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VIEIRA, Alberto (1984), "O comércio de cereais dos Açores para a Madeira no século XVII", in Os Açores e o Atlântico (séculos XIV-XVII), Angra do Heroísmo (Sep. do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. XLI, pp.651-677),

COMO REFERENCIAR ESTE TEXTO: VIEIRA, Alberto (1984), "O comércio de cereais dos Açores para a Madeira no século XVII", in Os Açores e o Atlântico (séculos XIV-XVII), Angra do Heroísmo (Sep. do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. XLI, pp.651-677), Funchal, CEHA-Biblioteca Digital, disponível em: http://www.madeira-edu.pt/Portals/31/CEHA/bdigital/avieira/1983-av-comerciocereaisaçores.pdf, data da visita: / /

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ALBERTO VlElRA

o comércio

de cererus dos Açores para

a Madeira no século XVII

Separata do Boletim do Instituto Htstdrico da Ilha Terceira voI. XLI (1983)


o

COMERCIO DE CEREAIS OOS AÇORES PARA A MADEIRA NO SI':CULO XVII por

Alberto Vieiro

As ilhas atlânticas (Canárias, Madeira, Açores) apontadas por Braude!

como o Mediterrâneo Atlântico caracterizam-se por uma política de desenvoh"imento económico dependente dos grandes interesses do tráfico internacional, mercê das limitaçõcs naturais, do dirigismo económico europeu. Tal silUação materializa-se na tendência marcante destas áreas para uma exploração económica baseada na monocultura ou dominância de um produto. Esta tendência dclica de produtos, activadores da economia de mercado, marcou por vários séculos a vida económica insulana no mar Atlântico. O solo i1hêu invadido por culturas europeias/ mediterrâneas que servem os interesses do tráfico internacional arrastou esta área atlântica para uma situação de extrema dependência em relaçíio ao mercado externo, a que não é alheia a dominância da fome, sua ameaça, ou então a sua vulnerabilidade às crises conjunturais do mercado europeu. O correcto dimensionamento da economia insular e atlântica deverá ter em conta estas cambiantes da polftica colonial europeia, aliada às direrenciações ou assimetrias resultantes de estrutura do solo e clima. Um solo e povoamento heterogéneos conjugavam-se com as intenções do europeu, interessado cm criar áreas econ6micas especializadas na cultura dos produtos que necessitava para as suas transacçôcs comerciais - trigo, vinho, açúcar. pastel. Esta variância de produtos fazia-se de acordo com as necessidades c solicitações do mercado. Assim sucedeu na Madeira nos séculos XV e XVI

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com sucessão do trigo, açúcar. vinho. Se de início as terras eram preparadas para a cultura do trigo e da vinba, impelidos pelos hábitos alimentares, mais tarde djspondo de navas ãreas (Açores), tornava·se fácil a aposta noutra cultura, o açúcar. mais rendível e capaz de manter os circuitos da economia europeia. Assim, em 1492 se recomendava que apenas ficariam para pasto as terras declaradas incapazes para a cultura do trigo ou cevada. I Em 1508 ordenava-se que esc oam rompa em toda essa ylba tcrra pera se cm cUa se aveer de lavrar e semear pam nem pera outra algüua cousa soomente pera se fazerem canaveaes pera açuquares • . ' Estava já encontrado o celeiro para o provimento do burgo funchal ense e, deste modo, O açúcar. mercadoria valiosa no comércio quinhentista, se implantava dando somas pingues à Coroa, donatário, capitão donatário e mercadores. Esta situação, de facto, vem culminar todo um período agitado vivido na centúria de 70 e 80 com a falta de cereais, solucionado, a seu tempo, com o recurso à Berbcria, Porto, Setúbal c Salonica; somente a partir de 1508 os Açores se apresentavam como celeiro, por obrigação régia, de provimento da Madeira. Isto é: de tal modo que cm 1516 o monarca recomendava que não se .tolha a saca de trigo ~ dos Açores para a Madeira, pois cque hos triguos desas ylhas se gastam mays na ylha da Madeira que em nehüa outra parte de nosos reygnos~ . • Giulio Landi, cerca de 1530, dá-nos conta dessa mutação e da dependência extrema da ilba em relação ao fornecimento dos Açores: cA ilha produziria em maior quantidade se semeasse. Mas a ambição das riquezas faz com que os habitantes descuidando-se de semear trigo, se dediquem apenas ao (abrico de açúcar, pois deste tiram maiores proveitos, o que explica não se colher na ilha trigo para mais de seis meses. Por isso há uma 1 Arquivo Regional da Madeira, CAmara Municipal do Funchal (citado a panir daqui com: A.R.M ., C.M.F.), ugisto geral, I. I , fls . 289v-291, Regimento sobre a lenha dado à ilha da Madeira em 18 de Agosto de 1508, publ. in Arquivo Hist6rlco da Madeira (citado: A.HM.). vol. XVIII, 1974, p. 508. 2 Em documento de 1515, Simão Gonçalves da CAmara responde a uns :lponlamentos do povo, referindo eque naquele tempo que se d~rnm essas terras se não sabia que outros frutos bavia de dar nela se não pão e vinbo., Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Corpo Cronol6gico, I, 22, 27. • A.R.M., C.M.F., registo geral. t. I, fi. 341, Alvar5. r~iio de 10 de Dezembro de 1516 sobre a saca de trigo dos Açores, publ. in ARM., vol. XVIII, p. 586.

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carestia de trigo pois em grande abundância é importado das ilhas vizinhas.• '" Colocados perante esta ambiência, houve necessidade de encontrar soluções capazes de porem lermo, ainda que temporariamente, a esta situação, de modo a que a cultura rendosa do couro branco. e, depois, do afamado rubinéctar se mantivessem activas. A politica cerealífera quinhentista vai de encontro a tal solicitação. Declarnva-se os Açores como o celeiro oficial para o provimento da Madeira, das praças do Norte de África e, até mesmo. do Reino, ao mesmo tempo que se interditava a saída da ilha de trigo e de biscoito. o Uma primeira medida foi tomada em 1508 com a isenção da dízima a todo o trigo importado por estrangeiros.' Depois seguiu-se uma acção empenhada da Coroa, procurando controlar os circuitos do comércio do trigo açoriano; primeiro ordenando que, durante três anos. o trigo de arrendamento das ilhas dos Açores fosse conduzido para a Madeira, f depois recomendando às autoridades açorianas que não colocassem qualquer impedimento ao envio de cereais para a ilha, uma vez cque hos triguos desas ylhas se gastam mays na yJha da Madeyra que em nehüa outra parte de nossos reygnos •. • Em 1521 o rei intervinha DO sentido de manter-se a prioridade da exportação do cereal para a Madeira, ordenando ao corregedor das ditas ilhas que não pusesse qualquer embargo .• Estando o circuito de cereais Açores/Madeira sob vigilância régia e orientado na forma de monopólio, seria natural que esta situação não satisfizesse os interesses de uma burguesia açoriana apostada na especulação

f Giulio Landi, ",Descrição da ilha da Madeira,. pubJ. por Ant6nio Araglo, A Madeira Vista por Estrangeiros, Funcbal, 981, p. 84. I A.R.M., C.M.F., Posturas, 0.° 685, fi. 371, Postura de 158.5, veja A.H.M., vol. J, n.O 2, p. 75. , A.R.M., C.M.F., registo geral, t. I, fi. 197v, ",cara de merds que el Rey noso Seoi'lor fez a esta villa do Funchal" de 17 de Agosto de 1508, publ. in A.H.M., vol. XVIlI, p. 507. f A.R.M., C.M.F., registo geral, t. I, fls. 310-311v, cAJvarã dei Rey noso Sennor que possam vender trigo fiado acabado o arrendamento das ylhas dos Açores_. de 20 de Agosto de 1508, publ. ia AR.M., vol. xvm, p. 512. • A.R.M., C.M.F., registo geral, t. 1, fi. 341, já. citado. 8 A.R.M., Docllmetltos Avulsos, Cx. I, n.o 133, carta ~gia de 6 de Novembro ao corregedor das ilhas dos Açores.

