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AGULHA

JANEIRO 2011 - Nº14

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Plano Operário para a Crise

Muda o ano e as políticas permanecem as mesmas. O já anunciado PEC 3 começa agora a fazer sentir-se nas nossas carteiras. O aumento do IVA faz com que os preços subam tornando o custo de vida insustentável. Nos transportes públicos o aumento ronda os 4,5%, na energia a subida de preços anda à volta dos 3,8% (cerca de 1,5 eur/mês). Na saúde, que deveria ser gratuita, descem as comparticipações e aumentam as taxas moderadoras. Até os alimentos de primeira necessidade, como o pão, sobem até aos 12%! Para além destes ataques destacam-se, também, as reduções nas deduções fiscais com a saúde, educação e habitação e os cortes significativos na função pública. As famílias sofrem, também, com a redução dos abonos de família e os mais vulneráveis, como os desempregados e as pessoas abrangidas pelo RSI, vão ver os seus rendimentos reduzidos. Será que estas medidas são inevitáveis? Será que o esforço é nacional como nos tentam fazer crer? Vejamos: a banca continua com lucros astronómicos, chegando a atingir valores na ordem dos 4,1 milhões de euros por dia! Só o BES atingiu o maior resultado de sempre - 405,4 milhões! Afinal a crise é apenas para quem sobrevive com o esforço do seu trabalho. É possível mudar de políticas apresentado medidas que não façam os trabalhadores pagarem a crise que não criaram. No entanto, os partidos políticos estão completamente focados nas eleições presidenciais e nenhum dos candidatos representa o real interesse de quem trabalha. Uma vez que estes planos de austeridade atacam toda a classe trabalhadora, independentemente do seu país, é necessário uma greve que transponha fronteiras. É urgente uma Greve Geral Europeia que demonstre que os trabalhadores estão dispostos a lutar juntos para derrotar estas políticas de direita.

Cada dia que passa vemos a nossa sobrevivência dificultada pelas medidas impostas sobre nós por parte do Governo PS/Sócrates com o apoio de PSD/Passos Coelho; tudo com a desculpa de crise e da inevitabilidade destas medidas. Mas esta não é a única forma de distribuir os custos, por isso apresentamos uma proposta de Plano Operário para sair da crise que se oponha aos PEC’s e que assente nas necessidades reais dos trabalhadores, ao invés da salvaguarda dos lucros da banca.

A Crise não é para Todos

Contra o desemprego e no apoio aos desempregados: - redução da semana de trabalho para 35 horas sem redução do ordenado para que trabalhando menos, trabalhemos todos; - fim dos lay-off; - nacionalização das empresas que ameacem despedir ou deslocalizar; - redução da idade da reforma para os 60 anos para que descanse quem trabalhou toda a vida e para reduzir o número de jovens desempregados; - pagamento do subsídio de desemprego até à recolocação no mercado de trabalho. O Estado tem que apoiar aqueles que não conseguem emprego; - proibir o despejo de desempregados, expropriar casas vazias pertencentes a bancos e com estas criar um parque

público de casas para que todos tenham casa. Vida digna a quem trabalha: - aumento do Salário Mínimo Nacional de acordo com a inflação para os 540€; - concentrar os impostos na taxação dos grandes rendimentos; - fim dos prémios obscenos aos gestores públicos; - redução dos ordenados de deputados, ministros, juízes e outros detentores de cargos públicos para o ordenado médio de um trabalhador qualificado; - nacionalização total dos sectores estratégicos da economia, como a saúde, a educação e o sector energético; - nacionalização total da banca e controlo do sector financeiro pelo Estado. Todos os dias os donos dos bancos enchem os bolsos com milhões. Esse dinheiro deve ser usado pelo Estado para criar emprego e investir nos serviços públicos para melhorar a nossa qualidade de vida. Fora o FMI: - não reconhecimento nem pagamento da dívida pública criada por banqueiros e especuladores. Os a

ricos crise

que que

paguem criaram!

