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FEVEREIRO

2009 I NÚMEROXXIII EM DESTAQUE PÁGINAS CENTRAIS

BIBLIOTECA EM GRANDE Páginas 2 e 3 As novidades que nos trazem do Centro de Recursos da ESAS deixaram-nos ainda com mais vontade de frequentar este espaço. A não perder.

CRISE FINANCEIRA QUE SOLUÇÕES? Página 4 As respostas dadas no debate promovido pelo Clube de Economia com o apoio da Associação de Pais. Na ordem do dia.

VAMOS À BULGÁRIA Página 5 As razões de um Projecto do Clube Europeu.

RETRATO com João

Pedro Pina Barreto Páginas 6 O melhor aluno do Secundário

TROCAR IDEIAS COM A FILOSOFIA Página 7 Um dia diferente

DIÁRIO DE BORDO Página 11 Memórias

ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES. Páginas 10 e 11 Todos os projectos, em directo. Uma entrevista a Sara Rocha, a vice dos estudantes.

LÁ E CÁ Página 13

NO SÍTIO CERTO Página 14

ESPAÇOS VERDES NA ESCOLA Página 15

EM CASO DE INCÊNDIO ESTAMOS TODOS PREPARADOS? Página 16

AS OBRAS SÃO A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO O facto é incontornável: as obras na Escola. Por isso é um dos temas abordados nesta entrevista com a Dr.ª Alexandra Azevedo, presidente da Associação de Pais

e Encarregados de Educação da Aurélia que nos faz o ponto da situação. Justifica as opções tomadas e esclarece como se irão resolver alguns dos problemas que nos preocupam. Por exemplo, os almoços escolares. Questões como a participação dos Pais e Encarregados de Educação na Associação,

o regime de faltas dos Alunos e até a Avaliação do Desempenho Docente deram o mote para esta conversa guiada pelos alunos Nuno Moreno e Miguel Montalvão do 11.º L. Não faltaram também os elogios à comunidade escolar. Em destaque nesta edição. Páginas 8 e 9


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Ideias originais no Centro de Recursos

BIBLIOTECA ESCOLAR: UM LUGAR DE ABERTURA AOS OUTROS E AO MUNDO Mais um ano, mais iniciativas e mais actividades. Procurando manter a linha de orientação definidas, a partilha é feita com muitas outras bibliotecas escolares: lançar propostas de motivação para a leitura, acolhendo sempre as sugestões vindas de todos os intervenientes no processo educativo. Desenvolver o gosto pela leitura como uma forma de abertura ao outro e ao mundo. Um desafio permanente. Texto: Luísa Mascarenhas * Fotos: Sara Ferreira e Sara Monteiro - 8ºB

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os anos anteriores permanecem as propostas dos Livros do Mês, abertas a todos os géneros literários e a pensar nos diversos perfis de leitores. A escolhas têm privilegiado sobretudo escritores contemporâneos; o Poema da Semana com a sua mensagem de sensibilização à produção poética em língua portuguesa e em que se procura a aproximação da poesia à vida. A par destas actividades, vamos integrando na nossa Agenda Cultural alguns dias comemorativos, que nos oferecem oportunidades multiplicadas para uma diversidade de informações sobre o mundo em que vivemos, procurando desenvolver a curiosidade, o sentido crítico e também o sentido de responsabilidade e uma cultura assente em valores. Novas iniciativas Como novidade lançamos o projecto “Escritas Intemporais: Livros de Ontem e de Hoje”, inspirado nas comemorações dos 50 anos do nosso edifício escolar, referência obrigatória Página 2

para este ano lectivo. O ponto alto será assinalado por uma exposição subordinada ao tema “Livros de Ontem e de Hoje”, de que será comissária a Professora Doutora Ana Margarida Ramos (Universidade de Aveiro), e que nos oferecerá a oportunidade de assinalar a evolução da nossa literatura juvenil a par do percurso da ilustração ao longo do século XX. Será pedida a colaboração das Bibliotecas Públicas do Porto para o empréstimo dos exemplares considerados indispensáveis, além do recurso ao fundo bibliográfico da escola. Esta exposição, ainda sem data por depender da conclusão das obras de requalificação em curso, será o ponto de

chegada de um conjunto de actividades previstas para todo o ano escolar que valorizarão o diálogo criativo texto/ ilustração, o enquadramento e a reflexão sobre escritas intemporais, e actividades promotoras do gosto de ler.

Como novidade lançamos o projecto “Escritas Intemporais: Livros de Ontem e de Hoje”, inspirado nas comemorações dos 50 anos do nosso edifício escolar, referência obrigatória para este ano lectivo.

Assim, integrando este projecto, aproveitámos o Dia Internacional das Bibliotecas Escolares, que ocorre a 27 de Outubro, para convidar para animar uma sessão com duas turmas do 9º ano, a Prof. Doutora Luísa Malato, que discorreu sobre o tema “Ter um livro para ler e não o fazer…”, tema considerado muito oportuno pelas respectivas professoras de Português. E nas semanas anteriores ao Natal também realizámos a nossa já habitual Feira do Livro, (infelizmente menos concorrida que nos anos anteriores…)

”Ter um livro para ler e não o fazer… um assunto oportuno em debate.”


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Que a Biblioteca continue a ser um espaço de acolhimento, de diálogo e de encontro de soluções e respostas, são os nossos desejos para o ano que se inicia.

