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Ficha Técnica

Título Autor Edição Categorias Supervisão Editorial Revisão do Conteúdo Revisão do Idioma Português Revisão do Idioma Hebraico Revisão Geral Projeto Gráfico Projeto de Capa

Diário de Viagem à Terra Santa Alan Chiamen Machado 1ª Edição Digital ano 2014 Memórias. Turismo. História e Geografia Geral. Língua Estrangeira.Fé. Bela. Nelci C. Machado Bel. Clerio Kropp Bela. Lúcia Castanho Bel. Clerio Kropp Bela. Quésia Vianna Alchimac Art & Design Thaiannãn William

Esta obra encontra-se devidamente protocolada no Escritório de Direitos Autorais (EDA), sob o nº 2014/RJ/848, Fundação Biblioteca Nacional, Ministério da Cultura. O registro é amparado pela Lei nº 9.610/98. Fica, portanto, proibida a reprodução parcial ou total deste conteúdo sem a citação de sua fonte e autor. Esta obra está disponível originalmente no portal www.alchimac.com, que concentra a distribuição da publicação no formato digital.


Sumário Dedicatória ........................................................................................................... 7 Prefácio I ............................................................................................................... 8 Prefácio II ............................................................................................................ 10 Apresentação ...................................................................................................... 11 Antes de Ler ........................................................................................................ 12 Parte I - Egito, a Lendária Terra dos Faraós Um Breve Histórico da Terra dos Faraós ............................................ 14 Dia 0: Onde tudo começa. ................................................................... 16 Dia 1: Londres e Chegada no Cairo. ..................................................... 17 Dia 2: Cairo: Pirâmides, Rio Nilo e Museu Egípcio. .............................. 20 Dia 3: Deixando o Cairo. Mara. Suez. Monte Sinai. ............................. 23 Dia 4: Descanso e laser no Golfo de Ácaba. ........................................ 26 Dia 5: Deixando o Egito. ...................................................................... 27 Parte II - Israel, Conhecendo a Terra que Mana Leite e Mel Israel, o Fruto de Uma Promessa ....................................................... 30 Dia 5: Entrando na Terra da Promessa. Mar Morto. Qumram. Jericó. Monte da Tentação. Tiberíades. ............................................... 33 Dia 6: Mar da Galiléia. Ginosar. Monte das Bem Aventuranças. Tabgha. Cafarnaum. Rio Jordão. .......................................................... 36 Dia 7: Caná. Nazaré. Monte do Precipício. Vale do Armagedom. Monte Carmelo. Cesareia Marí ma. Jope. Tel Aviv. Monte Scopus. Entrada Triunfal em Jerusalém. .................................. 41 Parte III - Jerusalém, o “Centro do Mundo” Yerushalayim, a Cidade do Grande Rei .............................................. 48 Dia 8: Monte das Oliveiras. Vale do Cedrom. Getsêmani. Monte Sião. Cenáculo. Tumba de Davi. Maquete de Jerusalém. Museu de Israel. Museu do Livro. Belém. Igreja da Na vidade. Campo dos Pastores. Passeio Noturno. ............................................... 50 Dia 9: Porta do Montouro. Parque Arqueológico de Jerusalém. Monte Moriá. Muro das Lamentações. Yeshivat HaKotel. Tanques de Betesda. Fortaleza Antonia. Via Dolorosa. Quinta Estação. Igreja do Santo Sepulcro. Muristão. Porta de Damasco. Jardim do Túmulo e Calvário. Mercado Árabe. .................................................................................. 58


Dia 10: Londres. ................................................................................... 72 Parte IV - Um Pouco da Cultura Judaica O que é um Judeu? ............................................................................. 76 Principais Celebrações e Festas Judaicas Shabbat ............................................................................... 78 Casamento Judaico .............................................................. 78 Brit Milá ............................................................................... 79 Bar Mitzváh ......................................................................... 80 Yom HaShoá ......................................................................... 80 Purim ................................................................................... 81 Hanukka ............................................................................... 81 Rosh Hashaná ...................................................................... 82 Yom Kippur ........................................................................... 83 Sukkot .................................................................................. 84 Simchat Torah ...................................................................... 84 Pessach ................................................................................ 85 Shavuot ................................................................................ 85 Tshá b’Av .............................................................................. 86 Instrumentos Judaicos Kipá ...................................................................................... 87 Menorah .............................................................................. 87 Mezuzá ................................................................................. 88 Shofar .................................................................................. 89 Talit ...................................................................................... 90 Tefilin ................................................................................... 91 Escrituras Sagrados O Tanach - Torah, Nevi’im. K’tuvim ...................................... 93 O Talmud - A Torah Oral ....................................................... 95

Conclusão ............................................................................................................ 97 Glossário Hebraico .............................................................................................. 98 Mapas e Ilustrações Egito ................................................................................................... 104 Mapa de Israel ................................................................................... 106 O Templo de Jerusalém - 1 ................................................................ 108 O Templo de Jerusalém - 2 ................................................................ 110 As Portas da Cidade Velha ................................................................. 112 Obras Consultadas ............................................................................................ 114 O Autor .............................................................................................................. 115


Dedicatória

Dedico esta pequena obra a HaShem, o Eterno Deus de Israel, que por Sua Bondade e perfeita Graça, oportunizou a mim uma segunda viagem à Terra de Israel, uma terra que literalmente “mana leite e mel”. Dedico uma enorme gra dão ao amigo e irmão Clerio Kropp, excelente pessoa que ve a oportunidade de conhecer durante a primeira viagem no ano de 2009, e que a par r dali se tornou meu grande amigo. Um apoiador e inves dor desta importante experiência de conhecer Israel, o organizador e guia desta viagem denominada “Caravana A Caminho de Yerushalayim”, na qual renderei tributo nas páginas deste livro. Além de revisor deste trabalho é o responsável pelo hebraico bíblico u lizando no texto. Dedico também à abnegação dos amigos e colaboradores Lúcia, Yaheli, Thaiannãn, Quésia, Raquel e minha mãe Nelci.

O Autor


Prefácio I

Vivemos, profe camente, um dos momentos históricos mais fascinantes de toda a história: o renascimento de Israel! Viver neste tempo atual é sem dúvida, vivenciar uma realidade diante de nossos olhos, predita por profetas hebreus a mais de 2.000 anos atrás, e fielmente preservada até nossos dias através das Escrituras Sagradas, conhecida como Bíblia, fonte de fé e crença de judeus e cristãos em todo o mundo. Poder viajar a Israel nesses dias é reviver a história bíblica, um êxtase constante pela forte emoção de pisar os locais sagrados, ver as próprias pedras testemunharem a história sagrada, cur r a cultura do povo judeu, suas festas, sua língua, enfim, uma cultura dedicada ao sagrado, a adorar o Eterno de Israel, YHWH, o D-us único e verdadeiro, criador de todas as coisas, e que nós, mesmo sendo gen os (goyim), povos anteriormente separados e alheios a toda esta riqueza cultural e espiritual, somos agora aproximados deste povo, através da fé no Messias judeu Yeshua (Jesus), e por Ele somos feitos agora também par cipantes da comunidade de Israel. A conhecida Teologia da Subs tuição surgida a par r do século IV através da Igreja Romana e con nuada pelo reformador Lutero coloca a Igreja como subs tuta de Israel no plano divino, disseminando o an -semi smo e o ódio contra o povo judeu, que culminou com a maior tragédia contra este povo: o holocausto nazista. Infelizmente, esta raiz an -semita ainda persiste na maioria das igrejas evangélicas e defendida pela maioria dos teólogos cristãos ocidentais, através da Teologia da Separação (ou Dispensacionalismo), que não é senão uma idéia mais recente ou uma nova versão da an ga Teologia da Subs tuição, devido o renascimento de Israel como nação. Como teólogo formado nos princípios hebraicos de interpretação, sou adepto da Teologia do Remanescente, que coloca o Israel étnico e os gen os que tem o testemunho de Yeshua (Jesus) em uma


única en dade: o Israel de Deus. O Apóstolo Paulo sustenta esta mesma visão quando fala da “Oliveira Verdadeira”, que é composta dos ramos naturais (os judeus) e os ramos bravos (os gen os), ambos crentes no Messias Yeshua (Jesus). Este remanescente sempre exis u desde os dias an gos, nos dias do Messias e até os dias hodiernos, e culminará no final da era dos gen os com a vinda em glória do Messias Yeshua Ben David (Jesus Filho de Davi) para reinar em Israel por 1.000 anos, quando finalmente todo o Israel étnico (ramos naturais, composto de Judá e as 10 tribos do norte / Efraim) será salvo. Nós, como ramos bravos (gen os) enxertados na boa oliveira, não devemos nos gloriar contra os ramos naturais (judeus), mas sim aderir à sua cultura, língua e costumes, sendo através de Yeshua um só povo do Eterno Elohim de Israel! Dentro desta visão, que o es mado Alan Chiamen consegue exprimir em poucas páginas o seu grande amor e zelo por esta Terra, Povo e Nação, baseado em suas próprias experiências durante as suas viagens à Terra Santa. Não apenas como um simples turista, mas como um amante das raízes hebraicas do cris anismo, como um verdadeiro Israelita, não na carne é claro, mas no coração. Tenho certeza que será mais um compêndio para enriquecer a nossa geração. Baruch Atah Adonai Melech HaOlam Ve Yeshua HaMashiach Melech Israel (Bendito és Tu Adonai Rei do Universo e Yeshua O Messias Rei de Israel).

Clerio Kropp Consultor em Sistemas de Informação, Professor e Empresário Bacharel em Teologia e Pós-Graduando em Hebraísmo


Prefácio II

Turistas são, por natureza, pessoas que se deslumbram facilmente com as coisas mais banais, só porque a tal coisa banal está se passando em um lugar desconhecido e diários de viagens costumam ser livretos extremamente vazios cheios de achismos e opiniões infundadas. Sendo eu israelense e brasileira, morando há anos em Israel de maneira defini va, não é di cil imaginar a quan dade de bobagens que já li e escutei sobre o meu país. E me surpreendeu profunda e posi vamente quando eu me deparei com este “Diário de Viagem”. Completamente diferente da grande maioria, pleno de informação e o que o torna mais delicioso de se ler, informação carregada de sen mento. É fascinante perceber que alguém que esteve em Israel por tão pouco tempo, na simples posição de peregrino, não se deixou influenciar pela emoção momentânea da viagem, mas sim, se deixou contagiar pela verdadeira alma do país e conseguiu em poucos dias captar o verdadeiro significado da expressão “Terra Santa”. Alan Chiamen consegue em poucas páginas te conduzir por uma viagem à Terra Santa e à Cultura Judaica, sem esquecer de mostrar que por trás de tudo isso e apesar de tudo isso, existe um país de verdade, que funciona como tal, que é vivo, moderno, tecnológico e que nem por isso perde a luz da espiritualidade que só Israel possui.

Yaheli Berlinski Graduada em Direito Empresarial, tradutora e professora Escritora do Blog Vivendo em Israel www.vivendoemisrael.blogspot.com Reside em Nazareth Iliit - Israel


Apresentação

Conhecer a Terra de Israel é uma experiência espiritual. Isso vai além de uma viagem turís ca e passa a ser um episódio marcante na vida de uma pessoa. Pastor J.M.Hermel sempre me dizia que uma vez que se conhece Israel, o indivíduo recebe uma marca que faz uma ligação com aquela terra, criando uma necessidade de retornar mais vezes... e assim foi. A crescente saudade de Jerusalém (o ponto alto para mim) me fez retornar depois de quase quatro anos, e, insisto que a regra não tem data de vencimento, isto é, precisarei retornar em breve. Nas páginas que seguem você encontrará um relato diário de minha segunda peregrinação realizada em Maio de 2013. Uma mistura suave que incorpora pitadas de história bíblica e algumas gotas de geografia da Terra Santa. Uma oportunidade para você se familiarizar com o hebraico bíblico e conhecer um pouco da cultura judaica. Vem comigo viajar em peregrinação pela Terra Santa, desde o Egito, perfazendo o caminho do povo hebreu recém liberto do jugo de Faraó, até Canaã, a Terra Prome da. Vem percorrer os caminhos do Messias Yeshua, desde a sua cidade de nascimento até o Calvário. E muito além das páginas desta obra, te convido a ir à Israel e viver a sua própria experiência. Boa Viagem!

Alan Chiamenti Machado Passo Fundo, RS, Brasil Novembro de 2013


Antes de Ler

SOBRE NOMES PRÓPRIOS BÍBLICOS O autor optou em u lizar para todos os nomes próprios bíblicos ou alusivos à Terra de Israel, primeiramente o seu original hebraico, vindo em seguida o mesmo nome na língua portuguesa (equivalente tradicionalmente conhecido), por exemplo: “Nasce nesta terra Itz’chak, Isaque, que posteriormente gerou Ya’akov, Jacó, e a nação...” A opção adotada nesta obra expressa o desejo de proporcionar ao leitor uma aproximação com a língua hebraica, u lizada até os dias de hoje no universo judaico/bíblico. SOBRE A TRADUÇÃO DO HEBRAICO (TRANSLITERAÇÃO) Entendendo que muitos leitores não estão acostumados ao alfabeto hebraico, adota-se nesta obra a transcrição foné ca. Assim sendo, as palavras em hebraico devem ser lidas tal como estão escritas, seguindo algumas regras básicas: 1) G diante das vogais “e” e “i”, é lida como GUE e GUI; 2) H no início e no meio das palavras é pronunciada como “r”. Exemplo: Elohim produz o som de “Elorim”; No final da palavra o H não possui som. Exemplo: Torah produz o som de “Torá”; 3) CH produz o som de “rr”. Exemplos: Tanach lê-se como “Tanarr” (similar ao som do CH como na palavra “Bach” em alemão ou o som do J espanhol como na palavra “Juan”); 4) R é pronunciada como o “r”, como na palavra “caro”; 5) Y é lida como “i”; 6) S produz o som de “s”, e nunca de “z”; 7) SH emite o som de “x”. Exemplo: Yeshua é lido como “Iexua”.


UM BREVE HISTÓRICO DA TERRA DOS FARAÓS República Árabe do Egito é o seu nome oficial. Na an guidade egípcia se u lizava o nome “Kemet” que significa "terra negra". No hebraico encontramos “Mitzraim”, que é literalmente "os dois estreitos". Uma nação localizada ao norte do con nente africano, incluindo a Península do Sinai, que está na Ásia, tornando este território um estado transcon nental. Faz fronteira com a Líbia, Sudão e Israel. É banhado pelo Mar Mediterrâneo (Mar Grande) e Mar Vermelho (Mar de Juncos). Sua principal fonte de subsistência é o Rio Nilo (hebraico Sihor - significa "negro"), que atravessa todo o país. É o maior rio em extensão do mundo, medindo 7.000 quilômetros. Nas margens deste grande rio encontram-se todos os conglomerados humanos do país. Afastando-se do Nilo só acharás deserto, pois faz parte do horrendo e medonho Saara, o deserto mais quente da Terra e o segundo em extensão. O Rio Nilo quando chega ao Cairo se subdivide em vários braços formando o delta mais fér l da Terra, que vão desaguar no Mediterrâneo. Na an guidade essa região era conhecida como Baixo Egito. A fronteira que torna o Egito um país transcon nental e que divide a África da Ásia é o Canal de Suez, e também é uma das principais fontes de renda do país. Entre 2005 e 2006 arrecadou 3,5 bilhões de dólares em pedágios náu cos, perdendo somente para o turismo. Neste período cruzaram pelo canal 17.000 embarcações. Seu território mede 1 milhão de quilômetros quadrados e uma população perto de 83 milhões de habitantes, concentrados ao índice de 98% às margens do Nilo. Somente na região metropolitana do Cairo (capital) possui 24 milhões. Junto ao Cairo temos Alexandria como as duas cidades mais populosas. No geral é o segundo país com maior população do con nente. A língua oficial é o árabe, com usos restritos do inglês e francês. Turis camente falando, o inglês é fundamental para comunicar-se por lá. A religião predominante é o Islã, alcançando a conta de 90%. Uma minoria Copta compõe outros 9% da população.


Diário de Viagem à Terra Santa - por Alan Chiamenti Machado

Em questão de clima, a temperatura chega facilmente a 43 °C. As chuvas no sul ficam na média de 2 a 5 mm por ano, o que é quase nada. No litoral norte chega a 410 mm. Alguns historiadores acreditam que os primeiros habitantes que chegaram ao Vale do Nilo datam do décimo milênio a.C., o que soma aproximadamente 12.000 anos de história. Uma nação que foi muito desenvolvida no cul vo da terra (trigo, cevada, algodão, papiro, linho), favorecidos pelas cheias do Nilo, além da criação de animais. No quesito de construções, os egípcios eram mestres, deixando suas grandes obras para nossa contemplação milênios depois. Astronomia, Astrologia e Medicina também ganham importante destaque. Os egípcios deixaram marcos na história de eterna grandeza, desde seus feitos arquitetônicos às conquistas cien ficas e tecnológicas. Fazendo referência à arquitetura egípcia ainda brilhante aos nossos olhos, Halley descreve como "o mais grandioso monumento dos séculos" a Grande Pirâmide. O Egito é a primeira grande potência mundial registrada na história das Sagradas Escrituras. Atualmente o país é apenas uma sombra da glória e do poder que um dia conheceu. Uma cultura que se perdeu no tempo-espaço e culminou em profundo declínio. Isso me faz lembrar e relacionar as inúmeras profecias que registradas nas Escrituras condenam o Egito, uma terra que recebeu sentença de maldição, um símbolo de paganismo, escravidão e opressão para aqueles que o Eterno escolheu para ser o seu povo.

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Onde Tudo Começa. Uma viagem como esta, é no termo literal uma grande peregrinação, pois são doze dias de apertados roteiros e milhares de quilômetros percorridos. Esta minha segunda peregrinação começa na cidade de Condor, RS, quando fui ao encontro do nosso guia e amigo Clerio Kropp e parte dos companheiros da Caravana "A Caminho de Yerushalayim". Por escolha do grupo, par mos de Condor e Panambi de ônibus até o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, para primeiro trecho aéreo com des no a Guarulhos. Em São Paulo embarcamos com a companhia Bri sh Airways com des no a Londres.