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e )jvre comércio do trigo. Daí as dificuldades que se (izeram sentir com os embargos constantes por parte dos Açorianos. Em 1533 D. João rn mandava indagar sobre as razões das irregularidades na importação deste cereal, pois que os Madeirenses se queixavam de cque muitas vezes lhe embargavam nas ilhas sua carregaçam e algüas vezes por essa causa vêm de vazio • .l t Esta situação leva o monarca a regulamentar o seu transporte por meio de uma certidão passada pela vereação funchalense. Mas cm 1546 autorizava o procurador da ilha a reunir-se com os produtores de trigo do Reino de modo a encontrar uma solução para a importação de cereal, mantendo-se, porém, as recomendações de ) 535 quanto à via açoriana. 11 Em 1563 os Madeirenses reclamam novamente contra a aeçiio especulativa dos grandes produtores de trigo açoriano: c L••• ] ser vendido muito caro o pão que le\'avam a vender das ilhas dos Açores por modos ilícitos que os vendedores para vender são juízes e vereadores e da governança da terra os quais fazem cerrar as portas das ditas ilhas por suas posturas cada vez que querem e tornam a tomar o pão que têm vendido a preço honesto aos que o venderam e o deixam levar a que lhe mais dá .• 11 Em consequência disto, o monarca ordena que todo o barco que vier com o trigo açoriano deverá ser portador de uma certidão passada pelos oficiais da comarca onde comprou o trigo, com a indicação do preço e número de maios, mantendo-se a recomendação anterior de levar consigo uma certidiio da vereação funchalense na ida. 11 Aberta e facilitada a rota do comércio de cereais dos Açores para a Madeira, temos, assim, ao longo dos séculos XVI e XVII, a dominância do trigo açoriano no mercado madeirense. Sob o designativo de ctrigo das ilhas. ou ctrigo das ilhas de baixo.. , este surge com frequência nos testa10 A.R.M., Documullos Avulsos, Cx. I, R.O 157, Alvará regio de 7 de Abrit de lS3S sobre a importação de trigo nos Açores. 11 A.R.M., C.M.F., registo geral, t. II , fls. 45,..-46, pro\'is.ão régia de 9 de Junho de 1546 A jurisdiçio dos Açores. n A.R.M., Documentos Avulsos. Cx. II, D.O 195, ord~n3.ção de 10 J~ U~l~m­ bro do Cardeal D. Henrique A jurisdição dos Açores. II A.R.M., Documentos Avulsos. ex. II, n.O 198. Ordenação rio Cardeal D. Henrique, de 13 de Novembro de 1565, à jurisdição dos Açores; idem, ibid., Cx. II, R .O 210. al,..arli de el-rei D. Sebastião de 26 de Novembro de )572 à jurisdição dm Açores.

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mentos do século XVI. Mantém-se, no entanto, preferência pelo «trigo da terra:t, apenas se socorrendo do das ilhas quando este falta. 14 Aliás, segundo Landi e Arditi, o pão que se colhe na ilha é de superior qualidade: caqui se colhe trigo melhor do que qualquer outra parte, o que claramente se conhece pelo pão que aí se raz.~ 1f O movimento de exportaçiio de trigo açoriano para a Madeira deveria ser volumoso, mas faltam-nos os dados para o seu correcto dimensionamento. Apenas dispomos da autorização de 1545 a Mendo de Brito da Madeira para carregar trigo cm São Miguel. I I Em 1522 temos conhecimento dos contratos de Pêro Anes do Canto, Alvaro Gomes, Jácome Gomes e António Enes para o embarque de trigo da Terceira para o Funchal. U A esta se juntam duas carregaçõcs de São Miguel em 1566 e 1568 e duas da Terceira (São Sebastião) em 1571 e 1574. 18 Mas, como referem Landi e Arditi, a Madeira também se abastecia de cereais das Cnnárias, comprovado, aliás, em 1527 com a entrada de 310 (ancgas de trigo canário. l t Se é certo que o tráfico de cercais para a Madeira se iniciou cm época muito remota. também é certo que são escassos os documentos que isso testemunham. Para os séculos XV e XVI, estes escasseiam nos Açores e na Madeira. Somente no século XVII o seu volume disponível se torna

u A.R.M., Miseric6,J"a do Funchal (livro do tombo), fi. 244, testlUnento de 28 de Outubro de 1564. ti Giulio Landi, cDescriçlo da ilha da Mad(:ira_, publ. por António Aragão, oh. cit., p. 84; veja-se PomlXo Arditi ... Vialem à ilha da Mlldcira c aos Açores_, publ. por António Aragio, ibid., p. 130. ,.. Biblioteca Pública, Arquivo de Ponta Delpda, Arquivo da Clmara de Ponta Dellada (citado por B.P., A.P.D., A.C.P.D.), 1.° 3 de 1'eg"sto, n. 129, alva" de 1545. IT Maria Olímpia da Rocha Gil, .Comtrcio e Comunicaçlo nos Skulos XVI e XVlh, in Arquipélago (Ci!ncias Humanas), n.· 4, p. 361. II Frei AgOllinbo de Monle Alveme, Cr6nicas da Provlncia de S. JOflo Evan· ge/ista. Ponta Delgada, 196t, \/01. II, p. 300; Maria Ollmpia da Rocha Gil. O Arquipélago dos Açores no Século XVII. Aspeclos S6cio·Econ6micos (1515-/615). Castelo Branco. 1979, pp. 20-21, 287; veja.$CI Arquivo e Biblioteca Pública de Angra do HeroIsmo, Vereações de S. Sebaslilio, 1510·11, fls. 138-138v, 141-14lv, vereaçuo de 18 de Julho de 1571; id., ihid .• 1573-74, Os. 152v-153. vereação de 28 de Junho de 1574. n Vitorino Magalhãos Godinho, Os Descobrimmtos _ a Economia Mundial, Lisboa, 198, vol. III, p. 242. A fancl3 ~Ulvalc a 4 alqueires e a 54,266 litros.

