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AGULHA

FEVEREIRO 2011 - Nº15

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Até Quando? Cavaco Silva, o candidato da direita e dos patrões, foi reeleito. Como tal, continuará a sua política de compactuar com o Governo na implementação das medidas de austeridade que atiram os custos da crise para cima do povo trabalhador. As convicções do Governo PS/Sócrates permanecem inabaláveis. Desta vez é o regime de indemnizações apresentado que vem reduzir o valor pago aos trabalhadores em caso de despedimento por parte da empresa. Por enquanto, um trabalhador ao ser despedido recebe uma indemnização de 30 dias de trabalho por cada ano nessa empresa. A proposta do Governo é que esta seja reduzida para 20 dias com um limite máximo de 12 meses. Foi proposto também que as empresas criassem um fundo para financiar os despedimentos. João Vieira Lopes, um dos representantes do patronato, afirma que caso este fundo seja criado será à custa dos salários dos trabalhadores. Esta é uma das novas medidas do Governo para 2011 que vai de encontro às normas da Comissão Europeia para que cada vez mais sejam os trabalhadores a pagar a crise, tendo já sido ordenada a subida da idade da reforma para os 67 anos. É inadmissível que obriguem quem trabalhou uma vida inteira a mais um esforço e que simultaneamente fechem as portas do emprego às gerações mais jovens, deitando por terra todas as suas expectativas de estabilidade e de um futuro melhor. É possível derrotar este Governo que tanto tem atacado as nossas condições de vida. Da mesma forma que na Tunísia os trabalhadores saíram à rua para exigir o fim do desemprego e dos baixos salários acabando por derrotar uma ditadura que durava há já 23 anos, também o heróico povo egípcio conseguiu a demissão de Mubarak. À semelhança dos trabalhadores egípcios e tunisinos também nós devemos lutar por mais e melhor! Temos que juntar as nossas forças numa nova Greve Geral, desta vez acompanhada de uma grande manifestação nacional que diga “Fora!” a este Governo e às suas políticas de empobrecimento, que diga “Basta!” aos cortes nos salários e apoios sociais!

Os Lucros da Banca A crise de que tanto se fala nos meios de comunicação é uma forma de justificar as medidas que têm sido tomadas pelo Governo PS/Sócrates. Os PEC´s que reduzem os nossos salários e aumentam os nossos impostos e a política de desinvestimento público em áreas tão determinantes como a saúde e ensino são o projecto neo-liberal que o Governo tem para Portugal. O resultado destas políticas é claro: somos o 5º país da União Europeia com maior número de desempregados (a cada dia 263 trabalhadores são postos na rua), a pobreza atinge 2 milhões de pessoas e, agravando ainda mais estes números, os apoios sociais vêm a ser reduzidos (subsídio de desemprego, rendimento social de inserção e abonos de família). Fazem-nos crer que este esforço tem que ser colectivo, mas a realidade é bem diferente. Só os quatro maiores bancos privados que actuam em Portugal (BCP, BPI, BES e Santander Totta) tiveram lucros no montante de 1.430 milhões de euros, ou seja, 3.9 milhões por dia. Ainda mais escandalosos são os impostos por eles pagos – apenas 134.8 milhões de

euros (menos de metade do que pagaram no ano passado). Em 2010 estes bancos tiveram mais lucro que em 2009 e pagaram, ainda assim, menos 56% de impostos. Como é possível fazerem-nos crer que não há dinheiro quando a banca paga cada vez menos impostos? Como é possível um trabalhador ver os seus impostos aumentados enquanto a banca os vê diminuídos? O Governo está a pôr os trabalhadores a pagar a crise que os ricos criaram. Em tempos de crise, a banca vem aumentando os seus lucros e os trabalhadores é que pagam! Acabemos com estas políticas injustas e que só favorecem quem não precisa! Todos para a rua para exigir aumento de salários e menos impostos!

