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Amauri EugĂŞnio Jr.


Cultura


música

BRINCADEIRA SÉRIA Pato Fu lança o álbum “Música de brinquedo”

Por Amauri Eugênio Jr.

Fotos Gabi Lima e Nino Andrés

Nina, Matheus e Mariana estavam brincando de gravar. Foram ótimos no estúdio. Ouviram tudo com muita atenção e reagiram àquelas canções pop como qualquer criança da idade deles faria”. Não, esta declaração não se refere a uma espécie de reedição do “A turma do Balão Mágico”; tampouco a uma excursão de crianças em um estúdio musical. Na verdade, este é o relato de uma mãe orgulhosa sobre a participação do trio de crianças nas gravações de um CD de uma das bandas mais importantes e criativas do Rock nacional... E essa mãe é justamente a vocal desta banda. Sua filha? Nina Takai Ulhoa. A mãe que fez esse relato é Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu. A banda mineira Pato Fu lançou neste ano o álbum “Música de brinquedo”, produzido por John Ulhoa, guitarrista da banda, marido de Takai e pai de Nina. A concepção do trabalho, como o próprio nome sugere, foi feita com instrumentos de brinquedo. Isso mesmo, foram usados piano de brinquedo, flauta e xilofone, por exemplo, mas se engana quem pensa que o resultado não ficou, digamos, sério. A vocalista da banda, em entrevista à revista Alpha, explicou que a ideia de produzir um trabalho nesses moldes surgiu em 1996, quando ela e John Ulhoa compraram o CD “Classic on Toy”, no qual a turma do Snoopy gravou clássicos dos Beatles com instrumentos de brinquedo; no entanto, como o Pato Fu havia lançado até então três álbuns, ainda não era o momento para revisitar trabalhos de outros artistas. “Quando nossa filha [Nina] nasceu, em 2003, voltamos a pensar sobre fazer um disco com repertório conhecido dos brasileiros com essa sonoridade [infantil] que tem imperfeições, mas muita empatia”, completou Takai. Ainda sobre o “Música de brinquedo”, que contém versões de Rita Lee (“Ovelha negra”), Tim Maia (“Primavera”), Titãs (“Sonífera ilha”), Elvis Presley (“Love me tender”) e até mesmo de Zé Ramalho (“Frevo mulher”), foram mantidos os arranjos originais de cada música nota a nota, para que o ouvinte reconhecesse cada faixa, mas com instrumentos de brinquedo, “para dar aquela sensação de paixão à primeira ‘ouvida’”. Mesmo com o caráter inventivo da banda, ao contrário do que se pensa, o Pato Fu não foi fortemente influenciado pelos Mutantes (antiga banda de Rita Lee, Sérgio Dias e de Arnaldo Baptista),

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Nino Andrés

apesar de eles “terem sido artistas maravilhosos que dão o maior orgulho pra quem é daqui”, segundo a própria Fernanda Takai. Sobre Nina, a vocalista explicou que ela e seus amigos (Matheus e Mariana, ambos com 6 anos) gostaram muito da experiência de terem participado das gravações do “Música de brinquedo” e que “falam para todo mundo que gravaram um disco”. A vocalista e mãe comentou que sua filha pode ser o que quiser, desde que seja sempre uma boa aluna. “A gente fala brincando que queria que ela fosse advogada pra ler nossos contratos... mas Nina vai ser livre pra ser e fazer o que quiser como eu e John fomos”, completou. Em meados dos anos 90, quando ainda estava em início de carreira, o Pato Fu chamou a atenção da grande mídia e de Renato Russo, eterno líder da Legião Urbana; e agora, como banda estabelecida no cenário musical, Takai mencionou que os grupos e artistas que mais vêm chamando a atenção de seus integrantes são o Lucy and the Popsonics (dupla de Rock com arranjos eletrônico de Brasília), Léo Cavalcanti (destaque da nova safra da MPB), Érika Machado (artista mineira que se vem chamando atenção da crítica com músicas e composições melódicas e harmoniosas), Sinamantes (trio composto por dois brasileiros e por uma argentina) e Maltines (banda da cena musical catarinense). Enfim, este é o Pato Fu: uma banda influente, composta por músicos extremamente competentes, que sempre se reinventa, mas, acima de tudo, sem nunca deixar a felicidade e o alto astral das crianças de lado. ALPHA MÚSICA■

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KINECT-SE

Jogar videogame somente com movimentos corporais será possível a partir de agora Por Amauri Eugênio Jr.

Foto Divulgação

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ocê com certeza já imaginou, ao menos uma vez na vida, jogar videogame somente com os movimentos de seu corpo; no entanto, também já pensou que isso se tratava apenas de um sonho (inconcebível talvez), ou algo relativo a um futuro bem distante, assim como os carros voadores e o teletransporte. Pois bem, o celular também o foi um dia e, hoje, há mais celulares do que habitantes no Brasil. Então, o futuro é hoje (pelo menos em relação aos jogos de videogame somente com movimentos corporais). Conheça o Kinect, a tecnologia que permite a qualquer um interagir com o jogo sem o uso de controles. E se você ouvisse que o Kinect foi desenvolvido por um brasileiro? Você acreditaria? Pois bem, antes de saber o nome do brasileiro que é o “pai” do projeto, saiba que muitos “talentos” brasileiros estão nas principais produtoras de games do mundo, e ajudaram na concepção de jogos como “Guitar Hero 5”, “NBA Live 10”, “Star Wars: The Old Republic” e “Fifa 10”. Enfim, o nome do brasileiro responsável pelo Kinect é Alex Kipman. Kipman trabalha na Microsoft desde 2001 (isso mesmo, na lendária empresa criadora do Windows e do Xbox 360) e é, atualmente, diretor de incubação do Xbox, ou seja, é a pessoa que adapta projetos experimentais, como o próprio Kinect, para vendáveis. Mais uma surpresa, caro leitor: antes de receber o nome pelo qual ficou conhecido e será comercializado, durante o projeto era chamado de Project Natal, nome relacionado com a capital do Rio Grande do Norte. Eis os motivos para o Kinect ter sido outrora chamado de Project Natal: Kipman adora as praias do nordeste brasileiro, além de Natal significar, em latim, “nascer”.

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O aparelho Agora, que tal saber como o Kinect funciona? Guarde o controle do seu videogame, porque você não irá mais usá-lo. Como você já sabe, a funcionalidade ocorre por meio de movimentos corporais e por comando de voz; entretanto, há detalhes técnicos para entender como ele funciona, de fato. O Kinect é, meramente, um aparelho conectado ao Xbox 360 (lembre-se de que ele foi desenvolvido pela Microsoft e que, por isso, não está disponibilizado para outros consoles) e, devidamente instalado, faz uma espécie de “leitura” das dimensões do jogador e do local em que se localiza, para poder adaptar as condições de jogo ao ambiente. Lançado nos EUA em 4 de novembro e, por aqui, duas semanas depois, o Kinect veio com quatro jogos disponibilizados: o “Kinect Sports”, coletânea de jogos esportivos como atletismo, futebol, vôlei de praia, tênis de mesa, boxe e boliche; o “Kinectmals”, no qual o objetivo do jogador é criar um felino virtual; o “Joyride”, em que o(s) envolvido(s) no jogo deve(m) simular movimentos de motoristas; e o “Dance Central”, no qual o jogador precisa dançar em frente ao Kinect para que seus passos de dança sejam reproduzidos. No entanto, dentre os jogos mencionados há pouco, o “Dance Central” não está traduzido e adaptado para o idioma português; além disso, o Kinect somente reconhece os idiomas inglês, japonês e espanhol (com sotaque mexicano), e serão feitas atualizações de software (nas quais, inclusive, será incluso o português “brasileiro”). Ficou interessado pelo Kinect? O aparelho custa R$ 599,00 em solo brasileiro. Mexa-se para comprá-lo e para jogar. Enjoy it!

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A VOLTA DO VINIL

Indústria fonográfica retoma o lançamento de álbuns em discos de vinil Por Amauri Eugênio Jr.

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ocê já deve ter ouvido ao menos uma pessoa falar com saudosismo da época em que ouvir música era sinônimo de colocar discos (“vinilzão”, LP ou “bolachão”, como eram – e ainda são - carinhosamente chamados pelos fãs e entusiastas em geral) na vitrola, ou toca-discos, radiola e qualquer outro apelido que você queira dar. Algum entusiasta também deve ter te contado sobre as famosas “agulhas” de diamante, especial para discos com rotação em 45 rpm – rotações por minuto; e não há relação alguma com a banda RPM – que eram mais resistentes e levavam mais tempo a ficarem gastas, danificando menos o LP. Atualmente, caro leitor, vivemos na era dos álbuns em formato digital – a era é do mp3 e afins (apesar de ainda haver a predominância da comercialização de CDs). No entanto, a indústria fonográfica vem sofrendo reveses por conta da pirataria e dos downloads gratuitos – tanto que alguns artistas estão disponibilizando álbuns em formato digital, tal qual Lenine o fez (com o seu último trabalho de estúdio, o “Labiata”); e sem contar o que bandas vêm fazendo nos últimos tempos, como o R.E.M., que disponibiliza músicas de divulgação do próximo álbum, o “Collapse into now”, para fãs do grupo. Ou seja, diante de tantos fatores, digamos, delicados, nada mais propício do que retornar às origens (ou “aos velhos tempos”, como preferir). Pois bem, o vinil está voltando... Aos poucos, é verdade, mas a produção e a comercialização de discos de vinil vêm sendo retomadas. Para se ter uma ideia, de acordo com levantamento feito nos EUA pela Nielsen Soundcans, o comércio musical por aquelas bandas teve queda de 14% em 2009, ao passo em que a produção de vinis

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teve crescimento de 89% no mesmo período. Na terra que tem palmeiras onde canta o sabiá, a produção de discos de vinil ficou por conta da Polysom, comprada pelos donos da gravadora Deckdisc em meados de 2009, que é a maior gravadora desse segmento em toda a América Latina (por exemplo, o “Luz dos olhos”, álbum solo de Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, foi lançado em vinil; sem contar o relançamento de clássicos da música brasileira, como “Tábua de esmeralda” e “África Brasil”, de Jorge Ben; o álbum do Secos e Molhados que carrega o nome da banda; “Nós vamos invadir sua praia”, do Ultraje a rigor; e “Cabeça Dinossauro”, do Titãs). Artistas Para João Augusto, presidente da Polysom, os artistas vêm aderindo ao formato por conta da qualidade sonora pois, “mesmo com o custo de produção sendo mais alto, a música deles ganha níveis tão elevados quando reproduzidas em vinil que até um gasto a mais passa a valer a pena”; no entanto, ele mesmo admitiu que “os custos de produção são muito alto, e os impostos altíssimos do Brasil oneram muito mais ainda” – exceto isso, “só há coisas positivas”, completou. Entre os artistas que têm predileção por trabalhos lançados em vinil, pode-se destacar a cantora baiana Pitty (que teve, inclusive, o seu último álbum, “Chiarroscuro”, lançado também em vinil pela Polysom) e o icônico jornalista, músico e produtor Kid Vinil (o pseudônimo, por sinal, foi uma homenagem ao fato de ele ser aficionado por LPs). Consumidores O que pode ser notado entre os fãs, entusiastas e colecionadores de discos de vinil, além do saudosismo inerente a todos eles, é a diversidade de idades entre eles... Ser entusiasta, fã ou colecionador é tão democrático que, inclusive, há jovens (na casa dos 20 anos) e idosos. “Quando era criança, ainda não existia o CD; aliás, se existia, não era acessível na minha casa, mas isso não durou muito tempo. E, mesmo com a inovação tecnológica, na casa da minha avó ainda havia alguns discos que me chamaram a atenção, principalmente o do Sílvio Brito. Então, eu pensei que poderia ter um vitrola e comprar alguns discos... E, assim, eu fui redescobrindo todo esse universo, que passou rápido na minha infância”, explicou Paola Ferrete, 23, estudante de Ciências da Natureza da USP, a respeito do fascínio que ela tem pelos vinis. São vários os fatores que fascinam em discos: as capas dos LPs,

