. Emoções quase o dominaram. Limpando a garganta, ele piscou. — Você quer sair? — Perguntou Gayle suavemente. — Não. Eu já vi tudo que eu preciso ver.

— Você quer que eu faça o quê? — Mac piscou para Gayle. Não havia nenhuma maneira de que ele tivesse ouvido corretamente. Depois que saíram do bairro, eles foram direto para o restaurante. Sendo que era o fim da tarde, eles decidiram ir em frente e comer enquanto estavam aqui. Com exceção de algumas melhorias, este lugar não tinha mudado. Ainda tinha os profundos pisos de cerejeira e os acentos por toda parte. As cabines acolchoadas pretas e a cozinha aberta.

29

Um tipo de casa retangular com um teto duas águas

profundo.

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Bill e Paulette tinham dito que amavam o restaurante do jeito que estava e quando eles reconstruíram, tiveram a intenção de trazê-lo de volta com a mesma aparência. — Você me ouviu. — Ela empurrou uma garfada de esparguete em sua boca. — Eu não posso fazer isso. — Você não tem uma escolha. Eu acredito que eu ganhei uma aposta que me permite receber a recompensa a qualquer momento para qualquer coisa. Isto é o que eu quero. — Eu pensei que teria mais uma... conotação sexual, — ele sussurrou quando se inclinou sobre a mesa em direção a ela. — Esse é o seu mal. Eu conversei com Bill e Paulette, enquanto você foi ao banheiro e eles estão tão felizes. — Ela lhe enviou um sorriso de satisfação. — Pegue o seu chapéu de chef, baby e ponha o seu rabo quente na cozinha. — Eu não estive em uma cozinha industrial em quatro anos. — Então? Você não voltou ao Kansas em quatro anos, de qualquer forma. Viu um tornado, dormiu com uma mulher ou voltou para sua cidade natal. Você já fez tudo isso agora. — Seriedade atravessou seu rosto. — Mac, de tudo o que você perdeu, esta é a única coisa que resta para recuperar. Vá pegar de volta o seu talento. 362


Inalando, ele segurou seu olhar por um momento, depois assentiu e deslizou para fora da cabine. O murmúrio dela, — Tão quente, — tirou um sorriso dele enquanto ele caminhava em direção à cozinha. Embora ele diminuísse um pouco quando viu os aparelhos de aço inoxidável. Ok, mais do que um pouco. Ele esteve preso sob um desses, preso, impotente, como o para-choque de um carro se aproximando mais e mais perto, com a intenção de esmagá-lo – dentro da cozinha. Trabalhando os seus ombros, ele abriu a porta, o olhar imediatamente indo para a área sob a pia. Picos de pânico fizeram suas mãos dormentes e ele podia sentir os ventos com a força do furacão, ouvir o seu rugido, como se estivesse acontecendo naquele exato momento. — Mac, estamos tão felizes que você decidiu cozinhar para nós! — A voz animada de Paulette o empurrou para fora da memória horrível. Forçando um sorriso tenso, ele olhou para a mulher mais velha. Nos seus cinquenta e poucos anos, ela tinha cabelos loiros presos em um coque e a típica camisa branca e calças pretas de uniforme de um estabelecimento como este. Ela e Bill estavam casados há mais de vinte anos e tinham este restaurante por mais da metade desse tempo. Ela mandava neste lugar, enquanto Bill era o empresário. Nenhum deles tinha as habilidades culinárias, mas eles tinham um gosto superior na contratação de chefs.

363


— Tem certeza que seu chef de cozinha não se importa? — Perguntou Mac. A cozinha era o domínio do chef. Havia um sentimento de possessividade que ia junto com isso, se o chef realmente valorizasse o seu restaurante. Mac costumava ser possessivo para caralho sobre a sua. — De modo nenhum. Michael está muito animado para conhecê-lo. Ele costumava comer em seu restaurante. Bem, lá se foi isso. Ele seguiu Paulette para a parte de trás onde um homem, talvez em seus trinta e poucos anos, com cabelo preto, estava esperando com uma jaqueta de chef30. O homem ofereceu sua mão tão logo Mac parou na frente dele. — Eu sou Michael Ross. É uma honra conhecê-lo, Chef. Eu costumava comer em seu restaurante o tempo todo. A comida que você cria é inspiradora. O uso por Ross do título formal o tomou de surpresa por um segundo. Maldição, era estranho ser reconhecido por suas habilidades culinárias em vez de suas habilidades de luta. Ele não conseguia se lembrar da última vez que um estranho se aproximou dele sem se referir a ele como ―The Snake‖ Era muito refrescante.

30

364


Ele pegou a mão de Michael e apertou. — Desde o Coda Di Rosp o que eu apenas provei Chef, eu diria que você é que é inspirador. Orgulho iluminou o rosto do homem enquanto seu peito inchava. O homem, ele costumava se sentir da mesma forma sempre que um cliente queria cumprimentar o Chef. Ele adorava esses momentos. Ainda os tinha ocasionalmente - como quando via Gayle comer sua comida. O outro chefe levantou a jaqueta branca. — Para você. Oprimido por emoções conflitantes - de hesitação, para necessidade, para exitação, ele a pegou e a colocou. Enquanto ele estava na frente de um espelho, ele prendeu os botões de pérola, em seguida, puxou a bainha. O reflexo o encarando de volta era como voltar para casa. Chef Mac Hannon. E ele sorriu. Durante três horas, ele se perdeu em meio ao caos de uma cozinha atarefada, fazendo pratos que ele não tinha feito em tanto tempo, gritando ordens, apressando e embelezando pratos. Nenhuma vez o horror que tinha acontecido naquele mesmo espaço passou pela sua mente. Ele estava no momento presente e não mais no passado. Depois que ele terminou o pedido final da noite, ele se deu conta de quanto

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tempo tinha passado e ele tinha deixado Gayle sozinha. Desculpando-se, correu para fora da cozinha. Ela estava sentada em uma cabine, brincando em seu telefone.

Ela

olhou

para

cima,

suas

sobrancelhas

se

ergueram em sua testa quando ela disse: — Porra, — apreciativamente. — Baby, nós temos que fazer um pouco de faz-de-conta. — Ela apontou para cima e para baixo com um dedo. — Você usa isso, e eu serei o cliente descontente, e você estárá disposto a fazer tudo o que o cliente quiser para fazê-lo feliz. Mmm-hmm. Isso será divertido. Esse casaco é rrawr. — Ela fez um movimento felino com os dedos. Sorrindo como um tolo, ele caminhou até ela. — Levante-se. — Quando ela fez, ele a puxou para seu peito e a beijou delicadamente. Ele olhou para ela. — Você é a mulher mais incrível que eu já conheci. E ele quis dizer isso. Ally tinha sido maravilhosa, seria sempre lembrada. Mas Gayle, com sua paciência inabalável, seu

apoio

e

personalidade

imperturbável....

Ninguém

superava Gayle. Ninguém.

Mac

sufocou

uma

risada

pela

impaciente

Gayle

bufando do banco do passageiro de seu carro. Pelos primeiros dez minutos dos 45 de carro, ela estava animada com a 366


surpresa que ele tinha planejado para ela, mas nos últimos vinte ou mais, uma muito diferente Gayle tinha começado a reclamar. Ele estava aprendendo todos os tipos de coisas interessantes sobre a mulher, agora que ele estava hospedado na casa dela 24-731. Por exemplo, ele soube que ela era toda sobre o divertimento-de-momento, mas cavalgar na escuridão a irritava a ponto de perder a cabeça. — Já posso tirar fora está maldita venda? — Ela perguntou enquanto ela levantava a mão para a máscara de dormir de cetim preto que ele tinha comprado especialmente para os acontecimentos da noite. — Toque-a e você pode esquecer a sua surpresa, — alertou. — Você é tão mau, — disse ela com um biquinho. Ele se permitiu uma pequena risada antes de seu humor desaparecer e o medo de perder o que ele tinha com Gayle o cobrisse novamente. Durante a maior parte, ele manteve uma tampa sobre o sentimento indesejado, gostava de estar com ela. Na outra noite, no entanto, depois que ela foi a uma perseguição que a levou embora durante a noite, seus pesadelos voltaram com força total. Exceto que Ally já não era a atriz principal nos pesadelos. Gayle era. Parecia que ele iria colocar a culpa que sentiu por não estar lá no dia em que sua esposa morreu para descansar. Mas só tinha sido substituída com seu medo 31

24-7 é 24 h 7 dias da semana. Ou seja, período integral

367


angustiante que um tornado rasgasse outra mulher de seus braços, uma mulher que perseguia os tornados ativamente. Os pesadelos eram vivos, decorrentes do tornado que eles escaparam enquanto eles ficaram sem proteção na vala. Mas esse tornado não os deixava escapar; ele puxava Gayle dele a cada vez e a agitava como uma boneca de pano antes de atirá-la ao chão. Eram seus olhos castanhos olhando sem vida para ele, não os azuis de Ally. Ele tinha começado a temer o próximo grande sistema. Felizmente, tudo ficou quieto. Ele não estava pronto para o sentimento impotente de colocar sua fé de volta na confiança e esperança. Porque uma vez que Gayle partisse, ele seria incapaz de evitar tudo o que acontecesse com ela e isso o fazia

se

sentir

indefeso,

vulnerável.

Ele

odiava

esse

sentimento. Balançando para fora de seus pensamentos feios, se forçou de volta ao presente e como ela o fazia se sentir quando ele estava com ela, que estava feliz. Satisfeito. Uma de suas partes favoritas do dia era se enrolar no sofá assistindo TV antes de irem para a cama. Ele tinha esquecido o quão bom era apenas ter alguém sentado ao lado dele. Alguém para compartilhar o choque ou o riso quando algo

inesperado acontecia

no show que eles estavam

assistindo. Quatro noites atrás, a ideia para esta noite tinha se plantado em sua mente a partir de uma de suas sessões de afago no sofá e ele simplesmente não podia deixá-la passar. 368


Ela tinha sido mais do que diligente fazendo-o sair de sua zona de conforto uma vez que se encontraram e era hora de retribuir o favor. E fazer algo especial para ela. Ele estacionou o carro na frente de uma linha de arbustos crescidos e desligou o motor. Ela foi imediatamente para a venda. — Não, — ele advertiu. Ela rosnou para ele e ele teve que apertar os dentes para não rir. Cara, ele não podia esperar para ver a reação dela. Ele pegou sua mochila no banco de trás, em seguida, saiu do carro e correu para o lado do passageiro. Ela já tinha soltado o cinto de segurança. Assim que ele abriu a porta, ela enfiou a mão para fora e disse: — Tire-me daqui. Tomando os seus dedos, ele a ajudou a sair do carro, parando um segundo para admirar as pernas bronzeadas que seus shorts jeans exibiam e a blusinha roxa que mergulhava sedutoramente entre os seios. Esperançosamente, ela ainda o deixaria tocá-los depois. Ele a guiou pela calçada irregular até que ficou na frente de um alpendre destruído, com pintura cinzenta a descascar. Agora, onde ele queria estar? Definitivamente, onde ele pudesse ver a reação dela. Ele deu um passo para o lado para que ele pudesse testemunhar cada emoção, mas não obstruir a sua visão.

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— Ok, você pode tirá-la agora. — Oh, eu mal posso esperar bonitão. — Um sorriso curvou seus lábios enquanto ela bateu palmas e arrancou a máscara. Mac ficou quieto, a antecipação o deixando quase tonto. Ela piscou algumas vezes, então focou no que estava diante dela e piscou um pouco mais. O sorriso torceu numa careta confusa. — Que diabos é isso? Hora de se divertir um pouco. Ele puxou um pedaço de papel do bolso da calça jeans e ofereceu a ela. Ela olhou para ele com desconfiança, então desdobrou. — Graymore Manor. — Ela estudou a página um segundo mais e sua cabeça se levantou. A expressão no rosto dela gritou: — Seu filho da puta! — Inferno. Não. — Ela deu dois passos para trás. — Que porra é essa, Mac? Você me trouxe para a casa assombrada? — Ela se virou e começou a ir para o carro. — Que se dane. Eu estou indo para casa. — Eu. Desafio. Você, — ele cantou atrás dela. Ela se virou e balançou o dedo para ele.

