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Publicação trimestral l dezembro 2018 l número L I I (52)


“aurelianos” para toda a vida”

Dia do Diploma - palavras da Presidente do Conselho Geral

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uito boa tarde a todos os membros da Comunidade Educativa aqui presentes. Sejam bem-vindos. Hoje é mais um dia importante para a nossa escola. Recebemos os nossos já ex-alunos, aqueles que completaram o ensino secundário no final do ano letivo de 2017/2018 e que hoje trilham já outros percursos académicos ou até mesmo profissionais, percursos esses que iniciaram aqui na Aurélia de Sousa. A todos e a todas desejamos o maior sucesso, a todos os níveis – académico, profissional e pessoal. Não me vou alongar muito mais. Quero apenas lembrar que esta escola que agora vos homenageia vos transmitiu saber e conhecimentos, saber e conhecimentos que vos permitiram seguir os vossos caminhos, mas que vos deu, seguramente, muito mais do que simples ferramentas cognitivas. Esta escola ensinou-vos a olhar o mundo de forma crítica, ensinouvos o valor da solidariedade e de saber aceitar as diferenças, ensinou-vos a perceber a importância da arte (literatura, pintura, escultura, teatro, cinema…), ensinou-vos a respeitar a natureza e o património e quão importantes todos estes aspetos são para tornar o mundo um sítio melhor. Lembrem-se sempre daqueles momentos de aula, em que os professores “paravam” de dar matéria e passavam, no caso do Português e da Literatura ( perdoem-me o estar sempre a “puxar a brasa para a minha sardinha”) para as “fofocadas literárias” ou para os alargamentos culturais e se comentavam, entre tantos outros acontecimentos, o drama dos refugiados, o perigo do renascer das ideologias extremistas, a intolerância e a corrupção crescentes ou até as anedotas trágicas do Trump. É tudo isto que faz uma escola, é tudo isto que faz de vocês “ aurelianos” para toda a vida. E acabo, lembrando algumas palavras dessa poetisa e mulher extraordinária, defensora dos mais frágeis, lutadora pela liberdade, que foi Sophia de Mello Breyner: “Quem é sensível à beleza da arte não pode ser insensível ao sofrimento do mundo”.

Por isso, ao receberem o vosso diploma, assumam o compromisso de mudar o mundo! Zaida Braga Presidente do Conselho Geral Dia do Diploma, 26 de Setembro de 2018 Foto da esquerda para a direita: Fátima Vanzeller, elemento da Direção do AEAS, Joana Monteiro, 12ºB, Alexandrina Fernandes, profª Matemática, Maria João Nascimento, 12ºB, Zaida Braga, Presidente do Conselho Geral e Margarida Macedo, profª de Química Foto de António Carvalhal, profº responsável pelo Clube de Fotografia


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Fotos de António Carvalhal, profº responsável pelo do Clube de Fotografia

“ ao receberem o vosso diploma, assumam o compromisso de mudar o mundo!” 12º G

12º F

12º B


Prémio rumo à excelência

Este ano, a nossa aluna Maria João Marinho Nascimento recebeu a distinção de melhor aluna da cidade do Porto — ensino secundário — referente ao ano lectivo de 2017/2018.

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eve lugar a 11.ª edição do prémio de mérito escolar "Rumo à Excelência", promovido pela Câmara do Porto, que distingue alunos da cidade. A cerimónia teve lugar nos Paços do Concelho e foi presidida por Rui Moreira. No seu discurso, o presidente da Câmara do Porto salientou a importância que o setor da educação assume na política municipal enquanto "fator fundamental para a promoção da igualdade de oportunidades" e uma escola pública "ao serviço de todos os alunos e das suas famílias, criando as condições para a promoção de um ensino de qualidade e de sucesso educativo". Inserido no programa educativo municipal Porto de Futuro, este prémio visa a promoção do mérito escolar na população estudantil da cidade do Porto ao reconhecer, valorizar e premiar os melhores alunos, que se distinguem pela excelência do seu trabalho, dedicação e esforço, e estimula-os a prosseguir a atividade escolar. Todos os anos se entregam medalhas de mérito escolar aos alunos que se destacam pelo trabalho de excelência. Os primeiros classificados de cada ciclo de ensino recebem, ainda, um computador pessoal, patrocinado pela Hewlett Packard. http://www.porto.pt/noticias/melhores-alunos-do-ensino-publico-do-portoforam-distinguidos-pela-camara C.M.P. 10 de outubro 2018

Na foto em cima: A Maria João , a melhor aluna da Cidade do Porto com familiares, com a Diretora da AESAS, Dra Margarida Teixeira e outros elementos da Direção (Dra Anabela, Martins, Dra Maniela Violas e Dra Beatriz Ribeiro). Na foto ao lado: A aluna Maria João a receber o Prémio das mãos do Presidente da C.M.P. Rui Moreira

C.M.P.


o sucesso passo a passo

Maria João Nascimento, a melhor aluna da Aurélia de Sousa e da cidade do Porto no ano letivo de 2017/2018, aceitou falar-nos da sua experiência e do seu percurso.

Acho que para se ser um bom aluno tem que se ter acima de tudo vontade, porque daí vem o empenho e depois de o haver e de haver gosto e vontade de chegar mais longe - de querer fazer algo - então as coisas ficam bem mais fáceis. Para mim, funcionava dessa forma - por objetivos. O meu objetivo era não deixar a média escolher por mim, mas sim eu poder escolher o que quisesse para entrar na faculdade e por isso é que tive boas notas. Pegando um pouco no que acabaste de dizer, ao longo da tua passagem pelo ensino obrigatório, tinhas os teus objetivos, mas certamente a escola não era tudo o que te ocupava a cabeça. Praticavas alguma atividade extracurricular? Sim, eu fui bailarina até muito recentemente. Desde muito pequena que dancei ballet clássico, cheguei a fazer hip-hop durante três anos, fiz contemporânea e jazz. Também tinha aulas de inglês e fiz os exames de Cambridge. Achas que essas atividades te ajudaram, de algum modo, a desenvol-

Retornando ao contexto escolar, qual é que era o teu método de estudo? Nunca fui pessoa de fazer resumos, achava que era uma perda de tempo. Abria o livro, sublinhava o mais importante e ia dizendo alto. Qual é que achas que é o papel do professor e do aluno em sala de aula? O professor tem de estar disponível para transmitir os seus conhecimentos e sempre que o aluno tiver dúvidas tem de, obviamente, esclarecêlas e não dizer “estudem em casa” ou “é inteligente, pense”. O papel do

professo é tornar as coisas mais práticas, simplificar e acompanhar o aluno nas suas dificuldades e “puxar” por ele. Concordas que um estudante tenha que escolher a sua área de especialização no 9º ano? Ou achas que é muito cedo? Não (diz isto com um ar muito assertivo e esclarecido). Acho que é muito cedo, mesmo aos 18 anos. Eu tive muitas dificuldades. Não conseguia decidir se ia para economia ou para ciências. Não é muito fácil, porque somos muito novos e nem temos consciência da quantidade de oportunidades que existe. É muito cedo. Pelo teu discurso, percebemos que também achas que a escola, em si, não dá o apoio necessário, ou não permite que o aluno tenha o conhecimento todo para tomar essa decisão. Eu cheguei a fazer um teste psicotécnico, mas acho que temos de estar em contacto com as pessoas que estão nas áreas, falar com elas para saber o que é que elas fazem no seu dia-a-dia.

