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Por trรกs da cortina de fumaรงa


Projeto chinês propõe ônibus que anda por cima dos carros

Um ônibus suspenso que anda por cima dos carros. Já imaginou? Uma equipe de pesquisadores chineses colocou a ideia no papel e defende que o projeto pode ser parte da solução para o trânsito terrível das grandes cidades. Quando parado, o Land Airbus, como é chamado, não interrompe o trânsito, pois a parte inferior funciona como

um túnel, “vazada”, em formato de arco – o que os inventores chamaram de design oco. O veículo ocupa duas pistas e permite que carros de até dois metros de altura passem por baixo. Cada “vagão” comporta até 300 pessoas. Os passageiros entram no ônibus via elevador lateral e também são previstas estações fixas de para-

da. Movido por painéis solares e eletricidade, o veículo chega a 60 km/h. Há ainda um sistema que freia o veículo automaticamente em caso de emergência (se houver um acidente à frente, por exemplo). Os criadores dizem que o ônibus suspenso pode diminuir em 30% o trânsito nas ruas e avenidas. Outra vantagem destacada é que a construção da estrutura

para suportar esse tipo de transporte levaria três vezes menos tempo que a construção de metrôs, com custo 10% menor. O projeto é apresentado como “o futuro das cidades”. Você acha que a solução parece viável? Veja o vídeo do projeto e entenda melhor o funcionamento do ônibus:

Obesidade causa danos ao cérebro

Estudo revela que comer demais provoca inflamação cerebral - e pode deixar a pessoa neurologicamente incapaz de controlar seu apetite por Texto Salvador Nogueira e Bruno Garattoni

Todo mundo conhece os riscos trazidos pela obesidade - diabetes, doenças cardiovasculares, menor expectativa de vida. Mas uma nova descoberta está surpreendendo a comunidade científica: a gordura também causa danos ao cérebro. Pesquisadores da Universidade de Nova York estudaram o cérebro de 63 pessoas - 44 delas tinham sobrepeso ou obesidade e as demais

eram magras. A experiência constatou que, nos indivíduos obesos ou acima do peso, o cérebro apresentava duas alterações importantes: tinha níveis mais altos de fibrinogênio, uma proteína que causa inflamação, e menor córtex orbitofrontal - região cerebral que coordena a tomada de decisões. Os cientistas ainda não sabem explicar exatamente como esse processo se

desenrola. Mas apostam no seguinte: obesidade gera fibrinogênio, que gera inflamação, que gera danos ao córtex. E tudo isso gera consequências permanentes - e terríveis. “Essa inflamação, ao afetar a integridade do córtex orbitofrontal, pode reduzir o controle da pessoa sobre seus hábitos alimentares”, afirma o estudo, coordenado pelo psiquiatra Antonio Convit.

Ou seja: indivíduos acima do peso poderiam se tornar neurologicamente incapazes de comer menos. Escravos do próprio apetite. E com dificuldade para se lembrar das coisas. Uma pesquisa recém -publicada nos EUA constatou que a obesidade afeta a capacidade de memorização. A diferença é que, nesse caso, a sequela não é permanente (perder peso reverte o efeito).


Arte à flo

A tatuagem pode ser tanto uma manifestação artística quanto de rebeldia. Conheça seus vário O lugar é asséptico, limpíssimo. Paredes brancas, espelhos, aparelhos de esterilização, luvas descartáveis, gavetas com seringas lacradas e cadeiras de dentista. Num balcão ficam expostos os tubos de tinta colorida. O ambiente seria tão silencioso quanto um hospital não fosse o som psicodélico que agita os corajosos que circulam pela casa em busca de uma das poucas coisas definitivas na vida: uma tatuagem. No estúdio Led’s Tattoo, do paulista Sérgio Maciel, 38 anos, cerca de 50 pessoas são tatuadas todos os dias. Com o verão, que naturalmente coloca barrigas, costas e pernas de fora, esse número cresce. “Tatuagem hoje é status, como se fosse uma jóia. Significa que você é moderno. É sinônimo de personalidade”, diz Maciel. A tatuagem existe desde que o mundo é mundo. O Homem de Gelo, um corpo congelado encontrado na Itália em 1991, que se supõe ter vivido há cerca de 7 300 anos, tinha vários desenhos sobre a pele. A múmia da princesa Amunet, de Tebas, exibe desenhos feitos de pontos e linhas que certamente chamaram a atenção dos egípcios há mais de 4 000 anos. Não se sabe o que aquela tatuagem significava para os nossos ancestrais. Mas é muito provável que ela não tenha sido desprovida de sentido. “O corpo foi um dos primeiros instrumentos manipulados pelo homem

para expressar um significado”, afirma a antropóloga Lux Vidal, especialista em pinturas corporais da Universidade de São Paulo. “Tatuagens, pinturas, mutilações e cortes de cabelo são modos de transformar o corpo para que ele comunique códigos, relações sociais e valores.” As motivações que levam uma pessoa a se tatuar são quase infinitas. Índios de vários países costumam se pintar para, entre outras coisas, assinalar classificações de status entre os membros da tribo. Como em seu local de origem, dispensam as roupas com que o homem branco sinaliza seu poder aquisitivo e valores estéticos, é com tinta e formas impressas no corpo que eles se diferenciam. Os peles-vermelhas, da América do Norte, cobriam o corpo com pinturas em situações de luto ou para ir à guerra. Já na região que hoje corresponde aos países árabes, as tatuagens eram feitas para “proteger” o corpo de doenças e trazer prosperidade. Acreditava-se que a impressão definitiva de desenhos na pele tinha propriedades mágicas. Quando a região foi dominada pelo

Islamismo do profeta Maomé, tatuagens e qualquer alteração no corpo passaram a ser vistas como pecado. O primeiro registro literário da tatuagem data de 1769. Trata-se do relato do navegador inglês James Cook sobre o que viu ao chegar ao Taiti, na Polinésia: os nativos usavam espinhas de peixe finíssimas, ou ossos de passarinho, para perfurar a pele e injetar um pigmento feito à base de carvão e ferrugem. Data daí também a palavra tattoo, versão para o inglês do taitiano tatu (pronuncia-se tatau), que quer dizer, adivinhe, desenho na pele. Ao longo da história as tatuagens também têm sido freqüentemente associadas à punição e a comportamentos marginais. Os bretões, povo bárbaro que habitava a região da atual GrãBretanha, pintavam o rosto com várias cores para intimidar invasores. No Império Romano, os escravos eram tatuados. Na França do século XVIII, criminosos ganhavam uma pintura na pele – às vezes uma marca com ferro quente – registrando o crime que tinham cometido.

Prostitutas, piratas e marinheiros também se tatuam há séculos, como sinal de valentia e para demarcar seus grupos sociais (na primeira década deste século, todo navio que partia da Europa levava a bordo um tatuador). Sereias, caravelas, mulheres, âncoras e sinais patrióticos sempre foram os desenhos mais escolhidos entre os marinheiros. Era comum também as prostitutas levarem uma marca de seus cafetões, como um atestado de propriedade. Em presídios do mundo inteiro, os próprios detentos se tatuam para diferenciar a facção à qual pertencem. O desenho do punhal cravado num coração significa “assassino”. É comum também os presos marcarem o número do crime que cometeram (o número 288, por exemplo, é o artigo referente ao crime de formação de quadrilha no Código Penal Brasileiro). Antigamente, era a própria polícia que os tatuava. Na Inglaterra, cravavam-se as iniciais “BC” – bad character, mau caráter em inglês – na pele dos condenados. “Ao longo do tempo, a tatuagem acabou virando a marca de pessoas marginais, diferentes do resto da sociedade”, diz Mirela Berger, mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo. Hoje isso mudou. Alguns grupos marginais ainda utilizam a tatuagem como código, como os mafiosos japoneses da Yakuza, que tatuam grande parte do corpo como prova de coragem e de


or da pele

os significados ao redor do mundo e ao longo dos tempos fidelidade à gangue. Além da tatuagem, é muito comum membros do grupo terem falanges decepadas como punição por traição. Mas a tatuagem, principalmente nas últimas décadas, deixou de significar desencaixe social. Para muita gente – e gente formadora de opinião, com alto poder aquisitivo e boa bagagem cultural –, tatuagem pode ser apenas uma forma de arte e diversão. “Perdi a conta de quantas vezes me perguntaram se eu vendo drogas. Infelizmente a tatuagem ainda é vista como sinônimo de irresponsabilidade”, diz a analista de sistemas Katia Marcolino, 32 anos, toda tatuada. Essa réstia de preconceito em relação a quem se tatua pode explicar a tremenda irritação que análises psicológicas geram na maioria dos tatuados de hoje. Clubbers, roqueiros, skatistas, surfistas, lutadores de jiu-jitsu, ou simplesmente aquela gatinha que tatuou uma flor de lótus no tornozelo, todos eles detestam ser tratados como excêntricos ou anormais. “Não gosto que me rotulem porque não sou lata de óleo nem vidro de maionese”, diz Katia. De todo modo, certamente uma das razões que conduzem à tatuagem hoje é o desejo de aparecer em público com um visual inusitado. O motorista Luis Cláudio Marangoni, 32 anos, tatuado da cabeça raspada aos

dedos dos pés (“Inclusive lá”, afirma), com motivos que vão de mulheres nuas a morcegos, passando por escrita japonesa, adora pôr uma sunga e sair por aí. Ao seu lado, acredite, qualquer modelo de biquíni passaria despercebida. “Por meio da tatuagem, as pessoas procuram ser valorizadas e consideradas bonitas pelo grupo a que pertencem. Trata-se de uma necessidade de parecer igual e, ao mesmo tempo, diferente em relação aos outros”, diz Sandro Caramaschi, professor do Departamento de Psicologia

