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Publicação trimestral l junho 2016 l número XLV (45)


Toda a história do Luís, o mais premiado! Fomos contactados pela Direção Geral de Educação (DGE), a 30 de outubro de 2015, informando-nos que o aluno Luís Miguel Costa Silva, aluno do 11º ano do curso de ciências e tecnologias do Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa, tinha sido chamado para participar em provas de seleção, com vista à constituição de uma equipa para representar Portugal na Olimpíada de Ciência da União Europeia (EUSO).

A

“escolha” do Luís estava relacionada com a prestação que teve nas Olimpíadas de Física do ensino básico, prova em que participou no 9º ano, então como aluno do Colégio das Escravas. Vencida a etapa de apuramento, o Luís iniciou uma intensa fase de preparação assegurada conjuntamente pela Direção-Geral da Educação, pela Sociedade Portuguesa de Física, pela Sociedade Portuguesa de Química e pela Ordem dos Biólogos. Na escola, contou com a colaboração de duas professoras (Dr.ª Maria José Almeida, na área da Física e Química e Dr.ª Lucinda Mota, na área da Biologia). Das aulas extra na escola aos sábados passados em Lisboa, foi imenso o trabalho que o Luís desenvolveu entre janeiro e maio … para além de tudo o que um aluno de 11º ano tem, habitualmente, de fazer! Uma enorme concentração e uma sublime capacidade de organização, aliadas às suas reconhecidas capacidades intelectuais e ao incondicional apoio da família e da escola, possibilitaram

que o Luís fosse percorrendo com sucesso as várias etapas previstas e ainda arranjasse disponibilidade mental e física para participar na Olimpíada Nacional de Matemática (2º lugar) e na Regional de Física (1º lugar) que lhe garantiu o apuramento para as Olimpíadas Nacionais de Física que decorreram em Coimbra, nos dias 3 e 4 de junho, onde arrecadou também a medalha de ouro. Mais uma vitória! E, finalmente, a tão desejada EUSO chegou. Esta é “… uma competição destinada a estudantes na faixa etária dos 16 anos ou menos, especialmente interessados no ensino das ciências e pretende estimular a escolha de carreiras científicas, desenvolver talentos, proporcionar troca de experiências e contactos entre estudantes que podem vir a participar nas Olimpíadas Internacionais da Ciência, bem como comparar o currículo e as perspetivas do ensino das ciências entre os Estados-membros da União Europeia.” (in: DGE).

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http://www.spf.pt/files/euso2.jpg

Uma das equipas portuguesas participantes ganhou uma medalha de ouro (entre as 5 atribuídas) na Olimpíada Europeia da Ciência (EUSO 2016) que teve lugar em Tartu na Estónia de 07 a 14 de Maio. Os alunos premiados foram: Raul Pombo Monteiro (Agrupamento Escolas Nuno Alvares, Castelo Branco), Luís

Miguel Costa e Silva (Escola Secundária Au-

rélia de Sousa, Porto) e Guilherme Vilela Alves (Agrupamento Escolas Nuno Alvares, Castelo Branco), que aparecem na foto da esquerda para a direita. Esta equipa obteve a segunda melhor pontuação de todas as participantes (46 equipas dos 23 países participantes mais 2 equipas adicionais do país organizador). http://www.spf.pt/news/367


… e ainda o Luís! Entre 7 a 14 de maio, o Luís esteve na Estónia onde, acompanhado por dois colegas de Castelo Branco – Guilherme Vilela Alves e Raúl Pombo Monteiro, ambos do Agrupamento de Escolas Nuno Álvares, fez parte da Equipa A de Portugal. Desde a difração da luz para detetar gordura no leite à construção de uma bateria capaz de mover um carro robot, foram várias as provas que tiveram de fazer. Para além do “trabalho”, como é habitual nestes encontros, houve também lugar para programas culturais e lúdicos, mas sobretudo espaço para investigar e inovar. No final alcançaram a segunda medalha de Ouro, correspondente ao segundo lugar em 48 equipas. Parabéns aos três! Cansado, mas visivelmente feliz, o Luís regressou e com ele a sua postura reservada à qual empresta um discreto sorriso de quem não se sente muito confortável com o elogio…

Profª Catarina Cachapuz (D.T.do 11ºE)

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Medalha de ouro - Olimpíada de Ciência da União Europeia (EUSO). Medalha de ouro - Olimpíadas Nacionais de Física 1º lugar - Regional de Física 2º lugar - Olimpíada Nacional de Matemática

Estes resultados não surgiram por acaso... Tiveste alguma preparação específica para as provas? Matemática? C.F.Química? Ciências?

Há uma questão que não podemos deixar de te fazer… como consegues conciliar a tua vida social com os estudos?

Quando fui às Olimpíadas da Matemática não tive nenhuma preparação prévia. Também por isso foi tão grande a surpresa quando recebi uma medalha de prata. Para a fase regional das Olimpíadas da Física também não tive nenhuma preparação específica, mas a preparação para as EUSO (Olimpíadas da Ciência da União Europeia) certamente foi útil. Esta última começou no início de fevereiro e prolongouse até ao fim de abril. Envolveu deslocamentos frequentes a Lisboa aos sábados para trabalhar com professores da Universidade Nova de Lisboa nas áreas de física, química e biologia, além de um apoio extra dado pelos professores da Escola. A principal dificuldade com que me deparei foi em acompanhar alguns conceitos novos que me foram apresentados, principalmente relacionados com biologia, devido às poucas bases que tenho nessa área. Durante as provas propriamente ditas, por vezes a pressão do limite de tempo tornava as coisas um pouco mais difíceis.

Conciliar os estudos e a vida social não foi tão complicado como pode parecer. Eu não passo assim tanto tempo a estudar como algumas pessoas possam pensar. Acabo por ter tanto tempo livre como qualquer outra pessoa. Desta forma, é fácil manter normalmente a minha pouco ativa vida social.

É difícil dizer a quê que eu atribuo o meus êxitos. De facto nunca pensei muito sobre isso. Ao apoio familiar (e não só) que sempre tive? À educação boa que tive e tenho acesso? A capacidades próprias, que já terão nascido comigo? Ao empenho e trabalho extra que tenho tido? Talvez um pouco dos quatro…

A principal sensação com que eu fico deste ano é que foi um ano muito preenchido. Tive a oportunidade de participar em novos desafios, tive acessos a novas experiências, experimentei novas coisas e visitei novos sítios. Foi um ano que, sem dúvida, deu muito trabalho e foi cansativo, mas valeu a pena. Projetos futuros ? Para o futuro não sei bem o que esperar, nem a curto nem a longo prazo. De resto só posso esperar que continue tudo a correr bem como tem sido até agora.

Luís Miguel Costa Silva, 11º E Rosa Margarida, 10ºH (equipa Jornalesas)

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A que atribuis os teus êxitos?

Qual a sensação que te fica deste ano?


1º Prémio - Concurso da água

Turma 7º D1, 30-05-16

Tú eres el agua, por qué motivo te destruyes? Slogan vencedor - Turma 7º D1, 30-05-16

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a disciplina de Físico Química, a professora Glória Sá incentivou-nos a participar no concurso da água organizado pela Coca-Cola. Tivemos que criar um slogan que alertasse a sociedade para a necessidade de proteger a água. Trabalhamos em pequenos grupos e depois escolhemos o slogan da turma e a sua disposição gráfica. A frase foi traduzida para espanhol e enviada para o site do concurso. Qual não foi o nosso espanto quando fomos verificar qual era a turma vencedora e vimos que era a nossa.

A turma vencedora em Portugal Escola Secundária Aurélia de Sousa 3º Ciclo 7D1 Prémio EXPLORAR UMA RESERVA NATURAL. A TURMA VENCEDORA VIVERÁ UM DIA ÚNICO COM DIVERSAS ATIVIDADES NUM PARQUE NATURAL PERTO DA SUA ESCOLA

Turma D1 7ºano


Lugar da Ciência tem vindo a desenvolver, desde 2009, atividades de promoção da ciência e da tecnologia junto da comunidade escolar, tendo como principais destinatários os estudantes que se interessam por essas áreas do saber, em particular os que escolheram ciências e tecnologia como área específica da sua formação.

Espalhem a notícia. Participem.

ão exemplos recentes dessas atividades o projeto de divulgação da robótica na escola, Põe-te a andar robô, realizado ao longo do ano; os Dias da Biologia e as Semanas da Ciência e Tecnologia, concretizadas anualmente com a realização de conferências e de atividades práticas laboratoriais; as atividades do projeto de estímulo à melhoria das aprendizagens EMA-Fazer Melhor, Aprender Mais, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o projeto BE.AS – Balão Estratosférico Aurélia de Sousa, que faz parte de BEE (Balões Estratosféricos nas Escolas), um projeto integrado no Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. São atividades que envolvem estudantes na sua formação científica e tecnológica no domínio da Engenharia, da Matemática, da Física, da Biologia e da Informática, mobilizando conhecimentos nas referidas áreas, mas também no domínio da Língua Portuguesa, promovendo a leitura e a escrita no âmbito da ciência. No passado e no presente, o Lugar da Ciência tem contado com o apoio interno de professores de disciplinas como a Matemática, a

Hoje e a partir deste ano letivo, o Lugar da Ciência (LdC) e a escola têm novos desafios como o da conceção e concretização do Clube Ciência Viva Aurélia de Sousa, integrado na Rede Nacional de Clubes da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, o da preparação e lançamento, previsto para 20 de setembro de 2016, do 2º Balão Estratosférico Aurélia de Sousa (BE.AS) e, no domínio da robótica, o do envolvimento futuro no projeto FEUP Robô Telemóvel. Qualquer destes projetos contribui para a atualização permanente da escola, dos seus professores e alunos, tendo a participação dos estudantes consequências relevantes na sua formação pessoal,

escolar e social. De facto, a Escola Secundária Aurélia de Sousa apresentou um projeto e a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica Ciência Viva selecionou o Lugar da Ciência para pertencer à Rede Nacional de Clubes Ciência Viva (http://www.cienciaviva.pt/ redeclubes/home/), através da qual é pretendido “promover junto dos alunos e da comunidade educativa o entusiasmo pela Ciência e o acesso à cultura científica e tecnológica”. E foi com o maior gosto que recebemos a notícia de que o Lugar da Ciência tinha sido selecionado para pertencer essa Rede e que, por isso, o “… Lugar da Ciência terá o selo de qualidade da Ciência Viva e participará ativamente em diversas iniciativas ligadas à Ciência e Tecnologia”. Assim, a partir do próximo ano letivo, o Lugar da Ciência, enquanto Clube Ciência Viva Aurélia de Sousa, continuará a ser um espaço para pensar, discutir e explorar a ciência de uma forma criativa e inovadora, um lugar que ajude a promover a literacia científica e tecnológica, preparado por professores e alunos da escola, com a colaboração assegurada de professores e investigadores universitários. Pretende-se continuar a desenvolver as atividades dos anos anteriores, mas fazer e apresentar um pouco mais.