Grupo com passaportes em mãos para embarcar com des no a Londres


Londres e Chegada no Cairo. Nosso primeiro dia oficial da viagem já ultrapassava 20 horas de “estrada” (de Condor a Porto Alegre, depois a Guarulhos, e mais 11 horas sobrevoando o Oceano Atlân co), iniciando com nossa chegada na capital britânica às 7h e 30min do dia 7 de maio de 2013. Neste dia fizemos um city tour na faustosa Londres₁, uma cidade com 1.970 anos (fundação atribuída ao ano 43 d.C), visitamos a cidade velha com seus casarões centenários, depois passamos a cidade moderna onde recebemos o privilégio de presenciar a saída do cortejo real, do Palácio de Buckingham₂ rumo ao Parlamento para abertura anual dos trabalhos. Buckingham é a residência oficial da monarquia desde o ano 1837. É um dos principais símPalácio de Buckingham bolos britânicos. Sofreu diversas reformas e ampliações durante séculos, pois o primeiro núcleo do grande Palácio data de 1703. De Buckingham seguimos para o distrito de Westminster, onde vamos conhecer a Abadia de Westminster (local onde o mundo assis u atentamente o casamento do Príncipe William em 2011). A versão atual da Igreja foi construída em 1245 e foi cenário de várias coroações, sepultamentos reais e casamentos da realeza. Abadia de Westminster Da Abadia, apenas cruzando uma rua,


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já encontramos o dourado Palácio de Westminster, conhecido como Parlamento Inglês₃. A torre que a meu ver é uma das mais lindas do mundo é o Big Ben (Torre de Santo Estevão ou Torre do Relógio), que é um símbolo nacional e faz parte do referido Palácio. O edi cio do Parlamento, na sua maior parte, data do século XIX, mas o local já era u lizado por reis e conquistadores desde o início do século XI. Fica localizado às margens do Rio Tâmisa₄. Big Ben Como o tempo não permi a muitos passeios a pé, com ônibus cruzamos as principais ruas, imensas praças floridas e o comércio, não podendo faltar o passeio pela deslumbrante Tower Bridge (a jóia da coroa britânica), uma ponte basculante inaugurada em 1894 sobre o rio Tâmisa. É um dos mais visitados pontos turís cos da cidade. Fica ao lado da Torre de Londres, um castelo lendário, cuja construção se iniciou em 1078 e atualmente abriga as Jóias da Coroa Britânica e uma colônia de corvos₅ protegiTower Bridge dos sob decreto real. Londres é uma cidade incrivelmente bonita, berço de importantes capítulos da história mundial, atualmente palco de grandes revelações arquitetônicas com seus arranha-céus admiráveis, e uma perfeita harmonia com a natureza. Cidade símbolo de nobreza real que encanta o mundo. Encerrando este primeiro dia em Londres, retornamos ao Aeroporto Heathrow, Terminal 5 (o mais moderno terminal da capital) para con nuarmos nossa viagem em mais uma etapa de quatro horas. Deixamos a Europa para trás, nos dirigindo ao con nente africano; sobrevoando o Mar Mediterrâneo e uma faixa do Saara. Em virtude dos fusos, ainda chegamos ao entardecer do mesmo dia no Cairo, capital do Egito, onde fomos recepcionados em um resort a apenas alguns minutos das pirâmides, para descanso e pernoite.


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Notas Adicionais: ₁ Londres tem perto de 1.970 anos de fundação (43 d.C), se estende em uma área de 1.583 quilômetros quadrados, com 8 milhões de habitantes. Considerada a cidade mais úmida do mundo, a média anual de umidade rela va do ar é de 92%. ₂ O Palácio de Buckingham possui 19 salas de estado, 52 quartos principais, 188 quartos para o pessoal, 92 gabinetes e 78 banheiros. ₃ O Palácio do Parlamento é um dos edi cios mais célebres do mundo, possui 1.000 salas, 100 escadarias e 5 quilômetros de corredores. ₄ O Rio Tâmisa, dentre os rios que cruzam por capitais, é o mais limpo do mundo. ₅ A lenda dos corvos da Torre de Londres diz: no caso deles deixarem a torre, o reino ruirá; sendo assim, o Rei Charles II promulgou um decreto de proteção e cuidados permanentes às aves, que ao todo são sete, seis pra manutenção do folclore e uma de reserva.

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Cairo: As Pirâmides, Rio Nilo e Museu Egípcio. Nosso segundo dia inicia com um banquete de café da manhã; incrível como são maravilhosos os cafés pela manhã no Oriente Médio. Par mos bem cedo para visitar o Cairo, uma metrópole enigmá ca. Conhecer esta capital, para mim foi a realização de um sonho (no caso em 2009). Desde criança havia em mim um fascínio pela história do Egito, os hieróglifos, o glamour dos faraós e suas riquezas; porém quando cresci, vim a descobrir que o Egito é apenas um grande museu a céu aberto, e daquele glamour só restou as histórias. Iniciamos o tour pelo ponto chave da capital, as famosas três pirâmides do Planalto de Gizé (“guíza” como é pronunciado). São elas: Pirâmide de Quéops (medindo originalmente 146 metros de altura), Pirâmide de Quéfren (143 metros) e a Pirâmide de Miquerinos (66 metros), todas entre 4.500 e 5.000 anos de idade. A maior foi construída com 2,3 milhões de blocos de calcário com aproximados 2.000 quilos cada um. Serviram como túmulos, e estão sim, acercadas de ele-

Vista panorâmica das três pirâmides

mentos mís cos relacionadas com a vida eterna e “post-mortem” do Faraó, segundo suas crenças politeístas. Há também a notável Esfinge, monumento cons tuído de corpo de leão e cabeça humana – para os


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an gos egípcios significava poder e sabedoria – feita com uma única pedra de calcário com 73 metros de comprimento, sendo 6 metros de largura e 20 metros de altura, uma obra única no planeta e data 5.000 anos. Para encerrar o passeio no Planalto de Gizé, visitamos o Templo do Vale, local onde os faraós adoravam os seus deuEsfinge e Quéfren ses. É importante situar o leitor na história; personagens bíblicos como Yossef, José, filho de Ya’akov, Jacó, quando governou o Egito, já conhecia as três pirâmides, o que ra o povo hebreu do contexto destas construções. Quando Moshê, Moisés, re rou o povo do Egito as pirâmides já eram velhas e quando Yeshua, Jesus, nasceu, os povos já peregrinavam ao Egito para conhecê-las. Conhecer as Pirâmides é uma mistura de sensações, de emocionante à fascinante riqueza histórica e cultural que cercam estas obras humanas magníficas; saber que num passado tão remoto o homem foi capaz de ir tão longe. [Fotos com maior riqueza de detalhes você poderá encontrar no meu perfil no Facebook e/ou através dos links disponibilizados no Blog Alchimac - fotos e vídeos de 2009 e 2013] Deixando as pirâmides, nos dirigimos ao centro do Cairo, cruzando o Rio Nilo₁; chegamos, então, a outra parte importante da visita ao Egito, o Museu Egípcio do Cairo. Sua fundação se deu no ano 1858, mas nos úl mos 113 anos (desde 1900) se encontra hospedado em um eclé co castelo na Praça Tahrir, centro do Cairo. Expõe 120.000 peças de toda a hisMuseu Egípcio do Cairo tória da civilização egípcia, uma riqueza ines mável. Lá podemos conhecer a lendária múmia de Ramsés II₂, o faraó mais poderoso e de maior pres gio do an go Egito, sendo um dos mais longos reinados da história egípcia. Ramsés II é apontado por alguns historiadores como o Faraó do Êxodo. De todas as incontáveis riquezas do museu, há uma seção totalmente dedicada a Tutancâmon₃, cuja tumba foi achada intacta em

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1922 pelo egiptólogo Howard Carter. Esta seção reserva tronos, leitos, carruagens, estatuetas de soldados, armas, objetos decora vos em alabastro e ouro, bustos, tecidos, câmaras funerárias, deuses... num total de 5.000 objetos. Mas as maravilhas de todas se encontram em outra sala reservada, como um cofre vigiado, onde estão expostas as jóias do Faraó, sua máscara mortuária feita com onze quilogramas de ouro puro, extremamente linda, e seu sarcófago, 111 quilogramas de ouro, uma obra de rara existência. Como é proibido filmar e fotografar no interior do museu, nos restou apenas algumas imagens e vídeos não autorizados que estão disponíveis através do Canal Alchimac no Youtube. Parecendo que não haveriam mais surpresas naquele dia, ainda visitamos o Palácio dos Perfumes, onde se compra excelentes fragrâncias puras, sem adição de produtos químicos e álcool. À noite fizemos um passeio super agradável de barco no Nilo, servidos de um excelente jantar e apresentações musicais picamente árabes. Fim do dia, com corações enaltecidos, descansamos, pois a aventura estava só no começo.

Notas Adicionais: ₁ O Rio Nilo é o maior rio em extensão do planeta. Seu nome em egípcio quer dizer “Canal de Hórus”. Atravessa o con nente africano, banhando além do Egito, Uganda, Tanzânia e drena as terras da Ruanda, E ópia e Zaire, desaguando no Mediterrâneo, fluindo no sen do sul-norte. ₂ Ramsés II reinou do ano 1279 a 1213 a.C. ₃ Tutancâmon morreu em 1324 a.C. aos 19 anos, tendo reinado por um período de apenas 9 anos.


Deixando o Cairo. Mara. Suez. Monte Sinai. Malas arrumadas, chaves dos quartos devolvidos (opcional, era permi do ficar com as chaves de recordação), o pessoal todo já dentro do ônibus; era dia de par r do Cairo rumo ao Suez, mas antes, algumas paradas no caminho. Bem cedo fomos recepcionados na Flower Co on, onde se pode comprar desde vestuários à cama-mesa-banho, tudo produzido com o algodão egípcio, o melhor algodão do mundo. Não seria justo esquecer-me de mencionar os feirantes ambulantes, eles estão por todos os lugares, oferecendo um mix de produtos, especialmente souvenires; são de certa forma bastante insistentes, mas, se souberes barganhar, é possível comprar belos ar gos a bons preços (os árabes esperam que o turista pechinche e o produto acaba saindo pela meFeirinha pica do Cairo tade do preço inicialmente oferecido). Deixando os algodões, par mos para o Museu do Papiro, onde aprendemos a ciência milenar da fabricação do papiro, o irmão mais velho do papel. Também neste local encontram-se representações dos mais importantes afrescos e obras do an go Egito, como por exemplo, a retratação do Juízo Final – o Tribunal de Osíris, que representa o caminho mís co da alma do indivíduo após sua morte, em que seu coração é colocado em uma balança e deve ser tão leve quanto uma pena. Novamente no ônibus, par mos defini vamente para deixar o Cairo, e neste trecho podemos apreciar alguns dos milhares de minaretes (torre de uma mesquita) existentes nesta capital. O Cairo é conhecido como a “cidade dos mil minaretes”. Contemplamos a Mesquita de Muhammad Ali, também chamada de Mesquita de Prata ou Mesquita


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de Saladino, a maior do Cairo; uma verdadeira fortaleza, belíssima. Saladino foi um chefe militar muçulmano que se tornou Sultão do Egito e da Síria; e no ano 1187 conquistou Yerushalayim, Jerusalém, das mãos dos cruzados na Batalha de Ha n. Depois de duas horas viajando pelo deserto, só areia e céu, chegamos a Vila de Marah, um povoado beduíno (moradores do deserto) onde se encontram as Fontes de Moshê, Moisés. Local tradicionalmente aceito como uma das paradas de Moshê com o povo hebreu. As fontes ali existentes eram amargas, o povo nha sede, então o Senhor cooperou com Moshê e Fontes da Vila de Marah transformou aquelas águas amargas em doces. Daquele povoado já se pode avistar ao longe o Canal de Suez e os navios cargueiros que por ali transitam. É como uma miragem no deserto, bela e intrigante. Par ndo de Marah seguindo pelo deserto chegamos à travessia do Canal de Suez₁. Este canal faz divisão do con nente africano do asiá co e não é natural. Foi construído por uma força conjunta do Egito e da França, concluído no ano de 1869 com 190 quilômetros de extensão. É um importante canal de ligação para navios cargueiros vindos do oriente - Oceano Índico - pelo Mar Vermelho para chegar ao Mar Mediterrâneo, e então à Europa e partes da Ásia. A rodovia segue por baixo do canal, fazendo com que esta travessia seja Travessia por baixo do Canal de Suez algo bastante interessante. Logo a seguir o cenário muda, entramos em um deserto montanhoso, a Península do Sinai, localizada entre os golfos de Suez e Ácaba, mede 60.000 quilômetros quadrados de área, na qual atravessamos pela parte norte, para chegar ao nosso resort às margens do Mar Vermelho para descanso e pernoite. Por volta das 23 horas um grupo de peregrinos par u para fazer a subida do Har Sinai, Monte Sinai, local que segundo uma tradição milenar foi o monte em que o Senhor deu a Moshê o decálogo (os


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Dez Mandamentos). Uma subida sacrificante, longa e desgastante que dura a noite inteira, e recebe milhares de visitantes. Com 2.285 metros de altura, o nascer do sol no topo desta cadeia de montanhas é inexplicavelmente lindo. Porém, sabe-se que recentes descobertas arqueológicas apontam para outro e fidedigno Har Sinai, Monte Sinai₂, que estaria na Arábia Saudita; desta forma, o Mar Vermelho que o povo hebreu atravessou seria o Golfo de Ácaba e não o de Suez como é aceito pela tradição. Vale aqui um bom estudo de Geografia Bíblica e um pouco de conhecimento das descobertas arqueológicas.

Notas Adicionais: ₁ A construção do Canal de Suez finalizou com relatório de 120.000 baixas egípcias, dos 1,5 milhão de trabalhadores empregados na obra. Literalmente esse canal foi regado com sangue, em uma época em que a vida humana não significava muito, considerando o tamanho do empreendimento em questão. Cabe também mencionar nesta nota o ano de 1956, quando do surgimento do Batalhão de Suez (Praçinhas Brasileiros) soldados voluntários enviados ao Oriente Médio como integrantes da Força Internacional da Paz da ONU, para pacificar as relações entre Egito e Israel em disputa pela Península do Sinai, e sendo naquele momento o Canal de Suez a divisa entre as duas nações. O Batalhão também foi designado à Faixa de Gaza, criando um corredor seguro e propondo um cessar fogo entre árabes e israelenses. ₂ A localização do fidedigno Monte Sinai, na Arábia Saudita. Este país é fechado em questões turís cas, portanto, somente pesquisadores e pessoas com privilégios especiais têm acesso à região.

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Descanso e laser no Golfo de Ácaba. Bem, o quarto dia vem a compensar o cansaço dos dias anteriores, e foi proporcionado ao grupo um dia inteiro de laser no Sonesta Beach Resort, Península do Sinai₁, Golfo de Ácaba. Piscinas e as límpidas águas do Mar Vermelho foram as atrações escolhidas pelos peregrinos. Alguns realizaram passeio de barco para conhecer os famosos corais do golfo, outros foram cur r um mergulho, no que é conhecido como "o refúgio dos mergulhadores", um dos melhores lugares do mundo para esta prá ca espor va. Dia maravilhoso este, cur r e confraternizar com os novos amigos e não dar descanso aos olhos e as câmeras, pois o lugar é um paraíso na Terra. Úl ma parada dentro do atual território do Egito.

Notas Adicionais: ₁ A Península do Sinai foi tomada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967; porém, em acordo de relações diplomá cas, Israel abriu mão deste território no ano de 1979, para o Egito, com obje vo de firmar a paz entre eles, e assim permanece até hoje.


Deixando o Egito. O quinto dia é para muitos, se não de todos, o dia mais esperado, quando deixaremos oficialmente o Egito e teremos nossos passaportes carimbados com o brasão de Israel. Malas feitas e embarcadas, rodados apenas alguns quilômetros, chegamos à fronteira. Despedimo-nos do guia local e entre abraços de gra dão, arrastando malas, cruzamos a fronteira. O Egito fica para trás.

Cruzando a fronteira entre Egito e Israel

... o dia 5 con nua na Parte II.


ISRAEL, O FRUTO DE UMA PROMESSA A História de Yisra’el (Israel no hebraico) não é como as demais nações, com seus primeiros habitantes e tal... Ela surge primeiro no mundo espiritual, quando YHWH (O Eterno - Deus de Israel) desejou formar uma nação entre os homens, e que esta fosse Sua propriedade. Segundo a arqueologia essa terra possui indícios de presença humana há 100 mil anos; mas o que realmente importa é o ano 2116 a.C. com o nascimento de Avraham, Abraão. Foi ele, em uma terra longínqua, Ur dos Caldeus - na an ga Mesopotâmia, que recebeu uma ordem de se dirigir a uma terra que o próprio Eterno lhe mostraria (B’reshit, Gênesis, cap. 12), e que faria dele uma grande nação. Em 2091 a.C. Avraham chega a Kena’an, Canaã, e ali se estabelece. Nasce nesta terra Itz’chak, Isaque, que posteriormente gerou Ya’akov, Jacó, e a nação de Israel está então fundada sob seus três patriarcas: Avraham, Itz’chak e Ya’akov (Abraão, Isaque e Jacó). Ya’akov teve vários filhos, um deles, Yossef, José, cuja vida é bem conhecida por todos nós. Ele foi vendido como escravo pelos seus irmãos, comprado por um oficial do Faraó no Egito, interpretou os sonhos atormentados do grande rei, e por providências do próprio Eterno no ano 1885 a.C. se tornou Governador do Egito. Com a grande seca e miséria que a ngiu toda a terra, Yossef acabou por reencontrar sua família e a trouxe para o Egito, deixando Kena’an, Canaã, para trás. No Egito o povo hebreu se mul plicou e prosperou, mas após a morte de Yossef, um rei que não o conheceu acabou por afligir escravidão ao povo hebreu. Quatro séculos se passaram desde a chegada no Egito. Vendo HaShem (O Nome - uma forma de designar Deus no judaísmo) a opressão do seu povo, dá surgimento a uma importante personalidade que mudou o rumo da história mais uma vez, e este era Moshê, Moisés; nascido de uma hebréia, criado no palácio real e ensinado em todas as ciências egípcias, foi chamado para ser o libertador, que se levantou para rar o seu povo da opressão. O êxodo do Egito, foi um fato marcante na história deste povo, ocorre sob a força e o poder do Eterno Deus, e no ano 1406 a.C. após sua peregrinação de 40 anos no deserto


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o povo hebreu entra em Kena’an, Canaã, a Terra Prome da. Veja que a nação de Israel não é uma terra, um determinado local habitado, mas um povo em específico, e mesmo tendo se expandido em terra estranha, o Egito, nha a marca de uma promessa intrínseca em suas veias. Israel é o fruto de uma promessa! Ocupada a terra, que territorialmente é insignificante, mas que está em posição estratégica, bem no centro do planeta, Israel se tornou uma nação forte, norteada pelas ordenanças divinas, com seus juízes, profetas e reis. Ano 1050 a.C., Sha’ul, Saul, se torna o primeiro rei. Ano 959 a.C., Shlomoh, Salomão, constrói o Grande Templo de Yerushalayim, Jerusalém, marca indelével para este povo. Anos depois o reino é dividido. Em 722 a.C. cai o Reino do Norte (Israel). Em 586 a.C. cai o Reino do Sul (Judá). Em 538 a.C. os primeiros exilados começam a retornar a Yerushalayim, um novo templo é erguido por Z’rubavel, Zorobabel, inaugurado em 516 a.C. Passados 80 anos, em 458 a.C. sobe a Yerushalayim o grande reformador Ezrah, Esdras, promovendo uma restauração da lei. Em 445 a.C. vem Nechemyah, Neemias, e reconstrói os muros da cidade, assegurando para cada judeu no presente e no futuro a independência da Cidade Santa. Ainda existem outros fatos que marcaram os próximos séculos, como por exemplo, a tomada de Yerushalayim por Alexandre O Grande em 332 a.C., colocando Israel dentro do maior domínio que o mundo já viu, o Império Macedônico (Grego). Em 167 a.C. temos a Revolta dos Macabeus, garan ndo a Israel mais um período de independência e restauração. Não esqueçamos a invasão do general romano Pompeu em 63 a.C., entregando a Cidade Santa como um protetorado de Roma. Por volta do ano 20 a.C., Herodes, inicia a grande remodelação e embelezamento do templo. Mas, foi entre os anos 5 e 6 da presente era, com o nascimento de Yeshua (Jesus, em hebraico), que um novo capítulo fundamentalmente importante é escrito, marcado na vida de nada menos que dois bilhões de pessoas. Desde então Israel tem exercido grande importância para todas as nações. Seu território tem sofrido disputas entre judeus, cristãos e muçulmanos há séculos. As duas maiores religiões do mundo desejam o controle de Yerushalayim, a capital eterna e indivisível de Israel. E entre momentos de tensão e momentos de paz, Israel se torna o relógio do mundo, e os olhos de toda a Terra observam atentamente tudo que

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ali acontece. Embora seja uma nação oficialmente independente há apenas 65 anos (1948), e paupérrima territorialmente (um dos menores países do mundo) é uma potência tecnológica e militar que desafia o planeta Terra. Celeiro de grandes mentes e pensadores, uma terra frufera, abundante, e possuidora de um povo devotado, que ama a sua nação de uma forma única e invejável, um verdadeiro espelho para o mundo. Oremos pela Paz em Israel.