“o ruidinho do vinil e a sensação nostálgica”, mencionadas por Paola; a sonoridade, comprovadamente superior em comparação aos formatos digitais, por exemplo; e essa opinião é compartilhada por João Augusto. “Ler o encarte e a contracapa, trocar de lado e ainda ouvir um som que tem vantagens cientificamente comprovadas sobre qualquer som digital, tudo isso faz com que o vinil seja encarado como um fetiche, um objeto de desejo. Enfim, não é apenas um sentimento que une todas as pessoas que gostam de vinil”, comentou. Meio ambiente e Mercado Como em toda e qualquer produção em larga escala, infelizmente, há consequências nocivas ao meio ambiente. O vinil é um plástico e, obviamente, produzido a partir do petróleo, além do etileno e do cloro; e o CD, também plástico e originado a partir do petróleo, tem alumínio e policarbonato em sua composição; ou seja, ambos são elementos que causam estragos em suas respectivas produções. No entanto, apesar dos impactos ambientais comprovados, a Polysom está preocupada com as normas de produção de discos ecologicamente corretos. Tanto que uma das diretrizes da gravadora é o “Black2Green”, que consiste na defesa de metas de produção de vinis sem impactos ambientais (a nomenclatura foi uma brincadeira entre o “preto”, coloração dos discos, e o “verde”, de ações ambientais). “Para isso [preservação ambiental], não faltaram investimentos – ser ecologicamente correto no Brasil custa muito caro – para cumprir todas as normas que regulamentam o assunto e atingir um tal grau de excelência. A Polysom obteve com méritos a Licença Operacional do Instituto Estadual do Ambiente e já está almejando a certificação ISO 14001, destinada a empresas que efetivamente respeitam e defendem o meio ambiente”, ressaltou o presidente. Por fim, o mercado fonográfico está em constante processo de reinvenção, seja em termos sonoros, estéticos, ou no que diz respeito aos formatos de mídia; e não são raras as vezes em que ele recorre às origens para tal. João Augusto deixou claro, inclusive, que é nesse fato em que o retorno do vinil está alicerçado: para a felicidade dos fãs saudosistas e entusiastas. “Partindo da teoria de contrastes, creio que ele tem espaço justamente porque o outro extremo é muito cibernético. Um pouco de romance, tradição, saudosismo, sempre faz bem. O vinil não voltou para substituir nada, mas sim para se converter em mais uma opção de se reproduzir música”, finalizou.

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cinema

INDÚSTRIA DE VALORES CULTURAIS O Cinema, especialmente nos EUA, estabelece valores comportamentais que são difundidos no mundo Por Amauri Eugênio Jr.

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amos começar com um desafio. Tente se lembrar de como você começou a se interessar por sanduíches nos quais predominavam dois hambúrgueres, alface, queijo, e molho especial, por exemplo (ou o “épico” Big Mac, mesmo); ou, então, o que o levou a usar tênis, calças jeans, camisetas, e a ouvir Rock’ Roll... Com certeza, boa parte desses hábitos foi inspirada nos moldes comportamentais dos estadunidenses. Antes que você pergunte como isso foi acontecer, saiba que, inconscientemente, você começou a fazer tais “apropriações” culturais por meio de programas e de filmes made in USA. Dói admitir, é verdade, mas aplicamos em nossas vidas o american way of life (ou o estilo de vida americano), mesmo que inconscientemente. Que tal alguns exemplos mais práticos? Vamos à camiseta, extremamente popular entre nós. Seu uso foi difundido, lá pelos idos dos anos 60, entre os estadunidenses (lembremos que aquele era um momento de subversão dos valores comportamentais e culturais até então vigentes); e alguns dos ícones de Hollywood que passaram a usá-la frequentemente foram James Dean e Marlon Brando. Mais? A épica calça jeans. Apesar de ter sido criada na França, ela se popularizou nos EUA... Em princípio, entre os trabalhadores de minas por aquelas bandas, e teve seu uso popularizado nas décadas de 60 e 70. É raro não ver uma pessoa com uma calça deste estilo, atualmente. Pois bem, queiramos ou não, somos diretamente influenciados pelo cinema, especialmente pelos blockbusters hollywoodianos; e, além disso, o utilizamos como subterfúgio, ou melhor, como “fuga da realidade”, para ficarmos mentalmente anestesiados, ou para nos entretermos. Também há filmes que nos induzem a pensar incessantemente sobre inúmeros aspectos inerentes à vida, numa série de aspectos; entretanto, em virtude de não serem utilizados aspectos comercialmente consagrados, têm aceitação menos “calorosa” por parte do público (logo, eles são segmentados a um público específico, normalmente adeptos de filmes estritamente culturais; os famosos “filmes de arte” ou cult).

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No entanto, “a arte estiliza a vida, e a vida se deixa influenciar pela arte”, conforme ressaltou André Okuma, agente cultural da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Guarulhos e cineasta. Estrutura do cinema, consumo e Código Hays “É importante sabermos por que existe esse conservadorismo para entendermos essa influência cultural. Bom, a sociedade americana, de base ideológica essencialmente protestante, sempre foi conservadora; e os produtores, pensando no cinema como mercadoria acima de tudo, não cogitava de maneira alguma passar por cima da ‘moral e dos bons costumes’ da sociedade americana e, na década de 30, produtores associados com o apoio de diversas áreas da sociedade americana criaram o Código Hays”. Esta explicação de Okuma sintetiza a essência do cinema estadunidense e, consequentemente, a tendência de nos aproximarmos desse estilo cinematográfico. Em primeiro lugar, ideologicamente falando, é notório (ao ponto de ser pedante, talvez) que somos influenciados pela cultura estadunidense; e, por esse motivo, as produções de Hollywood fazem tanto sucesso entre nós. Além disso, é bom fazer mais uma menção. Você talvez nunca tenha ouvido falar no Código Hays, mas ele ditou por muito tempo a estrutura do cinema americano (e nosso modo de pensar e de agir, por consequência). Você já deve ter estranhado por que as cenas de romance que remetiam a relações sexuais eram resumidas a beijos ingênuos, ou o porquê de cenas de fúria extrema, ao melhor estilo de “O Falcão Maltês”, estrelado por Humphrey Bogart, e de outros filmes noir, lá pelos idos dos anos 40 e 50, serem resumidas a interjeições contidas e puritanas, que não condiziam às feições de ira e de raiva. Pois bem, esta era a síntese do Código Hays: nada de termos chulos e de insinuações ao sexo e ao consumo de drogas; ou seja, um elogio ao conservadorismo, à moral e aos bons costumes. Apesar de o Código Hays ter saído de uso em 1968, após ter substituído pela “classificação etária”, vigente até hoje, sua essên-


cia continua no subconsciente dos realizadores de Hollywood... E no nosso, também. Não obstante esse fato, o cinema também foi um dos vetores para o incentivo ao consumo (lembremo-nos do “american way of life”, que, de maneira resumida, consistia em ter uma casa e um carro de padrões elevados, uma família “feliz” e acesso ao consumo irrestrito). Filmes Cult e “subversão” dos valores hollywoodianos Além do pseudo-puritanismo inerente ao cinema hollywoodiano, no que diz respeito aos blockbusters, deve ser levado em conta o star system, ou seja, filmes que têm em seu elenco atores que são celebridades, o que não significa que tais produções sejam boas. Para se ter uma ideia de como isso pode resultar em ocasiões curiosas, a atriz Sandra Bullock, em 2010, ganhou o “Framboesa de Ouro”, espécie de “prêmio de pior atriz”, pelo filme “Maluca paixão”; e, no mesmo final de semana, recebeu o Oscar de melhor atriz pela sua atuação no filme “Um sonho possível”. Apesar de o Código Hays ter sido chutado para escanteio e de as histórias terem uma série de variantes, “os valores morais são quase sempre os mesmos; ou seja, o espectador, mesmo vendo um filme novo, está acostumado com a forma por meio da qual o filme se apresenta, da luta do bem contra o mal, do final feliz, do ritmo do filme, dos cortes invisíveis, da trilha sonora marcada etc”. Entretanto, nem todos os filmes seguem os padrões hollywoodianos. Trata-se dos filmes Cult (ou “filmes de arte”), que destoam dos filmes do mainstream (comerciais). Entre eles, podem ser destacados os filmes europeus, especialmente os franceses da Nouvelle Vague (corrente cinematográfica que tinha como expoentes diretores como Jean-Luc Godard e François Truffaut), e espanhóis (entre eles,

podem ser destacados filmes de Pedro Almodóvar e Guilhermo de Toro). Há até mesmo diretores estadunidenses que fogem do padrão de Hollywood e que também fazem sucesso. Entre eles, o expoente é Quentin Tarantino, diretor de, entre outros filmes, “Pulp Fiction”, “Cães de aluguel”, da sequência “Kill Bill” e “Bastardos inglórios”. Entretanto, pelo fato de serem filmes de assimilação de conteúdo menos simplificada, assim como serem abordados temas complexos e “tabus”, eles tendem a ter aceitação muito menor por parte do público. Há diretores que conseguem abordar temas, digamos, delicados de maneira que passam a ter boa aceitação por parte do público. Por exemplo, Clint Eastwood dirigiu filmes que abordavam temas como eutanásia (em “Menina de ouro”, que rendeu à atriz Hillary Swank o Oscar de melhor atriz) e xenofobia (em “Gran Torino”); e ambos foram muito bem recebidos pelo público e pela crítica. “Apesar de ele usar temas delicados nos seus filmes, ele aplica a linguagem cinematográfica clássica com extrema perfeição, ou seja, ele usa sua credibilidade e as ‘fórmulas’ que o cinema americano utiliza, porém apresenta temas mais complexos em suas histórias. E tanto público como crítica o aclamam”, comentou o agente cultural. Para completar, outro fator que torna os filmes cult menos aceitos por parte do público é o ritmo: como vivemos em uma sociedade na qual tudo tende a ser instantâneo ou extremamente agilizado, não há tanto tempo disponível para se pensar em temas complexos. “É importante salientar também, que na sociedade contemporânea do ‘tudo ao mesmo tempo agora’, do excesso de informação, do imediatismo, do conforto, não há espaço para reflexões críticas, o que faz com que este tipo de filme seja também tão mal aceito”, finalizou André Okuma.

“O Falcão Maltês” (1941), dirigido por John Huston “Cães de Aluguel” (1992), dirigido por Quentin Tarantino “Fahrenheit 451” (1966), dirigido por François Truffaut “Menina de ouro” (2004), dirigido por Clint Eastwood

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ROCK’N ROLL ENGAJADO

A banda irlandesa U2 traz em sua essência música de primeira e engajamento em causas humanitárias Por Amauri Eugênio Jr.