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importante para uma VlSao panorâmica do comércio de cereais, principal activador das trocas interinsulares. 20

A.ÇORES

Os Açores surgem-nos a partir do último quartel do século XV como o principal celeiro da Madeira , de Lisboa, das praças do Norte de África. O trigo encontrou DOS Açores o meio adequado para a sua cultura e uma conjuntura económica favorável à sua expansão. U Ao longo dos sEculos XV e XVI, este cereal sofreu a concorrência do pastel, produto importante na Europa, que causou sérios reveses na produção e comércio cerealífero, motivando a sua falta. Mas a partir de 1685, com a crise do pastel, o trigo retoma a sua importância inicial, atenuado a seu tempo pelas farinhas americanas, ou pelo incentivo da cultura do milho. ~ comum estabelecer-se uma diferença entre o comércio de cereais com o Reino (Lisboa) e estrangeiro (Canárias) e o comércio ou rota dos cereais para a Madeira e Norte de Africa. Assim, no primeiro caso temos um comércio livre, sujeito às leis do mercado, enquanto no segundo temos um trâfego regulamentado superiormente, feito por assentistas ou conLra-

10 No Arquivo Regional da Madeira servimo·nos dos livros de vereações da Câmara do Funchal, do sé<:ulo XVU , com excepção dos anos que faltam: 1604,1621-22, 1632-36, 1643-S0. Hã ainda o R~gisto G~ral da Câmara, t. 1, II I) velho, e o nÓcleo de DQC/lm~ntos A vulsos (estes na sua maioria lranscritos no tomo de registo scral). Nos Açores tivemos acesso aos livros de vereação da CAmara de Ponta Delgada (1632.99), de Vila Franca do Campo (1683-86) e .lsuns fólios avulsos das de São Sebastillo, Terceira (1570-92). Ainda em Ponta Delgada coruultâmos no Fundo Ernesto do Canto, alguns dos resistos da alfAndesa desta cidade de 1620, 1631, 1633-34, 1636, 1639, 1640, 1646, 1648, 1669, 1676, 1680. ti Veja.se Oliveira Marques, IntrOlluçiJo d Hist6ria da A8ricultura em Portugal, Lisboa, 1978, p. 2S4; Vitorino Magalhães Godinho, ibid., vol. III, pp. 238-240; Francisco Carreiro da Costa, cOs Açores e o problema cereaUrcro ponuguh do ~culo XV", in Baletim da Camissilo Reguladora dos Cereais do Arquipllago dos Açores, 0,0 13, 19SI , pp. 23-28; Hé.lder Lima, Os Açores e a Economia AtliJntica (Subsidias), Slculos XV, XV I e XVII, Angra do Heroismo, 1978, separata do Boletim do Instituto Hist6rico da Ilha Terceira, n. o 34, pp. 170.230; Maria Olimpia da Rocha Gil, O Arquipélago das Aço,~s no Século XVII, pp. 244-248.

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tadores que monopolizavam o seu provimento. De Lisboa, os asscntistas controlavam esse movimento. enviando à ilha os navios necessârios e onde tinham os seus procuradores qUe se encarregavam de reunir o trigo necessário. Ao ilhéu esse comércio será encarado como um entrave à SUa actividade. n O «provimento dos lugares d'além. no século XVI era feito por asscntistas que recebiam do monarca um regimento ou ordem, de modo a que fosse facilitada a sua acção na ilha. SI Esta situação de privilégio das áreas carentes de cereal apresentava-se como prejudicial ao comércio local e lesiva dos interesses da respectiva burguesia que manifestava o seu descontentamento por meio dos embargos constantes a esses embarques, ou por uma acçli.o fraudulenta, através do contrabando. A partir de meados do século XVJ, começa a escassear o trigo, sendo necessária a regulamenlação da sua saída, de modo a ficar defeso o abastecimento local. As crises de 1552 e 1562 assim o obrigam. U Nestas datas estabeleceu-se a obrigatoriedade de pcnnanecer na ilha um quarto da colheita para consumo dos locais. :' Aliás, já em 1507 se havia regulamentado superiormente o comércio livre de cereais, fazendo a câmara, no momento da colheita. a nvaliação do trigo necessário para o mantimento da ilha; era designado de «trigo do exame) . ZII Assim, toda a exportação de trigo s6 se fazia com a exibição de licença camarária, consultando-se sempre os granéis «para que li tcrra não fique desprovida •. U De modo a poder precaver-se o Lrigo de provimento das praças de África e da Z1 Maria Olímpia da Rocha Gil, cO Porto de Ponta Delgada e o Comércio Açoriano no século XVII (elementos para o estudo do ~u momento)_, in Do T~mpo 4 da /list6ria, vaI. DI, 1968, pp. 11-13. u Maria Olimpia da Rocha Gil, O ArquiplJago dos Açoru no S/cuJo XVII, pp. 282-283. No Archh'O dos Açort'S publicam-se alguns regimentos. Veja-se: vaI. V. pp. 122-123; II, pp. 327-334; I. pp. 228-31. 2t Maria Olímpia da Rocha Gil. ibid~m, pp. 284-285. 11 Carreiro da Costa, cAntigas reservas de trigo na ilha de S. Migueh, in Boletim da Comissão R~glJlado'Q dos Cereais do Arquipi lago dos Açorl!s, 0. 0 31-32, 1960, pp. 155-156. U Arcllivo dos Açores, IV, pp. 32·33, capitulo do regimento sobre a exportação de trigo de 26 de Junho de 1507; veja-se. Maria OHmpia da Rocha Gil, Ibidem, pp. 282-293. n B.P.A.P.D., C.P.D., n.O 49, fl. 199, vereação de 4 de Agosto de 1635.

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Madeira, ordenava·se em 1659 que os contratadores o adquirissem até Agosto, para que depois pudesse ser autorizada a exportação dos sobejos. 11 Ao mesmo tempo, em períodos de crise cerealífera, interditava·se a safda de trigo e do biscoito, tal como sucedeu entre 1631 e 1648 em São Miguel. U Mas se o ano de 1676 foi de fartura, o mesmo já não sucede em 1691 e 1695, anos em que a fome atinge o arquipélago. 10 De um modo geral, o período que decorre dos anos 30 marca um agudizar da crise do cereal açoriano que se arrasta até finais do século. Desta situação resultaram motins populares em 1643 e 1695, I I Segundo cálculo feito em 1674 para a avaliação do trigo do exame, sabemos que a produção orçava os 17 000 moios de que se consumiam 15000 anualmente, oscilando os sobejos entre 1500 e 2000 moios, SI No entanto, estava autorizada a salda de 3 000. Em Outubro de 1693 haviam·se exportado 2 892 maios, sendo 648 para Mazagão, I 289 para a Madeira, 955 para as Caoãrias, faltando ainda sair 952 maios do con· trato de Mazagão e 600 moios para o conde donatário, o que perfazia 4445 moias. II

o

COMlRCIO DE TRIGO DAS dLHAS DE BAIXO~ NO SECULO XVII

Ao longo do século XVlI, com o incremento do exclusivismo da cultura da vinha, mais se expressa a estreita dependência do mercado madeirense em relação aos centros fornecedores de cereal. Apostado cm

U Idem, ibid., n,O 52, fls, IS·ISv, \'e~ação de 29 de Janeiro de 1659. II Idem, Ibid., n. o 49. fl. 199, vereação de 4 de Agoslo de 1635: posturas da Câmara de Ponta Delgada de 29 de Janeiro de 1659, 21 de: Julho de 1641 e 9 de Janeiro de 1648, publ. no Archh'o dos Arorc:s, XJV, pp. 141.142, 161·169. 10 Idem, ibid .. n.O 53, fls . 162·163, vereação de 22 de Abril de 1616: id., Ib/d., n. O 56, fls. 102.102v, \'ereação de 13 de Agosto de 1692: Francisco Ferreira Drum. mond, Anais do /lho Terceiro, Angra do Heroismo, 1981, vol. II, p. 214, SI Maria OHmpia da Rocha Gil. O Arqlllpélago dos Arort'S no Século XVII, pp. 196-291; H~lder Lima, oh. dt ., p. 353. II B.P.A.P.D., C.P.D., n.o S3, fls. I31v-t33, vereação de 16 de Outubro de 1614. SI Idem, ibidem. n.O 56, Cls. 22v.23, vereação de 19 de Outubro de 1693.