“ A necessidade de

com bons olhos. Nem por chefes, nem por pares e nem pelos clientes da maioria das empresas. “Para cargos mais altos, não seleciono pessoas que têm tatuagem. Não soa bem. As empresas sempre dão preferência aos perfis tradicionais”, diz Silvana Case, vice-presidente da Catho, consultoria especializada em selecionar executivos. Em muitas empresas, funcionários tatuados precisam usar roupas amplas e deselegantes para esconder o corpo marcado e preservar o emprego. “No trabalho preciso usar blusas que cheguem até o cotovelo, cubram o pescoço e não tenham decotes. Nas pernas sempre meias grossas”, afirma Kátia. Mas é preciso coragem também para encarar a dor de uma série de agulhas perfurando 3 mm de pele durante horas. O mecânico Flávio Melanas, 28 anos, levou 15 anos para decidir tatuar um dragão no braço. Sem camisa, no estúdio de Sérgio, disfarçava o incômodo de ver o sangue escorrendo pelo braço, evento normalíssimo do pós-tattoo. “O desenho levou quatro horas para ficar pronto. Arde um pouco. A sensação é a mesma de estar tomando uma série de beliscões ininterruptamente.” Para o tatuador Francisco Russo não há motivo para drama. “Quando se percebe que a vida continua depois

se destacar dentro de uma sociedade massificada como a nossa é cada vez maior” da USP. , diz a antropóloga Mirela. “Todos queremos chamar a atenção. E cada um chama a atenção da maneira que mais lhe parece positiva, ainda que isso possa escandalizar quem optou por outros padrões de conduta e de afirmação.” Fazer uma marca definitiva no corpo exige coragem para desafiar normas e encarar preconceitos. Em profissões tradicionais, como advocacia e medicina, braços cheios de desenhos não são vistos

por Mariana Mello da tatuagem, o medo passa”, afirma Russo. E quando o garotão percebe que ter tatuado nas costas o rosto do Axl Rose, líder do Guns n’ Roses, uma banda de rock que fez sucesso no início dos anos 90, foi uma burrada? Segundo Caramaschi, a vontade de chamar a atenção é comum na adolescência, mas isso muda. Depois de um certo tempo, o desenho feito no corpo pode perder o significado: a banda deixa de existir, troca-se de namorada, pode-se até mudar de time. Com o passar do tempo também se desenvolvem padrões pessoais, não mais grupais. E, então, pode bater um arrependimento pesado. “Há uma fila de tatuados arrependidos esperando pelo tratamento de remoção gratuito”, diz Lydia Massako Ferreira, chefe do Departamento de Cirurgia Plástica da Escola Paulista de Medicina (EPM), em São Paulo.   Para saber mais Na livraria: O Brasil Tatuado e Outros Mundos Toni Marques, Editora Rocco   Na Internet: www.tattoo.com


Seitas ufológicas

Grupos messiânicos movidos pela crença na vida extraterrestre arrebanham seguidores mundo afora. Alguns tiveram fim trágico

por Marlene Jaggi

No dia 27 de março de 1997, nada menos do que 39 pessoas foram encontradas mortas numa mansão ao norte de San Diego, na Califórnia, Estados Unidos. Elas haviam cometido suicídio coletivo, levadas pela crença cega em Marshall Applewhite, líder de uma seita denominada Heaven’s Gate (literalmente, “Portal do Paraíso”). Applewhite fez seus seguidores acreditarem que alcançariam a vida eterna se morressem no momento da passagem do cometa Halle-Bopp pela Terra, pois o astro abrigaria em sua cauda uma nave espacial. Fundada em 1970, a Heaven’s Gate é só uma das muitas seitas que se espalharam pelo mundo ancoradas em elementos ufológicos. Na maior parte das vezes, seus líderes se dizem pessoas eleitas por “forças extraterrestres” para cumprir alguma missão na Terra. O ufólogo Vanderlei D’Agostino diz que existem três tipos de líderes de seitas: os bem-intencionados, os que têm algum desvio de conduta (eventualmente patológico) e os literalmente charlatães. Ou seja, não dá para generalizar. Nem todos, é claro, levam a um final trágico quanto o do Heaven’s Gate. A seguir, conheça mais algumas seitas que arrebanharam seguidores com base em crenças e dogmas ligados à ufologia. Movimento Raeliano Fundado em 1975 pelo jornalista francês Claude Vorilhon, que se autodenomina Rael, prega que o ser humano foi criado em laboratório por extraterrestres. Rael, hoje com 59 anos, afirma ter sido contatado e abduzido em 1973

por um ET, que lhe pediu para construir uma “embaixada” na Terra, para receber de volta os alienígenas. O francês teria sido escolhido como o “messias”, destinado a conscientizar a humanidade sobre a necessidade de evolução. A seita tem 70 mil seguidores no mundo. Nos últimos anos, tem chamado a atenção por sua defesa da clonagem humana – tida como um meio de atingir a imortalidade. Há rumores de que a Clonaid, empresa criada por Rael em 1997, já teria conseguido gerar uma menina, clone de uma mulher de 31 anos. Comando Ashtar Baseia-se em supostos contatos realizados entre humanos e um extraterrestre chamado Ashtar Sheran, que seria o grande “comandante intergaláctico”, incumbido de promover a regeneração da Terra. É um movimento forte na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. A figura de Ashtar estaria ligada a mensagens de alerta à humanidade. Nos anos 50, segundo seus seguidores, Ashtar teria entrado em contato com a Terra para evitar que bombas atômicas destruíssem nosso planeta e colocassem em risco o equilíbrio intergaláctico. Projeto Portal A seita foi fundada há dez

anos em Corguinho (MS) por Urandir Fernandes de Oliveira, que se considera um representante dos ETs na Terra. “Tem causado grandes estragos na vida de inúmeras pessoas que o procuram na busca de curas e contatos com ETs”, diz Rafael Cury, presidente da Associação Nacional dos Ufólogos do Brasil. Urandir chegou a ser preso, sob acusação de participar de um esquema de venda ilegal de lotes de terra em Corguinho. Segundo Urandir, o mundo será castigado por uma grande inundação, mas o lugar que ele chama de “A Cidade dos ETs” – onde ficam os tais lotes de terra – estaria imune à tragédia. Lineamento Universal Superior (LUS). Criado pela vidente brasileira Valentina Andrade e por seu marido, o argentino José Teruggi, em Buenos Aires. Segundo eles, só os seguidores da seita seriam salvos do apocalipse, resgatados por naves espaciais. Nos anos 80, Valentina e outros membros do grupo foram acusados de castrar nove meninos de 8 a 14 anos e assassinar seis deles, em rituais satânicos, entre 1989 e 1993, em Altamira, no Pará. “Quando invadiram sua residência em Londrina, no Paraná, encontraram várias fitas de

vídeo em que ela, em transe, dizia: ‘Matem criancinhas’”, conta Rafael Cury. Presa em 2003, Valentina foi julgada e absolvida por falta de provas. Outros quatro acusados foram condenados a penas de 35 a 77 anos de prisão. Grupo Rama Começou no Peru, com os irmãos Sixto e Carlos Paz. Após se desentender com o irmão, Carlos mudou-se para o Brasil e criou um braço da seita, o Grupo Amar (Rama ao contrário). Os irmãos organizavam vigílias para aguardar a chegada de naves alienígenas. Afirmavam viajar com freqüência à Constelação de Órion, onde eram recebidos por ETs. Após denúncias sobre a falsidade desses contatos, a seita caiu no ostracismo. Carlos acabou mudando de sexo e Sixto perdeu credibilidade depois de participar de um programa de TV e ser reprovado por um detector de mentiras. As duas vertentes da seita deixaram de existir no início dos anos 90.Cultura Racional. Foi criada por Manoel Jacinto Coelho em 1935, no Rio de Janeiro, num centro espírita no bairro do Méier. Nos meios usados para sua divulgação, a Cultura Racional cita com freqüência discos voadores e seres extraterrestres. Considera-se um movimento cultural, não uma seita. Nos anos 70 e 80, atraiu milhares de seguidores, entre eles o cantor Tim Maia, que acabou deixando o movimento. Seus princípios se baseavam em um conjunto de livros denominado Universo em Desencanto, considerado por muitos um instrumento de lavagem cerebral.


O que há por trás do Facebook? Por trás da rede social de A Rede Social há 60 mil servidores. E muita fé também: se você comprasse o Facebook hoje teria que esperar 100 anos para o investimento dar retorno. por Vinícius Cherobino e Alexandre Versignassi

Por trás da rede social de A Rede Social há 60 mil servidores. E muita fé também: se você comprasse o Facebook hoje teria que esperar 100 anos para o investimento dar retorno. Mas tudo bem: pelo menos você seria dono do maior álbum de fotos da história da humanidade.

LUCROS MIÚDOS O Facebook divulgou que teve lucro de US$ 355 milhões nos primeiros 9 meses de 2010 - o que leva a uma estimativa de US$ 473 milhões no ano. É pouco para uma empresa avaliada em US$ 50 bilhões. A Amazon, que vale a mesma coisa, deu US$ 900 milhões. A Bayer, US$ 1,9 bilhões. Mas ok: a expectativa dos investidores é que o Facebook logo dê tanto quanto o Google com publicidade online: US$ 2,5 bilhões. Por esse ponto de vista, US$ 50 bi ainda está barato. O Google vale 4 vezes mais. 