Entrando na Terra da Promessa. Mar Morto. Qumram. Jericó. Monte da Tentação. Tiberíades. Após cruzarmos a fronteira com o Egito, passamos por uma cuidadosa triagem de entrada em Israel; passaportes revisados, malas fiscalizadas, isto é, segurança do mais alto nível. Recebidos pelo guia local, iniciamos uma jornada tanto mais inesquecível quanto no Egito. Os olhos dos peregrinos brilhavam, os corações em ritmo disparado diziam: - Finalmente entramos na terra da promessa. De ônibus rodamos mais de 230 quilômetros par ndo da moderna Eilat, Elate (no extremo sul - cenário das an gas minas do Melekh Shlomoh, Rei Salomão - banhada pelo Mar Vermelho) cruzando o Neguev até a região do Yam Há-Melah, Mar Morto, na extremidade do Deserto da Judéia, que fica na região centro-leste do país. Antes de descer às águas salgadas do Mar Morto, nos dirigimos a Qumran, local situado em uma formação montanhosa, onde encontramos o sí o arqueológico dos Essênios (seita judaica que exis u por mais de 200 anos). No caminho, montanha acima, podíamos avistar a excepcional beleza do Yam Há-Melah, Mar Morto, conhecido na Bíblia como Mar Morto Mar Salgado, com suas águas azuis esverdeadas e límpidas, como que transmi ndo uma certa soberba. Em Qumram há fortes indícios da presença de João Ba sta – Yochanan o Imersor, que teria passado parte de sua vida entre os essênios e com eles realizado a sua escola, jus ficando posteriormente o seu es lo de pregação e a forma com que ba zava (imergia). Junto a este sí o estão as chamadas “Cavernas do Mar Morto”, uma cadeia de montanhas em cujas grutas foram encontrados em 1947


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os jarros de barro que con nham os manuscritos mais an gos que se tem no cia de todos os livros do Jarros de barro Tanach₁ (equivalente na Bíblia Cristã ao An go Testamento: Cavernas de Qumram Pentateuco, Profetas e Escritos). Ainda em Qumram fizemos uma parada para compras de cosmé cos fabricados com minerais do Mar Morto, uma imensa quan dade de produtos com aplicações incríveis, uma rica fonte medicinal, contradizendo o seu próprio nome, pois o Morto é na verdade uma fonte de vida e grande riqueza. Descemos de Qumram direto para a praia do Mar Morto, também chamado de Mar de Sal, Yam Há-Melah, onde nos banhamos nas ricas águas deste grande lago, em que é impossível afundar, devido a densidade da água. É mencionado como um “SPA” natural, procurado por muitas pessoas enfermas em virtude de suas caracterís cas de cura, tornando-o tão fascinante. É uma experiência muito prazerosa banhar-se nestas águas, sen r a pressão gerada pela alta densidade da água impulsionando para cima e te obrigando a boiar; mas recomenda-se que o banho não passe de 10 minutos, pois essas águas agem como um desidratante natural poderoso. O lago do Mar Morto conta com 1.050 quilômetros quadrados de super cie e encontra-se a 417 metros abaixo do nível do mar, a depressão mais profunda da Terra. Seu comprimento é de 80 quilômetros e uma largura não mais que 18 quilômetros. Sua profundidade máxima é 378 metros. Suas águas são possuidoras de sete vezes mais minerais que outros mares, e dez vezes mais salgadas que os oceanos (35 gramas de sal a cada 100 mililitros de água). De suas águas Israel extrai bilhões de dólares em minérios e sal, e trilhões de toneladas de magnésio (22), sódio (11), cálcio (7), potássio (2) e brometo de magnésio (1). É alimentado Usina extração de sal pelo Nehar Hayarden, o Rio Jordão, que despeja ali, perto de 720.000 metros cúbicos de água por hora. Do Mar de Sal par mos com des no a Yericho, Jericó, a cidade


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mais an ga habitada da história, ainda existente. Situa-se no Vale do Jordão, iden ficada nas Escrituras como “cidade das palmeiras”. É um oásis, nunca chove em Yericho, e é a cidade mais verde da Pales na hoje. Possui traços de habitação a par r de 11.000 anos atrás, e também é a primeira cidade murada conhecida. Atualmente faz parte da região controlada pela Autoridade Pales na. Nesta cidade conhecemos a Fonte de Elisha, Elizeu (profeta), e a Figueira Brava de Zakkai, Zaqueu₂ - cenário da bela história do coletor de impostos que desejava conhecer Yeshua. Ainda em Yericho visitamos um sí o arqueológico contendo as ruínas de uma muralha que segundo os pesquisadores poderia ser da época de Y’hoshua, Josué, sucessor de Moshê, Moisés, e líder da invasão de Israel a esta for ficada cidade. Neste dia ainda nos foi oportunizado conhecer o Monte da Tentação, que preenche os requisitos geográficos como o local onde Yeshua foi transportado e tentado pelo diabo. Este monte se eleva a 325 metros sobre o nível de Jericó e apenas 98 metros acima do nível do mar (Mediterrâneo) e se encontra incrustado de cavernas construídas pelos cruzados entre 1095 e 1187 d.C., onde os monges refugiavam-se para meditação. De Yericho, rodamos 120 quilômetros e chegamos a Tveryah, Tiberíades, à margem do Yam Kinneret, Mar da Galiléia, para descanso e pernoite.

Notas Adicionais: ₁ Os manuscritos do Tanach encontrados nas cavernas de Qumram, também conhecidos como “rolos do Mar Morto”, foram descobertos casualmente por pastores de cabras que buscavam um animal perdido, isso no ano 1947. Ao todo foram achados 800 manuscritos que descreviam a vida, a época e as crenças da Seita do Mar Morto (essênios). Cons tui-se um dos maiores achados arqueológicos do século XX. O Pergaminho de Isaías é um dos principais, datado de cerca de 100 a.C. ₂ Conta-se que Zaqueu desejava muito ver Yeshua que passava pela cidade, mas ele era baixinho, então subiu em uma figueira. Ao passar por baixo dela Yeshua olha e chama Zaqueu, manda-o descer e o informa que ia visitar a sua casa, fato que mudou a sua vida para sempre.

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Mar da Galiléia. Ginosar. Monte das Bem Aventuranças. Tabgha. Cafarnaum. Rio Jordão. Muitos panoramas inesquecíveis pode-se levar na lembrança de Israel, mas para mim, depois de Yerushalayim, a mais bela visão foi a que ve no sexto dia da nossa viagem, bem cedo ao nascer do sol, quando ao abrir a porta do quarto do Hotel Rimonin Tibérias, pude contemplar bem à frente o Kinneret, Mar da Galiléia. A meu ver das regiões de Israel é a mais bela. Talvez Yeshua compar lhasse da mesma opinião, pois Ele escolheu esta região para concentrar uma boa parte do seu ministério. Uma área Panorama do Mar da Galiléia ao norte de Israel que possui 50 quilômetros de largura por 100 quilômetros de comprimento, totalizando 5.000 quilômetros quadrados. Tveryah, Tiberíades, nosso ponto de pernoite, é uma das quatro cidades sagradas para o judaísmo, sendo as demais: Yerushalayim (Jerusalém), Hevron (Hebrom) e Tzfat (Safed). Está localizada na costa ocidental do Kinneret, Mar da Galiléia e foi construída por Herodes An pas por volta do ano 20 d.C. Deixamos nosso hotel em Tibérias (outro nome para Tveryah) para embarcar em um agradável passeio pelo Lago de Genesaré, também mencionado nas escrituras como Mar de Tiberíades. No Tanach está registrado Passeio de barco no Mar da Galiléia seu nome original hebraico: Kinneret.


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Todos são referências ao Mar da Galiléia, um lago com 21 quilômetros de comprimento, largura que varia de 6 a 12 quilômetros, sua profundidade chega a 48 metros e está a 208 metros abaixo do nível do mar. Neste passeio de barco, pico do século I, é possível contemplar as cidades às margens do lago, ouvir e dançar músicas judaicas, cantar o Hino Nacional Brasileiro, além de ter a honra de erguer a bandeira do Brasil junto com a bandeira de Israel. Distando não muitos quilômetros de Tiberíades está o Porto de Ginosar, Genesaré, consequentemente o passeio de barco contempla um trecho significa vamente pequeno, e logo desembarcamos no referido porto. Ali chegamos diretamente ao “Museu do Homem na Galiléia” (Yigal Allon Centre - Man in the Galilee Museum), onde podemos ver entre muitos objetos que marcam a presença histórica do homem naquela região, um barco pesqueiro do século I, conhecido como “Barco de Jesus”. Seus restos resgatados e conservados medem 8,7 metros de comprimento por 2,3 metros de largura. Ele foi descoberto em 1986 durante uma seca no lago, e data entre 100 a.C. e 100 d.C. Uma incrível máquina do tempo que transporta nossa imaginação à 2.000 anos atrás. Do museu, por terra, fomos conduzidos ao Monte das Bem Aventuranças, local de beleza ímpar e incontáveis jardins, onde Yeshua pregou o seu famoso Sermão da Montanha. No cume desta colina está uma igreja franciscana, octogonal, construída pelo arquiteto italiano Berluzzi; marcando o local de um dos sermões mais influentes registrados no Ministério de Yeshua. Nesta colina, tendo como cenário de fundo o Kinneret, Mar da Galiléia, o nosso grupo experimentou momentos de importante comunhão, como se es véssemos ali assentados com os discípulos do Mestre alimentando-se com suas palavras. Descendo o monte, vamos encontrar na margem norte-ocidental do Kinneret a aldeia de Ein Sheva, Tabgha (hebraico “sete fontes”). Nesta aldeia exisram sete nascentes que fluíam em direção ao Kinneret, atraindo grande variedade de peixes, tornando-se local preferido para os pescadores. Tabgha é marcado pelos cristãos como cenário da mul pliMar da Galiléia - Tabgha cação dos cinco pães e dois peixes, tal qual a ter-

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ceira aparição de Yeshua após a ressurreição, trazendo em conjunto a ocorrência da pesca maravilhosa. Eventos esses registrados no livro de Yochanan, João, cap. 6 e 21. Em Tabgha se encontram instaladas as Igrejas da Mul plicação dos Pães (monastério benedi no) e do Primado de Pedro; bem como as ruínas de um porto para desembarque de pescados, que remonta à época de Yeshua, e aliás, a pesca na época do Mestre era uma rentável indústria naquela região. Ali vemos alguns momentos para contemplar as naus picas do primeiro século como que deslizando sobre o lago, e poder molhar os pés nas águas que um dia assis ram tantos milagres e prodígios realizados pelo nosso Salvador. De Tabgha seguimos para K’far-Nachum, Cafarnaum, carinhosamente conhecida como “cidadela de Jesus” ou também como seu “quartel general”. Seu nome significa “aldeia de Naum”. Nela aconteceram alguns dos eventos mais notórios no ministério de Yeshua. Encontramos um importante sí o arqueológico com descobertas Sinagoga importantes como a casa de Kefa, Pedro, local que certamente hospedou Yeshua. Há também a Sinagoga de Cafarnaum, onde Yeshua preletou seus ensinos. As atuais ruínas da Sinagoga são do período bizan no (entre séculos II e IV d.C.), porém, em suas estruturas mais profundas é possível ver a pedra de basalto negro que nos remete à época do Mestre. Ruínas de uma vila inteira foram escavadas neste sí o. Cafarnaum aparece em numerosas referências nas Sagradas Escrituras concernentes a realização de milagres no ministério de Yeshua. É preciso confessar que nosso roteiro foi incrível, e neste sexto dia rendeu muitas visitações. Até o sí o de K’far-Nachum fizemos pela parte da manhã, agora passamos a um almoço especial e único, onde nos foi servido o “peixe de São Pedro” (chromis simonis), pescado no Peixe de são Pedro Kinneret, e sem dúvida o mesmo peixe que alimentou o Rabi Yeshua, os discípulos e a mul dão que o seguia. Do saboroso peixe, descemos para o sul do ponto onde estávamos em direção ao Rio Yarden, Jordão₁, local em que ele flui para fora do Kinneret (Lago de Genesaré, Mar da Galiléia) em direção ao Mar


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de Sal. Seu nome em hebraico “Nehar Hayarden” quer dizer “o que desce”. Este rio nasce em território sírio, no Har Hermon, o Monte Hermon (2.814 metros de altura), e viaja 351 quilômetros sinuosamente até a depressão mais profunda da Terra, o Yam Há-Melah, Mar Morto, como você já sabe. Está divido em três trechos: da nascente até o Lago Merom (Hula), deste lago até o Kinneret, e por fim o seu maior trecho até o Mar Salgado [para melhor compreensão recomendo acompanhar esta leitura com um atlas bíblico ou com os mapas con dos no final deste livro]. Em linha reta mede 117 quilômetros de comprimento. Ele não é navegável, alguns lugares pode-se atravessar a pé e sua largura máxima é 60 metros. Nossa parada no Yarden, Jordão, é no “Yardenit” (Jordãozinho), um sí o para realização de cerimônias ba smais. Em nosso grupo havia pessoas que ainda não eram ba zadas, oportunidade inesquecível para a reaBa smo no Rio Jordão lização do Tevilá, ba smo, em Mikveh, tanque ba smal, que se cons tui da imersão ritual em água, pra cada pelo judaísmo, como símbolo de purificação. Mediante a Tevilá em Mikveh, o par cipante faz a Teshuvá, uma prá ca de voltar às origens do judaísmo, com o sen do de arrependimento dos pecados de maneira profunda e sincera. A imersão em Mikveh é da maneira correta que chamamos de “o ba smo de Jesus”. Foi sob este ritual judaico que o Messias Yeshua foi imerso nas águas do Yarden, em posição fetal, diferente do ba smo romanizado que nossa cultura evangélica se faz u lizar. Retornamos para Tveryah, Tibérias para descanso e a oportunidade incrível de assis r o entardecer no Yam Kinneret. Forma um cenário tão belo quanto o amanhecer. No mesmo roteiro deste sexto dia, região da Galiléia, durante a viagem de 2009, visitamos as Colinas de Golan, uma cadeia montanhosa bem ao norte do país, que faz divisa com a Síria. Estas colinas foram conquistadas por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967. No seu cume, que vai de 300 a 1.200 metros acima do nível do mar, podemos ter outra inquietante visão; a contemplação de toda a extensão do Kinneret com seus 21 quilômetros de comprimento; absolutamente

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fascinante! Há vídeos disponíveis no Youtube para que você possa ter um vislumbre desta visão. Notas Adicionais: ₁ O Yarden, Jordão, também exerce uma função fronteiriça, marcando a divisão territorial de Israel com a Jordânia desde o Mar da Galiléia até o Mar Morto, chamada fronteira norte. Ao a ngir a depressão do Mar Morto ele se torna o único rio do mundo que corre abaixo do nível do mar. É citado quase 170 vezes no An go Testamento e precisamente 15 vezes no Novo Testamento. Convém mencionar também que ele não é atraente aos olhos humanos, e que Naamã nha razão em não aceitar com prazer a ordem do profeta de se banhar no Yarden, pois suas águas são barrentas e escuras.