Espalhem a notícia. Participem.

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Biologia//Geologia, a Física// Química, o Português, a Filosofia e o Inglês, e também com o envolvimento de professores e investigadores do ensino superior, através de conferências e da supervisão de projetos.


O desafio é o de criarmos condições para se ter na escola um espaço de apresentação de ciência e tecnologia, partindo de recursos já existentes e de outros que venham a ser considerados relevantes. Para isso, iremos preparar um conjunto de “módulos experimentais” nas áreas da Biologia, Geologia, Matemática e Física e também no domínio da leitura e escrita, no que respeita à Ciência e Literatura. Prevê-se que a abertura e o funcionamento desse espaço fiquem garantidos por alunos e professores envolvidos no processo e disponível para visitas das escolas do Agrupamento e de outras, através de marcação prévia. A apresentação de cada “módulo experimental” aos visitantes será realizada por estudantes com formação específica para esse efeito. Sendo atividades organizadas e dirigidas aos alunos, espera-se que os estudantes continuem a participar, como até hoje, nos projetos, se inscrevam, participem e estejam atentos aos avisos informativos colocados nos expositores LdC sobre as atividades que vão sendo lançadas.

LdC Lugar da Ciência Clube Ciência Viva Aurélia de Sousa Escola Secundária Aurélia de Sousa

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Carlos Morais, prof. Coordenador do Lugar da Ciência


Clube Europeu A celebração do dia da Europa – 9 de maio, AESAS

Nesta fotografia, da esquerda para a direita: Lukas (Gronelândia); Enea (Itália); Cadifatu/Kady (Guiné-Bissau); Doralinda (Cabo Verde); Giovana (Brasil); Richard (Venezuela); Vasilka (Bulgária); Andrey (Rússia); Joaquin (Venezuela); Lola (Uzbequistão)

Estabeleceram-se contactos, convites, cumplicidades; juntaram-se vontades e criaram-se amizades – o trabalho realizado e apresentado, depois de sessões de animada discussão de sugestões e propostas, de sessões com o fotógrafo oficial, professor António Carvalhal, contou ainda com a indispensável colaboração das famílias dos alunos participantes. É importante que a curiosidade e o interesse pela diversidade cultural e entendimento global não se resuma a um dia diferente na escola. Num mundo que se afirma global, são condição essencial para a paz." Paula Magalhães, profª Coordenadora Clube Europeu

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Clube Europeu decidiu este ano celebrar o Dia da Europa na escola com a divulgação de algumas das culturas que a enriquecem. No ano passado, alertámos para o drama dos migrantes que procuram o espaço europeu, por eles visto como garantia de direitos humanos. Reafirmámos a sua condição humana, em tudo igual à de todos nós. Este ano, quisemos exibir a beleza de algumas dessas culturas que, em movimento temos a alegria de partilhar. Orientou-nos a necessidade de as conhecermos e de as compreendermos na sua diversidade, para que pessoas, povos e nações dialoguem e se entendam, num mundo que é seu.


Clube Europeu O Parlamento dos Jovens

Os alunos AFS na Aurélia

e a Educação para a Cidadania

Sharing lives, connecting people

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Clube Europeu da escola tem sido o agente de divulgação e promoção da participação dos alunos da ESAS neste projeto, iniciativa da Assembleia da República, que convida os jovens a assumir um papel ativo na discussão e apresentação de propostas junto do poder político, sobre questões que afetam o seu presente e futuro individual e coletivo. Este ano, o tema em debate era o das assimetrias existentes entre o Portugal do litoral e o do interior, com todos os problemas daí decorrentes em termos culturais, sociais e económicos. Este projeto tem um regulamento próprio, de que foi dado conhecimento à comunidade escolar. Estabeleceu-se o calendário a cumprir, elegeu-se uma comissão eleitoral com elementos do clube e exteriores ao clube, e foi enviado o convite a um deputado da Assembleia da República ligado a esta problemática, o Dr. Ricardo Bexiga, para que viesse à escola animar um debate sobre este tema. Foram estabelecidos contactos com professores de geografia, convidando-os a participar com os seus alunos, dado que o tema é abordado no programa do secundário. A sessão foi muito interessante e educativa, tendose estabelecido diálogo animado entre o orador e a audiência. No final, a avaliação dos participantes foi muito positiva. Alguns alunos formularam mesmo a sua intenção de participar na elaboração de listas para o Parlamento dos Jovens. Mas … acabado o prazo estipulado, nenhuma lista se apresentou a escrutínio. Contamos convosco para o ano, com um novo tema em debate.

Paula Magalhães, profª coordenadora Clube Europeu Na foto: o deputado, Ricardo Bexiga, com a aluna Joana Babo, da turma G do 11ºano . Economia

ste ano, o Enea (Itália), primeiro, o Andrey (Rússia), depois, e o Lukas (Gronelândia), por último, partilharam connosco o espaço de trabalho e de afetos da nossa escola. Como outros alunos e alunas em anos anteriores, eles participaram no projeto da AFS, American Field Service, que oferece aos jovens a oportunidade de estudar durante um período definido de tempo num outro país da Europa ou América. O Clube Europeu continua a apoiar a direcção do agrupamento na inclusão destes alunos na vida escolar, porque acredita que é uma forma de melhorar o diálogo intercultural Estes alunos vieram por um ano (o Lukas transitou já no final do ano de outra escola portuguesa), para aprender a língua, a cultura, e terem uma experiência escolar diferente. Trouxeram consigo experiências e modos de vida vários, que não os impediram de se adaptar e conviver com os seus colegas de escola e percurso, ajudando-se mutuamente a crescer e a interpretar a escola, a vida, a amizade intercultural. Neste processo todos foram importantes: alunos, professores, auxiliares de acção educativa e pessoal administrativo. Os alunos viveram o seu dia-a-dia no seio de famílias que os acolheram e acompanharam. Famílias que se voluntariaram para receber estes alunos, como meio de participar na construção de uma cidadania mais alargada, e de ‘viajar’ pelo mundo. A todos, dirijo um ‘Muito obrigado’ pela colaboração dada. Qualquer um de vós e das vossas famílias poderá participar, também. Informa-te. Paula Magalhães, profª Coordenadora Clube Europeu

Cartazes de David Cunha, 12ºano


entrevista Seres humanos de exceção Miriam de Seixas, ex-aluna da ESAS, terminou o Ensino Secundário no passado ano letivo. Sabemos que nessa altura decidiu fazer uma pausa no seu percurso académico para abraçar um projeto pessoal que a levou até Itália. A equipa do Jornalesas contactou a Miriam e sugeriu-lhe que partilhasse com a comunidade escolar à qual pertenceu, como está a correr o desafio a que se autopropôs. A Miriam aceitou!

E porquê com pessoas com necessidades especiais? Durante o tempo em que fiz voluntariado na unidade de multideficiências da Augusto Gil, em consequência do projeto Comenius que tivemos em 2013/2015, descobri que trabalhar com estas pessoas é a minha paixão. Decidi dar a mim própria estes 12 meses nos quais poderia fazer este trabalho a tempo inteiro antes de tomar uma decisão em relação ao meu futuro, como uma espécie de estágio. Quais as particularidade das pessoas com quem trabalhas? Os nossos utentes são todos de idades entre os 18 e os 66 (da idade adulta até àquela que seria a da reforma). A minha semana divide -se em duas partes: num CSR (Centro Socio-Reabilitativo) e numa Quinta Social. No CSR estão os grupos “mais graves”, ou seja, menos capazes. O grupo com que eu trabalho tem muito pouca capacidade cognitiva, assim como locomotora (não andam) e comunicativa (não falam). O objetivo é proporcionar-lhes momentos de bem es-

tar e de relaxamento. Na quinta temos um grupo mais capaz, alguns em experiência de “inserimento lavorativo”, com os quais fazemos terapia através do contacto com a natureza, e a quem damos tarefas para desafiar a sua autonomia. Fazemos também algumas atividades com os grupos de refugiados da nossa cooperativa, como inseri- los nas atividades que fazemos na quinta, ou um laboratório de teatro onde ando a aprender dança africana. Sentes que a discriminação está presente, tal como cá, no quotidiano dessas pessoas? Ou a atitude é diferente? Para mim é muito difícil ter esse tipo de perceção, porque quando estou com eles é a maioria das vezes em contexto trabalho; não vejo o que se passa fora. Sei que, quando voltamos a casa no autocarro, o lugar para pessoas com mobilidade reduzida é sempre ocupado por qualquer outra pessoa e que, muitas das vezes, os carros estacionam em frente das nossas rampas … Sei também que trabalhamos em vilas pequenas e que toda a gente os conhece e, portanto, a atitude das pessoas para com eles é mais consciente do que numa cidade como o Porto onde ninguém se conhece. Reparei também que as técnicas utilizadas estão em grande atraso em comparação ao que fazíamos na Augusto Gil. Por exemplo, aqui só agora se fala em começar a usar comunicação aumentativa.

EUROPEAN VOLUNTARY SERVICE ?

*O EVS é um programa da união

europeia que permite a jovens entre os 17 e os 30 anos fazer uma experiência de voluntariado no estrangeiro. O voluntariado pode ser em diversas áreas: organizações ambientais, com jovens, imigrantes, idosos, pessoas com necessidades especiais, etc, depende ao que cada um concorre. Os projetos tem duração de 15 dias a 12 meses e podem ser feitos em qualquer parte do mundo. A grande vantagem deste programa é que não só é gratuito como o alojamento e a alimentação são assegurados. https://ec.europa.eu/programmes/ erasmus-plus/opportunities-forindividuals/young-people/ european-voluntary-service_en

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O que te levou a fazer voluntariado em Itália? Na verdade, a minha intenção nunca foi vir para Itália. Quando fazemos EVS* (European Volunteer Service) escolhemos o projeto ao qual queremos concorrer e depois acabamos por ir para o sítio onde ele se realizará. Eu apaixonei-me por este projeto, concorri e acabei por ser escolhida. Até fiquei um bocadinho triste por ser Itália, pois é um país muito parecido com o nosso.


entrevista

Queres relatar-nos um episódio que tenha sido marcante no teu dia-a-dia em Itália? Aqui todos os dias são muito fortes e intensos emotivamente. Uma das coisas que nos dizem quando chegamos é que, como estas pessoas têm vidas tão complicadas em casa, nós temos de ser o sol, o momento feliz na vida delas. Portanto, desde que entramos ao trabalho até sairmos, temos de ter um grande sorriso nos lábios e uma paciência infinita. Depois, o amor que recebemos, não há palavras … Desde “A Mia é bela como a Nutella” até às montanhas de abraços e beijos que recebemos… Todos os dias em que eles estão ao nosso lado, nos reconhecem, confiam em nós, acabam por ser únicos e especiais, cheios de pequenas coisas, pequenos obstáculos ultrapassados, que nos fazem voltar a casa com o coração cheio.