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O que achas que é preciso para se ser um bom aluno?

veres características como o rigor e a concentração, para mais tarde, as aplicares em contexto de sala de aula? Claro. Sendo bailarina clássica, eu sei o que é estar rígida e ter uma postura “correta” e, então, dentro da sala de aula, nunca fui uma daquelas alunas que os professores tivessem de mandar calar. É claro que, às vezes, também falava, não sou perfeita (risos). O ballet ensinou-me a ser uma pessoa diferente, a ser mais perfecionista, a ser exigente com o meu próprio trabalho, por isso é que acho que consegui alcançar os meus objetivos.


o sucesso passo a passo Achas que os ensinos básico e secundário se focam demasiado em fazer com que o aluno saiba a matéria de cor e não no desenvolvimento das competências e capacidades pessoais que podem vir a ser importantes mais tarde, nomeadamente no mercado de trabalho? Sim, acho que é tudo um bocadinho teórico demais, mas é assim, acaba por ser conhecimento geral que é necessário ter. Por exemplo, eu estudei disciplinas não teóricas, como matemática e físico-química e, por exemplo, gostava imenso de filosofia porque ajudava a raciocinar e a problematizar as coisas. Acho que devia haver disciplinas que nos falassem mais de, por exemplo, política. Penso que teria ganho alguma coisa em saber como funciona o nosso país, por exemplo em termos de orçamentos ou a razão de escolher este partido e não aquele. Tenho 18 anos, vou ter que votar e não sei em quem é que vou votar. Desde muito cedo sabias o que querias seguir? Não. Foi na hora antes de as candidaturas fecharem. Eu tinha gestão em primeiro lugar e mudei para medicina à última da hora. Porquê? Se calhar, em parte, por tradição de família, mas também achei que queria dar uma oportunidade a uma coisa que durante o meu percurso todo neguei. Eu sempre fui aquela pessoa que disse “eu não vou para medicina, não é pelas notas que tenho que ir para medicina”. Foi também um bocadinho por causa da curiosidade, e porque tinha média.

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Como é que está a correr a tua experiência no curso de medicina? O curso de medicina é muito dife-

rente do que o que eu estava à espera, porque um dos defeitos que eu encontro no curso é ter que decorar porque está escrito nos PowerPoints. Acho que é muito minucioso, muito detalhado; falta-me um pouco a parte de matemática, da lógica, que eu sempre gostei. Tem-se aulas teóricas e aulas práticas obrigatórias; basicamente todos os dias vamos ouvir palestras num auditório enorme, com um professor a falar e, às vezes, não é muito fácil de acompanhar. Mas há muito mais o espírito de entreajuda do que no secundário, há grupos no Facebook e estudamos juntos na faculdade. Nas dissemelhanças entre o secundário e a faculdade, qual é a diferença ao nível de exigência? O nível de exigência é muito diferente e também depende da cadeira, obviamente. Há cadeiras em que nós ficamos felizes por passar, e estamos a falar de um curso de medicina em que toda a gente entrou com médias altas, e cadeiras em que, se se tem um 11, não satisfaz. Há muito mais matéria para estudar. E ao nível de pressão? Eu acho que no secundário sentimos todos muito mais a pressão, porque começamos a ver números e a pensar que temos de tirar boas notas no teste e a pensar “e se eu não entro?” Agora a nossa vida já não depende de uma nota. E o relacionamento com os professores? Não é tão próximo. Ninguém sabe os nossos nomes e tiramos as nossas dúvidas por email. Os professores são muito distantes, eles quase que nos “atiram aos lobos”. A ajuda vem mais dos colegas, ou então das famosas sebentas.

Rua Santos Pousada, 1204 - 4000 – 483 Porto Tel/Fax.: 225 024 938 / Tlm.: 911 710 979 Email: porto.antas@naomaispelo.pt

Achas que a faculdade te está a preparar bem para o futuro? Penso que todos os cursos têm cadeiras completamente desnecessárias. Prepara na medida em que uma das exigências é a licenciatura e as Associações de Estudantes promovem imensas atividades, nomeadamente voluntariado e cursos extras. Isto contribui para a nossa formação. Na faculdade há um leque de oportunidades. Para nós, é ir visitar doentes a hospitais, cursos de medicina legal e medicina forense, visitar os hospitais das crianças, etc. Em relação ao teu curso, são muitas horas de aulas? Não são muitas horas, eu acho. Depende também se as pessoas vão às teóricas ou não. Qual é a tua opinião sobre a praxe? Eu não frequento a praxe, e nem fui ao primeiro dia experimentar, porque não é uma coisa com a qual me identifique. Na minha faculdade a praxe não é muito agressiva e, apesar de eu não concordar, percebo que seja um modo de integrar as pessoas, embora haja outras formas de o fazer. Por exemplo, na minha faculdade, o ICBAS, há o Grupo Académico que promove convívios. Qual é que foi o teu melhor e pior momento aqui na escola (ESAS)? Não é muito fácil lembrar-me, honestamente, mas um dos meus momentos de eleição foi a noite do baile. Vale muito a pena. Os exames claro que são um momento de grande stress e de grande pressão, porque acho que desde o primeiro dia que se entra no 10º ano já se ouve falar deles e parece que se cria um monstro à sua volta. Acho que o ensino não devia estar tão dirigido aos exames nacionais.


Levas muitas amizades daqui da escola (ESAS)? No 10º e o 11º ano estive numa turma e noutra no 12º e de ambas tenho amizades que ainda hoje mantenho. É engraçado comparar as visões diferentes que temos da faculdade. Tenho amigas que estão na praxe e outras que não, mas acabamos por ir às festas umas das outras, conhecemos as faculdades umas das outras e até conseguimos estudar juntas de vez em quando. Há amigas que levo daqui e que são para a vida. Qual o conselho que deixas aos alunos do 12º ano que se querem candidatar ao ensino superior? Primeiro de tudo, que tenham muita calma, não vejam isto como se a vossa vida dependesse disto. Eu sei que não é fácil ouvir “tenham calma” quando vocês estão todos numa pilha de nervos. A sério, um ano não é nada e toda a gente tem direito a errar. Este ano correu menos bem, para o ano tenta-se outra vez, não há problema nenhum. É isto que eu quero transmitir. E esforcem-se, porque as coisas não caem do céu. Trabalhem para os vossos objetivos, mas lembrem-se que há vida para além disto. Vão sair, mas vão com vontade e aproveitem os momentos. Às vezes é preciso desanuviar, é preciso fazer pausas e estas têm de ser bem aproveitadas. Não é fácil conciliar a escola com a vida social, mas é uma capacidade que é importante desenvolver. Não são só quatro paredes e um livro, há vida para além disso. Aproveitem e descompliquem!

“ Não é fácil conciliar a escola com a vida social, mas é uma capacidade que é importante desenvolver. “ 12º H

Entrevistada por João Múrias

Transportes Luís Sousa, Lda Rua da Cerâmica 226/230 Alfena, Porto, Portugal Ligar 22 969 1357 http://www.tlsousa.pt/

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e Mariana Tavares do 12ºG


Jornalistas no Palácio de Belém

Depois dos escritores e dos cientistas, foi a vez de os jornalistas serem recebidos, a convite de Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República. Com o apoio da equipa do JORNALESAS, o 12ºG teve a oportunidade de participar na iniciativa, que incluía, no dia de estreia, 23 de outubro, uma audiência com jornalista José Alberto de Carvalho e uma visita ao Museu da Presidência.

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a Sala das Bicas, o ambiente era de solenidade, como a própria decoração, com peças de mobiliário opulentas e paredes de azulejo, sugere. Aí, outros grupos de alunos, provenientes de escolas de Lisboa e Mação ou locutores da “Rádio Miúdos”, aguardavam a entrada para uma sala distinta, onde decorreria a pequena conferência. Não menos majestoso, este segundo espaço, sumptuosamente ornamentado, apresentava-se totalmente equipado com assentos e material multimédia, pronto a receber convidados e palestrantes. Cumprimentando os presentes com simpatia, José Alberto de Carvalho deu início à audiência à hora prevista, embora sofrendo, de imediato, uma interrupção: chegava o Presidente da República, entusiasmado com a possibilidade de, ele próprio, refletir sobre a importância do jornalismo na formação de cidadãos conscientes. “Em democracia, é muito importante perceber o peso da comunicação social e saber lidar com a comunicação social”, afirmou o chefe de Estado, em conformidade com o tema em debate na audiência, à qual assistiu junto dos alunos, intervindo com interesse.


