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TEXTO A LITERATURA NA MÚSICA DE DAVID BOWIE

NURSERY RHYMES E1 A CULTURA POP

TOM JOBIM E A POESIA


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SUMÁRIO

RECEPÇÃO

À QUEM INTERESSAR

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MÚSICA

TOM JOBIM E A POESIA

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CAPA

A LITERATURA NA MÚSICA DE DAVID BOWIE

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#OPINIÃO

SEJAMOS TODOS MONICA GELLER

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RECEPÇÃO

À QUEM INTERESSAR

Ela, a“COM TEXTO”, surgiu para reunir artigos sobre cultura em toda a sua amplitude. Sendo independente, ela é produzida pela guia de turismo e also designer, Juliana Fiúza, com artigos escritos por ela, e que agora, vos fala na terceira pessoa. Os artigos são escritos através de pesquisa e se comprometem muito em contribuir para o repertório cultural, além de ajudar a “puxar aquele papo” na mesa de bar com os amigos. Literatura, música, cinema e como todos esses temas se relacionam com a nossa sociedade são o foco dessa revista que se tornará sua melhor best friend no transporte lotado ou quando a internet cai. Sintomas antes de você viver com ela embaixo do braço. Eu sei que você se perguntou o motivo da propaganda do Spotify na revista, já que é indepentende... MAS VOCÊ JÁ ESCUTOU ESSE ÁLBUM DA TAYLOR? 4 4


MÚSICA

TOM JOBIM E A POESIA

O maestro soberano, Tom Jobim, é famoso por suas composições e por levar a música brasileira ao mundo, porém o que passa despercebido, muitas vezes, são as inúmeras poesias que ele musicou ao longo da vida. Filho do literata Jorge Jobim, desde pequeno Tom teve contato com a literatura, pela qual criou um grande amor. Lia muito desde pequeno, sua avó Mimi e seu avô Azor, assim como sua mãe, Nilza, sempre fizeram com que o contato cultural de Tom e Helena, sua irmã, fosse grande. Os saraus na casa da família, eram recorrentes, os tios, Marcelo e João, tocavam violão, a mãe cantava, a avó e as crianças recitavam poesias...e assim ele cresceu. Ao iniciar profissionalmente na música, trabalhou com o poeta Vinicius de Moraes, um dos maiores nomes da poesia brasileira, mas não foi só com o poetinha que se aliou poesia e música. Em Soneto de Separação, há a leitura de Vinicius de sua composição, enquanto Tom, segue no tema com sua voz e a melodia econômica das notas de seu piano. No poema onde a antítese dos versos revela a mudança repentina e bruta de uma relação amorosa. Escrito na ocasião em que Vinicius teve que se mudar para a Inglaterra, em 1938.

1- Tom e Vinicius ao piano 2- Manuel Bandeira, Chico Buarque e Tom Jobim 3- Tom com um disco do Villa-Lobos Fotos: Acervo Antonio Carlos Jobim

No último disco de Tom Jobim, Antonio Brasileiro, que lhe rendeu ao maestro um Grammy póstumo, há o poema Trem de Ferro, de Manuel Bandeira, que foi publicado em Estrela da Manhã, interpretado em um diálogo com Trenzinho Caipira de Villa-Lobos. 5

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TOM JOBIM E A POESIA

Foto: Divulgação

MÚSICA

A Música em Pessoa, LP lançado em 1985, com inúmeros cantores e compositores brasileiros interpretando os poemas de Fernando Pessoa. Apesar de seu poeta favorito ser Carlos Drummond de Andrade, à quem não poupou elogios durante a vida, o poeta que mais passeou pelas canções de Tom foi Fernando Pessoa e seu heterônimo e mestre, Alberto Caeiro. Uma prova disso é que três das quinze faixas do álbum, são da responsabilidade do Tom Jobim. Inicia-se com O Rio da Minha Aldeia, fragmento d’O Guardador de Rebanhos. Mas o poeta por si só, apenas se manifesta em Cavaleiro Monge (Do Vale à Montanha), de 1932, e Autopsicografia, a última faixa do álbum, publicada também em 1932 com lindo arranjo. Em Ensaio Poético de Tom e Ana Jobim, publicado em 1987, há uma reunião das fotografias dela com poemas e letras de canções escritas por Tom. As fotos revelam a intimidade do maestro e como ela se aliava as composições. Ao entrar em contato com sua vida através de biografias e documentários, se torna mais explicito o seu trabalho escrito, muitas vezes ofuscado pela perfeita harmonia da suas músicas e canções. No documentário, A Casa do Tom - Mundo, Monde, Mondo, idealizado por Ana Jobim, o protagonista é o poema chamado Chapadão, do próprio Tom Jobim, que é recitado ao longo do documentário com intercalações de filmes caseiros, falas e fotos. Revelando a magnitude da genialidade de Jobim. Tom foi um artista completo. É, como diziam, o maestro soberano.