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No final de um ano de experiência, que trazes “na mala” para o teu futuro? Levo sobretudo uma “mala” cheia de perguntas, de coisas por aprender. Depois, levo a “mala” cheia de uma nova atitude, de uma forma muito mais relativista de lidar com as coisas: o principal objetivo de um programa como este, no qual somos postos a viver com um monte de pessoas que não conhecemos, a fazer um trabalho para o qual não temos formação e a tentar de alguma forma integrar-nos numa equipa que trabalha junta há mais 20 anos, com todos os obstáculos extra que temos (a língua, o desconhecimento da cultura e dos modos de fazer …), será sempre fazer-nos aprender a ser capazes de encontrar o nosso espaço, a nossa voz, no meio destas coisas todas. Tudo isto exige uma atitude muito paciente, humilde, observativa, muita vontade de comunicar, de se meter no lugar do outro e de criar uma relação com estas pessoas com quem tive de partilhar os meus dias nestes 12 meses. Esta experiência acaba por ser sempre aquilo que nós deixamos que ela seja; tudo depende do quanto nos entregamos a ela e, no fim do dia, esta sensação de estar em casa, mesmo tão longe, e toda esta confiança que ganhei em mim, é o que faz com que isto seja apenas o início.

Entrevista orientada por Alexandra Sousa (10ºI) e Rosa Margarida (10ºH)


opinião Porque não deve o Estado financiar colégios privados O tema polémico (que não devia ter nada de polémico) destas últimas semanas prende-se com os contratos de associação, curiosamente assinados em condições precárias pelo anterior governo PSD/CDS. Ainda assim, importa justificar porque é que o Estado não deve nem tem de

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os últimos 4 anos, a direita desviou 500 milhões de euros do ensino público para o particular. Eu que, ao contrário de outros, tenho o cuidado em ler a Constituição, constato que está escrito que a defesa da escola deve ser uma prioridade e uma opção dos políticos. Aqueles senhores que andam pelas ruas vestidos de amarelo ( deve ser a cor da cegueira ideológica para eles) a dizerem frases do género "Eu escolho", "Deixem o meu filho estudar onde ele quer", entre outras, têm toda a liberdade de escolha. Estudem onde quiserem, mas paguem do vosso bolso! Não podem? Têm bom remédio: escola pública de qualidade. Existe uma rede pública que permite a vários alunos poderem frequentar as escolas abrangidas. Será que têm de ser os contribuintes a pagar recursos privados? O governo está a agir bem, pois ao acabar com estes contratos está a tomar uma medida constitucional e está a utilizar dinheiro para defender e proporcionar a milhares de alunos um ensino público rigoroso e que deve funcionar como um meio de igualdade e inclusão e não um meio de seleção. Felizmente, tenho a oportunidade de escolher onde quero estudar, mas e as crianças que vivem em meios difíceis? E os pais que querem a melhor educação para os filhos e contam com a ajuda do Ministério? É preciso haver bom senso e a comunicação social tem dado demasiada importância a 3% dos estudantes portugueses. Desde que iniciei a minha vida política e comecei a ter uma participação ativa na cidadania, reparei numa lei que se repete sempre: a hipocrisia é muita quando se debate um assunto polémico e sério. Surge o PSD de cara lavada e provavelmente já esquecido que o seu líder aconselhou os professores sem emprego a emigrarem. Aparece o senhor Pedro Passos Coelho a colocar em causa a boa

vontade do ministro Tiago Brandão Rodrigues quando, provavelmente, já se deve ter esquecido que acabou com o pequeno-almoço gratuito nas escolas primárias. Mas, meus amigos, há algo que vos tenho de confessar: durante os últimos 4 anos, anos com milhares de desempregados, com muitas pessoas a entrarem no limiar de pobreza e com um sofrimento brutal, lamentei sempre a intervenção da Igreja Católica. Como cristão que sou, cheguei a pensar que os máximos representantes da Igreja tinham sido impedidos de falar ou algo do género. Estava errado. Parece que D. Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa, acordou ao fim destes anos todos e a primeira coisa que fez foi tomar uma opção política e juntar-se aos colégios com contrato de associação, criticando António Costa e o governo. Perguntaram-me muitos católicos se eu fiquei surpreendido e eu respondi que não, porque os valores do respeito, da humildade, da defesa dos pobres já não se encontram presentes em muita gente da religião. Enfim, tanta demagogia, tanto cinismo e tanta desinformação que se têm observado nos últimos tempos. Ainda há gente revoltada com esta desinformação , pessoas com conhecimentos sólidos e com experiência no terreno do ensino e da política. Espero, sinceramente, que o governo não recue na sua posição e que continue a cumprir com o seu dever. E espero também que o Ministro da Educação resista a todos os ataques feitos e que continue "Contra a mentira, marchar, marchar!!" Miguel Parente , 10ºH

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financiar o ensino privado.


economia A Crise dos Estados Soberanos O recurso aos mercados através da emissão de dívida pública é uma fonte essencial para o financiamento dos Estados no atual mundo globalizado. No entanto, o controlo sobre o nível de endividamento de um país é difícil e, em caso de desconfiança dos mercados e de subida das taxas de juro (como aconteceu nos anos a seguir à crise financeira de 2008), pode-se entrar num ciclo vicioso de criação de cada vez mais dívida, levando, assim, a um estado insustentável das contas públicas, em que o Estado se aproxima da bancarrota e corre o risco de não cumprir os seus compromissos.

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m termos globais, a crise financeira de 2008 provocou uma recessão na maior parte dos países desenvolvidos. Esta crise levou a um aumento das despesas públicas e, consequentemente, do défice e das dívidas públicas, devido ao gasto em operações de salvação de bancos, em medidas de incentivo ao consumo e em infraestruturas, com o objetivo de tirar as economias da recessão. Em economias mais fortes, desenvolvidas, com maior prestígio internacional e maior capacidade de pagar as suas dívidas, a recessão foi breve, a economia rapidamente voltou a crescer e o aumento da dívida pública foi controlado, essencialmente devido à manutenção de taxas de juro baixas, como foi o caso da Alemanha. Por outro lado, em economias mais débeis, com menor prestígio internacional e menor capacidade para pagar as suas dívidas, a recessão manteve-se e até se agravou e o crescimento da dívida pública rapidamente se descontrolou pelo aumento das taxas de juro, até ao ponto em que esses Estados se tornaram incapazes de recorrer aos mercados. Um dos grandes problemas da atual crise, e que a diferencia de outras, é a combinação de uma crise financeira e económica com uma crise da dívida soberana. Os Estados tiveram, então, de aumentar os seus gastos, em dois sentidos: intervenção no sistema financeiro e incentivo ao crescimento económico (consumo interno e obras públicas). No entanto, nos anos anteriores à crise, quando se devia ter aproveitado o crescimento económico para melhorar as contas públicas (tanto o défice como a dívida), tal não aconteceu. Logo, verificou-se uma deterioração rápida das

finanças públicas, que se intensificou com a desconfiança que se gerou nos mercados, especialmente em relação aos países com economias mais frágeis e com menos condições para pagar as suas dívidas. O subsequente aumento das taxas de juro desses países levou-os a uma situação insustentável, obrigando as suas economias a implementarem medidas de austeridade e a diminuir os seus gastos públicos, com o objetivo de estabilizar as contas públicas. Esta situação desencadeou um acentuar da recessão económica ao cortar no investimento público, nos subsídios sociais e nos incentivos à produção. “(...) a economia mundial não será mais a mesma após a crise de 2008” - Paul Krugman

Nuno Sousa, 12ºE


história O Fascismo Pós-Moderno, a Paz Podre Europeia e o Fim do Estado Social “O fascismo pós-moderno constrói-nos como sujeitos autónomos, quer dizer, como sujeitos que aderem livremente às suas crenças, que vivem os estilos de vida que escolhem e que, para além de tudo isso, crêem (cremos) dispor da sua própria vida. “Somos sujeitos livres sujeitados àquilo que livremente escolhemos ”, diz o catalão Santiago López Petit.

egundo este filósofo, o fascismo pós-moderno diferencia-se do fascismo clássico no sentido em que se foi adaptando ao longo dos tempos e não é já um regime autoritário, imposto, repressivo e concentrado numa só pessoa. É, agora, um regime imposto implicitamente porque está camuflado pelo direito ao voto e liberdade. Contrariamente ao fascismo clássico que serve as massas, o pós-moderno promove a diferença e volta-se para o indivíduo único, abraça a globalização, que vem do povo mas não é de todo popular, apela à união entre as diferentes culturas, reduz tudo a simples opiniões vulgarizadas na esfera pública (e dadas por qualquer um) e tem como principal meio de comunicação ao indivíduo a televisão e como base, a sacro santa democracia que, “a despeito da sua total deslegitimação - não é preciso lembrar os níveis de abstenção nem o desprezo pelos políticos profissionaisconsegue sempre salvar-se porque parece ter um valor em si mesma”, citando o filósofo já referido. No entanto, o fascismo pós-moderno e o fascismo clássico têm pontos comuns como a ligação ao Estado-Guerra que, no caso do fascismo pós-moderno, se articula (com o Estado-Guerra) através da democracia. Nos dias que correm, os dias da globalização, a época em que “qualquer coisa pode ser produzida em qualquer parte e vendida em todas as partes” (Lester C. Thurow, O futuro do capitalismo), num mundo onde tudo se produz e tudo se faz sob a égide da liberdade, da igualdade e da fraternidade, onde os países democráticos criticam os países não democráticos e fazem guerras de carácter humanitário e que servem de desculpa para qualquer atrocidade, encontramos uma Europa que, cada vez mais, é o espelho de tudo o referido acima. Vemos uma Europa que, juntamente com Estados Unidos, edificou o fascismo pós-moderno.

Baseados nos livros: O Futuro do Capitalismo A Mobilização global Seguido do Estado-Guerra Bernardo Sarmento, 12ºG

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Uma Europa onde, sob o manto sagrado da democracia, tudo pode acontecer. Será que os valores prioritários (ou que foram prioritários) aquando da construção da Europa moderna do segundo pós guerra desapareceram? Mesmo os valores da revolução francesa, considerada o ponto de partida da democracia moderna, não são mais do que o lema da própria revolução. Não passam de palavras quando, na verdade, deviam ser valores gerais e globais. A liberdade é cada vez menor, tudo tem que ser vigiado, a igualdade é, de dia para dia, uma miragem cada vez menos visível, e a fraternidade foi tomada pelo individualismo. Perante esta destruição de valores gerais e globais, não haverá ninguém consciente o suficiente para reivindicálos? Perante isto, a esquerda europeia permanece apática, a social-democracia tem o Estado Social como garantido e não há uma consciencialização geral de que a aparente liberdade que a democracia nos dá é constantemente pisada pela consolidação do fascismo pós-moderno a que todos assistimos. Estará o Estado Social comprometido? A Europa unida a que se assistiu em meados do século passado morreu. Neste momento, não há ninguém, nenhum político europeu que se apresente tão convicto numa Europa unida como os seus próprios fundadores e a descrença na União Europeia é cada vez maior porque não são dadas condições para acreditar nessa união. A Europa é um Estado de Guerra. A Europa está numa guerra permanente a que damos o nome da paz. Para muitos, a Europa está em paz, mas é uma paz podre, desfeita no seu interior.


história O que é o 25 de Abril para ti?

