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AGULHA

JUNHO 2010 -Nº8

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Greve Geral para derrubar o PEC A manifestação nacional da CGTP do passado dia 29 de Maio foi um êxito, tendo contado com a presença de cerca de 300 mil trabalhadores. Foi clara, assim, a vontade dos trabalhadores portugueses de lutar contra o PEC que põe nas suas costas os custos da crise que os patrões e banqueiros criaram. Com o PEC não é só directamente aos nossos salários que o Governo tira dinheiro para pagar a crise, é também aos serviços públicos como a saúde e o ensino. O objectivo deste governo é retirar-nos todas as conquistas do 25 de Abril para que os banqueiros e patrões mantenham os seus lucros. Por isso mesmo a mobilização dos trabalhadores deve ser reforçada começando-se desde já a preparar uma grande greve geral com manifestação nacional no mesmo dia. Os nossos vizinhos espanhóis estão a sofrer o mesmo tipo de ataques e já marcaram greve geral para dia 29 de Setembro. A CGTP convocou uma jornada de luta para Julho com manifestações regionais descentralizadas. É positivo manter a luta contra o PEC, no entanto, dividir os trabalhadores em manifestações regionais poderá retirar força à luta que começou numa gigantesca manifestação nacional. Assim, apelamos a uma greve geral que unifique as lutas dos diferentes sectores e lhes dê mais força para lutar contra o inimigo comum: o PEC do Governo PS. Esta luta deverá também ser acompanhada por uma moção de censura apresentada pelos partidos de esquerda contra o Governo PS, contra a corrupção, que se torna cada vez mais clara, e contra o PEC.

Desemprego bate novo recorde O desemprego atingiu um novo recorde: 10,8 %! De acordo com o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal tem neste momento 600 mil desempregados, o que leva o país a ser o quarto na zona euro com maior taxa de desemprego. A zona norte do país é a mais afectada, sendo as mulheres as mais atingidas. É necessário recordar que muitos destes desempregados não têm acesso ao subsídio de desemprego, vivendo situações verdadeiramente dramáticas. O Governo PS, com a cumplicidade da direita, continua a atacar os trabalhadores com os PEC´s que reduzem o valor dos subsídios de desemprego, dos abonos familiares, do subsídio de inserção social e outras prestações sociais, com o objectivo de serem os trabalhadores e as

pessoas mais vulneráveis a pagar esta crise. Carlos Pinto Coelho, porta – voz das confederações patronais, disse recentemente que é preciso flexibilizar a relação laboral, para os patrões ” terem coragem de empregar”. Na hora de despedir não tem faltado coragem aos patrões. Todos os dias cerca de 200 trabalhadores são lançados para o desemprego como se fossem ferramentas velhas que já não servem, deixando pessoas que trabalharam uma vida inteira em condições angustiantes. É repugnante que através de cortes e maior dificuldade no acesso ao subsídio de desemprego se penalize ainda mais as maiores vítimas da crise. É preciso lutar contra as políticas de direita, travar os PEC´s e derrotar a precariedade por uma política de emprego estável e com direitos.

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AGULHA - Junho 2010 - Nº8

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

Abono de Família e Subsídio de Desemprego

Breves

O Governo anunciou a revogação das medidas de apoio aos desempregados, as prestações e apoios sociais, a entrar em vigor a 1 de Julho. Está previsto reduzir a protecção social das crianças acabando com o montante adicional de abono de família, cujo objectivo é o de compensar as despesas das famílias com a educação dos seus filhos, exceptuando os beneficiários do 1º escalão. O PS/Sócrates retomou o diploma de Bagão Félix, de 2003, que na altura tanto criticou. Assim, uma família que ganhe o (SMN) Salário Mínimo Nacional (475€) só tem direito ao abono de família se tiver dois filhos. Uma família que ganhe dois SMN’s (950€) só tem direito ao abono de família se tiver quatro filhos. O que o PS está a fazer é com que as crianças vivam em piores condições, uma vez que a vida dos seus pais e da sua família está a ser cada vez mais precarizada. Como se isso não bastasse, o Governo PS/Sócrates anunciou também a revogação da majoração do subsídio de desemprego para casais ambos desempregados ou agregados monoparentais com filhos a cargo, empobrecendo ainda mais as famílias desempregadas. A desculpa desta vez foi a revogação de medidas excepcionais de estímulo à economia, mas esta revogação prevê apenas medidas de protecção social no desemprego. As medidas de apoio às empresas não constam neste projecto. Mais uma vez, o PS/Sócrates aposta nos pobres para pagar a crise. Os trabalhadores unidos mostrarão que são os ricos que têm de pagar a crise que eles criaram!

