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Setembro e Outubro de 2014

Ano 4 – 32ª edição

PROJETO PARA POPULAÇÃO DE RUA pág. 2

PARA ENTENDER A LAJE:

MNPR: Movimento Nacional da População de Rua CEDDH PSR/CMR: Centro de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de Materiais Recicláveis FAS: Fundação de Ação Social CIAMP RUA: Comitê Intersetorial Acompanhamento e Monitoramento da Política para a População em Situação de Rua CEFURIA: Centro de Formação Urbana e Rural Irmã Araújo CEADEC: Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento, Emprego e Cidadania IMAP: Instituto Municipal de Administração Pública

PRECONCEITO É BARREIRA NA LUTA POR DIREITOS.....................................................pág. 2

PERFIL: FERNANDO GOIS, CRIADOR DA CHÁCARA MENINOS DE QUATRO PINHEIROS.....................................................pág. 3

MORADOR DE RUA MORRE ATROPELADO .....................................................pág. 3 CANDIDATOS NÃO TÊM PROPOSTAS PARA A POPULAÇÃO DE RUA.....................................pág. 4

PARTICIPE DO MOVIMENTO NACIONAL DA POPULAÇÃO DE RUA Venha participar você também e ajude a fortalecer o Movimento! As reuniões do MNPR em Curitiba acontecem quinzenalmente, às quartas-feiras, 14:30h, na sede do CEDDH PSR/CMR-PR (rua 21 de Abril, nº 119 - Alto da Glória).


MINISTROS ASSINAM PROJETO PARA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA Os movimentos nacionais da população em situação de rua e dos catadores de material reciclável participaram no dia 21 de outubro do evento de assinatura do convênio para realização do projeto “Gerando Renda e Criando Dignidade”. A assinatura ocorreu no prédio do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região. O projeto tem por objetivo realizar atividades de formação técnica e cidadã com população em situação de rua para superação da pobreza. O coordenador nacional do MNPR, Leonildo José Monteiro destacou os avanços que vem sendo feitos em benefício da população em situação de rua. “Seis anos atrás discutíamos sopa. Hoje falamos de moradia, políticas públicas e acesso aos serviços públicos”, declarou Leonildo. Esses avanços também foram comentados pelo mi-

nistro-chefe interino da Secretaria-geral da Presidência da República Diogo De Sant’Ana. “O modelo de inclusão social brasileiro é fraterno. Isso é o que falta no mundo”, disse o ministro em discurso. No entanto, a presidente da FAS Curitiba e primeiradama Márcia Oleskovicz Fruet indica um dos obstáculos à causa da população em situação de rua: ”Curitiba é uma cidade muito conservadora.Toda vez que vamos abrir um Centro Pop ou um acolhimento, temos que brigar com metade da cidade”. Assinaram o convênio os representantes das instituições que realizarão o projeto: Maria das Dores Tucunduva dos Santos (Presidente do Cefuria), Mauri Cruz (presidente do Camp) e o Ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias. O ministro Manoel Dias indicou a importância da organização dos movi-

Ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias mentos de forma independente do Estado e incentivou a reivindicação de direitos pelas minorias. “Vocês têm que se organizar para o governo andar mais rápido”, reconheceu o ministro. Além do convênio, foi assinada uma parceria entre o projeto CATAFORTE, a Fundação Banco do Brasil e o CEADEC para compra de caminhões pela rede CATAPARANÁ.

PRECONCEITO É BARREIRA NA LUTA POR DIREITOS Durante uma sensibilização a futuros servidores públicos do IMAP, representantes de alguns grupos sociais, como indígenas e transsexuais, foram ofendidos por profissionais do Instituto. Eles fizeram perguntas grosseiras e brincadeiras desrespeitosas aos grupos, o que compromete o futuro do serviço público. A estes profissionais, falta compreender os problemas que esses grupos, como por exemplo a população em situação de rua, enfrentam

diariamente, para que possam atendê-los de forma mais humana. O fato da sensibilização ser feita com um grupo grande de pessoas atrapalha, pois a mensagem enfraquece quando compete com internet e conversas durante a apresentação. Mas o jovem apenas reproduz os valores aprendidos na família, na escola e no convívio social. A visão equivocada que a sociedade tem de que o morador de rua é um desocupado é um problema estrutural.

O MNPR consegue discutir esses problemas com os universitários, mas é tarde para romper preconceitos. Esse debate deve acontecer na educação básica, assim como já ocorre com as questões de raça, para que a discriminação seja cortada pela raiz. Segundo a analista de desenvolvimento organizacional do IMAP Maria Amélia Mendes, isso foi um caso isolado. Os outros estagiários reprovaram a atitude e o Instituto conversou com a pessoa.