Por quanto tempo teremos de cantar esta música?”. Este trecho da música “Sunday bloody Sunday” pode ser considerado como um marco na carreira da banda em relação ao engajamento em causas sociais, ao redor do mundo. De maneira simplista, vamos voltar no tempo, mais exatamente para 1976. Diz a lenda que, na Mount Temple Comprehensive High School, em Dublin (capital irlandesa), um baterista adolescente de 14 anos chamado Larry Mullen Jr. afixou um anúncio em busca de integrantes para criar uma banda de Rock’n Roll; e quatro garotos atenderam ao seu chamado: Adam Clayton (baixo), os irmãos guitarristas Dave “The Edge” e Dick Evans, além do vocalista Paul Hewson (poucos devem saber, mas este é o nome de Bono Vox, nome artístico que surgiu a partir de um apelido da adolescência - “Bonavox”, ou “boa voz”). Já o nome U2 surgiu a partir de uma sugestão feita por Clayton, com base no avião Lockheed U-2, usado pelos EUA durante a Guerra Fria; se bem que há quem diga que a nomenclatura do grupo surgiu a partir de sua filosofia, na qual o público participava dos shows (“you too”, ou “vocês também”, em tradução livre). Em 1978, Dick Evans saiu da banda; no ano seguinte, o grupo atingiu o topo das paradas na Irlanda... Dali para Londres, capital inglesa, seria um pulo; e assim o foi. Em 1980, foi lançado o primeiro álbum da banda, intitulado “Boy” que, assim como seu sucessor, “October”, tinha forte influência cristã (exceto Adam Clayton, os demais integrantes são declaradamente religiosos); e já começaram a surgir contradições entre a crença e a postura rock star adotada pela banda. “Não acredito que a religião possa ser determinante na opção de um grande artista em se interessar por causas nobres”, explicou Luiz Thunderbird, músico e apresentador com passagens pela MTV e pela Rede Globo. Início do engajamento sociopolítico Pois bem, chegamos a 1983, ano de lançamento do álbum “War”. Sobre ele, já vale uma observação: a foto de capa é a do mesmo

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garoto que aparece em “Boy”, chamado Peter Rowen (posteriormente, ele se tornou fotógrafo da banda). Porém, em “War”, ele foi fotografado como se tivesse levado um soco na boca. O dualismo inerente à postura rock star da banda com a crença cristã dos integrantes estava aparentemente resolvida; e as letras das faixas do álbum tinham postura mais crítica (“Sunday bloody Sunday”, por exemplo, descreve o “Domingo sangrento” em Derry, no país irlandês, no qual tropas britânicas mataram a tiros manifestantes civis – a música, de quebra, ficou com a posição de 268 entre as “500 melhores canções de todos os tempos” da revista Rolling Stone, em 2004). O álbum seguinte, “Unforgettable fire”, batizado desta maneira por causa de pinturas feitas por sobreviventes aos ataques com bombas atômicas às cidades de Hiroshima e Nagasaki, marca de uma vez por todas a identidade sonora da banda (as linhas de guitarra dedilhadas e agressivas de The Edge e o vocal fulminante e melódico de Bono), lançando o U2 como ícone do cenário musical mundial. Entre os destaques de “Unforgettable fire”, pode ser citada a faixa “Pride (In the name of love)”, que, apesar de ser tida como romântica, era uma homenagem ao líder negro Martin Luther King (1929-1968). Ativismo intensificado Conforme o sucesso inerente à carreira do U2 crescia, mais o ativismo ganhava espaço, tanto nas letras quanto nas ações além do palco. Em 1985, o quarteto irlandês participou do festival “Live Aid”, idealizado pelo artista e ativista irlandês Bob Geldof, no qual foram reunidos nomes importantes da Europa e Estados Unidos, entre eles Queen, Bob Dylan, Sting, Phill Collins e David Bowie. No ano seguinte, juntamente com Sting, a banda participou de uma pequena turnê ao redor dos EUA, chamada “A Conspirancy of Hope Tour”, que teve como objetivo angariar fundos para a Anistia Internacional (órgão global voltado para a defesa dos direitos humanos).


Em 1987, veio à tona o álbum “The Joshua tree”, que é, para muitos, a obra prima do U2, no qual estão, entre outras faixas, “Where the streets have no name” e “With or without you”. Apesar do sucesso retumbante deste trabalho, o frontman do quarteto irlandês passou por maus bocados após ter feito discurso em um show contra ataques promovidos pelo IRA (Exército Republicano Irlandês). Alguns simpatizantes da organização, além dos próprios membros, ameaçaram sequestrar Bono. Passados os transtornos, um ano depois, foi a vez de “Rattle and Hum” (ou “o elogio à cultura estadunidense”) ser lançado. Para variar, ele foi bem recebido pelo público e pela crítica. Um dos anos “definitivos” para a banda é 1991. Durante as gravações do álbum “Achtung baby”, os integrantes quase se separaram. No entanto, as diferenças musicais entre os quatro foram superadas e outro álbum aclamado pelos fãs e muito bem recebido pela crítica veio à tona. Para completar a aura inerente ao “Achtung baby”, a faixa “One”, uma das mais conhecidas e belas de toda a discografia da banda, é também considerada como um dos hinos do combate à AIDS (o videoclipe da música foi feito com imagens e fotos de búfalos capturadas por David Wojnarowicz, ativista homossexual que faleceu em decorrência do vírus HIV). De quebra, há teorias “conspiratórias” que dizem que a letra de “One” relata o diálogo entre parceiros soropositivos. Chegamos a 1995, ano marcado pela guerra na antiga Iugoslávia (em Sarajevo, para ser mais exato). Em parceria com o tenor Luciano Pavarotti (1935-2007), o grupo irlandês gravou a faixa “Miss Sarajevo”, presente no projeto “Original Soundtracks 1”. A música falava sobre um concurso de miss realizado no subsolo de Sarajevo, numa tentativa de esconderijo de bombardeios (e que, de certo modo, chamou a atenção da opinião pública para abusos humanitários naquele período).

bird, “as pessoas tem essa desconfiança de artistas engajados”, além de achar que Bono não precisa desse tipo de exposição para promover sua imagem. “Acredito que ele tem as melhores intenções nesse engajamento”, completou. Entre as principais causas defendidas por Bono Vox, podem ser destacadas a anistia da dívida externa a países em situação de miséria, o combate à AIDS e à fome. “Ele usa sua projeção pessoal para levar essas questões a público. Acho digno. Alguns artistas já fizeram isso. Sting foi um deles, mas sem muito sucesso [ele apoiou o reconhecimento oficial de terras indígenas na região do Rio Xingu]. Há de se tomar cuidado com isso. Sting acabou vítima de uma associação confusa, quando veio ao Brasil. Bono parece mais cuidadoso com esse trabalho e suas consequências. Bom para ele e para quem ele ajuda com isso tudo”, finalizou Thunderbird.

Engajamento contemporâneo Não foram raros os encontros de Bono Vox com lideranças de inúmeros países: Bill Clinton, George W. Bush (de quem se tornou crítico ferrenho), Lula... The Edge, certa vez, declarou que sentia vontade de vomitar ao ver seu velho amigo e parceiro de banda trocando apertos de mãos com lideranças políticas diversas; e há pessoas que duvidam da nobreza das iniciativas tomadas por Bono. De acordo com Luiz Thunder-

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Como a escola pode ajudar a formar cidadãos tolerantes em relação a valores alheios Por Amauri Eugênio Jr.

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anto a sabedoria popular quanto psicólogos e pedagogos dizem que um cidadão é formado desde a infância; e que valores inerentes a ele são transmitidos por meio de assimilação dos atos de pessoas mais velhas no cotidiano. Logo, tais fatores são decisivos na formação do caráter e da visão de mundo que essa criança irá adotar no futuro, se ela será um ser tolerante e um cidadão que sabe respeitar a outrem, ou se irá se transformar em uma pessoa insensível à visão de mundo alheia. Recentemente, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) fez declarações com ofensas aos negros e aos homossexuais após responder a uma pergunta feita pela cantora Preta Gil, filha de Gilberto Gil. Por conta do teor de sua resposta, a Comissão Par-

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lamentar de Ética estuda a possibilidade de cassar seu mandato. Sobre esse caso, o que se pode notar é que, seguramente, fatores sociocomportamentais inerentes ao “habitat” no qual o deputado cresceu influenciaram muito sobre seu caráter. Também é impossível não fazer menção ao caso do garoto australiano Casey Haynes, 15, vítima de bullying, por causa de seu sobrepeso corporal. Após mais um ataque sofrido por ele, em que um vídeo mostra um garoto provocando-o com socos (incentivado por outros adolescentes), Haynes reagiu e o atirou no chão, em movimento semelhante aos golpes realizados pelo personagem Zangief, do jogo “Street Fighter”. Este caso, por sinal, virou uma espécie de hit em redes e, em uma entrevista, Casey


declarou que pensou, até mesmo, em cometer suicídio. Reagir violentamente a atos já violentos não é, definitivamente, a melhor saída (apesar de que esse caso pode se caracterizar em uma espécie de exceção). “Quando há infração de regra, é realizada conversa sobre o que aconteceu, até se chegar ao ponto-chave do fato. Quais são as consequências? Como resolver esse problema? É importante entender o que aconteceu, e não somente a advertir o autor, pois isso não fará diferença na educação desse jovem”, explicou a coordenadora pedagógica do Colégio Novo Rumo, Lúcia Helena Amendola. Vamos ver quais aspectos estão diretamente ligados à formação do cidadão? Religião e Etnia De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos temos liberdade de expressão, e seus conceitos também valem na escola. “Como estamos em uma escola, ela tem como objetivo maior informar sobre todas as culturas existentes. Por meio desse conhecimento, haverá maior tolerância, em relação a todas as diferenças sociais, religiosas, e étnicas que existem em nosso mundo. Povo culto é povo educado”, ressaltou a diretora do Colégio Progresso Vila Galvão, Maria Lindaumira de Alencar. A origem regional e as diferenças étnicas ainda causam discordância e conflitos ideológicos. “Se o aluno passar a ser discriminado pelo sotaque, por exemplo, são trabalhados aspectos linguísticos; assim como são abordados aspectos básicos relativos a peculiaridades de cada região e de cada cultura do país. Afinal, o Brasil tem forte presença da miscigenação”, relatou o coordenador pedagógico do Colégio Sainte Marie, Thiago Gomes da Silva. Bullying “Infelizmente, o bullying já existia, mas não com esta nomenclatura. Alunos eram pegos como alvo de piadas; e os traumas que estas pessoas passavam a ter não eram levados em conta”. Essa afirmação do coordenador Thiago alerta que o bullying era visto como prática comum entre alunos, há até pouco tempo. É bom destacar que uma brincadeira, feita uma vez, ainda não se caracteriza como bullying; no entanto, a partir do momento em que uma pessoa vira alvo de ofensas e de represálias por um grupo por mais de uma vez, devem ser tomadas atitudes a respeito. Outro aspecto importante diz respeito ao fato de a vítima relatar tanto aos pais e à direção da escola o que vem acontecendo com ela. “O aluno que sofre bullying tem de falar o que está sofrendo.

É importante que relate pois, se falar, há como ajuda-lo”, explicou a diretora pedagógica Maria Lindaumira. Conscientização social Outro aspecto importante para a boa formação de um indivíduo é estar consciente de problemas sociais que ocorrem próximo à comunidade na qual está inserido. O Colégio Sainte Marie, por exemplo, tem o projeto “Cidadão do Amanhã”, pelo fato de a instituição ser adepta da filosofia Humanista, pois conforme explicou Thiago Gomes, o aluno é estimulado a ser um cidadão participante, a ter noções de valores culturais e comportamentais, assim como a respeitar a outrem. No caso do Colégio Progresso Vila Galvão, há quatro anos é realizado o “Projeto Cidadania”, no qual são prestados serviços à comunidade local, como atendimento odontológico, advocatício, oftalmo e psicológico, por exemplo. “Os alunos desenvolvem trabalho solidário, para que saibam o que fazer para ajudar ao próximo e, assim, se tornam cidadãos mais conscientes de seus atos”, explicou Maria Lindaumira. Neste ano, o “Projeto Cidadania” aconteceu em 2 de abril. Família A responsabilidade na formação do indivíduo não é exclusivamente da escola; logo, há parceria entre ela e os pais e em sua formação. Um dos aspectos mais importantes, para descobrir o comportamento e os interesses do futuro aluno, é conhecer a família e o seu histórico. “Algumas crianças falam muito; outras são mais quietas. Ao conhecer a família, esse aspecto é trabalhado em sala de aula, com o aluno”, explicou a coordenadora do Colégio Novo Rumo. De acordo com a diretora do Colégio Progresso Vila Galvão, a família precisa estar estruturada para transmitir valores, educação e respeito, pois todos estes itens vêm, primeiramente, do lar; e cabe à escola complementar aquilo que é originado na família. “Cabe a ela a semente principal para o bom desenvolvimento social”, completou. O ambiente escolar, obviamente, tem interferência no comportamento do aluno, conforme explicou Lúcia Helena; no entanto, o fator decisivo para a formação da criança e do adolescente está, literalmente, em casa. “É necessário conhecer as famílias dos alunos. Às vezes, elas pedem auxílio (não diretamente, mas dão sinais de que precisam de ajuda). Em casos como este, são feitas indicações de profissionais, é oferecida ajuda aos pais... Enfim, há sempre diálogo com os familiares, para que sejam encontradas as melhores alternativas para os alunos”, finalizou a coordenadora pedagógica do Colégio Novo Rumo.

