Page 1

AGULHA

ABRIL 2011 - Nº17

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Fartos de alternância, queremos alternativa! O Governo PS/Sócrates que tanto martirizou os trabalhadores com políticas de direita finalmente caiu. Governo este que ao longo de 6 anos impôs redução de salários, cortes nas pensões, precarização do emprego e o consequente aumento do desemprego. Estas políticas não são novas, é a velha receita utilizada pela direita para que sejam os trabalhadores a pagar a crise. A derrota do Governo foi uma vitória de todos os trabalhadores, no entanto a entrada do FMI vem dar continuidade às políticas impostas pelo antigo Governo. Conhecemos os resultados desta “ajuda” económica: para o povo mais austeridade, mais precariedade, mais desemprego e mais pobreza para que a Banca e os grandes grupos económicos continuem a lucrar milhões. Todos estes mecanismos que nos privam de uma vida digna são-nos impostos em nome da Dívída Pública! No entanto, esta dívida não foi contraída por quem trabalha. Veja-se o exemplo do BPN onde foram injectados 5 mil milhões de euros dos cofres do estado para salvar um banco gerido por ladrões! Devemos seguir o caminho do povo Islandês e dizer não ao pagamento desta dívida que não é nossa. No dia 5 de Julho realizar-se-ão novas eleições legislativas. Tentam nos fazer crer que só o PS/PSD/CDS poderão constituir um Governo que nos permita sair da crise. Mas foram estes partidos que nos tem governado décadas após décadas que nos colocaram nesta situação caótica. Devemos exigir uma candidatura de Esquerda, um programa de Governo que una o PCP, BE e outras forças à esquerda do PS para superar esta crise e melhorar a qualidade de vida de quem trabalha. Fartos desta alternância, queremos alternativa: unidade BE/PCP para que sejam os ricos a pagar a crise!

Aniversário da Bosch penaliza trabalhadores No passado dia 11 de Março os trabalhadores da Bosch fizeram uma greve de 2h que foi decidida num plenário do sindicato Fiequimetal alertando para um conjunto de medidas que a entidade patronal quer impor: passagem do contrato colectivo de trabalho para individual, persistência dos prémios de qualidade ao invés de aumentos salariais e a criação de um banco de horas. Em primeiro lugar convém desmistificar que este prémio trimestral no valor de 150€ não é de qualidade mas sim de assiduidade pois os trabalhadores perdem-no se derem três faltas justificadas ou uma injustificada. Se o prémio fosse realmente de qualidade os trabalhadores não o perderiam por estes motivos. Estes prémios saem mais baratos que aumentos salariais que seriam a justa recompensa pelo seu trabalho, o verdadeiro responsável pelo crescimento da empresa.

pelo crescimento da empresa. Por ocasião dos festejos dos 125 anos da Bosch e dos 150 anos do seu fundador, os trabalhadores receberam um prémio de 16€ por cada ano de trabalho enquanto que pelo menos dois chefes de linha receberam um prémio extraordinário de 5000€. Saudamos a atitude do sindicato quando apela aos trabalhadores para não assinarem absolutamente nada sem o seu conhecimento e por terem realizado plenários para informar os trabalhadores destas medidas penalizadoras para quem trabalha, contudo achamos que deve intensificar as formas de luta. Greves de 2h, além de não serem suficientes nem detentoras da força necessária para mudar esta realidade, não são muito participadas. Há que mobilizar e consciencializar os trabalhadores que só com a luta é que se pode fazer frente aos patrões e às suas políticas neo-liberais e capitalistas.

Além disto, a empresa quer eliminar o turno da noite (estando já alguns trabalhadores dispensados deste horário devido à falta de componentes), limitando o horário laboral a dois turnos de 12h cada um, sem remuneração de horas extras, passando-as para um banco de horas. Isto representa um retrocesso nos direitos dos trabalhadores que são os reais responsáveis

1/2


AGULHA - Abril 2011 - Nº 17

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

Vale do Ave às portas da Miséria e da Fome

Breves

(Testemunho de um trabalhador)

PORTUGAL - Concentração de protesto contra o roubo e a presença do FMI, 18 de Abril em Lisboa;