Caná. Nazaré. Monte do Precipício. Vale do Armagedom. Monte Carmelo. Cesareia MaríƟma. Jope. Tel Aviv. Monte Scopus. Entrada Triunfal em Jerusalém. Nesta época do ano que visitamos Israel (maio) os dias costumam ser mais longos, com isso aproveitamos o nascer do sol para sairmos bem cedo do hotel e fazer o nosso roteiro mais completo. A primeira visita deste sé mo dia foi à cidade de Kanah, Caná, região central da Galiléia. Lá visitamos a Igreja do Milagre do Vinho, templo católico da ordem franciscana, construída em 1879 sob ruínas cruzadas. Esta igreja marca o local do primeiro milagre de Yeshua, a transformação de água em vinho, descrito em Yochanan, João, cap. 2 - As Bodas de Caná da Galiléia, uma celebração de casamento. Evidências confirmam a auten cidade do local como sendo uma sinagoga do primeiro século, pois encontramos ali um tanque para purificação ritual, um Mikveh, e entre outros ar gos uma talha onde se armazenava vinho. Há discórdia entre os pesquisadores sobre o verdadeiro local do primeiro milagre. Distando cerca de oito quilômetros ao sul de Kanah, Caná, chegamos à moderna Natzeret, Nazaré (significa “florescer”); atualmente com 65.000 habitantes, grande maioria árabes, majoritariamente muçulmanos, e por isso considerada a capital árabe de Israel. No primeiro século era apenas uma pequena vila, sem nenhuma proeminência, na qual o Mestre Yeshua passou sua infância e adolescência; tempos mais tarde foi expulso e rejeitado pelo seu povo. Está situada em um platô a cerca de 350 metros acima do nível do mar, cravado no meio de montanhas. Distancia-se do Kinneret, Mar da Galiléia, apenas 25 quilômetros e de Yerushalayim, Jerusalém, cerca de 170 quilômetros. Ladeando Natzeret está o Monte do Precipício, uma colina que serviu de cenário do levante popular que planejou lançar Yeshua


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monte abaixo, em rejeição a seus ensinamentos, mas Ele percebendo a astúcia, desapareceu; episódio registrado em Lucas cap. 4. Do alto deste penhasco podemos contemplar além da moderna Natzeret, outros três cenários bíblicos de considerável importância, são eles: Ao sul o imenso Emek Yizreél, Vale de Jezreel; a sudoeste está o Har Karmel, Monte Carmelo (na direção do Mediterrâneo); e a sudeste vemos o Har Tavor, Monte Tabor₁ Vale de Jezreel (na direção do Jordão). Do cume do Monte do Precipício fizemos um “salto” de 40 quilômetros a sudoeste, na direção do Mediterrâneo, para conhecer um dos importantes cenários mencionados acima, o Karmel, Carmelo. Este monte faz parte de uma cordilheira com cerca de 30 quilômetros de extensão, que vai do Platô de Meneshe ao sul até a baía de Haifa ao norte. Seu ponto mais elevado chega a 546 metros. É o local onde se travou um combate entre fé e idolatria, quando o profeta Eliyahu, Elias, derrotou os 450 profetas de Ba’al (divindade principal do panteão cananeu). O Karmel é uma cordilheira muito fér l, com fauna e flora abundantes, cerca de 670 espécies de plantas crescem neste monte. Do cume desta montanha podemos apreciar outra impressionante vista do Emek Yizreél, Vale do Jezreel, ao leste. Este vale é também conhecido por outros nomes: Vale do Armagedom (Har Meggido) e Planície de Esdraelom. O vale é assinalado nas profecias apocalíp cas como o lugar da úl ma grande batalha da história humana, quando os exércitos do mundo todo cercarem Israel para sua total aniquilação. O vale também foi cenário de grandes vitórias e tragédias na história de Israel. Hoje é uma terra fér l e totalmente cul vada. Deixamos o Karmel para outra visita muito recompensadora. Rodamos mais alguns quilômetros costeando o Mediterrâneo₂ rumo às ruínas da cidade de Qesarya, Cesareia MaríƟma. No caminho encontramos, rasgando a paisagem litorânea, as colossais ruínas de um aqueduto romano construído para levar água potável até a referida cidade. Qesarya foi uma das jóias de Herodes, O Grande, que a construiu entre os anos 25 e 13 a.C., serviu como porto romano e capital


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da Província da Judéia (como Roma designou a dominada Terra de Israel), residência oficial dos governadores romanos por seis séculos. Em seu auge habitou 15.000 moradores. Passear por suas ruínas é como viajar no tempo, Aqueduto Romano conhecemos o hipódromo, o promontório, o que restou dos palácios de Herodes e Pilatos, casas de banho, residências, templos, o teatro e infinidades de peças em mármore e granito, que combinadas com as águas cristalinas do Mediterrâneo, temos um panorama mís co e indescri vel; pedras que contam do luxo e pompa que esta cidade vivenciou. Se arrolarmos em uma lista as cidades romanas estabelecidas no Oriente Médio, vamos descobrir que Qesarya era a mais avançada, minuciosamente planejada. Possuía um porto que desafiava a engenharia da época, formado por diques ar ficiais que avançavam 550 metros para dentro do mar, e também a primeira construção a u lizar como cimento submerso a cinza vulcânica. No quesito água potável, trazida ao longo da costa marí ma, desde o sopé do Karmel, por Teatro de Cesareia um colossal aqueduto, uma obra encantadora de arquitetura romana. Também possuía um complexo sistema de esgotos que canalizavam as águas desprezadas por baixo da cidade levando-as ao mar, sem falar da tecnologia de aquecimento de águas para as casas de banho, um luxo romano indispensável. São 2.300 anos de transformações, construções, destruições, reconstruções, desde a an guidade helênica ao período dos cruzados. Um vídeo está disponível no Canal Alchimac contando a história completa de Cesareia, acesse lá e assista. Seguindo pela orla do Mediterrâneo, 60 quilômetros ao sul, encontramos a cidadela de Yaffo, Jope (do hebraico “beleza”), a moderna Jaffa, que representou um importante porto da capital de Israel. Os cedros do Líbano u lizados na construção do primeiro e segundo Templo foram conduzidos pelo mar até Yaffo e dali a Yerushalayim, Jerusalém. Também foi neste porto que embarcou o profeta Yonah, Jonas, intentando fugir de Deus. Na B’rit Hadashah, o Novo Testamento, temos a

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ocorrência da cura de Tavita, Dorcas, pelas mãos de Kefa, Pedro, e a visão dos animais limpos e imundos. Também nesta cidade portuária que Pedro foi chamado para compar lhar a fé com o centurião Cornélio em Cesareia. Con nua a ser um porto de relevante importância para o país. Na década de 1950 Jaffa foi incorporada ao município de Tel Aviv₃ (quer dizer “colinas da primavera”), a segunda maior cidade de Israel; adotando o nome oficial Tel Aviv-Yaffo. Cidade moderna, com luxuosos arranha-céus, a maior concentração do mundo de edi cios modernistas. Representa a capital financeira e cultural do país, o centro de pesquisas e desenvolvimento, de ó mo clima e es lo de vida cosmopolita. Adquiriu a reputação de “a cidade que nunca dorme”, com seus supermercados 24 horas, shoppings e bares que nunca fecham. Enquanto quem deseja orar vai a Yerushalayim, quem deseja se diver r vai a Tel Aviv, o lugar para “ganhar e gastar dinheiro”. Com seus 405.000 habitantes é também conhecida como a “cidade branca”, patrimônio mundial pela UNESCO. Finalmente, depois de sete dias de peregrinações, exatamente no dia 14 de maio, chegamos à cidade onde tudo tem seu começo e seu fim, a medalha de ouro desta viagem, a emblemá ca e serena Cidade Santa de Yerushalayim. Entramos na cidade pelo lado nordeste, cortando o Har Hatsofim, o Monte Scopus, uma montanha com 826 metros acima do nível do mar que sempre exerceu importância militar. Nele, ocupando a paisagem, se encontra a Universidade Hebraica de Yerushalayim₄. Nas elevações do Hatsofim existem vários mirantes, locais des nados aos turistas que buscam uma visão ampla da cidade para registrar aquela foto inesquecível. Foi em um destes mirantes que o nosso grupo fez a primeira parada em solo sagrado, trazendo consigo um grande presente dos céus, a primeira visão da Cidade Velha e o Domo da Rocha. Muitos se emocionaram, outros bradaram de Vista de sobre o Monte Scopus - O Domo da Rocha alegria e gra dão; e neste clima de


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celebração foi realizada uma ceia em tributo à Cidade Santa. Conta-se um costume desde a an guidade que admite os viajantes de longe a celebrar uma ceia ao chegar em Yerushalayim. E para marcar mais ainda este local, foi por este mesmo monte que Yeshua entrou na cidade pela úl ma vez. Do Hatsofim par mos para o nosso derradeiro hotel na Terra Santa, o Crowne Plaza. Descanso e pernoite.

Notas Adicionais: ₁ Monte Tabor (do hebraico Har Tavor, significa montanha), também chamado Monte da Transfiguração, é uma colina que se eleva a 320 metros de altura, 575 metros acima do nível mar, a leste do Vale de Jezreel. A par r do século III renomados teólogos cogitaram a hipótese de este monte ser o mencionado em Ma yahu, Mateus, cap. 17, como local onde Yeshua transfigurou-se diante de três dos discípulos envolto em resplandecente luz. Essa teoria não pode ser provada, a arqueologia já abandonou essa idéia; mesmo assim, uma igreja construída em 1924 registra a memória desta passagem da vida de Yeshua. ₂ O Mar Mediterrâneo, com seus outros nomes: Mar Grande (como os judeus o chamam - Yam Gadol), Mar Ocidental, Mar dos Filisteus e Mar de Jata. Possui 4.500 quilômetros de extensão e uma super cie de 3 milhões de quilômetros quadrados. Suas águas banham a Europa Meridional, a Ásia Ocidental e a África Setentrional. Em Israel ele banha toda a costa ocidental. ₃ Em 1909 sessenta e seis famílias judias que viviam em Jaffa estabeleceram o primeiro bairro do que se tornaria a cidade de Tel Aviv, que recebeu seu nome oficial somente no ano seguinte. Foi de Tel Aviv que em 14 de maio de 1948 David Ben Gurion declarou a independência do Estado de Israel. ₄ Universidade Hebraica de Yerushalayim foi fundada no ano 1925, esteve de 1948 a 1967 sob possessão de Israel em território de domínio jordaniano; depois de 1967 ela foi re-fundada e domina o topo do Monte Scopus. Está entre as 100 melhores universidades do mundo. De seus ex-alunos já se destacaram cinco prêmios Nobel.

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YERUSHALAYIM, A CIDADE DO GRANDE REI Há um adágio popular que diz: “Não há cidade como Yerushalayim”. Mas o que faz esta cidade tão especial? Por que ir a Yerushalayim? Bem, as pessoas vão a Cidade Santa de Yerushalayim para subir o Monte das Oliveiras e lá contemplar a Cidade Velha ou para orar debaixo das centenárias oliveiras do Jardim do Getsêmani. Alguns vão a esta cidade para subir os degraus que levam ao pá o do Templo, onde Yeshua esteve; ou para conhecer a pedra que marca o lugar onde Abraão foi sacrificar seu filho Isaque. Muitos também desejam ver o Kotel, Muro das Lamentações (ou Muro Ocidental), tudo que restou do Grande Templo. Outros querem conhecer as Portas Sagradas da cidade, o Túmulo do Rei Davi, o Cenáculo e a Piscina de Siloé. Há os que visitam Yerushalayim para percorrer a Via Dolorosa, desde a Fortaleza de Antonia, cruzando pela Porta de Damasco até o Jardim do Túmulo, local da crucificação e sepultamento do Salvador, e ali contemplar a tumba vazia. Outros ainda que desejam compar lhar com o povo de Israel as festas sagradas: o Pessach, o Shavuot e o Sukkot (Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos). Mas de maneira geral, todos vão a Yerushalayim para uma experiência espiritual, em uma cidade onde facilmente pode-se mover entre os reinos do mundano e do celes al. Viajar no tempo entre as suas ruelas apertadas, e no empurra-empurra da mul dão, entre judeus, cristãos e muçulmanos, entender de verdade o que significa um “local sagrado”. E todos, defini vamente todos, fazem de Yerushalayim a sua Cidade Santa. Yerushalayim, traduzido do hebraico como Jerusalém, é a capital eterna e indivisível do Estado de Israel, e seu nome significa “habitação de paz”. O nome mais remoto registrado nas Escrituras é Salém, mas possui inúmeros outros nomes como: Jebus, Sião, Ariel, Lareira de Deus, Cidade de Jus ça, Santa Cidade, Cidade do Grande Rei e Cidade de David. Ela foi tomada por David, Davi, das mãos do jebuseus, por isso a designação de Cidade do Grande Rei; mas seu apogeu se deu durante o reino de Shlomoh, Salomão. Em sábias palavras, o


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renomado escritor Orlando Boyer definiu a grandeza de Yerushalayim: “Enquanto Roma era o centro polí co e Atenas, o centro intelectual, Jerusalém era o centro espiritual do mundo, a cidade de maior influência sobre a esperança e o des no do gênero humano”. Está situada em posição geograficamente privilegiada, a 800 metros de al tude e apenas 50 quilômetros do Mediterrâneo. Possui 125 quilômetros quadrados de área total, com 732.000 habitantes. A história da habitação desse local nos remete ao quarto milênio a.C. Sua principal área e mais sagrada é a Cidade Velha, uma extensão de 1 quilômetro quadrado, amuralhada, construída originalmente por David no ano 1004 a.C. Hoje suas muralhas abrem-se por oito portas (uma fechada) e abrigam quatro bairros residenciais: Bairro Armênio, Cristão, Muçulmano e Judeu. Desde 1981 é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. A história de Yerushalayim é longa e repleta de conflitos, disputada por sultões, reis, imperadores, e dominada inúmeras vezes. Resumidamente ela foi destruída completamente 2 vezes, si ada 23 vezes, atacada 52 vezes; capturada e recapturada 44 vezes. Na questão religiosa vemos duas marcas profundas, como manchas históricas: as destruições do Templo. A primeira aconteceu em 586 a.C. por N’vukhadnetzar, Nabucodonosor, rei de Bavel, Babilônia, e marca o fim da fase áurea de Yerushalayim. Séculos passados e após as reformas feitas por Herodes O Grande, vem a úl ma destruição pelas mãos do General Romano Tito, no ano 70 d.C. Mais à atualidade, vemos o General britânico Allemby libertando Israel durante a Primeira Guerra Mundial, favorecendo o renascimento do Estado de Israel em 1948 e o estabelecimento de Yerushalayim como sua capital. Mesmo após a criação do Estado oficialmente independente, a parte leste da cidade con nuava em poder dos árabes; foi quando em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, a totalidade de Yerushalayim foi reconquistada e unificada sob uma única bandeira. Certo historiador mencionou a seguinte frase, com muita propriedade: “A história desta cidade foi escrita a sangue e pedra”. Banhada em séculos de conflitos, a cidade jamais perdeu a sua mís ca, e comprovado está que nenhum homem, exército ou rei, conseguiu arrancar a aura de celes alidade que paira sobre ela.

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Monte das Oliveiras. Vale do Cedrom. Getsêmani. Monte Sião. Cenáculo. Tumba de Davi. Maquete de Jerusalém. Museu de Israel. Museu do Livro. Belém. Igreja da NaƟvidade. Campo dos Pastores. Passeio Noturno. No primeiro pernoite em Yerushalayim, a sensação é de paz, ora veja que o próprio nome da cidade sugere esse sen mento (casa da paz). A aspiração é de ter a ngido o ponto mais relevante da viagem, e de fato foi. Desde os dias no Egito e depois percorrendo o Estado de Israel de lado a lado, sempre repousava uma expecta va do dia em que chegaríamos a “cidade dourada”. Para mim a chegada no dia anterior pelo Monte Scopus foi marcante, embora sendo minha segunda vez, foi tão emocionante quanto à primeira. A cidade parece possuir uma aura espiritual, há momentos que somos transportados no tempo e fica diante de nossos olhos a impressão que vamos encontrar logo ali, dobrando uma esquina, Yeshua seguido por seus discípulos. Ainda no quarto do hotel neste primeiro dia já pude saborear uma vista magistral, a Cidade Velha, para onde estaríamos nos dirigindo na próxima hora. O primeiro ponto a visitarmos neste dia é o Har HaZei n, o Monte das Oliveiras, que nos dá a mais célebre visão de Yerushalayim, a cidade an ga e sua soberana muralha. Brilha aos olhos a cúpula de ouro da Mesquita de Omar que está na Esplanada das Mesquitas, ou melhor, o Monte do Templo, o solo mais sagrado da cidade, o local onde esteve em pé Grupo no Monte das Oliveiras - Visão da Cidade Velha o Beit Hamikdash, o grande Tem-


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plo. Não posso esquecer-me de mencionar a Porta Harahamim, ou Porta Dourada, que está lacrada aguardando a chegada do Messias. O Har HaZei n, Monte das Oliveiras, a leste da velha Yerushalayim, separando-a do deserto da Judéia, forma uma cordilheira de aproximadamente 3,5 quilômetros, e possui três elevações: Pico Norte com 818 metros; Pico Central com 812 metros e o Pico Sul com 734 metros. Nos dias do An go Concerto esse monte era coberto de oliveiras, vinhas, figos, entre outras árvores fru feras. Está separado do Monte do Templo pelo Nahal Kidron, o Vale do Cedrom (também chamado de Vale de Josafá). Este vale em relação ao Monte do Templo, que domina a paisagem, está a 120 metros de profundidade. Desde a an guidade o Kidron e o Har HaZei n, têm sido u lizados como um cemitério₁. Em sua encosta existem aproximadas 150.000 tumbas, algumas do primeiro século. Este monte foi um dos locais preferiTumbas existentes em toda a encosta dos por Yeshua para ensinar os discípulos, e do Monte das Oliveiras e Vale do Cedrom também foi neste monte que Ele chorou pela cidade de Yerushalayim. Do topo deste importante monte, descemos a pé passando bem perto das centenárias tumbas ali existentes rumo ao Gat-Sh’manim, o Getsêmani₂. O Jardim do Gat-Sh’manim registra o local mais próximo de onde Yeshua orou e agonizou pela humanidade; também é o local onde o meigo Salvador foi capturado pela escolta do sumo sacerdote. Este jardim está a esquerda da Basílica da Agonia, uma igreja católica franciscana construída entre 1919 e 1924 sobre Oliveira mais an ga existente as fundações de duas no Jardim do Getsêmani. igrejas anteriores, uma Porta Dourada - Lacrada bizan na do século IV e outra cruzada do século XII. Essa igreja está bem em frente da Porta Dourada, construindo um cenário encantador a par r do Vale do Cedrom. Ainda a leste da cidade, atravessamos o Kidron em direção ao Har Tzyyon, o Monte Sião, costeando a muralha da Cidade Velha; a pé

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passamos em frente à Porta de Tzyyon, Sião, caminhando rumo ao Cenáculo. O Monte Tzyyon é uma elevação de 777 metros, seu al plano era chamado de cidade alta. Foi tomada por David das mãos dos jebuseus e posteriormente conhecida como “monte santo”, pois ali repousou a Arca da Aliança. Após a construção do templo por Shlomoh, Salomão, Tzyyon foi u lizada para se referir também ao monte do templo e em algumas referências designava a própria cidade de Yerushalayim. Pelas ruas estreitas do monte, fora dos muros da Cidade Velha atualmente, passamos pela robusta Abadia Hagia Sion (muito destacada na paisagem), an ga Basílica da Dormição, uma construção do início do século passado e que seria o lugar da morte de Miryam, Maria, mãe de Yeshua, isto segundo a tradição católica; mas é em Éfeso, na Turquia, que está a casa onde Maria viveu seus úl mos dias. Percorridos mais alguns metros, entramos pelos acessos, um labirinto de corredores superiores e inferiores, que nos levam ao Cenáculo, local onde o Mestre celebrou com os apóstolos o úl mo seder (ceia) de Pessach, Páscoa, e também onde estavam reunidos os discípulos durante o Shavuot₃, Festa das Colheitas (Pentecostes). Neste edi cio de dois pavimentos o Cenáculo ficava no superior, e a atual arquitetura é gó ca bizan na do século XIV, um templo para todas as religiões. O local originalmente era uma sinagoga, poupada da destruição da cidade em 70 d.C., algumas paredes da época ainda permanecem ali. Os judeus, e não somente eles, possuem uma ín ma ligação com o sagrado, e geralmente estão ligados a fatos e pessoas históricas. Neste mesmo edi cio do Cenáculo, salão inferior, está um desses locais sagrados importan ssimos, o Túmulo do Melekh David, Rei Davi. Desde o período medieval repousa ali um invólucro de pedra que se supõe conter os restos mortais do grande rei. Quando visitamos o seu túmulo durante algum feriado judaico (neste nosso caso o feriado do Shavuot - explicarei mais adiante), é distribuído gratuitamente o Tehilim, Sarcófago do Rei David livro dos Salmos, amplamente u lizado