O jornalista convidado prosseguiu, então, o discurso focado, primordialmente, no seu variado percurso profissional, um exemplo para aqueles que ambicionam a carreira jornalística, nem sempre complacente, mas gratificante. Teceu, também, um conjunto de considerações relativamente ao jornalismo atual, sublinhando o declínio dos hábitos de visionamento de notícias televisivas. As fontes de informação da população revelam-se cada vez mais diversificadas (com a ascensão das redes sociais e a fácil difusão das fake news) e, consequentemente, dispersas, fenómeno que José Alberto de Carvalho encara com preocupação: “É cada vez mais difícil nós cruzarmos a nossa opinião uns com os outros, e eu acho que isto é uma das maiores ameaças à democracia”. A sessão terminou com questões colocadas pelos alunos e com uma “resposta politicamente incorreta” da parte do jornalista, atualmente colaborador da TVI, quando inquirido em relação às razões que instigaram a mudança, ao longo da carreira, de estação de televisão. “Eu mudei de estação para não mudar eu”, justificou. Terminada a conferência, Isabel Alçada, exministra da educação e autora da coleção infantojuvenil “Uma Aventura”, convidou os presentes a deslocarem-se até uma varanda com vista para os jardins do Palácio e a desfrutarem de um pastel de nata, acompanhado por um sumo de laranja. Seguiu-se uma visita ao Museu da Presidência, no qual se encontram em exibição os retratos oficiais de todos os presidentes da república, ofertas de outros chefes de Estado e diferentes condecorações, nacionais e internacionais. A iniciativa proporcionou, aos alunos participantes, uma experiência enriquecedora e, certamente, inolvidável. A reflexão sobre a influência da comunicação social na integridade da democracia e num exercício racional da cidadania é fundamental num contexto social em que a linha que separa “jornalismo” e “divulgação de informação” se aparenta progressivamente ténue.

Ana Mafalda Silva, 12ºG

Rua Santos Pousada , 1222 4000-483 Porto Tlf. 225029821

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Fotos de Rui Ochoa o fotógrafo dos presidentes


Dia Mundial da Filosofia

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Trabalho de Mafalda Alves do 10ºK

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o dia 15 de novembro comemorou-se o Dia Mundial da Filosofia, levando a cabo uma exposição de trabalhos dos alunos, com o objetivo de realçar a importância do pensar crítico e reflexivo e seu contributo na formação de cidadãos conscientes e interventivos. Assim, parafraseando a Mensagem deste ano da Diretora-Geral da UNESCO, salienta-se a importância da Filosofia e do seu ensino, nos dias de hoje: “Num mundo cada vez mais complexo, onde reina a incerteza, onde as evoluções sociais e as revoluções tecnológicas confundem as referências estabelecidas, onde os desafios sociais e políticos são imensos, a filosofia continua

a ser um recurso extremamente valioso. É simultaneamente um espaço de retiro e desaceleração e uma luz suscetível de nos orientar. (…) A filosofia também nos ajuda a refletir, precisamente, sobre as normas que sustentam a nossa vida coletiva: ao levantar questões de justiça, de paz, de ética, de moral. Estas questões são particularmente relevantes na sociedade atual, onde os progressos alcançados no domínio da inteligência artificial parecem redefinir as fronteiras do humano.” A coordenadora do grupo disciplinar de Filosofia, Blandina Lopes


Dia Mundial da Filosofia Simone de Beauvoir

“Não se nasce mulher, torna-se.”

1908 — 1986 escritora, filósofa existencialista, feminista e teórica social francesa França, Paris

Algumas obras: O Segundo Sexo — análise detalhada da opressão das mulheres A Velhice — crítica à sociedade pela sua atitude para com os anciãos A Cerimónia do Adeus — evocação da figura de seu companheiro de tantos anos, Sartre

Rua Aurélia de Sousa,49

“O homem é livre, mas ele encontra a lei na sua própria liberdade.” “Por vezes a palavra representa um modo mais acertado de se calar do que o silêncio.”

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Alexandra Santos, Margarida Melo e Sara Pereira, do 11ºB


LdC Lugar da Ciência, Clube Ciência Viva Aurélia de Sousa 14ª SEMANA DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

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PROGRAMA


Ciência Que oceanos queremos no futuro? Os oceanos … de onde viemos e para onde vamos!

VAMOS CUIDAR E PRESERVAR A NOSSA FONTE DE VIDA!

água líquida permitiu o aparecimento da vida na Terra. Foi nos OCEANOS que a vida começou e se desenvolveu, ocupando, estes ecossistemas, atualmente, cerca de 70% da superfície terrestre. Os OCEANOS suportam grande parte dos ecossistemas terrestres e são fonte de alimento. Precisamos de cuidar e de preservar os OCEANOS como se fossem o nosso lar. Mas como? É nosso dever parar a destruição desta imensa fonte de vida. A Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza) destaca os 10 principais problemas que afetam os OCEANOS, entre os quais a sobre-exploração da pesca, o aquecimento das águas, a acidificação dos oceanos e a poluição física e química. Todos ameaçam a biodiversidade marinha. Há soluções que já se conhecem e é dever de cada cidadão pô-las em prática. É urgente a redução, a reutilização e a reciclagem de, principalmente, plásticos, microfibras e microesferas que permanecem nos OCEANOS, sem se

decompor, durante centenas de anos, prejudicando seres vivos em toda a extensão dos oceanos. O futuro dos OCEANOS é uma preocupação da sociedade do século XXI e várias medidas já estão a ser postas em prática, como, por exemplo, o sistema de limpeza dos oceanos lançado pela associação The Ocean Cleanup, em setembro de 2018 - https://www.theoceancleanup.com/.

Autoras – Catarina Aires e Luísa Florido, 12ºC Escola Secundária Aurélia de Sousa, Porto XXI Encontro de Jovens Cientistas das Escolas Associadas da UNESCO que irá decorrer de 9 a 12 de janeiro de 2019, em Santarém.

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Mudar atitudes! Achas que és capaz? N

a passada sexta-feira, 9 de novembro, a turma do 7º B, na aula de Educação Física, passou cerca de 10 minutos a recolher resíduos (aquilo a que vulgarmente chamamos LIXO!) nos espaços exteriores da escola. No final da atividade identificámos a tipologia e contabilizámos a quantidade de resíduos recolhidos, verificando-se um total de 377 itens, entre embalagens, garrafas de água, palhinhas, papéis e outros resíduos… Na triagem efetuada, destacavam-se as embalagens, os plásticos e as palhinhas como resíduos mais frequentes. Refletimos depois e concluímos que tudo o que recolhemos é apenas uma pequena parte de todos os resíduos que há espalhado na nossa escola. Verificámos que há uma quantidade grande de caixotes do lixo disponibilizados em todo o espaço escolar, por isso não há necessidade de deitar o lixo para o chão. É ESTA A MARCA QUE QUERES DEIXAR NA TUA ESCOLA? NÃO ENTRES NESSA! MARCA A TUA ESCOLA COM IDEIAS! Também em novembro, celebra-se a Semana Europeia de Prevenção de resíduos, com o objetivo de sensibilizar os cidadãos europeus para a importância de reduzir o uso de embalagens no seu dia-à-dia. Esta mudança de atitude é essencial para a sustentabilidade do nosso planeta TERRA. Comecemos então por pequenos gestos na nossa casa e na nossa escola… Queremos desafiar-te a deixar a tua marca: sempre que possível, reduz a utilização de embalagens. Na escola, utiliza os recipientes próprios para os resíduos. Achas que és capaz? Beatriz Hermosa, 7º B

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Artigo escrito no âmbito da participação da aluna no Clube Europeu


Arte no Museu No Museu Nacional de Arte Antiga

MNAA (No Museu Nacional de Arte Antiga) é o mais importante museu de arte dos séculos XII a XIX em Portugal. Possui mais de 4000 obras de pintura, escultura, desenho e artes decorativas (mobiliário, ourivesaria, cerâmica, etc.) de origem europeia, asiática e africana em exposição per-

manente. Na viagem que os alunos de artes fizeram a Lisboa foi possível ainda conhecer as exposições temporárias de entre as quais se destacou a coleção de celebração dos 250 anos do artista português Domingos Sequeira - uma coletânea de estudos e desenhos do autor intitulada “Mitologia e História”.

