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Der Augenblick ist mein O momento ĂŠ meu

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Der Augenblick ist mein O momento Ê meu Rebecca Budde de Cancino & Vânia Medeiros mit | com Marion Heesemann & Anna Librecht

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Dezember/ dezembro 2017 Januar/ janeiro 2018


Gefängnisinnenhof der Frauenabteilung, JVA Bielefeld-Brackwede Pátio da penitenciária feminina de Bielefeld-Brackwede 6


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Marion


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Herr K., Justizvollzugsbeamter der JVA Bielefeld-Brackwede, bringt uns zu Marion die dort ihre Haftstrafe absitzt. Wir dürfen sie im Konferenzraum treffen. Marion wird gebracht. Auf dem Tisch steht ein Weihnachtsarrangement mit Kaffee. Wir stellen uns vor. Rebecca und Marion kennen sich bereits. Beide beschäftigen sich intensiv mit dem Buddhismus und hatten sich einen Briefwechsel zu den „Zehn Welten“ vorgenommen, welche die verschiedenen Lebens- und Seinzusstände aus buddhistischer Sicht, vom Hunger bis zur Buddhaschaft, zum Thema hat. Wir beginnen auf Deutsch (zwischen Rebecca und Marion), Englisch (zwischen Vânia und Marion) und Spanisch (zwischen Vânia und Rebecca) zu sprechen. Vânia erzählt zunächst, dass sie mit drei anderen Künstlerinnen in einem Gefängnis in São Paulo arbeitet. Marion hört interessiert zu und starrt auf Vânias Nägel. Sie sind sehr ordentlich rot lackiert. Vânia erzählt, dass diese Nägel von einer Freundin bemalt wurden, die in Brasilien lebt und vor Kurzem ihre Zeit im Frauengefängnis der Hauptstadt beendet hat. Sie ist Venezuelanerin und eine großartige Kosmetikerin. Marion beugt sich zu Rebecca hinüber und flüstert ihr etwas zu. Rebecca übersetzt: Sie sagt, dass sie sehr glücklich ist, dass sie hier ist, mit uns. Wir lachen und schauen uns etwas schüchtern, das gleiche Gefühl teilend, an. Rebecca sagt, dass wir nicht wirklich wissen, was wir als endgültige Form für dieses Projekt wollen. Im Moment wünschen wir uns, ihr zuzuhören. Unsere Kommunikation in drei Sprachen erzeugt eine ganz besondere Dynamik. Wie ein Dreieck, das seine Form verändert. Wir konzentrieren uns, damit keine der Spitzen des Dreiecks verloren geht. 11

O Sr. K., agente da Penitenciária de Bielefeld-Brackwede, nos leva ao encontro de Marion. Temos permissão para vê-la na sala de conferências. Na mesa, um arranjo de natal e café. Marion é trazida, nos cumprimentamos. Ela e Rebecca já se conhecem. Ambas são budistas e haviam se proposto uma troca de cartas sobre o tema dos "Dez mundos", conceito budista sobre os estados do ser. Não sabemos muito bem como começar a conversa, que se dá em alemão (entre Rebecca e Marion), inglês (entre Vânia e Marion) e espanhol (entre Vânia e Rebecca). Vânia começa contando que faz um trabalho com mulheres em uma penitenciária de São Paulo com outras três artistas. Marion ouve tudo com interesse e olha fixamente para as unhas de Vânia. Estão muito bem pintadas de vermelho. Ela diz que essas unhas foram pintadas por uma amiga no Brasil, que terminou há pouco de cumprir seu tempo na Penitenciária Feminina da Capital. Ela é venezuelana, uma grande manicure. Marion se inclina para Rebecca e sussurra algo. Rebecca traduz: ela diz que está muito feliz por estarmos aqui. As três rimos e nos olhamos, um pouco tímidas, partilhando o mesmo sentimento. Rebecca conta que não sabemos muito bem o que queremos como forma final para esse projeto. No momento, o que desejamos é ouvi-la. Nossa comunicação em três idiomas gera uma dinâmica muito particular para a conversa, como um triângulo que vai mudando de forma. Nos concentramos para que nenhuma das pontas do triângulo se perca.


Rebecca para Vânia, em inglês: Talvez você possa fazer as perguntas sobre as quais estávamos falando ontem. para Marion, em alemão: Sigo falando alemão? Marion: Eu sei falar inglês, mas não estou preparada agora...

Rebecca zu Vânia, auf Englisch: Vielleicht kannst du die Fragen stellen, über die wir gestern gesprochen haben. zu Marion: Soll ich auf Deutsch weiterreden?

Rebecca: Sem problema! Estou pronta para traduzir! Já imaginávamos que ia ser assim... Eu disse a Vânia que achava que você falava inglês, mas não tinha certeza.

Marion: Ich kann Englisch…aber ja…ich war nicht darauf eingestellt…

Marion: Posso entender tudo, sem problema.

Rebecca: Es ist gar kein Problem! Ich bin darauf eingestellt zu übersetzen. Wir sind davon ausgegangen. Ich habe zu Vânia gesagt, dass ich glaube, dass du Englisch sprichst, ich mir aber nicht sicher bin.

Vânia: Certo! Marion: Eu tenho uma pergunta...

Marion: Verstehen kann ich alles, das ist nicht das Problem.

Rebecca: Sim...

Vânia: Genau! Marion: Ich habe jetzt noch eine Frage...

Marion: Na última visita, você disse que íamos falar sobre os "Dez mundos"...

Rebecca: Ja..

Rebecca: Certo...

Marion: Beim letzten Besuch hattest du doch gesagt, es ginge um die „Zehn Welten“...

Marion: ...e como eu experimento os "Dez mundos" na prisão... é isso? 12


Rebecca: Genau…

Rebecca: Isso!

Marion: …und wie ich die „Zehn Welten“ im Knast erlebe… oder…?

Nesse momento, Marion fala muito baixo e faz sinais com as mãos como que para não ser escutada. Diz que as últimas cartas que escreveu, a pedido de Rebecca, não saíram.

Rebecca: Stimmt! Marion flüstert und macht uns Zeichen. Sie versucht zu erklären, dass ihre geschriebenen Briefe, von Rebecca erbeten, nicht aus dem Gefängnis gelassen wurden. Rebecca: Oh, wie schade. Aber auch spannend, weil das Projekt viel mit Kommunikation zu tun hat. Auf allen Ebenen. Marion: Komme ich ins Buch denn mit irgendeiner Story rein…? Vânia: Mit allen, die du uns erzählen möchtest! Marion: Von mir könnt ihr alles haben!

Rebecca: Que pena... Mas é interessante que você nos conte isso porque o projeto tem muito a ver com a comunicação. Em todos os níveis. Marion: E eu entro nele com alguma história? Vânia: Todas as que quiser contar! Marion: Vocês podem ter tudo o que quiserem de mim! As três riem. Vânia: Você pode responder o que quiser, como quiser. Se tiver algo sobre o qual não queira falar sobre, tudo bem.

Alle drei lachen. Vânia: Du kannst antworten, was und wie du möchtest. Wenn es ein Thema gibt, über das du nicht sprechen willst, dann ist das in Ordnung. Rebecca: Ich werde etwas fotografieren. Vânia: Also, Marion... Wie lange bist du schon hier in... Brackwede... wie heißt dieser Ort? 13

Rebecca: Vou tirar algumas fotos.


Rebecca: JVA, Justizvollzugsanstalt BielefeldBrackwede. Marion: …2013, 14, 15, 16, 17…im April 2018 werden es 5 Jahre. Vânia: Kannst du erzählen, was du getan hast? Marion: Warum ich jetzt hier bin? Rebecca: Ja. Wenn du möchtest, in ein paar Worten. Marion: Ist kein Problem. Ich bin wegen Betrugs hier.

Vânia: Então, Marion... Há quanto tempo você esta aqui em… Brackwede… como se chama esse lugar? Rebecca: Penitenciária de Bielefeld-Brackwede. Marion: …2013, 14, 15, 16, 17…em abril serão 5 anos. Vânia: Você pode falar o que fez? Marion: O porquê de eu estar aqui agora? Rebecca: Sim. Se quiser, em poucas palavras. Marion: Sem problema. Estou aqui por algo como “fraude”. Rebecca: Não sei a expressão agora. Ela fez… como se diz… quando, por exemplo, você falsifica uma assinatura…

Rebecca: Ich weiß nicht, wie es auf Spanisch heißt. Sie hat ... wie nennt man es ... wenn du zum Beispiel eine Unterschrift fälschst...? Vânia: Ich denke „Falsidade ideológica“ ist der Ausdruck auf Portugiesisch... Marion, ich wollte dich fragen, wie du

Vânia: Acho que seria “Falsidade ideológica” a expressão em português... não tenho certeza. Marion, queria te perguntar como você imagina uma penitenciária no Brasil. Você acha que deve ser parecida com uma penitenciária alemã ou muito diferente? Marion: Pausa longa. No começo foi muito difícil para mim.

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dir ein Gefängnis in Brasilien vorstellst. Denkst du, es ist wie in Deutschland, oder sehr anders? Marion: Lange Pause. Am Anfang war es sehr schwer für mich.

Rebecca: Ela não entendeu a pergunta, está contando como eram os primeiros tempos aqui. Tudo bem...

Rebecca: Sie hat die Frage nicht verstanden, sie erzählt, wie es ihr hier am Anfang ging. Aber ich denke, das ist in Ordnung. Marion: Schwer, weil es erstmal etwas Neues war. Ich war sehr eingeengt und hatte mich auch noch nicht mit meiner Tat auseinandergesetzt. Da macht man sich und auch der anderen Seite das Leben schwer. Pause. Rebecca: Sie fragte, wie du dir die Gefängnisse in Brasilien vorstellst, Marion. Marion: Da muss es heftig sein. Ich glaube, dagegen ist das hier ein Schlaraffenland. Soweit ich etwas darüber weiß. Vânia: Es gibt sehr unterschiedliche Gefängnisse in Brasilien. Welche, die sehr chaotisch sind, wo die Kriminellen den Ort einnehmen und das tun, was sie wollen, aber es gibt auch sehr strenge Gefängnisse. Vielleicht so wie hier in Deutschland. Aber nicht ganz so kalt... Lacht. Marion: Du hast ganz bestimmt recht. Aber ich 15

Marion: É difícil, porque é algo novo, no início. A pessoa está muito contraída nesse período e eu ainda não tinha lidado com o que tinha feito. Assim você torna a sua vida mais difícil e também a dos outros. Pausa. Rebecca: Ela perguntou como você acha que são as prisões no Brasil, Marion. Marion: Deve ser duro. Comparado com seu país, aqui deve ser uma terra de abundância. Isso é tudo que sei sobre o assunto. Vânia: Existem várias prisões muito diferentes umas das outras no Brasil. Há prisões que são muito caóticas, onde criminosos tomam o lugar e fazem um pouco do


glaube, dass in Deutschland, gerade in Deutschland, sehr viel im Gefängnis gemacht wird. Vânia: Du meinst zum Beispiel die soziale Arbeit...? Marion: Ja. Wir haben jetzt auch Yoga und sogar Achtsamkeitstraining. Rebecca: Ja?

que querem, mas também há prisões muito rigorosas. Talvez tanto quanto aqui na Alemanha. Mas sem fazer tanto frio... Risos. Marion: Você certamente está correta. Mas acredito que, especialmente na Alemanha, muito é feito nas prisões. Vânia: Você quer dizer, como trabalho social?

Marion: Ja wirklich, mit Supervision und so. Außerdem bin ich jetzt in einem Kochkurs. Ich kann zwar kochen, mache also nicht wirklich mit, aber ich genieße dort die guten Lebensmittel. Rebecca: Diese Aktivitäten sind bestimmt für viele hier sehr wichtig. Marion: Für mich auf jeden Fall. Auch, weil ich wirklich krank bin. Das hilft mir irrsinnig. Jeden Dienstag haben wir ein Frauencafé und ab nächstem Jahr bekommen wir zusätzlich Zumba. Jetzt bin ich jeden Abend komplett weg. Wenn man das alles annimmt, die ganzen Hilfen…! Außerdem haben wir jetzt ganz tolle Psychologen hier rein gekriegt und neue tolle Sozialarbeiter, da hat sich wirklich was verändert. Vânia: Kannst du dich hier im Gebäude auch frei bewegen? Marion: Ich bin auf einer „offenen Abteilung“1.

Marion: Sim. Agora, temos yoga e até treinamento de atenção plena. Rebecca: Sério? Marion: Sim. Eu estou assistindo uma aula de culinária agora. Eu já sei cozinhar, mas lá disfruto de bons ingredientes. 16


Wir können den ganzen Tag rumlaufen. Von sechs Uhr morgens bis neun Uhr abends können wir alle auf die Toilette oder in die Küche gehen. Auf der anderen Abteilung sind sie wirklich sehr eingeschränkt. 1 Rebecca: Wieviele seid ihr? Marion: Auf der Offenen? Zur Zeit sind wir 14.

Rebecca: Estas atividades devem ser muito importantes pra quem está aqui, imagino... Marion: É muito importante para mim porque estou realmente doente e isso me ajuda de forma insana. Teremos zumba no ano que vem. Toda terça-feira temos um café feminino. Agora tenho atividades todas as noites. Se você aceitar tudo isso, toda essa ajuda... Nós temos realmente grandes psicólogos aqui agora, grandes assistentes sociais, isso realmente faz diferença.

System, in dem sich die Insassen frei durch das Gebäude bewegen können. 1 Sistema em que as internas podem circular livremente pelo edifício.

Vânia: Você pode se mover livremente aqui no prédio? Marion: Eu agora estou em um sistema chamado "departamento aberto"1. Podemos caminhar o dia todo. Das seis da manhã até as nove da noite, podemos ir ao banheiro ou à cozinha. No outro departamento elas estão realmente limitadas. Pause. Rebecca schenkt allen Kaffee mit Milch ein. Marion: Und das, was ich hier festgestellt habe, als ich mich wirklich mit den „Zehn Welten“ beschäftigt habe, da ist mir aufgefallen, dass wenn du dich mit deinen Schwächen anfreunden kannst… Rebecca: Es geht um Vergebung, oder? 17

Rebecca: Quantas são? Marion: No aberto? No momento, somos catorze. Pausa. Rebecca serve café e leite para todas.


