Page 1

Bienal Sesc das Distrito Federal Artes


Apresentação A primeira Bienal das Artes do Sesc-DF cumpre papel fundamental no desenvolvimento da arte brasileira. Atuando como instrumento de educação e inserção social, além de servir de alavanca para estimular a produção e o consumo de bens culturais, a Bienal é um importante catalisador da economia criativa e símbolo da modernidade não só de nossa cidade, mas do Brasil. Esse livro traz 64 obras selecionadas (pintura, escultura e arte digital) pela Comissão Curadora, dentre as 322 obras de artistas nacionais e estrangeiros inscritas para Bienal das Artes do Sesc-DF - Edição 2016. É inegável a importância de reunir trabalhos para refletir sobre as tendências do cenário artístico atual. Por isso mesmo, um dos objetivos da Bienal é projetar as novas e marcantes tendências do universo das artes. O Sesc-DF é uma instituição que busca constantemente estimular a classe artística e o surgimento de novos talentos. Acredito que a Bienal seja um projeto inovador nesse sentido, pois, uma das categorias, a de arte digital, foi escolhida a partir da percepção de que os recursos digitais estão presentes em várias manifestações artísticas. Com essa iniciativa de realização da Bienal tivemos boa receptividade do meio e os artistas se sentiram gratificados não só pela seleção de suas obras, mas também pela valorização dos seus trabalhos. As 64 obras selecionadas farão parte de uma exposição no Pontão do Lago Sul onde estará também uma obra do artista homenageado nessa edição. Com muito orgulho entregaremos também uma medalha e diploma de Menção Honrosa aos artistas selecionados. O Sesc-DF é referência tanto para artistas locais quanto para aqueles que vêm de fora. Os palcos e espaços constantemente procurados por suas manifestações artísticas renderam à instituição o papel de formadora de público. É por isso que o Sesc é reconhecido como um dos mais importantes fomentadores e realizadores de eventos culturais da capital federal. Isso sintetiza o objetivo principal da instituição. Entendemos a cultura como investimento para possibilitarmos inclusão e desenvolvimento social. Um abraço, Adelmir Santana

2

3


Arte e Cidadania O Serviço Social do Comércio - Sesc-DF, no cumprimento de sua missão educativo-cultural, tem o propósito de difundir conhecimentos e saberes múltiplos, dar destaque a importantes movimentos econômicos, políticos, culturais e sociais brasileiros que fizeram parte da história do país e foram determinantes no processo de construção da identidade nacional. Entre os objetivos sociais da instituição ressalta o de oferecer a todos a oportunidade de conviver com a arte em sua mais elevada expressão. Nesse contexto, a Administração Regional do Sesc no Distrito Federal edita o livro Bienal das Artes do Sesc-DF - Edição 2016, a partir de um intenso trabalho para construção e realização do projeto. Não foi uma tarefa das mais fáceis. Muito aprendemos, principalmente com todos os artistas que se inscreveram e participaram do processo de seleção das obras, a quem agradecemos por acreditar na seriedade e no pioneirismo dessa empreitada na capital de todos os brasileiros. Diante de nós estão obras de arte de tão alta qualidade e diversas entre si; algumas digitais, outras gráficas, muitas dentro da tradição pictórica, que, no primeiro momento, temos a sensação de que fomos privilegiados e nos encontramos num grande museu de arte. Em seguida, nos damos conta de que essa riqueza cultural - constante nas 64 obras selecionadas para Bienal - reflete a expressão de artistas brasileiros e de outros países sobre o mundo; suas angústias e percepções como seres humanos. A Bienal se constitui em um novo marco cultural no Distrito Federal. É instigante, provocadora e enriquecedora não só pelo acervo apresentado, mas pela sua originalidade e pelo amplo campo de atuação do mundo visual contemporâneo. E isso reforça a nossa ideia de que uma Bienal de Artes em Brasília é muito oportuna e também uma necessidade nacional, pois, cada vez mais, os artistas desejam expor suas obras e dialogar com o público. A Bienal das Artes do Sesc-DF tem uma dupla função. A primeira é criar um espaço nobre de atuação, interação, intercâmbio e promoção dos artistas, em especial dos brasileiros; a segunda é a de oferecer o melhor da produção de artes visuais aos cidadãos. Para realização do evento não poupamos esforços para garantir espaços às várias tendências e para que a exposição contemplasse, no primeiro momento, três importantes vertentes – pintura, escultura e arte digital – de forma a possibilitar ao público a avaliação de obras de conceitos e técnicas diferentes entre si e o convívio entre percepções e nuances das artes plásticas. Tomo a liberdade de expressar meus sinceros agradecimentos aos artistas que participaram do processo de inscrição e seleção, aos companheiros Guilherme Reinecken de Araujo, Casimiro Neto, Maria da Penha Felippe Barrozo e José Umberto de Almeida, que desde o primeiro momento abraçaram essa causa tão nobre, e, em particular, aos curadores Jacob Klintowitz, Mauricio da Silva Matta e Rinaldo Morelli, que contribuíram decisivamente para a concretização do projeto. Finalmente, reforço a percepção de que a 1ª edição da Bienal das Artes do Sesc-DF, no Distrito Federal, é um estímulo à reflexão e uma festa para o olhar.

José Roberto Sfair Macedo Diretor Regional do Sesc-DF

4

5


Bienal das Artes do SESC-DF, 1ª edição Uma oportunidade para a arte brasileira. Jacob Klintowitz

Certamente eu esperava que esta Bienal fosse um sucesso. Estava muito bem organizado pelo Sesc-DF, o cenário era a capital federal sempre a procura de protagonismo na área cultural e existe uma carência imensa no Brasil das artes de oportunidades democráticas como esta. Mas eu não poderia imaginar que tantos artistas de longo curso, de linguagem original, domínio expressivo do processo de criação e amadurecidos na sua consciência de sua personalidade artística, humildemente se inscrevessem e se submetessem ao julgamento de um Júri. Não pode haver maior gesto de solidariedade e confiança do que este. Vejam alguns poucos exemplos de artistas e o seu gesto. Não conheço nenhum artista experimentalista brasileiro que tenha um percurso mais sólido do que Regina Vater, no desenvolvimento de sua linguagem e na conquista de espaço nacional e internacional. Quando eu a conheci, na década de 70, ela era da linha de frente entre os artistas da nossa vanguarda, para usarmos este termo tão genérico que quase perde o significado e especificidade. Mas aqui, talvez, caiba o uso, apenas como uma referência de época e de procedimento. A Regina Vater tinha uma profunda preocupação com a criação de linguagem, com os materiais, com a construção de uma narrativa adequada. A sua era uma obra de permanente reflexão. E a sua participação sempre foi através do trabalho, séria e digna, naquela década inquieta e confusa, com os permanentes perigos reais que a profunda desconfiança dos

6

governantes militares sobre a arte trazia. Não era só uma questão política, mas também um manifesto ressentimento da pequena classe média, onde se inseriam os militares, com um universo de signos e símbolos que não entendiam, mas que sentiam ameaçar as suas pobres certezas consoladoras. Como toda ditadura fundada e apoiada no medo pânico da classe media, a nossa era contra a pop art, a liberdade sexual, o feminismo, a música popular urbana, a psicanalise, o cinema de autor, o palavrão em local público, o caderno dois dos jornais (teatro, literatura, crônica, cinema, artes visuais, comportamento) a juventude. Não é por acaso que a censura se preocupava com o divórcio... Nesta Bienal, Regina Vater comparece com um trabalho digital onde invoca a memória do seu mestre Marcel Duchamp (o urinol) e dialoga com o ilusionista atual da imagem pública, Andy Warhol (a perfeição do oficio). Em Inos Corradin todo mar é lua e toda lua é sonho. Inos Corradin, o decano dos artistas presentes, é um mestre pintor sutilíssimo, do que aparentemente é simples. Ele é herdeiro de 500 anos da Commedia dell’arte, fonte inesgotável de liberdade, criatividade e improviso. Pensem na trilha da companhia de teatro a parar com as suas carroças em cada aldeia para representar. Na sua paisagem é comum o espelhamento, a duplicação, o duplo: o que é, é igual, mas invertido, em sua projeção. Sob esta lua que se duplica no espelho do mar miríades

