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Marilsa do Carmo Rodrigues de Léon (Organizadora)

ANTOLOGIA POÉTICA UNIFAMMA

2011


Todos os direitos reservados à Faculdade Metropolitana de Maringá - UNIFAMMA Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer e/ou quaisquer meios (eletrônico, mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escritas dos autores.


Evandro de Freitas de Oliveira Diretor-Presidente Prof. Me. Lupércio Cascone Diretor Geral Prof.a Dra Isilda Campaner Palangana Coordenadora de Pesquisa e Extensão Prof.a Esp. Marilsa do Carmo Rodrigues de Léon Coordenadora do projeto Prof.a Me. Adriana dos Santos Souza Prof.a Me. Ângela Enz Teixeira Prof. Esp. Jair Moreira Prof.a Me. Juliana Orsini da Silva Equipe avaliadora Vinicius Eiji do Carmo Diagramação e arte final Academia de Letras Maringá Antonio Augusto de Assis Antonio Roberto de Paula Florisbela Margonar Durante Jeanette Monteiro De Cnop Maria Eliana Palma Olga Agulhon Seleção de poesias premiadas Academia de Letras Maringá – ALM Prof.a Me. Adriana dos Santos Souza Revisão Ortográfica Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Biblioteca – UNIFAMMA – Maringá – PR., Brasil)


CONVERSA COM O LEITOR Caro leitor, Antes que inicie sua leitura, permita-nos dirigir-lhe algumas palavras. Sentimo-nos na obrigação de explicar-lhe como esta pequena obra foi concebida e gestada ao longo dos últimos cinco anos. Trata-se de uma coletânea das poesias selecionadas nas cinco primeiras edições do concurso “Varal de Poesia UNIFAMMA”. Esse concurso cultiva o pensamento e as ações em prol do bem viver, por meio da arte da palavra. Na nossa sociedade, a comunicação interpessoal é cada vez mais formatada e regulada de acordo com as possibilidades da máquina, mais precisamente de programas computacionais que, do modo como são produzidos e explorados na sociedade contemporânea, atendem em primeiro lugar a interesses econômicos. Como escreve Herbert Marcuse, eminente filósofo da Escola de Frankfurt, “a funcionalização da linguagem a repelir os elementos não conformistas da estrutura e do movimento da palavra”. Nesse âmbito, espaço como este, criado pelo Varal de Poesias, no qual se pode expressar livremente ideias e sentimentos, é cada vez mais escasso. O Varal é um convite à comunicação literária e, nessa medida, ao aprendizado; é um convite ao exercício pautado em conceitos elaborados e reelaborados na convivência sociocultural que, por sua vez, se baseiam na capacidade de perceber, de sentir e de interpretar a realidade objetiva e a subjetividade humana. Trata-se, pois, de um exercício que combina razão e emoção, as duas dimensões das quais se ocupa a formação acadêmica que se pretende integral. Mas, trata-se, também, e, principalmente, de oportunizar ao educando e à comunidade externa, o espaço para o poético que, como conclui Marcuse, em sua obra O Homem Unidimensional, está sendo reduzido pela própria forma de comunicação que se apresenta como a mais avançada, ou seja, a comunicação por meios eletrônicos. O projeto Varal de Poesias encontra-se, este ano, na sexta edição e seu alcance e seus frutos chamam a atenção. Nas cinco edições já realizadas, inscreveram-se poetas de quase todos estados brasileiros e, ultrapassando fronteiras, contaram com a participação de poetas oriundos de outros países, entre eles, Portugal, Cabo Verde, Ilha da Madeira, Argentina, Reino Unido, Suíça, entre outros. Reunimos, pois, nesta coletânea, entre os muitos trabalhos enviados pelos poetas, somente os selecionados pela equipe avaliadora e os classificados pela Academia de Letras Maringá. Sendo assim, esta edição divulga as dez poesias finalistas das cinco edições do projeto. E, se este concurso alcançou essa extensão, foi pelo compromisso para com a formação cultural e acadêmica. Compromisso esse assumido pela UNIFAMMA que, encampando o projeto, pondo em prática um compromisso expresso no seu Plano de Desenvolvimento Institucional, qual seja, a educação do ser humano nas suas múltiplas potencialidades. Assumido também pela Academia de Letras Maringá, que tem sido parceira imprescindível nessa caminhada, pelo site A Garganta da Serpente, que cedeu espaço em sua página para a divulgação, e pelos patrocinadores que apoiaram e acreditaram neste projeto. Finalmente, agradecemos à Academia de Letras Maringá – ALM, pela sua participação e seu incondicional apoio. Queremos, nesse sentido, homenagear, com esta publicação, aquele que viveu intensamente a poesia nos anos em que compartilhou sua existência conosco: Antonio Facci, membro fundador da ALM. Além de colaborador e incentivador do projeto, fez-se ícone, permitindo-nos partilhar de sua experiência literária.


Nossos agradecimentos ao Mantenedor, Sr. Evandro B. de Freitas Oliveira, pelo incentivo ao projeto, aos poetas que responderam ao nosso convite; à Direção Geral da Faculdade, por consider o potencial formativo do projeto; à Coordenação de Pesquisa e Extensão, pela maneira competente com que atuou e atua na condução dos projetos; aos docentes, discentes e colaboradores da Instituição que se empenharam na realização do projeto; e, àqueles que trabalharam para que esta Antologia Poética se tornasse realidade.

A todos, boa leitura. Marilsa do Carmo Rodrigues de León (Org)


SUMÁRI O A Arca esquecida A noite e o violeiro A palavra morta A poesia Abandono Aborto Açucena Anonimato Carência ... Catástase Constantemente Corda Bamba Desacordo Encontro EnTerrar Esboço Espólio Eu acredito em você Existencial Faces de Deus Frente e Verso Guerreiros do Ouro Verde Habitação Humanização Infinito Instantes Iolanda Letras Liberdade me sacia O Alquimista Kafka O ciclo que a biologia não estuda O sol Ouvi... Palavras Paralelas Persistência Plasticidade Por entre as estantes antigas Revelado na fotografia Risque e Rabisque Romper o velho Sábado de inverno Ser tão Severino Solidão Solista Zunideira Soneto da boa morte Taças quebradas Teu cheiro Valha-nos Deus Vozes do além

Darcy Ribeiro da Cruz Vera Maria Puget Blanco Bao Marcio Dison da Silva Regina Habeck cSimone Alves Pedersen arla Cristina Santana Pozo Sergio Amaral Silva Claudete Aparecida da Cruz Damaceno Iná de Fátima Araújo Siqueira Isis de Miranda Von Schiffler Maria Gertrudes Horta Grego Renata Paccola André Luiz Alves Caldas Amóra Luiz Gondim de Araújo Lins Rômulo César Lapenda Rodrigues de Melo Tatiana Alves Soares Caldas Fátima Soares Rodrigues Flavia Freitas Iná de Fátima Araújo Siqueira Hercilia Boti Valquíria Gesqui Malagoni Hiulda Ramos Gabriel Abílio Pacheco Maria Guilhermina Kolimbrowshey Paulo Franco Rosana Dalle Leme Celidonio Jael de Souza Carolina da Conceição Caínço da Silva Taveira William Antonio Borges Emanuel Tadeu Medeiros Vieira Rafael de León Carvalho Regina Habeck Dari Pereira Márcia Cristina Grossi Quenca Adauto Elias Moreira Isabel Florinda Furini Maria Apparecida Coquemala Thiago José Rodrigues de Paula Mizael Garcia dos Santos Geraldo Trombin Railda Dias da Silva Gislaine Santos Borgognoni Rômulo Cesar L. Rodrigues de Melo Luiz Gondim de Araújo Lins Carlos Alberto de Assis Cavalcanti Carlos Alberto Barros André Telucazu Kondo José Cacildo Silva Cosme Custódio da Silva Sandra Regina Calçavara Baptista

