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NĂšMERO

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Clube de Debate

dezembro de 2018


editorial

Nesta edição especial dedicada ao Clube de Debate, podemos ficar a conhecer a

génese do projeto, assim como o trabalho efetuado durante todo o 1º período.. Uma vez que se trata de um projeto dinamizado por alunos para toda a comunidade escolar, a oportunidade de realizarmos uma edição exclusiva do jornal da escola afigurou-se uma opção muito apelativa, pois é uma forma de todos ficarem a conhecer o que foi feito neste período, e o que se pode vir a esperar futuramente. Gostaríamos de agradecer à professora Alexandra Cabral, que apoiou desde logo esta ideia e a tornou possível, assim como à aluna Beatriz Santos, responsável pela elaboração dos textos e pela sua edição, bem como às alunas Inês Mendes, Raquel Carmo pela colaboração na edição do jornal. Boa leitura!

Colaboradores Beatriz Santos Clara Mouzinho Daniel Costa Guilherme Monteiro Inês Mendes Luís Gonçalves Pedro Ribeiro Raquel Carmo Rodrigo Rafael Sara Cacho

Equipa responsável Alexandra Cabral Ana Paula Rosa Paula Barros

Coordenação Alexandra Cabral

Logotipos

jornalsemnome@gmail.com

André e Joana

Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos da Escola Secundária du Bocage http://apesbocage.blogspot.pt/ https://sites.google.com/site/apesbocage/ Novo email da associação 2


Apresentação

Quem somos ?

O

“Clube de Debate”, implementado no ano letivo 2017/2018, é um projeto dinamizado por 8 alunos do 12º ano da Escola Secundária du Bocage. Esta iniciativa, independente da coordenação de professores, surgiu com a necessidade de combater uma constatação comum: a falta de envolvimento, de espírito crítico e da expressão de opiniões devidamente fundamentadas daqueles que nos rodeiam. Face a esta situação, considerámos que era necessário um espaço dedicado à reflexão e discussão de vários tópicos.

Os nossos principais objetivos passam, portanto, pela promoção da participação cívica, promoção da capacidade de argumentação/apresentação de opiniões fundamentadas, promoção da relação entre estudantes, do desenvolvimento do espírito crítico e de investigação documental. Organizamos sessões quinzenais na nossa escola para debater temas e assuntos polémicos dos dias de hoje, maioritariamente relacionados com questões éticas e morais nas mais variadas áreas, como a ciência, saúde, política e educação. A título de exemplo, alguns dos temas que abordámos em sessões passadas no ano letivo 2017/2018 foram a “Questão dos Refugiados”, a “Legalização das drogas”, a “Pena de Morte e eutanásia” ou até mesmo o “Sistema de ensino”. Este ano letivo, o clube de debate reúne-se, quinzenalmente, às sextas feiras, das 14:30 às 15:20, no auditório José Saramago. Toda a comunidade escolar é bem vinda às nossas sessões, e são sempre convidados a dar propostas de temas interessantes para debate, assim como para cooperarem com o clube.

A equipa do Clube de Debate, Guilherme Monteiro Beatriz Santos Clara Mouzinho Daniel Costa Luís Gonçalves