7


de homem soluçaram ou suspiraram. O halo luminoso que a cerca está impregnado de emoções ancestrais. A paisagem de Inos Corradin não é a mesma vista por Adão. Ela não é a primeira paisagem vista pelo primeiro homem sobre a face da Terra. Um gesto pessoal de fidelidade à arte como poética e a certeza de que a humanização do ser humano não pode prescindir da vivência estética. Todas as coisas querem ser preservadas até a eternidade. Alias, se a eternidade existe tudo é eternidade, inclusive o que deseja se tornar eternidade. O cotidiano, para os paisagistas, adquire uma notável identidade. De certa maneira, ao imaginar ou colher um fragmento, o paisagista inventa a paisagem: ele acorda a memória do Paraíso. Luiz Martins é uma nova e luminosa afirmação. Luiz Martins inventa série de objetos, famílias temáticas, recobertos por epidermes instigantes, verdadeiras peles a indicar semelhanças entre si, ora geométricas, ora vibrações óticas. A atmosfera gerada por estes objetos nos oferece uma ponte com o cotidiano devido aos seus materiais vulgares e do método de ação do artista, reelaborando a visualidade do conhecido, propondo uma vivência estética. Luiz Martins é um experimentador, inventor de novos seres, criador do inusitado. A invenção metafísica. Formas tridimensionais e bidimensionais. O artista acentua a intencionalidade de sua pesquisa, a busca de novas visualidades e o desejo do olhar desperto. Vestimenta, vibração, faixas paralelas, ritmos, relações entre partes, corpos diferenciados. O inventor procura um novo olhar. Oscar Araripe chegou à nossa arte como possuidor de uma sólida formação humanística e cultural. Existem casos de artistas tardios, como Tomie Ohtake, que se tornou pintora

8

aos 40 anos. O que é raro é um artista que surge já dotado de uma visão e experiência amadurecida do mundo. Talvez seja por isto que Oscar Araripe não se deixou seduzir pela hegemonia passageira de tantas modas e ditames. Para ele um vaso de flores revisitado pode ser a vanguarda definitiva. Aliás, também para Cézanne. Ou uma passagem, ou as flores na primavera, ou tudo o que existe e que é passível de ser registrado, interpretado, reapresentado ao nosso olhar maravilhado. Na verdade, o que nos traz este pintor oriundo da literatura, do alto jornalismo, do estudo das leis e da filosofia, é um vitalismo, a percepção de um universo que vibra e é puro movimento e energia e que não oferece limite à nossa integração desde que, por nossa vez, estejamos dispostos a ser movimento e energia. Entre os artistas ainda não conhecidos nacionalmente, é possível destacar a arte digital de Weimar que nos apresenta uma narrativa do percurso da solidão e da extinção da esperança. Uma música de câmera, talvez. Braços e mãos de uma mulher abrem uma caixa de música. A bailarina rodopiante como símbolo do enlevo de uma jovem mulher. As mãos retiram a aliança do dedo e a guardam. Morte ou separação. Depois é retirada uma chave que é guardada numa mala antiga, de couro desbotado pelo tempo. A esta chave outras vão se juntar. A cada uma podemos, imagino eu, pensar que uma parte da vida se encerrou. E finalmente, quando a mala está cheia de chaves não é mais possível encontrar a chave que se quer. Todas as memórias já estão indistintas, assemelhadas, e não podem ser recuperadas. Os espaços estão cerrados. Ao júri veio à memória um poema de 1986, de Mário Quintana, chamado O baú de espantos: O último crime da mala./ Na mala que nem o Anjo da guarda, nem o Delegado do Distrito, /nem eu mesmo consigo encontrar/ está a minha imagem única, fechada a chave,/ - e a chave caída no fundo do mar!/Não adianta chamar escafandros/ nem homens-rãs,/nem a sereia mais querida,/nem os atenciosos hipocampos,/de que adianta?!/ Não existem vestígios de mim.

9


10

Existe uma consciência crescente entre artistas, críticos, colecionadores, de que os espaços públicos de comunicação, são poucos e deficientes. O Brasil tinha uma tradição de salões de arte que permitia aos artistas apresentar as suas obras ao público e ao público conhecer os seus artistas consagrados ou novos. E sem custo. E sem passar pelo crivo comercial que é necessariamente limitado ao objetivo mercadológico. É muito importante o mercado de arte, mas não deve ser a única triagem da nossa arte. Todo artista merece se apresentar ao público. E seguidamente muitas das obras mais indagadoras e instigantes, não têm apelo comercial. Os salões de arte, liderados pelo maior deles, o Salão nacional de Arte Moderna, representavam o espaço público de diálogo entre o artista e o público. A Bienal Internacional de São Paulo, muitas vezes, também serviu para os artistas brasileiros não só se apresentarem ao nosso publico, mas terem a oportunidade de serem vistos por críticos, gestores culturais, artistas, de outros países.

era, preferisse um tema ligado à Divina Comédia... E por que não pensar em Cervantes,

A ideia curatorial de ter um tema inicial, na absoluta maioria das vezes, uma mera frase ou sentença retirada ou da literatura ensaística ou da sociologia, como meta a ser cumprida é, deste ponto de vista, insatisfatória. Além de tornar o artista um mero ilustrador de uma pergunta ou uma formulação, certamente vaga e insuficiente. É uma boa maneira de impedir a criatividade, a possibilidade de o artista portar um novo mundo. Hieronymus Bosch, Leonardo da Vinci, Vincent van Gogh, Constantin Brancusi, Henri Matisse, Pablo Picasso, Henry Moore, Francis Bacon, seriam recusados por estas curadorias. Talvez não soubessem responder à altura, ou da maneira simples e ilustrativa, as superficiais propostas retiradas de Ítalo Calvino, Edgar Morin, etc.. Será que Calvino, tão enciclopédico e humanista, concordaria com este recorte? Ou talvez, erudito como

Portinho, Paulo Mendes da Rocha, entre outros, foi aberta inscrição livre para os artistas

fonte inesgotável da nossa cultura? Melhor não pensar em nenhum deles com esta finalidade, na verdade. Não me parece conveniente recortar e circunscrever nomes da literatura ou da ciência para submeter uma expressão que, por natureza, é ela mesma a sua própria fonte. Para que limitar a imaginação e o novo que a arte pode nos dar e de que, cada vez mais, necessitamos tantos? Como irrigar a nossa alma sem a arte? A arte nos torna mais humanos. Certamente nós precisamos de mais canais por onde ela possa ser apreciada. E, em minha opinião, não devemos para a sua apresentação inventar restrições temáticas. Na Bienal de 1991 um Conselho de Arte e Cultura, do qual eu fazia parte, no qual estava presentes figuras exponenciais como Norberto Nicola, Maria Bonomi, Carmen em todo o mundo. Além das representações oficiais por países, cada artista era livre para se inscrever e ser devidamente apreciado por um júri. Foi a última vez que isto ocorreu. A possibilidade é quase nula dos grandes certames de custo tão elevado aceitar a deliciosa aventura de descobrir. Mas nós não temos nada a ver com isto. Para nós é uma expectativa emocionante abrir os caixotes de obras inéditas ou receber os registros eletrônicos. Como foi o caso desta Bienal em boa hora inventada pelo Sesc-DF. No início, nós que compúnhamos o Júri multidisciplinar, estávamos excitados. Ao final, estávamos emocionados. É o que eu espero do público, que se emocione e tenha o prazer do convívio com uma arte tão expressiva e variada.

11


ÍNDICE

ARTE DIGITAL

    9) Alegria Azul / 120 x 200 cm - Clóvis Júnior (Clovis Dias Júnior) / João Pessoa / PB................................................................82

    1) Mestra / 30 x 40 cm - Massape (Adeildo Eugênio dos Santos) / Campina Grande / PB.........................................................18

10) Terra / 80 x 100 cm - Corina Ishikura (Corina Miyamoto Conceição Ishikura) / São Paulo / SP...............................................84

    2) TRONOS - Aprés Duchamp & Andy / 100 x 60 cm - Regina Vater (Regina Maria Motta Vater Lundberg) / Rio de Janeiro / RJ..........................................................................................................................................20

11) Fragmentos nr.2 / Tríptico de 70 x 170 cm - Cristiani Papini (Cristiani Papini Arantes) / Belo Horizonte / MG.....................86

    3) Madonna Digital / 40 X 40 cm - Dhéia Ferrari (Andréia Maria Ferrari) / São Paulo / SP..........................................................22     4) Sem Título, da série "Offereço-te" / 60 x 45 cm - Elcio Miazaki / São Paulo / SP...................................................................24     5) RATSREPUS / 110 X 147 cm - Fabiano Rodrigues / São Paulo / SP...........................................................................................26     6) Não me lembro do seu rosto / 6 fotografias de 37,5 x 30 cm / Total: 75 x 180 cm - Mariana Teixeira (Mariana Teixeira Elias) / São Paulo / SP......................................................................................................................................28

12) Encadeamentos / 41 x 33 cm - Debora Censi / São Paulo / SP.................................................................................................88 13) Infinity / 90 x 100 cm - Denis Cavalcanti (Denis Cavalcanti Porto) / Cacém / Portugal e João Pessoa / PB..........................90 14) Majestic / 90 x 140 cm - Fabio Pedrosa (Fabio Henrique Tenório Pedrosa) / Brasília / DF.....................................................92 15) Carnaval / 130 x 140 cm - Fefe Talavera (Fernanda Talavera) / São Paulo / SP ........................................................................94 16) Entre a Raiz e a Rama / 100 x 80 cm - Francisco Garcia Gonzales / São Paulo / SP................................................................ 96

    7) Amigos / 65 x 45 cm - Tirzah Ribeiro (Tirzah Marília Nogueira Ribeiro) / Montevidéo / Uruguai e Florianópolis / SC........30

