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Belén ALFARO

1. Os desafios à nossa frente – a situação atual. A globalização trouxe uma quantidade de efeitos positivos, mas também trouxe tensões devidas às diferenças culturais e religiosas. Um entre cada três conflitos tem uma causa ou uma raiz cultural ou religiosa. Estamos a testemunhar um aumento preocupante de ataques à liberdade de religião e um aumento no sectarismo, na intolerância, no extremismo violento e nos crimes atrozes. A liberdade de religião é uma prioridade principal, como está expresso na implementação da Resolução 16/13 do Conselho dos Direitos Humanos sobre liberdade de religião e crença, e da Resolução 16/18 do Conselho dos Direitos Humanos sobre o combate à intolerância e à discriminação baseadas na religião e na crença. A liberdade de religião e crença, e a liberdade de expressão são dois pilares das nossas sociedades. No que diz respeito ao extremismo violento, estamos a testemunhar uma vaga com o DAESH, com o Boko Haram, com o Al-Shabaab, e com outros grupos, mas o extremismo violento e o terrorismo não podem ser identificados com nenhuma religião, nenhuma nacionalidade, nem civilização ou grupo étnico. Não é um choque de civilizações; é um confronto entre civilização e barbárie. Este fenómeno não pode ser confundido com o Islão, porque a maioria das vítimas dos grupos extremistas são Muçulmanos pacíficos. 2. Qual é a resposta para esta situação? A resposta é mais diálogo intercultural e mais Diálogo Inter-Religioso. Precisamos de mais diálogo intercultural. A Espanha é um copatrocinador da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, uma iniciativa que foi apresentada pela Espanha na Assembleia Geral das Nações Unidas e que, depois, se tornou num programa das Nações Unidas. Somos também membros fundadores da KAICIID, juntamente com a Arábia Saudita e a Áustria, e a promoção do diálogo intercultural e inter-religioso é uma prioridade na nossa política externa, e, agora, que somos membros não permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, temos apoiado a diplomacia preventiva no diálogo intercultural e inter-religioso, como ferramentas para a diplomacia preventiva e para a prevenção e a resolução de conflitos. O diálogo intercultural é uma dimensão do desenvolvimento. Temos uma agenda para o desenvolvimento sustentável, e é uma prioridade incluir o diálogo intercultural nas estratégias de desenvolvimento. No que diz respeito ao Diálogo Inter-Religioso, a religião é vista por alguns como a origem das tensões. Esta perceção esconde as causas reais do conflito, que são políticas ou sociais, mas

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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