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Publicação Trimestral I

DEZEMBRO 2010 I Número XXVIII

Filme| Viagens |Matemática | Florestas | ModaEsas | República | Dia da Filosofia

Ilustração de Bárbara Silva do 12ºH/Desenho


memórias 

Comemorações dos 50 anos Texto de Delfina Rodrigues — Directora da ESAS

“ Encerramos aqui as comemorações. É já tempo de um outro recomeço, nova contagem. Que nada se perca na caminhada.

Foto tirada por Francisca Ferreira — AMA

AURÉLIA - 3 de Julho de 2010

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1958 é o ano da emancipação / afirmação da personalidade da Escola Secundária Aurélia de Sousa. Adquiriu casa própria e aprendeu a viver sozinha. 2008, consequentemente, foi o ano da comemoração dos seus 50 anos. Constrangimentos conhecidos atrasaram, ou prolongaram no tempo, a evocação dessa data que, apesar disso, não quisemos deixar de evocar, em encontro jubilatório. Antevejo que, ao celebrar os 100, algum historiador zeloso exprima estranheza: ―Festejaram os 50, corria já o ano de 2010...‖ Não foi, porém, tempo perdido. Foram 2 anos em que, enquanto se derrubavam paredes e transfiguravam espaços, enquanto os sótãos se esventravam, enquanto os velhos teares, os quadros negros, o giz, os móveis de madeira maciça cediam o lugar a novas tecnologias, novos quadros, alguns interactivos, novas salas, novos materiais; enquanto o bufete, que já foi em vão de escada e em vestiário requalificado, e a velha cantina se

entendiam para vir viver juntos no ―open space‖ em que nos encontramos; enquanto, enfim, outra cor, outro tempo se instalavam, outras palavras emergiam para nomear as coisas, a Fernanda Melo e a Elsa Rocha, com rigor de historiadoras, convocavam testemunhas, perseguiam fontes, precisavam o traço, apuravam o perfil do que foi a Escola Secundária Aurélia de Sousa. Às vezes irrompiam as perguntas:‖Em que ano acabou mesmo o Artes e Ofícios? Que Decreto criou os CSPOPE e os CSPOVA? Quando passou a designar-se Secundária barra 3? .... Foi um tempo em que se reuniram velhas imagens e se captaram novas; se fixaram rostos que fizeram esta escola, esta história; em que se esquadrinhou o seu passado em busca da sua matriz e primeiríssima infância, dispersa e esquiva em registos documentais e patrimoniais, vívida nos relatos objectivos e afectivos de alguns que a testemunharam, que para aqui a trouxeram há 50 anos, a foram guardando na memória com carinho, e no-la legaram para que dela cuidássemos com o mesmo desvelo. Assim o queremos. Fez-se história que será publicada em texto. Para memória futura. Para que o que hoje foi relato oral, com todo o sabor que têm e comunhão que implicam os relatos orais, se ofereça ao futuro para facilitar o trabalho de novos relatores. Aqui estamos, pois, para, simbolicamente, fazer a celebração do tempo, a celebração do espaço, a celebração da memória. E porque, é bom lembrar, Continua na página seguinte

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Dizia Jorge de Sena, que noutro contexto citei para falar da mesma impossibilidade: “Folheai, lembrai, guardai nos papéis velhos, que o resto, o mais, o que afinal é tudo, aqui não está (....)”.

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Fotos de Francisca Ferreira — AMA

as Instituições são as pessoas que as fazem, para celebrar e prestar homenagem a todos quantos nos antecederam e deixaram como herança um nome a preservar, uma escola que soube honrar a sua missão de estabelecimento de ensino público de qualidade, que no seu devir soube responder ao tempo, soube responder aos tempos sem perder o rumo, manteve um esqueleto moral assente em valores deontológicos e éticos, inspirou uma cidadania que se transmite pelo exemplo ou, se quisermos, ajustando a linguagem à modernidade, sempre teve um Projecto Educativo. Estou certa de que só contámos o que conseguimos. Há sempre algo que fica por dizer, porque é da ordem do indizível, do inefável. [Como transmitir, por exemplo, a sensação que em nós provocava, nos inícios dos anos 80, um pouco antes do ―intervalo grande‖, o deslizar das rodas do carrinho de chá da D. Zininha no corredor da Sala dos Professores, o leve tinir das louças, a prometer breves momentos de conforto quase familiar, quase doméstico?] Dizia Jorge de Sena, que noutro contexto citei para falar da mesma impossibilidade: ―Folheai, lembrai, guardai nos papéis velhos, que o resto, o mais, o que afinal é tudo, aqui não está (....)‖. Encerramos aqui as comemorações. É já tempo de um outro recomeço, nova contagem. Que nada se perca na caminhada. 

Jantar Convívio Encerramento das Comemorações dos 50 anos

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A ESAS e o Ranking Texto de Olga Moutinho — Presidente do Conselho Geral

A

o ocupar o quarto lugar no ranking das escolas secundárias não privadas, no ano lectivo findo, a nossa escola honrou inquestionavelmente o ensino público. A obtenção deste posicionamento veio, mais uma vez, validar a oportunidade do nosso projecto educativo, que, tendo como um dos princípios orientadores uma educação exigente, competente e responsável, entende o esforço individual e uma conduta disciplinada como indissociáveis de aprendizagens bem sucedidas. Os resultados alcançados — tanto mais gratificantes quanto é certo que, olhando para os dez anos em que os rankings das escolas secundárias foram divulgados, a ESAS tem sempre dominado nas posições de topo — não teriam, contudo, sido possíveis sem a dedicação e o empenho dos múltiplos agentes que integram a vida escolar. Sem a adesão dos alunos à filosofia da escola e sem a sua determinação de se elevarem intelectualmente. Sem a cooperação das famílias no reforço da autoridade da escola e no fomento da responsabilidade. Sem o trabalho concertado das equipas pedagógicas que coordenam as actividades lectivas no sentido de aperfeiçoar níveis de desempenho. Sem a gestão atenta da Direcção e sem a sua promoção de um ambiente de trabalho escolar favorável a um ensino de qualidade. A comunidade Aurélia de Sousa está, pois, novamente, de PARABÉNS!

Média ESAS 14,23 13,69 13,25

13,12 12,55 12,59

13,03

12,93 12,57

11,85

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Fonte: Ranking das escolas 2001-2010

Fomos a 4ª escola pública do ranking do secundário com 466 exames (1ªfase).

Média

Ordem no Ranking das 601 escolas secundárias

Nº de Provas

Dif. Nota Interna e Exame

Português (639)

13,45

11

155

0,78

Matemática A (635)

13,74

101

79

0,75

Biologia e Geol. (702)

10,59

128

73

4,07

Física e Quím. A (715)

11,26

27

63

2,44

Geografia A (719)

13,42

12

31

0,00

História A (623)

14,07

31

29

-0,66

Mat. Ciên. Soc. (835)

14,23

9

16

-1,48

Economia A (712)

16,12

20

20

-1,42

Todas as 8 Disciplinas

12,93

29

466

1,20

Disciplinas

Escola Sec/3 Aurélia de Sousa—Exames 2010— 1ªfase Ranking das escolas jornal Público—2010 Equipa JornalESAS

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À conversa com Daniel Teles apresentações orais. Prestar atenção ao Inglês é uma boa aposta durante o secundário, pois é fundamental para quando se chega à faculdade. Quando estudavas aqui na escola como conciliavas os estudos com o que mais gostavas de fazer nos teus tempos livres? Os métodos de estudo têm de ser ajustados a cada um. Nunca tive dificuldade em conciliar as coisas, já que estudava quando precisava e saía com os amigos e tocava piano. Fazia, sem dificuldade, a gestão das minhas tarefas. Patrícia entrevista o melhor aluno da ESAS . 2009/2010

Daniel Guimarães Teles nasceu no Porto matriculou-se na ESAS a partir do 8ºano, tendo concluído o 12ºano na Área de Ciências e Tecnologias em 2009/2010 com a média de 19,7 valores. A sua atitude ajudará todos os que como ele valorizam a Escola como espaço privilegiado de aprendizagem.

