Page 1

AGULHA

OUTUBRO 2010 - Nº11

BOLETIM ORGANIZATIVO DE COMBATE DOS TRABALHADORES DO VALE DO SOUSA, VALE DO AVE e VALE DO CÁVADO

EDITORIAL

Greve Geral e a CGTP

O Governo PS/Sócrates anunciou recentemente as medidas de austeridade que compõem o Orçamento de Estado (OE) para 2011. Seguindo o caminho dos anteriores, o PEC 3 é um ataque às condições de vida dos trabalhadores. A política do Governo para diminuir a despesa baseia-se em congelamento das pensões e do salário mínimo (já tinha sido acordado um aumento do SMN para os 500€), no corte em 20% do RSI e em 25% do abono de família, num aumento de 2% do IVA e na redução das despesas com o Serviço Nacional de Saúde que abre as portas a privados para gerirem os hospitais públicos, como acontece cá em Braga. A função pública será a mais afectada com estas medidas: congelamento do regime de progressão de carreira e corte de 5% dos ordenados (que se traduz num roubo de mais de um mês de salário por ano a 450.000 trabalhadores). No entanto, António Saraiva, representante dos patrões, já adiantou a possibilidade destes cortes se estenderem ao sector privado. Já os anteriores PEC’s deixavam claro que o objectivo do Governo e da Comissão Europeia para superar a crise é fazer com que sejam os trabalhadores a pagála. A discussão levada a cabo por PS/PSD em torno da aprovação do OE não passa de uma encenação, uma vez que ambos representam os interesses dos patrões e estiveram juntos na aprovação das medidas de austeridade que têm prejudicado quem trabalha e quem menos tem. Embora ambos digam que o esforço deve ser de todos, na prática vemos que não é assim, já que serão os trabalhadores e os reformados a suportar 80% do novo aumento de impostos, enquanto que as empresas e os especuladores da bolsa apenas cobrirão os restantes 20%. Face a todos estas medidas que atacam trabalhadores e desempregados - estima-se que o desemprego afecta cerca de 700 mil pessoas - é necessária uma resposta à altura por parte de todos nós. O Agulha apela a uma ampla mobilização para a participação de todos na Greve Geral de 24 de Novembro convocada pela CGTP com o apoio da UGT. Façamos com que esta Greve Geral seja um relançar das lutas para vencer estas medidas de austeridade. Temos que deixar bem claro ao Governo que os trabalhadores não pagarão uma crise criada por banqueiros e especuladores.

Os ataques que o Governo PS tem diferido à classe trabalhadora através dos PEC´s, têm levado a um descontentamento crescente por parte dos trabalhadores. No Orçamento de Estado (OE) apresentado pelo Governo, as medidas de austeridade continuam e são cada vez mais duras para a grande parte da população, trabalhadores, reformados e desempregados.

PEC III

Face a estes ataques, a CGTP tem respondido através de manifestações descentralizadas e desorganizadas que não dão a expressão correcta à revolta dos trabalhadores face a estas políticas. Apesar de não haver a correcta mobilização para as acções de luta, convocadas pela CGTP, os trabalhadores tem aderido de forma exemplar. A manifestação de 29 de Maio, com 200 mil trabalhadores, foi a expressão do seu descontentamento

e da vontade de lutar contra as medidas de austeridade implementadas pelo Governo. A apresentação do último PEC, em conjunto com uma excelente resposta em todas as acções de luta e com greves gerais noutros países (Grécia, França e Espanha) pressionaram a direcção da CGTP em convocar a Greve para o dia 24 de Novembro, agora apoiada também pela UGT. É imperativo que se faça uma mobilização consequente para esta Greve Geral, convocando os trabalhadores às Reuniões Gerais de Associados do Sindicato e às Reuniões Gerais de Empresa para discutir a necessidade e a importância desta Greve. Começar a preparar também, desde já, uma grande Manifestação Nacional para o mesmo dia, aproveitando esta Greve Geral para sairmos à rua para protestar contra as medidas de austeridade e deixar bem claro que não pagaremos uma crise criada pelos patrões!