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fazer do vinho a sua principal fonte de riqueza e, como tal, a moeda de troca para tudo o que necessitava, o Madeirense, guiado ou empurrado pela política mercantilista inglesa, agrava a sua situação de dependência em relaçao ao avaro mercador inglês. A multiplicidade de rotas do comércio do vinho fizeram alargar as vias de fornecimento de trigo ou farinha. Primeiro foram os Açores, depois a América colonial inglesa. Agravada a situação de dependência da ilha em relação aos centros Cornecedores de cereais e, em face de uma tendência ascensional do mo\'imenta demogrâfico, a ilha, ao longo do século XVl1, viverá sob o espectro constante da falta de cereais, da fome. Pelas deliberaçõcs camarárias concluímos que esta era a questão que mais preocupava a vereação. O desespero, o desalento, a fome serJo responsáveis, em vários momentos, de uma intempestiva e muitas vezes lesiva dos interesses comerciais da ilha e, mais propriamente, da classe comercial. Assinale-se que em momentos de aflição a vereação funchalense dispunha de um plano de emergência capaz de suprir as necessidades locais mais imediatas c que consistia no seguinte: I. Proibição da saída de pão e de fabrico de biscoito usado no provimento das naus.

2. Actuação junto dos mercadores e mestres de navios fundeados no porto: -

obrigando-os a descarregar os mantimentos ou trigo que transportavam com destino a Lisboa, Berberia e Canárias;

-

forçando-os a irem antecipadamente buscar trigo aos Açores, ou a outras partes. sempre que houvesse falta dele no Funchal.

A primeira medida é imposta desde o século XVI e mantém-se no século XVJl, sendo tida como instituída, apenas recordada por alvará ou ordem camarária quando se tinha conhecimento de qualquer infracção. U ..

A.R.M .. C.M.F" n.o 1.324, fls. 47v-48v, vereação de 24 de Julho de 1625; 0.° 1.333, fls, 14v-15, vereação de 13 e 26 de Setembro de 1653; Idem, ibld~m, n.o 1.627, n. 26v, vereação de 17 de Jutbo de 1628; idem, Ibidem, 0.- 1.336. n. 3v, vereação de 31 de Janeiro de 1675. id~m, jbid~m.

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Em 1614 justincava~se esta restrição: cporque esta terra padece grande falta e carestia nas mercadorias e mantimentos e o mais necessário a seu aportamento por ser ilha e terra estreita e não ter de sua coLheita mais q'açúcar e vinho que sam novidades trabalhosas e que se fazem com des~ pezas incomportáveis e todo o mais lhe vem do mar em fora e a muytas pessoas estrangeiras c de callidade que todo modo buscam de fazer seu proveito em prejuízo da terra ( ... J. ~ 16 A segunda, desdobrada em duas atitudes distintas, mantém·sc por todo o século XVII, gerando, muitas vezes, conflito aceso entre a vereação, povo e classe mercantil. Muitos mestres de navios e mercadores se recusavam ao cumprimento protestando veementemente junto da Coroa por a considerarem vexatória e por sentirem lesados os seus interesses e compromissos comerciais. Em 1637, escalando na vila de Machico uma caravela com trigo das ilhas com destino a Lisboa, a vereação mandou chamar o mestre ordenando a descarga a que este se recusou. a. O mesmo sucedeu em 1699 com outra caravela com trigo da Terceira para Lisboa. &1 A partir de 1639 abundam referências à obrigatoriedade de as cmbar~ cações que escalavam o Funchal virem aos Açores buscar trigo. O senado notificava um mestre de navio para comparecer em vereação a fim de se comprometer a fazer a dita viagem. Caso recusasse, era imediatamente entregue à alçada do provedor, sendo preso até aceitar fazer a viagem. n Muitas vezes a vereação dava ao mestre um prazo para cumprimento da ordem, caso não o fizesse, sujeitava~se a ser preso ou o seu fiador. Assim , em 1685, Pedro Senhete, mestre da sumaca Santo André, é notificado para ir aos Açores buscar trigo, até Março, sob pena de toO 000 réis de cadeia, sendo fiadores Luís Caires e Pedro Pantenc. " Enquanto em 1688 Gaspar Ferreira Coimbra, que se havia recusado a tal acção, é obrigado a fecbar ca logea e não uzasse mais de mercadou. t O

ao

Idem, ibfdem, Posturas, D.O 685, p. 37. ld~m , ibidem, D. O 1.328, n . IOv, vereação de 6 de Fevereiro de 1637. n Idem, ibidem, O,. 97v·99, vereação de 20 e 22 de Abril de 1699. .. Elta situação repete-se v/irias vezes DO século XVII. VejaoSe idem, ibidem, 0 .° 1.320, fi. 40v, vereação de 16 de Julho de 1616. .. Idem, ibidem. R .O 1.338, Os. 25-25v, vereação de 19 de Novembro de 1685. ti Idem, ibidem, R .O 1.338, fi. 34v, \'ereação de 4 de Setembro de 1688. I'

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Nesta situação, os mais lesados (oram sem dúvida os ingleses que. mesmo assim, sempre se mostraram renitentes em acatar as decisões da vereação. negando-se a cumpri-Ias. Se em 1682 o cônsul se ficou por um protesto formal, em 1699, agravada a situação, reivindica os direitos dos homens da nação inglesa estipulados nos diversos tratados, solicitando ao monarca carta de privilégio. 41 Protestos idênticos se sucederam em 1697 por parte do representante holandês e em 1699 do cônsul francês. 41 A situação de afrontamento entre os mercadores ingleses, a vereação e o povo da ilha agravou-se, de modo acentuado, em fins do século XVll, conduzindo a uma xenofobia exacerbada, materializada cm 1695 com a expu lsão de William Boltoo. A este era atribuída a responsabilidade da situação de fome e miséria que eotão se vivia, resultante do estanco do comércio do vinho e da falta de ccreal. U O rápido aumento da população e. particularmente, da sua cooccntração 00 Funchal, principal área de actividade da ilha, fizeram com que o trigo produzido, principalmente na área norte, fosse cada vez mais insuficiente para suprir as necessidades do consumo da ilha. Os poucos dados conhecidos sobre o movimento demográfico referem uma tendência ascensional, pois que em 1590 temos 29548, passando para 28345 habitantes em 1614 e 40000 habitantes em 1679. U Se tivermos em consideração o consumo médio por cabeça de 20 alqueires. teremos necessidade respectivamente de 8618, 8000 e 11666 moias. Como a produção local apenas daria para seis ou quatro meses, teremos que a ilha precisava de importar entre 4 000 a 6 000 moias de trigo anualmen te. Na articulação da produção local, do movimento populacional e do consequente movimento de importação se insere toda a política ccreaurera seiscentista. Assim, em 1625 dava-se conta que a ilha se sustentava com cpão que de fora vem per que o que ha he muito poco e não basta para

41 ldMl, ;bid~m, n.O 1.339, fls. 110'0'·116'0'. 118-119, vereações de 13, IS e 18 de Julho c II de Agosto de 1692. 41 Id~m, ;b;d~m, n .O 1.340. Os. 7v-8, vereação de 9 de Fevereiro de 1697. t1 Veja.se Amónio Aragão, ob. cit., pp. 230-234. .. Fernando Augusto da Silva, Elucidário Mad~jren5~. vol. m, p. 103.