Marion: Ja. Wenn du dich also mit deinen Schwächen anfreunden und dir selber verzeihen kannst..., dann kannst du auch anderen verzeihen. Da beginnt dieses Loslassen. Und in dem Moment stehen dir wirklich alle Türen offen. Vânia: Es ist interessant für uns, dich hier von offenen Türen sprechen zu hören. Marion: Ich habe von Rilke eine ganz tolle Sache gelesen… Dass das Miteinander von Mensch zu Mensch die schwerste Aufgabe ist, die wir wahrscheinlich haben. Rebecca: Oh ja, Rainer Maria Rilkes Gedichte gefallen mir sehr. Marion: Und wenn das wirklich mit den „Zehn Welten“ so sein sollte, dann kann das von der Vorstellung ja eigentlich nur so sein, dass wir immer wieder inkarnieren, also unsere Seele. Und ich glaube, wir inkarnieren so lange bis wir diese Liebe empfinden können und diese Liebe ist für mich heute identisch mit dem Loslassen. In welcher Welt du dich auch gerade befindest, in welchem Lebenszustand, jeder beinhaltet immer alle zehn. Die ja anfangen mit der Hölle, Hunger und so weiter, bis du oben beim Buddha bist. Und Buddha würde ich jetzt

Marion: O que eu percebi aqui, quando comecei a lidar com a ideia dos "Dez mundos" - coisa que tenho feito há muito tempo - é que você pode fazer amizade com seus pontos fracos... Rebecca: Tem a ver com o perdão, não? Marion: Sim... se você pode fazer amizade com seus pontos fracos e perdoar-se, então você pode perdoar os outros e assim desapegar. A partir dai, todas as portas estão realmente abertas para você. Vânia: É interessante pra nós ouvir você falar de portas abertas estando aqui. Marion: Eu li uma ótima coisa de Rilke... A interação humano - humano é, na verdade, a tarefa mais difícil que provavelmente temos. Rebecca: Ah, Rainer Maria Rilke, gosto muito dos poemas dele. Marion: E se realmente formos falar da existência dos "Dez mundos", faz sentido pensar que a alma sempre reencarna. E eu acredito que encarnamos tantas vezes até que possamos sentir esse amor - e esse amor é para mim hoje 18


gleichsetzen mit Liebe. Und Liebe ist für mich gleichzeitig identisch mit… ja, Loslassen gleich Liebe. In dem Moment steht dir jede Tür offen. Vânia: Durch die Liebe sind wir also immer frei? Marion: Deswegen ist man hier drin auch nicht…, ich bin hier drin zwar hinter Mauern, aber innerlich bin ich für mich, seitdem ich das begriffen habe, wieder frei. Und dann kommt diese Grundzufriedenheit und das ganze Drumherum ändert sich plötzlich auch. Du kannst hunderte von diesen, ich sage mal, positiven Büchern lesen, aber wenn es nicht in irgendeinem Moment klick macht…!? In diesem Moment überspringst du die „Welten“ und bist da oben. Nur bei gewissen Sachen eben noch nicht… da denke ich dann „ okay DAS hast du noch nicht…“ aber das ist dir in dem Moment zumindest bewusst. Und das ist das Schöne daran. Lacht. Rebecca: Der Klick ist gut! Grinst. Marion: Wenn dir jemand in den Hintern tritt, dann hast du die Vorlage dafür gegeben. Und in dem Bewusstsein bewertest du in diesem Moment nicht mehr. Rebecca: Nochmal zurück zu den „Welten“, vielleicht nochmal etwas konkreter... Vânia: Könntest du uns von Situationen in deinem täglichen Leben hier drinnen, von gefühlten Momenten, diesen „Welten“... erzählen? 19

idêntico a desapegar. Seja qual for o mundo em que você esteja, em qualquer estado de vida, ele inclui todos os outros mundos. Eles começam com o Inferno, a Fome, e assim por diante, até que você esteja com o Buda. O Buda eu diria que é igual ao amor. E o amor é idêntico ao desapego... Sim, libere como o amor. Nesse momento, cada porta está aberta para você. Vânia: Através do amor, então, sempre estamos livres? Marion: E é por isso que eu não estou presa... eu estou aqui, atrás das paredes, mas dentro de mim estou comigo mesma. Uma vez que eu entendo isso, estou livre. E, de repente, vem essa satisfação básica e... tudo ao redor muda de repente. E você pode ler centenas desses, digamos, livros de auto-ajuda, mas se você não faz "click", nada acontece... Quando você faz o click, cruza os "Dez mundos" em um instante e de repente já está no topo... Só que apenas em certas questões... e pensa "ok... ainda não estou iluminada em tal assunto específico...", mas você fica realmente consciente do problema. E essa é a beleza da coisa. Risos.


Rebecca: Ja, vielleicht etwas, das in den letzten zwei Monaten passiert ist... Sie bringen uns Kaffee. R, V, M: Dankeschön! Marion: Ich bin jetzt wirklich sehr krank gewesen. Ich habe einen AddisonSchub gehabt. Rebecca: Ist das etwas mit deinem Arm2?

Rebecca: O "click" é bom! Risos.

Marion: Das ist etwas mit der Nebenniere. Die Marion: hat sich ganz krass entzündet. Eine ganz Se alguém te chutou na bunda, você se schlimme Allergie habe ich gehabt. In colocou nessa situação, dem Moment hatte 2Wegen eines schweren Unfalls in der Zeit vor se submeteu. Quando ich die Hölle. Ich ihrem Gefängnisaufenthalt, konnte Marion ihren Arm in den Stücken mit dem AlarmTheater nicht você percebe isso, você habe es verflucht benutzen. para de julgar. und verflucht. Ich 2 Devido a um grave acidente no tempo que bin allerdings auch antecedeu a prisão, Marion não podia usar o braço Rebecca: wirklich zu spät nas peças com o AlarmTheater. Falemos mais dos „auf die Ampel“3 gegangen. Und als ich im Krankenhaus "Dez mundos", talvez de forma mais war, da habe ich geflucht „da will ich concreta... nicht hin“. Bis ich mich dann einfach nur ins Bett gelegt und mir gesagt habe, Vânia: Você poderia contar situações que representem essas sensações, esses "mundos", vividos aqui dentro, no seu cotidiano? Rebecca: Sim, talvez algo que tenha acontecido nos últimos dois meses... Nos trazem um café. R, V, M: Obrigada!

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dass das jetzt so ist und nun einiges kontrolliert werden muss. Vânia: Und wie ging es weiter? Marion: Die Ärzte (dafür) waren nicht da. Dann habe ich drei Stunden gechantet4 und gesagt: morgen sind die da! Und dann wurde ich am nächsten Tag aus der Freistunde geholt und alle haben sie da gesessen. Grinst. ICH SCHWÖR'S! Aber das funktioniert wirklich nur, wenn du loslässt, einfach wenn du sagst… Zeigt mit der Hand ein Wegfliegen. Für mich! Vânia: Es gibt einen Zustand in den „Welten“ der „Hunger“ heißt, richtig?

Marion: Estive realmente muito doente recentemente. Eu tive doença de Addison.

Gerät in den Zellen, um im Notfall die Sicherheit zu rufen. 3 Dispositivo presente nas celas para chamar a segurança em caso de emergência. 3

Rebecca: Isso tem a ver com seu braço?2

Marion: Und mit dem Hunger ist Marion: das so… Ja…ich vertrage ganz viele É algo com a glândula adrenal. Ela Sachen nicht, wenn wir das jetzt auf ficou muito inflamada. Eu tive uma das Essen beziehen. Wir hatten einen alergia muito forte. Naquele momento, Einkäufer… ich habe drei Wochen eu experimentei o Inferno, amaldiçoei gechantet und wir hatten einen neuen e amaldiçoei. Eu realmente fui muito Einkäufer. Lacht. tarde "no semáforo"3. E quando Und da war die Liste viel, 4 eu estava no hospital, Wiederholung des Mantras Nam viel größer… Wirklich. Myoho Renge Kyo. amaldiçoei. Pensava "eu 4 Alles, was du mit deiner Repetição do mantra Nam-Yohonão quero ir", mas num Regnue-Kyo. eigenen Kraft versuchst, determinado momento ohne loszulassen: vergiss es. eu simplesmente fui para a cama da enfermaria e disse a mim Rebecca: mesma que tinha que ser daquela forma Ja... e que aquilo teria que ser controlado... Marion: Mit der Tierwelt…der „Animalität“, Vânia: das ist die Dritte, richtig? E o que aconteceu? 21


Rebecca: Ja, genau, das wäre die „dritte Welt“ der fünf niederen. Aber du kannst auch einfach von einer Situation zu einer anderen „Welt“ erzählen. Wie zum Beispiel „das war für mich wie Buddhawelt...“. Du musst nicht der Reihenfolge nach gehen. Für uns ist es sogar toll, wenn es Alltagssituationen sind, wie so kleine Geschichten, das ist für unser Buch einfach schön. Oder, wenn du dich erinnerst als du zum Beispiel das Gefühl hattest „da hatte ich eine Teilerleuchtung“… Im Hintergrund beginnt eine laute Sirene. Herr K. kommt herein, sagt zu uns: „Bitte nicht dran stören lassen, einfach ganz normal weiter machen“. Vânia: Er sagt, dass alles gut ist, oder? Marion lässt sich nicht aus der Ruhe bringen. Die Tür wird aufgerissen. Die Sirene ist laut. Eine Beamtin kommt hektisch herein gelaufen. Schlüssel klappern. Sie will Marion greifen und mitnehmen sie ruft laut „Frau Heesemann…!“ Marion: Ich soll hier drin bleiben. Marion antwortet ruhig. Und Sie kommt zurück zum Thema.

Marion: Os médicos não estavam lá. Então eu recitei4 (daimoku) por três horas e disse: "amanhã eles estarão aqui!”. No dia seguinte eu fui chamada no meu tempo livre e eles realmente estavam lá... Ela sorri. EU JURO! Mas isso realmente só funciona se você desapegar, apenas quando você diz... Faz gesto de vôo com as mãos. Para mim! Vânia: Tem um dos estágios ou mundos chamado "Fome", certo? Marion: Sobre Fome, na verdade... Sim... Se formos falar de comida, há muitas coisas que meu corpo não tolera. Tivemos um fornecedor... e recitei por três semanas, joguei para o universo e tivemos um novo fornecedor. Risos. E a lista de produtos era muito, muito maior e... É sério, tudo o que você tenta conquistar com seu próprio poder, sem praticar o desapego, pode esquecer. Rebecca: Sim... Marion: "Animalidade"... é o terceiro mundo, certo? Rebecca: Sim, Marion, esse seria o terceiro mundo (um dos mundos inferiores)... Mas não se prenda à ordem, se você lembrar 22


Marion: Ich hatte eine Zeit, da wollte ich umbedingt in die Offene (Abteilung). Konnte aber nicht. Und dann habe ich immer gedacht: die geht, die geht, die geht…!? Nein, aber die Beamten hatten Recht. Ich war noch nicht so weit. Ich wäre so weit gewesen, dass ich nicht abhaue, dass ich da keinen Mist mache und so weiter. Das ist alles richtig. Aber, dass ich noch etwas aufzuarbeiten hatte, dass ich eventuell, wenn ich im Offenen bin, wieder in die alten Gleise zurückgehe, das habe ich nicht verstanden. Und als ich nach langer Frustration an einem Tag auf mein Zimmer ging, da habe ich zu mir gesagt: „Ey, es reicht jetzt aber!“ Weil auch alle sagten, ich könnte zwei Drittel (der Haft) kriegen und es nicht klappte...

de outra situação como "isso era como o mundo do Buda para mim...", pode dizer. Estamos interessadas em situações cotidianas, pequenas histórias. Momentos em que, por exemplo você poderia dizer "eu tive uma iluminação parcial"... Ao fundo, começa a soar alto uma sirene. O Sr. K. entra, nos diz: "Por favor, não deixe que isso as perturbe, apenas continuem normalmente". Vânia: Ele disse que está tudo bem, não?

Rebecca: Das war bestimmt schwer...

Marion não se deixa perturbar. A porta se abre. A sirene soa realmente alto. Uma oficial entra freneticamente, suas chaves pesadas chocalham. Ela faz menção de agarrar Marion e levá-la, falando em voz alta "Senhora Heesemann"!

Marion: …Da habe ich zwei Wochen erstmal richtig dafür gechantet und kriegte auf einmal einen ganz tollen Psychologen hierhin, von Außen, mit dem ich anders reden kann. Und nicht diese Schule nach Jung usw... Und da habe ich gemerkt, warum gewisse Sachen bei mir gelaufen sind und, dass es wichtig war, dass ich hier war. Man ist immer, immer,

Marion: Eu tenho permissão para ficar aqui. Marion responde tranquila. E retorna ao tema. Marion: Houve um período em que queria muito ir para o departamento aberto. Mas não podia. E ficava pensando: aquela está saindo, a outra também, a 23


Marion: Und mit ihm konnte ich auch wirklich... er ging auch das erste Mal darauf ein und ich konnte das erste Mal auch über meine Tochter reden, und… nee…das Thema jetzt nicht…

outra também...!? Mas os funcionários estavam certos. Eu ainda não estava pronta. Não teria fugido, feito bobagem etc, isso não. Mas eu ainda tinha que trabalhar um pouco, haviam coisas que se eu tivesse ido para o departamento aberto teria regredido e não havia entendido isso ainda. Fui ao meu quarto e, depois de tanto tempo angustiada, me disse: "Chega!". Porque, além disso, todos disseram que eu poderia cumprir dois terços da pena, mas não era assim...

Rebecca: Ist gut...

Rebecca: Deve ter sido difícil...

Marion: Und dann war das Schöne… dann kam ein Betreuer an und dann kam Herr K. an und sagte: „Wollen sie nicht in den Offenen?“

Marion: Então passei duas semanas recitando profundamente e, de repente, consegui um grande psicólogo, alguém de fora, com quem eu pude falar de maneira diferente. Ele não trabalha com a escola baseada em Jung etc... A partir daí, percebi por que certas coisas aconteceram comigo e que era importante que eu estivesse aqui. Você está sempre, sempre, não importa em qual situação, você está sempre no lugar certo. No momento certo, no lugar certo.

egal in welcher Situation man ist, immer am richtigen Platz. Zur richtigen Zeit am richtigen Platz. Vânia: Ja!

Rebecca: Jaa!? Marion: Dann, in dem Moment, wo du wirklich loslässt, und wo du gewisse Sachen

Vânia: Sim! Marion: E com ele eu pude realmente... falar pela primeira vez sobre minha filha e... prefiro não falar desse assunto agora.