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— Uh-uh. Isso é a bolsa de desafios de Gayle, não a bolsa de desafios do Mac. Não fique tentando lucrar com a minha marca, bonitão ou você estará pedindo para sofrer. — Então o que? Você pode me emitir todos os tipos de desafios, mas você é muito covarde para aceitar um? — Exatamente, eu sou covarde. — Ela se virou e circulou seu dedo sobre sua cabeça. — Me leve para casa. Dane-se a mulher. Ela nem se quer hesitou quando ela se recusou a fazer alguma coisa. O fato de que ela recusou imediatamente o chocou. Ele esperava uma ligeira hesitação, mas não uma saída sem rodeios. Ele aprendeu sobre a repugnância absoluta de Gayle para os filmes de poltergeist depois que ela assistiu sem entusiasmo um com ele na outra noite. Não tinha havido um momento em que ela não tinha tido as mãos cobrindo seu rosto enquanto ela espiava entre os dedos, gritando como se os eventos estivessem realmente acontecendo com ela. Mas depois que o filme terminou, ele tinha se tornado ainda mais divertido. Cada ranger e barulho, mesmo dele limpando a garganta, a tinham feito saltar. Bastou ver a mulher que nunca recuava de qualquer coisa tão nervosa, bem, era uma oportunidade que não podia deixar passar. — Você me dá 10 minutos aqui, e eu atravessarei o campo atrás de sua casa. Nu.

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Ela fez uma pausa, em seguida, se virou lentamente. Inclinando a cabeça para o lado, ela estreitou os olhos sobre ele com interesse. — Faça-o em cinco. E você atravessa em plena luz do dia. Você vai se divertir através do campo, pulando e dançando com os braços no ar, cantando, ‗Oh, What a Beautiful Morning. ‘ Jesus Cristo. De onde é que ela vinha com essas coisas e tão rapidamente? — Você é uma boa negociante, mulher. — Essa é a minha oferta. É pegar ou largar. Cinco minutos eram mais do que suficiente. — Ponha essa bunda na casa e deixe a contagem regressiva começar. Outra carranca torceu o rosto enquanto o seu olhar correu para o barraco degradado e ela não moveu um músculo. — Puta merda. — Ele riu. — Você pensou que eu iria recuar. Fazendo um barulho grrrr frustrado, ela caminhou por ele. — Você está gastando muito tempo comigo. Era muito mais divertido quando você era o único titubeando e gaguejando. 372


O pequeno show de atitude encheu o seu peito com calor. Deus, ele adorava estar com esta mulher. Ela acabava de fazer a vida melhor, enchendo-o com risos e felicidade. Mesmo que ela estivesse chateada até os cabelos agora. Quando ela pisou os degraus da varanda, ele a seguiu. Ela congelou na porta e ele chegou ao seu redor para agarrar a maçaneta que ele tinha desbloqueado antes, depois de obter a permissão e a chave dos proprietários e a abriu. O crrrreeeak assustador e alto os cumprimentou. Seus olhos se arregalaram e ela pulou para trás. Colocando a mão na parte inferior das suas costas, ele a impediu de se afastar mais, o que lhe valeu a mesma expressão zangada que lhe tinha dado a outra noite. — Se você não fizer isso todos os cinco minutos, nosso negócio fica sem efeito. Seus lábios fizeram beicinho enquanto seu olhar deslizou sobre ele. — Eu vejo que você tem uma mochila. — Ela estendeu a mão. — Eu suponho que isso significa que você veio preparado. Eu quero uma lanterna. Ele tinha vindo preparado tudo bem, e pensar na negociação prestes a acontecer estava pondo-o excitado para caralho. — Isso vai lhe custar. Nada de cantar “Oh, What a Beautiful Morning”, para mim. 373


O olhar que ela lhe enviou teria nocauteado se eles estivessem se batendo na gaiola. — Tudo bem, — disse ela entre os dentes cerrados. Ele abaixou a bolsa e cavou nela. Estar em vantagem era uma mudança totalmente demais. Para além que a sessão de treino aguado que ele a fez passar, ela esteve à frente em todas as atividades que tinham feito juntos. Cada uma. Sim, havia um pouquinho de culpa sobre o fator assustador de merda, mas esta era Gayle. Ela perseguia a porra de tornados. Ele não tinha muito com o que trabalhar. Ele encontrou o seu cronômetro, em seguida, lhe entregou uma lanterna. Ela imediatamente a ligou. Deixando o saco sentado perto da porta, ele fez sinal para dentro. — Senhoras primeiro. — Que galante você. Ele sabia melhor do que rir, mas porra, ela estava fazendo difícil não rir. A hostilidade absoluta em sua voz era muito divertida. Assim que ela passou por cima da soleira, ele disse: — E os seus cinco minutos começam.... Agora. Ela pulou para fora e olhou para ele. — Como posso confiar em você para me dizer quando os cinco minutos terminaram? Ele balançou o cronômetro na frente dela. 374


— Eu não confio em você. Dê para mim. Tudo bem por ele. — E o preço para isso é nada de brincadeiras para mim. Ela chupou os dentes como uma faísca desafiadora queimado em seus olhos. — Oh, bonitão, você não tem ideia de que lata de verme você abriu. Na verdade, ele tinha. E ele mal podia esperar para saber a vingança que ela estava sonhando nessa mente criativa. — Esse é o meu preço. Sua mão disparou. Mesmo os dedos apontando para ele entregar o cronômetro gritavam com atitude. Rindo suavemente, ele colocou o relógio em sua palma. Ela brincou com ele por um momento, em seguida, empurrou-o em seu rosto. Yep. Definir durante cinco minutos. Como ela passou por cima da soleira de novo, ela clicou no botão do relógio. E a contagem regressiva de cinco minutos começou. Ela se arrastou lentamente para dentro, lançando o feixe de luz em todos os lugares e em lugar nenhum. O mofo de estar fechado por anos fez o ar pesado e úmido. Teias de aranha pendiam do teto em cadeias longas. Pó revestia o chão. Lance tinha sido quem lhe contou sobre a casa quando

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Mac estava tentando descobrir como conseguir isso. Seu amigo tinha razão. O lugar era assustadoramente perfeito. Vendo que ela mal tinha tomado dez passos, ele disse: — Você vai ter que pegar o ritmo. — Você quer que eu acelere? Então, se prepare para brincar até a sua bunda cair, bonitão — ela respondeu. Mesmo em uma falsa casa assombrada, ela nunca perdia uma batida. — Feito. Ela se moveu um pouco mais rápido para a grande sala vazia. Uma escadaria que levava ao andar de cima estava à sua esquerda. Sombras faziam imagens assustadoras dançar no teto e no chão. Ela começou a cantarolar. Distração. Mac seguiu atrás dela em silêncio, se deixando envolver pelo ambiente... E esquecendo que ele estava lá. Um baque alto, como alguém batendo o punho contra a parede, veio lá de cima. Sem sequer um guincho, Gayle fez meia-volta e bateu direto contra o seu peito. Ele olhou para ela. — Indo a algum lugar? — Você vai pagar tanto por isso. — Ela se virou de volta e se arrastou para frente. — Isso significa sem brincadeiras para mim de novo? — Perguntou ele depois que ela não levou mais de cinco passos. 376


Um murmúrio que soava muito parecido com: — Eu vou lhe mostrar a brincadeira, seu idiota — veio dela, mas seus passos aceleraram. Segundos depois, um gemido baixo ecoou por toda a casa. Todos os músculos do corpo de Gayle endureceram, em seguida, ela disparou por trás dele e se apertou contra as suas costas. — Puta merda, você ouviu isso? Ele quase perdeu a compostura, mas ele limpou a garganta. — Apenas o ranger da casa. Agora, volte na minha frente. — Claro que não. — Bem, então você sabe... — Vou ter de volta a porra da brincadeira. Eu não estou indo na frente. — A lanterna caiu no chão, em seguida, sua camiseta esticou contra seu peito enquanto ela pegava dois punhados dele. Passos rangendo soaram acima deles, vindo cada vez mais perto da escada. Ela subiu às costas, enrolou as pernas em volta de sua cintura, prendeu seus braços em volta de seu pescoço e apertou o rosto contra seu pescoço, sussurrando: — Merda. Merda. Merda. — Jesus. — Ele tossiu quando seu aperto cavou na sua traqueia. — Afrouxe pelo amor de Deus. 377


Felizmente, ela afrouxou seu aperto. Ele sabia que ela estaria com medo, mas ela o sufocando inconsciente não lhe ocorrera. Com ela nas costas dele, ele se agachou para a lanterna, desejando que ele tivesse pensado em gravar isso. Ele nunca poderia ver Gayle tão aflita novamente. Enquanto ele se endireitava, um movimento na escada chamou

sua

atenção.

Com

a

pequena

figura

branca

lentamente descendo, ele endureceu. — Porque você endureceu? Oh Deus! Porque você endureceu? — As palavras aqueceram sua pele enquanto seus braços apertavam ao redor dele até que ele engasgou. — Gayle, — ele murmurou. — Não posso respirar. — Eu não me importo. Você é um idiota! — Ela disse, mas seu bloqueio de morte soltou. Segundos depois, ele perdeu de ouvir alguns decibéis com seu grito ensurdecedor e ele bateu com a palma na sua orelha, gemendo. — Porra! — É isso aí. Eu estou fora. — O peso do seu corpo deixou as suas costas e quando ele se virou, ela se foi. Esfregando a palma da mão contra sua orelha dolorida, ele caminhou até o pequeno fantasma, a içou em seus braços e lhe bateu na ponta do seu nariz pintado de branco.

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— Bom trabalho, garota. Skylar sorriu. — Cara. Gayle pode gritar. Você a ouviu? Sua gargalhada infantil trouxe um sorriso a o seu rosto. — Oh, eu a ouvi bem. Onde está o seu pai? — Bem aqui, — disse Lance enquanto corria para baixo nos degraus. — Eu tive que buscar o Nitendo DS da Skylar antes de descer. Cara, eu não sabia que Gayle era capaz de gritar assim. Mac não sabia também. Rindo, ele fez um gesto para que o seguissem. — Vamos sair. Vamos encontrá-la e deixá-la saber da brincadeira. Encontrá-la não foi difícil. À medida que saiam para a varanda, ela já estava no carro. Lance acenou para ela. Os olhos de Gayle arredondaram em descrença, então ela abriu a porta. — Você maldito está brincando comigo? Sorrindo, Mac caminhou até ela, mesmo quando o cronômetro na mão começou a chilrear. Ele estalou a língua. — Você não teve os cinco minutos necessários. Parece que o nosso negócio está terminado.

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Ela ficou boquiaberta com ele, então ela olhou por ele para Lance e Skylar na varanda. Seus olhos se estreitaram. — Esta não é Graymore Manor, não é? — Não. Rick fez o flyer e o imprimiu para mim. Esse homem tem algum talento sério com arte. — Rick estava metido nisto. Ela balançou a cabeça, em seguida, olhou para ele por um momento. O choque lentamente se tornou diversão. Uma pequena risada veio dela, depois outra, até que ela estava rindo tanto que dobrou. — Oh, meu Deus. — Ela engasgou, apertando a mão no seu lado. — Vocês poderiam fazer a Scare Tactics32 correr pelo seu dinheiro. Isso foi incrível. — E você. — Ela andou até ele e colocou os braços em volta do pescoço, olhando para ele com os olhos cheios de felicidade e admiração. — Baby, você só lançou a bolsa de Gayle de desafios para um nível totalmente novo. Você, basta esperar o que eu vou tirar para você fazer depois. Ela puxou sua cabeça para baixo e apertou seus lábios contra os dele. Sua advertência foi algo para ansiar. Inferno, ele tinha muito para o futuro. Descobrir mais calcanhares de Aquiles de Gayle e usá-los para fazer coisas malucas como esta era uma delas. Sim, ele definitivamente poderia se ver

32

Programa de pegadinhas.

