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Publicação trimestral l abril 2017 l número X LV I I ( 47 )


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À memória da Sra. Dra. Maria Helena Vasconcelos Pinto da Cunha

Homenagem da Escola Secundária Aurélia de Sousa

À Presidente do Conselho Diretivo desta Escola entre 1.10.1976 e 31.07.1990, falecida em 29 de dezembro de 2016.

Quando Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo jardim à minha porta, E os cabelos doirados da floresta, Como se eu não estivesse morta. Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Dia do Mar'

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Será o mesmo brilho, a mesma festa,


CONCURSO LITERÁRIO 2017 SEMANA DAS HUMANIDADES ANO INTERNACIONAL DO TURISMO SUSTENTÁVEL

Escalão C – alunos do 7.º ao 9.º anos de escolaridade (EB/S Aurélia de Sousa)

1º Prémio PROSA: Maria do Carmo Ferreira Borges de Macedo, 7º E - “O Atlas”

Menção Honrosa Helena Amorim Bruno, 9º C - “ Moçambique, a Viagem da Minha Vida”

1º Prémio POESIA Gonçalo Miguel Ribeiro Vieira, 7º E - “Viajar”

Escalão D – alunos do Ensino Secundário (EB/S Aurélia de Sousa)

1º Prémio PROSA: Marta Salomé da Costa Gonçalves, 11º I – “Um enfeite viajante”

Menções Honrosas Miguel Amaro Ferreira, 10º A – “Viagem à Minha Ideia de Viajar”

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Joana Babo, 12º E - “Tempo” Bárbara Rego Pires, 12º B - “Viagens pela Minha Mente”

1º Prémio POESIA Rafael Moreira Morais, 10º D - “A Imperfeição do Discernimento”


CONFERÊNCIAS DA SEMANA DAS HUMANIDADES 2017 dia 23 (segunda-feira) Conferência de Abertura: "Viagem pela literatura de viagens"

10h 30m Auditório

Professora Doutora Fátima Outeirinho ,

ORG. BIBLIOTECAS AEAS

Professora de Literatura Comparada (FLUP) 11h 30m Biblioteca

“Património gastronómico e Turismo” Chefe Hélio Loureiro

ORG. SPO

dia 24 (terça- feira) 10h 30m Auditório

"Era Uma Vez: conversas musicadas a propósito de um Nobel" Dr. Pedro Serrano (tradutor de Bob Dylan) Participação de uma aluna do 10º I, uma aluna do 11º I e alunos do 11ºB, que interpretarão três canções emblemáticas de Dylan.

ORG. PORTUGUÊS

14h 30m Auditório

“Metáforas Matemáticas na Obra de Proust” Professor Doutor António Machiavelo (FCUP)

ORG. LUGAR DA CIÊNCIA

dia 25 (quarta-feira) 11h 30m Auditório

“Migrações: Espaços Multiculturais e Espaços (In)comuns” Professora Doutora Paula Cristina Pereira (FLUP)

ORG. FILOSOFIA

dia 27 (sexta-feira) 9h 30m Auditório

"Douro, o Turismo e o Vinho" José Luís Moreira da Silva

ORG. GEOGRAFIA

Enólogo e Gestor Vitivinícola (Quinta das Murças)

Se pudesse escolher um local para visitar seria, sem dúvida, os Estados Unidos da América. Se pudesse escolher seria, provavelmente, Nova Iorque. Desde sempre me senti encantado pela história e de como, após a independência, conseguiram construir um país. Sendo Nova Iorque “a cidade que nunca dorme” há uma imensidão de coisas para fazer e, numa viagem, não seria possível concretizá-las todas. (…) Em termos de museus, chamam-me a atenção o American Museum of Natural History, por ser um dos cenários do filme “À noite no museu” ; New York Public Library também é um cenário de um filme, “Ghostbusters”, tornando estes dois locais muito apetecíveis de visitar. (…)

Afonso Faro, 9º F

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VIAGEM DE SONHO


Viagem a Portugal (...) O viajante viajou no seu país. Isto significa que viajou por dentro de si mesmo, pela cultura que o formou e está formando, significa que foi, durante muitas semanas, um espelho reflector das imagens exteriores, uma vidraça transparente que luzes e sombras atravessaram, uma placa sensível que registou, em trânsito e processo, as impressões, as vozes, o murmúrio infindável de um povo. Eis o que este livro quis ser. Eis o que supõe ter conseguido um pouco. Tome o leitor as páginas seguintes como desafio e convite. Viaje segundo um seu projecto próprio, dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cómodos e de rasto pisado, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás, ou, pelo contrário, persevere até inventar saídas desacostumadas para o mundo. Não terá melhor viagem. E, se lho pedir a sensibilidade, registe por sua vez o que viu e sentiu, o que disse e ouviu dizer. A felicidade, fique o leitor sabendo, tem muitos rostos. Viajar é, pro-

vavelmente, um deles. Entregue as suas flores a quem saiba cuidar delas, e comece. Ou recomece. Nenhuma viagem é definitiva.(…) A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. (…) O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. José Saramago, Viagem a Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 1981

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Sinopse relativa à Conferência Migrações: espaços multiculturais e espaços (in)comuns, proferida pela Prof.ª Doutora Paula Cristina Pereira, no âmbito da Semana das Humanidades

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o Auditório da Escola Secundária Aurélia de Sousa, teve lugar a Conferência proferida pela Prof.ª Doutora Paula Cristina Pereira, docente da FLUP, subordinada ao tema Migrações: espaços multiculturais e espaços (in)comuns. O assunto em causa, para além de estar diretamente relacionado com a temática geral da Semana das Humanidades – “A Viagem” – e integrar um tema/problema lecionado no Programa de Filosofia de 10ºano, afigurou-se, igualmente, pertinente e urgente no âmbito da reflexão sobre as novas dinâmicas multiculturais das sociedades contemporâneas. Assim, a Prof.ª Doutora Paula Cristina Pereira, partindo

de uma análise de situações concretas da atualidade, problematizou filosófica e conceptualmente as mesmas, conduzindo o público-alvo a uma reflexão mais aprofundada sobre realidades noticiadas e vivenciadas no quotidiano. Esta análise reflexiva conduziu a um debate entre conferencista e interlocutores, debate esse que se revelou bastante profícuo para todos os intervenientes. Porto, dia 25 de janeiro de 2017, pelas 11:30h O Núcleo de Estágio de Filosofia


Estávamos os três na sala. Eu, a minha mãe e Choupo. Olhávamo-nos entre quatro paredes; antes, foram azuis e agora estavam amareladas, com pinceladas soturnas de cinzento, graças à humidade e às poeiras. O chão tremeu, chegaram até nós gritos vindos lá de fora, abafados por explosões. A minha mãe sorriu para mim e suspirou um “vai ficar tudo bem”, mas os seus olhos desmentiam tudo o que ela queria dizer. Ouviramse vozes pesadas e frias a aproximarem-se. Seriam aqueles homens de alma vazia de quem a minha mãe falava? Os meus pensamentos foram interrompidos no momento em que senti a cabeça de Choupo sobre as minhas pernas. Choupo é alto, magro, diria escanzelado, velho, e anda sobre quatro patas sujas. Em tempos, fora um cavaleiro que percorrera impetuosamente terras selvagens, nadara incansavelmente em mares governados por tubarões e lutara contra dragões misteriosos. Mas a glória não tinha sido duradoura, e agora encontrava-se aprisionado num corpo de cão. Pelo menos é assim que eu me lembro de o meu avô contar…um dia…antes de tudo isto começar! Também me disse que o Choupo tinha um coração de leão (acho que significa que tem tanto de corajoso como de bondoso). De seguida, deu -me um livro grande e pesado. Tinha uma capa de couro verde-musgo, incrustada de grandes letras douradas onde se lia “Atlas”. Por dentro, estava recheado de mapas de todos os feitios, de lugares longínquos, acompanhados de imagens de paisagens que eu nunca poderia imaginar que fossem tão belas. Ah… Como eu queria viajar junto com a minha mãe e Choupo por esses lugares mágicos! Mas não… como poderia, se vivia entre ruínas, rodeada de medo? Estremeci com o barulho de uma porta a ser arrombada. Acho que até Choupo encolheu as orelhas de medo. O silêncio ecoou pela sala novamente. Minha mãe levantou-se e olhou pela janela – não tinha sido a nossa casa – seguiu, rígida, para o quarto. Passados uns longos cinco minutos, voltou com uma mochila, um casaco e o meu grande “Atlas”. Olhou-me estranhamente nos olhos e disse: –Nesta mochila, estão algumas roupas e comida. Veste o casaco e guarda o Atlas dentro da mochila. – Enfiou as mãos dentro dos bolsos do seu velho e largo casaco, que agora estava sujo, e tirou um pequeno rolinho de notas. –Toma! – disse, dando-me o dinheiro – irás precisar para a longa viagem que tens pela frente. A mãe, de repente, parecia ausente. Abraçou-me com muita força, e disse baixinho: –Eu amo-te muito e quero que me prometas que nunca irás olhar para trás. Vais ter que sair daqui o mais depressa possível. Leva o Choupo contigo, vais sentir-te mais segura. Eu queria muito chorar, mas pessoas fortes não choram. Abriu-me a porta e disse-‑me adeus. Olhei uma última vez para trás e fugi com toda a força. Atrás de mim, vinha o Choupo, coitado, já velho, mas mesmo assim conseguia acompanhar-me. Coisas de um nobre cavaleiro...