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AGULHA - Janeiro 2011 - Nº 14

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

As Presidenciais da Crise Não havendo uma candidatura anticapitalista nas próximas eleições presidenciais de 23 de Janeiro, o Boletim Agulha apela ao voto em branco ou ao voto em Francisco Lopes. Tendo consciência de que nenhum destes votos é o ideal, também sabemos que é a única alternativa que nos resta. Cavaco Silva já nos habituou às suas políticas de direita, Fernando Nobre não é um candidato anticapitalista apesar de estar envolvido em causas humanitárias e Manuel Alegre é o candidato do Governo que nos tem imposto sucessivos PEC’s, cortes e aumento de impostos. Para Manuel Alegre, o PS é a esquerda possível. Assim, só nos resta Francisco Lopes ou o voto em branco. Convém esclarecer porque nem um nem outro são opções ideais – Francisco Lopes, candidato do PCP, é desconhecido da população portuguesa e a sua candidatura surge como uma resposta às necessidades internas do aparelho partidário e não, infelizmente, como uma alternativa de oposição ao regime. Além disso, não podemos deixar de evocar o caso flagrante da Greve Geral na qual o PCP foi o grande mentor da ideia de lhe tirar impacto, eliminando a possibilidade de convocar uma grande manifestação nacional! Por tudo isto, achamos que Francisco Lopes não é o candidato ideal, mas apresenta-se como uma das alternativas, pois vai contestando o neoliberalismo reinante. Já o voto em branco, apesar de também não apresentar uma saída para nós trabalhadores, seria um voto em consonância com a realidade destas presidenciais: não há uma alternativa válida para os trabalhadores e a culpa é de quem não a apresentou! Lutemos para que nas próximas presidenciais haja um candidato que realmente defenda os interesses dos trabalhadores.

FMI: Mais do Mesmo?

Breves

A actual situção económica que atravessa o país tem colocado na ordem do dia uma possível entrada do FMI na economia nacional. O FMI (Fundo Monetário Internacional) foi, supostamente, criado com o intuíto de prestar assistência aos países membros em caso de dificuldades nas suas contas públicas. No entanto, o que vemos através de exemplos como o da Grécia e o da Irlanda, é um controle por parte desta organização nas contas do Estado quando estas deveriam ser reguladas pelo Governo eleito. Na prática, este apoderamento por parte do FMI das contas nacionais, traduzse num agravamento das políticas de direita que têm vindo a ser implementadas pelo actual Governo, como por exemplo, uma nova subida do IVA, um aumento considerável dos impostos, despedimentos generalizados, cortes salariais, incluindo redução do salário mínimo nacional obrigando a classe trabalhadora a pagar uma dívida que não criou. Tenhamos, também, em conta que o país que mais influência exerce no FMI são os Estados Unidos da América, país de onde é originária a crise. Não tendo esta crise sido criada por nós, acreditamos que não devemos ser nós a pagá-la. Não reconhecemos nem pagaremos uma dívida que foi criada por banqueiros que estão, diariamente, a gerar milhões à custa de quem trabalha, à nossa custa!

ARGÉLIA - Jovens manifestam-se contra o aumento do preço dos bens essenciais e contra o desemprego. O protesto teve início a 5 de Janeiro e após 4 dias, o Governo anunciou a suspensão do aumento do IVA nos bens essenciais até 31 de Agosto;

Não à entrada do FMI!

CONTACTO

PORTUGAL - Alunos do ensino secundário de Aveiro aproveitaram uma visita de estudo à Assembleia da República para se manifestarem contra os cortes no ensino e contra o despedimento de professores, a 5 de Janeiro. Os protestos foram feitos em frente à sede do PS, em frente à Sé de Lisboa e em frente à Assembleia da República; PORTUGAL - Eleições presidenciais a 23 de Janeiro; BOLÍVIA - Evo Morales volta atrás na sua intenção de subir 83% o preço dos combustíveis devido a manifestações da população por todo o país e à greve geral dos transportes urbanos, a partir de 3 de Janeiro.

Este boletim é um espaço para todos os que desejam empreender uma participação activa na reivindicação dos nossos direitos e na organização de todos nós trabalhadores para fazer frente ao derrotismo instalado. Queremos que todos aqueles que queiram dar voz aos seus desejos de luta, denunciar situações e não encontrem sítio, usem este espaço para contribuir para o nosso fortalecimento. Tudo sempre com todo o anonimato e a segurança necessárias.

CONTACTA-NOS por telefone: 919568535 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

PARTICIPA!

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