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A ARCA ESQUECIDA* Darcy Ribeiro da Cruz (Rio de Janeiro, RJ) Meus dedos mergulharam tateando e foram encontrando nexos antigos. Um relógio de bolso com o mostrador de louça rachado o único ponteiro ( era o das horas), perdido na sua demência, incapaz de orientar­se no círculo romano. Perdera sua lucidez

mantida por todo um passado. Agulhas desamparadas, um dedal, um ovo de madeira saudosos da missão de cerzir meias, um pente empenado de chifre ( que cabeleiras decifrou diante do espelho?). Um resto de novelo de lã com uma agulha fincada ( deu para fazer o suéter amado, o casaquinho do bebê?). Uma dentadura desdentada ( que a princípio achei que ria do meu espanto), solicitava­me na sua ressequida desesperança um copo de água, pelo amor de Deus, para que pudesse repousar na paz eterna. Meus dedos fugiram e eu fugi daqueles olhares que me chegaram de longe, ecos de fundo de tumba. Duas bolinhas de naftalina correram buliçosas, quando fechei a gaveta para aquele meu passado.

• Poesia classificada em 1º lugar, III Varal, 2008.

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A NOITE E O VIOLEIRO* Vera Maria Puget Blanco Bao (Rio de Janeiro, RJ)

Na noite clara, em companhia da Lua, O homem cavalga, quase solitário. O silêncio é total, mas povoado dos sons da mata, da noite, da vida escondida no verde, no negro, no ar. De repente, a lembrança da viola ao ombro, o faz estremecer, não de medo, mas de prazer. Ágil, acomoda o instrumento atravessado no peito e toca. Dedilha notas finas, agudas em que lembra as noites românticas, a companhia da mulher morena, cujos cabelos de seda se derramam sobre seu peito nas noites tranquilas. E assim se combinam os sons da Natureza e aqueles que ele produz com seus dedos, seus olhos, seu coração. E uma orquestra invisível acompanha, obediente. Os pássaros, expectadores, aguardam o desfecho para iniciarem a grande ovação.

• Poesia classificada em 1 0º lugar, III Varal, 2008.

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A PALAVRA MORTA* Marcio Dison da Silva (Florianópolis, SC)

A Palavra está ferida, estatelada na contramão do neologismo despedaçada pelo acidente da tecnologia. Ei-la, em estado de choque contaminada pelo vírus da abreviação sob o jugo da bactéria da ignorância. A Palavra está numa praça de guerra: a gíria invadiu o território do verbo fuzilou os fonemas, alvejou a análise sintática e estourou os miolos da morfológica. Do latim vulgar derivada, a Palavra escrita é simulacro de língua. Misto de cacófatos , incultos e estúpidos permanece à espreita todos sentados ,na ante-sala da tirania soletrando em desarmonia Vivemos a era da busca da Palavra perdida hegemônicos no vácuo primogênitos no espaço planeta árido colecionando línguas mortas: A última flor , pálida como um fantasma. De Apeninos cordilheira a Tirreno Mar a Palavra pede socorro em minúcias como pediram um dia o sânscrito e o hebraico e as línguas de tupis, incas e maias soterradas pelo Império da Morte: Frases baldias pouco lembradas porém noctilúcias. Chora tua face um choro convulsivo e demente vogais níveas consoantes lívidas cadáveres de sentenças e orações O irrecuperável arcaísmo no féretro da Palavra Morta.

• Poesia classificada em 3º lugar, V Varal, 201 0.

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A POESIA* Regina Habeck (Engenheiro Beltrão, PR.)

Ó poesia indefinida, inédita, radiosa, Nas formas desiguais nos caminhos infinitas Canta a emoção do mundo ao caminho das estrelas Também em nome de toda a raça humana. Imensos caminhos acariciando as distâncias Sua presença como uma carícia leve, Brotando, rompendo, inundando o universo! Que invade e deslumbra a Literatura. Conforto e consolação emergindo na crença Mas num instante, chegas de mundo distante, Cantando a suave cantiga numa doce esperança, És a mansa canção nos momentos de paz. Ó Poesia! És imenso como o céu, Profundo como o oceano, Dura e profunda, Silenciosa e bela! Poesia tem astro mais brilhante e Nuvem mais macia, Tem semblante próspero e fecundo Tanta ventura e tanto bem nos traz! Estabeleces cintilantes em nossos corações.

• Poesia classificada em 4º lugar, I Varal, 2007.

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ABANDONO* Simone Alves Pedersen (Vinhedo, SP)

Você partiu sem despedidas nem explicações Eu busquei respostas no passado que preenchessem o vazio O porta-retrato no lixo eu recuperei Um pijama que não será lavado Mosaico da tua presença impregna os sentidos Lembranças de frases jogadas: “Controladora...” “Enruga as minhas asas...” “Vai: destranca a gaiola...” Era um ninho aberto Você não sabia? Enruguei minhas asas por que quis Subi grades imaginárias Em minha volta Agora Não beijarei flores vermelhas voejando, Caminharei por becos imundos, sozinha Sem você, não sou borboleta Sou lagarta, agarrada, desconfiada Do que tenho medo? Não é medo de cair. É medo de te ver voejar em outro jardim.

• Poesia classificada em 7º lugar, IV Varal, 2009.

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ABORTO* Carla Cristina Santana Pozo (Mogi das Cruzes, SP)

Abortei. Tudo que não queria. Não sou obrigada a regar semente que não semeei. Abortei. O medo que sabotava. A dúvida que congelava. Opiniões, querendo semear em mim desejos que eu não tinha. Fortaleci. Cuidei de mim. Escutei a minha voz arraigar. Aí sim! Pari. A luz que estava em mim.

• Poesia classificada em 4º lugar, V Varal, 201 0.

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AÇUCENA* Sergio Amaral Silva (Guarujá, SP)

Açucenas verbena no pasto se me afasto, morena, é ruim. Nesse feno, veneno de rasto cheira a mato, limão, meu capim. Teu olhar, feito mar, cachoeira, corredeira a alagar meu juízo. Qual coral (pedra ou cobra certeira) fere fundo, bem mais que o preciso. Vê a sorte, o corte, a ferida, sente a vida a pular no meu peito. Sem ter norte, é de morte a partida que ora jogo, escravo do meu jeito. Se no entanto, de canto me fitas, e desdita então sabe a alecrim. Rio tanto, até canto catitas meu terreiro se muda em jardim!

