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Edição

O QUINTO

Boletim informativo do quinto período Departamento de Letras PUC Minas Novembro 2017

Editorial

Turma de Letras, 5º período. Redação: Emerson Carvalho e Isadora Aguiar

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” A frase é de Guimarães Rosa, mas caberia muito bem como definição de todo o percurso caminhado pelo 5º período de Letras. É engraçado perceber a maturidade chegar; ela vem de mansinho e quieta, como nós mineiros, e logo se instaura. Quando se assusta, nada é mais como o mesmo. E, cá estamos, reunindo as tripas e os corações, em mais uma belíssima edição do Jornal O Quinto, fruto do trabalho interdisciplinar dessa turma, no segundo semestre de 2017. Há 50 anos, Guimarães Rosa deixava este mundo para ingressar na História. A frase pode soar clichê, mas toda referência é pouca para aquele que é consagrado como um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Nesta edição do jornal, abordamos a obra prima de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, vertical e horizontalmente, tal e qual merece. Em 2017, também se comemora o aniversário de outra preciosidade de Minas Gerais, Carlos Drummond de Andrade, que faria 115 anos. O escritor é considerado o maior poeta brasileiro do século XX, cuja obra alcança uma multiplicidade de temas embebedados por um poder poético sui generis. Para a comemoração do aniversário dele, preparamos um conteúdo especial e a rigor para a ocasião! Além de tais grandiosos motivos, nossa capital, Belo Horizonte, completa 120 anos de fundação. A cidade foi concebida sob influência republicana e positivista e experimentou intensamente a Belle Époque do início do século passado, mas rapidamente abraçou o espírito modernista que a tornou uma das principais cidades brasileiras. Para os curiosos e desavisados, preparamos algumas notas, com um apanhado dos principais eventos ocorridos nesse período acadêmico; e não nos esquecemos dos classificados para quem busca serviço de primeira. Há, ainda, resenhas e entretenimento da melhor qualidade! Mas não se deixe enganar, sintaxe e educação aqui são assuntos sérios, trouxemos diversas abordagens que se articulam e complementam, de modo a estreitar as relações entre questões tão importantes. Desejamos que possam, por meio dessa edição de O Quinto, entender um pouco sobre o processo de aprendizado, de criação e de reconhecimento de nossas tantas identidades. Uma excelente leitura!

Caricatura de Carlos Drummond de Andrade Autor: Ronaldo Júnior

Caricatura de João Guimarães Rosa Autor: Ronaldo Júnior


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Por um ensino abrangente da Sintaxe Pensar em língua (no nosso caso, a portuguesa), é pensar em diversos fatores como, por exemplo, a sua formação, composição e propagação. Esses aspectos abrem espaço para diversos discursos e reflexões. Tendo isso em vista, optamos por refletir sobre o uso da língua em âmbito escolar, e como esse ensino se desenvolve quando o assunto é: SINTAXE. O estudo sintático, propagado pelas escolas, pode abranger três tipos de processos: o raso, o intenso e o de qualidade. O raso é caracterizado por pouco se aprofundar no ensino sintático da língua, sendo muito parecido com o ensino de inglês em escolas no Brasil que, normalmente, só visam o verbo “to be”. Lamentavelmente, um dos resultados disso é a apreensão de um conhecimento estático pelos alunos, que vivem em um mundo extremamente discursivo e que requer uma abrangência maior em relação aos componentes da nossa língua. Nesse contexto, não cabe focalizar memorizações de pequenas estruturas que não fazem sentido, mas apresentando descrições que sejam pertinentes à vida do estudante. O processo intenso gira em torno de uma vasta exposição de conteúdos múltiplos, sem a devida aplicação. Esse processo requer muito do aluno que, muitas vezes, não encontra significado para tantas regras e estruturas. Tal formato, em algumas escolas, começa a ser cobrado no ensino fundamental, no qual boa parte dos alunos ainda não adquiriu maturidade para a abstração do conteúdo sintático. Como resultado, temos um acúmulo pesado de conteúdo que, por não fazer sentido, não será lembrado nem utilizado pelos alunos. Visto que as duas categorias expostas apresentam uma Língua Portuguesa muito cristalizada, ou seja, são processos que atendem pouco a complexidade dessa língua, trataremos do terceiro tipo, para reflexão dos leitores. Ao conversar com alunos da rede pública e privada, nos deparamos com ambas as formas já citadas do ensino da sintaxe. Por isso, notamos que seria interessante pensar em uma terceira forma de abordagem nas escolas, em que o ensino de sintaxe fosse mais proveitoso, não se pautando exclusivamente na normatividade da língua.

Ana Karla, Grazielle Kelly e Larissa Gabriela Para que a aplicação dessa dimensão de ensino seja realizada de maneira satisfatória, faz-se necessário, enquanto futuros profissionais da língua, criarmos novas abordagens para a aprendizagem da sintaxe, uma vez que as antigas maneiras de ensinar não compreendem a totalidade dos discursos que rodeiam os aprendizes. Por fim, acreditamos que o primeiro passo para que diferentes abordagens surjam é levarmos os sujeitos à compreensão da língua materna de modo abrangente, para que a considerem como algo não restrito às normas gramaticais. Além disso, para que os aprendizes sistematizem o conteúdo estudado e, por meio disso, apliquem em sua vida a aprendizagem, é necessário que os usos da língua sejam entendidos a partir do contexto, no qual determinados discursos se constroem. Sendo assim, o ensino da sintaxe não se limitaria a apenas a trechos descontextualizados e não muito atrativos para aqueles que irão estudá-los.