Entrevistado por Patrícia Costa.11ºG Foto de Pedro Gomes.11ºG

Q

ual foi a sensação de seres considerado o melhor aluno da escola? A sensação foi boa. É sempre bom ser reconhecido publicamente, embora não seja muito dado a este tipo de coisas. Gostaríamos de saber qual é o curso que estás a tirar e se é o que pretendias desde sempre. Estou em Medicina, no Hospital S.João. É verdade que estive muito hesitante entre Engenharia e Medicina e só na semana de candidatura é que decidi. E porquê essa decisão? Medicina oferece possibilidades nos mais diversos campos e por ser uma área abrangente pode dar muitas oportunidades. Por exemplo, eu gostava muito de Biologia, a parte do funcionamento do corpo humano, como também gostava de Física e de Matemática (…). Estou contente com a minha decisão, apesar de ter sido tomada à última hora. Que fazer, habitualmente, nos teus tempos livres? Há bastantes anos que toco piano. É uma actividade extra-curricular bastante diferente do que se faz a nível escolar. Eu gosto de ouvir música e tocar é uma actividade única que eu sempre quis aproveitar. Também fui jogador federado de hóquei em patins. Nestes dois últimos anos, comecei a praticar natação e inscrevi-me em Inglês. Apercebi-me este ano de como é muito importante o domínio do Inglês pois, na faculdade, os livros são todos em Inglês e temos de fazer

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Recorreste a algum tipo de apoio escolar? Não. Tinha dúvidas mas, em casa, como tinha os meus pais e o meu irmão mais velho, eles ajudavam-me. Os meus apoios foram os meus próprios professores que estiveram sempre disponíveis. Na tua opinião, o que é importante para se ser um bom aluno? Eu estava com muita atenção às aulas por serem muito importantes, aliás, mais do que o próprio estudo em casa. Um bom aluno tem de conseguir estar atento à matéria porque tira tempo de estudo em casa e pode fazer outras coisas. Eu gosto muito de focar esta questão das aulas, pois isso é um dos aspectos essenciais para se ser um bom aluno; mais de 50% do sucesso escolar passa pelo trabalho que se realiza na sala de aula. O aluno tem de ter uma atitude pró-activa nas aulas. Deve ter um método de estudo equilibrado sem deixar de se divertir porque também faz parte… Tens alguma recordação da ESAS que não te importes de partilhar connosco? Foi numa aula de Matemática, no antigo anfiteatro. Houve um colega que me apertou os cordões à cadeira da frente. A professora chamou-me para ir ao quadro e eu, como tinha um pé preso com um nó muito apertado, não conseguia tirá-lo e então tive de decidir o que fazer. Havia a hipótese de cortar os cordões ou ir descalço. Decidi cortar os cordões e a partir daí tinha uma sapatilha com os cordões mais pequenos que os da outra. Esta entrevista poderá ser visionada na íntegra na página do Facebook do JornalESAS

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NO ANO DA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO Mª Luísa Mascarenhas Saraiva — Profª responsável pela Biblioteca

R

ecentemente desaparecido, José Saramago foi o único escritor português galardoado com um prémio Nobel e, pelo prestígio e afirmação crescentes da sua obra, desde há anos que faz parte dos programas de Português do Secundário sendo obrigatório o estudo de ―Memorial do Convento‖, provavelmente a sua obra mais emblemática. Escritor e activista, humanista por vocação e atitude, a singularidade da sua obra não só espelha a sua visão do mundo e dos homens como projecta, ao mais alto nível, a língua portuguesa. Em 1997, ano anterior ao da atribuição do Prémio Nobel e em que comemorou 50 anos de actividade literária, a Biblioteca da ESAS assinalou a efeméride aproveitando as actividades de incentivo à leitura integradas na sua Feira do Livro anual. Escrevi a José Saramago pedindo um texto alusivo, que servisse de motivação à leitura, explicando o que desejava fazer e o espaço que lhe iria dedicar. Prontamente e com a antecedência desejada, Saramago respondeume. Esse texto, que foi mote de tudo o que se realizou naquele ano – da promoção/divulgação, à iconografia utilizada, até às actividades promovidas – é novamente recordado com o destaque que merece. É que Saramago faz agora parte desse céu estrelado que nos convidava a olhar…

“ A razão por que se abre um livro para ler é a mesma por que se olham as estrelas: querer compreender. Mas não há nenhuma lei que obrigue as pessoas a levantar os olhos para o espaço ou a baixá-los para esse outro universo que é uma página escrita. Não há gosto sem curiosidade nem curiosidade sem gosto. Ler é uma necessidade que nasce da curiosidade e do gosto. Se não tens gosto nem curiosidade, deixa os livros em paz, porque não

os mereces. Sempre haverá alguém para abrir comovido um livro, para querer saber o que está por trás das aparências. Cada livro é uma viagem para o outro lado.” José Saramago (Maio de 1997)

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Exposição Biobibliográfica - de 27 de Outubro a 20 de Novembro: livros e fotografias edições especiais de publicações periódicas reprodução de capas de edições estrangeiras da obra e do autor (internacionalização) obras sobre o autor (colaboração das Bibliotecas Públicas Municipais) dossiers de recortes de imprensa apresentação biográfica em power point VENDA de livros do autor (colaboração da Editorial Caminho)



OUTUBRO

     

Apresentação dos filmes: ―Ensaio sobre a Cegueira‖ (Secundário) ―A Maior Flor do Mundo‖

 

Dia 16, às 12h – Data do aniversário de J. Saramago: Conferência pela Dra. Fátima Matos – turmas do 12º ano



Dia 24, às 17h.15m - Encontro de Leitores (3º ciclo) “O Conto da Ilha Desconhecida” Professores moderadores: Dra. Ana Amaro e Dra. Fátima Alves



Dia 29, às 12h - Debate – LER OU NÃO LER SARAMAGO?



NOVEMBRO

CONVIDADOS: A favor: Olga Moutinho (Prof.) Blandina Lopes (Prof.) Mariana Dias (antiga aluna)

Contra: Josefina Silva (Prof.) Maria João Cerqueira (Prof.) Filipa Nunes (12º ano)

Intervenção do público Semanalmente: 

Frases e citações - em marcadores de livros, colocadas nos tabuleiros da cantina…

Nota: Estará disponível para venda um livrinho, em formato A6, com as frases e citações extraídas das várias obras de Saramago. 



JANEIRO







Aulas de Substituição e visitas orientadas contam com o apoio de uma ficha/ roteiro, disponível na Biblioteca

Dramatização de “O Conto da Ilha Desconhecida” pelo Grupo de Arte Dramática, orientado pelo professor José Fernando Ribeiro. Dia 12, 17h 15m Encontro de Leitores (3º ciclo) sobre ―As Intermitências da Morte‖ Professores moderadores: Dra. Ana Amaro e Dra. Fátima Alves. Dia 26, 17h Conferência “José Saramago : abordagem pedagógica” pela Prof. Doutora Fátima Marinho Todo o ano: Partilha de leituras pelos alunos da obra do autor e realização de portfolios - aulas de Português.

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LIVROS  LIVROS  LIVROS  LIVROS  Página 8

“Perigo Vegetal” de Ramón Caride Por Helder do 9ºD

A narrativa intitula-se Perigo Vegetal e é da autoria de Ramón Caride. Nesta, Sheila e Said, dois jovens do futuro, escrevem uma mensagem para o nosso tempo, em que contam uma aventura que tiveram e que descrevem como sendo ―fabulosa‖. Ao longo da intriga, uma companhia transnacional, a C.U.B., tenta apoderar-se de todas as sementes de cereais existentes no mundo, como parte de um plano para dominar toda a agricultura do planeta. Ocorrem várias peripécias, que são contadas intercaladamente pelos dois narradores, e que integram sempre alguma diversão que nos remete para a juventude de Sheila e Said. O facto de a acção decorrer no futuro torna mais fascinante a leitura. Nesta obra destacam-se duas mensagens bastante importantes. Uma é que não devemos subestimar as crianças (―Menosprezei-vos por serem crianças, mas não há inimigos pequenos.‖); a outra é que muita ambição leva à destruição de qualquer pessoa, levando-a a perder os seus amigos e até mesmo a sua própria liberdade.

“Amor nos tempos de cólera” de Gabriel García Márquez Por Ana Rita e Juliana do 11ºG Márquez narra, através de uma analepse, o amor entre Florentino Ariza e Fermina Daza, quando a doença da cólera se abateu sobre as populações. A obra descreve o início do seu amor, a sua separação e o seu reencontro. O autor situou a história de Fermina e Florentino, num tempo de transição entre o séc. XIX e o séc. XX, um tempo onde aparecem novas tecnologias, mas permanecem velhos costumes: a comunicação por carta e o amor cortês. 

“O navegador solitário” de João Aguiar Por Ana Rita e Juliana do 11ºG

Narra a vida de um jovem rapaz chamado Solitão Fernandes que nasce numa pequena vila, Giestal de Frades, no seio de uma família trabalhadora e simples. Ao longo do romance, no qual Solitão navega no mundo guiado por ensinamentos prudentes e espíritos, o adolescente rapidamente se torna capaz de se misturar com a sociedade corrupta do final do século XX e aprende a singrar no mundo de trabalho e na vida. 