17) Evolução / 150 x 200 cm - Fukuda (Roberto kenji Fukuda) / Curitiba / PR................................................................................98

    8) A Busca / vídeo 1'59" - Weimar (Weimar Marchesi de Amorim) / Ribeirão Preto / SP............................................................32

18) Eva / 110 x 90 cm - Hilda Moura (Hilda Cavalcante de Moura) / Maceió / Alagoas..............................................................100 19) Reflexos da Capital / 75x 118 cm - Hosana Bezerra (Hosana Epaminondas Bezerra) / São Sebastião / DF........................102

ESCULTURA

20) Mediterrâneo ao meio dia, da série "Reflexos Mediterrâneos" / 120 x 140 cm - Inos Corradin / Jundiaí / SP..................104

    1) Desvio em Curva (cubo) / 60 x 50 x 50 cm - Amanda Mei (Amanda de Souza Meirelles) / São Paulo / SP...........................36

21) Distopia / 130 x 90 cm - José Ivan Santos / Brasília / DF..........................................................................................................106

    2) Criatura / 132 x 49 cm / 25 kg - Antonio Carlos Elias / Brasília / DF..........................................................................................38

22) Dança das Cores - 6102J1250185G0838 / 125 x 185 cm - José Brandão / (José Guilherme Silva Brandão) / Mogi das Cruzes / SP...................................................................................................................................................................108

    3) Bordado em voile de seda / 140 x 100 cm - Cristina Agostinho (Maria Cristina Martins Agostinho) / Maringá / PR...................................................................................................................................................................................40     4) Duplicidade / 125 x 100 x 40 cm - Darlan Rosa (Darlan Manoel Rosa) / Brasília / DF..............................................................42

24) Iemanjá (Afrodite Euploia) / 120 x 90 cm - Marcelo Jorge (Marcelo Gonczarowska Jorge) / Brasília / DF..........................112

    5 Loco in Loco - Parque Lage 2 / 115 x 90 x 20 cm - Déborah Engel / Rio de Janeiro / RJ.......................................................44

25) Colheita em Ferro / 49 x 39,7 cm - Marcelo Lins (Marcelo Lins de Magalhães) / Rio de Janeiro / RJ..................................114

    6) Seções / 12 x 61 x 119 cm - Felipe Seixas (Felipe Seixas Coelho) / São Paulo / SP.................................................................46

26) Kelps Garden´s / 73 x 92 cm - Maria José Marques Porto / Cacém / Portugal e João Pessoa / PB.....................................116

    7) INCUBUS / 135 x 22 x 22 cm - Fernanda Pacca (Maria Fernanda Pacca) / Brasília / DF..........................................................48

27) Sem Título / 100 x 100 cm - Mario Henrique (Mário Henrique Torrado da Silva Coelho) / Lisboa / Portugal.....................118

    8) Êxodo Ancestral / 76 cm diâmetro x 35 cm - Jéssica Paiva / Lúcio Costa - Brasília / DF........................................................50

28) Glittering Star Cluster / 110 x 170 cm - Marysia Portinari (Maria Marysia Portinari Greggio) / São Paulo / SP...................120

    9) Da Série "Embarcações" / 60 x 35 x 265 cm - Leandro Gabriel (Leandro Gabriel Coelho Pereira / Belo Horizonte / MG......................................................................................................................................................................52

29) Downtown, da série "Neourbano - cena 28" / 66 x 96 cm - Mauro Silper (Mauro da Silva Pereira) / Belo Horizonte / MG....................................................................................................................................................................122

10) Agora ela está toda igual a si mesma / 34 x 146 x 20 cm - Lívia Limp (Lívia Maria da Silva) / Belo Horizonte / MG............54

30) Alma de uma Biblioteca / 90 x 120 cm - Nelson Screnci (Nelson Luiz Pereira Screnci) / São Paulo / SP.............................124

11) A Luz do Caminho / 130 x 100 x 100 cm - Luiz Martins (Luiz Carlos Oliveira da Silva) / São Paulo / SP.................................56

31) A Paridade do Zero / 130 x 195 cm - Patricia Calisto (Patricia Calisto Marcondes de Carvalho) / Peru e Brasília / DF...............................................................................................................................................................................126

12) O Caminhante / 25 x 40 x 20 cm - 3 kg - Marcio Garcia (Marcio Garcia de Oliveira) / Rio de Janeiro / RJ...........................58 13) Sem título / Travesseiro: 40 x 70 x 20 cm e Miniatura de cama: 14 x 25,5 x 10 cm - Rick Rodrigues (Ricardo A. Rodrigues) / João Neiva / Espírito Santo.................................................................................................................60

32) Sem Título / 150 x 190 cm - Ricardo Larangeira (Ricardo de Almeida Larangeira) / Rio de Janeiro / RJ.............................128 33) Mortalha / 145 x 105 cm - Ricardo Ramos / Florianópolis / SC................................................................................................130

14) Neoclipes / 160 x 80 cm / 30 kg - Sanagê (Sanagê Cardoso) / Brasília / DF............................................................................62

34) Segundo Manto, da série "Trajes Cerimoniais" / 122 x 156 cm - Sandra Lapage (Sandra Carol Lapage) / São Paulo / SP............................................................................................................................................................................132

PINTURA

35) Brasília Azul / 150 x 200 cm - Sandro Corradin / Jundiaí / SP..................................................................................................134

    1) Estrela do Mar /110 x 90 cm - Akimi Watanabe / Brasília / DF..................................................................................................66     2) Sinergia / 150 x 130 cm - Alexander Lobaina (Alexander Lobaina Jimenez ) / Unión de Reyes / Matanzas / Cuba.............68     3) Mundo 01 / 100 x 150cm - Alexsandro de Brito Almeida / Gama / DF.....................................................................................70     4) Tudo é possível naquele que me fortalece / 150 x 150 cm - Ana Serafin (Ana Marlize Serafin) / Curitiba / PR.....................72     5) Finas, mais Fortes / 130 x 150 cm - Antonio Carlos Elias / Brasília / DF....................................................................................74     6) Jarro de Flores com Borboletas / 110 x 170 cm - Oscar Araripe / Tiradentes / MG................................................................76

12

23) Caligrafias Urbanas / 1,20 x 2,30 cm - M. Cavalcanti (Oswaldo M. Cavalcante Júnior) / Brasília / DF.................................110

36) Sem Título / 80 x 100 cm - Stella Margarita (Stella Margarita Martinez Molina) / Treinta y Tres / Uruguai e Rio de Janeiro / RJ....................................................................................................................................................................136 37) O azul que desaba sobre nós / 100 x 105 cm - Sylvana Lobo (Sylvana Cotrim Lobo) / Brasília / DF....................................138 38) Volúpia / 100 x 200 cm - Tarciso Viriato / Brasília / DF..............................................................................................................140 39) Acemira / 131 x 134 cm - Tássia Sardão / Bauru / SP................................................................................................................142 40) Senhor do Vento / 90 x 60 cm - Tati Egual (Tatiane Cristina Egual) / São Bernardo do Campo / SP...................................144

    7) Sudário/ 110 x 160 cm - Claudio Boczon (Claudio Boçon) / Curitiba / PR................................................................................78

41) Promenade, da série "Sonhos e Arquétipos " / 140 x 100 cm - Vasconcellos (José Madureira Vasconcellos) / Dinamarca e Goiânia / Goiás......................................................................................................................................................146

    8) Yawa Dessap / 150 x 158 cm - Claudio Matsuno (Cláudio Hideki Matsuno) / São Paulo / SP................................................80

42) Paisagem Negra / Díptico / Total: 260 x 69 x 8 cm - William Zarella (William Zarella Jr.) / São Paulo / SP..........................148

13


Homenagem: Lydio Bandeira de Mello Existem imagens que imediatamente se impõe ao nosso olhar e à nossa consciência como um dado expressivo da linguagem humana. Sabemos que toda construção linguística é um ato de representação do real e não a própria realidade. Mas a sensação que temos de que estamos diante de uma verdade – o que pode ser mais verdade que a obra de arte? – nos torna mais humanos, mais senhores da história da humanidade, pois experimentamos um símbolo que se tornou concreto pela mão humana. É o percurso da criação. E é a vivência que temos diante das obras criadas por Lydio Bandeira de Mello (1929). Muralista, pintor, desenhista, é, antes de qualquer outra coisa, um mestre entre nós. Professor e formador de várias gerações, ele sempre foi capaz de difundir e transmitir com extrema generosidade o seu profundo conhecimento do ofício do pintor. E a sua trajetória pessoal de dedicação absoluta, severidade e responsabilidade com a missão que o seu talento lhe conferiu, sempre foi uma lição permanente de comportamento e de ética. Esta Bienal das Artes do Sesc-DF, 1ª edição, escolheu como artista homenageado Lydio Bandeira de Mello, símbolo vivo da arte brasileira. J. Klintowitz

Maternidade - Óleo sobre tela - 100 x 70 cm.

