Page 1

1


3


Agradecimentos

Agradeço a todos que fizeram parte da minha trajetória nesse curso, e

família que me deu o suporte necessário para chegar até aqui especialmente à minha irmã Larissa que me ajudou a organizar as minhas ideais nesse relatório.

Agradeço da mesma forma os amigos que conquistei durante o curso, e que

contribuíram com minha evolução por me fazerem aprender com as diferenças e terem sido constantemente fonte de inspiração e aprendizado. Amigos esses que fizeram valer a pena cada minuto sem dormir sejam produzindo ou festejando.

Agradeço a todos que me deram carona à faculdade e aos amigos que

mantive em minha cidade durante o curso, entre eles Diego que me incentivou a leitura e me apresentou o rock.

Demonstro também minha gratidão àqueles que foram a minha família

durante o tempo de faculdade; Guigo, Gordo, Fábio, Pietro, Chester e G. Ladeira. Aos amigos que, de alguma forma, participaram do projeto; Mugga, Fábio Martins, Márcio Martins, Gordo, Felipe Valentim e a empresa DPI por ter compreendido esse momento.

Principalmente agradeço ao Ravel que me fez acreditar em meu potencial

para iniciar o curso e ao professor Dorival Rossi que mudou minha concepção sobre o design e a vida.

5


“O mapa está fechado, mas a zona autônoma está aberta.’’ BEY, Hakin


- Sumário Resumo..............................................................................................................11 Trajetória............................................................................................................15 Desejo................................................................................................................23 Atualização..........................................................................................................27 Instalação...........................................................................................................33 Bibliografia..........................................................................................................37

9


11


Em tempos onde inexistem terras incógnitas e livres surge Ahortus, uma instalação interativa conectada a outras obras que habitam a exposição Jardim Sensorial. Esse projeto se inicia a partir da busca do conceito etimológico da palavra jardim, em que o termo ‘hortus’ é encontrado. Tal termo significa “murada”, e nos leva a compreensão de que jardim é o mesmo que natureza cercada e controlada por regras, uma vez que toda região delimitada pode ser entendida como privada de liberdade. Com isso projeta-se uma maneira de gerar ‘espaços’, onde seja possível enxergar através do muro que o cerca, com o intuito de criar uma zona autônoma temporária capaz de proporcionar um instante libertino. Partindo desse raciocínio o projeto atualiza-se em uma das suas possíveis existências; uma instalação que proporcione ao usuário a desmaterialização do muro que cerca a exposição, em tempo real, através do uso do croma-key.

13


15


A trajetória desse trabalho inicia-se com o projeto de extensão orientado pelo Prof. Dr. Dorival Rossi intitulado Intervenções Urbanas. Projeto esse que teve como primeiro foco pesquisar a essência da arte urbana usando a bibliografia recomendada para analisar os trabalhos e traçar relações. Devido à pesquisa, o conceito de intervenção se expandiu e outras formas de intervir passaram a ser pesquisadas na matéria redes de criação, em que os trabalhos de três artistas distintos entre si foram relacionados:

Stelarc -

Artista /Cientista, discute em suas obras a evolução e extensão do

corpo humano através da tecnologia.

Blu Blu - Artista que desenvolve o grafite animado usando a cidade como suporte, e cria obras gigantescas e impactantes usando ferramentas para estender seu corpo e capacidade de pintar.

Eduardo Kac - Artista/Cientista, explora a bioarte intervindo na genética dos seres vivos. Criador de “GFP Bunny” (2000), um coelho modificado geneticamente que emite cor verde quando exposto a luz azul.

A relação entre esses artistas está no fato de todos atuarem em organismos vivos no caso de Blu Blu devemos entender a cidade como tal. Futuramente a compreensão da cidade como organismo torna-se fundamental para a concepção do projeto.

17


19


“O nosso século é o primeiro sem terra incógnita, sem fronteiras. Nacionalidade é o princípio mais importante do conceito de “governo” - nenhuma ponta de rocha no Mar do Sul pode ficar em aberto, nem um vale remoto, sequer a lua ou os planetas. Essa é a apoteose do “gangsterismo territorial”. Nenhum centímetro quadrado da Terra está livre da polícia ou dos impostos... em teoria”. BEY, Hakin. 1991. TAZ - Temporary Autonomous Zone. Autonomedia.

Segundo Bey em nossos tempos ocorre um ‘fechamento no mapa’ e o conceito de liberdade se perde, mas isso em teoria, pois ainda existem entranças e ‘espaços’ em que seja possível criar uma zona autônoma temporária como discursa Bey: “Estamos à procura de “espaços” (geográficos, sociais, culturais, imaginários) com potencial de florescer como zonas autônomas – dos momentos em que estejam relativamente abertos, seja por negligência do Estado ou pelo fato de terem passado despercebidos pelos cartógrafos, ou por qualquer outra razão” BEY, Hakin. 1991. TAZ - Temporary Autonomous Zone. Autonomedia.