Pedro Ribeiro Rodrigo Rafael Sara Cacho

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Sessão nº 1

Moralidade da Pirataria N

o dia 28 de setembro, sexta feira, o Clube de Debate abriu as portas do auditório para a realização da sua primeira sessão neste novo ano letivo. O tema escolhido foi a moralidade da pirataria, uma prática com que nos deparamos muitas vezes no dia a dia, mas sobre a qual poucas vezes paramos para refletir com profundidade. Ora, foi precisamente isso que quisemos para esta sessão. Após uma breve exposição do que consiste esta prática, lançámos ao público um caso prático para que este pensasse criticamente por si mesmo, partilhando em seguida a sua perspetiva. O tema levantou muita controvérsia, como sempre acontece quando se fala na moralidade de algo, e o auditório, com cerca de 15 participantes, ficou dividido. Por um lado, grande parte da audiência colocou-se ao lado da defesa da pirataria, defendendo que, apesar de ser errado usurpar os direitos de autor, muitas vezes é a única forma de fazer chegar a cultura a todos, e, muitas vezes, quando não se encontram no mercado determinados produtos, a pirataria torna-se na única forma possível de usufruir desses bens. Entre outras perspetivas que foram também levantadas, encontramos o argumento de que a pirataria é uma forma mais cómoda de poder usufruir de bens de lazer, e até pode tornar-se útil para as empresas, pois é um modo de divulgarem os seus produtos. No lado contrário, entre os argumentos contra a pirataria, destaca-se o facto de que esta, acima de tudo, é um crime, pois violamos o princípio dos direitos de autor, algo que está patente na legislação em vigor, para além de se tratar de uma prática injusta, pois, atrás de qualquer produto, existe muito esforço e trabalho, pelo que os seus autores têm todo o direito, moral e legal, de receber um valor justo aquando a sua utilização. Num balanço geral, o debate foi bastante intenso e positivo, e todas as opiniões contribuíram para um bom ambiente. Contamos com a tua presença na próxima sessão!

O Clube de Debate

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Sessão nº 2

Utilização da burca nos países ocidentais N

esta segunda sessão do clube de debate, foi dado a debater o controverso e arrojado tema da utilização da burca nos países ocidentais, um tema que está cada vez mais a ganhar relevância nos dias de hoje, devido à chegada de imigrantes para a Europa, provocando, assim, um acentuado choque cultural. Ora, um caso tão controverso como este, a partir do qual muitas vezes formulamos ideias distorcidas sobre a religião islâmica, acabou por fazer com que o auditório ficasse mais dividido em relação ao tema, ou, pelo menos, ficasse mais sensibilizado e consciente da sua complexidade. Uma vez que o debate se centrava mais no sentido de analisar as reações de vários países europeus ao legislarem contra a utilização da burca, foram lançadas ao auditório questões de reflexão como: “ Será que é moralmente correto países europeus legislarem a favor da proibição das burcas nos seus territórios? Não estaremos nós, europeus, a impor os nossos valores culturais ? Não estaremos a caminhar para uma Europa cada vez mais conservadora e fechada, abrindo cada vez mais espaço para a ascensão da extrema direita? “. O debate foi, de facto, interessante, pois fomos descobrindo, pouco a pouco, que é difícil aceitarmos um só lado. Quando uma pessoa vem para o nosso país, esta deve respeitar as nossas práticas e valores culturais, tal como um convidado que vem a nossa casa deve respeitar as regras da mesma. No entanto, devemos lutar no sentido de criarmos um diálogo entre as duas culturas, respeitando sempre as raízes das mesmas. Por um lado, muitas opiniões caíam para uma perspetiva de que as pessoas que chegam a um determinado país devem fazer um esforço para se adaptarem ao meio, mesmo que isso implique abdicarem de algumas práticas da sua cultura. Em Portugal, por exemplo, privilegiamos muito a comunicação corporal, onde os olhos desempenham um papel crucial, pelo que sentimos dificuldades em falar com uma pessoa de burca, onde o olhar é tapado por uma rede diante dos olhos. Para além disso, falou-se também do estatuto da mulher no islão, que entendemos ser de inferioridade e subordinação face aos homens, o que, claro, é algo inaceitável aos olhos da nossa sociedade. No entanto, num exercício de contraditório, foi exposto ao auditório casos de mulheres que se confortáveis em usar a burca, dizendo que a usavam por vontade própria e por orgulho à religião. O debate foi então posto à prova, e ouviram-se vozes com as mais variadas perspetivas. Contamos contigo na próxima sessão. Partilha a tua opinião! O Clube de Debate