Tal como eu, centenas de pessoas já com mais de 50 anos, fomos empurrados para o desemprego. Os motivos não foram apenas o encerramento das empresas, mas para continuarem a manter grandes lucros. Para um patrão milionário, diminuir a sua conta bancária significa um grande prejuízo! Sinto-me à vontade para dar o exemplo de duas empresas de Pevidém, Lameirinho e Coelima. Ao abrigo de um decreto-lei inventado pelo Governo e a pedido da entidade patronal, é possível despedir por acordo mútuo. SE O NÃO FIZEREM PASSAM A TER UMA VIDA PIOR QUE DENTRO DE UMA PRISÃO! Alegam estes senhores do dinheiro, falta de encomendas! Coisa que é mentira na maioria dos casos. Dinheiro, dinheiro… É o que leva a impor este decreto! Um casal desempregado recebe uns €840 de subsídio de desemprego. Quando abatem o valor da renda de casa, água e luz poderão ficar €500. E para comer? Se têm um filho o que vai sobrar para vestir e medicamentos? Tantas contas que todos nós sabemos! E o que vai acontecer quando terminar este mísero subsídio? A emigração? Para onde? Pedir um prato de sopa pelos vizinhos ou casas de caridade! Os ricos cada vez mais ricos. Para eles a crise é ter redução de LUCRO! Os trabalhadores só têm um caminho: virem para a rua como aconteceu na Tunísia e Egipto. O voto nos partidos de poder já nada resolve. INFELIZMENTE É A REALIDADE! Para além da fome vem aí a depressão que é o desânimo, a tristeza. VAMOS REAGIR ANTES QUE TUDO ISTO CHEGUE!

25 Abril

(Testemunho de um trabalhador na íntegra no Blog)

Era a esperança no futuro, foi sonho de um mundo onde quem trabalhava e produzia riqueza não fosse apenas um ser macambúzio, explorado e estupidificado por humilhações dos empregadores que agiam cobertos por leis próprias de um regime ilegítimo e imoral. Era a hora da conquista do respeito e da dignidade nos locais de trabalho. Na passagem de mais um aniversário da Revolução dos cravos já é bem diferente a realidade no mundo do trabalho. A esperança no futuro deu lugar à insegurança. O capitalismo nacional, servido por uma classe política/ governantes e usando uma realidade internacional provocada pelo capitalismo selvagem e imperialista mundial, criou uma malha que aos poucos caçou direitos de quem trabalha. A precariedade e a insegurança reinam. Hoje em muitas empresas estamos mais perto do trabalho à “jorna” dos tempos do século XIX do que de um emprego com segurança. Os trabalhadores são alvos de coações e pressões de vária ordem. Os trabalhadores transportam tristeza do local de trabalho para casa, não se realizam profissionalmente e as doenças neurológicas são tristes realidades dos trabalhadores.

SÍRIA - Sucessivos protestos massivos da população contra o Governo repressivo de Bashar al-Assad e seu partido (o Partido Socialista Árabe Sírio – Baath), que está no poder há 48 anos; BRASIL - Greve dos trabalhadores da construção civil de Fortaleza a 18 de Abril contra os baixos salários e contra o aumento do preço dos alimentos; ISLÂNDIA - O povo islandês dá uma prova de resistência quando (a grande maioria) vota contra o pagamento da dívida externa em referendo a 9 de Abril; IÉMEN - Centenas de milhares de manifestantes nas ruas, a 17 de Abril, a pedir a demissão do presidente Saleh; INGLATERRA - A 26 de Março em Londres, meio milhão saiu à rua contra as medidas de austeridade; BOLÍVIA - Depois da vitória dos trabalhadores que conseguiram travar o aumento do preço da gasolina imposto por Morales, o povo continua na rua contra o agravamento das condições de vida e contra os salários de miséria; PORTUGAL - Por um novo 25 de Abril, comemoremos o de 1974!

Em 25 de Abril de 1974, um grupo de heróicos CAPITÃES abriu portas para a luta com liberdade. Não deixemos fechar as portas que Abril nos abriu.

- PARTICIPA ACTIVAMENTE NA REIVINDICAÇÃO DOS NOSSOS DIREITOS! - CONTRIBUI PARA QUE OS TRABALHADORES POSSAM TER UMA FORMA DE ORGANIZAÇÃO - DENUNCIA PARA O AGULHA OS CASOS DE INJUSTIÇA DA TUA EMPRESA. - PELA CLASSE TRABALHADORA:

CONTACTA-NOS! CONTACTA-NOS por telefone: 936213983 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com 2/2

Agulha 17  

agulha número 17

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you