• Poesia classificada em 9º lugar, II Varal, 2008.

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ANONIMATO* Claudete Aparecida da Cruz Damaceno (Maringá, PR)

Eu, um ser anônimo De anseios reprimidos Escolhidos, deprimidos. Ações e pensamentos Inibidos... Escravo em todos os sentidos Acato o desafio... Abro os braços E a liberdade pousa sobre mim...

• Poesia classificada em 8º lugar, IV Varal, 2009.

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CARÊNCIA*

Iná de Fátima Araújo Siqueira (Bacpendi, MG)

Em dias como este, em que o azul do céu me inebria e nem me faz orar eu te queria por perto... No peito obscura paisagem refletida ofusca tudo o que eu sonho certo: meu Oásis bom minha guarida Ventos maus anunciam em lúgubres cantigas de deserto uma saudade sem jeito e dunas de pálida desesperança invadem os espaços sufocando a vida cobrindo conceitos destruindo sonhos que eu criei na tecelagem do meu Carinho sempre tão velado e contido (mas às vezes tão perdido nos confins de desencantos)... Em dias como este (tantos) em que o olhar atravessa as coisas tão sonhadas este gosto de Nada confirma as lonjuras do Amor... Na aridez deste tempo em que vago incerto eu te queria bem perto pra saciar esta infinita sede de Ternura e seres meu Oásis no deserto...

• Poesia classificada em 7º lugar, II Varal, 2007.

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CATÁSTASE*

Isis de Miranda Von Schiffler (Maringá, PR)

Me pergunto por quê, Quando o circo pega fogo Os palhaços se reúnem E atiram madeira ao fogo. E por que sempre leva a culpa A parte mais fraca? O tolo. Por que sempre tentam destruir A felicidade alheia? E é sempre o mais próximo Que primeiro fogo ateia? Quando não há confiança, O silêncio é o melhor amigo. E enquanto não há amigos, O silêncio é um perigo. O abismo está sempre ali, É só olhar pro lado. Mas a colombina não faz a pirueta, Ela sabe que o caminho é amargo, Não tanto como o caminho à frente. Mas nesse mundo louco, Os sãos são os doentes. Nada aqui faz sentido, Esse mundo é uma loucura, E o motivo apontado para isso É a suposta falta de estrutura. E ela segue, segue sempre, Meio triste, meio contente. Dizem eles que isso é sina, Mas eles não podem compreender O que vai no coração da colombina.

• Poesia classificada em 1 º lugar, II Varal, 2007.

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CONSTANTEMENTE...* Maria Gertrudes Horta Grego (Guaratinguetá, SP)

Foi surgindo de repente... Refazendo corpo e mente... Adoçando-lhe o sabor... Sabia ser permanente, Muito mais tão insistente Superou-lhe toda dor... Foi vivendo mais contente Descobrindo de repente A razão de seu labor... Plantara constantemente, Hoje tem por permanente Um profundo e eterno amor!!!

• Poesia classificada em 6º lugar, II Varal, 2007.

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CORDA BAMBA* Renata Paccola (São Paulo, SP)

Vivendo com a corda no pescoço, acabo pendurando em toda parte, deixando o cobrador em alvoroço, tentando achar a fuga para Marte. Troquei minha azeitona pro tremoço; se alguém compra um jornal, peço um encarte. Na briga com cachorro por um osso, eu faço um bom acordo e ele reparte. Nos dias de verão, eu chego à praia, e nado numa bóia que me emprestam, pensando que navego numa escuna. Mas não trabalho e vivo na gandaia, pois minhas cartomantes sempre atestam que um dia vou herdar uma fortuna!

• Poesia classificada em 7º lugar, III Varal, 2008.

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DESACORDO* André Luiz Alves Caldas Amóra (Rio de Janeiro, RJ)

O poeta de uma aventura perdida, Que alça seu vôo sem circunflexo, Cujo heróico sem acento Assenta-se nos perdidos hífens Da confusão das reformas Que destroem sua pena, Que pára para sempre seus agudos, Arrancando-lhe os pêlos pelo peito, Ensurdecendo o grito de liberdade Dos tristes tremas, que tremendo, Na imensidão do rio do esquecimento, Choram e suplicam por seu silêncio, Trava num trava-língua de lamentos.

• Poesia classificada em 5º lugar, V Varal, 201 0.

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ENCONTRO* Luiz Gondim de Araújo Lins (Rio de Janeiro, RJ)

Envio-te letras, palavras, linhas que se mantiveram sozinhas por ausência completa de endereço. Mando também a intacta emoção oriunda de um guerreiro coração que se negou a pagar qualquer preço. Remeto, ainda, singela expectativa que sobreviveu a cada esquina de cada encontro incompleto. Anexo restos de sonhos delirantes, que já vão longe, tão distantes, jamais ultrapassaram chão e teto. Junto esperas prolongadas de insones, infindáveis madrugadas em leito de parcas opções. Acrescento a extensão de minha metade que se unirá a tua, de verdade, compondo, enfim, a mais bela das canções.

• Poesia classificada em 8º lugar, II Varal, 2007.

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ENTERRAR?* Rômulo César Lapenda Rodrigues de Melo (Recife, PE)

Não temos tempo, aprendam, definitivamente, milênios se passaram omissos à destruição do planeta Terra, defunta, multimorta, quase podre (pode?). Não temos alento, percebam, paulatinamente, geleiras escorregam sem graça estufando tsunamis desgraças em corpos que nunca se acham (sofrem?). Não temos vergonha, ouçam, atentamente, o som do desespero que destrói, aos furacões até o Jazz se cala, silêncio, Nova Orleans impotente (inocente?). Não temos escolha, amém, cuidadosamente, a Terra não é só nossa, respeitem os outros que dela precisam, são muitos, não só olhem os próprios umbigos (egoísmo?). Não temos pena, mas agora chorem, copiosamente, pelos mares, pela fauna, pela flora que apelam e tudo definhando sufocantemente (indecente?). Não temos alma, guardem, solenemente, roupas negras de luto, insepulta a Esfera, pois não mais haverá terra para os enterros (medo).

• Poesia classificada em 7º lugar, V Varal, 201 0.

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ESBOÇO* Tatiana Alves Soares Caldas (Rio de Janeiro, RJ)

A gente morre um pouco em cada poço Em cada fosso Em cada passo Em cada faço A gente morre um pouco em cada poço Um pouco Um mouco Um louco A gente morre um pouco em cada poço Ficando no osso Quebrando o pescoço E vendo que a vida foi só um esboço

• Poesia classificada em 9º lugar, IV Varal, 2009.

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ESPÓLIO*

Fátima Soares Rodrigues (Curitiba, PR)

Mais que uma revelação do espelho Percebo que envelheci. Envelheci Na forma de encarar O mundo, O amor, Os homens. Antes, Minha paciência me permitia: Perdoar mais, Discordar menos, Igualar valores; E a minha impaciência: Correr atrás da felicidade E não adiar a alegria. Hoje, Contento-me com as migalhas, A mim, ofertadas De carinho, De presença, De partilha... De tudo Restou-me a sabedoria Do silêncio.

• Poesia classificada em 2º lugar, II Varal, 2007.