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em devocionais. Nesta ocasião que es vemos ali, estava lotado de devotados judeus, em constantes orações e estudos; é proibido filmar e fotografar neste dia; homens e mulheres têm acessos separados ao local. Uma importante lição que pudemos aprender no túmulo é: os judeus são bastante ciumentos com seus locais santos, e em momentos fes vos como este, a presença de turistas gen os não é bem vinda; outrora que é bem claro e de conhecimento de todos que este não foi o local original do sepultamento de David. David carrega na sua história o tulo de maior Rei de Israel e seu nome significa literalmente “amado”. Reinou por 40 anos. As cronologias bíblias mais aceitas atribuem sua morte ao ano 970 a.C. Par mos do Monte Sião para a região central da cidade moderna para visitar um sí o de relevante importância. A primeira visita foi na Maquete de Yerushalayim, uma representação da cidade em miniatura de proporção 1:50 com uma extraordinária riqueza de detalhes, que remonta à época que antecedeu a úl ma grande destruição em 70 d.C. Ela nos fornece uma nova perspec va Maquete do Monte do Templo e uma realidade da excelência que nha a an ga cidade de Yerushalayim. A maquete que conhecemos é parte conexa do Muze’on Yisra’el, o Museu de Israel, um complexo gigantesco contendo a arte e a arqueologia da Terra Santa, um dos maiores museus de arqueologia bíblica do mundo, fundado em 1965, ao qual visitamos no segundo momento. Seu conteúdo é uma viagem em milênios de histórias, das civilizações e grandes impérios. O grande museu está dividido em inúmeras alas, uma delas é o Heikhal HaSefer, o Museu do Livro, a casa dos manuscritos do Mar Morto, os pergaminhos encontrados em Qumram. Seu edi cio possui uma insólita arquitetura, um marco na categoria museus do século XX. Para diversificar a viagem, nas imediações do meio dia deixamos o centro de Yerushalayim cerca de 10 quilômetros para o sudeste. Entranhada nas montanhas da Judéia encontramos Beit-Lechem₄, Belém, o palco de importantes acontecimentos da história de Israel. Uma cidade com atualmente 25.000 habitantes, majoritariamente muçul-

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manos, sob dominação da Autoridade Pales na, pertencente a uma região chamada Cisjordânia. O acesso a judeus é restrito e os limites estão fortemente murados. Está sobre uma colina a 750 metros acima do mar. Nesta cidade marcam três fatos decisivos. Primeiro: local de nascimento de David. Segundo: local da unção de David como rei de Israel. Terceiro e mais recente: cidade de nascimento de Yeshua. Na época de David e posteriormente de Yeshua, era apenas uma aldeia, sem importância relevante; o próprio Senhor durante o seu ministério nunca visitou Beit-Lechem, Belém. Em todo o Israel existem igrejas, quase sempre romanas, marcando os lugares importantes para a cristandade; em Belém não poderia ser diferente, na verdade encabeça a própria história cristã. Em memória do nascimento do Salvador do mundo, encontramos nela a Basílica da NaƟvidade, a igreja arrolada entre as dez mais an gas em uso no mundo. Atribuída a construção original ao imperador Constan no no ano 326 da presente era, posteriormente reedificaBasílica da Na vidade da por Jus niano entre os anos 527 e 565. Foi cenário da coroação do Rei Balduíno I no Natal de 1100 d.C., pelos cruzados, reino la no de Yerushalayim. Através dos séculos recebeu várias portas, porque cada rei e imperador que governava na época deixava a sua própria marca. Atualmente é conhecida como a Porta da Humildade, com 125 cen metros, obrigando o visitante a dobrar-se para ter acesso à Basílica. Em escavações no subsolo podemos visitar uma gruta marcada como o lugar que Yeshua nasceu. Não existem evidências absolutas que a Na vidade tenha sido o local exato do nascimento do Senhor, mas como símbolo e memória, alcança o seu obje vo. Também nesta cidade encontra-se o Túmulo de Rachel, Raquel, esposa do patriarca Ya’akov, Jacó. O episódio da morte de Raquel nos dá a primeira referência nas Escrituras Sagradas da existência desta cidade. Da igreja da Na vidade percorremos um caminho que dista três quilômetros da cidade aproximadamente, para conhecermos o Campo dos Pastores, local onde nos conta a tradição que o Anjo do


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Senhor apareceu aos pastores no campo e lhes anunciou o nascimento do Mashiach, O Messias. Este campo é uma propriedade controlada pela Igreja Romana. Os passeios deste dia foram realmente muito gra ficantes, marcados com muitas histórias e temperados com fortes emoções. Grande o privilégio de conhecer o que ouso declarar como a “minha” própria história. Retornamos a cidade dourada, Yerushalayim, para descanso, pois as a vidades do dia ainda não haviam terminado por completo. Logo após o jantar, o grupo foi presenteado com um passeio noturno. Nosso primeiro ponto foi conhecer o Knesset, o Parlamento de Israel, um edi cio erigido em 1957 e representa o poder legisla vo do país. Em frente do Parlamento encontramos um cobiçado monumento pelos turistas, a Menorah HaKnesset, a Menorah do Parlamento, feita em bronze, com cinco metros de altura, que, junto à estrela de David, é um símbolo nacional, estando presente no brasão da nação. Menorah, traduzido como lâmpada, é um candelabro de sete braços, o mais difundido símbolo do judaísmo. Criado origiMenorá do Parlamento nalmente por Moshê, Moisés, sob minuciosas ordens do Eterno, em ouro maciço para u lização no Lugar Santo do Tabernáculo e posteriormente no Templo. A luz da Menorah simboliza a Shekinah, a presença do Eterno Deus, e para os cristãos a sua ligação com Yeshua, a luz do mundo. Con nuamos nosso passeio noturno, percorrendo as cercanias da Cidade Velha e as muralhas. Recebemos o primeiro dos vários privilégios de se estar em Yerushalayim nestes dias, vou te explicar: No dia anterior, 14 de maio, quando chegamos à cidade, as comemorações do Shavuot, Pentecostes, a Festa das Primícias, estavam oficialmente abertas, portanto, judeus de todas as partes estavam também chegando à cidade. Neste passeio noturno nós cruzamos por um grupo de judeus que estavam deixando a sinagoga, e com isso o privilégio de estar Judeus na saída de uma Sinagoga bem próximos da acesa chama do juda-

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ísmo e somar também o elemento cultural expresso neste povo. São poucos períodos no prazo de um ano que um turista pode se deparar com cenas como estas, de judeus de todos os lugares reunidos na Cidade Santa; honra que estaria por se tornar ainda mais intensa no dia posterior. Em con nuação ainda passeamos no Shopping Mamilla Mall, bem ao lado das muralhas e da Porta de Jaffa. Encerrando o passeio noturno, retornamos ao hotel e ainda foi possível apreciar a movimentação dos judeus que lotavam os saguões até tardes horas da noite. Para mim em especial, esse convívio muito próximo com os judeus, principalmente em período fes vo, me trouxe uma realidade “apalpável” da cultura judaica, desde os cuidadosos pratos servidos no restaurante, observando a dieta judaica durante esta festa das primícias, até os elevadores com o serviço de Shabbat a vado, onde não é necessário acionar os andares, o elevador estaciona automa camente em todos os andares, não sendo necessário ao judeu tocar em qualquer botão. São pequenos elementos que normalmente as pessoas não relevam importância, mas que transmitem uma história; pequenos hábitos observados a milhares de anos que declaram temor ao Eterno. Enfim, no quarto para descanso, 40 minutos de molho na banheira para relaxar o sico e ouvindo “Yerushalayim Shel Zahav” para encerrar este primeiro dia com espírito quebrantado e coração emocionado.

Notas Adicionais: ₁ Uma jus fica va da u lização do Vale do Cedrom e Monte das Oliveiras como cemitério está baseada em uma tradição judaica. Diz que o tribunal do juízo estará em frente do Moriá, no Vale de Josafá, e que na ressurreição dos mortos toda a humanidade se reunirá no Monte das Oliveiras. Quem es ver sepultado ali serão os primeiros presentes neste evento. ₂ Gat-Sh’manim, Getsêmani, significa “Prensa de Azeite”. ₃ Shavuot, conhecida como Pentecostes, era chamada a “Festa das Colheitas”, onde os judeus peregrinavam a Yerushalayim para oferecer oferendas das primícias da colheita. ₄ Beit-Lechem, Belém, seu nome quer dizer “Casa do Pão”.


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Yerushalayim Shel Zahav Avir harim tsalul k’yayin Vereiyach oranim Nissah beru’ach ha’arbayim Im kol pa’amonim. U’vtardemat ilan va’even Shvuyah bachalomah Ha’ir asher badad yoshevet Uvelibah - chomah. Chazarnu el borot hamayim Lashuk velakikar Shofar koreh behar habayit Ba’ir ha’a kah. Uvme’arot asher baselah Alfei shmashot zorchot Neshuv nered el Yam Hamelach B’derech Yericho. Refrão: Yerushalayim shel zahav Veshel nechoshet veshel or Halo lechol shirayich Ani kinor

Ach bevo’i hayom lashir lach Velach likshor k’tarim Katon mitse’ir bana’ich Ume achron ham’shorerim. Ki shmech tsorev et hasfatayim Keneshikat saraf Im eshkachech Yerushalayim Asher kulah zahav. Yerushalayim shel zahav Veshel nechoshet veshel or Halo lechol shirayich Ani kinor Halo lechol shirayich Ani kinor

Jerusalém de ouro O vento das montanhas, claro como o vinho E o cheiro dos pinheiros É levado pela brisa do crepúsculo Junto com o som dos sinos. E no sono profundo da árvore e da pedra, Presa em um sonho, Está a cidade solitária E no seu coração - um muro. Voltamos aos poços de água, Ao mercado e à praça O shofar chama no monte do templo Na cidade velha. E em cavernas nas montanhas Milhares de sóis brilham Descemos novamente ao Mar Morto Pelo caminho de Jericó. Refrão: Jerusalém de ouro De bronze e de luz Por que não ser eu o violino para todas as suas canções? Porém hoje venho cantar para E te elogiar Eu sou o menor dos teus filhos jovens E um dos úl mos poetas. Teu nome queima os lábios Como o beijo de um serafim Se eu te esquecer Jerusalém Que é toda de ouro. Jerusalém de ouro De bronze e de luz Por que não ser eu o violino para todas as suas canções? Por que não ser eu o violino para todas as suas canções?

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Porta do Monturo. Parque Arqueológico de Jerusalém. Monte Moriá. Muro das Lamentações. Yeshivat HaKotel. Tanques de Betesda. Fortaleza Antonia. Via Dolorosa. Quinta Estação. Igreja do Santo Sepulcro. Muristão. Porta de Damasco. Jardim do Túmulo e Calvário. Mercado Árabe. O nono dia de viagem ocorreu em 16 de maio, o úl mo em Yerushalayim, um dia fa dico, mas de grandes emoções. Um dia repleto de surpresas e experiências inesquecíveis, que vai contar de morte, vida, fé e esperança. Mais uma oportunidade para aprender sobre tradição, zelo e amor exemplar, e também para ficar na memória eternamente. Deixamos o hotel para nosso úl mo dia de visitas pela Terra Santa. Contornando a Cidade Velha chegamos a Porta Ha’Ashpot, do Monturo, uma das oito portas atualmente existentes na parte velha da cidade, sendo as demais: Porta Hahadasch (Nova), Porta Schkem (Damasco), Porta Haprahim (Herodes), Porta Ha’A’Rayot (Leões), Porta Harahamim (Dourada - lacrada), Porta Tzyyon (Sião) e Porta Yaffo (Jaffa). No final do livro você encontrará um mapa para situar cada porta à sua localização na planta da Cidade Velha. Veja nas notas a relação completa das doze portas originais₁ registradas nas Escrituras. A Porta do Monturo nos deu acesso ao Parque Arqueológico de Yerushalayim. Neste complexo encontramos os restos intocáveis do período do segundo templo, os restos entulhados que ficaram após a pilhagem de Tito no Parque Arqueológico de Jerusalém ano 70 d.C., além de escavações


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que remontam ao período do primeiro templo. Neste parque conseguimos por um segundo imaginar a grandeza e importância exercida pelo Templo. Das ruínas ali existentes podemos verificar pelos entalhes sobressalentes no grande Muro Ocidental (Muro das Lamentações) do que um dia foi o imponente Arco de Robinson (12,8 metros de largura) que servia como uma ponte de acessos ao pá o do Templo; uma excepcional obra arquitetônica. Passando abaixo deste arco havia o Cardo, a rua Ruínas do Arco de Robinson principal da Cidade Velha, hoje um pequeno trecho escavado, ruínas do piso original e um complexo de salas que formavam um “shopping” muito movimentado. É passível de explicação esse quesito “shopping” do Cardo. A maior parte dos peregrinos que vinham do sul do país acessavam a cidade diretamente ao Templo e acabavam por cair nas mãos dos gananciosos comerciantes do Cardo, que se aproveitavam muitas vezes do cansaço da viagem e da expecta va de adentrar rapidamente à Casa do Senhor para prestar seus sacri cios. Estes cambistas, vendedores de animais e todo po de produto, muitas vezes arrancavam todas as reservas de dinheiro que o viajante possuía. Par ndo deste pressuposto de um comércio inescrupuloso, em que estes comerciantes tornavam o Templo mo vo de lucra vidade, foi o que causou irritação em Yeshua, e foi ali que ele derrubou as mesas dos cambistas e os expulsou, alegando que eles faziam da Casa de Deus um covil de ladrões. Mais ao sul da Esplanada do Templo, ainda no parque, encontramos as portas dupla e tripla, as Portas de Huldah, atualmente fechadas, que também davam acesso ao pá o do templo por uma imensa escadaPorta Tripla de Huldah ria. Embora não tenhamos visitado o Monte do Templo, o Moriyah, propriamente dito (quando falo Monte do Templo, Esplanada do Tem-

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plo e Esplanada das Mesquitas, estou falando do mesmo lugar), mas estando tão próximos de importantes ruínas de acesso a ele, que resumidamente vou contar um pouco da sua trajetória: A primeira menção desta colina está no livro dos começos, quando Avraham, Abraão, foi solicitado pelo Eterno para sacrificar seu amado filho Itz’chak, Isaque. Neste local Shlomoh, Salomão, inaugura em 959 a.C. o primeiro grande Templo, o Beit Hamikdash₂, conforme já mencionado anteriormente, que foi destruído em 586 a.C. por N’vukhadnetzar, Nabucodonosor. A par r de 520 a.C. inicia-se a sua reconstrução por Z’rubavel, Zorobabel (retornados do exílio), sob o mandato de Daryavesh, Dario II. No ano 20 a.C. Herodes, o Grande, inicia uma reforma geral, ampliando e embelezando o Monte do Templo ao ponto de “talvez” este segundo tenha sobrepujado a glória do primeiro. As obras deste segundo Templo ainda não estavam finalizadas na época de Yeshua. Fatalmente anos depois, em 70 d.C., após sua recente conclusão (63 d.C.), a sagrada Casa do Senhor cai pela úl ma vez. O Moriyah ficou desolado pela inves da romana, porém, esta colina jamais perdeu sua mís ca. Em 691 d.C. o califa Abd Al-Malik construiu a Mesquita Muçulmana de Omar, o Domo da Rocha (cúpula de ouro); uma construção octogonal de 17,5 metros de cada lado e 60 metros de altura. Sua cúpula banhada em ouro fica exatamente acima da pedra que pode ter sido o local do sacri cio de Itz’chak e posteriormente a Eira da Araúna que David comprou para consMesquita de Omar trução do Templo. Na parte sul do monte, por volta do oitavo século, foi construída outra mesquita, Al-Aksa (cúpula de prata), a mais importante do Islã depois de Meca e Medina. Al-Aksa, séculos depois de sua construção, serviu como palácio do Reino de Jerusalém e quartel general dos Cavaleiros Templários; quando da conquista de Saladino (1187 d.C) ela retornou a seu caráter de mesquita. Desde então, este monte tem sido desejado por judeus e muçulmanos, cada um requerendo legi midade e autoridade sobre o local. Abro um parêntese aqui: Os judeus pra cantes não costumam entrar na Esplanada do Templo, isso porque não é sabido a localização


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mais precisa do Lugar San ssimo, compar mento do Templo que só o sumo sacerdote poderia ter acesso, sendo assim, eles são adver dos a não pisarem naquela esplanada para evitar profanar o lugar em que o Eterno habitava, e assim profanar toda a santa Casa de Deus. Um zelo invejável! Para um maior entendimento do leitor de como era formada a região do Templo nos dias de Yeshua, elaborei dois quadros compara vos ilustrados, que você vai encontrar bem no final deste compêndio. Estes quadros esclarecerão muito sobre a Esplanada do Templo an ga e o que resta dela nos dias modernos. Ainda dentro desse complexo arqueológico vamos encontrar o Centro Davidson, local que poderíamos classificar como um museu, contendo inúmeros achados que retratam a vida e os costumes judaicos nos arredores do Templo, a Célula Mater da sociedade judaica da época. É exibido ali um vídeo que traz ao expectador uma viva sensação de como era a experiência de chegar-se ali e prestar o seu sacri cio. Mas foi antes do término das visitações no parque, que ocorreu algo inusitado, o autor, este que vos escreve, por espontânea vontade, separou-se do grupo; e por estranho que pareça, foi mo vado pelo toque do Shofar (trombeta feita de chifre de carneiro). Vou te explicar como isso ocorreu: Como estávamos em Yerushalayim em um feriado sagrado, o Shavuot, com milhares de famílias reunidas na cidade, e a proximidade do lugar onde estávamos do Muro das Lamentações, podia-se ouvir, como ecos milenares, as músicas e cân cos de celebrações de Bar Mitzváh, a maioridade judaica. Aqueles cân cos e toques do Shofar arrebataram meu coração e certamente roubaram minha razão, resultando no meu afastamento Celebrações em família de Bar Mitzváh do grupo para ver mais de perto aquelas celebrações. Não estava no plano o fato de não mais encontrar