15


16

17


Massape Poética: Anjos das Ruas, Doces dos Guettos, Amor da Carne e o Singelo da Vida. • Anjos das Ruas: tudo relacionado às culturas AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA. • Doces dos Guettos: existe vida em abundância nas periferias (FAVELAS). • Amor da Carne: sexo, paixão e ódio, coisas dos mortais. • Singelo da Vida: a simplicidade me encanta. “ARTE PRA MIM É IGUAL A COICE DE PORCO NO CIO”. BY MASSAPE

18

19


REGINA VATER Apesar de sempre buscar por um resultado estético na minha obra, meu trabalho tem a ver com ideias e uma maneira de ver o mundo em 360 graus. Para mim tudo me interessa: Metafisica, Psicologia, Poesia, Politica, Preservação do Ambiente e Bens de Raiz. Como artista me sinto particularmente como uma antena ou filtro do meu tempo. Como bem ressaltou Linda Dalrymple Henderson numa apresentação que fez para um livro sobre meus desenhos “Tramas de Penélope” (editado pela Aeroplano, 2010) :”A obra de Regina Vater constitui uma rica síntese fundamentada numa ampla gama de experiências e interesses nos campos da cultura e da natureza. A sensibilidade de Vater, no que concerne à linguagem poética e às capacidades multilinguísticas, juntamente com o seu compromisso por um conceito na obra de arte, levou-a a se focar nas ideias, da mesma forma que um de seus heróis inspiradores, Marcel Duchamp.” Retomando posicionamento politico usual que tive em minha obra nos idos de 60 e 70 este trabalho que aqui apresento, (além de ser um dialogo através do tempo com Duchamp e Andy Warhol) também pretende comentar com ironia certos acontecimentos recentes na vida politica brasileira. R. Vater

20

21


DHÉIA FERRARI Dhéia Ferrari nasceu em São Paulo, no bairro da Lapa, onde ainda reside atualmente. Graduada em Direito, com mestrado na Universidade de Southampton, na Inglaterra. Seu trabalho abrange fotos abstratas, retratos e paisagens. Além de ter feito várias exposições no Brasil, a artista já expôs no museu de Aveiro e na biblioteca municipal de Castelo Branco, ambos em Portugal, durante a exposição internacional de fotografia Olhares do Futuro (2015). Ao retornar de sua temporada de cinco anos no exterior dá inicio a sua trajetória artística. Inicialmente inspirada pelo movimento Cubista, gradualmente seu trabalho foi se desenvolvendo rumo ao Figurativo Pop e Abstração. Dhéia Ferrari assegura que “as vibrações das cores constituem um meio de comunicação por si próprias”. Para isso, se utiliza da tinta acrílica, técnicas mistas e dos recursos computacionais para criar sua arte. A. M. Ferrari


Élcio Miazaki Eu me dedico à realização de projetos que lidem com extensões de corpos e experimentações com tramas, bem como a pesquisa das formas, materiais e limites dos suportes. Como tema, abordo a memória, o patrimônio, o cotidiano, a camuflagem, a imaterialidade e a ausência. Atualmente faço parte do grupo de acompanhamento artístico do Espaço Hermes sob coordenação de Marcelo Amorim. Em relação à obra selecionada para a 1ª Bienal de Artes do Sesc-DF, trata-se de uma pesquisa de fotografias de origem militar com dedicatórias nos respectivos versos. Essas imagens originais instigam pelo fato de tornarem-se praticamente públicas. E.Miazaki

25


Fabiano Rodrigues Exploro em meu trabalho fotográfico a relação do próprio corpo com a arquitetura e a paisagem de centros urbanos. Fotógrafo autodidata, eu me autorretrato em movimento usando um controle remoto para disparar a câmera, capturando o ápice, em meio a enquadramentos previamente planejados. Minha precisão performática entra por vezes em harmonia, por vezes em desalinho com as formas arquitetônicas, resultando em imagens grandiosas e geométricas, desenhadas por um jogo magnífico de luz e sombras recortado pelo ambiente. F. Rodrigues

26

27


MARIANA TEIXEIRA Mariana Teixeira vive e trabalha em São Paulo. Graduou-se pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, no ano de 2015. Formou-se também em cinema pela Academia Internacional de Cinema, no ano de 2010. Trabalhou em diversos curtas e longas metragens, alguns dos quais foram selecionados para festivais como a e Festival de Curtas Kinoforum e Mostra Internacional de Cinema. A artista faz uso da linguagem fotográfica e audiovisual como ponto de partida para sua produção e indagação. As experimentações e desconstruções de imagens, assim como o uso da narrativa visual, permeiam seu processo e busca. M. T. Elias

29


Tirzah Ribeiro Existem dois meios de expressão que se bifurcam na minha arte: imagem e palavra. Eu os sigo em sua ambiguidade e intermitência e opta por mim o que melhor se encaixa nas minhas inquietações, visto que o ato criativo não parte do impulso racional; o seu gatilho funciona, antes, movido pela força do inefável. O inefável que se apresenta como expressão do nada quando nenhum dos meios se mostra disposto a ceder. De supetão um deles se inclina sobre mim, enquanto o outro se perde na névoa dos sentidos.  T. Ribeiro

31


WEIMAR Meu trabalho se fundamenta nos rastros que deixamos durante nossa passagem pelo planeta, nos registros de nossa permanência: fotografias, cartas e objetos que acumulamos ou produzimos ao longo do tempo. Nessa interseção de tempos, percebemos o quanto somos frágeis e suscetíveis ao fluxo constante da vida, mas que a arte nos possibilita permanecer e estabelecer novos pontos de contato com essa imensa trama do tempo e do espaço. Minha produção é formada por instalações, gravuras, pinturas, objetos e vídeos, entre outros. Weimar


34

35


AMANDA MEI Esses são alguns dos assuntos presentes na individual de Amanda Mei. Em sua produção, que investiga a relação contemporânea entre a natureza, o homem e a especulação, os materiais de demolição e as caixas de papelão constituem a matéria-prima. Pedaços de paredes de casas que não mais existem compõem paisagens para uma outra parede, tacos de madeira resgatados de demolição preenchem uma nova superfície geométrica, caixas usadas de papelão formam pedras e assim por diante. Assim, a exposição apresenta circunstâncias que tensionam a relação entre uma arquitetura projetada e orgânica. E é no meio desse confronto que a artista se coloca, tentando equilibrar o impossível com aquilo que tem ao alcance de suas mãos. Pois não se trata de construir através de artifícios, mas sim de usar aquilo que fora descartado para, então, reconstruir.   Paula Borghi

37


ANTONIO CARLOS ELIAS Como artista atuo em diversa áreas visuais como pintura, escultura, desenho, instalação, objetos e intervenção urbana. O tema recorrente em meu trabalho é o corpo. Uso de muita ironia em minhas obras. A minha arte reflete a minha vida, o meio em que vivo e as minhas experiências pessoais. Eu me utilizo de materiais os mais inusitados possíveis, como cera de utilidade de uso odontológico, dentes artificiais de resina acrílica e outros devido a minha formação acadêmica na área de saúde. Atualmente tenho explorado o tema da finitude humana e a razão da existência humana. A. C. Elias

38

39


CRISTINA AGOSTINHO O tecido como objeto e plano e a linha também como objeto e um meio gráfico, se tornaram importantes elementos a partir dos anos 2004. Nos bordados sobre voile, a linha é vista como limite de uma forma. Percorre o espaço, descontínuo, por vezes, quer de direção, de inclinação, ou de textura e profundidade. O desenho está em primeiro plano, no centro e está claro. Mas, a linha que contorna e produz uma figura, também ela é um objeto em si, uma matéria: o fio. Em seu trajeto deixa marcas como do vai e vem dos fios que sobram, os bolos que se formam... E através da transparência do suporte, mostra-se o que poderia estar escondido, porém, seguindo o mesmo ritmo percebe-se um caminho paralelo, às vezes espelhado. Desta combinação entre fio na frente, suporte, fio atrás, a representação, cede sua importância à corporeidade da obra. M. C. M. Agostinho

41


DARLAN ROSA O meu trabalho desenvolve-se a partir da geometria de construção computacional de objetos tridimensionais, herança das infindáveis horas que passei diante da máquina criando animações gráficas para televisão. Todo o processo de criação é desenvolvido com auxílio de programas digitais e construído por máquinas também operadas por computador, capazes de cortar, furar e dobrar o metal a partir das instruções do meu computador, sem interferência do ser humano. As obras são destinadas ao espaço público, onde as pessoas podem olhar e interagir livremente, sem ter que submeter-se ao formalismo das salas de exposição. D. Rosa

43


Deborah Engel Em minha pesquisa eu me interesso por questões filosóficas relativas ao espaço e ao tempo. A minha ferramenta para esta narrativa é a fotografia expandida aliada ao vídeo e instalações. “Loco in Loco - Parque Lage 2”  é o desdobramento de uma pesquisa em que perspectivas vertiginosas são formadas a partir de colagens que sugerem uma nova dimensão: uma dimensão instintiva, poética, cujo movimento fica por conta do olho que a vê. Em 2010, publiquei o livro de artista “OLHO NO OLHO”, editado por Andre Lenz. D. Engel