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Sessão nº 3

Legalização da Prostituição N

esta sessão do Clube de Debate, que contou com 35 participantes, debatemos um tema bastante sensível aos países demoliberais: legalizar uma prática que, aos olhos de muitos, vai ao encontro dos direitos humanos. Várias perspetivas vieram ao de cima. Por um lado, grande parte da plateia mostrava-se a favor desta prática, defendendo, a título de exemplo, que, por uma questão de saúde pública, devem existir espaços específicos regulamentados para quem queira ter acesso a este tipo de serviços, de modo a prevenir práticas sexuais desprotegidas e, consequentemente, doenças resultantes das mesmas. Para além disso, ao legalizar esta prática, garantiríamos às mulheres e homens que tomam esta vida, amparo social, dando-lhes, por exemplo, o direito a receber uma reforma. Ao ser legalizada, esta prática teria de ser tributada, pelo que contribuiria para aumentar as receitas do Estado, o que constitui outro ponto a favor da sua legalização. Por outro lado, também surgiram várias perspetivas contra a sua legalização. Primeiro, muitos consideraram que estaríamos a estimular esta prática, que desrespeita por completo a dignidade do indivíduo, pelo que é completamente inaceitável a sua legalização. Contrapondo também com aqueles que diziam que muitas mulheres se prostituíam por necessidades de sobrevivência (entrar nestas práticas não exige estudos e ganha-se dinheiro facilmente), muitas vozes argumentavam que existem outros trabalhos dignos que não requerem qualificações, pelo que esta prática não é opção. Contamos contigo na próxima sessão! O Clube de Debate

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Sessão nº 4

Legalização das drogas Na passada sexta feira, dia 9 de novembro, o Clube de Debate organizou, na Casa do Largo,

uma sessão destinada à discussão e reflexão sobre o controverso tema da legalização das drogas. O Clube de Debate enfrentou, agora, um outro público. Numa expansão extra-liceu, contámos também com a presença de alunos e professores de diferentes escolas de Setúbal e Lisboa. O evento reuniu 54 pessoas, todas elas com opiniões muito diferentes entre si, no habitual estilo de "public debate", onde todos são convidados a partilhar as suas opiniões e ideias, sem prejuízo de serem julgados ou censurados. Antes pelo contrário, é um espaço aberto a todo o tipo de abordagens desde que, claro, bem fundamentadas. Desta proximidade entre o público, defenderam-se múltiplas abordagens, entre as quais a facilitação da formação de gangues quando esta prática é legalizada, e o tráfico paralelo que formam, e que acaba sempre por vender as substâncias a preços mais altos, levando os que estão dependentes a uma total ruína. Por outro lado, tivemos também perspetivas mais revolucionárias, nas quais se defendeu a proibição de todas as substâncias prejudiciais à saúde (drogas, álcool, tabaco), e outras mais moderadas, que defendiam, ao invés, a criação de espaços específicos regulamentados para o consumo de drogas, pois seria uma forma de acabar com o mercado paralelo. Terminado o debate, a maioria da sala revelou ser a favor da legalização. Os participantes aplaudiram o projeto inovador na cidade, saindo com uma ideia esclarecida e talvez mais heterogénea sobre o tema em análise, que demonstrou uma grande complexidade por detrás. O Clube de Debate volta a reunir novamente na escola, dia 23 de novembro, próxima sexta (tema por anunciar) e a 24, sábado, na casa da Avenida, para debater a questão dos refugiados, pena de morte e a legalização da prostituição. O Clube de Debate

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Sessão nº 5

Experiências com animais No passado dia 23 de novembro, sexta feira, o Clube de Debate abriu as portas do auditório para mais uma sessão, desta vez sob o tema da moralidade das experiências com animais. Após uma breve contextualização sobre a forma como esta prática evoluiu ao longo dos anos, e lançadas algumas questões de reflexão, o debate iniciou-se. As posições assumiram rumos bastante distintos. Por um lado, assistimos à adoção de perspetivas mais utilitaristas, que colocavam a vida de um animal como algo inferior a milhares de vidas humanas, pois estas experiências sacrificam-no em prol do bem da maioria, e não seria correto fazermos experiências com humanos, pois estes são seres individuais, e não coletivos, como os animais. Por outro lado, também se manifestaram opiniões defensoras dos direitos dos animais, que, com convicção, argumentavam que as experiências com animais eram uma prática imoral, devido ao facto de os Homens se aproveitam da impossibilidade dos animais darem o seu consentimento, submetendo-os, assim, a experimentações hediondas. Apesar de estar a ser elaborada legislação para a proteção dos animais, existem ainda muitas empresas que continuam a submeter animais para a validação dos seus produtos. Algumas pessoas posicionam-se contra esta prática, outras aceitam-na e compreendem-na, mas o que é facto é que ninguém sai indiferente desta discussão.

