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F o t o : R i o Te j o , J o 達 o Te l e s Va s c o n c e l o s


L a nç a m o s um we b site c o m um a nov a im a ge m ! Ago r a p o d e f ina lm e nte se g uir a s no ssa s p isa d a s, v e r p o r o nd e já a nd á m o s, a s r e g iõ e s q ue já tê m d o c um e ntá r io s p r o d uz id o s e m a is. . . a s r e g iõ e s o nd e e sta m o s a p r o d uz ir m a is d o c um e ntá r io s. F iq ue a te nto e p a r ta c o nno sc o à d e sc o b e r ta d a inc r ív e l b e le z a na tur a l d o no sso p a ís!


-estruturas fora dos centros urbanos e recursos bastantes limitados em relação a equipamento que dispúnhamos, apesar de tudo, a ajuda e hospitalidade que fomos encontrando em cada canto da ilha, contribuíram para que tenhamos atingi do os nossos objectivos.Uma vez que não dispúnhamos de informação sobre a localização tanto de espécies como dos melhores locais para recolher imagens, a nossa estratégia consistiu em recorrer a ajuda das populações locais. Normalmente chegávamos a uma povoação, procurávamos falar com o as pessoas mais velhas ou com o chefe da aldeia (uma vez que são os mais velhos que melhor falam por tuguês) e depois de explicarmos o que estáv a m o s a f a z e r, r e c o l h í a m o s a i n f o r mação e muitas vezes foram estas pessoas que nos guiaram quer aos locais, quer ao encontro das espécies que procurávamos. Aconteceu por diversas vezes estas pessoas convidarem-nos a ficar nas suas próprias casas sem cobrar nada. O que foi sempre um óptima ajuda para recarregar baterias a todos os níveis. O documentário produzido é então o fruto de uma expedição de 1 mês e meio em território timorense que ainda que com poucos meios pretendeu fazer uma primeira abor dagem ao universo natural deste pais!


O seu voo é lento, com batidas das asas pouco profundas, pelo que não d e m o n s t r a g r a n d e l e v e z a a v o a r. N o entanto, a ausência de bar ulho durante o seu voo é absolutamente fascinante. É um dos verdadeiros misteriosos caçadores noturnos! Alimenta-se maioritariamente de pequenos roedores, podendo por vezes alimentar-se de algumas aves. Localiza as suas presas através do som que emitem no silêncio e no escuro da noite. O Bufo distribui-se por quase todo o território por tuguês, de Nor te a Sul do país, incluindo os Açores. Está também presente durante todo o ano, pelo que, quem gosta de desafios pode sempre par tir à sua descober ta. Nesta altura, por estarmos em plena primavera e na sua época de nidificação, os Bufos preferem locais arborizados como bosques ou florestas que contenham clareiras. No inverno deambulam um pouco por todo o lado, sendo obser vados muitas vezes em locais sem nenhuma árvore.


Foto: Rita Quitério

Foto: Alejandr a Tr ejos

Foto: Rita Quitério


F o t o : J o 達 o Te l e s Va s c o n c e l o s


S ã o To m é e P r i n c i p e , Fo t o : A l e x a n d r e Va z

Biólogo do CIBIO


minha formação no trabalho de campo foi quase t o d a f e i t a n e s s e s a n o s . E s t a s p e s s o a s d o C E M PA que tiveram a generosidade de andar com um miúdo atrás foram mentores muito impor tantes, numa fase muito impor tante, a que me levou a escolher o percur so académico que segui. Foi também por essa altura que conheci pessoas da minha idade com os mesmos interesses, como o Alexandr e Vaz e o Luís Gor dinho. Isto criou uma dinâmica em que éramos todos mentores uns dos outros. Para lá da figura do velho sábio c o m o m e n t o r, a c h o q u e e s t e ‘ a u t o - d i d a t i s m o d e grupo’, e ainda por cima de grupo de adolescentes, tem uma força extraordinária. Leva tudo à frente. Finalmente, e muito mais tarde, foi a leitura dos ar tigos do Thomas Smith (agora na UCLA) sobre a evolução de aves com bicos de tamanhos diferentes dentro da mesma população de um passeriforme dos Camarões que me permitiu perceber como é que eu podia fazer ciência na área que me interessava – a evolu ção das espécies na natureza. Figuras históri-


