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boletim informativo 4ª E D I Ç ÃO ABR | MAI | JUN 2015

Profissão exclusivamente madeirense, fruto do seu sistema público de regadio único no mundo - as levadas.

“As consequências da poluição da água de rega podem ser nefastas para as plantações agrícolas.” - leia o artigo completo na pág. 9

indicadores da baixa - 2º trimestre 2015

LIMPEZA E DESOBSTRUÇÃO DE LEVADAS As Levadas são uma característica notável e invulgar da história Madeirense, da relação do ser humano com a água, como bem comum e essencial à vida. Como tal, a sua manutenção é de inegável importância. Pág. 2

(Sistemas municipais de Câmara lobos, Machico, Porto Santo, Ribeira rava e santana)

Quantidade Água Fornecida N.º Contratos Ativos

35 852 contratos

Quantidade Resíduos Recolhidos

6 662 toneladas

Recolhas Resíduos Verdes e Monos

632 pedidos

Contentores Lavados

/aguasdamadeira

1 186 155 m3

www.aguasdamadeira.pt

geral@aguasdamadeira.pt

2 838 contentores

T. 291 20 10 20


mensagem da presidente do conselho de administração

O contrato de concessão da exploração e gestão do sistema multimunicipal de águas e de resíduos da Região Autónoma da Madeira, em regime de serviço público e de exclusividade, celebrado a 30 de dezembro de 2014, entre a Região Autónoma da Madeira (RAM) e a ARM – Águas e Resíduos da Madeira, S.A. confere a esta sociedade, como principal missão de interesse público: assegurar, de forma regular, contínua e eficiente a distribuição de água para consumo humano e para o regadio, a recolha e tratamento de águas residuais urbanas, a recolha, transferência, triagem, tratamento e valorização dos resíduos. Num território exíguo como é o da RAM, a concentração da gestão dos diversos serviços públicos das águas e dos resíduos numa única sociedade faz todo o sentido na medida em que se potencia sinergias e maximiza os recursos técnicos existentes. Não deixa, contudo, de ser um desafio que exige de todos nós um envolvimento e um comprometimento com a implementação de estratégias e soluções que contribuam para a sustentabilidade presente e futura dos nossos recursos. Para além da satisfação das necessidades básicas das populações e das atividades económicas, temos a obrigação de assegurar um elevado nível de proteção e valorização do ambiente. As alterações climáticas, a escassez de recursos financeiros, a cultura e os hábitos de consumo são pontos fracos que teremos que enfrentar com persistência e muita imaginação. Impõe-se uma mudança de paradigma com maior enfâse na otimização e gestão eficiente de ativos e recursos; maior enfoque na inovação; o recurso a fundos comunitários continuado, embora com a perspetiva de redução futura, permitindo assim alavancar investimentos a custos mais reduzidos e assegurando a recuperação sustentável dos custos a preços economicamente mais acessíveis. À ARM são colocados novos desafios, num contexto particularmente difícil, em que as famílias e as empresas se debatem com dificuldades económicas pela atual redução dos seus rendimentos. A todos nós como sociedade, exige-se maior consciencialização dos problemas ambientais, mais conhecimento, mais participação e maior capacidade de adaptação a novas realidades. A mudança de comportamentos faz parte do nosso percurso no caminho da sustentabilidade e da qualidade.

Nélia Sousa Presidente do Conselho de Administração ARM - Águas e Resíduos da Madeira, S.A.

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Atividades da ARM - 2º trimestre 2015 Durante o 2º trimestre a ARM desenvolveu inúmeras atividades no seu âmbito de atuação, De seguida realça-se Durante o 2º trimestre de 2015 (meses de abril, maio e junho) a ARM realizou inúmeras atividades, com vista algumas de maior relevância. a prestar à população um serviço de qualidade no que diz respeito ao abastecimento de água e à recolha e tratamento dos resíduos. Deu-se também continuidade à missão de dotar as pessoas de uma consciência ambiental, promovendo a separação dos resíduos e a poupança de água.