1 BILHÃO DE PESSOAS

O Facebook ganha 8 novos membros por segundo. Se continuar nessa toada, deve saltar dos 500 milhões de usuários de hoje para 1 bilhão no começo de 2013. No Brasil são só 11 milhões, contra 50 milhões do Orkut. Só que ele cresce 10 vezes mais rápido que o concorrente pioneiro. Mantendo o ritmo de hoje, o Feice ultrapassa o Orkut lá por abril de 2012.

55 BILHÕES DE FOTOS

A graça do Facebook são as fotos. Não é a gente que está dizendo, mas Mark Zuckerberg, o chefe. São 55 bilhões delas ali. Com isso, o Facebook pode dizer que é o maior álbum online da história - o Flickr, segundo colocado, tem 10 vezes menos. Isso dá uma média de 110 fotos por pessoa. Pouco, até. Mas a coisa deve crescer bem: só na noite de Ano Novo entraram 750 milhões de fotos.

60 MIL SERVIDORES

Essa é a quantidade de máquinas que guardam o conteúdo da rede social - segundo estimativas da indústria, porque o Facebook não revela o número exato. O custo estimado para rodar os 60 mil servidores é de US$ 100 milhões por ano. E vai crescer: a rede social está construindo um data center do zero no Oregon, do tamanho de 26 Maracanãs.  O 10º HOMEM MAIS RICO DO BRASIL Eduardo Saverin, o brasileiro cofundador do Facebook que foi passado pra trás por Zuckerberg, entrou numa batalha judicial contra o ex-amigo e terminou como dono de 5% do site. Isso o deixa hoje como o 10º homem mais rico do Brasil, já que o Facebook está avaliado em US$ 50 bilhões. Com US$ 2,5 bilhões de dólares, Saverin está logo atrás de Abílio Diniz e de Antônio Ermírio (US$ 3 bi cada). E ele tem 29 anos.


Os sonhos decifrados

Por que sonhamos? Para que serve o sonho? Ninguém até hoje matou a charada. Para desvendar um dos maiores mistérios da mente, neurologia e psicanálise agora caminham juntas. por Texto André Santoro Já pensou em visitar um lugar em que as leis da física valem tanto quanto uma nota de 3 reais? Onde você pode beijar uma estrela de cinema segundos antes de sair voando, cair e morrer, para levantar em seguida e ir para o trabalho de pijama? Num universo em que a lógica não tem vez, mas tudo parece fazer sentido – até você acordar e não entender nada do que se passou no momento anterior? Você e a humanidade inteira são habitués desse lugar mental – o domínio dos sonhos. Supondo que uma pessoa passe um terço do dia dormindo e ocupe um quinto do tempo de repouso sonhando, ela passa um fim de semana por mês totalmente desligada do mundo consciente. Em uma existência de 75 anos, os sonhos correspondem a nada menos que 5 anos completos. Apesar de termos tanta familiaridade com os sonhos, poucos fenômenos são tão intrigantes quanto eles. Seus mistérios atormentam o homem desde sempre – e ainda não há nenhuma resposta 100% convincente para esses enigmas. Entre os antigos, os sonhos costumavam ser interpretados como mensagens de outros mundos. Com a psicanálise, ganharam destaque como o caminho mais privilegiado para decifrar o inconsciente. Os avanços científicos mais recentes são promissores: graças ao desenvolvimento das neurociências, já foram desvendados alguns mecanismos cerebrais e funções da experiência onírica. Sabe-se, por exemplo, que os devaneios noturnos ajudam, e muito, a consolidar memórias. Nesta reportagem, você vai acompanhar a trajetória do pensamento humano no maravilhoso mundo dos sonhos. Por enquanto, fique de olhos bem abertos e aproveite a viagem. Ponte para o divino Em 332 a.C., Alexandre, o Grande, tentava invadir a cidade fenícia de Tiro (no atual Líbano). Apesar da supremacia de seu exército, a localização da cidade – que ficava em uma ilha a quase 1 quilômetro da costa – atrapalhou os planos do conquistador. Depois de 7 meses de cerco, os soldados estavam sem ânimo e o próprio Alexandre começou a pensar na possibilidade de desistir da empreitada. Antes de bater em retirada, no entanto, ele teve um sonho enigmático com um sátiro dançando sobre o seu escudo. A imagem da figura mitológica ficou martelando tanto em sua cabeça no dia seguinte que ele resolveu se aconselhar com um guia espiritual que acompanhava suas tropas. Depois de ouvir o relato do sonho, o adivinho o interpretou como um sinal de que o cerco deveria ser ainda mais agressivo, pois a cidade seria conquistada em breve. Ele chegou a essa conclusão após desmembrar a palavra sátiro em duas partes – o resultado foi a expressão sa Turos, que pode ser traduzida do grego como “Tiro é sua”. Alexandre acreditou no guru, fechou o cerco e, dito e feito, invadiu Tiro. Esse episódio foi descrito pelo grego Artemidoro de Daldis na obra Oneiro-

crítica, escrita no século 2 da era cristã, e reproduzido por Sigmund Freud no livro A Interpretação dos Sonhos. Artemidoro e Ambrósio Teodósio Macróbio – pensador latino que viveu entre os séculos 4 e 5 – colheram relatos de pessoas e, após analisar esse material, dividiram os sonhos em duas categorias principais. Na primeira se encaixavam aqueles que reproduziam fatos do cotidiano do sonhador. Na segunda entravam aqueles que traziam alguma mensagem sobre o futuro, que podia se apresentar de forma direta – quando o próprio acontecimento é imaginado – ou simbólica, como o sonho de Alexandre, que precisou ser decifrado para revelar seu conteúdo oculto. Artemidoro e Macróbio são considerados os principais pesquisadores sobre os sonhos na Antiguidade, mas não foram os únicos. Aristóteles, que viveu no século 4 a.C., já falava sobre o assunto em sua obra. “Ele sabia que o sonho converte informações sem muita importância percebidas durante o sono em sensações fortes”, escreveu Freud. Uma pessoa com febre, por exemplo, pode sonhar que está sendo queimada viva numa fogueira. O filósofo também teve outra sacada genial, que seria mais tarde confirmada pelas neurociências: segundo ele, os movimentos corporais que ocorrem durante algumas fases do sono têm relação direta com os sonhos. Os estudos de Artemidoro, Macróbio e Aristóteles revelam uma preocupação pouco comum entre nossos antepassados. O sonho não era visto como uma produção da mente humana, mas como um fenômeno sobrenatural. A mitologia dos próprios gregos, por exemplo, delega a responsabilidade dos sonhos aos filhos de Hypnos, deus do sono, que por sua vez era irmão gêmeo de Tanatos, deus da morte. Entre os filhos de Hypnos estavam o célebre Morfeu, que trazia os sonhos dos homens; Icelus, que provocava os sonhos nos animais; e Phantasus, que despertava sonhos nas coisas inanimadas. Outro deus relacionado aos sonhos era Esculápio, cultuado em templos aonde as pessoas doentes iam para receber a cura divina durante os sonhos. Outras crenças, tanto antigas quanto atuais, atribuem importância ao conteúdo dos sonhos. “A mitologia em que o sonho tem um papel mais fundamental é a das culturas xamânicas”, diz Malena Contrera, especialista em mitologia e professora da Universidade Paulista. Entre algumas, não há distinção entre o sonho e a realidade. No livro O Ramo de Ouro, o antropólogo britânico James George Frazer cita casos como o da tribo macusi, da Guiana: “Um índio doente sonhou que seu patrão o havia forçado a passar com sua canoa por uma série de cataratas e, quando acordou, reclamou que o mestre não teve piedade ao obrigar um inválido a sair e pegar no batente durante a noite”, escreveu Frazer. O autor cita ainda o exemplo dos dyak, indígenas que vivem na ilha de Bornéu

