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AGULHA

ABRIL 2010 - Nº6

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Greve nos TUB com 100% de Adesão

Durante a revolução de Abril os trabalhadores obtiveram muitas conquistas laborais: salário mínimo, ensino público, saúde pública. No entanto, estas conquistas têmnos sido retiradas ao longo destes 36 anos. A pretexto da crise criada pelos capitalistas têm sido feitos ainda maiores ataques às conquistas de Abril. O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) do governo PS é o avanço mais recente da ofensiva contra os trabalhadores: diminuição do salário real, menos emprego, aumento dos impostos, menos prestações sociais, menos saúde pública. Estas têm sido as políticas de todos os governos da UE para que sejam os trabalhadores a pagar a crise. A estes ataques temos que responder com uma luta unitária, ampla e com grandes mobilizações. Assim têm feito os trabalhadores gregos com greves gerais e grandes manifestações que têm paralisado o país. Por cá as greves não têm faltado - enfermeiros, transportes, trabalhadores da limpeza e vários outros sectores têm mostrado bem o descontentamento dos trabalhadores face aos ataques do governo PS. É necessária a unificação destas lutas e a preparação de uma grande greve geral acompanhada de grandes mobilizações para derrotarmos este PEC e todas as medidas que têm posto nas nossas costas o peso da crise. Simultaneamente, temos visto Sócrates cada vez mais enredado em casos de corrupção e manter-se tranquilamente no poder. Sem mobilização popular a culpa vai morrer solteira nestes casos de corrupção do PS e PSD, a coberto de uma justiça que favorece os mais ricos e é implacável com os mais pobres. Abril trouxe mais democracia, direitos para os trabalhadores, ensino e saúde pública. Está na hora de recuperar Abril e essas conquistas.

Os trabalhadores dos TUB agendaram uma greve para os dias 22, 23 e 24 de Março insurgindo-se contra o congelamento dos salários e contra a retirada do subsídio fixo de agente único. A retirada deste subsídio significava uma descida de salário até 200 euros!

Faz falta um novo Abril

Esta política de congelamento de salários não é nova para nós. O Orçamento de Estado aprovado pelo Governo PS/ Sócrates e o PEC apresentado não deixam dúvidas quanto à estratégia do Governo para reduzir o défice: desinvestimento público, privatizações, aumento dos impostos e congelamento de salários – para que os custos da crise sejam pagos pelos trabalhadores. É necessário que todos os trabalhadores estejam unidos para derrotar estas políticas do governo e, por isso, louvamos que no primeiro dia de greve os trabalhadores dos TUB tenham impedido a entrada dos colegas requisitados no âmbito dos serviços mínimos, conseguindo uma adesão de 100%. É de louvar ainda a decisão dos trabalhadores de fazer 3 dias de greve quando a sugestão do sindicato era de fazer apenas um dia de greve ou faseada.

A greve acabou por se realizar apenas nos dois primeiros dias uma vez que a administração voltou atrás na decisão. Os trabalhadores deixaram de receber o subsídio de agente único e passaram a receber o subsídio de quebras a 13 meses. No entanto, alguns trabalhadores mostraram-se reticentes pois foi-lhes garantido que não perderiam direitos nem remuneração mas o nome do subsídio mudou. Isto foi o que deixou os trabalhadores confusos mas em plenário foi votado, por maioria, que aceitavam a proposta de Carlos Malaínho, da administração dos TUB, e diziam que têm de confiar nos representantes (sindicato). Esperemos que a administração não volte atrás no acordo e que o acordo não tenha entrelinhas não previamente explicadas! Uma prova de que a união faz a força e de que juntos somos mais fortes foi o facto de os dois sindicatos dos trabalhadores dos TUB, o STAL e o STRUP, se terem juntado e reivindicado pelos seus direitos em uníssono. Isto era o que os trabalhadores mais diziam no final do segundo dia de greve, contentes com o resultado da luta: “Conseguimos! Unidos conseguimos!” Congratulamos os trabalhadores dos TUB por terem decidido esta forma de luta, por se terem unido e chegado à adesão de 100% e por terem recuperado a remuneração que é deles por direito.