Começava a sentir-me cansada; de tanto correr, precisava de descansar. Aninhei-‑me ao fundo de um beco, num cantinho que me pareceu acolhedor. Abri a mochila: tinha três pães, duas garrafas de água e um queijo. Parti um pão a meio, juntei um pedaço de queijo e dei uma metade ao Choupo. Enquanto comia, percorri com o meu olhar a cidade destruída. Porquê? Nada justifica uma guerra! Eu nem sei bem como aconteceu. Era hora de continuar. Senti o chão a tremer. Ouvia explosões cada vez mais perto de mim. Senti um embate, a cabeça doía-me e a minha visão estava embaciada e, nesse preciso momento, o meu corpo deixou-se cair no chão… –Acorda! Acorda! – dizia uma voz. Abri os olhos lentamente, sentindo uma língua canina na minha face, e murmurei: –Choupo? Como é possível? –Sim, sou eu. Agora levanta-te depressa, muito depressa, temos de ir. ­– dizia o Choupo, tentando empurrar -me com as suas patas sujas e velhas. –Ir para onde? –Corre para o balão, por favor, depressa! Segui-o contrariada. Estava tão confusa, mas algo me dizia que este não era o momento certo para falar. Não havia ninguém nas ruas, não havia nada, só o silêncio. Ao fundo, no meio da praça, estava o colorido balão de ar quente. Choupo saltou para dentro e disse: –Entra já! –Para onde vamos? – questionei. –Para qualquer lugar! Assim que entrei, o balão começou a subir, a subir… observei-o melhor. Era colorido e seguia alegremente o padrão de um arco-íris. O cesto era todo construído com cordas muito grossas e resistentes e o chão estava coberto de almofadas tão suaves como algodão doce. Atrevi-me a olhar para baixo… Estávamos muito alto, mesmo muito alto! Mais alto que as girafas, que os arranha-céus, que as montanhas, e até mais alto que as nuvens. Era magnífico! –Onde queres ir? – falou (latiu) o Choupo. –Hmmmmm…. – abri o meu Atlas e, sem querer, apareceu numa página a Holanda – Quero ir para a Holanda. Instantânea e inexplicavelmente, já sobrevoávamos a Holanda. E o que vi, poucas palavras podem descrever. Túlipas de todas as cores erguiam-se do solo, imponentes, casas habitadas por homens vestidos com calças e casacos largos, mulheres de vestidos com folhos, tamancos e chapéus triangulares. Viviam alegremente. Quem me dera ser feliz assim… fiquei um tempo a contemplar este cenário, até que o Choupo perguntou: –E agora? Abri novamente o Atlas e, desta vez, calhou o Canadá. –Vamos ao Canadá! Majestosas montanhas, cobertas por mantos brancos de neve, recortadas por rios em cujas margens as árvores sussurravam ao vento. Os animais de todos os tamanhos e espécies viviam em harmonia com a natureza. Era como uma longa e antiga canção. Quem me dera poder cantála. continua

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1º Prémio PROSA: “O Atlas” - escalão C


1º Prémio PROSA: “ Um enfeite viajante” - escalão D

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magine-se uma árvore de natal. Por falta de melhor exemplo, escolho o mais comum símbolo físico desta época do ano. Visualizemos então um pinheiro. Com todas as suas decorações, bolas, sinos, luzes, estrelas. Todos diferentes, mas todos pendurados numa só árvore, todos ligados a um só centro. Passemos, agora, a um plano mais particular. Um enfeite apenas. Dou ao leitor a liberdade de o visualizar como desejar. Uma pequena bola, por exemplo, que parece isolada. Sim, apenas parece. Porque, na verdade, está pendurada no mesmo pinheiro que todas as outras. Colocaram-na, simplesmente, numa ramificação. Não sei se o leitor já encontrou a essência desta minha pretensiosa metáfora. Mas é extremamente simples. Somos nós, os humanos. Uma pequena unidade, diferentes de todos os outros, mas iguais na pura condição. Somos apenas uma ramificação da vida, do planeta, se preferir, da natureza. E vamos indo, vamos seguindo pelos nossos carris, sempre com um destino, seja ele qual for. Sim, existe uma dimensão solitária nesta viagem. Uma que só podemos fazer acompanhados de nós próprios e que nos faz construir mais carris, mais caminhos, que vão preenchendo e edificando a nossa pessoa. No entanto, nestas viagens, vamos fazendo paragens. Pequenas ou grandes, eternas ou passageiras, conforme a circunstância. Quero dizer, vamos chegando a outras pessoas. Ou partindo, a família é sempre o ponto de partida. Esta é eterna, pelo menos para mim. E penso que, por acidente, loucuras ou simplesmente pelo destino, chegamos sempre àqueles que amamos. E, assim, os caminhos cruzam-se. Alguns entrelaçam-se e não se voltam a separar. Continuo com certas dúvidas quanto à descrição da me-

De seguida, folheei o Atlas; “Japão” soou bem. –Podemos ir ao Japão? Choupo abanou a cabeça, consentindo. Lá, as estrelas não se encontravam no céu, mas sim na cidade, nos edifícios altos e baixos, largos e finos, embelezados com ecrãs gigantes e coloridos, como eu nunca tinha visto. E havia pessoas, muitas pessoas a andarem perfeitamente sincronizadas, entre ruas cheias de lojas de tudo o que se possa comprar e até do que nem se imagina. –Mais um lugar antes de irmos embora. O tempo está a acabar. Senti um aperto, mas escolhi rapidamente uma página do Atlas à sorte e fomos parar à Namíbia. Choupo sorriu. Vi uma tribo em que as pessoas não vestiam quase nenhuma roupa, mas possuíam acessórios ricos e coloridos e usavam penteados

táfora inicial. O enfeite que cada um de nós imaginou já vai a meio do pinheiro. Vai chegando a vários pontos da árvore mas nunca saindo dela, onde partilha a viagem com outros seus iguais – enfeites, também. Todos querem chegar ao cume mas as viagens apressadas nunca resultam bem. Porém, aqueles que a executam pelos verdadeiros ramos descobrirão a felicidade de chegar ao tão desejado topo. Querendo expressar corretamente estes “verdadeiros ramos”, tais não significam os partilhados, os “corretos”, os “normais”, os bonitos, os que estão verdinhos e frescos. Estes ramos podem incluir viagens tristes, confusas e tenebrosas. Porque é assim, temos de viajar pelo nosso percurso, umas vezes por nós próprios, outras vezes com diversos pilares, que podem não ser aqueles que imaginamos no nosso pinheirinho fresco e perfeito. E encontramos cruzamentos. Sejam eles pessoas, ideias, artes, locais ou situações. Há uns que ficam, os tais eternos. Outros que, por mais que nos custe, temos de largar. Em todos eles deixamos uma parte de nós, e em todos eles abraçamos uma nova essência. Recolhemos algo do outro, retiramos sempre algo. E o tal visualizado enfeite continua a sua viagem serpenteada pelo pinheiro. Chegará ao topo que, porém, considero não existir na nossa condição. Acredito, por isso, que esta viagem será eterna.

Marta Salomé Gonçalves, 11º I

que tinham tanto de originais como de bonitos. E os elefantes?! Serenos e com um sentido de família impressionante. Tão imersos estávamos na contemplação, que quase chocávamos com um embondeiro. Ficámos ali até ao pôr do sol… –Está na hora – disse tristemente Choupo, olhando-me enigmaticamente. Os meus olhos embaciaram-se até ficar tudo escuro. Senti, então, que no lugar da dor de cabeça havia um vazio e o meu corpo caiu. Ao longe, ouvi ainda vozes, talvez gritos. Senti que me erguiam do chão e me colocavam numa maca. Não quero abrir mais os olhos e saber que foi tudo um sonho. Não me permito sair deste sonho, quero que as minhas últimas memórias sejam felizes. Maria do Carmo Macedo, 7ºE


A magia da matemática – 1089! Imagine que lhe propõem a seguinte atividade: Pense num número com três algarismos, de maneira que a diferença entre os números dos algarismos das centenas e das unidades seja igual ou maior do que dois. Por exemplo: 457; a seguir, inverta a escrita do número que escolheu (o número invertido é 754) e subtraia o menor ao maior (obteve 297); adicione, de seguida, o resultado obtido (297) ao número que obtiver, escrevendo esse resultado por ordem invertida (792). Escolha outros números com três algarismos nas condições indicadas e repita o processo! Deixe-me adivinhar … obteve sempre 1089! Mas por que razão o resultado é sempre igual a 1089?

P

ara isso, vamos considerar um número genérico com três algarismos e representá-lo por a b c em que a, b e c são números naturais. O “a”, que se encontra na casa das centenas vale 100a unidades, o “b”, na casa das dezenas vale 10b unidades e o “c” vale c unidades. O mesmo acontece quando se inverte a escrita do número. a b c = 100 a + 10 b + c (unidades) c b a = 100 c + 10 b + a (unidades) Subtraindo um do outro obtemos: a b c – c b a = 100 a + 10 b + c – (100 c + 10 b + a) = (100a –100c) + (10b – 10b) + (c - a) = 99a + 0b - 99c = 99a – 99c = 99 (a – c) Excluem-se, naturalmente, os restantes múltiplos de 99 por razões diferentes. O múltiplo 99 x 0 (igual a zero!), o 99 x 1 (por a escrita invertida nos conduzir ao 099), 99 x 10 e seguintes, por a escrita invertida nos levar a números com mais de três algarismos. Assim, adicionando um número da lista anterior com o número correspondente com a escrita invertida obtemos sempre 1089! Ângela Cruz, 12ºA

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Concluímos então que o resultado deverá ser um número da forma 99 (a – c), isto é, os resultados possíveis da diferença serão múltiplos de 99 com três algarismos! Ora os múltiplos de 99 com três algarismos são:


O PODER da imagem! O PODER da palavra!

Objetivo: responder ao desafio lançado pela UNESCO às escolas associadas, de sensibilizar as crianças e os jovens sobre os direitos e o respeito pelos refugiados sob o lema “Abrir o coração e o espírito aos refugiados” Fundamentação: A 13 de outubro de 2016, António Guterres, discursando na sessão em que foi confirmado Secretário Geral das Nações Unidas, perguntou: “O que é que nos aconteceu para ficarmos imunes a tanto sofrimento?”. Nos últimos anos foram várias as imagens que vimos de um drama que parece não ter fim… As fotografias que nos chegam, a um ritmo alucinante, dispensam palavras, fazendo sobressair o PODER DA IMAGEM! Contudo, o alastrar da situação acabou por as banalizar… passaram a fazer parte do nosso dia-a-dia, aprendemos a conviver com elas e, tememos que hoje já não nos choquem como deviam. Metodologia: Propôs-se aos jovens a observação atenta de algumas imagens, nos seus pormenores e, sobretudo, nas pessoas fotografadas. Foram dinamizados debates, na sala de aula, com base nos tópicos emanados da UNESCO: “Quem são estas pessoas que aparecem nas páginas dos jornais? Como era a sua vida? O que as fez fugir? Como será nascer num país em guerra? Como é ser criança num país em guerra? O que têm em comum connosco? O que passaram durante a “fuga”? Como é viver num campo de refugiados? O que podemos fazer para que se sintam em segurança, bem acolhidos e integrados? Como podemos construir pontes para promover o intercâmbio de conhecimentos, atitudes, … “ Depois, foi distribuído o panfleto (que se envia) e os jovens foram convidados a escrever fazendo uso do PODER DA PALAVRA.

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Alunos envolvidos: numa primeira fase, envolvemos algumas turmas do 3º ciclo e secundário. O segundo momento da nossa intervenção será realizado através de uma exposição com 45 fotografias, numa alusão ao ano de (19)45 e ao horror de então que pensávamos não voltar a assistir. Os textos dos alunos acompanharão as respetivas fotografias e será aberta a participação aos visitantes. ESAS, 1 de fevereiro de 2017

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lho para ti, pequeno, e sinto-me triste, impotente, revoltada.