661


quatro mezcs•. 4D Em 1662 e 1696 as colheitas dariam para seis meses. U E, finalmente, em 1687 apenas davam para quatro meses." Em 1695, a média do conSumo mensal no Funchal era superior a 89 moias, daí que precisasse para o seu abastecimento anual mais de 1 068 moias. 41 A ilha consumia então 4 000 moias na estação invernal. t' Segundo estimativas de 1694, a Madeira precisava de importar entre 3 000 a 4000 moios de trigo. Tendo em conta que a colheita orçava metade do consumo, teremos o gasto anual de cerca de 6000 a 8 000 moias. 00 Em conclusão, a Madeira importava anualmente cerca de I/s ou I;' do seu consumo. Tendo cm conta que a ilha de São Miguel apenas podia exportar entre 3 000 a 4000 moios, incluídos os do contrato do Norte de África, e que o volume exportado para a Madeira não ultrapassava os I 000 a I 200 maios, fácil se toma admitir a necessidade que esta ilha tinha em importar trigo de outras origens, como por exemplo das Canárias, F1andres, França, Bretanha, Inglaterra, Lisboa, Berbcria, Damzig, Irlanda, Nova Inglaterra. Os Açores, conforme definição da política cerealífera da Coroa, funcionavam como celeiro da Madeira, área de onde se retirava o principal do seu consumo. Mas isto não impede a procura de outras áreas capazes de fornecerem à ilha , em momentos de aflição. Os Açores comprometiam-se a assegurar a carga anua l de 2 navios de trigo, mesmo em momentos de penúria, I l Esses navios faziam caução no Funchal e levavam um certificado comprovativo do seu pagamento e do destino da carga do trigo. U Chegados a São Miguel, deveriam solicitar

A.R.F ., C.M.F., 0.° 1.324, n. 48. John Oviogtoo, ~Uma viagem a Surrou" António Araglio, 00. c/r., p. 198. 41 Hans Sloane, .. Uma viagem às ilhas da Madeira, Barbados, Niervcs. S. ehristophen e Jamaica_, publ. António Aragão, ob. cir., p. 139. tA A.R.M., C.M.F., R.O 1.340, Os. 5v-6v, vereação de 3 de Janeiro de 1695. U Idem, {bidem, 0.° 1.340, Os. 25v-26v, vere:lção de 27 de Agosto de 1695. ao Idem, ibidem, 0.° 1.340, (Is. 36-36v, vereação de 20 de Setembro de 1694. II F~d!rie Mauro, Le PorlllHol er I'Ar{alltique (lU XVU- Si!cle. 1570-1670. elude tconomique, Paris, 1960, p. 332; Vitorino Maga.lhães Godinho, ob. cit., 111, p. 236 . • : Frédl!ric Mauro, ihidem. p. 331. n

ti

662


autorização à edilidade. U De regresso à i1ba, o trigo era declarado oa câmara, ficando em armazém a aguardar o momento da abertura em vereação com preço estabelecido pela mesma, &4 A Madeira recebeu no ~cuJo xvn 12 806,5 moios dos Açores, perfazendo uma média anual de cerca de 300 moias. Se a isto juntarmos o valor resultante das outras áreas (4 153 moias), essa média eleva-se a 450 moias; soma que ficava aquém dos valores médios do consumo anual, que rondava os 3 000 a 4 000 moias. Estes dados representam uma ínfima parcela do volume em causa, mas pensamos que são suficientemente esclarecedores ou significativos para reflectirem a realidade a eles subjacente. Neste século, num total de 16959,5 moias de trigo consignados à Madeira, 12806,5 (75,5 % ) saem dos Açores e 4 153 (24,5%) das rcstantes áreas. Tais números são indicadores da importância da rota açoriana do trigo para a Madeira e comprovam que os Açores foram então o celeiro do pão madeirense. Mais se pode inferir a partir destes dados: que o Madeirense consumia apenas o pão das ilhas: Açores e Canárias. Note-se que as Canárias ocupam o segundo lugar nas importações de cereal, com I 290 moias, soma equivalente a 31 % do trigo importado pelas áreas exteriores ao arquipélago açoriano. O Madeirense buscava assim nas ilhas vizinhas (Açores-Canárias) o pão do seu dia-a-dia. Nos granéis açorianos fazia a reserva para os momentos de aflição. As Canárias ia buscar o suplemento necessário, quando se tomava impossível o provimento açoriano. Caso falhassem estes dois granéis, seria necessário recorrer-se ao Norte da Europa, nomeadamente à Flandres, Bretanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda. Assim sucedeu entre os anos de 1643-1648 e em 1691-1692, em consequência do encerramento dos portos açorianos. 13 A partir de meados do século xvn, o celeiro açoriano torna-se insuficiente para abastecer o mercado madeirense, pois as crises sucessivas, o desgaste do solo açoriano, o aumento galopante da população impediam-no de satisfazer as necessidades deste mercado habitual. Dai o recurso a outros

II B.P.A.P.D. C.P.D" R.O 55, fi. 39, vcreaçli.o de 8 de Agruto de 1685; Maria Olimpia da Rocha Gil, O Arqulpllogo dos Arores no Sic, XVII, p. 300. .. Frtdtric Mauro, ihidem, p. 332. DO Maria Oltmpia da Rocha Gil, ibldem. pp. 296-297, 392, 419.

663


portos, como a Fra.nça em 1647, Boston em 1699. ai Por isso em 1682 o senado funchalense recomendava aos mercadores que trouxessem lrigo de outras terras a troco de vinho~ uma vez que este faltava nos Açores . n Foi nesse sentido que actuou em 1699 William Bolton ao enviar a Roterdão um barco da praça do Funchal com açúcar e conserva de citrinos, regressando com trigo e centeio. U No último quartel do século, são abundantes as referências a novos mercados fornecedores da ilha, aproveitando-se a rota da exportação do vinho para o estabelecimento de novos mcrt:ados de abastecimento, como é o caso da América colonial inglesa. Em 160}7 escala o porto do Funchal uma escuna das Indias Ocidentais com trigo." O mercado americano prepara·se para substituir o mercado insular no (omecimento de cereais, como realmente sucedeu nos séculos XVII! e xrx. Ao nível do mercado açoriano, podemos definir, no século xvrr, duas âreas dominantes do comércio de cereais com a Madeira: Terceira e São Miguel. A partir da Terceira se comercializava o pouco trigo da sua produção e também o da Graciosa, Flores e Corvo. lO De Ponta Delgada se escoava o trigo de São Miguel e Santa Maria. 11 Enquanto a rota terceirense apenas tem expressão signiíicath'a até 1631, tendo conduzido à ilha 1068 maios (8,7%), a rota micaelense é sem dúvida a mais importante e justificativa deste movime.nto, pois conduziu 9971,5 moias (77%). Aliâs, se contabilizarmos o montante de cereais exportados, verificamos a dominância das iJhas de São Miguel e Santa Maria. fazendo embarcar a primeira 9124,5 maios (71,2 %) e a segunda 847 maios (6,6%). E. se tivermos em conta que o trigo referido sob o designativo de ilhas (I 664 - 13 %) per· ..

A.R .M., C.M.F., n.O 1.351,

n.

23 .......ereaÇ1o de 9 de Outubro de 1647;

.. As cartas de Bollon . As Cartas de um mercador inglb na Madeira. William Bolton,

1695.1700_, in Ant6nio Aragi'io, ob. cit., p. 366, eartll n.o 71 de 28 de Setembro de 1699. fl Idem , ibidem, n.O 1.337, Os. 18.... 19, vereação de 4 de Setembro de 1682. III .As Cartas de 80lton. ( ... j_, in António Aragão, oh. ci,., p. 367, carta de 13 de Novembro de 1699, n.O 72. 0' Idem, ibidem, p. 338, cana de 22 de Julho de 1697, n.O 3I. 10 Em 1.519 foi um mercador da Terceira às ilhas de Flores e Corvo comprnr cereal. Veja·se Vitorino Magalhães Godinho, oh. cit., 111, p. 238. " Maria 01lmpia da Rocha Gil, O Arquipélago dos Açores no Século XVII, p. 252.