No meio do caminho

Autores da tirinha: Grasiele Alves, Helen Cristina e Ronaldo Júnior


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O PISA EM QUESTÃO

Projeto de Extensão Pelas Letras!

Andréa Pereira Ledo e Emerson Cássio Maia Carvalho

Iniciado em 2015, o Projeto de Extensão Pelas Letras!, coordenado pela professora Daniella Lopes e realizado na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APACSanta Luzia), é uma parceria entre o departamento de Letras e a Pró-Reitoria de Extensão. O objetivo é incentivar a leitura entre os recuperandos, que se comprometem a ler um livro e a produzir uma resenha no prazo de trinta dias, e estabelecer um compromisso de transformação social que é dever da universidade fazer acontecer. Somos quatro extensionistas (Andréa Ledo, Emerson Carvalho, Rafael Paulino e Jhonathan Willian) e o trabalho é propor rodas de conversa sobre textos lidos, auxiliar na revisão das resenhas e indicar obras que proporcionem o exercício da cidadania pela literatura. Pensamos e debatemos sobre as diversas abordagens iniciais antes de ir à APAC pela primeira vez, no primeiro semestre de 2017. A conclusão foi de que o primeiro contato só poderia se dar na forma de diálogo. Propusemos uma roda de conversa, em que todos pudessem contar sobre suas experiências literárias. O resultado foi surpreendente. Resgatamos pequenas e grandes histórias de leitura. Algumas delas nos marcaram especialmente, como o caso de um senhor, cuja experiência de leitura introdutória havia se dado na primeira passagem pela prisão. Outros relataram casos em que os livros pareciam narrar fatos similares às próprias vidas. Um deles nos esperou até o final para pedir alguma indicação. Estava lendo um livro da Coleção Vagalume. Esses contatos, aparentemente singelos, nos tocaram profundamente. Eles nos fizeram perceber que nosso intuito era de um valor indizível e que, se a nossa presença naquele espaço de cárcere for capaz de beneficiar a vida de pelo menos uma daquelas pessoas, estaremos arcando com a responsabilidade como educadores.

Aventura literária crioula No dia 14 de novembro, a escritora cabo-verdiana Vera Duarte palestrou no já tradicional Diálogos, evento do programa de pós-graduação de Letras da PUC Minas, realizado com apoio do CESPUC (Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros), do Instituto Camões e do Grupo de Estudos Estéticas Diaspóricas. Na ocasião, a escritora ressaltou a importância da participação das mulheres como produtoras de literatura e fez uma crítica a uma antologia de autores de Cabo Verde na qual figuram apenas homens. Para o deleite de todos os presentes, ao final, Vera leu um poema de sua autoria.

16ª cena (a partir de conto de Fernando Bonassi) - 15 cenas de descobrimento de Brasis (1999) Hauslton Breno Motta

Imponente, a cruz desbastada nada promete. Só os homens, feito criança, acreditam no porvir. O ouro, tão caro, de graça. A prata, tão rica, reluz além. Apenas o primeiro pronome surge à vista. Intransitivo, locupletar, de tão corriqueiro, não faz ninguém ir ao dicionário. Agora todos sabem. Mas poucos podem. A nova gramática não pede complemento. Prefere adjuntos – debêntures, títulos do tesouro, noutro paraíso, agora fiscal. Natural, só o verbo.

Emerson C. Maia Carvalho

Com vistas a entrecruzar os olhares advindos de pesquisas sobre a avaliação do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), o evento, promovido pelo grupo NELLF (Núcleo de Estudos Linguagens, Letramento e Formação), ocorreu de 25 a 27 de outubro, na PUC Minas. Participaram de mesas e painéis professores, graduandos e pós-graduandos envolvidos em um projeto com pesquisadores da PUC Minas e da Université de Lille. Nas jornadas participaram os professores Bertrand Daunay e Daniel Bart (Université de Lille), possibilitando a exposição e a discussão de investigações sobre o PISA – concepções de letramento, leitura, texto, leitor, ensino, aprendizagem, entre outras –, com base em análise de dados documentais e empíricos (exercícios aplicados a estudantes no Brasil e na França, entrevistas com professores da Educação Básica, no Brasil e na França).

25º Seminário de Iniciação Científica

Emerson Cássio Maia Carvalho

Em comemoração aos 25 anos de edição do Seminário de Iniciação Científica, o evento, realizado no Campus Coração Eucarístico, ocorreu no dia 27 de outubro, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Com falas do reitor da universidade e bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, professor Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, do presidente da Fapemig, professor Evaldo Vilela, da representante do CNPq, a diretora de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais, professora Adriana Maria Tonini, e também do coordenador de Pesquisa da Universidade, o professor Wolney Lobato, o evento contou com palestras e apresentações de trabalhos dos alunos bolsistas de iniciação científica. Representando o curso de Letras, o aluno Emerson Cássio Maia Carvalho apresentou o trabalho “A escrita da memória, os retratos da paisagem: as imagens de Brasil da seção ‘Escritores falam de sua terra’ da revista Manchete”, orientado pela professora Raquel Guimarães (Menção Honrosa). Já a aluna Maria Tereza Maia de Assis, sob orientação da professora Ev’Ângela Barros, apresentou o trabalho, fruto do projeto de pesquisa FIP: “Ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE): criação de metodologias e materiais didáticos”. Tela: Pedro Lira (19451912) National Historical Museum, Santiago, Chile. https://en.wikipedia.org/wiki/Pedro_ Lira