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AGULHA - Fevereiro 2011 - Nº 15

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

Revolta... Descentralizada??? Na semana de 7 a 11 de Fevereiro decorreram várias greves no sector dos transportes contra os cortes salariais (no sector público) e contra o congelamento dos mesmos (sector privado), sendo estas: Dia 7 – greve de meio dia do Metro de Lisboa; Dia 9 – greve da Transtejo, Carris e STCP; Dia 10 – greve da CP, REFER e EMEF; Dia 11 – greve da Soflusa e Sector Privado de Passageiros. Esta “semana” de greves, convocada pela Federação dos Sindicatos dos Transportes (que integra a CGTP), representa mais uma machadada das direcções dos sindicatos à luta dos trabalhadores. Convocando este género de iniciativas descentralizadas sem discussão com os trabalhadores, sem objectivo à vista e com a desculpa de fazer pressão junto do Governo, a verdade é que passada uma semana já ninguém se lembra da dita greve! Uma direcção realmente disposta a lutar contra este Governo e contra os cortes impostos pelas suas políticas deveria convocar um dia de greve que congregasse todos os sectores dos transportes (incluindo os transportes municipais) com uma manifestação nacional em Lisboa para parar o país e daí lançar o apelo para uma nova greve geral com uma grande manifestação nacional que envolva todos os trabalhadores, essa sim, para fazer avançar a luta e derrubar o Governo. FORA COM OS DIVISORES DA LUTA! JUNTOS SOMOS MAIS FORTES! GREVE GERAL COM MANIFESTAÇÃO NACIONAL PARA DERRUBAR O GOVERNO!

Trabalhadores na rua e patrão desaparecido

Breves

Mais uma porta que se fecha, mais trabalhadores no desemprego. Desta vez foram os Supermercados Freitas com lojas em Braga, Famalicão, Joane, Paços de Ferreira, Carvalhos, Barcelos e Guimarães, deixando na incerteza a vida de 240 trabalhadores. Foi com surpresa que esta notícia foi recebida uma vez que, segundo um dirigente do CESP (sindicato dos trabalhadores do comércio, escritório e serviços de Portugal), havia lojas a funcionar bem e com condições para abrir as portas de novo.

PORTUGAL - Marcha lenta de protesto da PSP a 10 de Fevereiro em Lisboa contra o desbloqueamento de verbas feito pelo Governo;

Os funcionários não recebiam o seu salário desde Novembro e o responsável do sindicato limitou-se a classificar a situação como “inadmissível num estado de direito”, não apresentando nenhuma forma de luta realmente efectivadora dos direitos dos trabalhadores, deixando esta função para os tribunais. Como pode um trabalhador colocar a sua vida e a da sua família nas mãos de um sindicato que, impávido e sereno, viu o patrão mentir aos trabalhadores dizendo até ao último dia (dia do início das penhoras) que a situação ia melhorar e depois desapareceu? Um sindicato que coloca as vidas de 240 pessoas nas mãos de uma justiça que, guiada pela lei, irá utilizar o pouco património que resta para pagar a todos os credores da empresa e só depois àqueles que tanto contribuíram para o funcionamento desta – os trabalhadores! Todos para a rua pela manutenção dos postos de trabalho e por uma melhor e mais combativa organização dos trabalhadores! Por um sindicato que trabalhe pelo real interesse de quem trabalha!

EGÍPTO - Desde 25 de Janeiro a população está na rua exigindo a demissão de Mubarak. A 9 de Fevereiro, 250 mil egípcios manifestavam-se mostrando que um aumento de 15% na função pública não é suficiente para os mandar para casa. A 11 de Fevereiro Mubarak demite-se; PORTUGAL - Manifestação dos professores de EVT a 8 de Fevereiro em frente ao Parlamento contra a eliminação de horários de trabalho que apenas trará desemprego; PORTUGAL - Greve dos maquinistas da CP a 15 de Fevereiro e greve dos operadores de revisão, venda e controlo a 16 de Fevereiro contra os cortes salariais e contra os cortes nas horas extraordinárias.

CONTACTO

Este boletim é um espaço para todos os que desejam empreender uma participação activa na reivindicação dos nossos direitos e na organização de todos nós trabalhadores para fazer frente ao derrotismo instalado. Queremos que todos aqueles que queiram dar voz aos seus desejos de luta, denunciar situações e não encontrem sítio, usem este espaço para contribuir para o nosso fortalecimento. Tudo sempre com todo o anonimato e a segurança necessárias.

CONTACTA-NOS por telefone: 919568535 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

PARTICIPA!

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