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saúde

EXERCÍCIO DE VALORIZAÇÃO

Atividades físicas, na medida certa, ajudam a melhorar o cotidiano Por Amauri Eugênio Jr.

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iversas pessoas alegam não ter tempo para praticar exercícios físicos. Muitas delas se valem da correria inerente ao cotidiano para não praticá-los; no entanto, o sedentarismo é, na maioria dos casos, um grande inimigo ao nosso corpo. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, publicada em 2010, apenas 14,7% dos brasileiros praticavam exercícios físicos regularmente; enquanto que o percentual de indivíduos que não realizavam atividade alguma era de 16,4%. Você deve estar a se perguntar por que exercícios físicos são tão importantes ao cotidiano: além de você manter bom condicionamento físico e “ficar em forma”, esteticamente falando, praticar esportes, seja ele qual for, estimula a produção de endorfina, hormônio relacionado à sensação de prazer. “Com essa satisfação [obtida por meio da endorfina], o estresse é aliviado e se desvincula da rotina”, explicou Nelson Claro Neto, proprietário da academia Neo Fit. Para você, que não tem tanto tempo livre para a prática de esportes, dedicar um intervalo de seu dia é possível e, obviamente, benéfico ao seu corpo. “Praticar atividades físicas ao menos 1 hora por dia ajuda a sair da rotina; ou seja, qualquer atividade dentro ou fora da academia (caminhada, dança, luta ou musculação) o ajuda a sair dela. Isso, com certeza, trará benefícios à saúde, meolhorará sua rotina e sua autoestima”, completou o proprietário da Neo Fit. No entanto, isso não quer dizer que você deva praticar exercícios físicos por conta própria. “O praticante deverá estar sempre acompanhado e ser avaliado por médico e por educador físico, para praticar atividades dentro de seu grau de segurança. O objetivo é que essa prática não se torne um

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Foto Lucas Dantas

fator de risco; ou seja, que o praticante esteja bem assistido, acompanhado e com resultados que irão trazer benefícios à sua saúde; para que ele não saia da zona de conforto para a zona de desconforto”, ressaltou Claro Neto. Pois bem, você pode encontrar uma maneira para manter a boa forma, sem submeter seu corpo a situações de risco. “A Neo Fit encontra um ‘jeito’ de você cuidar de sua saúde e, também, de sua qualidade de vida. Todas as modalidades são preparadas para atender sua necessidade e de sua família. Musculação, fitness, danças e artes marciais são nossos atrativos e, com certeza, você vai se identificar com um deles. Toda a nossa equipe está preparada para trazer benefícios relacionados à sua saúde e reprogramar, no dia-a-dia, sua alimentação e qualidade de vida”, finalizou Nelson Claro Neto, proprietário da academia Neo Fit. SERVIÇO Neo Fit - Unidade FIG R. Dr. Sólon Fernandes, 155, Vl. Rosália, Guarulhos / SP Tel.: (11) 2451.0910 Neo Fit - Unidade Vila Galvão Av. Dr. Timóteo Penteado, 4500, Vl. Galvão, Guarulhos / SP Tel.: (11) 2497.4075


beleza

ESTÉTICA DA VALORIZAÇÃO Saiba como os padrões estéticos mudam com o passar do tempo, e como equilibrá-lo com o bem-estar

Por Amauri Eugênio Jr.

Fotos Banco de imagens e Lucas Dantas

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om o passar do tempo, é natural que inúmeros aspectos inerentes ao nosso cotidiano mudem. Padrões automotivos, de construções e de comportamento são fortemente afetados pelas alterações cronológicas; assim como a moda o é. Quer exemplos práticos? A Revolução Contracultural de maio de 1968, que consistiu na revolta de estudantes e de demais setores da sociedade francesa contra as diretrizes conservadoras do governo de Charles de Gaulle. Basta dizer que os ideais de liberdade sociocultural defendidos por eles se difundiram pelo mundo inteiro? Pois bem, o mesmo acontece em termos estéticos. Durante a Idade Média, o padrão de beleza vigente consistia em curvas corpóreas “arredondadas”; e, com o passar do tempo, os valores estéticos se alteraram ao ponto de chegarem ao que se convenciona chamar de “ditadura da moda”; ou seja, estilos que “fujam” do estereótipo relacionado à magreza (quase anoréxica) é visto com estranheza. Dr. Ricardo Toshio, cirurgião plástico, explicou, em entrevista à Revista Alpha, sobre tais mudanças de padrões estéticos com o passar do tempo, além de como manter seu padrão subjetivo de beleza, sem prejudicar o seu bem-estar. Boa leitura. AP: Os paradigmas de beleza foram profundamente modificados, com o passar das décadas; no entanto, não é de se estranhar que os padrões adotados atualmente, de certo modo, busquem inspiração nos modelos de outrora. Como essa mudança conceitual de beleza pode ser explicada? RT: A beleza, hoje, é globalizada; e isso induz à padronização estética. No entanto, o que é belo para mim não é belo para você; e a beleza depende muito da perfeição. Logo, tudo o que é bonito

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está ligado à perfeição. Há padrões de beleza das mais diferentes formas; entretanto, há massas que impõem certos padrões de beleza. Há modelos magérrimas; e, para aquele grupo, que vivencia aquele tipo de beleza, é o padrão vigente; o mais normal (ou seja, magra, e com cara de doente). Há anos, o padrão estético era o de mulheres mais roliças. Cada “tribo” tem seu tipo de beleza (assim o é na África, no Japão e nos EUA, por exemplo); mas o comércio tende a padronizar tudo: para vender no Brasil, e em qualquer lugar do mundo. Não são valorizados os estilos de belezas diferentes [do imposto pela “ditadura da moda”]; e tentam encaixá-los dentro de um estereótipo. AP: Atualmente, em nossa sociedade, é imposta uma espécie de padrão estético a ser seguido, em detrimento à beleza peculiar inerente a cada indivíduo (tanto no que diz respeito à preferência quanto a aspectos médicos, inclusive). O quão perigoso é para o indivíduo (e para a sociedade, de modo geral) essa “planificação” dos padrões de beleza? RT: Todos querem participar de um grupo, de uma tribo. Uma pessoa mais “gordinha” vive fazendo regime; ou aquela pessoa que tem as orelhas mais “abertas” (ou o nariz maior) quer alterar a sua própria imagem para se sentir aceita em um determinado grupo, e não mede esforços para tal. Se for necessário [hiperbolicamente falando], ela fica sem comer; ou, se disserem que, para emagrecer, ela teria de ficar de ponta cabeça e comer banana amassada, ela o faria. Quem não pode comprar prótese mamária, em casos extremos, coloca silicone líquido, para passar a ter imagem melhor; contudo, os riscos de complicações no quadro de saúde de pessoas que o fazem é muito grande.


a autoestima da paciente. Se ela fizer uma cirurgia e não tiver melhorado sua autoestima, ela [a cirurgia] não teria valido nada, sido ineficaz. Isso se deve ao fato de que cada pessoa deposita na cirurgia um sonho, quanto ao que vai mudar a vida dela.

AP: Não são raras complicações de saúde ou o desenvolvimento de distúrbios alimentares em virtude de a busca incessante pelos padrões de beleza impostos, especialmente, pelo mundo da moda. Como aliar o bem-estar estético a um padrão de vida saudável? RT: Hoje em dia, todos procuram por qualidade de vida maior (consomem produtos mais saudáveis e/ou orgânicos, por exemplo), estabelecer ritmo de vida que não agrida a natureza. Hoje, há movimentos que procuram qualidade de vida com boa alimentação, para que possam ter níveis melhores de saúde. AP: No caso de mulheres que procuram por cirurgias plásticas (nas mais variadas regiões do corpo humano), quais são as principais mudanças estéticas que ocorreram nos últimos anos, por exemplo? RT: Há 10 anos, por exemplo, todas as mulheres queriam ter mamas pequenas; enquanto que, hoje, todas querem aumenta-las, por meio de próteses de silicones, dos mais variados tamanhos. Antes eram inseridas próteses pequenas; e, hoje, há procura maior por próteses maiores. AP: Em que casos intervenções estéticas são recomendáveis? E quando elas não o são? RT: A melhor cirurgia é a que vai melhorar a qualidade de vida da pessoa, pois possibilita a melhora da autoestima; e, para tal, é necessário que ela que não seja algo “artificial”, ou que fique com aspecto esquisito. A melhor cirurgia estética é a que fica com aspecto natural, com poucas cicatrizes; enfim, as que melhoram

AP: E qual a frequência da procura de serviços estéticos por parte de homens? E quais tipos de tratamentos eles mais procuram? RT: Os homens têm procurado por tratamentos estéticos, especialmente em relação ao peitoral, cabelo, nariz, pálpebras e orelhas - além da lipoaspiração. Muitos querem marcar o abdômen (fazer os “gominhos”), e modelá-los, como se fossem esculturas [renascentistas]. A procura por parte do público masculino aumentou em torno de 50%, no que diz respeito a cirurgias plásticas. O homem já faz unha, depilação... Daqui a algum tempo, vai ter de ser dividido o período de atendimento entre o “dia dos homens” e o “dia das mulheres” (risos). AP: Quais dicas estéticas você pode dar para quem procura por “melhorias” no próprio corpo? RT: Ao fazer uma cirurgia, é necessário ver se o objetivo dela é algo viável; e o médico tem de orientar o (a) paciente sobre o que se pode ou não fazer (há colegas que fazem o que o paciente quer, indiscriminadamente). Tudo tem de ser bem analisado; ou seja, tem de se ver o grupo (étnico) ao qual a pessoa pertence, para que sejam tomadas decisões ponderadas sobre o procedimento a ser adotado. Não dá para, por exemplo, “fazer” um nariz grego em uma pessoa negroide. Enfim, é necessário fazer o que ficar legal na pessoa, assim como orientá-la sobre a intervenção cirúrgica. É necessário ter equilíbrio corpóreo; harmonia (por exemplo, a inserção de próteses mamárias grandes). Logo, o que eu acho bonito pode não ser igual ao ponto de vista de outra pessoa. ALPHA BELEZA■

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Comporta mento


maternidade

MÃES: VALORIZEMOS-AS

Relatos de mães que abnegaram suas próprias vidas em prol de seus “bens” mais preciosos: seus próprios filhos Por Amauri Eugênio Jr.