(Indonésia). Eles acreditam que o espírito pode se desgarrar do corpo durante o sonho: “Quando um dyak sonha que caiu na água, ele é enviado a um feiticeiro para que este pesque o espírito de volta”. Também era comum associar os sonhos a mensagens divinas. Em episódios da Bíblia, por exemplo, vários personagens recebem recados de Deus durante os sonhos. No capítulo 41 do Gênesis, José, capturado como escravo no Egito, se apresenta ao faraó como uma espécie de intermediário de Deus. Ele decifra um sonho do soberano, no qual 7 vacas magras devoram 7 vacas gordas. Para José, trata-se de uma mensagem clara: os egípcios deveriam se preparar, pois depois de 7 anos de abundância viriam outros tantos de fome. Só a passagem de todos os anos de escassez bastou para que o hebreu fosse levado a sério – e finalmente nomeado vice-rei do Egito. Pouquíssimo tempo, se comparado à demora da humanidade para adotar uma postura menos mística em relação ao estudo dos sonhos. De Darwin à psicanálise As interpretações sobrenaturais dos sonhos perderam força a partir do século 19, quando a ciência começou a se ocupar mais atentamente da questão. Um dos primeiros indícios dessa transformação está no livro A Descendência do Homem, de Charles Darwin, publicado em 1871. Nessa obra, o autor do célebre A Origem das Espécies, de 1859, faz algumas observações sobre a nossa capacidade de sonhar e sugere que não estamos sozinhos no reino de Morfeu. “Cachorros, gatos, cavalos e provavelmente todos os animais superiores, até mesmo as aves, têm sonhos vívidos, o que é mostrado por seus movimentos e pelos sons que emitem. Por isso devemos admitir que eles têm algum poder de imaginação”, escreveu. Ele acertou na mosca – hoje os cientistas sabem que praticamente todos os mamíferos e aves têm a capacidade de sonhar. Darwin foi contemporâneo de pesquisadores como a psicóloga americana Mary Calkins. No artigo Estatística dos Sonhos, publicado em 1893, ela apresenta um método usado até hoje: durante o sono, quando seus pacientes começavam a mover algumas partes do corpo, ela os acordava e pedia que relatassem o que estavam sonhando. Calkins descobriu, entre outras coisas, que a maioria dos sonhos acontecia na segunda metade do período de sono e que 89% dos relatos tinham relação direta com os eventos do dia anterior. Houve vários outros estudos sobre os sonhos na segunda metade do século 19, mas eles não fizeram muito sucesso. “Descobertas importantes como essa foram enterradas pelo impacto da psicanálise”, escreveram os neurologistas César Timo-Iaria – que morreu no ano passado – e Ângela do Valle, da USP, em artigo publicado em 2004 na revista Hypnos, da PUC-SP. Depois de Freud, de fato, nada seria como antes. O criador da psicanálise inaugurou

um novo campo do saber, distinto da medicina, ao publicar A Interpretação dos Sonhos, em 1900 – a data correta é 1899, mas ele pediu ao editor que alterasse o ano para simbolizar sua pesquisa como o marco de um novo século. Depois de elaborar sua teoria sobre o inconsciente, Freud apontou os sonhos como uma “via régia” ou “estrada real” para o conteúdo oculto em nossas mentes. À noite, depois de fechar os olhos, deixamos aflorar os desejos que reprimimos quando estamos acordados. Mas isso não acontece de forma direta – quem deseja cometer um crime, por exemplo, não adota necessariamente um comportamento ilegal no sonho. Freud atribui ao sonho um caráter simbólico, formado a partir de dois mecanismos básicos: a condensação e o deslocamento, que servem para distorcer o desejo reprimido – ou recalque, como preferem os psicanalistas – e driblar a censura que nos impomos, no sono ou na vigília. A condensação é um processo de síntese (um sonho relatado em um parágrafo pode render muitas páginas de interpretação) e o deslocamento transfere a importância do tema em destaque para outro sem relevância (um marido infiel pode não sonhar com a amante, mas com as cortinas do quarto de hotel onde se encontram). Nas décadas seguintes, a psicanálise foi debatida, modificada e ampliada por vários pesquisadores. Um deles foi Carl Gustav Jung, acolhido inicialmente por Freud como seu discípulo, mas que depois se afastou do mestre e criou sua própria teoria. Inclusive no que diz respeito ao sonhos. “Para Jung, o sonho é um mecanismo compensatório da psique, e a realização de desejos reprimidos é apenas um aspecto dessa compensação”, diz a psicóloga Marion Gallbach, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. Ela dá um exemplo para ilustrar o conceito: “Pessoas na meiaidade que insistem em cultivar a juventude tendem a sonhar com a morte ou com símbolos relacionados ao envelhecimento, como a descida de uma montanha”. Só assim elas caem na real e começam a perceber que a vida, um dia, vai acabar. Outro conceito difundido por Jung foi o de inconsciente coletivo, que contém representações compartilhadas por todos nós – os arquétipos. “O arquétipo materno, por exemplo, é uma predisposição inata para reconhecer a figura da mãe, mesmo quando nascemos e não sabemos o que é uma mãe”, diz Marion. E o que os arquétipos têm a ver com os sonhos? Para Jung, eles ajudam a explicar alguns fenômenos que, vistos de outro ângulo, podem ser considerados sobrenaturais. Um deles é a sincronicidade, ou a ocorrência de sonhos semelhantes em pessoas sem nenhum vínculo. Como já nascemos com várias imagens moldadas em nossas mentes, é razoável imaginar que muitas delas podem se expressar ao mesmo tempo em indivíduos diferentes. A teoria psicanalítica teve o mérito de desvendar os mecanismos e funções do


sonho para, a partir desse conhecimento, permitir o tratamento de distúrbios de comportamento, certo? Não, nem todos pensam assim. “Não acredito na psicanálise como técnica de terapia. Os sonhos revelam alguns conteúdos da vida do indivíduo, mas o fato de relatá-los não cura ninguém de nada”, diz Ângela do Valle, da USP. O psiquiatra Robert Stickgold, da Universidade Harvard, nos EUA, pega mais pesado: “A psicanálise parte de premissas injustificadas e equivocadas, como a de que os sonhos refletem desejos reprimidos. Não há nenhuma evidência real de que isso esteja correto”. Os defensores da psicanálise, é claro, discordam. Mas o fato é que, 14 anos após a morte de Freud, em 1939, os estudos da neurologia jogaram um balde de água fria na interpretação subjetiva dos sonhos. O ataque científico O ano de 1953 foi especial para a ciência. Em abril, James Watson e Francis Crick anunciaram na revista Nature a descoberta da estrutura do DNA. Em setembro, Nathaniel Kleitman e seu aluno Eugene Aserinsky, da Universidade de Chicago, publicaram um artigo na revista Science que revolucionou os estudos sobre sonhos. Eles descobriram que, durante várias fases do sono, nós mexemos os olhos como se estivéssemos acordados. O fenômeno foi batizado de sono REM, sigla em inglês para “movimento rápido dos olhos”, e passou a ser associado aos sonhos. Para chegar a essa conclusão, eles usavam um método parecido com aquele usado por Mary Calkins no século 19: acordavam seus pacientes durante a fase REM e pediam que eles relatassem se e com o que haviam sonhado. De 27 relatos, 20 foram de sonhos detalhados e repletos de imagens visuais. Estudos posteriores aprofundaram a descoberta de Kleitman e Aserinsky. Em 1962, o neurofisiologista francês Michel Jouvet descobriu, a partir de experiências com gatos, que o sono REM – e, portanto, o sonho – era controlado por uma parte primitiva do cérebro conhecida como ponte, que não tem relação direta com os centros da emoção. Durante a fase REM, segundo Jouvet, a ponte emite estímulos que se espalham por diversas partes do cérebro, provocando os sonhos. As conexões entre os neurônios explicavam muita coisa, mas ainda faltava descobrir de onde vinham, afinal, as sensações que passam pela nossa cabeça quando dormimos. E para isso Freud ainda era mais útil do que os neurologistas. Mas não por muito tempo. Em meados da década de 1970, o psiquiatra James Allan Hobson, de Harvard, apresentou um modelo que descartava definitivamente o conteúdo subjetivo dos sonhos. Para ele, o ato de sonhar era o resultado da ação de neurotransmissores que ativavam regiões superiores do cérebro, como o sistema límbico, responsável pelas emoções. Para os pesquisadores que aderiram à causa de Hobson, o sonho era apenas uma seqüência aleatória de imagens geradas pela atividade do nosso cérebro enquanto dormimos. As descobertas de Hobson desferiram mais um golpe contra a psicanálise. Quando o charuto de Freud parecia definitivamente apagado, alguns estudos realizados a partir da década de 1980 reacenderam a discussão. O psiquiatra Mark Solms, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, fez uma revisão da literatura médica e descobriu 110 casos de pacientes que haviam deixado de sonhar devido a lesões cerebrais. Para surpresa da comunidade científica, todos tinham a ponte cerebral intacta e continuavam tendo sono REM, o que jogou por terra a relação obrigatória entre a experiência onírica e os