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AGULHA - Abril 2010 - Nº6

Precários, a Geração de Abril Ser precário é ser pau para toda a colher, é não poder ter ofício, é fazer estágios de profissionalização para animar as estatísticas do Governo, é não ter a certeza de arranjar trabalho amanhã, é não ter direito ao subsídio de desemprego (mesmo quando já se trabalhou muito e agora não se tem trabalho), é ser obrigado a fazer descontos mesmo quando não se ganhou dinheiro, é receber um salário de miséria e engrossar o cabedal das empresas de trabalho temporário. Ser precário é não ser contabilizado nas já extensas listas dos desempregados, é trabalhar sem contrato e poder sempre ser despedido sem justa causa, é estar sistematicamente “à experiência”, por muito comprovadamente experiente que se seja, é ser tratado como um profissional liberal quando se vive abaixo de cão, é ter um livro de recibos verdes para evitar, milagrosamente, que os empregadores tenham de assumir qualquer responsabilidade na construção e manutenção da cadeia de produção da riqueza, é não poder ter filhos porque os patrões não gostam de grávidas, nem de mães competentes, nem de pais demasiado presentes. Ser precário é ser tratado como gado, mas sem ração assegurada, é tapar os pequenos e os grandes buracos do capitalismo, é não ter a certeza de poder pagar a renda, é ter a certeza de que o dinheiro não dá para todas as facturas, é ter de

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

comer menos e menos vezes por dia, excepto quando a família ou os amigos se compadecem, é engolir a raiva, é chorar às escondidas para não dar nas vistas, é ter medo de ser etiquetado de rebelde, é ter pânico de que esse rótulo motive a perda de um emprego medíocre mas tão difícil de arranjar. Este Abril vem encontrar uma geração triste, desiludida e sem grandes esperanças no futuro. Os sonhos foram desfeitos, as bandeiras rasgadas, os hinos trocados. Uma sociedade onde a segurança no trabalho não existe. Sonhou-se, outrora, com um mundo de trabalho onde predominasse a realização pessoal, a felicidade de quem produz. Agora a nova geração, explorada como nunca, trabalha como precária nas caixas de supermercado, nas fábricas, na música e no teatro. Os filhos da geração de Abril são os PRECÁRIOS. Ser precário é ter vontade de ir para a rua gritar. Ser precário é ser obrigado a ir para a rua gritar. Ser precário é decidir ir para a rua gritar. Ser precário é ter consciência de que se todos dermos as mãos e batermos os pés, O MUNDO TREME. Retomemos Abril!

Governo deve-nos 87 euros por Mês

Breves

Foi a 17 de Janeiro que se confirmou que o salário mínimo nacional (SMN) em 2010 seria fixado em 475€. Anualmente, um trabalhador recebe 6550€. Parece pouco e realmente é temos apenas 85% do poder de compra que tínhamos em 1974! Isto deve-se a uma actualização deficiente do SMN. Se os sucessivos governos PSD e PS tivessem cumprido o seu dever de actualizar o SMN consoante a inflação, hoje receberíamos mais 87€ mensais. Ou seja, em vez dos 475€ que Vítor Constâncio (presidente do Banco de Portugal) disse ser um valor elevado, estaríamos a receber 562€! Estes 87€ que não recebemos ajudariam a recuperar o nosso poder de compra e a melhorar a economia no geral. O governo está a aldrabar-nos com a desculpa da crise! Crise que não se faz sentir no bolso do presidente da PT, Zeinal Brava, que arrecada 2,1 milhões anuais ou no de António Mexia, presidente da EDP que atinge os 3,1 milhões anuais.

Portugal - Greve dos trabalhadores

CONTACTO

Este boletim é um espaço para todos os que desejam empreender uma participação activa na reivindicação dos nossos direitos e na organização de todos nós trabalhadores para fazer frente ao derrotismo instalado. Queremos que todos aqueles que queiram dar voz aos seus desejos de luta, denunciar situações e não encontrem sítio, usem este espaço para contribuir para o nosso fortalecimento. Tudo sempre com todo o anonimato e a segurança necessárias.

CONTACTA-NOS por telefone: 919568535 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

PARTICIPA!

da companhia de aviação SATA, durante o Verão; Portugal – Greve de 75% de adesão, a 14 de Abril, dos trabalhadores dos Transportes Sul do Tejo exigindo um aumento de salários; Grécia – Trabalhadores têm realizado greves contra as políticas de direita do Governo. Está marcada para os dias 20 e 21 deste mês mais uma greve geral; França – Em Março houve inúmeras greves e manifestações contra as políticas de direita de Sarkozy (desemprego, congelamento salarial, perda do poder de compra e aumento da idade de reforma); Portugal – Trabalhadores das refinarias da Galp em greve, de 19 a 21 de Abril, contra o congelamento de salários; Portugal – Greve dos revisores da CP a 12 de Abril com adesão de 90%, contra o congelamento de salários e privatização das linhas mais rentáveis.

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Agulha 6  

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