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erkennst…von der Intuition her… und vom Erwachen, sag ich mal, das ist großartig. Und ich sage mir: jetzt mach' ich das und das erst zu Ende. Und dann kommt das Nächste. Rebecca zu Vânia: Im Buddhismus sprechen wir auch von „Funktionen“. Funktionen, die dich schützen. Dies bedeutet, dass andere Menschen zu deiner Entwicklung beitragen. Marion: Und da merkte ich auch: nee, das sind nicht meine Feinde, das sind meine Freunde. Wo ich früher nur so gegen geschossen habe. Wenn ich die ganze Zeit gegen sie kämpfe, sind sie meine Feinde. Wenn ich mit dem Fluss gehe, ändert sich das... Ich bin jetzt auch schon 56, also schon... eine alte Frau... Lacht. Aber ich kann klar sagen, dass ich die Zeit hier intensiver gelebt habe, als meine fünfzig Jahre draußen. Rebecca guckt erstaunt. Marion: Nein, Entschuldigung, warum soll ich jetzt lügen?! Rebecca: Ja, das glaube ich dir. Nein, das glaube ich dir total! Marion: Und das was ich jetzt mit nach draußen nehme! Ich habe einen Job draußen, ich habe nichts verloren und ich gehe ganz anders raus. Alle drei lachen.

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Rebecca: Tudo bem... Marion: E então a beleza foi que... chegou um supervisor aqui e logo depois o Sr. K. veio pra mim e disse: "Você não quer passar para o departamento aberto?" Rebecca: Sério?! Marion: Então, no momento em que você realmente desapega e reconhece certas coisas através da intuição, despertando, decide terminar as coisas que começou. Rebecca explicando a Vânia: Bem, no budismo, também falamos sobre "funções". Funções que nos protegem. Isso significa que existem outras pessoas que contribuem para o seu desenvolvimento. Marion: E então percebi: esses não são meus inimigos, estes são meus amigos. Aqueles contra os quais sempre disparei. Se eu for contra o tempo todo, são meus inimigos. Se eu for com o fluxo, tudo muda... Eu já tenho 56 anos,


Marion: Ich habe hier die Mauern, aber ich habe trotzdem... ich habe einen Wunsch. Und die schwierigen Situationen, die lasse ich dann erstmal ruhen. Ich gehe in mein Zimmer, atme durch. Dann habe ich meine Zeiten, in denen ich dafür chante und gehe ins Bett. Und ich weiß - ich weiß, das klingt jetzt irgendwie blöd oder so - ich wache morgens auf...

então... sou uma velha... Risos. Mas posso dizer claramente que vivi o tempo aqui mais intensamente do que meus cinquenta anos fora. Rebecca faz cara de surpresa. Marion: Desculpe, por que eu deveria mentir?! Rebecca: Sim, eu acredito totalmente em você! Marion: E agora, isso é o que eu levo! Tenho um emprego, não perdi nada e vou sair completamente diferente. As três sorriem. Marion: Aqui eu tenho as paredes, mas eu ainda tenho... o desejo. Se há uma situação difícil, deixo-a de lado, vou ao meu quarto, respiro. Tenho meus momentos de meditação, depois vou para a cama. E eu sei, eu sei, parece um pouco estúpido, mas eu acordo de manhã... Pausa.

Pause. ...mache meine Arbeit und es kommt diese neue Situation, in der ich auf das vom Vortag zurück kommen muss. Aber ich habe es für mich jetzt schon so im Griff. Ich kann euch sagen, ich habe auch lange dafür geübt. Ja, und auf einmal ist dann das Thema abgeschlossen. Und mit dem Gedanken, dass es auch gut ist, wenn sich nicht alles für mich aufgeklärt hat,

...faço o meu trabalho e sinto que preciso retomar a questão do dia anterior, mesmo já a tendo sob controle. É ai que meu trabalho está completado. Posso dizer que pratiquei muito para isso. E com o pensamento, sigo indo pra adiante, mesmo que nem tudo tenha se aclarado completamente.

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bewege ich mich weiter. Lasse los. Und am gleichen Tag kommt die Lösung doch! Vânia: Wird dir etwas von hier fehlen, wenn du wieder draußen bist?

Vânia: Você vai sentir falta de algo daqui quando sair? Longa pausa.

Lange Pause. Marion: Wo ich dann hingehe? Rebecca: Nein, ob du glaubst, draußen etwas von hier zu vermissen. Marion: Nein, vermissen nicht. Aber zu schätzen wissen. Die guten Leute hier drinnen und die Erfahrungen mit dem AlarmTheater lassen mich raus gehen und jedem sagen können: „Ich bin im Gefängnis gewesen. Und das ist meine Zeit gewesen.“ Ich brauche das nicht unter den Tisch kehren. Dafür muss ich mich schämen, aber ich muss mich nicht hundert Mal dafür erklären. Und wenn du damit aber ein Problem hast, kannst du dich distanzieren. Aber das ist dann auch okay. Ich bin frei. Ich bin ein Mensch. Ein Mensch, der eine kriminelle Handlung begangen hat, aber keine Kriminelle mehr. Und das ist ein schönes Gefühl. Vânia: Es ist sehr besonders, an diesen Punkt zu kommen. Marion: Das ist kein Aushängeschild. Dafür muss ich mich schämen. Aber das ist MEIN Schämen. Aber was DU damit anfängst: Dein Problem. 27

Marion: Você pergunta para onde eu vou? Rebecca: Não, ela pergunta se, quando você sair, algo daqui vai te fazer falta. Marion: Não, falta não... Mas eu sei valorizar. As pessoas boas aqui e a experiência com o AlarmTheater me permitem sair e dizer a todos: "Eu estive na prisão. E esse era o meu tempo". Não preciso varrer isso para debaixo da mesa, ter


Vânia: Sind die Bücher für dich Freunde hier im Gefängnis? Marion: Und draußen auch! Kein Fernseher. Nur... Sie macht eine lesende Handbewegung. Mein Traum ist, einen eigenen Buchladen zu haben. Mit kleinem Café! Sie grinst.

vergonha. Mas não preciso explicar isso cem vezes também. Se isso for um problema pra você, pode se distanciar. Está ok. Eu sou livre. Eu sou humana. Uma pessoa que cometeu um crime, mas não mais uma criminosa. E isso é um bom sentimento.

Vânia: Was liest du gerne? Was sind deine Hauptinteressen? Literatur... Marion: Buddhismus... Religionen. Alle Religionen... amh... Der Distelfink5 . Den habe ich schon drei Mal gelesen. Lacht. Aber ich lese alles, alles. Rebecca zu Vânia gewandt: Das Buch hat den Namen eines Vogels... ich habe es nicht gelesen...und ich weiß die Übersetzung leider auch nicht genau...

Vânia: É muito especial chegar a esse lugar. Marion: Isto não é motivo para fazer um cartaz. Eu tenho que ter vergonha, mas essa vergonha é minha. O que você faz com isso é problema seu.

5 Vânia: Ein Buch der nordamerikanischen Marion: Schriftstellerin Donna Tartt mit dem Os livros são amigos Der Distelfink zeigt, Originaltitel "The Goldfinch". para você aqui na 5 wie du schon in einer Livro da escritora norte-americana Donna prisão? vorpubertären Zeit, in etwas Tartt. Título original “The Goldfinch”. hineinschlittern kannst, wo Marion: du nicht nein sagen kannst, E também fora! Nada de TV. Apenas... um zu überleben. Und dann passieren Faz gesto de leitura com as mãos. dir Sachen, die nicht okay sind. Meu sonho é ter uma livraria. Com um pequeno café. Rebecca: Der Distelfink. Es ist ein Vogel. Ela ri.

Vânia: Okay...

Vânia: O que você gosta de ler? Quais são seus principais interesses? Literatura... 28


Marion: Die Schriftstellerin ist Donna Tartt. Rebecca: Wie schön wir deine Literaturvorschläge finden! Das könnte etwas werden mit der Buchhandlung! Lacht.

Marion: Budismo… Religiões, todas as religiões…ahm… Der Distelfink5… Já li três vezes... Risos. Tudo, tudo.

Marion: Der Gesundheitscode. Wie der Arzt heißt, das weiß ich jetzt gerade nicht. Es geht um Achtsamkeit und wie er die westliche und die …östliche Medizin… zusammenpackt… wissenschaftlich… ganz toll! Marion: Darf ich? Marion nimmt einen Stift und notiert etwas auf Vânias Papier.

Rebecca para Vânia: O livro tem nome de um pássaro… eu não o li e não saberia traduzir…

Vânia: Ah, ja... Marion: Und dann habe ich noch ein Buch gelesen… Dein Schmerz ist nicht meiner.

Marion: Der Distelfink também mostra como você pode deslizar para algo, ainda na pré-adolescência, em que não consegue dizer não. E a partir dai começam a acontecer coisas que não são mais ok. Rebecca: Der Distelfink. É um pássaro. Vânia: Ok… Marion: A escritora é Donna Tartt. Rebecca: Estamos adorando seus conselhos 29


Marion beginnt die Buchtitel aufzuschreiben. Marion: DAS war toll!! Der schreibt über zwei, drei Generationen zurück, was dort passiert ist und dann plötzlich ausgetragen wird, Generationen später Auswirkungen hat... Rebecca: Ja?? Das kannst du mir auch gerne aufschreiben! Du wirst auf jeden Fall einen Buchladen haben, ich bin mir sicher!

de leitura! A ideia da livraria poderia funcionar! Risos. Marion: O código de saúde. Como se chama o médico, não lembro o nome... É sobre a atenção plena e como ele combina o Ocidente e a... medicina oriental, cientificamente... realmente ótimo!

Vânia: Du musst uns die Adresse deines Buchladens schicken! Der wird sicherlich sehr gut sein! Marion: Und Der Junge der Träume schenkte6, Habt ihr das schon gelesen? Rebecca: Nein, ich lese gerade wenig... Marion: Das spielt im New York der zwanziger Jahre, wie die ganzen Immigranten, also Italiener, Chinesen usw. dort ankommen, leben, und die ganzen Konflikte in der Zeit. Dann das Buch Das Mädchen, das den Himmel berührte7. Ich mache euch eine ganz tolle Liste fertig! Ja,...auch die Weihnachtsgeschichten...von dem Gaarda Das Weihnachtsgeheimnis, das ist ganz toll. Gerade lese ich noch ein Buch von Andreas Englisch. Er ist einer der sechs Reporter in Rom, der den Papst begleiten darf.

Marion: Posso? Marion pega uma caneta e escreve no caderno de Vânia. Vânia: Ah, sim... 30


Rebecca: Hat das mit dem politischen Heute zu tun?

Marion: E então tem outro livro... Sua dor não é minha.

6 Originaltitel “La gang dei sogni”, Marion: von Luca di Fulvio. Marion começa a escrever os Nee, einfach mit dem 6 Título original “La gang dei sogni”, títulos dos livros. Glauben: War das de Luca di Fulvio. so? Ist er wirklich ans Marion: Kreuz genagelt worden? Oder ist er Esse é ótimo! Ele escreve há duas, três nur verbannt worden? Ganz toll. Da gerações atrás sobre acontecimentos bekommst du die christliche Geschichte que até agora têm consequências. O noch einmal mit. que já está contido no óvulo ou no esperma e é repassado para adiante. É bastante científico. Uau, esse é incrível!

Rebecca: Sim?? Você também pode me anotar esse! Você vai ter uma livraria, tenho certeza! Vânia: Você tem que escrever pra nós o endereço da sua livraria! Ela vai ser muito boa! Marion: E Der Junge der Träume schenkte5 Já leu esse? Rebecca: Não estou lendo quase nada agora. Marion: Isso se passa nos anos 20, como todos os imigrantes, italianos e chineses etc. e todos os conflitos da época. Depois 7 o livro Das Mädchen das den Marion: Originaltitel “La ragazza che toccava il Himmel berührte7! Eu vou cielo”, auch von Luca di Fulvio. Ich habe auch 7 Título original “La ragazza che toccava il fazer uma boa lista para ein Buch einer cielo”, também de Luca di Fulvio. vocês! E histórias de Natal ... türkischen Do Jostein Gaarder, Mistério Schriftstellerin de natal. Ótimo. E agora estou lendo um gelesen. Sie schreibt über den Islam. livro de Andreas Englisch. Ele é um Der Koran wird genau von Anfang an, dos seis repórteres em Roma que tem also 620 n. Chr. bis heute untersucht. permissão para acompanhar o Papa. 31


Rebecca: Tem alguma coisa a ver com a política atual? Marion: Não, apenas com a fé. Foi assim? Ele realmente foi pregado na cruz? Ou simplesmente foi banido? Ótimo. Ele reconta a história cristã. Também li um livro de uma escritora turca. Ela escreve sobre o Islã. O Alcorão é estudado desde o início, ou seja, 620 DC. até hoje... E depois a autora viaja por todos os países mencionados no livro. Todos os assassinatos de honra, os porquês... sempre relacionados de fato com o Alcorão. Você aprende o Alcorão de maneira diferente. Sim, vou fazer uma lista pra você!

Und die Autorin reist dann auch durch diese Länder. Und sie legt den Koran dann auch aus. Auch die ganzen Ehrenmorde sind darin beschrieben, wieso, weshalb, warum...und immer auf den Koran bezogen. Du lernst den Koran nochmal ganz anders kennen. Ja, ich mache euch eine Liste!

Rebecca: Muito bom. Vânia: Muitos livros! Uma livraria viva! As três riem.

Rebecca: Sehr schön!

Vânia: Marion, você tem um bom relacionamento com as outras mulheres aqui?

Vânia: Wirklich viele Bücher! Eine lebende Bibliothek!

Marion: É muito difícil com as outras mulheres, de certa forma. Noventa porcento das que estão aqui é por causa de entorpecentes.

Alle drei lachen. Vânia: Marion, hast du ein gute Beziehung zu den anderen Frauen hier?

Rebecca: O que isso significa?

Marion: Es ist sehr schwer mit den anderen Frauen, teilweise. Hier sind ungefähr

Marion faz linguagem gestual. 32


neunzig prozent BtMer (fallen unter das Betäubungsmittelgesetz).

Vânia: No Brasil também é assim.

Rebecca: Was heißt das?

Marion: No começo eu as amaldiçoei, me distanciei, fiquei com raiva. Mas eu li muitos livros sobre drogas. Inclusive de pessoas muito famosas. Um deles se chamava Nove dias acordado ou algo parecido. Eu realmente entrei no tema. E agora, quando ouço as pessoas... ainda me distancio, mas também penso: elas têm que carregar seus pacotinhos e eu os meus. Eu tive que aprender isso primeiro. No entanto, você tem que ter muito cuidado. Bem, se me dessem algo para beber aqui agora, eu jogaria fora no mesmo momento. E apenas fingido que tomei.