44

45


FELIPE SEIXAS Trabalho principalmente com esculturas. Utilizo como suporte diversos tipos de materiais, grande parte presente direta ou indiretamente no contexto urbano, empregando-os em uma relação construtiva de exploração da forma. Apropriando-me das propriedades desses materiais, combino-os em situações que os retiram da sua função comum e os colocam em uma situação de sinergia, relacionando-se entre si e garantindo uma existência a parte da usabilidade do material. Tenho a intenção de que o espectador trace suas próprias relações com cada material. Construo formas a partir de peças modulares, avulsas e fragmentos de materiais. Em determinadas situações tenho a intenção de discutir relações entre conceitos teoricamente opostos, como a relação entre perene - efêmero e material – imaterial. Dentro de alguns trabalhos é possível enxergar explorações de conceitos como espacialidade, movimento e tempo. F. S. Coelho

Fotos: Felipe Seixas

47


FERNANDA PACCA Fernanda Pacca é impulsionada pelo prazer de elaborar obras a partir da matéria improvável, gerada pela grande oferta de materiais produzidos pela indústria do consumo. Ela transita em ambientes pouco comuns no momento em que decide criar uma obra de arte. Em lojas de materiais de construção ou armarinhos, é possível encontrar farta matériaprima para o seu complexo “bordado” de invenções. Muitas delas funcionam como um tipo de retícula que estimula um close-up na hora de ver, para perceber a força do micro e do macro no olhar. Fernanda Pacca se diverte com as inesgotáveis possibilidades de inventar algo novo a cada obra. M. F. Pacca

48

49


JÉSSICA PAIVA O experimento acerca da poética da terra, que a obra Êxodo Ancestral evoca participando desta Bienal, faz parte de uma investigação que reúne um conjunto de ações e produções com o elemento TERRA intitulada de A poética da Varginagem, existente desde 2013. Atualmente, paralela à esta pesquisa, trabalha com projetos de intervenções, pinturas, fotografias e desenhos autorais que frequentemente publica nas redes sociais, sob os codinomes Coletivo Dois & Meio e Rosamarela.  Nesta Bienal a obra é uma escultura intitulada Êxodo Ancestral, cujo principal material utilizado para construila foi terra. Neste sentido, a Terra é contextualizada com validade e finalidade poética. Um tipo de terra curada e manipulada para que ela se tornasse uma matéria escultórica maleável, resistente e moldável. J. Paiva

51


Leandro Gabriel A humanidade se defronta com dois mistérios. O primeiro é a capacidade de inventar seres, entidades com vida própria, de origem razoavelmente desconhecida, que nos abrem o horizonte para uma realidade última e alargam o nosso conceito de real. Estes seres tem o nome de formas e estão abrigados numa vaga entidade conceitual chamada arte. O segundo mistério é o amor, mais significativo do que o nascimento e a morte. No campo da arte, dos artistas e da criação de formas, estes dois mistérios, a invenção e o amor, podem andar juntos. É o caso do escultor Leandro Gabriel. Jacob Klintowitz

52

53


Livia LIMP Tem como principal linha de pesquisa artística o corpo, em suas dimensões materiais e subjetivas, e elegeu, principalmente, a dimensão da vestimenta e seus apetrechos como via para uma reflexão crítica sobre as possíveis representações que o mesmo pode desempenhar socialmente. Agora ela está toda igual a si mesma é um trabalho escultórico formalizado pela junção de elementos presentes em diversas instâncias do cotidiano, para abordar o tempo em sua dimensão subjetiva da interioridade humana. Estruturada a partir de uma antiga caixa de madeira, coloca em relação duas mãos de um mesmo manequim - conectadas fragilmente por um longo fio de linha – que se encontram pelo reflexo de iguais, unindo o que aparenta estar em estado de separação. Em sua verticalidade atinge um tempo que o relógio não mais registra, mas congela em permanente Presença. L. M. da Silva

54

55


LUIZ MARTINS De raízes mineiras o artista visual Luiz Martins extrai o seu experimento estético que alcança através das artes a linguagem universal. Suportado pela práxis de lidar com matérias orgânicas e aproximá-las de suportes impressos, utiliza como insumo a escrita, que através da impressão gráfica tece um novo relevo. Assim, o artista se apropria do domínio técnico para através de contínuas interferências físicas transformar a matéria em sua obra, com maestria e poesia. Assim, amparado por Horácio, que, na sua Arte Poética escreveu a expressão “ut pictura poesis”, traduzida “como a pintura, a poesia é”, defendo os trabalhos de Luiz Martins, como poesia visual. Roberto Bertani

Fotos: Duda Covett

57


MARCIO GARCIA Caminha pelo mundo brincando com o que a criatividade lhe concede, tentando falar através de sua arte de tudo o que lhe atravessa… Restos numa lata de lixo, um livro abandonado viram um ser poético que caminha de coração aberto… A história do seu avô caiçara que se materializa em uma pequena árvore de espirais feita do orgânico para não esquecermos de nossa condição… A pintura, a gravura e o desenho que são as vezes as palavras de um diário íntimo de alguém olhando para o mundo… o relendo Goya conta a tragédia da chacina da Candelária em crayon… a pintura foi seu primeiro instrumento, mas todas as linguagens da arte são possíveis para suas ideias… M. G. Oliveira

58

59


RICK RODRIGUES São recorrentes nas minhas séries, desenhos inseridos sobre relevos, resultantes da fricção paciente sobre o verso do papel recorrendo simplesmente a uma caneta esferográfica que quebra as fibras do papel. Resultam dessa ação, elementos abstratos, de aparência rugosa, que ativam a imaginação remetendo a nuvens, formações rochosas, ao movimento das marés, ao rodopio de um furacão, entre outras imagens. É sobre os relevos do anverso do papel, que ocupam apenas uma parcela desse campo branco, que eu insiro os desenhos de pequenos objetos, cujos motivos parecem familiares à primeira vista: camas, cadeiras, mesas, armários, baús, gramofones, sofás, escadas, barcos, casas, caixas... Para elaborar tais desenhos recorro apenas ao uso de uma lapiseira e grafites coloridos 0.5 mm, com os quais obtenho sutis gradações de azul ou vermelho. R. A. Rodrigues

60

Fotos: Luis Paulo Júnior

61


SANAGÊ Sinto-me um abnegado e totalmente dedicado ao que faço, buscando sistematicamente uma coerência e sincronismo com a linguagem neoconcretista para fortalecer uma discussão sensata em torno do que desenvolvo no momento. Busco levar meu trabalho para uma área onde a escultura possa ser vista com grande importância no entendimento das artes plásticas, por entender certa marginalização na sua aceitação, é preciso que se entenda sua relevância dentro de qualquer contexto que se argumente. Ao pretender fazer minha parte bem feita e com dedicação estará sendo dada modesta contribuição no complexo cenário da linguagem escultórica. a escultura em suas variantes estéticas contribui significativamente no processo e nas linguagens conceituais. S. Cardoso

62

63


AKIMI WATANABE Minha linguagem essencial é o desenho, mas também trabalho com pintura, estamparia e colagem. Vigora em minhas obras as cores luminosas e vibrantes na qual exploro as formas sinuosas da flora e submerjo na mítica fauna marinha. Ao ritmo dos traços leves e delicados, intercalo traços fortes cujo alvo é celebrar os arabescos, os motivos ornamentais e decorativos para provocar visão livre, imaginação e interpretação única de cada observador.   A. Watanabe

66

67


ALEXANDER LOBAINA Em sentido geral meu discurso aborda o tema do poder, ou seja, as relações de poder de todo tipo (sociais, econômicas, tecnológicas, sexuais – a sexualidade é uma das formas pelas quais o poder penetra nos corpos, nos dizia Michel Foucault) que se estabelecem entre os seres humanos desde sua total nudez, que não impede, mais adiante de algum atributo de poder que podem carregar: pistola, chapéu, penacho ou cachimbo do chefe índio, etc. Este esquema de dominação-submissão se resolve a partir da sedução que o poder mesmo exerce mediante a imagem. A. L. Jimenez

68

69


ALEXSANDRO DE BRITO ALMEIDA A cultura popular, mitos, folclore, histórias em quadrinhos, crenças e o artesanato sempre estiveram presentes em minhas ilustrações e trabalhos gráficos, seja por meio das cores, das formas, da composição, do tema abordado ou dos materiais utilizados. Meu trabalho é fortemente marcado por cores chapadas e vivas e contrastes entre cores quentes e frias, primárias e complementares na representação de elementos culturais brasileiros, principalmente interioranos, como colchas de retalho e santos, realizados com traços que fluem entre os traços marcantes da gravura e dos quadrinhos, perpassando a arte naif, a ilustração e o pop. A. B. Almeida