O QUINTO Entrevista

Entrevistamos o timorense

Ana Letícia Barbosa Moreira Rebeca Izabele Ribeiro Rúbia Guerra Resende Tatiane B. Silva Machado

Rosario de Jesus Martins, de 27 anos, estudante de Letras do oitavo período acerca de seu processo de leitura da obra Grande Sertão: veredas. No diálogo, descobrimos várias conexões entre a sua cultura e a cultura criada por Guimarães Rosa. Respostas muito interessantes reiteraram a fala de Riobaldo: “viver é muito perigoso e carece de coragem”. Entrevistadoras: Qual foi sua reação quando soube que haveria uma matéria voltada para o estudo do romance Grande sertão: veredas de Guimarães Rosa? Você já sabia de algo sobre a obra? Rosário: Para falar a verdade... Eu tive aula com a professora Márcia, e ela comentava sobre esse livro que a gente ia ler nos próximos períodos, mas eu não sabia nada do que se tratava. Então, tudo foi surpresa. E: Você acredita que o fato de vir de outro país e conhecer outras línguas ajudou ou dificultou no seu processo de leitura? Acha que sua interpretação se diferenciou muito dos seus colegas? R: Eu acho que sim, porque eu acredito que para toda interpretação a língua é a chave do entendimento sobre o texto. Eu tive muita dificuldade, mas como eu já tive aula com a professora Márcia alguns períodos antes, você já sabe como ela passa as coisas, então isso motiva a gente, mesmo estando difícil. A minha formação de língua portuguesa, basicamente, comecei quando cheguei aqui; já sabia algumas coisas porque o meu pai falava a língua portuguesa, ele nasceu em uma época em que o meu país foi colonizado pelos portugueses, mas falar mesmo português eu não falava. Aí você vai chegar à questão [do] poder do texto literário em que a escolha lexical, as construção das frases, não é por acaso que o autor vai colocar ali. Você vai construindo pouco a pouco até chegar a uma conclusão ou na mensagem que você conseguiria chegar, mesmo que não totalmente, mas pelo menos através dessas coisas, fui construindo meu entendimento, minha interpretação em cima dessas dificuldades. E: No seu país, você já tinha ouvido falar do Grande sertão: veredas? R: Não, nem o autor eu conhecia. E: O cenário que acontece a narrativa tem alguma semelhança com o seu país? R: Bom, quando vi essa pergunta, pensei assim “não sei nada sobre geografia”, porque em meu estudo foi algo não muito aprofundado em comparação ao dos alunos daqui. Como eu vi Grande sertão: veredas, daí pensei, “sertão?” Aquela secura, a terra ali foi quebrada pedaço por pedaço, só que eu vim de uma região muito diferente, lá tem essa questão de frio, a cidade é fria, tudo verde. Mas quando você entra na história, nessa questão de guerra entre grupos isso me lembrou muito o que eu vivi na época de independência do meu país, na guerra pró-independência e contra-independência; passa na minha cabeça um atirando no outro e eu vi no filme do Grande sertão: veredas as cenas, aí fica mais claro, as cenas das guerras, pessoas matavam outras, as lutas... Eu vivi isso. E: Você acha que a obra o fez refletir sobre as questões sociais e culturais de seu país e do próprio Brasil?

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R: Muito, porque eu não tive conhecimento sobre isso, [e a obra] me ajudou. A primeira coisa que fui descobrindo a questão de neologismo, a criação das palavras, o poder de uma pessoa criar aquilo ali é muito interessante. E depois, entrando um pouco na obra, o livro me fez refletir. A Márcia mostrava para a gente a divisão de duas partes do livro, o primeiro era muito complicado, depois vai para a segunda parte e entra numa linha cronológica da história. Isso me faz pensar no sentido da vida; às vezes, não tem como organizar o seu pensamento, se mistura tudo, você pode estar aqui, mas o seu pensamento em outro lugar. Até porque o autor coloca a questão de dualismo entre deus e o diabo, a questão da frase “é e não é” ao mesmo tempo, então do jeito que vai contando como ele faz, segue um momento em que você fala “essa história eu vou iniciar daqui, vou desenvolver aqui, depois eu vou seguir um final desse jeito”. Então tudo é construído, como aquela frase “pão e pães, é questão de opiniães”, não tem certeza de coisa alguma, é como você opina sobre as coisas. E: Como se deu sua interpretação sintática e morfológica dos aspectos regionais do texto? Exemplos: “Nonada”, “Pão e pães é questão de opiniões”, “Esmartes”... Sua interpretação se assemelha morfologicamente às palavras encontradas? R: Então, no início, eu tive muita dificuldade com esses neologismos. Eu fui ao dicionário e não achei, e pensei, “agora o bicho pega”, mas quando fui descobrindo que o autor é uma pessoa que, além de pegar as palavras antigas que tinham caído em desuso, recuperava essas palavras, ele também criava as palavras e as frases dele.. A gente vê que é uma coisa muito interessante, vai lendo o livro e descobrindo. Mas isso eu descobri porque a professora Márcia e outros amigos me ajudavam a refletir sobre isso. Por exemplo, “nonada” é a junção de duas palavras, se não fosse a professora explicando, antes disso ninguém sabia que “nonada” é uma junção de duas palavras de negação. A minha interpretação em relação a essas coisas só foi possível a partir da discussão que a professora fazia na aula. E: No seu país, você conhece algum autor que escreve de forma semelhante ao Guimarães Rosa? R: Até agora eu não vi, e, além disso, o meu país não fala sobre literatura. A professora Terezinha pediu para que eu pesquisasse alguma coisa em relação à literatura [do Timor Leste], mas os escritores são muito poucos, não sei se foi porque não foram publicadas as obras, ou foi publicado e depois da saída dos portugueses, [e a entrada dos indonésios], como questão de ódio, ou dominação mesmo, talvez tenham destruído algumas coisas. Pela minha pesquisa, eu nunca vi alguém do tamanho do Guimarães Rosa, eu acho que as análises dos textos têm razão ao dizer que ele é um grande escritor brasileiro, e pelo menos dos textos que li até agora do Brasil, ele é um dos melhores Uma palavra certa para você falar sobre a travessia desse livro, (é que) você tem que tomar coragem e ser firme para atravessar [a narrativa].