Marion macht Zeichensprache. Vânia: In Brasilien ist das auch so. Marion: Am Anfang habe ich sie verflucht, mich distanziert, ich war wütend. Dann habe ich auch ganz viele Bücher über Drogen gelesen, auch von ganz berühmten Leuten. Eins hieß Neun Tage wach oder so ähnlich. Ich habe mich richtig damit beschäftigt. Und jetzt, wenn ich den Leuten zuhöre, dann distanziere ich mich immer noch, aber ich denke auch: die haben ihr Päckchen zu tragen und ich meins. Das musste ich erst lernen. Trotzdem muss man sehr vorsichtig sein. Also, wenn ich hier jetzt etwas zu trinken hätte, dann hätte ich es schon längst weggeschüttet. Und nur so getan „als ob“. Vânia: Du hast das Gefühl, dass du niemandem trauen kannst... Rebecca: Ja... Marion: Aber man muss nur auf deren Stufe runter… Und seitdem ich das gelernt habe: Kein Problem! Und in der Bücherei hab ich immer eine leere Wasserflasche und dann hau ich einmal auf den Tisch und sage einmal 33

Vânia: Sente que não pode confiar em ninguém, então… Rebecca: É... Marion: Você só tem que dar um passo para o nível delas... E desde que eu entendi


„casalla“8, damit endlich Ruhe ist. Oder, wenn die Geschäfte machen: um die Ecke sonst gibt's „casalla“ und damit hat sich's. Rebecca: Was heißt das? Marion: Eins um die Ohren!

isso, não há problema! Na biblioteca, eu sempre tenho uma garrafa de água vazia, eu a bato a mesa e digo "casalla"8, para que finalmente volte a paz. Se começam a fazer negócios, 8 Rheinische Umgangssprache: Casalla,. mando-as para o canto, Kasalla Prügel. "Wenne nich sofort aufhörst, onde não posso ver, senão da gibbet gleich Casalla". digo "casalla" e bato a 8 Gíria do Reno: "Se você não parar garrafa. E ai termina. imediatemente, te dou casalla agora mesmo".

Marion kichert.

Rebecca fotografiert zwischendurch. Marion: Hast du mich auch noch drauf ? Ich habe mir extra das Haar hochgesteckt. Rebecca: Ja, ich habe dich von hinten gerade schon! Marion: Sieht das so scheiße aus?

Rebecca: O que isso quer dizer?

Marion: Basta! Marion ri. Rebecca fotografa. Marion: Você já captou muitas imagens minhas com isso? Arrumei até o cabelo para cima!

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Rebecca: Nein, überhaupt nicht! Sieht super aus!

Rebecca: Sim, eu já tirei fotos da parte de trás!

Marion: Sind schon so lang und deswegen…

Marion: Está muito ruim?

Rebecca: Deine Stimme ist so leise geworden!

Rebecca: Não mesmo! Está ótimo!

Marion: ICH KANN ABER AUCH SEHR LAUT! Sagt sie, die Stimme erhebend.

Marion: São tão longos e porque...

Rebecca: Ich weiß! Deshalb... Lacht.

Marion: EU POSSO TAMBÉM SER MUITO BARULHENTA! Fala, aumentando bastante o volume.

Marion: Und ich habe jetzt diese Raucherstimme chchchch…weil das bei mir auf's Herz gegangen ist und auf die Lunge, die Allergie.

Rebecca: Eu sei, é por isso! Risos.

Rebecca: Você está falando muito baixinho!

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Marion: E agora tenho essa voz de fumante chchchch... porque a alergia foi para


Rebecca: Redet sehr laut. Jetzt aber wieder raus aus dem Krankenkarma hier, ne! Marion: Ja genau. Rebecca: Da kommt ja wieder so etwas raus, was vor Langem schon gegessen war!?! Nein, nein, nein! Lacht beim Sprechen.

meu coração e para os pulmões. Rebecca: Falando alto. Falar do karma de doenças agora, não! Marion: Sim, exatamente. Rebecca: Voltar a algo que foi resolvido há muito tempo!?! Não, não, não, hein! Risos ao falar.

Marion: Was war das Vierte jetzt (die „vierte Welt“)?

Marion: Qual é o quarto agora (o "quarto mundo")?

Rebecca: Ich glaube, wir wissen gar nicht mehr… Also, es gab noch: Ärger..oder hast du das schon gesagt? Die Situation mit den Frauen?

Rebecca: Eu acho que não lembramos... Então, ainda havia a Ira... ou você falou disso? A situação com as mulheres? Marion: Sim, mas foi antes! 36


Marion: Ja, aber das war früher!

Rebecca: Então está aprendendo também. Depois está o Aprendizado.

Rebecca: Dann ist es auch Lernen. Marion: Wenn ich mich heute ärgere, dann gehe ich irgendwo hin, atme ein bisschen durch und dann denke ich erst eine Minute nach… und dann reagiere ich. Das hat sich verändert. Weil ich gemerkt habe, dass immer, wenn ich mich ärgere,

der andere eigentlich nur der Auslöser dafür ist, dass irgendetwas bei mir nicht in Ordnung ist. Das habe ich immer wieder gemerkt. Das ist in dem Moment immer nur wieder der Spiegel. Vãnia: Die Sichtweise verändern...

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Marion: Se eu estou irada hoje, vou a algum lugar, respiro um pouco e penso por um minuto... e depois eu reajo. Isso mudou. Porque percebi que, sempre que eu fico com raiva, o outro é apenas o gatilho de algo que está errado comigo. Sempre percebi isso. O outro é apenas o espelho no momento.

Vânia: Mudança de foco... Marion: E fico muito irritada comigo mesma. Ai escrevo uma ou duas frases e deixo quieto até a noite, porque é mais silencioso. E então eu lido com essa questão. Mas sempre por uma hora.


Marion: In dem Moment ärgere ich mich dann wirklich über mich. Und schreibe das dann aber auch wirklich in ein, zwei Sätzen auf, verlagere das dann auf abends, weil es dann ruhiger ist. Und dann beschäftige ich mich damit. Aber auch immer grundsätzlich nur für eine Stunde. Rebecca: Ohh... du hast viele Routinen. Und dann? Marion: Danach gehe ich auch ins Bett. Mache vorher noch Yoga. Dann ist aber auch wirklich alles raus. Und morgens habe ich Situationen, in denen ich das nochmal aufarbeiten kann.

Rebecca: Uôu…tem muitas rotinas. E então? Marion: Depois eu vou para a cama. Faço yoga antes. E ai, de verdade, a Ira já se foi. E pela manhã vou ter situações nas quais eu realmente posso recomeçar. Rebecca: Ah, funciona?! Marion: Somente a doença permanece! Essa é a minha "Escuridão fundamental", talvez... Mas depois de tanta sabedoria, algum desafio novo tem que surgir!

Rebecca: Ja..läuft!?! Marion: Nur die Krankheit… . Das ist vielleicht die „Fundamentale Dunkelheit“. Nach so viel Schlauheit muss ja irgendetwas noch kommen!

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Wir hatten zwei Treffen mit Marion und am Ende des ersten, ließen wir ihr ein Zeichenbuch mit der Aufschrift „Der Augenblick ist mein“ dort. Wir baten sie, gelebte Alltagssituationen hinein zu zeichnen. Als wir merkten, dass sie sich mit dem Vorschlag nicht wohl fühlte, schlugen wir ihr vor, ein, zwei Sätze, die Zeichnung begleitend, schreiben zu können. Wenn sie es bräuchte. Trotz Misstrauen akzeptierte sie das Experiment.

Tivemos dois encontros com Marion e, ao final do primeiro, deixamos com ela um caderno em que havia escrito na capa "Der Augenblick ist mein" (O momento é meu). Fizemos uma provocação para que ela desenhasse uma situação vivida por dia nele. Sentimos que ela se sentiu um pouco incômoda com a ideia, em princípio. Lhe dissemos que, se tivesse necessidade poderia escrever uma ou duas frases acompanhando a composição. Apesar de desconfiar, ela aceitou o experimento.

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Anna

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Wir haben einen ersten Besuch mit Anna abgemacht.

Chegou o dia do nosso encontro com Anna.

Kurz vor unserem Treffen sagt sie uns wegen ihres gerade operierten und noch stark schmerzenden Beines ab.

Por telefone, pouco antes da data marcada, ela nos contou que estava com uma perna recém operada e ainda dolorida.

Die Verabredung zwei Tage später klappt. Wie vorher Marion, hatten wir auch sie gebeten ein wenig aus ihrem Alltagsleben zu zeichnen.

Agendamos a conversa em sua casa para dois dias depois. Propusemos que ela desenhasse um pouco do seu cotidiano, como fizemos com Marion.

Wir sind voller Vorfreude und Neugierde. Wir halten vor einem Einfamilienhaus und warten etwas aufgeregt unter dem Vordach der Haustür. Auch Rebecca kennt Anna nur von einer kurzen Begegnung zuvor.

Estamos ansiosas. Paramos em frente à casa no endereço que ela nos deu e esperamos em silêncio, olhando uma para a outra, sobre a soleira da porta. Mesmo Rebecca a conhece apenas de um breve encontro anterior.

Die Tür wird uns aufgemacht und wir gehen hinter Anna eine Treppe in die erste Etage hoch.

Ela nos abre com um sorriso e subimos a escada até o primeiro andar, seguindo-a.

Erneut beginnen wir einen mehrsprachigen Moment. Anna versteht kein Englisch. Wir verstehen kein Russisch. Vânia kaum Deutsch. Rebecca und Vânia sprechen Spanisch miteinander. Rebecca muss mit dem Übersetzen "dran glauben". Und unser aller Hände und Füße, mit denen wir zusätzlich "reden". Und schon sind wir im Thema.

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Novamente começamos uma seção multilíngüe. Anna não entende inglês. Nós não entendemos russo. Vânia capta algumas palavras em alemão. Rebecca e Vânia falam seu bom e velho castelhano. Rebecca tem que acreditar em traduzir. Temos, além das palavras, nossos rostos e gestos, que nos ajudam muito. E já estamos dentro do assunto.


Vânia: Anna, wir sind hier, weil wir Momente von Frauen sammeln, die noch im Gefängnis sind, aber auch von denen, die schon draußen sind, hier in Deutschland und in Brasilien. Rebecca: Genau. Und da gucken wir jetzt, wo uns das hinführt. Und so haben wir uns eben gefragt, „was machen wir denn jetzt genau mit Anna?“

Vânia: Anna, estamos aqui porque nos interessa ouvir mulheres que estão ou que passaram por situações de encarceramento, aqui na Alemanha e no Brasil. Rebecca: Exatamente. E em cada encontro vamos descobrindo onde essas conversas nos levam. Nos perguntamos a nós mesmas, "o que estamos fazendo exatamente com Anna?". Não temos um objetivo claro. Nos interessa ouvir. Vânia: Estamos reunindo e olhando para o material que estamos juntando, imagens, frases, e gostaríamos de criar algo a partir desses momentos com vocês.

Vânia: Wir sammeln jetzt also Gespräche und Begegnungen und schauen, was daraus entsteht. Es werden dann einzelne Bilder oder Sätze daraus entstehen, und (stehen-)bleiben… Rebecca: Wir haben dir ja erzählt, dass wir Marion letztens noch einmal besucht und ihr Skizzenbuch abgeholt haben… hast du auch etwas gezeichnet? Anna: Ich habe ein paar Sachen, die habe ich schon vor einer Weile gezeichnet. Aber es sind tolle Sachen, die ihr wirklich auch verwenden könnt.

Rebecca: Como tinha te dito, visitamos Marion recentemente e pegamos o caderno de desenhos que demos a ela... você também desenhou alguma coisa? Anna: Eu tenho algumas coisas. Mas eu as desenhei há um tempo atrás. São ótimas imagens, que vocês podem realmente usar. Rebecca: Quando deixamos o caderno de desenho nas mãos de Marion ela estranhou muito no começo. Imediatamente disse: "Oh Deus!". Acima de tudo, ela é muito apaixonada 64


Rebecca: Als wir Marion das Skizzenbuch zum Zeichnen da ließen, war das für sie erstmal ganz schrecklich. Sie meinte gleich: „Oh Gott“. Sie ist vor allem sehr viel am Lesen. Und Schreiben. Aber zeichnen? Und jetzt waren wir gestern nochmal da und sie hat uns das gefüllte Zeichenbuch gegeben… Anna: Geht’s Marion gut?

pela leitura. E escreve. Mas, desenhar? Foi uma surpresa maravilhosa chegar lá e receber o caderno completamente preenchido... Anna: Marion está bem? Rebecca: Sim, muito bem! Incrível! Com uma energia muito positiva.

Rebecca: Ja, sehr gut! Unglaublich! Sie ist einfach nur noch positiv. Anna: Ich habe sie kennengelernt und da war sie sehr eingeschüchtert und wurde von allen Frauen häufig angegriffen. Ich freue mich so für sie, wirklich! Rebecca: Sie ist ein anderer Mensch. Und sie hat glücklich erzählt, dass es aussieht als habe sie Arbeit, wenn sie raus kommt. Eine Arbeit mit Büchern, ein wenig wie jetzt auch schon, dort drinnen, in der Bücherei. Anna: Ich hatte sogar Probleme mit Frauen im Knast, wenn ich mich mit ihr unterhalten habe, weil sie da keinen guten Stand hatte. Es wurde sehr viel über sie erzählt, aber das war mir so egal. Ich habe mich einfach gerne mit ihr unterhalten. Sie ist gebildet, es ist interessant, sich mit ihr zu unterhalten. Ich hole uns ein Wasser. Sie steht auf. 65

Anna: Quando eu a conheci ela era muito intimidada e muitas vezes se sentia atacada pelas outras mulheres. Estou muito feliz por ela, realmente! Rebecca: Ela é uma pessoa diferente agora. E disse que já tem a possibilidade de um trabalho quando sair. Um trabalho com livros, um pouco como já realiza agora, na biblioteca. Anna: Eu até tive problemas com mulheres na prisão quando conversava com ela porque ela não tinha muito status ali. Mas eu não me importava muito. Apenas gostava de conversar com ela.


So, und das sind russische Bonbons. Rebecca: Darf ich Fotos machen? Anna: Ja, klar. Aber ich sehe so schlimm aus. Ihr könnt euch bedienen, Mädels. Was hättet ihr gerne, Kaffee oder Tee?

Marion é educada, interessante. Eu vou pegar um pouco de água. Ela se levanta. E estes são doces russos. Rebecca: Posso tirar fotos?

Vânia: Kaffee ist gut. Rebecca: Vania spricht eigentlich Portugiesisch, aber wir sprechen Spanisch, weil wir uns auf Spanisch kennengelernt haben. Anna: Ich finde die Sprache so schön, das hört sich toll an. Wir besprechen unsere nächsten Fragen, die wir Anna stellen wollen, während sie den Kaffee vorbereitet. Wir wollen sie nach dem Namen „Vania“ im Russischen fragen. Wir wissen, dass es dort ein männlicher Vorname ist. Auch Vânia wurde auf diesen Ursprung schon häufig angesprochen. Anna: So, jetzt bin ich so weit. Das ist Trockenmilch, ich habe keine andere. Rebecca: Alles in Ordnung! Sie heißt ja Vânia… Anna: Ja, das heißt auf Russisch Viktor.