Actividades para o 2.º e 3.º períodos

Convidar Pais e Encarregados de Educação para falarem dos livros que os encantaram e marcaram. Esta actividade, agendada para a Semana da Leitura que decorre na primeira semana de Março, contará com a colaboração dos pais e avós que responderem afirmativamente ao convite já enviado pelos Professores de Português e que, contamos, poderá proporcionar um feliz encontro de gerações ligadas também pelo amor aos livros; Reflectir sobre escritas intemporais (1 sessão para professores e outra para alunos), com a colaboração da Dra. Manuela Maldonado e da Dra. Luísa Malato; Oficina de ilustração de um conto ou contos previamente propostos pelos professores ou pelos alunos, ou mesmo criados pelos alunos, e que possibilitem a utilização de diferentes recursos e técnicas; Assinalar o Dia Mundial do Livro, que ocorre a 23 de Abril, e o Dia da Liberdade, com uma exposição bibliográfica evocativa das principais obras anteriores e posteriores ao 25 de Abril; Criação de um texto dramático com recurso a personagens retiradas de histórias clássicas e representação pelo Grupo de Arte Dramática orientado pelo professor José Fernando Ribeiro.

O Projecto Escola @ Ler+, independente do anterior, surge partindo do princípio de que o novo Projecto Educativo da ESAS adoptará como objectivo prioritário de formação a aquisição de hábitos de leitura. A Biblioteca propõe -se colocar no terreno uma estrutura organizativa que viabilize o envolvimento natural de todos os parceiros educativos, com mais ênfase para os alunos e professores. Assim, está em vias de concretização um Conselho Consultivo de Alunos representativo de todos os graus de ensino, constituído por alunos indigitados pelos professores de Português respectivos, e que terá como função o apoio à selecção das aquisições e a todas as actividades da Biblioteca. Será também proposta a criação de um Conselho Consultivo de Professores, representativo de todos os grupos disciplinares, conseguindose deste modo um maior compromisso e um alargamento de acção potenciadores de um clima muito mais favorável à obtenção de bons resultados no domínio da aquisição de hábitos de leitura. “Clube de Leitores” também no blog Complementarmente, está a dar os primeiros passos o “Clube de Leitores”. De alunos e para alunos, tem a sua origem nesta necessidade espontânea de partilhar um livro lido e de que se gostou, disponibilizando-o a outros para que dele retirem o mesmo prazer ou proveito. O regulamento do Clube encontra-se no Blog da Biblioteca – outra das nossas inovações deste ano – e que pode ser consultado em becreaureliasousa.blogspot.com. O blog conta com a colaboração positiva de todos os interessados, particularmente através dos comentários que deverão ser aproveitados para uma maior aproximação da Biblioteca ao seu público preferencial: alunos e suas famílias, professores e restante comunidade escolar. Nova aposta nas aulas de substituição A Biblioteca volta a lembrar a sua disponibilidade e gosto em tudo o que se possa traduzir em colaborações úteis e parcerias facilitadoras do trabalho docente e discente. A título exemplificativo, e como apoio aos Directores de Turma e aos programas de Educação para a Cidadania do 3º ciclo, foi preparado um dossier de contos de autores portugueses e estrangeiros que, sendo de leitura agradável, foram pensados para serem lidos em voz alta, comentados em grupo e proporcionarem o debate e reflexão sobre alguns dos temas programáticos. Variar as estratégias de aprendizagem promovendo o gosto de ler e ouvir ler é receita que procuraremos aplicar no encontro de outras propostas, nomeadamente para a preparação de alternativas para as aulas de substituição.

* professora responsável pela Biblioteca

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TEMA EM DEBATE

A Crise Financeira: antes e depois. Um tema sempre actual. Foi no dia 24 de Novembro, no anfiteatro da Escola, que se discutiu a crise financeira. Uma organização conjunta do recém-criado Clube de Economia, coordenado pela professora de Economia, Dr.ª Isabel Godinho e a Associação de Pais da ESAS. A conferência teve como orador Ricardo Arroja, administrador executivo do Grupo Financeiro Pedro Arroja. Texto: Artur Vieira

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nquanto especialista dos mercados financeiros, e com um vasto currículo académico (que se inicia na Faculdade de Economia do Porto e passa por Londres, Nova Iorque e Pensilvânia), Ricardo Arroja, de 30 anos, começou por explicar as origens e efeitos da actual crise financeira: desde o rebentar da bolha do sub-prime norte-americano créditos hipotecários de alto risco, concedidos a pessoas com capacidade financeira discutível), em 2007, à falência de grandes bancos de investimento, em 2008, à crise de confiança e de liquidez que ameaça a estabilidade do sistema financeiro mundial e se propaga à economia real. De forma breve, fez notar as medidas tomadas pelos bancos centrais, como a injecção de moeda na economia e os planos de compra de “activos tóxicos”. Crise com soluções Teve oportunidade de apresentar a sua tese acerca da razão que considera determinante para o eclodir desta crise: o fim do sistema de Bretton Woods nos anos 70 do século XX – o sistema de padrão ouro indexado ao dólar americano, que foi estabelecido após a II Guerra Mundial. Com a ausência de tangibilidade

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que passou a caracterizar o sistema bancário desde então, assistiu-se ao forte crescimento da moeda em circulação, à queda das taxas de juro e à expansão maciça do crédito, o que acabou por levar a que os bancos facilitassem os seus critérios de prudência e desvalorizassem o risco, desembocando no subprime e nos chamados activos tóxicos. Nesse sentido, considerou que a resolução da crise terá de passar necessariamente por uma nova arquitectura do sistema financeiro mundial, capaz de instaurar a disciplina

monetária e, nesse sentido, próxima da do sistema de Bretton Woods, dado que não será possível o regresso ao padrãoouro. Um público atento Após a alocução de Ricardo Arroja, foi aberto um espaço para a intervenção do público. Estando o auditório concorrido por professores, pais, alunos e ex-alunos, não faltaram dúvidas e opiniões, passando por um leque variado de sensibilidades, desde a ideia de que a crise financeira actual deriva de excessos de um sistema liberal até ao

receio de que essa mesma noção traga um regresso em força ao proteccionismo e ao intervencionismo do Estado na economia. Iniciativa para continuar No final, foi opinião unânime que a Escola fica a ganhar com a organização de eventos deste tipo. A Presidente da Associação de Pais, Dr.ª Alexandra Azevedo, garantiu que se trata de uma iniciativa para continuar, sempre em colaboração com o Clube de Economia, que teve, assim, uma estreia pública que lhe augura um óptimo futuro.