664


tence em grande parte a este grupo, teremos reforçada esta área. Se excluirmos 63 moias de 1641-1642 pela Graciosa e os 106 moias exportados em 1695-1696 pela Terceira, não encontramos qualquer referência a trigo das restantes ilhas a partir de 163 t. Com base nos registos de saída da aUândega de Ponta Delgada, podemos avaliar a importância do volume das exportações de cerea l para a Madeira. O potencial mercado/ consumidor de trigo micaelense reduzia-se à área atlântica, dominada pelOs arquipélagos da Madeira e Can~rias, Norte de África e Reino (Algarve e Lisboa). Os Açores, ou mais propriamente São Miguel, afirmavam-se como o celeiro atlântico. A partir do porto de Ponta Delgada se delineavam as rotas de distribuição e provimento do mercado atlântico carente: primeiro as ilhas do arquipélago açoriano, depois a Madeira e o Norte de Á(rica e, finalmente, Lisboa e Can~rias. A rota do trigo açoriano obedecia a um circuito de triangulação, donde se destaca o eixo madeirense e lisboeta. De Lisboa safam os navios com destino ao Norte de Á(rica ou a Lisboa escalando muitas vezes a Madeira. Assim se valorizava o eixo Madeira/ Açores dentro do circuito de comercialização do trigo açoriano. Em 1620, dos 779 maios e 27 alqueires exportados em Ponta Delgada, 220 moias e 27 alqueires destinavam-se à Madeira, enquanto os restantes (oram para as Canârias. Nos anos 30 os valores atingem uma percentagem reduzida, embora cm 1631 tenhamos 10,3% e em 1633-1634 a ínfima percentagem (2,7 % ). A partir de 1639, temos uma ligeira subida 10,3%, que atinge em 1646 14,4% e 167641 %. No conjunto, podemos concluir que Lisboa com 36 % e o Norte de África com 35% suplantavam, em muito, o mercado madeirense e canário. 12

o

MERCADOR DO TRIGO DAS dLHAS DE BAIXO»

Difícil se torna a defmição de um mercador insular atlântico e de uma burguesia local que se afirma como detentora deste mercado. O posicionamento das ilhas atlânticas (Canárias, Madeira, Açores) no traçado das rotas do comércio colonial quinhentista e seiscentista valoriza-as não Veja-se Maria OLfmpia da Rocha Gil, ,,0 Porto de Ponta Delgada e o açoriano no séc. XV11 r... ]», .. mapa de erportaçio do ~cul0 XVII do trigo açoriano•. U

com~rcio

665


como potencial mercado, mas sim como área de passagem, necessária para o apoio das armadas europeias do tráfego das {ndias Orientais e Ocidentais. Portos de escala obrigatória das naus, têm uma acção importante no comércio, provimento das naus e do contrabando possível. Por vezes buscam produtos capazes de merecerem a atenção do visitante. Assim aconteceu na Madeira com o vinho para o Inglês e nas Canárias com o vinho para o Espanhol. E as rotas destes produtos imbricam-se nas rotas coloniais. O mercado insular, catapultado para a esfera e dependência dos interesses do tráfego internacional, mantém·se na sua dependência directa, como activador de trocas e circuitos secundários ou marginais. Se no primeiro caso toda a acção é do exclusivo controlo da burguesia europeia, no segundo a burguesia insular procura assegurar a sua supremacia, quando não é preterida eu assimilada pela internacional sob a condição de agente ou representante. Se cODSiderarmos o comércio de cereais dos Açores para a Madeira, vamos encontrar definidas as duas situações, embora com a tendência para a dominância da burguesia internacional. A carência de um registo completo de saídas em São Miguel e de entradas Da Madeira toma diHcil qualquer estudo da acção da burguesia comercial insular e estrangeira da rota do trigo açoriano. Dos elementos que dispomos apenas podemos apresentar algumas informações capazes de fazerem luz sobre essa realidade. Assim, evidencia-se a relativa importância do mercador estrangeiro, pois que no perfodo considerado estes teriam conduzido à ilha cerca de 600 moias de trigo. E se o perfodo filipino não apresentava uma conjuntura muito favorável à sua acção, constata-se que este tráfego não é reprcscntativo para a classe mercantil internacional. Era um movimento de abastecimento das praças carentes (exaustivamente regulamentado) deixando, assim, pouca margem ao mercador sedento do livre arbítrio. No entanto, temos de considerar entre 1605 e 1638 a acção relevante de Francisco Fernandes Dousin, Zenqueal Gadrich, Anrique Altradique, Jacyntho Biart, Baltezar d'Aria, Richarte Elles, Thomas Zingram, Duarte Beles, Robert Vilovir. IJ E no perfodo posterior a 1640 de Jacyntho Biart, João Elle, U A.R.M., C.M.F .• D." 1.327, fi. 6v, vereação de 16 de Janeiro de 1635; id., ibtd .. n." 1.315, n. 4v. vereação de II de Janeiro de 1606; id., ibid., n." 1.316.

666


João Carte, Manuel Thomas, Salvador Sauvaire, William Solton, Richarte Miles, Duarte Leite." Destes tinbam loja para venda do trigo, Jacyntho Biart, João Carte, Gerardo Salame, Tomas Zingram, Robert Vilovit. Este último conta com 5 lojas, sendo 4 na Rua Direita e uma oa Rua do Sabão, mantendo-se em actividade com as suas lojas abertas entre 1620 e 1663. u Dos mercadores estrangeiros fixados em São Miguel, e conforme indicação das vereações de Ponta Delgada, regista-se os nomes de Guilherme Cbamberlin, Guilherme Fixe e A. Stoo. cm finais do século XVII. n Referindo-nos Maria Olímpia da Rocha Gil que, entre 1676-1686, os mercadores ingleses - Richarte Huchunson, Guilherme e João Chamberlin, João Auchoim, João Eston - controlavam as correntes tradicionais dos mercados falhos de trigo (Madeira, Canárias). No entanto, na documentação madeirense, apenas se refere à acção dos mercadores William SOItOD, Richarte Milles e Duarte Leite. 17 Ao longo do século XVII, nota-se que s6 em finais do século o mercado inglês controla as rotas de fornecimento à Madeira. O mesmo não se verifica na primeira metade e terceiro quartel seiscentista, pois que aí havia a dominância do mercador nacional e, mais propriamente, do mercador madeirense, sendo em menor escala a do açoriano e a do de Lisboa. Embora se apresente difícil a identificação da origem de todos os mercadores registados na vereação funchalense, podemos referir alguns,

fl. 74, vereação de 9 de Novembro de 1606; id., ibid., 0.° 1.333, Cls. 19.19v, vereação de 23 de Outubro de 1656; id., ibid., n.O 1.320, fl. 40, vereação de 22 de Outubro de 1617: id., ibid., n.O 1.333, fi. 27v, vereação de 28 de Novembro de 16.57; id., ibid., n.O 1.328, f1s. IS e 21v, vereações de 14 de Abril e 2 de Junho de 1638; id., ibid., n .O 1.324, Os. 4Iv-42, vereação de 12 de Junho de 1627. u Idem, ibid~m, n.O 1.333, fi. 27v, vereação de 28 de Novembro de 1657; ido ibitl., n.o 1.332, CI. 15, vereação de 23 de Abril de 1651 ; .As cartas de Bolton. [ ... 1., in António Aragão, ob. cit., pp. 223·393. 1& Idem, ibid~m, 0 .° 1.326, fl. 18v, vereação d~ 27 de Março de 1631. H B.P.A.P.D., C.P.D., n.O 54, fi . 186v, vereação de 14 de Agosto de 1677; id~m, ibidml, 0.° 54, Os. I05v. 106, vercação de 6 de Junho de 1682; id~m, ibidem, n.O 56, n. 122, \'Cfcação de 5 de Agosto de 1693.

