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Mulheres Republicanas Regina Quintanilha

Maria Veleda

Por Marina Mamede do 11ºE

R

egina da Glória Pinto de Magalhães Quintanilha nasceu a 9 de Maio de 1893 em Miranda do Douro, e foi a primeira advogada portuguesa da 1º República. A 6 de Setembro de 1910, apenas com 17 anos, Regina Quintanilha requer a sua matrícula na Faculdade de Direito de Coimbra, onde a 24 de Outubro do mesmo ano dá entrada. De referir que em termos de Educação, a escolaridade obrigatória em 1910 era dos 7 aos 11 anos, pois para as mulheres apenas se desejava que fossem esposas obedientes e boas mães. Regina Quintanilha foi uma excepção, pois recebeu autorização para exercer advocacia, quando este exercício ainda era vedado às mulheres, de acordo com o Código Civil de 1867. Com licença certificada pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, veste a toga no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, a 14 de Novembro de 1913. Regina Quintanilha vai também exercer funções como Conservadora do Registo Predial e Notária. Sob a névoa de mentalidades que ainda não se encontravam preparadas para aceitar a afirmação feminina, são várias as vozes portuguesas que não hesitam em denegrir a imagem das mulheres que exercem uma profissão liberal, o que leva Regina a partir para o Brasil, onde vai colaborar na Reforma da Lei Brasileira. Estabelece escritórios tanto no Rio de Janeiro como em Nova Iorque e é advogada de várias empresas francesas. Anos mais tarde volta para Portugal onde virá a falecer a 19 de Março de 1967, em Lisboa. Esta mulher que se tornou a primeira advogada portuguesa, abriu o caminho, deu a lição, autonomizou-se e mostrou que era possível fazer a diferença, sendo considerada um exemplo de feminista da 1º República. 

M

Por António Mota do 11ºE

aria Veleda foi uma mulher pioneira na luta pela educação das crianças, feminista e republicana que se destacou como dirigente do 1º movimento feminista português. Foi escritora de poesia, contos e novelas tendo sido as suas obras dedicadas às ideologias pelas quais lutou. Fundou a ―Obra Maternal‖, instituição em prole do acolhimento de crianças abandonadas ou em perigo moral, por intermédio da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas em 1909. Em 1912, foi nomeada pelo governo Delegada de Vigilância da Tutoria Central da Infância de Lisboa, instituição destinada a crianças abandonadas, pedintes ou delinquentes. Como feminista, criou cursos nocturnos femininos, em prole de uma educação feminina diferente daquilo que era o pressuposto aos olhos dos valores tradicionais. Como dirigente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e das revistas ―A mulher e a criança‖ e ―A Madrugada‖ escreveu, discursou, editou petições e chefiando delegações aos órgãos de soberania. Assim lutou contra a prostituição (sobretudo de menores), pela igualdade entre sexos perante a lei em termos jurídicos, cívicos e políticos. Lutou contra as superstições e fanatismo religioso que afectava as mulheres e que as prendia a preconceitos sociais e religiosos formando o ―Grupo das Treze‖. Foi republicana por influência da maçonaria onde se iniciou em 1907 e, em 1909, foi condenada à prisão, sendo acusada de abuso de liberdade de imprensa e, para além disso, foi vítima de ameaças e perseguições por parte dos sectores mais conservadores (católicos e monárquicos). Foi a favor da entrada de Portugal na 1ª Guerra Mundial e contra o regime ditatorial do general Pimenta de Castro, fazendo parte dos conspiradores que o derrubaram. Em 1921, Maria Veleda abandonou a politica activa e fez-se jornalista, continuando assim a defender os ideais que a tornaram famosa. 

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2010 I NÚMERO

XXVII

Jornalesas Junho 2010  

Edição de Junho de JornalESAS, jornal da Escola Secundária Aurélia de Sousa, Porto