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AGULHA

MARÇO 2011 - Nº16

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Governo para a rua, já! O quarto capítulo vem aí. A estória que tão bem conhecemos revela-se a mesma: que sejam os trabalhadores, reformados e desempregados a suportar a crise. O PEC 4 anunciado pelo Governo PS/Sócrates após o encontro com Merkel, representante da banca europeia, prevê o congelamento das reformas, dos abonos de família, do subsídio de desemprego e cortes nas indemnizações por despedimento. Para além destas medidas o Governo irá reavaliar as condições de acesso ao subsídio de desemprego. Os sucessivos PEC´s, implementados com a justificação de “acalmar” os mercados, têm sufocado o povo e a esquerda parlamentar não tem dado uma resposta à altura. A prova disso é a moção de censura apresentada pelo Bloco de Esquerda que na realidade não tinha o objectivo de derrubar o Governo. O Bloco apresentou esta moção poucos dias depois de ter afirmado que este não era o momento para apresentá-la. A melhor moção de censura que se pode apresentar é nas ruas, à semelhança do que aconteceu no passado dia 12 onde milhares de pessoas mostraram o seu descontentamento com estas políticas. É necessário derrubar este Governo e todos os que apoiam estas políticas, como o CDS/PSD. Desta forma, o único caminho para a vitória é derrubar este Governo e apresentar uma proposta de Governo à esquerda (PCP e BE) que derrube a ditadura dos mercados com medidas que respondam às necessidades da classe trabalhadora.

Um país inteiro à rasca No dia 12 de Março o povo português fez história na rua. Aquela que começou por ser uma manifestação dirigida aos jovens pela situação de precariedade laboral, baixos salários e estágios profissionais não remunerados a que se sujeitam, rapidamente se tornou na maior manifestação independente desde o 25 de Abril, envolvendo todas as gerações deste país contra o desemprego, os cortes salariais, o contínuo desinvestimento na saúde e na educação e, principalmente, contra este Governo e contra o PSD que juntos têm imposto estas medidas à população. Precários e efectivos, estudantes e reformados, todos saíram à rua num dia em que se pôde sentir a alegria que surge quando estamos conscientes de que temos a força para mudar - mudar este Governo e mudar esta situação mas, acima de tudo, mudar as nossas vidas. É este o exemplo a seguir e é imperativo continuar os protestos até termos restabelecido o nosso direito a uma vida digna e estável, independentemente da cor do Governo.

Temos que exigir mais das nossas direcções sindicais! Temos de exigir uma nova Greve Geral, desta vez em conjunto com uma manifestação nacional para mostrarmos ao Governo, à classe política e aos patrões que quem manda neste país somos nós, os trabalhadores. Rua com este Governo e os seus aliados! Fim imediato às medidas de austeridade! Intervenção directa do Estado na produção para criar emprego! Para dar continuidade ao fervor destes protestos, já foram criadas plataformas da Geração à Rasca por todo o país, inclusive em Braga. O Agulha apela a todas as gerações a participarem e a darem o seu contributo para uma mudança das políticas que nos asfixiam todos os dias! Contacto: geracaoarascabraga@gmail.com

Embora ainda não tenha ocorrido, no momento em que se escrevem estas linhas, a manifestação nacional da CGTP de dia 19 de Março, não podemos deixar de a referenciar. Será, sem dúvida, a maior acção de protesto da CGTP após a Greve Geral de 24 de Novembro. E, no entanto, sabe a pouco. O povo saiu à rua dia 12 por vontade própria para protestar, sem necessidade de todo o aparato sindical.

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AGULHA - Março 2011 - Nº 16

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

8 de Março : Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

Breves

No passado dia 8 de Março celebrou-se o Dia da Mulher. Esta homenagem às mulheres de todo o mundo tem a sua origem em 1857 aquando de um incêndio numa fábrica têxtil em Nova Iorque (E.U.A.), incêndio este a mando do patrão da fábrica como resposta aos protestos das trabalhadoras por melhores condições de trabalho. A consequência deste acto foi a morte de 129 trabalhadoras que se encontravam nas instalações. Com o passar do tempo, a burguesia tem feito um esforço no sentido de tornar este dia em mais um dia de lucro extra. De forma hipócrita, as empresas celebram este dia fazendo-nos acreditar que uma prenda consegue omitir toda a opressão e exploração que a Mulher sofre durante todo o ano. Muitas destas empresas são geridas por mulheres que exploram outras mulheres – embora todas do mesmo género, a classe divide-as. É, sem dúvida então, um dia para homenagear o ser-se mulher, sim, mas a mulher vítima de violência doméstica, a mulher mutilada, queimada, apedrejada em nome da honra da família, a mulher que morre na sequência de uma gravidez ou parto para alimentar clínicas clandestinas, a mulher que é vendida para ser escrava sexual, a mulher que tendo emprego ainda trabalha em casa, a mulher vítima de exploração tanto por parte do homem como da mulher burguesa, a mulher emigrante, pobre, negra, esta lutadora que é a Mulher trabalhadora numa sociedade capitalista.

LÍBIA - Entusiasmado pelas notícias no Egípto, o povo líbio sai à rua para acabar com o regime de Mubarak. O povo sofre bombardeamentos mas não desiste;

Viva a luta de todas as trabalhadoras do mundo!

JAPÃO - O grande sismo de 8.9 e o tsunami devastaram o país. Centrais nucleares explodem e a bolsa de valores cai a pique. O Governo capitalista preocupa-se em injectar dinheiro nos bancos em vez de dar de comer aos sobreviventes; PORTUGAL - Grande manifestação nacional no dia 12 de Março (Geração à rasca) mostra o poder do povo; PORTUGAL - Manifestação da CGTP a 19 de Março contras estas políticas que afectam desempregados, precários, reformados, jovens e mais velhos.

Sem emprego e sem dinheiro! Braga é um distrito fortemente penalizado pelo desemprego - estima-se que haja mais de 50 mil desempregados. As falências e insolvências das empresas do distrito são usuais, muitas delas para se deslocarem para outros países para aumentarem os seus lucros à custa de mão-de-obra ainda mais barata. O encerramento destas empresas leva ao desespero de inúmeras famílias. Trabalhadores de vários sectores, que criaram riqueza com o seu trabalho, vêem-se lançados no desemprego sem perspectivas de voltarem ao mercado de trabalho. No decorrer destas falências, quase duas centenas de empresas ficaram a dever aos trabalhadores mais de 70 milhões de euros (!) em salários em atraso e crédito. Devemos lutar por uma política diferente, por uma política que promova o emprego com direitos e exigir a nacionalização das empresas que ameacem despedir preservando, desta forma, os nossos postos de trabalho. Unidos somos mais fortes!

O Agulha tem um novo número de telemóvel

- PARTICIPA ACTIVAMENTE NA REIVINDICAÇÃO DOS NOSSOS DIREITOS! - CONTRIBUI PARA QUE OS TRABALHADORES POSSAM TER UMA FORMA DE ORGANIZAÇÃO - DENUNCIA PARA O AGULHA OS CASOS DE INJUSTIÇA DA TUA EMPRESA. - PELA CLASSE TRABALHADORA:

Caros colegas,

CONTACTA-NOS! CONTACTA-NOS por telefone: 936213983 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

O antigo número do Agulha teve um pequeno problema, pelo que decidimos mudar! Não hesitem em contactar-nos, quer para nos conhecer melhor, quer para denunciar políticas injustas nas vossas empresas. Contribuam para que, nós, trabalhadores possamos ter uma forma de organização que realmente nos defenda e que lute pelos nossos direitos! Contactem para 936213983.

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Agulha 16  

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