É apenas

um feriado ou um marco na história de Portugal?

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25 de Abril de 1974 foi a chamada Revolução dos Cravos e pôs um ponto final ao Estado Novo e a uma ditadura que durou 41 anos, com a finalidade estabelecer a liberdade democrática. O Professor António de Oliveira Salazar, figura de destaque e promotor do Estado Novo, governou, em primeiro lugar, como Ministro das Finanças e depois como Presidente do Conselho, sendo a principal figura do regime. Em 1968 abandonou o cargo por motivos de saúde, falecendo em 1970. Foi substituído pelo Professor Marcello Caetano, que governou durante 4 anos, tendo sido o responsável pela diminuição da rigidez do regime. No entanto, a censura, a guerra colonial, o partido único e as más condições de vida, que levaram à emigração de muitos Portugueses, ainda eram fatores presentes na sociedade. O regime apresentava vários opositores, como Zeca Afonso, Álvaro Cunhal, Mário Soares e muitos outros que estiveram presos em Caxias. Para evitar a oposição, o governo tinha uma polícia política muito forte, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado). Contudo, a decadência económica que o país sofreu, em conjunto com o número elevado de mortes que as guerras coloniais fizeram, provocou um descontentamento na população e nas forças armadas. Em consequência, apareceu um movimento de jovens militares que tentaram mudar o país, o MFA, comandado por vários oficiais, conhecidos como Capitães de Abril.

Os trabalhos vencedores do Concurso da Rosa-dos-Ventos, promovido pelos professores de Geografia

Carolina Barros 10ºJ

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Seguidamente, as forças militares, chefiadas por Salgueiro Maia, cercaram o Quartel do Carmo, onde estavam refugiados o Professor Marcelo Caetano e mais dois ministros, que acabaram por se render. Como consequência, a população saiu à rua para comemorar o fim de uma ditadura de quase meio século. No meio dos festejos, encontrava-se uma senhora a distribuir vários cravos, inclusive aos militares, que os puseram nos canos das espingardas. Esta ação revela que esta foi uma revolução pacífica aos olhos do Mundo. É de considerar que esta Revolução representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país. O MFA reconheceu a independência das colónias, estabeleceu a democracia, o que permitiu a legalização dos sindicatos e a libertação dos presos políticos, eliminando a PIDE e a censura que silenciou o país durante vários anos.

Rua Santos Pousada , 1222 4000-483 Porto

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A transmissão da canção na rádio " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, marcou o início das operações militares contra o regime. Seguidamente, a canção " Grândola Vila Morena ", de José Afonso, foi o sinal confirmativo, escolhido pelo MFA, de que as operações militares estavam em marcha e eram irreversíveis.


geografia “O Meu Desafio”

ste ano, no Dia da Geografia, a ESAS teve como convidado, o João Reis. Ex-aluno, que completou o 12º ano, em 2008, na área de Economia, foi presidente da Associação de Estudantes, membro do Clube Europeu e representou, com sucesso, a escola em vários concursos e competições de empresas. É, sem dúvida, um aventureiro inato. Já visitou 30 países entre Portugal e a Austrália, viveu em 4 continentes diferentes, trabalhou com governos, com o Banco Mundial, com grandes empresas, mas também com ONGs e start-ups. “O Meu Desafio” foi o tema proposto pelo João Reis. E a partir desse mote, contou-nos que faz questão de visitar, desde há 10 anos, pelo menos 2 novos países por ano e isso tem-lhe aberto horizontes, permitindo-lhe dar mais valor ao que tem, alargar a rede de contactos e expandir as suas aspirações. “Se o teu sonho é um dia visitares a Austrália, no outro lado do mundo, porque não haverias

Painel alusivo à presença portuguesa pelo mundo, com a representação de fotos de familiares, amigos e conhecidos (…) que trabalham e/ou vivem no estrangeiro, contribuindo com os seus valores para o entendimento global.

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de o concretizar?” Para ele, ter um entendimento global não é mais do que compreender que atualmente as nossas aspirações não precisam de ter limitações geográficas e que a nossa rede de contactos e de suporte pode ser completamente internacional. “Partilhar um desafio é um passo importante, porque é quando o partilhamos que o tornamos mais real e que nos tornamos mais responsáveis por o resolver.” Segundo ele “um desafio particular em mente ajuda-nos a tornar tudo o que fazemos mais prático. Por exemplo, todas as aulas (…), professores, rede de contactos, atividades livres podem ser orientados para o resolveres”. Concluiu-se que a maioria dos alunos tem como objetivo realizar até ao fim do secundário desafios relacionados com o desporto, arte e viagens. Foi a partir destes resultados que o nosso convidado nos deu a conhecer a sua “árvore”, uma “árvore” composta por vários ramos, preenchidos com os seus objetivos pessoais, alguns deles já concretizados. Além disso, o João contou também algumas das suas aventuras como o salto de body jumping que ele praticou na Nova Zelândia, o país antípoda de Portugal, considerando talvez uma das suas experiências pessoais mais inesquecíveis e empolgantes. E foi com boa disposição que o jovem apresentou o seu futuro projeto Cook4me, que pretende vender refeições caseiras on-line para todos os que se encontram longe das suas casas, pelos mais variados motivos, e que estejam saturados de consumir “refeições de restaurante”. Em suma, foi um encontro inspirador e motivador! O João Reis é um exemplo daquilo de que Portugal necessita - jovens enérgicos, com iniciativa, perseverança e com vontade de alcançar sempre algo mais. Ana Filipa, 10ºH João Reis, ex-aluno ESAS ESAS, 6 de maio de 2016


geografia “Gente bonita come Fruta Feia”

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desperdício alimentar é uma consequência da sociedade ocidental atual. Enquanto nós esbanjamos de forma egoísta, na outra parte do mundo existem pessoas muito carenciadas. Em Portugal, e na maioria dos países mais desenvolvidos, comemos muito, comemos mal e desperdiçamos muita comida. Nada de surpreendente, pois este é apenas mais um fenómeno de uma sociedade que, sendo de consumo, também é de desperdício. O desperdício alimentar tem merecido uma atenção especial nos últimos tempos. Mais de metade dos alimentos do planeta são desperdiçados e seriam suficientes para alimentar muitos milhões de pessoas. Além do gasto inútil de recursos ambientais e económicos, associados a qualquer forma de desperdício, no caso do desperdício alimentar, a produção de alimentos que ninguém consome também esbanja água, adubos, pesticidas, sementes, combustível e o solo necessário ao seu cultivo. As quantidades são relevantes: a nível global, um ano de produção de alimentos não consumidos gasta tanta água como o fluxo anual do Volga, o rio com maior caudal da Europa. Estes números assustadores nem sequer incluem os desperdícios das explorações agrícolas, dos navios de pesca e dos matadouros. Se o desperdício alimentar fosse um país, seria o terceiro maior produtor de gases com efeitos de estufa do

mundo, depois da China e dos Estados Unidos. O resgate de alimentos tornou-se uma questão de urgência internacional. Na Europa, existem mais de cem iniciativas para reduzir a acumulação de resíduos alimentares. As estratégias incluem a sensibilização através de campanhas, formação, informação, medindo o desperdício e melhorando a logística. Exemplos destas iniciativas existem por todo o mundo. Um movimento cívico internacional procura combater o desperdício alimentar. A Associação "Re-Food 4 Good" existe em Portugal desde 2010 e coordena centenas de voluntários que procuram resgatar toneladas de comida para redistribuir nas respetivas comunidades com um baixo custo de operação. Em Portugal, a Cooperativa Fruta Feia, iniciada em 2013 na região de Lisboa e Vale do Tejo, salva todas as semanas 4 toneladas de fruta com formatos invulgares que seriam, em princípio, rejeitadas pelos supermercados. Recentemente os órgãos de comunicação social publicaram a abertura de um supermercado inédito por ter à venda produtos fora de prazo. O "We Food" abriu, na Dinamarca, um supermercado cujo objetivo é combater o desperdício alimentar no planeta. Boas práticas e bons exemplos que queremos ver multiplicados na nossa mesa, todos os dias. Leonor Contente, 11ºH


Dietas da moda O vegetarianismo e o veganismo têm ganho cada vez mais popularidade. Apesar de terem muitas semelhanças, os dois grupos divergem em alguns pontos. 

Quais as diferenças?

O vegetariano é alguém que se alimenta fundamentalmente de grãos, sementes, vegetais, cereais e frutas, com ou sem o uso de lacticínios e ovos. Excluem o uso de todas as carnes animais, incluindo peixe. O vegan não inclui ovo, leite, queijo, iogurte, nem mesmo mel de abelha, na sua alimentação. Exclui todos os produtos de origem animal não só da alimentação, mas também da roupa, dos produtos de higiene, dos detergentes. 

Percurso no Porto

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lguns professores da ESAS foram à procura de deus Mercúrio pela cidade do Porto… guiados pela Dra. Isabel Andrade, da Casa Museu Marta Ortigão. Dono do caduceu (um bastão, duas serpentes, um elmo e um par de asas que expressam, respectivamente, poder, sabedoria, diligência e pensamentos elevados), o deus Mercúrio foi nomeado deus do comércio, entre os romanos. Nada de estranhar que a sua imagem esteja tão presente, esculpido em pedra, pintado em azulejos… no Porto, conhecido, desde sempre, como uma cidade do comércio e dos negócios. Mª João Cerqueira, profª História Porto, 27 de maio

Como é possível substituir os ovos e os lacticínios?

Em todas as receitas com leite de vaca e derivados, estes podem ser substituídos pelos equivalentes derivados de soja. Uma das formas é utilizar uma colher de sopa de farinha maisena em vez de um ovo. 

Como substituir a carne?

Alguns substitutos mais comuns são a soja, o seitan, o tofu, as leguminosas e os frutos secos. 

Quais as razões para se ser vegetariano/vegan?

A atividade pecuária orientada para uma dieta baseada na carne está a destruir o nosso planeta, ameaçando a nossa civilização e a sua prosperidade. Desistir ou cortar no consumo de carne é, para cada vez mais pessoas, a coisa mais importante que um indivíduo pode fazer para proteger o ambiente e as futuras gerações de um desastre. Há quem considere, por isso, que uma grande mudança para uma dieta vegetal (vegetariana ou vegan) é essencial para evitar crises climáticas, ambientais, alimentares, energéticas e uma crise de água.

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Rua Aurélia de Sousa nº 49

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Isabel Mendonça e Francisca Santiago, 11ºI


Caminhada Serra do Marão

ESAS na ESAD

Fomos até Vila Real para realizar uma caminhada de 15 km pela serra do Marão juntamente com outras três escolas desta região e do Porto.