Limpeza e desobstrução da Levada das Travessas, Santana Com a necessidade da reposição do abastecimento de água e das condições normais de funcionamento do canal, executaramse os trabalhos de limpeza e desobustração da Levada das Travessas, na freguesia do Faial, concelho de Santana. Por forma a atingir os objetivos propostos foram executados os seguintes trabalhos: - Trabalhos de desmonte e remoção de pedras e árvores da encosta; - Limpeza e desobstrução da levada; - Recuperação do canal em betão danificado, incluindo execução da estrutura de contenção do canal, em betão ciclópico.

a n t e s da i n t e rve nç ão

dep oi s da i n t e rve nç ão

Limpeza e criação de condições de funcionamento dos canais principais dos Sistemas H02 (Câmara de Lobos - Ribeira BRava), H03 (Ribeira BRava - Calheta) e H08 (Santa cruz - Caniço) Pretendeu-se com estas intervenções, efetuadas nos concelhos da Ribeira Brava, Câmara de Lobos, São Vicente, Santa Cruz e Funchal, num total de aproximadamente 60 km de canal: - Criar as adequadas condições de funcionamento dos canais; - Melhorar a eficiência do sistema e os níveis de serviço. De forma a atingir os objetivos propostos foram executados os seguintes trabalhos: - Limpeza e desobstrução do canal; - Desmatação ao longo dos percursos identificados, incluindo arranque de vegetação infestante, corte e remoção de arbustos e árvores de pequeno a grande porte que condicionem a circulação, a segurança de pessoas e bens ou o normal funcionamento da infraestrutura. 2


Limpeza e desobstrução da Levada da fajã do rodrigues No passado dia 13 de maio, devido a uma grande derrocada ocorrida na encosta sobranceira à levada da Fajã do Rodrigues, no sítio da Furna da Areia – S. Vicente, que obstruiu aquele canal, o volume de água disponível para rega das parcelas associadas ao Canal do Norte entre a Serra D’Água (Ribeira Brava) e Câmara de Lobos (incluindo Campanário, Quinta Grande, Estreito de Câmara de Lobos) foi reduzido significativamente.

an t e s da i n t e rve nç ão

A ARM mobilizou os meios necessários para o local e a reposição da circulação da água neste troço foi efetuado em menos tempo que o previsto. Todas as diligências foram tomadas no sentido de minimizar o impacte desta situação. No entanto, a entrega de água aos regantes associados àquele canal foi um pouco afetada (a água foi entregue com intervalos de rega superior ao habitual). Apelou-se uma vez mais para o cuidado no consumo de água. Nesta e noutras situações de escassez de água é de enorme importância adotar comportamentos de poupança, racionalizando o seu uso na agricultura e noutros usos domésticos.

Dur an t e a i n t e rve nç ão

dep oi s da i n t e rve nç ão Dur a n t e a i n t e rve nç ão

Levada da Fajã do Rodrigues Situa-se no concelho de São Vicente, a norte da ilha Madeira. Beneficia o Canal do Norte que abastece os concelhos da Ribeira Brava e Câmara de Lobos.

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Melhoramento da captação na Ribeira da fajã das éguas Obra realizada pela ARM no âmbito do projeto da Melhoria da Qualidade da Água, com o objetivo de melhorar a qualidade da água na captação da Ribeira da Fajã das Éguas. Os trabalhos executados foram os seguintes: melhoramento da captação na Ribeira da Fajã das Éguas; construção de caixa de decantação em betão; construção de filtro de areia em betão; foi refeita a cobertura da célula do reservatório e a câmara de manobras do Reservatório, bem como beneficiação geral do mesmo.

intervenção na rede - caniçal A ARM procedeu à colocação de cerca de 150 metros de rede nova, em PEAD DN90, para abastecimento público de água na zona da Palmeira de Cima (mais conhecida pela zona do Twelve), no Caniçal. Estão previstas nos próximos meses outras intervenções no abastecimento público de água no Caniçal, por forma a melhorar este serviço à população. Bem como nas restantes freguesias dos concelhos integrantes da ARM.

Reabilitação da Conduta dos Tornos - entre a Alegria e a Fundoa Para reabilitar a conduta dos Tornos, procedeu-se aos seguintes trabalhos, entre a Alegria e a Fundoa: a) Melhoramento das condições de apoio das condutas (novas sapatas, novos apoios metálicos, recuperação dos apoios existentes); b) Tratamento anticorrosivo das condutas e apoios metálicos; c) Amarração dos tubos de cabo de sinal; d) Execução de maciços de proteção da conduta DN500 nas zonas críticas; e) Implementação de sistema de monitorização topográfica dos apoios da conduta DN500. f) Implementação de sistema de proteção catódica nas zonas de conduta enterrada.

