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AGULHA

JULHO 2010 - Nº9

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Trabalhadores gregos apelam à unidade da luta

Os trabalhadores, mais uma vez, demonstraram o seu descontentamento e a sua força quando no passado dia 29 de Maio, 190 mil trabalhadores saíram à rua, numa grande prova de dinamismo e de vontade de lutar, protestando contra as políticas de direita do Governo Sócrates. Para além desta manifestação, os trabalhadores, ao longo dos últimos meses, têm vindo a realizar greves paralisando vários sectores, como a exemplar greve dos trabalhadores dos TUB, dos enfermeiros, dos trabalhadores da Galp Energia, dos trabalhadores da Carris e da CP e das trabalhadoras da Macvila em Vila do Conde. Todas estas mostras de descontentamento são o indício que há força suficiente para radicalizar a luta contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo e pela Comissão Europeia. Todo este potencial de luta da classe trabalhadora não tem sido aproveitado pela CGTP que ainda não testou uma greve geral que paralisasse o país, tal como tem acontecido na Grécia. Desde o início do ano já houve 7 greves gerais com grande adesão, nas quais o povo grego reagiu contra as brutais políticas de ataque aos trabalhadores. Por toda a Europa as lutas sucedem-se: em França realizou-se uma greve geral no final de Maio, na Roménia assistiuse à maior manifestação de massas dos últimos 20 anos e em Espanha 10 mil pessoas saíram à rua, por fora das duas grandes centrais sindicais, exigindo a convocação de uma greve geral. É necessária a união de todos os trabalhadores europeus para juntos combatermos as políticas neoliberais que fazem com que sejamos nós a pagar a crise.

A 29 de Junho, dia da 6ª greve geral, os trabalhadores gregos no final da manifestação, em frente ao parlamento, aprovaram uma resolução que apela à unidade da luta de todos os trabalhadores europeus contra os panos de austeridade que colocam nas costas dos trabalhadores os custos da crise. Segundo os trabalhadores gregos, “a classe trabalhadora em todos os países europeus está confrontada com uma estratégia única, bem elaborada, por parte dos patrões europeus. Uma estratégia que tem como objectivo não só descarregar todas as consequências da crise económica sobre as costas da classe trabalhadora, mas também garantir, sobretudo, a rentabilidade do capital a longo prazo, com a eliminação dos direitos laborais e o aumento do grau de exploração. Somos testemunhas da mais selvagem agressão coordenada a nível europeu, que cada país capitalista, a fim de garantir a sua parte de leão, está fe-rozmente a levar a cabo. Uma competição que trará novas calamidades para todos os povos.

É preciso radicalizar a luta

Direitos e conquistas fundamentais, alcançados través de lutas duras, com sangue e sacrifícios, estão a ser retirados a pretexto da “saída da crise”, uma crise gerada pela anarquia capitalista e pela super-acumulação de lucros. Uma crise profunda, que demonstra os limites históricos do capitalismo, um sistema que está a apodrecer e a gerar o desemprego massivo, a pobreza, a guerra, a repressão. Está comprovado que a União Europeia é uma União de Capitalistas. Uma União que, juntando o FMI, os EUA e os Governos, constitui uma coligação para o saque dos povos, a favor do capital.” Assim, os trabalhadores gregos apelam à unidade da luta de todos os tra-balhadores europeus para respondermos em unissono aos ataques dos capitalistas: “Os ricos que paguem a crise!” Para isso devemos todos juntarmo-nos na jornada europeia de luta a 29 de Setembro. A luta dos trabalhadores europeus deve ser coordenada para que ao ataque de conjunto respondamos em conjunto!

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AGULHA - Julho 2010 - Nº 9

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

Desemprego no Distrito

Breves

Em Pevidém, vila do concelho de Guimarães, apenas restam duas ou três grandes empresas têxteis. Temos assistido a uma situação cada vez mais alarmante. Dezenas de pequenas confecções de Pevidém e freguesias vizinhas estão a fechar as portas. As pequenas empresas trabalham a feitio (peça) para as GRANDES EMPRESAS, como a Lameirinho e a Coelima. Estas grandes empresas pagam-lhes o mesmo que há vários anos, com ligeiros aumentos que não conrrespondem à inflacção relativas às despesas. As pequenas confecções estão asfixiadas e são obrigadas a encerrar, mandando dezenas e dezenas de trabalhadores para o desemprego. Tal como os trabalhadores da Lameirinho e de outras grandes empresas têxteis, estas pequenas confecções são exploradas para que os patrões das grandes empresas mantenham e até aumentem os seus lucros. Os donos destas pequenas confecções e os seus trabalhadores devem-se juntar à luta e às mobilizações de todos os trabalhadores para que os ricos paguem a crise! Devemos exigir o aumento de salário para os trabalhadores das grandes empresas e pagamentos às pequenas confecções que lhes permitam sobreviver e dar melhores condições de vida aos seus trabalhadores!

Jornada de Luta da CGTP No passado dia 8 de Julho realizou-se a jornada de luta da CGTP. Mais uma vez, a seguir a uma grande manifestação nacional é convocada uma acção descentralizada que divide os trabalhadores pelas várias capitais de distrito. Em Braga, a mobilização dos trabalhadores e da população foi quase nula. Os mais atentos terão descoberto meia dúzia de faixas, se tanto, espalhadas pela cidade. Alguns panfletos foram distribuídos nos locais de trabalho. Para além disso, foi convocada greve em apenas alguns sectores o que levou a que apenas os que não trabalham à tarde pudessem comparecer. Ainda assim 600 trabalhadores subiram a Av. da Liberdade para se dirigir ao governo civil. Acções de protesto descentralizadas como a de dia 8 só poderão ser um empurrão para a luta se forem feitas para mobilizar para uma grande manifestação nacional. É de realçar a postura combativa dos trabalhadores do Hospital de São Marcos, com palavras de ordem próprias que animaram a manifestação. Eles iniciam agora um processo de luta contra a nova gestão privada do hospital que tem feito enormes atropelos tanto aos seus direitos como aos direitos dos utentes. Esperamos encontrá-los na próxima acção de luta! E esperamos que a próxima acção seja a greve geral!

FRANÇA - Manifestação em Paris contra o aumento da idade da reforma, em finais de Junho; ESPANHA - Grande jornada de luta com greve geral de massiva adesão no País Basco, em finais de Junho, paralizando totalmente o metro de Madrid e tendo havido manifestações por todo o país contra o plano de austeridade do Governo; ÍNDIA - Greve geral, nos inícios de Julho, contra o aumento do preço dos combustíveis que parou o país; GRÉCIA - Sétima greve geral, a 8 de Julho; PANAMÁ - Greve geral contra leis antisindicais.

O Agulha deseja a todos os Trabalhadores umas boas Férias Dado que em Agosto a maioria dos trabalhadores vai de férias, o Agulha também vai descansar neste mês. Continuaremos atentos à exploração dos patrões e aos ataques do Governo. Voltamos em força em Setembro e esperamos que as lutas também! Boas férias!

CONTACTO

Este boletim é um espaço para todos os que desejam empreender uma participação activa na reivindicação dos nossos direitos e na organização de todos nós trabalhadores para fazer frente ao derrotismo instalado. Queremos que todos aqueles que queiram dar voz aos seus desejos de luta, denunciar situações e não encontrem sítio, usem este espaço para contribuir para o nosso fortalecimento. Tudo sempre com todo o anonimato e a segurança necessárias.

CONTACTA-NOS por telefone: 919568535 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

PARTICIPA!

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