Lisboa, 23 de outubro, com as turmas de artes Francisca Paixão, 12º I Foto de António Carvalhal—profº responsável pelo Clube de Fotografia

Domingos de António Sequeira foi um pintor português nascido a 10 de março de 1768 em Lisboa. Estudou desenho e pintura na Casa Pia de Lisboa e, posteriormente, na Academia Portuguesa em Roma, Itália. Em 1802, foi nomeado pintor da Corte de Dª Maria I e codiretor da empreitada de pintura do Palácio da Ajuda em Lisboa. Foi também professor em várias academias, tanto em Portugal como em Itália, tendo recebido vários prémios que o levaram a ser considerado um dos melhores pintores românticos da Europa. Morreu a 8 de março de 1837 em Roma.

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Speed Dating com cientistas

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Speed Dating” é um termo geralmente associado a um encontro amoroso. Neste, um grupo de pessoas encontra-se com um propósito de conhecer alguém. No fundo, cada membro agrupa-se em pares, por exemplo, e têm um certo tempo para falar. Terminado o dado tempo dá-se a troca, agrupando diferentes pessoas. Mas onde que é que isto reflete um tópico que um jornal escolar queira abordar? Além do mais, com cientistas? A princípio também não entendemos. Seria uma visita de estudo, a ser realizada no dia 7 de novembro, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e iria promover o diálogo com especialistas em biologia da SPBD, mais concretamente, biologia de desenvolvimento. E assim que lá chegámos foi esclarecido, iriamos formar grupos de três e dividir-nos pelo auditório da biblioteca. Havia um temporizador que marcava sete minutos e trinta segundos; no decorrer deste tempo iríamos falar com um cientista sobre o que fazia em concreto, as possíveis aplicações do seu trabalho e, penso que ainda mais fundamental, o que é ser cientista Assim que o tempo terminasse, trocaria de lugar com um colega. Muitos de nós que estamos em cursos científicos não sabemos ao certo o que implica prosseguir uma carreira nessa área e é encorajador e inovador ter um profissional mesmo à frente a transmitir a sua paixão pelo trabalho e a, possivelmente, capturar a atenção de alguém de modo a ter interesse neste campo. Diria que é ainda mais cativante quando se sabe o seguinte: a vida de cientista não é fácil; muito do que se faz acaba por não resultar em nada, tem que se pensar no presente e no futuro, viaja-se muito, o que não permite criar uma casa que possa ser considerada nossa, tem que se trabalhar em equipa e aceitar quando se está errado e engolir a seco, visto que o fundamental e o que dita a verdade são os resultados obtidos. E mesmo para quem não está em Ciências, penso que seria estimulante uma atividade do género nos restantes cursos. Um speed dating com artistas ou jornalistas, por exemplo, alguém que fosse aguçar o interesse na respetiva área. Muitos escolhemos o que seguir no secundário sem verdadeiramente saber o que podemos vir a desempenhar no futuro e qualquer informação direta sobre isto é, a meu ver, motivante para o nosso desempenho.

Trabalho realizado na disciplina de Desenho

Rafael Morais, 11ºB https://i3sedu.wordpress.com/2018/11/09/foi-assim/

Turma 11ºB, disciplina de Biologia e Geologia Leonor Antunes e Marina Gonçalves, profªs.

Alice Cunha , 12ºI


Opinião A extrema-direita internacional e a vitória de Bolsonaro ão muitas as notícias acerca dos avanços da extrema-direita no mundo, seja da Ucrânia, Filipinas, Polónia, Turquia, Israel, Alemanha (!), Estados Unidos ou França. Creio que se continuasse a enumerar teriam de ser comprados uns quantos tinteiros para acabar esta edição. As agressões que esta marcha despoleta têm vertentes internas e externas, afetando todas as esferas da sociedade, do nível social ao económico, passando, claro está, pelo político. O galopante crescimento que estes movimentos experienciam ultrapassa todos os limites continentais e atravessa oceanos, o que faz muitos atribuírem um cariz fenomenológico a esta situação. É a globalização da economia e do capitalismo, as suas contradições e necessidades orgânicas que levam ao extremo imperativo da “liberalização” do mercado para beneficiar as transnacionais e as grandes acumulações de capital. Advogando o princípio de direitos da individualidade social e bem maior, estas ideologias ganham terreno, negligenciando e oprimindo minorias, estando o etnocentrismo, o racismo, o sexismo e a homofobia todos presentes no discurso dum nacionalismo populista que finge deter as máximas do patriotismo e da valorização do povo e do seu país, mas que privilegia as grandes empresas e o sector privado ao invés da bandeira que eles próprios idolatram (veja-se as propostas do Presidente-eleito do Brasil de passar sectores públicos e sociais para a esfera privada), discriminando ainda os próprios cidadãos. O populismo demagógico apresentado por estes líderes faz valer-se da manipulação da opinião pública, mirando o dia-a-dia de cada um pelos mais variados meios de comunicação, sendo aqui que as redes sociais e a sua gigante rapidez na partilha de informação ganham uma enorme expressão na corrida ao poder. A partilha e difusão de notícias enganosas (“fake news”), pseudofactos e a mudança nos algoritmos com a intervenção de multinacionais que atacam os direitos à privacidade sem repúdios mostram

aquilo que é uma campanha eleitoral com a pós-verdade sempre patente. É o caso de Donald Trump nos Estados Unidos e a polémica legal envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytic, mas também o caso de um outro americano (embora mais meridional), Jair Bolsonaro. A campanha mediática do militar (deputado federal há 17 anos), efectuada a partir da internet e sem presença em algum debate, nasce dos escombros de uma ilegítima destituição da presidente Dilma Rousseff em 2016, parte de uma agenda anti-petista e neo-liberal, orquestrada pelos partidos de oposição em correlação com membros do sistema judicial brasileiro, não fosse o juíz Sérgio Moro que liderou o processo de encarceramento do ex-Presidente Brasileiro, fundador do PT e candidato à Presidência (com grande maioria nas sondagens), Lula da Silva, convidado para o governo de Bolsonaro. É bem possível atribuir a falácia do “falso dilema” à campanha do PSL (Partido Social Liberal), pois ou era eleito o sujo e corrupto PT ou um salvador inesperado que propõe rigidez e pouca tolerância (leia-se a palavra na sua ambiguidade) mas que propõe medidas necessárias para “limpar” o Brasil. O político paulista ganhou numa segunda volta contra o candidato petista Fernando Haddad, com um resultado menos folgado que o previsto, provando que a memória das décadas de repressão fascista não fora totalmente apagada do Brasil. Escrito segundo o antigo Acordo Ortográfico José Miguel Barbosa, 12ºG. 17 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

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Prémio Nacional de Conto

Momento em que a Dra. Fátima Candeias (professora da ESAS aposentada) recebe O Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca

O CONTO (excerto)