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Remodelação - ETA Eng. Manuel Rafael Amaro da Costa (Alegria) A Estação de Tratemento de Água (ETA) Eng. Manuel Rafael Amaro da Costa (Alegria) foi alvo de remodelação. Para tal, foram efetuadas as seguintes reparações: a) Proteção anticorrosiva das serralharias; b) Reparação do reboco existente danificado (paredes de alvenaria); c) Reparação do revestimento (execução de pinturas exteriores e interiores); d) Reparação do pavimento interior; e) Eliminação de infiltrações no interior do edifício oriundas dos arredores do edifício (jardins); f) Execução de caleiras de drenagem de águas pluviais.

3ª fase do aterro sanitário - ETRS da meia serra A entrada em operação da 3ª Fase do Aterro Sanitário consiste na utilização de uma área de cerca de 16 hectares, na envolvente da ETRS da Meia Serra, situado a noroeste das células de deposição da 1ª e 2ª Fase do Aterro Sanitário. Os resíduos a depositar no aterro sanitário são os excedentes da capacidade de valorização material, orgânica e energética, bem como os resíduos resultantes dos processos de incineração, escórias e resíduos do tratamento de gases de combustão após inertização. O Aterro Sanitário é constituído por: Célula A1: para a deposição de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) que não possam ser tratados por incineração ou compostagem na ETRS da Meia Serra e os recebidos em situações de paragem programada ou acidental daquelas instalações, bem como as escórias geradas no processo de incineração, com um volume total de encaixe de resíduos de 234 000 m3, com uma capacidade de 235 109 toneladas de resíduos. Célula B: para a deposição de resíduos do tratamento de gases de combustão da incineração, após inertização, com um volume de encaixe de 218 000 m3, com uma capacidade de cerca de 240 000 toneladas de cinzas inertizadas. 5


Infra-estruturas gerais: que compreendem, entre outras, a estrada de acesso e vias de circulação internas, muro de proteção da linha de água, vedação perimetral, ampliação da central de combate a incêndio e respetiva rede de combate a incêndios, redes de drenagem de águas lixiviadas, redes de drenagem de águas pluviais nas vias de circulação e cristas de taludes, sistema elevatório de águas lixiviadas e sistemas de monitorização. Esta obra representou um investimento da ARM, S.A. na ordem de 7 850 000,00€ e o projecto foi co-financiado pela União Europeia Fundo de Coesão no âmbito do programa Operacional de Valorização do Território (POVT).

recolha de resíduos | recolhas a pedido | lavagem de contentores RECOLHA DE RESÍDUOS No 2º trimestre de 2015 a ARM recolheu (resíduos indiferenciados: 6 018t | embalagens de plástico e metal: 81t | papel e cartão: 191t | vidro: 196t | resíduos verdes, monos e outros: 176t). Produção resíduos indiferenciados (kg/hab./trimestre) 120

Produção resíduos seletivos (kg/hab./trimestre) 20

100 15 80 60

10 16,5

40 83,5

61,7

64,1

65,4

101,7

5

20 0

4,6

6,4

4,7

5,2

Machico

Santana

Câmara de Lobos

Ribeira Brava

0

Machico

Santana

Câmara de Lobos

Ribeira Brava

Porto Santo

Porto Santo

Calculou-se a produção de resíduos em quilos por habitante/trimestre. Os Munícipios com maior produção de resíduos indiferenciados por habitante/trimestre foram Porto Santo (83,5 kg/hab/trim.) e Machico (101,7 kg/hab./trim.). Os Munícipes que mais separam são os de Porto Santo (16,5 kg/hab./trim.) e de Santana (6,4 kg/hab./trim.). RECOLHAS A PEDIDO DE RESÍDUOS VERDES E MONOS O serviço gratuito (aos clientes domésticos até à 2ª hora do serviço prestado) de recolha de resíduos verdes e na monos é disponibilizado nos concelhos pertencentes à ARM, mediante pedido, através do na ilha do Porto Santo. ilha da Madeira e do Entre abril e junho de 2015 a ARM recebeu

tendo sido recolhidas

LAVAGEM DE CONTENTORES Durante o 2º trimestre de 2015 foram lavados e desinfetados Este serviço é prestado com recurso a 2 viaturas adquiridas para o efeito, com uma frequência de 6 vezes por ano aos contentores dos centros urbanos.