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Com o Projecto

Dimensões do Clube Europeu

1, 2, 3 ….VAMOS À BULGÁRIA

Texto: Iolanda Pinto, 12.º H

Este ano inicia-se a terceira e última fase do “Dimensões”, cujo tema principal é o quotidiano dos jovens: os seus medos e caminhos adoptados em prol da felicidade, a sua posição face à religião, à arte, às novas tecnologias.

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os últimos três anos, a ESAS esteve integrada no Projecto Europeu Comenius “Dimensões” que procura estabelecer pontos comuns entre Portugal, a Bulgária e a Dinamarca. Na verdade, todos estes países fazem parte da União Europeia e todos enriquecem esta comunidade com a sua cultura, arte, língua, tradições e religião. O principal objectivo desta parceria que juntou jovens de três países diferentes é diálogo intercultural e a troca de conhecimentos e experiências. O Projecto conta com a participação das escolas S. Constantino Cirilo de Sófia, na Bulgária, do Liceu de Thisted, na Dinamarca e, claro está, da ESAS. As faces do Projecto A primeira fase do Projecto Dimensões arrancou decorrente no ano de 2006—2007, começou por incidir sobre os ideais europeus comuns aos três países. Após a análi-

se do Prólogo da Constituição Europeia, com conclui-se que valores europeus comuns tiveram a sua raiz no Humanismo Europeu. Então, cada escola fez uma apresentação sobre as contribuições nacionais para esse mesmo humanismo. Esta fase do projecto culminou com o encontro de todas as escolas em Thisted, na Dinamarca, no qual o grupo português apresentou uma representação adaptada da peça "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente, figura emblemática e precursor do humanismo português. Convém salientar ainda que todas as escolas redigiram um documento conjunto sobre as suas raízes e valores do Humanismo e do Classicismo. A segunda fase, que decorreu no ano 2007 2008, centrou-se numa personagem-símbolo de cada país. A Dinamarca escolheu Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo do séc. XIX e a Bulgária elegeu o Santo Cirilo, criador do alfabeto homónimo. Portugal

nomeou Fernando Pessoa, poeta plural do Modernismo Português. Foi precisamente nesta fase que as escolas búlgara e dinamarquesa visitaram a ESAS em Abril de 2008. Decorreram na escola uma série de eventos relacionados com este projecto, como a plantação de uma árvore, uma aula aberta de latim e um jogo temáticocultural. Os estudantes participantes tiveram também a oportunidade de visitar a nossa cidade, incluindo a Casa da Música, as Caves do Vinho do Porto e a costa até à praia de Ovar. De mãos dadas com Cultura portuguesa Este ano inicia-se a terceira e última fase do “Dimensões”, cujo tema principal é o quotidiano dos jovens: os seus medos e caminhos adoptados em prol da felicidade, a sua posição face à religião, à arte, às novas tecnologias. Procuraremos responder com a contribuição que os jovens de cada país podem dar na construção Página 5

da Europa comum. Segundo os planos, para esta etapa do projecto, deverá ser realizado um inquérito para apurar factos e, também serão elaborados ensaios escri tos. Por último, sete alunos aurelianos deverão deslocar-se a Sófia, particularmente, à Escola de São Constantino Cirilo, para o último encontro que encerrará o projecto “Dimensões”. Além de representarem Portugal e, em especial, a ESAS, os alunos levarão também um pouco da sua cultura nacional e do seu estilo de vida. Em prol dos valores universais Resta concluir que este projecto trouxe não só uma experiência intercultural diferente aos alunos da ESAS, mas também sublinhou a importância de pertencer a uma comunidade, cuja base assenta sobre os valores universais e atemporais que emergem entre a diversidade de países, costumes, línguas, música, literatura e arte.


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RETRATO

JOÃO PEDRO PINA BARRETO

por Paula Valdrez

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speramos que se faça médico. Um bom médico, temos de acrescentar. Quem lidou com ele, aqui na Aurélia, não lhe poupa elogios. Como aluno e como pessoa. João Pedro recebeu o prémio no Dia do Diploma, em 12 de Setembro de 2008, que significou «uma recompensa pelo trabalho de três anos aqui na escola» afirma. O melhor aluno do Secundário é um jovem que, naturalmente, gosta de música - «vários géneros» -, de passear e viajar. Quanto a livros, os «policiais e romances históricos» são os da sua preferência mas não em tempo de aulas já que «os manuais escolares» eram os eleitos. Como era o seu dia a dia? Organização e método. Nada de exageros, esclarece «com um espaço destinado aos estudos» o que significa saber gerir o tempo. Um exemplo a seguir. Com 18 anos, agora estudante do 1.º ano do Curso da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), confessa que «o básico foi fácil». Foi no secundário que começou a «ter gosto pelo saber».

“O melhor aluno do Secundário”

O João Pedro e a Dr.ª Delfina Rodrigues, presidente do Conselho Executivo, na cerimónia de entrega do Prémioo de Mérito Escolar.

A Medicina surge por influência familiar. Mas não só. Neste curso consegue «conciliar o gosto pelas ciências» e o carácter humanista que lhe marca a personalidade. «Uma margem para o futuro profissional» acrescenta. Entrou em Medicina com uma média final de dezanove valores e setenta e cinco décimas. Contas feitas foi o segundo melhor colocado, logo na primeira fase do concurso. Valeu a pena.