667


devidamente idenlüicados ou deduzidos como tal. Assim, dos Açores temos Fernão Furtado, Francisco Correia, João Dias, Gaspar Gonçalves, Manuel de Andrade, António Senrra, Jãcome Tomé e Pêro Coelho. Destes apenas um é terceirense (pêro Coelho), sendo os restantes de São Miguel. Do Reino apenas temos identificados CUstódio Fernandes, mareante de Setúbal, e Gaspar Caminha, natural do Porto. Neste caso tudo nos indica que o mercador do Reino nas poucas vezes que aparece na vereação a declarar o seu trigo fã-Io sob coacção da mesma, pois que o seu destino seria o Reino. Nos mercadores originários dos Açores, temos António Senrra, de São Miguel, certamente famiHar de Manuel Álvares Senrra, mercador micaelense, "pessoa ligada à grande exportação. e ao contrato do trigo para Mazagão. II António Senrra surge entre 1623-1625 com 169 moios, sendo 53 de Santa Maria e o restante de São Miguel. Mas se tivennos em conta que o movimento de Santa Maria era feito por São Miguel, teremos assim a sua fixação nesta ilha como mercador independente ou associado a Manuel A. Senrra, ligado ao comércio de cereais com a Madeira. Note-se que Manuel Alvares Senrra se apresentava em 1631 e 1636 como um dos principais exportadores de trigo." Quanto ao mercador originário da Madeira, apenas temos referenciado em 1607 um Domingos Aronso morador no Funcbal 'o Mas outros mais poderíamos aludir, por exclusão de partes, ou se considerarmos como locais os possuidores de lojas para armazenamento dos cPreais. 11

ti Maria Otfmpia da Rocha Gil, . 0 Porto de Ponta Delsad::a e o comércio açoriano no sk XVII [ .. . ]., pp. III. .. ld~m, ibld~m, pp. 108·110. " A.R.M., C.M.Fo, n.O 1.311, n. lOv, vereação de 21 de Jandro de 1601. TI Destes lemos: Bastião Velho Cabral (A.R.M., C.M.F., 0 .° 1.323, n. 64, vereação de 10 de Deumbro do 1625), João dc Almeida (id~m, ;bid~m, 0.° 1.315, n. 54, vereação de 31 de OU1ubro de 1618), Francisco Roiz Favila (id~m, ib/dem, 0.° I.3t6, n. 61v, v~re3ção de IS de Outubro de 16OS), Frutuoso COrTeia (idvn, ibid~m , n.o 1328, n. II, vereação de 6 de Fevereiro de 1631), Francisco Gonçalves (id~m, ibid~m, n.O 1.324. n. 2S, vereação de 13 de Março de 1621), Fraocisco Gonçalves (id~m, ibidem, n.O 1.323, fi. 50, vereação de 20 de Julho de 1624), Manuel da Silva (Idem, ibld~m, n.O 1.328, fl. 22, vereação de 28 de Junho de 1640), Sebastião GooÇl11ves (id~m, Ibidem, 0.° 1.328, n. 20, vereação de Maio de 1638).

668


Na primeira metade do século são registadas 53 lojas de trigo situadas na sua maioria nas duas principais artérias do comércio funchalense, junto da Alfândega: Rua Direita Rua do Sabão Outros

37 9 7

Destas, 10 pertencem a estrangeiros, 2 a açorianos e I a mercador do Reino. f i Com base nos elementos estudados, podemos concluir que os mercadores locais mais importantes no tráfego de cereais, na primeira metade do século, eram João de Almeida, Amaro de Couto, Domingos Roiz Garcês, Francisco Roiz Tavira, Frutuoso Correia. Amaro do Couto, mercador sem loja, encontrava-se associado cm 1625 a Francisco Raiz Tavira e em 1627 a Francisco R. Garcês. t i Estes deveriam constituir o grupo mais importante de mercadores locais, pois que detinham grande parte desse tráfego. Em 1647, lnâcio Fernandes Pinto é citado como cmercador, pessoa rica e abonada. com loja, onde vendia António Lopes de Sá. a Enquanto em 1677 Frutuoso Correia é referido cm acta de vereação como co que vende o trigo que ha na terra • . A importância do primeiro mais se revela em 1658 quando a vereação o convoca para fretar um barco para ir buscar trigo aos Açores. n O comércio de cercais na primeira metade do século é feito por um grupo elevado de mercadores, cerca de uma centena, cada qual com um quantitativo baixo, não obstante, deslaca-se a tendência para a sua concentração nos grupos intervenientes madeirense ou açoriano. Assim, entre 1609-1631, temos a dominância do grupo madeirense: João de Almeida, Amaro do Couto, Domingos Raiz Garcês, Fraocisco Raiz Tavira. A.R.M., C.M.F., n.- 1.316·1.341. Id~m, ibidem, n.o 1.323, n. 54, vereação de 30 de Julho de 1625; idem, ibidem, n.o 1.324, n. 27v, vereação de 7 de Maio de 1627. H Idem, ibidem, n.O 1.328, n. 11, vereação de 6 de Fevereiro de 1637: idem, ibidem, n.O 1.331, [1. 16v, vereação de 9 de OUlubro de 1647; idem, ibidem, n.O 1.333, n. 27, vereação de 17 de Novembro de 1657. 1:1 Idem, ibidem, D.O 1.333, n. 62v, vereação de 9 de Outubro de 1658. fi fi

669


Em meados do século processam-se profundas alterações ao nível do controlo deste movimento com a afirmação do mercador estrangeiro, nomeadamente o inglês. Este, no período posterior a 1640, fixa-se na Madeira, afirmando-se como o principal detentor da actividade comercial madeirense. A panir de 1660, o inglês surge com toda a força no mercado madeirense, de lal modo que cm finais do século XVII o mercado local eslava sob o seu controlo. Apenas lhe podem fazer frente alguns dos mercadores madeirenses como D. Guiomar e Pedro Jorge Monteiro, com forte influência ao nível da administração local.

• A ilha de S50 Miguel, principal área produtora de trigo do arquipélago açoriano, surge-nos no século XVU como o primeiro fornecedor das áreas atlânticas carentes. A ilha, com terras de cultura c a sua complicada rede de granéis é, na verdade, o celeiro atlântico. A maioria de trigo saído de S.1o Miguel ia abastecer áreas previamente estabelecidas pela Coroa, estando o seu movimento orientado e ordenado quase em lermos de monop6lio. Era uma rota unidireccional de provimento obrigatório, alheio ao intercâmbio comercial. Da Madeira e de Lisboa partiam navios em lastro a buscar trigo aos Açores. Poucas são as ocasiõcs em que este circuHo é utilizado para trocas de produlos. l I Além disso, no caso madeirense, a maioria dos navios que vinha carregar trigo não O fazia de livre vontade, mas sim porque a vereação os obrigava, exercendo pesadas represálias no caso de se negarem a tal. A rota do comércio do trigo açoriano desligava-se. muitas vezes, das leis do mercado. O negócio raro quase se resumia a uma actividade especulativa, para ambos os lados, e ao contrnbando. A política cerealífera definida pela Coroa não permitia avançar mais. Assim se explica o relativo interesse da classe mercantil estrangeira por esse tráfego e à permanente oposição da burguesia local. ;1

1673-1685,

670

B.P.A_PD .. Arquivo da AUiodega de Ponta Delaada, 1.0 de etltradtu, n•. 91, 160·166, 169. 177, 172.