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CAPA

A LITERATURA NA MÚSICA DE DAVID BOWIE A imagem acima é de um raro pôster de 1987, de uma campanha publicitária, chamada READ, onde David Bowie, caracterizado como um estudante do colegial, segura um exemplar do livro “O Idiota” de Fiódor Dostoiévski. A intenção da campanha era incentivar a leitura. A foto é de Chalkie Davies, que o fotografou nos anos 70 e 80. Que David Bowie mudou o mundo da música, todos sabem, mas o que não é tão notório, exceto para os fãs de carteirinha, é que o cantor era um leitor ávido. Durante a preparação para a exibição David Bowie Is, o curador, Geoffrey Marsh, afirmou que David lia cerca de um livro por dia. Após a exposição, David, então, resolveu compartilhar com seus fãs a lista “Os 100 Livros Favoritos de David Bowie”, que não está organizada em nenhuma ordem de favoritismo, apenas cronológica. Os livros listados serviram muito mais do que passatempos para o cantor, mas influenciaram sua música e os famosos personagens que criou durante a sua longa carreira. Em termos de inspiração, Laranja Mecânica, sem dúvida nenhuma, desempenhou um papel muito forte na carreira de Bowie. A forma como Alex e seus druguis se vestiam influenciou na criação de Ziggy Stardust, o icônico alienígena andrógeno e rockstar; assim como a maquiagem, ocabelo e os acessórios que são listados no clássico de Burgess. No livro, Alex comenta que os jovens usavam roupas muito apertadas, extravagantes e que os garotos usavam até mesmo maquiagem. 7

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A LITERATURA NA MÚSICA DE DAVID BOWIE

David Bowie, 1972. Fonte: Michael Ochs Archives

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Halloween Jack, “um verdadeiro gato legal” que vive na “Hunger City”, recebeu ainda influência visual de Laranja Mecânica, que assim como Ziggy, obteve a ajuda criativa de Kansai Yamamoto, o homem que criou os emblemáticos nove figurinos que David usou durante a Ziggy Stardust Tour e Alladin Sane Tour. Halloween Jack que nasceu para o álbum Diamond Dogs, usava lenço de seda no pescoço, tapa-olho e um cabelo “não muito longo”; referências ainda ao vestuário dos malchicks. A mais recente referência à Laranja Mecânica na obra de Bowie, está na música Girl Loves Me, do último álbum do cantor, Blackstar. Na letra,ele mistura de forma genial o nadsat, as gírias que os adolescentes usavam no livro, que foram criadas de uma mistura das gírias da época com o idioma Russo e o -Polari, gírias usadas por adolescentes britânicos nos pubs da década de 70 e 80. Com a “aposentadoria” de Ziggy Stardust em 1973, Halloween Jack surgiu em Diamond Dogs para abrir outra fase da carreira de Bowie, porém, muito se é visto de Ziggy em Jack. Enquanto o visual ainda permanecia de certa forma conectado à Laranja Mecânica, outro clássico literário surgiu como norteador nas faixas do álbum, e é o icônico 1984 de George Orwell. O álbum Diamond Dogs é claramente uma fusão do livro com a visão de Bowie de um mundo glam pós-apocalíptico.

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Bowie durante as gravações de Rebel, Rebel. Fonte: Gijsbert Hanekroot


CAPA

A LITERATURA NA MÚSICA DE DAVID BOWIE

Station to Station Tour, 1976

As canções que fazem parte do álbum, originalmente, eram destinadas à uma adaptação teatral do livro, porém, sem os direitos da obra, o conteúdo acabou entrando no oitavo álbum do cantor. Além da música 1984, Big Brother e We Are The Dead, que compõem o lado B do álbum, se referirem diretamente a obra de Orwell. Num dos álbuns mais aplaudidos de Bowie, Hunky Dory, a canção “Oh! You Pretty Things” contém inúmeras referências ao livro Anthem de Ayn Rand. O livro “Transcendental Magic, Its Doctrine and Ritual” de Eliphas Lévi influenciou as ideias de Telemismo de Aleisteir Crowley, e obviamente, Bowie, que sempre demonstrou interesse particular no famoso ocultista, inclusive dedicando a música Quicksand de Hunky Dory a ele e a Golden Down, ordem na qual Crowley foi membro. O livro de Eliphas também se encontra na lista de Bowie.