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EU ACREDITO EM VOCÊ...!*

Flavia Freitas (Rio Grande, RS)

Quando senti sede, Lembrei-me de tua sede. Quando senti fome, lembrei-me de tua fome. Quando estava ferido, Lembrei-me do teu sangue. Quando pensei em desistir, lembrei-me do teu cansaço. Quando titubeei, Lembrei-me de tua queda. Quando insisti, lembrei-me de tua força. Quando chorei pelos caminhos, lembrei-me das pedras que desviastes. Quando condenaram-me, Lembrei-me de tua cruz. Quando pensei em acovardar-me, Lembrei-me dos corvos e da tua coragem. Quando estava afogando-me, Enxerguei você e aprendi a nadar. Agora venci! Apaguei toda a dor, Pensei em você. Obrigada Senhor!

• Poesia classificada em 8° lugar, V Varal, 201 0.

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EXISTENCIAL* Iná de Fátima Araújo Siqueira (Macpendi, MG)

Difíceis tempos no coração... Há uma estranha paisagem Ofertada aos Sonhos imposta por um certo deus (com certeza pagão)... Na garganta sedenta espinhos machucam em agudos abrolhos E os olhos antes bons e felizes se turvaram em nuvens de escuros matizes (será que a tristeza tem cura?)... E a tímida ternura se evade nos labirintos interiores de insondáveis mistérios (enigmas gregos) Ah.. São tantos mas tantos os sustos – estigmas as cicatrizes – espantos os desassossegos... Na gaiola estreita do peito o amor contrafeito é pássaro prisioneiro que se debate e esvoaça e asas e penas espedaça e se arrebenta por inteiro de encontro às paredes invisíveis às grades impassíveis do Ser E a existencial angústia insiste Persiste e não passa É dolorido viver...

• Poesia classificada em 1 0º lugar, II Varal, 2007.

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FACES DE DEUS* Hercilia Boti (Maringá, PR)

Infinito... Infinito... Céu, terra, lua, sol, estrelas, planetas, mares, rios, florestas, desertos... Paro, penso e vejo todas essas imagens. E a face de Deus onde está? Mais um tempo... Chuva, muita chuva... Água correndo montanha abaixo As pedras rolando Os barcos balançando As ondas movimentando num grande salto para o alto. E a face de Deus onde está? Sem parar vejo agora O fogo arder na floresta, morro acima, o calor é sufocante. Bichos correm para todos os lados, guiados por Deus, Rastejam os répteis em busca de uma toca salvadora Os pássaros voam para o norte e para o sul, Sem saber que para salvar-se terão que voar bem alto. E a face de Deus onde está? Em cima de um rochedo, vejo o mar e o céu Os dois se encontram no horizonte Ondas calmas espelham as pequenas chamas de nuvens As estrelas brilhantes A lua sempre pronta a nos mostrar a imagem do guerreiro. E a face de Deus onde está? Penso... Dentro das águas, quanta vida Quisera poder estar lá junto aos cardumes de sardinhas Perto do cavalo marinho A ostra dando seu rico espetáculo As algas escondendo os mais belos exemplares de seres marinhos. E a face de Deus onde está?

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Na praça da cidade a variedade de espécies e cores de flores enfeitam os jardins Onde também compõem as belas palmeiras e os frondosos pés de figueiras e os jequitibás. O gramado mais parece um tapete, todo desenhado para enfeitar ainda mais o recanto encantado Construções feitas pelos homens crescem imponentes, acima de nossas cabeças, parecem querer chegar no céu. Movimento de veículos de locomoção para dar conforto a população Tecnologia, cada vez mais aperfeiçoada, e o homem cada vez corre mais, e mata mais. E a face de Deus onde está? Violência e amor... Um parâmetro desolador. Onde ficamos neste dilema? Como encontrar a paz no espírito? Sombras negras relampejam entre os seres inocentes, quando percebem já fazem parte deste emaranhado na teia da aranha. E a face de Deus onde está? Olho para o céu, a estrela cadente parece querer chegar nas minhas mãos, mas sei que este raio é o sinal de seu final de luz. Vejo também o velho ancião sobreviver um pouso mais do tempo que lhe resta de sua vida. Assim, observo tudo ao meu redor, chegando ao final da existência. Em compensação deparo, também, com outros seres nascendo e crescendo e contemplando o ciclo da vida. E a face de Deus onde está? Não vejo a face de Deus! Como pode ser isso? O bebê rosado e rechonchudo, sorrindo para o mundo, Os olhos cegos da velha senhora, A orquídea lilás, esplendorosa em sua beleza, As folhas que caem das árvores, Os anfíbios que precisam da água para viver,

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As aves, quanto mais coloridas, mais belas, O cantar dos sabiás invadem as florestas, Os animais em busca de seu alimento diário, A linda modelo na passarela, O deficiente sempre feliz, O tetraplégico sempre tentando dar um impulso para frente. E onde está a face de Deus? Onde encontrar a face de Deus? Olhe, observe, medite, pense, deixe seu coração fluir... fluir Ponha sua fé no mais alto grau e sinta esta fé no mais profundo do seu coração, assim verá que Deus lhe acompanha e sentirá que Deus está em tudo e em todos. Porém, a face de Deus jamais alguém viu. Aprofunde-se, quem sabe você poderá ver a FACE DE DEUS!

• Poesia classificada em 5º lugar, I Varal, 2007.

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FRENTE E VERSO* Valquíria Gesqui Malagoni (Jundiaí, SP)

Novo século, outro mal da penumbra se alevanta. Haverá sempre afinal um que à vida desencanta; um que a morte chama à cova; um que a angústia a sós digere; há quem inda à noite prova solidão que morde e fere. Para tanto céu – a terra! Para a dúvida – um amém! Dorme a paz – retorna a guerra! Frente – o ódio; Verso – o bem!

• Poesia classificada em 6° lugar, V Varal, 201 0.

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GUERREIROS DO OURO VERDE* Hiulda Ramos Gabriel (Maringá, PR)

O estalar do machado na árvore se ouvia, Sem medo, e ardente o desbravador corria, Na sede da vitória, o cansaço vencia, No vento cortante do inverno sofria. No incessante trabalho, por dias e anos, Na terra barrenta e escorregadia, Homens de todo o tipo, e mulheres se viam, Por entre as derribadas, que povoariam. No dia a dia o valente incansável, Deixou o sonho do conforto um dia, Em terras estranhas seus pés pisaram, Valentes guerreiros da força e da paz. De machado e enxada na mão, No invencível gigante para o dominar, Luta diária, campo de guerra, Entre insetos e répteis, traiçoeiros. A voda do pobre, e não bandoleiro, Enfrentou ó sofrimento, altivo e ligeiro, Deus compadeceu do seu filho aventureiro, Dando alívio, na dor e no anseio. Dias melhores viria para o guerreiro, Por entre peroba, marfim, cedro, e monjoleiro, Figueira, pinheiro, coqueiro e palmito, A esperança do porvir por dias afora. Cantando a terra, o verde e a glória, Na corda da viola, chorosa lembra, Dos pais e amigos que longe deixou, E por um amor que distante ficou. 33