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“O estrangeiro”

“BICHOS”

S

ó quando acabei de ler o livro é que compreendi o título ―Bichos‖ de Miguel Torga. O livro é constituído por 14 pequenas histórias, sendo quase sempre as personagens, animais, mas em quatro delas é o homem. Em ―Madalena‖ a personagem é uma mulher, em ―Jesus‖ uma criança, e em ―Ramiro‖ e ―Senhor Nicolau‖, um homem. Isto significa que, para o autor, todos são apenas ―bichos‖. Ao atribuir aos animais características, comportamentos e sentimentos dos homens, o autor quer dizer-nos que quando estes sofrem com a solidão e a desilusão causada pelos seus donos, também os homens podem ser cruéis com os da sua própria espécie. As histórias são quase todas tristes pois, em algumas, os protagonistas morrem abandonados pelos donos, quando estão velhos e já não são úteis (―Nero‖, ―Tenório‖, ―Morgado‖). Em ―Mago‖, a história conta-nos como um gato troca a sua liberdade pela comida e mimos de uma velhota. Os animais não vivem a sua vida de forma livre, são treinados para servir os seus donos, fazem aquilo que acham que devem fazer mas no fim da vida não têm nenhum carinho nem reconhecimento. O ―Bicho‖ homem não respeita os seus irmãos da natureza. Há apenas uma história, a de ―Jesus‖, em que um menino com o calor do seu beijo faz estalar um ovo de um pássaro. Não destruiu o ninho, ficou feliz e respeitou o animal que ainda nem tinha crescido. Em ―Vicente‖, um corvo revolta-se contra o seu criador (Deus), pois sente que não é livre. Alguém decidiu que ele juntamente com outros animais seriam escolhidos para sobreviver a um dilúvio enquanto que muitos outros animais estavam condenados à morte, por Deus achar que se devia começar um novo mundo. Acho que significa que nós quando criamos e temos um animal de estimação também achamos que temos direito de os usar para nos divertirmos, tirar-lhes a liberdade e quando estão velhos ou já não brincam connosco abandoná-los sem qualquer respeito e gratidão pela sua dedicação e afecto. Como seria a vida do ―Bicho‖ homem se outros bichos se revoltassem como fez ―Vicente‖?

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O

livro ― O Estrangeiro‖, de Albert Camus, é a história de um indivíduo chamado Meursault e cuja acção se passa na Argélia, ex-colónia francesa. É uma história onde, na minha perspectiva, o leitor dificilmente se identifica com o comportamento e a visão de vida do personagem. Mersault tem uma atitude perante a vida e pelos outros de indiferença e apatia. Não tem opinião nem sentimentos típicos de um ser humano socialmente activo. É como uma animal, segue-se pelos instintos básicos e pelos estímulos que a natureza lhe oferece. Ele não procura nada, as circunstâncias constroem a sua personalidade. Tudo isto é-nos revelado logo no início com a morte da mãe, depois com o aparecimento da sua namorada e as relações que vai tendo ao longo do livro. O enterro da mãe não significa nada para ele. Só o calor é que o incomoda e é-lhe igual estar ou não com a namorada pois ela é só uma necessidade física. Também não procura amizades, elas aparecem e são-lhe impostas. Tanto lhe faz estar só como acompanhado, tudo o que se passa à sua volta é-lhe indiferente. É egoísta no sentido que o que importa é o bem-estar dele, mas sem desejos e ambições de melhorar. O desfecho é surpreendente mas revoltante, pois no momento que se pensa que este sujeito vai ter alguma emoção, algum arrependimento, ou qualquer sentimento humano isso não acontece. Parece um mero espectador da sua vida sem vontade nenhuma e indiferente a tudo e a todos. Não posso dizer que gostei do livro, mas opto por falar de sentimentos que esta história me provocou. Indignação, irritação e revolta sobre como um indivíduo pode revelar tanta estupidez e pouca vontade de viver. Não importava que ele fosse bom ou mau de carácter mas sim que, ao menos, demonstrasse algo que nos permitisse ver um ser humano. O estrangeiro nesta história é o personagem na medida em que ele está completamente à parte da sociedade em que vive.

LIVROS  LIVROS  LIVROS  LIVROS 

de Albert Camus Texto de Tiago Afonso Macedo do 8ºA

Texto de Diogo Rodrigues do 8ºA

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O prazer da escrita O PRAZER DA ESCRITA O prazer da escrita  Página 10

A viagem como forma de enriquecimento exterior e interior Texto Filipa Nunes, nº9 do 12ºD

V

Ilustração de Bárbara Silva do 12ºH/Desenho

iajar implica necessariamente mudança, tanto a nível espacial, como a nível temporal ou pessoal. Uma viagem começa no momento em que entramos num novo mundo que não dominamos à partida. Independentemente da maneira como nos é proposta, é das formas que encontramos no nosso quotidiano que melhor nos consegue alienar de estereótipos, preconceitos e molduras da sociedade; abre-nos os horizontes sendo um óptimo caminho para o enriquecimento pessoal: cultura, personalidade, relações interpessoais e

afins. Pode ser iniciada com a leitura, a descoberta de novos estilos ou, como mais vulgarmente é reconhecida, através da deslocação para outro país/região. Limitarmo-nos à percepção comum de viagem soará até a ingenuidade. A realidade é que uma deslocação mental pode ser tão ou mais sensorialmente vasta e importante do que uma deslocação espacial. Como prova disso temos os sonhos (surrealismo), os filmes, os livros, as fotografias, as conversas, a música, a gastronomia… Isto é, tudo o que estimula os nossos sentidos mostrando-lhes dimensões desconhecidas, por explorar, tem o mérito de ser interpretado como uma viagem, uma vez que expande a nossa imaginação e nos molda, mais ou menos intensamente. Contudo, a descoberta de novos países e culturas in loco não perde protagonismo. Torna - - se até difícil assimilar tanta informação aquando de uma situação do género. É maravilhoso provar novos sabores, falar com pessoas diferentes, visitar novos sítios, apaixonarmo-nos por origens, cheiros e texturas, longe de casa. No fundo, tudo se resume a recolher frutos de experiências que nos fazem ver ―quanto mais sabemos, mais percebemos que nada sabemos‖. Somos seres de constante revolução intelectual tendo ou não oportunidade de o fazer tradicionalmente. Temos o dever de nos esforçar para embarcar em pequenas viagens, desenvolvendo ao máximo mentalidades e conhecimentos.

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CRÓNICA

XANAX E FUTEBOL Texto de Tiago Peixoto do 8ºB

H

á alguns dias atrás, mais precisamente no domingo, estava eu com o meu avô

sentado nas bancadas do Estádio do Dragão. Era dia de Porto-Benfica. No meio do delírio dos adeptos, chamou-me à

Que horas são?

atenção um pequeno garoto que olhava boquia-

Texto de Tiago Afonso Macedo do 8ºA

A

berto para o homem a seu lado e que seria, provavelmente, o seu pai. O homem, de pé,

pergunta mais frequente do dia para um estudante. O aluno anseia o final

de aula esperando que isso torne mais rápido o passar dos minutos. Frustração constante só finalizada com o toque da campainha. O cúmulo da frustração é quando os professores retêm os alunos na sala de aula mais tempo que o devido, restando a estes um mísero intervalo. Há tanto para fazer nos intervalos …como tirar as senhas e ter que ficar plantado numa fila enorme, ir para a cantina e esperar indefinidamente para almoçar, jogar à bola, trocar impressões com os colegas, enfim, descansar o músculo cerebral das

bracejava e gritava em plenos pulmões, agitando um cachecol do Porto. O olhar de surpresa daquele miúdo mostrava que nunca vira o pai em semelhante euforia. Observei de novo a multidão que me rodeava. Aqueles homens e mulheres seriam, durante a semana, responsáveis médicos, sérios advogados, exigentes professores, antipáticos empregados de balcão… Mas ao domingo, durante 90

O PRAZER DA ESCRITA 

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minutos, esqueciam os seus problemas e eram apenas adeptos de futebol. Para quê gastar tempo e dinheiro em consultas no psiquiatra para tratar de depressões? Fora o Xanax! Viva o futebol!

pressões escolares.Que horas são? Também serve para quebrar a monotonia por vezes instalada na sala de aula. Ou talvez para sorrateiramente espreitar o telemóvel e ver as mensagens. O cansaço instala-se muito antes quanto tempo demora 90 minutos a avançar numa cabeça que trabalha à velocidade da luz! Chega de 90 minutos! Vivam as aulas de 45 minutos! O meu cérebro é como uma bateria ecológica de energia renovável. É necessário descansar para recarregar. Mais energia mais rendimento, menos minutos de aula mais cérebro estimulado. Mas afinal, que horas são?