18 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

“A Doença O tlac impertinente do fecho da porta. Deixa-me que te conte. Não me podes entender, mas deixa-me contar-te. Quero dizer-te as palavras todas porque me lembro bem, sabes, porque a minha memória grita perante o teu esquecimento, assolada pela tua perda que me desampara e me larga sem pé. O meu lembrar é pura sobrevivência de náufrago, em que desesperadamente procuro agarrar-te para me iludir num salvamento impossível. Deixa que te conte: o tlac impertinente do fecho da porta estalou alto no silêncio e no meu sono, esse abismo em que a nebulosa da febre me engolira, nem tão fundo que um ruído não revertesse um pouco a minha inconsciência, nem tão leve que os meus olhos se abrissem como um reflexo. O tlac impertinente do fecho da porta. Ouve-me, quanto mais perdes a realidade, quanto menos percebes quem eu sou, mais o quem fomos me avassala numa iluminação exultante, moldando as ninharias desse passado esfumado em cenas resplandecentes, como se o reavivar da minha memória pudesse combater a ausência da tua. Quem fomos. Quem foste. Como se aquilo que digo te pudesse iluminar por um breve momento o olhar vazio. Ouve-me: Pelo meio da dor de cabeça e da dor de garganta e das dores no corpo, pelo meio do mal-estar, mas também pelo meio desse vogar ainda na névoa do dormir, senti, ao de leve, um caminhar pé-ante-pé até à cama, sim, um pé-ante-pé devagarinho e cuidadoso, e o perfume

do aftershave aflorou a minha testa num beijo ténue. E logo de seguida resvalei de novo para esse território misterioso de confusos sonhos em farrapos, numa espécie de delírio. Já não me conheces, eu sei, e essa ignorância faz-te um estranho perante mim, um estranho habitante de um corpo cada vez mais alheio da pessoa que foste. Desconheço-te também eu no que agora és, e por isso necessário se torna que lembre, que te traga de volta nas palavras, te resgate, segurando-te pela mão como uma criança que se não quer desencaminhada. Ainda que nada chegue a essa terra de ninguém em que te encontras, a esse nenhures em que te perdi. Deixa-me contar-te, com as frases que me brotam não sei de onde, esse dia que revisito como uma aparição, deixame contar-te: Acordei de veras a meio da tarde. Conseguia agora manter-me de olhos abertos, sem a modorra pesada que me puxava para o nada. Mas tinha sede. E o pijama todo molhado de suor. Mãe, disse, ainda antes de a ver sentada na escrivaninha, debruçada sobre papéis. E ela levantou o rosto, olhou-me e sorriu. Estou aqui… Como te sentes, Mimi? E depois fez-me beber e limpou -me e mudou-me o pijama e virou a almofada e alisou a roupa da cama e deu-me muitos beijos enquanto exclamava, Estás fresquinha, meu amor… acho que já não tens febre! Que bom! Então o telefone tocou, era a colega da mãe que falava sem fim. Olhei o quarto que


Prémio Nacional de Conto sabia de cor e perguntei-me Que hei-de fazer? Estava só. A bonecada que me rodeava quedava-se numa imobilidade mortal que me enfastiou, redundando toda a sua habitual maravilha num desconsolo obsoleto, sem qualquer serventia, o seu tempo perdido na lonjura, arredado de qualquer memória e de mim própria, como se nunca me tivesse pertencido nem povoado a infância de fantasias e folguedos. Verdadeiros monos sem qualquer encanto. E afastei o olhar, aborrecida. Não me apetecia mexer. O febrão que me saltara ao caminho numa súbita emboscada e me derreara, quase sem que percebesse o que sucedia, deixava-me assim, amolecida, com a lembrança vaga do médico, das tremuras que me sacudiam e da palavra que ouvira uma e outra vez: escarlatina. E pouco mais. Das dores, claro. E da sede. E de como se tinha tornado doloroso beber. Num gesto reflexo, olhei o copo com água em cima da mesinha de cabeceira e então vi-os. Estavam pousados uns sobre os outros, bem encostadinhos à parede, por detrás do candeeiro, como um menino envergonhado que se esconde nas saias da mãe. Eram livros. Livros. E, com a mesma clareza com que detectaria uma larga fita de embrulho que os rodeasse e terminasse num vistoso laçarote, reconheci o aftershave, o pé-ante-pé que os viera ali pôr e me dera um beijo na testa. Foi o pai, foi ele, pensei. Eram três livros. Três livros sobrepostos, com as capas voltadas para baixo. E por esse teu gesto, a que mais uma vez eu acreditava que não ia responder, uma tristeza pousou sobre a minha lassidão como uma manta sobre uma cama já feita, e envolveu-me num aconchego de desânimo.”

O Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, da responsabilidade da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, pretende homenagear o escritor Manuel da Fonseca, nascido a 15 de Outubro precisamente nesta cidade, com a qual manteve contacto muito próximo durante toda a vida.

O concurso realiza-se de dois em dois anos. Num ano, é selecionada uma pequena antologia de contos, de tema livre, cujo autor recebe, em Outubro, um prémio pecuniário; no ano seguinte, também em Outubro, fazse o lançamento de antologia, que é publicada a expensas da Câmara.

Um agradecimento especial a Dra Fátima Candeias por gentilmente nos ceder, para publicação neste número do Jornalesas, um excerto de um dos seu contos premiado.

Deve dizer-se: Resposta:

“Vai haver problemas”. [O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal: Conjuga-se apenas na terceira pessoa do singular, independentemente de se lhe seguir uma palavra no plural].

Resposta: “Ele interveio no debate” ou “Ele interviu no debate”?

“Ele interveio no debate”. [O verbo «intervir» conjuga-se como «vir». Assim, O pretérito perfeito é «eu intervim», «tu intervieste», «ele interveio» etc.].

19 l Jornalesas l dezembro 2017 l X L I X

“Vai haver problemas” ou “Vão haver problemas”?


Conto “Já não é Natal ” P

20 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

inheiro de Ázere, a quinta dos avós, a chama acesa e eterna da palavra lar… De nariz aglutinado ao vidro, sorvia os momentos como um terreno estriado, sedento de chuva. O pai sempre nervoso, na delonga da viagem que parecia eterna! Serenava, quando o “os ares mudavam”, e já não olhava para trás. Era outra vez Natal! A memória procurava a cozinha olorosa, prolongada nas gargalhadas, na partilha, nas notícias do que adviera para lá das férias grandes… A avó, a matriarca (já que o avô lhe cedera, por amor, o seu lugar), dirigia, a pulso, a família que se distraia das tarefas impreteríveis…os mil bolos que a titi fazia, para algumas famílias, as rabanadas com doce de ovos, o leite creme…e todas as iguarias preparadas, em casa, com amor. E é do amor que falo. É no amor que encontro o Natal. A avenida, onde residiam os bancos confidentes, que refrescaram, desde o último verão, os campos que se cobriram de geada, a curva que permanecia igual e, sobretudo, os amigos! A loja da Gracinda vendia de tudo: arroz, massa, bonecos, fraldas descartáveis, café, meias, das mais variadas, que oferecíamos aos avós (hei de escrever um livro que se chamará: “Para onde foram as meias”, pois a minha imaginação não alcançava a serventia da quantidade de meias que se adquiriam todos os anos…), de bolos nata-

Rua da Alegria, 930 4000-132 Porto 225 370 005 - 963 020 345 937 085 980

Loja Mercado Bom Sucesso 913 550 552

lícios e, sobretudo, de afetos… Os amigos do Luís, mais velhos, contavam as histórias da universidade, as namoradas, os amores e desamores…e a roda da vida parecia confinar-se àquele lugar e àquele momento. É disso que tenho saudades. Dos que se foram…e não voltam. Dos que partiram, mesmo estando cá. Onde flutuam as vossas vidas, amigos? Onde está o abraço solarengo, nos alvores frios e nas tardes chuvosas? Não me parecia possível que os afetos se esfrangalhassem e já não houvesse mais pertença, ali. Tudo era futurível, o retrógrado plangente era para os mais velhos, nós gozaríamos o brilho e a felicidade eternos, dourados, na suspensão desses momento\s. Hoje, devia viajar, de nariz colado ao vidro…ver as árvores passarem por mim, promissoras, confidentes… Lá, a promessa de uma lareira acesa, nos olhos dos avós. Não me parece possível que a garra do tempo tenha subtraído a época, em que todos os sonhos eram cabíveis. Roubo eterno. Extorquiu o Natal. Anabela Cruz Dias, professora de Português


In Memoriam

“ J

osé Saramago foi o único escritor português galardoado com um prémio Nobel e, pelo prestígio e afirmação crescentes da sua obra, desde há anos que faz parte dos programas de Português do Secundário sendo obrigatório o estudo de “Memorial do Convento”, provavelmente a sua obra mais emblemática. Escritor e ativista, humanista por vocação e atitude, a singularidade da sua obra não só espelha a sua visão do mundo e dos homens como projeta, ao mais alto nível, a língua portuguesa. Em 1997, ano anterior ao da atribuição do Prémio Nobel e em que comemorou 50 anos de atividade literária, a Biblioteca da ESAS assinalou a efeméride, aproveitando as atividades de incentivo à leitura integradas na sua Feira do Livro anual.