70

71


Ana Serafin A linha como um movimento de transformação. Em meu trabalho a linha aparece desde o início de minha trajetória. A linha provoca os sentidos e através da forma construímos o novo e a partir do olhar materializamos o que sentimos no suporte. Eu me preocupo com as relações que a pintura faz com a luz, sombra e contrastes, criando planos de nuances. O que me move a pintar é o olhar, nesse momento a contemplação me move a um olhar de construção visual. O artista é movido por um olhar constante enquanto está criando sua pintura. A. M. Serafin

72

73


ANTONIO CARLOS ELIAS Como artista atuo em diversa áreas visuais como pintura, escultura, desenho, instalação, objetos e intervenção urbana. O tema recorrente em meu trabalho é o corpo. Uso de muita ironia em minhas obras. A minha arte reflete a minha vida, o meio em que vivo e as minhas experiências pessoais. Eu me utilizo de materiais os mais inusitados possíveis, como cera de utilidade de uso odontológico, dentes artificiais de resina acrílica e outros devido a minha formação acadêmica na área de saúde. Atualmente tenho explorado o tema da finitude humana e a razão da existência humana. A. C. Elias

74

75


Oscar Araripe Minhas flores são flores que não são flores, em vasos que não são vasos, sobre toalhas que não são toalhas. Às vezes são visitadas por borboletas, que nem são borboletas. Amo a linha, a sabedoria da mão, a exatidão do traço, o discernimento, a definição. Amo as coisas claras, e separo as cores das tintas. Creio que a arte faz a vida e a vida as cores. Sem vida não é cor; é tinta. Cores, tintas... Umas não existem, outras não valem nada. Como a Arte faz a vida? – eis a nossa questão. Creio ser a Arte anterior à própria vida. Eu pinto para que tudo vire pintura. Creio que revolução em Pintura é pintar um novo jarro de flores, nada mais do que isto. A Liberdade é uma questão estética, não existe beleza na miséria. Toda flor é bela. Todo belo é livre. Eu pinto flores para viver de cores e morrer alegre. O. Araripe

76

77


CLAUDIO BOCZON Iniciei minha pesquisa artística e plástica em 1998 no Ateliê de Pintura do Museu Alfredo Andersen, sob orientação de Ronald Yves Simon; também frequentei oficinas e workshops de pintura, gravura e fotografia com Leda Catunda, Dulce Osinski, Geraldo Leão, Eliane Prolik, Dudi Maia Rosa, Patrícia Canetti e Lya Uba. Transito entre a pintura, a gravura e a fotografia, minha linguagem pictórica se utiliza da sobreposição, do ocultamento e da revelação, do reaproveitamento e ressignificação de materiais e poéticas. C. Boczon

78

79


CLAUDIO HIDEKI MATSUNO Nasceu em São Paulo, SP, 1971. Licenciado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo em 1995. A partir de 1996 começa a participar de exposições coletivas e individuais, salões de arte sendo premiado em Ribeirão Preto, Amapá, Piracicaba, Santos, Campinas, Ceará entre outros, além de participar de editais na capital paulistana como a Temporada de Projetos do Paço das Artes e do Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo. Matsuno tem obras em importantes acervos de museus como nas coleções de Gilberto Chateaubriand no MAM do Rio de Janeiro, MASC de Santa Catarina, MAC de Campinas e demais instituições. Realizou sua mais recente individual este ano na Galeria Virgílio, em São Paulo. C. H. Matsuno

80

81


Clóvis Júnior No ano de 2016, completei 33 anos de carreira artística, contando no meu currículo com várias exposições individuais no Brasil, com mais de 30 exposições internacionais e mais de 50 exposições coletivas. Dentre elas participações na Bienal Naifs do Brasil, em São Paulo; Exposição Bikoo-kem (Eco 92), no Rio de Janeiro. De 1983 até hoje, somei em meu currículo uma lista de exposições no estado, no Brasil e no mundo, destacando-se trabalhos realizados na Flórida, Nova York, Londres, Milão, Washington, Ovar (Portugal), Paris, Buenos Aires, exposição Internacional de Cartazes Contra o Racismo, na Alemanha, quadro permanente no museu de futebol no Qatar, no congresso nacional do Brasil, entre muitas outros. Nasci na cidade de Guarabira na Paraíba, radicado em João Pessoa, aonde vim morar desde os 17 anos de idade. São participações que marcaram e vêm marcando fundamentalmente a minha carreira de artista. Da Paraíba para o mundo. C. D. Júnior

82

83


Corina Ishikura O meu processo de criação ocorre de forma intuitiva aonde as tintas tratadas, com encáustica fria, vão se sobrepondo nos vazios da tela em diferentes camadas de cores, de acordo com o seu momento e no tempo adequado. Em um instante seguinte esse universo busca materialização através do processo da extração das cores e de descobertas, onde tudo se projeta como imagens ou pensamentos que flutuam e tendem a se dissipar, como algo que não pode ser apreendido. A abordagem artística se desenvolve através das infinitas possibilidades de rupturas culturais e temporais permitindo um descolamento de ideias, formas e movimentos para uma dimensão onde questões universais se manifestam em linguagem filosófica e metafísica.  C. Ishikura

84

85


CRISTIANI PAPINI Interesso-me pelas linguagens da arte em geral, transito por várias técnicas, no entanto tenho a pintura como pensamento principal. As questões fundamentais tratadas em meu trabalho nos últimos dois anos, são o caminho, o tempo e a pintura. Numa era marcada pelo virtual, tornar as imagens em matériaobjeto por meio da pintura é também reviver o instante já obsoleto e efêmero. Assim desenvolvo uma tentativa de rememoração e fixação do tempo, tendo como elemento referencial e simbólico caminhos, estradas e passagens registradas por meio de fotografias produzidas em viagens. C.Papini

86

87


DEBORA CENSI Trabalho em linguagens bidimensionais como desenho, pintura, gravura em metal e imagens fotográficas. Participei de várias exposições no Brasil (São Paulo, Minas Gerais, Amapá, etc.) e exterior (Itália e Romênia). O trabalho apresentado é parte de uma pesquisa na técnica da pintura a óleo, mas tendo como suporte o papel (próprio para essa técnica) iniciada há 2 anos. São construções de formas, planos e cores, pensando a transparência das mesmas em relação a outras através de sobreposições e adição de camadas. O processo se dá plano por plano, aguardando-se a secagem da tinta para que não haja mistura de cores. Em alguns trabalhos, utilizo (como no apresentado) a ponta seca para a feitura de linhas, retirando tinta e assim mostrando a cor da camada abaixo. D. Censi

89


Denis Cavalcanti Ao deparar-se com uma nova realidade global, moldada pela programação gráfica, estas experimentações acabaram por formar o que é hoje a base de seu trabalho e a definir o seu total comprometimento com a abstração geométrica. Com a cumplicidade dos elementos geométricos e inspirado pela infinitas possibilidades estéticas no uso da cor e da forma, lança mão de recursos que induzem o olhar a abstrair dos limites do suporte material, criando obras marcadas por tramas óticas que o levam a superar as tradicionais perspectivas aérea e linear. D. Cavalcanti

90

91


Fábio Pedrosa Em 2015 desenvolvi a série “BSB”, um registro de cenas cotidianas de Brasília, Distrito Federal. O foco é a relação habitante-cidade, quase uma narrativa da vida na capital do Brasil. Atualmente me dedico à pesquisa de novos caminhos e linguagens para a minha pintura, com a experimentação de uma nova paleta de cores e o desenvolvimento de duas linhas simultâneas de pesquisa.  Uma delas é a representada nesta I Bienal Sesc-DF, com abstrações em meio a cenas figurativas, quase como intervenções mágicas dentro da cena.  F. Pedrosa

92

93


FEFE TALAVERA As pinturas de monstros de Fefe Talavera, são metáforas de emoções fortes do subconsciente humano, como raiva, medo, sonhos ou desejos. Os animais fantásticos e coloridos com os quais ela se conecta com o “lado negro” do seu eu interior, representam as raízes culturais da artista, bem como a energia primária e poderosa de seu trabalho executado nas ruas de várias cidades em todo mundo. Nascida em 1979, Fefe foi criada em um meio nativo do México, e, no Brasil, na cidade de São Paulo, onde vive até hoje, além de uma segunda casa em Madrí, Espanha. Interessada em todos os tipos de movimentos “underground”, a típica e única liberdade estilística da street art, de renome internacional e o graffiti, cena de sua cidade natal, acabaram por criar uma impressão importante sobre a artista. F. Talavera

94

95


FRANCISCO GARCIA GONZALES No meu trabalho, desde o início, sempre existiu uma forte tendência ao figurativismo e, no começo da década de oitenta com o aprimoramento da técnica, cheguei ao que rotulamos de hiper-realismo, este procedimento porém, me serviu apenas como meio de expressão, pois em minha obra a estrutura, a elaboração e a veiculação de um conteúdo onírico, quase metafísico, me credencia a outros caminhos. F. Gonzales