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caminho que foi percorrido pelos alunos, estava dividido por estações. Em cada uma das estações os professores responsáveis pelas turmas recolhiam um papel com pistas e adivinhas e uma moeda dourada, como se de uma caça ao tesouro se tratasse. Durante toda a viagem era impossível ignorar a beleza da paisagem. As vertentes da serra encontravam-se cheias de cores, cobertas por tojo e urze, o caminho de terra batida pelo qual passámos era ladeado por pinheiros, ouviam-se os risos dos alunos, os pássaros, os passos pesados a bater sobre o xisto… Conseguíamos ver, do cume da montanha, os vales e, no horizonte, mais montanhas de xisto e granito a erguerem-se para o céu nublado… Houve alguns jovens que não aguentaram muito bem o percurso devido à inclinação do terreno. No entanto, como o entusiasmo e a diversão era tanta, mal se via o cansaço nos alunos e professores. Notei uma certa união em todas as turmas, esperavam todos uns pelos outros, a amizade e camaradagem foram notáveis em toda a viagem. Foi uma experiência diferente e gostava de poder repeti-la. Não vou esquecer a variedade de emoções que senti, a simplicidade da paisagem, os aerogeradores sobre as nossas cabeças, as vacas a pastarem livremente com o silêncio do vento e a aragem fresca da montanha…

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Porto – Vila Real, 27 de maio de 2016 Sara Rodrigues, 8º A

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rês turmas de Arte da ESAS (10º, 11º e 12ºs anos), acompanhadas pelos professores de Desenho Maria do Carmo Rola e António Carvalhal, realizaram uma visita de estudo à "Semana da ESAD" na Escola Superior de Artes e Design, uma semana aberta que contemplava exposições de trabalhos dos alunos, instalações multimédia interativas, um desfile de moda, laboratórios de imagem, vídeo, serigrafia e estamparia, aulas abertas, oficinas de participação livre, conversas com alunos e professores, entre outras coisas. A visita foi interessante e proveitosa para os alunos pois, para além de terem participado numa aula de Desenho, em sala equipada com cavaletes, visitaram algumas aulas a decorrer, podendo aperceber-se do processo pedagógico e criativo em curso, e interagindo com discentes e docentes intervenientes. Também estiveram presentes numa apresentação multimédia, realizada por um professor inglês, - utilização de software 3D em Design de Produto, e visitaram as diferentes exposições de trabalhos de alunos patentes em vários espaços da Escola. Foi uma visita que serviu para conhecer a ESAD, uma das Faculdades privadas de Arte e Design portuguesas e para tomar contacto com cursos artísticos no Ensino Superior. António Carvalhal, prof. Desenho A, 11ºJ e 12º H ESAS l ESAD, 10 de Março 2016


Turismo Industrial ?

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á alguma vez ouviram falar dos lápis da Viarco? É quase certo que muitos de nós, no tempo de criança, os tenhamos utilizado. A Viarco é a única fábrica de lápis em Portugal e a mais antiga. Surgiu inicialmente com o nome de “Portugália - Fábrica Portuguesa de Lápis” no ano de 1907, com sede em Vila do Conde. Mais tarde, em 1931, Manoel Vieira Araújo adquire a empresa e, em 1936, regista a marca com o nome de “Viarco”, acompa-

nhando gerações até chegar aos dias de hoje. Cinco anos mais tarde, a Viarco ruma a S. João da Madeira, onde acaba por se fixar. Esta fábrica centenária, devido aos seus métodos bastante tradicionais e artesanais e ao pequeno espaço que ocupa não consegue concorrer com as marcas estrangeiras bem mais populares no mercado. Apesar dos momentos difíceis que tem atravessado, a dedicação e o espírito de iniciativa, por parte funcionários, tornou-a apta a criar produtos exclusivos, que conquistaram o mercado da exportação, no segmento artístico – Art Graf -. Produtos como o “turn it”, o “lápis copianço”, o “ lápis da tabuada”, o “ bastão de grafit XL” e até os lápis perfumados conferiram à Viarco a oportunidade de se afirmarem no mercado e mostrarem que,

com pouco, se faz muito. Hoje exporta para países como EUA, Austrália, Coreia do Sul ou Índia e os seus lápis são vendidos em inúmeros museus por esse mundo fora, como o MoMa, em Nova Iorque, ou o Guggenheim de Bilbao. Quando comprares um lápis com um logótipo, há grandes possibilidades de estares a adquirir um lápis Viarco, pois é o seu nicho de mercado. Esta saída de estudo foi organizada pela professora Marina Viana de Inglês, para as turmas, 11ºH, 11ºJ e 12ºH, e contou com as professoras Maria da Luz Carvalheira de F.Química, Luísa Moniz de Geometria Descritiva e Julieta Viegas de Geografia. Filipa Mota, 11ºH

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Nunca de tal tinha ouvido falar! Numa iniciativa para ver reproduzida noutras regiões do País, S. João da Madeira recebeu-nos e mostrou-nos muito do que por lá se tem feito e ainda se faz no domínio industrial. Os lápis da Viarco, os sapatos da Helsar e os chapéus da Fepsa são algumas das estrelas do Património Industrial de São João da Madeira e foi admirável aquilo que vimos e as coisas que aprendemos na visita às fábricas.


Educação, Cidadania e Defesa”

Cursos profissionais? sim! Com o insucesso encontrado no ensino científico-humanístico, o Ministério deu oportunidade de um ensino mais prático para os alunos com vocações diferentes.

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ui convidada, juntamente com a professora Julieta Viegas (Geografia), para participar na conferência promovida pelo Instituto de Defesa Nacional (IDN), que decorreu na Faculdade de Ciências do Porto/videoconferência com Lisboa, e que contou com a participação da Dr.ª Isabel Alçada, da Professora Doutora Helena Carreiras e do Doutor Guilherme d’ Oliveira Martins. Esta ocasião serviu para apresentar o “Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz” e evidenciar a importância do tema da cidadania e da defesa e a sua integração nos planos educacionais das escolas, desde cedo. Enquanto estudante, não posso deixar de identificar uma falha óbvia no ensino português: o fraco dinamismo do sistema educacional. Cada vez mais os professores são obrigados e pressionados a lecionar um número crescente de matérias num período de tempo insuficiente, o que acaba por traduzir-se, muitas vezes, em métodos ineficazes e num ensino estático. Ficam de parte dos planos curriculares a inserção de valores cívicos que alertem os estudantes para a necessidade de participar e atuar na sociedade que os rodeia, analisando criticamente os conflitos que se gerem atualmente e sendo capazes de, autonomamente, ter voz e agir. Tal como o doutor Guilherme d’Oliveira Martins referiu, a escola deve ser “uma escola de cidadãos”, em primeira instância. É necessário – o mais cedo possível – educar os estudantes para serem cidadãos ativos e capazes. Matérias como a Defesa Nacional (com as quais muitos dos estudantes só lidam aos 18 anos, no dia da Defesa Nacional), a importância do voto ou de informação sobre os principais atores no plano nacional e internacional devem ser incluídos o quanto antes. Experiências como a que pude viver, no 12ºano (2013/2014), com uma aula de Geografia C que contou com a presença do Ministro da Defesa Nacional da altura, ao qual expusemos trabalhos previamente preparados sobre as principais ameaças que o mundo enfrenta, são uma mais-valia. Em primeiro lugar, a dinamização do ensino e das aulas vai, consequentemente, aumentar a motivação dos alunos e o seu empenho na aprendizagem e na disciplina e, por outro lado, é possível conseguir-se, assim, uma ligação eficaz e positiva entre a cidadania e o ensino. As relações internacionais, a política, a economia são temas que devem estar em sintonia com a educação. É urgente educar cidadãos com espirito crítico e capacidade de pensar, analisar e atuar na sociedade em que se inserem. FCUP, 10 de Março de 2016 (http://www.idn.gov.pt/…/documentos/Referencial-EBOOK-versao…) Mariana Oliveira, estudante de Relações Internacionais na FLUP

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pesar de os cursos profissionais serem depreciados pelas pessoas, a verdade é que estes têm o mesmo nível de exigência que o ensino regular, ainda que com incidência em aspetos de outra natureza. Exige-se, nomeadamente, capacidade de trabalho, competências sociais e maturidade, que falta a tantos jovens nos dias de hoje. Os cursos profissionais, se concluídos, têm uma qualificação profissional de nível 4, superior à dos restantes cursos, que apenas obtêm o nível 3. Oferecem entrada mais facilitada no mundo do trabalho, devido à experiência obtida no estágio efetuado durante o curso. Embora tendo saída profissional mais facilitada, há sempre a opção de seguir o Ensino Superior, para adquirir mais conhecimentos. Contudo, encontramos alguns aspetos negativos, tal como um horário pesado e desgastante, devido à quantidade de disciplinas. O curso é composto por módulos em vez de períodos, as férias de Verão são mais reduzidas, porque temos de cumprir determinadas horas em cada disciplina e, para que nos seja permitido seguir o Ensino Superior, temos de fazer exames de disciplinas que não estudamos no Secundário. Tendo em vista os aspetos observados, achamos que um curso profissional é uma opção que se deve ponderar para aquelas pessoas que estão focadas numa área específica, que não tencionam frequentar o Ensino Superior e que querem ter o 12º ano completo, com uma preparação para o mundo do trabalho. Os alunos que o frequentam com responsabilidade desenvolvem diariamente esforços para se tornarem profissionais competentes e devem merecer tanto a nossa consideração como os que, com espírito idêntico, enveredam por outras modalidades de ensino. Ana Sequeira e Vânia Queirós , 10ºL


O futuro do livro/opinião O fim do livro ? Será que o modo como o conhecemos permanecerá inalterável?

CURIOSIDADES

que facilitou de certa a forma o acesso aos mesmos. No século XX, a invenção da Internet e dos computadores veio revolucionar o mundo e levou à mudança dos hábitos das populações. Um estudo recente refere que cerca de 10% dos alunos que frequentam o ensino secundário nunca leram um livro até ao fim. O facto de o livro ser aborrecido é uma das causas pelas quais os alunos deixam a leitura para segundo plano e escolhem outros meios de lazer. Mas será que pode ser possível aliar o livro em si às novas tecnologias? Se, para alguns, a leitura de um livro pode ser aborrecida, quanto mais a leitura de um “livro” por inteiro feita através de um tablet ou de um computador. No meu ponto de vista, a leitura através de páginas físicas torna a aventura de ler mais envolvente, desde as personagens até ao enlace da própria diegese. Assim, colocando o problema de forma hiperbólica, se o livro tivesse um fim não seriam só as bibliotecas que fechariam (o que seria uma enorme perda cultural, pois Portugal tem das mais belas e completas bibliotecas, como é o caso da Biblioteca Joanina na Universidade de Coimbra), mas sim livrarias e muitas tipografias, o que representaria um aumento no número de desempregados, entre outros problemas de cariz económico e social. De qualquer maneira, vamos deixar mesmo o livro desaparecer? Rosa Margarida, 10ºH

O que significa… “sair pela porta grande”– diz-se de alguém que entra ou sai de um cargo em plena glória. Origem – Até aos finais do século XIX, as casas solarengas tinham, pelo menos, duas portas de entrada: a porta grande, a porta principal, que era reservada aos convidados importantes e aos senhores da casa e a porta pequena, usada pelos criados e pelos fornecedores. Assim, a expressão sair pela porta grande passou a transmitir uma ideia de reconhecimento social e de poder.