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passando uma vida inteira inventando seu prรณximo desafio para ela. E uma vida antecipando o dela. Ele esperava que nada mudasse.

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Capítulo Quatorze Como ela iria dizer a ele? Gayle encostou-se ao batente da porta de sua sala de trabalho e estudou Mac, enquanto ele estava no sofá assistindo a luta. As coisas entre eles estavam indo tão bem. Depois da brincadeira fantasma há três dias, ela tinha dado voltas em seu cérebro para um desafio que o superasse. Até agora, nada lhe tinha vindo à mente. Agora era possível que, mesmo que ela pensasse em alguma coisa, ela nunca chegaria a lhe fazer o desafio. A tempestade tinha chegado. Literal e figurativamente. As duas frentes que estavam prestes a colidir trariam outro surto enorme de tempo severo. Ela não iria lhe mentir, mas ela tinha vergonha de admitir que estivesse realmente tentada. Este foi o último arremesso. O verdadeiro teste – outro grande e perigoso sistema. O último que tinham experimentado juntos se tornou mortal. E desta vez ele não estaria com ela. Será que ele poderia levar isso? – o medo por sua segurança? Ou será que ele iria virar as costas e correr de volta para Atlanta?

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A realidade de que ela ainda poderia perdê-lo – realmente perdê-lo – lhe bateu como uma tonelada de tijolos. Porque ela tinha feito a única coisa que havia jurado jamais fazer para se proteger – ela tinha se apaixonado. Com um homem que era tão errado para ela. Mesmo enquanto ele era tão certo. Só amor não iria salvá-los, não iria mantê-los juntos. Ela estava apavorada, não seria forte suficiente. Não contra uma tempestade assassina e os medos que ela trouxe para a superfície. Com esse pensamento, seu estômago deu um nó. A luta na TV terminou e Mac desligou o aparelho. Preocupação fez com que franzisse as sobrancelhas quando viu sua expressão. — O que está acontecendo? — Rick e eu estamos saindo pela manhã, — disse ela, entrando na sala de estar. — Ok. Sem hesitação, apenas aceitação rápida. Ela hesitou em contar a ele o resto. Mas, afastando a ideia de mentir. Não. A única maneira de saber se eles iram funcionar era a completa honestidade. — Mac. É um grande sistema. Eu vou ficar fora por alguns dias.

383


O vazio em seus olhos lentamente diminuiu quando suas palavras afundaram, substituídas pela compreensão ansiosa. Ele engoliu em seco e desviou o olhar. — Como o que fomos antes? — Sim. Balançando a cabeça, ele chupou os dentes, então respirou fundo. — Bem. — Ele esfregou a mão sobre sua boca. — Nós sabíamos que isso iria acontecer. Não

era

realmente

a

garantia

que

ela

estava

procurando. — Sim, nós sabíamos. A tensão penetrou entre eles. Mac vigorosamente balançou a cabeça, em seguida, agarrou a mão dela. A próxima coisa que ela sabia, ele a estava puxando até o quarto dela. Quando chegaram à beira da cama, ele girou na frente dela, segurou seu rosto entre as mãos e atacou a sua boca com a dele. Foi quando ela percebeu que ele estava tão aterrorizado com o resultado, quanto ela. Jogando os braços em volta do seu pescoço, ela abriu os lábios e congratulou-se com a sua língua. Mãos frenéticas se atrapalharam com a roupa e a jogou por toda a sala. Nus, eles caíram na cama, pernas entrelaçadas. Quando ela ficou embaixo dele e ele se estabeleceu entre suas coxas, seus 384


olhares se encontraram. Enquanto ele escovava os seus cabelos para trás, ela segurou seu queixo. Nenhuma palavra foi necessária. Tudo que precisava ser dito, estava sendo feito pelo medo que saturava este momento. Quando ele entrou nela e começou a empurrar, nunca perderam o contato visual. Tomaram um momento para apenas

sentir

o

outro.

Porque

os

sentimentos

foram

crescendo. Eles ficaram juntos, conectados. Ambos sabendo que amanhã a sua ligação poderia ser quebrada para sempre. Depois, Mac enfiou seu corpo contra ela, com o braço enrolado em torno de sua cintura. Ele beijou o topo de sua cabeça e murmurou: — Tudo vai ficar bem. Quando ela apertou mais perto dele, ela só podia esperar que fosse verdade.

Sentindo como se uma barra de 50 quilos se formasse em seu estômago, Mac assistiu Gayle abrir o SUV. Ontem, quando ela lhe contou sobre o enorme sistema que iria participar, ele sentiu como se tivesse sido atingido com um gancho de direita, ofuscante. O torpor ainda não tinha desaparecido de sua cabeça. Gayle estava prestes a se colocar no caminho do perigo.

385


Todo o bem que ela fazia durante a corrida depois dessas tempestades não importava uma merda para ele. A única coisa que importava para ele era a sua segurança. Ele não pôde evitar o ressentimento, porque ela estava prestes a colocar sua vida na linha de novo, quando ela não precisava. Entender que não havia nada que pudesse fazer para detê-la, só aumentou a amargura e frustração. A coisa era: aqueles eram seus problemas para passar por cima, por que ele nunca tentaria impedi-la. Perseguir tempestades era o que Gayle era. Quem ela era. Se ele não podia aceitar esse lado dela, ele não a merecia. Então, por mais que ele quisesse arrancar a mala que ela empurrou para o SUV e lançá-la no gramado, ele se obrigou a pegar uma sacola de higiene e a ajudou. Ela passou as mãos em seus jeans e foi em direção a ele. — Estamos prontos para pegar a estrada. Um pedaço de pânico ameaçou sufocá-lo, mas ele o engoliu de volta. Será que ele sempre se sentiria assim quando ela saísse ou era só porque esta era a primeira vez? Será que se tornaria algo que ele se acostumaria? Ele odiava o que sentia no momento. Odiava. — Seja cuidadosa. Ela parou na frente dele, enfiando as mãos nos bolsos de trás de seu short jeans. 386


— Sempre. Ele passou os braços em volta da cintura, unindo os dedos na parte inferior das costas, enquanto ela enrolou os braços em volta do pescoço dele. — Serei cuidadosa, Mac, — disse ela com mais ferocidade. — Eu prometo. Puxando-a para perto, ele a abraçou apertado, não querendo deixa-la ir. Ao mesmo tempo, em sua ingenuidade, ele se acreditava invencível. Que ele e sua esposa teriam uma família, eles envelheceriam juntos e teriam uma infinidade de netos para estragar. O universo lhe tinha dado um inferno de uma verificação da realidade. Tudo pode mudar em um instante. Ele aprendeu isso, com uma mulher que não tinha tomado riscos com sua vida. Como ele deveria deixar Gayle ir sabendo os riscos imensos que ela corria? Que ela estava de bom grado colocando seu futuro – o futuro deles – em tal perigo? Ele a apertou com força, com um sentimento rasgado. Ela não era uma temerária. Ela poderia ir atrás desses monstros, mas ela fazia isso para salvar as pessoas, assim como os bravos homens e mulheres da polícia e os militares. Ele tinha que ser forte por ela, assim como seus entes queridos eram. Ele afrouxou o aperto e ela levantou a cabeça, se inclinando para trás.

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— Você vai ficar bem? Como sempre, ela estava preocupada com ele. Ele escovou os cabelos para trás. — Eu vou me preocupar. Não há razão para fingir que eu não vou, mas eu vou me manter ocupado. Então, não me venha com outro pensamento. Você vai ficar focada no que está para fazer. Por Favor. A ideia de que sua preocupação por ele poderia distraíla, faze-la tomar uma decisão burra e mortal, lhe deu outra sacudida, uma torção no estômago com a ansiedade. Ela puxou sua cabeça para baixo e o beijou com força na boca. — Quando eu voltar, eu vou colocar todo esse foco em você, então você vai saber como eu posso ser focada, — ela sussurrou contra seus lábios. Apesar de seus medos, um sorriso puxou sua boca. — Então é melhor se concentrar na dura realidade, mulher. Rindo baixinho, ela se retirou de seu abraço e entrou no carro. Ela rolou a janela para baixo. — Eu ligo para você.

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— Eu não vou ligar para você. — Surpreendida, seus olhos

brilharam

de

mágoa,

então

ele

rapidamente

acrescentou: — Não gostaria de interrompê-la durante um momento crucial. A

tensão

deixou

seus

músculos

e

a

Gayle

despreocupada retornou. Seus olhos corriam lentamente ao longo do comprimento do seu corpo. — Um dos meus muitos talentos é ser multi-função, bonitão. Eu terei a certeza de deixar isso bem claro dentro de poucos dias. Rick colocou o SUV em sentido inverso, mesmo antes de desaparecerem à caça da tempestade, ela deu a Mac uma de suas piscadelas de olho, cheia de sugestões. Em seguida, eles foram embora. Ele olhou para a calçada vazia, o pavor pesava sobre os seus ombros. Era isso. Ou eles passariam por esta provação, ou ele iria acabar com ela. A sua luta final com seus demônios interiores estava na mão.

Gayle se recostou no assento e esfregou a testa. A tensão se arrastou de volta para ela, enquanto soltava um suspiro cansado. Mac a tinha deixado sair sem a colocar em uma viagem de culpa. Porque enchê-la de felicidade e ansiedade?

389


Enquanto ela arrumava o carro, ela estava consciente de sua ansiedade. Sabia que ele queria lhe pedir para ficar. Mas ele não o fez. Ele manteve seus medos para si mesmo e ela tinha que lhe dar crédito por isso. Ele realmente queria que essa relação entre eles funcionasse. E em apenas alguns poucos dias, eles iriam saber se um futuro para eles seria possível. O resultado a aterrorizava para caralho. Ela não queria perdê-lo. Neste ponto, as chances de ele deixá-la eram tão grandes como as chances de ele ficar. Se toda esta situação tivesse sido uma tempestade que ela estivesse seguindo, ela teria

recuado,

com

certeza,

por

causa

da

extrema

imprevisibilidade. Segurança em primeiro lugar. Proteja-se, sempre. Ela não tinha seguido essas regras com Mac. Agora ela estava em perigo de se magoar muito. — O que você está pensando? — Perguntou Rick, quebrando o silêncio pesado. — Que eu poderia ter beijado mais Mac no último momento. Rick suspirou, balançando a cabeça. — Você tem mesmo que deixar de ir ao passado, Gayle. Mac não é Marcos ou Brian.

390


— Não, ele não é. Ele perdeu sua esposa e filho por nascer para a mesma coisa que eu persigo para viver. Isso é um obstáculo muito grande para saltar. — Não, realmente não é. Você perdeu a sua família para a mesma coisa. — Eu não experimentei o horror, no entanto. Eu não encontrei

a

minha

casa

destruída.

Não

tive

que

freneticamente procurar Sam e minha família, rezando para que eles estivessem bem. Eu não os encontrei mortos. Eu não tenho memórias como essas para marcar minha mente, Rick. Mac tem. — Ela bateu o lápis contra seu joelho. — Uma grande parte de mim sente que estou sendo egoísta de continuar fazendo isso. Rick deu-lhe um olhar ―que conversa louca é essa. ‖ — O que diabos faz você dizer isso? Você não está considerando desistir de sua carreira por ele, não é? — Não. Mesmo que eu saiba como isso é difícil para ele, eu não estou disposta a parar, nem mesmo por ele. Isso é egoísta, não é? Se eu realmente o amasse, eu não estaria disposta a abrir mão disto? — Você age como se isto fosse algum tipo de dependência de drogas, Gayle. Não é. Seu trabalho faz um monte de bem para um monte de gente. Mesmo Mac vê isso, ou ele teria exigido que você parasse. — Ele vai querer filhos um dia. 391


— Então? Você, também. — Sim, eu quero. Mas eu sempre pensei que eu iria acabar com alguém com uma compreensão da meteorologia. Talvez não outro caçador, mas alguém como eu, com um amor pelo tempo, que não iria hesitar em aceitar o que eu faço. Depois de tudo que Mac passou como posso lhe pedir para ficar em casa, enquanto sua esposa e mãe de seus filhos sairá para procurar a mesma coisa que matou sua última família? — Gayle... — Havia um aviso na voz de Rick. — Você está procurando razões para ser infeliz. — Eu estou tentando pensar no futuro. Porque não havia nenhuma maneira que isso fosse acabar bem. — Escute, eu estive lá com você durante todo o tempo. Confie em mim, eu percebo a sua atitude. Mas eu estou dizendo a você, Mac é diferente. É hora de dar um salto de fé. Ele não vai abandonar você por causa do seu trabalho. Ela queria tanto acreditar em Rick. Mas era tão difícil. Saber o que os próximos dias iriam fazer ou quebrar seu relacionamento com Mac. E decidir se ela seria feliz para o resto de sua vida... ou estava destinada a uma vida cheia de tempestades e solidão.