Anna: Sim, claro. Mas eu pareço tão mal... Vocês podem se servir, garotas. O que vocês gostariam de tomar, café ou chá?

Rebecca: Genau, auf Russisch heißen Männer so...

Vânia: Café é bom.

Anna:

Rebecca: Vânia fala português, mas nós falamos 66


Ja, Männer.

espanhol uma com a outra porque nos conhecemos falando espanhol.

Rebecca: Oder gibt es auch Frauen?

Anna: Eu acho a sonoridade tão legal, parece ótimo.

Anna: Nee.

Discutimos as próximas perguntas que gostaríamos de fazer entre nós enquanto Anna prepara o café. Pedimos a ela para falar sobre o nome "Vania", que é masculino em russo, pois já havíamos escutado sobre essa curiosa diferença de gênero no nome algumas vezes. Anna: Agora estou pronta. Este é leite em pó, não tenho outro. Rebecca: Tudo está bem! O nome dela é Vânia... Anna: Sim, é Viktor em russo. Rebecca: Exatamente, é um nome para homens na Russia, certo? Anna: Sim, homens. Rebecca: Ou há mulheres também? Anna: Não.

Vânia: In Brasilien ist es ein reiner Frauenname.

Vânia: No Brasil, usa-se apenas para mulheres.

Anna: Ach ja? … Aber schön.

Anna: Ah, é? Legal.

Rebecca: Wie lange bist du in Deutschland?

Rebecca: Há quanto tempo você está na Alemanha? 67


Anna: Desde 1989, ou seja, 32 anos. Rebecca: E você é de que lugar? Anna: Nós somos do Quirguistão/ Cazaquistão, pouco antes da fronteira chinesa. E de lá viemos para Herford, a 10km daqui. Anna: Seit 1989, also 32 Jahre. Rebecca: Und bist du aus der Ecke hier? Anna: Wir sind aus Kirgisien/Kasachstan, ganz kurz vor der chinesischen Grenze. Und von da sind wir nach Herford gekommen, das sind zehn Kilometer von hier. Anna schaut in Rebeccas dunklen Kaffee. Anna: Da ist ja gar keine Milch drin. Rebecca: Nee, da habe ich wohl nicht genug reingetan. Anna: Meine Eltern wohnen immer noch da. Ich bin dann mehr in die Großstadt gezogen. Rebecca: Wie lange warst du im Gefängnis?

Anna olha para o café escuro de Rebecca. Anna: Não há leite? Rebecca: Não, eu provavelmente não coloquei o suficiente. Anna: Meus pais ainda moram lá. Eu que mudei para a cidade grande. Rebecca: Quanto tempo você ficou na prisão? Anna: Da primeira vez, fiquei um ano e seis meses, da segunda, quatro anos. Acho que você ainda não tem leite suficiente. Rebecca: Não, não, eu não sei o quanto tem que colocar, mas eu tomo mais no lugar do açúcar! E você ficou no JVA BielefeldBrackwede o tempo todo?

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Anna: Das erste Mal ein Jahr und sechs Monate, das zweite Mal vier Jahre. Immer noch nicht genug [Milch].

Anna: Não, eu já fiquei em psiquiatria forense. Isso é uma coisa ruim, a forense. Todas as "celebridades" estão lá.

Rebecca: Nein, ich weiß nicht, wie viel man davon reintun muss, ich nehme das eher wie Zucker. Und warst du die ganze Zeit in der JVA BielefeldBrackwede?

Rebecca: Anna, esquecemos de falar que você pode ficar bem a vontade para só responder o que quiser, certo? E também te mostraremos tudo o que publicaremos para que você se sinta bem.

Anna: Nein, ich war in der Forensik, in Therapie. Also das ist ganz was Schlimmes, die Forensik. Die ganzen Berühmtheiten sitzen da.

Anna: Sim, estou aberta.

Rebecca: Vorweg: Du beantwortest nur das, was du möchtest und guckst, was für dich gut ist. Und dann zeigen wir dir natürlich auch alles, was wir raus geben, damit du dich wohlfühlst. Anna: Ja, da bin ich offen. Rebecca: Super! Vânia: Was ist Freiheit für dich? Anna: Wenn ich körperlich und geistig nicht eingesperrt bin und frei handeln kann. Also Freiheit ist für mich meine Heimat, da war ich frei.

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Rebecca: Ótimo! Vânia: O que é liberdade para você? Anna: Quando não estou física e mentalmente presa e posso agir livremente. A liberdade é a minha terra para mim, lá eu estou livre.


Rebecca: Also dein Land?

Rebecca: Você se refere a seu país?

Anna: Ja, mein Land. Das war Freiheit.

Anna: Sim, o meu país. Aquilo era liberdade.

Rebecca: Aber da warst du doch auch noch sehr jung, oder?

Rebecca: Mas você ainda era muito jovem, não era?

Anna: Bis zu meinem 15. Lebensjahr. Also hier bin ich nie frei, habe ich mich nie gefühlt. Auch, wenn ich Zuhause bin.

Anna: Até o meu 15º aniversário. Aqui eu nunca estou livre, nunca me senti. Mesmo quando estou em casa.

Vânia: Das ist heftig... Warum seid ihr hierher gekommen und warum kannst du nicht wieder zurück?

Vânia: Isso é forte... Por que você veio pra cá e por que não pode voltar?

Anna: Ich war damals 15, ich durfte nicht alleine entscheiden. Meine Großeltern waren vor dem Krieg hier, das ist deren Heimat.

Anna: Eu tinha 15 anos na época, não era permitido decidir sozinha. Meus avós estavam aqui antes da guerra, essa é a terra deles.

Rebecca erklärt Vânia, dass es viele "Deutsch-Russen" bzw. "Russland-Deutsche" gibt, die zwischen den Welten stehen. Für die Deutschen sind sie Russen und für die Russen sind sie Deutsche. Eine riesige Identitätsfrage.

Rebecca explica para Vânia que existem muitos "russos alemães" ou "alemães russos". Para os alemães, eles são russos e, para os russos, são alemães. Uma enorme questão de identidade.

Anna: Meine Großeltern haben im Krieg gelitten und sie wollten immer zurück in die Heimat, also nach Deutschland. Deutschland ist die Heimat von uns, obwohl ich in Russland geboren bin.

Anna: Meus avós sofreram durante a guerra e sempre quiseram voltar para sua casa, que é a Alemanha. A Alemanha é a terra da nossa família, apesar de eu ter nascido na Rússia.

Vânia: Glaubst du, dass die Freiheit einer Frau anders ist, als die Freiheit eines Mannes?

Vânia: Você acha que a liberdade de uma mulher é diferente da liberdade de um homem?

Anna: Auf jeden Fall.

Anna: Definitivamente. 70


Vânia: Warum?

Vânia: Por quê?

Anna: Ich denke, ein Mann braucht nicht so viel wie eine Frau. Eine Frau ist sentimentaler, sensibler. Und bei ihr ist mehr Gefühlsebene.

Anna: Eu acho que um homem não precisa de tanto quanto uma mulher. A mulher é mais sentimental, mais sensível. Tudo com elas é mais emocional.

Annas Telefon klingelt.

O telefone de Anna toca.

Anna: Eine Frau muss sich auch geistig frei fühlen. Denke ich.

Anna: Uma mulher também precisa se sentir espiritualmente livre. Eu acho. Rebecca: Definitivamente. Eu acho que uma mulher tem muito o papel de "fazer o social". Isso além de outras coisas. Na verdade o homem também deveria... mas o que você diz, eu penso igual.

Rebecca: Bestimmt. Ich glaub’, eine Frau hat viel mehr das Soziale zu bewerkstelligen. Dazu gehört ja noch ganz anderes. Also der Mann ja eigentlich auch… aber das, was du sagst, das glaube ich auch. Vânia: Ich denke auch, die Gesellschaft erlaubt, dass der Mann einfach nur seine Sache macht und das ist in Ordnung, doch für eine Frau ist das nicht in gleicher Weise erlaubt. Dass sie nur das [eine] machen würde, sie

Vânia: Eu também diria que a sociedade permite que o homem apenas faça o seu trabalho, se dedique a uma vida profissional, mas para uma mulher não é permitido o mesmo caminho. Às mulheres é dada a obrigação, por assim dizer, de cuidar da vida afetiva e social, da família, como se isso fosse muito mais responsabilidade dela... Você teve momentos de liberdade na prisão? Anna: Sim, houve momentos em que me senti livre, onde achei que sobreviver é um milagre de Deus. E quem sabe se eu ainda estaria viva se tivesse ficado fora? Porque eu estava lidando com pessoas

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muss sozusagen immer das Ganze im Blick haben, auch das Gesellschaftliche. Hattest du im Gefängnis Momente von Freiheit? Anna: Ja, es gab einen Moment, wo ich mich frei gefühlt habe, wo ich gedacht habe, dass ich überhaupt überlebt habe, ist ein Wunder Gottes. Und wer weiß überhaupt, ob ich noch am Leben wäre, wenn ich draußen geblieben wäre. Weil ich mit Menschen zu tun hatte, mit denen nicht mehr zu spaßen war. Also das waren schon große Leute. Aber nicht nur auf die Situation bezogen vor der Verhaftung. Mein ganzes Leben habe ich mir angeschaut und denke: Boah, ich lebe noch! Dabei ist mein ganzes Leben so ein turbulentes Stück gewesen, das war ja von Kindheit an schlimm, wirklich schlimm. Rebecca: Und warum warst du drinnen? Anna: Ich habe verkauft und geschmuggelt, außer Landes.

que não estavam mais brincando. Eram pessoas grandes. E digo não apenas sobre a situação que me levou à prisão. Toda a minha vida olhei e pensei: "Nossa, ainda estou viva!" Porque toda a minha vida tem sido uma peça tão turbulenta, que foi ruim desde a infância, muito ruim. Rebecca: E por que você esteva lá? Anna: Eu vendi e contrabandeei para fora do país. Então, estou sozinha com dois filhos... Rebecca: Quantos anos tem seus filhos? Anna: Eles agora são adultos. Minha filha começou a estudar quando fui presa. E meu filho foi morar com a namorada há dois anos, está prestes a se casar e terminar seus estudos. Anna olha para nós com orgulho.

Rebecca: Wie alt sind denn deine Kinder?

Rebecca: Oh, que bom!

Anna: Die sind jetzt mittlerweile erwachsen. Meine Tochter hat angefangen zu studieren, als ich verhaftet wurde. Und mein Sohn ist mit seiner Freundin vor zwei Jahren zusammengezogen und wird demnächst heiraten und hat seine Ausbildung beendet.

Anna: Eu tenho orgulho dos meus filhos!

Anna schaut uns stolz an. Rebecca: Oh, wie guuut!!

Rebecca: E vocês tem contato? Anna: Sim, definitivamente! Todo o tempo quando eu estava na prisão e na terapia. Eles me fizeram entender: "Mãe, nós vivemos bem, tínhamos muito dinheiro, tudo era ótimo, mas os quatro anos em que você esteve longe de nós não 72


Anna: Also auf meine Kinder bin ich stolz!

podem substituir o dinheiro". E isso faz você pensar...

Rebecca: Und du hast Kontakt?

Rebecca: Então eles não percebiam muito as tuas dificuldades nos tempos antes de você ser presa?

Anna: Doch, auf jeden Fall! Die ganze Zeit, als ich im Knast war und in Therapie. Die haben mir zu verstehen gegeben: „Mama, wir hatten eine schöne Zeit. Wir hatten viel Geld, es war alles super, aber diese vier Jahre, die du weg warst, die kann kein Geld ersetzen“. Und das lässt einen nachdenken. Rebecca: Also haben sie von deiner schlimmen Zeit vor der Festnahme gar nicht so viel mitbekommen? Anna: Nein. Die haben nur gesehen, dass Mama immer Geld hat. Beide hatten mit 18 schon Auto, Führerschein… also Dinge, die so nicht selbstverständlich sind. Meine Tochter konnte jede Pause bei McDonald's essen, da haben die anderen Kinder gefragt: „Sind deine Eltern reich? – Ihr habt alles.“ Ja, da war meine Tochter schon stolz. Vânia: Wenn ich in Brasilien im Gefängnis arbeite, interessiert mich immer sehr das Verhältnis zwischen den Frauen im Gefängnis… das ganze Spektrum, sag ich mal. Kannst du etwas über diese Beziehung und das Zusammensein mit den Frauen erzählen? Etwas sehr Gutes, aber auch etwas sehr Schwieriges? Anna: Ja natürlich! Es war.... Mich kennen 73

Anna: Não. Eles só viam que a mãe sempre tinha dinheiro. Ambos tinham um carro, carteira de motorista aos 18 anos... bem, coisas que normalmente não estão garantidas. Minha filha podia se divertir no McDonald's, onde as outras crianças perguntavam: "Seus pais são ricos? Você tem tudo!" Sim, minha filha estava orgulhosa. Vânia: No trabalho que faço com outras artistas na prisão no Brasil, estamos sempre muito interessadas na relação entre mulheres lá dentro, como um todo. Você pode falar sobre isso? Um pouco do que era bom e o que era difícil entre as mulheres? Anna: Sim, claro! Era... Muita gente me conhece em Bielefeld. É por isso que eu tinha mais comodidade. As mulheres têm respeito... e eu não posso nem dizer que tive maus momentos. Digamos... Sempre que precisei de algo, eu tive tudo. Vânia: E o que você observou sobre o relacionamento de umas com as outras? Rebecca: Quer dizer, você parecia um pouco intocável... Eu não conheço muito a realidade lá dentro, exceto pelo que


viele Leute in Bielefeld. Deshalb hatte ich es schon angenehmer. Die Frauen haben Respekt… und ich kann nicht einmal sagen, dass ich schlechte Zeiten hatte. Also, sobald ich etwas brauchte, hatte ich alles. Vânia: Kannst du erzählen, was du so unter den anderen beobachtet hast oder miteinander? Rebecca: Ich meine, du warst ja ein bisschen unantastbar anscheinend… ich habe ja sonst nicht so viel damit zu tun, außer über die Theaterarbeit, aber ich versetze mich da rein. Also: Russisch... ist ja schon mal ein gewisser Respekt, den man dann hat, russisch und Drogen... da will man sich dann schon nicht mehr einmischen, da hätte ich auch Respekt gehabt, glaube ich...Lacht. Genau, das ist ja schon eine gewisse „Position“, aber hast du auch selbst was genommen? Anna: Ja. Beim letzten Aufenthalt nicht viel. Ich habe zwei Rückfälle gehabt, in anderthalb Jahren. Zwischen anderen Frauen habe ich schon einiges beobachtet. Es sind manchmal wirklich schlimme Umstände, also Prügeleien kommen schon häufig vor. Aber so, dass es keiner mitkriegt. Es gibt immer Ecken, wo keine Beamten sind, wo die Mitgefangenen nicht da sind. In der Dusche. Die meisten Dinge klären wir immer in der Dusche. Rebecca: Krass! Ganz schön unheimlich für jemanden…

observei no trabalho com o teatro, mas eu percebi algumas coisas. Por exemplo, o fato de ser russa... já impõe um certo respeito, me parece... e a relação com o tráfico... as pessoas não querem se meter ai... eu teria tido respeito, eu acho... Risos. Aparentemente, isso já é uma certa "posição"... Mas, enquanto estava lá dentro você tomou alguma droga? Anna: Sim. Não muito na última estadia. Eu tive duas recaídas, em um ano e meio. Entre outras mulheres pude perceber muitas coisas... Às vezes as circunstancias são muito ruins, brigas físicas, confrontos são muito comuns... Tudo sem que ninguém lá dentro se dê conta. Sempre há recantos onde não há funcionários, nem outras presas. No chuveiro. A maioria das coisas sempre esclarecemos no chuveiro. Rebecca: Que forte! Meio assustador... Vânia e Rebecca se entreolham espantadas de que os clichés sobre a rotina na prisão sejam tão diretamente confirmados. Anna: Havia muitas mulheres que tinham medo de tomar banho, algumas ficavam anos sem ir à ducha, por medo. 74


Rebecca: Mas dá para tomar banho na cela?