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ãe. Uma das palavras mais simples de se pronunciar em nosso idioma, assim como em muitos outros. Em espanhol, eles a chamam de madre; em francês, mére... Em inglês, por sinal, mother. Certa vez, Luiz Fernando Veríssimo escreveu que “somos ‘mamíferos’ por um determinismo fônico, e quer você seja irlandês (mathai) ou russo (mat), chamava sua mãe ou pedia seu peito da mesma maneira, ou quase”. Não importa. Uma palavra tão simples, mas com significado que transcende a vida. A primeira palavra que a maioria de nós fala, e à qual a nossa mente recorre (antes mesmo de termos impublicáveis) é relativa àquela pessoa que nos trouxe ao mundo, e que tem em nós, filhos, a razão do seu viver. Pois bem, ela é também a primeira pessoa à qual recorremos, quando estamos inseguros e/ou temerosos sobre qualquer fato inerente ao nosso cotidiano, como o poeta Vinícius de Moraes (1913-1980) resumiu no poema “Minha mãe”: “Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo. Tenho medo da vida, minha mãe. Canta a doce cantiga que cantavas quando eu corria doido ao teu regaço, com medo dos fantasmas do telhado”. Chico Buarque também cantou em homenagem às mães que sofreram por terem perdido seus filhos durante o regime militar (1964-1985), especialmente para a estilista Zuzu Angel (1923-1976), que perdeu seu filho, Stuart; e ele o fez por meio da música “Angélica” (se você quiser saber mais sobre sua trajetória, assista ao filme “Zuzu Angel”, dirigido por Sérgio Rezende, com Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira e Leandra Leal no elenco). Enfim, veja a seguir relatos de mães que, de certo modo, abnegaram suas próprias vidas em prol das de seus respectivos filhos (ou de outras mães, também). Boa leitura. Regina e Dudu Próspero Toda mãe, em sua essência, carrega consigo, concomitantemente, a doçura, para com os filhos, e o espírito de guerreira,

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Fotos Lucas Dantas

para defendê-los e protegê-los, não importa qual seja o grau de adversidade ou de perigo. Assim o é com Regina Próspero. Ela é presidenta (a nomenclatura está correta, vide o caso de Dilma Rousseff ) da Associação Paulista de Mucopolissacaridose (APMS), entidade sem fins lucrativos que visa auxiliar portadores de mucopolissacaridose (MPS), doença acarretada por disfunção metabólica e que atinge aproximadamente 1 a cada 15.000 nascidos, em todo o mundo. Para se entender o que a levou à presidência da APMPS, é necessário conhecer sua trajetória, assim como a de seu filho, Dudu Próspero, 20, portador de MPS e símbolo da conscientização social sobre a doença e da democratização do tratamento dela. A MPS é detectada conforme a criança começa a se desenvolver, apesar de ser congênita (apesar disso, não é possível identificá-la durante a gestação); e, quanto mais tempo levar para descobri-la, mais complicações irão acontecer com seus portadores. No caso de Dudu, especificamente falando, o seu histórico de MPS foi descoberto aos 2 anos e 6 meses de vida, por intermédio de seu irmão, Niltinho (já falecido), também portador da doença. “Até os 2 anos e 6 meses de vida do Dudu, acreditávamos que ele não era portador. A descoberta veio no dia em que levei os dois em uma consulta do Niltinho na genética do Instituto da Criança no Hospital das Clínicas. Quando a geneticista viu os dois irmãos, ela me afirmou que ambos eram portadores e não somente o Niltinho, como até então acreditávamos. A partir daquele momento, vimos que nossa luta era dupla, bem pior do que sabíamos”, explicou. Sua luta para a conscientização social sobre a MPS começou desde o momento em que soube que tinha um filho portador da doença. “Em cada consulta que passávamos com os meninos [Niltinho e Dudu], percebíamos a necessidade de conscientização e divulgação da MPS na sociedade, no meio acadêmico, e até na classe médica, que mostrava que não estava preparada para lidar com um portador de MPS e, também,


Da esquerda para a direita: Nilton e Leo, pai e irmão de Dudu, Regina e o próprio Dudu Próspero

para diminuir nossa via crucis em busca de qualidade de vida”, comentou Regina. Nem é preciso dizer que o fato que mais aterroriza uma mãe é pensar na possibilidade de perder o próprio filho; e, para que isso não aconteça, os maiores atos de abnegação e de amor são cometidos... E isso ocorreu com Regina Próspero. Niltinho, seu filho primogênito, havia falecido aos 6 anos de vida; e corria o risco de que o mesmo acontecesse com Dudu, então com 18 anos; no entanto, desta vez, havia luz no final do túnel: um medicamento de reposição enzimática estava em fabricação nos EUA e em fase experimental; e ela inscreveu Dudu para ser um dos voluntários nos testes desse medicamento, em tentativa desesperada de salvar sua vida. “Alguns meses depois, ele foi chamado para seleção e foi um dos 8 escolhidos dentre 28 participantes da América Latina para testar o medicamento. Este estudo foi no Hospital das Clínicas de Porto Alegre, e tive de morar 1 ano com

ele lá. Foi muito ‘custoso’, a família sofreu muito com esta separação provisória, mas valeu a pena. Hoje, sabemos que ele está vivo graças a toda esta situação”, relatou Regina. Atualmente, Dudu, que perdeu a visão em decorrência da MPS, está cursando o 4º ano de Direito e, ao lado de sua mãe, é um dos ativistas mais engajados na conscientização popular sobre a MPS. Se você quiser conferir o seu trabalho, é possível fazê-lo pelo Twitter (@DuduProspero) ou pelo seu blog (http://blogdodudueamigos.wordpress.com), no qual ele publica textos e informações sobre a MPS e demais doenças. Cíntia e Sofia Kliman Para você, qual a sua concepção de “normal”? De acordo com definições encontradas em dicionários de Língua Portuguesa, o significado de “normal” consiste em algo “de acordo com a norma, com a regra; comum”. Logo, pode-se pensar em “nor-

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maternidade

mal” como algo instituído por meio de convenções sociais, sem algum motivo, de fato, fundamentado. Ou seja, o “normal” é algo instituído graças ao consenso social, uma mera casualidade; enfim, uma unanimidade. Nelson Rodrigues (1912-1980), um dos maiores dramaturgos brasileiros, disse certa vez que “toda unanimidade é burra” (vá lá, há exceções). O que se pode pensar, então? A concepção de normal, ao serem ignoradas as convenções sociais, varia de indivíduo para indivíduo. Pois bem, todo e qualquer indivíduo que tenha características diferentes daquelas da maioria da população de determinada sociedade é tido como “diferente” (o somos perante aos índios, por exemplo). Cíntia Kliman pode dizer isso com propriedade, em virtude da maternidade. Ela tem duas filhas: Sarah, de 4 anos, e Sofia, de 2. A sua primeira gestação ocorreu sem surpresas, e assim também acontecia com a sua segunda (ambas ocorreram com intervalo de tempo de 1 ano, como a própria Cíntia explicou, para que ambas pudessem crescer juntas, na mesma faixa etária), por meio da qual Sofia viria ao mundo; no entanto, o imponderável aconteceu no oitavo mês. Durante uma ultrassonografia de rotina, foi detectada formação di-

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ferente do crânio de Sofia, em virtude da craniostenose, que consiste no fechamento prematuro do crânio por hiperosteose (de acordo com dados da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP -, a proporção de indivíduos com craniostenose é de 1:1.000 nascimentos). “Os médicos achavam que este caso só aconteceria em livros [teóricos]”, comentou a mãe. Obviamente, em grande parte por causa do senso comum inerente à sociedade em que vivemos, toda mãe espera que os filhos nasçam conforme os valores estéticos adotados por ela; logo, não é difícil supor que, não importando qual seja a causa, se alguma característica fugir desse padrão, a reação de toda e qualquer mãe será de desespero, perplexidade... E assim o foi com ela e com Fábio, seu marido. “Eu tinha duas opções: chorar e entrar em desespero, ou tentar entender que havia algo diferente e aceitar e, assim, não sofrer por antecipação. Optei por não sofrer, e percebi que tudo o que sentisse poderia transmitir para ela, e passei a ter sensações boas”, relatou Cíntia. Contra os prognósticos feitos pelos médicos (como a formação dos dedos dos pés e das mãos unidos, além de uma série de complicações), Sofia nasceu bem, mas com o crânio fechado e sem a “moleira”, em decorrência da craniostenose. Ao longo de 1 ano, ela passou por três cirurgias cranianas, para que o cérebro pudesse se desenvolver sem complicações; e ambas correram sem problemas (como a própria Cíntia fez questão de ressaltar, a Sofia “é um presente de Deus; é muito forte e se recupera muito rápido”). Atualmente, Sofia leva uma vida normal, em sua plenitude, tal qual qualquer criança, e não tem sequelas em relação à sua gestação. “Não existe ‘será’ para a Sofia. Ela é extremamente ativa. Aprendi a viver um dia de cada vez, a amá-las ao máximo ‘hoje’; a dar tudo ao máximo hoje. (...) A vida é antes e depois da Sofia. A família Corrêa Pinto / Kliman Benedito é outra depois dela. Como um ser tão pequeno pode ensinar tanto? Ela é um anjo enviado por Deus”, relatou a mãe. Para aqueles que têm ou terão filhos com craniostenose, assim


como os pais que procuram por ela e por Fábio, o seu conselho é para “viver um dia de cada vez”, finalizou Cíntia Kliman. Dalila Sanchez, Júlio César e Sílvia Helena O altruísmo é uma das características mais nobres inerentes ao ser humano. Quantas vezes você deixou de fazer algo que era do seu interesse para ajudar a alguém, sendo do seu âmbito de convívio ou não? E quantas pessoas o fizeram, e que foram recriminadas por isso, graças ao hedonismo (doutrina filosófica que defende o prazer como o principal bem da vida) e ao incentivo implícito, em nossa sociedade, para sermos individualistas ou, na melhor das hipóteses, para antes cuidarmos de nós mesmos para, aí sim, olharmos ao nosso redor. No entanto, algumas das pessoas que o fizeram entraram para a posteridade. Nelson Mandela, em pleno Apartheid, na África do Sul, lutou contra o regime segregacionista, com o objetivo de lutar por um país igual para todos e, por esse motivo, passou 26 anos preso. Todavia, ele tornou-se o primeiro presidente negro da nação sul-africana e, consequentemente, um dos maiores exemplos de altruísmo da história contemporânea. Pois bem, analogicamente falando, algo semelhante aconteceu com Sílvia Helena Almeida Barbesani, publisher do Grupo Alpha Mídia. Em 1986 nasceu sua segunda filha, Fernanda e, na mesma época, havia nascido também Júlio César Sanchez, filho de Sérgio e de Dalila Sanchez, após 7 anos de tentativas. “Levei 7 anos lutando para engravidar até que, em 1986, descobri que estava grávida de 3 meses. [Foi] uma gravidez complicada, com parto prematuro de 6 meses e meio. Vinha ao mundo o meu tão esperado filho [Júlio César], com 1,5kg, que permaneceu por 29 dias [internado]”, explicou Dalila. Por conta de todos os problemas inerentes à gestação, Dalila “acabou não tendo leite para amamentá-lo”, conforme relatado pela publisher do Grupo Alpha Mídia; entretanto, o que pode causar estranheza ao senso comum, arraigado à nossa sociedade, aconteceu. “Com a ajuda da minha amiga Silvia, que também realizava o sonho da maternidade na mesma época, levava seu leite diariamente no hospital, ajudando na recuperação do meu filho. Depois de quase um mês, ele atingiu 2kg e foi liberado”, relatou a mãe de Júlio César. “A experiência foi maravilhosa, pois ser mãe é divino, mas ser mãe de leite foi sublime”, comentou Sílvia Helena, sobre o fato de ter amamentado o então bebê. Atualmente, Júlio César, hoje com 24 anos, formou-se em

Direito e goza de “excelente saúde”, conforme sua mãe ressaltou; ainda, de acordo com ela, Júlio César é “o filho que pedi a Deus, e agradeço todos os dias” (dois anos depois, Dalila teve sua segunda filha, Tabata). Ainda vale ressaltar que sua família e Sílvia Helena estreitaram seus laços afetivos. “Assim que ele teve alta do hospital, os meus amigos [os pais de Júlio César] me convidaram para ser a madrinha dele”, relatou a publisher. Certa vez, o poeta lusitano Fernando Pessoa escreveu que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”; e essa célebre citação pode ser aplicada a Sílvia Helena. “Se você tiver a oportunidade de vivenciar esta experiência, não a deixe escapar, pois tenho certeza será muito gratificante”, finalizou a Publisher do Grupo Alpha Mídia.