O QUINTO

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The Handmaid’s Tale – um conto cru e em vermelho

Tatiane Batista e Vivian Lopes ceitua como espiral do silêncio. A inércia é a morte da cidadania,

The Handmaid’s Tale é uma série televisiva criada e não é a hora de sermos inertes! Há de se impedir que nossa pelo canal Hulu e lançada em 2017. Adaptação do livro O conto da Aia, da escritora canadense Margaret Atwood, publicado em 1985, se passa em um futuro distópico, no qual, após ataques terroristas forjados, uma instituição radical e religiosa tomou posse do governo dos Estados Unidos, agora chamado República de Gilead. Nessa nova realidade, a fertilidade tornou-se um problema extremo: a maioria das mulheres são inférteis devido à contaminação ambiental. Sendo assim, as que podem conceber foram forçadas pelo governo a tornaram-se aias. As handmaids ( “serviçais”, conforme os preceitos bíblicos) ficarão vivendo com seus mestres até engravidarem e darem à luz aos bebês. O contato da aia com o bebê é suspenso após os primeiros momentos de amamentação, afinal, seus filhos, assim como seus corpos, não lhes pertencem. É pelos olhos de Offred (Elisabeth Moss), atual nome da protagonista June, que vemos o que acontece no dia a dia das aias e o funcionamento de Gilead. O prefixo Of, adicionado à Fred (Joseph Fiennes), refere-se ao nome do Comandante, dono da casa em que Offred está no momento. Assim, ela é “de Fred”. Essa é apenas uma das formas que o Estado tem de lembrar às mulheres que elas não são propriedades de si mesmas, mas sim objetos que passam de mão em mão. No decorrer da série, vemos que Offred já teve uma vida comum, com amigos, trabalho, um marido e uma filha, agora desaparecidos e dados como mortos após o caos acarretado pela instalação do novo Estado. Mesmo presa em uma rotina opressora e que a silencia cada vez mais, se render é a última coisa que June pensa em fazer. Isso traz para a série um clima de insurreição, já que, como ela mesma diz, “eles nunca deveriam ter nos dado uniformes, se não queriam que fôssemos um exército.” A série é um retrato medonho do que nossa sociedade pode um dia se tornar, se os direitos da população continuarem sendo retirados sem nenhum tipo de luta e revolta por parte das massas. Nos primeiros episódios, quando ainda estamos sendo apresentados a esse novo mundo, o que parece é que, sendo uma realidade que destoa tanto da que conhecemos, acontece em um tempo muito alheio ao nosso. Essa visão muda quando, a partir dos flashbacks inseridos na narrativa, percebemos que há poucos anos as mulheres da trama viviam normalmente, trabalhavam, estudavam e escolhiam como viveriam suas vidas. Mas o novo Estado, baseado em preceitos religiosos, foi pouco a pouco retirando esses direitos das mulheres e, logo, sua liberdade. Ironicamente, as aias de The Handmaid’s Tale precisam conceber os filhos de seus estupradores, já que seu único papel na sociedade é esse. Em contextos diferentes, considerando o cenário político em que estamos vivendo, mas ainda baseados em premissas religiosas, esse é o mesmo destino que nos caberá se a emenda da PEC 181/15 for aprovada no Senado. Para quem tem olhos céticos quanto a essa comparação, deve parecer exagero fazer um paralelo entre nossa bancada evangélica e a República extremista do seriado. Mas, afinal, o que é ser extremista? Já estamos regredindo com relação aos nossos direitos, isso é um passo para retroceder ainda mais. E, mesmo com a disponibilidade das mídias para nos organizarmos e impormos resistência, vê-se uma quantidade de pessoas que até se indigna, mas continua rolando a tela do celular e vivendo sua vida, pondo em prática o que Neumann (1977) con-

sociedade continue regredindo e caminhando para a mesma realidade distópica da ficção. A sociedade hipermoderna acalma-se na conformidade, ao pensar que, caso uma tomada de poder aconteça, a mídia será a primeira a acordá-los para o perigo. Como a passagem abaixo da obra de Atwood mostra, o discurso midiático, além de usar a superatualização como estratégia, constrói alianças de interesse entre a política e, consequentemente, manipula e distancia a realidade de seus espectadores:

Havia matérias nos jornais, é claro. Corpos encontrados em valas ou na floresta, mortos a cacetadas ou mutilados, que

haviam sido submetidos a degradações, como costumavam dizer, mas essas matérias eram a respeito de outras mulheres, e os homens que faziam aquele tipo de coisas eram outros homens. Nenhum deles eram os ho mens que conhecíamos. As matérias de jornais eram como sonhos para nós, sonhos ruins sonhados por outros. (ATWOOD, 2017, p. 54)

Tomamos tal crítica como base ao comparar a nossa atual conjuntura social e a realidade descrita em The Handmaid’s Tale, série que alcançou abrangência mundial há pouco tempo. Mas, se é de um exemplo que precisamos para abrir os olhos, podemos sair do âmbito da ficção e pensar na formação do Talibã e suas consequências para as mulheres do Afeganistão. É assustador olhar as fotos do país na década de 70, em que as mulheres estudavam, trabalhavam e andavam livremente pelas ruas, de minissaia e sem a burca, porque nos damos conta de que aquelas poderiam ser nós mesmas. Com a instauração do Talibã, que segue preceitos religiosos, sua característica extremista impôs tais restrições a toda a nação durante seu governo. As mulheres perderam o direito de vestir-se como queriam, de trabalhar, estudar e de sair de casa sem um homem acompanhando-as. Até mesmo ser tratadas por hospitais deixou de ser um direito. Ao assistir The Handmaid’s Tale, você verá violência escancarada, cenas de estupro horripilantes, opressão feminina e uma história política de horror através da perspectiva de Offred. Nada será censurado ou deixado menos explícito, porque o objetivo é esse: mostrar que o radicalismo não está apenas nos livros de história ou em lembranças ruins de nossos avós, mas sim prestes a implodir a qualquer momento, como um soco no estômago do considerado mais fraco. A luta por direitos e por uma voz nunca terá terminado para as mulheres. Os processos de retiradas de direitos nem sempre acontecem de uma vez só. Diríamos que há vezes em que somos cozinhados como sapos: aos poucos. Simone de Beauvoir já dizia para nunca nos esquecermos de que “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida”. O universo visto em The Handmaid’s Tale é uma adaptação ilustre dessa citação. Nenhuma mulher que passar pela experiência de ver a série erminará sendo a mesma de quando começou. REFERÊNCIAS ATWOOD, Margaret. O conto da aia. 1. ed. Trad. Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017. 386p. BEAUVOIR, Simone de.www.adus.org.br/2016/02/mulher-refugiada-mulher-vitoriosa NEWMANN-NOELLE, Elisabeth. A espiral do silêncio. 1977. Trad. Brasileira - Estudos Nacionais, 2017.


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Guimarães Rosa e o tradutor italiano Edoardo Bizzarri

Priscila Midori Ueno Rayane Rodrigues

A versão italiana de Grande Sertão: Veredas foi lançada pela editora italiana Feltrineli, em novembro de 1970. Edoardo Bizzarri, um historiador e crítico literário italiano, foi o responsável por esta tradução para a língua italiana; traduziu também o conto “Duelo”, do volume Sagarana e Corpo de Baile e, ainda, outras obras de grandes escritores brasileiros, como Graciliano Ramos e Cecília Meireles. Segundo se sabe, traduzir é uma tarefa árdua, assim como afirma Bizzarri (1962) em uma de suas cartas a Guimarães Rosa: “traduzir é praticar um exercício de estilo, uma pesquisa de interpretação; é afinal um ato de amor, pois trata-se de transferir por inteiro numa outra personalidade”. No livro J. Guimarães Rosa. Correspondência com seu tradutor italiano Edoardo Bizzarri, é-nos apresentada a relação epistolar de Guimarães Rosa com seu tradutor italiano. Bizzarri demonstrou, em suas cartas, grande seriedade e preocupação para traduzir palavras e expressões da forma mais “fiel” possível. Guimarães Rosa respondia às dúvidas de seu tradutor, mas ressaltava a importância da sua liberdade ao traduzir: “Enfim, aqui vão as respostas. Quero, porém, que V. tenha viva liberdade, naturalmente. Espero que o que V. vai (sic) fazer seja mais uma colaboração que uma simples tradução. Obrigado.” (Carta de Guimarães Rosa à Bizzarri, 11 de outubro de 1963). Selecionamos alguns excertos traduzidos do português para o italiano: (a) “Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda a par-

te. ” (a’) “Infine, ognuno trova buono quel che più gli fa comodo, vossignoria lo sa: cioce o scarponi, è questione di opinioni…Il sertão è in ogni parte.” A substituição da expressão “pão ou pães, é questão de opiniões” por “cioce o scarponi” (dois tipos de calçados), feita por Bizzarri, preserva o ritmo e a rima da expressão original. Porém, perde-se o jogo de palavras com o plural de ão, ães e ões, quando o plural de opinões vira opiniães, o que se justifica, em virtude de as palavras com terminação “ ão” serem peculiaridade da língua portuguesa e causarem estranhamento em falantes de línguas estrangeiras. (b) “Olhei: aqueles esmerados esmartes olhos, botados verdes, de folhudas pestanas, luziam um efeito de calma, que até me repassasse. Eu não sabia nadar.” (b’) Guardai: quegli occhi lucidi belli, di tanto verde, di ciglia fogliute, brillavano un effetto di calma, che addirittura m’imbeveva. Io non sapevo nuotare. No excerto, a sonoridade de “esmerados esmartes olhos” (fazendo alusão, por eco, à pedra esmeralda e salientando a cor verde dos olhos de Diadorim) se perde, mas o sentido original da frase é representado por “aqueles olhos lúcidos e belos, de tanto verde, de pestanas folhudas” e, pela reiteração de “i”s e de laterais “l”s, dando procurando representar leveza e calma, tão presentes na cor verde. (c) Amor desse, cresce primeiro; brota é depois. Muito falo, sei; caceteio. (c’) Un amore di questi, prima cresce, poi sboccia. Parlo molto, lo so; annoio. Nesse trecho, a construção criada que pode gerar duplo sentido para a frase “muito falo, sei; caceteio”, sobretudo pela reiteração “ falo” e “ caceteio”, não se consegue na tradução italiana, pois “falo” que, em português, pode referir-se tanto à conjugação do verbo falar em primeira pessoa do presente do indicativo como ao substantivo “falo” que remete à simbologia dada às representações da imagem do