Olho para ti e vejo uma criança, provavelmente órfã, com uma infância insultuosa, sem país, sem paz. Olho para ti e vejo abandono. Não consigo compreender esta crueldade que vai no mundo, tanto no teu canto, como no meu. No teu, porque te matam com bombas, no meu, porque te matam com egoísmos. Porque não te ajudam, meu pequeno? Porque não ajudam os teus? Porque não paramos e te acolhemos? Porque te fecham as portas? Porque te deixam assim ao frio, com fome, sozinho? Só porque nasceste noutra terra, não temos o mesmo dever de te ajudar? Acredito que se estivéssemos na tua situação, também iriamos desejar ser ajudados. Mas, por favor, não desistas. Grita. Grita as tuas tristezas, grita a tua inocência roubada, grita a paz que não tens, grita a maldade que presenciaste, grita a morte dos teus, grita o abandono de que és vítima. Grita. Abre os olhos a estes cegos voluntários que por cá passeiam. Fálos ver aquilo que por cá devem andar.

Marta Salomé Gonçalves, 11º I


O PODER da imagem! O PODER da palavra! 7 de junho de 2016 A minha família estava reunida na casa do avô Ebrahim em Alepo. Estávamos a comer Esfiha, um dos meus pratos favoritos. A meio da refeição, vindos do outro lado da cidade, ouvimos um estrondo e gritos. Olhámos pela janela e as casas ao fundo da rua tinham desaparecido. A mamã disse para todos irmos para a cave. Passamos cerca de 3 horas a esperar impacientemente por ajuda. O papá decidiu ver o que se passava lá fora. Finalmente, o silêncio reinava na cidade. Decidimos passar a noite na cave. 12 de junho de 2016 Enquanto o papá e a mamã planeavam uma fuga, a avó contava o dinheiro que tínhamos e preparava mochilas com comida. Por volta do meio-dia, após o almoço, partimos em direção à câmara municipal, onde estavam reunidos parte dos sobreviventes. Fomos divididos em grupos e distribuídos por vários veículos, em que viajámos rumo ao litoral. Na costa, esperava-nos um navio de carga. Enquanto a mamã e a vovó pagavam ao homem do barco, decidi falar com uma rapariga de outro grupo para tentar perceber o que se passava, visto que a minha família não mo dizia. - Arash, anda cá!- chamou-me o papá. Infelizmente, não foi possível obter qualquer informação da jovem. Depois embarcámos e partimos. 13 de junho de 2016 No barco, dividiram-nos em grupos de 10/15 pessoas e distribuíram-nos por vários compartimentos. Eu e o papá ficamos separados do resto da família. Até ali tinha sido tudo triste e monótono. 24 de junho de 2016 Depois de, finalmente, termos desembarcado na Grécia, mandaram-nos para um vasto campo repleto de pessoas que esperavam que lhes fosse dada uma nova casa onde pudessem começar uma vida nova. Avistei a rapariga do outro dia. Informaram- nos de que, possivelmente, a minha família e a dela iriam ser realojadas no mesmo bairro, o que significaria que frequentaríamos a mesma escola. O nome dela é Banu. Estou grato por ter conseguido escapar, mas espero poder um dia voltar à minha terra - Alepo.

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Andreia Leal, Beatriz Santos, João Boticas e Rita Castro, 9.ºB


O PODER da imagem! O PODER da palavra!

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barulho era ensurdecedor. A minha mente não desenvolvia, parecendo estar parada no tempo. Talvez fosse essa a realidade. O meu corpo encontrava-se imóvel, com a particularidade de só os meus olhos se mexerem. Mexerem de forma a observar o desastre, a confusão à minha volta. Encontras-te confuso(a) com o que estou a relatar? Passarei a explicar. O meu nome é Aslon e tenho 15 anos, quase 16, e irei contar como tudo aconteceu, como tudo se encontrava. Nove horas da manhã. O sol já brilhava e a brisa não se sentia. Mais uma normalidade. Sempre considerara a minha vida monótona, desde que a minha mãe morrera. Tudo se baseava a ficar por casa, ou então a passear Laika. Sim, Laika, o maior doce de sempre, a minha cadela, que me acompanhava em todas as minhas maiores aventuras e descobertas. Fora um presente da minha mãe. Talvez seja essa a razão da grande ligação que tenho com ela. Como habitual, Laika e eu aventuramo-nos por novos caminhos, para novas aventuras. Mas, algo estava estranho. Algo não batia certo. Um mau pressentimento dominava-me, assim como a Laika. Tentei ignorar, mas Laika não. Até que aconteceu. Ela começou a ladrar e tudo à minha volta começou a soar. O barulho era enorme e a melodia do ladrar de Laika entoava ao mesmo tempo. Sentiam-se tiros vindos de todas as direções, e o meu corpo, simplesmente não dava sinais de movimento. Até que o pior aconteceu. Laika. O seu ladrar já não era ouvido, até que ganhei coragem e olhei. Intacta. Não se mexia, assim como os seus olhos não se abriam. Foi aí que tudo caiu, a realidade abateu-me. Mexi-me e corri, talvez como nunca tinha feito, um pouco desnorteada. Estava a viver algo que pensara que nunca me iria atingir. O sentimento de ter perdido tudo, não ter para onde ir. A minha casa já não existia, efeitos de bombas. Corpos eram o que se observava no chão ao meu redor. Tudo parecia sem vida. Nem o sol brilhava com a intensidade das horas anteriores. Avistei um grupo de pessoas a refugiarem-se do resto dos bombardeamentos. Ainda desamparada, juntei-me a eles. Até que o silêncio dominou. Aquele silêncio assustador, o momento em que tudo nos passa, em que tudo

parece chegar às nossas mentes e tomamos consciência do que se passou… Então é este o conceito de se refugiar? Não saber o que poderá acontecer no futuro. Ter que viver sempre com a probabilidade de algo mau acontecer. Ter sempre medo de todo o passo dado. Medo de já não termos mais nada. Porque a realidade é esta. Não digo que não tenho nada, pois algo que ainda tenho é esperança. A esperança de algum dia encontrar um lugar seguro. Lugar para me refugiar, para criar um novo lar com estas pessoas que sentiram o mesmo que eu. Histórias diferentes, mas com acontecimentos comuns. Porque, no final, é disto que se trata. A vida pode tirarnos quase tudo, mas, no entanto, há sempre algo. Tal como neste momento. Perdi a Laika, perdi a casa na qual cresci, mas, a vida deu-me estas pessoas que seguirão comigo para a procura de um novo lugar. Então é este o conceito de refugiados? Então sim, eu, Aslan, de 15 anos, quase 16, sou uma refugiada. Francisca Silva, 10ºF


Lá e Cá com um dinamarquês

Mathias Thorsen, de 16 anos, é um aluno de intercâmbio no programa AFS. Ele é de origem nórdica, mais propriamente dinamarquesa. Decidiu vir para Portugal com o objetivo de adquirir alguns conhecimentos sobre a nossa cultura, a nossa língua, que é bastante diferente da sua língua materna, usufruir do nosso clima e, também, descobrir em que consiste a disciplina de Literatura Portuguesa, na turma I do 11ºano. Nesta entrevista, ele fala-nos, não só da sua vida na Dinamarca, mas também da opinião que tem da nossa escola.

Foi difícil entrar na AFS? A parte mais difícil foi encontrar a organização, porque, na Dinamarca, a AFS não é bem promovida. Dentro dos meus amigos, eu fui o único a embarcar nesta experiência. Eu sempre quis estudar no estrangeiro, porque queria viver outras experiências e conhecer novas culturas. A minha escolha recaiu sobre Portugal por causa do clima e, também, vi, neste país, uma oportunidade de encontrar algo diferente daquilo que tenho no meu. Estás a morar com uma família de acolhimento certo? Fala-nos um bocado acerca dela e da tua integração em Portugal. Penso que ao nível da minha integração, tudo se tem revelado positivo e agradável. A estadia com o meu tutor temme ajudado muito a explorar novos espaços, sem que deixe de poder fazer aquilo que realmente escolhi, ou melhor, aquilo que tinha em mente realizar desde que vim da Dinamarca. Na verdade, não estou sozinho nesta minha expedição. Alguns dos meus amigos estão fixados em Vila Real, Santa Maria da Feira e Lisboa. Desde que cheguei, o meu roteiro tem sido algo complexo (risos). Já passei por localidades como Coimbra, Vila Real, Porto, Lisboa e Braga.

Qual a tua opinião acerca desta escola? Tenho gostado muito. Interessa-me particularmente as apresentações que são realizadas pelos alunos portugueses, É sem dúvida o que mais me cativa. Também gosto das condições arquitetónicas e do ambiente escolar. O que é que viste nesta escola de diferente daquilo que vivencias no teu país? Na Dinamarca, existe mais algum pragmatismo, pois o sistema educacional é mais evoluído do que o de cá. Não estamos habituados tanto à comunicação uns com os outros no intervalo, um pouco devido à maior autonomia dos alunos. Reparei que a falta de luminosidade é algo que me faz certa confusão e, por isso, por vezes, peço às professoras para acender a luz. Qual a maior dificuldade que sentiste no nosso país? Sem dúvida alguma, estou à vontade para dizer a língua não é de todo fácil. O desporto é mais valorizado ao nível das escolas dinamarquesas do que cá, sobretudo o futebol, que eu costumava jogar durante os meus intervalos, o que me causa alguma tristeza. Não tenho tanta motivação em casa, o que transparece, ao nível escolar, pelo meu maior isolamento na biblioteca. Qual o conselho que tens a deixar a quem vem para cá ter a mesma experiência de que tu? Esta jornada compensa a todos os níveis, sem dúvida. Saio de Portugal muito mais enriquecido. Contudo, devem ter a noção de que têm de ser fortes ao nível de “esquecer” a família e os amigos que deixaram para trás, e reportar as saudades para 2º plano. Foto: Mathias com os colegas da turma I do 11ºano Carolina Barros, 11ºI

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Olá, Mathias! Já sabemos que és natural da Dinamarca, mas agora queremos saber um pouco mais sobre a tua cidade natal. Eu moro em Sonderborg, uma cidade com perto de 15.000 habitantes, com a minha família. Tenho 3 irmãos mais novos e uma cadela chamada Bella. Eu e os meus amigos moramos longe uns dos outros e eu costumava ir de bicicleta para a escola, que fica a cerca de 9 km de distância da minha casa. No meu tempo livre, pratico desportos aquáticos como surf, natação e kitesurf e jogo futebol com os meus amigos num campo da zona. Já tentei praticar outros desportos, como o andebol ou o futebol, mas não me adaptei muito bem.