392


— Como está Gayle? — Lance perguntou, enquanto ele pulava de pé para pé. O protetor bucal e o protetor de cabeça azul em torno de seu rosto faziam a sua voz abafada. Mac baixou os braços e tirou a guarda. Seu amigo fez o mesmo. Ele e Lance tinham estado nisto há mais de uma hora. Era hora de uma pausa, de qualquer maneira. — Bem. Eles já viram alguns pousos e ela obteve alguns dados decentes. Eles estão indo para baixo em direção à fronteira de Oklahoma e Texas hoje. Espero que eles estejam voltando em um ou dois dias. Gayle

tinha

ido

embora

três

dias.

Surpreendentemente, cada dia tinha começado um pouco mais fácil para Mac. Ele sentia falta dela como um louco, mas o medo tinha diminuído mais a cada minuto que passava. E com a redução do medo, seus pesadelos haviam parado antes que ela sequer tivesse concluído esta perseguição. Um sinal muito, muito promissor para o futuro dele e Gayle. Ela ligava ou mandava uma mensagem para ele constantemente. Enviou imagens através do telefone das tempestades que ela estava perseguindo e o manteve informado quase todas as horas que ela estava lá fora. O fato que ele não estava completamente desligado dela tornou mais fácil para não se preocupar. — Como você está? — Perguntou Lance. Suspirando, Mac puxou fora seu capacete e o atirou em um banco. 393


— O que eu devo dizer? Que eu gosto que ela persiga tornados? Eu não gosto e provavelmente nunca gostarei, mas se eu vou estar com ela, eu tenho que aceitá-lo. Inferno, o jeito que ela ama o tempo, vai ser a minha sorte se ela um dia se tornar uma repórter do tempo e se ramificar para mais do que apenas tornados. Pelo menos agora estou preocupado apenas por algumas semanas do ano. — Você acha que vai ser capaz de lidar com isso? — Depois que ela saiu, eu fiquei realmente preocupado, mas ela está lá fora com algumas enormes tempestades desta vez e não tem sido como a foda mental que eu construí na minha cabeça. Estou me sentindo muito, muito positivo. — Então, isso significa que você vai se tornar o meu vizinho? — Lance perguntou com um sorriso malicioso. — Eu gostei deste arranjo que tivemos desde que voltou. Mac riu. — As coisas estão certamente caminhando desse jeito. Lance bateu-lhe nas costas. — Isso seria tão foda. Eu senti a sua falta, cara. O que você faria sobre o treinamento? — Não vamos ficar à frente de nós mesmos. Uma coisa de cada vez. Gayle e eu precisamos ter uma longa conversa quando ela voltar. Limar a nossa relação, agora que este obstáculo está fora do caminho.

394


Quando ele finalmente dissesse a Gayle Matthews que ele a amava, seria quando ele estivesse certo que seus demônios não surgiriam para arruinar o que eles tinham juntos. Quando ele estivesse completamente confiante de que ele era o homem que ela merecia. Não antes. Eles caminharam de volta para a casa, e Lance ligou a TV. Notícias de última hora imediatamente chamaram a atenção de Mac e ele congelou no vídeo clipe granulado de um tornado monstro produzindo um caminho de destruição épica através de uma cidade em Oklahoma. Sua garganta se fechou enquanto os pontos se formavam diante de seus olhos. Seus joelhos ameaçaram falhar, ele alcançou em torno de algo para segurar. Ele finalmente encontrou o encosto de uma cadeira. Ele pegou, apertando até que seus dedos ficaram brancos. — Tenho certeza que ela está bem, Mac. — Ela corre à frente dessas malditas coisas para alertar as pessoas em seu caminho. E se ela não sair? Nós mal conseguimos da última vez. Se ela tivesse chamado enquanto ele estava com Lance? Se ele tivesse perdido a porra da sua chamada? Ele procurou freneticamente por seu telefone. Lance deve ter percebido o que ele estava procurando, por que estendeu a mão sobre uma mesa lateral e entregou a ele. O telefone tremeu na mão de Mac. Nenhuma chamada não atendida. Nenhum texto. Nada. 395


Oh, Deus. E se ele já a tivesse perdido? E se a última vez que falaram tivesse sido a última vez que jamais iria falar com ela? Assim como ele estava prestes a pressionar o número para discar automaticamente para ela, seu telefone tocou e seu nome apareceu na tela. — Oh, graças a Deus, — ele respirou. — Onde você está? — Ele perguntou assim que respondeu. — Mac? Foi difícil ouvi-la com toda a estática enchendo a linha, ou o vento uivante. Algo também estava batendo no fundo. Granizo, meu Deus. Ela estava perto dessa armadilha mortal. — Mac? Você pode me ouvir? — Gayle? — Escute, você deve saber sobre o tornado agora. Nós não estamos perto desse. Cerca de cinquenta quilômetros de distância. — Houve um estalo alto e ela murmurou, — Merda. Só queria que você soubesse que eu.... Estou... Rick! Cuidado! Pneus chiaram. Barulho de metal retorcendo, gritos, e gemidos abafados de dor. — Gayle? — Sem resposta. — Gayle! — Ele gritou, com o coração batendo forte.

396


O que ele tinha acabado de ouvir? Um tornado atingiu o SUV? O terror fez seu corpo tremer, enquanto seu olhar estalou para Lance, que estava em pé, ereto, mais pálido do que o habitual. — Gayle, por favor, baby, diga alguma coisa. Qualquer coisa. Mas tudo o que ele ouviu foi o longo retumbar estridente da buzina do carro.

Quase sete horas depois, Mac chegou às pressas no hospital em Fort Smith, Arkansas. As sete fodidas horas mais longas de sua vida. Ele não podia pegar um voo, porque os sistemas de tempestades causaram atrasos em todos os lugares. Dirigir tinha sido a única opção. A única informação que ele tinha conseguido era o que alguém na cena lhe tinha dito depois que ele ficou na porra do telefone celular gritando o nome dela pelo que pareceu uma eternidade. Uma voz desconhecida tinha finalmente respondido – um caçador de outra equipe. Eles estavam dirigindo atrás de Gayle e Rick quando eles tinham se acidentado. Eles estavam a caminho de um alvo de perseguição e foram pegos em uma tempestade severa.

397


De acordo com o cara, o vento tinha sido intenso e derrubou uma árvore na estrada. Rick tinha se desviado para contornar e perdeu o controle, caindo num aterro. As pessoas atrás deles disseram que o SUV tinha capotado cerca de quatro vezes antes de pousar duro, capotado. Tanto Rick, como Gayle tinham perdido a consciência. Por causa da tempestade, as equipes de emergência tinham tomado um tempo para chegar ao acidente. Assim que chegaram foram precisos veículos especializados para rasgar o carro. Rick, até então, tinha acordado. Ele não tinha sofrido muitos ferimentos, apenas umas lacerações e um braço quebrado. Gayle era outra questão. Tudo o que podiam lhe dizer era que ela ainda não tinha recuperado a consciência, quando a ambulância tinha finalmente saído. Depois disso, os médicos haviam tomado a situação e a porra da seguradora o impediu de descobrir qualquer coisa. E Rick não estava respondendo a porra do telefone de Gayle. Quando ele e Lance finalmente chegaram ao hospital, Mac correu até a recepção. — Gayle Matthews. A mulher digitou no computador. — Ela está no quarto 350. Ela tinha sido admitida. Ele esfregou a testa. — Porra.

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Lance esfregou o ombro, mas Mac o empurrou. Ele realmente não estava com disposição para qualquer conforto no momento. Ele correu para o elevador e apertou o botão. O que diabos ele ia encontrar lá em cima? Ela não estava na UTI. Isso era bom. Tinha de ser. O elevador levou seu maldito tempo para chegar ao terceiro andar. No segundo que as portas se abriram, ele correu para o quarto 350. Quando ele passava pela sala de espera, Mac notou Rick sentado lá. A fúria o encheu para cobrar do homem. — Porque diabos você não atendeu ao telefone de Gayle? Eu estou ficando louco com a preocupação por todo o maldito tempo de carro até aqui! Rick levantou o braço bom para detê-lo. — Seu telefone ainda deve estar no SUV. Eu não o peguei. Eu só vim na ambulância com ela. Eu não percebi até que eu cheguei aqui que eu não tinha nenhuma maneira de entrar em contato com você. Eu realmente sinto muito. Mac respirou, tentando acalmar sua fúria. — Como ela está? — Ela parece pior do que ela está. Ela recuperou a consciência no caminho para o hospital. Ela bateu a cabeça muito forte, mas os médicos não viram qualquer sinal de uma concussão. Eles a estão mantendo para observação por causa de quanto tempo ela ficou desacordada e lhe dando fluidos 399


intravenosos para a desidratação. Ela está descansando agora. — Eu estou indo vê-la. Mac deixou os dois homens na sala de espera e encontrou o quarto 350. Ele entrou e congelou, horrorizado com as contusões e ferimentos por todo o seu rosto bonito. Uma intravenosa estava inserida abaixo da clavícula e um grande curativo envolvido em torno de um braço. Os olhos cor de avelã sem vida que tinham assombrado seus sonhos nas últimas semanas vieram a sua mente. Ele piscou, sacudindo a cabeça. Em vez do habitual sorriso brilhante de Gayle, ele viu a mulher agredida e machucada, deitada imóvel em uma cama de hospital, porque ela perseguiu a destruição, porque ela pegou sua segurança das mãos dele. Ele não podia confiar, não podia esperar que ela saísse ilesa de suas perseguições. Nem na Mãe Natureza. Era imprevisível. Ele um dia iria perdê-la, eventualmente. Ele sabia disso. Olhos castanhos sem vida passaram diante dele novamente. O pânico o triturou, roubou sua capacidade de respirar. Ele tropeçou para trás. Ele não podia fazer isso. Ele amava essa mulher para caralho, mas ele não podia fazer isso novamente. Ele não perderia outra mulher que ele amava para um tornado.

400


Ela sobreviveu ao terror que eles tinham passado juntos, ela tinha sobrevivido a este também..., mas quantas chances uma pessoa tem de escapar da morte? Este acidente não iria impedi-la. Ela estaria de volta lá fora, assim que fosse capaz. Deixando-o preocupado, com medo de vê-la assim, novamente, de perdê-la para sempre. Ele simplesmente não conseguiria. Ele lentamente saiu do quarto, em seguida, girou e correu pelo corredor. Ao passar pela sala de espera, Lance gritou atrás dele, mas ele continuou, seu único objetivo era ganhar distância. Uma vez que ele voltou para o carro, Lance se chocou contra o banco do motorista logo atrás ele. — O que diabos você está fazendo? Ele balançou a cabeça. — Eu não irei por este caminho novamente, Lance. — Dê-lhe alguns dias, Mac. Se você sair agora, você vai se arrepender. — O que eu lamento é voltar para o Kansas. Este lugar nunca me trouxe nada além de dor. Gayle sabia que eu poderia não ser capaz de ultrapassar, nós dois sabíamos que isso era possível. Ela não vai se surpreender. Lance olhou para ele por um momento, então suspirou.