membro sexual, não tem correspondência na língua italiana, uma vez que o verbo falar em italiano é parlare, ainda que exista, no italiano, o adjetivo fallico. Urubu é vila alta, mais idosa do sertão: padroeira, minha vida – vim de lá, volto mais não... Vim de lá, volto mais não?... Urubu è villa alta, del sertão è la più antica: Mia padrona, vita mia – La lasciai, non torno mica... La lasciai non torno mica? ... A substituição das rimas com os sons de vogais anasaladas em “sertão” e “não” é feita com as palavras antica e mica, pois, como já se frisou, também o italiano não conhece o som final nasal “ ão”, típico da língua portuguesa. Nota-se, a partir dos excertos selecionados, o trabalho de recuperação do ritmo, como, por exemplo, na busca de rimas, em consonância com a produção de sentidos na tradução para a língua italiana e o cuidado de Edoardo Bizzarri, ao traduzir Grande Sertão: Veredas, sempre com extremo zelo pelo estilo ímpar do escritor brasileiro, João Guimarães Rosa. Referências ROSA, João Guimarães. Grande Sertão. Trad. Edoardo Bizzarri. 13ed. Milão: Feltrinelli, 2011. ROSA, João Guimarães; BIZZARRI, Edoardo. J. Guimarães Rosa: correspondência com seu tradutor italiano, Edoardo Bizzarri. Ta Queiroz, 1981.


O QUINTO O aprendizado acontece no agora

Andréa Amormino da Silva

7 Ensaio fotográfico

Cordisburgo por Cordisburgo Diálogos com Grande Sertão: Veredas

Eu sou aluna do 5º período do curso de Letras da Isadora Aguiar e Paula B. Faleiro Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Sendo graduanda, sempre temi o estágio obrigatório, processo por que todos os alunos, em sua formação, necessitam passar. Sou estagiária na Escola Estadual Cândida Cabral, localizada no bairro Alto dos Pinheiros, em Belo Horizonte – MG. Essa escola apresenta as seguintes modalidades de ensino: ensino médio regular, EJA e o curso técnico de Magistério. Por meio desse estágio, conheci a história da educadora Cândida Cabral, uma professora valorosa e incrível, que lecionou por anos e anos e teceu no coração de todos que a conheceram um legado: CresCer., o qual se perpetua nos dias atuais por meio dos esforços contínuos dos seus colaboradores e dos professores que, junto com a comunidade e alunos, ensinam, transformam o impossível em possível. Pensava que seria muito difícil estagiar, por não saber ao certo o que iria encontrar pela frente. Bobagem a mi“E Maria Mutema, sozinha em pé, torta magra de preto...” nha! O Estágio Obrigatório I– Etnografias em Instituições Educacionais é um processo mais simples. Fui bem recebida por todos nessa escola. Já havia sido dirigida por meus orientadores, professora Nilza Bernardes Santiago e professor Sérgio de Freitas Oliveira, a observar, descrever, arguir e elaborar, a conhecer a escola, vivenciando-a em todo seu funcionamento externo e interno. A partir disso, vi a importância de o professor ser motivador, de a equipe ser unida e de todos almejarem o mesmo objetivo. A escola não é nada sem o seu corpo técnico e, principalmente, sem seus alunos. A alma da escola é isto: a interação aluno-professor. É importante, também, conhecer a realidade do ensino, vivenciando as experiências do dia a dia em sala de aula, além de apreender as dificuldades e as alegrias da troca mútua entre professor e aluno, em que todos aprendem pelas trocas de experiências. O olhar do “...mas era um casarão acabando o tope do morrete; enganando, até outro, o fazer, o transformar, ir além do esperado. parecia torta... (...) E tinha os restos de uma casa, que o tempo viera O processo do estágio supervisionado I ocorreu com destruindo…” sucesso devido à boa orientação dos supervisores e à receptividade de todos os funcionários, que o viabilizaram. Meu supervisor Ederson, sempre prestativo, me auxilia e mostra-se disposto a tirar qualquer dúvida. A professora e supervisora Lucrécia também tem um papel significante nessa experiência, tornando meu estágio enriquecedor. Na escola, pude conhecer a secretaria e todo seu funcionamento, bem como o processo pedagógico exercido pelos professores. A todo momento em que vivencio as experiências trocadas no ambiente escolar, me recordo de uma citação de Rubem Alves, para quem a vida não pode ser economizada para amanhã, pois ela acontece sempre no presente. Entendo, por essa frase, que o aprendizado acontece no agora. “Só ele sentado, no mocho, no meio de tudo.”