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Ilustração de Mariana Franco do 12ºH/Desenho

dos minutos avançarem. Então imaginem

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Reportagem de Pedro Gomes (11ºG) Fotografia de Diana Castro (11ºG), Patrícia Costa (11ºG), Pedro Gomes(11ºG) e Vanessa d‘Orey (11ºF)

A

ssim foi o grito que marcou a proclamação da República no dia 5 de Outubro de 1910. Também as vozes dos alunos da Escola Secundária Aurélia de Sousa se fizeram ouvir, no dia 4 de Outubro de 2010, numa recriação daquele que foi um dos mais importantes marcos da História de Portugal. 12.55h: A azáfama nos bastidores da peça de teatro já se fazia sentir. Entre trocas de vestidos por parte das alunas e chapéus por parte dos rapazes, a motivação para entrar em cena era enorme.

1.º Centenário da Implantação da República

TEATRO

“VIVA A REPÚBLICA!”

13.10h: Ainda a 20 minutos do início da peça, o nervosismo já se começava a sentir. Entre gargalhadas e cantorias os alunos distraiam-se, de forma, também, a acalmarem-se para aquela que seria uma grande prova de expressão dramática. 13.20h: Já concentrados na sala dos professores, os actores e actrizes da nossa escola começavam a assumir as personagens que viriam representar, lendo as falas mais algumas vezes e pedindo conselhos aos professores.

Paços do Concelho. 13.30h: Depois do toque de saída dos alunos e de se juntar o ―público‖ no portão da escola é iniciada a peça de teatro. As personagens, chamando a atenção, criavam um olhar atento e interessado em toda a comunidade escolar. Desde as revoltas populares, ao armamento dos militares fiéis ao governo, passando pela tão esperada proclamação da República, tudo foi ensinado, de uma forma lúdica, aos alunos, funcionários e professores da nossa escola. 13.40h: Depois do hastear da bandeira Republicana Portuguesa e do canto do hino ‘A Portuguesa‘, a peça de teatro terminava com sucesso e, de regresso aos bastidores era visível a alegria, tanto em miúdos como em graúdos. Com a linguagem e as vestes do povo português do início do século XX, uma pequena parte do grande trabalho estava concluída. Apenas com a dedicação de talentosos alunos e o empenho de esmerados professores, a representação fidedigna da implementação da república foi possível. 

TEATRO

13.25h: As últimas indicações dos professores/ encenadores são dadas. Os alunos vão descendo as escadas para o átrio da escola ou entrando para a varanda da nossa escola, numa recriação da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, nos

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Nos bastidores da Expressão Dramática (disciplina opcional para o 3.º ciclo, desde 2005/2006)

TEATRO 

9.º B ─ Três anos Um longo percurso

I

niciámos, em 2008, o nosso percurso. Fizemos exercícios de respiração, (des)travalínguas, criámos personagens através de um objecto, desenvolvemos exercícios de projecção de voz (como a máquina polifónica), e jogos de movimento e concentração (espelho, p.ex.). «Aprender a conhecer o nosso corpo, a forma como nos movemos, a nossa voz, como respirar, para no fim sermos capazes de criar trabalhos de representação» é bem a ideia do que é fazer teatro, como diz a Rita Magalhães, uma das alunas da turma. No 8.º ano, experimentámos a improvisação e a representação em pequenos grupos. Alguns momentos marcaram este ano como «O abrigo anti-aéreo»: um grupo de personagens, em tempo de guerra, tinha de argumentar para ficar no abrigo. Este ano, no 9.º ano, prosseguimos com novos projectos. Bárbara, Jorge, Branquinho, João Mendes e Bitia, 9.ºB

O que é preparar um trabalho de representação?

O

trabalho de representação não se resume a «pegar num texto» e lê-lo. As experiências dos nossos colegas, alunos de três anos nesta disciplina, são a melhor forma de responder à pergunta: «Quando recebo um texto, a primeira coisa que faço é lê-lo para conhecer a história e as personagens.», disse a Bárbara. Logo o Henrique acrescentou: «Começo por perceber as características psicológicas de cada personagem, de forma a poder criar um boneco.». Criar um boneco é, para os alunos de Expressão Dramática, descobrir os movimentos, a voz, a história de uma personagem, para a poder animar. À primeira leitura seguem-se outras, muitas delas frente ao espelho, em que começamos a interpretar e a interiorizar a personagem. «Quando começo a representar uma personagem, tento perceber o estado de espírito dela e reproduzi-la nas minhas expressões e tom de voz.», revelou o Jorge. O João Mendes acrescentou outra informação: «Depois de conhecer a personagem, invento movimentos que acho que ela teria.» Preparar um trabalho de expressão dramática é, assim, muito mais do que pensar nas roupas ou decorar os textos, é aprendermos a fazer parte da personagem. Na disciplina de Expressão Dramática, somos outro(s) dentro e fora de nós mesmos. Rita Magalhães, Catarina, Vasco, Ana Valente, Hugo, Luís, 9.º B

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Estar em palco testemunhos

1.º Centenário 

da Implantação da República Recriação na disciplina de Expressão Dramática 9.º B

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TEATRO

o dia 4 de Outubro de 2010, pelas 13 horas e 30 minutos, da varanda da Sala dos Professores da Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa ―foi proclamada a República‖, relembrando o dia 5 de Outubro de 1910. Estava actividade resultou de uma proposta dos professores de História desta escola ao grupo de Expressão Dramática do 9.º B (que vai no seu 3.º ano de formação) que, de imediato, aceitou o desafio de fazer uma representação para evocar data tão célebre e marcante da história lusa. O guião foi concebido, tendo como fonte Um Auto à República, de Cidália Fernandes, e encenado pelo professor José Fernando Ribeiro. Os professores de História e os seus alunos criaram o programa, marcadores de livros e foram fundamentais na recolha do guarda-roupa. Não faltou sequer a bandeira da monarquia. Finalizado o guião, a encenação concretizou-se em três ensaios. No dia da representação, o público foi surpreendido pelos actores que, da varanda da Sala dos Professores e no espaço exterior de acesso à entrada principal da Escola, deram corpo e voz a esta data. O balanço da actividade foi muito positivo e os elogios recebidos da comunidade escolar são do facto prova evidente. Prometemos não ficar por aqui. Beatriz Carvalho, Bitia Rosa e Joana Santos, 9.ºB

Improvisação

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urante o percurso de preparação do teatro, houve sempre lugar para a improvisação: na leitura dos guiões, na representação, na criação do guarda-roupa e até na própria noite de teatro, quando os nervos apertam e até nos esquecemos do próprio nome. A improvisação decorre dos nervos, sempre que não conseguimos raciocinar e temos de dizer/fazer algo. Acontece, desde inventar uma fala até fazer um mortal. João Camelo, 9.ºB

Os nervos

O

s nervos atacam-nos nos momentos em que preparamos a entrada em cena: começam as pontadas na barriga e o medo de falhar ―martela‖ constantemente na nossa cabeça, até que entramos em cena, invadidos pelas luzes. Esquecemos tudo até ao momento em que a primeira fala sai e o texto corre como uma torneiro que se abre e dela corre, livre, a água. Pedro Cardoso, 9.ºB

«

Interactividade entre actores

Ó Malhão, Malhão, que vida é a tua?»: como um ritual, esta canção foi-se infiltrando nos momentos pós-ensaio e teve o seu momento de expressão máxima logo após a representação comemorativa do Centenário da República quando nós, os actores, já baralhados pela actuação, no regresso aos bastidores, não resistimos a celebrar. Alguém se zangou? Não. Alguém foi incomodado? Também não. O riso foi a descompressão necessária que se impunha após duas semanas de estudo quase intensivo de uma peça. Em Expressão Dramática, é descabido pedir a um aluno/ futuro actor que se mantenha estanque no contacto com os colegas, quer durante o tempo de preparação, quer durante o tempo de pausa. Desta forma, uma conversa lateral, uma pequena piada que venha a propósito ou uma manifestação mais efusiva são parte integrante e fundamental de um trabalho conjunto de estudo no Teatro. Henrique Vasconcelos, 9.ºB