movimentos oculares rápidos. Para Solms, os sonhos são ativados por outras regiões do cérebro, como as que transformam a percepção concreta em pensamento abstrato. Qualquer semelhança com a psicanálise não é mera coincidência. Afinal, você já sabe que um dos mecanismos do sonho, segundo Freud, é a transformação de desejos ou experiências em símbolos que não têm relação direta com a realidade. As descobertas de Mark Solms fizeram com que os psicanalistas e psicólogos colocassem novamente as mangas de fora e abriram caminho para a criação da neuropsicanálise, uma área do conhecimento que tenta aproveitar as descobertas sobre a fisiologia do cérebro para justificar parte das proposições de Freud. “A psicanálise não tem o objetivo de desvendar os mecanismos fisiológicos do cérebro. Isso é função da neurociência. Mas os fenômenos que emergem desses processos físicos são objeto da investigação psicanalítica”, diz o psicanalista brasileiro Yusaku Soussumi, da Sociedade Internacional de Neuropsicanálise. Afinal, por que sonhamos? A resposta mais honesta seria: ninguém sabe ainda. Mas há várias pistas. E uma delas é a relação mais que comprovada entre os sonhos e a memória. Nos últimos anos, vários artigos têm batido na tecla de que o sono REM – durante o qual, sabe-se agora, ocorrem mais de 90% dos sonhos, mas não todos – é importantíssimo no processo de aprendizado. Fazem parte desse time cientistas como Robert Stickgold, de Harvard, e o brasileiro Sidarta Ribeiro, da Universidade Duke, também nos EUA. Este último vem desenvolvendo uma pesquisa que relaciona a expressão de alguns genes ao processo de formação de memórias. Os resultados do estudo indicam que a fase REM ajuda a consolidar memórias recém-adquiridas – sem os sonhos, as informações do dia-a-dia entram por um ouvido e saem pelo outro. Todos parecem concordar que o sonho é essencial para o bom funcionamento do nosso cérebro. “Sonhar é uma ferramenta cognitiva importantíssima”, diz o neurologista Sérgio Tufik, diretor do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo. Mas alguns pesquisadores vão além e afirmam que o sonho é fundamental à nossa sobrevivência. Em um artigo que tem o título sugestivo de A Reinterpretação dos Sonhos, o psicólogo Antti Revonsuo, da Universidade de Turku, na Finlândia, afirma que os sonhos parecem simular ameaças reais que ocorrem no nosso cotidiano. E isso, segundo ele, foi vital para a sobrevivência da nossa espécie – ao sonhar com ameaças, o homem primitivo tinha muito mais chances de se defender em um ambiente hostil. A proposta de Revonsuo faz sentido, mas já foi alvo de críticas. Um time de psicólogos da Universidade de Montreal liderado pela psicóloga Anne Germain afirmou, por exemplo, que um dos furos da teoria é a baixa incidência de sonhos com temática negativa. Durante o processo evolutivo, o sonho foi incorporado a algumas espécies, mesmo representando um risco real. “Ao desligar-se do mundo completamente, o homem e outras espécies podem ser atacados. Mas ainda assim o sono REM se manteve, o que é um sinal de que os benefícios dessa fase do sono superaram bastante os riscos”, diz o neurologista Rubens Reimão, da USP. Há indícios de que o sono REM e os sonhos teriam aparecido há mais ou menos 140 milhões de anos, quando os mamíferos se desenvolveram a partir dos répteis. As aves também têm sono REM, mas com períodos bem mais curtos, de

apenas alguns segundos, o que sugere que as espécies de mamíferos – inclusive a nossa – sonham mais do que todas as outras. E para que serve tanto sonho? “O sono REM mais longo nos mamíferos, em especial nos primatas, pode ter relação com a maior plasticidade das idéias”, diz Sidarta Ribeiro. Ou seja, ao sonhar, nos tornamos capazes de fazer novas associações para resolver tarefas simples ou complexas. Um dos desafios atuais das neurociências é o estudo do conteúdo dos sonhos. Afinal, é relativamente fácil colher depoimentos de pacientes, mas olhar o cérebro com uma lupa para descobrir exatamente o que se passa lá dentro ainda é uma utopia. “Não acredito que, nos próximos anos, teremos instrumentos específicos para a análise dos sonhos ou dos pensamentos que ocorrem durante a vigília”, diz o psiquiatra Jerome Siegel, da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Enquanto isso, dá para arriscar um palpite sobre um futuro em que as pessoas possam controlar o enredo dos próprios sonhos. Há quem creia que isso seja possível agora: o psicólogo americano Stephen LaBerge organiza workshops de indução de sonhos lúcidos por meio da meditação, do relaxamento e da ioga, ante o horror da comunidade científica “séria”. Ainda que a academia torça o nariz para o bicho-grilismo de LaBerge, ela também acredita no potencial do sonho dirigido. “Se as pressões seletivas sobre a nossa espécie diminuírem ainda mais, o fenômeno do sonho lúcido pode ser usado de forma corriqueira como ferramenta de aprendizado”, diz Sidarta Ribeiro. Qualquer pessoa poderia se programar para desenvolver habilidades durante a noite, sem os riscos das experiências reais – se você viu Matrix, sabe que uma simulação de luta pode ensinar quase a mesma coisa que uma pancadaria ao vivo, só que sem os hematomas. Sonhar não custa nada.   5 perguntas sobre os sonhos Como é o sonho dos cegos? Quando uma pessoa nasce cega e não tem referências visuais, os sonhos são recheados pelos outros sentidos, como a audição. Mas ela pode formar imagens mentais relativas ao espaço, assim como consegue perceber os caminhos por onde anda durante o dia. Já quem nasce com a visão em ordem e fica cego mais tarde pode ter sonhos com imagens durante a vida toda. Bebês sonham? Como eles não falam, não dá para saber com precisão. O sono REM, um dos principais indícios do sonho, está presente em todas as idades. Mas a experiência deve ser bem diferente da vivida por nós, adultos, pois o bebê tem uma consciência em formação, tem emoções, memória e percepção do mundo, mas ainda não tem uma ferramenta essencial para a construção do sonho como ele ocorre nas pessoas adultas: a linguagem. Sonhamos em cores ou em P&B? Nossos sonhos, segundo os neurologistas, têm cores. O que pode causar a sensação de um sonho em preto-e-branco é a dificuldade que temos de manter as imagens oníricas na memória – elas vão, quase literalmente, esmaecendo no decorrer do dia. Esse esquecimento é causado pelo fato de o conteúdo dos sonhos ficar armazenado em nossa memória de curta duração. Para evitar que uma cena sensacional seja perdida, o único jeito é mentalizar o sonho várias vezes ao acordar. Se tomar nota, melhor ainda. Só assim eles ficam guardados em uma memória mais duradoura – e colorida.

Existem sonhos premonitórios? Há muitos indícios de que não. Um deles é a inconsistência dos relatos. “Quem acredita nesse tipo de sonho costuma relatar fatos isolados relativos à experiência premonitória, mas quase nunca diz quantos sonhos não correspondem ao que realmente aconteceu depois”, diz J. Allan Hobson em seu livro Dreaming: An Introduction to the Science of Sleep (“Sonhando: Uma Introdução à Ciência de Dormir”, inédito no Brasil). Animais sonham? Sim, com quase 100% de certeza. Os donos de gatos e cachorros sabem que, durante o sono, os bichos se movem e emitem ruídos que sinalizam uma atividade mental intensa. A ciência já descobriu que os mamíferos – e as aves, em menor escala – têm sono REM, portanto concluiu-se que eles sonham de alguma maneira. O único entrave nessa pesquisa é a impossibilidade de relatos dos sujeitos – no caso, os animais.   Terror sob os lençóis No meio da noite, acordamos sobressaltados, com o coração acelerado e suando frio. Como se não bastasse, demoramos a pegar no sono de novo. Muitas pessoas têm sonhos assustadores com menor ou maior freqüência. As estatísticas mostram que cerca de 50% dos adultos relatam pesadelos ocasionais e 6,9% a 8,1% têm pesadelos crônicos, que detonam o sono sem dar trégua. Outra curiosidade numérica: as mulheres têm dois a 4 pesadelos para cada um relatado pelos homens – mas ainda não há nenhuma explicação para essa diferença entre os sexos. O pesadelo tradicional, sem nenhuma relação direta com fatos do dia anterior, se encaixa na categoria dos distúrbios do sono. Mas há uma outra classe de pesadelos, os pós-traumáticos, que tem algumas nuances importantes. “O conteúdo, na maioria das vezes, é idêntico ao evento que gerou o trauma”, diz o psicólogo Júlio Peres, que desenvolve uma tese de doutorado sobre o tema. E esse tipo mais realista de pesadelo é tiro e queda: mais de 60% das pessoas que passam por algum tipo de experiência traumatizante, como assaltos e agressões físicas, acabam desenvolvendo o problema. Um jeito de liquidar com ele é abrir o jogo e tentar completar, acordado, as histórias que causam a aflição noturna. Esse método, conhecido como Terapia do Ensaio Imaginário, usa o recurso da narrativa para tirar a força das emoções e sensações que teimam em manter viva a chama de uma lembrança ruim. Ninguém esquece o trauma, mas com a terapia dá para tirá-lo de baixo do travesseiro e dormir sem pesadelos. Para saber mais www.lucidity.com - Instituto da Lucidez, que difunde a causa dos sonhos lúcidos Dreaming: An Introduction to the Science of Sleep - J. Allan Hobson, Oxford Univ. Press, 2004 Jung e a Interpretação dos Sonhos - James A. Hall, Cultrix, 1992 Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan - Marco Antônio C. Jorge, Jorge Zahar, 2005