Nesta sessão contámos com um público de 27 pessoas, tendo sido, no seu geral, um debate muito intenso e positivo. Contamos contigo na próxima sessão! O Clube de Debate

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Sessão nº 6

Sessão Especial na Casa d´Avenida Na sessão realizada na Casa da Avenida, no dia 24 de novembro, foi experimentado um con-

ceito diferente de debate. Em vez de uma só plateia a assistir e participar no debate, no espaço foram dispostas três mesas de debate com os respetivos moderadores, sendo que cada uma debatia um determinado tema. Assim, debateu-se o tema da questão dos refugiados numa mesa, noutra refletiu-se sobre a questão da legalização da prostituição, e na outra a questão da pena de morte. Esta nova disposição de debate visou, fundamentalmente, que os participantes tivessem uma experiência mais rica e abrangente de debate, isto porque a ideia era que rodassem por todas as mesas.

Mesa da Legalização da Prostituição Na mesa onde foi discutido este tema, estiveram presentes, como mediadores, Pedro Ribeiro, Daniel Costa e Sara Cacho. Deste modo, propusemo-nos a receber todos os que pretendessem discutir esta temática e, assim, aprender mais sobre a mesma. Para este fim, dispunhamos de uma apresentação audiovisual, exibida num tablet, e composta por conceitos relacionados com a prostituição, a sua prática em Portugal e no mundo, assim como dados estatísticos e, por fim, questões de reflexão. Contámos com a presença de duas senhoras que se mostraram bastante interessadas no tema. Após uma breve exposição da apresentação, previamente preparada, lançámos as questões. Imediatamente, obtivemos uma opinião muito vincada. Umas das participantes recusou completamente a legalização da prostituição, uma vez que, se tal acontecesse, o Estado estaria a dar aval a esta prática que, de acordo com a sua opinião, contraria os Direitos Humanos. Além disso, considerou ainda que, em Portugal, o aumento da prostituição nos anos 1970 e 1980 se deveu, em grande parte, ao “espírito rebelde” que se fez sentir após o 25 de abril de 1974. Segundo a participante, neste período, as gerações jovens enveredaram por caminhos errados que conduziram o país ao seu estado atual. Em seguida, tentámos focar-nos novamente no tema, reforçando os benefícios que a legalização da prostituição poderia trazer para a saúde pública e para a economia. Assim, estes “prós” foram discutidos e concluímos que são válidos. Não obstante, as opiniões permaneceram divididas. Alguns acreditam que tais benefícios não justificam a legalização por questões morais. Outros defendem que os benefícios se sobrepõem à posição de desprezo que a sociedade exerce sobre a prostituição. Foi nesta situação de dúvida e incerteza sobre as opiniões pré-concebidas que o debate finalizou, enriquecendo assim os conhecimentos não só dos participantes como também dos moderadores.