FERNANDO GOIS ABRE A CASA PARA A LAJE A Voz do Povo da Rua conversou com Fernando Gois, criador da Chácara dos Meninos de Quatro Pinheiros, localizada na cidade de Mandirituba, região metropolitana de Curitiba. O espaço, inaugurado em 1994, hoje abriga 40 meninos entre sete e 21 anos. Fernando já morou nas ruas, convenceu um traficante a perdoar uma dívida e desde 1982 não usa sapatos. O chinelo é sua marca registrada. Além do conforto, é uma forma de ser solidário aos mais necessitados e criticar as aparências. “Eu não me preocupo em ter, mas em ser. O mais importante é a vida das pessoas”. Algumas dessas vidas tomaram um novo rumo depois de passarem pela chácara, recebendo tratamento para a dependência química. O dinheiro para o local funcionar vem de parcerias com as prefeituras de Curitiba e cidades metropoli-

tanas e doações de empresas. Na questão financeira, Fernando condena clínicas religiosas que expõem os pacientes à venda de objetos nos ônibus de Curitiba. Hoje com 56 anos, já passou por

situações delicadas, uma delas envolvendo tráfico de drogas. Um menino perdeu 1500 reais em maconha, criou uma dívida com o traficante e pediu ajuda a Fernando, que foi à casa do traficante mediar esse conflito. Após muita negociação, conseguiu tocar o coração do traficante, que esqueceu a dívida e ofereceu dinheiro a chácara. “Não posso. Você tira vidas, eu as recupero”, recusou Fernando. Gois se prepara para uma nova aventura em sua vida. Ele vai de Curitiba a Aparecida do Norte dormindo nas ruas e ouvindo as necessidades das pessoas. “Eu quero morar nas ruas para viver a solidariedade e para protestar. Enquanto alguém viver na rua eu não posso dormir sossegado”. Ele valoriza a mobilização da po- pulação de rua, representada pelo MNPR. “É um movimento legítimo, de suma importância pra sociedade”.

MORADOR DE RUA MORRE ATROPELADO O morador de rua conhecido como ET faleceu na madrugada do dia 4 de outubro após ser atropelado por dois carros. O atropelamento aconteceu entre as ruas Presidente Carlos Cavalcanti e Trajano Reis, no bairro São Francisco, em Curitiba, por volta das 4h. Testemunhas dizem que os motoristas fugiram sem prestar socorro e imagens de câmeras de segurança próximas ao local serão usadas na investigação. ET era bastante conhecido, principalmente na região do Largo da Ordem. Portais online que noticiaram o caso receberam comentários de pessoas que conheciam o rapaz e lamentavam sua morte.

A Delegacia de Delitos do Trânsito (DENATRAN) é responsável por investigar o caso. O CEDDH encaminhou um ofício para a de-

legacia cobrando a investigação, mas até o momento do fechamento da edição não houve resposta.

Foto: João Carlos Frigério


CANDIDATOS NÃO TÊM PROPOSTAS PARA A POPULAÇÃO DE RUA Em outubro acontecem as eleições para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual. O resultado das escolhas nas urnas definirá os rumos políticos do país nos próximos quatro anos. O jornal A Laje pesquisou quais eram as propostas dos principais candidatos à presidência da república para a população em situação de rua. Nenhum dos candidatos pesquisados -incluindo Dilma Rousseff e Aécio Neves, que agora disputam o segundo turnodivulgaram projetos voltados para essa população. Para o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) a ausência de propostas é consequência da forma como a sociedade encara a população em situação de rua. “Essas pessoas são consideradas invisíveis, não são entendidas como grupo de eleitores nem como economicamente ativos, mesmo que a maioria tenha uma fonte de renda estável. Esse grupo é marginalizado, isolado, e o resultado disso é expresso na falta de propostas”, afirma Veneri. Se os candidatos não apresentam propostas durante a

Candidatos à presidência da república no segundo turno, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT)

época de campanha, não há garantias de que, depois de eleitos, irão promover políticas públicas em favor de quem está nas ruas. Ainda assim, a vereadora de Curitiba professora Josete (PT) aponta que o Estado tem tido mais sensibilidade nessa questão. “Temos que avançar mais. Mas hoje temos iniciativas que antes não tínhamos. Estamos iniciando, ainda que de forma lenta, políticas voltadas para a população em situação de rua”, declara a vereadora.

Os candidatos esquecem quem está nas ruas em suas campanhas, talvez por considerarem pequena a porcentagem de votos dessa população. De acordo com pesquisa divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, apenas 38% dos moradores de rua exercem seu direito ao voto. É importante a participação de todos nas eleições, e a população em situação de rua precisa ter representantes políticos que lutem por seus interesses.

NOTA DE ESCLARECIMENTO A equipe do jornal explica que o Movimento Nacional da População de Rua não possui ligação com nenhum partido. A matéria MNPR MARCA PRESENÇA NA CONVENÇÃO ESTADUAL DO PT, publicada na edição junho/julho/agosto, serve apenas para divulgar a participação de membros do movimento em eventos de discussão de políticas públicas e projetos de governo. Como movimento apartidário, a presença do MNPR não significa apoio ao partido e sim cobrança por melhorias para a população em situação de rua. O jornal A Laje é uma publicação mensal produzida pela população em situação de rua de Curitiba através do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação Popular (NCEP) da Universidade Federal do Paraná. Nossas reuniões são todas as terças-feiras, às 14h, na sede do CEDDH PSR/CMR-PR (rua 21 de Abril, nº119 - Alto da Glória). Equipe: Amanda Pupo, Douglas Maia, Helena Salvador, Heloisa Nichele, Maria Miqueletto, Milena Alves e Vinicius do Prado Telefone: (41)3233-9431 Impressão: Agradecemos ao Sindicato pelo apoio! Tiragem: 1000 exemplares.

Acesse: www.jornalalaje.moradoresderua.org.br

Jornal A Laje - Setembro/Outubro 2014  

Edição Setembro/Outubro de 2014 do Jornal A Laje, produzida pelo MNPR (Movimento Nacional de População de Rua) e pelo NCEP (Núcleo de Comuni...

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