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Após a aposentadoria de todas, surgiu The Thin White Duke, uma personificação do expressionismo dos filmes alemães, “um visual em preto e branco, porém com um pouco de agressividade”, em suas palavras, incluindo a arte de Weimar, cidade onde grandes escritores que o interessavam viveram, como Goethe e Nietzche. O White Duke carregava melancolia e obscuridade, além da boêmia incorporada na sonoridade das músicas. Tanto Berlim, quando a própria Alemanha, sempre influenciou Bowie e não é à toa que a Trilogia Berlim – qcomo são conhecidos os três álbuns que lançou enquanto viveu em Berlim: Low, Heroes e Lodger – levam essa alcunha. A fascinação pela Alemanha é de longa data, ele sempre foi apaixonado pela história do país ou romances situados nele, e muitos livros similares estão contidos em sua lista, como Before the Deluge: A Portrait of Berlin in the 1920s de Otto Friedrich e Berlin Alexanderplatz de Alfred Döblin. 9


CAPA

A LITERATURA NA MÚSICA DE DAVID BOWIE

Além dos clássicos da literatura mundial, esoterismo e história, David possuía uma enorme necessidade de entender o ser humano, seu comportamento e sua evolução. Na lista de livros que ele divulgou, podemos notar a presença de títulos curiosos como de On Having No Head: Zen and the Rediscovery of the Obvious de Douglas Harding, em que o autor aborda sua epifania ao caminhar pela Himalaia e descobrir que ele não possuía “cabeça”. Outro título interessante é The Origin of Consciousness in the Breakdown of the Bicameral Mind de Julian Jaynes, que trata a origem e natureza da consciência humana e In Bluebeard’s Castle: Some Notes Towards the Redefinition of Culture George Steiner, contém panoramas e ideias sobre a cultura do ocidente pós-Segunda Guerra Mundial. Vale a pena notar que The Age of American Unreason de Susan Jacoby influênciou sobre o vigésimo sétimo álbum de Bowie, The Next Day. No livro, ora argumenta que a história das últimas quatro décadas da humanidade foram caracterizada por ignorância e irracionalidade. Dos cem livros contidos na lista, além daqueles que o cantor leu, mas não fizeram parte dela, não há dúvida da influência nas músicas, que tocarão corações e almas de muitas gerações.

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David Bowie, 1965.Fonte: CA/Redferns


OPINIÃO

SEJAMOS TODOS MONICA GELLER Desde criança, Monica imaginava como seria seu casamento, sua família, seu marido. Tinha a exata imagem em sua cabeça e cresceu em busca disso. O perfil que Monica procurava: um homem culto, maduro, com uma vida estável e uma carreira de sucesso se concretizou na segunda temporada, com a chegada de Richard Burke. O relacionamento deles, desde o início, era a utopia de Geller. Mas o que ninguém esperava, muito menos ela, é que o maior sonho não poderia ser realizado se ela escolhesse ficar com ele: ter filhos. Ela descobre então que o que pensou ser o mais importane, encontrar alguém com as características e qualidades que buscava, alguém que ela amasse, não era o suficiente. Monica entrou em colapso após o término. Demonstrou seu lado inseguro, se perguntava o tempo inteiro se havia tomado a atitude certa, e o apoio dos amigos foi fundamental.

Ela tentou ir atrás daquilo que não pode ter com Richard, e escolheu a inseminação artificial, porém Joey a fez perceber que mesmo assim, alguma coisa faltaria, que seria o homem ideal, e da mesma forma, ela não seria feliz. Cometeu, então, alguns tropeços, como Julio, Timothy e o Pete. Ele era alguém que se encaixava no perfil dela, mas o destino mostrou que ele não era a pessoa certa, os sonho se conflitavam. Monica, com coragem, seguiu sem frente, mais uma vez. Mas a paciência e a fidelidade com seus propósitos recompensaram Monica na quinta temporada, quando Chandler saiu da friendzone, que aos poucos ele tentava quebrar desde o final da terceira temporada, quando começoua a investir na amiga, com brincadeiras "sutis". Chandler era sempre alvo de críticas de Monica, ela o enchergava como alguém extremamente crítico, medroso quanto à compromissos, atrapalhado e que falava demais. Além disso, era infantil, sarcástico e inconsequente, não possuia nenhuma qualidade que Monica buscava, ele era, de certa forma, a personificação de muitas coisas que ela odiava. Mas foi dessa forma que Geller, e todos nós, descobrimos o que é mais importante quando se trata de um parceiro: não importa quem ele é quando o conhecemos, mas sim, quem ele quer ser por nós. Com paciência e muita vontade, caminhou cada passo em busca de sua felicidade até chegar no fim e, então, encontrar Chandler, o amigo que era o avesso do homem ideal, e acabou se tornando o protagonista de sua felicidade.

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Sejamos todos Monica Geller! Não abramos mão de nossa felicidade! 11


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PRA SER CARIOCA, É DELE QUE VOCÊ PRECISA.

Revista COM TEXTO  

Revista experimental para compactação de artigos escritos pela designer.

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