Issuu on Google+

Livro, espelho da alma O livro, sim, o livro! O livro que é um mudo que fala ou um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. O livro, este que não tem ação em si próprio, move os ânimos e causa grandes efeitos. Mas, o que é isto de um mudo falar ou de um surdo responder, um cego guiar ou de um morto viver? O que é isto de mover os ânimos e causar grandes efeitos? Tal como um mudo, o livro, pela lógica, não pode falar, não tem essa capacidade, mas, apesar de tudo, o livro consegue falar. Bem, não fala como nós, seres humanos, contudo, fala-nos pelas palavras e figuras de estilo. Palavras, que nos fazem conhecer, entender ou até dominar certos temas, transmitem-nos sentimentos e sonhos, conduzem-nos à imaginação, levam-nos ao seu outro lado... O livro não nos ouve. Porém, muitas vezes, responde às nossas questões. É tal como um surdo: lá por não nos ouvir, não quer dizer que não nos possa auxiliar de alguma forma. Embora não tenha olhos, mostra-nos um novo caminho, uma nova forma de ver a vida. Ele pode-nos guiar para um novo mundo, pode-nos abrir os olhos. Mas como? Como é que o livro nos pode guiar, se nunca viu o mundo? Bem, este amigo composto por folhas, com a sua imensa sabedoria, apresenta-nos as várias hipóteses de caminhos que podemos seguir e, simultaneamente, apresenta os prós e contras das nossas decisões. Muitas vezes é através de imagens e das outras figuras de estilo que nos corrige e nos abre os olhos para uma realidade que os nossos olhos não conseguem alcançar. Talvez possamos dizer que nós, humanos, somos mais cegos que um simples livro. Apesar de nunca ter vivido, ele tem vida! Então, ele viveu ou não? Se pensarmos na verdadeira definição de viver, não! Mas, se repararmos, existe alguma coisa nele que nos leva a pensar que, de facto, ele viveu. Pela ciência, o livro não pode viver, mas, pela nossa imaginação, o livro pode, sim, viver. Para a nossa imaginação nada é impossível e, se nós realmente acreditamos que os livros vivem, então eles realmente vivem. Não podendo desafiar a lei da Natureza, mas não podendo também colocar limites à imaginação, digo que os livros são mortos que vivem. E não nos podemos esquecer que uma vida é um

Pseudónimo: Kika Mão, 2º Ciclo - 1


conjunto de histórias, tal como o nosso amigo livro é composto por um conjunto páginas. Como é do nosso conhecimento, o livro não tem ação em si mesmo, não tem vontade própria, mas, mesmo assim, move os ânimos, isto é, é capaz de transformar pensamentos, de provocar sentimentos e ação nas nossas vidas e, consequentemente, de causar grandes efeitos no nosso “eu” e no mundo. E, assim sendo, sabemos que o livro não é apenas um objeto de capa dura ou maleável, com muitas ou poucas folhas. Sabemos que é uma porta de respostas, sonhos, conselhos, uma porta de influências… O livro é aquilo que nós queremos fazer dele, é o espelho da nossa alma ou daquela que nós desejaríamos ter! É o conforto na dor e a gratificação na alegria, é o despertar de muitos dias e o anoitecer de muitas noites, é o auxílio da sabedoria e da distração. É um conjunto de sensações que nos comovem e que nos fazem viver. O livro, sim, o livro! O livro que é isto tudo, o livro que é o que nós quisermos!


Concurso literário peb feira do livro rbb ana isabel 2ºciclo maximinos