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Asher Maoz

da questão é bastante simples – VOCÊ NÃO SABE! A religião é baseada na crença e não no conhecimento. Se pudesse ser provado cientificamente que uma religião é verdadeira, enquanto todas as outras são falsas, então certamente toda a Humanidade iria seguir aquela que fosse a verdadeira, mas isso seria o fim da religião. Se a religião for baseada na crença, como é, então a sua crença não é superior às outras. Se partilhamos esta noção, então devemos respeitar as crenças dos outros, assim como desejamos que respeitem a nossa. Sobre este terreno seria mais fácil abordar o primeiro dilema. Se somos fiéis à nossa própria religião, então isso deve certamente levar-nos à conclusão de que, de facto, devemos promover a paz, a fraternidade e a dignidade humana, não como um favor feito a outras religiões, mas sim como um tributo à nossa. Deixem-me salientar mais um ponto. Aqueles que são menos versados nas suas religiões tendem a ser mais extremos, como se quisessem compensar a falta de conhecimento ou mesmo a falta de religiosidade. Compete, portanto, aos líderes religiosos explorar as ideologias nobres da sua religião e conter os Zelotes. Os líderes religiosos genuínos devem abolir o uso indevido de ensinos religiosos para aumentar o ódio, a violência e a profanação da dignidade humana. Acrescento outro ponto. Todos temos medo daquilo que não conhecemos. Por isso, é crucial que conheçamos a religião uns dos outros. Os líderes religiosos devem reunir-se e elaborar uma compreensão e políticas comuns para um futuro mais brilhante. Isto é o que faz com que reuniões como a nossa sejam tão importantes. Permitam-me resumir a atitude judaica para com as outras religiões, que eu sugeriria como um modelo que poderiam querer adotar: ao povo judeu foi ordenado alegrar-se na Festa dos Tabernáculos, mas não na Páscoa, e a razão para isso foi:” Porque os Egípcios morreram” afogados no Mar Vermelho quando estavam a perseguir os filhos de Israel para os conduzir de novo à escravidão no Egito. Pela mesma razão, a oração completa de regozijo, o Halel, não é recitada na Páscoa, exceto no primeiro dia, “porque não te alegrarás com a queda do teu inimigo e o teu coração não ficará feliz com o seu fracasso”. Durante os sete dias da Festa dos Tabernáculos, setenta touros eram sacrificados no Templo “pelas setenta nações”. Neste contexto, o Talmude diz: “Ai dos adoradores de ídolos que sofreram uma perda, mas que não sabem o que perderam. Quando o templo estava de pé – o altar podia expiar para eles; e agora – quem vai expiar por eles?” Este episódio é típico da atitude judaica para com os não-Judeus. Corresponde ao mandamento de orar pela riqueza da nação onde vivem os Judeus.

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Consciência & Liberdade 30 (2018)  

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