O QUINTO “A vida é essa...” Fernanda se sentou na primeira cadeira que viu. E se arrependeu assim que se assentou e as costas não encontraram suporte. Nervosa, mirou a sala em busca de uma cadeira com encosto, mas não encontrou, só haviam sobrado os banquinhos, todas as outras cadeiras estavam tomadas. “Bosta” praguejou. Agora a opção era arquear-se, já que não estava aguentando o peso dos ombros. Da bolsa de franjinha, tira o envelope dos exames. “441” lembrou, “Cê tava muito nervosa no dia do teste, calma!” – se acalentou. Do envelope, retira o bolo de papel e desdobrando-os, volta seus olhos para o numero 441 novamente: Beta HCG 441 mU/m..... taxa normal: 0-5 mU/m. “ Isso é anticoncepcional” – mentiu ela a si mesma. Minutos se passam e o seu nome é chamado. Entra nervosa e esperançosa. Saiu nervosa. As franjas da bolsa foram torcidas de tal maneira durante a consulta com o Dr. Rogério que agora pareciam Dreads. Foi até a recepcionista e marcou o retorno: 31 de outubro. Não quis pegar ônibus, foi andando de volta para casa, “É uma caminhada boa, mas o dia nem tá tão quente assim”. Da Avenida Afonso Pena até o finalzinho da Avenida Alvares Cabral, Fernanda quis voltar na clínica exigir outros exames: “Isso não tem a menor lógica, não tem cabimento, vai ter que fazer mais exames... vai que o problema é mais sério, um tumor quem sabe?”. “Volta lá e fala do tombo que você levou na quarta...”. Quando chegou mais ou menos ali perto da Alvares Cabral com São Paulo, o aperto na garganta forçou lágrimas a descerem rosto abaixo. Com a visão embaraçada, achou melhor sentar no banco do um ponto de ônibus vazio. “Ninguém pega o Circular Zero três Bê mesmo... ônibus inútil”. Quando passa o primeiro S03B, Fernanda já havia trocado o choro da pena, pelo choro da raiva “É IMPRESSIONATE COMO QUE NÃO DÁ PRA CONFIAR EM NADA NESSA VIDA... CARALHO... E AGORA? VÔ MANDAR A CONTA PRA JONTEX”... “BRINCADEIRA VIU... PALHAÇADA COM A CARA DA GENTE... ESSAS BOSTAS NUM FUNCIONA PORCARIA NENHUMA”. Quando passa o segundo S03B, o choro se cala. Agora a dor de cabeça e a sede a acompanham. “Eu tô

8 Ana Teresa F. Gontijo

chorando faz Deus sabe lá quanto tempo e ninguém veio ver se eu tô bem?” refletiu. “Ninguém vai me ajudar mesmo... é isso.. sozinha... sozinha de tudo... quem vai perder tempo comigo?” “ Essa responsabilidade vai ser toda minha...” “ Eu não tenho um centavo...nada” “ Minha mãe vai me matar e não vai levantar um dedo pr’esse menino..” “Ela vai pegar birra dele, qué vê?” Chega um estranho no ponto, e ela, meio bamba, levanta para continuar a caminhada. Terminando de descer a avenida: “ Com as meninas já não vai dar pra morar... Sá mania da Aninha de fumar no meu quarto e de chamar amigo esquisito lá pra casa não vai dá” “ Vô enfiar um berço aonde naquele imbondo de quarto?”. Da Rua dos Guajajaras, passa em frente um prédio com os avisos de aluga-se. “Se o Rafa me ajudar com a grana, às vezes dá pra morar sozinha... Se ele não ajudar, vai ficar ruim pra ele! Sem falar que todo mundo sabe da gente né.... vai ficar paia pra ele se ele não me ajudar.” . “Acho que vai ficar até mais fácil pra minha mãe vir pra Beagá... dependendo do que eu conseguir alugar, até dá pra arrumar um quarto pra ela”. Na entrada do Edifício Nazaré, Rua dos Guajajaras com Afonso Pena, o porteiro solícito dá bom dia. – “Bom dia, Miguel”. Responde Fernanda, melodicamente: “Miguel? Miguel!... nome do vô Miguel... Será que a minha mãe ainda dá conta de bordar?” Pensou Fernanda, fechando a porta do elevador...


O QUINTO CLASSIFICADOS

9 Deisiane Prado, Ana Teresa Gontijo, DriellyMoreira e Isabella M. Luciano

PIBID - Três vagas de estágio serão abertas no início de 2018. Interessados, conversar com a coordenadora do PIBID de Letras, Maria Flor de Maio, para mais informações. flmaio@terra.com.br

Aula - Rúbia Guerra (curso de Letras) Aula particular de inglês e espanhol. Dois anos de experiência na área, inclusive no exterior. Marque a sua aula experimental gratuita. Local: Funcionários – BH. Contato, rubiaguerrar@gmail.com

Pós-Graduação - Inscrição para o curso “Mídia e “Educação: as contribuições pedagógicas para professores Revisão de Texto e Tradução - Thiago Assaf Reis da educação básica”. Início das matrículas em 06/11/17. – revisão de texto e tradução do inglês para o português. Confira a documentação necessária na página do curso. Quatro anos de experiência na área. Finalizando o curso de Letras Bacharelado. Contato, thiagoassf@hotmail.com Gramática, leitura e escrita - Curso de pós-graduação lato sensu ofertado para todos os profissionais Revisão de Texto - Ofereço serviços de revisão de interessados no aprimoramento da sua competência lin- textos em português. Interessados: contato pelo celular guística. Maiores informações pelo site atendimentoiec@ (31) 9978-4240. Tatyane Freitas, graduanda do curso de pucminas.br. Letras (5° período). Vagas de Monitoria - Abertura de processo seletivo para monitoria de linguística e literatura 2018. Mais informações serão divulgadas pela coordenação do curso de Letras. Fiquem atentos!