2 838

contentores lavados

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: VISITAS ÀS INSTALAÇÕES E AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO No 2º trimestre de 2015, foram realizadas 36 visitas às estações da ARM e 8 ações de sensibilização sobre a temática de resíduos e água em estabelecimentos de ensino. No total, foram sensibilizadas poupança de água e

sobre a separação dos resíduos e ou de tratamento de resíduos e de água).

Na impossibilidade de dinamizar ações e visitas a todos os grupos que o solicitaram, a ARM colaborou com os estabelecimentos de ensino e outras entidades, nomeadamente: Câmaras Municipais, Casas do Povo e outras sem fins lucrativos, com a cedência de material de comunicação e informação para sensibilização ambiental, no âmbito de concursos ou ações de limpeza de espaços públicos (praias, serra, jardins, etc.). v i si ta e t r s - m e i a s e r r a

E B2+3 C a m ach a

v i si ta e t r s - m e i a s e rr a

E S Jai me M on i z

v i si ta e tzl /e t - p orto n ovo

E B2+3 Porto M on i z

v i si ta e tzl /e t - p orto n ovo

E B2+3 C a n iço

v i si ta e tzl /e t - p orto n ovo

E B2+3 M achico 7

v i si ta e tzl /e t - p orto n ovo

E B1 /pe San ta Cruz


responsabilidade social RECOLHA BANCO ALIMENTAR Nos dias 30 e 31 de maio, decorreu mais uma ação de recolha de bens alimentares do Banco Alimentar. A ARM aceitou o desafio de colaborar com esta causa. Assim, durante os dias referidos, alguns colaboradores da ARM foram voluntários na recolha de alimentos organizada por aquela instituição particular de solidariedade social, no supermercado Pingo Doce do Fórum Madeira. Sobre o Banco Alimentar Contra a Fome “O Banco Alimentar Contra a Fome tem como missão “aproveitar onde sobra para distribuir onde falta”, lutando contra o desperdício, conjugando boas vontades e mobilizando pessoas, empresas e entidades diversas. Apela à solidariedade de todos os portugueses mostrando que basta uma pequena contribuição de cada pessoa para, em conjunto, ser possível ajudar muitas pessoas necessitadas e contribuir para o bem comum. A crise que se vive em Portugal, agravada pela crise mundial do último ano, torna ainda mais necessária a acção dos Bancos Alimentares para minorar as carências alimentares que atingem muitas famílias. Os produtos alimentares constituem um bem de consumo especial, na medida em que deles depende a sobrevivência. A actual situação tem consequências dramáticas e atinge sobretudo as pessoas mais pobres, nomeadamente os idosos, as pessoas que ficaram desempregadas ou possuem empregos precários e as famílias numerosas. Os Bancos Alimentares Contra a Fome distribuem os géneros alimentares recorrendo a Instituições de Solidariedade Social por si certificadas como estando em condições de avaliarem in loco a real situação de carência alimentar das pessoas objecto da sua assistência e de lhes darem o destino adequado. Deste modo, para além de combaterem de forma eficaz as carências alimentares, os Bancos Alimentares Contra a Fome lutam contra a prática do desperdício que caracteriza as sociedades actuais.” Mais informação em

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Desenvolvimento capital humano FORMAÇÃO EM PRIMEIROS SOCORROS Por iniciativa da ARM, está a ser dada formação em Primeiros Socorros aos colaboradores, nas várias instalações da empresa. Esta formação tem como objetivo dotar os colaboradores de conhecimentos básicos de prestação de primeiros socorros, que lhes permitam prestar a primeira assistência, a vítimas de acidente ou de doença súbita, até à chegada dos meios de socorro. 8


CONSEQUÊNCIAS DA POLUIÇÃO DA ÁGUA DE REGA Quando falamos de regadio, não é só a quantidade de água usada em cada rega que define a produção agrícola. De facto, a boa qualidade da água de rega também é fundamental para garantir boas colheitas.

!