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A Matemática “esse Papão” Por que razão a Matemática se tornou "o Papão" de grande número de estudantes? São naturalmente vários os factores que levam a considerar a disciplina como mal-amada. Como se diz muitas vezes, será que é da disciplina que os alunos não gostam ou será das classificações que conseguem obter que eles realmente não gostam? Sem entrar em considerações sobre questões mais complexas relacionadas com, por exemplo, a organização curricular, diria que uma mudança de atitude de alguns alunos melhoraria certamente o seu desempenho. A Matemática exige trabalho, esforço, persistência, um pouco o contrário do que observamos em muitos dos nossos alunos, que não têm hábitos de trabalho nem espírito de sacrifício e desistem facilmente quando se confrontam com dificuldades. Satisfazem-se frequentemente com pouco, com conhecimento superficial, o quanto baste para ter positiva no teste. Privilegiam a nota em vez do saber. Os alunos de hoje não são menos capazes, mas não trabalham convenientemente as capacidades que têm, acomodam-se. Há de alguma forma uma desvalorização do conhecimento e a procura do caminho fácil. Criou-se a ideia de que aprender não deve dar trabalho e tudo tem que ter uma vertente prática e lúdica, quando é importante treinar o raciocínio abstracto. Não quero dizer com isto que não se recorra a materiais de apoio apelativos, sou uma adepta das novas tecnologias, mas quando a sua utilização serve para melhorar o ensino e a aprendizagem. Penso que não devem ser usados sem critério nem tornar-se o objecto principal da aula. São simplesmente um recurso. Depois há conceitos essenciais que não são devidamente apreendidos na altura certa, o treino mental é pouco desenvolvido a as bases mal consolidadas. Mas estes aspectos estão também relacionados com outros problemas a que me referi no início. Felizmente há muitas excepções e a disciplina é ainda acarinhada por muitos dos nossos estudantes. É a favor do uso sistemático das máquinas de calcular nas aulas de Matemática? A calculadora é mais um dos recursos de que dispomos e por isso aplica-se- lhe o que disse atrás sobre a utilização das novas tecnologias. A sua utilização é obrigatória em todos os programas de Matemática do ensino DEZEMBRO 2010 I NÚMERO

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secundário. O problema que por vezes se levanta é a dependência que alguns alunos desenvolvem com a sua utilização, sobretudo quando a usam sem qualquer tipo de análise crítica dos resultados que obtêm. Tem aspectos muito positivos. O trabalho com a calculadora deve levar o aluno a reflectir e a decidir sobre como e quando a deve usar e a identificar o tipo de cálculo que beneficia da sua utilização. Na resolução de problemas, por exemplo, o seu uso agiliza o cálculo e permite que nos centremos mais nas estratégias e processo de resolução e na aplicação dos conceitos. Como se explica que Portugal consiga bons resultados a Matemática em provas internacionais, sendo os portugueses tradicionalmente fracos no desempenho escolar? Essas provas não reflectem o conhecimento médio dos nossos alunos. A verdade é que só conseguem ser apurados para essas provas alunos com desempenho elevado na disciplina. Que análise faz dos resultados dos exames obtidos pela ESAS na disciplina de Matemática (básico/secundário)? Os resultados dos exames foram bons, quer quando comparados com as médias nacionais quer com as classificações internas de frequência relativamente às quais se registam desvios pequenos. Como tornar a Matemática mais apelativa à maioria dos estudantes? Se eu tivesse a resposta … Nós tentamos, diversificando as estratégias de ensino, usando recursos que ajudem à compreensão dos conceitos, nomeadamente as novas tecnologias. Tem de haver um esforço de ambas as partes. Os alunos gostam de recursos interactivos que os ajudem a visualizar e a compreender certos conceitos. O professor necessita de se ambientar com o uso das novas ferramentas que tem ao seu dispor. O aluno tem de perceber que nem sempre as coisas podem ser como ele gosta, tem de fazer um esforço para se concentrar, mesmo quando os recursos são o quadro e a caneta, que continuam a ser fundamentais e indispensáveis. Até porque todos sabemos que por vezes a tecnologia falha, e então qual é a alternativa?

“ A Matemática exige trabalho, esforço, persistência, um pouco o contrário do que observamos em muitos dos nossos alunos, que não têm hábitos de trabalho nem espírito de sacrifício e desistem facilmente quando se confrontam com dificuldades. Professora Mª Céu Pereira entrevistada por Equipa JornalESAS

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Corto Maltese, de Hugo Pratt (1927-1995) Texto de António Carvalhal (professor)

A BD como ficção histórica, social e política, ou a biografia possível do maior aventureiro da BD, o marinheiro que percorre os quatro cantos de um mundo ainda fascinante e repleto de segredos. Homem misterioso e irónico, possuidor de uma enorme maturidade, cultura e sentido humanitário, sempre alinhado com os fracos e desprotegidos mas sem nunca transmitir lições de moral.

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egundo a biografia de Michel Pierre, Corto Maltese nasceu em Malta em 10 de Julho de 1886, ou 1887, filho de uma cigana de Sevilha, belíssima e admirável dançarina de flamenco. A lenda diz que o pintor Ingres esteve perdidamente apaixonado por ela, ao ponto de lhe ter feito um vibrante retrato. O seu pai era um marinheiro britânico, originário da Cornualha, descendente de uma família que tinha por tradição não se alistar na Royal Navy. O pai de Corto, um marinheiro ruivo e de porte poderoso tinha três paixões - o mar, o whisky irlandês e as lendas célticas. Não se sabe ao certo quando morreu. Alguns afirmaram que desapareceu no mar, outros que foi assassinado em Cantão, por membros de uma tríade chinesa e, por fim, houve quem jurasse que terminou os seus dias numa briga sórdida na Austrália. Sabe-se é que frequentou todos os portos do Mediterrâneo em múltiplas escalas tendo, numa dessas, conhecido a bela cigana de Sevilha e seduziu-a com o seu mau espanhol, contando-lhe lendas do seu país cheias de brumas e sons estranhos. Cerca dos 10 anos de idade, Corto e a sua mãe foram viver para Córdova, numa casa com um pátio cheio de flores coberto de azulejos árabes. Era lá que Corto lia, escrevia, aprendia espanhol e hebraico, se iniciava no árabe enquanto se esforçava por não esquecer o inglês do seu pai, sempre ausente no mar. Por essa altura, uma cigana vidente, amiga da sua mãe ao ler a sua mão esquerda constatou que Corto não tinha a linha da sorte marcada. Este, chocado com a descoberta, mal chegou a casa, pegou numa lâmina e de um só golpe traçou a sangue a linha da sorte de uma forma quase perpendicular às linhas do coração e da cabeça. Aos doze anos, Corto partiu para Malta com Ezra Toledano um rabino místico e profundo conhecedor da cabala que

transmitiu os seus segredos ao jovem. Graças a Ezra, muito cedo Corto teve uma visão cósmica do universo numa cultura miscigenada pela poesia e lições das Santas Escrituras das bíblias hebraicas da Renascença e também pelas canções e lendas celtas de seu pai. A personalidade do jovem Corto desenvolveu-se entre as divindades quotidianas de místicos templos desconhecidos debaixo do sol abrasador de Malta, os livros do seu pai, a bíblia do seu mestre e as histórias sobrenaturais contadas pelos marinheiros no porto de Malta. O seu destino estava traçado para a aventura humanitária, para o imprevisível apelo do mar, feito de inspiração algures entre o sagrado e o profano. No inicio de 1904, Corto tinha 17 anos e decide embarcar numa escuna que fez escala em La Valette e que tinha como destino a Ásia, passando pelo canal de Suez. Ao largo de Alexandria, o telégrafo da escuna recebe a notícia do ataque dos torpedeiros japoneses contra a esquadra russa. Corto permanece até Fevereiro no Cairo e, em plena guerra russo-japonesa, reúne-se aos seus companheiros da escuna e prossegue viagem através do mar vermelho, com escala em Aden, Bombaim, Madras, Singapura, Xangai e Tientsin, onde Corto toma a caminho para Pequim. Pouco tempo depois está na Manchúria, perto da fronteira coreana, no coração dos combates entre russos e japoneses. É aí que trava conhecimento com um jovem jornalista e escritor americano, Jack London. Em 1905 Corto embarca para África, tendo como companheiro de viagem um homem com que se irá cruzar mais tarde noutras aventuras, o russo Rasputine, anarquista e meio louco. A viagem escala Xangai, Hong-Kong, Filipinas e Jacarta. No mar das Célèbes há um motim a bordo, mas Corto, fiel ao seu princípio de intervenção mínima em situações que não lhe digam respeito, assiste à rebelião e acaba com outros marinheiros e Rasputine num bote em pleno DEZEMBRO 2010 I NÚMERO