Mesa da Pena de Morte Nesta mesa estiveram presentes, como moderadores, Beatriz Santos e Clara Passarinho. Após uma breve descrição daquilo em que consistia, e como podia ser aplicada esta prática, concentramo-nos nos casos específicos da Pena de Morte no Japão e nalguns estados norteamericanos, porque se tratade países muito desenvolvidos, mas que continuam a defender algo considerado um ato cruel e retrógrado. Assim, o objetivo do nosso debate passou por tentar compreender o porquê de países tão desenvolvidos perpetuarem esta prática, convidando os que iam passando pela mesa a partilharem a sua opinião e debaterem connosco. Desta forma, debateram-se questões como qual deveria ser a pena mais pesada a aplicar judicialmente, pois a Pena de Morte é algo muito arriscado, visto que a justiça pode vir a descobrir a inocência do condenado anos depois da sua execução, tirando assim uma vida em vão, ou então o facto de existirem casos de indivíduos não passíveis de uma reintegração e adaptação na vida em sociedade, constituindo, por isso, um potencial perigo para a mesma. Neste ponto, as opiniões dividiram-se, uma vez que algumas vozes defendiam que, como estes indivíduos não podiam ser recuperados, de nada serve estarmos nós, contribuintes, a mantê-los presos, pelo que nestes casos a Pena de Morte pode constituir uma opção racional e eficaz. No entanto, outras vozes que também se pronunciaram no sentido de defenderem estes indivíduos, pois não devemos desistir de uma eventual recuperação, já que por mais irrecuperáveis que pareçam, todos merecem uma segunda oportunidade. 9


Sessão nº6

No final, as moderadores passaram uma petição da amnistia internacional, de forma a que as pessoas que aderiram ao debate pudessem contribuir efetivamente para esta questão. Assim, porque falar não é suficiente se não for complementado pela ação, forma recolhidas assinaturas para ajudar a absolver uma rapariga ativista, de origem muçulamana, que por ter defendido a abolição da Pena de Morte no seu país foi condenada. Démos, assim, o nosso pequeno contributo para corrigir uma injustiça de muitas que se cometem no mundo.

Mesa dos Refugiados Na mesa onde se debateu a atual crise migratória dos refugiados, estiveram, na condição de moderadores, Guilherme Monteiro e Luís Gonçalves. No intenso debate, contámos com a presença de duas senhoras, que, com convicção, defenderam a sua causa. Assim, desde cedo que o debate se voltou para as origens deste problema, algo muito complexo e até difícil de entender na sua essência, uma vez que estão misturados com uma série de interesses, tais como o negócio de fornecimento de armas, só a título de exemplo. Após esta discussão, abrandámos e fomos diretos à questão: O que pode a Europa fazer quanto a isto? Na visão de uma das participantes, a Europa devia tornar-se um território sem bloqueios a quem queira entrar na esperança de alcançar melhores condições de vida, o que se acentua ainda mais quando estamos perante uma crise humanitária, em que milhares de crianças morrem de fome e frio no caminho para encontrar um sítio seguro. No entanto, claro que quando os refugiados vêm para o nosso continente têm de aprender a viver de acordo com a nossa cultura, e nós não devemos ter medo que estes a influenciem, pois tal até pode ser vantajoso. Vejamos as maravilhas que o mundo globalizado nos trouxe, que são muito superiores às desvantagens. É perfeitamente normal que as pessoas tendam a fechar-se nestas situações, pois a cultura muçulmana é muito diferente da europeia, culminando assim a interação entre as duas num choque de culturas. São estas mentalidades mais fechadas que contribuem para a ascensão de movimentos de extrema-direita, e que, como já várias vezes na história testemunhámos, levam a práticas de racismo e xenofobia. Todavia, não devemos tomar essa posição, fechando os olhos aos que estão desesperados, a pedir por socorro, mas devemos, sim, enfrentar os problemas e ajudar os que estão a ser vítimas destas terríveis guerras, dentro do possível. A Europa deve reunir esforços para tentar travar estes problemas, para que, assim, possamos voltar a integrar estas pessoas nos seus países. O Clube de Debate .