1/2


AGULHA - Outubro 2010 - Nº 11

Boletim organizativo de combate dos trabalhadores

29 de Setembro e a CGTP No passado dia 29 de Setembro, Portugal (Porto e Lisboa) participou da grande Manifestação inserida na Jornada de Luta Europeia contra as medidas de austeridade que por toda a Europa têm assolado os trabalhadores. Apesar de se apontar para uma adesão elevada à Manifestação, esta poderia ter sido muito maior e imponente caso a CGTP tivesse proposto uma greve para o mesmo dia. Ao não apostar numa greve, a CGTP deixou os trabalhadores desprotegidos pois era um dia em que para participar na Jornada de Luta era necessário faltar ao trabalho. Hoje, com a quantidade de trabalho precário que existe, com o desemprego em níveis altíssimos e sempre a aumentar e com os despedimentos descarados seguidos de contratações em piores condições para fazer exactamente o mesmo trabalho, é de esperar que muitos não tivessem faltado ao emprego. O que os trabalhadores precisam é de uma direcção que esteja à altura das lutas, que as radicalize quando é preciso e que os proteja de quem os oprime. A responsabilidade da CGTP era ter arranjado soluções para que essa Jornada de Luta tivesse tido muito mais participantes, porque vontade de lutar existe e os trabalhadores têm demonstrado exactamente isso! Devemos continuar a luta e, por isso, apelamos à participação na Greve Geral de 24 de Novembro. Por mais direitos e menos cortes naquilo que é nosso!

Aumento do IVA nos bens essenciais

Breves

De acordo com a versão preliminar do Orçamento do Estado (OE) para 2011, vários produtos vão deixar de ter a taxa reduzida de IVA (6%), passando à nova taxa que o Governo quer implementar de 23%. É o caso dos leites achocolatados, as bebidas e sobremesas lácteas, dos refrigerantes, sumos e néctares de fruto e de utensílios e outros equipamentos destinados ao combate e detecção de incêndios. Entre os bens que pagavam uma taxa intermédia de IVA (13%), as conservas de carne, moluscos, frutas e produtos hortícolas vão passar a ter um imposto de 23%. O mesmo vai acontecer com óleos alimentares e margarinas, os aperitivos e snakcs, flores ou plantas ornamentais.

BRASIL - A Greve dos bancários completou 9 dias a 7 de Outubro e teve adesão crescente a cada dia. No 9º dia já quase 8000 agências bancárias estavam fechadas e reivindicavam valorização dos salários, medidas de protecção da saúde, mais contratações, igualdade de oportunidade para todos e mais segurança. Fala-se na maior greve do sector dos últimos 20 anos;

Quando anunciou as novas medidas de austeridade para o próximo ano, o Governo anunciou que, além de aumentar o IVA para os 23%, iria proceder a uma reformulação das tabelas anexas do Código do IVA, retirando da taxa reduzida e da taxa intermédia um cabaz de produtos alimentares. São mais más notícias para quem recebe pouco, para quem está a ver o seu salário reduzido e para quem está a pagar a crise, ao invés dos grandes empresários. O Governo corta até nos produtos alimentares que são bens essenciais. É possível derrotarmos esta política de direita levada a cabo pelo PS/Sócrates. Um movimento de massas organizado e combativo pode derrotar estas políticas. Saiamos à rua!

CONTACTO

Este boletim é um espaço para todos os que desejam empreender uma participação activa na reivindicação dos nossos direitos e na organização de todos nós trabalhadores para fazer frente ao derrotismo instalado. Queremos que todos aqueles que queiram dar voz aos seus desejos de luta, denunciar situações e não encontrem sítio, usem este espaço para contribuir para o nosso fortalecimento. Tudo sempre com todo o anonimato e a segurança necessárias.

CONTACTA-NOS por telefone: 919568535 envia um email para: boletim.agulha@gmail.com blog: boletimagulha.blogspot.com

PARTICIPA!

PORTUGAL - Primeiro protesto contra a cobrança das SCUT’s a 8 de Outubro em várias zonas do país: Viana do Castelo, Esposende, Póvoa do Varzim, Vila do Conde, Porto, Espinho, Aveiro, Viseu, Torres Novas e Algarve; URUGUAI - Greve Geral a 7 de Outubro contra a reforma do Estado do Governo de Mujica que irá colocar milhares de trabalhadores na rua. Exigem uma democracia operária e consulta às bases; GRÉCIA - Greve de 24 horas, a 7 de Outubro, convocada pelo sindicato dos empregados públicos para protestar contra as medidas anti-crise implementadas pelo Governo; FRANÇA - Greve Geral convocada sindicatos a 12 de Outubro por indeterminado. A Greve que afectou fego aéreo e ferroviário aconteceu o aumento da idade da reforma.

pelos tempo o trácontra

2/2

Agulha 11  

agulha nº 11

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you