401


— Tudo certo. Mas isso esta em você, Mac. Não Gayle. Essa mulher é perfeita para você. E você está deixando que o medo de algo que você não tem controle – que ninguém tem qualquer controle – arruíne o futuro para você. Como eu disse – isso está tudo em você. Ele respirou fundo, a dor em seu coração era agonizante. Só havia uma coisa que ele poderia fazer para evitar que fosse completamente esmagado. Ele tinha que permitir se render – como se fosse uma gaiola quando a única opção que ele tinha era, graciosamente, aceitar a derrota e deixar um homem quebrado. Ele olhou melancolicamente pela janela. Este adversário era maior do que ele. Gayle merecia mais do que um homem que só iria tentar mudá-la. Porque agora ele não achava que ele poderia deixa-la sair novamente. Ele usaria a culpa para fazê-la ficar, então ele não teria pesadelos de vê-la assim, novamente, mais e mais. E ela iria odiá-lo por isso. De

qualquer maneira, seu relacionamento estava

fadado ao fracasso. Porque colocar qualquer um deles através da agonia? Melhor deixar agora e aceitar a derrota.

Gayle olhava pela janela de seu quarto de hospital. Até agora, ela tinha sido capaz de fingir que estava dormindo para que ela não tivesse que enfrentar Rick, mas fazia três 402


horas desde que ela abriu os olhos a tempo de ver Mac fugir do quarto. Ela não podia mais fingir. Ele a havia deixado. Assim como ela sabia que ele faria. Ela amaldiçoou a picada atacando a parte de trás de seus olhos. Ela não iria chorar. — Gayle? Droga,era exatamente por isso que ela fingiu estar dormindo. Ela quase não tinha controle sobre suas emoções. De jeito nenhum ela queria falar sobre isso. Ou qualquer coisa. Mas nada disso era culpa de Rick. Então, ela piscou, estampando um sorriso falso, e se virou para ele. — Ei, — ele disse. Deus, olhos de cachorrinho. Realmente? Ela estava se sentindo suficientemente mal como estava, ela não precisava de todo mundo se sentindo mal por ela, também. — Não olhe para mim assim. Eu disse que ele iria fugir e ele fugiu. Grande choque. — Então, você sabe? — Abri os olhos a tempo de ver o homem lebre33 sair daqui como o covarde que ele é. — Amargura penetrou em suas palavras, lhes dando uma vantagem de morder. Ela apertou os lábios. Pelo menos ela não tinha ligado para ele e 33

Do original Jackrabbit que pode ser traduzido de duas formas: 1 Picos de partida e outras formas de aceleração rápida ou 2- O melhor vibrador de todos. Destaque em Sex and the City, serve para os dois casos.

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lhe pedido para ficar. Ela salvou um pedaço de sua dignidade. — Ele estava realmente assustado, Gayle. Quando passou a sala de espera, não tinha qualquer cor em seu rosto. Quando Lance correu atrás dele, ele nem se quer abrandou. E ela sabia disso. Tinha dado a ele o benefício da dúvida e lhe permitiu uma sessão de ―superar-se‖. Ele tinha o direito de uma, depois de passar pelo inferno que ele tinha passado antes. — Mas ele não voltou, não é? — Disse ela calmamente. — Já se passaram três horas. Ele não chamou, enviou uma flor, cartão ou até mesmo um texto. Estou no hospital, Rick. Eu fiz concessões para este homem desde o primeiro dia. Eu estive lá por ele, fui com ele através de tudo. A única vez que precisei dele, ele foge. Eu estou melhor sem ele. É isso mesmo, menina. Fique com raiva. Mantenha-se irritada. Então você não sentirá dor. Mas ela estava mentindo para si mesma. Mac estava lá quando ela precisava dele. À noite, no chuveiro, após o EF-5, e mais tarde, quando eles visitaram a sua cidade natal. Ele tinha sido a sua rocha. Ela não tinha uma rocha desde que Sam morreu. Ok, então ela tinha estado mais lá para Mac. Mas seus ferimentos eram mais frescos. E lá foi ela – fazendo concessões para ele novamente.

404


Desgostosa com ela mesma, ela revirou os olhos. — Como está se sentindo por outro lado? — Perguntou Rick, olhando suas bandagens. Grata por ele ter deixado cair o tema do Mac, ela disse, — Dolorida para caralho. — Viu o médico? — Algumas horas atrás. Ele disse que iria me liberar de manhã. Mas Gayle não tinha interesse em voltar para casa, para enfrentar Mac. Por quanto tempo mais ele estaria na cidade?

Neste

momento,

ela

queria

que

ele

saísse

imediatamente. Assim, ela poderia juntar os pedaços. Mais uma vez. Deus, essa estrada era tão familiar. Tola como ela era, ela hesitantemente começou a acreditar que todas as estradas de partir o coração que ela tinha viajado até agora, foram uma preparação para Mac – sua estrada final, seu destino final. Errado. Ele tinha sido apenas mais um homem com o objetivo de entrar em sua vida e jogar tudo para o inferno. Ela estava acabada com os homens. Permanentemente. Desta vez era real. Não que isso a fizesse se sentir melhor.

405


— O SUV foi perda total. Nós vamos ter que alugar um carro para voltar para casa, — disse Rick. Ela encolheu os ombros. Eles poderiam ficar aqui, por tudo o que importava. — Você foi capaz de salvar qualquer equipamento? — Eu realmente não tive a oportunidade de olhar. — Provavelmente deveria olhar, — disse ela. — Você vai ficar bem se eu sair por um tempo? Ela sabia por que ele estava lhe dando cobertura, não querendo deixá-la sozinha por causa de abandono de Mac e isso a fez ter cãibra no estômago. — Eu sou uma menina grande. Eu posso cuidar de mim mesma. Ela sempre cuidou. Ainda assim, ele hesitou. — Rick. Vá. — Tudo certo. Eu estarei aqui mais tarde. Uma vez que ele se foi, ela se inclinou para trás, contra os travesseiros e voltou o olhar para a janela. Ela tentou se concentrar no lado do outro edifício, contando janelas, tijolos, pessoas indo e vindo, mas sua mente continuava vagando de volta para os últimos segundos antes de tudo ficar escuro, desesperada para telefonar para Mac para que ele soubesse 406


que ela estava segura, não querendo que ele se preocupasse por um minuto que ela estivesse envolvida no grande tornado. Sabendo que ele ficaria doido se não ouvisse nada sobre ela. Em seguida a árvore caindo. Seu carro capotando. A dor. E a vaga consciência de que Mac estava ouvindo cada segundo disso. E, enquanto a escuridão a tinha reclamado, se lembrou de desejar de ter falado que o amava, apenas uma vez. Assim ele saberia. No caso de ela não acordar... Agora que ela acordara, estava tão feliz que não tivesse dito. Deus, como estava confuso, mas era a verdade maldita. Um leve toque soou em sua porta e ela se virou para encontrar Lance parado lá. Por um segundo, seu coração parou. A decepção a perfurou. Foi fisicamente doloroso quando ele entrou.... Sozinho. — Como você está? — Ele perguntou. — Batida. Mas eu vou viver. Houve um longo silêncio, então Lance baixou a cabeça. — Ele se foi, Gayle. Ela sabia disso, mas ela ainda não estava preparada para o soco no coração ou como ele bateu o ar de seus pulmões. Ela forçou um riso trêmulo.

407


— O que ele fez? Você o levou para Little Rock para que ele pudesse saltar no primeiro avião para ficar longe de mim? — Gayle, não foi de você. Você sabe disso, certo? Uau. Ele realmente tinha. — Não foi? — Ela murmurou. Lance puxou uma cadeira ao lado de sua cama de hospital. — Eu não vou defendê-lo. Honestamente, eu queria bater seus dentes para fora, por todo o caminho para o aeroporto. Mas Gayle, eu estava com ele quando recebeu o telefonema. Eu estava com ele por todo o caminho até aqui. E eu estive com ele nas últimas três horas. Por mais que eu acredite que ele está cometendo um grande erro, no espaço de sete horas vi que o homem ia de apavorado, pensando que estavam naquele enorme tornado, para aliviado de saber que estava a salvo, para petrificado e insano de preocupação se perguntando se você estava viva ou morta após o acidente, a esgotar-se em um hospital com todos os fantasmas de seu passado rasgando em seus calcanhares. Eu só acho que ele precisa de algum tempo. Ele vai cair em si. Ela já estava balançando a cabeça. — Eu não posso Lance. Não pense que eu estou sendo fria, ok? Eu tenho os meus fantasmas, também. Mac sabe disso. Ele sabia o que fazia me deixando. Eu nunca confiarei que ele não irá correr de mim novamente. Eu não posso 408


passar minha vida inteira me preocupando se ele irรก. Eu nรฃo posso. Mesmo que ele recupere os seus sentidos, nรณs acabamos por aqui.

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Capítulo Quinze Mac esmurrou o saco várias e várias vezes com um único objetivo: drenar cada grama de energia do seu corpo e de sua mente. Por mais de uma semana, ele havia punido o seu corpo com ridículas horas de exaustivo treinamento numa tentativa de se esgotar.... Apenas para que ele pudesse obter algum maldito

sono

em

vez

de

ficar

acordado

pensando

obsessivamente em Gayle. Mas todos os seus esforços tinham sido em vão. Não importava o quão cansado ele estivesse fisicamente, as memórias da mulher o perseguiam a cada segundo do dia. As perguntas sobre a concussão eram ainda piores. O que ela estava fazendo? O que ela estava pensando? Onde ela estava? Será que ela o odiava? É claro que ela o odiava porra. Ele a tinha deixado no maldito hospital. Com nojo ele dirigiu seu punho dentro do saco, fazendo-o girar para o alto. Que perdedor fodido fazia isso? O perdedor que ele era. Lance lhe tinha dito que iria se arrepender de sua decisão de sair. Na época, ele tinha se recusado

a

ouvir.

Ele

permitiu 410

que

seus

medos

o


controlassem, tinha permitido que o controlassem por todo o fodido caminho para Atlanta. Não foi até aquela noite, enquanto ele estava deitado em sua cama olhando para o teto, que ele percebeu que Gayle tinha estado acordada o tempo todo, tinha testemunhado toda a sua fodida decisão e gostaria realmente de se bater pelo que ele tinha feito. Ele a tinha deixado no frio hospital – como se não desse um rabo de rato por ela. O que era a coisa mais distante da verdade. Ele amava a maldita mulher, mesmo que ele desejasse não amar. Mas por causa de suas ações, Gayle sempre pensaria nele como o homem que a deixou quando ela mais precisava dele. Deus, ele odiava essa porra. Tinha até pensado em ligar para ela e pedir desculpas, mas se sentiu egoísta por dar paz a si mesmo quando não podia estar com ela. Ele merecia que ela pensasse mal dele. Um dia, depois que a dor e a traição passassem, Gayle iria olhar para trás e perceber que ela não se esquivou de uma bala para ficar presa a um homem com a bagagem óbvia que ele carregava. Ela encontraria um homem que não iria surtar quando pensasse que ela iria se colocar em perigo, que não deixaria seu medo motivá-lo a deixar a mulher que ele amava no maldito hospital. Porra. Com suor escorrendo em seus olhos, ele foi bater a merda do saco de pancadas, gritando entre os dentes 411


cerrados, pela agonia abrasadora queimando os músculos em seus braços e em seu coração. — Cara, o que você precisa é relaxar, — disse Tommy ‗Lightning34‘ Sparks atrás dele. — Você está batendo como se estivesse perdendo sua fodida mente. Mac agarrou ambos os lados do saco e encostou a testa contra o vinil. — Fique longe de mim, porra!! Seu amigo murmurou baixinho. O filho da puta ia falar alguma coisa. Mac esperava que ele falasse. Uma luta era exatamente o que ele precisava. — Cara, eu não sei o que se arrastou até sua bunda desde que você voltou, mas você tem que começar a superar isso. Girando, ele apertou o nariz contra o rosto de Tommy, cujas sobrancelhas se ergueram de surpresa quando sua cabeça empurrou para trás. A satisfação instigou Mac a avançar. — Que tal você me dizer para superar isso novamente? Vamos ver o que acontece. A surpresa momentânea do outro lutador fugiu quando seu temperamento veio rugindo para frente. Ele encheu o peito

enfrentando

Mac

de

volta

quando

uma

desagradável subiu um canto de seu lábio superior. 34

Lightning: relâmpago

412

onda


— É isso? Você ansioso para lutar, garotão? Faça-o. Você está mordendo a cabeça das pessoas por dias. Está na hora de alguém morder de volta. Se havia alguém neste ginásio que Mac poderia provocar para uma briga, era Tommy. E ele poderia usar uma briga no momento. — Sério? Pensa que você tem as malditas bolas para me levar? — Sabendo o quanto o outro homem odiava isso, Mac levou as pontas dos dedos ao ombro de Tommy e o empurrou para trás. Um músculo saltou no rosto de Tommy. — Toque-me novamente e eu não me importarei o quanto eu gosto de você, eu vou acabar com você, foda-se. Mac deliberadamente cutucou novamente... E esperou. Tommy trabalhou seu pescoço para trás e para frente, então ele carregou. Mac aterrissou com força nas costas. Desencadeando toda a raiva e nojo que ele tinha de si mesmo, tinha Tommy debaixo dele em um grande monte em segundos. — Que porra é essa que deu em você! — Tommy moeu fora entre os dentes enquanto ele girou o corpo, tentando bater Mac fora de sua posição montada. Mac deu um soco no queixo do outro lutador e sua cabeça virou bruscamente para a esquerda. Tommy virou a cabeça para trás. Raiva contorceu seu rosto. 413