oceânicas, que de centros de formação de espécies passaram a centros de extinção após a sua colonização pelos humanos. Em relação às aves, que estudo, esta combinação fez com que as f l o r e s t a s d e S ã o To m é e P r í n c i p e f o s s e m c l a s s i ficadas, em 2011, como as terceiras florestas mais impor tantes do mundo. A ár ea das duas ilhas não chega aos mil kilómetros quadrados. For mam um dos países mais pequenos do mundo, cerca de cem vezes menor do que Por tugal. Mas nessa pequena área vamos encontrar 28 espécies de aves endémicas. O que isto quer dizer é que quando entramos nas suas florestas, entramos num mundo à par te – praticamen te todas as aves que vemos só ali se encontram. Sabemos que ilhas oceânicas, que nascem por actividade vulcânica e sempre estiveram separadas dos continentes, são lugares propícios à formação de espécies. O seu isolamento permite que indivíduos de uma espécie do continente que acidentalmente cheguem a uma ilha e aí se instalem sigam um caminho evolutivo diferente do da população continental. O endemismo encontrado nas aves de STP é no entanto par ticular mente especial – de facto,as duas ilhas são


S ã o To m é e P r í n c i p e , Fo t o : A l e x a n d r e Va z


Fl o r e s t a s d e n e v o e i r o e m S ã o To m é , P i c o C a l v á r i o - Fo t o : M a r t i m

de longe as ilhas no mundo com maior concentração de espécies endémicas. Se fizermos um gráfico que mostre a relação entre área de uma ilha e número de espécies endémicas que comp o r t a , S ã o To m é e P r í n c i p e a p a r e c e m c o m o d o i s pontos que literalmente rebentam a escala. I l h a s c o m o t a m a n h o d e S ã o To m é t ê m e m g e r a l entre 3 a 5 espécies endémicas. Ilhas como o Príncipe, têm com sor te uma ou duas. Neste c a s o S ã o To m é t e m 1 7 e s p é c i e s ú n i c a s , o P r í n cipe outras 8, e juntas ainda par tilham mais 3. As merecidamente famosas ilhas Galápagos, têm 22 espécies endémicas: dispersas por 13 ilhas com uma área total 8 vezes superior à de São To m é e P r í n c i p e . M a s a s d u a s i l h a s n ã o s ã o apenas interessantes para as aves. Níveis elevados de endemismo encontram-se nos outros grupos, a começar pelas plantas. São também as ilhas oceânicas do mundo com maior número de anfíbios endémicos – cinco espécies em São To m é e t r ê s n o P r í n c i p e . C a d a u m a d a s i l h a s t e m ainda um musar anho endémico. Estes pequenos mamíferos insectívoros precisam de comer de duas em duas horas, enquanto que os anfíbios são intolerantes à água salgada. A presença


S ã o To m é e P r i n c i p e , Fo t o : A l e x a n d r e Va z


A l e x a n d r e e m b u s c a d o B i c o - g r o s s u d o d e S ã o To m é - Fo t o : M a r t i m


Alexandr e Vaz em busca do moc ho misterioso, nunca obser v ado por cientistas, Principe - Foto: Mar tim


pristinos, selvagens. As espécies endémicas que aí encontramos surgiram aí, evoluíram aí, e muitas delas não serão capazes de se adaptarem a habitats demasiado modificados pela acção humana. Por isso a ameaça principal é a destruição do habitat – de facto a razão principal para a crise da biodiversidade mundial que atravessamos actualmente. Nos meus locais de tr abalho, a destr uição de habitat é uma consequência do crescimento populacional de comunidades com modos de vida de subsistência ou quase-subsistência. Este crescimento arrasta consigo uma maior pressão nos recursos naturais para garantir a sobrevivência ou as condi ções mínimas para essas comunidades. Cria-se por isso um conflito sério e decidir a favor da preser vação de ecossistemas naturais, mesmo se seja a solução melhor para todos a médio- e longo-pr azo, é muito difícil. É sempre necessário encontrar alternativas, contra-par tidas. Já nas florestas da bacia do Congo onde também trabalho para fazer comparações com as comu-


humana. Há umas semanas atrás as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera atingir am as 400 par tes por milhão. Este v alor já ultrapassa o patamar das 350ppm que muitos cientistas consideram levar a uma cascada de eventos irreversíveis. Espera-se por isso uma sucessão de eventos catastróficos com enormes impactos nas sociedades humanas. No entanto, este marco passou sem grande alarido na imprensa. Per ante a dimensão do problema continuamos a esperar que todas as soluções venham de avanços na tecnologia. Não se questiona o modelo de desenvolvimento dominante. Até os conservacionistas já consideram a hipó tese de utilizar a biologia sintética para atacar o pr oblema. “Vamos r essuscitar o mamute!”. Par a mim é, mais do que uma distr ação, isto é uma admissão de que a batalha está perdida. O q u e a c h o , o u q u e r o c r e r, q u e a i n d a n ã o é o caso. Acho que o problema não será tanto a manutenção dos ecossistemas mundiais – esses existirão sempre, mesmo se diferentes dos


