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Katrina LANTOS SWETT

refugiados desesperados em busca de segurança e de uma vida melhor longe dos seus países encharcados de sangue. É evidente que a ascensão não contrariada desses extremismos tem desencadeado crises humanitárias de proporções absolutamente horríveis e desafios políticos e crises estão a seguir no seu encalço. Assim, a questão que se levanta é óbvia: como reagiram as nações ao extremismo religioso violento? Nalguns países, os próprios Governos encarnam este extremismo. Por outras palavras, o extremismo religioso é parte da sua ideologia governativa. Assim, na Arábia Saudita, por exemplo, o reino amordaça as Igrejas e qualquer expressão pública que contradiga a sua própria interpretação do Islão Sunita, ao mesmo tempo que aplica punições bárbaras aos transgressores, tal como vimos no açoitamento brutal e na prisão de Raif Badawi. Há décadas que a Arábia Saudita exporta as suas interpretações religiosas extremistas através de literatura enviada para grande parte do mundo. E no Irão, as minorias religiosas, como os Bahá’ís, os Cristãos e os Sunitas Muçulmanos, bem como os dissidentes Xiitas, foram submetidos a prisão, a tortura, a encarceramento e até mesmo à morte. Enquanto a Arábia Saudita e o Irão encarnam o extremismo religioso, noutros países os Governos permitem ou, pelo menos, toleram esse extremismo… Por exemplo, no Paquistão, o Governo impõe vigorosamente a lei da blasfémia, com quase 40 Paquistaneses no corredor da morte ou a cumprirem sentenças de prisão perpétua por violarem esta lei mal concebida e mal definida, e essa é uma estatística sem igual em qualquer outro lugar do mundo. Estes prisioneiros de consciência incluem pessoas como Asia Bibi, uma Cristã trabalhadora rural, cuja sentença de morte foi apoiada várias vezes nos tribunais paquistaneses. O peso desta lei da blasfémia cai desproporcionalmente nas comunidades religiosas minoritárias, como os Cristãos, os Hindus e os Ahmadis, a qual, por sua vez, incentiva os extremistas religiosos para que ataquem essas minorias e, enquanto o Governo impõe as leis da blasfémia zelosamente, carece de qualquer tipo de zelo correspondente para trazer diante da justiça os responsáveis por esses ataques extremistas. Enquanto alguns Governos encorajam o extremismo religioso violento e outros o permitem ou toleram, há ainda outros Governos que procuram gerir esse extremismo através da concessão ou retenção de favores aos grupos religiosos sectários, com base no facto de apoiarem ou não as políticas do Governo. Há décadas que a família Assad governa em série, e seguiu esta abordagem, tratando os Sírios como membros de grupos religiosos que disputam o seu fa-

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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