— Foda-se você, filho da puta! Um golpe bem aplicado o pegou no ponto doce. Sua visão rapidamente virou um túnel, com brilhantes pontos brancos explodindo diante de seus olhos. Quando ele se reorientou, o gosto de sangue inundou sua boca. Caramba. Rosnando, ele puxou o braço para trás, pronto para entregar outro punho no rosto do amigo. Então braços o agarraram, em torno do torso e o arrastaram para seus pés. Mac virou e chegou bem perto de acertar seu outro amigo, Dante, mas a expressão no rosto do homem o congelou no local, com horror. — Que porra é essa, Mac? — Perguntou Dante, que tinha, aparentemente, acabado de entrar no ginásio, já que ele ainda estava de calça jeans e uma camiseta. Ele deu um olhar de lado para Mac, em seguida, ele se esquivou e ofereceu a mão para Tommy, que a pegou, esfregando o queixo. — Você está bem, amigo? — Sim. — O lutador olhou para Mac. — Isso não foi legal, cara. Os primeiros fios de mortificação acertaram Mac. Que diabo aconteceu com ele? Mesmo Lance não tinha provocado Mac para realmente tomar um murro, mesmo com toda a merda que ele disse enquanto ele estava no Kansas. Ele tinha estado

bem

malditamente

perto,

mas

nunca

completamente. E Tommy não tinha feito nada.

414

seguiu


Ele tinha escolhido essa luta, porque ele estava desesperado para não pensar em Gayle. — Foda-se, Tommy. — Ele agarrou um punhado de cabelo na parte da frente da cabeça em auto-aversão. — Sinto muito. — Sim, bem, você começa a explicar a Julie sobre o tiro barato que acabou de dar. Você acha que eu sou ruim, ela vai ter sua bunda, cara. Sim, a noiva de Tommy teria a bunda dele e ele merecia. Dante o estudou. — Cara, você tem espreitado por aqui como um tigre se levantando desde que voltou. É hora de falar. Essa merda não pode estar acontecendo aqui. — Eu sei. — À medida que a adrenalina fugia, uma dor surda permaneceu na têmpora de Mac. Ele esfregou a testa. Um soco bem aplicado faria isso. Graças a Deus, ele tinha as luvas abertas quando ele bateu em Tommy. — Vamos lá, vocês dois, — disse Dante. — Mike está na cidade para uma reunião. Vamos todos ao seu escritório. Assim que Tommy fechou a porta atrás dele eles se sentaram Mac começou a falar. Disse-lhes tudo. Perder Ally, o bebê. Porque ele parou de cozinhar, por isso que se mudou para Atlanta, por que começou a lutar, por que ele tinha

415


voltado para o Kansas. O encontro com Gayle. O que ela fez, como ela tinha se machucado e, finalmente, sobre deixá-la. Dante olhou para ele, horrorizado. — Você a deixou no hospital? — Não pense nem por um segundo que eu estou orgulhoso desse momento. Eu não estou. — Ele piscou contra o pulso por trás de seus olhos. Tommy balançou a cabeça. — Você entende que você não tem nenhum controle sobre esse tipo de coisa, certo? — Sim, eu sei disso. Essa é a coisa. Eu me preocupo com as coisas que eu não posso controlar. O tempo todo. Mas ela persegue furacões de bom grado. Ela se coloca em risco toda vez que faz isso, mesmo sabendo que tem zero controle sobre isso, sempre. Como é que eu vou ficar bem com isso? Dante mudou na borda da mesa. — Caitlyn teve um enorme problema por eu ser um lutador, mas ela percebeu que ela me amava mais do que o que eu fazia para viver. Nós acabamos de descobrir que ela está grávida. Eu não posso imaginar minha vida sem ela e a família que vamos ter. Ela se sente da mesma forma e agora se sente tola sobre como ela se recusou a aceitar a minha carreira. Talvez um dia você possa mudar seus sentimentos sobre o que Gayle faz.

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— Você está comparando um gatinho a um maldito leão, Dante. Houve apenas duas mortes documentadas no MMA regulamentado. Mas Gayle pode seriamente acabar com a sua vida. Tornados tomam forma e muitas vidas a cada ano. Eu sei disso. Eu experimentei isso. Dante exalou duramente. — Eu só estou dizendo que, um dia você vai desejar ter tomado algum tempo com ela, mais do que nenhum. Todo mundo tem a chance quando nos apaixonamos. Caitlyn é toda a minha vida, assim como Julie é a de Tommy. Nem um de nós viveu a tragédia que você viveu, graças a Deus. Eu não posso nem começar a entender como algo assim possa me mudar, quando Caitlyn é cada pensamento que eu tenho para o futuro. — Eu não posso. Eu simplesmente não posso. Dante se inclinou para frente. — Aqui está a coisa, Mac, você não pensava que teria uma segunda chance no amor e você a encontrou. Você prefere ficar sozinho a saber que a mulher que você ama está lá fora e um dia descobrir que ela morreu e perceber que você nunca, nunca, foi capaz de estar com ela, ou você prefere pegar o que lhe é dado, o que poderia ser de quarenta anos ou mais e só gostar de estar com ela, desde que você possa? Mac olhou para frente. Entendeu o significado do que Dante disse. Ele realmente entendeu. O lado racional de seu

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cérebro viu completamente o que ele estava dizendo. O lado irracional, porém, não o fez. — Mas eu já vivi e perdi uma mulher que eu amava. Tive que aprender a acordar todos os dias com o lugar ao meu lado vazio. Sua risada se foi. Viver com o vazio que ela deixou para trás. Eu não me recuperei até que eu conheci Gayle. Se ela for tirada de mim, eu nunca me recuperaria. Não desta vez. Então, eu sinto que é melhor para nós dois evitarmos muita dor de cabeça. Além disso, ela deve me odiar. Depois de se machucar como ela fez, eu nunca iria me sentir seguro com ela lá fora, perseguindo tornados. Seria uma fonte constante de atritos entre nós. Tommy e Dante trocaram olhares. — É a sua vida, homem. Nós não podemos obrigar você a fazer qualquer coisa. Só sei que a vida é uma porcaria vivendo sozinho. Especialmente quando você tem uma mulher lá fora que o ama. Quem disse que o amava? E mesmo que tivesse, ele certamente matou esse amor com sua fuga. Ele cansou dessa conversa. Batendo as mãos sobre os joelhos, ele se levantou. — Eu não quero mais falar sobre isto. Não precisamos treinar?

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— Você vai parar de ser tão idiota? — Tommy rosnou. — Se você não quer ir trás de sua mulher, é seu problema, mas o resto de nós não vai se colocar com suas besteiras. Você precisa conseguir tirar qualquer agressão para fora, você deve fazê-lo dentro das cordas. Não brigar com seus amigos. — Eu ouvi. — Ele trabalhou seu pescoço. — Uma vez que você está tão furioso, que tal um jogo de treino com Maurice? Sim, isso soava bem. Talvez então ele pudesse ir para casa e dormir. A dor de cabeça maldita e irritante era provavelmente mais pela falta de sono e estresse do que realmente pelo soco de Tommy. Não estava dizendo que o cara não tinha poder por trás de seu punho, mas como um peso pesado, Mac tinha tomado alguns golpes hercúleos muito mais fortes do que o de Tommy. Dez minutos depois, ele estava circulando Maurice no ringue de boxe. O outro lutador tinha os punhos para cima, um olhar calculista deixando Mac saber que ele estava procurando a melhor jogada também. Maurice fez um movimento e Mac foi imediatamente para um JAB direto. Maurice esquivou e deu a volta com um poderoso gancho de esquerda, o pousando quadrado no queixo de Mac. Sua cabeça virou feio para o lado. E a escuridão tomou conta dele antes que ele batesse na lona. 419


As fortes rajadas de vento continuamente empurravam contra Gayle enquanto ela olhava através da lente da câmera e tirava outra foto da supercélula-mãe de tirar o fôlego pairando acima de um campo dourado de trigo. A tempestade que sairia daquela seria danada. Ela largou a câmera, a deixando cair em torno de seu pescoço e suspirou. A menos que algo aparecesse entre hoje e segunda-feira, três dias a partir de agora, esta seria provavelmente a sua última perseguição da temporada. O pensamento era deprimente, mas a estação de TV de notícias para quem ela trabalhava estava pronta para lhe permitir reivindicar o leme

como meteorologista chefe. Com a

temporada de tornados terminando, ela realmente não teria desculpas. Porque — ―Eu preciso da distração que a perseguição me dá‖ — não era uma razão-prática embora fosse a verdade. Depois que o médico a liberou do hospital, ela passou uma semana em casa se recuperando da dor muscular que havia zombado de todas as dores musculares e tinha sido um inferno. Ficar presa em sua casa não tinha feito nada mais do que permitir que o maldito homem consumisse os seus pensamentos. Assim que ela pode se mover sem pestanejar, ela pediu desculpas a Lance por deixá-lo amarrado com Skylar, mas tinha que se afastar por um tempo. Ele não tinha 420


sequer piscado, apenas lhe disse para fazer o que precisava fazer. Ao longo das últimas quatro semanas, ela tinha verificado com ele. A última atualização não foi boa. Lance tinha perdido a luta pela qual ele vinha treinando tão duro. Ele tentou soar como sempre, energico, positivo, mas ela ouviu a decepção e preocupação por trás de sua falsa alegria. Ela entendeu a luta. Pelo menos ela não precisava fingir ser feliz. Ela tinha acabado de se jogar em cada tempestade possível – até mesmo as que ela sabia que seria um fracasso. Se ela não tivesse nada mais do que algumas fotos ou vídeo, ela não se importava. Ela estava distraída. Ela sentia falta de Rick, poderia ter realmente utilizado a familiaridade de suas agradáveis brincadeiras, mas com o braço quebrado, dirigir era impossível. Outra equipe tinha abnegadamente lhe emprestado um dos seus tripulantes. Nick era um bom garoto em seus vinte e poucos anos, ansioso, com uma paixão pela meteorologia. Sua enxurrada contínua de perguntas tinha sido uma distração em si. Não que ela não tivesse pensado em Mac de qualquer maneira. A noite ela pensava e ela se ressentia, tanto mais quando as semanas se passaram e ele não fez qualquer tentativa de contato com ela. Ela chegou perto de chamá-lo algumas vezes, para se certificar de que seu acidente não tinha lhe causado uma regressão, mas acabou por não ter forças para ligar. Um de seus maiores medos era que ele estivesse bem. O medo fez dela uma pessoa repugnante, mas 421


era difícil de esquecer que ele a deixou no hospital e não olhou para trás. A motivação parecia óbvia para ela. A previsão que ela fez naquela noite em seus degraus da varanda tinha se tornado realidade. Ela era a bola de demolição de Mac. Quando ele voltou para Atlanta e o horror do acidente passou, ele deve ter percebido que os sentimentos que ele tinha por ela eram simplesmente de gratidão. Foi por isso que ele não estendeu a mão para ela. Simples. A possibilidade – probabilidade – a deixava insana e tinha enchido o seu âmago com amargura, a fazendo desejar nunca ter conhecido Mac... o que a fez se sentir ainda mais uma pessoa horrível. Não importava como a sua relação terminou, o homem precisou que ela entrasse em sua vida para mudá-lo. Após cinco semanas de procura-na-alma, ela estava confiante de que, dada a escolha, ela ajudaria Mac a se curar tudo de novo, mas apenas faria um trabalho muito melhor para proteger o seu coração. Estar com o coração partido era uma merda. Ela foi retirada de seus pensamentos deprimentes quando uma nuvem-parede desceu da nave-mãe. Hora de trabalhar. Ela correu de volta e saltou para o SUV, bateu a porta e imediatamente pegou o mapa para estudá-lo. — Vamos descer algumas milhas e ficar um pouco mais perto. 422