Se ! certo que os Açores se apresentam como o celeiro atlântico,

não o é menos verdade que, a partir dos anos 3D, da centúria estudada, se apresentam dificuldades na sua manutenção. O celeiro torna~se insuficiente e, como tal, houve necessidade de apelar a outros que satisfizessem as necessidades cada vez maiores. Assim no momento da viragem do século processa·se uma alteração profunda das rotas de abastecimento da Madeira com a crescente importância do mercado fornecedor da América colonial inglesa. Oportunamente trataremos esta problemática com base nos üvros de registo de trigo entrado na Alfândega do Funchal, no século xvn I.

671


QUADRO I Im portação de Trigo dos Açores (moios)

MADEIRA -

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ANO

1602 1603 1605

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1626

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1627

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1634

'2 200

1639

163

1640

273

21'

526

JS

7' 314

27

71

23

44

53

5

282

347

379

110

118

408

25

29

369

25

6 52

12S

2

201

21S

34,S

TOTAL

'"

30

25

1623

1637

~

~

125

30 7

672

'"

:;;

3 76

1617

1638

~

44

1609

1635

~

~

2'

1606 1607

.g

20

SS

3

280

2

207

30

.6

469

76

-

933 407

98

518

220

272

20

220

115

.IS

28

62,S

163 32

305


ANO

"."l!, o

::; 1641 1642

~

l!

.;

,g ~ ...•

f

"

277

1651

414

1657

I.'

j "-

1646

~

"

4

20

7

62 414

130

31S

'O 30

1663 122

20

1671

-

TOTA L

277

1658

1669

;

~

'O 30 122 20

1674

1.298

1.298

1676

921

92 1

1681

200

200

1685

1686

69' 290

69' 290

1690

2'0

2'0

1692

60

60

1693

ISO

ISO

1695

'00

1696 1697

6

' 06

100

100

230

230

1698

19' TOTAL 91.245

19' 847

'09

269

103

290

1.664

12.806.5

085. - Quadro elaborado com base nas lnronnaç6es eolhldu nas vere&ÇÕq das dmarU de Ponta Delpda e Funchal. BPA P,D., C.P.D., ACi1rUos, 16Jl·nOO. N.- 49-57; A.R.M., CoM.P., Vl!rt/Jf6u, Im·nOJ, N.- 014-1341.

673


QUADRO M ADEIRA -

~

~

"<

ANO

~

~

<l 30

1605

16

1606

Importação de Trigo (moios)

~

~

..

~

~

"

8S

1601

I

1611

60 I36

20

16 17

24

438

1618

9S

240

%

1619

63

1623

62

1624

1625

4 26 l,i

1626

li

24

1629

106

163 1

101

1~

1632 1636

11

1638

I3

1641

g ~ ~

oS

~

•• E

-" ..,

g ~

::i

.~

~

"

I

1.630

o

~

•• ~

SO S

------ -- - - -----43 100 - - - - -400- - - - - - -300- - - - - - - --60- -- - - - -

SO

-

-20- - - - -- - - - - - - - -30 --1S ----62 ----------3 160

451

- - - -- - - --

21i

1680

..

66

1627

TOTAL

\O

SO

1616

n

-

518

40 510

150

S9S

- - -----510

400

20

30

08S. _ o quadro Coi elabonlldo com base nos dados fomeddos pelas \-ereaç6es da Cimnll do funchôll, sendo ~ultado d.as dec:lanç6es rdUlS an vuclIÇlo pelOll me:n:a.do~l. DO momento da sua abertu.ta para venda. A.R.M., C.M.P., Vtrtaçóu. J59'J.J701, N.- 1314·1141.

674


QUADRO

ru

Lojas para Venda de Trigo no Funchal -

ANO

Séc. XVII

UJCA..UZAÇAO

PROPRIET.4R10S

I60S

.) Francisco Raiz de Fovjle

Rua Direita

1607

.) João Dias .) Domingos

Ru. do Sabão e Direita

Rua do Sabão

Monso

1617

Plro Coelho

Ru. do Sabão

1624

Gaspar Fernandes Gondin Gil Eanes Coelho Clara Gomes

Ru. Direita Rua Direita Rua Direita

l6Z.S

.) Bulião Velho Cabral .) Gaspar Caminha (I) Dona Filipa Maria Gonçalves

Jo3o de Caos Martim Lopes Domingos Dias Matias Gonçalves

Ant6nio Reis Frnncisco Fernandes Lu[s Gonçalves Jesuítas

1626

a) João de Almeida

Francisco Roiz Ventura Francisco Roiz Vit6ria Leonor Lope& Clara Gomes ') Francisco Faria João Mendes .) Francisco Gaspar

João Pinto Raiz

Rua Rua Ru. Rua Rua Ru. Rua Rua Ru. Rua Ru. Ru.

Direita Direita e Esmeralda (1)

Oireita Direita. Direita Direita

Direita Sabão Direita Direita (a)

Direita Direita (4)

Ru. Direita Rua Dire ita Ru. Direita Direita Rua Direita Rua Sabão Ru. Direita Rua Oireita Ru. Direita

R".

675


PROPRIETÁRIOS

ANO

LOCALIZAÇÃO

1627

Simão Raiz

1631

b) Robert Vilovit

1634

ti)

1635

b) Francisco Fernandes Dousin

Rua Direita

1637

.) Francisco Gonçalves

Rua do Esmeralda

1638

.) Frutuoso Correia

Rua do Sabão Rua do Sabão

Rua Direita

Rua Direita e do Sabão (e)

Gerardo Salame

Rua Direita

Jorge Freire .) Sebastião Gonçalves b) TomAs Zingram

Rua Direita

1640

.) Manuel da Silva

Rua Direita

1656

.) Jãcome Tom6 (')

Rua João Gago

08S. - Quadro eb.bonodo com base A) b) -

oaJ

Rua do Sabão

vereaQOes. A.RM., C.M.F., D.- 1314.1.141.

mereador. mereador estraDJelro.

(I)_ mercador natural do Porto. (2) _ trft Ioju, KIl00 uma na Rua do S#bio e duu na Rua do EsmeraIdo. (') - com tr& loju. (.) - com ql1Atto lojas. (I) _ com dnco Joju, seDdo qWllro na Rua Direita e uma na RUI! do Sablo. (I) _ mercador açoriaDo. -

676


DEBATE Prol. T. de Matos: Constatou n importância da comunicação, pelos elementos que a documentação inédita forneceu para o estudo da comercialização dos cercais. Discordou, todavia, quando o orador referiu, no final, qUe apre~ sentava ideias, que não podia comprovar na lotalidade, s6 aceitando-as no caso de essas ideias screm hipóteses históricas eventualmente extraídas das fontes consultadas.

Dr. Alberto Vieira: Concordou com a observação c expressou a intenção de estudar o séc. XVI a partir das vereaçõcs da ilha da Madeira, de forma a completar as ideias sugeridas neste trabalho.

677


1983-av-comerciocereaisaçores  

Email:ceha@madeira-edu.pt alberto.vieira@madeira-edu.pt http://www.madeira-edu.pt/ceha/ VIEIRA,Alberto(1984), VIEIRA,Alberto(1984), "Ocomérc...

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