Por trás da cortina de fumaça A Organização Mundial da Saúde publica o mais completo relatório sobre os efeitos da maconha. E afasta a onda de desinformação que cerca a droga ilegal mais consumida do mundo. por Flávio Dieguez Era para ser uma festa. Era para ser o triunfo da pesquisa médica em seu esforço de separar, cientificamente, o que é mito e o que é fato sobre os efeitos da Cannabis, conhecida como maconha. Mas o relatório sobre a droga publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), das Nações Unidas, teve uma outra recepção. A entidade começou a trabalhar em 1993. Convocou os maiores especialistas do mundo e incumbiu-os de, nos cinco anos seguintes, examinar o resultado de centenas de pesquisas. Finalmente, em dezembro do ano passado, as conclusões dessa equipe foram reunidas num documento de 49 páginas, publicado sob o título Cannabis: uma Perspectiva de Saúde e Agenda de Pesquisa. Surgia o mais completo relatório produzido sobre a maconha nos últimos quinze anos. Aí, o que era para ser uma festa virou guerra política. O trabalho da OMS mal foi lido. Até o início do mês de março, pouco mais de 500 cidadãos, nos cinco continentes, tinham tido acesso a ele. Quase não houve repercussão. O motivo é que seu conteúdo foi encoberto pela campanha dos que pregam a legalização da droga. Nada contra a polêmica, que pode ser até saudável. Mas o fato é que, no caso, ela fez sombra sobre o texto da OMS e favoreceu a onda de desinformação. A confusão chegou ao ápice quando a revista semanal inglesa New Scientist, na sua edição de 21 de fevereiro, pôs em sua capa uma reportagem explosiva em que acusava a OMS de ter suprimido do documento, por motivos políticos, um capítulo mostrando que a maconha seria menos perniciosa do que o álcool e o tabaco. A OMS admitiu a supressão do capítulo, mas negou os motivos. Declarou que o texto comparando as três drogas fora excluído por prudência, pois os estudos nos quais ele se apoiava não eram conclusivos. De fato, isso só levaria a mais confusão. Tanto é que a confusão, com capítulo ou sem capítulo, alastrou-se. E desviou, ainda mais, a atenção do público daquilo que, afinal, era o mais importante – o próprio relatório da OMS. Quem foi apanhado de surpresa pela guerra de versões pode ter ficado desorientado. E pode até estar

pensando que a maconha nem é tão perigosa. Mas ela faz mal, sim, e cria riscos sérios para a saúde. Quem tem dúvida, é só consultar o relatório. “Ele confirma diversas conseqüências nocivas comumente apontadas em relação à maconha”, resume a psicobióloga brasileira Maristela Monteiro, da OMS, uma das responsáveis pela versão final do texto. “E além disso aponta novos perigos.” Ao mesmo tempo, o trabalho desmontou mitos antigos, livrando a droga de acusações que ainda hoje se escutam. A verdade é que não, a maconha não reduz o número de espermatozóides nos homens, não induz à violência nem tira a disposição para o trabalho e para o estudo. Nas páginas seguintes, a SUPER vai esmiuçar o conteúdo do relatório para você. Os resultados apresentados pela OMS ajudam, e muito, a reverter a maré de dúvidas e de mistificações em torno da droga. Para começar, admite que ela possa ter aplicações medicinais (e sobre isso a SUPER já publicou uma reportagem de capa, em agosto de 1995). Mas aponta, com precisão científica, os males que o uso indiscriminado dessa substância pode causar. Não são poucos. E não são suaves. É bom você se informar a respeito e escapar da cortina de fumaça – que ainda esconde muitos riscos. Cérebro aberto à investigação O efeito sobre as funções nobres do cérebro, embora não seja tão pesado quanto se pinta, pode prejudicar o comportamento dos usuários. O risco da dependência é pequeno, mas não é nada desprezível.   A capacidade de aprender e de raciocinar e a memória diminuem. Verdade Há somente três anos, parecia não haver sinais de que a droga pudesse afetar as atividades cerebrais mais refinadas, aquelas que os especialistas chamam de funções cognitivas, as ligadas ao processo de conhecimento. Uma das novidades dos relatório é que agora há provas disso. Quem fuma regularmente por muitos anos tem dificuldade para organizar grandes quantidades de informações complicadas. Num tipo de teste, um cidadão empilha cartas segundo regras que o paciente precisa deduzir, apenas observando o “jogo”. Com o tempo, as

regras vão sendo mudadas. Quem não fuma, deixa de perceber cinco de cada 100 mudanças de regra. Fumantes pesados cometem o mesmo erro oito vezes. “A diferença é sutil”, afirma o relatório. “Mas é ratificada por novos estudos, realizados em 1995 e 1996.”   Os neurônios ficam estragados. Mentira A idéia de que a maconha afeta as funções do cérebro porque causa algum tipo de dano aos neurônios não está comprovada. As pesquisas dão resultados ambíguos. Certas imagens das células cerebrais de ratos, obtidas por tomógrafo, parecem ligeiramente deformadas, especialmente nos pontos em que elas tocam umas nas outras, chamados sinapses. Mas em outras experiências não se vê alteração nenhuma. Logo, não é possível tirar uma conclusão definitiva. Diante da relevância do assunto, o relatório da OMS sugere que se façam estudos mais aprofundados sobre ele.   Quem fuma muito tempo pode acabar caindo na dependência. Verdade Grande parte dos usuários pesados, desses que fumam diariamente durante meses, acaba se viciando. As estatísticas indicam que até metade dos fumantes desse tipo perdem o controle sobre o hábito e precisam de tratamento para se recuperar. Entre os que não conseguem a cura, muitos apresentam sintomas que agravam a dependência. Ficam desmotivados para qualquer coisa, tornam-se menos produtivos em suas atividades, sofrem de depressão e têm a auto-estima abalada.   Então, todos ficam viciados. Mentira Apenas fumantes pesados caem na dependência, e eles, de acordo com os dados do relatório, são cerca de 10% de todos os que experimentam a droga. Dito de outra maneira, o vício nem é inevitável, nem acontece com freqüência. “Fumar é um hábito de adolescentes”, lê-se no relatório. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, eles representam a grande maioria de usuários – perto de 70% do total – e a proporção de adultos não cresce.  

Quem usa maconha pode partir para drogas mais pesadas. Verdade Meninos e meninas, especialmente nos últimos anos, têm, sim, seguido essa trilha. “Nota-se que a experiência com a canabis precede o interesse por outras substâncias”, diz o documento. São as colas de sapateiro, as anfetaminas, a cocaína e a heroína. Os especialistas também escrevem que, “quanto mais cedo se começa a fumar, maior é o envolvimento com a maconha”. E concluem que, entre os jovens nessa situação, é maior a possibilidade de contato com coisas mais perigosas.   Sempre que um usuário procura outras drogas, a culpa é da maconha. Mentira Mas atenção: apesar de ser verdade que muitos jovens ampliam o coquetel de drogas depois de experimentar a maconha, isso não quer dizer que a culpa caiba exclusivamente a ela. O próprio hábito de recorrer à canabis pode ter tido causa mais profunda, como problemas familiares, falta de perspectiva e assim por diante. Aí, o fumante da canabis amplia o seu repertório de drogas pelos mesmos motivos. Essa, aliás, é a explicação preferida dos pesquisadores reunidos pela OMS. Como reforço, eles lembram que “a imensa maioria dos usários de maconha não usa a cocaína e a heroína”.   A maconha provoca desastres de trânsito. Verdade Essa é uma nova preocupação dos especialistas. Sob ação da droga, fica mais difícil executar desde tarefas simples, como datilografar, até as de maior responsabilidade, como dirigir um automóvel. Em simulações, motoristas que fumaram 1 hora antes do teste brecam em hora errada e demoram para reagir aos sinais de trânsito.   O motorista perde totalmente a capacidade de se controlar. Mentira Alguns testes sugerem que o fumante percebe a diminuição da coordenação motora e procura compensar essa deficiência, concentrando-se mais no que está fazendo. Nos desastres de trânsito


em que o motorista demonstra ter fumado maconha, é comum ele também ter bebido álcool. Com a mistura, é óbvio que a erva não tem culpa sozinha no cartório. A erva no planeta Número de usuários   A avaliação mais recente, divulgada em 1997, indicava que eles eram 140 milhões, 2,5% da população da Terra. Crescimento Mas esse número vai aumentar, diz a OMS. “O uso vem crescendo dramaticamente nos últimos anos”. Evolução O consumo começou a subir na década de 70, chegou ao ápice em 1979 e depois caiu, voltando a avançar a partir de 1994. Estados Unidos É onde as estatísticas são mais completas. Em 1992, 4% da população tragava a canabis. Um checkup de corpo inteiro A barriga das mulheres vira um palco de distúrbios hormonais. A desconfiança de que os bebês podem herdar tumores devido ao hábito das mães não está comprovada, mas também não foi descartada.   A fumaça traz danos ao pulmão e está associada ao aparecimento da bronquite. Verdade O efeito sobre o aparelho respiratório, em conseqüência de doses elevadas da erva tóxica, está solidamente comprovado. Aparecem lesões na traquéia, nos brônquios e, em menor intensidade, em algumas células de defesa do organismo chamadas macrófagos alveolares. Os usuários, então, ficam um pouco mais vulneráveis do que o resto da população. Especialmente à bronquite obstrutiva crônica.   Causa câncer com certeza. Mentira A fumaça da maconha contém algumas das substâncias do tabaco que estão ligadas ao câncer. E até em maior quantidade. Sabendo disso, os pesquisadores ficaram em estado de alerta ao descobrir tumores malignos no aparelho respiratório de alguns usuários jovens. Mas até agora só o que há é uma desconfiança. Ainda é preciso examinar mais pacientes, pois aqueles em que os tumores foram identificados também consumiam álcool e tabaco. Não há conclusão possível, resume o relatório.   A produção de hormônios sexuais femininos pode ficar reduzida, alterando o ciclo menstrual. Verdade Existem indícios de que a droga deixa o organismo com falta de diversas substâncias essenciais à reprodução, entre as quais os hormônios. A carência ocorre durante uma das etapas da men-

