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Jan FIGEL

muitas, muitas outras. Felicito-as e convido-as a fazerem ainda mais juntamente com a União Europeia, agora que estamos dispostos a fazer mais também. Devem envolver-se todos os níveis, claro, nacional, regional e internacional, como dizemos no contexto deste Painel. Precisamos de uma política coerente e consistente. Uma que não seja dicotómica nem dupla face, ‘Nemo dat quod non habet’ – só podemos dar aquilo que temos. Isto significa que, se formos credíveis cá dentro, podemos ser credíveis lá fora; se nos preocuparmos com a Liberdade Religiosa cá dentro, também nos preocupamos lá fora. Não o contrário: não há ensino sem prática nem pregação sem agir de forma responsável. Portanto, apelo a que todos os países tenham posições mais consistentes, incluindo os países das Nações Unidas. Por exemplo, alguns parlamentos têm adotado resoluções sobre situações de Genocídio no Médio Oriente, sob o domínio do ISIS: foram o Conselho Europeu, o Parlamento Europeu, o Congresso Americano, a Câmara dos Representantes da Austrália, a Câmara Baixa Britânica. Mas não foram os governantes, foram apenas os executivos, nas suas posições aqui, seja na Assembleia Geral ou na Câmara Baixa: precisamos de políticas consistentes e orientadas para os resultados. Gostaria de concluir, dizendo que, frequentemente, vemos (e também assumo responsabilidade por isso) que somos tardios na justiça e fracos a punir o Genocídio. Este é um termo utilizado pela primeira vez no século passado e definido agora na Convenção de Prevenção e Punição do Genocídio. Se somos fracos e tardios na punição do Genocídio, isso significa que não estamos maduros na prevenção. Portanto, acredito que devemos fazer mais para acabar com o século de Genocídio, desde 1915/16 na Arménia até agora, nos anos 2020, sob o ISIS. E as Nações Unidas devem fazer mais pela justiça e pela paz. Muito obrigado. Moderador: Muito obrigado, Enviado Especial Sr. Figel. Não posso senão concordar plenamente com as suas últimas palavras que podem ser resumidas como responsabilização. E, no final de contas, punir os perpetradores dos horrendos crimes de Genocídio já é uma forma de prevenção. É por isso que, no contexto do Iraque, temos estado a trabalhar com o Governo iraquiano para chamar a sua atenção para a importância de abordar a questão da responsabilização, não apenas para os crimes cometidos pelo Daesh, mas também pelos cometidos pelas suas próprias forças de segurança – a Peshmerga – não só contra os Yazidi, como também contra todas as minorias que têm sido vítimas. Mas, o mais importante, também para responder às queixas dessas minorias.

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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