Turismo para todos ? A propósito do Ano do Turismo Sustentável que está a decorrer, promovido pela UNESCO, venho abordar outro assunto: o turismo acessível. Porque para o turismo ser sustentável tem de ser acessível.

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ara partilhar, com a comunidade escolar, um pouco mais sobre este assunto, vou servir-me de um caso que nos deve servir de exemplo e que acontece na nossa cidade – a Torre/ Igreja dos Clérigos! Em 2016, a Torre/ Igreja dos Clérigos, no Porto, reabriu ao público, após um ano de profundas obras de remodelação, tendo conquistado os prémios nacionais para a melhor intervenção de restauro e de reabilitação do património cultural. Essa intervenção possibilitou a introdução de elementos arquitetónicos, como novos espaços de museu, elevadores, melhores acessos - tudo isto permite que pessoas com mobilidade reduzida tenham mais facilidade no acesso às diferentes áreas de Museu. Contudo o acesso à Torre continua a ser inultrapassável. Na tentativa de colmatar esta barreira, a Provedoria Municipal dos cidadãos com deficiência, em conjunto com a empresa Corticeira Amorim, lançou o desafio à Irmandade dos Clérigos para a instalação de equipamento que permitisse visualizar em tempo real a paisagem/vista do espaço exterior dos patamares superiores da torre, captados através da colocação de 4 camaras de transmissão. Assim surgiu a SALA A+. Trata-se de uma estrutura circular, em cortiça, de grande dimensão, onde estão instalados 6 ecrãs táteis interativos, direcionados em diferentes ângulos, permitindo a captação de diferentes

perspetivas da paisagem. Podem igualmente fornecer informação sucinta, sobre os principiais pontos de interesse (edifícios/equipamentos) que se visualizam no ecrã, pelo simples toque sobre o local escolhido. Aguarda-se, contudo, que o processo possa ser complementado com um sistema áudio, que irá transmitir, em tempo real, os sons exteriores, ouvidos na torre. Também a orientação para pessoas cegas está a ser implementada (ainda em fase de projeto Piloto), denominando-se UP CLÉRIGOS. Felicito todas as entidades envolvidas neste projeto, esperando que seja um bom presságio para sonhos perspetivados!

Não posso finalizar este artigo sem agradecer ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, à Direção da nossa escola e à empresa Parque Escolar pela construção do coberto que permite agora que, em dias de chuva, eu e outras pessoas com mobilidade reduzida não nos molhemos à entrada e à saída do edifício.

A SALA A+ Trata-se de uma estrutura circular, em cortiça, de grande dimensão, onde estão instalados 6 ecrãs táteis interativos, direcionados em diferentes ângulos, permitindo a captação de diferentes perspetivas da paisagem. Podem igualmente fornecer informação sucinta, sobre os principais pontos de interesse (edifícios/equipamentos) que se visualizam no ecrã, pelo simples toque sobre o local escolhido. Aguarda-se, contudo que o processo possa ser complementado com um sistema áudio, que irá transmitir em tempo real os sons exteriores, ouvidos na torre.

Alexandra Sousa, 11º H


“obras de arte na zona ribeirinha”

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turma F, do 11ºano, realizou um passeio pelas “obras de arte na zona ribeirinha” da cidade invicta, no âmbito da disciplina de Geografia, sendo uma das atividades inserida no “Concurso Descobre Outra Cidade”, dinamizado pela CMP. O percurso foi orientado pelo arquiteto Manuel Araújo.

Contrariando as tendências artísticas da época e aproveitando os restos de uma fonte antiga, o escultor planeou a construção de uma fonte e escultura modernas para representar a força e a unicidade dos residentes; daí a forma cúbica, com duas toneladas e um pequeno jato de água para dar a ilusão de que a peça é leve. Inicialmente, os moradores não perceberam a ideia transmitida pelo artista, mas com o tempo foram-se afeiçoando à escultura. Ainda na mesma Praça, tivemos a oportunidade de ouvir as explicações sobre o São João do Porto, santo que dá nome à festa mais popular e participada da cidade e observar a estátua moderna, em mármore, de S. João Batista, da autoria do escultor João Cutileiro e terminada no ano de 2000.

Monumento do Infante D. Henrique na Praça com o mesmo nome

Praça da Ribeira com o “Cubo da Ribeira” da autoria do escultor José Rodrigues

Imediatamente a seguir, deparamo-nos com uma pequena lápide de homenagem ao popular Duque da Ribeira (da autoria de José Rodrigues, em 1995), cujo verdadeiro nome, Deocleciano Monteiro, poucos conseguiam pronunciar e que ficou conhecido pelos inúmeros salvamentos ao longo de décadas e também pela sua extraordinária capacidade de analisar as marés e as correntes do rio Douro. Para finalizar o percurso, detivemonos na belíssima obra “O Painel da Ribeira Negra”, 41 x 5, enorme mural de azulejos que representa as inúmeras atividades praticadas na Ribeira e o fervilhar característico da zona urbana ribeirinha. Este painel é da autoria do famoso pintor Júlio Resende e foi inaugurado em 1987.

As Alminhas da Ponte homenagem ao desastre da Ponte das Barcas, momento trágico da vida da cidade

E assim nos fica mais um pouco da nossa cidade, das suas gentes e das suas obras… Porto, 21 de fevereiro Tinting Ye e Tomás Pinto, 11º F

Pequena lápide de homenagem ao popular Duque da Ribeira

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A nossa visita começou em frente ao monumento do Infante D. Henrique. A estátua foi construída para homenagear o famoso navegador português, ao que parece a única personagem real que nasceu no Porto (1394-1460). Em 1894, contando com a presença do rei D. Carlos, realizou-se a cerimónia de lançamento da primeira pedra do monumento ao Infante, da autoria do escultor Tomás Costa. Seguimos depois em direção ao rio Douro, para o famoso ícone e ponto de encontro, o “Cubo da Ribeira”, da autoria do escultor José Rodrigues. O artista era um frequentador assíduo do local, digamos um boémio muito conhecido nas redondezas e por isso foi convidado a fazer a obra, tendo-a concluído em 1982.

Caminhando ao longo da marginal do rio Douro, em direção à ponte Luís I, retivemo-nos a observar duas outras obras de arte: as “Alminhas da Ponte” e o “monumento dos 200 anos da Ponte das Barcas”. A primeira foi concluída em 1897 pelo escultor Teixeira Lopes e a segunda em 2009 pelo arquiteto Souto Moura, ambas em homenagem ao desastre da Ponte das Barcas, momento trágico da vida da cidade que não se apaga da memória dos portuenses. “Foi nessa ponte que se deu a tristemente célebre catástrofe da Ponte das Barcas, em que milhares de vítimas pereceram quando fugiam, através da ponte, às cargas de baioneta das tropas da segunda invasão francesa, comandada pelo marechal Soult, em 29 de Março de 1809. Mais de quatro mil pessoas morreram.” Reconstruída depois da tragédia, a Ponte das Barcas acabaria por ser substituída definitivamente pela Ponte Pênsil, em 1843.” https://pt.wikipedia.org/wiki/ Ponte_das_Barcas


Uma viagem às indústrias portuguesas

O

s alunos de Ciências Socioeconómicas tiveram a oportunidade de visitar, em São João da Madeira, três empresas portuguesas: a Helsar, a Heliotêxtil e a Viarco. A viagem pelas indústrias portucalenses começou na Helsar. Esta empresa, fundada em 1979, apresenta uma extensa variedade de calçado de renome português, que tem feito brilhar os pés de inúmeras personalidades internacionais. A Helsar produz mais de trezentos modelos manufaturados por estação. É uma empresa inovadora que aposta numa produção ecofriendly e em calçado vegan com a sua coleção “Wear me I’m vegan”. Tem uma forte presença no mercado internacional e em feiras de calçado estrangeiro, exportando grande parte da sua coleção para países como Espanha e Itália. De seguida, visitamos a Heliotêxtil, fundada em 1964, cuja produção se foca em passamanarias como fitas, cordões e etiquetas, . A empresa utiliza teares Jacquard para produzir as passamanarias, por onde saem com uma cor cru, sendo eventualmente tingidas e testadas, para poderem ser enviadas para os seus compradores. Cerca de 30% das suas exportações são feitas para a China e para a Europa, marcan-

do presença em Portugal nas malas Cavalinho e nas fitas de final de curso dos Estudantes Universitários. Finalmente visitamos a Viarco, a única fábrica de lápis da Península Ibérica e a mais pequena do Mundo. Foi criada em 1907 com o nome de “Portugália” e ainda conserva grande parte das suas máquinas centenárias, assim como alguns materiais históricos, como o lápis da censura da época de Salazar. Neste momento, tem apostado em linhas para artistas como a ArtGraf e alguns produtos personalizados, que dão uma maior visibilidade da empresa, exportando grande parte destes produtos para os Estados Unidos, Coreia do Sul, Austrália, entre outros e que representam cerca de 50% das suas exportações. Esta experiência permitiu aos alunos adquirir inúmeras competências a nível económico. Aperceberam-se das diferentes componentes de uma empresa e de como a internacionalização é um fator dinamizador das indústrias e da sua importante integração no turismo de Portugal. S. João da Madeira, Fevereiro de 2017 Catarina Rodrigues, Rita Ginja Gomes e Rita de Sousa , 11ºG

T

he majority of schools’ waste is composed

by

food waste (24%) because there are a lot of students who throw away part of their meals because

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they don’t want it.