EDITORIAL por José Fernando Guimarães

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stava a começar a escrever a palavra editorial, em Arial, corpo 12, espaço de 1,5 entre linhas, quando o t disse que não queria Arial mas Times New Roman. Fiquei admirado. Antes mesmo de recuperar do espanto, o e logo disse que queria Eras Light ITC, o d estava hesitante entre Comic Sans MS e o Elephant, e por aí fora. Escrever assim, com tantos tipos de letra, era um suplício. Bem tentei atacar a decisão do t, para o isolar em relação aos outros, deixando-me margem de manobra. Mas o t, irredutível, disse que não: ou era o Times New Roman ou ia-se embora. Soube, depois, que criara, entretanto, uma microempresa. O e, na incompletude da palavra de que era o cabeça de cartaz, tinha requerido a reforma. O e a viviam de biscates, estilo arrumadores de palavras. O l, que queria o Lucida Bright, vivia com o subsídio de reinserção social. E o i, com duplo emprego, pensava numa fusão de empresas e na deslocalização. Perante esta confusão, convoquei os algarismos. Que sim, mas que iam nos milhares, se não mesmo nos milhões. Outros, confessaram-me eles mais tarde em surdina, andavam, pelo contrário, negativos. Nada a fazer. Não havia influência alguma que os trouxesse à razão. Como podia, então, escrever esta coisa tão simples como editorial 1? Página 6

FICHA TÉCNICA: Coordenadores: Professores Paula Valdrez, José Guimarães e Julieta Viegas. Redacção e Tratamento da Informação: Paula Valdrez Paginação e Maquetagem: Julieta Viegas Revisão: José Guimarães. Propriedade: Escola Secundária c/ 3 Aurélia de Sousa Rua Aurélia de Sousa *4000-099 Porto* Telef.: 225021773 Fax:225508135.


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Trocar ideias com a Filosofia

Instituído pela UNESCO, a cada terceira quinta-feira do mês de Novembro comemora-se o Dia Mundial da Filosofia. Este ano foi no dia 20 e na ESAS trocamos ideias. Ninguém ficou indiferente.

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firmando a importância da reflexão, actividade e educação filosófica, um grupo de ilustres signatários assinou, em 1995 durante as jornadas internacionais “Filosofia e Democracia no Mundo”, a Declaração de Paris para a Filosofia. Constatando que “os problemas de que trata a Filosofia são os da Vida”, contribuindo assim para a compreensão dos seres humanos, na Declaração realça que “o desenvolvimento da reflexão filosófica, no ensino e na vida cultural” contribui para “a formação de cidadãos, no exercício da sua capacidade de julgamento” enquanto elemento fundamental de “toda a democracia”. Eis a razão da Filosofia.

Texto: Paula Valdrez Fotos: Bárbara Martins, do 11.ºB

Pensar com a Filosofia Um dia em cheio na ESAS para comemorar o Dia Mundial da Filosofia. Com um corredor embelezado pelas imagens dos filósofos, a “Avenida dos Filósofos” e, um outro com “Ideias” a comunidade educativa não ficou indiferente às actividades dos nossos alunos. Os jogos de pensamento, para seguir a Lógica, desafiaram os raciocínios. O “Correio da Razão” levou cartas às salas de aula numa curiosa recepção. E não faltaram as ideias a encherem o papel. Trocaram ideias? Trocamos ideias! Eis para que serve a também a Filosofia.

A Dr.ª Rosa Costa, de Inglês, participou na actividade “ Escreve uma Ideia…”

"Qual é a primeira coisa que deve fazer quem começa a filosofar? Rejeitar a presunção de saber. De facto, não é possível começar a aprender aquilo que se presume saber". Aristóteles

CLUBE EUROPEU? O Clube Europeu dinamiza vários projectos na escola. Visita o site www.clubeuropeuesas.blogspot.com e poderás ter uma ideia de algumas dessas actividades. Embora as actividades do clube estejam já a ser desenvolvidas, poderás também colaborar com os projectos agendados. A professora responsável é a Dr.ª Maria Rosa Costa.

Numa iniciativa inédita e muito aplaudida os alunos da turma de Artes do 11º J desenharam os filósofos. Aqui fica uma amostra. A filósofa política alemã Hannah Arendt (1906-1975)

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Miguel Montalvão e Nuno Moreno e a Presidente da Associação de Pais

“AS OBRAS RÁPIDAS, COM SEGURANÇA E QUE FIQUEM BEM FEITAS” É a vontade e uma das principais preocupações da Presidente da Associação de Pais da ESAS, Dr.ª Alexandra Azevedo. Em destaque no Jornalesas. Entrevista por: Nuno Moreno e Miguel Montalvão, do 11.º L (*)

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residente da APESAS (Associação de Pais e Encarregados de Educação da Aurélia de Sousa) há cerca de quatro anos, a Dr. ª Maria Alexandra Azevedo diz que, neste momento, são as obras no espaço escolar que constituem a maior preocupação. Quisemos saber os motivos que presidiram à decisão de manter as aulas em simultâneo com as obras e as consequências daí decorrentes: alunos sem aulas de Educação Física e a possibilidade de ficarmos sem almoços quando a cantina entrar em obras. O ponto de vista da Associação de Pais a quem coube a responsabilidade da decisão: só Aurélia. «As obras estão a correr bem» “Dentro deste cenário de obras, a escola ainda vai funcionando com normalidade” afirma a Dr. ª Alexandra Azevedo anotando que Parque Escolar – que se tem “mostrado aberta ao diálogo -, assegurou o funcionaPágina 8•

mento «com tranquilidade.” Principal parceira nas negociações a presidente da APESAS julga que a empresa responsável pelas obras “tem correspondido» mesmo quando se trata de pequenas alterações como «pôr as coberturas nos monoblocos”. E numa altura crucial das actividades escolares, como os exames nacionais, «não vai haver barulho». Se «as coisas estão a correr bem» salienta os timings nem sempre são os desejados «queremos sempre tudo para ontem». Mas relembra que se trata de uma obra pública que obedece a normas precisas. Por isso, que «as obras se façam rapidamente e com segurança» e que fiquem «bem feitas» acrescenta é «sem dúvida, a nossa maior preocupação». A questão da segurança dos alunos, o acesso aos monoblocos por alunos com deficiência, os possíveis desaparecimentos de materiais trazidos pelos alunos devido aos monoblocos poderem estar abertos, são outras faces deste problema.