Nick puxou de volta para a estrada. Gayle olhou para fora da janela do passageiro para a montanha de nuvens escuras. — Essas estrias são lindas. — Quase tão bonitas como você. Uma voz profunda e familiar roncou a partir do assento do motorista – não era o jovem garoto que tinha estado ouvindo durante semanas – cada célula de seu corpo congelou. Balançando a cabeça levemente, ela piscou. Ela estava pirando, alucinando agora? Só havia uma maneira de dizer. Vire-se e olhe. Mas pela vida dela, estava apavorada demais para fazê-lo. Porque se Mac não estivesse lá sentado ao lado dela, teria que dar instruções a Nick para levá-la ao hospital psiquiátrico mais próximo. Ela estava finalmente perdendo a cabeça. — Eu, pessoalmente, gostaria que a nave-mãe tivesse uma base livre de chuva para que ela não ancorasse ao solo e parecesse estar pairando no ar. Com os olhos arregalados, ela olhou para a supercélula. Sim, a pessoa que falava tinha a voz de Mac, mas as palavras que saíam de sua boca não soavam como Mac em tudo. Base livre de chuva? Ancorar ao solo? Isso era conversa de caçador. Ela respirou calmante e torceu para espreitar por cima, para ele. Sua mente estava tendo um inferno de um tempo para computar as coisas. Isso não era possível. Isso ia contra 423


toda a lógica. Mac a tinha deixado no hospital porque ela tinha sofrido um acidente enquanto perseguia tempestades. Este Mac estava sentado atrás do volante em uma caçada – dirigindo o maldito veículo de perseguição-ativa na estrada, calmo como poderia ser. Isso não fazia sentido. Enviou-lhe

um

olhar

rápido,

ele

arqueou

uma

sobrancelha questionando. — Baby? Você está bem? — Ond... — O choque tinha sugado a umidade de sua boca. Ela lambeu os lábios e tentou novamente. — Onde está Nick? — Onde está o Nick... — O sósia do Mac chupou os dentes. — Você perguntando por outro homem, não eram as boas-vindas que eu estava esperando, mas que merda, então eu vou jogar junto. Eu só lhe paguei uma quantidade louca de dinheiro para voltar com o meu carro alugado. Ele não tem nenhuma lealdade, Gayle. Ele pegou o dinheiro e saiu. Com os olhos fixos em Mac, ela encostou-se ao assento. — Porque você está aqui? Você me deixou. Uma careta doída no rosto contorcido. — Eu a deixei e me arrependo disso. — Sem uma palavra, você me deixou. Já se passaram semanas. — E a mágoa purulenta ainda estava lá. A fúria. Ao vê-lo, tudo veio para a superfície novamente.

424


— Eu estive me recuperando — disse ele. Ela cruzou os braços, cheia de raiva. — Do quê? Estupidez terminal? Uma risada profunda encheu o SUV. — Na Verdade, sim. — Ele bateu um dedo na sua têmpora. — Às vezes, realmente, é preciso levar um bom soco na cabeça para bater algum sentido em um cara. — Ele agarrou o volante novamente. — Eu deveria virar ou continuar ou o quê? — Que tal você me deixar e então continuar em frente... Direto para Atlanta. — Não. — Ele lhe enviou-lhe um sorriso preguiçoso. — Eu estou bem por aqui. Sua boca abriu. Ele não tinha sequer piscado para ela. Sua reação descontraída só incitou mais a raiva. — Sério? Você está bem.... Aqui? Puta merda. Onde está o Lollipop Guild35 para as boas vindas, porque com certeza o inferno não é mais no Kansas. Sua risada suave a fez querer bater nele. Forte. Porque ele estava tão malditamente relaxado e insensível à sua hostilidade? Rangendo os dentes, ela cruzou os braços apertados sobre o peito e olhou para fora do para-brisa. Será que o burro realmente achava que ele poderia simplesmente 35

Era um grupo de Munchkins no País Munchkin, que acolheram Dorothy Gale para Oz com música e dança na sua chegada, no filme 1939.

425


aparecer e tudo estaria perdoado? Não era malditamente provável. Ele a deixou. Em. Um. Hospital. Depois

de

um

rápido

olhar

para

a

tela

de

monitoramento do tempo, Mac deu uma guinada à direita para uma estrada lateral. Gayle se esforçou para esconder sua surpresa. Ela teria instruído Nick para tomar essa mesma rota e seguir as nuvens. Pensando

bem,

como

ele

soube

da

terminologia

adequada? Ele deliberadamente usou essas palavras para deixa-la curiosa e, caramba, a manobra tinha funcionado. Ela levantou a cabeça toda. — Como você sabia que a nuvem tem uma base livre de chuva? — Eu tenho estudado. Uma pessoa pode aprender muito se abrir sua mente ao invés de deixar o medo fechá-la. Ela arrastou seu olhar para cima e para baixo dele. Ele, com certeza, parecia com o homem que ela tinha se apaixonado – corrigindo: pensou que tinha se apaixonado – mas algo estava definitivamente errado. — Cara, o que é uma descoberta chocante. Quero dizer, quem diria que educação deixaria você mais inteligente? Seu tom arrogante só ganhou outra risada dele. Se o homem não parasse de rir, ela iria matá-lo. Ela fechou os punhos das mãos se preparando.

426


— Eu sei, certo? Esses livros e vídeos me mostraram um monte de coisas. — Ele fez uma pausa por um longo momento. — Mas foi a vida acontecendo que me ensinou a lição mais importante. E fez de mim um homem muito mais inteligente. Eu aprendi uma coisa de valor inestimável com você Gayle. Algo que perder a minha família não me ensinou. Na verdade, suas mortes me fizeram viver com medo. Ela lançou um olhar de soslaio para ele. Perguntas empurrando na parte de trás de seus dentes, mas ela não estava pronta para abandonar a raiva. — Quer saber o que era? — Ele perguntou, em seguida, parou por um piscar de olhos. — A vida acontece. E sobre algumas

coisas

eu

simplesmente

não

tenho

controle.

Nenhum. Tudo o que posso fazer é aceitar isso e viver cada momento que eu ganho ao máximo. A sinceridade crua na voz dele chamou a sua atenção e ela estreitou os olhos para estudá-lo. Alguma coisa estava diferente. Não era apenas a liberdade completa sobre ele, tampouco, que era desconcertante, para dizer o mínimo. Mesmo quando ele estava tentando para caralho fazer as coisas funcionarem entre eles, sempre houve uma tensão subjacente, uma constante — vibração de que ele iria fugir a qualquer segundo — quando se travava do futuro de seu relacionamento. Puta merda. Era isso. A tensão e a vibração foram embora. Sentia-se.... Em paz.

427


O homem sentado ao seu lado não era o que ela tinha deixado em pé em seu caminho, sem saber se ele poderia lidar com a sua profissão ou não. Este homem era o que tinha ido para a zumba, que tinha ido correr com ela na lama, que tinha encontrado a mãe de uma menina, entendido Gayle, enquanto ela chorava. O homem que a ajudou a enfrentar seu passado e cozinhado com tanta alegria depois que ele enfrentou o seu próprio. E agora ele estava dirigindo seu veículo de caça, a muita coisa que esteve entre eles, com a mesma maldita determinação e firmeza. Esse outro homem na estrada, ele a deixaria. Ele a deixou tinha. De alguma forma, ela sabia que esse novo homem não faria isso. Sabia no fundo de sua alma. Ela engoliu em seco, com medo de permitir que ele voltasse, sob qualquer forma. Mas ela não foi capaz de ignorar o que ele estava tentando mostrar a ela. — Is... isto é uma epifania, — ela limpou a garganta, acalmando os nervos que faziam seu corpo de refém. — O que fez você decidir deixar ir e aceitar tudo isso? Ele sorriu ironicamente. — Quando a vida decidiu que era a minha vez de olhar a morte de frente novamente. Já fiz isso antes, preso sob aquele frigorífico, mas as lições aprendidas foram apagadas 428


quando tudo o que eu amei foi tirado de mim. Naquela época, eu não tinha nenhuma razão para viver. Desta vez eu tenho. — Ele lançou um olhar rápido para ela. — Você. Eu estive em recuperação. Olhando a morte de frente. Desta vez. O real significado dessas palavras, de repente, bateu em seu peito. — O que aconteceu com você, Mac? Ele enviou-lhe um sorriso de lado. — Eu estou bem agora. Os médicos me liberaram ontem. É a única razão para eu não ter vindo mais cedo e eu tenho a porra da certeza de que não iria fazer isso por telefone. — Mac. O que aconteceu? — O crescente temor dificultou a sua respiração. Ela queria que a garra em sua garganta afrouxasse o aperto que esse pânico espontâneo tinha em torno dela. — En-encoste o carro. Ela tinha que sair deste maldito carro. Assim que ele parou, ela pulou para fora e correu para o campo adjacente. Os ventos fortes batiam em seu cabelo e ela colocou os braços ao redor da sua cintura, inalando o ar com avidez. Cheirava a palha e terra molhada com uma pitada de ozônio. Cheiros familiares que normalmente a consolavam. Mas não agora. O que a estava fazendo pirar? 429


Mac veio para ficar ao lado dela. — Eu tive uma concussão cerebral. Parece que eu estive andando por aí com uma ligeira concussão desde que eu lutei com Ragin. Aí eu fiquei desacordado duas vezes no ginásio e o segundo soco me fez cair. Eu estava fora antes de bater no chão. Não recuperei a consciência durante horas. Gayle se abraçou mais apertado. E ela tinha estado completamente inconsciente dele. Desta vez, ela pensou que ele estava seguindo com a sua vida, mas na realidade ele estava se recuperando de uma lesão cerebral. Ele poderia ter morrido e ela não teria conhecido a verdade até que fosse tarde demais. A realização torceu o seu intestino tão drasticamente que a dor quase a levou aos seus joelhos. — Depois que eles me liberam do hospital, passei uma semana e meia deitado. Eu não conseguia ler, assistir televisão ou qualquer coisa. Tudo que eu podia fazer era pensar. — Ele olhou para seus pés. — Sobre o quanto eu a amo, o quanto eu sinto falta de você, o quanto eu lamento ter saído daquele hospital... E como diabos eu faria para tê-la de volta. Na segunda semana eu podia ter pequenos períodos de atividade, então comecei a assistir vídeos do You Tube sobre caçadas, aprendendo tudo que podia sobre o que você faz. Veja, eu estava planejando minha própria caçada. Mas o meu objetivo não era pegar um tornado. Meu objetivo é pegar você.