Contando as saudades e mágoas vividas, Abençoado és, o futuro é agora, Que a paz do passado seja a glória do futuro, Não teme o perigo, tenha esperança. Aqui solitário, driblando a saudade, Com nó na garganta, e aos olhos invadem, Lágrimas insistem em rolar em sua face, A dor que maltrata teu ser agora. Só o tempo transformará em cicatriz A dor deste caboclo que outrora era feliz Um sonho de vida traçado te espera, Avante valente, limpa tua terra. Do verde alto das densas matas, Ao baixo verde café colossal, O ouro verde irrompeu no Paraná, Terra bendita do Novo Mundo. Na terra que ajudou a transformar, Norte Novo, todos queriam conquistar, Imigrantes valorosos, e muito sagazes. Em busca de sonhos, com ares faceiros, Das matas só restou o progresso, Teu nome na história, sempre lembrado, A cada geração, descendentes deste torrão, Transformou, plantou, arrancou, colheu saudades. Do desbravador que passou, Deixou a semente da vida, que nasce e cresce, Ergue o brado de vitória. Esta é tua glória! Transformou a floresta em celeiro.

• Poesia classificada em 6º lugar, I Varal, 2007.

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HABITAÇÃO*

Abílio Pacheco (Belém, PA)

Há um silencio seco percorrendo as paredes da casa: Ratos roem roupas sujas esquecidas nos sofás, fazem seus ninhos entre nossos tecidos e mijam nas louças adormecidas sobre a pia; Baratas revoam sobre a mesa da sala insetos burocráticos, bibliófilos, alfarrábicos, que se fartam nos papéis, cartas, revistas e jornais que há dias estão reunidos na mesa de jantar; Grilos entoam acordes de árias desafinados e muriçocas lhes riem finos gargalhos; Formigas carregam as migalhas da última ceia da ceia de ontem, da ceia de sempre; Uma única mariposa tenta a morte em vão na luz da sala; E aranhas ressecadas nos telhados podres permanecem estáticas à teia urdida Enquanto os gatos, os cães, os homens estão perdidos pelo mundo.

• Poesia classificada em 4º lugar, II Varal, 2007.

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HUMANIZAÇAO* Maria Guilhermina Kolimbrowshey (São Paulo, SP)

Nem mesmo a polifonia da mídia das manchetes do medo da violência nas esquinas nos lares nos campos no asfalto impedirão que hoje em dia ainda haja rosas ainda haja estrelas no olhar calado do esquecido que não sabe que não grita procura mãos fortes mensagens de paz busca a vida que emerge do silêncio que fala e redescobre no avesso do espelho a face humana reconciliada com o idioma do tempo na licença concedida de ser gente.

• Poesia classificada em 9º lugar, III Varal, 2008.

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INFINITO* Paulo Franco (Ribeirão Pires, SP)

Sobre uma parte do que sei, escrevo e se não sei, me calo. E do que escrevo, uma parte, eu nem sei, e mesmo assim, às vezes, falo. Sobre o que sinto uma parte escrevo pra tentar saber o que de mim eu minto. E nunca sei se escrevo a parte que me cabe do que sei de mim e, às vezes, calo pra fingir o que não sinto. E sei que do que sei, à parte, no que escrevo, parte não me cabe já que eu só pressinto.

• Poesia classificada em 1 º lugar, IV Varal, 2009.

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INSTANTES* Rosana Dalle Leme Celidonio (Pindamonhangaba, SP)

Tudo dura um instante... Um toque na corda... - Um som! Um brinde, um susto; Um assopro... - E se apaga a vela, Tudo dura um instante... Um lampejo de memória, Um relâmpago no horizonte, Um beijo roubado, Uma idéia do nada: Tudo dura um instante... Um abrir e fechar de olhos, Uma estrela cadente, Um puxão na linha que amarrava o dente, Uma palma de uma salva, Um tiro de uma rajada: Tudo dura um instante... Um estalar de dedos, O momento do prazer, A pose da foto, Um flash, Um milésimo, Um centésimo, Um décimo: Tudo dura um instante... E um instante dura nada, Mas de instantes Faz-se a vida, Faz-se tudo...

• Poesia classificada em 2º lugar, V Varal, 201 0.

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IOLANDA* Jael de Souza (Pindorama, SP)

Vem-te embora pro sertão Descalçar teus pés no chão Pra banhar-te no riacho E cochilar no meu abraço. Vem tomar leite de teta Da cabrita Violeta, Vem botar a mão no chão Pra cuidar da plantação. Vem coar café no bule E cobrir cama com tule, Vem colher amora preta Tu e o meu cão xereta. Vem viver no meu regaço, O que queres? Tudo? Eu faço! Vou plantar um chão de Ipê Rosa e branco pra você. Pra criar muitas crianças E guardar boas lembranças Nesta casa com varanda Vem viver, Oh! Iolanda!

• Poesia classificada em 3º lugar, IV Varal, 2009.

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LETRAS* Carolina da Conceição Caínço da Silva Taveira (Oeiras – Portugal)

Existem momentos em que as perguntas são inúteis, Em que as palavras podem ser enterradas Juntamente com as vírgulas e os pontos. Os papéis podem voar com o vento, Saboreando o ar que os destrói devagar. As linhas vazias podem ser arrancadas, As canetas podem ser quebradas E os sentimentos podem ser encerrados numa gaveta escura Cuja chave nunca existiu. As borrachas permanecem intactas, Apagando-se a si mesma, Já que não há mais nada que se possa eliminar. As mãos podem ficar inertes, Caídas sobre um corpo que não se move E os olhos podem fixar um ponto escuro Que não se conhece Mas que está lá. E é tão fácil observá-lo. Basta não fechar os olhos. Tudo o resto voa solitariamente, Pelo ar que vive sobre as cabeças que não se movem, Que apenas fixam um ponto, Um ponto que não permite terminar nada, Pois as frases que estavam por terminar já não existem.

• Poesia classificada em 6º lugar, IV Varal, 2009.

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LIBERDADE ME SACIA* William Antonio Borges (Maringá, PR)

Quando eu sabia Não dizia nada Agora não paro para balbuciar minha mente mal amada Gestos de hipocrisia, passei a reconhecer Ser é tão difícil que prefiro não ser Prefiro ter!? Satisfação imediata, que míngua, dali a pouco passa Gostei, comprei, saboreei, enjoei, Agora seleciono títulos de propriedade. Que perversidade! O ser vende a troco de qualquer suposta falsa liberdade É a mais pura verdade ouvir tamanha temeridade de ser, O sei que nada sei é perverso É terrível não saber o universo Não se convencer de nada, já que nada sei. Melindrosa euforia é a do saber Ignorante alegria é ter Imensa lucidez é apenas ser. Sou homem, sou mulher, eu sou ser Eis o que sei Sei que nada sei. A rua é aparentemente reta Não sei Os obstáculos aparecem, tudo muda e enlouquece a ingenuidade do pobre rei

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A rua é aparentemente reta Não sei Os obstáculos aparecem, tudo muda e enlouquece a ingenuidade do pobre rei Majestade de ser é o próprio ser e não a majestade A majestade é nojenta É aquilo que finge não ser igual aquilo que é o verdadeiro ser da majestade. Bom, saber e ser são verbos Ah, isso eu sei! Embora seja tão difícil saber o que ser. A mentira desnuda no futuro o preconcebido O saber se funde no ser e passa a conceber o caminho Aquele da rua reta ou não Aquele do hoje e do agora que sei com plena convicção que nada sei até então Pois sou, não sei Embora sei o que sou no agora, que alegria! Mas sei que nada sei Quando eu sabia Liberdade me sacia!