O desejo de criar esses ‘espaços’ é o que motivou esse projeto que tem como foco intervir além da superfície que demarca um território, pensa-se num como cria-lo inspirado em Alexandre Orion que grafitou o túnel Max Feffer, na região oeste da cidade de São Paulo, utilizando apenas um pano úmido, para retirar a fuligem dos carros que impregnava ilustrando crânios em sua obra Ossário. Ao passo que se resgata a compreensão da cidade como organismo, e estabelecemse relações entre o grafite e tatuagem no âmbito em que ambos atuam na superfície de sistemas complexos e orgânicos. Pretende-se então criar um intervir que perfure a pele dos muros (ou qualquer outra superfície limitadora) assim como faz o piercing (outra forma de modificação corporal) que cria novas áreas de

21


contato gerando conexões e permite o fluxo de conteúdo entre interno e externo. A intenção é, portanto, criar esses espaços com potencial de florescer como zonas autônomas com o intuito de gerar novas conexões e propor um intervir outro, a partir desse caráter subtrativo.

22


23


A - Prefixo que significa negação ou ausência. Hortus – Parte do latim e significa jardim

fechado e tambem propriedade

cercada de muros.

Ahortus é a atualização do projeto exposto na exposição Jardim Sensorial. O neologismo surge a partir da busca do conceito etimológico dessa temática onde os termos

‘Hortus’

e

‘Éden’

são encontrados. Éden apresenta o conceito do

jardim dos desejos onde há paisagens luxuriantes, natureza benéfica e amor livre enquanto que Hortus trata de tornar essas “dádivas” privadas, portanto separa jardim de natureza. Todavia essa visão nos aprisiona, uma vez que as fronteiras estabelecem regras e governo, privando-nos de nossa essência: “Florestas/animais/seres humanos são investidos desde o início com o poder mágico do marginal, do desprezado e do proscrito. Se, por um lado, Caliban1 é feio e a natureza é uma “imensa selvageria”, por outro, Caliban1 é nobre e livre e a Natureza é um Éden.” BEY, Hakin. 1991. TAZ - Temporary Zone. Autonomedia.

Segundo essa compreensão o projeto se atualiza ao estabelecer um desdobramento na murada com potencial de devolver o

‘estado de natureza’ ao jardim, mas

esse levante necessita ser efêmero para que seja eficaz, portanto inventa-se uma instalação.

25


27


A instalação Ahortus exposta no SESC Bauru trata-se de um projeto aberto e que deve ineput do usuário, a partir da interação a pessoa passa a ter a sensação de que ela desfaz o biombo que cerca a exposição.

Para obter o efeito desejado utilizou-se à técnica chroma-key, que consiste no processamento de imagens, e tem como objetivo eliminar uma cor da imagem, para posteriormente substitui-la por uma imagem ou vídeo. O usuário deve adicionar uma fração de material com uma determinada cor-chave sobre a superfície, nesse pedaço aparecerá o conteúdo que estava encoberto pelo muro, dando a sensação de desmaterialização do muro, como se nele houvesse grandes buracos. Assim que o usuário retira o material da superfície só é possível visualizar o muro integro, essa instantaneidade cria a tão desejada zona autônoma temporária.

No intuito de obter esse efeito foram necessários também alguns softwares que trabalhassem em tempo real com o chroma-key. Decidiu-se então, como primeira etapa, o local onde se aplicaria tal técnica, feito isso se fotografa o conteúdo que o muro esconde, e em seguida instala-se uma web cam, com o mesmo grau de inclinação e abertura da lente (com extrema precisão).

A próxima etapa consiste na calibração da cor escolhida como chave, nesse caso utilizou-se o verde por questões técnicas. Neste momento, retira-se tudo que contem a cor verde, e em seu lugar acrescenta-se a imagem daquilo que atrás.

Assim que o usuário aparece em frente a webcam, munido do material verde e posicionando-o frente ao muro, ele poderá notar no monitor de “feedback” a abertura de um portal que o permitirá enxergar através.

29


30


31


32


33


O presente projeto foi realizado de forma a priorizar o “como” intervir, e o fez através das ferramentas do design contemporâneo. Pretendeu ser uma atualização simples de sua forma de potência, que se tornasse complexa à medida que fosse incrementada.

Os estudos que levaram a esse projeto, a que aqui chamamos “potência”, permitem inúmeras formas de se atualizar, gerando novos conteúdos e formas de existir, aqui se apresenta apenas uma delas, mas pretende abrir espaço para que outras sejam desenvolvidas futuramente.

A todo tempo a conectividade e influencia dos outros trabalhos que habitaram a exposição estiveram presentes e as integrações de todos os visitantes atribuíram novas significâncias a essa instalação. Com tudo isso, esperamos ter realizado nosso objetivo de transmitir ao usuário a sensação da liberdade, da ruptura de barreiras, e o exercício do enxergar além do que se vê, além do permitido.

34


35


- Bibliografia BEY, Hakin. 1991. TAZ - Temporary Autonomous Zone. Autonomedia.

FLUSSER, Vilém. 2007.O Mundo Codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo. Ed. Cosac Naif

JOHNSON, Steven. 2003. Emergência: A vida integrada de formigas, cérebros, cidades e sotwares. Rio de Janeiro. Ed. Zahar.

LÉVY, Pierre. 1996. O que é o virtual. Rio de Janeiro, Ed. 34.

Rushkoff, Douglas.1999. Um Jogo Chamado Futuro. Revan

37


40

Ahortus - Intervenção Além da Superfície  

Projeto de Conclusão de Curso Design 2011 - UNESP Bauru Alexandre Palacio Orientador: Prof. Dr. Dorival Campos Rossi

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you