MªMano, MªJoão, Rodrigo Azevedo, Rúben Conceição, Vasco Ribeiro, 11ºA


Empreendedorismo na Feira Qualifica Jovens empreendedores apresentam os seus projetos inovadores

D

ecorreu na Exponor a feira Qualifica, uma feira dedicada ao ensino, onde escolas profissionais, institutos superiores, faculdades e entre outras instituições de ensino estão presentes. A Escola Secundária Aurélia de Sousa esteve neste evento, representada por duas equipas que se encontram a participar no “A Empresa” da Júnior Achivement Portugal, projecto que propõe aos alunos criar uma ideia inovadora e, por sua vez, uma empresa. EasyPeasy Company e SpiceMill foram duas das cinco empresas que apresentaram os seus projetos ao público em geral e também a um grupo de jurados. As empresas representantes da nossa escola focaram-se em criar objetos para uso na cozinha, sendo que um dos produtos consistia num moinho de especiarias, com compartimentos para vários condimentos (SpiceMill) e um aplicador adaptável a todas as embalagens alimentares, que permite guardar os alimentos de forma mais segura e proporcionar uma experiência mais “easy” (EasyPeasy Company). A ambas as equipas foi proporcionada uma experiência incrível e única durante toda a manhã, como os comentários dos participantes demonstram. “Foi uma experiência única. As pessoas que passavam no stand elogiavam o nosso produto. Deram-nos, sobretudo, incentivo para continuar. A JA Portugal proporciona-nos a oportunidade de aplicar conceitos teóricos num projeto em que conseguimos desenvolver também a nossa capacidade comunicativa.” Rosa Costa, Diretora Financeira da

Constança Soares da Costa, Margarida Bastos, Ana Catarina Monteiro e Maria João Leandro - 11ºG

Empresa EasyPeasy. “Com a minha participação na “Feira Qualifica” consegui desenvolver a minha capacidade de discurso e de persuasão. Para além da experiência cognitiva, tive a oportunidade de ver novas ideias e de conhecer novas pessoas.” Joana Vieira, Presidente da Empresa EasyPeasy. “A Qualifica foi uma experiência que nos enriqueceu de várias maneiras. A participação da nossa empresa ajudounos a perceber quais os pontos fracos e fortes do nosso produto. Por outro lado, em termos pessoais, senti que me ajudou a desenvolver a capacidade de comunicação e a de trabalhar em grupo. Margarida Varejão (Diretora Financeira e Recursos Humanos da Empresa SpiceMill). " A Qualifica ajudou-me a perceber o feedback das pessoas relativamente à nossa empresa, para além de ter sido uma experiência extremamente enriquecedora." Ana Catarina (Diretora de Marketing e Vendas) As outras empresas participantes foram a HSports e a HowtoSave, ambas da Escola Secundária Rodrigues de Freitas. A empresa vencedora deste evento foi a Ready2Eat da Escola Secundária Filipa de Vilhena, cujo projeto consistia numa plataforma online de distribuição de refeições caseiras. Exponor, dia 16 de março, 2017 Rosa Costa,11ºG

Alunos da turma G do 11ºano no “Dia Aberto” da FEP

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Rita Ginja, Catarina Rodrigues, Pedro Varejão, Rosa Costa, Joana Vieira e Vicente - 11ºG


CREATIVITY AND INNOVATION CHALLENGE

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5ª edição do Creativity & Innovation Challenge Porto de Futuro, uma iniciativa promovida pela Junior Achievement Portugal, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, reuniu 50 alunos de escolas do Porto, na Escola Secundária Carolina Michäelis, para trabalhar com voluntários empresariais. Os estudantes foram divididos em grupos de trabalho de 4/5 elementos de diferentes escolas. As equipas foram nominadas pelos diferentes planetas do sistema solar. A Escola Secundária Aurélia de Sousa foi representada por 5 alunas: Rosa Costa, Constança Soares da Costa, Rita Ginja Gomes, Joana Corte Real e Alexandra Pais, todas da área de Ciências Socioeconómicas, sob a orientação da professora Clara Falcão. No evento, estiveram presentes as escolas Aurélia de Sousa, Alexandre Herculano, Rodrigues de Freitas, Fontes Pereira de Melo, Cerco, Infante D. Henrique, Garcia de Orta, Clara Resende, Filipa de Vilhena e a escola anfitriã, Carolina Michäelis. A atividade consistia no projeto “Uma escola à sua medida”, cuja finalidade seria apresentar propostas a fim de melhorar a escola, tornando-a “a escola ideal”. Foram

sugeridos tópicos para explorar e trabalhar o projeto: instalações escolares, recursos, relações interpessoais, conteúdos,técnicas pedagógicas, avaliações e tomada de decisões. Ao fim de nove horas de trabalho, foram apresentados os projetos das 10 equipas em concurso. No final da tarde foi encerrado o projeto, com o anúncio das equipas vencedoras. Parabenizamos a aluna Constança Soares da Costa, da turma 11ºG, que integrou a equipa que conquistou o primeiro lugar. O primeiro lugar foi premiado com um tablet para cada elemento da equipa, o segundo prémio com colunas portáteis, e o terceiro com bilhetes para o festival de música “Marés Vivas”. Na foto da esquerda para a direita : Rita Ginja, Rosa Costa, Joana Corte Real, Alexandra Pais, profª Clara Falcão e Constança Soares da Costa

E.S. Carolina Michäelis, 3 de março de 2017 Alexandra Pais e Joana Corte Real, 11ºF

“Dia Aberto” da FEP

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om o objetivo de descobrir o que fazer com o seu futuro, a turma do 11ºG participou no Dia Aberto da FEP (Faculdade de Economia do Porto). Este projeto, organizado pela EXUP (Experience Upgrade Program), pretende a orientação vocacional dos estudantes do ensino secundário, através da realização das mais variadas atividades, onde são esclarecidas “dúvidas” sobre o funcionamento da faculdade, neste caso, da FEP. Durante a manhã, com 13 equipas, cada uma representando um país diferente, alunos do secundário e os seus respetivos capitães de equipa trabalharam em conjunto num divertido Peddy Paper sobre a faculdade. Através deste, conseguimos aperceber-nos do que é necessário para chegar à FEP, em que projetos nos podemos envolver para o nosso desenvolvimento profissional, de que é feita a vida de um estudante do ensino superior e,

acima de tudo, qual a diferença entre o curso de Gestão e de Economia. Para além de realizarmos o Peddy Paper, também assistimos a uma atuação da tuna feminina. Ainda pudemos ouvir alguns alunos a falar sobre a vida na FEP, dos cursos lecionados e dos diversos projectos que a faculdade dispõe. Para terminar, também fomos brindados com algum material escolar fornecido pela WTF. Podemos considerar que o Dia Aberto foi positivo, pois, para além de nos responder a várias questões e dúvidas, mostrou-nos como poderá ser o futuro depois do secundário, antecipando o que este nos pode reservar. FEP, Francisco Pinto e Joana Vieira, 11ºG


O ensino diferenciado O ensino diferenciado é a linha pedagógica que procura explicitamente adaptar-se às diferenças entre o homem e a mulher, com a certeza de que ambos têm igual dignidade e iguais direitos.

Invocam o facto de a sociedade ser naturalmente mista (formada por homens e mulheres), pelo que a escola, de acordo com tal perspetiva, também o deveria ser. Trata-se, a meu ver, de uma opinião que tem na base um duplo equívoco: -por um lado, uma suposta “naturalidade” do ensino misto choca com o facto de o que está na base da “SSE” ser, precisamente, reconhecer a valorizar as diferenças – essas sim, naturais – entre os sexos; -por outro, parte erradamente do princípio de que subjacente à SSE estaria uma ideia de separação absoluta de género, em termos de convivência normal entre os jovens de ambos os sexos, o que não corresponde à verdade (seria, aliás, não só indesejável como impossível: a escola é, ou deve ser, apenas “um dos componentes da aprendizagem integral do aluno”). Por último, de referir que, por vezes, há tendência para haver algum “preconceito” em relação à SSE muito por culpa de, na realidade, em Portugal os exemplos concretos serem muitíssimo reduzidos (um total de quatro Colégios). Em outros países (em muitos aspetos mais desenvolvidos que o nosso, como são o Reino Unidos e uma parte dos EUA) a opção pela SSE continua a verificar-se (precisamente em algumas das escolas – públicas e privadas - mais prestigiadas), tendo-se mesmo notado um significativo aumento no seu número no global da “oferta de ensino” dos respetivos países. “Não existe, assim, uma oposição de um sistema em favor do outro, (em sentido excludente), devendo, isso sim, ambos coexistirem de forma aberta e plural, com vista a poder conferir efetiva liberdade de escolha aos pais, primeiros e principais responsáveis pela educação dos filhos.” ( in “Educação Diferenciada: Perguntas frequentes. Página 27 parágrafo nº 8, edição?????) Marta Ribeiro, 11ºH

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em prejuízo disso mesmo, reconhece-se que existem divergências que marcam o “ser” de cada um dos sexos e que, neste caso, se manifestam, por exemplo, nos diferentes ritmos de crescimento e de amadurecimento físico e psíquico (mais rápido nas raparigas), na forma de aprender (mais concreta e esquemática nos rapazes, mais “multitask” no caso das raparigas), no modo de processar emoções, no momento em que se despertam novos interesses, etc. Neste contexto, aparece então o conceito de “ Educação Diferenciada” (Single Sex Education-SSE) como uma forma de adaptação dos modos e técnicas de ensino às diferenças – já sublinhadas - entre os rapazes e as raparigas, concebendo estratégias optimizadas de ensino e aprendizagem que acabam por beneficiar em igual medida ambos os sexos. A construção de uma opinião fundamentada sobre este conceito (SSE- Educação Diferenciada) requer um aprofundamento dos conhecimentos sobre as diferenças académicas que distinguem os dois géneros. Nesse sentido, têm sido realizados um conjunto de estudos com o objetivo de aferir e identificar tais diferenças com respeito a vários indicadores escolares, como sejam: as taxas de retenção (muito mais elevadas nos rapazes), o abandono escolar (idem) e o ingresso na universidade (com prevalências evidentes de um dos sexos em alguns cursos, com claro benefício das raparigas no atual sistema de avaliação de conhecimentos académicos). Acresce que os dados mais recentes do PISA (Programme for International Students Assessment, disponíveis no site oficial: http://www.oecd.org/pisa/.) mostram que as consequências dos desfasamentos entre os géneros têm vindo a acentuar-se ao longo dos anos, não se indiciando que possam vir atenuar-se por si mesmos num futuro próximo. Paralelamente, é habitual que os críticos da “SSE” comecem por reconhecer que tal método possa conduzir, genericamente e em média, a melhores resultados académicos para ambos os sexos, sublinhando, todavia, que tal factor “não deverá ser sobrevalorizado em desfavor de outros aspetos educacionais igualmente relevantes”, como as aptidões de sociabilização, comunicacionais e inter -relacionais e outras.


MÁRIO SOARES (1924-2017) O PRESIDENTE DA LIBERDADE Amado por uns e desprezado por outros é inquestionável que poucas figuras como a de Mário Soares ficarão gravadas nos livros de história. Homem, político e pensador, que sempre se mostrou à frente do seu tempo, é descrito por Nuno Ribeiro, jornalista do Público, como alguém que viu, viveu, fez viver e mudar.

