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Resistência e Guerra

2. A Guerra no Iraque foi uma guerra justa? Vamos agora analisar se os requisitos tradicionais que devem ser observados de maneira a descrever uma guerra como justa foram satisfeitos, num caso que, como na guerra do Vietname, mas mais recentemente, despertou a opinião pública numa série de debates e de protestos relativos à intervenção militar: a guerra no Iraque, após os ataques às Torres Gémeas que marcaram uma nova era na matéria. Esses requisitos são: 1. Deve existir uma causa justa. Neste aspeto, a “causa” não deve ser confundida com o motivo, “a razão”; nem deve a causa oficial ser confundida com as verdadeiras causas, tais como os interesses económicos ou estratégicos. As causas nem sempre são inteiramente claras, ou não estão abertas à opinião pública devido à manipulação que os Meios de Comunicação podem exercer. No caso do Iraque, parece que por detrás do pretexto – salvaguardar a segurança internacional – estavam subjacentes causas económicas e motivos estratégicos que dirigiram a ação. 2. A guerra deve ser o último recurso. No que respeita a este segundo aspeto, deve salientar-se que as vias diplomáticas para procurar uma resolução pacífica do conflito devem ser esgotadas. No caso do Iraque, é muito possível que a via diplomática não tenha sido esgotada. 3. A guerra deve ser declarada por uma autoridade pública competente. Isto é, o já mencionado anteriormente, ius ad bellum. Neste ponto, há guerras, como a do Vietname, em que o Congresso dos EUA não incluiu nenhuma causa formal na sua declaração de guerra, um requisito “deixado de lado”, porque “esperar” não era desejável, realizando uma ação militar que “unilateralmente fez avançar” os eventos. No caso do Iraque, a intervenção também ocorreu sem esperar pela decisão do Congresso, com certas forças a insistirem num começo que, mais tarde, foi fortemente questionado. 4. A intenção do Governo ao declarar guerra não deve ser fundamentada no ódio, na crueldade ou no desejo de vingança. Aqui, embora deva ser reconhecido que a situação no país atacado, no que diz respeito à pobreza e ao respeito pelos Direitos Humanos, pode ser descrita como calamitosa, não é menos certo que os episódios que precipitaram e que pressionaram a intervenção armada estavam na primeira linha da mente de toda a população, e não estavam totalmente isentos do desejo de vingança. Na mente de muitos Americanos, as mortes causadas pelos ataques terroristas do 11 de setembro permaneciam muito presentes.

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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