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oceano, onde são recolhidos por um cargueiro com destino ao pacífico que os deixa em Valparaíso, no Chile. Daí partem de comboio para Santiago e encontram-se um mês depois na Argentina. Travam conhecimento com um dos personagens mais fascinantes da história da América, Butch Cassidy, que fazia parte de um bando de forasda-lei, antigos pequenos criadores de gado arruinados pelos grandes barões do gado. Roubavam os animais aos grandes proprietários e distribuíam-no pelos pequenos criadores, aparecendo como uns Robin dos Bosques contemporâneos. Corto esteve depois na Europa, mas não há qualquer referência dos seus passos e volta à Argentina instalandose em Buenos Aires, onde reencontra Jack London e conhece o futuro escritor Eugene O´Neill. Entre 1908 e 1913, Corto continua a sua errância pelo mundo, baralhando as pistas, partindo de um porto quando o julgavam noutro. Poderá ter passado por Marselha, Tunísia e Londres, mas não é certo. Em 1913 Corto encontra-se ilegal na Indonésia, com um bando de piratas. Mas não é um bom pirata. Prefere a liberdade, a descoberta, a amizade, até o ócio e rejeita a matança e o assassínio. Um pouco de contrabando e tráfico de armas são suficientes para o fazer feliz, saltando entre os arquipélagos indonésios. O ano de 1914 passa-o Corto ainda no

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pacífico na ilha Escondida, juntamente com Rasputine e aquela que foi a sua grande paixão, Pandora, participando esporadicamente nalguns combates contra os alemães, tendo em 1915 seguido para a ilha Pitcairn, depois de dois meses de navegação. A partir desta altura, as aventuras de Corto Maltese são-nos apresentadas por Hugo Pratt em forma de BD. O seu primeiro álbum, "Balada do Mar Salgado" surge em Julho de 1967, situando a acção exactamente entre 1913 e 1915. Seguir-se-iam, até à Morte de Pratt em 20 de Agosto de 1995, mais cerca de 25 álbuns que nos descrevem de uma forma absolutamente magistral as aventuras deste marinheiro misterioso e irónico, possuidor de uma enorme maturidade, cultura e sentido humanitário, sempre alinhando com os fracos e desprotegidos mas sem nunca transmitir lições de moral e que percorre os 4 cantos do mundo, desde o pacífico (A Balada do Mar Salgado), passando pela Sibéria (Corto Maltese na Sibéria), Turqueistão (A casa dourada de Sarmancanda), África (As Etiópicas, 4 volumes), Europa, América Central e do Sul. Pratt, juntamente com a personalidade inconformista de Corto Maltese, o seu sentido universalista de quem percorre o mundo de uma forma elegante e marginal ligando o que há de comum entre as pessoas e os povos, deixou-nos também uma extensa e rica galeria de personagens, de onde poderíamos destacar, para além dos

marcantes Rasputine e Pandora, Morgana - deusa das águas na tradição celta, Boca Dourada - vidente e sacerdotisa sul-americana, Tiro Fixo - cangaceiro do sertão, Jeremiah S. - professor, alcoólico e intelectual nascido em Praga, protegido de Corto, entre muitos outros. Mas também todo o ambiente geral, o mar, os atóis e as ilhas, as gaivotas, são personagens

importantes das suas aventuras. A nível estético e gráfico, Hugo Pratt apresentou sempre as aventuras do seu alter ego, Corto Maltese, com um desenho genial e belíssimo, em planos variados e com um traço depurado e consistente, cheio de silêncios e ausências, debaixo de um jogo de sombras a preto e branco poderoso e inimitável, feito a pincel, que terão talvez o seu esplendor na "Fábula de Veneza" e ―Tango Argentino‖, bem como as belíssimas aguarelas das capas e por vezes das introduções. Muito recentemente foi editada a versão portuguesa da sua última aventura ―Mu, a cidade perdida‖. Continua na página 18

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Corto Maltese, de Hugo Pratt (1927-1995)

Dia da Filosofia Texto de Ana Rita Fonseca e Juliana Almeida do 11ºG Poema de Mariana Dias, 11ºG

Continuação da página 17

Em termos literários, podemos situar a escrita de Hugo Pratt perto de autores como Joseph Conrad, Hermann Hesse, Ernest Hemingway, Jack London, Rudyard Kipling, Robert-Louis Stevenson e André Malraux. Pratt deixou este mundo sem concluir a biografia de Corto, o seu alter-ego, que supostamente terminaria com a sua morte na guerra civil de Espanha, pois segundo o próprio Pratt " ... depois da Guerra civil de Espanha será difícil pensar em grandes aventuras num mundo socialista. É possível pensar nisso num mundo povoado de comunistas ou de anarquistas mas não num mundo socializante ... [porque] ... os socialistas são sempre reformistas, passam a vida sentados em volta de uma mesa a falar de reformas, da divisão de poderes e de coisas como essas. É uma catástrofe. Não se pode casar o mundo operário e a aventura. É como pensar numa ligação entre uma família católica e o catolicismo e a aventura. Não resulta, porque o aventureiro é sempre alguém pronto a dar cabo de tudo.".

UNESCO atribui, desde 2002, a terceira quinta-feira do mês de Novembro para a comemoração da Filosofia. Este ano foi celebrado no dia 18 de Novembro, sendo realizadas inúmeras actividades e eventos na ESAS. A distribuição de máximas de filósofos, pensadores, poetas, etc., assim como criação de bases de tabuleiros para a cantina com temáticas filosóficas, realização de entrevistas, personalização de t-shirts, panfletos publicitários; estes são alguns dos exemplos das actividades executadas pelos alunos. Pretende-se incluir igualmente a todos os membros da comunidade escolar esta homenagem à área de estudos racionais, críticos e reflexivos, que é a Filosofia. Os objectivos destes acontecimentos são a demonstração dos múltiplos significados da Filosofia, como esta se pode utilizar no dia-a-dia e o efeito que tem nos estudantes quer do básico, quer do secundário. Promover a reflexão é também importante, mesmo para os que desdenham da Filosofia, pois, como afirma Blaise Pascal: ―Fazer troça da Filosofia é na verdade Filosofar‖.

A Filosofia é a luz no meio da imensa escuridão, A base da nossa existência. De que nos serve viver se não sabemos o motivo? De que nos serve amar se nem sabemos o que significa? De que nos serve pensar se quanto mais pensamos, Mais infelizes somos? De que nos serve morrer se isso apenas significa Que toda a nossa vida não passou de uma mentira? A Filosofia é a única maneira de tentarmos obter todas as respostas Para a nossa infinita ingenuidade e ignorância.

Filosofia  FILOSOFIA Filosofia

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Bibliografia consultada: Revistas ―Corto Maltese‖ e ―À Suivre‖.

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Aquaurélia

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Ecoaurélia

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Jogos matemáticos

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ENEAS

OUTRAS ACTIVIDADES DE DIVULGAÇÂO 

Semana da Ciência e Tecnologia

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Ciência filme a filme

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Ler Ciência

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Ciência Semana a Semana

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Espalhem a notícia

Para saberes mais pormenores consulta os expositores nos corredores da Escola.

Ilustração de Teresa Viegas (profª) para LdC

Lugar da Ciência informa os novos alunos da Escola que é uma estrutura recentemente criada na ESAS por professores do Departamento de Matemáticas e Ciências Experimentais (Matemática, Biologia e Geologia, Física e Química, Informática e Tecnologias) cujo principal objectivo é a mobilização/ sensibilização da comunidade escolar para a cultura científica e tecnológica. Neste âmbito, serão desenvolvidas actividades que contarão com a presença de estudantes do Ensino Básico e do Ensino Secundário que venham a manifestar interesse em participar junto dos professores de Matemática, Biologia e Geologia, Física e Química, Informática e Tecnologias. Para este ano lectivo, estão previstas as seguintes actividades:  Põe-te a andar robô

Ilustração de Teresa Viegas (profª) para LdC

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Procura as soluções na sala do LdC

Semana da Ciência e Tecnologia Nesta semana, que este ano decorreu de 22 a 26 de Novembro , assistimos a palestras e actividades de promoção e divulgação da ciência e da tecnologia

O infinito em Matemática: um mundo fantástico de botas, chapéus, pedaços de queijo e quartos de hotel Palestra de Teresa Viegas (profª de Matemática)

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uma primeira parte deu-se conta de algumas atribulações vividas pelo Infinito em Matemática desde a Grécia Antiga até ao aparecimento do Cálculo Infinitesimal no século XVII. De seguida, e depois de se ter observado que agora convivemos com o Infinito mais ou menos saudavelmente (concebemos conjuntos infinitos, comparamos conjuntos infinitos, calculamos somas com uma infinidade de parcelas …), aplicaram-se alguns resultados autorizados pela Matemática à ―vida corrente‖ (botas, chapéus, queijos e quartos de hotel …) e referiram-se os aspectos mais importantes do percurso do Infinito nos séculos XVIII, XIX e XX. 