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Sessão nº 7

Sessão Especial Casa do Largo De regresso à Casa do Largo, foram escolhidos para debate dois polémicos temas: o aborto e eutanásia. A sessão foi repartida em duas partes, de modo a que discutíssemos os dois temas separadamente, estabelecendo depois pontes entre ambos. Quando começa a vida? Podemos, moralmente, dividir quem vive ou morre? Sociedade, família ou individuo? São estes temas a legalização do aborto e a eutanásia. Na primeira parte, discutiu-se a temática do aborto, tendo sido o debate moderado por Guilherme Monteiro e Beatriz Santos. Após uma breve apresentação teórica do problema, definindo em que consiste esta prática e como é vista no mundo, assim como de uma abordagem científica da vida de um embrião e de um feto como ser humanos, iniciou-se o debate. No decorrer do mesmo, incidiu-se no direito da mulher e foram consideradas as suas razões na decisão de abortar, assim como o papel que as escolas têm no processo de sensibilização dos jovens para os riscos de práticas sexuais desprotegidas, questão fundamental. No entanto, concluiuse neste ponto que, muitas vezes, as informações que nos são fornecidas na escola não são muito esclarecedoras, e acontece também que muitos não procuram estar atentos quando recebem estas informações, ficando só com o que apanham à superfície. Para além disso, não se deixou de ponderar o papel do pai neste processo, muito importante também, assim como o momento a partir do qual começa a vida. Começa logo no momento em que ocorre a fecundação, ou após as 10 semanas de gravidez, quando o embrião passa a chamar-se de feto? É uma pergunta à qual a própria ciência tem dificuldades em responder. Depois de um coffee brake, seguiu-se a questão da eutanásia, um tema bastante atual na nossa sociedade, e que contou como moderador Pedro Ribeiro. Nesta sessão contámos com a presença de uma enfermeira do hospital de Setúbal, responsável pelos cuidados paliativos do mesmo, o que nos permitiu esclarecer alguns conceitos sobre esta questão, fazendo assim um balanço das consequências, para o doente, da prática da eutanásia. Assim, falou-se mais propriamente da inconsciência do doente, assim como da resistência de alguns médicos a executar esta prática, ainda ilegal em Portugal, pois consideram que é sua função ajudar o paciente a viver, e não acelerar a sua morte. Gerou-se, assim, um momento de aprendizagem coletiva, fulcral para um debate mais rico e abrangente. O Clube de Debate

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Sessão nº8

Questão dos Refugiados U

ma vez que estamos no mês das comemorações dos Direitos Humanos, o Clube de Debate, em cooperação com o projeto de cidadania da escola, escolheu como tema da última sessão do período a questão dos refugiados. Apesar de o tema ter sido já debatido na sessão realizada na Casa d´Avenida, as opiniões levantadas foram muito diferentes. Nesta sessão, em que estiveram também presentes duas turmas de 10º ano, foram apresentadas perspetivas de várias naturezas, como de costume. Assim, face à questão de partida colocada, “Será dever da Europa ajudar os refugiados?”, algumas vozes colocaram-se na posição de que é dever moral da Europa ajudar aqueles que desesperam pela sua ajuda, procurando também unir esforços para compreender e solucionar os problemas que os levam a fugir dos seus países, de modo a que, no futuro, possam ser novamente reintegrados neles. Para além disso, é também de frisar que muitas vezes alguns países se mostram menos recetivos a acolher refugiados porque se trata de pessoas de cultura muçulmana, que, como todos sabemos, muitas vezes levantam algumas suspeitas e desconfianças. Já no reverso da medalha, ouviram-se algumas vozes contra o acolhimento de refugiados, por várias razões, desde o choque cultural que poderia daí advir, assim como uma sobreposição da cultura muçulmana em certos bairros locais, que vão sentindo uma consequente perda de identidade. Para além disso, também se levantou o argumento de que muitas pessoas que chegam nos botes sobrelotados não são aqueles que de mais ajuda precisam, pois os que não têm mesmo recursos não podem pagar a passagem, pelo que se torna muito difícil ajudar aqueles que realmente precisam. Claro que todas as opiniões são discutíveis, pelo que se gerou um debate bastante intenso, na globalidade, pois seguindo-se a uma opinião vinha um ponto de discórdia na opinião a seguir. CONTAMOS CONTIGO PARA O PRÓXIMO PERÍODO. FICA ATENTO AO ANÚNCIO DAS NOSSAS SESSÕES! O Clube de Debate

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