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o grupo, devido aos inúmeros caminhos existentes ali; sendo assim iniciei uma peregrinação solo pela Cidade Velha. Retornei ao acesso principal, pela Porta do Monturo, onde, para todos os lados, viam-se as famílias reunidas celebrando a maioridade judaica de suas crianças, que oficialmente ocorreria no pá o do Muro Ocidental, o Kotel. O Bar Mitzváh, significando filho do mandamento, é uma cerimônia em que o menino com 13 anos e a menina com 12 (para meninas se u liza Bat Mitzváh, filha do mandamento) passam a integrar a comunidade judaica como um membro maduro, responsável por seus atos, conforme a Torah. Na cerimônia o menino é chamaMenino carregando os rolos da Torá do para fazer pela primeira vez a leitura pública da Torah, e a par r deste momento passa a ser um membro a vo da Sinagoga. Tanto as celebrações com danças como a cerimônia oficial são de rar o fôlego, pois transmitem alegria e um pomposo peso de significado (veja vídeo das celebrações em família no Canal Alchimac). Da Porta do Monturo me dirigi à Praça do Muro Ocidental, o Kotel, conhecido internacionalmente como Muro das Lamentações, a parede ocidental do Templo, a única poupada pelo general Tito na

O Kotel


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bancarrota de Yerushalayim no ano 70 d.C. Ele deixou esta parede para que os judeus lembrassem a grande destruição do Templo. O Kotel₃, local sagrado para o judaísmo, é o que se acredita ser o ponto mais próximo de onde esteve o lugar Santo dos Santos da Sagrada Casa, vários metros acima. A muralha na época de Yeshua nha algo por volta de 60 metros de altura e 485 metros de comprimento. A esquerda do pá o do Muro, na direção nordeste, está o Arco de Wilson, ruínas de outra magistral ponte de acesso ao pá o do Templo; hoje o local abriga uma importante Sinagoga, u lizada pelos judeus para uma variedade de eventos e cerimônias, ou simplesmente para orações e estudos. É preciso e inevitável mencionar aqui neste ponto, o Kotel, o lugar mais emblemá co do planeta, da celes alidade que paira ali. Em experiência pessoal parece haver uma presença forte do Eterno naquela imediação, o que acredito de fato que seja. Vemos quando da inauguração do primeiro Templo pelo Rei Salomão que a preVista do Kotel sença do Eterno ocupou aquela Casa e prometeu permanecer ali para sempre. Eu não teria mo vo de pensar que em algum momento essa promessa tenha sido quebrada ou interditada por algum advento histórico. Os templos foram destruídos, mas a presença de Adonai permaneceu naquele lugar como que a espera do momento certo, quando o terceiro Templo será erigido. Deixando a praça do muro iniciei uma inves ga va viagem pelos labirintos de ruas apertadas do bairro judeu, para ver aonde elas me levariam; considerando que eu já havia estado uma vez nesta cidade, sendo assim poderia tomar a direção desejada e seguir sem problemas para pontos referenciais como as portas da cidade (não recomendo ao turista de primeira viagem se perder na parte velha da cidade; é bem provável que vai acabar encontrando problemas). A primeira importante parada foi em frente ao Yeshivat HaKotel, o Centro de Estudos da Torah, uma ins tuição fundada a mais de 40 anos, com 24.000 metros quadrados, a maior ins tuição de ensino da Cidade Velha, dedicada inteiramente ao estudo da Torah, a essência da vida judaica. Nos vários pá os existentes ali, encontrei ruínas bi-

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zan nas com arcos e colunas colossais, além de um monumento que desejava muito conhecer, a Menorah de Ouro, uma réplica do candelabro de ouro que exis a no Templo, perdida na úl ma destruição de Yerushalayim. Seguindo pelas ruelas do bairro judeu, com frequência encontrei pendendo das janelas residenciais as bandeiras de Israel e Yerushalayim, representando Menorá de Ouro a viva chama nacionalista. Bandeira na janela Percorri mais algumas centenas de metros de confusos entroncamentos bidirecionais e já estava no bairro muçulmano. É muito di cil seguir uma direção certa, pois um acesso errado a gente já caminha para o lado contrário que deseja ir. No bairro muçulmano não me prendi muito às visitações, rumei direto à Porta Ha’A’Rayot, dos Leões (referências nas Escrituras chamam esta porta “das Ovelhas”), contornando todo o norte da Esplanada das Mesquitas. Chegando a esta porta me sentei no caminho para descansar um pouco e fazer um lanche, então encontrei a sombra de uma árvore e um momento de sossego. A próxima visita estava a alguns metros dali, as escavações dos Tanques de Bet Hisda, Betesda. Estas ruínas foram encontradas a par r do ano 1888 da presente era. O sí o arqueológico encontrado ali nos conta um dos milagres de Yeshua, a cura de um paralí co, registrado em Yochanan, João, cap. 5. Eusébio, em seus escritos, faz referência a “tanques gêmeos”, que teria 120 metros de comprimento e 60 metros de largura, dividido ao meio por uma série de alpendres. Lá permanecia uma mul dão de inválidos, que aguardavam a agitação das águas para baEscavações Tanques de Betesda nhar-se e receber a cura. Séculos pas-


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sados, sobre os escombros dos tanques, foi construído um santuário bizan no, flagelado pela invasão persa em 614 d.C. Uma reconstrução por parte dos monges foi realizada, mas novamente destruída, agora pelos árabes em 1010 d.C. Com a chegada dos Cruzados à Yerushalayim houve uma grande revitalização de lugares santos, no total foram trinta e cinco igrejas construídas, além de muitas outras reformadas e ampliadas. Entre elas, no ano 1140 d.C. está a Basílica de Sant’Ana, localizada ao lado das escavações dos Tanques de Bet Hisda, Betesda. Esta igreja celebra o local de nascimento de Miryam, Maria, a mulher que deu a luz ao Mashiach, Messias, bem como a sepultura de Hannah, Ana, a mãe de Maria. Importante mencionar que este templo também é conhecido pela sua acús ca extraordinária. Mais uns poucos metros, deixando Betesda e Sant’Ana, cheguei a um complexo de igrejas e conventos onde 2.000 anos atrás esteve erigida a Fortaleza de Antonia, ao norte da Esplanada do Templo. Uma construção que de nha 120 metros de comprimento por 45 metros de largura. Marca oficialmente o início da Via Dolorosa. Neste forte, originalmente asmoneu, do período macabeu, foi reconstruído por Herodes entre 37 e 35 a.C., anexado e conectado ao Templo, ocupava uma posição estratégica e serviu como torre de vigia da cidade (veja Quadro Compara vo I e II no final do livro). Neste forte Yeshua esteve preso, chicoteado, julgado e condenado por Pilatos. O local hoje é ocupado por três santuários principais, da Flagelação, da Condenação, bem como a Igreja Ecce Homo. A par r desse ponto o Salvador inicia sua jornada até o Gólgota. Em Antonia visitei o Santuário da Flagelação (onde Yeshua foi ferido), depois o da Condenação (ali Yeshua foi condenado à morte), mais alguns passos pela Via Dolorosa cheguei a Igreja Ecce Homo, e seu arco do período romano. Segundo alguns historiadores o Arco Ecce Homo seria a porta de acesso à fortaleza, mas há quem defenda que este arco não é do período romano. No subterrâneo desta Placa marcando o caminho percorrido por Jesus igreja encontram-se vários andares escavados na rocha contendo calabouços e celas, e o local do como da

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prisão do Senhor. Quando adentrei no referido local minha mente foi tomada de impressões de tortura e dor, imaginando a brutalidade de uma prisão romana, mas acima de tudo, uma aura de profunda tristeza pela possibilidade horripilante de ter o meu Salvador encarado uma noite naquele lugar de suplício. Prosseguindo a Via Dolorosa, deixando Antonia para trás, nos passos do Senhor, em peregrinação solo, obje vei por mudar o caminho tradicionalmente realizado pelos turistas evangélicos rumo ao Jardim do Túmulo e tomei o caminho da Igreja do Santo Sepulcro, deixando o Bairro Muçulmano e ingressando no Bairro Cristão. Neste caminho encontram-se as estações da cruz, marcando as paradas e quedas do Senhor, em especial a Quinta Estação, que estava em meus planos conhecer. Essa estação é o local descrito como o encontro de Yeshua com Shim’on, Simão, homem de Cirene que passava pelo caminho vindo à Yerushalayim para comemoração do Pessach, Páscoa, a que foi constrangido pelos soldados romanos a carregar a cruz (madeiro/estaca) até o Gulgolta, Gólgota (lugar da caveira), Quinta Estação visto que Yeshua estava demasiado sem forças para con nuar sozinho (as inúmeras flagelações sofridas acabaram fisicamente com ele). Sempre penso no privilégio ímpar que Simão recebeu, ajudar o Salvador da humanidade a terminar sua missão neste mundo. Esta estação tem por tradição um bloco de pedra, onde se entende que o Senhor tenha se apoiado; por este mo vo os turistas e peregrinos costumam passar ali e posicionar a palma da mão na referida pedra, resultando com o passar dos séculos uma erosão no perfeito formato de uma mão. A importância desta estação é uma homenagem a meu o, Tito, que me pediu para conhecer esse local e registrar minha presença ali. O pedido foi atendido. Constrangi um turista americano que passava por ali no momento para registrar uma fotografia da minha pessoa ao lado da mencionada pedra. Sem maiores delongas, finalmente cheguei à Igreja do Santo Sepulcro, atualmente dentro dos muros da Cidade Velha. Uma cons-


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trução bastante controversa, encerra em si as úl mas estações da via dolorosa, local aceito pelo catolicismo romano como da crucificação e ressurreição do Senhor Yeshua. Neste local a primeira construção foi um templo a Vênus, iden ficada como local sagrado pela Imperatriz Helena (mãe de Constan no), que ordenou a derrubada do templo pagão e a construção de uma enorme basílica em 326 d.C. Um século depois foi reformada e permaneceu até ser destruída em 1009 d.C. Com a vinda dos cruzados ela foi reconstruída e consagrada em 1149 d.C. e assim permanece até hoje sem alterações significa vas. No interior dela visitei a pedra “adorada” pelos peregrinos onde supostamente foi colocado o corpo morto do Salvador. Nada original da época ainda existe, tudo foi removido e desar culado na destruição de 1009 d.C. e perdido durante o século seguinte. Parece que paramos no tempo andando por aquelas ruas, a noção da passagem do tempo fica confundida entre ruas e construções milenares, ruínas de milênios de histórias, pedras que falam por si próprias. Muito próximo à Igreja do Santo Sepulcro, totalmente fora do meu roteiro, mas igualmente interessante, estão ruínas que marcam um local an go chamado Muristão; hoje um extenso comércio do bairro cristão, o Suq A imos. Originalmente ali foi um grande hospital construído para cuidar dos peregrinos cristãos à Terra Santa. Sua primeira referência histórica nos leva ao ano 600 d.C. No período da primeira Cruzada, 1099 d.C., o local ganha destaque novamente, ampliando o atenMuristão dimento para judeus e muçulmanos. Hoje pouco resta das construções originais, um sí o arqueológico pode ser encontrado abaixo da Igreja do Redentor; igreja cristã alemã fundada em 1868, estabelecida em frente aos atuais arcos e ornamentos que foram erguidos em 1903, sob encomenda da autoridade ortodoxa grega. Contornando o Muristão retornei a rua principal, o atual Cardo, que me levou diretamente à saída da cidade, cruzando a Via Dolorosa novamente e entrando agora no roteiro tradicional dos evangélicosprotestantes rumo ao Calvário. A saída que leva para fora da cidade é

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a Porta Schkem, de Damasco₄, ao norte da cidade. Hoje a porta é um gigantesco monumento, assemelha-se a um castelo, mas na época do Senhor estava metros abaixo desta e fez com que Yeshua subisse literalmente ao Calvário, uma elevação de pelo menos 15 metros Porta de Damasco acima do nível da porta. Assim segui este caminho, cinco minutos de caminhada (pouco mais de 200 metros) e já estava à porta do Jardim do Túmulo, episódio este que merece nossa atenção. No jardim visitei primeiramente o mirante do Calvário de Gordon. Neste mirante pode-se ver em uma escarpa rochosa a formação de uma caveira humana, e que, nestas imediações por volta do ano 1842, o general britânico Charles Gordon empreendeu pesquisas e acabou por concluir ser o local descrito nas escrituras para a Crucificação de Yeshua. A descoberta de uma tumba e uma cisterna reforçou Os olhos da Caveira de Gordon a tese. É uma colina de 1,2 hectare que serviu aos romanos como local para execuções públicas. Conta-se que neste platô chegaram a acontecer 1.000 crucificações de judeus. A região também foi u lizada para os apedrejamentos (conforme a lei judaica). A colina serviu outrora como uma pedreira, e deste local foram re radas pedras para construção do Templo e também dos muros da cidade. A experiência sobrepujou a expecta va, e me concedeu privilégios. Nesta hora que cheguei ao Jardim ele estava pra camente vazio, sem o burburinho de grupos de turistas, criando um cenário a pico, silencioso. Deixei a Caveira de Gordon e contornei o jardim, cur ndo as belas flores e a paz que repousava ali, observei a cisterna descoberta pelo general britânico e então cheguei ao Túmulo Vazio. Vale ressaltar neste ponto que tanto a cisterna quanto o túmulo indicam ter sido partes de uma propriedade par cular, com um lagar (tanque para


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moer frutas para extração de sucos), e se houver exa dão nas descobertas, seria o jardim de Yosef, José, de Ramatayim, Arimatéia, o homem rico que pediu o corpo de Yeshua para sepultá-lo. Sendo ou não o local, para mim ali e naquele momento era o lugar, e isso O Túmulo Vazio bastava para torná-lo especial. Bem em frente ao túmulo existem muitos bancos para os peregrinos descansarem da caminhada, sentei-me ali e sen o silêncio por um instante; silêncio este que foi quebrado por um pássaro (até agora não o pude iden ficar espécie) que iniciou um orquestrado cân co e tomou conta do momento, sem a interferência de vozes humanas. Em meditação parecia estar cantando para mim, e meu coração se derramou bem diante do túmulo que por um breve tempo hospedou o corpo do meu Salvador. Cessou o cân co, mas a musicalidade do momento não cessou; e foi quando uma senhora, que também meditava silenciosa ali, tomou de sua bagagem uma flauta e passou a tocá-la...; até aquele momento acreditava na coincidência, mas então percebi que O Eterno Deus havia preparado sim, um momento especial para mim. Com o coração esfuziante por estar naquele jardim, então só me restaria uma coisa a fazer; entrar no túmulo vazio, escavado na rocha bruta. Como na primeira vez que es ve ali, era de se esperar que eu chorasse no seu interior, e assim foi; é dicil conter a emoção. Este lugar é o ponto culminante para todo e qualquer “crente” (aquele que crê). O sen mento que ocupou meu coração era o de estar tão perto do hoEntrada do Túmulo mem Yeshua ali morto, me sen ndo lacrado com Ele naquele sepulcro, e parecia sen r o aroma do seu sangue manchando os lençóis que o envolviam. Tristeza por um momento, solidão, saudade; mas a cena muda de imediato; como um vulto, não há

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mais sangue, os lençóis estão limpos e dobrados, a pedra que lacrava o sepulcro rolada para um lado, e vê-se o sol invadindo a câmara, pois o Senhor já não está mais ali, Ele vive para sempre! Pendurada na atual porta do sepulcro, há uma tabuleta com a seguinte inscrição em inglês: “HE IS NOT HERE - FOR HE IS RISEN”, Ele não está aqui, porque já ressusTabuleta com inscrição citou. Será que há formas de esquecer um sen mento como este? Se você souber, não me diga. Vou levá-lo até o céu comigo, quando então verei face a face Aquele que deixou o túmulo vazio! Passados 30 minutos dos fatos descritos, acabei conseguindo contato com o grupo, e marcamos de nos encontrar próximo a Porta Haprahim, de Herodes, para seguir o passeio. Na verdade repe prazerosamente toda a Via Dolorosa com o grupo, desde a Porta dos Leões até novamente o Jardim do Túmulo, onde registramos fotos com os companheiros de viagem e uma Ceia Memorial bem próximo ao túmulo, momento de muita comunhão e lágrimas novamente. A peregrinação não poderia ter um final mais excelente. Deixamos o Jardim para o outro lado da cidade, passando pela Porta Yaffo, de Jaffa, para um tempo livre no Suq, o grande Mercado Árabe. Feitas as compras, retornamos ao hotel onde ainda par cipamos da entrega dos cer ficados de aproveitamento do Curso de Cultura Hebraica, Geografia e História de Israel.

Diplomação

Às 2 horas da manhã oficialmente deixamos Yerushalayim, viajamos à Tel Aviv rumo ao Aeroporto Ben Gurion, para embarcarmos em nosso vôo com des no a Londres. Fica a Terra Santa para trás, uma terra muito distante, mas que cada um dos viajantes trouxe parte consigo no coração, e a distância é quebrada pelas lembranças, tabus desfeitos pelas experiências, e uma


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crescente saudade marcando presença em cada um. O desejo de voltar é inevitável, pelo menos para mim. Retornar em breve é o resultado mais lógico.

Notas Adicionais: ₁ As Portas de Yerushalayim. Originalmente eram 12, seguem seus nomes conforme as traduções bíblicas para o português: Porta do Gado, Porta do Peixe (Damasco), Porta Velha (Jaffa), Porta do Vale, Porta do Monturo, Porta da Fonte, Porta do Cárcere, Porta das Águas, Porta dos Cavalos, Porta Oriental, Porta de Mifcade (da Atribuição) e Porta de Efraim. ₂ Beit Hamikdash - O primeiro Templo de Yerushalayim (I Rs 6), levou sete anos para ser construído, u lizou aproximadamente 183.000 homens. Media 31,5 metros de comprimento (60 côvados), 10,5 metros de largura (20 côvados) e 15,75 metros de altura (30 côvados), segundo a medida do côvado re rado da Bíblia de Jerusalém, lá está registrado esta medida como 7 mãos, no caso 52,5 cen metros. Normalmente se u liza a medida para o côvado 45 cen metros. ₃ O Kotel é um local sagrado, para tanto existem algumas exigências para lá entrar. Mulheres possuem um lado a parte, não comungam do mesmo espaço com homens. Para homens não é permi do o acesso com cabeça descoberta, é necessário o uso da Kipá (oferecido gratuitamente na entrada do pá o) ou bonés e chapéus. A Kipá (significa cobertura) é símbolo de temor ao Eterno, veja melhor explicação na parte IV. ₄ Porta Schkem, de Damasco, original da época de Yeshua está a metros abaixo da atual, e cons tui-se a única porta do período romano que ainda existe.