• Poesia classificada em 1 º lugar, I Varal, 2007.

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O ALQUIMISTA KAFKA* Emanuel Tadeu Medeiros Vieira (Brasília, DF)

Franz Kafka (1 883-1 924), três quilos mais magro, enigmático sorriso no canto da boca, renasceu da repartição do INSS, misteriosa demanda. O velho Franz esperou em cadeiras mofadas, “falta um documento” (voz do sub-burocrata mor) “o carimbo do órgão K”, esperou, envelheceu. Kafka: quieto, longilíneo, gentil e protocolar (como o seu próprio estilo: cartorário – sutil relatório para ser lido nas entrelinhas), contempla uma barata passeando nas bordas do processo, castelos sonâmbulos, Américas perdidas (inúteis caravelas), Esperou mais – sorriso insubornável, Franz Kafka retira-se – plagas que não conhecemos.

• Poesia classificada em 3º lugar, III Varal, 2008.

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O CICLO QUE A BIOLOGIA NÃO ESTUDA* Rafael de León Carvalho (Maringá, PR)

Um novo ciclo começa. João nasceu, o pai bebeu E no bar alguém morreu. Isso não há quem impeça. Pouco tempo passou. João cresceu. A irmã também. O namorado a desonra. Mas o pai ímpio recupera a honra. João bom aluno atento aprendeu. O tempo segue. João namora. O pai também. A mãe protesta. O pai a cala. Um tiro lhe resta. João aprende. O pai comemora. Para João o tempo não pára. Para o pai sim. Parece que João Aprendeu e o pai pálido no chão. Pareceu. Agora João ninguém pára. Para o pai o ciclo termina. Mas outro recomeça. Agora João vai ser pai e o filho vai ser João. O novo João logo crescerá e aprenderá a lição. Isso não há quem impeça. Para João o tempo salta e enquanto assalta Salta atrás de João o filho que aprende a lição. E com um canivete em sua pequena mão não Perdoa João. E o ciclo da vida dá mais uma volta. Estes ciclos da vida nunca acabarão. Já que João e pai sempre existirão Isso não há quem impeça.

• Poesia classificada em 8º lugar, I Varal, 2007.

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O SOL* Regina Habeck (Maringá, PR)

O sol nascente esperança as trevas no horizonte; A noite amedrontada na amplidão; O grande astro alvor que surge atrás do monte Real dominador, entoa esta canção. Murmúrios maviosos da balada eterna, Sorrisos e soluços, hinos, morte, vida. São preces silenciosas que o Universo externa E que a minha alma escuta pasma e comovida. O majestoso sol (um Dom do Criador Que fez a vida, o ar, o céu, a terra, o mar E tudo fez vibrar por imenso amor). Vai esta marcha certa, de canção plangente, De elcandorada luz, sem nunca se apagar. Homenageando a Deus, Senhor Onipotente.

• Poesia classificada em 7º lugar, I Varal, 2007.

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OUVI...* Dari Pereira (Maringá, PR)

Ouvi na mata frondosa muito alegre um tangará cantando a canção maviosa que compõe o sabiá... Ouvi na terra distante um choro de passarinhos, era um protesto vibrante à derrubada dos ninhos... Ouvi falando de paz, Soou como um doce canto, Ela é o remédio eficaz Que tira mágoas e prantos... Ouvi alguém reclamando, querendo só mais sossego, e muita gente implorando apoio ao primeiro emprego... Ouvi o conselho de um monge e o achei mais do que certo: _ Quem quiser chegar ao longe tenha sempre Deus por perto! Cuidar do chão e da terra, olhar o agora e o porvir... Mas falar de fome e guerra Eu não quero mais ouvir...

• Poesia classificada em 2º lugar, I Varal, 2007.

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PALAVRAS* Márcia Cristina Grossi Quenca (Mandaguaçu, PR)

Esvaecem sentidas sopradas ao vento de outono Que derruba mais uma folha na imensidão De um espaço desconsiderável. Esvaecem notórias dissipadas sem rumo Se perdem. Se encontram Se unem... Se ajeitam e se alinham em retas de caminhos Que: Não se bastam e se fecham, Se acham, E desconexas voam livres em pensamentos e cantos, Há quem encontre nexo e sentidos Quando tudo perde o rumo Quando tudo parece perdido...

• Poesia classificada em 1 0º lugar, IV Varal, 2009.

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PARALELAS* Adauto Elias Moreira (Paraguaçu Paulista, SP)

Aprendi duas coisas sobre os números; Coisas que estão nas retas paralelas. Uma é descrição, Outra é emoção. Se só vejo a tangente do ângulo, As duas retas jamais se encontram. Se vejo nelas a direção, Eu me emociono com dois seres Que caminham um grande sonho. Juntos, se vendo, de mãos dadas, No sentido infinito da Criação.

• Poesia classificada em 8º lugar, III Varal, 2008.

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PERSISTÊNCIA*

Isabel Florinda Furini (Curitiba, PR)

Solidão... inverno nas mãos enrugadas. A solidão descompassa o ritmo cardíaco, mutila sonhos, retalha ilusões, soca corpo e alma! Abandono, solidão... Persiste o passado na lembrança. Solidão!... Persistência de ecos e silêncios, alpendre de tristeza, cemitério de sonhos.

• Poesia classificada em 5º lugar, II Varal, 2007.

49


PLASTICIDADE* Maria Apparecida Coquemala (Itararé, SP)

Já fui a medida de todas as coisas. Já fui a juíza das sentenças inapeláveis. Já fui a mais sábia, a mais culta, a mais intelectual de todas as mulheres. A minha medida tinha a exatidão dos pregadores fanáticos. A minha sentença tinha a lucidez dos cérebros iluminados. Meus conhecimentos abrangiam os mais diversos campos, Ciências, Artes, Filosofia, Crenças... Eu era doutora em todas as áreas. Mas o tempo foi mostrando como era plástico meu metro; Tudo se mostrou imperfeitamente mensurável, desde a asa de um inseto até a galáxia distante... Injustas, mostraram-se todas as minhas sentenças, quando imparcialmente examinadas as causas próximas e as remotas do delito, o meio, a genética, o subjetivismo, o espetáculo... Todos os meus conhecimentos se corrigiram ao longo do tempo, mostrando-me socraticamente que a única certeza neste mundo de incertezas é a de que nada sabemos.

• Poesia classificada em 1 º lugar, V Varal, 201 0.