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A decisão de ficar na Aurélia A decisão de manter as actividades escolares em simultâneo com as obras de reestruturação dos edifícios «foi extraordinariamente polémica, no ano passado» relembra a Dr.ª Alexandra. No início nada se sabia, por isso, surgem «os inevitáveis boatos». Um deles é que a escola ia fechar. Começa então um processo de pedido de esclarecimento à Parque Escolar, com Assembleia de Pais convocada e adiada. «Eles tinham de nos informar o que é que ia acontecer aos nossos filhos», diz a presidente. A resposta não tardou. As opções foram: «ficam cá todos ou vão os sétimos, oitavos e nonos para o António Nobre» aqui também «em regime de monoblocos». A Dr.ª Alexandra Azevedo revelou que nenhuma destas hipóteses era a que queriam. «Nós queríamos que a escola se deslocasse como um todo para qualquer sítio onde pudesse haver aulas sem o incómodo das obras mas a Parque Escolar disse que isso era inviável». E a «decisão era só dos Pais» tinha, entretanto, advertido o Dr. António Leite, da DREN (Direcção Regional de Educação do Norte) em reunião na qual esteve também presente a Parque Escolar. Foram a votos numa Assembleia de Pais. «Nessa reunião estiveram muitas pessoas» informou a Dr.ª Alexandra e ganhou a alternativa que conhecemos e que «penso, ainda hoje, como a solução ideal» confessa «a escola manterse como um todo.»

«Sabíamos que isso ia acontecer». A solução resultou de um esforço conjunto do grupo de Educação Física, do Conselho Executivo e da APESAS e passou pelo arrendamento de um espaço no Externato Perpétuo Socorro. Um desfecho que a presidente da Associação de Pais considera «péssima» para os alunos «porque não a fazem Educação Física» e para os professores «que têm mais horas vagas e não estão a fazer que nós queríamos que eles fizessem e eles também gostam de fazer: dar aulas». Auscultada sobre outras alternativas, a Dr.ª Alexandra Azevedo foi peremptória «ir para outras escolas públicas» seria impossível já que a ocupação dos ginásios é plena. Por outro lado, ir para escolas que estão fechadas «implicaria mais encargos com luz, colocação de funcionários» entre outros. Esta foi a decisão certa. Há ainda um aspecto a formalizar. «Falta um documento escrito» onde se diga que os alunos – agora no décimo ano «vão ter a nota de Educação Física a dividir por dois». Apesar da preocupação por um papel que não existe «não há pânico» garante a Dr.ª Alexandra Azevedo. É que, como lhe asseguraram, «nenhum aluno seria prejudicado». (Continua na página 12 )

“AGRADECIA QUE O USASSEM”

o apelo acerca do espaço lá de fora Uma esplanada (ainda vazia) à espera de ti…

Foi por causa da limitações de espaço para o recreio dos alunos que “tentamos arranjar aquele espaço lá fora” informa a Dr.ª Alexandra Azevedo presidente da Associação de Pais dos alunos da Aurélia. “Deu muito trabalho a arranjar” confessa mas, continua, “sentimos que se conseguíssemos aquele espaço, era mais um bocadinho que tínhamos”. Não se arrepende de ter participado nesse processo de decisão ainda que saiba que «vocês não o usam muito». Por isso, para fazer dele «uma esplanada simpática» a Associação de Pais está a envidar esforços para «arranjar mais cadeiras e guarda-

As notas a Educação Física Uma das preocupações decorrentes das obras na Aurélia diz respeito à falta de instalações para a prática desportiva e as aulas de Educação Física só para os décimos primeiros e segundos anos de escolaridade em que as classificações contam para a entrada nas Universidades. Todos os outros alunos sem aulas.

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uma associação de estudantes diferente?

Entrevista por Nicole Solci, 11ºI

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As ideias de uma dirigente associativa. Sara Mariana Rocha, vice-presidente da Associação de Estudantes. Em discurso directo. A que atribuem a vitória? Considero que saímos vitoriosos graças a todo o apoio dos colaboradores e membros da lista e aproveito para dedicar esta vitória a todos os estudantes da Aurélia de Sousa. Que aspectos, na tua opinião, marcaram a diferença relativamente às outras listas concorrentes? Penso que foi a organização da lista E que marcou a diferença, apesar de as outras listas também terem, com certeza, feito o melhor que puderam. As nos-

sas ideias focavam essencialmente a comunicação com os alunos, e, a meu ver, foi isso que chamou a atenção dos aurelianos. Quais os três principais projectos que podemos esperar ver concretizados este ano? O torneio de Inter-turmas já um deles. A partir do final de Novembro entrou em funcionamento o "mini-bar" na Associa

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ção, assim como a venda de folhas de teste. Os bailes de finalistas (tanto para o 9º como o 12º) já estão a ser organizados, juntamente com a AMA tentaremos dar aos alunos o nosso melhor para que tenham um final de ano memorável. Entretanto, a Associação de Estudantes já está a trabalhar nos torneios tanto de Pes2009 como de matraquilhos (actividades às quais os alunos manifestam muito interesse). Os matraquilhos já estão disponíveis para os alunos na área da associação. Após uma reunião que tivemos com o CE vamos poder realizar festas. Como sabemos, algumas associações anteriores deixaram "promessas" por cumprir, como podemos ter a certeza de que este ano será diferente? A maioria dos alunos que fazem parte da direcção da AE são do 12º ano pelo que, todos querem fazer com a AE não seja um "poço de promessas". Aquando da formação das listas ficou acordado entre todos que, se era para organizar alguma coisa, seria para realizar tudo, e não fazer propostas irrealistas que só ficam no papel. Qual a perspectiva da lista sobre a actuação da Associação de Estudantes do ano anterior? Consideramos que houve uma falha: a falta de comunicação com os alunos e alguma falta de organização. As inter-turmas, por exemplo, foram um pouco "insatisfatórias" para os alunos. Ora, sendo esta uma das actividades que mais desperta o interesse dos alunos, nós achámos crucial organizar tudo com mais tempo, responsabilidade e, se possível, melhor.