A razão por que se abre um livro para ler é a mesma por que se olham as estrelas: querer compreender. Mas não há nenhuma lei que obrigue as pessoas a levantar os olhos para o espaço ou a baixá-los para esse outro universo que é uma página escrita. Não há gosto sem curiosidade nem curiosidade sem gosto. Ler é uma necessidade que nasce da curiosidade e do gosto. Se não tens gosto nem curiosidade, deixa os livros em paz, porque não os mereces. Sempre haverá alguém para abrir comovido um livro, para querer saber o que está por trás das aparências. Cada livro é uma viagem para o outro lado.” José Saramago (Maio de 1997)

Por esse motivo, foi solicitado a José Saramago um texto alusivo, que servisse de motivação à leitura, explicando também o que desejava fazer e o espaço que lhe seria dedicado. Prontamente e com a antecedência desejada, Saramago respondeu-nos. Esse texto, que foi mote de tudo o que se realizou naquele ano – da promoção/divulgação, à iconografia utilizada, até às atividades promovidas – é novamente recordado com o destaque que merece. É que Saramago faz agora parte desse céu estrelado que nos convidava a olhar…

A

lição de vida que José Saramago nos legou é extremamente inspiradora. Através de registos autobiográficos podemos constatar o quão humilde e difícil foi a sua infância e a sua adolescência; através dos seus textos, podemos verificar que foram essas mesmas dificuldades que se transformaram numa obra literária notável e reconhecida em 1998 com o Prémio Nobel da Literatura. Efetivamente, a primeira condição para o sucesso decorreu da vida humilde que teve na casa dos seus avós maternos, na Azinhaga, entre o rio e os olivais, entre as matas e uma alverca, com a consciência das suas limitações e o carácter contemplativo de um adolescente.

Mais tarde, já como aprendiz de serralheiro mecânico, a persistência e o forte propósito de se superar conferiram-lhe os alicerces para o seu sucesso, não acreditando em milagres, mas apenas no próprio trabalho responsável e autónomo. Em suma, Saramago constitui o exemplo paradigmático de que a nossa condição inicial não tem de limitar, necessariamente, as nossas aspirações e o reconhecimento do nosso trabalho.

Maria Matos, 11º A

21 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

De rapazinho da Azinhaga a Prémio Nobel da Literatura.


José Saramago - XX anos com o Prémio Nobel

F

oi a 10 de dezembro de 1998, aos 76 anos, que José Saramago recebeu em Estocolmo o Prémio Nobel da Literatura, tornando-se no único escritor de língua portuguesa a quem, até agora, foi concedido o mais prestigiado de todos os galardões literários. A Academia Sueca reconheceu em José Saramago, a “capacidade de tornar compreensível uma realidade fugidia com parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia”. Multiplicaram-se as iniciativas para assinalar os vinte anos

Em qualquer um dos textos que analisamos, é possível observar a ancestralidade de sonhos e de desejos antigos como a própria Humanidade. São vivências que, em alguns casos, deixaram já de o ser, porque foram concretizados pelas ambições humanas.(…)

22 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

O autor transcende para uma infância onde criança e adolescente, contempla um Universo simples e fraterno, livre e altruísta, dividido em quatro partes –“ (…)o rio, (…), os olivais (…), a densa mata de tramagueiras, faias, freixos e choupos (…) e o Paul do Boquilobo (…)”. É nesse Universo de uma fértil imaginação que ascende a façanhas de um rapazinho de tenra idade, cuja inocência, se traduz num processo de aprendizagem que acaba e começa no próprio ser humano. Nestes textos, Saramago relata o poder humano de ultrapassar diversas dificuldades, obstáculos e proezas próprias da idade. A jovem criança e adolescente pode e consegue mais que aquilo que crê. Evolui e consegue seguir em frente, apoiando-se nos conhecimentos e experiências vivenciadas anteriormente. (…) Helena Amorim Bruno, 11ºA

deste importante prémio, e, mais uma vez, não quereríamos ficar indiferentes a esta efeméride. Por esse motivo, além do destaque dado à obra e pensamento de Saramago, propusemos aos alunos do Secundário que comentassem alguns excertos do livro autobiográfico “As pequenas memórias”. Aqui ficam algumas passagens das reflexões que nos fizeram chegar através dos respetivos professores de Português.

(…) Em suma, considero que Saramago, apesar de ter crescido no seio de uma família com pouca cultura e de ter tido uma infância dura e humilde, conseguiu encontrar a felicidade em pequenos gestos e momentos do dia-a-dia – dos quais se recorda, nesta autobiografia, com saudade e melancolia –, o que enriqueceu indubitavelmente a sua alma. Do mesmo modo, revelou, desde cedo, uma personalidade evidentemente persistente e verdadeiramente única, assim como desenvolveu uma sensibilidade literária que se traduziu na sua chegada ao estrelato, ao ser galardoado, entre outros, com o Prémio Nobel da Literatura. Hugo Cruz, 12ºC

A persistência é uma característica dos seres humanos, movida pela motivação e a luta pelos sonhos e desejos, que constitui a chave para o sucesso. José Saramago, escritor português com inúmeros prémios, até mesmo o Nobel da Literatura em 1998, faz parte do conjunto dos lutadores, dos persistentes. De facto, Saramago é uma prova de que, através da persistência e da determinação, se conseguem alcançar os nossos objetivos. Numa entrevista, falando sobre o destino, o escritor diz que “É preciso que cada um de nós ponha a sua própria pedra”. Saramago não acredita no destino, mas sim nas decisões tomadas por cada um de nós, que abrem ou fecham portas. Efetivamente, José Saramago teve algumas dificuldades económicas que, por exemplo, o impediram de continuar os estudos e o levaram a procurar trabalho ainda jovem. No entanto, o escritor não se “deixou abater” por este obstáculo e começou a escrever, inicialmente apenas como uma espécie de passatempo mas, com o passar dos anos, tornou a literatura a sua forma de vida. Saramago tornou-se, de forma meritória, famoso e internacionalmente reconhecido tendo partido com pouco. José Saramago, com efeito, lutou sempre pelos seus sonhos, nunca deixando de colocar as “suas próprias pedras” e construir o seu caminho. Mariana, 11ºA


Hoje li um fragmento do “Livro do Desassossego” Desafios nas aulas de Português

H oje li um fragmento do “Livro do Desassossego”

e apercebi-me que todas as ilusões que me passam pelo pensamento se traduzem apenas numa minuciosa habilidade de pensar. As inquietas e infantis aspirações que a tenra idade me dera estavam cada vez mais a desvanecer-se na minha cabeça. Todas as esperanças florescidas nos meus juvenis anos ao longo do tempo deixavam de fazer sentido. Sinto saudade do que não sou. A habilidade de pensar tirou a máscara e corrompeu a pureza do sentimento. Sou um elefante sujo a passear através dum campo repleto de beleza e humildade. O pecado em mim existente contrasta com o paraíso envolvente. Vivo tudo e não sinto nada. Por ser esta a minha essência. Esta maliciosa maldição que obriga a pensar. Outrora não teria sido assim, teria sido mais feliz. Sentia as coisas no seu esplendor. Agora sinto-me algemado a um ciclo de pensamento que deseja a irracionalidade. É no sonho que encontro o meu refúgio desta realidade que me persegue e me atormenta. O sonho concede a paz que a mente bloqueia. Consegue reaver memórias e emoções que alimentam a vontade de sentir. A racionalidade libertou-me dessa ideia divina que é não pensar, roubando-me o prazer de sentir. Pensei, pensei até que nada deixei de sentir. Alice Pimenta e Gonçalo Silva , 12ºG

de Bernardo Soares e será que é possível distinguir entre sonho e realidade? Será o nosso sonho uma realidade ou a nossa realidade apenas um sonho? O sonho é uma realidade idealizada onde os nossos profundos desejos ganham vida num mundo inconsistente e irreal que nós próprios criamos, onde as nossas vontades se realizam, onde caímos nas nossas próprias tentações, onde o que desejamos se torna verdade. É mais forte e mais sedutor do que a própria realidade. Dizia Bernardo Soares que “As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para a rua do meu sonho, esqueço a vista no seu movimento”. Isto é apenas sonhar acordado? Será que ao sonharmos acordados estamos a tentar fugir a uma realidade não pretendida? O mal da vida é a doença de ser consciente, uma doença que se infiltra como um vírus invisível que nos incomoda fisicamente mas nas ideias. A doença de viver a realidade, de agir e de perceber que existe mundo, que existe gente, alguém, também real na vida. Será, contudo, tão desajustado, tão incómodo, tão canceroso, viver no real? A resposta só pode ser estar na janela aberta do Soares, não para o meu sonho, não para o nosso sonho, mas para a solidez vibrante de um dia de sol, quando está sol, ou para o cinzento gélido de um dia de chuva, quando está chuva. Leandra Amaro, Isabel Francisca e Verónica Melo, 12ºH