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ascido em 1924, Mário Soares cresceu num ambiente de tradição republicana e oposicionista, influenciado pelo seu pai. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas e em Direito e iniciou a sua atividade política ainda na faculdade. Como advogado defensor de presos políticos, participou em numerosos julgamentos, nomeadamente os de Álvaro Cunhal, Octávio Pato e o da família de Humberto Delgado, o que lhe proporcionou visibilidade. Ainda assim, ninguém poderia prever que viria a ser um notável protagonista da política portuguesa e uma das mais complexas personalidades a nível europeu. Inicialmente militante do Partido Comunista roupe essa ligação em 1950, por não se rever nem na linguagem nem na metodologia, fundando a Resistência Republicana e Socialista. É neste contexto que, em 1965, se candidata a deputado da Assembleia Nacional do Estado Novo, nas listas da Oposição Democrática. Preso 12 vezes, cumprindo um total de cerca de três anos de cadeia, chegou a ser deportado para a ilha de São Tomé após divulgar à imprensa um caso de prostituição que envolvia membros do Governo próximos de Salazar e, já com Marcelo Caetano no governo, esteve exilado em França. Soares está, portanto, intimamente associado à teia de cumplicidades, alianças e conspirações que estão na origem da Revolução 1974 e nas conquistas de 25 de Abril. Regressa a Portugal no chamado Comboio da Liberdade, três dias após este acontecimento histórico e atravessa o periodo crítico e conflituoso do PREC, afir-

mando-se claramente como o principal líder dos socialistas e conduzirá à vitória o Partido Socialista, fundado por si, nas eleições para a Assembleia Constituinte de 1975. Nas inúmeras funções políticas que foi desempenhando, ter sido um dos impulsionadores da independência das colónias portuguesas acarretou-lhe críticas para o resto da vida; mas, um dos seus maiores sucessos foi a responsabilidade no processo de adesão de Portugal à CEE, promovendo o seu desenvolvimento. Primeiro -Ministro no I, II e IX Governo Constitucional e duas vezes Presidente da República entre 1986 e 1996, surpreende todos ao candidatar-se, sem êxito, a um terceiro mandato, em 2005, com 81 anos. “Republicano, socialista e laico”- assim se autocaracterizava este homem que fez História sabendo que a fazia. Mário Soares faleceu no início de 2017 e entre palmas e lágrimas de todo um povo conseguiu ainda no seu funeral, tal como no dia em que regressou a Portugal após o 25 de Abril, ruas inteiras gritar “Soares amigo, o povo está contigo!” e “Soares é Fixe!” Um homem imprescindível, com uma capacidade de resistência e coragem excecional. Uma figura com um percurso cívico e político de intervenção constante, que ajudou a abrir um novo caminho para o país. Um autêntico militante da liberdade, da democracia e da justiça social. Uma personagem que nunca desistiu. Soares tinha uma visão muito especial do país, da Europa e do Mundo e, aos olhos de muitos, “pode ter-se enganado, às vezes, no acessório, mas nunca no fundamental” Inês Sincero, 11ºH


“Daqui fala-vos a vossa Associação de Estudantes...

Associação de estudantes

Direção Presidente: Pedro Teixeira Vice: Leonor Contente Vice: Bernardo Almeida Secretário: Inês Sincero Vogal: Rita França Vogal: John Currin Vogal: José Pedro Delgado Vogal: Cláudio Leal Vogal: Solange Rodrigues Assembleia Geral Presidente: José Pedro Pereira Vice: Marta Coutinho Secretário: Sara Vieira Conselho Fiscal: Presidente: David Capela Vice: Filipe Rodrigues Secretário: Gonçalo Mendes

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– e é com um prazer e orgulho enorme que nos assumimos como tal. Obrigada por terem confiado e acreditado em nós mas, essencialmente, por terem lutado connosco para tornar este sonho realidade. Já há muito que andávamos à procura da oportunidade de ser a voz dos alunos - uma vez que acreditamos ter a energia, a criatividade e o espírito de iniciativa necessários para dinamizar e animar a nossa rotina de estudantes, assim como uma boa relação com todos. Felizmente, e graças a vocês, conseguimos. O grupo é empenhado, organizado e com uma heterogeneidade interessante. Como tal, o feedback dos primeiros tempos é positivo. Vendem-se folhas de teste e de justificação de faltas, podem requisitar-se bolas para os intervalos, a escola dispõe já de redes novas para as balizas e cestos, o torneio de futebol está a decorrer - sendo que haverá competições de outras modalidades em breve – celebrou-se o Dia de São Valentim e Carnaval com atividades e toda uma dinâmica diferente e está aberta a recolha solidária de roupa. Aos poucos vamos conseguindo pequenas vitórias para a escola e mais mudanças e eventos estão no nosso horizonte de planos. Por isso, fiquem atentos! Esta é a tua Associação e faremos o possível para corresponder às tuas expectativas enquanto Estudante. “


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Bob Dylan vence o Prémio Nobel da Literatura 2016 Bob Dylan, figura incontornável do mundo da música, foi o autor escolhido para receber o Prémio Nobel da Literatura 2016. Segundo a Academia Sueca, o primeiro compositor a receber o prestigiado galardão criou “novas expressões poéticas no âmbito da música norte-americana” e merece a distinção por ser “um grande poeta na grande tradição poética inglesa”.

Algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas ficam molhadas

Once upon a time, you dressed so fine You threw the bums a dime in your prime, didn't you? People'd call, say: "beware, doll! You're bound to fall!" You thought they were all kiddin' you You used to laugh about Everybody that was hangin' out Now you don't talk so loud Now you don't seem so proud About having to be scrounging for your next meal How does it feel? How does it feel? To be without a home? Like a complete unknown? Like a rolling stone? You've gone to the finest school all right, miss Lonely But you know you only used to get juiced in it And nobody has ever taught you how to live on the street And now you're gonna have to get used to it You said you'd never compromise With the mystery tramp, but now you realize He's not selling any alibis As you stare into the vacuum of his eyes And ask him do you want to make a deal? How does it feel How does it feel To be on your own With no direction home A complete unknown Like a rolling stone? You never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns When they all come down and did tricks for you You never understood that it ain't no good You shouldn't let other people get your kicks for you You used to ride on the chrome horse with your diplomat Who carried on his shoulder a Siamese cat Ain't it hard when you discover that He really wasn't where it's at After he took from you everything he could steal

Era uma vez tu vestias-te tão bem Atiravas um cêntimo aos mendigos no teu apogeu, não era? As pessoas avisavam-te, diziam:«Cuidado boneca, olha que vais cair» Pensavas que te estavam todos a gozar Costumava rir de Toda a gente que andava por ali Agora não falas tão alto Agora não pareces tão orgulhosa Por teres de andar a cravar a próxima refeição Que tal é a sensação Que tal é a sensação De se estar sem lar Como um perfeito estranho Como uma pedra a rolar? Andaste na melhor escola, tudo bem, Miss Solitária Mas sabes que lá apenas te espremiam E nunca ninguém te ensinou a viver na rua E agora descobres que vais ter de te habituar a isso Dizias que jamais te comprometerias Com o vagabundo mistério, mas agora dás-te conta Que ele não vende nenhuns álibis Enquanto pasmas para o vácuo dos seus olhos E lhe perguntas queres fazer negócio? Que tal é a sensação Que tal é a sensação De se estar por sua conta Sem um caminho para casa Como um perfeito estranho Como uma pedra a rolar? Nunca te viraste para ver os cenhos franzidos dos malabaristas e dos palhaços Quando todos eles se chegavam e faziam habilidades para ti Nunca percebeste que isso não é nada bom Não devias deixar os outros divertirem-se por ti Costumavas montar o cavalo cromado com o teu diplomata Que trazia ao ombro um gato siamês Não é duro descobrires que Ele realmente não era o máximo Depois de te levar tudo quanto pôde roubar continua

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Like a Rolling Stone


Prémio Nobel da Literatura 2016 Continuação How does it feel To be on your own With no direction home Like a complete unknown Like a rolling stone? Princess on the steeple and all the pretty people They're drinkin', thinkin' that they got it made Exchanging all kinds precious gifts and things But you better take a diamond ring, you’d better pawn it babe You used to be so amused At Napoleon in rags and the language that he used Go to him now, he calls you, you can't refuse When you got nothing you got nothing to lose You're invisible now, you got no secrets to conceal How does it feel How does it feel To be on your own With no direction home Like a complete unknown Like a rolling stone?

Que tal é a sensação De se estar por sua conta Sem um caminho para casa Como um perfeito estranho Como uma pedra a rolar? Princesa no campanário e todas as pessoas bonitas Bebem, pensando que têm o sucesso garantido Trocando toda a espécie de prendas e coisas preciosas Mas era melhor que fanasses o teu anel de diamantes, era melhor que o pusesses no prego, querida Costumavas ficar tão se divertida Com o Napoleão andrajoso e a linguagem que ele usava Vai ter com ele agora, ele chama-te, não podes recusar Quando não se tem nada, não se tem nada a perder Agora és invisível, não tens segredos a esconder Que tal é a sensação Que tal é a sensação De se estar por sua conta Sem um caminho para casa Como um perfeito estranho Como uma pedra a rolar?

Bob Dylan traduzido por Dr. Pedro Serrano

Rua Santos Pousada , 1222 4000-483 Porto Tlf. 225029821

Rua Aurélia de Sousa,49

24 l Jornalesas l abril 2017 l X L V I I

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O Projeto Rosie de Graeme Simsion,

scrito por Graeme Simsion, o livro O Projeto Rosie é um livro muito interessante, que conta a cómica história de um professor de Genética, de nome Don Tillman. Este pretende encontrar a mulher perfeita, mas, para tal, não basta o questionário que Don elabora. Após muitas tentativas falhadas, surge na história uma nova personagem, Rosie Jarman, uma estudante de Psicologia na faculdade de Don e totalmente desadequada, segundo os critérios do professor. Don e Rosie passam muito tempo juntos, mas ambos recusam a hipótese de uma relação. Porém, quando chega a altura de se separarem, não resistem e acabam por ficar juntos para a vida toda. João Barão, 7º. C


livros A confissão da Leoa de Mia Couto

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Confissão da Leoa é um livro escrito por Mia Couto que nos situa na aldeia de Kulumani, em Moçambique, num período pós guerra da independência das colónias. A aldeia é vítima de ataques sucessivos de leões. A ação é contada alternadamente por dois narradores participantes distintos. Um deles é Mariamar, uma rapariga nativa que sofre a pressão de uma sociedade tradicional e conservadora, onde a mulher não tem quaisquer direitos, adotando um papel doméstico. O outro é Arcanjo Baleiro, jovem caçador contratado para resolver o problema dos ataques. Existe uma ligação entre as duas personagens, dado que já se encontraram dezasseis anos antes da ação narrada. Arcanjo Baleiro salva Mariamar do polícia local que a tenta violar e esta acaba por se apaixonar pelo caçador: "Esse homem, em tempos, caçou-me a mim". O conceito de “leão” não é muito claro, podendo-se fazer uma analogia, por vezes incentivada pelo autor, entre os leões e as mulheres, ferozes, porém aprisionados. Este aspeto está aliado à mitologia africana que nos é mostrada por rituais de caça e referências a criaturas como a “serpente coxa”. Em suma, é um livro muito interessante, que apela ao raciocínio do leitor relativamente aos vários problemas das diversas sociedades, principalmente as do terceiro mundo.