Vânia und Rebecca schauen sich an, irritiert darüber, dass ein Klischee so direkt bestätigt wird. Anna: Es gab viele Frauen, die Angst hatten zu duschen, die sogar Jahre nicht in der Dusche waren, die sich in der Zelle geduscht haben.

Rebecca: Sim, elas aquecem a água e só fazem o "banho de gato". Porque nós tínhamos 12 chuveiros em um mesmo espaço. Há mulheres que ousam compartilhar, mas há outras que não. Rebecca: Você esteve em projetos de teatro, também atuou, certo? Não apenas com o AlarmTheater.

Rebecca: Aber kann man sich in der Zelle duschen? Anna: Ja, die machen das Wasser warm und dann machen sie nur Katzenwäsche. Weil wir zwelf Duschen in einem Raum haben und da sind Frauen, die trauen sich was, aber da sind eben auch andere. Rebecca: Du hast ja das Theaterprojekt gemacht. Du hast also auch Theater gespielt zwischendurch, oder? Nicht nur mit dem AlarmTheater. Anna: Ja. Ich war der Papa von Julia. Lacht. Im Stück „Romeo und Julia“ Ich habe mich richtig ausgetobt. Das war toll! Das war in der Forensik. Rebecca: Hast du Lust, uns ein bisschen vom Theaterstück zu erzählen? Vom Leben mit Theater und Kunst und was das mit dir gemacht hat? 75

Anna: Sim. Eu fiz o pai da Julieta. Risos. Na peça "Romeu e Julieta" eu me joguei completamente. Isso foi ótimo! Isso foi em forense. Rebecca: Você gostaria de nos contar um pouco sobre como foi participar da peça? Da experiência com teatro e arte e o que isso trouxe para você? Anna: Com prazer! Espere, vou mostrar fotos das pessoas que estavam no teatro. Anna traz uma pilha de papéis de uma de suas caixas de mudança. Anna: Então essas são as pessoas que fizeram teatro. Um tempo depois eles me escreveram uma carta quando eu saí da terapia e fui de volta à cadeia. Rebecca: Oh, que legal! Anna: Meigo, não? Eu também fiquei muito feliz!


Anna: Gern! Warte, ich zeig euch erstmal Fotos, welche Leute überhaupt beim Theater dabei waren. Anna holt einen Stapel aus einer ihrer Umzugskisten. Anna: Also das sind die Leute, die im Theater mitgespielt haben. Und dann haben die mir später einen Brief geschrieben, als ich aus der Therapie zurück, wieder im Knast war. Rebecca: Ohh, wie schön! Anna: Süß, ne? Ich habe mich auch so gefreut! Anna zeigt auf verschiedene Leute auf einem Gruppenfoto. Anna: Zwei Frauen, wir hatten beide Männerrollen. Anna zeigt auf zwei Männer auf dem Foto. Das sind alles ganz gefährliche Jungs eigentlich. Das ist nicht selbstverständlich, dass man dahin geht und Theater spielt! Rebecca: Nee, natürlich nicht! Vânia: Glaubst du, dass man im Theater diese Angst ein bisschen löst? Anna: Ja, natürlich! Man kommt erstens aus sich heraus. Man lernt auch die Menschen ganz anders kennen.

Anna aponta para pessoas diferentes em uma foto de grupo. Anna: Eram duas mulheres, ambas tivemos papéis masculinos. Anna aponta para dois homens na foto. Esses são todos tipos realmente perigosos, de verdade. Não é evidente que esse tipo de gente vai fazer teatro! Rebecca: Não, claro que não! Vânia: Você acha que pode resolver os medos um pouco no teatro? Anna: Sim, claro! Primeiro de tudo, você sai de si mesmo. Você também conhece as pessoas de maneira diferente. Rebecca: Isso é legal, certo? Anna: Sim, isso é ótimo mesmo! Eu realmente vivi esses papéis... Nós vivíamos mesmo! Antes de começar pensa-se: "Bom, lá está atuando também um criminoso em série, que matou muitas mulheres nos anos 80... bem, quem sabe o que pode acontecer?!". Porque... estávamos muitas vezes sozinhos, sem funcionários nos ensaios. Você começa a pensar tudo isso, mas depois, quando conhece as pessoas, passa a vê-las de maneira bem diferente. E no teatro... elas de alguma forma mudam e são bastante abertas e felizes. Vânia: Então a liberdade também está aí? 76


Rebecca: Das ist schön, ja?

Anna: Sim!

Anna: Ja, das ist so toll, also wirklich! Ich habe diese Rollen wirklich ausgelebt... Wir haben richtig gelebt! Davor denkt man: „Boah, da spielt auch ein Serientäter mit, der hat sehr viele Frauen in den 80ern umgebracht… na, wer weiß?!“. Weil… wir waren oft auch alleine, ohne Beamte am Proben. Und da macht man sich schon Gedanken, aber danach, wenn man die Leute kennenlernt, sieht man sie ganz anders. Und im Theater… also die verwandeln sich irgendwie und sind ganz offen und wir freuen uns.

O Telefone de Anna toca.

Vânia: Also auch Freiheit da drin? Anna: Ja! Annas Telefon klingelt. Rebecca: Ich habe das Gefühl, du musst sowas häufiger machen, Anna… Für das Glück! Lacht.

Rebecca: Eu sinto que você tem que fazer isso com mais frequência, Anna ... Para ser feliz! Risos. Anna: Oh, eu amo. Eu adorei. Nunca pensei que teria talento, mas os outros ficaram realmente encantados porque eu, de fato, vivi isso. Não sabia, nunca havia feito nada assim antes. Essa foi a primeira vez. E quando você recebe um bom feedback e foi tão divertido, agradou as pessoas, então deve significar alguma coisa! Eu só aprendi a me afirmar nas ruas com os homens, que isso me serviria um dia para fazer teatro... Risos. ...eu nunca pensei. Isso é interessante. Rebecca: Você gostaria de nos mostrar seus desenhos?

Anna: Oh, ich liebe es. Es hat mir so gefallen und ich liebe es. Ich hätte nie gedacht, dass ich irgendwie Talent für sowas habe, aber die anderen waren so begeistert, weil ich das wirklich gelebt habe. Also ich wusste das nicht. Ich habe sowas nie zuvor gemacht. Das war das erste Mal. Und wenn man dann gute Rückmeldungen kriegt, dann denkt man schon, es hat Spaß gemacht und es hat Leuten gefallen, dann muss das schon was heißen! Ich habe nur gelernt, 77

Anna: Sim, mas como eu disse, sendo honesta, não consegui fazer nada nos últimos dias. Mas existem meus desenhos de outros tempos. Rebecca: Não tem problema! Anna: Eu aprendi sozinha a desenhar. O pior é sempre rosto e mãos.


mich auf der Straße durchzusetzen mit Männern, aber dass ich sowas im Theater mal spielen muss… Lacht. Das habe ich nicht gedacht. Das ist interessant. Rebecca: Möchtest du uns deine Zeichnungen zeigen? Anna: Ja, aber wie gesagt, ich bin ehrlich, ich habe es nicht so ganz geschafft. Aber da sind meine Zeichnungen. Rebecca: Kein Problem! Anna: Ich habe mir selbst etwas beigebracht zu zeichnen, aber das Schlimmste sind immer Gesicht und Hände. Rebecca: Ja, das kenne ich.

Rebecca: Sim, eu sei! Risos. Anna: E eu nunca aprendi de ninguém. Tudo autodidata... Rebecca: E você desenhou porque queria representar suas mãos ou teve um motivo especial? Existe uma memória específica? Anna: Eu acho fascinante os corpos e rostos das mulheres. O corpo humano é algo que me fascina. Vânia: É muito interessante você nos mostrar esse desenho só da mão, temos tirado muitas fotos apenas das mãos, os gestos... especialmente em nossa conversa na prisão.

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Beide Lachen. Anna: Und ich habe das nie bei jemandem gelernt. Ja, alles selbst beigebracht… Rebecca: Und hast du das einfach gezeichnet, weil du die Hände zeichnen wolltest, oder war das ein besonderer Moment? Hängt da eine bestimmte Erinnerung dran? Anna: Ich finde es einfach faszinierend: Frauenkörper und Gesichter. Also allgemein menschliche Körper, das ist sowas von faszinierend. Vânia: Es ist sehr interessant, dass du ausgerechnet eine Hand gezeichnet hast, weil wir ganz oft nur Hände gezeichnet haben. Wir haben auch viel fotografiert, wie wir in unseren Unterhaltungen gestikulieren. Vor allem im Gefängnis.

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Rebecca: Vânia teve, desde o início do projeto aqui na Alemanha, lindas unhas vermelhas, pintadas por uma mulher no Brasil que também esteve presa e hoje está fora. Essa mulher, que se chama Vanessa, participou do projeto que ela realiza com outras três artistas na cadeia em São Paulo, chamado Mulheres possíveis. Hoje, em liberdade, é amiga delas! E assim como fazia antes de ser presa, ela trabalha como manicure. Vânia: Ela é muito boa! Todas olham para as unhas de Vânia, rindo. Rebecca: Agora, as unhas de Vânia não estão mais tão bonitas! Risos. Além disso, Marion também desenhou muitas mãos. Mãos em todos os lugares. É meio louco isso. E muito emocionante...


Rebecca: Und Vânia hatte am Anfang auch ganz wunderschöne rote Nägel, die sie sich hat machen lassen von der Frau in Brasilien, die jetzt raus ist. Und man sieht jetzt auch die Zeit, die Vânia unterwegs ist! Alle schauen Vânias Nägel an und lachen. Vânia: Vanessa ist sehr gut! Rebecca: Die Frau,Vanessa, ist jetzt eine Freundin von ihr. Sie war in einem Projekt mit ihr im Gefängnis und jetzt draußen macht sie Maniküre. Jetzt sind Vânias Nägel also…nicht mehr so schön! Lachen. Außerdem hat Marion auch Hände gezeichnet. Überall Hände. Irgendwie verrückt. Und sehr spannend… Anna: Das ist wirklich interessant… was wir mit Mimik und Gestik machen. Sie beginnt ihren Bilderstapel zu zeigen. Das habe ich gezeichnet, weil das ein Stück aus meinem Leben ist. Das ist ein schnelles Bild. Eine Landschaft. Wie die kirgisischen Berge, die ich auf die Karte im AlarmTheater-Projekt gemalt habe. Rebecca: Bist du das als Kind mit deinen Eltern? Anna: Nein, da bin ich. Sie zeigt auf eine Figur im Bild. Und die Schritte sind zusammen und dann geht er.

Anna: Isso é realmente interessante... conseguir reproduzir expressões faciais e gestos. Ela começa a mostrar sua pilha de desenhos. Eu desenhei isso porque faz parte da minha vida. Esse é um desenho rápido. Uma paisagem como as montanhas do Quirguistão que eu desenhei no projeto de cartões postais que participei com o AlarmTheater. Rebecca: Nesse desenho, é você quando criança com seus pais? Anna: Não, aqui sou eu. Aponta para uma figura no desenho. Os passos começam juntos e depois ele se vai. Rebecca: Isso é uma praia que você conhece? Anna: Sim, é no Quirguistão. Esse foi apenas um desenho rápido, porque eu precisava tirar algo de dentro de mim... meu marido me traiu e por isso representei isso nesse desenho.

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Rebecca: Ist das ein Strand, den du kennst?

Rebecca: E você ainda tem contato com ele?

Anna: Ja, das ist der in Kirgisien. Das war einfach ein schnelles Bild, weil mir danach war, etwas loszuwerden… also mein Mann ist mir fremdgegangen, deswegen habe ich das irgendwie in dem Bild gemalt...

Anna: Não, nem as crianças. Mas eu nunca proibi que as crianças entrassem em contato.

Rebecca: Und zu ihm hast du noch Kontakt? Anna: Nein, nicht mal die Kinder. Ich habe den Kindern den Kontakt nie verboten. Rebecca: Die Kinder haben auch keinen Kontakt? Das ist aber ihr Vater?

Rebecca: As crianças não têm contato? Mas esse é o pai dela? Anna: Sim... da minha filha. Meu filho foi concebido durante um estupro. Meu filho é negro. Rebecca: Ah... Anna: Sim, mas ele é minha carne e sangue e eu o amo. Minha família inteira se afastou de mim por isso.

Anna: Ja… von meiner Tochter. Mein Sohn wurde bei einer Vergewaltigung gezeugt. Mein Sohn ist dunkel.

Rebecca: Ele sabe disso?

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Anna: Sim, claro. Ele é moreno e desde criança lhe diziam: "Você é negro", de maneira ofensiva, especialmente a mãe do meu exmarido. Foi realmente terrível! Rebecca: Mas é maravilhoso saber que você tem um bom relacionamento com ele! Anna: Meus filhos são únicos. A família disse que eu deveria dar a criança quando ela nasceu. Eu disse não e então todos se afastaram de mim por um longo tempo. Rebecca: Oh… Anna: Ja, aber er ist mein Fleisch und Blut und ich liebe ihn. Meine ganze Familie hat sich damals von mir abgewandt. Rebecca: Weiß er davon? Anna: Ja natürlich. Er ist dunkel und schon als Kind hat man zu ihm gesagt: „Du Schwarzer“, also das war die Mutter von meinem Ex-Mann. Es war wirklich schrecklich!