Ao lado, Silvia Helena com seu afilhado Júlio César. Abaixo, Júlio César com sua mãe recebendo título da Ordem dos Advogados do Brasil

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Turismo


holandesa volta ao mundo

VALORES À

Amsterdã, cidade onde a liberdade é regra, é cheia de valores peculiares Por Amauri Eugênio Jr.

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Fotos Banco de imagens

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ocê já pensou em fazer uma Euro Trip ou, se preferir, um “mochilão” pela Europa? Ou conhecer locais com costumes um tanto inusitados, para fugir completamente da rotina? Além de voltar com a bagagem cheia de causos, histórias engraçadas e de contar curiosidades a granel para seus amigos? Meu caro, então só resta lhe dizer o seguinte: Amsterdã tem a sua cara! Cultura, arquitetura, charme, aspectos de uma megalópole, subversão, tudo no mesmo lugar. Que tal conhecer um pouco mais da capital holandesa, antes de você preparar as malas e comprar as passagens? Para contar a história da capital dos “Países Baixos”, é necessário voltar ao período medieval de nossa história, para os idos do século XIII. Amsterdã começou como um vilarejo de pescadores que, durante o século XIV, recebeu o status oficial de cidade e, posteriormente, passou a prosperar como centro comercial... Além de possuir notória fama de cidade tolerante, no que dizia respeito às religiões (tanto que lá se tornou destino preferencial de judeus oriundos da Espanha e da França, perseguidos em seus respectivos países justamente por conta da religião). Agora, vamos analisar outros aspectos históricos: você já deve ter ouvido falar por algumas vezes em um tal de Maurício de Nassau, possivelmente durante as aulas de História. Pois bem, Nassau era um dos administradores da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais e se tornou, justamente, administrador de Pernambuco durante o século XVII, o que não agradou muito os lusitanos, até então colonizadores do Brasil (se você quiser saber um pouco mais sobre esse período holandês no Brasil, procure pela obra “Calabar”, de Chico Buarque). Este período, por sinal, marcou o “Século de Ouro de Amsterdã”,

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volta ao mundo dã; o que proporciona uma série de locais peculiares e que, com certeza, chocariam os indivíduos mais conservadores. Conheçamos, então, o que a cidade tem de melhor para te oferecer.

uma das fases mais prósperas da cidade, financeiramente falando, ao ponto de ela ter se tornado uma das principais e mais ricas capitais de toda a Europa. Vale citar também, a título de curiosidade, que a Bolsa de Valores de Amsterdã foi a primeira a funcionar diariamente. No entanto, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, a capital holandesa (e a região que compreende os Países Baixos, especificamente Holanda e Bélgica) entrou em declínio, por conta de guerras contra o Reino Unido e França (por sinal, durante as Guerras Napoleônicas, a fortuna, até então conquistada pelos holandeses, foi tomada). Apesar disso tudo, com a formação do Reino dos Países Baixos, em 1815, Amsterdã havia reencontrado o caminho da prosperidade, tanto que aquele período foi considerado como o “Segundo Século de Ouro de Amsterdã”, ainda mais com a modernização urbanística da cidade e, também, por conta da revolução industrial. A contrução de novos canais e vias marítimas colaborou para melhorar a integração entre a cidade e o resto da Europa. Amsterdã também sofreu durante as duas guerras mundiais (na Primeira Guerra, os problemas se deram por conta da falta de alimentos e de aquecimento de gás; e, durante a Segunda, por causa da ocupação nazista). O período no qual a cidade esteve sob a sombra nazista, por sinal, instigou à essência liberalizadora e (por que não?) anárquica, além de cosmopolita, de Amster-

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Museus Antes de qualquer coisa, façamos um “raio-X” de Amsterdã. Que tal o fazermos a partir dos pontos culturais? Por se tratar de uma das cidades mais cosmopolitas da Europa e, consequentemente, do mundo, tem praticamente um museu a cada quadra. Entre eles, podem ser destacados o Museu de Cera Madame Tussauds (o épico museu com obras de cera que possui unidades ao redor do mundo), onde encontramse reproduções de Jack Sparrow, personagem clássico do filme “Piratas do Caribe”, Ronaldinho Gaúcho, Angelina Jolie e Brad Pitt, dentre outros; e o Van Gogh Museum, no qual estão expostos 200 quadros e aproximadamente 500 desenhos do pintor holandês e de outros artistas. Obviamente, não pode ser excluída a “Casa de Anne Frank”. Você sabe quem é Anne Frank? Voltemos à II Guerra Mundial. Conforme explicado no início desta matéria, Amsterdã havia se tornado refúgio de judeus; no entanto, após a dominação da cidade por parte dos soldados liderados por Adolph Hitler, mais de 100 mil cidadãos de origem judaica foram enviados para os campos de concentração. E é aí que entra a história de Anne Frank (claro, ela era judia). A família dela ficou escondida em um bunker (uma espécie de cômodo) na própria casa, por 2 anos; e, durante este período, a menina relatava o cotidiano de sua família (e, consequentemente, mudanças em sua visão de mundo) em um diário. Em 1944, um delator denunciou o esconderijo de sua família ao regime nazista, e seus familiares foram enviados para o campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha. Anne faleceu aos 15 anos, em 1945. O único sobrevivente da família foi seu próprio pai, que descobriu a existência do diário após o final da guerra e o editou. “Diário de Anne Frank” se tornou um dos principais relatos feitos durante a II Guerra. Para se ter uma ideia, Eleanor Roosevelt, esposa do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, o descreveu como “um dos maiores e mais sábios comentários da guerra e seu impacto no ser humano”. “A casa onde a família passou por essa terrível experiência é hoje um museu aberto ao público e uma das maiores atrações de Amsterdã”, explicou Sueli Rizzutti, médica neuropediatra, que foi à ca-


pital holandesa em 2009. Pois bem, a versão original do diário está exposta na Casa de Anne Frank, em caráter permanente. Atrações naturais “Amsterdã é recortada por canais, e navegar por eles é muito agradável. Existem diversas empresas que oferecem passeios de barcos, que vão passeando sobre vários locais históricos e interessantes da cidade”, explicou Sueli Rizzutti. Pois bem, parque é o que não falta por lá (se você gosta de ambientes arborizados, então, a capital holandesa é uma excelente pedida). Para começar, é impossível não mencionar o maior parque da cidade, o Vondelpark, criado em 1864, e que ocupa área de 47 hectares, no qual estão localizados lagoas e canais, além do Filmmuseum, museu holandês voltado para o Cinema. Vale ressaltar que, anualmente, o Vondelpark recebe aproximadamente 10 milhões de visitantes. Também merece menção honrosa o Museumplein, localizado próximo ao Van Gogh Museum, que abriga um lago (que no inverno serve como pista de patinação no gelo) e dois memoriais referentes à II Guerra Mundial: o Ravensbrück (construído em homenagem aos prisioneiros dos campos de concentração nazista) e o Monumento dos Ciganos. Outro parque que vale a pena visitar é o Oostenpark, afastado do centro de Amsterdã, onde os frequentadores são, na maioria, integrantes das comunidades provenientes do Suriname, Indonésia e Índia e, consequentemente, impera a diversidade sociocultural por lá.

Amsterdã é, justamente, o Red Light District (“Distrito da Luz Vermelha”, em tradução livre). “A polícia garante a segurança e o bairro é muito bonito, sendo uma região residencial em que moram pessoas que não têm nada a ver com a indústria do sexo. As mulheres não podem ser fotografadas. Mas vale a pena ir até lá e conhecer”, mencionou a médica. Entre outros atrativos, há profissionais do sexo expostas em vitrines (na verdade, as “vitrines” são as partes frontais de cômodos alugados pelas próprias prostitutas para o exercício diário da profissão), cinemas voltados para o erotismo, sex shops, bares de streap tease e, também, museu voltado ao sexo, propriamente dito. Então, o que você achou de Amsterdã? Que tal tomar um café, durante o pôr-do-sol, e contemplar a paisagem da capital holandesa? Fica a dica. Nog meer (Até mais)!

Pubs e Red Light District Não importam as circunstâncias ou o motivo da discussão mas, em virtude de uma série de fatores, sejam eles culturais, políticos, religiosos ou de ordem ainda mais subjetiva, sempre há muita polêmica em se tratando da Cannabis Sativa ou marijuana (ou, se preferir, a maconha). Se por aqui, o uso da “erva” acarreta em coerção penal (entenda-se prisão), por ela ser considerada uma droga ilícita; na Holanda, o consumo dela é legalizado. Mas, você pode respirar menos apreensivo: isso não quer dizer que haja consumidores de marijuana em cada esquina; logo, o consumo é restrito às coffee shops e pubs espalhados pela cidade. Vale ressaltar outro aspecto, digamos, polêmico na Holanda: a prostituição. Sim, a “profissão mais antiga do mundo” também é legalizada por lá e, por sinal, uma das principais atrações de

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DIVERSÃO EM FAMÍLIA

Conheça os principais roteiros para se divertir com sua família e, também, para valorizar cada segundo com ela Por Amauri Eugênio Jr.

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uando você era criança, uma das coisas que mais te deixava ansioso era viajar com sua família, não é mesmo? A sensação de viajar com seus pais era indescritível, como um misto de liberdade e de ida ao Olimpo, como se você estivesse indo de encontro aos deuses. Cada parada, por sinal, era um ótimo motivo para admirar o local onde você estava. Pois bem, já na vida adulta, um dos eventos mais esperados por você, durante o ano, é a viagem a ser feita durante as suas férias. Além de fugir da rotina, do estresse e das duzentas e oitenta e cinco mil tarefas inerentes ao seu cotidiano, é indescritível viajar em família, responder pacientemente e de maneira bem humorada à épica pergunta “Pai, já está chegando?”, ou ficar maravilhado e impressionado com cada interjeição feita pelo seu pequerrucho, sobre cada paisagem que deixa de ser uma novidade para ele... Além das várias pamonhas consumidas durante a viagem (ou barrinhas de cereais, se a viagem foi feita de avião). Também é impressionante ir a um parque de diversões, daqueles enormes (que parecem ser maiores do que muito município por aí), que povoavam o seu imaginário durante a infância. Ainda sobre esses mesmos parques, uma criança parece não querer saber de mais nada na vida, ao adentrar nele (especialmente quando tem “passe livre” dentro dele); e os adultos, por sua vez, parecem voltar a ser crianças, mesmo que por alguns segundos, dentro desses mesmos locais. Pois bem, caro leitor, esta introdução teve como utilidade explicar que o Alpha Indica desta edição tem como finalidade mostrar várias opções de parques de diversão, para você e sua família aproveitarem cada instante da maneira mais intensa que for possível. Ajuste a barra de fixação (ou cinto de segurança, como preferir) de seu carro, e preparese para descer a montanha russa!

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Fotos Divulgação


Walt Disney World Caro leitor, com certeza, ir aos parques temáticos da Disney é o sonho de muitas crianças. Dois fatores são determinantes para tal: o desejo de ir aos EUA, inerente a todo e qualquer indivíduo, além da forte influência exercida pelos desenhos de Walt Disney sobre todos nós. Afinal, quem nunca se “identificou” com Mickey Mouse? Até mesmo Hugo Chávez, mandatário da Venezuela e crítico ferrenho da cultura estadunidense, o fez (ou melhor, o fotógrafo de um jornal de grande veiculação no Brasil fez uma fotomontagem na qual Chávez aparecia com, acredite, as orelhas do Mickey). Atire a primeira pedra quem nunca tentou imitar a voz rouca e esganiçada do Pato Donald, quem nunca riu das ações desastradas do Pateta ou quis dar um mergulho dentro da caixa-forte do Tio Patinhas? E a lista continua (só para constar: de certo modo, os desenhos da Disney tentam mostrar o melhor da cultura norte-americana e, querendo ou não, influenciaram a muitos de nós). Pois bem, dados esses fatores, é perfeitamente compreensível a empolgação de todo e qualquer indivíduo ao chegar ao Walt Disney World, um dos templos da cultura estadunidense (além de Hollywood, da Times Square, do Grand Canyon, da Área 51...). Inaugurado em 1971, o parque temático foi, em princípio, um projeto idealizado por Walt Disney em meados dos anos 60; no entanto, após seu óbito, em 1966, o parque recebeu o seu nome, em homenagem ao cartunista.