Gonçalo Gomes e Sara Rocha, dois dirigente da AE

Como pensam resolver o problema da falta de comunicação com os vossos colegas? Para melhorar a comunicação com os alunos já estamos a criar um site da Associação onde vamos colocar um fórum para que todos possam conversar e tirar dúvidas sobre a escola e as actividades da Associação. Vamos também comprar, assim que tenhamos receitas , um telemóvel, disponível durante o horário de aulas. (continua na pág.11)

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PASSA A MENSAGEM

creditem que a Associação de Estudantes está neste momento no activo. Podem não ver grandes coisas a serem feitas, mas tudo isto se deve à nossa preocupação em organizar tudo com muita calma para que não existam falhas, até porque estamos num ano lectivo em que as condicionantes são enormes e dificultam muito o nosso trabalho. Queremos trabalhar o melhor possível para que a Nossa escola seja um melhor lugar para estar. A Associação de Estudantes é feita por Estudantes que, tal como vocês, querem o melhor para a ESAS e, por isso, tentaremos ao máximo concretizar todos os projectos. Aproveito desde já para agradecer a vossa confiança e, por favor, não se esqueçam: Estamos a trabalhar para os Estudantes.

Continuação da página 10

Há elementos do ensino básico na Associação? Qual a sua função? Não existem elementos do ensino básico na Associação. Todos os nossos colaboradores, (representantes da lista em cada turma) que eram do básico, não aceitaram cargos na direcção, talvez porque acreditam que os alunos do 12º desempenhariam melhor essas funções. A propósitos das obras, qual a posição da Associação? Tentaremos minimizar ao máximo o efeito que as obras estão a provocar nos espaços a que os estudantes têm acesso e tentaremos criar actividades que possam ser conjugadas com as condicionantes que temos neste momento.

Equipa.jornalesas@gmail.com INFORMA Por falta de espaço não foi possível incluir nesta edição a totalidade dos artigos que chegaram à nossa redacção. Pelo facto, pedimos as nossas desculpas a todos os colaboradores e a promessa de serem publicados já no próximo número.

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Diário de bordo de Francisca Ferreira Eu sabia que qualquer dia te veria ao longe… Eu sabia que o tempo passa rápido, o tempo voa! Está na hora da partida, há um comboio que tenho de apanhar… E como todos os comboios este não espera, eu é que tenho de estar na estação à hora certa, eu é que tenho de correr para o alcançar, para entrar nele e assim seguir outro caminho… Levo-te comigo. Sei que fico em ti, que te marquei, mas não te quero mais como rotina! Tu foste uma segunda casa! Tu és assim parte da fase mais alegre da minha existência, parte das minhas letras, és fruto das minhas tão minhas pessoas, sei bem que foi em ti que acolhi a família que escolhi… Foste palco de muitas cenas…Foste o sorriso, o choro, a gargalhada, a derrota, o abraço! Foste a luta, a determinação, a viagem longa… Tinha 12, já tenho 18! Foste minha e eu fui tua! Mas agora eu quero ir, eu sei que tu queres que eu também vá…Vou Feliz! Sim, vou ter saudades claro… Volto de vez em quando para visitar pedaços de mim que por cá ficam… Ficas assim eternizada no papel azul, no canto das minhas memórias, no bolso da minha vida!

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2009 I NÚMEROXXIII

“OS PAIS GOSTAM DESTA ESCOLA”

Comer cá ou na Soares dos Reis? O problema da falta de cantina pode resolver-se de duas maneiras. Na primeira hipótese trata-se de indagar se «a Soares dos Reis tem capacidade para ter, diariamente, mais cem ou duzentos almoços» informou a presidente da APESAS na procura de soluções que podem também passar pela contratação de uma empresa que traga as refeições já confeccionadas de fora. Facto que não é novidade pois «há muitas escolas a fazerem isto». Em qualquer das circunstâncias há condicionantes. Para os alunos «mais novos» da Aurélia se deslocarem até à Escola Artística Soares dos Reis (agora nas instalações renovadas da exOliveira Martins) teria de ser assegurado um autocarro para as deslocações e um(a) funcionário(a) para os acompanhar. «Temos de saber onde os nossos filhos estão» justifica a presidente. Quanto à outra hipótese seria «contratar empresas» que tratam de tudo o que diz respeito às refeições. «Isto implicaria mais um monobloco» acrescenta. De qualquer maneira a dirigente da APESAS julga que se «vai continuar a garantir os almoços» mas, sublinha que «toda a gente sabia quando votou quais as premissas e as condicionantes da escola» em cenário de obras. Resta «agora saber qual a forma mais eficiente e económica, à qual se sobrepõe a segurança dos alunos», «aspecto prioritário também para a Parque Escolar». (*) com prof. Paula Valdrez, no tratamento da informação.

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“Temos muitos alunos de longe que querem vir para esta escola” confirma a Presidente da APESAS ao nosso jornal. Há escolas que os alunos frequentam porque são mais perto de casa. Mas “aqui não é o caso” diz a Dr.ª Alexandra Martins que explica a razão: “É uma escola em que os alunos têm um bom comportamento. Tem um corpo docente extraordinariamente estável e em quem confiamos porque trabalham bem”. Os rankings são prova disso. É evidente que há sempre alunos que se “portam mal” e professores que “faltam muito” embora na Aurélia isso é “excepção”. Obras à parte, a nossa entrevistada não acha que “haja aqui grandes problemas” ou melhor “problemas que não se possam resolver internamente”. Não tem dúvidas “os pais gostam desta escola”. Tudo isto justifica que a todo o outro trabalho «não podemos chamar preocupações» porque resulta do normal funcionamento da escola. Dá como exemplos o Regulamento Interno da Escola que «tem de ser adaptado» ou o aparecimento da «figura do Director de Escola». Mas, conclui a Dr.ª Alexandra «o trabalho é feito maioritariamente pelos professores e o Conselho Pedagógico» sendo aqui que APESAS tem voto. Num ambiente de «grande tranquilidade».

