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Para Mudar a Sociedade, Temos de Mudar as Ideias

princípios saudáveis de pensamento e de ação. Se não as ajudarmos a encontrar os valores corretos, elas poderão encontrar e abraçar os mais radicais desses valores. Se acham isto difícil de compreender, convido-vos a pensar em quantos rapazes e raparigas jovens estão enfeitiçados pelos movimentos extremistas na Europa Ocidental, nos Estados Unidos da América e por todo o mundo. Estão à procura de algo fixo e firme para abraçarem e para se agarrarem. Agora, como já foi falado por aqueles que estão aqui, não temos dúvida de que a relação entre o conflito e a religião existe – é uma realidade. Podemos fazer algo a esse respeito? Terroristas e extremistas podem encontrar lugar em quase todas as religiões, mas culpamos uma religião específica. Isto é por causa de “tal e tal” religião. Mudamos a forma como agimos ou reagimos mudando a forma como pensamos. Agora tenho uma pergunta para os países fora da Europa – os países em vias de desenvolvimento. A emancipação das crenças numa sociedade tem consequências em todas as dimensões dessa sociedade. A maneira como as pessoas gastam dinheiro; como votam; como fazem política; como trabalham; como falam, etc.. Estarão os vossos líderes políticos prontos para assumirem todas essas mudanças que vêm como consequência da emancipação do pensamento das pessoas? Estarão prontos para desistir de uma parte importante do seu controlo total? Estão as corporações nacionais dispostas a partilhar os seus lucros de forma equitativa com uma nação livre e emancipada? Estão os líderes de todos os cantos felizes em acolher uma era de esclarecimento? Porque a Europa teve uma era de iluminação, enquanto muitos fora da Europa não tiveram. Devem estar prontos para fazer isso, se quiserem evitar esta situação. Agora, falando também para os nossos líderes europeus, não teremos paz e segurança, se mantivermos as pessoas na ignorância e permitirmos que estas sejam marginalizadas e isoladas em guetos. As crises mais recentes que enfrentámos na Europa mostraram-nos que temos de mudar a nossa abordagem. Na verdade, temos interpretado mal as ideias de multiculturalismo e de tolerância até agora. Temos encarado isso de forma passiva, e penso que isso tem sido um problema. Adotámos a prática do “laissez faire”, que é mais confortável a curto prazo, mas perigosa a longo prazo. É assim que vou entrar no terceiro e último ponto da minha exposição: Penso que a nossa política futura precisa de implementar pelo menos dois princípios. O primeiro incide sobre as sociedades recetoras ou anfitriãs destes refugiados. Têm de criar o quadro legal e fazer fortes esforços para educarem os seus cidadãos para um pensamento mais integrado e para uma ati-

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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