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Londres. Após deixarmos Israel viajamos cerca de cinco horas até a capital britânica, para um segundo dia de passeios nesta cidade tão bela. Esta segunda etapa se fez aproveitar de par cularidades da cidade, como por exemplo, o metrô. Embarcamos nele dentro do Aeroporto Heathrow e viajamos até o centro da cidade. A rede de metrôs de Londres (Metropolitano de Londres) é a mais an ga e mais extensa do mundo, tendo iniciado suas operações em 1863. Desembarcamos na estação Russel Square, uma pausa para um rápido café e direto para o Museu Britânico. Bem, sobre o museu faltariam páginas para descrever a grandiosidade nele con da. Inaugurado em 1759, foi o primeiro grande museu público e gratuito do mundo. Importante mencionar que talvez seja um dos raros museus espalhados pelo mundo que é permi do fotografar livreFachada principal do Museu Britânico mente. Vamos conhecer ali a Pedra de Roseta - fragmento bilíngue que foi decisivo na compreensão da escrita hieroglífica do An go Egito. Conhecemos um rosto humano com mais de 9.000 anos. Também a Múmia Ginger com 5.500 anos. Há inúmeras outras múmias; os Mármores do Parthenon e incontáveis esculturas gregas; afrescos romanos, sumérios e egípcios; peças astecas, japonesas e persas Múmia de Ginger e uma infinita lista de objetos que con-


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tam visualmente a história do mundo. É impossível visitar este acervo em poucas horas, tal qual o Museu do Cairo e os Museus de Israel. É preciso uma vida para assimilar o conhecimento do passado retratado em cada peça. Antes de encerrar este úl mo momento em Londres e saciar a sede de compras, par mos para a Oxford Street e lá aproveitar o melhor do comércio da capital. Com sacolas de compras nas mãos, nos despedimos do centro da cidade, descemos para o metrô e retornamos ao Aeroporto. Lá embarcamos para o vôo que nos trouxe para casa, deixando nos corações boas lembranças e alimentando sonhos de novas Oxford Street viagens.

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O QUE É UM JUDEU? Judeu, hebraico Yehudi (o que louva), é um grupo étnico e religioso descendente do patriarca Avraham, Abraão, que reclama a Terra de Israel como sua origem. Nas Escrituras são chamados de ‘Ivrim, hebreus, passando a u lizar a denominação judeus após o retorno do ca veiro babilônico. Avraham chega ao território de Israel no ano 2091 a.C. (iden ficado como Kena’an, Canaã) e ali estabelece uma descendência. Seus preceitos religiosos monoteístas são baseados na Torah, que significa “direção”, “ensinamento”, “instrução” e “administração”; o guia de vida judaica. A jornalista Sabrina Abreu descreve em seu livro “Meu Israel”, um judeu como sendo mais que um grupo religioso, é um grupo com valores culturais e históricos bem definidos, marcados por uma grande intercessão entre a iden dade do povo e a religião. Alguém que nasce de uma judia será sempre um judeu, isso em qualquer lugar do mundo que esteja. Não significa que nascer em Israel é ser um judeu. Israelense é alguém que nasce em Israel ou que recebeu cidadania israelense. Há judeus, árabes muçulmanos, cristãos e ateus israelenses, por exemplo. Trata-se neste caso de uma nacionalidade, que não implica religiosidade. Os judeus, através de sua história, passaram por inúmeras migrações, voluntárias ou não, à uma diversificada quan dade de nações, estabelecendo um alto grau de miscigenação, na qual é possível

Israelenses judeus no Kotel

encontrarmos judeus com traços picos de quase todas as nacionalidades do mundo; por isso, Judeu ortodoxo judeu não é uma raça, ele encerra em si todas as raças. Ainda hoje os judeus seguem espalhados por


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todo o planeta e somam aproximadamente 13 milhões. A vida do judeu está in mamente ligada à religião, inseparável em vívida essência, mas não implica que um judeu tenha de ser obrigatoriamente um religioso, seguidor do judaísmo. Há muitos que se declaram ateus, outros cristãos e os que são religiosos nominais (liberais, não seguem os rituais próprios do judaísmo). Não é obje vo aqui a explanação sobre a religião judaica, não haveria espaço para tal, e sim entender um pouco sobre o elemento que a compõe, o judeu; na qual o leitor foi subme do a conviver durante a leitura deste livro. Ficamos com a certeza de quão di cil é estabelecer uma definição clara e obje va do ser “judeu”. É muito mais complexo do que pensamos, por isso quero me eximir da responsabilidade de explicar, deixando apenas uma noção básica para uma mínima compreensão por parte do leitor.

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PRINCIPAIS CELEBRAÇÕES E FESTAS JUDAICAS Shabbat O Sábado. Significa “descanso” e “ina vidade”. É alusivo ao dia que YHWH “descansou” após os eventos cria vos, o sé mo dia. Ele se inicia no pôr-do-sol de sexta-feira e termina no pôr-do-sol de sábado. Na verdade, não é um dia de descanso, mas de consagração; Deus não descansou no sé mo dia (ora que Ele é soberano e não necessita de descanso), ele se dedicou a criação do Shabbat. É um tempo para deixar de fazer tudo que é habitual e dedicar-se a a vidades que gerem prazer; um momento para parar e rever se o caminho que tão apressadamente trilhamos no dia a dia é o ideal, e estabelecer estratégias para o futuro. O Talmud estabelece algumas proibições, 39 melachot proibidas para o Shabbat, que muito além da dimensão sica está o seu entendimento espiritual. É um dia para cear em família, reunir-se na Sinagoga, realizar a leitura da Parashah, porção semanal da Torah; bem como, rever amigos e irmãos para momentos de descontração e prazer.

Casamento Judaico O casamento judaico é carregado de um profundo ritualismo, excede o cunho social e se entremete no mundo espiritual. Toda a ritualís ca do casamento tem um significado prá co na vida judaica. Tanto a noiva (kallah) como o noivo (chatan) passam por rituais semelhantes ao Yom Kippur, jejum e arrependimento, visto que a cerimônia de casamento trará consigo a purificação de todos os pecados dos noivos, para o início de uma vida juntos em pureza.


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Entre todos os rituais e tradições quero destacar apenas alguns: A quebra da taça de vidro, feita pelo noivo, faz memória a destruição do Templo de Yerushalayim, demonstrando a sua iden dade judaica. Os noivos bebem o vinho cerimonial em um cálice de prata, aludindo a durabilidade do pacto estabelecido. A aliança deve ser feita de ouro puro, sem adornos, deve representar simplicidade e pureza. A cerimônia ocorre sob a Chupá (toldo nupcial). Após a cerimônia as mães dos noivos fazem a quebra de um prato de porcelana, indicando que como a porcelana jamais poderá ser concertada, assim será um casamento quebrado. Além disso tudo, há inúmeras bênçãos; o véu sobre a noiva, a pureza das vestes da noiva, o kitel, as velas, o cortejo, as sete voltas e a consagração entre outros elementos cerimoniais.

Brit Milá (Circuncisão) Significa “pacto” e “cortar”, um mandamento do Eterno feito a Avraham, Abraão. Consiste no corte do prepúcio que cobre a extremidade do órgão genital masculino no oitavo dia do seu nascimento. É a marca sica do pacto feito com Avraham e tem uma valiosa importância dentro do judaísmo. Seu simbolismo espiritual é a re rada das inibições naturalmente humanas que impedem o homem de penetrar o mundo espiritual; os prepúcios do ouvido, língua e coração. Veja a importância deste pacto: sem a circuncisão um garoto não pode ser contado nas gerações de sua família, fica literalmente excluído de sua própria linhagem. Yeshua, naturalmente como um judeu regular, foi subme do ao mandamento.

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Bar Mitzváh (Maioridade Judaica) Já foi abordado na Parte III, mas convém destacar. Seu nome define “Filho do Mandamento”. É uma celebração em que o menino judeu ao completar 13 anos, passa à competência de “maioridade judaica”, assumindo todas as responsabilidades como um adulto e o compromisso com todos os mandamentos religiosos (mitzvot). É uma cerimônia muito linda, não há palavra melhor para traduzir como, emocionante. No ato, o menino alvo da celebração, coloca pela primeira vez o Tefilin, veste um novo Talit, a kipá, e chamado a fazer a leitura pública da Torah, primeiro segmento da Parashah (porção semanal). Passa a integrar a comunidade judaica como um membro a vo e par cipa vo, podendo compor o quórum mínimo de dez homens, o Miniam, para realização de qualquer serviço religioso.

As meninas também recebem a maioridade judaica, porém aos 12 anos, chamamos neste caso de Bat Mitzváh – “Filha do Mandamento”, um costume mais recente.

Yom HaShoá (Recordação do Holocausto) Dia reservado para recordações das ví mas do Holocausto, feriado nacional, lei estabelecida em 1959. Em nosso calendário comum ocorre entre março e abril. No calendário hebraico é 27 de Nissan. Dia para lembrar um dos capítulos mais horrendos da história, que levou seis milhões de judeus ao extermínio.


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Sirenes são tocadas em todo o país, e é costume parar onde es ver, mesmo dirigindo, e em pé permanecer por dois minutos em silêncio. Uma data estabelecida pela ONU, 27 de janeiro, marca o dia Internacional em Memória das ví mas do Holocausto, também observada por judeus ao redor do mundo.

Purim Festa que traz à memória o livramento da aniquilação judaica durante o domínio persa, planejada por Hamã, primeiro ministro do Império Persa. A intervenção histórica que resultou neste grande livramento ocorreu pelas mãos da Rainha Ester, uma judia que tornou-se esposa de Achashverosh, Assuero, imperador persa. Não foram apenas uma ou duas vezes que planos se tramaram com o fim de apagar o povo israelita da história, mas em cada ocasião é evidenciado o cuidado divino com este povo. O advento é comemorado em meados de fevereiro e março, 14 de Adar pelo calendário hebraico. Entre as comemorações está a leitura pública da história de Ester nas sinagogas. É uma das festas mais alegres da cultura judaica. Tem caráter mais nacional do que religioso.

Hanukka (Rededicação) Não diferente nas demais celebrações, o pano de fundo histórico permeia cada fes vidade. A festa do Hanukka faz lembrar a revolta dos irmãos macabeus, que eclodiu em 167 a.C. A revolta a ngiu seu ponto alto três anos depois, com a derrota do exército imperial de An oco IV, retomando o controle da cidade de Yerushalayim e do Templo. Até então os judeus estavam impedidos de adorar no Templo, e isso era como uma ferida aberta; mas foi após a instalação de

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um ídolo no interior do Templo, por ordem do Imperador, que os judeus se revoltaram legi mamente. Ao retomar o controle da cidade, a sagrada Casa de Deus foi reformada e re-dedicada. Quando as chamas da Menorah foram acesas, conta-se no Talmud, que a quan dade de óleo puro encontrado para alimentá-las seria suficiente para um único dia, porém, milagrosamente, queimou durante oito dias. Também chamada de Festa das Luzes, o evento é comemorado entre os meses de novembro e dezembro, a par r do dia 25 de Kislev, e tem duração de oito dias. U liza-se como instrumento o Hanukiá, um candelabro de nove braços, sendo uma haste central e quatro que pendem de cada lado. A vela central serve para ascender as demais que contam um para cada dia da festa (1 + 8).

Rosh Hashaná (Ano Novo) Ano Novo Judaico. O nome hebraico significa literalmente “cabeça do ano”. É comemorado no sé mo mês do calendário judaico civil, Tishrei, o que acontece em meados de setembro em nosso calendário gregoriano. A festa se cons tui de dez dias de intros-

pecção e arrependimento, onde se crê que Deus dá julgamento aos homens segundo as suas ações, e culmina no Yom Kippur (dia do perdão). Também é uma referência à criação do universo e seu entendimento prá co na cultura judaica. Não é simplesmente um ano novo


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que se inicia, é a criação e estabelecimento de um novo tempo totalmente diferente daquele que terminou; um novo fenômeno. É como a criação de um mundo novo a cada ano. Podemos entender assim, porque a vida judaica possui tão grande significância e jamais cai em monotonia. É comum o soar do Shofar, instrumento u lizado para anunciar a chegada no novo ano. Em vias de costumes, u liza-se comer maça com mel, simbolizando a doçura desejada para o novo tempo que se inicia. O calendário judaico é lunissolar, onde os meses são distribuídos baseados nos ciclos da lua, enquanto o ano é adaptado de acordo com o ciclo solar.

Yom Kippur (Dia do Perdão) Dia do Perdão. Ocorre no dia 10 de Tishrei, o décimo dia das comemorações do Ano Novo (Rosh Hashaná). O úl mo dos dez dias de arrependimento. O dia mais sagrado no ano judaico. Nele o judeu se devota ao arrependimento, introspecção, reconhecendo suas fraquezas. Mantém-se em jejum e constante oração. Não é permi do comer nem beber, usar calçados de couro, banharse, usar loções, cremes ou perfumes nem manter relações conjugais. Yom Kippur é um dia de profunda espiritualidade, quase ina ngível ao entendimento gen o. Marcado pelo ritual do Kol Nidrei, uma celebração em que o devotado judeu reconhece a fragilidade de seus planos e de sua humanidade, vê o real significado da vida, e através do arrependimento sincero, Teshuvá, sua alma deseja e retorna ao seu estado original, unindo-se a Deus em san dade. Não está relacionada a nenhum evento histórico, é uma festa ordenada pela Toráh, e deve ser observada tal qual o Shabbat, onde nenhum trabalho regular, habitual, pode ser feito. Da introspecção, por outro lado, é um dia de grande júbilo, pelo

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perdão divino recebido e pela celebração de sua infindável misericórdia. Sukkot (Festa das Cabanas) Traduzido por “Cabanas”. Festa das Cabanas ou Tabernáculos. Ocorre a par r do dia 15 de Tishrei, logo após o Yom Kippur (setembro/outubro). Tem duração de sete dias. Atualmente vem a relembrar os dias em que o povo hebreu habitou em cabanas no deserto, após a libertação do Egito. É comum durante estes dias de festa a construção de cabanas (sucá) em palha ou folhas de palmeira e ali realizar as refeições em família. A ordem da festa é a simplicidade, luxos e adornos não são permi dos, deve fazer o judeu reconhecer estar debaixo da proteção divina apenas, levar a reflexão e desapego aos bens materiais, tal qual foi com os hebreus no deserto.

Simchat Torah (Alegria da Torá) O tulo desta festa já diz tudo: “Alegria da Torah”. É o advento do encerramento do ciclo anual de leitura da Torah, e o início de um novo. Na celebração é realizada a leitura da úl ma parashah (porção semanal), o “V’zot HaBrakhah” (livro de D’varim, Deuteronômio, do 33.1 ao 34.12), e todos os presentes na sinagoga dão lugar a alegres danças, segurando os rolos sagrados. No Shabbat seguinte a esta festa se inicia novo ciclo de leitura da Torah. A festa ocorre imediatamente após os sete dias do Sukkot.


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Pessach (Páscoa Judaica) Uma das três festas de peregrinação, Shalosh Regalim (Pessach, Shavuot e Sukkot), que embasados nos mandamentos registrados na Torah, os judeus peregrinavam em três diferentes ocasiões à Yerushalayim para sacrificar e adorar no Templo. No Pessach é relembrada a “passagem” do anjo da morte que feriu os primogênitos em todo o Egito. Foi ordenado os hebreus sacrificar um cordeiro e manchar os umbrais das portas com seu sangue, assim o anjo da morte não visitaria aquela habitação. Na noite que aconteceria o flagelo, a família reunida deveria assar e comer a carne do cordeiro para que o livramento pudesse ser consumado. Em consequência à morte dos primogênitos houve a liberação e saída dos hebreus do Egito. A festa ocorre a par r de 14 de Nissan (março/abril), com duração de sete dias. Atualmente possui apenas o cunho simbólico de lembrança, pois não havendo mais Templo cessa-se o sacri cio pascal. Nas atuais celebrações, que deve ser feita em família, todo o fermento é re rado da casa, utensílios de metal devem ser purificados a fogo, entre outras leis. Na ceia pascal, o Seder de Pessach, consomese pães asmos e ervas amargas para lembrar a tristeza no Egito, faz-se leitura dos acontecimentos registrados em Sh’mot, Êxodo, e o vestuário deve lembrar alguém que ves u-se para sair (saída do Egito).

Shavuot (Festa das Primícias) Também chamada de Festa das Semanas, Pentecostes. Não possui data fixa, ocorre no 50º dia a contar o Pessach. Na época do Templo o povo peregrinava a Yerushalayim levando consigo as primícias de tudo que foi co-

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lhido em suas plantações e entregue aos sacerdotes como sacri cio suave a Adonai, simbolizando o desejo de uma ó ma e farta colheita para aquele ano. Também está in mamente ligada à outorga da Lei a Moshê, Moisés, por isso no Shavuot é celebrado a revelação da Torah e com ela um duradouro pacto entre o povo hebreu e o Eterno Deus. É costume durante a festa, nas sinagogas, a leitura do livro de Ruth e os Dez Mandamentos. Em memória às primícias adota-se enfeitar as casas e as sinagogas com folhagens e flores, das espécies na vas da terra de Israel, tal qual o consumo de alimentos à base de leite. Outrossim, alguns judeus mantém o costume de peregrinar a Cidade Santa nas datas fes vas, mesmo tendo cessado os sacri cios, a própria cidade em si encerra a essência de toda a cultura judaica.

Tshá b’Av (Dia da Queda dos Templos) Nove de Av é um evento do calendário judaico que se resume em jejuns e lamentos, quando são lembradas as duas quedas do Templo de Yerushalayim. Segundo a tradição eles caíram no mesmo dia, com 656 anos de diferença entre a queda por Bavel, Babilônia (586 a.C.), e Roma, General Tito (70 d.C.). Este evento ocorre no 9º dia do mês Av (julho/agosto). É tradicional a leitura do livro de Eikhah, Lamentações. Muitos judeus preservam o costume de ir até o Kotel, Muro Ocidental, para lá realizar a leitura do referido livro, registrando os seus lamentos no úl mo lugar remanescente do Templo.


INSTRUMENTOS JUDAICOS Kipá A Kipá é um pequeno solidéu (chapéu em forma de circunferência) u lizado pelos judeus do sexo masculino. Seu nome significa “cobertura”, é símbolo de temor ao Eterno, o reconhecimento de Sua Superioridade. O judeu que a usa faz-se lembrar que há alguém acima de sua cabeça observando todos os seus atos, associado à humildade e boa conduta. Há também o significado de proteção, um lembrete de que a constante presença de Deus guia o usuário protegendo-o. Existe um outro significado, de caráter cultural, iden ficando quem a usa como sendo um judeu, declarando com isso que ele pertence a Deus.

Alguns judeus só a usam em cerimoniais, outros a usam o tempo todo, reconhecendo seu constante estado de temor e reverência ao Eterno. É proibido entrar na sinagoga, estudar a Torah, recitar preces e mencionar o nome Divino sem o uso de uma cobertura.

Menorah Do hebraico traduzido por lâmpada. É o candelabro de sete velas. Um símbolo de Israel e seu povo, e o mais an go que se tem no cia. Originalmente construído por Moshê, Moisés, sob minuciosas orientações do Senhor, para compor os elementos do Tabernáculo, posteriormente o Templo. Feita em ouro ba do com 1,5 metro de al-


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tura e 43 quilogramas. A u lização do ouro faz alusão à estabilidade de sua composição, não sofrendo mudanças diante das condições climá cas, nem deterioração. É baseado em uma haste central e dela pendiam três velas para cada lado, iluminando na direção do centro. As chamas da Menorah representam a presença de Adonai e o seu relacionamento com o homem. A luz no judaísmo simboliza também sabedoria e inteligência, um preceito comunicado pela Torah, que gera poderosa influência sobre o homem. Esta luz, na mís ca judaica, assinala uma passagem de tempo, entre o dia e a noite, entre os dias da semana e o Shabbat, e gerou vários costumes e leis relacionados.

