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Tordesilhas ao contrário Professor brasileiro lança sementes para a Comunidade Iberófona. Um académico brasileiro fez as contas e concluiu que a língua mais falada no mundo é aquilo a que deu o nome de Iberofonia. Português e espanhol serão os idiomas mais utilizados para comunicar no próximo século, porque os países de filiação Iberófona estão mais bem situados estrategicamente. A Geolíngua nasceu para ligá-los a todos, desde Angola à Venezuela, e retirar ao inglês o estatuto de esperanto no mundo da comunicação. Português & Espanhol, 700 milhões, 30 países, 2 línguas quase uma!

As portas abrem-se para uma pequena sala generosamente equipada com computadores, fotocopiadoras, televisão e videogravador, bem como outras maravilhas da tecnologia, tudo cedido por empresas como a Microsoft, Kodak e Silicon Graphics, só para citar alguns dos parceiros do projecto. Roberto Moreno, mentor da "Geolíngua", faz questão de salientar que não gastou um tostão no equipamento, conseguido através de um acordo de mútua cooperação com as multinacionais. É no Sheraton Hotel de Lisboa que Roberto Moreno tem o seu "bunker", o Geolíngua Business Center, embrião da comunidade de países de língua portuguesa e espanhola. "Já que é moda criar comunidades, muitas vezes feitas com interesses muito particulares, por governos, porque não ressuscitar a mais antiga comunidade do mundo, que é a Iberófona? É uma espécie de Tratado de Tordesilhas ao contrário, onde as duas línguas se unem para reconquistar aquilo que era, há 500 anos atrás, a língua mais estratégica de negócios - o português", adianta este professor brasileiro de Marketing. E se Portugal já não traz naus carregadas de especiarias das Índias, é nos 30 países que falam português e espanhol que se concentram as terras férteis nos principais recursos do século que se avizinha, da água à informação. Roberto Moreno traçou uma linha vertical no mapa do mundo, colocando a Península Ibérica, os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e a América Latina de um lado, e o resto do globo do outro. A ideia é que a metade formada pelos falantes de português e espanhol, num total de 700 milhões no ano 2000, tem enormes possibilidades de desenvolvimento político, económico e social. Só lhes falta "auto-estima". Para o professor, ser lusófono só traz vantagens. Porque as semelhanças do português com o espanhol tornamnos bilingues à nascença: "A comunicação em português e espanhol é a mais completa de todas. Não tenho culpa se eu já nasci a falar dois idiomas e meio. Porque eu sou lusófono, falo português e já nasci a falar 90 por cento de espanhol e 50 por cento de italiano". Por enquanto, a Geolíngua só existe na sua vertente empresarial. O centro de comunicação multimédia no Sheraton Hotel fornece vários serviços aos seus clientes, desde o acesso à Internet e fornecimento de notícias actualizadas até ao aluguer de suportes audiovisuais e serviços de assessoria. Qualquer pessoa que necessite de informações sobre os 30 países Iberófonos encontra aqui o centro de documentação ideal. Também aberto a órgãos de comunicação social. Reconhecendo a importância destes para a divulgação do conceito de Iberofonia, Roberto Moreno prepara algo inédito: um Fórum Iberófono de Comunicação Social que juntará jornalistas de todo o mundo, parceiros no idioma e na profissão, numa discussão verdadeiramente interactiva, através da videoconferência. Assim, jornalistas reunidos em Lisboa poderão falar, em tempo real, com jornalistas sedeados em Caracas e Madrid. Mas Roberto Moreno vai avançar com uma ofensiva na área académica e já obteve luz verde da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril para fundar o primeiro "Geolíngua Educação", com a finalidade de dar suporte a professores e alunos no uso das novas tecnologias de comunicação. Outra das propostas é a criação da GEONET, uma rede virtual e interactiva para ligar a vasta Comunidade Iberófona e inverter a supremacia do inglês como língua oficial na Internet. "A Internet é um engodo porque 90 por cento dos conteúdos estão em inglês. O que é que eu faço com 700 milhões de habitantes, os Iberófonos que só falam português e espanhol? O que eu quero é a internacionalização da informação e não fazer o mundo ter de aprender inglês para ter acesso à informação. Fazer Maomé ir à montanha e não o contrário", segundo Moreno. "Só inglês"? "Only English"? "Não, por favor...". Kathleen Gomes Jornal PÚBLICO – versão internet - 18/12/1997



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