23 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

H oje li um fragmento do “Livro do Desassossego”


Direitos Humanos

24 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

12ยบ G

Trabalhos realizados pelos alunos para a disciplina de Histรณria


F i l m e I filme I Fi l m e O Estranho mundo de Jack

O

filme “O estranho mundo de Jack” ou “The nightmare before Christmas”, produzido pela Disney, é uma adaptação de um poema de Tim Burton. Trata-se de um clássico de 1993 que é adorado por muitos, pois é um filme para todas as idades. O filme relata a história de Jack, rei das abóboras, que vive na cidade do Halloween, onde toda a gente é assustadora. Jack fica cansado de estar sempre a celebrar a mesma coisa, por isso decide fugir. No caminho, encontra várias portas que dão acesso a outras celebrações importantes, como a Páscoa e o dia de Ação de Graças, mas o seu interesse é na porta do Natal. Depois de entrar nessa porta, Jack descobre um mundo novo de felicidade e de amor. Como quer fazer parte disso, decide que, juntamente com os seus amigos, irá fazer o papel de Pai Natal. A partir desse momento, irá nascer o Natal mais aterrador para as crianças de todo o mundo. O filme tem uma animação stop-motion, que é fluída e incrível. Apresenta personagens únicas, tendo o lado assustador característico de Tim Burton e o lado humano e mais sentimental que lhes dá vida. As músicas são viciantes e bem compostas, com melodias e vozes diferentes, para acentuar o lado cómico; porém, algumas músicas também são sérias e calmas. A história é interessante, pois alia à comédia e animação para crianças aspetos mais sombrios e tristes da vida, de que são exemplo o facto de Jack ficar deprimido por causa da sua vida monótona e a evidência de como há a dificuldade para os outros em perceberem o significado real do Natal. Deixa, por conseguinte, um convite à reflexão, sendo, em simultâneo, uma boa forma de entretenimento.

25 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

Francisca Paixão , 12ºI

Rita Amorim Lopes, 9ºC


L i v r o s I livros I L i v r o s O Deus das Moscas William Golding.

A

história começa com um grupo de jovens a ficarem presos numa ilha deserta, sem adultos. Os rapazes começam por ser muito organizados e calmos; porém, como jovens e irrefletidos que são, acabam por ignorar as suas responsabilidades, querendo apenas divertir-se. Com o passar o tempo, o medo deles das trevas e de monstros foi crescendo, quase os obrigando a tornar-se “selvagens”. Através desta situação, o autor pretende demonstrar que, em circunstâncias de luta pela sobrevivência, de medo e de elevado nível de stress, a humanidade pode facilmente regredir para a sua condição animal, ou seja, para uma condição agressiva e não civilizada. Contudo, existem algumas personagens que representam a sociedade e a inocência, que tentam manter a sanidade de todos. Infelizmente, como estão em minoria, falham e alguns acabam por ser perseguidos pelos “selvagens”. Isto representa o fim da pureza e da ingenuidade dos rapazes. “O Deus das Moscas” é um livro excelente, pois retrata a fragilidade da humanidade de uma forma brutal mas, ao mesmo tempo, emotiva. Joana Cabral, 9ºE

O Príncipe e o Pobre Mark Twain.

26 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

O

livro “O Príncipe e o Pobre” é uma obra da autoria de um dos maiores romancistas de todos os tempos, Mark Twain. Este livro conta-nos a história de dois meninos que nasceram no mesmo dia. Um deles chamava -se Tom e nascera no seio de uma família pobre que não tinha maneira de o sustentar. A outra criança chamava-se Eduardo, e tinha tido mais sorte, pois, depois de nascer , fora declarado príncipe de Gales. É um bom livro, pois, logo nas primeiras páginas, o autor consegue fazer com que a nossa curiosidade em relação ao que vem a seguir aumente e nos faça querer continuar a ler. Ao ler o livro, vamo-nos apercebendo da mensagem que o autor nos pretende transmitir em relação àquela época. Por exemplo, mostra-nos como Tom, quando chegava a casa, era espancado pelo pai por não levar dinheiro suficiente. O autor fala-nos também de Eduardo, que sempre teve tudo para ser feliz, mas apenas o foi quando reparou em Tom e nas suas parecenças consigo e quando “trocou” de vida com ele. Sem dúvida um livro cuja leitura recomendo. José Pedro, 9º E


Desporto escolar está em ação! O

s grupos equipa do Desporto Escolar têm os seus treinos semanais com uma oferta variada, desde Xadrez, Ténis de Mesa e Escalada, para todos os interessados, de todas as idades e independente do género ao Basquetebol masculino e ao Voleibol feminino. Os encontros interescolas começam brevemente! Para além dos Grupos Equipa já realizamos o Corta Mato escolar, com a participação de alunos das 5 escolas do agrupamento. Conseguimos, com o esforço típico de uma prova de resistência, fugir à chuva… A Junta de Freguesia do Bonfim apoiou o Agrupamento, disponibilizando lanches para os participantes e apoiantes. Os seis primeiros classificados terão agora um novo desafio, no dia 1 de fevereiro, na fase Regional! No dia 28 de setembro comemoramos o Dia Europeu do Desporto Escolar, desafiando os alunos a serem ativos! E no dia 22 de outubro realizamos um torneio de futebol e proporcionamos uma experiência diferente: Parkour! Ainda este período, no dia 13 de dezembro, temos prevista a primeira etapa da taça do Desporto Escolar, com o torneio de Basquetebol para os alunos do 7º ano. No segundo período, temos uma agenda bem preenchida, desde o Mega Sprinter a caminhadas e mais torneios. Tiago Alves Pedro, 12º I

Participem e façam o favor de ser ativos! Rita Pacheco, profª coordenadora do Desporto Escolar

Cartazes de divulgação do Corta-mato de 2018 realiza-

João Azevedo, 12º I

dos pelos alunos na disciplina de Oficina de Artes

O Corta-mato em números  

304 alunos: 95 raparigas e 209 rapazes 64 alunos do 1º ciclo (EB da Fontinha, Florinhas e Fernão Magalhães)

28 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

   

81 alunos do 2º ciclo (EBAG) 117 alunos do 3º ciclo (EBAG + ESAS) 42 alunos do secundário (ESAS) 101 alunos a organizar (9ºD; 10ºL; 11ºJ;12ºJ e 12º C)

 

2 utentes Participação da Associação Ann Sulivan 2 Núcleos de Estágio envolvidos (Ed. Física – ESAS e Biologia – EBAG)


Desporto escolar está em ação! Decidimos entrevistar alguns alunos do 9ºD da ESAS, turma que colaborou na realização do VI corta-mato.

Inês Gandarela, o que achou do corta-mato deste ano?

Ana Carolina acha que foi uma boa experiência deixar os alunos colaborarem?

Eu penso que este corta-mato, talvez porque participámos na organização, foi o corta-mato que mais me interessou, apesar de todos os contratempos, como a chuva, por exemplo.

Na minha opinião, foi uma boa ideia, pois ajudou-nos a participar de uma forma mais prática e fez com que ganhássemos sentido de responsabilidade.