50


POR ENTRE AS ESTANTES ANTIGAS* Thiago José Rodrigues de Paula (Barbacena, MG)

Caminho por entre as estantes antigas Meus pés não tocam o chão Eles pisam é na História dos homens Que o tempo levou sem consideração Procuro por entre as estantes antigas Um amigo, um companheiro, um irmão Encontro nas páginas eternas dos livros Amigos verdadeiros, de coração Busco por entre as estantes antigas Algo que me traga ao peito emoção Encontro nos versos secretos dos poemas As palavras que me abrem para a paixão Ando por entre as estantes antigas Sem norte, sem rumo, sem chão Desnorteado encontro na biblioteca Minha vida e meu coração

• Poesia classificada em 9° lugar, V Varal, 201 0.

51


REVELADO NA FOTOGRAFIA* Mizael Garcia dos Santos (Sarandí, PR)

Eu sou a máquina fotográfica, sou mágica e formosa, quando clico, sei se uma pessoa é má, ou se é bondosa, Ajudo quem entende; também faço meu trabalho, quem me usa compreende, quem é o verdadeiro espantalho. Dentro do estúdio, aparecem pessoas de todos os jeitos... Uns são naturais, outros querem ser perfeitos. Conto a estória de dois agora, no final saberão, é mesmo uma pena, o quanto os dois se amaram. Entra o primeiro no estúdio... Sua mente pensante, seu coração está oculto, suas lágrimas de dentro para fora, olhos que só querem ver o mundo. Por dentro esta pessoa pensa: - Fico parada, bonita e soberba, mas por trás do clarão de um flash, eu tenho medo e tanto tristeza. Não me engano, ou finjo não saber, mas sei que quem clica cem experiência, por dentro pode me ver.

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Uma pose, duas, três... Porém para uma revelação, não precisa a segunda para eu enganá-la outra vez. Copião ou negativo, minha imagem fica guardada, porém por dentro um vazio, procurando uma morada. O que importa o que procuram! Se sorrio, vêem logo minha beleza; não procuro coração sadio, pois o que mais me interessa é a riqueza. Sou agora a máquina... E digo que dentro de uma pessoa existe sim um copião, e sei que por trás de uma alma, tenho agora minha opinião. Que pena, por trás de uma beleza, somente se encontra uma soberba pessoa, mas outros olhos por fora logo a repararão, como o seu tempo voa. Enquanto se desperta, um sorriso de ocasião, mas não se esqueça que por trás de um click, outros olhos vêem o seu coração. De um lado se vê o mundo, de outro se vê o personagem, mas quem clica também entende, qual é a sua verdadeira imagem.

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Mas não é somente isso; quem clica também sabe, que é através de um olhar triste, que se encontra uma verdade. Olha... Olhos atentos e felizes, encontrei uma pose espontânea, pois quando cliquei em seu coração, minha alegria foi instantânea. É por dentro ou por fora? Ou a imagem é vazia? Mas se deste seu coração me lembro, me inspiro com extrema alegria. Só que este é diferente, muitos não vêem a sua beleza; que pena que não entendem, que por dentro é que está sua riqueza. Este amou um dia, alguém cuja sua estória acabei de contar. Esperou do coração dessa pessoa, o que muito tempo vai demorar. Esta era uma estória de amor, e não pude ajudar; fiz de tudo por esse sorriso, mas quem também o amou, até em mim não quis confiar.

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Não critico, não desfaço, de que cuja primeira estória lhe contei, sei que Deus converte assim mesmo quem ama, porque amor em seu coração captei. Eu sou a máquina fotográfica, muitas estórias posso lhes contar; muitos seguem para frente, outros para trás, jamais querem voltar. Sigo outro rumo, bato fotografia de muitos outros, sou amiga de um, sou amiga de todos. Cada um segue um caminho... cada um sua vida vai trilhar; mas essa estória de quem tanto amou, nunca vai terminar. Sempre contei a estória de muitos, mas uma coisa posso esperar, e sei que se Deus viu essa estória de amor, um dia os dois no céu vão se encontrar...

• Poesia classificada em 3º lugar, I Varal, 2007.

55


RISQUE & RABISQUE* Geraldo Trombin (Americana, SP)

Rabisque seu projeto de vida no papel, Risque de ponta a ponta o amargo do fel. Rabisque também seu mais apurado texto, Risque o sofrimento de todo o seu contexto. Rabisque, arrisque com mais tenacidade, Risque da pauta do seu dia a infelicidade. Assim, Entre rabiscos e riscos, A vida se faz, se refaz, Se alinha, se desenha, E sonho, Qualquer que seja, Não se desdenha.

• Poesia classificada em 4º lugar, IV Varal, 2009.

56


ROMPER O VELHO * Railda Dias da Silva (Matão, SP)

Não é preciso importar ideias Para romper o velho. É preciso buscar o novo Na realidade em que se vive No país em que se mora Na Pátria que ama. É preciso romper costumes: A mulher não dança mais balé Não toca mais piano. Pagu... não será mais vaiada Fim a “belle époque”. Os anos loucos já se foram O pedantismo gramatical Não se desfila mais pelos salões. Neste novo século A classe pobre está em extinção... E o preço do feijão? É o caviar dos franceses? O camarão dos burgueses? Sei lá... Sei que a vida é uma rima Emparelhada, interpolada Cruzada, pobre, rica E raramente recitada.

• Poesia classificada em 5º lugar, IV Varal, 2009.

57


SÁBADO DE INVERNO*

Gislaine Santos Borgognoni (Maringá, PR)

Sábado, noite de inverno, o vento esfria meu corpo e também tenta gelar meu coração, Não fosse o calor de teu afeto, o ardor dos teus beijos, gelaria talvez meus sentimentos, A lua faz a noite ficar mais fria, mas o frio da Lua esquenta minha alma, Amo com tal força, que sou capaz tornar verão em inverno, Lua em Sol, instantes em eternidade, Pudesse pedir a Lua, pediria você só para mim, nesta noite fria, noite de inverno, Com você, todas as noites poderiam ser frias, alias, são nestas noites que os corpos procuram uns aos outros a busca de calor, Juntos não veríamos as estações passarem, deixaríamos que o vento soprasse levando nossas razões para qualquer oceano, assim seríamos só sentimentos...

• Poesia classificada em 9º lugar, I Varal, 2007.

58


SERTÃO SEVERINO!*

Rômulo Cesar L. Rodrigues de Melo (Recife PE)

Severino Silva sela sua sela. Sol sertanejo, sem sombras suas. Sacia o suor, semblante sofrido, sente-se sapo ao sal sufocante. Severino senil sobe em sua sela. Segue só sentindo o seco daquela saliva, sem soro ou sumo, sofrendo da sede secular sequelas. Severino sangra sonhos sublimes. Sertão e sua seca sibilina. Cego cede ao sol, sem sorrir, em silêncio, e a sua santinha sincero suplica. Socorro, Senhora do seu Sertão sofrido! Sinos sensíveis sibilam suspensos Soltam-se sabiás, some a sequidão. Os sons da chuva sossegam sãos Sob a sola do sapato sementes surgem. Seu Severino cedo sai sozinho Sabe saudável a sua situação Sugando, sorvendo a seiva do solo. Sentindo o silêncio sombrio do Sertão.

• Poesia classificada em 2º lugar, IV Varal, 2009.