struação, a chamada fase luteal, e a ovulação demora mais do que demoraria normalmente. Esse efeito ainda não está bem esclarecido nas mulheres porque em alguns exames ele aparece e em outros, não. Mas os especialistas reunidos pela OMS estão convencidos de que ele existe, pois, nos testes com ratos e macacos, a queda de produção pôde ser medida com precisão. A conclusão do pesquisadores é que a ação da maconha sobre o aparelho reprodutor feminino não deve ser menosprezada.   Os homens produzem menos espermatozóides. Mentira Caiu por terra o mito de que os homens que fumam a droga passam a produzir menor quantidade do hormônio testosterona. Essa hipótese, que havia sido levantada nos primeiros estudos sobre o assunto, na década de 70, não se sustenta mais. Também não fica mais de pé a suposição de que o número de espermatozóides diminui. Nesse aspecto, o documento é claro: do ponto de vista dos homens, “não se deve esperar nenhuma conseqüência significativa para a reprodução”.   Fumar durante a gravidez prejudica a criança. Verdade É uma das novidades mais assustadoras apontadas pelo relatório. “Usar a droga antes ou durante a gestação pode deixar as crianças mais suscetíveis a certos tipos raros de câncer.” Entre os tumores observados está o da chamada leucemia não-linfoblástica, que contamina o sangue, e o do rabdomiosarcoma, que ataca os tecidos nervosos. Mas ainda não há certeza de que a canabis esteja mesmo associada a esses males porque, se existe alguma outra causa, as pesquisas já feitas não conseguiram detectar. O relatório da OMS declara que é preciso investigar a hipótese mais a fundo. Um outro problema são as crianças que nascem pesando abaixo do normal devido ao contato prévio da mãe com a erva tóxica. Sobre esse ponto quase não restam dúvidas.   O sistema de defesa do orga-nismo fica desorientado. Mentira Diversos estudos médicos, nos últimos anos, avaliaram os danos que a maconha poderia ter sobre o conjunto do sistema imunológico, que protege o organismo dos micróbios. A suposição era que a droga criaria confusão, mobilizando o exército orgânico sem necessidade ou debilitando-o quando fosse preciso contra-atacar. Esses efeitos não foram confirmados. Há mesmo indícios de que o sistema de defesa resiste bem à droga.   As crises de esquizofrenia podem

ficar mais fortes nos pacientes que fumam. Verdade Como alguns pacientes de esquizofrenia entram em crise pouco tempo depois de fumar, levantou-se a hipótese que a droga poderia estar associada à doença. As pesquisas revelam que a ligação existe. Em algumas situações, nota-se que, se a dose de canabis é grande, cresce também a chance de uma crise.   A erva pode levar o usuário à esquizofrenia. Mentira Não dá para provar que a maconha provoque a doença. O motivo é simples: pode ser que, justamente por terem esse tipo de problema mental, os pacientes desenvolvam propensão ao consumo da erva. Ou seja, é como se o hábito de fumar fosse causado pelo mal, e não o contrário. O resultado das pesquisas nesse campo deve ser considerado inconclusivo por enquanto. Para saber mais INTERNET: Leia trechos do relatório da OMS no site http:// www.superinteressante.com.br. Se Liga! O Livro das Drogas, Myltainho Severiano da Silva, Editora Record, RJ, 1997. De volta no tempo Origem   A primeira referência à maconha aparece num tratado médico chinês de 2 737 antes de Cristo. Costume tribal Há 1 000 anos, já servia de tempero e remédio para povos da África e da Ásia, e era fumada em rituais. No Brasil Ela teria sido trazida logo após 1500, contrabandeada pelos escravos. Proibição Aqui, o uso e a venda foram proibidos pela Câmara de Comércio do Rio de Janeiro desde 1930. Tabaco: também perigoso, mas incentivado O cigarro faz mal à saúde, muito mal. Mas será que a pressão para reduzir os apelos da publicidade vão chegar ao Brasil?   A maconha é prejudicial e ilícita. Mas o tabaco é um assassino e, paradoxalmente, é oferecido nos meios de comunicação como um irresistível objeto de desejo. Segundo a OMS, o cigarro é o réu principal em 80% dos cânceres do pulmão, 75% das bronquites e dos enfisemas do mundo, e aumenta em quase dez vezes as chances de derrame cerebral. A situação é tão delicada que diversos países, entre os quais a Alemanha e a França, proibiram o patrocínio dos carros de Fórmula 1 por companhias de cigarro. Existe pressão para que todos os países façam a mesma coisa a partir do ano 2000. No Brasil, um país em

que o piloto Ayrton Senna virou herói nacional e ídolo das crianças usando as cores e a marca de um fabricante de cigarro, ainda não se combate com a necessária energia a propaganda do tabaco. Viagem pelas engrenagens da mente A canabis reage com moléculas dos neurônios em diversas partes do cérebro. Localize os principais focos de sua ação.   1. Córtex frontal Controla o comportamento. A euforia nasce aqui 2. Núcleo acumbens Pode sediar o mecanismo que causa dependência 3. Hipocampo É o setor que guarda informações. Se atingido, perde memória 4. Cerebelo Responde pelas alterações na coordenação motora As mazelas engarrafadas Os males da bebida são conhecidos, mas os hospitais continuam cheios de cidadãos estragados pelo poder corrosivo do álcool.   Beber é uma satisfação que os arqueólogos dizem ter sido descoberta pelo homem há cerca de 5 000 anos. Hoje, centenas de milhões de cidadãos cultivam os prazeres do álcool, há campanhas vendendo marcas e mais marcas de bebida e a lei não as proíbe – o que não quer dizer que elas não sejam ameaçadoras. Nenhuma droga pode concorrer com o copo em matéria de perigo: ele é responsável por mais da metade de todas as mortes provocadas pelas substâncias tóxicas consumidas na atualidade. Tomado por longo tempo, o álcool tem efeito corrosivo sobre os órgãos. No fígado, destrói as células e leva à cirrose. No sistema nervoso, as lesões desativam os sentidos e os reflexos, e cortam ordens do cérebro aos sistemas vitais, como o da respiração e o da circulação sanguínea. O colapso desses sistemas é uma das maneiras que a bebida tem de matar. Do pulmão ao sexo do homem e da mulher Veja quais são os pontos do corpo que mais atraem a atenção dos pesquisadores. Alguns deles sofrem danos reais ou estão sob suspeita.   1. Esquizofrenia As crises estão associadas à droga, mas podem não ser causadas por ela 2. Pulmão Há uma clara ligação entre a droga e a bronquite. Ela predispõe à doença. 3. Aparelho reprodutor Nas mulheres, surgem perturbações hormonais. Fumar na gravidez afeta a criança. No homem, não há efeito. O número de espermatozóides não se reduz.


24 regras de etiqueta da vida digital Você fala mais com os dedos do que com a boca. Tem mais amigos no Facebook do que na faculdade. Conta mais piada no Twitter que no bar. A tecnologia está no centro das relações sociais. Mas como se comportar? por Felipe Van Deursen e Bruno Garattoni 1. Amo meu smartphone.

Mas ele é meio grande, aperta o bolso da minha calça - e não consigo ouvi-lo quando está dentro da minha mochila. Posso colocá-lo sobre a mesa do bar ou do restaurante? Se for um almoço ou jantar formal, nem pensar (compre uma calça maior, um aparelho auditivo ou então, melhor ainda, desligue o aparelho). Quando você estiver no bar com seus amigos, vá lá. Mas é meio brega. Faz tempo que celular não é mais símbolo de status - e, a menos que a mesa seja formada por programadores, ninguém está interessado nos aplicativos que você baixou. 

2. Liguei para uma pessoa

e ela não atendeu. Deixo recado ou mando SMS? Mande SMS. As estatísticas mostram que, desde 2009, as redes de celular têm mais tráfego de dados que de voz. Ou seja, a caixa postal é um artefato do século 20: lento, caro e invasivo. Só use em último caso, em recados formais (para seu chefe, sogro, médico etc.). Ou se você quiser dar uma de stalker.

3. Choque elétrico, arran-

camento de unhas, afogamento simulado. Nenhuma dessas torturas se compara às reuniões da minha empresa: estou preso numa há 3 horas, e quero me matar. Posso buscar alegria no mundinho mágico do meu smartphone? Não busque alegria. Busque

conhecimento. Brincadeira. Bem, se os outros estiverem usando seus aparelhos, pode até ser. Tudo depende da idade média das outras pessoas. “Se para os chamados babyboomers (pessoas com mais de 45 anos) isso pode ser grosseiro, para os membros da geração Y (gente com menos de 30 anos) o indelicado é não responder um SMS em 5 minutos”, afirma Marcelo Coutinho, diretor do Terra América Latina.

4. Ligam pra mim no meio

dessa reunião superlegal. É importante. O que faço? Escolha uma das alternativas abaixo. A. Ignore a chamada e desligue o celular.  B. Saia para atender, mas volte rapidinho.  C. Saia para atender, mas fique meia hora enrolando.  D. Coloque no viva-voz e peça a outra pessoa para dar pitaco na reunião.  Resultados: Se você respondeu A, ganhou pontos com o chefe - mas perdeu a chance de recuperar a sanidade mental por alguns minutos (o que seria proporcionado pela opção B). A alternativa C só serve para pessoas folgadas extremamente criativas: se você voltar do passeio com uma boa ideia para apimentar a reunião, por que não? Opção D? Prepare-se para ser tachado de louco - ou gênio das estratégias corporativas (qual patrão não adoraria os insights do seu tio do interior?). 

5. Estou numa peça de

teatro insuportável. Tudo bem passar o tempo respondendo umas mensagens no celular? Quando você for a um programa potencialmente chato, tipo palestra motivacional ou peça do Gerald Thomas, tome as precauções necessárias: coloque o brilho do visor no mínimo, para poder ligá-lo sem dar muita bandeira. Se você tiver seguro do aparelho, melhor ainda - Thomas já chegou a arrancar o celular da mão de um espectador. 