Associação de Pais em números Contas feitas são à volta de sessenta o número de Pais associados. Um número «pouco significativo» como afirma a Presidente da APESAS atendendo aos alunos que a Escola tem, menos de mil. «Mesmo que haja pais que tenham cá dois filhos, a diferença é muito grande» reconhece. Não sabe a receita apenas que «os Pais não aderem à Associação independentemente daquilo que seja feito». Trabalho não falta. Logo no início do ano lectivo fazem uma visita às instalações escolares sobretudo com os Pais dos alunos que estão nos anos iniciais do Básico e Secundário. É aqui que «há um maior afluxo de entrada de novos alunos» por isso, explica a Dr.ª Alexandra «são distribuídas fichas de inscrição para toda a gente». Depois em todas as actividades desenvolvidas ao longo do ano lectivo, os Pais «associados ou não» são convidados e «voltamos a enviar as fichas de inscrição». Mas os Pais não aderem. Porquê, questionamos. «Não conseguimos saber», responde a presidente. A Associação de Pais reúne às primeiras terças-feiras de cada mês. Todos os pais e encarregados de educação, associados ou não, podem estar presentes nas reuniões. «Não temos cotas» diz a Dr.ª Alexandra Azevedo e só «há vantagens para todos se participarem» conclui. Por Miguel Montalvão, Nuno Almeida e prof. Paula Valdrez


FEVEREIRO

2009 I NÚMEROXXIII

Lá e cá ALUNOS DA UCRÂNIA COM ENSINO MAIS EXIGENTE Iniciamos neste número do JORNALESAS uma nova rubrica em que pretendemos dar voz aos nossos alunos e alunas estrangeiras. Um modo de partilhar culturas abrindo os olhos para o mundo. Aqui fica a opinião da Kateryne Ivanova, aluna do 11.º ano Curso Profissional de Turismo.

Texto: Kateryna Ivanova

Alunos e pais (ucranianos) atestam que as escolas portuguesas são mais “ligeiras” que as do seu país de origem. As expectativas altas que têm em relação ao ensino e o seu bom desempenho escolar devem-se, em parte, a factores de ordem sóciocultural.

C

ontrariamente ao que se vive em Portugal, o grau de exigência (e de eficácia) elevado dos seus sistemas educativos - o sistema de ensino soviético - caracteriza-se por currículos exigentes em combinação com uma disciplina rigorosa. Dos alunos espera-se não só resultados

bons, mas também resultados elevados. Um exemplo disto é que o tempo de aulas é menor. No entanto há muitos trabalhos para casa, não só fichas, mas textos para ler e investigar. Os estudantes têm dois cadernos por disciplina, que usam de maneira intercalada para que os professores possam levá-los para casa e fazer as devidas correcções e avaliações. Na realidade portuguesa é que quando os estudantes chegam a casa já é de noite e ainda vão fazer os trabalhos. A falta de disciplina é outra das críticas e diferenças apontadas: numa sala de aula ucraniana, a única pessoa que fala é o professor, os alunos têm de pedir licença para fazê-lo e não andam de pé, de um lado para o outro. Mas um outro factor diferencial e mais marcante é a forma como se vive o ensino nos seus países de origem, realidade que a maioria destes alunos teve oportunidade de conhecer. O valor de aprender

Kateryna está há cerca de dois anos a estudar na ESAS. Quando chegou não falava português...

«Não basta ter um espírito bom: o essencial é aplicálo bem.» Descartes

«Nenhum homem é livre se não puder comandar-se a si mesmo.» Pitágoras

«...a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós...» José Saramago

«Realizando coisas justas, tornamo-nos justos, realizando coisas moderadas, tornamo-nos moderados, fazendo coisas corajosas, tornamo-nos corajosos» Aristóteles

De uma forma geral a maior valorização que se dá ao ensino nesses países leva a uma escolarização massiva. Veja-se que na Ucrânia, se regista actualmente uma taxa de literacia de 98% e 70% da população adulta tem formação secundária ou superior. Esses valores, note-se, não só se situam acima dos índices de literacia registados na maioria dos países de origem dos alunos estrangeiros em Portugal, como estão também acima dos valores nacionais (91%). Além disso, para os alunos ucranianos reprovar ou obter resultados muito baixos é quase que considerado uma vergonha perante os pais, familiares e amigos. É assim na Ucrânia.

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«Todos nós somos personagens em busca de autor.» Manuel Alegre

«A ciência humana consiste mais em destruir erros que em descobrir verdades.» Sócrates, filósofo grego


FEVEREIRO

No sítio certo há hora certa Texto: Cláudia Correia

“Não sei o que é não ter um tecto a impedir a chuva de me encharcar o cabelo, ou não ter uma mesa na escola onde aprender”

O

meu nome é Isabela, nasci num país ocidental, numa época evoluída tecnológica e socialmente. Não sei o que é não ter um tecto a impedir a chuva de me encharcar o cabelo, ou não ter uma mesa na escola onde aprender, não sei o que é não ter um hospital aonde acorrer em caso de emergência, nem muito menos uma família feliz, convivendo com pessoas felizes. Como eu, muitos tiveram essa sorte, esse acaso do destino, de serem fruto duma união de um óvulo e de um espermatozóide “ocidentais”. E, ao contrário de mim, tantos outros perderam nessa lotaria da vida.

Tantos outros não chegam a atingir um ano de idade, somente por terem nascido no sítio errado, à hora errada. Desconhecem os que têm a “sorte” de viver até adultos, o significado da palavra “direito”.