97


Roberto Kenji Fukuda Abstração Inspiração ao abstrato chega à satisfação com muita experiência adquirida com dedicação ao figurativismo. Experiência é fundamental para se satisfazer da inspiração necessária. Ao complementar a arte abstrata: equilibrio das formas e harmonia das cores. A maior demostração do abstracionismo é a sensibilidade. Objetivo do artista plástico abstracionista é alcançar sua realização com grandes projetos que simbolizam uma nova era das artes plásticas. R. K. Fukuda

98

99


HILDA MOURA A experiência com a cerâmica modificou o meu jeito de perceber a pintura, revelando a importância da experimentação e da busca por novos materiais. As pinturas iniciais utilizavam colagem de tecidos e papéis sobre tela ou madeira. Atualmente, desenvolvo técnicas mistas com o uso de óleos e ceras em suas novas séries. Em minhas pinturas, os objetos são dotados de um forte significado simbólico: eles expressam sentimentos, revelam o silêncio e o distanciamento existentes nas relações humanas. Meu trabalho dialoga com o mundo fascinante das fábulas, profundamente tocado pelos contos de Grimm e pelas encantadoras imagens de Chagall. As “pinturas escultóricas” de Modigliani e o mundo onírico de Redon são outras de minhas referências. H. Moura

100

101


HOSANA BEZERRA Contemplar e observar as obras de outros artistas motivou Hosana a começar a fazer experiências com diversos materiais e tintas. A arquitetura de Brasília foi sua grande inspiração, como ele sempre declara. Hosana, migrante de Recife, na década de 80, em busca de uma vida melhor, ficou encantado com a monumentalidade e a geometria da cidade. Brasília representou para o artista a aurora da nova vida. A simetria da arquitetura e a cor vibrante da sua Recife de origem foram o bastante para Hosana criar formas picturais inovadoras, espontâneas e livres e, na sua simplicidade, obter um lugar expressivo entre os artistas ingênuos do país. Jacob Klintowitz

103


Inos Corradin Para o artista Inos Corradin todas as coisas são elas mesmas e símbolos. Os seus assuntos são a figura humana, os ilusionistas, os palhaços e as paisagens. E com estes assuntos cotidianos, Inos Corradin conta a vida dos homens e de seu desejo de amor, de alegria e de paz. E de sua vontade de transcender, de ser um só com o universo, de ser, ao mesmo tempo, feliz e sagrado. Jacob Klintowitz

104

105


José Ivan Santos Eu José Ivan Santos, 37 anos, nascido em Nossa Senhora das Dores/SE, residente em Brasília/DF a 16 anos, formado em filosofia pela Universidade Católica de Brasília, desenho e pinto desde criança. O ato de criar ou reproduzir formas e volumes dos seres/entes existentes no mundo ou imaginados por meio de linhas e cores é para mim quase um processo mágico que se entrelaça com o sentido de mistério que habita a condição humana. A plasticidade como via de comunicação e partilha de sentimentos com o mundo e com outros indivíduos é o que me encanta na arte e o lado prazeroso de fazê-lo. Desse modo, o fazer artístico como espaço para o diálogo e fruição estética por meio da imagem é a minha busca como individuo que senti a macha inexorável da vida que flui misteriosamente. J. I. Santos

106

107


JOSÉ BRANDÃO Nasci em Barra do Piraí – RJ , autodidata, iniciei meus estudos no ateliê do artista holandês Joseph Maria Van der Wiel, em Mogi das Cruzes, em 1993. Estudei por pouco tempo, mas o suficiente para me garantir algumas técnicas. Os avanços em minhas criações geraram uma série denominada “Máquina dos Sonhos”, em 2007, e de lá para cá, minhas criações foram tomando diversas formas. As características de minhas criações levam recorrências artísticas, e minhas tendências me levaram a criar séries de obras com características peculiares e com similaridades. Em minhas obras percorro caminhos num diálogo interno entre reflexão, análise e imaginação com o objetivo de provocar representações múltiplas de um mundo multicolorido. J. G. S. Brandão

108

109


M. CAVALCANTI M. Cavalcanti caminha pela selva urbana com o olhar curioso e investigativo do artista. Como um cientista, ele delimita campos de ação, desenvolve teorias, pesquisa espaços e formas, seleciona elementos de análise a fim de dissecar e estruturar características específicas do objeto em questão. Como criança, ele examina cada canto, cada objeto com a curiosidade do olhar revelador, da descoberta encantada de uma verdade que se desnuda quando se tem a mente, os olhos e o coração abertos para o inusitado e o surpreendente. O artista vê na urbe uma floresta repleta de histórias. Cada muro da cidade revela uma profusão de cores, formas e matérias numa curiosa simbiose entre a ação humana e o acaso, permeadas pela implacável ação do tempo. São impressões, mapas, registros, mantos, sudários que fazem de cada superfície pintada uma espécie de palimpsesto contemporâneo. Marcus de Lontra Costa

110

111


MARCELO JORGE Eu nunca me preocupei com o que estava em voga em termos de técnicas, temáticas e linguagens, mas, sim, com aquilo que despertava com mais força meu lado emocional. Em razão disso, eu investi boa parte desse período (e assim sigo até hoje) na busca de desenvolver habilidades e de adquirir conhecimento em diversos campos, ao invés de tentar “fabricar” uma linguagem individual, o que me parece um esforço inútil, já que isso não pode ser manufaturado. Minha pesquisa está num ponto em que eu busco, primordialmente, provocar uma resposta emocional no observador. A resposta racional vem em segundo lugar e está subordinada à primeira, até em termos de eficácia. Por isso, a compreensão dos aspectos técnicos e formais da pintura a óleo é tão importante no trabalho desenvolvido. M. Jorge

113


MARCELO LINS Um itinerário: lançar mão de sedimentos na colheita e fazer surgir algum fenômeno enquanto fazer de arte. Se assim puder ser, há de se considerar que um acontecimento de pintura venha se arranjar à maneira de uma ambiência contígua ao solo, sensível de uma aparência da natureza. Neste andamento, caberia contar algo entre a partida e a vinda de um silêncio expressivo, de uma locução petrificada envolta à imagem do atrito: primeiro pela resistência do suporte que solicita a carga dos gestos, dos sulcos, das raspas de fundo; e segundo, na conjugação do desterro enquanto vereda pictórica. De toda a forma, quanto a abarcar tal acontecimento mediante uma derivação terrena, ou equivalente procedimento de pintura que se re(colha), o que se deseja é sugerir endereçamentos de camada em camada. Em tal revolvimento se encontra o tempo de procura nas manhãs, bem como os sedimentos e objetos que retornam e refulgem conforme a perda de um domínio. M. Lins

114

115


Maria José Porto A pintura de Maria José Porto nos conduz a um mundo de infinita contemplação. O universo mágico do ambiente marinho remete o observador às lembranças uterinas, transmitindo através de seus azuis, a paz que carregamos em nossa própria essência. Um estado de espírito que contracena com uma personalidade inquieta e festiva. A observação de suas obras imprime em nossas mentes uma sensação de reencontro. Você olha e quer ver. Os detalhes e a suavidade de seus traços são precisos e belos. Reginaldo Marinho

117


MARIO HENRIQUE A pintura é roubo. Um furto à realidade. Uma reinterpretação racional da luz. Uma recorrência ao passado com influência da imaginação. O trabalho do pintor é editar esta informação, discriminar. A parte simboliza o todo, que nunca é conclusivo. A pintura não tem alma, mas promove sinergias entre o pintor e o observador. Um diálogo silencioso que torna a arte possível. M. H. T. Silva

118

119


Marysia Portinari Geometria. O aspecto oculto da obra de Marysia Portinari, entreaberto aqui e ali, raramente explicito, é a geometria, a pura geometria. Pouco vista e partilhada pelo público, afastado das luzes, permanece quase um exercício particular, como uma organização secreta que a artista exercita para fruir das relações entre partes e da simetria, exaltar o cromatismo, experimentar o pensamento abstrato, não objetivo e despojado. O poeta Manuel Bandeira escreveu em 1964: Marysia é uma aurora, e pinta com as cores da aurora. Jacob Klintowitz

120

121


MAURO SILPER Autodefinir é estranho... Obras falam por si. Falam da simplicidade formal das linhas verticais que podem estar associadas simbolicamente à espiritualidade ou as horizontais, uma aproximação à natureza, à territorialidade. Também falam da sobriedade das texturas, dos planos abundantes da composição, dos espaços de descanso visual, que talvez sejam um protesto silencioso contra todo esse alvoroço urbanocêntrico. Dizem do ser humano, a ressignificar percepções, no tempo e no espaço. Faço hoje o que me é comum, navego em mares que me são íntimos, onde me sinto à vontade. Da Série Neourbano, Downtown é cidade imaginária que parece tão próxima do cotidiano. Ela pede paciência, pede um vislumbre pausado em cada detalhe, tentando descobrir onde me situo, pede sensibilidade para cada passagem de um tom para o sobretom. Pede carícia no olhar! M. Silper