É um símbolo tão importante que consta no brasão nacional do Estado de Israel. Atualmente o acendimento das luzes da Menorah para o Shabbat tem a representação da existência e presença da luz Divina no lar.

Mezuzá A Mezuzá é um instrumento que evoca a proteção divina. É uma palavra hebraica que significa “umbral”. Consiste em um invólucro que deve ser afixado no umbral direito de todas as entradas de um estabelecimento ou casa judaica, não só na entrada, mas em todos os cômodos. Neste invólucro constará um pequeno pergaminho com passagens das Escrituras, manuscritas, e a par r do momento de sua colocação passa a reclamar a san dade de Deus sobre aquela casa ou estabelecimento. É parte de um mandamento registrado no livro de D’varim, Deuteronômio, cap. 6.


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No momento de sua afixação deve-se pronunciar uma bênção: Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu, Me-lech haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu licbôa mezuzá. “Bendito és Tu, ó Eterno nosso Deus, Rei do Universo, que nos san ficou com Seus mandamentos e nos ordenou afixar a mezuzá.”

É um símbolo de proteção, lembrando a quem entra ou a quem sai, quem é o verdadeiro “Guardião das casas de Israel” (Shomer Daltot Israel). Uma mezuzá aplicada seguindo todas as ordenanças e normas estabelecidas, atrai o poder de proteger os moradores da casa quando dentro ou fora dela, evitando infortúnios. Há um costume talmúdico de colocar a mão direita sobre a mezuzá e beijá-la ao entrar ou sair, requerendo além da proteção Divina, mais uma vez, a san dade de Deus e proclamando sua unicidade.

Shofar Trombeta feita preferencialmente de chifre de carneiro, mas pode ser feito também com qualquer chifre de animal considerado puro no judaísmo (exceto vaca e touro). É o instrumento musical atualmente em uso mais an go que se tem no cia, u lizado na cultura judaica. Seu toque tradicionalmente é ouvido durante o Rosh Hashaná, ano novo, e chama o povo ao arrependimento; mas também é u lizado em inúmeras outras ocasiões solenes. Na história teve diversos usos, sendo um deles o seu toque no front de batalha contra inimigos perigosos.

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O nome shofar é encontrado pela primeira vez durante a revelação divina no Monte Sinai, quando o toque do shofar foi ouvido em tão alto som que os hebreus tremeram; leia Sh’mot, Êxodo, 19.16.

O som deste instrumento arrebata os sen dos, faz estremecer o coração de quem o ouve pela primeira vez; e essa experiência é comprovada por este autor.

Talit Xale feito em seda, lã ou linho com franjas. Acessório componente da ritualís ca judaica. Originalmente a palavra significa “manto”. Uma ves menta com a mais elevada importância, associada à vida judaica. U lizado durante a hora das preces, principalmente durante a Shacharit, oração ma nal, e nas sinagogas. Sua u lização denota temor e reverência durante as preces, além do qual também é um mitzvot, mandamento. Esta reverência é o reconhecimento da natureza pecaminosa humana, na qual o Talit propõe uma cobertura, conectando o judeu a Deus em san dade.


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Há uma lista grande de regras e instruções quanto ao manuseio e u lização do Talit, proibições e obrigações, que devem ser observados na íntegra, caso contrário, poderá ser acusado de profanar um objeto sagrado. O leitor poderá observar que todos os instrumentos judaicos trazem alguma representação à san dade de Deus e um simbolismo ligado à humildade e reconhecimento da condição de fragilidade humana, promovendo aplicações para “cobrir” a referida condição e alcançar o ambiente necessário para se apresentar diante do Criador com “dignidade”.

Tefilin Derivado da palavra Tefilá, significa prece. Formado por duas caixinhas de couro (“de mão” e “de cabeça”), feita de animal considerado puro (casher), com longas ras em couro, pintados em preto. As caixas contêm passagens da Torah. Acessório sagrado u lizando durante as orações. A caixinha de mão, shel yad, é fixada no braço esquerdo de maneira que fique encostado junto ao coração (canhotos a usam no braço direito), e suas ras enroladas até a mão e o dedo médio; simboliza servir a Deus com todas as suas forças. A caixinha de cabeça, shel rosh, é posicionada acima da testa, sobre o cérebro, e suas ras estendidas até a altura das pernas; simboliza lealdade intelectual.

Os Tefilin são, acima de qualquer outro elemento, os mais significa vos símbolos de fé e devoção judaica, bem como, regrados por um

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mandamento da Torah. Usando-os, o judeu faz afirmação da presença e do poder de Deus. Serve como uma ponte entre o homem finito e o Eterno infinito. Não se costuma usar os Tefilin no Shabbat nem em datas fes vas, por já possuírem suas próprias demonstrações de devoção.


ESCRITURAS SAGRADAS O Tanach Tanach ou Tanakh é o conjunto de livros sagrados que segundo alguns estudiosos pode ser chamado de Bíblia Hebraica. O leitor poderá se iden ficar mais facilmente como um equivalente ao An go Testamento da Bíblia Cristã, porém com uma ordenação dos livros um pouco diferente. O Tanach está cons tuído de três porções: A) Torah B) Nevi’im C) K’tuvim A) Torah: Traduzido literalmente por “ensino” ou “instrução”. Divisão das Escrituras mais importante para o judaísmo, muitas vezes traduzida como a “Lei”, é o conjunto de cinco livros transmi dos ao povo hebreu pelo porta-voz Divino Moshê, Moisés. O judaísmo a vê com a palavra literal de Deus, ditada por Ele à Moshê. É o Padrão de Jus ça Divino, instruindo à obediência e devoção; para que assim se cumpra a comissão deste povo de ser “uma luz para as nações”, em detrimento a uma humanidade caída que ruma para longe do Eterno. O estudo da Torah é a essência do judaísmo. Suas instruções e mandamentos delineiam todo o proceder judaico. Na lei de Moshê o judeu tem encontrado uma fonte inesgotável de vida, que produziu forças para que este povo suplantasse todos os amargos momentos de sua longa história. A Torah é chamada de Pentateuco ou Chumash (cinco), e são eles: B’reshit (Gênesis); Sh’mot (Êxodo); Vayikra (Leví co); B’midbar (Números) e D’varim (Deuteronômio). B) Nevi’im: Os Profetas. Visto pelo judaísmo como as palavras


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divinamente inspiradas nos profetas para o povo, cobrindo a necessidade de momentos específicos. Dividido em três grupos, os Profetas Anteriores, os Profetas Posteriores e os Doze. B1) Nevi’im Rishonim (Profetas Anteriores): Y’hoshua (Josué), Shof’ m (Juízes), Sh’mu’el (Samuel₁ ), M’lakhim (Reis₂). B2) Nevi’im Acharomim (Profetas Posteriores): Yesha’yahu (Isaías), Yirmeyahu (Jeremias), Yechezk’el (Ezequiel) B3) Shneim’Asar (Os Doze): Hoshe’a (Oséias), Yo’el (Joel), Amos (Amós), Ovadyah (Obadias), Yonah (Jonas), Mikhah (Miquéias), Nachum (Naum), Havakuk (Habacuque), Tz’fanyah (Sofonias), Hagai (Ageu), Z’kharyah (Zacarias) e Mal’akhi (Malaquias). ₁ Os livros de 1 e 2 Samuel na Bíblia Hebraica cons tuem-se de apenas um livro. ₂ Os livros de 1 e 2 Reis na Bíblia Hebraica cons tuem-se de apenas um livro.

C) K’tuvim: Os Escritos. Livros que incluem uma ampla variedade de formas. Verdade, sabedoria, jus ça, lamento, júbilo, livramento... a expressão da vida diária judaica. Visto pelo judaísmo como palavras divinamente inspiradas nos profetas para serem escritas, para que fossem lidas no meio do povo. São Eles: Tehillim (Salmos), Mishlei (Provérbios), Iyov (Jó), ShirHaShirim (Cân co dos Cân cos), Rut (Rute), Eikhah (Lamentações), Kohelet (Eclesiastes), Ester (Ester), Dani’el (Daniel), Ezrah-Nechemyah (Esdras-Neemias₃), Divrei-HaYamim (Crônicas₄) ₃ Os livros de Esdras e Neemias na Bíblia Hebraica cons tuem-se de apenas um livro. ₄ Os livros de 1 e 2 Crônicas na Bíblia Hebraica cons tuem-se de apenas um livro.


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O Talmud “Se a Torah é a pedra fundamental do judaísmo, o Talmud é seu pilar central, que se projeta para o alto baseando-se em seus fundamentos e que sustenta o magnífico conjunto de sua edificação espiritual e intelectual”, palavras do Rabino Adin Steinsaltz. Traduzido como “estudo” ou “aprendizado”, o Talmud, resumidamente, é a Torah Oral, um complemento às Escrituras. Acredita-se que no Monte Sinai, Moshê tenha recebido duas Torot (plural de Torah), a Escrita e a Oral. Na Torah Oral estão leis e ramificações das leis da Torah escrita, inclusive estudos sobre trechos “ocultos” na versão escrita, comentários e explicações mais detalhados sobre os mandamentos. Enquanto a Torah escrita somente alude a certo mandamento, é o Talmud que a explica, abre discussões e a esclarece; sem ela o judaísmo não exis ria. Inicialmente foi transmida oralmente ao povo e sendo repassada de geração em geração. Mas com o advento da invasão romana e consequente abalo ao judaísmo através da destruição do Templo, os sábios entenderam que o risco de se perder essa tradição era muito grande, sob este temor se iniciou um processo de registro de toda esta tradição oral. O primeiro trabalho do rabinato resultou na Mishná, uma série de declarações que ensinam as leis, a tradição e a história judaica, escrita em hebraico. Posteriormente surge a Guemará (Talmud Babilônico), um comentário e ampla elucidação da Mishná, escrita em hebraico-aramaico. Estes dois componentes formam o Talmud, o livro da legislação judaica, uma obra magistral, inigualável. O Talmud é aceito pelo povo judeu como autoridade suprema em todos os quesitos de religião e lei judaica. O primeiro tratado, a

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Mishná, trazia em suas seções tudo sobre a an ga vida judaica: agricultura, dias fes vos, lei civil, relações familiares, sacri cios no Templo e pureza ritual. Não há uma perfeita interpretação da Torah sem a luz do Talmud. Nenhuma lei da Torah possui vínculo legal se não for baseada no Talmud; para tanto, sua autoridade é máxima e sua eternidade aceita tal qual a Torah. Há muito mais a comentar sobre o Talmud e a própria cultura judaica. Encheríamos várias salas com escritos e pesquisas, buscando entender sua elevada importância e significado para nós “gen os”. Um entendimento maior desta cultura nos fariam certamente mais zelosos, dedicados e melhores servos do Eterno, mas a meta deste livro me permite somente uma elucidação rápida sobre o tema. Recomendo que o leitor faça sua própria pesquisa e alcance um entendimento ainda mais amplo do assunto.


Conclusão

Após a exposição da semân ca judaica, fica queimando no meu coração essa chama de significado que a vida judaica possui. Não podemos nos prender apenas aos rituais, precisamos abrir nossas mentes e entender a aplicação prá ca, absorvendo o real significado e o eterno propósito de cada coisa. Se assim procedêssemos, tenho certeza que deixaríamos de lado os conflitos de propósitos e crises existenciais, pois entenderíamos que ao mundo viemos com único propósito; viver para glorificar o Eterno e fazer conhecido o Seu nome. O que exceder a isso são luxúria e soberba.


Glossário Hebraico

Você vai encontrar aqui uma relação de todos os nomes próprios do Hebraico u lizados neste livro e seu equivalente comum no Português (transliteração). A caixinha de cabeça, Tefilin - Shel Rosh A caixinha de mão, Tefilin - Shel Yad Abraão - Avraham Ageu - Hagai Amós - Amos Ana - Hannah Ano Novo - Rosh Hashaná Arrependimento Sincero - Teshuvá Assuero - Achashverosh Ba’al - do panteão cananeu Babilônia - Bavel Bar Mitzváh - “filho do mandamento” Bat Mitzváh - “filha do mandamento” Ba smo - Tevilá Beit Hamikdash - O Grande Templo Belém - Beit-Lechem Betesda - Bet Hisda Cabana - Sucá Cafarnaum - K’far-Nachum Caná - Kanah Canaã - Kena’an, Cân co dos Cân cos - Shir-HaShirim Ceia - Seder Cesareia Marí ma - Qesarya


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Chupá - Toldo Nupcial Circuncisão - Brit Milá - “pacto”, “cortar” Crônicas - Divrei-HaYamim Daniel - Dani’el Dario - Daryavesh Davi - David Deuteronômio - D’varim Dia do Perdão - Yom Kippur Dorcas - Tavita Eclesiastes - Kohelet Egito, Os dois estreitos - Mitzraim Elias - Eliyahu Elizeu - Elisha Esdras - Ezrah Ester - Ester Êxodo - Sh’mot Ezequiel - Yechezk’el Festa das Cabanas - Sukkot Festa das Primícias, Pentecostes - Shavuot Festas de Peregrinação - Shalosh Regalim Genesaré - Ginosar Gênesis - B’reshit Getsêmani - Gat-Sh’manim Gólgota - Gulgolta Guardião das casas de Israel - Shomer Daltot Israel Guemará - Talmud Babilônico (Bavli) Habacuque - Havakuk Hanukiá - Candelabro de 9 braços HaShem - O Nome Hebreus - ‘Ivrim Hebrom - Hevron Isaías - Yesha’yahu Isaque - Itz’chak Israel - Yisra’el Jacó - Ya’akov Jeremias - Yirmeyahu Jericó - Yericho

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Jerusalém - Yerushalayim Jesus - Yeshua Jó - Iyov João Ba sta - Yochanan o Imersor Joel - Yo’el Jonas - Yonah Jope, moderna Jaffa - Yaffo José - Yossef Josué - Y’hoshua Judeu - Yehudi Juízes - Shof’ m Kipá - Cobertura Kitel - túnica branca Knesset - Parlamento de Israel Kol Nidrei - Ritual do Yom Kippur Kotel - Muro Ocidental (das Lamentações) K’tuvim - Os Escritos Lamentações - Eikhah Leví co - Vayikra Malaquias - Mal’akhi Mandamentos - Mitzvot Mar da Galiléia - Yam Kinneret Mar Morto, Mar de Sal - Yam Há-Melah Mara - Marah Maria - Miryam Menorah HaKnesset - Menorah do Parlamento Menorah - lâmpada Messias - Mashiach Mikveh - tanque de purificação ritual Miquéias - Mikhah Mishná - 1º tratado da Torah Oral Moisés - Moshê Monte Carmelo - Har Karmel Monte das Oliveiras - Har HaZei n Monte Hermon - Har Hermon Monte Scopus - Har Hatsofim Monte Sião - Har Tzyyon


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Monte Sinai - Har Sinai Monte Tabor - Har Tavor Moriá - Moriyah Museu de Israel - Muze’on Yisra’el Museu do Livro - Heikhal HaSefer Nabucodonosor - N’vukhadnetzar Naum - Nachum Nazaré - Natzeret Neemias - Nechemyah Negro - Sihor Noiva - Kallah Noivo - Chatan Nova Aliança - B’rit Hadashah Nove de Av - Tshá b’Av - Dia 9 do mês Av Números - B’midbar Obadias - Ovadyah Oséias - Hoshe’a Páscoa - Pessach Pedro - Kefa Pentateuco - Chumash (cinco) Porção - Parashah Porta de Damasco - Schkem Porta de Herodes - Haprahim Porta de Jaffa - Yaffo Porta de Sião - Tzyyon Porta do Monturo - Ha’Ashpot Porta dos Leões - Ha’A’Rayot Porta Dourada - Harahamim Porta Nova - Hahadasch Prece - Tefilá Provérbios - Mishlei Qumran - ruína da mancha cinzenta Quórum, número - Miniam Raquel - Rachel Rei Davi - Melekh David Rei Salomão - Melekh Shlomoh Reis - M’lakhim

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Rio Jordão - Nehar Hayarden Rute - Rut Sábado - Shabbat Safed - Tzfat Salmos - Tehilim Salomão -Shlomoh Samuel - Sh’mu’el Saul - Sha’ul Shacharit - oração ma nal Shekinah - A presença de Deus Shofar - Instrumento de sopro Simão - Shim’on Sofonias - Tz’fanyah Tabgha - Ein Sheva - “Sete Fontes” Talit - Xale ritual para preces Talmud - Torah Oral Tanach - Equivalente ao An go Testamento Tiberíades - Tveryah Torah - Equivalente ao Pentateuco Torot - Plural de Torah Trabalhos - melachot Umbral - Mezuzá Vale de Jezreel - Emek Yizreél Vale do Cedrom - Nahal Kidron Yardenit - Jordãozinho Yeshivat HaKotel - Centro de Estudos da Torah Zacarias - Z’kharyah Zaqueu - Zakkai Zorobabel - Z’rubavel


EGITO


MAPA DE ISRAEL


O TEMPLO DE JERUSALÉM Quadro 1


O TEMPLO DE JERUSALÉM Quadro 2


AS PORTAS DA CIDADE VELHA


Obras Consultadas

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O Autor

Alan Chiamen Machado é natural da cidade de Passo Fundo, RS. Acadêmico em Teologia pelas Faculdades FAETEL (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Logos) e FAETAD (Faculdade de Educação Teológica das Assembleias de Deus). Diplomado em Teologia pela EETAD (Escola de Educação Teológica das ADs). Cer ficado nos Cursos de Geografia Bíblica, Cultura Hebraica e História de Israel pelo Ins tuto Luiz Almeida e Escola Teológica Shelamim. Escritor no Blog Alchimac, com muitos argos publicados (afiliado à UBE - União dos Blogueiros Evangélicos). Membro da Coordenação da Unidade Passo Fundo da FAETEL há três anos. Atual Monitor dos Níveis Básico e Médio em Teologia, ciclos 1º e 2º do Bacharel Livre em Teologia pela FAETAD, somando um total de 10 anos de a vidades com a referida Escola/Faculdade. Diretor do Projeto Alchimac, uma inicia va pessoal e altruísta sem fins lucra vos em prol da evangelização das nações. Serviu por nove anos no setor administra vo da Assembleia de Deus de Passo Fundo, especialmente nas a vidades de Auxiliar Contábil, Secretário Adjunto e Assessor da Presidência. Atualmente trabalha no setor da siderurgia. Um apaixonado e amante de Israel.


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