6. Quero dar unfollow em

alguém. Como fazer isso sem criar um clima ou ganhar um inimigo? Se você der unfollow, a pessoa vai perceber - existem plug-ins para Twitter e Facebook que alertam sobre esse gesto inamistoso. Existe uma solução melhor. Instale o Tweetfilter, que é um acessório para o navegador Google Chrome e permite ocultar os tweets de uma pessoa sem dar unfollow nela. No Facebook, clique no pequeno “X” que é exibido ao lado do comentário mala - e aparecerá uma opção que permitirá ocultar todas as atualizações daquela pessoa.

7. Posso usar ringtones

personalizados? Pode, desde que você evite o ridículo do óbvio (ou o óbvio do ridículo). Como lembra Luiz Yassuda, colaborador do site de tendências Brainstorm #9: “Colocar o

tema do plantão da Globo como toque personalizado para a mulher é muito manjado”. Também não valem: - Funk, Charm e pancadões do tipo. - Clássicos de Justin Bieber, como “Baby”. - Música-tema de Super Mario Bros. Ser nerd é legal, mas sem exageros. - Coisas tipo “Ô ADRIANO, TÁ ME OUVINDO?” ou qualquer piada ligada ao Pânico na TV e similares. Prefira A Praça é Nossa.

8. Posso escutar música

no trabalho como se não houvesse amanhã e o chefe estivesse em Aruba (mesmo ele estando do meu lado)? Claro. Um estudo da Universidade de Illinois constatou que ouvir música no trabalho aumenta a produtividade média das pessoas em 6,3%. Mas, para não ficar totalmente alheio ao que se passa no escritório, instale o aplicativo Awareness (leia mais na página 86). 

9. Meu colega não tira os

fones de ouvido. Só que eles vazam o som e sou obrigado a ouvir as músicas dele, na forma de chiadinho, o dia inteiro. Descubra a data de aniversário da pessoa e presenteie-a com um fone do tipo in-ear - são aqueles modelos com ponta de borracha, que ficam enfiados no canal auditivo e por isso não deixam o som escapar. Custam em média R$ 60. 10. Assinei um plano de


internet mega rrápido. Posso compartilhar a conexão com o pessoal do meu prédio? Por mais que você esteja com megabytes sobrando, é melhor não. Em fevereiro, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) multou em R$ 3 mil um internauta de Teresina que compartilhava sua conexão com mais 3 pessoas. Os contratos dos serviços de banda larga proibem o compartilhamento.

11. Adoro encaminhar correntes de e-mail e arquivos de PowerPoint com mensagens edificantes. Posso? Se você tem mais de 50 anos, pode mandar para seus filhos e sobrinhos. Se não, não. 

12. Meu vizinho deixou A rede Wi-Fi abertA sem querer. Oba! Posso usar? Se a sua vida depender disso... Mas não digite senhas de sites como Gmail, Twitter ou Facebook. E não baixe nada: fazendo downloads, você poderá estourar a cota de tráfego (limite imposto por serviços como o Vírtua) do vizinho.  13. Como devo batizar a minha rede? O nome da sua rede Wi-Fi pode ser visto por todo mundo num raio de até 100 metros. Não use seu próprio nome ou sobrenome, pois é exposição demais. E evite termos relacionados a futebol, pois eles podem atrair hackers que torçam para outros times (invadir uma rede Wi-Fi é muito mais fácil do que você imagina). Use um nome neutro, que não chame a atenção. 14. E a senha?

Um dia, as visitas vão querer usar o Wi-Fi na sua casa - e você terá de compartilhar

a senha com elas. Não repita as senhas que você já utiliza para outros serviços, como Gmail e Facebook, e evite coisas que possam ser constrangedoras (na linha “rickfofucho33”). 

15. Escrevi uma grande besteira no Twitter. Apago ou ignoro? Se você se der conta rapidamente, apague. Mas, se o tuit foi escrito há mais de 10 minutos (ou se você tem muitos seguidores), não adianta deletá-lo: com certeza alguém já viu, e sua tentativa de eliminar a mensagem chamará mais atenção para ela. Escreva 4 ou 5 tweets sobre outros assuntos, para que a mensagem infeliz seja jogada para a parte de baixo da tela. Se mesmo assim der confusão, peça desculpas e siga em frente.  16. DM or not DM?

“@rogério Vamos nos encontrar no bar hoje?” Twitter não é lugar de chat. Se você quer falar com uma só pessoa, use o recurso de Direct Message (ou serviços como o Twee.li, que adiciona um mensageiro instantâneo no Twitter). Não atormente seus seguidores com mensagens que não dizem respeito a eles. 

17. “Fulano convidou você

para fazer parte do Sonico/ Hi5/Quora (ou qualquer outra rede social que você não usa nem quer usar)”. E agora? Se o autor do convite é seu amigo, e se deu ao trabalho de escrever uma mensagem personalizada, é de bom tom adicioná-lo. Já se você receber apenas um convite padronizado, gerado pelo próprio site, pode ignorá-lo (seu amigo provavelmente convidou dezenas de pessoas e nem vai perceber). 

18. Passei Photoshop na foto do meu perfil no Facebook. Pode, Arnaldo?  Dar um tapa no contraste e nas cores não vai matar ninguém. Só não faça como Paula Leite, a participante do BBB 11 que afinou a própria cintura numa foto de praia. “Quem abusa ganha o apelido de ‘beleza thumbnail’”, diz Vitor Guerra, da agência Ideia S/A. Também não coloque uma foto em que o seu rosto aparece meio de lado. Todo mundo sabe que isso é um truque para parecer mais magro.  19. Devo preencher campos como esportes, filosofia e religião no perfil do Facebook? Sim. Mas evite coisas radicais ou polêmicas - 70% das empresas olham o Facebook dos candidatos a emprego. 

20. Meu amigo está entul-

hando meu Facebook com atualizações de Mafia Wars, Farmville e outros joguinhos. Instale o Facebook Purity (www.fbpurity.com), que elimina automaticamente todas as menções a esses games. 

21. Quero ver um filme

muito raro, que não existe em DVD - só nos downloads ilegais. Posso baixar? Não deveria. Mas, ao fazer isso, você não está roubando dinheiro do artista (pois o filme não está à venda). E até ajuda, pois chama atenção para a obra dele.

22. Não entro no Orkut

há um tempão. Devo me suicidar? Não! A vida sempre vale a pena. Agora, se você está se referindo a seu perfil no Or-

kut: deletar a conta dá mais trabalho do que simplesmente deixá-la parada lá. E, segundo o Ibope, o Brasil ainda tem 43 milhões de usuários no Orkut - sempre pode aparecer um amigo ou conhecido por lá. 

23. Amo minha cara-metade. Estamos juntos na foto do perfil. Tudo bem? Não. A não ser que vocês queiram ser vistos como se fossem gêmeos siameses na rede social, é melhor cada um ter seu perfil. Sempre haverá assuntos a ser tratados só com o Michel, não com o “Michel & Vania Forever <3”.

24. Estou fazendo o upload das fotos da festa de ontem. Devo ou não taguear (marcar) meu amigo numa foto em que ele está desmaiado de tanto beber? Melhor não. Se a foto for mesmo embaraçosa, nem publique: mande antes por e-mail para o seu amigo e peça permissão a ele. Também cheque o que você realmente está subindo. “Uma conhecida postou uma foto de suas cachorras e digitou a legenda ‘Os dois monstrinhos’. Mas, na verdade, era uma imagem das nádegas dela”, diz Gil Giardelli, coordenador da ESPM e especialista em redes sociais. 

Para saber mais  The Essential Guide to Social Media Brian Solis, 2008.abr.io/ NQR


Segurar o xixi ajuda a tomar decisões

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Psiquiatras da Universidade de Twente, na Holanda, demonstraram que ter bom controle da bexiga ajuda a evitar atitudes impulsivas. Numa experiência, pessoas que tomaram 5

copos de água fizeram escolhas menos imediatistas e mais vantajosas. Isso supostamente acontece porque segurar a vontade de urinar estimula o autocontrole.

Dinheiro na mão é vendaval? Por Flávio de Oliveira, consultor financeiro render juros. Melhor não fazer vendaval.”

“Nossa programação é gastar mesmo - fazer vendaval. Só que essa lógica pré-histórica não faz mais sentido. Se antes os recursos eram perecíveis, hoje podem ser conservados e até

Philipe Maciel, professor da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro Ô SE É “Sua conta aumentou em US$ 1 milhão: você irá conhecer o mun-

do, viver nos melhores hotéis, pegar caminhões de mulheres, certo? Certo, por 6 meses, se tanto. Depois disso você estará na pior, rezando por outro milhão pra pagar as dívidas.” Carlos Cardoso, do Blog do Cardoso

o futuro: o vidente e o previdente. Quem prefere a opção vidente, se consulte com um deles e torça para ouvir ‘você vai ficar rico!’. A quem opta pelo caminho previdente, aconselho a iniciar um bom plano de previdência privada.”

NÃO PRECISA SER “Há dois modos de ver

Mulheres canhotas são mais egoístas Estudo mostrou que canhotas são menos generosas do que destras.

por Thiago Perin

Cientistas holandeses criaram um jogo em que os voluntários eram agrupados em pares.

Uma pessoa recebia dinheiro, e tinha que decidir quanto iria compartilhar com o

colega. O estudo constatou que os homens canhotos são mais generosos do que os des-

tros. Já entre as mulheres é diferente: as canhotas retêm mais dinheiro para si.



Por trás da cortina de fumaça