Para se ter uma ideia, o Walt Disney World não é um parque qualquer, mas sim um complexo de inúmeros parques no mesmo local: o Epcot, o Blizzard Beach, o Typhoon Lagoon e o Downtown Disney. O Epcot (sigla para Experimental Prototype Comunity of Tomorrow, ou “Protótipo da Comunidade Experimental do Amanhã”, em tradução livre) era o projeto inicial do que seria o Walt Disney World, dividido em duas partes: o Future World, no qual predominam atrações high tech, e o World Showcase, tentativa de reprodução de nações do mundo, separadas por um lago (o World Showcase Lagoon). O Blizzard Beach é o parque aquático do complexo Walt Disney World que conta com vários tobogãs e piscinas, entre eles o Summit Plummet, o tobogã mais alto do mundo; sem contar o Melt Away Bay, uma praia artificial. O Thyphoon Lagoon, por sua vez, foi inspirado nas praias do Havaí, reproduz um vilarejo destruído por uma tempestade, e é considerado como um dos maiores parques aquáticos do mundo. Finalmente, o Downtown Disney, centro de entretenimento voltado às compras, ao lazer, à alimentação e à recriação, tenta recriar os melhores aspectos da vida noturna das megalópoles mundiais. Vale citar também que, em Downtown Disney, é réveillon em todos os dias, com queima de fogos de artifício à meia noite.

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alpha indica Terra Mítica Você é fascinado por História, não é mesmo? Sempre teve curiosidade para entender como os povos antigos viviam, quais eram seus respectivos costumes, interesses, organização sociocultural, aspectos políticos... Enfim, sempre se perguntou como era o cotidiano de cada civilização. Que tal aprender como “a banda tocava” em cada período por meio da diversão, em seu caráter maximizado? Pois bem, esta é a proposta do Terra Mítica. Localizado em Benidorm, município situado na Comunidade Valenciana (um dos principais pólos turísticos da região mediterrânea da Espanha e da Europa), o Terra Mítica se destaca, justamente, pela relação simbiótica entre cultura e diversão. Entre as 100 atrações diárias, sendo mais de 30 permanentes, é mostrado ao público frequentador do parque como os povos egípcios, gregos, romanos e iberos (habitantes da Península Ibérica, onde estão localizados Portugal e Espanha) viviam... Isso sem contar os vários pontos de alimentação, lojas e as zonas de jogos. Se você gosta de aliar cultura e entretenimento, meu amigo, o Terra Mítica é uma excelente pedida. Fica a dica.

Ferrari World Abu Dhabi Tour É notória a gana que emires, xeques, reis, seja lá qual a nomenclatura dos governantes (ou seriam ditadores?) em determinadas regiões do Oriente Médio têm em levar para seus países o que há de mais luxuoso e moderno, seja com inspiração ocidental ou na própria cultura local. Também é patente o fascínio que a Ferrari causa no imaginário popular, especialmente em crianças e em quem é aficionado pelo automobilismo e

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por carros em geral (tudo bem que a imagem da marca de Maranello anda meio “arranhada”, especialmente por estas bandas, graças aos acontecimentos questionáveis envolvendo pilotos brasileiros na Fórmula 1). Agora, caro leitor, tente imaginar a junção do “universo Ferrari” com o Oriente Médio. Pois bem, temos como resultado o Ferrari World Abu Dhabi Tour. Isso mesmo, um parque da Ferrari em


Abu Dhabi – o maior parque temático coberto em todo o mundo. Localizado ao lado do circuito de Yas Marina, que recebe desde 2009 a Fórmula 1, ele ocupa área de 86 mil m², e tem capacidade para receber até 10 mil visitantes. Entre as 20 atrações existentes, a principal é o Formula Rossa, que simula a sensação de se estar em um carro de Fórmula 1, a mais de 240km/h e, de acordo com a organização de Maranello, é a montanha russa mais rápida do mundo. Seu passeio inaugural foi feito por Fernando Alonso e Felipe Massa, pilotos da marca do “cavalo rampante” na Fórmula 1 (talvez o piloto espanhol tenha se divertido, de fato, pois o russo Vi-

taly Petrov, piloto da Renault, não estava à sua frente). [Nota do redator: para contextualizar o comentário sobre Alonso e Petrov, o piloto espanhol ficou atrás do russo durante o Grande Prêmio de Abu Dhabi (!), e o alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, sagrou-se campeão mundial, justamente por Alonso ter finalizado a corrida atrás de Petrov. Inconformado com a perda do título, o espanhol culpou sistematicamente o russo por esse fato]. Enfim, se você gosta de adrenalina, velocidade (e da Ferrari, por consequência) e de locais exóticos, com certeza você vai gostar do Ferrari World Abu Dhabi Tour.

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Beto Carrero World Você não é necessariamente entusiasta de viagens para o exterior? O que você mais curte é viajar pelo Brasil, desbravar os mais variados, belos e curiosos locais país adentro? Que tal o Beto Carrero World? Pois bem, o império iniciado por Beto Carrero (in memorian) foi concebido após uma visita do mito à terra do Tio Sam (mais precisamente aos parques da Disney) e, a partir disso, decidiu construir um parque de proporções semelhantes... E o fez, no município de Penha, situado em Santa Catarina, a 35km do Balneário Camboriú. O parque, inaugurado em 1991 e o maior da América Latina, é dividido em sete áreas: Avenida das Nações, Aventura Radical, Ilha dos Piratas, Mundo Animal, Terra da Fantasia, Velho Oeste e Vila Germânica. A Avenida das Nações, considerada pela administração do parque como a primeira área temática do complexo, é tida como o “centro” do próprio parque e, entre suas atrações, podem ser destacados o Castelo das Nações e o Raskapuska, que consiste em 15 botes que navegam pelo interior de uma montanha, na qual há citações a inúmeros personagens da literatura mundial, além de efeitos especiais; e a Aventura Radical, por sua vez, é

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voltada para a adrenalina. Entre suas atrações, podem ser destacadas a Big Tower, que proporciona queda livre de 100m e que alcança velocidade de 120km/h e a Star Mountain, montanha russa com dois loopings e 22m de altura. A Ilha dos Piratas, ligada ao centro do parque por uma ponte pênsil, é uma área temática, como o próprio nome sugere; enquanto que o Mundo Animal, com características de um zoológico, abriga centenas de animais. A Terra da Fantasia é caracterizada por um passeio de trem pelas principais atrações do parque, na qual podem ser destacadas a Terra dos Gigantes, com cenários que imitam animais enormes, e a Casa do Beto Carrero, em que era simulado um assalto ao trem, mas os visitantes eram salvos pelo Beto Carrero (por motivos óbvios, hoje é um xerife que o faz). O Velho Oeste consiste em uma pequena vila, com construções típicas, e na qual estão homenagens à trajetória do personagem que dá nome ao parque; e, finalmente, merece menção honrosa a Vila Germânica, área temática construída aos imigrantes germânicos localizados em Santa Catarina. Gostou? Ficou interessado? Como diria Beto Carrero, o Beto Carrero World está “esperando por você!”.


WINTER 2011

Robert o Oshiro

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Valle Nevado Esqui. Modalidade de transporte muito utilizada pelos povos nórdicos (antes mesmo do início da era cristã), que se tornou o esporte, tal qual o conhecemos, lá pelos idos do século XIX. Pelo fato de o Brasil estar localizado no trecho do hemisfério sul em que não neva (vá lá, de vez em quando há uma ou outra ocorrência de neve no extremo sul brasileiro), esquiar causa tanto fascínio entre nós, habitantes dos “trópicos”... E, por isso, fazê-lo pode ser considerado com um dos signos mais fortes de status e de poder aquisitivo por aqui. No entanto, não é preciso ir aos Alpes suíços ou a Aspen, nos EUA, para praticar a nobre arte do Esqui. Parafraseando o apresentador Fernando Vanucci em um de seus momentos de sabedoria ébria, é possível fazê-lo “logo ali”... No Chile. Mais precisamente em Valle Nevado, próximo a Santiago, e que tem a maior estação de esqui da América do Sul. A região, visitada por esquiadores de todo o mundo, tem comprimento de 9000 hectares de superfície voltada à prática de esqui, na qual há pistas com estilos e graus de dificuldade diferentes; e também é bem conceituada no que diz respeito à sua infraestrutura hoteleira e pela gastronomia. Vale ressaltar que a temporada ideal para a prática de esqui começa em 17 de junho e vai até 9 de outubro; e a alta temporada dura de 8 a 28 de julho.

SERVIÇO

Foto: Newton Medeiros

Walt Disney World Localizado em Orlando, Flórida (EUA). Pacotes de viagens por 15 dias. Entre em contato com a agência de viagens Trust in Travel para obter mais informações sobre os pacotes disponíveis. Tel.: (11) 2261.4464 www.trustintravel.com.br Terra Mítica Localizada em Ibiza, na região de Benidorm (Espanha). Entre em contato com a Decolar.com para obter informações sobre pacotes turísticos.

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Tel.:(11) 4003.9444 www.decolar.com Ferrari World Abu Dhabi Tour Localizado em Abu Dhabi. Entre em contato com a Trust in Travel para obter mais informações. Tel.: (11) 2261.4464 www.trustintravel.com.br

obter mais informações. Tel.: (11) 2425.0533 www.cvc.com.br

Valle Nevado Localizado no Chile, a 46 km de Assunção. Entre em contato com a Inova Idea Viagens para obter mais informações sobre pacotes. Tel.: (11) 2283.5938 Rua Larival Gea Sanches, 520 Beto Carrero WorldAv. Paulo Faccini, 774 http://www.inovaideaviagens.com.br Centro - Guarulhos Água Fria - São Paulo - SP Localizado no município de Penha, em Santa / SP 2229.0888 11 2261.2149 Catarina. Entre em contato com a11 CVC para


Autom贸veis


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RENOVAÇÃO RETRÔ

Carros de outrora têm aparência renovada para atrair novos consumidores Por Amauri Eugênio Jr. Fotos Divulgação

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lguns modelos de carros fabricados há aproximadamente 30, 40 ou, até mesmo, há mais de 50 anos não são considerados como modelos antigos, mas sim clássicos, atemporais, e atraem a inúmeros fãs fiéis, quiçá a uma legião de apaixonados motoristas. No entanto, qual o motivo dessa devoção por modelos antigos, digna de um tifosi (torcedor da Ferrari)?

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Pois bem, dentre esses modelos clássicos (ou épicos, se você preferir), alguns têm uma espécie de segunda chance; ou seja, recebem uma remodelada, uma repaginada na aparência. É como se esses mesmos modelos passassem por uma série de “cirurgias plásticas”; entretanto, apesar de todas as mudanças feitas, eles permanecem com a mesma cara; a essência é mantida.