Makeup – Drielly Luize: Maquiagem para fotos de convite de formatura e eventos (missa, colação, baile). Atendimento em domicílio. Para saber mais: acesse a pagina do instagram @make_dry.

Tradução - Jessica Petrus: Serviço de tradução do inglês para o português. Um ano de experiência na área. Certificada pela Cambridge e aluna do curso de Bacharelado em Letras. Informações, jessicaevelynpetrus@gmail.com

Fotografia - Jovem fotógrafa procura jovens modelos. Há alguns anos no mercado, com experiência e ideias de sobra. Ofereço aulas de fotografia experimental! Saiba mais em www.about.me/aguiarisadora. Conheça meu Portfólio em www.flickr.com/photos/aguiarisadoraf.

Expediente O Quinto

Boletim do quinto período do

Curso de Letras PUC Minas

Prof.ª Arabie Bezri Hermont Coordenação do Curso de Letras Prof.ª Daniella Lopes Prof. Luciano Cortez Prof.ª Márcia Marques Morais Prof.ª Maria Ângela Paulino T. Lopes Prof. Sérgio de Freitas Oliveira Prof.ª Valquíria C. Sales de Carvalho Professores do 5° período Prof.ª Ev’Angela Barros Revisão Prof. Mário Viggiano Editoração eletrônica/Edição Amanda Cristina Brenda Thaís Ferreira Nathália Santos Edição

Tatyane P. Freitas, Katiucy Cristina V. Pena e Jéssica Evelyn S. Petrus


O QUINTO DESCLASSIFICADOS

Deisiane Prado, Ana Teresa Gontijo, DriellyMoreira e Isabella M. Luciano

CURSOS Quer ser um bom ouvinte? Curso ofertado pelo professor Riobaldo. Conversas serão proibidas. Fone: (37) 3333-3333. SERVIÇOS Nhorinhá: Pimenta-branca, bafo de menino pequeno. Venha curtir momentos prazerosos e uma deliciosa limonada de pêra do campo. Atendimento na região da Aroeirinha. Madame Ana Duzuza: Adivinho a sua sorte, seja no amor ou na guerra. Faça hoje mesmo a sua consulta. Sigilo absoluto. Fone: (37)98888-8888

10 Paródia do poema “Quadrilha” de Carlos Drummond Grasiele Alves, Helen Cristina e Ronaldo Júnior

João curtia Teresa que flertava Raimundo que stalkeava Maria que tinha Joaquim como crush que corria atrás de Lili que não se apegava a ninguém. João distribuía likes nas fotos de Teresa, enquanto esta lançava olhares interessados a Raimundo, enquanto este não tirava os olhos do celular espiando o que fazia Maria, enquanto esta perdia tempo se arrumando para impressionar Joaquim, enquanto este se humilhava mendigando a atenção de Lili que não gostava de homens e vivia aos beijos com Alice que não tinha entrado na história. Cruzadinha - Grande Sertão: Veredas Jéssica, Katiucy e Tatyane

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VENDAS Vende-se miúdo Satanazim. Ajuda eficaz em planos gananciosos. Procurar por José Simpilicio. Fone: 66666-6666. Venha desvendar o jogo textual do fantástico livro de Guimarães Rosa: O Grande Sertão Veredas. Vendas: Livraria Urutu Branco. EMPREGOS Secretário/professor: Zé Bebelo contrata professor sendo secretário. Motivo: A vaga se encontra em aberto, pois o Tatarana deixou o cargo para servir ao inimigo, Joca Ramiro. Capanga: Zé Bebelo contrata profissional corajoso para auxiliar na abolição do jaguncismo. Local: Fazenda do Curralinho. Jagunço: Joca Ramiro recruta para serviço de jagunço em lei. Necessário ser forte nos fatos de valor e lealdade. Local: Fazenda Boi Preto. NOTA DE FALECIMENTO O SJMG (Sindicato dos Jagunços de Minas Gerais) informa a morte de seu mestre, Joca Ramiro. Comunicaremos o local do velório e enterro posteriormente. DESAPARECIDOS Procura-se um menino, por nome Reinaldo, de olhos verde e a boca melhor bonita. Visto pela última vez no Porto de Janeiro. Informações: (31) 995555555. Falar com Riobaldo.

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NOME QUE MISTURA "DIABO E DEUS"

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NOME DE UMA NAMORADA DE RIOBALDO

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PRONOME DE TRATAMENTO USADO PARA O INTERLOCUTOR DA NARRATIVA

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MÃE DE RIOBALDO

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JAGUNÇO QUE RIOBALDO ODIAVA

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RIO AFLUENTE DO SÃO FRANCISCO ONDE RIOBALDO CONHECE O MENINO

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O QUINTO  

Jornal elaborado para o Trabalho Interdisciplinar do 5º período de Letras, da PUC Minas. Aqui, fui coautora do prefácio (página 01), fotogra...

O QUINTO  

Jornal elaborado para o Trabalho Interdisciplinar do 5º período de Letras, da PUC Minas. Aqui, fui coautora do prefácio (página 01), fotogra...

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