Gabriel Campos, 11º A

Mopsos, o Pequeno Grego O Ouro de Delfos de Hélia Correia e Henrique Cayatte

obra Mopsos, o Pequeno Grego – O Ouro de Delfos (escrita por Hélia Correia e ilustrada por Henrique Cayatte) conta a história de um rapaz, chamado Mopsos, que tinha oito anos e pertencia a uma família de adivinhos. Certo dia, Mopsos e o seu avô, Tirésias (o maior e mais respeitado adivinho da Grécia), fizeram uma viagem até Delfos. Esta viagem foi bem-sucedida, mas Mopsos não foi muito bem tratado durante o percurso até Delfos. Eu acho que o livro é muito interessante; porém, ao longo da história, tudo é descrito de forma muito pormenorizada, o que pode desencorajar alguns leitores. Por outro lado, aprendi muito com esta leitura, porque conheci novas palavras (que nem no dicionário ou na internet encontrei) explicadas ao pequeno Mopsos pelo avô. Nesta obra, descobri novas palavras, realidades e uma Grécia diferente daquela que conhecemos através da disciplina de História. Em suma, apesar de o livro ser escrito com muitos pormenores, o que não cativa o público que gosta de muita ação, também mostra ao leitor como era a Grécia antiga (o que é muito agradável). José Miguel Ribeiro, 7.º E

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livros 4321 de Paul Auster

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aul Auster, escritor de obras como “A Trilogia de Nova Iorque” ou “Timbutku”, volta, após estar sete anos na sombra, com um colossal romance de 862 páginas, traduzido em Português pela Edições ASA. É em bom tempo que este autor brilhante nos apresenta todas as dificuldades que uma família de emigrantes teve que ultrapassar a nível etnocultural e financeiro para chegar ao self-made man que Ferguson, o personagem principal, se tornou. O curioso título do livro refere-se às quatro diferentes fases da vida de Ferguson que se relacionam intrinsecamente com a adaptação que teve de passar para se integrar na sociedade americana, vindo de uma família de emigrantes que entraram nos EUA através da Ellis Island. Além de viajarmos pela árvore genológica de uma família de emigrantes, viajamos pela América num tempo distante, misturando suspense com história, num romance extenso, mas genial. José Miguel Barbosa, 10ºH

O Carteiro De Pablo Neruda

26 l Jornalesas l abril 2017 l X L V I I

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de Antonio Skármeta

ntonio Skármeta foi membro do Movimento de Ação Popular e Unitária, uma coligação democrática de esquerda chilena anti-imperialista que democraticamente elegeu Salvador Allende para presidente do Chile. Em O Carteiro De Pablo Neruda, a ação situase na conturbada década de 70, no Chile, marcada por convulsões políticas e económicas. Ao longo da narrativa, é possível notar a preferência política de António Skármeta, quando fala das classes socias trabalhadoras, na qual Mario Jiménez, personagem principal, se inclui. A admiração de Skármeta por Neruda é também notória. Mario Jiménez, um jovem pescador de 17 anos, quase analfabeto, morador da Ilha Negra e infeliz com a sua situação, decide tornar-se carteiro dessa mesma ilha, na qual o único que recebe e envia correspondência é o poeta Pablo Neruda. Mario admira muito o poeta e espera pelo dia em que este lhe dedique um poema ou que consiga algo mais do que o habitual agradecimento e a gorjeta. Finalmente, concretiza o seu desejo e estabelece uma relação de amizade

com o poeta. Mario, com o desenrolar de história, vai aprendendo com Neruda poesia e vai ganhando sentido político incutido por este . Ao mesmo tempo, apaixona-se por Beatriz Gonzalez, uma rapariga da vila onde vive e, com a ajuda de Neruda, vai declarar-se. Além de contar a história de Mario, o livro simultaneamente conta a história de Neruda e da política do Chile na década de 70, sendo, portanto, um livro com um valor também documental. No início da narrativa, no que à política se refere, não é claro se se trata de ficção ou realidade, mas, com o avançar da ação, torna-se evidente que estamos a falar da história do Chile. Apesar de ser curto, o que limita o desenvolvimento da história e do contexto político do Chile, que é abordado superficialmente, é um livro interessante, com uma história bem construída, diálogos muito divertidos e com muita ironia, uma escrita muito cativante e que nos proporciona um momento agradável de leitura, além de transmitir conhecimentos históricos sobre o Chile. Luís Carvalho, 11ºA


Desporto Downhill: “ Somos consumidos por uma adrenalina tremenda e difícil de descrever” Quando inquirido sobre o perigo iminente da prática do Downhill, uma vez que se trata de velozes descidas de montes acidentados, Francisco afirma que, como muitos outros, o Downhill é um desporto de risco calculado, pois é através das proteções necessárias e recomendadas (capacete completo, luvas, joelheiras e proteção de peito e de costas) que se evitam as lesões, “ pelo menos as mais graves”- acrescenta, tendo já deslocado o ombro duas vezes. Percorre as pistas criadas destacando as de Santa Justa em Valongo, de São Pedro de Canelas em Penafiel e as de Ponte de Lima pois, como são situadas no Norte do país, têm naturalmente maior relevo, acrescentando mais intensidade e desafio ao exercício. Ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, o Downhill requer muita técnica em descidas, saltos e pisos irregulares, assim como uma elevada capacidade de concentração e de preparação física, sendo esta focada mais nos membros superiores (braços e ombros) do que nos inferiores, pois graças à inclinação das pistas, o pedalar torna-se desnecessário e opcional. Finaliza, dizendo que “ A adrenalina pela qual se é atingido no momento que se começa a descer a pista é algo que nunca se esquece e algo que recomendo a todos os que se gostam de divertir e que gostam principalmente da liberdade que o andar de bicicleta nos traz.”

Francisco Pinto, do 11ºG, durante os treinos de Downwill

Marta Ribeiro, 11º H

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rancisco Pinto um aluno do 11ºano estudante de Economia descreve a prática de um desporto por muitos desconhecido ou até temido. Embora tenha começado por uma modalidade do ciclismo mais praticada, - o Cross Country - , aos dezasseis anos, Francisco Pinto decide aventurar-se e trocar as subidas e descidas dos percursos de terra pelas inclinadas descidas das pistas destinadas ao Downhill. “ O que mais me fascinou foi o facto de, ao contrário do que eu estava habituado, o Downhill ser sempre a descer, expondo-nos a um nível de adrenalina indescritível e que eu nunca tinha experienciado.” Tem agora dezoito anos e, embora ainda não esteja federado, treina com uma equipa sedeada em Valongo – Downhill Extreme Valongo – e tem, ao longo destes dois anos, participado em várias competições, encontrando-se atualmente a preparar o Campeonato Nacional e o Regional do Minho. Uma das muitas vantagens que aponta à prática deste desporto é a fácil conciliação do tempo passado na escola e do tempo passado a treinar e a competir o que é, muitas vezes, uma preocupação de outros desportistas. Com isto, afirma “ Treino (no monte) pelo menos duas vezes por semana, acompanhado por uma carrinha que facilita o transporte e, se tenho tempo, pego na bicicleta durante a semana para dar uma volta, o que acaba por fazer com que o tempo que passo na escola e a estudar não interfira com o tempo de treino.”


mega-sprint - Desporto escolar Em 2017, celebra-se a 13ª edição do Mega Sprinter, fruto de uma parceria entre a Federação Portuguesa de Atletismo, a Direção Geral de Educação - Desporto Escolar e as escolas. Comitiva do Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa à chegada ao Estádio Municipal de Vila Nova de Gaia

Guilherme Almeida – 9º F

Francisca Sousa e Filipe Barbosa no Mega Sprinter

1º lugar no salto em comprimento 3º lugar no lançamento de peso

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sta competição compreende 3 fases, escola, regional e nacional, nas quais os alunos são convidados a participar nas seguintes disciplinas do Atletismo: velocidade (40 metros), salto em comprimento, lançamento de peso e corrida de 1000 metros. A fase escola do nosso Agrupamento ocorreu no dia 22 de fevereiro, nas instalações da Escola Secundária e contou com a participação de 65 alunos da EBAG e ESAS. No dia 15 de março, a comitiva de 22 alunos do Agrupamento deslocou-se ao Estádio Municipal de Gaia para disputar o regional. Todos os participantes estão de parabéns, mas não podemos deixar de realçar a prestação do Guilherme Almeida, nº 9 do 9º F, que obteve o 1º lugar na prova de salto em comprimento e o 3º lugar no lançamento de peso. Com estes resultados, o Guilherme garantiu o apuramento para a fase seguinte e vai representar a região norte do país no Mega Sprinter Nacional que decorrerá, a 31 de março e 1 de abril, em Elvas.

A profª de Educação Física - Catarina Cachapuz

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Francisca Sousa e o Filipe Soares, da sala de multideficiência da ESBAG, integraram a comitiva e participaram nas provas de velocidade (40 metros) e de lançamento de peso..


A escola e o peso das mochilas mudança de salas no intervalo. “Dez por cento é o peso máximo que qualquer aluno em fase de desenvolvimento corporal deve carregar nas suas mochilas” indica a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia que, juntamente com associações como a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e a Confederação Nacional das Associações de Pais, subscreve esta petição. Medidas legislativas como a obrigatória repartição de manuais escolares acima de um certo peso, a contemplação de uma balança digital nas salas de aula e a flexibilidade dos horários podem estar em cima da mesa, embora a discussão deste tópico possa ser atrasada durante mais umas semanas devido a temas como a Gestão da CGD ou a saída de dinheiro de Portugal para offshores. José Miguel Barbosa - 10ºH

https://www.google.pt/search?q=peso+das+mochilas+escolares

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niciada a meados de janeiro, a petição para a redução do peso das mochilas escolares, que conta com o apoio de personalidades públicas como José Wallenstein, já soma mais de 30.000 assinaturas. A proposta deverá ser debatida na Assembleia da República, visto que tanto a oposição como o atual governo concordam no que toca à relevância deste assunto. Num comunicado feito ao semanário “Expresso”, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) mostrou-se solidária com a preocupação e diz que os editores escolares “têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”. Ainda que as escolas se preocupem com este assunto e procurem utilizar manuais repartidos em várias partes ou disponibilizar cacifos aos alunos, dando prioridade aos que sofrem de problemas ortopédicos ou musculares, os pais ainda continuam inquietados com a dificuldade que alguns dos seus educandos revelam ao passar um dia inteiro na escola com as suas mochilas o que, muitas vezes, incluí a deslocação de casa para a escola (e vice-versa), bem como a


Aurélia de sousa, a patrona da Escola A homenagem à nossa patrona por parte da professora Marina Viana tem vindo a ser efetuada de forma bastante diversificada ao longo dos últimos anos, como por exemplo a encarnação de Aurélia no primeiro dia de aulas deste ano letivo no âmbito do 150º aniversário da artista.

