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AGULHA

MAIO 2010 - Nº7

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Façamos como os Trabalhadores Gregos

dores gregos têm dinheiro mais do que suficiente para saldar a dívida grega.

Festejou-se, no primeiro dia de Maio, o dia do trabalhador. O dia ficou marcado por várias manifestações onde os trabalhadores demonstraram o seu descontentamento com as políticas do Governo PS/Sócrates. Pouco tempo depois do Governo ter anunciado o PEC, surgem agora novas medidas que vêm agravar ainda mais as condições de vida dos trabalhadores. A estratégia política do Governo é clara: diminuição do salário real, menos emprego, aumento dos impostos, menos prestações sociais, menos saúde pública e a privatização de empresas públicas estratégicas como a Galp, EDP, REN, TAP E CTT. As últimas medidas do Governo contaram com o apoio de PSD/Passos Coelho e contemplam, entre outras, o aumento do IVA em todos os escalões (afectando o preço dos bens de primeira necessidade) e a redução do salário da função pública até 1,5%. Esta negociata entre o PS/ PSD só comprova que ambos estão de acordo nas políticas a adoptar para superar a crise. Estas medidas de austeridade não são novas nem originais, são semelhantes às aplicadas noutros países, como na Grécia e em Espanha, seguindo as directrizes da União Europeia. A resposta dada pelos trabalhadores gregos tem sido, mais uma vez, exemplar – grandes manifestações e greves gerais com grande adesão. É de realçar que só neste ano houve 5 greves gerais, onde os trabalhadores gregos se manifestaram contra as políticas do Governo “socialista”. Em Portugal o caminho a seguir deve ser o mesmo. É importante haver uma grande mobilização para a manifestação, convocada pela CGTP, do dia 29 de Maio. É necessário unirmo-nos para combater estas políticas. Só assim podemos derrotar estas medidas, exigindo que a crise seja paga por quem a criou. Não podemos aceitar que, a pretexto da crise criada pelos ricos, nos continuem a roubar os direitos que tanto nos custaram a ganhar. Só com a participação e mobilização dos trabalhadores é que podemos preparar uma imprescindível greve geral que combata este PEC e outros que se avizinham. Assim, a manifestação de 29 de Maio assume grande relevo devendo ser sucedida de uma greve geral para demonstrar que estas políticas estão erradas e que lutaremos para derrubá-las.

Desde o início do ano que os trabalhadores gregos já agendaram 5 greves gerais (tendo a mais recente ocorrido dia 20 de Maio), todas com uma adesão massiva e manifestações de milhares de trabalhadores em Atenas, mostrando bem que a classe trabalhadora grega não aceita pagar a crise que os capitalistas europeus causaram.

Assim como os Governos da União Europeia estão unidos para salvar os capitalistas e os banqueiros da crise, os trabalhadores também devem estar unidos para lutar contra os seus planos de austeridade.

É PRECISO DERRUBAR O PEC

Durante anos os banqueiros alemães e franceses ganharam milhões a emprestar dinheiro à Grécia e a outros países. Agora que o déficit público grego é de 12,5% os mesmos bancos exigem juros cada vez maiores pelo dinheiro que emprestaram. Mas, desta vez, todos querem que sejam os trabalhadores a pagar a factura.

E porque cá em Portugal o Governo do PS (com a ajuda do PSD e do CDS) também quer que paguemos a crise dos capitalistas, devemos todos ir à manifestação de dia 29 de Maio e começar desde já a preparar uma grande greve geral.

O empréstimo do FMI e da União Europeia (para o qual os trabalhadores portugueses também tiveram que contribuir) à Grécia vai directamente para os bancos alemães e franceses e vai com condições: que as medidas de austeridade sobre os trabalhadores gregos (corte de 30% nos salários, aumento do IVA para 23%, diminuição do salário minimo, privatizações generalizadas) se mantenham ou se agravem, se assim for necessário, para salvar as grandes fortunas. Ao mesmo tempo, os 80 arma-

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AGULHA - Maio 2010 - Nº7

Trabalho Infantil A exploração dos mais vulneráveis é, infelizmente, usual. Mas não há pior e mais cruel do que a exploração de crianças inocentes, que muitas vezes são o ganha-pão da casa trabalhando longas horas e, geralmente, em condições desumanas. A organização internacional do trabalho (OIT) estima que mais de 200 milhões de crianças estejam envolvidas em trabalho infantil, com maior incidência em países pobres e com baixo nível de alfabetização. É preciso salientar que muitas destas crianças trabalham em indústrias de fogos de artifício, de automóveis, de extracção de cacau para a Nestlé, Cadbury entre outras, dando milhões de lucro a estas empresas. E apesar de já terem passado vinte anos após a Convenção dos Direitos da Criança

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

ainda continuam a existir casos de trabalho infantil, o que significa que pouco tem sido feito para erradicar, de vez, esta calamidade. A verdade é que não precisamos de ir muito longe para encontrar casos de trabalho infantil - a união de Sindicatos de Braga (USB) denunciou, recentemente, a existência de preocupantes casos de trabalho infantil no distrito de Braga. De acordo com a USB estas crianças têm idades compreendidas entre os 12 e os 14 anos e laboravam em pequenas confecções. Está na hora de combater este flagelo para que estas crianças tenham uma vida digna e feliz. Devolvamos o futuro às crianças! Não podemos permitir que as crianças sejam vítimas da crise!

Breves

Manifestação CGTP

- Portugal: Governo sobe o IVA com a desculpa de combater a crise; - Portugal: PEC 1 não é suficiente. O PEC 2 vem trazer mais cortes no poder de compra dos trabalhadores; - Portugal: Greve dos enfermeiros obtém 80% de adesão; - Chile: Governo é incapaz de responder à tragédia do terramoto; - Brasil: Estudantes protestam contra repressão e privatização do ensino; - Grécia e Alemanha: Greves contra a política de cortes do Governo; - Haiti: Pobreza agrava a tragédia; - Irão: Mobilização massiva contra a ditadura dos ayatollahs.

O Agulha apoia a convocatória da CGTP para uma grande Manifestação Nacional, a 29 de Maio.

Que Lucros são estes em tempos de crise? A crise sentiu-se intensamente em 2009, mas só no bolso dos trabalhadores, pois as grandes empresas lucraram como sempre: GALP - 213 milhões de euros PT - 684 milhões de euros EDP - 1.024 milhões de euros BANCA - mais de 2.000 milhões de euros. E nós é que temos de pagar a crise?

É Preciso que se Saiba

CONTACTO

Este boletim é um espaço para todos os que desejam empreender uma participação activa na reivindicação dos nossos direitos e na organização de todos nós trabalhadores para fazer frente ao derrotismo instalado. Queremos que todos aqueles que queiram dar voz aos seus desejos de luta, denunciar situações e não encontrem sítio, usem este espaço para contribuir para o nosso fortalecimento. Tudo sempre com todo o anonimato e a segurança necessárias.

CONTACTA-NOS por telefone: 919568535 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

PARTICIPA!

Os portugueses que têm trabalho ganham pouco mais de metade (55%) do que se ganha na zona euro. Contudo, os nossos gestores recebem, em média: - mais 32% do que os americanos; - mais 22,5% do que os franceses; - mais 55 % do que os finlandeses; - mais 56,5% do que os suecos.

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Agulha 7  

Agulha número 7

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