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Esta palestra foi animada por muitas ilustrações da profª Teresa Viegas . Desenhos que bem conhecemos do Lugar da Ciência, na rubrica Ciência Semana a Semana DEZEMBRO 2010 I NÚMERO

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2011, ANO INTERNACIONAL DAS FLORESTAS Texto de José Chen Xu do 11ºB – JRA

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“ Área ardida sobe 55% este Verão e chega aos 129 mil

Ambiente 

Este é o título da secção Portugal do DN de 20/10/2010. Os números de incêndios e de área ardida surpreenderam, embora já estivéssemos à espera deles elevados. Por isso, e em virtude da comemoração do Ano Internacional das Florestas em 2011, a equipa JRA decidiu intervir na comunidade.

ano 2011, que já se encontra próximo, foi declarado pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) como o Ano Internacional das Florestas, tal como o da Química. Para assinalar a importância do ano seguinte, quanto à importância das florestas do mundo, o Clube Europeu não ficou indiferente, prosseguindo com o projecto JRA. Para os que não sabem, os JRA (Jovens Repórteres para o Ambiente) são um projecto nacional e internacional desenvolvido pela ABAE, a Associação Bandeira Azul da Europa, que é dinamizado na Escola desde 1998 pelo Clube Europeu por se integrar nas prioridades da União Europeia. No âmbito da grande importância do próximo ano, a coordenadora do projecto, Maria Rosa Costa, aliou-se uma vez mais à professora de Física e Química Maria da Luz Carvalheira, para levar o JRA ao Seminário Nacional dos JRA, nos próximos dias 26 e 27 de Novembro, na Sertã.

O assunto que será tratado para a apresentação no Seminário serão as florestas e as espécies autóctones da orla do Oceano Atlântico, que se encontram em perigo devido à progressiva e recente onda de incêndios que destroem um património natural – o legado da Mãe Natureza. Pretendemos fazer uma maior sensibilização na comunidade escolar tal como no Seminário Nacional: a natureza não é tratada com o devido respeito, sendo mesmo prejudicada. O projecto JRA continua em alta e este ano parece promissor, na medida em que pretendemos promover a importância das Florestas na zona Atlântica e alertar para a importância da conservação e do desenvolvimento das florestas e das áreas protegidas, principalmente o Gerês e a Serra da Estrela, onde ocorreram muitos dos incêndios do Verão passado. Visitem: http://www.abae.pt/ http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/ interior.aspx?content_id=1690429 http://www.youngreporters.org/ http:// www.clubeuropeuesas.blogspot.com

Ilustração de Francisco Sousa Pinto do 12ºH/Desenho

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“Altitude da Vontade”- Kandersteg 2010

Sentir aquele ar, puro e fresco da Suíça, um local a descobrir, envolto de magia e novas experiências a viver, fez-me sentir viva como nunca. Ir com o meu grupo de escuteiros era simplesmente um sonho, um sonho que se tornou realidade trabalhando dois anos para esta actividade. No dia 7 de Agosto de 2010 iniciou-se a nossa expedição. Passei um grande momento da minha vida lá, onde conheci muitas pessoas desde ingleses, espa-

& Experiências 

nhóis a italianos e franceses. Tive bons momentos de convívio. Entre eles, tivemos numa representação de peças de vários grupos ali presentes, tivemos também uma tarde ligada ao desporto ―Internacional sports afternoon‖, uma subida à montanha Frudenhutte , com cerca de 2500 m de altitude, e conhecemos um dos sítios mais bonitos de toda a suíça – o lago Oeschinensee. Com esta jornada, ganhámos muita experiência, não só a nível escutista mas também a nível de enriquecimento pessoal, e assim, mais uma vez, o escutismo cumpriu o seu objectivo – ajudar os jovens a crescer.‖

Viagens

Grupo Pioneiro 74 S.Francisco de Assis

Por Vanessa d’Orey do 11ºF

CORTA-MATO DA ESAS - 16 de Dezembro

PARTICIPA!!!

Fotos de Mª José Rocha (profª)

Inscreve-te com o teu professor de Educação Física DEZEMBRO 2010 I NÚMERO

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E a Doca aqui tão perto Texto de Patrícia Costa e Pedro Gomes do 11ºG Fotos de Lurdes Meireles (professora de Geografia) as agruras do clima e a agitação do mar permitiu-nos uma visão da realidade que muitos de nós nem suspeitávamos que existisse. Depois do que vimos, ouvimos e sentimos, vamos certamente dar mais valor a estas profissões, cujas contrariedades ultrapassam largamente as razões das nossas reclamações diárias, o que nos faz reflectir. Esta foi uma iniciativa que cobriu conteúdos temáticos de Geografia (profªs Julieta Viegas e Lurdes Meireles), Economia (profª Clara Falcão), mas também tivemos connosco as profªs de Inglês (Fátima Vanzeller e de Matemática (Mª Céu Pereira). 

D Visitas de Estudo 

eslocámo-nos à Lota de Matosinhos para vermos de perto como se organiza o dia-a-dia da pesca e dos pescadores e, ao passar pelos portões de acesso, percebemos de imediato que estávamos num mundo diferente daquele que romanceámos protegidos pelas paredes da Escola. Não fazia frio, mas o céu estava bem carregado e ajudava a criar uma atmosfera cinzenta onde milhares de gaivotas voavam inquietas. Aliás, a sua presença foi uma constante durante todo o tempo que durou a visita à lota, o que intimidou muitos de nós. A dureza da vida dos pescadores que tivemos a oportunidade de observar em plena faina, deixou-nos muito impressionados. A sua coragem para enfrentar

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Matosinhos, Outubro/2010

“RESISTÊNCIA. Da alternativa Republicana à luta contra a Ditadura (1891-1974)” Texto de Inês Trigo do 12ºG

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exposição comemorativa do centenário da República em Portugal, no Centro Português de Fotografia, no Porto, mostra-nos a evolução da sociedade numa das épocas agitadas vividas no nosso país. Esta exposição procurou retratar, não só as lutas pela mudança e pela liberdade, mas também a vida desses mesmos portugueses que lutaram pela liberdade ao longo de quase um século de história. Numa interligação entre as disciplinas de Português, História e Sociologia, os alunos do 12ºG tiveram oportunidade de visitar o espaço. A par de informar, exposições como esta esforçam-se para nos relembrar como era a vida nessa época, e como a nossa vida é, actualmente, toda ela, uma vitória.

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Criação de Carmo Rola—profª

A Exposição de uma Vida!

O Corpo Humano Como Nunca o Viu, uma exposição deveras interessante que tem lugar na Alfândega do Porto até dia indeterminado.

Exposição

O Corpo Humano

Texto de Luís Gigante e Nuno Silva, 8ºD

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BooKtrailer 

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a Alfândega do Porto está uma das exposições mais fascinantes e espectaculares de sempre e nós, a turma 8ºD, fomos visitá-la. Muito acessível de transportes públicos e por um preço variável mas que valerá sempre a visita. Esta Exposição conta com dezassete corpos verdadeiros doados à Ciência e cerca de 250 fragmentos de órgãos que se espalham ao longo de nove extensas galerias, cada uma com a sua categoria. Entre tudo isto poderá ver ossos, órgãos, músculos, fetos e muitas outras coisas fascinantes. Nesta exposição poderá ver realmente como é por dentro e quais os efeitos de determinadas substâncias e doenças no seu corpo. Os corpos estão expostos totalmente descobertos e em contacto com o ar pois sofrem um tratamento chamado de polimerização e que permite que resistam aos componentes do ar e à deterioração. Esta exposição já visitou muitos outros países e cidades como Washington, Nova Iorque, Amesterdão, S.Paulo, Seattle, Miami, Madrid, Barcelona e Lisboa, mas no entanto foi ―banida‖ de França, por muita gente suspeitar que os órgãos e corpos são restos de prisioneiros chineses executados. Uma exposição por onde já passaram cerca de 20 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de 35.000 no Porto, que não pode perder.

objectivo deste concurso é dar a possibilidade de juntar as novas tecnologias de informação com a necessidade de implemento à leitura. Assim, o JornalESAS promove o 1º concurso de Booktrailers com o intuito de premiar o trabalho criativo que alie o domínio do livro e da leitura com o gosto pelas TIC. As regras do concurso são:  O Booktrailer poderá ser acompanhado de suporte musical e valorizar-se-á as imagens captadas pelos autores, de forma original;  O Booktrailer terá de centrar-se num único livro ou colecção de livros;  A duração do Booktrailer será no máximo de três minutos; O júri será constituído por seis membros: - um professor do departamento de línguas; - um professor do departamento de artes; - um professor da biblioteca; - um aluno da associação de estudantes; - dois representantes do Jornalesas. A data limite para a entrega dos projectos será em 30 Abril de 2011.