A água que corre nas levadas, com origens naturais, possui características que a tornam adequada à irrigação. Contudo, ao longo do seu percurso desde a origem até à parcela do agricultor, esta pode vir a sofrer alterações prejudiciais à sua qualidade, devido à introdução ilegal e negligente de águas residuais domésticas nos canais de rega. Estas águas residuais domésticas - que se compõe de uma mistura de água com detergentes, lixívias, sabões, restos alimentares e dejetos de animais, em concentrações variáveis - aumentam drasticamente os níveis de salinidade, de cloro, de fósforo, de nitratos e de microrganismos prejudiciais na água de rega, levando a uma diminuição do crescimento das plantas e das produções obtidas. Quando as concentrações são muito elevadas poderá até levar à perda da totalidade da produção agrícola. Adicionalmente, estes compostos nocivos vão-se acumulando no solo, alterando as suas propriedades físicas, químicas e biológicas, inibindo a absorção de

nutrientes fundamentais ao bom crescimento das plantas e reduzindo a atividade das bactérias benignas existentes no solo, criando assim condições para a proliferação de determinadas doenças e pragas das culturas. Há quem argumente que os dejetos dos animais sempre foram usados como “guano” para fertilizar os solos e, como tal, a introdução destas substâncias na água de rega seria benéfica. Tal afirmação é falsa, pois para serem úteis, estes “guanos” devem ser curtidos previamente e a aplicação deve ocorrer algumas semanas antes da plantação. Caso contrário, os dejetos serão prejudiciais, pois introduzem microrganismos patogénicos e sementes de plantas infestantes no local e, no processo de fermentação, podem queimar as plantas. As levadas não podem funcionar como canais de escoamento de águas poluídas! Águas residuais domésticas devem ser canalizadas para as redes públicas de drenagem de águas residuais ou para as fossas sépticas. Lembre-se, a função das levadas é transportar água de rega para benefício das populações.

Mafalda Valadares (Técnica Superior ARM)

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Profissão: levadeiro Levadeiro é uma profissão exclusiva da Região Autónoma da Madeira, fruto do seu sistema público de regadio único no mundo – as levadas. O dicionário Priberam da Língua Portuguesa define o levadeiro como a “pessoa que distribui águas de rega através de levadas ou que cuida da sua manutenção”. Contudo, um levadeiro faz muito mais do que isso. Durante a época de regadio, os levadeiros são responsáveis por garantir que a água circule sem impedimentos nas levadas e chegue aos tornadoiros dos vários regantes no horário estabelecido. O seu trabalho inicia-se bem cedo, pois para que os regantes possam começar a regar os seus terrenos às 8h, é necessário abrir os reservatórios e as caixas divisórias atempadamente. Alguns dos locais de abertura da água estão localizados em zonas distantes e de difícil acesso, pelo que há que contabilizar o tempo que se demora a chegar ao local e o tempo que a água demora a percorrer os canais até chegar ao tornadoiro do primeiro regante. Depois de abrir a água, o levadeiro vai conduzindo-a até aos locais programados para esse dia, desviando e partilhando os caudais e desobstruindo os canais de rega para promover o avanço da água. Em média, cada levadeiro é responsável pelo fornecimento de água de rega a 244 tornadoiros em cada giro, período entre duas regas consecutivas.

Durante a distribuição da água de rega, o levadeiro efetua as manobras necessárias na rede pública de distribuição, auxilia os regantes, resolvendo conflitos, prestando informações e procurando a água quando esta não chega ao local certo na hora certa e, comunica os problemas que vai detetando na rede pública de distribuição de água de rega aos serviços centrais. Como o seu trabalho se desempenha no terreno, conhecem como mais ninguém os regantes, as parcelas e os canais de rega, tornando-os peças fundamentais para estabelecer contactos com os regantes e para colaborar com os técnicos das mais diversas valências na resolução de variadas situações. Fora da época de regadio, o trabalho dos levadeiros consiste na limpeza e na manutenção das levadas. Também auxiliam na elaboração dos horários de rega da época de regadio seguinte, efetuam a distribuição das faturas e dos horários de rega de cada um dos clientes e colaboram com os funcionários afetos às cobranças realizadas nos diversos locais da ilha. Existe ainda uma categoria de levadeiros com uma função especial: os Guardas de Canal. São aqueles que percorrem as levadas principais 24 horas por dia, garantindo que o abastecimento de água às estações de tratamento de água potável se processa de forma contínua e uniforme, para que não falte água nas nossas casas. 10