Anna mostra fotos. Anna: Aqui está minha filha, de pele clara e meu filho, de pele escura. Paquistanês. Foi muito difícil essa situação para nós, russos, também porque eu venho de uma casa cristã. Aqui é minha filha. Ela mostra uma foto. Rebecca: Você é uma mulher forte! Anna: Já me disseram isso muitas vezes.

Rebecca: Aber wie wundervoll, dass du eine gute Beziehung zu deinem Sohn hast!

Ela diz isso visivelmente orgulhosa e feliz. Nós olhamos para a próxima foto da pilha na mão dela.

Anna: Meine Kinder sind mein Ein und Alles. Die Familie sagte, ich soll das Kind abgeben, als es geboren wurde. Ich sagte: "Nein" und dann hat sich die

Bom, essa imagem eu pedi, para alguém que sabe desenhar lindamente, digamos, que fizesse a partir dos meus pensamentos. 82


ganze Familie von mir abgewandt für eine lange Zeit.

Essas são coisas... eu venho de uma casa cristã, por isso tentei aprender algo assim, desenhar figuras da Virgem Maria, coisas desse tipo...

Anna zeigt Fotos. Anna: Hier das ist meine Tochter: hell und mein Sohn: dunkel. Pakistaner. Bei uns Russen war das schon ziemlich heftig, auch weil ich aus einem gläubigen Haus komme. Hier ist meine Tochter.

Rebecca: E isso é de antes? Anna: Sim, mãos e rostos. Olhe. O bebê... Agora ela segura o desenho de uma leoa com o filhote na frente do rosto com a inscrição: "Beijo para o meu bebê".

Sie zeigt ein Bild. Rebecca: Du bist eine starke Frau! Anna: Joa, das hat man mir schon oft gesagt. Anna ist sichtlich stolz und voller Freude. Wir schauen das nächste Bild vom Stapel in ihren Händen an. So, das eine Bild hab ich bestellt, also aus meinen Gedanken hat mir das jemand gezeichnet, der schön zeichnen kann. Das sind Sachen… also da ich aus einem christlichen Haus komme, hab ich versucht sowas zu lernen, Madonnenfiguren zeichnen und so etwas…

Rebecca: Quando foi isso? Anna: Eu pintei tudo na cadeia.

Rebecca: Só porque você queria ou alguém sugeriu isso para você?

Wir schauen in die gezeichneten Augen einer betenden Madonna.

Anna: Não, eu gostava mesmo. Sempre gostei, mas nunca dediquei tempo para isso. Esta é minha imagem favorita! Aqui

Rebecca: Und das ist von früher? 83


também estava na terapia. Eu pedi a alguém para desenhar essa mulher... Ela interrompe sua narrativa. A imagem mostra dois punhos com palavras em letras russas. Rebecca: E o que tem ai? Anna: Ja, Hände und Gesichter. Guck. Und das Baby… Nun hält sie die Zeichnung einer Löwin mit ihrem Jungen vor’s Gesicht mit der Aufschrift: „Kuss für mein Baby“. Rebecca: Wann war das? Anna: Das habe ich alles im Knast gemalt. Rebecca: Einfach, weil du Lust hattest oder hatte dir jemand nahegelegt, dass das etwas für dich sein könnte? Anna: Nein, das hat mir irgendwie gefallen. Schon immer, aber ich hatte noch nie versucht zu zeichnen, mir nie die Zeit dazu genommen. Und während sie das vorletzte Bild umblättert ruft sie: Das ist mein Lieblingsbild! Das war auch in der Therapie. Ich habe jemanden gebeten, diese Frau zu zeichnen… Sie stoppt in ihrer Erzählung. Auf dem Bild sind zwei Fäuste mit russischen Worten zu sehen.

Anna: O desenhista me perguntou: "Quais as palavras que são mais importantes para você na vida?" Eu disse: "Amor e bênção de Deus". E esta pequena árvore... há esperança, mesmo nas algemas. Eu amo fotos que tenham significado. As imagens cheias de significados de Anna nos fazem pensar no caderno de Marion. Rebecca: Isso é muito empolgante. Marion também desenhou coisas com muitas partes, fragmentados, com sentidos loucos. Suas experiências vividas se misturam e muitas histórias são criadas. Anna: Isso me desenharam mais tarde. Também tem um significado profundo para mim. Aqui, uma ampulheta...

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Rebecca: Und was steht da?

Rebecca: Sim, a vida ...

Anna: Der Zeichner fragte mich: „Welches sind die Worte, die die größte Bedeutung für dich haben im Leben?“ Ich sagte: „Liebe und Gottes Segen“. Und dieses gezeichnete Bäumchen, zwischen den Fäusten, das heißt... da ist Hoffnung, sogar in den Handschellen. Ich liebe Bilder, die eine Bedeutung haben.

Anna: Sim. E o olho que chora, umedece a terra. O copo está quebrado de qualquer maneira, então é a vida. Mas ele umedece a terra e a esperança cresce novamente. Rebecca: E aqui alguém pintou você. A ideia foi sua?

Bilder voller Bedeutungen lassen uns wieder an den Besuch bei Marion denken.

Rebecca: Das ist sehr spannend. Auch Marion hat Bilder gemalt, die aus lauter Teilen bestehen. Und die verrückte Bedeutungen haben. Ihre ganzen Erlebnisse gehen ineinander über und so entstehen viele Geschichten. Anna: Das wurde mir später gezeichnet. Es 85

Anna: Eles tentaram implementar o que eu pensava. A coisa toda atrás das grades. Rebecca: Quais são os pensamentos com os quais você começa o dia? Algum que talvez te esmague e um com o qual você ganha sua força?


hat auch eine tiefe Bedeutung für mich. Also die Sanduhr… Rebecca: Ja, das Leben…? Anna: Ja. Und das Auge, das weint, befeuchtet die Erde. Das Glas ist eh kaputt, also das Leben. Aber es befeuchtet die Erde und es wächst wieder Hoffnung.

Anna: Eu sou realmente uma pessoa muito positiva. Quando me levanto de manhã, penso: "Tenho minhas pernas, minhas mãos, tudo ainda está aqui. Eu não tive um acidente vascular cerebral durante a noite" e assim por diante. Penso sempre no bem e ai o dia começa. De jeito nenhum eu assisto notícias de manhã. Isso é muito importante!

Vânia: Você tem alguma ideia de como é uma prisão no Brasil? Anna: Eu já vi algumas reportagens. É violento. Há uma grande diferença em relação a Alemanha. Rebecca: Na Rússia você não esteve na cadeia, certo?

Rebecca: Und das hat dir jemand gemalt. War das dein Gedanke dazu? Anna: Die haben versucht das umzusetzen, was ich mir gedacht habe. Und das Ganze hinter Gittern. Rebecca: Was sind die Gedanken, mit denen du so in den Tag gehst? Einmal einer, der dich vielleicht erdrückt und einer, mit dem du dann vielleicht wieder Kraft schöpfst.

Anna: Não. Anna nos conta que seu pai foi morto em uma prisão na Rússia. Perguntamos se ela teve um bom relacionamento com ele e sua mãe, se tem irmãos. Não, infelizmente não, ela responde, e diz que na verdade cresceu com seu padrasto. Ela supostamente tem meio-irmãos paternos que gostaria de encontrar, mas até hoje não teve sucesso. Vânia: Anna, se você pudesse dar conselhos a uma mulher que está na prisão hoje, uma mensagem de força, o que você diria? 86


Anna: Ich bin eigentlich ein sehr positiver Mensch. Und deswegen, wenn ich morgens aufstehe, dann denke ich: „Ich hab meine Beine, meine Hände, alles noch da. Ich hatte keinen Schlaganfall über Nacht und so weiter.“ Also man denkt immer an das Gute und dann fängt der Tag an. Auf keinen Fall Nachrichten gucken morgens. Ja, das ist ganz wichtig.

Anna: Sempre cuide de si... fique com você mesma. Porque a maioria das mulheres fala mal das outras. Isso gera muito estresse quando você não está apenas se concentrando em si mesma.

Vânia: Hast du eine Vorstellung, wie ein Gefängnis in Brasilien ist?

Anna: Sim, claro.

Rebecca: A inveja é realmente uma grande questão lá?

Anna: Also ich habe die Reportagen gesehen. Das ist heftig. Das ist ein heftiger Unterschied zu Deutschland. Rebecca: Aber in Russland warst du nicht im Knast, oder? Anna: Nein. Anna erzählt uns, dass ihr Vater im russischen Gefängnis umgebracht wurde. Wir fragen sie, ob sie zu ihren Eltern ein gutes Verhältnis hatte und, ob sie Geschwister hat. Sie antwortet, dass es eigentlich ihr Stiefvater ist, mit dem sie aufgewachsen ist. Und: "Nein, leider nicht". Angeblich habe sie väterliche Halbgeschwister, die sie ausfindig hatte machen wollen, bis heute jedoch ohne Erfolg. Vânia: Ich weiß nicht, ob das eine gute Frage ist, aber sie kam mir gerade. Ob du jemandem oder einer Frau

Alguém bate na porta. Pouco tempo depois, Anna está de volta. Anna: Eu não esperava essa visita. Desculpe! Rebecca: Isso foi em russo, certo? Escutamos fragmentos de palavras incompreensíveis. Anna: Sim, é um amigo, ele me visita de vez em quando.

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im Gefängnis einen Ratschlag geben könntest? Eine „Stärkungsnachricht“.

Vânia: Esses são os biscoitos russos?

Anna: Immer auf sich gucken… bei sich bleiben. Weil die meisten Frauen schlecht über andere reden. Das macht viel Stress, wenn man sich nicht nur auf sich konzentriert.

Rebecca: Não, esses aqui são alemães. Estes são os russos, você tem que experimentá-los.

Rebecca: Klar, ich meine, der Neid ist bestimmt ein großes Thema…? Anna: Ja, natürlich. Es klingelt an der Tür. Kurze Zeit später ist Anna wieder da. Anna: Diesen Besuch habe ich nicht erwartet. Entschuldigung! Rebecca: Das war Russisch, oder? Unverständliche Wortfetzen dringen zu uns durch. Anna: Ja, mein Bekannter, der besucht mich ab und zu. Vânia: Sind das die russischen Kekse? Rebecca: Nein, die sind deutsch. Diese sind russisch, die musst du probieren. Anna: Ja, das sind die russischen! Manchmal muss man wirklich Schlimmeres erleben, um auf sich zurückzukommen und manche Sachen

Anna: Sim, estes são os russos! Às vezes você tem que experimentar algo pior para conseguir ver algumas coisas que não estava ciente antes de estar dentro desse momento. E algo como Deus ou o budismo, é o que vem ser a sua paz, especialmente em tais situações. Percebe-se que nem tudo é garantido. Nem mesmo algo como xampu. Você sempre acha que pode simplesmente ir e comprar, mas isso também não é uma certeza. Rebecca: Isso deve ter sido especialmente difícil para você, se teve de tudo antes e viveu com muito. Anna: Ah, sim. E eu tenho que dizer que no primeiro dia eu consegui tudo das garotas que me conheciam lá. Xampu, cremes, coisas que você de fato precisa na prisão. Mas não é o mesmo que ter tudo fora. Vânia: Podemos tirar algumas fotos? De você com seus desenhos? Nos levantamos e nos dirigimos a um canto vazio da sala, onde há um pouco mais de luz. Rebecca: E isso?

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zu sehen, die einem draußen nicht bewusst waren. Und so etwas wie Gott oder Buddhismus, sowas kommt einem in Ruhe, gerade in solchen Situationen. Da wird einem bewusst, dass nicht alles selbstverständlich ist. Nicht einmal so etwas wie Shampoo. Man denkt immer, man kann einfach hingehen und es kaufen, aber auch das ist nicht selbstverständlich. Rebecca: Das muss für dich besonders schwierig gewesen sein, wenn du vorher alles hattest und sozusagen in „Saus und Braus“ gelebt hast.

Rebecca aponta para um desenho ainda desconhecido para nós, que Anna segura em frente a seu rosto. Anna: A mulher sentada perto da janela... Ela diz mostrando o desenho. Eu estava me sentindo mal. Rebecca: Isso é de 2015? Nesse tempo, estávamos com o AlarmTheater na prisão. Foi a primeira peça em que Marion esteve. "Estado de coisas". Você viu essa?

Anna: Oh ja. Wobei ich sagen muss, dass ich gleich an meinem ersten Tag alles von den Mädels bekommen habe, die mich kannten. Also Shampoo, Cremes, man weiß, was man im Knast dringend braucht. Aber das ist einfach nicht das Gleiche wie draußen. Vânia: Dürfen wir ein paar Fotos machen? Von dir mit deinen Bildern? Wir stehen auf und gehen in eine leere Ecke des Zimmers, in die ein wenig mehr Licht fällt. Rebecca: Und das?

Anna: Não, eu estava em terapia. Rebecca: Vou te perguntar simplesmente: você estava na prisão por drogas, certo?

Rebecca zeigt auf das uns noch unbekannte Bild, welches Anna gerade vor ihr Gesicht hält.

Anna: A punição real recebi por drogas, mas 89


Anna: Die Frau, die am Fenster sitzt… da ging es mir schlecht. Rebecca: Das ist von 2015? In der Zeit waren wir vom AlarmTheater im Gefängnis. Mit dem ersten Stück, in dem Marion mitgespielt hat. „Stand der Dinge“. Hast du es eigentlich gesehen? Anna: Nein, da war ich in Therapie. Rebecca: Ich frag dich jetzt einfach: Du warst im Gefängnis wegen Drogen, richtig?

se você é um consumidor, você recebe o parágrafo 64, que quer dizer terapia em vez de punição. Mas esta terapia é forense, então há pessoas que... Rebecca: ...fizeram de tudo? Anna: Sim... doentes mentais, pedófilos, criminosos sexuais. E você não pode reunir uma pessoa que tenha sofrido violência e estupro quando criança com essas pessoas, isso não funcionará. Bem, fiquei nesse lugar por dois anos.

Anna: Die eigentliche Strafe habe ich wegen Drogen bekommen, aber wenn man selber Konsument ist, dann bekommt man §64, also Therapie anstatt Haftstrafe. Aber diese Therapie ist in der Forensik, da sind Menschen, die… Rebecca: …alles gemacht haben? Anna: Ja… psychisch Kranke, Pädophile, Sexualstraftäter. Und du kannst nicht einen Menschen, der als Kind Gewalt und Vergewaltigung erlebt hat, mit solchen Menschen zusammensetzen, das geht nicht. Naja und trotzdem habe ich es da zwei Jahre durchgehalten. Rebecca: Und die wussten das, oder hast du nichts erzählt?