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esde o ano lectivo 2009/10, que os alunos de Literatura Portuguesa do 11ºG têm mantido um blogue de literatura portuguesa e estrangeira, o ―Folheando os Séculos‖. Este blogue tem o objectivo de dar a conhecer as actividades desenvolvidas na aula (e não só) de Literatura Portuguesa, apresentando textos colectivos ou individuais, em que se mencionam os aspectos essenciais dos autores estudados. Também estão presentes referências a outras leituras, sugestões de cinema e de teatro, fotografias de visitas de estudo… Este é um blogue aberto a toda a Comunidade Escolar, daí que estejamos à espera da participação de todos.

http://folheandoosseculos.blogspot.com

BLOGUES blog blogues 

Ana Rita e Juliana do 11ºG

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ão estes os blogues do 11ºJ e 12ºI do Curso Profissional de Técnico de Turismo. Se bem que o primeiro tenha já um ano e que documenta bem o trabalho que estes alunos têm realizado a diversas disciplinas, o segundo iniciou a sua actividade somente este ano lectivo e demonstra já um dinamismo significativo. Ferramenta importante no acompanhamento pedagógico e na relação entre docentes e alunos, há trabalhos de grande qualidade que devem ser vistos e analisados com atenção

http://areadeintegracaoesas.blogspot.com/ Alunos do 11ºJ e do 12ºI

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Clube de Desporto Escolar 

Grupos equipas em funcionamento em 2010-11 DANÇA CONTEMPORÂNEA Prof. responsável: Catarina Cachapuz Horário de Funcionamento 2ª feira das 9.15h às 10h 6ª feira das 9.15h às 10h e 14h às 15.15h Sala de Dança

XADREZ Prof. responsável: Jorge Guimarães (Biologia e Geologia) Horário de Funcionamento 2ª feira das 14h às 15h 3ª feira das 11h às 13h “Espaço aberto” em frente ao ginásio

TIRO COM ARCO E COM ARMA DE PRECISÃO Prof. responsável: Fátima Sarmento Horário de Funcionamento 2ª feira às 13.40h 6ª feira às 13.40h às 15.10h Campo de Tiro

BASQUETEBOL Juvenis Masculinos (nascidos em 1994/95; 96/97)

Prof. responsável: Jorge Francesco (Ed. Tecnológica) Horário de Funcionamento 3ª e 5ª das 18.45h às 20h Ginásio

GINÁSTICA ACROBÁTICA Prof. responsável: Lourenço França Horário de Funcionamento 2ª feira às 13.40h 5ª feira das 13.40h às 15.10h Ginásio

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Karate Kid Texto de Alexandra Pereira e Cintia Males do 7ºE

O

FILME 

filme conta a história da vida de um rapaz de 12 anos chamado Dre Parker (Jaden Smith) de Detroit, cuja carreira da mãe acaba por levá-lo para a China. Dre apaixona-se pela sua colega de turma Mei Yin (Wen Wen Han), mas as diferenças culturais tornam a amizade impossível. Pior ainda, os sentimentos de Dre fazem com que um colega de turma e prodígio do Kung Fu chamado Cheng (Zhenwie) se torne

seu inimigo. Sem amigos numa nova cidade, Dre não tem a quem recorrer excepto ao porteiro do seu prédio, Mr. Han(Jackie Chan), que é secretamente um mestre de Kung Fu. À medida que Han ensina Dre que o Kung Fu é muito mais que socos e habilidade, mas sim maturidade e calma, Dre percebe que encarar os colegas de turma será a aventura de uma vida.

Actores principais: Jaden Smith, Wen Wen Han, Jackie Chan e Zhenwie Wang. Música oficial do filme: Never say never do justin Bieber e do Jaden Smith.

Florence and The Machine Texto de Diana Castro do 11ºG

O

MÚSICA 

grupo Florence and The Machine é oriundo de Londres, Inglaterra e começaram a sua carreira em 2007. A banda tem como membros Florence Welch – a Interprete, Robert Ackroyd - Guitarra, Christopher Lloyd Hayden - bateria, Isabella Summers - teclado , Tom Monger – harpa e Mark Saunders - baixo. Misturam vários géneros de música, passando pela Alternativa, a Indie Pop, o Soul, o Baroque Pop e o Art Rock. O álbum de estreia foi lançado a 6 de Julho de 2009, intitulado de ―Lungs‖, tendo ficado em segundo lugar dos Top‘s Ingleses durante as cinco primeiras semanas, atrás do álbum de Michael Jackson. A cantora Florence conta com uma variada ajuda de músicos , incluindo Dev Hynes do Lightspeed Chamion, para criar a sua verdadeira alma de Indie. O primeiro single do grupo foi ―Kiss With A Fist‖ , mas neste momento, a banda é mais conhecida no nosso país pelas músicas ―Dog Days Are Over‖ e ―You‘ve Got The Love‖, que badalam pelas rádios portuguesas.

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moda Texto e fotos de Pedro Gomes do 11ºG

ELAS:

cores quentes, padrões uniformes, peças vintage, ponchos, botas, de cano alto, ‗pantufas‘, calças skinny, malhas grossas, golas grossas e carteiras grandes e espaçosas ou pequenas dos 60‘s.

 MODA 

Agradecimentos : Joana, `Mª João, Diana, Vanessa, Ana Rita e Filipa

ELES:

cores simples e primárias, casacos de cabedal, botas castanhas, calças escuras, gorros e golas, padrões jacquard, camisas de flanela.

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NOTA +

CENTRO DE ESTUDOS

SALA DE ESTUDO EXPLICAÇÕES INDIVIDUAIS E EM GRUPO ENSINO BÁSICO, SECUNDÁRIO E SUPERIOR Rua Nova de S.Crispim, 516 - loja 6 e 10 ● 4000-363 Porto ● Telefone: 220 190 811; 918 656 249 Junto ao cruzamento com a Rua Santos Pousada ● notamais@gmail.com DEZEMBRO 2010 I NÚMERO

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Nos últimos tempos, Portugal tem sido invadido por números, cifras, percentagens, estudos económicos, previsões e gráficos de evolução da dívida e de défices vários. Não que isso constitua, por si só, um verdadeiro problema ou que os professores e alunos não estejam já habituados a tratar destas questões com a frequência habitual de quem ensina e aprende. Mas, numa situação declarada de crise, a dimensão catastrófica destes dados fazem-nos pensar num país aparentemente sem solução. A Escola e particularmente a nossa, cuja boa situação em mais um ranking não teve oscilações significativas, não pode nem deve embarcar num discurso pessimista, como quem baixa os braços e alinha pelo diapasão dos «novos» velhos do Restelo. Temos de olhar para os nossos alunos e dar-lhes, sem falsas realidades, a perspectiva de um futuro melhor. Mesmo que a geração mais qualificada de Portugal esteja a fugir para o estrangeiro, temos obrigação de brandir um optimismo calculado e realista, dando-lhes números de esperança com que é feito o trabalho diário e perseverante relativamente à transmissão de conhecimentos. Há números reveladores e que se lembram aqui como forma de passar a mensagem necessária numa época deprimida: segundo a OCDE (Jornal I de 8/11/2010), estudar ainda compensa em Portugal, onde a frequência do ensino universitário é baixa, chegando os vencimentos dos licenciados a ser 2,5 a 4 vezes maior do que a média nacional e que Portugal está entre os países onde os licenciados entre os 25 e os 29 anos mais encontram empregos que não estão abaixo da sua formação (Público de 8/11/2010). Serão estes números de esperança para os nossos alunos?

Aurélia 50 “Há

sempre algo que fica por dizer, porque é da ordem do indizível, do inefável. (…)‖ Página 2

O melhor aluno 09/10

―Um bom aluno tem de prestar atenção às aulas. (…)‖ Página 5

FICHA TÉCNICA Coordenadores: Prof. António Catarino Profª Julieta Viegas Redacção e Tratamento da Informação: Prof. António Catarino Paginação e Maquetagem: Profª Julieta Viegas Equipa de alunos: (por ordem alfabética) Ana Rita 7ºE Ana Rita Fonseca 11ºG Alexandra Pereira 7ºE Cíntia Males 7ºE Diana Castro 11ºG Inês Trigo 12ºG José Chen 11ºB Juliana Almeida 11ºG Patrícia Costa 11ºG Pedro Gomes 11ºG Vanessa d‘Orey 11ºF Financiamento : AMA—Associação Mais Aurélia Nota+: centro de estudos Não + pêlo: centro de estética Oxigénio: fitness club Olmar: artigos de papelaria Estrela Branca: confeitaria

Saramago

―A razão por que se abre um livro para ler é a mesma por que se olham as estrelas: querer compreender. (…)“ Página 6

ESCOLA SECUNDÁRIA AURÉLIA DE SOUSA/3— Rua Aurélia de Sousa—4000-099 Porto Telf. 225021773—Equipa.jornalesas@gmail.com

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Editorial

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Jornal oficial da Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa - Porto

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