Ano hidrológico 2014/2015

A ARM, na qualidade de concessionária sistema multimunicipal de águas e de resíduos da Região Autónoma da Madeira, prossegue o objetivo de assegurar, de forma regular, contínua e eficiente, a distribuição de água para consumo humano e para o regadio. Neste sentido é essencial monitorizar a disponibilidade deste recurso de modo a garantir uma gestão adequada, que satisfaça as necessidades atuais e futuras, quer das populações quer das atividades económicas em geral. As disponibilidades hídricas na ilha da Madeira, em particular as captações de águas superficiais, nas ribeiras e nascentes, dependem da quantidade de precipitação ocorrida ao longo do ano hidrológico, cujo desempenho irá se refletir na capacidade de satisfação das diversas necessidades hídricas. Assim, a monitorização da quantidade de precipitação ao longo do ano é fundamental no sentido de avaliar as disponibilidades hídricas, analisar tendências e avaliar dos diversos cenários e suas possíveis consequências para os sistemas de abastecimento público da RAM. Atendendo aos objetivos referidos, a ARM, S.A. dispõe de uma rede monitorização de pluviosidade (rede udométrica) constituída por 34 estações udométricas, distribuídas em toda a ilha com particular incidência na vertente sudeste e norte maciços montanhosos, cuja distribuição geográfica é ilustrada abaixo. Localização Postos Udométricos - Ilha da Madeira

O ano hidrológico inicia-se em outubro e termina em setembro de cada ano, sendo dividido em época húmida e época seca. A época húmida inicia-se com as primeiras chuvas, em outubro, e decorre até abril. No ano hidrológico médio, 78 % da precipitação anual ocorre na época húmida. A época húmida do corrente ano hidrológico 2014/2015, como é de perceção geral, não foi favorável ao nível da pluviosidade. O gráfico seguinte mostra o desvio da média mensal atendendo aos registos históricos datados desde 1940. 11


Variação da precipitação média mensal do ano hidrológico de 2014/2015 face à média da precipitação média para o período homólogo, desde 1940

No global, o desempenho hidrológico no período húmido do ano 2014/2015 foi desfavorável, sendo que o mês de junho foi o mais seco. Já o mês de novembro que foi o único mês que registou valores acima da média, dos últimos 75 anos (desde 1940). Na época húmida do corrente ano hidrológico registou-se uma redução da ordem dos 30% face ao ano médio. Esta informação permite antever algumas dificuldades no abastecimento de água, principalmente no regadio, pelo que evitar o desperdício de água é uma forma de minimizar os efeitos da redução da precipitação.

Para a gestão da rede de udométrica da ARM, a empresa dispõe de uma equipa de hidrometria constituída pelos técnicos Ana Paula Nunes, Carlos Cafofo, Eng.ª Madalena Fugaréu e Eng.º António Brazão, que tem, entre outras funções, a recolha semanal de dados udométricos, medições de quantidade de água disponível em pontos estratégico do sistema (canais, linhas de água, nascentes, etc), a monitorização dos níveis piezométricos das lagoas dos Santo da Serra, Portela e Águas Mansas e assegurar o bom funcionamento das rede de estações hidrométricas distribuídas nos principais canais de rega, num total de 24 estações hidrométricas com registo digital automatizado, bem como o tratamento estatístico e análise dos dados recolhidos. As principais dificuldades decorrentes das funções atribuídas à equipa de hidrometria prendem-se com o facto do exercício de funções ao ar livre ser particularmente sensível às condições meteorológicas, às dificuldades de acesso e perigosidade de determinados locais. Esta equipa é uma das mais antigas da empresa e trabalha em conjunto desde 1989.

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dicas

POU PAR

á

Quando não chove é necessário redobrar

os cuidados com a poupança de água

CASA DE BANHO: - Tome duches rápidos - Evite banhos de banheira cheia - Feche a torneira enquanto lava os dentes, se barbeia ou se ensaboa - Reduza a quantidade de água no autoclismo colocando uma garrafa de areia

MANUTENÇÃO: - Não deixe torneiras a pingar - Mantenha em bom estado a canalização, torneiras e máquinas - Contacte a ARM se detetar uma fuga na via pública através do 800 910 500

JARDIM: - Regue o jardim nas horas de menor calor - Evite usar água potável para regar jardins e lavar o carro Use um balde para lavar o carro - Se tiver piscina faça manutenção do filtro regularmente COZINHA: - Use máquinas de lavar roupa e loiça com a carga completa - Se lavar a loiça manualmente encha a bacia do lava-loiça - Pouca quantidade de roupa pode ser lavada à mão e a água aproveitada para lavar o chão

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Boletim Informativo ARM - 4ª edição  

Boletim informativo com o resumo das principais atividades da ARM - Águas e Resíduos da Madeira, S.A. no 2º trimestre de 2015.

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