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Sobrevivem, vivendo cada dia a ansiar a morte, só porque ela significa o fim do sofrimento. A sua luta diária não é contra o trânsito, contra os bêbedos no meio do passeio a mandar piropos, nem contra menos um dia de férias. A sua luta é contra a SIDA, a malária, a cólera. Todos os dias, a cada segundo, 3 crianças morrem, simplesmente porque não há sequer um grão de arroz para comer. Aqui, neste pedaço de terra a que chamo pátria, chora-se porque não se recebeu o novo jogo para a “playstation” ou a mais recente “Baby Sophie”, pelo Natal. Lá, não há Natal. Não há Natal porque não há esperança, não há dignidade, não há humanidade. Se a houvesse, há muito que se teria construído uma ponte, entre ricos e pobres, entre humanos e não-humanos (chamo-os assim porque já nasceram sem uma réstia de direitos). Aliás, neste lugar ao Sol (o da felicidade, não o da vida), proliferam manifestações pelos direitos; os já adquiridos, os que foram roubados, os que ficaram por conquistar. “30 de Novembro – Greve Nacional contra o Regime de Faltas, contra o Estatuto do Aluno, contra a avaliação dos Docentes. Lá, naquele lugar à sombra, a única falta que existe é a de vida, o único estatuto o da espera pelo fim e a única avaliação, a da falta de tudo e a existência de nada. Como o fazem não entendo. Não percebo como conseguem reunir-se para discutir se o petróleo ultrapassou os 85 dólares e permanecem conscientemente cegos à mais profunda das verdades: existem dois mundos, o dos sortudos e o daqueles que simplesmente são invisíveis aos sortudos. Dou graças a esse Deus, que não sei se existe, porque se existisse há muito que nos teria incutido um pouco de humanidade.


FEVEREIRO

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Espaços verdes na Escola FALA-SE DE ARBORICÍDIO…

N

Continuação da página 16

Protecção Civil prepara simulacro

Texto: Joana Silva, 11.º B

o âmbito do projecto Jovens Repórteres s para o Ambiente (JRA) a alunas Catarina, Diana, Clara, Bárbara e Joana do 11.º B fizeram uma entrevista à professora Carmo Rola (CR) acerca do derrube de árvores da nossa escola que tanta polémica continua a gerar. Marcámos encontro na Biblioteca e fizemos as seguintes perguntas: O que sentiu quando viu as nossas árvores a serem derrubadas? Algumas dessas árvores serão transplantadas e voltarão a viver na nossa escola? Como será feita a arborização da nossa escola depois das obras? Quando acha que teremos uma escola com o aspecto arborizado que tínhamos antes? A professora Carmo Rola foi extremamente simpática e esclareceu-nos sobre todos os assuntos abordados. Ficámos a saber que houve árvores que foram transplantadas noutros locais e voltarão mais tarde para a nossa escola. No final das obras teremos uma escola muito rica em espaços verdes, mais mesmo do que antigamente. É de sublinhar que as árvores sofreram o derrube por várias razões. Ou por se encontrarem em estado de degradação, ou por constituírem um risco para a população escolar, ou ainda por serem um grande obstáculo à intervenção em curso. Com esta entrevista ficámos mais esclarecidas e com uma visão diferente acerca do que se tem vindo a passar. A situação das nossas árvores não é catastrófica. Os derrubes efectuados só aconteceram porque foram realmente necessários e o ambiente não foi nunca descurado.

A experiência de um simulacro de incêndio está em vias de acontecer na nossa escola. Faz parte das acções de segurança programadas pelo Clube de Protecção Civil. As professoras Carmo Rola (que é também responsável pela Segurança na Escola) Catarina Cachapuz e Fátima Santos, coordenadoras do Clube, demonstraram que os objectivos do projecto integram os planos de prevenção e de emergência mas entendem ser importante testar o de evacuação para se identificarem lacunas quer quanto aos meios e atitudes das pessoas bem como treinar os comportamentos de segurança de modo a autonomiza-los. Vale a pena levar a sério.

É importante que cada um de nós se habitue a respeitar as regras de segurança que nos ajudem a proceder adequadamente em situações de emergência.

Catarina, Diana, Clara e a Joana, as Jovens Repórteres com o Henrique Página 15


FEVEREIRO 2009 I NÚMEROXXIII

Segurança na Escola

EM CASO DE INCÊNDIO ESTAMOS TODOS PREPARADOS? A campainha da escola toca três vezes, de modo diferenciado, seguida de um toque contínuo. É este o sinal que acciona o plano de evacuação na nossa escola. O que fazer a seguir foi o que ficamos a saber com as acções do Clube de Protecção Civil. Ninguém ficou indiferente.

P

Texto de Paula Valdrez

fino. Acompanhadas por um elucidativo diaporama, as professoras Carmo Rola, Catarina romover comportamentos adequa-

Cachapuz e Fátima Santos explicaram o plano

dos em caso de emergência deu o

de evacuação.

mote ao Clube de Protecção Civil para levar a

Alunos mais sensibilizados

cabo junto dos alunos e restante população

Contas feitas, todos os alunos do ensino bási-

um conjunto de acções de sensibilização

co, no espaço aula de Formação Cívica discu-

sobre as regras a seguir em situação de incên-

tiram a problemática da segurança na Escola.

dio, sismo ou ameaça de bomba. O plano de

Para os décimos primeiros e segundos, as

evacuação do edifício escolar – com enfoque

responsáveis pelo Clube de Protecção Civil

no cenário de obras -, foi passado a pente

levaram a iniciativa ao Perpétuo Socorro, durante as aulas de Educação Física. As aulas de substituição serviram para um contacto mais directo com os alunos dos décimos anos. As acções estenderam-se ao pessoal não docente. Quanto aos professores foram convidados para aprenderem as normas de evacuação pois são eles que darão as instruções iniciais dentro de cada sala de aula e farão, depois, a contagem dos alunos “no ponto de encontro”. Informações valiosas sobre o primeiro plano de evacuação adaptado à escola

Prof. Carmo Rola, responsável pela Segurança na Escola e uma das coordenadoras do Clube de Protecção Civil

em obras. (continua na página 15)

Jornalesas Fevereiro 2009  

Jornal escolar oficial da Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa, Porto

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