59


SOLIDÃO*

Luiz Gondim de Araújo Lins (Rio de Janeiro, RJ)

E quando a chuva se fez oblíqua, ela percebeu a inutilidade do abrigo... deixou-se molhar e tentou apagar pegadas da ausência. Percebeu de forma aguda, implacável, que solidão independe de companhia; corpo gelado, combalido, buscou consolo na alma: estava fria... Percorreu labirintos de vazios, fustigada por açoites de silêncio, intuiu a resultante das lacunas; por fim, rompeu laços de seus fantasmas...

• Poesia classificada em 6º lugar, III Varal, 2008.

60


SOLISTA ZUNIDEIRA* Carlos Alberto de Assis Cavalcanti (Arcoverde, PE)

Canta a cigarra faceira seu dobrado vespertino, pendurada na madeira de um galho seco e franzino. Cumpre alegre o seu destino de solista zunideira, e nem liga se o seu hino vai zumbir a tarde inteira. Pouco importa se a formiga, por tradição ou intriga, a considera vadia, pois entoa, a cada dia, sua intensa melodia, sem reclamar de fadiga.

• Poesia classificada em 3º lugar, II Varal, 2007.

61


SONETO DA BOA MORTE* Carlos Alberto Barros (São Paulo, SP)

A vida foi a mim mais que suprema, Se fez mais do que bela, mais que intensa. E nesta tarda idade o tolo pensa Que estou a caducar sobre tal tema. Não julgue, ó sábio tolo, que o emblema Que levas em teu peito te dispensa Da vida, aos desamores tão propensa; Da marca, em teu espírito, da algema. Contudo, desamores vêm de amores. E, saibas tu, que muitos tive eu, Amando plenamente, sem favores. Vai, liberta-te! Siga o exemplo meu! E poupe da tua morte as fortes dores De alguém que chega ao fim e não viveu.

• Poesia classificada em 5º lugar, III varal, 2008.

62


TAÇAS QUEBRADAS* André Telucazu Kondo (Jundiaí, SP)

Borbulhas sem ar Uma garrafa ao mar Destinatário sem destino Remetente sem remessa No vidro, aprisionado, Sonhos engarrafados Vagueiam Em um oceano sem vagas Além do horizonte A rolha sacada O vazio jorra Em taças quebradas O nada Preenche O brinde À saudade. Nada bebo E assim mesmo Minha alma sacio.

• Poesia classificada em 1 0º lugar, V Varal, 201 0.

63


TEU CHEIRO* José Cacildo Silva (Florianópolis, SC)

Teu cheiro é feito de céu; de flores que vestem anjos; de botões de primavera; de cor de bambu maduro, com florada de jasmim. Teu cheiro, cheira gostoso, feito leite no café quando a tarde vai embora. Cheira banana madura com pão e café com leite. Aroma de pele e vida, nas ondas soltas do amor. Teu cheiro cheira saudade, do meu tempo de criança, do talco depois do banho. Teu cheiro cheira saudade do pó-de-arroz de outros tempos, nas faces de belas jovens. Teu cheiro me põe mais novo, leva-me à simplicidade. Teu cheiro tem todo o encanto dos pomares e jardins, pulverizados de luz. Teu cheiro nana, embeleza, me acalma, acolhe e seduz.

• Poesia classificada em 4º lugar, III Varal, 2008.

64


VALHA-NOS DEUS* Cosme Custódio da Silva (Salvador, BA)

Senso tenso Dilacerado em dor Sem ter para onde ir Nem mesmo saber se vou Sou verso triste Molhado de lágrimas Sem esperança Vendo morrer o futuro A criança Nas estradas Os carros se encontram Nas ruas As balas se perdem Dos céus Os aviões descambam Despencam mísseis A pomba já não voa Nos quatro cantos Da vida E nos quadros De pintura entristecida A natureza é morta Em mim Degredado filho de Eva É sentida a evidência De que rogar só me resta À Santíssima Providência

• Poesia classificada em 2º lugar, III Varal, 2008.

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VOZES DO ALÉM*

Sandra Regina Calçavara Baptista (Maringá, PR)

“Vozes do além, de quem? De onde será que alas vêm? Eu quero também, estar neste vai e vem!! Materializa, desmaterializa Talvez esteja na lista! Por mim ela passa, por mim não... Aonde vocês vão? Será esta a luta pelo pão? Eu digo que não. Esta talvez seja a prescrição no mais alto posto... ditando os que vão!”

• Poesia classificada em 1 0º lugar, I Varal, 2007.

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INDICE Abílio Pacheco de Souza Adauto Elias Moreira André Luiz Alves Caldas Amóra André Telucazu Kondo Carla Cristina Santana Pozo Carlos Alberto Barros Carlos Alberto de Assis Cavalcanti Carolina da Conceição Caínço da Silva Taveira Claudete Aparecida da Cruz Damasceno Cosme Custódio da Silva Darcy Ribeiro da Cruz Dari Pereira Emanuel Tadeu Medeiros Vieira Fátima Soares Rodrigues Flavia Freitas Geraldo Trombin Gislaine Santos Borgognoni Hercilia Boti Hiulda Ramos Gabriel Iná de Fátima Araújo Siqueira Iná de Fátima Araújo Siqueira Isabel Frolinda Furini Isis de Miranda Von Schiffler Jael de Souza José Cacildo Silva Luiz Gondim de Araújo Lins Luiz Gondim de Araújo Lins Márcia Cristina Grossi Quenca Marcio Dison da Silva Maria Apparecida Coquemala Maria Gertrudes Horta Grego Maria Guilhermina Kolimbrowshey Mizael Garcia dos Santos Paulo Franco Rafael de León Carvalho Railda Dias da Silva Regina Habeck Regina Habeck Renata Paccola Rômulo César Lapenda Rodrigues de Melo Rômulo César Lapenda Rodrigues de Melo Rosana Dalle Leme Celidonio Sandra Regina Calçavara Baptista Sergio Amaral Silva Simone Alves Pedersen Tatiana Alves Soares Caldas Thiago José Rodrigues de Paula Valquíria Gesqui Malagoni Vera Maria Puget Blanco Bao William Antonio Borges

Habitação Paralelas Desacordo Taçcas quebradas Aborto Soneto da boa morte Solista zunideira Letras Anonimato Valha-nos Deus A arca esquecida Ouvi... O alquimista Kafka Espólio Eu acredito em você... Risque & rabisque Sábado de inverno Faces de Deus Guerreiros do ouro verde Carência Exitencial Persistência Catástase Iolanda Teu cheiro Encontro Solidão Palavras A palavra morta Plasticidade Constantemente... Humanização Revelado na fotografia Infinito O ciclo que a biologia não estuda Romper o velho A poesia O sol Corda bamba Enterrar? Sertão Severino! Instantes Vozes do além Açucena Abandono Esboço Por entre as estantes antigas Frente e verso A noite e o violeiro Liberdade me sacia

35 48 22 63 15 62 61 40 17 65 10 46 43 26 27 56 58 29 33 18 28 49 19 39 64 23 60 47 12 50 20 36 52 37 44 57 13 45 21 24 59 38 66 16 14 25 51 32 11 41


Livro de Poesias Unifamma  

versão 2011

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