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ual é a reação da comunidade escolar ao ver a transformação de uma professora para Aurélia de Sousa, estando, obviamente, associadas as roupas que se assemelhavam àquelas que a artista usava no seu tempo de vida (século XIX)? Os meus colegas de trabalho já me tinham visto a encarnar Aurélia, embora com trajes diferentes, portanto já estariam a antever o que se veio a desenrolar em Setembro. No entanto, quiseram ser fotografados comigo e elogiaram bastante o papel que desempenhei. Os meus alunos, por saberem que sempre fiz o culto à patrona, agiram com mais normalidade de que os restantes alunos que ficaram muito surpresos ao ver-me vestida de tal forma. No geral, gostei bastante do “feedback” que obtive das pessoas que presenciaram a encarnação da nossa patrona. É sabido que a professora presta um grande culto à patrona da nossa escola. Acha que o dinamismo colocado nesta forma de homenagem a Aurélia, comparando com formas mais ortodoxas de o fazer, cumpriu a missão de sensibilizar os alunos no respeito que é preciso transmitir desta grande artista portuguesa? Sinto-me bastante satisfeita com os resultados desta atividade que veio complementar as habituais propostas de trabalho que desenvolvo com os 7ºs e 10ºs sobre o conhecimento da patrona. No início deste ano lectivo, a minha “impersonation” contribuiu indubitavelmente para um ainda maior número de alunos se apropriarem do

verdadeiro significado do nome da escola. Qual é o significado que Aurélia de Sousa, a mulher e a artista, representa para a professora? Aurélia de Sousa tem, para mim, uma importância bastante grande, mais a nível da personalidade devo dizer, visto que não partilho dos seu dotes artísticos, não só pelas semelhanças de caráter, mas também do que ela representa como figura feminina. Tal como Aurélia, revejo -me no seu ar duro e severo que, às vezes, “assusta” os alunos. No entanto, tal como a patrona, é apenas uma manifestação de carisma. Também me identifico com ela na minha vida profissional pois as pessoas que trabalham comigo, incluindo os alunos, rapidamente sabem que viso a criatividade e a produção de propostas de trabalho que vão para além da banalidade. Coincidentemente também vivo num local com vista para Douro e adoro contemplá-lo. O que é que acha que Aurélia de Sousa, se viajasse no tempo, pensaria da escola que tomou o seu nome? Acho que se orgulharia muito não só da escola em si e do seu funcionamento, mas também do que temos conseguido alcançar no âmbito da expansão do conhecimento dos nossos alunos, especialmente este ano, o do seu 150º aniversário. José Miguel Barbosa, 10ºH

Rua Santos Pousada, 1204 - 4000 – 483 Porto Tel/Fax.: 225 024 938 / Tlm.: 911 710 979 Email: porto.antas@naomaispelo.pt

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Com alunos no Dia o Diploma em setembro de 2016


índice

Concurso Pinta tu Espãna 3

Concurso literário

4

Conferências da Semana das Humanidades

5

1º Prémio - escalão C

6

1º Prémio - escalão D

8

Magia da matemática

9

O Poder da Imagem! O Poder da palavra!

10

Lá e Cá

13

Turismo para todos ?

14

Obras de arte - C.M.P.

15

Economia

16

O ensino diferenciado

19

Mário Soares

20

Associação Estudantes

21

Feirinha n´Áurélia - APESAS

22

Prémio Nobel da Literatura Bob Dylan - 2016

23

Livros

24

Desporto

27

Mochilas

29

Aurélia de Sousa

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XIV Prémios Pilar Moreno 2017

Escola Secundária Aurélia de Sousa esteve representada neste projeto de âmbito nacional, através do trabalho realizado pela aluna Sofia Domingues do 8ºano, turma A1. O concurso, promovido pelo Ministerio de Educación, Cultura y Deporte e difundido pela Consejería de Educación en Portugal, destinava-se a todos os estudantes de língua castelhana em escolas portuguesas. O desafio foi lançado na aula de Espanhol e Sofia Domingues decidiu participar. Em boa hora o fez, pois o cartaz por si desenhado é revelador do seu talento e criatividade! Resta-me agradecer, enquanto professora de espanhol da escola, a sua dedicação e empenho no projeto. Foi o melhor trabalho da nossa escola. Parabéns! Professora de Espanhol, Sara Ralha

Sofia Domingues, da turma A1 do 8ºano, com o trabalho que apresentou a concurso

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Homenagem Mª Helena Pinto da Cunha


FICHA TÉCNICA

Editorial

Coordenadores: António Catarino (prof.), Carmo Rola (profª), Julieta Viegas (profª) e Maria João Cerqueira (profª)

Elogio do tédio? Basta recuarmos uns anos, não muitos, para que várias gerações entendessem esta simples pergunta como completamente estúpida e despropositada. O tédio, esse grande mal, foi o início de muitas das transformações culturais e educacionais que atravessou o terceiro e o último quartel do século XX, tempo esse ainda observado e vivido por muitos dos educadores e pais atuais, embora desconfiemos que estes últimos sejam já mais jovens, coisas das políticas de reformas sociais que obrigam ao arrastar de trajetos profissionais infindáveis. A luta contra o tédio levou a grandes alterações e mudanças sociais atravessados, por paradoxal que seja, por trinta anos de um crescimento económico ímpar dos países desenvolvidos. No fundo, a juventude daquele tempo distante tinha dinheiro, emprego certo, casas baratas, famílias aparentemente unidas, sociedades estáveis, estados protetores. Exceto o tédio que os assediava. Por isso, provocaram-se metamorfoses irreversíveis cujos efeitos ainda hoje perduram. Os jovens, hoje, não conhecem o tédio. Ocupam-no com mil atividades. Os seus cérebros não páram de vibrar com os smartphones, com os jogos vídeo, com a televisão, com downloads de músicas industriais, com realidades virtuais, com as redes sociais para 140 caracteres e sms de linguagem encriptada. Isto nem seria tão grave, se não fosse acompanhado por um horror ao silêncio ao mesmo tempo que se idolatra o entretenimento contínuo. Uma criança ou um jovem adulto necessita de sentir tédio, de estar parado, esticado no sofá, sem sequer pensar na escola, ou nas ligações familiares ou sociais. A necessidade de introspeção é fundamental para o crescimento equilibrado do ego e o tédio é, também, esse meio. Defende O. Douville, na última Revue des Sciences Humaines, a necessidade dos jovens de hoje se entediarem, de ganhar tempo sem nada fazerem (que crime, para alguns!), visto que, eles próprios, estão a «colocar-se em dúvida e que nesses tempos mortos, ele elabora, procura e cria». A ocupação forçada dos jovens, segundo Marion Hazza, faz com que estes vejam os jogos vídeo ou as redes sociais como «sonhos (teleguiados) em plasmas e écrans, dando-lhes uma falsa noção de proteção e ocupação». Quantos dos educadores e pais da nossa Escola não se deram já conta deste problema que afeta cada vez mais os jovens das sociedades desenvolvidas? A questão, ao equacionarmos este problema, é, entre outras coisas, a de afirmar a impossibilidade real, por exemplo, de um jovem estudar e ler livros ou manuais escolares, enquanto está ligado simultaneamente a quatro ou cinco meios de comunicação social. O tédio? Já sabiam os poetas românticos que era a fonte de quase toda a criação. Mas não iremos tão longe. Atualmente, a ocupação, essa sim entediante, assemelha-se cada vez mais aos ritmos da produção moderna. Temos todos os motivos para desconfiar dela. Principalmente pais e educadores. António Catarino (prof.)

Revisão de textos: Maria João Cerqueira (profª) Revisão geral : Maria João Cerqueira (profª) Capa: Montagem feita por Carmo Rola (profª) Paginação e Maquetagem: Julieta Viegas (profª) Fotografia: António Carvalhal (prof.)

Equipa redatorial: Afonso Faro, 9ºF, Alexandra Pais, 11ºF, Alexandra R. Sousa, 11ºH, Amélia Mascarenhas, profª, Ana Amaro (profª), Andreia Leal, 9ºB, Ângela Cruz, 12ºA, Associação de Estudantes, António Carvalhal, prof, António Catarino, prof. Beatriz Santos, 9ºB, Blandina Lopes, profª, Carlos Morais, prof., Carmo Rola, profª, Carolina Barros,11ºI, Catarina Cachapuz, profª, Catarina Rodrigues, 11ºG, Clara Falcão, profª, Delfina Rodrigues (srª Diretora AEAE), Fátima Alves, profª, Francisca Silva, 10ºF, Francisco Pinto 11ºG, Graça Martins, profª, Gabriel Campos, 11ºA, Idalina Miranda, profª, Inês Sincero, 11ºH, Joana Corte Real, 11ºF, Joana Vieira, 11ºG, João Barão, 7ºC, João Boticas, 9ºB, Luísa Saraiva, Profª Bibliotecária, José Miguel Barbosa, 10ºH, José Miguel Ribeiro, 7ºE, Julieta Viegas, profª, Luís Carvalho, 11ºA, Mª do Carmo Macedo, 7ºE, Maria João, 11ºA, Maria João Cerqueira, profª, Margarida V. Bastos, 11ºG, Maria Mano, 11ºA, Marta Ribeiro, 11ºH, Marta Salomé Gonçalves, 11ºI, Núcleo de Estágio de Filosofia, Rosa Margarida Costa, 11ºG, Rita Castro, 9ºB, Sara Ralha, profª, Tinting Ye, 11ºF, Rita Ginja, 11ºG, Rita Sousa, 11ºG, Rodrigues Azevedo, 11ºA, Rúben Conceição, 11ºA, Tomás Pinto, 11ºF e Vasco Ribeiro, 11ºA.

Financiamento: Estrela Branca l Pão quente, pastelaria; Deriva Editores l livros, Olmar l materiais de escritório; Oporto essência | cabeleireiro low cost; Helena Costa l cabeleireiro; Susana Abreu | cabeleireiros, estética e cosmética; UrbanClinic l Estética e Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa.

abril. 2017 http:// www.issuu.com (pesquisa: jornalesas)

ESCOLA SECUNDÁRIA/3 AURÉLIA DE SOUSA Rua Aurélia de Sousa - 4000-099 Porto Telf. 225021773 equipa.jornalesas@gmail.com

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Os textos para a edição XLVl I (47) do Jornalesas foram redigidos segundo as normas do acordo ortográfico

Jornalesas abril 2017  

Jornal oficial da Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa, Porto

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