A Luta dos Trabalhadores no Mundial

Enquanto os craques da bola recebem balúrdios no Mundial de Futebol na África do Sul, os trabalhadores que mantêm a realização do Mundial têm que lutar por melhores condições de vida. Os stewards, responsáveis pela segurança durante os jogos, iniciaram uma greve em protesto contra o facto de estarem a ser mal pagos (ao invés dos prometidos 1900 rands estariam a receber 150 (cerca de 15€) por turnos de 12h). Ocuparam, assim, as imediações do estádio Moses Mabhida em Durban e fizeram com que tivesse que ser a polícia local a ocupar-se da segurança dos jogos. Os protestos tiveram imediata solidariedade de outros stewards que preparavam já uma greve também na Cidade do Cabo, antes do jogo entre a Itália e o Paraguai. A onda de protestos está a alastrar-se a toda a África do Sul. Em Johanesburgo são os condutores de autocarros que lutam contra o aumento do horário de trabalho durante o Campeonato do Mundo, e em Durban 800 manifestantes gritaram contra o gasto inusitado que o Governo fez com o torneio de futebol num país assolado pela pobreza e pelo desemprego, gritando palavras de ordem como “World Cup for all! People before profit!” (Campeonato do Mundo para todos! As pessoas antes do lucro!). Neste mundial não devemos torcer só por Portugal mas também pela luta dos trabalhadores sul-africanos, porque ela também é nossa. A nossa equipa é a dos trabalhadores!

CONTACTO

Este boletim é um espaço para todos os que desejam empreender uma participação activa na reivindicação dos nossos direitos e na organização de todos nós trabalhadores para fazer frente ao derrotismo instalado. Queremos que todos aqueles que queiram dar voz aos seus desejos de luta, denunciar situações e não encontrem sítio, usem este espaço para contribuir para o nosso fortalecimento. Tudo sempre com todo o anonimato e a segurança necessárias.

CONTACTA-NOS por telefone: 919568535 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

PARTICIPA!

PORTUGAL - Manifestação Nacional (29 de Maio) junta cerca de 300 mil trabalhadores em Lisboa sob palavras de ordem como “Nós não pagamos a vossa crise” e “Façamos como na Grécia”, demonstrando o descontentamento geral face ao PEC1 e 2 e o poder da massa trabalhadora unida; PORTUGAL - Em Barcelos, trabalhadores camarários lutam contra o congelamento salarial, entrando no passado dia 18 no 2º dia de greve consecutiva com adesão de 100%, provada pela não circulação de nenhum dos carros do lixo da cidade e arredores; EUROPA - A luta de classes explode. Por todo o lado os trabalhadores iniciam mobilizações e greves com adesões massivas contra as políticas dos respectivos Governos que teimam em proteger os lucros dos patrões, colocando em situação precária e insustentável os trabalhadores; GRÉCIA - A tenacidade grega faz-se sentir com 2 greves gerais em 15 dias no mês passado. Uma adesão a 100% paralisou por completo Atenas. Após estas greves os trabalhadores gregos prometem continuar a luta. Recuar nunca, lutar sempre. ÁFRICA DO SUL - Rebenta a luta de classes no Mundial de Futebol. Os seguranças revoltados por receberem 15€ por cada 12h de trabalho, entram em greve exigindo um salário digno.

Greve na CP Nos dias 14, 15 e 16 de Junho os maquinistas da CP realizaram uma greve que teve uma elevada adesão, paralisando os comboios de mercadorias e passageiros, sendo apenas cumpridos os serviços mínimos regulamentados por lei. A greve, decretada pelo sindicato dos maquinistas (SMAQ), deveu-se à recusa da administração da empresa em negociar problemas relativos à contratação colectiva. O SMAQ diz que não desistirá de lutar contra os constrangimentos salariais e por melhores condições de trabalho. O Agulha manifesta a sua solidariedade com a greve dos maquinistas da CP, apoiando a luta contra a política de ataque aos salários e aos direitos sociais conquistados.

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Agulha 8  

Agulha, número 8

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