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Lágrimas brotaram nos olhos dela, fazendo com que a sua forma nadasse na frente dela. Mac tinha enfrentado a morte e voltou para ela, pronto para aceitar tudo o que vinha com ela. Que ela tinha chegado tão perto de perdê-lo, sem saber, estava dando a ela uma chamada de ―acorde‖. Tinha esquecido que a vida poderia intervir e mudar o seu mundo em um instante, independentemente de quão feliz ou triste, protegida ou despreocupada ela vivesse o seu dia-a-dia. Mesmo que Mac tivesse ficado com ela depois do acidente, sua lesão cerebral silenciosa poderia tê-lo tirado dela a qualquer momento. Por mais que ela quisesse acreditar na filosofia ―viva o momento‖ que a protegia da dor da perda, a verdade era que ela não tinha sido diferente de Mac. Ela tentou controlar a vida, mas tudo o que ela realmente tinha feito era se manter isolada das outras pessoas por medo de perdê-las. E quão fodido era isso? Ela fechou os olhos e soltou uma golfada de ar. Ela poderia dar um salto de fé? Verdadeiramente viver o momento, como ela acreditava que ela tinha feito o tempo todo.... Desta vez com Mac ao seu lado? Será que ela se atreveria? — O que acontecerá na próxima temporada, Mac? — Perguntou ela. — Ou no futuro, se nos casarmos e tivermos 431


filhos? E se eu me machucar de novo? Eu não vou desistir de perseguir. Eu não posso Mac. Eu devo isso a minha família para me certificar de que suas mortes não foram em vão. Que outros não morram da mesma maneira. Se não for a minha própria pesquisa que fizer o avanço, então talvez seja algo que eu faça; algo que eu grave, que vá ser a peça que faltava para o trabalho de outro cientista. Eu preciso saber. Eu vou, de alguma forma, aprofundar os conhecimentos sobre tornados. É o que me dá esperança para o futuro. Ele deixou escapar um longo suspiro. — Quando nos conhecemos, eu zombei da ideia da esperança. — Ele levantou a camisa e correu um dedo sobre ―Confiança‖ gravada em seu lado. — Zombei disso também. Pensei que essas eram emoções inúteis, que significavam apenas esmagar os espíritos de uma pessoa quando eles inevitavelmente falhavam. — Soltando sua camisa, ele segurou seu rosto com as mãos. — Você as deu de volta para mim. Tenho esperança de um futuro agora. — Seu domínio sobre ela apertou. — Com você. Tenho esperança de filhos, netos. Você é a pessoa ao meu lado quando eu vejo essas coisas. Uma lágrima escapou e deslizou por sua bochecha. — E a confiança? — Eu confio em você. Eu confio em você com a minha vida e meu coração.

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Ela deixou escapar um soluço suave e Mac a puxou contra o seu peito. Envolvendo os braços em volta de sua cintura, ela se agarrou a ele. — Eu amo você, Gayle Matthews, — ele sussurrou. — Com tudo em mim Seu coração inchou. Ele disse as palavras. Todas as três. Esperança. Confiança. Amor. E ela acreditava nele. Acreditava nas mudanças nele, que ela podia ver escritas tão claramente em seus olhos sinceros. Ela chamou a força de sua certeza, a partir dele, e levantou a cabeça para olhar para ele. — Mesmo que eu sempre soubesse que você poderia me deixar no final, quando você saiu, no hospital, fiquei arrasada. Uma careta aflita contorceu seu rosto e ele começou a dizer alguma coisa. Ela saiu de seu abraço e levantou a mão. — Deixe-me terminar. Você nunca escondeu a sua bagagem. Você sempre foi honesto comigo. Agora é hora de eu ser honesta. Eu percebi que eu passeios últimos três anos fazendo a mesma coisa que você fez. Sua garganta se apertou. — Gayle, eu... Ela balançou a cabeça, cortando suas palavras. 433


— Eu sou a despreocupada, divertida, ‗viva o momento ‘ Gayle Matthews. Ela abraça a vida, certo? — Ela fez uma pausa, permitindo que a verdade se infiltrasse dentro dela antes de dizer: — Mas eu não sou. Não realmente. Quando você realmente abraça a vida, você abraça tudo, incluindo a possibilidade da dor. Você joga seu coração, porque a alegria vale a pena. Mas eu levei meu coração para fora da mesa há anos atrás com medo de ser ferida. Mac estendeu a mão para ela, mas ela acenou para ele. Quando ela o estudou, o medo expandiu em seu peito. — Depois de tudo o que você passou você está aqui, apostando em um futuro de incertezas comigo. Não sabendo o que o amanhã trará. Totalmente sabendo o que você tem a perder, porque você perdeu muito antes. — Ela inalou uma respiração instável. — Esse é o risco real de conquistar o amor, não é? Amar alguém, mesmo sabendo que um dia você pode perdê-lo. Ele engoliu em seco e deu um aceno bobo. — Sim. Mas agora eu sei que isso vale o risco. Ela sorriu. — Eu também sei. E eu estou tão pronta para vencer, tão pronta para dar meu coração para você. A maldição saiu dele quando ele esfregou a palma da mão sobre o rosto. — Graças a Deus. Você me assustou pra caramba. 434


— Mac Hannon, eu o amo tanto. Eu estou dentro. Você tem a mim. Tudo de mim, minha esperança, minha confiança e o meu amor. Ele a puxou para ele e olhou para ela. — Gayle, você me trouxe de volta dos mortos. Você me fez voltar a viver, aproveitar a vida novamente. Eu nunca serei capaz de demostrar o quanto eu a amo. — Acariciando sua mandíbula, ele a beijou suavemente. — Mas eu vou passar todos os malditos dias tentando. Sorrindo, finalmente, ela enrolou seus braços em volta do seu pescoço e puxou sua cabeça para baixo. Quando ele fez a sua promessa, seu coração se encheu de esperança. Aqui, nos braços de Mac, de frente para a incerteza do futuro juntos, era o verdadeiramente ―viver o momento‖. Isso era o que o amor era. O que quer que eles enfrentassem, fariam isso juntos. Quando se separaram, um funil baixou a partir da parede de nuvens em um campo distante. Mac passou um braço em torno de seu ombro e ela se inclinou para o seu lado enquanto eles o observavam descer e tocar o chão. A tensão penetrou em seu corpo quando o tornado cresceu em tamanho, girando em todo o horizonte. Ele simplesmente beijou o topo de sua cabeça e disse: — Dorothy estava certa. Ela inclinou a cabeça para trás.

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— O que você quer dizer? Ele beijou suavemente seus lábios mais uma vez, em seguida, sussurrou: — Não há lugar como o lar.

36

36

―There´s no place like home‖ : -O Mágico de OZ.

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Agradecimentos Escrever Winning Love foi o maior desafio que já enfrentei, até o momento, como uma escritora. Eu trabalhei neste livro e desliguei, por mais de um ano, que incluiu duas temporadas de tornados. O tornado EF-5 em Moore me surpreendeu quando eu estava apenas começando o processo de escrita. Então El Reno, onde três caçadores de pesquisa muito respeitados perderam suas vidas quando esse tornado tomou-os de surpresa. Mais recentemente, o surto de tornados no final de abril, que causou grandes danos em vários estados e mais de trinta e cinco mortes. Cada instância deu-me uma pausa. Eu achei que era difícil de escrever. Eu me preocupava sobre cada palavra e eu duvidava. O que me permitiu seguir adiante foi me lembrar que existem pessoas como eu, que não compreendem verdadeiramente

a

devastação

que

estas

tempestades

causam. Vemos. Nós os assistimos. Rezamos por aqueles afetados, mas não há uma verdadeira compreensão. Espero que os sentimentos daqueles que viveram a experiência, arrastaram-se para fora dos detritos, que perderam entes queridos para a fúria da mãe natureza, ou perderam tudo o que possuíam, venha através deste livro. Meu coração vai para essas pessoas e meu objetivo final era respeitar a tragédia que já experimentaram. 437


Com isso dito, eu queria escrever um personagem caçador de tempestades por um tempo muito longo. A partir dos muitos anos que passei assistindo documentários relacionados com caçadores de tempestade e vídeos do YouTube, lendo os posts do blog, eu me tornei consciente de como a mídia sensacionalista os caçadores de tempestades e como a maioria dos caçadores se ressentem. Há caçadores em busca de emoções? Claro. Mas a grande maioria destes homens e mulheres não são vaqueiros, rudes, ou qualquer outro nome que teêm vindo a ser associado com caçadores de tempestades. As pessoas não percebem a quantidade de ciência que entra na perseguição. Dias de planejamento, observando, esperando...

calculando.

Eu

tive

a

entrevista

mais

emocionante, com Gerard Jebaily. Gerard trabalha como um meteorologista na Carolina do Sul... E ele também caça. Foi uma entrevista incrível com algumas ótimas histórias que eu não vou esquecer. Agradeço-lhe imensamente por ter tempo para falar comigo e responder às minhas perguntas. Agora, para tirar alguns momentos para agradecer aqueles que ajudaram e me apoiaram durante a escrita deste livro. Para Liz Pelletier – lhe agradeço por ser super-animada sobre a proposta. Embora eu passasse a maior parte do tempo ao escrever Winning Love repetindo: - O que diabos eu fiz? – E duvidava da minha capacidade de retratar com precisão a destruição do tornado e a perseguição da 438


tempestade, eu me desafiei como escritora e, no final, estou muito orgulhosa deste livro. Winning Love, em minha opinião, é um dos melhores livros que eu escrevi até agora. Para Nina – obrigada por ser uma das melhores editoras que uma menina poderia pedir. Como sempre, a sua edição e sugestões me ajudaram a tomar o livro em um passo adiante. Somos uma equipe — chuta-bundas. Para o departamento de arte, eu estava apenas na metade para terminar o livro quando recebi a capa. A tatuagem

TRUST

desencadeou

uma

foi

uma

torrente

surpresa de

para

ideias

para

mim.

Mas

Mac,

que

acrescentou um nível para ele que eu não teria conseguido se vocês não a tivessem colocado lá. Obrigada. Para os meus fãs, eu amo a todos e cada um de vocês. Obrigado por amar a minha escrita, por antecipar os lançamentos, e apenas sendo incrível. Sem vocês meus sonhos não teriam se tornando realidade. Aos meus CPs, Angie, Christina, Christyne e Tina – Eu disse isso antes e vou dizer de novo, e eu vou dizê-lo em todos os livros futuros, - Eu não saberia o que fazer sem vocês, meninas. Para meus pais, irmã e amigos, obrigados por serem solidários. Eu sei que sou um ogro quando estou sob prazo, vocês apenas aceitam, sabendo que não é típico em mim. Eu não saberia o que fazer sem a sua compreensão e apoio.

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Um agradecimento especial ao Chade – eu sempre reconheço aqueles que me inspiram a ser melhor. Uma vez que lhe enviei um texto dizendo enigmática:- Obrigada por me fazer uma escritora melhor. – Eu não falaria sobre como. Principalmente porque eu estava esperando para escrever o meu reconhecimento. Eu lhe disse antes, há sempre alguma verdade por trás de um livro. Uma visão sobre a mente de um escritor, seus pensamentos, inseguranças, desejos, e seu passado. Infelizmente, às vezes, não temos experimentado alguma coisa ou que tem sido um tempo muito longo desde que nós temos e estamos desconectados do que estamos tentando transmitir. Nós temos que fazê-lo à medida que avançamos e manter nossos dedos cruzados para que estejamos fazendo um bom trabalho. Eu venho fazendo isso há anos, em um par de áreas. Você veio para a minha vida e me deu a capacidade de filtrar mais a realidade em minha escrita. Eu nunca vou esquecer isso. Obrigada. Como sempre, vou terminar meus agradecimentos, agradecendo aos meus filhos. Eles não são os últimos, por que eles são um pensamento lateral, mas por que eles são os mais importantes. Meus pensamentos finais serão sempre compartilhando o amor que tenho por meus filhos e como tenho sorte de ser abençoada com dois filhos incríveis. Eu os amo

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Sobre a autora Abby Niles sempre gostou de ler. Depois de ter gêmeos e se tornar uma dona de casa, ela começou a rabiscar histórias para manter sua sanidade. Ela não planejou escrever para se tornar uma obsessão, mas se tornou. Hoje, ela manipula trabalho, vida doméstica, e escrita. Nem sempre é fácil, mas ei, quem disse que a vida era fácil? Quando Abby não

está

escrevendo,

você

pode

encontrá-la

jogando

―JustDance‖ com seus filhos ou tentando recuperar o atraso em sua interminável lista — para se ler.

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Abby niles love extreme 03 winning love (rev pl 2016)  
Abby niles love extreme 03 winning love (rev pl 2016)  
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