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s especialistas recomendam a leitura de pelo menos dois livros por mês. Mas será que o formato de como se apresentam hoje permanecerá inalterável nas próximas gerações? O certo é que o desenvolvimento tecnológico tem alterado o modo de funcionamento da nossa sociedade. Ler é um hábito essencial que deve ser cultivado, desde pequenino, como o célebre ditado português afirma “de pequenino se torce o pepino”, algo que não deve ficar indiferente a ninguém. A essência de um livro está nele mesmo e pode ser descoberta por quem o lê. Mas será que este famoso amigo e companheiro nas horas vagas (momentos de lazer), poderá estar em “vias de extinção”? Se recuássemos aos primórdios e perguntássemos aos seus cidadãos, estes responderiam claramente que não. Nos dias de hoje, se colocássemos a mesma questão a uma criança que raramente lê um livro, provavelmente a resposta seria outra (agora deixo nas mãos de cada leitor qual o sentido da resposta). A verdade é que, com o aparecimento das novas tecnologias, a essência do livro tem vindo a alterar-se, dando lugar a novos formatos, como é o caso do e-book, um livro com o mesmo conteúdo mas no formato digital ou mesmo o áudio book, uma gravação onde o livro é narrado (o que na minha opinião se torna um pouco desinteressante). Após a invenção da imprensa por Gutenberg no século XVI, a quantidade de livros aumentou significativamente, o


conto

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deusa Clio, cansada de tecer durante centenas de anos, adormeceu novamente, esquecendo -se de que já fora castigada pelo mesmo. Os seus dedos, continuando a tecer sem efeito, criaram um nó, misturando, assim, as datas de 15 de fevereiro de 2016 e 10 de junho de 407 a.C.. Sócrates e Platão, dois grandes filósofos gregos, dirigiam-se para a Gália, mas devido a correntes marítimas, o barco mudou de direção para Hispânia. Assim que chegaram a terra, caminharam centenas de quilómetros até que atingiram o atual grande Porto, mas em vez de encontrarem uma convenção de filósofos, depararam-se com outros seres humanos com objetos retangulares que emitiam um estranho tipo de luz, roupas rasgadas, apertadas e curtas, casas com paredes altíssimas, tartarugas gigantes com rodas e tantas outras coisas estranhas. As pessoas do século XXI, que até àquele momento seguiam as suas vidas naturalmente, acharam esquisito dois homens com vestidos brancos andarem a vaguear pelas famosíssimas ruas portuenses, observando cuidadosamente cada pormenor da cidade. Pensaram que eram apenas dois fulanos atrasados para uma festa de carnaval. Nada com importância. Os dois amigos entraram num estabelecimento onde estava um casal e o seu filho de nove anos, que lhes pedia vezes sem conta os chocolates que se encontravam na montra. Platão com um ar carrancudo disse a Sócrates: - De todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar. - Bem o posso dizer, mas uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida… O empregado do café, vendo-os sentados numa das mesas do canto,

Veem-se gregos na cidade dirigiu-se de maneira acolhedora a eles e perguntou-lhes, de bandeja na mão, o que desejariam para comer. Nenhum dos filósofos percebeu patavina do que o empregado lhes estava a comunicar. - Acho que ele quer saber o que nós queremos comer. Se reparares, toda a gente aqui presente tem comida à sua frente. -disse Sócrates - Olha, vê lá tu, eu até rimei! - Todos os homens são poetas quando estão apaixonados… - Pois, mas deve-se temer mais o amor de uma mulher do que o ódio de um homem!

- Está bem, pede aí um porco assado para nós, bem tostadinho, se possível. O desgraçado do empregado, que estava ali de pé a olhar para os dois homens barbudos, também não os percebia. Portanto, passado algum tempo e sem qualquer tipo de diálogo de ambos os lados, decidiu regressar para o seu posto, estranhando e fingindo que nada daquilo tinha acontecido. - Apre! Nunca mais atendo homens barbudos a falar russo… Os dois homens, constrangidos com a situação, saíram repentinamente do local, sem quererem lá voltar. Depararam-se com uma enorme estrutura metálica, a célebre ponte Luiz I. Rodeados de residentes e turistas, com os olhos postos neles,

seguiram sem destino até aos Clérigos, muito atarantados com aquela multidão de gente que constantemente tirava selfies com eles. Subiram, então, à torre para poderem encontrar mais rapidamente o local da convenção de filósofos. O problema é que nenhum deles sabia que se encontravam no século XXI e a única coisa que conseguiram observar foi dezenas de formigas a andar de um lado para o outro. Visto que os dois amigos, depois de procurarem durante muito tempo, não encontraram o que pretendiam, desceram da torre e seguiram caminho até chegarem a uma enorme e larga rua com casas por onde saíam e entravam pessoas a toda a hora. Eles entraram numa das casas que vendia sapatos. Platão decidiu experimentar um dos primeiros pares em que pegou e perguntou a Sócrates: - Sabes que tipo de material é este? É muito estranho… - Eu só sei que nada sei. - Não digas disparates, a mim parece-me barro, é tão duro. - Não ligo a nada disso, tenho mais em que filosofar. - Levo estes na mesma. Vamos embora. Assim que saíram da loja o alarme disparou e, consequentemente, a deusa Clio acordou sobressaltada. Apercebendo-se do seu erro, emendou-o o mais rapidamente possível. Nesse instante, os gregos apareceram na convenção de filósofos na Gália e a população do século XXI continuou a sua vida sem notar a falta de Sócrates e Platão. A deusa Clio sofreu novamente as consequências dos seus atos mas, desta vez, a punição foi mais forte. Foi transformada em mortal durante um ano e passou, pela primeira vez, por momentos difíceis na vida, aprendendo, assim, a estar sempre bem acordada. Ana Margarida e Sara Rodrigues, 8ºA Ilustração https://www.google.pt/search?1

Este conto foi inspirado na "Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho” de Mário de Carvalho, imaginando que Clio adormeceu e enviou Sócrates e Platão para o Porto.


conto

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as férias de Verão, a Patrícia e o João estavam em casa dos avós. A Patrícia estava a preparar o lanche com a avó, enquanto o João estudava para o teste de História. Após o lanche, o João pediu ao avô que lhe voltasse a contar como tinha sido para ele o 25 de Abril. O avô sorriu e começou a falar: “Estava eu no Quartel….. Patrícia e João sentaram-se a ouvir, mas, de repente, ouviram um barulho e começaram a sentir que estavam a ser levados por uma força misteriosa. Começaram a adormecer e, quando acordaram, PUFFF, estavam na Avenida da Liberdade, mas há 42 anos atrás. - João, onde estamos, o que aconteceu!? - exclamou Patrícia muito confusa. - Não sei, mas vamos tentar descobrir! - disse João Patrícia e João olharam para as pessoas e repararam que toda a gente estava a usar roupas estranhas. Rapidamente perceberam que estavam no passado. Patrícia, muito preocupada, perguntou a uma senhora que dia era. - Hoje é 24 de Abril de 1974 - disse a senhora, sorrindo. - Patrícia, acho que entramos na história do avô - disse João. - O quê?? E agora o que fazemos?? Como voltamos para casa?? - disse Patrícia, assustada. - Pelos meus cálculos estamos a menos de 1 dia da revolução! - disse João, ajeitando os seus óculos - Por isso, vamos tentar encontrar o avô, ele há de saber o que fazer. - Se bem me lembro, o avô disse que estava no quartel da Pontinha, na noite anterior à revolução. - afirmou Patrícia entusiasmada. Pelo caminho, as pessoas estranhavam a sua maneira de vestir, pois não havia ninguém com roupas iguais às deles. João percebeu que estavam a ser observados e disse a Patrícia: - Se queremos lá chegar, temos que arranjar roupas para passarmos despercebidos, se não, a PIDE pode nos prender. E assim foi. Patrícia viu algumas rou-

pas num estendal e com ajuda do seu irmão, retiraram o que necessitavam. Depois continuaram a sua viajem até ao quartel. Quando lá chegaram, pediram para falar com o Capitão Otelo Saraiva de Carvalho. O soldado da receção disse para eles esperarem um pouco. -E agora, João, o que fazemos, o que vamos dizer ao avô? Não podemos simplesmente dizer que somos netos dele e esperar que fique tudo bem!! disse Patrícia. - Bem, ainda não tinha pensado nisso, se calhar é melhor não lhe contarmos!! - disse João, pensativo.

- Então, o que fazemos, o avô deve estar quase a chegar e ele vai querer saber quem nós somos e o que queremos!- exclamou Patrícia, preocupada. Antes do João poder responder, um homem alto chegou ao pé deles e disse: - Olá, meninos, disseram-me que queriam falar comigo. Em que vos posso ser util? João e Patrícia olharam um para o outro e não sabiam o que responder. O avô voltou a questioná-los. - Precisam da minha ajuda para alguma coisa? - perguntou o avô - Sim… Nós queríamos saber se podíamos passar a revolução consigo, não é João?- disse Patrícia, lançando um olhar a João, para ele alinhar no jogo. - Sim, claro, era mesmo isso que nós gostávamos de saber! - disse João sorrindo.

