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Adpropeixe House

Casa Adpropeixe

Vilar da Veiga . Terras do Bouro . Portugal 2005 – 2008

Vilar da Veiga . Terras do Bouro . Portugal 2005 – 2008

A ideia está no sítio, foi dito, afirmado, escrito; e é verdade. Não só a ideia como o nome advêm do sítio. Adpropeixe, quase parece um nome saído de um livro do Astérix, é um local do Parque Natural do Gerês, da freguesia de Vilar da Veiga e concelho de Terras de Bouro. Fica ali mesmo à borda de água, depois de passar as pontes e pouco antes de chegar ao Gerês, às Termas. Mais fácil chegar de barco do que por terra ou monte, o local é único e única teria que ser a resposta à encomenda, específica; uma casa de madeira. O cliente, apaixonado do Gerês, da albufeira, da água, procurava um local onde comprar, de preferência construir, casa. Depois de uma longa procura surgiu a hipótese de compra de um terreno onde, em tempos, antes da existência do Parque Natural, um campo de ténis tinha sido construído, legalmente e devidamente registado. Para lá chegar é necessário subir o monte, percorrer estrada sinuosa em alcatrão, sempre a subir e, chegando quase ao cimo, descer e descer por caminho de terra batida, sinuoso à beira de precipício e vista deslumbrante. A ideia, óbvia, estava ali. A chegada por cima, a elevação do volume da habitação da cota da plataforma de modo que o prazer de alcance de vista estivesse sempre presente, utilização da área, plana, da plataforma, para apoio e circulação. Ao chegar ao terreno desde o penedo existente, o acesso faz-se por uma ponte localizada à cota da cobertura. Descendo tem-se acesso à entrada principal, embora pouco usada no dia-a-dia. A organização interna é simples: na entrada nasce um corredor que permite o acesso à sala e cozinha e, a uma cota um pouco mais alta, a três quartos e banhos. Da sala tem-se acesso a um grande terraço exterior, aquilo a que agora se chama um deck. Desde os quartos é possível o acesso a uma varanda, que pela diferença de cota se diferencia do terraço apesar de nele estar inserida. Uma circulação exterior e periférica, a uma cota inferior, permite que a guarda, necessária, não prejudique o gozo da paisagem. A casa, ou o volume habitável, está elevado do solo por cinquenta e dois pilares de madeira, num emaranhado ordenado e construtivo. Quase tudo ficou à vista, mesmo quando coberto por isolamentos térmicos ou impermeabilizantes. No interior a estrutura é à vista e é sentida, vivida. Sapatas de betão, o único utilizado nesta obra. Ligações em ferro. Estrutura, pavimentos interiores e tetos de madeira de casquinha vermelha; os exteriores em madeira cumaru. Revestimentos exteriores, paredes e cobertura em cobre. Vidro nas caixilharias de madeira. Tubos, fixações em cobre e rede em fio de polipropileno, funcionam como guardas. A Casa de Adpropeixe é um mirante habitável, elevado do solo mas ligado ao local e neste inserido. O terreno, a área, o Parque, desde que se iniciou a construção da casa, está melhor, não só pela casa, mas pela necessária vivência que esta implicou, implica e implicará. Está mais limpo o monte, foram criadas reservas de água, plantadas árvores, melhorados caminhos, humanizada a natureza, A arquitectura deu uma ajuda.

It is said and written, that the idea is to be found in the site and it’s true. It’s not just the idea, but also the name that comes from the site. Adpropeixe, which almost seems to be a name out of an Astérix book, is a part of the Gerês Natural Reserve, located in Vilar de Veiga, in the Terras do Bouro district. It’s just there, by the water, after passing the bridges and just before arriving at Gerês; the spa village. It’s easier to access by boat than by road or cross-country. It is a unique place so the response to the commission also had to be unique and specific: a timber house. The client, in love with Gerês, the reservoir and the water, had been looking for a site to buy to hopefully build a house. After a long search, the chance arose to buy a site, where a tennis court had been built prior to the establishment of the Natural Reserve. This construction was legally and properly authorized at the time. To get there, one has to climb the hill, along a sinuous tarmacadamed road, always rising until, when nearly at the top one starts to go down and down a narrow dirt track alongside perilous drops and stunning views. The idea, obvious as it was, was there: Arrival from above, elevation of the volume of the house above the level of the platform so as to ensure views into the distance and the use of the platform, the flat area, for service and circulation. Arriving at the site from an outcrop of rock, access to the house is via a bridge at roof level. Coming down, one arrives at the main entrance door, which is actually not used very much. The internal arrangement is simple: from the entrance area a corridor leads into to the living room and the kitchen and, at a slightly higher level, to three bedrooms with bathrooms. From the living room, one has access to a large external terrace, nowadays called a deck. From the bedrooms one has access to a balcony which, due to a difference in level is separated from the large terrace, even though it is contained by it. By placing external circulation on the periphery of the terrace, at a lower level, the visual interference of the necessary guard rail is avoided. The house, or habitable volume, is elevated over the ground by 52 timber pillars that form an ordering and constructive network. Almost everything has been left exposed, even when covered by thermal insulation or weathering membranes. Inside, the whole structure is seen and felt and lived in. Concrete footings, (the only concrete used in the building). Steel connectors. Structural frame, internal floors and ceilings in red deal, external flooring and ceilings in Cumaru Brazillian Teak. External finishes, walls and roof in copper. Glass in timber frames. Posts with fixings in copper and a wire mesh of polypropylene nylon form the fencing. The house in Adpropeixe is a habitable viewing platform, elevated off the ground, but integrated and installed in the site. The land, the area, the Reserve, have all been improved since the building of the house commenced, not only because of the house, but also because of the occupancy that it brought about, does now and will continue to bring about. The hillside has been cleaned up, water tanks have been built, trees have been planted, the paths improved, Nature has been humanized. Architecture gave a little hand. August 2008

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Local/Site . Lugar da Costa da Barca – Vilar da Veiga – Terras de Bouro – Gerês – Portugal Data/Date . 2005 – 2008 Cliente/Client . Tiago Sousa Lopes Colaboradores/Collaborators . Pedro Carvalho, João Figueiredo Estrutura/Structure . Paulo Fidalgo – HDP Gabinete de serviços e projectos de engenharia civil, Lda. Eletricidade/Electrical . Luís Matos – Igemáci Engenharia, S.A. Construtor/Contractor . CMCJC Imobiliária, Lda. Carpintarias/Carpentry . Carpicunha Madeiras, Lda.

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Carlos Castanheira  

Casa Adropeixe