Fale-nos um pouco da sua experiência? A meu ver, foi uma experiência muito educativa, porque nos tornou mais responsáveis. No que me diz respeito, cumpri a minha tarefa que era levar os atletas lesionados à ambulância. André Figueiredo, qual a sua experiência? Gostou do que fez? A minha função foi vigiar se as únicas pessoas que saiam pelo portão eram atletas e ajudar, caso houvesse algum incidente.

Sara Rodrigues, acha importante a realização do corta-mato todos os anos? Sim, porque é uma maneira de incentivar os alunos a praticar exercício físico. Na realidade, atividades como esta são essenciais para que os alunos percebam a importância de um estilo de vida saudável. Emma Varone, 9ºD ESAS, 9 de novembro (8:30 às 12:00)

49 apurados para representar o Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa no Corta-mato distrital a 1 de fevereiro de 2019

29 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

Participem e façam o favor de ser ativos!


índice

Trabalhos realizados na disciplina de Desenho

Dia do Diploma

2

A melhor aluna Entrevista

5

Jornalistas no Palácio de Belém

8

Dia da Filosofia

10

Programa Lugar da Ciência

12

Ciência . Oceanos

13

És capaz? Resíduos

14

Arte no museu

15

Speed dating

16

Opinião

17

Prémio Nacional do Conto

18

Conto de Natal

20

Saramago

21

Direitos Humanos

24

Filme

25

Bolo da canela

25

Livros

26

Clubes

27

Desporto

28

Desenhos

31

31 l Jornalesas l dezembro 2018 l L I I

Tiago Pedro nº10


Editorial

N

o mês em que se comemoram os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem da O.N.U., “um farol global iluminando a dignidade, a igualdade e o bem-estar e trazendo a esperança a lugares obscuros”, nas palavras do Secretário –Geral da O.N.U, António Guterres, a 10 de dezembro de 2018, pareceu-nos pertinente fazer uma breve (e superficial) reflexão sobre o mundo pós - Declaração. Nascida num mundo pós os horrores do nazismo e de duas Guerras Mundiais, a Declaração Universal dos Direitos do Homem da O.N.U tem como objetivo assegurar os direitos fundamentais a todos os seres humanos, independente da nacionalidade cor, sexo, religião ou opinião. O primeiro artigo do documento elaborado, em 1948, por 50 países, afirma: "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos". Mesmo com todos os esforços a nível de Estados, de organizações que por esse mundo proliferam ou individuais, o discurso “ I have a dream “, proferido por Martin Luther King, em 1963, ainda caracteriza a atual conjuntura, as circunstâncias e os acontecimentos, agora não só com os negros, mas com pessoas em todo o mundo. Apesar dos esforços concentrados para abranger a todos, cuidar para que os direitos humanos sejam respeitados universalmente, existem ainda muitos obstáculos à sua concretização, como por exemplo as questões culturais. Já em 48, a possibilidade de qualquer pessoa ter a liberdade de mudar de religião – expressa na Declaração Universal dos Direitos Humanos – foi o motivo que levou a Arábia Saudita, a África do Sul e os países do Bloco de Leste a abster-se na votação. Os direitos previstos na Declaração são ainda, e provavelmente continuarão a sê-lo por muito tempo, utópicos. Bastar-nos-ia passar os olhos pelo jornal de hoje, de ontem ou de há um ano atrás para percebermos isso. O agravamento dos conflitos e das ações de grupos radicais no Médio Oriente e em algumas zonas de África, assim como das situações de pobreza, miséria, desemprego, sem abrigo e fome no Mundo constitui uma verdadeira prova da violação sistemática de todos os trinta artigos da Declaração. Embora essa realidade seja mais gravosa nos países menos desenvolvidos, nenhum país, mesmo as democracias ocidentais, está livre desses flagelos. Como afirmava o Papa Francisco, num discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, a 8 de janeiro de 2018, “ Setenta anos depois, faz pena assinalar como muitos direitos fundamentais são violados ainda hoje. E, o primeiro entre eles, o direito à vida, à liberdade e à inviolabilidade de cada pessoa humana. A lesá-los, não são apenas a guerra ou a violência. No nosso tempo, há formas mais subtis: penso antes de mais nada nas crianças inocentes, desprezadas ainda antes de nascer […]. Penso nos idosos, também eles muitas vezes abandonados, sobretudo se estão doentes, porque considerados um peso. Penso nas mulheres, que muitas vezes sofrem violências e prepotências, mesmo no seio das suas famílias. Penso depois em todos aqueles que são vítimas do tráfico de pessoas, que viola a proibição de toda e qualquer forma de escravatura. Quantas pessoas, especialmente em fuga da pobreza e da guerra, acabam objeto de tal tráfico perpetrada por sujeitos sem escrúpulos!” Não será, num mundo globalizado e profundamente marcado pela revolução tecnológica, necessário fazer uma revisão aos trinta artigos que compõem a Declaração (questionam-se alguns)? Ou será que ela continua a ter toda a atualidade “já que as mudanças tecnológicas existem, mas o ser humano não vai ser substituído, vai ser sempre necessário o julgamento humano” (Ana Gomes, membro do Parlamento Europeu, membro, entre outras funções, da Subcomissão dos Direitos do Homem, citada em Público, 10 de dezembro de 2018)? Maria João Cerqueira, profª de História/Equipa Jornalesas

FICHA TÉCNICA Coordenadores: Carmo Rola (profª), Julieta Viegas (profª) e Maria João Cerqueira (profª) Colaboradores adjuntos: Francisca Paixão (12ºI) e Rafael Moras (11ºB) Revisão de textos: Maria João Cerqueira (profª) Capa: montagem feita a partir das fotos tiradas pelo profº António Carvalhal no Dia do Diploma Paginação e Maquetagem: Julieta Viegas (profª) Cartazes l desenhos l fotos Alice Cunha , 12ºI ;António Carvalhal, profº da disciplina de Desenho A; Francisca Paixão, 12ºI ; João Azevedo, 12º I e Tiago Pedro, 12ºI

Equipa redatorial: Alice Pimenta, 12ºG; Ana Mafalda Silva, 12ºG;Anabela Cruz Dias, profª de Português; António Carvalhal, profº da disciplina de Desenho A; Beatriz Hermosa, 7ºB ; Blandina Lopes, coordenadora do grupo disciplinar de Filosofia; Carlos Morais, profº responsável do Lugar da Ciência; Carmo Oliveira, profª Português; Carmo Rola, profª da disciplina de Oficina de Artes; Catarina Aires, 12ºC; Catarina Cachapuz, profª responsável pelo Clube Europeu; Equipa Jornalesas; Fátima Alves, profª de Português; Fátima Candeias, professora de Português; Francisca Paixão, 12ºI; Gonçalo Silva, 12ºG; Isabel Francisca, 12ºH; Joana Cabral, 9ºE; João Múrias, 12ºG; José Miguel Barbosa, 12ºG; José Pedro, 9ºE; Leandra Amaro, 12ºH; Lucinda Motta, profª coordenadora do departamento das Ciências Experimentais; Luísa Florida, 12ºC; Luísa Mascarenhas, profª Biblioteca/CRE; Mafalda Alves, 10ºK; Margarida Melo, 11ºB; Mariana Tavares, 12ºG; Marina Gonçalves, profª de Biologia; Rafael Morais, 11ºB; Rita Amorim Lopes, 9ºC; Rita Pacheco, profª coordenadora do Desporto Escolar; Sara Pereira, 11ºB; Verónica Melo, 12ºH e Zaida Braga, Presidente do Conselho Geral Financiamento: Estrela Branca l Pão quente, pastelaria; Helena Costa l cabeleireiro; Susana Abreu | cabeleireiros, estética e cosmética; UrbanClinic l Estética; TLS transportes; Clínica 24 I dentistas; Brun’s l Pão Quente Neveiros l Gelados artesanais e Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa.

dezembro. 2018 http:// www.issuu.com (pesquisa: jornalesas)

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Os textos para a edição L I I ( 52) do Jornalesas foram redigidos segundo as normas do acordo ortográfico

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JornalESAS dezembro de 2018  

Jornal oficial da Escola Secundária Aurélia de Sousa, Porto

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