- O quê?? Como é que vocês, crianças, sabem disso? Quem vos contou tal coisa? - exclamou o avô, nervosíssimo. João e Patrícia não responderam, apenas olhavam para o avô muito nervosos. Este não parava de andar de um lado para o outro e dizia para ele mesmo. - Houve uma fuga de informação… E agora o que é que eu faço… O avô chamou o seu ajudante disse : -Tome conta destas crianças e não as perca de vista! Às 22:55 horas foi transmitida na rádio a canção “E depois do Adeus” que foi o primeiro sinal, para que os militares ocupassem as suas posições para darem início ao golpe militar; o segundo sinal foi dado à 00:20, com a canção “Grândola, Vila Morena” (esta música na altura era proibida) que confirmava e dava ordem de início às operações. O João e a Patrícia foram juntamente com o seu avô e os restantes soldados para dar início à revolução contra a Ditadura. A eles juntou-se o povo. Toda a gente estava ansiosa pela liberdade. A revolução decorreu sem (grande) violência, ficando conhecida pela revolução dos cravos, porque houve soldados que colocaram esta flor no cano da arma e todas as pessoas também a traziam na mão ou no peito. O país estava em festa, todos festejavam a queda da ditadura. Na rua ouvia -se música, as crianças dançavam e cantavam, os adultos brindavam à liberdade e alguns membros da PIDE eram capturados. João e Patrícia estavam maravilhados com toda aquela experiência. Estavam, também, a divertir-se imenso como todas aquelas crianças, mas, de repente, voltaram a sentir que estavam a ser levados e, quando acordaram, estavam de novo sentados no chão da sala, na casa dos avós. - E foi assim o dia que mudou as vidas dos portugueses para sempre, 25 de abril de 1974 - disse avô, acabando a sua história. Ana Sofia Leandro e Daniel Puscasu (8ºA) Ilustração de http://nonio.eses.pt/eb1/ imagens/25abril.jpg

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O 25 de abril vivido por crianças de 2016


livros As Velas Ardem até ao Fim de Sándor Márai

Tu mataste algo em mim, destruíste a minha vida, e eu continuo a ser teu amigo. E hoje à noite, eu mato algo em ti, depois deixo-te voltar a Londres, aos Trópicos, ou ao Inferno e continuas a ser meu amigo”. Este excerto é apenas uma das muitas passagens do livro que nos levam a refletir. O livro As Velas Ardem até ao Fim, de Sándor Márai, autor de nacionalidade húngara, é um romance onde são analisadas com extrema profundidade as diversas facetas de uma relação de amizade. Ao longo da história ocorre uma longa conversa, já há muito esperada e inevitável, ao fim de quarenta e um anos de afastamento entre dois homens, de origens e personalidades completamente distintas, ligados por uma amizade muito pouco usual. Neste diálogo, que mais acaba por ser um monólogo, muitas são as perguntas sem qualquer resposta por parte do amigo convidado e todas as perguntas colocadas foram respondidas pelo tempo e pelo silêncio. A descrição e a narração, aliadas à poesia e à filosofia, fazem com que o leitor se deixe cativar pelo seu enredo. As personagens, os cenários e a época, peculiares, estão em harmonia com todo o desenvolvimento do livro, o que faz com que a história, apesar de ser um contínuo exercício de reflexão, não se torne monótona. Trata-se de uma obra, a meu ver, de leitura obrigatória, na medida em que questiona a vulgar perspetiva que temos da amizade. “Uma pessoa prepara-se para alguma coisa a vida inteira. Primeiro, sente-se ofendida. Depois quer vingança. A seguir, fica à espera.” Rita Amaral, 9ºA

Um Gentleman na Ásia de Somerset Maugham

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E p o r t o . a n t a s @ u r b

sta extraordinária obra literária, escrita por Somerset Maugham e editada pela Tinta da China, insere-se na categoria de literatura de viagem, sendo importante salientar o facto de que o autor não foca a sua escrita nas paisagens ou aventuras, mas nos pequenos pormenores que à vista desarmada parecem insignificantes e que, contudo, se revelam fulcrais, o que provoca no leitor uma espécie de vício por este tipo de escrita, mergulhando no livro. No decorrer da obra, Somerset Maugham reproduz diálogos com europeus que encontra no continente asiático, rotinas e tradições dos nativos, e os próprios sentimentos, com reflexões pautadas pela sensatez e marcadas, muitas vezes, por uma ironia subtil, que confere à narração um toque do humor mais requintado. Além deste aspeto, atinge o objetivo pretendido, desencadeando no leitor uma vontade de raciocinar acerca dos temas abordados e permitindo, assim, um enriquecimento pessoal e a estimulação do espírito crítico. Resta-me, finalmente e com veemência, aconselhar a leitura deste livro e corroborar a voz crítica de Carlos Vaz Marques, autor do prefácio: «Maugham, em contrapartida, promete não deixar o leitor à míngua de pormenores, mesmo os mais triviais. [...] Mas o verdadeiro gentleman deixa sempre alguma coisa por dizer, para quem quiser adivinhá-lo.» Tomás Monteiro, 9ºD


filme

L

de Lenny Abrahamson

Rua Santos Pousada, 1204 - 4000 – 483 Porto Tel/Fax.: 225 024 938 / Tlm.: 911 710 979 Email: porto.antas@urbanclinic.pt

enny Abrahamson agarra, corajosamente, na obra de Emma Donoghue e coloca “O QUARTO”, com todo o mérito, nomeado para quatro Óscares e três Globos de Ouro – após conseguir salas de cinema inteiras arrepiadas com cada diálogo, cada cena e com uma sensação louca de claustrofobia. O mundo torna-se, de forma inevitável, num lugar imensamente diferente aos olhos de cada espectador, falo por experiência própria. Jack (Jacob Tremblay) tem cinco anos e, para si, o Quarto é o mundo todo. Tem 11 metros quadrados, mas é suficiente para ele e a Mamã (Brie Larson) dormirem, comerem, brincarem e aprenderem. O Velho Nick sai de manhã cedo e só volta quando a criança já está a dormir no Guarda-Fatos. Jack é feliz com a sua rotina e sente-se resguardado - não tendo a mínima perceção de que aquele espaço é a prisão onde a mãe tem sido forçada a estar. Desconhecedor da existência de mais para além daquelas quatro paredes e fiel à ideia de que Pessoas, Árvores e Animais de verdade subsistem apenas na Caixa Mágica, a que chama Televisão, vai ser a sua audácia o fator crucial do filme.

Ao contrário do que pode ser expectável, sendo uma grande parte da história num espaço tão restrito e sem janelas, nem por um minuto deixa de ser cativante. Contado por um miúdo de cinco anos, totalmente encantador e credível, esta é a prova de que o amor não tem limites. Uma história pesada e comovente, sem nunca ser demasiado sentimental, sobre a relação umbilical entre uma mãe e um filho que sobreviveram anos em condições tenebrosas mas que, graças a uma estratégia inimaginável, delineada em conjunto, alcançaram o “Mundo Lá Fora”. Um filme inédito, que foge por completo da minha zona de conforto, baseado em histórias verídicas de sequestro prolongado. Este tema obriga a refletir, dado que se perde o rasto de centenas ou milhares de pessoas anualmente e o número de casos com finais felizes é assustadoramente reduzido. Na minha opinião, “ O QUARTO” é um “must” para todos os homens e mulheres, especialmente aqueles que se encontram numa fase emocionalmente mais frágil e necessitam de um exemplo de resiliência. Inês Sincero - 10ºI

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O QUARTO


Desporto escolar

Match Point ESAS

N

o ténis, match point é o último ponto da partida, aquele que é necessário fazer para ganhar o jogo, o set e o encontro. É o ponto da vitória definitiva e da derrota em absoluto. Se tudo correr bem, faltarão segundos, ou um par de minutos, para que haja um vencedor e um derrotado. É o final de uma batalha. Todos os praticantes desta modalidade sabem que este último ponto é o mais difícil de todos: o braço treme, a estratégia desvaneceu-se, o fim está mesmo aqui e, contudo, parece tão distante como no momento do início da partida. Mas todos nós sabemos também que a sua concretização é inevitável. Todos sabemos que a partida chegará ao fim.

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Este ano letivo foi o match point do clube de ténis da escola, o que significa que o final está aqui. Foi um ano muito duro, com condições meteorológicas adversas, treinos adiados, torneios suspensos, atletas lesionados,… Valeu-nos a resiliência de tenista, apaixonado pela sua modalidade, sempre à espera de um raio de sol para pegar na raqueta e treinar. Treinámos e jogámos. Competimos. Fomos derrotados e vencemos. Ainda assim, como atletas empenhados e motivados conseguem grandes

conquistas, as equipas que representaram a ESAS lutaram pelas vitórias e obtiveram alguns resultados que vale a pena referir: campeões regionais por equipas e vicecampeão regional individual, com três atletas a conseguir o apuramento para as finais regionais individuais. Ao longo destes últimos anos, o clube de ténis da ESAS assegurou três horas de treinos semanais e um conjunto de equipas de competição. Jogámos dezenas de partidas. Treinámos centenas de horas. Discutimos milhares de pontos. Agora, chegou a hora do último e, como sempre nestes momentos, o braço treme e não é fácil “fechar a partida”. O fim é, contudo, inevitável. O clube cumpriu os seus objetivos, permitiu que vários jovens experimentassem este desporto, que enfrentassem a competição, que se superassem em alguns momentos e que falhassem noutros. Nem sempre se ganha, mas também há mérito na derrota. Quero acreditar que estes atletas irão manter o seu entusiasmo pela modalidade, o mesmo que me acordava manhã cedo com uma SMS “Olá professora, hoje há treino?”

Carmo Oliveira (treinadora)

Campeonato Regional por Equipas

Campeonato Regional Individual

Da esquerda para a direita: Carmo Oliveira (profª), Rita Sousa, Alexandre Mouta, Pedro Lima (atletas), atrás, José Miguel Souto e Rodrigo Vieira (árbitros)

Da esquerda para a direita: Carmo Oliveira (profª), Rodrigo Vieira, Guilherme Fernandes - medalha de prata - e João Santos (atletas).


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inglĂŞs


15º Encontro Nacional da Rede das Escolas Associadas da UNESCO Organizado pela Comissão Nacional da UNESCO de Portugal, contou com a participação de 25 escolas e a presença de representantes das Comissões Nacionais da UNESCO de Cabo Verde e da Guiné Equatorial, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, do Conselho Internacional dos Museus – ICOM, e da Universidade Nova de Lisboa.

D

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urante o encontro, realizado nos dias 16 e 17 de abril na Escola Secundária Bernardino Machado, Figueira da Foz, todas as escolas representadas tiveram a oportunidade de apresentar projetos, iniciativas e atividades que, pela sua diversidade, serviço às comunidades em que se inserem, dinamismo e originalidade, proporcionaram a todos os presentes uma profícua troca de ideias e o estabelecimento de parcerias estimulantes. Os participantes foram muito bem recebidos pela escola anfitriã, que não poupou esforços no acolhimento e organizou, durante a manhã do dia 16, uma visita guiada ao Cabo Mondego e ao Núcleo Museológico do Sal. Os trabalhos iniciaram-se às 15 horas e, após as comunicações dos responsáveis convidados, os trabalhos prosseguiram com os participantes distribuídos por três grupos de trabalho: Cultura de Paz, Desenvolvimento Sustentável e Direitos Humanos. Na qualidade de Coordenadora do SEA UNESCO no AEAS, integrei o primeiro grupo de trabalho constituído por representantes de 12 escolas, e apresentei, no âmbito do tema agregador e do Ano do Entendimento Global em curso, todas as iniciativas desenvolvidas pelos departamentos e clubes, suscetíveis de ilustrarem um trabalho pedagógico tão coerente como diversificado. Com este intuito, a comunicação centrou-se na 1ª Semana das Humanidades realizada na nossa escola na semana de 18 a 22 de janeiro, subordinada ao tema da Utopia, e que mereceu ampla referência nos últimos números do Jornalesas em cujos editoriais encontramos sínteses particularmente luminosas e elucidativas das nossas causas e motivações. Ficou patente a capacidade organizativa, a com-

plementaridade dos grupos disciplinares envolvidos, a riqueza das estratégias e dos temas abordados, a abrangência e pertinência dos objetivos preconizados. Complementarmente foram apresentadas outras iniciativas: a conferência “Entender os Refugiados” organizada pelo Curso Profissional de Turismo e pela Dra. Catarina Cachapuz; os projetos desenvolvidos pelo Clube Europeu – acolhimento e acompanhamento de dois alunos no âmbito do Programa American Field Service, a participação no encontro “Global Understanding” na Escola Sá da Bandeira, em Santarém, a “feira das culturas” com que se assinalou o Dia da Europa ou ainda a participação no projeto internacional “Escolas do Atlântico”. Foi ainda referido o trabalho desenvolvido pelo Grupo de Dança Contemporânea do Desporto Escolar, com a apresentação “Temos um rosto! Não somos apenas números!” e a participação deste grupo na iniciativa “E se fosse eu? Pegar na mochila e partir…”, que teve lugar no dia 6 de abril e que mereceu uma reportagem da Rádio Renascença. A finalizar a comunicação, foi oferecido aos presentes um exemplar do último Jornalesas, onde constava informação detalhada sobre as atividades referidas assim como os comentários recolhidos entre alunos e professores. Foi muito gratificante verificar o impacto e até a comoção produzida nos restantes participantes do grupo de trabalho. A ação da nossa escola despertou um grande interesse, mereceu todo o tipo de elogios e deixou, seguramente, sugestões que serão retomadas pelas escolas presentes.