Rebecca: E eles sabiam disso ou você não disse nada? Anna: Claro, eles sabiam. Mas estando lá eu fiz o melhor que pude. Normalmente, um ser humano ficaria muito frágil e pensaria: "Como eles podem fazer isso comigo?" Mas estando lá eu decidi tentar olhar para essas pessoas naquele momento. "O que está acontecendo 90


Anna: Doch, natürlich wussten die das. Aber sogar daraus habe ich das Beste gemacht. Normalerweise ist ein Mensch sehr zerbrechlich und man denkt: „Wie können die mir sowas antun?!“ Aber sogar da habe ich gedacht, ich versuche, diese Menschen jetzt anzugucken. „Was geht in diesen Köpfen vor? Warum machen die so etwas?“ Ich habe es nicht bereut, dass ich die alle kennengelernt habe. Denn dann bekommt man sowas (zeigt auf eine Zeichnung): „Du fehlst uns“, ich habe da noch jede Menge Nachrichten von denen, ganze Plakate… Anna sucht Briefe raus. Das sind ganz viele Schriften, Briefe. Das muss dann ja schon etwas bedeuten. Außerdem hätte ich nie gedacht, dass ich sowas von denen kriege, von Menschen, die anderen so ein Leid angetan haben. Rebecca: Das ist echt verrückt. Anna: Ja, ne? Wir haben immer noch Kontakt und die wissen, was ich so mache. Und die zeichnen auch diese Gesichter und schicken sie mir. Ja, die kennen meine Schwächen...

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nessas mentes? Por que eles fizeram isso?" Eu não me arrependi de conhecê-los. Porque depois te chega algo assim (aponta para um desenho): "Sentimos sua falta", tenho muitas outras mensagens assim deles, até cartazes... Anna vai buscando por cartas. São muitos escritos, cartas. Isso deve significar alguma coisa. Além disso, nunca pensei que conseguiria esse tipo de coisa das pessoas que tanto magoam os outros. Rebecca: Isso é muito louco. Anna: Sim, certo? Ainda temos contato e eles sabem o que estou fazendo. E eles também desenham esses rostos e os enviam para mim. Sim, eles conhecem minhas fraquezas...


Wir schießen noch ein paar Fotos von Anna mit ihren Zeichnungen und bitten sie eines von uns, durch ihr Fenster schauend, zu machen. So wie bei Marion. Wir bedanken uns, umarmen uns und nehmen noch ein paar russische Süßigkeiten für den Heimweg mit.

Tiramos mais algumas fotos de Anna com seus desenhos e pedimos para ela tirar uma de nós duas olhando através de sua janela, assim como fizemos com Marion. Agradecemos, nos abraçamos. Levamos alguns doces russos para comer no caminho de volta pra casa.

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16. 01. 2018, Flughafen Bremen

16. 01. 2018, Aeroporto de Bremen

Um Sprachen zu sprechen, brauchen Para falar línguas, precisamos de wir Vertrautheit. Jede Sprache familiaridade. Cada idioma tem hat ihre eigene Persönlichkeit, ihr personalidade própria, temperamento. Temperament. Während Rebecca A personalidade de Rebecca se innerhalb eines Treffens Deutsch, desfaz e refaz na medida em que fala, Spanisch und Englisch spricht, nimmt em um mesmo encontro, alemão, ihr Sein verschiedene Formen an, espanhol e inglês. Ela se comunica zerfällt und entsteht neu. Jede Sprache em cada língua também com seu spricht sie, in einem flinken Kommen corpo, conforme traduz rapidamente, und Gehen, auch mit ihrem Körper. Vânia wiederum spinnt das Netz der num ágil vai e vem. Vânia, por sua sich ändernden Bedeutungen immer vez, reconstitui o quebra-cabeça wieder neu, damit die Kommunikation de sentidos cambiantes para que a bestehen bleibt, die Fäden sich nicht comunicação se mantenha firme, os verlieren. Und sie schießt fios não se afrouxem, não *Ein Forschungsprojekt mit den neue Fragen heraus. Künstlerinnen Beatriz Cruz, se partam. E dispara novas Und der Weg zwischen Leticia Olivares und Sandra-X perguntas. E o percurso den Sprachen windet sich das Brücken zwischen Frauen sinuoso entre as línguas weiter. außerhalb und innerhalb der recomeça... Gefängnismauern zu bauen Ansatz und sucht, entwickelt in São Paulo Herausforderung Brasilien. Foi proposto a nós como *Projeto de investigação com as für unsere zweite artistas, em nossa segunda artistas Beatriz Cruz, Letícia Zusammenarbeit mit colaboração com o Olivares e Sandra-X, que busca dem AlarmTheater war, Alarmtheater lançar nosso criar pontes entre mulheres dentro einen künstlerischen e fora dos muros do cárcere, olhar sobre a questão das Blick auf das Leben von desenvolvido em São Paulo - Brasil. mulheres em situação de Frauen im Gefängnis cárcere, tema que já faz zu werfen. Ein Thema, das seit Jahren Teil der parte das investigações Forschungsarbeit des AlarmTheaters do teatro há anos, em processos de ist. Es entstanden verschiedene colaboração com internos e internas Projekte in Zusammenarbeit mit em instituições penitencárias. Gefängnisinsassinnen. Durch geheimnisvolle Verbindungen des Universums arbeiteten wir beide im Jahr 2017 an dem gleichen Thema, Rebecca in Bielefeld, als Teil des AlarmTheaters und Vânia in Sao Paulo, im Rahmen des Projekts Mulheres possíveis. Wir hatten kein fertiges 99

Por conexões misteriosas do universo, ambas estávamos trabalhando com esse mesmo tema no ano de 2017, Rebecca, em Bielefeld, como parte integrante do Alarm e Vânia, em São Paulo, dentro do projeto Mulheres possíveis*. Não tínhamos formato pré-


Ergebnis unserer Arbeit vor Augen. Nur wenig Zeit, den Wunsch zu lernen und eine große Bereitschaft, uns wieder zu treffen und gemeinsam Kunst zu machen.

determinado para a"obra". Apenas um prazo curto, o desejo de aprender e muita vontade de nos reencontrar e fazer arte juntas.

Als Ausgangsmaterial für unsere Forschung hatten wir zwei Treffen: Ein Gespräch mit Marion im Gefängnis (in der JVA Bielefeld-Brackwede) und ein weiteres Gespräch mit Anna, die ihre Haftstrafe dort bereits abgesessen hat und heute wieder in Freiheit lebt. Rebecca hatte mit den beiden bereits Kontakt in vorherigen Projekten des AlarmTheaters.

Como material inicial para nossa investigação tínhamos dois encontros: Uma conversa com Marion, na penitenciária de Bielefeld-Brackwede, e outro com Anna, que já havia cumprido pena nesta mesma instituição e hoje está em liberdade. Rebecca já havia tido contato com elas duas antes em projetos do Alarm.

Es war schwierig und äußerst arbeitsreich, dieses umfangreiche Material zu transkribieren, zu bearbeiten. Wir saßen Nächte lang Seite an Seite – mit Hilfe einiger Latte Macchiato und Gläser Weißweins – lasen jeden Satz erneut, darüber nachdenkend, welches wohl die passenden Worte in jeder Sprache wären, um diese Gespräche, so vertrauensvoll und subtil, voller Nuancen und fein an Bedeutung, zu vermitteln.

Foi difícil e extremamente trabalhoso transcrever, editar e traduzir esse extenso material. Sentamos lado a lado durante noites a fio – com a ajuda de alguns latte machiatto e taças de vinho branco - e relemos cada frase, ponderando sobre quais as melhores palavras em cada idioma para expressar aquela conversa tão cheia de confiança e sutilezas, nuances, filigranas de sentido.

Wir beide, so daran gewöhnt Material zu bewegen, Farben aufzutragen, Texturen und Geometrie zu kombinieren. Wir beide, Seite an Seite im Wohnzimmer sitzend, während die Kinder schlafen, bearbeiten die Worte dieser Unterhaltungen wie einen rohen Stein. Während wir über diesen Prozess nachdenken, drängt sich uns unweigerlich das Konzept der sozialen Plastik von Joseph Beuys auf. Das mehrfache Nachlesen

Nós, tão acostumadas a lidar com materiais, com a cor, combinar texturas, geometrias, sentadas lado a lado, na sala, enquanto as crianças dormiam, moldando as palavras dessa conversa como uma pedra bruta. Não temos como não lembrar do conceito de "escultura social" de Joseph Beuys pensando nesse processo. Reler, traduzir, pontuar, sinalizar, diagramar essa longa conversa foi como fazer uma 100


der Aufzeichnungen, Übersetzen, Interpunktieren, Strukturieren, Bezeichnen, Aufzeichnen, Skizzieren dieser langen Unterhaltungen war wie eine Skulptur zu erschaffen, wie lebendiges Material zu formen. Das gesprochene Wort als Material, mit der Vorsicht das Gesagte nicht zu grob zu bearbeiten, keine Überbleibsel zu hinterlassen, keine weiteren Dinge anzubringen, die nicht der Sache eigen oder notwendig waren. Übersetzen. Zusätzlich zu den Treffen mit Anna und Marion, die dieses Buch Der Augenblick ist mein / O momento é meu ausmachen, fallen neue Fäden in unsere Hände, entstehen Gedanken und Aktionen, öffnen sich weitere Horizonte. Wir reisen in die Städte Oviedo und Gijón in Asturien (Nordspanien), besuchen die Universidad Laboral, wo wir Julio Rodríguez kennenlernen und Etelvino Vázquez wieder treffen. Sie geben uns Einblicke in ihre langjährige Recherchearbeit in Bezug auf Menschen im Gefängniskontext, aus Sicht des Psychologen und Autors und Theatermachers. Wir sehen die Beeindruckende Skulptur "Elogio del Horizonte" von Eduardo Chillida am Rande eines Hügels mit Blick auf das Meer, was für uns ein so klares Bild von Freiheit ist. Wir zeichnen viel und schreiben, sehen den Ozean, lernen eine Astronomin kennen, die ebenfalls Rebeca heißt (sich jedoch nur mit einem "c" schreibt)... Ohne klare Struktur filmen wir alles, was wir sehen und nehmen auf, was wir hören, bis wir schließlich in Barcelona ankommen. 101

escultura, foi como moldar um material vivo. Ter a palavra dita como matéria, com o cuidado de não desbastar demais o que foi dito, nem deixar sobras, nem colocar ali coisas que não lhe são próprias ou necessárias. Traduzir. Para além das conversas com Anna e Marion que compõem este livro, Der Augenblick ist mein/ O momento é meu envolveu outras ações, ganhou outros horizontes. Viajamos para as cidades de Oviedo e Gijón, nas Asturias (norte da Espanha) onde visitamos a Universidad Laboral, lá conhecemos Julio Rodriguez e Etelvino Vazquez, que nos deram depoimentos sobre os trabalhos que fazem ligados a pessoas em situação de cárcere, no teatro e na psicologia. Conhecemos a impressionante escultura "Elogio del Horizonte", de Eduardo Chillida, à beira de uma colina em frente ao mar, que foi para nós uma imagem de liberdade muito nítida. Desenhamos muito em nossos cadernos, vimos o oceano, conhecemos uma astrônoma que também se chama Rebeca (só que essa com um "c" só)... filmamos tudo que vimos de maneira meio caótica e enfim chegamos a Barcelona. Além de caminharmos muito pelas ruas vivas desta cidade catalã, trabalhamos muito sobre a enorme quantidade de imagens e


Zusätzlich zu ausgedehnten Spaziergängen durch die Straßen dieser catalanischen Stadt, arbeiten wir an der enormen Fülle an Bild- und Videomaterial, welche wir weiterhin, ohne Unterlass, sammeln. Wir führen viele Gespräche mit Kaffee und frisch gebackenem Brot, auch im Hause der Künstlerfreunde Esther Kläs und Graham Watling. Auf unserer gesamten Reise, unserem Weg, stellen wir allen Personen, die wir treffen die Frage: „Was ist Freiheit?“... Unsere Gedanken schweifen ab: der unendlich weite Blick vom „Elogio del Horizonte“ hat sich uns ins Gedächtnis gebrannt. Die kreisende Form der Skulptur steht bildlich für unsere Reise: von Lateinamerika, aus dem Gefängnis, auf die Reise, ins Gefängnis, auf die Reise, zur inneren Freiheit...und auf diesen Hügel...und zurück. Das Video sucht, während wir diesen Text hier schreiben, noch nach seiner Form.

audios que viemos coletando no caminho. Tivemos também muitas conversas com café e pão fresco na casa dos amigos artistas Esther Kläs e Graham Watling. Em todo nosso percurso, fomos perguntando "o que é liberdade?" para as pessoas que fomos encontrando... Nossos pensamentos muitas vezes vagaram para a visão infinita e ampla, que temos do "Elogio del Horizonte", vivas na memória. E para o círculo formado por essa escultura que é como a imagem de toda a nossa jornada, a América Latina, a prisão, a liberdade interior... para aquela colina... para tudo o que passou. O vídeo, no momento em que escrevemos este texto, ainda está buscando sua forma. A edição continua. Continuará.

Die Edition geht weiter. Continuará.

Rebecca & Vânia

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Elogio del Horizonte Eduardo Chillida

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AlarmTheater e.V. Gustav-Adolf-Str.17 33615 Bielefeld www.alarmtheater.de ISBN: 978-3-00-061699-0 Konzeption | Texte | Abbildungen Concepção | Textos | Fotos Rebecca Budde de Cancino & Vânia Medeiros Redaktion | Revisão Kim Lempelius Transkription des Interviews von Anna Librecht | Transcrição da entrevista de Anna Librecht Alexandra Petrusch Druck | Impressão Druckerei Mehlis GbR, Nordhausen Herausgeber | Editora Conspire Edições Erstauflage | Primeira edição Copyright 2018 AlarmTheater e.V.

Dank | Agradecimentos An Anna und Marion dafür, dass sie uns in ihr Leben blicken ließen. A Anna e Marion por deixar que entremos em suas vidas.

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Der Augenblick ist mein | O momento ĂŠ meu entstand im Rahmen des Projektes verWIRKLICHen

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Der Augenblick ist mein | O momento é meu  

Der Augenblick ist mein | O momento é meu entstand im Rahmen des Projektes verWIRKLICHen.

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Der Augenblick ist mein | O momento é meu entstand im Rahmen des Projektes verWIRKLICHen.

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