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Adama DIENG

Segundo a Lei Internacional dos Direitos Humanos, os Estados têm obrigação de trabalhar para satisfazer os direitos das suas populações seja a nível económico, social, civil ou cultural. Onde os Direitos Humanos são protegidos e a autoridade da lei é respeitada, as pessoas não enfrentam a discriminação ou a exclusão com base na sua identidade, incluindo a sua identidade religiosa. É muito mais provável que coexistam pacificamente, e esta coexistência pacífica estabelece o terreno para o desenvolvimento social e económico e para a prosperidade. Os Estados que demonstram valorizar a diversidade e o desenvolvimento, Estados que promovem os benefícios de ter uma sociedade pluralista, têm mais probabilidades de se tornarem estáveis e fortes; e desafio quem quer que seja a discordar dessa afirmação. Este princípio do respeito pela diversidade, respeito pelas diferenças entre as pessoas, incluindo as suas crenças, é fundamental para o desenvolvimento de sociedades estáveis e pacíficas, sociedades que podem suportar períodos de tensão e stresse, e essas sociedades são mais resilientes ao conflito e aos crimes atrozes. Deixem-me enfatizar que garantir o respeito pelos direitos de todas as pessoas sem discriminação ou distinção implica a proteção ativa daqueles que estão mais em risco e cujas vozes podem não ser ouvidas. Em muitas sociedades, este grupo inclui as comunidades religiosas minoritárias. Um ponto de partida para essa proteção é consagrar a proteção dos Direitos Humanos nas leis domésticas, incluindo o direito à liberdade de religião e à crença, e o direito de praticar a religião da sua escolha. Mas, embora o Estado tenha a responsabilidade primária de proteger a sua população e de promover os Direitos Humanos, cada um de nós também tem uma responsabilidade. Antes, estava a mencionar ao ilustre Embaixador do Senegal o papel tido pelo Capitão Mbaye Diagne durante o Genocídio dos Tutsis no Ruanda: apesar das instruções vindas do Iraque, Diagne decidiu passar por toda a Kigali e, graças a esse sacrifício, foi capaz de salvar pelo menos 700 Tutsis de serem assassinados. Portanto, isso mostra que a responsabilidade de proteger, embora sendo a principal responsabilidade do Estado, é a responsabilidade de cada um de nós. Mas deixem-me dizer que, embora acredite firmemente que nós, como indivíduos e coletivamente, podemos ajudar a construir uma cultura de não-violência através de uma clara compreensão da nossa humanidade comum e dos nossos objetivos partilhados, no fim todos queremos ter uma vida decente, uma família e uma comunidade partilhada. Não nos esqueçamos de que somos um mundo, somos uma Humanidade, podemos trabalhar para alcançar os nossos objetivos sozinhos, mas unidos somos mais fortes e, por esta razão, acredito

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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