Mar tim Melo, Mar tin Ster v ander e Peter Ryan, ilhéu Boné de Jóquei, Príncipe. Foto: Alexandr e Vaz

a c t u a i s . A Te r r a r e c u p e r o u d e v á r i a s e x t i n ç õ e s massivas, a última há 65 milhões de anos; e do mesmo modo deverá recuperar das extinções massivas actuais que são da mesma ordem de magnitude. Para mim o problema é de outra ordem. O problema é o da destruição dos espaços naturais, ou selvagens, não sei bem como o s c h a m a r. T a l v e z o q u e e m i n g l ê s s e c h a m a d e ‘wilderness’. Claro que o ser humano é par te da natureza – mas refiro-me ao desaparecimento dos espaços em que ele não é a figura central. É apenas mais um indivíduo, de uma espécie c o m o o u t r a q u a l q u e r. A l g u é m d i s s e q u e q u a n d o já não existirem espaços assim (e estamos lá per to) vamos nos sentir todos sós – só nos teremos a nós... Muita gente nunca teve acesso a esses espaços, pode-se sobreviver sem eles, mas acho que a sua impor tância para a vida das pessoas é universal. Precisamos, nas nossas vidas, desses espaços onde nos excluímos do r a m e - r a m e d o d i a a d i a . Ta l v e z a m i n h a v i s ã o s e aproxime um pouco daquela associada ao

Thoreau. É cer tamente muito próxima da que o poeta sul-africano, Stephen Watson, expõe no seu lindíssimo ensaio ‘Bitter Pastoral’ escrito em 2000. Precisamos (ou pelo menos eu preciso!) de espaços em que podemos caminhar por c a m i n h a r, d i a s a f i o , s e m i n t e r e s s e n o d e s t i n o , mas apenas na caminhada. É isto que chamo de ‘natureza’ e é esta ‘natureza’ que talvez não sobreviva nos próximos anos – mas que estará pronta par a r egr essar se baixar mos a pr essão.


S ã o To m é e P r i n c i p e , Fo t o : A l e x a n d r e Va z


Foto: Rita QuitĂŠrio


O abutre preto, o britango ou a águia imperial são alguns dos visitantes. Já há algum tempo que escolheram este local para construir a sua “casa” e ali permaneceram rodeados por uma das melhores vistas de Por tugal. À medida que vamos explorando o parque, deambulando pela rosmaninho, pelo alecrim ou por outras plantas silvestres, recebemos mais visitas, desta vez dos veados que r a p i d a m e n t e s e a p r e s s a m e m f u g i r, n ã o e s perando ter vizinhos. A verdade é que numa área de 26.000 hectares, não contando com o lado espanhol, têm muitos sítios onde podem estar consigo próprios, concentrados na sua existência. Infiltrados num local que não nos per tence, vamos sendo surpreendidos pelas pintinhas coloridas a voar no céu, as colónias de Abelharucos que nos observam atentamente. O Picanço Barreteiro que nos segue com o seu olhar r asgado, esper ando que não lhe espantemos a sua r efeição. A Poupa que na copa de um sobreiro balança de traz para a frente a sua arranjada e impecável crista, num canto teatral e majestoso para encantar a sua adorada, encantando-nos a nós também. Um vale encantado de um enorme valor cénico, que nos tr anspor ta par a o antigamente, e que nos faz pensar como seria o Por tugal Selvagem de outror a. No entanto, o Te j o I n t e r n a c i o n a l d o p r e s e n t e c o n t i n u a sublime, com cenários que falam por si só, merecedor de uma visita responsável para que a magia permaneça e seja guardada nos nossos corações.


Presente no Algar ve, é um predador repleto de estratégias fascinantes da natureza. A sua língua, quando apontada a uma presa, dispara com uma força de 41g. Este valor é impressionante se considerarmos que a força com que o nosso corpo é empurrado num carro de fórmula um é de 5 a 6g, e se pensarmos que numa avião caça F-16 é empurrado a 10g.


F o t o : J o 達 o Te l e s Va s c o n c e l o s


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