122

123


NELSON SCRENCI A minha pintura compõe-se a partir da articulação de imagens retiradas da memória pessoal, da história da arte ou de situações do cotidiano que remetem à cultura de massa. Utilizando-me de recursos compositivos tais como a multiplicação de imagens ou a analogia entre obras históricas, proponho um exercício criativo e poético com a intenção de provocar no espectador o questionamento da condição humana diante da realidade contemporânea. N. Screnci

124

125


PATRICIA CALISTO Minha obra é composta por pinturas de grande formato, esculturas e desenhos, onde a figura humana é projetada em cenários de crises individuais e sociais. Combino observação social e paixão pelas belas artes para abordar os mais variados temas sociais, sempre com enfoque marcadamente crítico. Ao longo de minha carreira artística, tenho abordado diferentes facetas sociais e seu impacto nos indivíduos, assim como tenho explorado distintas formas de expressão artística acompanhadas da busca incessante de aprimoramento profissional. Havendo tido a oportunidade de viver em diversos países, pude desenvolver uma visão humanista global o que me permite tratar em minhas obras as crises emocionais contemporâneas. Frustração, desencanto, conformismo e indiferença são sentimentos constantes nas minhas obras. P. Calisto

126

127


RICARDO LARANGEIRA Em meu trabalho demonstro o interesse em expor o irreal ou o estranho como algo cotidiano e comum, e vice-versa. Existem preocupações quanto a uma visão estética da vida que não excluem a experiência do real. Em geral meus trabalhos são elaborados em técnica mista sobre lona, com sobreposições de camadas e apagamentos. Artista visual e arquiteto vivo e trabalho no Rio de Janeiro. Na Escola de Artes Visuais do Parque Lage participei de diversos ateliês e grupos de estudo. Integro o grupo de artistas do Casa Alta Ateliê. R. A. Larangeira

128

129


RICARDO RAMOS Ricardo tem seu foco de pesquisa na pintura e no desenho: “embora eu não saiba bem onde começa uma e entra a outra, tem pintura desenhada e desenho pintado, depende o ângulo.” Ainda que seu suporte de preferência seja a lona, esta não se limitará ao chassi. Poderá vir em forma de estandarte, livro de artista ou uma bolsa conceitual. Tinta a óleo, sua dileta, pelas inúmeras possibilidades e transparências: “sou um aleijo pra tinta acrílica”. A relação intertextual que estabelece com universo da arte é uma das forças da sua expressão. Explorar imagens icônicas da história da arte para recontextualizá-la. Simone Curi

130

131


Sandra Lapage Loucura | bricolage,,, subconsciente | impureza, incerto | invenção irracional | incoerência, orgânico | cacofonia, coleção (de) | excessos reconhecer sem entender | significado material, insubordinação | acumulação, não-linear | dissonância, efêmero | femininidade.  Eu respondo ao, e desenho no espaço em um processo subconsciente, de bricolagens incertas. Trata-se de uma acumulação não-linear, uma cacofonia orgânica que gradualmente constrói reconhecimento além do entendimento. Este processo extrai significado da materialidade. Minhas assemblagens, muitas vezes efêmeras, emanam um universo feminino onde criatividade se equipara a beleza na loucura. S. Lapage

132

133


Sandro Corradin Descrição. Relação que existe entre artes visuais e configuração urbana espacial, artes plásticas como princípio, método, laboratório. Vista aérea, mapas, cidades, caminhos. Representação gráfica, símbolos. Jogo de volumes, elementos arquitetônicos. Arte em Brasília. Brasília Azul. S. Corradin

134

135


Stella Martinez Nasceu na cidade de Treinta y Tres, Uruguai, onde se graduou pela Universidade da Republica. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.  Artista plastica, entra em contato com a pintura em 2006 na cidade de Caracas, Venezuela.  Em 2008 ingressa na Escola de Artes Visuais, Parque Lage (RJ) participando desde então de cursos de Pintura e Teorias da Arte. O ponto de partida de seu trabalho são cenas do cotidiano onde a pintura entra para apagar seletivamente os indícios que nos facilitariam o reconhecimento pleno do que de fato estamos vendo, nos propondo entrar num mundo silencioso e enigmático.  S. Martinez

137


SYLVANA LOBO A sensação e as palavras são vazio, silêncio e solidão. Desde 2002, participa de exposições individuais e coletivas com trabalhos nas linguagens de pintura, fotografia e objeto. Suas obras iniciais exploraram a poética de gênero. Mesmo sem abandoná-la, nos últimos anos tem se dedicado também a investigação da paisagem como uma metáfora do vazio, do silêncio e quiçá da solidão. S. Lobo

138

139


Tarciso Viriato Neste bric-a-brac de cores, emerge a proposta transvanguardista de fazer dos riscos, dos grafites e do caos, o meu carnaval particular, quando o projeto de pintar várias telas numa só ganha complexidade, aprofundando o jogo de sedução com o colorismo. Neste momento, o construtivista se desconstrói, embora os meus desafios diante da tela branca sejam matematicamente pensados, mas sujeitos a imprecisões no curso do trabalho, onde residem as grandes descobertas. Cores geram formas e delas surgem esse requinte inusitado que sequestra o olhar do fruidor. T. Viriato

140

141


Tássia Sardão Venho trabalhando de forma alegórica sobre possíveis questionamentos que envolvem o ritual e a memória na vida cotidiana e de como estes conteúdos e a formação cultural se relacionam com a preparação do ser para a morte. A interligação entre a vida e a morte é demonstrada na manifestação da figura feminina como uma espécie de divindade, que incorpora múltiplos sentidos à sua esfera de poder, interpretada através da autonomia, sensualidade e força. Ao mesmo tempo, procuro refletir sobre as incertezas e as fraquezas que se sente diante da própria vida. A poética compreende uma espécie de preparação espiritual e corporal. T. Sardão

142

143


Tati Egual Meu nome é Tati Egual, nasci com Síndrome de Down e tenho 26 anos. Sou apaixonada por cores, gosto de mesclar, criar novos tons e desde muito pequena sonhei em ser Pintora. Pinto telas desde 2005, prefiro a Arte Abstrata onde a sensação de liberdade me inspira, demonstrando o que está dentro de mim que não consigo transmitir com palavras, meus trabalhos têm os sentimentos que trago no mais íntimo do coração. Pintando sou real, extravaso a minha verdade. Pinto de forma muito espontânea; utilizo técnica aguada e as cores se misturam. No momento da criação deixo fluir e busco formar uma mensagem, uma estória passeando entre realidade e fantasia. Isto me encanta. T. C. Egual

144

145


VASCONCELLOS É comum aproximar a obra do pintor mineiro José Vasconcellos do realismo fantástico uma vez que a sua produção coincidiu no tempo com o interesse e o reconhecimento internacional pela literatura latino-americana fundada na criação de textos com elementos irracionais, mágicos, fantásticos, inconscientes. Ao final, todas estes elementos são semelhantes, pois se trata do reconhecimento de que o inconsciente humano tem uma linguagem não racional e de que o universo é mais complexo e fascinante em suas relações do que se imaginava. Vasconcellos tem uma linguagem emanada em boa parte do fluxo inconsciente que ele conduz e elabora com sabedoria e conhecimento do ofício. O pintor Vasconcellos é surrealista, fantástico, poético. Mora a muitos anos na Dinamarca, onde tem forte atuação cultural. J. M. Vasconcellos

146

147


WILLIAM ZARELLA Desenvolvo trabalhos de pintura, escultura e instalação. No campo da pintura e da escultura desenvolvo trabalhos focados na captura de paisagens imaginárias e da imensidão. Venho utilizando como matéria prima a cera de parafina, explorando os limites físicos e químicos de um material  extremamente arredio aos processos de acabamento e montagem.  Minha pesquisa atual consiste na reflexão sobre a captura de imensidões inventadas com o intuito de provocar fragmentos emotivos dentro de paisagens abstratas.  A partir da relação entre o homem e a paisagem, procuro investigar o momento em que a contemplação da imensidão se transforma em chave para a divagação e o devaneio: quando todos os limites deixam de existir e de alguma maneira, emerge uma conexão entre a imensidão exterior e a interior.  W. Zarella

148

149


Bienal das Artes do Sesc-DF - Edição 2016 Realização: Serviço Social do Comercio Administração Regional no Distrito Federal - Sesc-DF Adelmir Santana Presidente do Conselho Regional José Roberto Sfair Macedo Diretor Regional Guilherme Reinecken de Araújo Chefe de Divisão de Desenvolvimento Humano Casimiro Pedro da Silva Neto Assessor da Direção Regional Coordenação: Casimiro Pedro da Silva Neto Juliana Caldeira Sichieri Valadares Comissão Curadora: Jacob Klintowitz - Coordenador Mauricio da Silva Mata Rinaldo Façanha Morelli Projeto Gráfico e Arte Final: Jacob Klintowitz Jairo Souza Fotógrafo: Allan Santos Colaborador: José Umberto de Almeida Impressão Gráfica: Gráfica Cidade


Bienal Sesc das Distrito Federal Artes

Catálogo Sesc 2016  

I Bienal das Artes Sesc

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you