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Podemos Realmente Avançar para um Lugar Melhor, se Todas as Pessoas em Todos os Níveis se Juntarem e Conversarem

recentemente, estamos a realizar o assim chamado: “Serviço de Gestão de Sites” (SMS) num campo de refugiados na parte norte da Grécia, perto de Katerini. A segurança é assegurada pelos militares gregos. No complexo deste campo de refugiados, somos parceiros com várias outras organizações, como, por exemplo: IsraAid e Islamic-Relief, em coordenação com o UNHCR e com o Governo grego, sendo financiados por doações privadas e pelo Governo alemão. Mais de 1200 Yazidi, sendo metade deles crianças com menos de 15 anos, estão ali acomodados. Não tenho palavras para vos descrever realmente as más circunstâncias que estas pessoas têm de enfrentar. Estão a viver em tendas e – acreditem ou não – até ontem, os atores humanitários responsáveis não tinham sido capazes de encontrar lugares apropriados e casas sólidas que estivessem prontas para a época de inverno. Esta é, claramente, uma situação muito má. Imaginem 600 crianças a viverem num espaço minúsculo nas pequenas tendas fornecidas pelo UNHCR. O ensino não foi possível durante mais do que oito meses. Em conjunto com outras ONG’s, tentámos fazer o nosso melhor no terreno, lidando com estas pessoas simpáticas e pacíficas que receberam esperança e dignidade através da sua religião, como repetidamente nos disseram. A primeira e mais importante abordagem para nós foi ouvir estas pessoas. Ouvir o que realmente querem, e aquilo de que realmente precisam. Hoje, não tenho palavras para vos falar sobre o sofrimento por que estas pessoas passaram. Palavras como “Genocídio” e “assassinatos brutais” não são suficientes, nem de perto, para descrever o sofrimento destes Yazidi. Estando cientes desta realidade, o que se pode analisar? Que conclusão poderá ser significativa? Qual é uma boa sugestão neste caso? Por favor, tenham em mente que não estamos aqui a falar de Estados falidos; estamos a falar agora da Europa, que é, como nos disse o Vice-Secretário-Geral das Nações Unidas, o Sr. Dieng, no seu discurso de abertura de hoje, “como um paraíso, como uma Ilha no meio de uma tempestade”. Os cientistas políticos estão a falar de um “espaço que encolhe” para as organizações da sociedade civil. Penso que concordam com o facto de que as Igrejas, as comunidades religiosas e as religiões pertencem à área da sociedade civil. “O espaço que encolhe” acontece, na sociedade civil, quando os atores dessa sociedade não podem contribuir mais para a comunidade, de acordo com os seus respetivos mandatos ou convicções. As coisas não funcionam bem! A resposta adequada à crise dos refugiados está a diminuir – mesmo na Europa; mesmo em países que consideramos como sendo ricos! Isto é o fenómeno recorrente; isto é um fardo e um sofrimento.

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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