Quem nunca falou do Fusca com saudosismo (mesmo aqueles que nunca tiveram ou dirigiram um)? Quem nunca olhou para um Gol ou para um Uno (popular “bota ortopédica”, por causa de seu formato), e ficou imaginando o quão inovadores, em termos de aparência, ambos foram em suas respectivas gerações? E o que dizer sobre a saudosa Kombi, a “mãe” das vans de hoje? Também merecem menções honrosas os imponentes e míticos carros com motor V8, dignos de corridas antigas da Stock Car, não é mesmo? Algumas montadoras pensam o mesmo sobre esses ícones da indústria automobilística. Pois bem, face ao notório sucesso que alguns modelos tiveram por estas bandas e no exterior, algumas marcas famosas decidiram fazer um revival desses carros e, assim, saciar a vontade de seus fãs legionários (a paixão de alguns fãs pode ser comparada às da tão mítica banda Legião Urbana) e conquistar novos seguidores... Sem contar que, querendo ou não, as novas versões chamam a atenção de muita gente. Que tal dar uma olhada em alguns modelos que foram redesenhados, mas que não perderam a essência? Camaro Para muitos, o que mais importa em um carro é a potência, que é automaticamente associada à velocidade final. Não dá para entender exatamente o porquê dessa predileção pois, por motivos óbvios, há limites de velocidade em perímetros urbanos e em estradas (sem contar que rachas são expressamente proibidos e ilegais, é claro). No entanto, a devoção pelos famosos carros com motor V8 parece somente aumentar. Este também é o caso do Chevrolet Camaro. Se disserem a você, caro leitor, que ele foi escolhido por inúmeras vezes (em versões diferentes) como Pace Car (“Carro-Madrinha”,

em tradução livre) das 500 Milhas de Indianápolis, automaticamente o espírito “veloz” dele ficaria mais fácil de ser identificado. O superesportivo da Chevrolet (o “SS” - “Super Sport” - a nova versão do Camaro, lançado recentemente por estas bandas) também arrebatou uma legião de fãs nos cinemas. Na franquia “Transformers”, o personagem Bumblebee, robô que se transformava no Camaro (amarelo), era o transformer que melhor se relacionava com os seres humanos na trama. Voltando ao que interessa, a nova versão do Camaro chegou ao mercado tupiniquim em outubro de 2010 e, seguindo a tendência de releitura (quase) fiel dos míticos carros de outrora, suas linhas assemelham-se com as do primeiro modelo, lançado em 1966. Fusca Não há como falar em carros que tiveram versões repaginadas sem falar no épico Fusca. Pois bem, sua história se funde com a de seu fabricante, a Volkswagen e, até mesmo, com a da Porsche (antes que você pergunte o porquê, o projeto-base foi concebido pelo engenheiro Ferdinand Porsche, criador da marca automotiva que carrega o seu nome). Por mais bizarro que pareça, o conceito do carro que resultaria no Fusca envolveu, até mesmo, o governo alemão durante os anos 30 (entenda-se como Adolph Hitler, infelizmente); e o objetivo era criar um carro voltado para as camadas populares (nem precisa dizer que a tática deu certo; no entanto, será que a cúpula tedesca imaginava que também o seria no Brasil?). Pois bem, o carro que conquistou amantes ao redor do mundo e até virou tema e personagem central de filmes (quem nunca torceu por Herbie, o Fusca antropoformizado da franquia “Se meu Fusca falasse”?) ganhou

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auto uma nova versão há pouco mais de uma década: o New Beetle (nos EUA, o Fusca é chamado de “Beetle”, que significa “Besouro” – o modelo recebeu esse nome por aquelas bandas graças ao seu formato). O New Beetle, que fugiu à ideologia inerente ao Fusca (deixou de ser um carro popular e tornou-se protótipo de luxo, digno até de compra por parte de Bill Gates, todo-poderoso da Microsoft), foi alvo de duras críticas por parte dos fãs inveterados do Fusca, por conta de seu layout destorcido. Polêmicas à parte, algumas notícias (algumas com cara de boato, é verdade) têm causado inquietação nos adoradores do “carro-besouro”: possíveis projetos do que seria o novo Fusca. Ainda não se sabe ao certo se são somente especulações ou “desejos” de fãs ou se é algo para valer; mas ver uma nova versão do “besourinho” não seria nada mal, não é mesmo? Uno Uma coisa é fato: o Uno é um dos carros preferidos do brasileiro. A “botinha ortopédica” começou a ser fabricada no Brasil em meados dos anos 80 (em 1984, para ser mais preciso), para suceder o não tão menos famoso Fiat 147, que era comercializado desde 1971. Pois bem, a popularidade do Uno por estas bandas atingiu patamares, digamos, assombrosos: virou uma das preferências do brasileiro, em termos de popularidade entre carros (grande parte dessa aceitação se deve ao fato de o Uno ser um carro popular); e tal fama se ratificou com a chegada do Fiat Uno Mille. Mesmo sendo majoritariamente substituído pelo Palio, continuou a ser fabricado (para alegria de seus fãs). Em 2010, os entusiastas do Uno tiveram boas notícias: uma nova versão da “bota ortopédica” chegou ao mercado. Não era exata-

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mente uma releitura do ícone (basta dar uma olhada nas linhas, nas lanternas dianteiras e traseiras e, caso duvide, saiba que ele é uma versão simplificada do modelo europeu Panda) mas, ainda assim, agradou (e muito) aos seus “fãs”, e conquistou novos seguidores. No entanto, renovações não pararam por aí. A previsão é de que outra versão do Uno (uma espécie de releitura do modelo clássico, mas com mais curvas) começará a circular por aqui neste ano. Kombi A “mãe das vans”, precursora do transporte de passageiros e de carga por estas bandas, não poderia ser ignorada. Sim, caro leitor, trata-se da Kombi (ou “Kombosa”, para os saudosos passageiros e eternos motoristas). Pois bem, a Kombi (abreviação de “Kombinationfahrzeug”, que significa “veículo multiuso”) surgiu após a II Guerra Mundial, na Alemanha, e chegou ao Brasil em 1953 (nem é necessário dizer que se tornou um dos veículos mais populares entre os brasileiros, e “arrasou o quarteirão” no segmento de veículos utilitários). Vale citar, a título de curiosidade, que a Kombi também foi um dos símbolos da cultura hippie (não era raro ver veículos desse modelo pintados com flores e símbolos “paz e amor”). Também marcou presença em desenhos animados (quem não se lembra da “Máquina do Mistério”, do desenho “Scooby Doo”?), além de ter sido lembrada no cinema (ela foi, digamos, homenageada no filme “Pequena Miss Sunshine”). A mítica Kombi também terá uma nova versão por aqui, possivelmente diferente das versões repaginadas na Europa; no entanto, ela só estará nas ruas, de acordo com estimativas dos engenheiros da Volkswagen, em 2013.


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AIRCROSS MADE IN BRAZIL Citroën AirCross, o automóvel adaptado para os padrões que os brasileiros amam Por Amauri Eugênio Jr. Fotos Divulgação

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lguns dos carros mais idolatrados (ou amados) no Brasil foram concebidos na Europa. O Fusca, por exemplo, um dos carros top of mind em solo brasileiro, foi concebido na Alemanha (de onde você acha que surgiu a Volkswagen?). Pasme... seu projeto-base surgiu durante a II Guerra Mundial. Que tal outros exemplos? O Palio, outro carro popular por aqui, teve o projeto concebido na Itália (sim, a “terra da bota” é a pátria mater da Fiat). Que tal, agora, um carro concebido ao mercado brasileiro? Pois bem, esse é o caso do novo Citroën AirCross. A plataforma dele é a mesma do C3 Picasso, em breve por estas bandas. Apesar de a base ser europeia, foi colocada “roupagem” à brasileira, com itens relativos à modalidade off road (ele é, inclusive, esperança da montadora francesa em aumentar

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sua participação no mercado automotivo brasileiro de 2,5% para 3,5%). Especificações Com 4,28m de comprimento, 1,69m de largura, 1,75m de altura e 2,54m de entreeixos, o modelo traz um novo padrão de conforto e espaço interno ao segmento. Para suportar a grandeza do veículo, eles serão equipados com motores 1.6, 16 válvulas, 5.800 rpm (rotações por minuto) e flex; quando utilizado com gasolina, este motor disponibiliza 110 cavalos e, no álcool, são 113 cavalos. O diferencial do modelo pode ser constatado até mesmo no pára-brisa panorâmico tripartido, inédito no segmento, com tecnologia que permite visibilidade periférica ímpar aos ocupantes.


Vale ressaltar, também, que o AirCross, a exemplo de outros utilitários “estradeiros” do mesmo segmento, segue a linhagem dos veículos off road lights, ou seja, tem características visuais que o identificam como veículo perfeitamente capaz de circular em estradas com terrenos acidentados; no entanto, não seria um “peixe fora d’água” no perímetro urbano. O carro possui diversas características próprias e novas para a marca Citroën: o estepe traseiro; as barras de ferro, montadas sobre a lateral do veículo; a dupla vedação das portas e até mesmo o exclusivo sistema Pionner de áudio. Outros aspectos a serem destacados são o fato de todas as suas versões trazerem computador de bordo, ar condicionado e porta-malas elétrico. A versão GLX, com mais itens de série, tem como adicionais rodas de liga leve, inclinômetro (equipamento que mede o grau de inclinação do veículo, de acordo com o terreno em que ele se encontra), vidros traseiros elétricos, faróis de neblina, sistema de som mp3 e regulagem de altura do banco do motorista. Os modelos da linha Exclusive, por sua vez, têm ar condicionado digital, airbag duplo, bancos e volante de couro, piloto automático e freios ABS com EBD (Eletronic Brake Force Distribution, sistema para distribuição de força na frenagem). No que diz respeito aos itens adicionais, são oferecidos ao comprador/motorista sensor de estacionamento traseiro, airbag lateral, sensor de chuva, acendimento automático de faróis e, ainda, sistema de navegação desenvolvido pela própria Citroën, especialmente para o modelo AirCross.

Para dar uma “abrasileirada” nas expedições de outrora (tal qual havia sido feito com o modelo-base do AirCross), a fabricante francesa decidiu reeditar essas viagens e foi criada a “Expedição Citroën AirCross”. A viagem, realizada no centro-sul brasileiro, reune 10 participantes (ou “expedicionários”, como preferir), e vai até 10 de dezembro. Como já é, diga-se de passagem, tradição nos trópicos, a “Expedição Citroën AirCross” está sendo transmitida em formato de reality show, pelo canal por assinatura Multishow, em 13 capítulos, por meio da série “Outros lugares”. Para dar ares mais “realistas” ao programa, câmeras on board foram instaladas nos veículos e cada “expedicionário” tem um celular com acesso à internet e, de quebra, um fotoblog para registrar suas experiências da viagem. Preços O Citroën AirCross pode ser encontrado a partir de R$53.900,00, na versão 1.6 GL 16V (claro que, em solo brasileiro, o carro é flex); e, no caso do 1.6 GLX 16V (flex), o valor é de R$56.400,00. Já o 1.6 Exclusive 16V (flex) sai por R$61.900,00. Que tal fazer um test drive e descobrir por que o AirCross tem boas chances de conquistar o amor dos brasileiros? Au revoir. Serviço Louvre Guarulhos Tel.: (11) 2468.5555 Rua Bartolomeu de Gusmão, 316 Jd. Santa Francisca - Guarulhos / SP

Expedição Citroën AirCross Afinal de contas, você sabe o que é a “Expedição Citroën AirCross”? Se você pensou em algo semelhante com o programa “The Amazing Race” (exibido atualmente pelo canal por assinatura Discovery Channel) e com viagens que têm como objetivo desbravar locais, digamos, pouco acessíveis, acertou! Pois bem, para quem não sabe, Andre Citroën (1878-1935), fundador da marca francesa, realizou três viagens desbravatórias. Uma delas foi pelo Deserto do Saara, entre 1922 e 1923 (sim, antes mesmo de surgir o rali Paris-Dacar, já eram feitas expedições nesse formato); e as outras, a Travessia Negra, pela África (entre 1924 e 1925), e a Amarela, pela Ásia Central (entre 1931 e 1932). Em todas elas, os objetivos eram mostrar aspectos culturais daquelas regiões e, obviamente, mostrar a robustez e a durabilidade dos veículos da Citroën.

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Porfólio (Amauri Eugênio Jr.)  

Coletânea de matérias escritas pelo jornalista Amauri Eugênio Jr.

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