Maria Luísa Saraiva (profª Bibliotecária)


feira do livro “O conflito sírio e as relações internacionais” pela Profª Doutora Teresa Almeida Cravo

P e acordo com o nosso Projeto Educativo, mas também como Escola Associada da UNESCO e no âmbito do Ano Internacional do Entendimento Global, temos procurado desenvolver atividades que promovam o esclarecimento e a formação dos nossos alunos com vista a uma cultura da Paz. Com o apoio do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e do Programa "O CES vai à Escola", o grupo de História em colaboração com a Biblioteca/CRE promoveu, no dia 13 de maio, uma palestra para alunos do 12º ano, por uma reconhecida especialista sobre paz e conflitos, segurança, desenvolvimento, intervencionismo e política externa, em particular no contexto lusófono. A Doutora Teresa Cravo é Investigadora do Núcleo de Estudos sobre Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP) do Centro de Estudos Sociais e Professora Auxiliar de Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. É atualmente co-coordenadora do Doutoramento em Democracia XXI (FEUC-CES) e coordenadora do Mestrado em Relações Internacionais (FEUC). A conferência foi seguida com curiosidade e interesse e suscitou a intervenção de vários alunos que demonstraram estar bastante informados e atentos à atualidade no que diz respeito à temática da sessão. Luísa Mascarenhas (profª Bibliotecária)

Luísa Mascarenhas (profª Bibliotecária)

abril mês do livro

feira do livro de 8 a 15

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ara assinalar a habitual Semana da Leitura, uma proposta do PNL enviada a todos os estabelecimentos de ensino para a realização de atividades que possibilitem uma exploração pluridisciplinar de livros e autores proporcionando oportunidades de novas experiências de leitura, a Biblioteca/CRE organizou uma Feira do Livro, para a qual contou com a colaboração da Livraria Antunes, habitual fornecedora do AEAS. Desta feira constaram cerca de 500 títulos e mais de 1000 volumes, a preços muito convidativos, que facilitaram e alargaram o contacto dos nossos alunos com livros de géneros e temas variados, adequados às diversas faixas etárias.


Aurélia de Sousa (1866-1922)

A

urélia de Sousa viveu no Porto, embora tenha nascido a 13 de junho no Chile onde o pai se encontrava emigrado. Grande nome da arte portuguesa, é de salientar que, “na cena artística de 1900, ser mulher era uma considerável desvantagem competitiva” . É autora de inúmeras pinturas, das quais se destaca o célebre “Autorretrato de casaco vermelho”. Torna-se nome familiar na cidade do Porto principalmente pela Escola batizada em sua homenagem. Para comemorar os 150 anos do seu nascimento foi organizado um almoço solidário, com a “presença” da própria pintora. A professora Marina Viana, envergando uma réplica do fato do famoso autorretrato, rececionou os convivas numa recriação do ambiente da Quinta China (residência da artista).

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À esquerda: Drª Delfina Rodrigues, atual Diretora do AEAS, com Marina Viana recriando a imagem da patrona da Escola Em baixo: momento do almoço comemorativo do 150 do nascimento da pintora


índice

Concurso de fotografia - Gerês

História do Luís

2

Concurso da Água

4

Lugar da Ciência

5

Clube Europeu

7

Entrevista

9

Colégios privadas

11

Crise dos estados soberanos

12

Facismo pós-moderno

13

História l 25 abril

14

Geografia

14

Percurso no Porto

17

Marão l ESAD

18

Turismo Industrial

19

Cidadania l Cursos Profissionais

20

Livro l Contos

22

Livros

24

“Na senda de Miguel Torga”

1º Prémio

Reflexos de Beatriz Gomes - 11ºG Agradecemos a participação de todos os opositores a este concurso. O júri, constituído por uma professora de Ed. Física (Catarina Cachapuz), uma professora de Geografia (Julieta Viegas) e o professor responsável pelo Clube de Fotografia (António Carvalhal), entendeu premiar a foto "Reflexos" (número 4 do concurso), submetida pela aluna Ana Beatriz Gomes do 11º G por a considerar límpida, com bom contraste, luz/sombra, um céu interessante e uma boa representação do Gerês. Também gostamos muito da foto "Teias de Água" (número 6 do concurso), do aluno João Matos, do 11º A, por apresentar um pormenor magnífico, mas não tão revelador do Gerês. Como só temos um prémio para atribuir, esse será para a aluna Ana Beatriz Gomes. Parabéns e boa estadia no Parque de Campismo do Gerês! Parabéns a todos os participantes. Até breve!

26

Inglês

27

Unesco

28

150 anos Aurélia de Sousa

30

Concurso de fotografia

31

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Desporto l Ténis

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Catarina Cachapuz, profª de Ed. Física


FICHA TÉCNICA

Editorial quando aqueles que chegavam

Revisão de textos: Maria João Cerqueira (profª)

olhavam os que partiam

Revisão geral : Maria João Cerqueira (profª)

os que partiam choravam os que ficavam sorriam

U

Coordenadores: António Catarino (prof.), Carmo Rola (profª), Julieta Viegas (profª) e Maria João Cerqueira (profª)

Mário Cesariny

m texto escrito no final de uma etapa não pode deixar de ser sobre partidas e chegadas. No final do ano letivo, estamos todos no mesmo ponto, estamos todos naquele dia em que nos despedimos com um Boas férias! ou um Até setembro!. Todos espreitamos pelo canto do olho os dias de verão, crescidos e luminosos, ansiosos por os gozar, e todos olhamos com uma mistura de sentimentos os corredores da escola, que se vão enchendo de silêncio. Quando os percorremos, encontramos a cada momento os registos dos múltiplos dias que partilhamos ao longo de meses: as notícias de competições do Desporto Escolar, as fotografias de eventos escolares, os trabalhos dos alunos de Artes, que enchem de cor e criatividade as paredes, os anúncios de concursos de disciplinas diversas, as Olimpíadas de Português, as pautas com as classificações obtidas com esforço e sem ele… Olhamos tudo isto distraidamente, com o desprendimento familiar que o hábito constrói no espírito de quem cruza diariamente os espaços de uma escola. Todavia, embora todos estejamos no mesmo ponto, não estamos todos no mesmo ponto. Há alguns que partem apenas para mergulhar nos dias de verão que se aproximam e voltarão em setembro e há outros que aguardam com ansiedade os exames que se avizinham e a partida definitiva destes corredores tão quotidianos, que percorreram, muitos deles, quase metade das suas vidas. E há ainda outros, outros que desconhecemos, que aguardam com a mesma ansiedade o momento em que chegarão a estes corredores, agora silenciosos, para os encherem de cor e de som e de novidade. E há outros que ficam, sorrindo aos dias de verão, esperando o outono e o renascer da vida escolar e gozando o silêncio desta hibernação fora de época. Aqueles que partem regressarão um dia, talvez, para receber o seu diploma, perdida já a familiaridade com tudo o que fica e, talvez, nessa altura as palavras de Cesariny façam sentido. Nesta escola encontrarão os mesmos corredores. Talvez nessa altura olhem tudo de uma forma menos quotidiana e, talvez, percebam, pela primeira vez, tudo aquilo que se constrói entre estas paredes. Uma coisa é certa: estará aqui sempre alguém para os receber com um sorriso. Carmo Oliveira (profª)

blog da biblioteca

Capa: Montagem feita a partir de autorretratos e autorrepresentações de alunos do 9ºB (Ed. Visual), 10ºK, 11ºJ e 12ºH (Desenho A) por António Carvalhal (prof.) Paginação e Maquetagem: Julieta Viegas (profª) Fotografia: António Carvalhal (prof.), Clube de Fotografia

Equipa redatorial:

Alexandra Sousa (10ºI), Ana Beatriz Gomes (11ºG), Ana Filipa (11ºH), Ana Margarida (8ºA), Ana Margarida Sottomayor (profª), Ana Sequeira (10ºL), Ana Sofia Leandro (8ºA), Angelina Mota (profª), António Carvalhal (prof.), António Catarino (prof.), Bernardo Sarmento (12ºG). Carlos Morais (prof. Lugar da Ciência), Carmo Oliveira (profª), Carolina Barros (10ºJ), Catarina Cachapuz (profª), Fátima Alves (profª), Fátima Sarmento (profª), Filipa Mota (11ºH), Francisca Sampaio (11ºI), Inês Sincero (10ºI), Isabel Mendonça (11ºI), Isabel Newman (profª), João Reis (ex-aluno), Julieta Viegas (profª), Daniel Puscasu (8ºA), Leonor Contente (11ºH), Luís Miguel Costa Silva (11ºE), Luísa Mascarenhas (profª), Maria João Cerqueira (profª), Mariana Oliveira (ex-aluna da ESAS), Marina Viana (profª), Miguel Parente (10ºH), Miguel Ribeiro (9ºA), Miriam Costa (exaluna da ESAS), Nuno Sousa (12ºE), Paula Magalhães (profª Clube Europeu), Turma D1 do 7ºano, Rita Amaral (9ºA), Rosa Margarida (10ºH), Sara Rodrigues (8ºA), Tomás Monteiro (9ºD) e Vânia Guimarães (10ºL).

Financiamento: Estrela Branca l Pão quente, pastelaria; Deriva Editores l livros, Olmar l materiais de escritório; Oporto essência | cabeleireiro low cost; Helena Costa l cabeleireiro; Susana Abreu | cabeleireiros, estética e cosmética; UrbanClinic l Estética e Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa.

http://bibliotecaesas.blogspot.pt/ Rua Aurélia de Sousa - 4000-099 Porto

junho. 2016

Telf. 225021773

http:// www.issuu.com

ESCOLA SECUNDÁRIA/3 AURÉLIA DE SOUSA

equipa.jornalesas@gmail.com

(pesquisa: jornalesas)

1,00 € Os textos para a edição XLV(45) do Jornalesas foram redigidos segundo as normas do acordo ortográfico

Jornalesas junho 2016 cores 1  

Jornal oficial da Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa, Porto

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